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Original subtitles

O GOLPE DO GÉNIO

Baseado na obra de...

ARGUMENTO

MÚSICA

Obrigado, senhor.

FOTOGRAFIA

BANCO INTERCONTINENTAL DO CANADÁ

MONTAGEM

REALIZAÇÃO

Olá.

Lasky!

Não pareces lá muito feliz de me ver.

Então? Já não gostas de mim, Georges?

Não...

Eu cá gosto de ti.

Que fazes aqui?

Preparam algum golpe? É isso, meus patifes?

Não.

Posso ajudar, conheço bem Montreal.

Se precisarmos de um bom restaurante, avisamos.

Lasky!

Estás com ar de quem vai dar uma cabeçada,

mas olha bem nos meus olhos. O que vês?

Vês? Não sabes ler os olhos. Anda! Traz os pacotes.

Temos de desistir, Grimm. Porfavor.

Podemos ir para outro lado, mas não para onde estiver o Lasky.

É um selvagem, disposto a tudo!

Não! Vamos desistir, porfavor!

És muito bom nisso.

Se fizeres isso amanhã, está no papo.

Dois milhões e 300 mil dólares.

Pára, estás a fazer-me cócegas.

Pára! Fazes-me cócegas com esses deditos.

Cuidado, é dinamite.

Como podes ter a certeza de que vai resultar?

Não tenho certeza de nada. Acho que vai falhar.

Não.

Viste? Estão armados até aos dentes.

Georges... vai funcionar.

Vai funcionar porque sou um...

Génio!

É preciso pouco, para ficar com ar de parvo.

Para ti nem é preciso nada, é verdade.

Tu, pelo contrário, esmeraste-te.

- Olá, Mr. Ryan. - Olá, Francês.

CIRCO GOLDEN

Onde é o teu circo?

O que tens no nariz? Uma Iâmpada eléctrica?

Desandem!

Ouviram? Não fala como um palhaço. Não é um palhaço a sério!

Basta, miúdos. Estão a irritar-me. Pirem-se, ouviram?

Então, pequeninos...

Agora... Música!

- Como vai isso, Frankie? - Óptimo!

Mais! mais! Mais!

Parem! Atenção!

Um coelho!

Não te esqueças... muitas cenouras.

O palhaço...

Bom dia, senhor guarda!

Oh, o guarda molhou-se!

Ele é tão mau!

Vá brincar lá para fora. Isto é um banco.

Queres um balão?

Saia! Aqui trabalha-se.

O balão!

Eu também estou a trabalhar.

Frank Coste? Posso chamar-te Frankie?

Frankie, o que te ensinaram a fazer quando te apontassem uma arma?

- A levantar os braços. - E então?

Isso mesmo.

- Toma... porque foste simpático. - Mais! Mais! Mais!

Meninos, acabou-se o espectáculo. A cortina!

Só há uma saída, neste banco. Nunca foi arrombada.

Nunca?

E este botão? É o alarme?

Para avisar a polícia?

Gostavas? Que os chamássemos?

És tão querido... pronto!

Todos de mãos no ar e nada de pânico.

Ele tem uma arma verdadeira e é um palhaço falso.

Muito bem, Frankie.

Não, merda!

Atenção. Temos um cliente no Intercontinental. Chamem o Fox!

- Certo, Chefe. - Depressa!

Isso, assim está muito bem.

Muito bem. Braços no ar.

O senhor aí do fundo... Saia de detrás do balcão.

- Saia ou abato o guarda. - Senhor, saia! Não quero morrer.

Vou contar até três.

Um...

... dois...

Senhor, tenho quatro filhos.

O que se passa, Frankie?

Mas que circo é este?! O que é isto?!

Frankie, perguntei o que se passa aqui.

É um assalto, senhor.

- Quem é este senhor, Frankie? - O Director.

Bom, apresenta-nos.

- Bom... o ladrão... o director. - Prazer.

Ouça, jovem, a polícia demora 30 segundos. Não tem hipóteses.

Saia deste banco antes que acabe mal para si.

Voltem ao trabalho, porfavor!

Talvez seja uma partida.

A polícia!

30 segundos!

E agora, uma pergunta.

O que é redondo como um balão

e explode quando atiramos?

Uma cabeça.

Já viu explodir alguma cabeça, Sr. Director? Pois bem, eu mostro!

Creio que este senhor

está a tentar dizer que vos vou dar um tiro a todos,

se não me levarem a sério.

E tem razão.

Tenha calma. O que espera de nós?

O que espero de vocês?! O que espero de vocês?!

- Uma roda. - Uma quê?

Vamos fazer uma roda.

Vamos, de pé! Mandei levantar!

É um doido! Estamos nas mãos de um doido!

Não sou doido! Ninguém me chama doido!

Entendido?!

Sou doido, eu? O teu bigode...

- Responda. Sou doido? - Não, não...

Assim gosto mais. Bom, agora, todos para o centro.

Segurem-se pelos ombros! Vamos fazer uma roda.

Vá, meu caro Frankie. E o Sr. Director.

- Desculpe... - Senhora, está grávida.

Está dispensada da roda.

Vá, vamos lá. Segurem-se aos ombros uns dos outros. Isso, vamos lá.

E agora, vamos cantar uma canção!

- "Na Clara Fonte". - Está bem.

Atenção. Um, dois, três!

"Na Clara Fonte"

"Fui Passear"

"Encontrei a água tão clara"

"Que me banhei"

Um palhaço. Sim, Chefe.

Sim, um palhaço! Com uma cabeleira e um nariz de palhaço.

- São quantos? -40.

Uns quarenta, Chefe.

Bom, estão agarrados aos ombros uns dos outros e estão a girar.

Estão a fazer uma roda. O comboiozinho, sei lá...

Sim, sim, claro.

O que está ele a fazer? Vejam!

- Vai disparar! - Disparou!

Disparou contra a câmara. Já não temos imagem.

Enquanto disparar só contra as câmaras, tudo bem.

- Estou lá daqui a cinco minutos. - Certo, Chefe.

Ligue à minha mulher e diga-lhe que não vou almoçar.

Certo, Chefe.

Tinha-me feito lasanha. Que pena.

Sim, uma soma avultada. Era o dia da paga dos camionistas.

Temos uma foto a laser. Sim, vou já para aí.

POLÍCIA QUARTEL-GENERAL

- Aos vossos lugares. - "Inspector? Tentamos entrar?"

Não, já disse que não se faz nada por enquanto!

Não. Não posso. Não abrirei esta porta!

Vai ter de me cortar a mão, para a colocar no ecrã.

Estou a sufocar!

Tenho de sair daqui!

Tenho de sair daqui!

Sr. Director, tenho quatro filhos!

Não! Não, não e não!

Não, Sr. Director!

Não lhe cortaria a mão. Tenho melhor ideia.

E agora, uma pergunta.

Quando misturamos...

... nitrato de sódio com parafina, obtemos...

... a...?

... a...?

Dinamite!

- É dinamite! - Dinamite.

Uma mecha, uma mecha!

Lume! Aqui.

Vai fazer "Bum"!

Vai mandar-nos pelos ares! É um louco!

Vejam os olhos dele! É um selvagem!

- Sr. Director, olhe para ele! - Daqui a 30 segundos, fará "bum"!

Temos de fazer qualquer coisa! Abra a porta!

Abra a porta!

Sr. Director, tenho quatro filhos!

Pronto, está bem. Espere!

Pronto.

Tudo isto é meu! Só meu!

E pronto!

Tudo bem, Fox? Então?

Ainda nada. Ele ainda não fez qualquer exigência.

Um palhaço?

É a primeira vez...

Cerquei o bairro todo.

E pus atiradores de elite portoda a parte.

- Não aponte, Fox. - Desculpe?

Se ele nos estiver a ver, acaba de lhe mostrar onde estão os homens.

Desculpe, Chefe. Fala o Fox. Passa-me o Charlie.

Não gosto de palhaços. Quando era pequeno, faziam-me medo.

Quero falar com este palhaço. Ligue para o banco. Vamos.

Charlie!

Prioridade. Bloqueiem uma linha telefónica.

Prioridade para a linha do banco, entendido?

Um milhão.

Um milhão e 50 mil...

Um milhão e 100 mil...

Um milhão e 150 mil...

Um milhão e 200 mil...

Um milhão e 250 mil...

Um milhão e 300 mil...

Que música celestial!

Que perfume!

Senhora, se for um menino, faça dele um ladrão.

- Viverá grandes momentos. - Um milhão e 500 mil...

- Um milhão e 550 mil... - E nada de erros!

- Ainda vai demorar? - Queremos sair!

Se se portarem bem, vai ser rápido.

O que é que pôs no bolso?!

O que é que pôs no bolso?!

Esvazie o bolso!

Vamos!

- O que é isto? O que é isto?! - Tinha depositado 400 dólares

quando você chegou. Ele não teve tempo de dar o talão do depósito.

Não é razão para me roubar!

Vai matá-lo! Vai abatê-lo! Vejam os olhos dele! É um selvagem!

Não o mate. 400 dólares é uma ninharia.

Ouve lá!

Se continuas a espalhar o pânico limpo-te o sebo

e atiro o teu cadáver para o incinerador! Continuem!

- Vá, não exageres... - Vamos! Ocupa-te do carro!

Minha senhora...

Vamos, todos lá para dentro.

Dois milhões e 300 mil dólares.

Pronto... tem aqui tudo.

Muito bem, rapaz, mas vai lá para dentro.

- Pronto... Portem-se bem. - Não!

Toca a despachar!

Já lá para dentro! Vamos, depressa!

O mínimo gesto, o mínimo barulho...

... e atiro-vos com uma carga de dinamite, entendido?

Grande bandido! Escolheste bem o dia, não foi?!

-400 eram meus! - Bandido!

NOTÍCIAS

Bom, insista até que ele atenda!

Sim, quero falar com ele! Idiota!

- Chegaram os mexeriqueiros, chefe. - Os nossos amigos da imprensa.

Quer o meu pente, Chefe?

Não, obrigado, tem o cabelo oleoso.

Quero tudo resolvido daqui a uma hora.

- E que lhes vai dizer? - A eles? Nada.

É ao raio do palhaço que vou falar.

Palhaço!

Estás a ouvir-me?

- Ouve bem. - Que bela roupa.

Sou o chefe da polícia.

Vou dar-te um bom conselho.

Liberta todos os reféns, sai do banco e acaba-se o circo!

Não o apresse. Não sabemos do que é capaz.

Já não tenho idade para temer palhaços. Guarde os seus conselhos.

- Ouviste, palhaço?! - Afastem-se.

Somos mil, cá fora. Vamos entrar e fazer-te em picado!

Sou o Chefe da Polícia Simon Labrosse e falo a sério.

- O que estás a fazer? - Vou acalmá-lo um pouco.

Achas que ficaram mais calmos?

- Grimm... - Sim.

- Continuas optimista? - Sim.

Tens uma boa natureza.

Cessarfogo.

- Cessar fogo, já disse! - Não atirem mais!

Viste?

Vou sair com um refém. Quero parlamentar!

Está bem, palhaço, vamos falar.

Mas não faças disparates, ouviste? Pronto, observa.

O teu bigode.

Vamos.

Podes sair.

O teu nariz.

Não posso respirar com esta porcaria.

Ouçam bem!

Tenho 32 reféns lá atrás. E estou disposto a tudo!

As espingardas dos telhados têm de sertiradas dali.

Baixem as espingardas, rapazes!

Baixem as armas!

- Agora é contigo. - O que digo?

Estás a gozar ou quê? "É louco e vai matar-nos a todos".

Ele é louco! Vai matar-nos a todos. Socorro!

Não te pedi que cantasses.

Ouve, palhaço.

Não tens hipóteses. A polícia cercou o banco.

Rende-te. Não sejas parvo.

Ouça, Labrosse!

Se vai ser grosseiro comigo, arranco-lhe uma orelha!

Quero que me respeitem!

Quero que me amem!

Quero que toda a gente me ame!

Sou um palhaço triste.

Labrosse.

Diga que me ama.

Labrosse!

Repito que tenho 32 reféns lá dentro! Estou disposto a tudo!

Diga que o ama! Ele vai cortar-me a orelha!

Muito bem.

Amo-te, palhaço.

Ouço mal.

Amo-te, palhaço!

Vê? Não foi mais simpático assim?

Pronto, está bem. Vá, liberta os reféns e rende-te!

Diz que me ama e quer meter-me na prisão! Não foi sincero!

Que queres tu exactamente?!

Primeiro, quero que pares de me tratar portu!

Segundo, que me ames sinceramente!

Terceiro, que me tragas uma pizza.

- Uma quê? - Uma pizza.

Com cogumelos.

Sem queijo por cima. Detesto isso!

- O que acha, Tremplin? - Nada.

Nada?

É ou não é psicólogo?!

O tipo é louco ou normal?!

Sei lá, observei-o um minuto. É pouco para tirar conclusões.

Ouça, Tremplin. Fiz duas declarações de amor na vida.

Uma vez, à minha mulher há 32 anos em Veneza, durante a lua-de-mel,

e a segunda vez hoje, e diante de dez mil pessoas,

a um depravado disfarçado de palhaço.

Portanto, se ele não for louco, arranco-lhe a cabeça!

Chefe, o seu revóIver.

- Portaste-te muito bem, Georges. - E tu exageraste. Enlouqueceste.

Apagaram as luzes! Apagaram!

Não, fui eu. Ouve. Para ver, não é preciso ser-se visto. Pensa.

Os reféns!

Vou já!

Não grites assim!

Vá, depressa...

Devagar. À esquerda, à esquerda. Um pouco mais abaixo.

Isso!

Ai ai!

Mas o que é isto?! O que significa isto?

Porfavor! Não os mate!

Não, não! São loucos para o provocar!

Basta!

- Quis cortar-me a orelha! - Basta!

Basta!

O que é isso? O sistema anti-incêndio?

É. Para proteger as notas.

Por favor, o manípulo. À direita.

Bem me apetece fechar a porta e deixar que se afoguem como ratos.

Que belo fim para um director de banco!

Acabar afogado num cofre!

Obrigado, começava a constipar-me.

É insuportável. Tenho de sair ou desmaio!

Está quase no fim, Madame. Será uma das primeiras libertadas.

- Está em que mês? - No sétimo.

- É o primeiro? - É.

Vai corrertudo bem, vai ver.

- E eu, o que faço? - Tu vais lá para dentro!

Madame...

Também vai lá para dentro. Vai descansar lá dentro.

Caluda!

Não quero mais conversa! Calem-se. Por Deus...

Acredite, Tremplin, o tipo não é parvo.

- Está a gozar connosco. - Diga isso quando ele acordar.

Chefe! Conseguimos contacto com o banco.

- Está lá? - "Sim?"

Ah... és tu... é você, palhaço?

- A pizza já chegou. Vão levar-lha. - "Óptimo."

Manda-a por um dos teus homens. Sem arma nem farda.

- Não quero armas escondidas. - "O quê?"

Ele que me traga a pizza de cuecas. Será mais honesto.

Compreendeste? Pronto!

Uma pizza!

Tenho tanta fome...

Vá lá, Riviére.

Não te preocupes, nós protegemos-te.

Senhor, para a Rádio Canadá, um resumo da situação, por favor.

A situação é muito simples.

Está lá dentro um idiota, disfarçado de palhaço, com reféns.

Vamos libertar os reféns e deter o idiota. É tudo.

Obrigada.

Está lá? Passe-me o chefe da polícia.

- "Pode esperar um segundo?" - Não. Imediatamente.

- "E quem fala?" - O palhaço.

- "Não desligue." - Não desligo.

- "Está lá?" - Está lá? Labrosse?

Sabes? Lembras-me o meu pai.

"Posso chamar-te papá?"

Quer chamar-me "papá"!

Faça como quiser.

Não... tem de ser mais simpático. Sinto-o crispado.

Se lhe chamo "papá" é para que me fale como um pai, com carinho.

- "Ouviste, papá?" - Seja carinhoso.

- Isso é que não. - O sonífero está a fazer efeito.

- Ele vai adormecer. - Quertambém uma canção de ninar?

Quero.

Estou a ouvir-te, filhote. Diz lá ao papá o que queres.

Obrigado, papá!

"De nada, filhote."

Bom, e agora, dizes-nos o que queres?

Ouve, paizinho.

Quero um helicóptero, à frente do banco. Sem piloto.

- Tomaste nota? - Tomei, filho.

Perfeito!

Para provar a minha boa vontade, também vou fazer um gesto!

"Está lá? Está lá?"

Mandou o guarda cá para fora! Fox!

Merda!

Doutor! Vamos, rapazes!

Chefe, ele não está morto. Ouça.

É esperto! Fê-lo comer a pizza.

Uma ambulância. Depressa.

Está lá? Que está ele a fazer?

Está lá? Está lá?

Oh, papá... chateaste-me. Soníferos na pizza!

Posso ser doido, mas não sou parvo.

Ouça-me...

Não, não te quero ouvir mais. Passa-me o teu assistente.

O quê?

"Disse para me passares o teu assistente."

- Querfalar consigo. - Comigo?

Sim? Fala Fox. Diga.

"Está lá..."

Meu caro Fox...

Sabe, trabalhei durante dois anos neste assalto.

"Estudei-o minuciosamente, porque pensava encontrar um cérebro."

E o que é que encontro? Um insignificante!

"O seu chefe é um insignificante, meu rapaz."

"Suponho que concorda comigo."

"É um insignificante!"

E não vai tardar a substituí-lo.

E eu posso ajudá-lo.

"Está a ouvir-me?"

Estou, sim...

Suponho que se esteja a perguntar, como todos, como vou sair daqui.

"Muito bem, eu digo-lhe."

Vou passar pelo sistema de ventilação.

Não, não. Não é boa ideia.

Tenho uma melhor ideia!

Vou disfarçartodos os reféns de palhaço e sairemos juntos do banco!

"Não saberiam sobre quem disparar. Só palhaços! Engenhoso, não?"

Não... também não vai ser assim.

Ouça, já chega!

Vou dar-lhe o helicóptero

e vai libertar um refém de meia em meia hora. Entendido?!

Ouça, Labrosse. Envie o helicóptero. Logo se vê.

Não perdes por esperar, sacana!

Acabarás por sair desse maldito banco!

E é nesse momento que te apanho!

"Tem razão. Invista o seu dinheiro."

"Dinheiro que dorme é dinheiro que morre."

"No Intercontinental do Canadá, é o nosso negócio."

"O helicóptero pedido pelo palhaço está a aterrar diante do banco."

"A excêntrica reivindicação foi aceite pelo estado-maior policial."

"Mas aqui estão todos perplexos com a estratégia do palhaço."

"Segundo a polícia, não tem hipótese de escapar,"

"pois o banco é considerado inviolável."

A tua exigência foi satisfeita! Ouviste? Palhaço!

Agora, cabe-te a ti fazer um gesto. Liberta um refém.

Pronto, acabou-se para si.

- Não foi duro de mais? - Não, senhor.

Posso? Dá sorte. Bem vou precisar.

Se for um rapaz, dou-lhe o seu nome.

Que simpática!

Pode ir.

- Senhora! - Deixem-me, estou cansada.

Deixem-nos trabalhar! Fazem perguntas mais tarde!

Pode ajudar-nos, senhora. O palhaço tem cúmplices lá dentro?

- Não. - Maltratou-a?

Em que estado estão os reféns?

Desculpe, senhor, mas não me sinto bem.

Acho que vou... vomitar.

- Teve um choque. - Tem de recuperar um pouco.

Bom...

Falamos depois, minha senhora. Descanse.

- Fox, mande toda a gente embora. - Dispersem esta gente.

Vamos, dispersem! Não há nada para ver!

Ainda trinta.

Não voltámos a casa.

Achas que vai bastar isto?

Mostra.

- Magoaste-me! - Sim, mas foi necessário.

Está melhor assim.

- Tenho medo! - Não! Vamos conseguir!

Vamos conseguir, porque eu sou um...

Génio!

Sim!

Sai.

Acabou para si. Rua! Não quero voltar a vê-lo no banco.

Seu malandro! Vai ver o Labrosse! Grande malandro!

Rua!

Alô? Os estúdios. Peço antena. Daqui Jean-Claude Lavigne,

da Praça do Banco. Peço antena. Acho que libertaram um refém.

- Senhor! - Sofreu muito?

Como é que está tudo lá dentro?

Aquele tipo está disposto a tudo. Não devem discutir com ele.

Bateu-me várias vezes. Vejam as marcas.

- É verdade que está armado? - Um verdadeiro porta-aviões.

Tem dinamite à volta da cintura.

- Partiu-me até os óculos. - Tem os óculos partidos,

a gravata nos ombros. Pode até ter algumas lesões.

Quero fazer-lhe umas perguntas, senhor.

Está em estado de me responder?

Não me sinto muito bem.

Uma injecção. 5 cc.

- Desfaleceu... - O que é isso?

E os enfermeiros devem estar a dar-lhe um calmante.

- "Estou calmo!" - "Ele não se acalma."

"Parece estar com uma crise de histeria."

"Mr. Labrosse tem de recorrer a toda a sua energia para o dominar."

"É uma cena dramática a que estamos a viver aqui, na Praça do Banco..."

Responda à minha pergunta. É simples, não se enerve.

- Chefe, é o palhaço! - Espere, não saia daí.

- Está lá, sim? Estou a ouvir. - "Está lá?"

Então, Labrosse?

Um helicóptero, jornalistas... É um grande dia para si!

Respeito o meu acordo, portanto, respeita o teu.

E ainda por cima torna-se uma vedeta de televisão, pelo que vejo.

Não...

Não, eu quero vê-lo.

Volte-se.

Vá, volte-se.

Pronto... Assim. Bem de frente.

Sorria.

Vá, sorria. Quando faz essa cara, só apetece mudar de canal!

Já não é o gangster, mas o telespectador comum que lhe fala.

Não me apetece brincar, meu filho.

Sei o que sentes. Estás sozinho nesse banco, portanto, tens medo.

Gabas-te, brincas, mas dentro de ti está uma criança.

Uma criança aterrada,

que quer gritar a sua angústia e que precisa de ajuda.

"Está lá? Está lá?!"

Disse uma coisa tão bonita, Labrosse!

Desculpe, não estou a ser muito viril,

mas fiquei comovido!

Papá! E nem tenho lenço!

"Eu mato-te, palhaço!"

"Mato-te com as minhas próprias mãos!"

"Nunca sairás desse banco!"

- "Ouviste? Nunca!" - Cortem!

- "Vais engolir esse nariz!" - "Cortem!"

"Cortem, já disse!"

Carole AIlen, em directo para a WBC News.

Há já cinco horas que começou o incidente

que mantém o país inteiro em suspenso.

Tudo indica que o assaltante disfarçado de palhaço

libertará em breve o seu quarto refém.

E aqui, todos olham ansiosamente para a entrada do banco.

A porta está a abrir-se.

- É um idoso que apareceu. - Chefe, olhe!

"O quarto refém acaba de ser libertado."

"Trata-se de um homem já de idade. Vou tentar entrevistá-lo."

"A polícia impede-nos de o abordar."

"É um senhor idoso, que parece muito nervoso,"

"esgotado sem dúvida pelas seis horas passadas no banco."

"Conduzem-no agora para a enfermaria móvel."

"Bom, é impossível aproximarmo-nos. Passo-vos a emissão."

Venha ajudar-nos, menina.

Vamos.

- Calma. - Não tenho nada para vos dizer!

Deixe-nos, menina.

Está tudo bem?

Está...

Vá... conte-me tudo, avô.

Está bem... vou contar-lhe.

Entrei naquele banco maldito para depositar o meu cheque da pensão.

Uma pensão que já de si não é grande...

Se lhe dissesse quanto ganho,

ao fim de 40 anos de Canadian Pacific, não acreditaria!

- Mas viu o palhaço, não viu? - Claro que o vi! Se vi!

Vi-o como o estou a ver a si

e vi que é simpático, educado! Ao contrário dos senhores...

Espero bem que não o apanhem!

Porque me fez rir bem com aquele nariz!

Avô, ainda há reféns no banco. Não há razão para rir.

- Responda à minha pergunta. - Não. Quero ligar á minha mulher.

Diga?

Pobre velha!

Há seis horas que me espera. Quero dizer-lhe que estou bem.

Liga-lhe daqui a cinco minutos.

Mas que história é essa?! Ela vai ficar uma pilha de nervos!

Já não pode caminhar naquelas pobres pernas! Quero ligar-lhe já!

- Senhor, porfavor... - Chega! Quero ligar já!

Pronto, quertelefonar! Que querem que eu faça?

Senhor, porfavor!

O que disse ele? Trouxe elementos novos à investigação?

- Porfavor... Já chega! - Onde está a cabina?

Senhor, porfavor!

Dá-me 30 centavos.

Obrigado, rapaz.

- É escusado. É totalmente senil. - Não, não.

Vou interrogá-lo. O palhaço está no banco e quero saber tudo.

Chefe! O palhaço está ao telefone!

Sim, estou aqui!

"Está lá? Está lá?"

Labrosse, não estou contente.

- Não estou nada contente! - "O que foi?"

- O helicóptero está armadilhado! - Como assim? Não!

Julga-se muito esperto? E eu explodiria como um idiota, no céu.

Quero que o helicóptero descole e sobrevoe o banco durante 5 minutos.

Execução ou abato um refém! Entendido?!

É doido. Mande sair o helicóptero.

Sim, Chefe. Vamos!

Vamos, descola! Vai-te embora!

Tu és o palhaço.

Toma, vai comprar cenouras para o coelho.

Mudaste de disfarce, mas és o palhaço.

E os meus amigos? Também te viram como palhaço.

Os teus amigos não têm coelhos. Não precisam de cenouras.

Mas podem comprar outra coisa.

- És um malandro. - Também o senhor.

Filho da mãe!

Mas por que não responde?

Mandem parar a porcaria do helicóptero!

- Sim, Chefe! - Mandem-no parar!

Conseguimos! Enganámo-los!

Conseguimos!

Champanhe!

Então? Que tal te sentes como criminosa?

Não vejo a diferença.

A nós!

A nós!

Foi tão divertido, meu pequeno!

Muito bem, pequeno... muito bem.

Cobarde!

Grimm!

Grimm...

Despacha-te, querida.

Ela foi formidável não foi?

- Foi. - Só dizes isso?

Preocupa-me um pouco.

Porquê?

É uma apaixonada.

- Não é um defeito. - Talvez...

Mas agora tem de levar o golpe até ao fim.

Não te preocupes. Há-de levar. Tenho-a na mão.

- Pergunto-me como fizeste. - Como assim?

Agrado muito.

Sobretudo quando não estás.

É verdade.

A última... recrutei-a quando estavas em Fresnes,

esta... quando estavas preso em África.

Ouve... não vou de cana para andares no engate.

Já acabou. Não volto a engatar. Ela ama-me, sabes?

É uma coisa para a vida.

É linda, não é?

É.

- Também achas? - Acho.

Não me vais partir o pescoço?

AIguém me pode abotoar o vestido?

Vou já, querida.

Diz-me que me amas.

"Chefe de comando ao helicóptero."

"Avancem, avancem."

"Temos mais dois homens a descer para o telhado."

Chefe de comando à central. Chefe de comando à central.

"Assumimos posição no átrio principal. Suspeito ausente."

- Suspeito ausente? - "Vamos iniciar as buscas."

Certo.

- "Chefe de comando à Central." - Daqui Central.

"Encontrámos o palhaço. Está na casa das caldeiras. Avancem."

Nas casa das caldeiras?

À carga!

Onde está ele?!

Na casa das caldeiras?! Mas que história é essa?!

Mas o que é isto?! Baixem-no!

Sou o Director deste banco.

O palhaço saiu daqui com o meu fato...

... e com dois milhões e 300 mil dólares.

Libertem-me.

Nunca vi nada assim. Desapareceu debaixo do nosso nariz. É um génio!

Fox... Se volto a vê-lo sorrir,

ou se o ouço dizer que o palhaço é um génio,

prendo-o por cumplicidade, entendido?

Sim, Chefe. Fox à Central!

Vigiem os aeroportos, as estações e as estradas.

- Quero barreiras portodo o lado. - E montem barreiras!

Quero interrogartodos os reféns daqui a cinco minutos! Libertem-no!

- Libertem-no! - Libertem-me!

- O que está ela a fazer? - Lise, vens, querida?

Vou já!

Achas que a polícia já está no banco?

- Acho que não. - Já imaginaste?

Daqui a uma hora, estamos no avião e eles ainda te julgam lá.

- Queres que te diga o que és? - Espera até estarmos no avião.

Eu não quero esperar. Foste formidável, Grimm!

O Lasky!

Grimm! Os meus parabéns!

Queres que te diga eu? Hoje, tornaste-te lendário!

Que queres?

- Tudo! - Não lhe vais dar, pois não?

Não te preocupes, sai pelo outro lado.

Dou-te 50 mil dólares e tu esqueces-nos. Não vale mais.

Disse que queria tudo!

Então, anda buscar. Anda.

Está bem, vou subir.

Isso, sobe... sobe...

Mas quem é ele?

Conhecemos o Lasky na prisão, no México.

É encantador. Até as moscas tinham medo de pousar em cima dele.

Viste, amigo? 50 mil dólares eram melhores que nada!

Vem aí!

- O que vai ele fazer? - Não sei. É imprevisível.

Eu posso dizer-vos. Vai armar-se em idiota.

Merda! Estamos num banco.

Não é um assalto. Baixem os braços.

Mãos no ar!

Mãos no ar!

Já disse que não é um assalto.

Foi um acidente, senhor agente.

Vamos ser presos noutro banco...

- Desçam! - Genial.

Desçam!

Nunca sem mim, Grimm! Nunca sem mim!

- Onde é que ele nos leva? - Temos de sair em andamento.

Não. Temos de sair daqui, primeiro.

Grimm, responda. Onde vamos, assim?!

- Não faças perguntas! - Não faço perguntas?!

Devíamos estar a ir para o aeroporto!

Que fazemos, engatados neste reboque?!

São todas as moradas.

- Viu isto? Então, os reféns? - Bom...

Faltam três. Enfim, dois. O guarda Frankie está no hospital.

Os outros dois, a grávida e o homem do bigode,

deram moradas falsas. Um baldio e um cemitério.

Espere... repita isso por ordem.

Está lá?

O quê?

Um assalto, a dois passos daqui.

Um palhaço?

Um segundo, não desligue, vou passar.

Sim?

Sim... Vou já para aí.

Dois homens e uma mulher. Entraram de carro num banco.

Gritaram: "Não é um assalto!" e foram-se embora num reboque.

Mas o que é que se passa hoje, Fox?

Tinhas-me dito: Com este dinheiro, vais ficar garantida para a vida.

Vou ficar 15 anos garantida!

- Cala-te. - Não, não me calo!

Tinha uma vida normal, um emprego honesto!

E vou parar à prisão por causa de um estúpido!

Estás a falar de mim?

Cuidado, Lise. Não é por estarmos na merda que não te dou o troco!

Queres bater-me?! Vamos, bate-me! Bate!

- Já acabaram, aí atrás? - Já, já acabámos!

Uma barreira! Escondam-se!

Encoste ali.

Controlo da polícia. Os seus documentos, porfavor.

Abrande, abrande.

Não tenhas medo, vai correr bem.

- Pode passar. - Obrigado, sargento.

Vamos, circulem.

Para passar as barreiras da polícia, é boa ideia.

O que te disse há pouco... não foi a sério.

- O que estás a fazer?! - Amo-te, Lise.

O que estás a fazer?!

Podemos ficar separados muito tempo...

É doido, este homem!

Já acabaste?

Onde se julga ele, o idiota?

Como se não bastasse um assalto com reféns,

ainda nos quer arranjar um atentado ao pudor!

- Amo-te, Lise! - Basta! Basta!

Começam a chatear-me.

- O que estás a fazer? - Vou dar uma volta.

Volta, vais matar-te!

Volta! Grimm!

O que está ele a fazer?

Lasky?

Lasky?

Vim apanhar ar e sol.

Vai ajudá-lo, em vez de ficares aqui como uma vaca!

Uma vaca?! Fala-me noutro tom!

- Falo-te como me apetece! - Cuidado, Lise, cuidado!

- Grimm! Estás bem?! - Calma, ele tem a cabeça dura.

Ele conduz pessimamente.

- Será que vai sufocar ali dentro? - Não, o sal conserva.

- Lasky! Estás a ouvir-me? - Lasky!

"Grimm!"

Se tiveres sede, tens o S. Laurent. Vá, as bagagens.

- Adeus, companheiro! - "Socorro!"

Meninos, isto começa a compor-se. Um táxi, o aeroporto...

Amanhã, Paris.

"Socorro!"

Está lá? Está lá?

Queria um carro para o aeroporto.

932, MinehilI.

Eu aguardo.

"Henri Marjoridon, no Intercontinental."

"Tenho comigo alguns reféns que não parecem ter sofrido muito."

"Senhor, as suas impressões?"

"É um homem formidável. Graças a ele recuperei os 400 dólares."

"Tira o dinheiro aos ricos para o dar aos pobres."

- "É o Robin dos Bosques!" - "Obrigado, senhor."

"Eis o ponto da situação. Há um elemento novo."

"Inspector, diz-se que o palhaço tinha cúmplices entre os reféns."

- "Também acha?" - "Sim, tinha cúmplices."

"Obrigado. Devolvo a emissão aos estúdios."

Pronto, eles já sabem que eram vários.

Vamos separar-nos.

Vais com o Georges. Encontro-vos no aeroporto.

Não. Fico contigo.

Vais com ele.

Sim, eu aguardo.

Com ele acabou-se, terminou.

- O que te fez ele, afinal? - Nada.

Ou sim. Uma cena.

Quando não estás, ele anda como tu, imita-te em tudo.

Fala como tu e eu deixei-me seduzir.

E agora que aqui estás,

dou-me conta de que é um tolo, uma cópia a químico.

E eu quero o original.

O original não quer roubar a mulher da cópia, entendido?

Ou vou contigo ou daqui não saio.

Ouve...

Acabámos de roubar dois milhões e 300 mil dólares.

E temos de sair do país. Não compliques as coisas, porfavor.

Pronto, já temos um táxi, Robin dos Bosques.

O táxi é para quem?

Vamos já.

Para o aeroporto, depressa.

É tão bom estar apaixonada!

Minha querida!

Detesto o factor humano.

Preparamos uma coisa com todo o cuidado, tentamos prevertudo,

e bruscamente surge a porcaria do factor humano.

Grimm!

- A que horas é o avião? - Às oito e meia.

Às oito e meia?

Bom...

Espero que cheguem a tempo.

Não podemos circular desde de manhã, com a merda das barreiras.

Como se eles ainda estivessem em Montreal!

Não são parvos!

Eu cá acho que já estão a beber champanhe no avião. Não?

Isso sem dúvida!

Olha quem!

O que fazes aí?!

Apanhas a polícia na tua C.B.?

- Sim, mas desce do meu camião! - Desanda!

É só um controlo de rotina. Os seus documentos.

É a provincial. E mesmo à entrada da auto-estrada!

O que é que vos disse? Ainda há uma.

Vamos perder no mínimo uns 20 minutos. Mínimo, atenção.

Estamos lixados. O que fazemos, Grimm?

Desculpe...

- Há algum banco aqui perto? - Não é coisa que falte!

Então, vamos.

Porquê um banco?

Só há duas formas de resolver este assunto, Labrosse.

Uma, apanha o palhaço. Duas, não o apanha e demite-se.

Hei-de apanhá-lo, Sr. Presidente da Câmara.

Mas o que se passa, Simon?

Como pudeste deixar escapar o palhaço?

Ofereci a esta cidade um metro único no mundo,

e vão recordar-me como o presidente ridicularizado por um palhaço!

- O que foi? - Desculpe, Sr. Presidente.

Uma chamada do Quartel-General para Mr. Labrosse. É urgente.

Sim? Daqui Labrosse.

O quê?

Passe-mo já.

Diz que é o palhaço.

"Está lá? Reconheces a minha voz, papá?"

É ele...

Sim, sou eu.

Estava com saudades. E pensei: "Vou ligar ao meu papá..."

Fox!

Sim?

- Localize-me a chamada! Depressa! - Sim, chefe.

De onde achas que te estou a ligar? Do estrangeiro?

Não ias gostar...

... que eu estivesse já na América, do outro lado da fronteira.

Bom, garanto-te...

O teu filhote continua em Montreal. E ainda por cima, perto de ti.

E não tenciona abandonar-te assim.

- Ele está a ligar do Banco Real. - "Sim, do Banco Real!"

Ele está a ligar do Banco Real. Da Sede.

O que faz ele no Banco Real?

Bom. Fala o Presidente da Câmara. O que quer?!

Coloquei uma bomba neste banco e quero dois milhões de dólares

ou mando tudo pelos ares.

Ligo-vos daqui a meia hora para dizer onde depositar o dinheiro.

Simon!

Diz-me que não é verdade!

Bom, mandem todas as viaturas ao Banco Real,

mas deve ser alguma partida. - Sim, Chefe.

Está a enrolar-nos, tenho a certeza.

Não entendo. Já não sei nada.

Há 371 bancos nesta cidade. Vai passar por todos.

Vamos!

Não sei o que combinaste, mas és um génio.

- Perdemos tempo, Fox. - Foi uma manobra de diversão.

Veja no computadortudo o que se passou de anormal nesta cidade

nas últimas 12 horas, em relação a dois homens e uma mulher.

Certo, Chefe.

Mesmo as discussões domésticas!

Sabes o que vamos fazer, quando chegarmos a Paris?

Não.

Amor, dez horas seguidas.

Com quem?

Que piada!

Fazer amor, os dois?

Eu cá não acho piada a viajar convosco.

"Atenção a todos os táxis."

"Um comunicado da Polícia Urbana."

"Se transportaram durante o dia de hoje dois homens e uma mulher,"

"indiquem-no já à Companhia,"

"precisando a descrição dos passageiros e o destino."

- "Atenção a todos os táxis." - Já chega. Que treta é esta?

Se tivessem roubado 2 milhões e 300 mil dólares,

ainda aqui estavam?

Não... se eles ainda aqui estão, pode ser interessante, porque...

... o prémio é de 10%, o que faz...

... 230 mil dólares. 230 mil dólares, imaginem!

Mais do que ganharia em toda uma vida de trabalho

e eu trabalho desde os 15 anos.

Mas não há perigo de me calhar a mim.

Quem transportei eu desde manhã?

Levei tipos sozinhos, à parte dos dois velhos da estação.

Depois, fui atestar o depósito,

depois apanhei um tipo e depois apanhei-vos a vocês.

Mas é curioso. Dois homens e uma mulher.

É exactamente o que eles procuram.

Não estou a dizer que... foi...

Não digo nada, senhores, não digo nada.

Sorri, acelera e sai na próxima.

"Aumente a velocidade!"

Vamos, não te preocupes, segue.

PARQUE CIRCULAÇÃO PROIBIDA

Pára aqui.

A corrida é minha. Não vos conheço, não vos vi e não cobrei a ninguém.

Como te chamas?

Planchais. Jérémie Planchais.

Jérémie, ouviste hoje as notícias?

Não, nunca as ouço.

Então, não sabes como chamam o tipo que fez o assalto.

- Não. - Robin dos Bosques.

Jérémie...

Achas que o Robin dos Bosques matava um pobre taxista?

- O Robin dos Bosques, não... - Dá-me as chaves.

E desce.

Vá.

Temos um problema, Jérémie.

No nosso lugar, o que farias a um tipo como tu?

Pegaria nas chaves do carro dele e ia-me embora.

- Ele pode ir chamar a polícia. - É verdade, pode chamar a polícia.

Depende. Se o prendessem a uma árvore...

Pois, prendê-lo... Mas com quê? Uma corda? Não a vejo.

Nem eu.

Ali!

Despia-o e metia-o ali na cabana.

Todo nu?

- Sim, assim, não poderia fugir. - E se ele é friorento?

Não sou friorento.

Ele disse "todo nu".

Há gente?

A roupa.

Uma meia hora até ao aeroporto, estamos bem.

Sabe onde está, senhor? Está num parque nacional.

A circulação é proibida.

Ah sim? É que procuro um atalho. Os meus clientes estão atrasados.

- Muito atrasados. - Siga-nos até à entrada do parque.

Está bem.

Patrulha a cavalo à barreira principal.

Há uma viatura em fuga...

"... no sector norte, um táxi amarelo."

"Repetimos. Um táxi amarelo, companhia La Salle."

"Parece seguir para o aeroporto."

"Descrição dos passageiros: dois homens e uma mulher de azul."

Subam, meninos!

"Brigada 28 ao quartel-general."

"Estamos em formação na auto-estrada 15 norte..."

Por que roubámos um autocarro? Sinto-me sempre mal nos autocarros.

- Lise... - Sim?

- Não me sinto bem. - O que foi?

Sinto-me mal.

Tenho o estômago às voltas, dói-me o coração.

Dói-me o coração. Vou vomitar.

Não!

Sim!

Tens um belo companheiro!

Olha para ele! Olha!

proibido falar com o motorista

Onde foste arranjar um tipo destes?!

O miserável é um fardo!

Foi no México, na prisão. Tínhamos penas de três anos.

Partilhávamos a mesma cela.

E, um dia, decidimos fugir. E correu mal.

Levei com uma bala na perna. E ele carregou-me às costas.

Em pleno deserto, durante dez quilómetros, às costas.

Não é verdade.

Não. Foi ele que levou com uma bala e eu é que o carreguei.

E nunca mais nos separámos.

Talvez seja um fardo, mas gosto muito dele.

É o meu companheiro.

O Lasky!

O Lasky?

Encontrou-nos!

- O que vai ele fazer? - Segurem-se.

Merda! Merda!

Desta vez, está mesmo a ser parvo!

Não há dúvida. Está a ser parvo.

Boa, Lasky!

- Idiota! - Vai lá... bom dia!

A mala!

Já a apanhei, Grimm!

Não faltava mais nada! Pronto.

Não lhe deste com força, ele vai safar-se!

Merda!

Bolas!

Raios!

Não vamos conseguir deixar este país!

Hoje estamos com azar. Vou parar.

Têm razão. É melhor começarmos do zero.

Volto a disfarçar-me de palhaço, devolvo o dinheiro ao banco

e recomeçamos amanhã. O que acham?

Vá, vamos embora!

Está ali alguém!

- Está alguém a espiar-nos. - Não, Bernadette... Anda cá.

Porfavor...

Não, mas... O que quer?! Velho depravado! Desande!

- Não... - Que quer?! Desande!

- Socorro! Socorro! - Vá-se embora!

Acalmem-se, eu explico. Sou taxista...

Foi por causa do palhaço. Havia dois homens e uma mulher...

- Desande! - Ele é doido! Socorro!

Curtam, curtam. Histéricos!

Mas o que se passa aqui?

O que se passa aí em baixo? O que faz aí?

- Senhores Rangers, porfavor! - Vamos.

Esperem, esperem.

Não, esperem, esperem! É porque vi o palhaço!

O palhaço do banco!

Eles são três!

Não, não é... Esperem!

Eles são três!

Vi o palhaço. Esperem!

- O que tem ele? - Bateu com a cabeça ao descer.

- Quantos dedos? - Dois.

Vamos.

Vamos. É a última linha, rapaz. Estamos ricos, vamos!

Vamos!

O que está ela a fazer? Ainda faz com que nos prendam!

Não te enerves. Eles procuram dois homens, uma mulher e uma mala.

Não dois homens sem mala.

E muito menos uma hospedeira!

Não, não, não te mexas.

Cacifo 92. Lá ao fundo.

Tem cuidado.

Sempre que a vejo de uniforme, rendo-me.

O que se passa?

Espera.

O que foi? Não consegues abrir?

Ou vamos embora juntos ou não levo o dinheiro.

É a minha última palavra. É ela por ela.

Estás a fazer chantagem?

É contigo que quero aproveitar este dinheiro.

Deixamos-lhe a parte dele.

Senhor agente!

Encontramo-nos daqui a 20 anos. Pede uma cela na ala sul.

- Poderás bronzear-te. - Meus senhores...

Vá, diz-lhe.

Não tenhas medo.

A chave bloqueia. Não consigo abrir o cacifo.

Será o cacifo certo? Estas coisas nunca funcionam.

Pronto.

Aqui tem, minha senhora.

Bom...

Senhor.

Entre nós está tudo acabado, ouviste? Acabado!

Estou farta de ti! Não te quero ver mais!

Está bem, vou passar a vossa massa mas vocês são uns porcos, os dois!

- Sabes o que me disse? - Imagino.

Que estava tudo acabado entre nós.

Porcaria de factor humano!

Chegou uma testemunha importante para identificar os três suspeitos.

Observe bem, Planchais. Preste atenção.

- Acho que já partiram. - Não temos a certeza.

Foi o único que lhes viu o rosto, portanto, abra os olhos.

E pense no prémio, Planchais. No prémio.

Pronto, ela já a passou.

A mala. Passou-a.

Bom, vamos embarcar. Vamos!

- Então? - Vamos.

Então, está a ver alguma coisa?

Vamos, vamos.

E se eu a pedisse em casamento?

Subo ao avião e peço-a em casamento.

E faço-lhe logo um filho.

No avião?

Não, ao chegarmos a Paris. O que achas?

Acho que vamos ter de esperar um pouco.

Porquê?

Vira-te lentamente para a esquerda...

... e vê quem acaba de chegar.

Não desfaças o copo.

O que fazemos, Grimm?

- Então? - Sim, então?!

Tenham calma. Deixem-me respirar.

Estou cansado e tenho vontade de mijar.

- Depois! - Depois?!

Quero ser simpático, mas não é preciso pressionar-me.

Primeiro, roubam-me o táxi, depois, abandonam-me nu,

não me vão agora impedir de ir à casa de banho!

É incrível! Não vamos agora exagerar.

Se quiser ir à casa de banho, vou! É tudo!

- Sim, mas despache-se. - "Air Canada, Voo 403,"

"com destino a Paris, Roma e..."

Se quer mijar, vai mijar! O que quer que eu faça?!

"Embarque na porta 45."

Onde está ele?

Aqui.

E não estou pronto para sair.

Pare. Mais um passo e grito. Atenção, posso gritar bem alto.

Pronto, Jérémie...

Vamos acalmar. Estou a ouvir.

É o seguinte. Tenho um problema convosco.

A polícia procura-vos, eu posso ajudá-los...

O que fariam no meu lugar?

Estupor!

- Eu pediria 10%. - Oito.

Não, Georges, não vamos ser mesquinhos.

10% parece-me correcto. Não é, Jérémie?

Bom, 10% é o que me dão os polícias.

- Vigarista! - Desculpe? Ele chamou-me o quê?

Vá, meus senhores!

Não, o Jérémie tem razão. Pode receber 12%.

15.

350 mil dólares. E quero-os já. É pegar ou largar.

Não tenho o dinheiro comigo. Vamos buscá-lo, está bem?

Não... um de vocês fica aqui, se não...

Georges, ficas aqui. Até já.

"Air Canada, Voo 403,"

"com destino a Paris, Roma e Tel Aviv."

"Embarque na porta 45."

"Atenção, porfavor. Air Canada, Voo 403..."

Perdão...

- O que se passa? - O dinheiro?

- Mas o que se passa?! - Não discutas! O dinheiro?

Aqui.

Podes dizer-me o que se passa?

O taxista chegou com a polícia.

Quer dinheiro para se calar. O Georges ficou com ele.

Não voltes lá.

Vão prender-te.

Se perdermos o avião, encontramo-nos amanhã em Paris.

Cuidado com o nosso bebé.

Grimm?

Volta depressa.

"Chamada final para Air Canada, Voo 403..."

Mas o que está ele a fazer? O que está a fazer?!

- Não sei. - Está a gozar connosco!

Esperem aqui.

- Senhor! - Esqueci o meu... Volto já!

Despache-se! Não posso reter os aviões até amanhã!

- Fox, tire-o dali. - Vou já, chefe.

- Então, já acabou? - Preciso de tempo.

Está aí há 15 minutos.

Se tínhamos um pouco de sorte, isto começou mal.

Bom dia.

Obrigado.

Muito bem.

Obrigado, Robin dos Bosques.

Pronto, já acabei!

Até que enfim!

Vamos, Sr. Comissário, ao trabalho.

Tenha calma.

Afastem-se!

- O que é aquilo? - Não sei.

Prenda-me este doente. Assim, não viemos cá para nada.

Vamos!

Um palhaço...

Muito forte, o palhaço.

"Fala o Comandante Etienne. Bem-vindos à Air Canada."

"Chegaremos a Paris dentro de seis horas e 30 minutos."

"Descolagem dentro de 30 segundos. Obrigado."

E o círculo fecha-se.

A miúda que amo larga-me. E pira-se com a nossa massa.

Não te preocupes.

Apanhamos outro avião e encontramo-la amanhã em Paris.

Anda, vem.

Bom dia.

Quanto lhe devo?

Oxalá tenha reservado uma suite, a mais bonita e maior.

Vou oferecer-lhe flores.

- Senhor? - Mademoiselle Lefévre.

- Mademoiselle Lefévre? - Sim, queria o número do quarto.

Sim. Sim, com certeza. Adeus.

Sim, senhor?

Tenho uma mensagem de Lise Lefévre.

Um momento, porfavor.

- Sr. Palhaço. É o senhor? - Sim, Palhaço. Uma alcunha.

"Grimm. Correu tudo bem. Tenho o dinheiro."

"Mas como podes constatar, não estou no ponto de encontro."

"Estou em Roma, sozinha, por agora."

É para uma jovem. Uma coisa bonita.

Rosas?

"Sozinha, no hotel da cidade. Portanto, se mudares de ideias..."

"Mas não apareças com aquele idiota ou digo tudo à polícia."

"Sabes que sou capaz disso."

"Espero porti sem acreditar muito."

"Podíamos fazer belas coisas juntos com dois milhões de dólares."

- "Adeus, meu génio, meu palhaço." - É uma mensagem?

Sim, é uma mensagem.

Bem te disse que devias desconfiar das apaixonadas.

- Não está cá? - Não.

A mulher que amas pirou-se com a nossa massa. Está em Roma.

- Não! - Sim!

E agora uma pergunta.

O que é mais importante?

Conseguirfazer um golpe genial e recomeçar outro?

Quero encontrá-la!

Nunca mudarás.

E não lhe podes deixartudo.

Vamos.

Entre!

Bom dia, menina. Uma mensagem para si.

- Obrigada! - De nada.

"Grazie"!

- O que significa isto? - Nada.

Vou trabalhar.

Tu és rica, nós não. Belo carro.

- E vão refazer o mesmo golpe? - Sim.

Por que não? Correu bem.

Sabes...

Até decidimos fazer de mulher.

Precisam de uma mulher grávida, não de um segundo palhaço!

Já não é problema teu.

Vens, querida?

Nada mal, não é? Até me deram lugar no autocarro.

Isto é para ti. Bom dia.

Não te quero apressar, mas acaba de abrir.

Não têm hipótese nenhuma!

São ridículos!

Achas que ela vai ceder? Conheço-a, é teimosa.

Dou-lhe 10 segundos para se decidir, não mais.

Um... dois... três...

... levanta a barriga. Quatro...

... cinco... seis...

- Está a olhar. Ainda nos prendem. - Sete...

Vês? O que te disse eu?

E aqui está o trabalho.

Têm aqui o vosso dinheiro. Está no cofre do hotel.

Boa sorte.

Vamos.

Mas o que está ela a fazer?

Lise, minha querida! Onde vais?

E a parte dela?

Não te preocupes com ela. Já se serviu, sem dúvida.

Onde vamos?

"Crédito Italiano".

Já que estamos disfarçados...

O que achas?

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