All language subtitles for A.Noite.do.Desejo.1973

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Original subtitles

Hoje é sábado.

E daí?

O que tem isso?

É mais hora extra.

E pra que tanta hora extra?

Você nem vê a Iracema mais?

Eu vejo ela todo dia na fábrica, mãe.

Tá bom.

Escuta, Toninho.

Hoje é dia do pagamento, não é?

Mãe. Hã?

Eu precisava de mais dinheiro esse mês.

Pra quê?

Eu queria dar um presente pra Iracema.

Ah, você é muito...

É hoje, hein, bicho?

É hoje!

Eu acho que mulher tem que apanhar.

Só carinho não basta, não. Mulher tem que apanhar pra aprender.

Não, é isso mesmo.

Mulher tem que apanhar pra aprender. Porque batendo é que elas gostam.

Entendi.

O que é, homem?

Vai encoxar suas negras?

Um mês, bicho.

Um mês.

Mas hoje a gente tira o atraso.

Um mês ou mais.

É, mas não fica muito empolgado, não, viu? Eu conheço bem o tipo de mulher que

a gente vai enfrentar hoje.

O que elas querem é dinheiro. Todo mundo sabe.

É, e isso hoje a gente tem muito.

É bom a gente não esquecer que nós temos compromisso.

Se a gente gastar nosso salário inteiro, come nossa abuela.

Quero nem pensar em...

Pensão, prestação... Ah, se eles soubessem o que a gente vai fazer

hoje... Ei, vai demorar nesse chuveiro?

Calma, rapaz, calma. A nossa vez chega.

Olha, eu te espero lá no bar. Vê se não demora, hein?

Eu dou um jeito no Eraceno e vou logo. Tá.

Alguém aí?

Quem está aí?

Responda! Quem está aí?

Alvo Certo!

Quem está aí?

Moço, eu queria uma informação.

Pode falar.

É que eu cheguei agora de ônibus e eu queria ir na rua Major... Major

Sertório.

Mais já?

Nas bocas?

Olha,

não é difícil daqui até lá.

João,

mas eu acho que você vai ter que tomar um táxi.

Táxi.

Amanhã vou fazer hora extra.

Iracema, já é tarde.

Precisamos dormir.

Não.

Minha mãe... Eu vou embora, sabe?

Ainda é cedo. Ela só fica chamando.

Iracema!

Meu Deus do céu, assim não dá, viu?

Aonde você vai?

Eu vou dormir.

Toninho, eu não posso. Tá, tá, tá, tá bom.

Ainda não somos casados, Toninho, eu não posso.

Eu sei.

Vou dormir.

Toninho, eu te amo.

Toninho, eu te amo.

Iracema! Já é tarde!

Se você quiser ficar namorada...

Te vejo amanhã?

Porra,

Toninho, são nove horas. Desse jeito a gente não vai aproveitar nada.

Olha, vamos de ônibus até a cidade, depois a gente pega um táxi, tá?

Tá bom.

. . .

.

Vocês podem entrar sem desculpa. A colher daqui é boa.

Entrem, vão sair contentíssimos.

Entrem, senhores.

Entrem, vamos entrando.

Senhores, o local é este. As mulheres daqui entendem de cama. Todas as

mulheres daqui entendem de cama.

Os senhores vão querer uma mesa? Não, obrigado.

Eu sinto muito, mas não podem ficar.

Esse negócio aqui é muito caro. Vambora.

Vambora.

Vamos entrando, vamos entrando, pessoal.

Vamos entrando, vamos entrando.

Puxa empresa, caba de vento. Por favor, eu não quero entrar, não.

Eu só quero uma informação.

Pode falar.

Eu estou procurando uma moça que se chama...

Vamos entrando.

Vamos entrando, pessoal. Vamos entrando. Fala, moço. Vamos entrando.

Por acaso o senhor não conhece uma moça chamada Selma?

Selma? Ela costuma vir nesses lugares.

Mas tem certeza que o nome dela é Selma?

Tenho, sim, senhor.

Eu não conheço Selma nenhuma.

Mas o senhor tem certeza?

Certeza absoluta. Até me deram esse endereço.

Deram endereço errado. Se não vai entrar, dá licença.

Dá licença, dá licença.

Vem.

Vem cá.

Como vai?

Você não tem uma coleguinha pra sair com a gente?

Tenho, sim.

Eu vou chamar.

Dá licença.

Por favor, você conhece uma moça chamada Selma?

Selma?

De cabelo comprido.

Eu conheço algumas garotas, mas nenhuma chama Selma.

Obrigado.

Boa noite.

Aqui parece estar legal. Vamos ficar aqui mesmo que eu estou cansado de

andar. Ei, não entra nessa de cansado, não, bicho. Noite é assim mesmo.

Já vamos entrar, senhores.

Os senhores vão querer uma mesa? Espera aí um instantinho só.

Olha, nós vamos querer uma mesa. Arranja uma pra gente.

Pois não, cavalheiros. Por aqui, por favor.

Está bem aqui?

Qual a bebida?

Whisky. Do Nacional você tem? Do Nacional temos.

Isso, traz um pra mim. E você?

Uma Cuba.

Pra que a mesa?

Como assim?

Se a gente sonha dar uma olhada, pra que sentar?

Escuta aqui, Toninho, a gente não pode ficar bicando uma boate sem gastar

algum, entendeu?

. . . .

Pode pôr na minha conta, Marco.

Desculpem, posso me sentar?

Peraí, que negócio é esse? Fica quieto.

Obrigado.

É a primeira vez que vem aqui?

É.

Eu estou sempre aqui.

Eu sou o dono da boate.

É o dono da boate? E daí?

O meu nome é Fonseca.

Já que é o dono, vem separar umas mulheres pra gente.

As duas melhores que o senhor tiver.

Eu já falei com uma.

Se te servir.

Se não servir, é cedo. Mais tarde chegam outras.

É, seu Fonseca, eu acho que a gente vai poder esperar.

Eu acho que a gente vai se mandar.

Mas já? É tão cedo ainda. Uma mulherzinha pra ele enquanto eu fico de

amores com o senhor?

Não, nada feito.

Vambora. Mas tão rápido.

Eu não fiquei nem sabendo o nome de vocês. Eu sou Gibi, ele é Toninho. Por

que não fica?

Escuta aqui, ó.

A gente não vai estragar a nossa noite só porque o senhor é um... que foi com a

cara de um de nós dois que a gente nem sabe qual é, entendeu?

Obrigado pelo uísque. Da próxima vez pago eu. Vambora, Toninho.

Tira essa mesa.

Tome conta de tudo, que eu vou sair.

Por observa...

Vamos

entrando, vai começar o espetáculo. Vamos entrando, pessoal.

Vai começar o espetáculo.

Vamos entrando... Por favor, o senhor conhece uma moça chamada Selma?

Selma... Não, não, não.

Mostre a tua coragem.

Esses caras a gente não pode levar em banho-maria, não. Tem que chegar e dizer

lá o que pensa, que assim eles não enchem mais o saco.

Tá sozinha?

Paga o uísque?

Vem?

Até já, viu?

Vamos lá?

Bebida? Whisky, do Nacional, viu?

E o senhor?

Uma Cuba.

Oi, como vai?

Bem, e você?

Estou bem.

Quer sentar com a gente?

Não

desces bem.

Esse aqui é um amigo meu, o Toninho.

Olá, como tem passado?

Mais ou menos.

E você?

Você quer tomar alguma coisa?

Um suco.

Um suco? É.

O que que tem isso?

Não, nada.

É que eu pensei que...

Traz-me um suco, Armando. Sim, sim.

Obrigada. Depois você pode tomar do meu uísque, viu?

Está aí a solução. Você toma da nossa bebida.

Eu falei do meu uísque.

O que é isso? Está pensando o quê?

Eu sei o que é.

Ele está seco de vontade, Benzinho.

Se você tiver um pouco de paciência, vai chegar uma amiga minha.

E eu posso te apresentar.

Opa! E aí a gente sai os quatro. Assim é bom.

Espero sim.

Não tem problema, né? Não. Ela se chama Ivete.

E é muito bacaninha. Por falar nisso, você não disse qual é o seu nome.

Marcela.

Vocês moram juntas?

Moramos.

E onde que ela tá agora?

Saiu aí com o velho. Mas não deve ter conseguido nada.

Encarquilhada do jeito que o velho tá, ela não deve demorar muito, não.

Não deve conseguir nada.

Ah. E eu entro na sopa.

Ah, eu já te falei.

O velho não é de nada.

Só que ela é um pouquinho chata. Chata como?

Se o cara fizer alguma coisa que ela não goste, ela vai logo criando caso.

E não quer mais fazer o programa, entendeu?

Não tem papo, eu procuro outra.

Eu não quero nem que você pense isso.

Se você sair com essa menina, ela é colega de Marcela.

Aí a coisa fica em família e facilita bastante a coisa pra gente.

Você não vai querer que eu aguente essa casca de ferida a noite inteira, vai?

Não é que ela seja uma casquinha de ferida. Ela é cheia de frescurinhas.

Mas não é nada importante.

O que é que você quer, hein? Eu preciso falar com você.

Parece que agora a gente já sabe quem você escolheu, não é?

Afinal de contas, qual é o teu negócio, hein?

Por que não vamos todos lá pro meu apartamento?

Eu, você, seu colega, a moça.

Não enche, tá legal?

Senão eu vou acabar te pegando. Fala baixo.

Não vamos fazer barulho, senão fica chato pra mim.

Fica longe de mim, senão vai ter pau.

Não precisa ter medo, gibanão.

Continua com essa palhaçada que eu te estouro, tá me entendendo?

E para de me seguir, que da próxima vez vai ser pior.

Eu acho que a gente só devia rir nesse momento.

E tanta tristeza. Você não acha?

O que foi? Por que essa cara?

Aquela bicha do Fonseca ficou mexendo de novo.

Então foi com ele que ele se engraçou.

É, foi sim.

Mas eu dei uns trancos dele no banheiro. Não enche mais, não.

Como é? E a tua colega? Não veio ainda, não?

Não.

Pega outra aí, Tony. Não tá cheio por aí.

Espera mais um pouco, Gigo.

Quem tá querendo se mandar agora sou eu, viu?

Oi.

Oi.

A gente tava justamente falando em você.

Em mim?

Faz um tempão que a gente tá te esperando.

Esses são os amigos.

Toninho e Giba.

Senta aí com a gente.

Como é que foi?

Se você soubesse... Eu não falei pra vocês que não ia dar em nada?

Mas como é que foi?

Ele me pediu umas coisas lá. Fiz tudo, mas não adiantou nada.

Ele te pagou, pelo menos, não?

Pagou direitinho. Foi positivo.

Isso é o que interessa.

O resto você não está precisando mesmo.

Bem, nesse caso já podemos ir, né?

A gente só estava esperando por vocês.

Ir aonde?

fazer programa com ele.

Você, se quiser, pode ir e fazer companhia pro Toninho.

Você quer fazer programa comigo?

É,

é. Nós estamos tempão aqui pra combinar.

É, e o pior dessa espera toda foi pra mim.

Pra você por quê?

Eu não precisava esperar ninguém aqui.

Ah, então você acha que porque eu fiquei esperando ela, você foi prejudicado?

A Marcela já falou quanto é o programa comigo?

Isso depois vocês acertam, não é? Nada de depois, tem que ser combinado antes.

A gente sai, come alguma coisinha e vocês acertam esse preço.

Mas você já combinou o seu. O meu já está certo.

Então eu acho que tem o mesmo direito, né? Ninguém disse que não tem direito,

Ivete. Muito bem.

Quanto é esse programa?

Está bem.

Vamos.

Você não ia dizer o quanto é antes?

Marcou? Tá lotado desde as duas horas.

Também já é mais de três?

Tem que ter um, porra. É só a gente procurar.

Toca.

Toca pra onde? Pra onde tem hotéis, porra.

Vai com calma, meu chapa. Não é preciso ficar nervosinho. Faz mal pro coração.

Por favor, o senhor me paga?

Não, não tenho, não.

Escuta-me, é completamente lotado.

Escuta-me, é completamente lotado.

Boa noite.

Por favor, o senhor tem quarto?

Está tudo lotado.

O senhor tem vaga? Notado.

Parece que de sábado à noite em São Paulo todo mundo trepa.

Podem descer, aqui tem vaga.

Quanto foi?

32 contos.

32? É.

Puxa, já não era sem tempo, não? Foi duro, viu?

O senhor preenche aqui.

Terrível isso, não é?

Eu acho que não vou aguentar.

Deixa de onda, mulher.

Você já aguentou coisa pior.

Faz uma forcinha que você aguenta.

É.

Tá bom.

Ô dona, quer assinar aqui?

Oi dona, preencha a ficha aí.

Vocês metem a faca na gente, hein?

Eu acho até baratinho. Eu não acho, não.

Às três e meia da manhã.

E porque são três e meia da manhã, vocês acham que podem explorar a gente?

É a administração, meu amigo, não sou eu. Ah, essas pelucas aqui têm a

administração?

Têm, sim.

Assina aí.

Aí, as mocinhas também.

Oh, desculpe. Depois eu vejo a sua mercadoria, tá?

Pois não, fique à vontade.

Ei, vocês, venham comigo.

Que merda!

Eu não vou aguentar isso aqui, Tony.

É ruim mesmo.

O que foi?

Por que a gente não vai embora, hein?

Ivete... Será que você não entende?

Selma. Selma.

Selma. Petrinho.

Puxa vida.

Até que enfim.

Como você está bonita.

Bonita e cansada.

Vamos andando?

Puxa vida, é mesmo. Você deve estar cansada.

Você trabalhou a noite inteira.

É.

Mas como é que você conseguiu me encontrar?

Ah, foi um amigo meu lá de Laranjeiras que me deu o seu endereço.

Ele só dizia Rua Major Sertório.

Estou a noite inteira aqui procurando.

Boa noite.

Boa noite.

Pois não?

Eu quero um quarto.

Eu vou arranjar um para o senhor.

Um instantinho só.

Se você estiver no primeiro andar, para mim é bem melhor.

Primeiro.

Primeiro.

Primeiro, é? É.

Um momento. Vamos ver.

Não vai ter nenhuma encrenca. Posso garantir.

O senhor é quem sabe.

Eu estou com pressa.

Calma, um momento.

Já vou lhe atender.

Então vamos.

Obrigado. De nada.

Oh, que noite!

Sabe, acho que eu vou dormir até amanhã.

O que foi?

Nada. Você tá muito quieto.

Eu tava pensando nesse quarto.

Trinta contos por isso aqui é muito dinheiro.

Você não acha?

Não tinha outro, não é?

É, e fica assim até meio dia.

Olha aqui, ó.

Tá até duro.

Esses caras nem trocam a roupa de cama depois que alguém dorme aqui.

E foi tudo por causa do Toninho que teve que esperar a Ivete.

Não fica bravo, Benzinho.

Marcela, eu só tenho pena.

O quê?

Não vamos continuar com isso, Toninho.

Mas, Ivete, o que foi dessa vez?

Eu não tô afim! Eu não tô afim!

Qual foi o problema?

Colabora comigo, Giba.

Colabora uma vezinha só.

Já que eu não consegui ser mesmo o que eu queria, vamos trepar e pronto.

Esse negócio de dó da gente é frescura sua.

Bobeira, rapaz. Ninguém vai endireitar o mundo, pô.

E nem eu tô aqui pra salvar o mundo.

Você não acha melhor a gente cortar esse papo?

É. Isso não vai levar a nada mesmo.

Então vem logo que depois eu quero dormir.

Olha aqui, Marcela.

Você tem coragem de ficar aqui nesse quarto?

Se eu não ficar aqui, se eu não dormir aqui, onde você quer que eu vou?

Arranje uma casinha, um apartamento.

E continuar a ser puta?

Qual é a vantagem?

Arranje um emprego.

Escuta aqui. Eu vim aqui pra trepar e não pra ouvir sermão.

Se eu tivesse um apartamento, não teria problema nenhum.

Mas acontece que eu sou um duro.

Se eu tivesse dinheiro, se eu ganhasse bem no meu emprego, eu teria um

apartamento e levava a mulher que eu escolhesse.

Eu não ia procurar você naquela espiluca onde eu te achei.

Eu... Eu

ia pra uma boate bacana.

Isso tá na cara.

Mas acontece que eu sou da última classe.

E nunca vou ser das outras.

Isso tá na cara também, você não acha?

A gente fica aqui mesmo, Toninho.

Você fala como se não estivesse querendo e dizia de uma vez, hora.

Fico, fico, fico, pô.

Tá bom.

Mas não precisa ficar desse jeito.

É claro.

E não tem pressa para pagar.

Você quer uma flor?

Uma flor?

Moço, quer me ver uma rosa? Pois não.

Quanto custa? Um conto.

Obrigado. De nada.

Eu vim te buscar.

Não tem água quente.

Ué? Você ainda não tirou a roupa?

Toninho, eu quero ir embora.

Ah, essa não. Você já falou isso umas dez vezes. Agora chega.

Se você for, como é que eu vou ficar? Vou tirar na mão.

Eu vou pra cama com você, eu deito com você, eu trepo com você.

Mas só se a gente arranjar um quarto melhor.

Não tem outro, Ivete?

Põe isso na cabeça.

Olha, espera, eu tive uma ideia.

Eu vou falar com o Giba.

E quem sabe ele deixe a gente ficar no quarto dele.

Os quatro?

É, os quatro.

Não vai me dizer que você fica envergonhada.

Diba! Diba!

Ê, saco! Diba, eu quero falar com você.

Já vou!

Diba! Já vou!

Diba, eu queria que você me quebrasse um galho.

O que foi?

Ei!

Eu perguntei o que foi.

A Ivete.

E lá em Laranjeiras continua tudo a mesma coisa.

Todo mundo conhece todo mundo.

A mesma coisa.

Você precisa voltar, senhor.

A vida da gente é pequena, você sabe.

Até foi por causa disso mesmo que você saiu de lá.

Mas lá, a gente tem certeza do que vai acontecer no dia seguinte.

Eu não sei como dizer.

Eu só sei que você precisa voltar.

Eu te esperei esses anos todos.

Eu tinha que vir te buscar.

Acho que você perdeu tempo.

Você não vai voltar?

Não.

Já tô fora dela há cinco anos.

Minha vida tá organizada aqui.

Tá firme.

Voltar lá pra quê?

Voltar pra mim.

Com quatro aqui nesse quarto, dois homens e duas mulheres vai ser uma

tremenda suruba. Se você aguentar, o problema é seu.

Aguento.

Opa, se aguento.

Eu acredito.

Mas sem divisão, tá bom?

Sem divisão como?

A grana.

Aquela que nós combinamos.

A minha sai inteirinha.

Ué, tá certo.

O Toninho paga Ivete, eu pago você. Não tem nada de uma coisa ver com outra.

É dobrado, Giba.

Eu vou dormir com dois homens.

A Ivete também.

O dinheiro da gente tem que ser dobrado, entendeu?

Ivete?

Ivete?

Aquela menina que veio comigo passou por aqui?

Aquela menina?

Menina!

Táxi! Táxi!

Pro bexiga, por favor. Pro bexiga, né? Pois não.

Tá querendo morrer, imbecil?

Vamos embora. Eu não quero.

Quer deixar de besteira e vir comigo?

Quanto foi?

Não foi nada. O cara nem saiu do lugar.

Escuta, amigo. A garota aí é parente sua, é?

Vamos voltar pra casa.

Desce.

Desce, Vete.

Olha aqui, Toninho. Já disse que quer ir embora. Deixa pra lá, Ivete.

Puxa vida, como você tem... Me larga, Toninho. Você tá me machucando. A gente

tá voltando, mas vamos devagar, viu?

A polícia tá por aí. Ele não tem nada com a polícia.

Você que pensa que não tem.

Se o Toninho quiser, você me troca por ele?

Troco.

Você não me respeita mesmo.

Sei lá, já tinha até esquecido de vocês.

Esse quarto é ruim.

Mas é bem melhor do que aquele lixo onde a gente estava.

Bem, o que vocês estão esperando?

A cama é grande, cabe os quatro aqui, fácil, fácil.

Você está louco.

Louco por quê?

Eu gosto de você.

E voltar para Laranjeiras?

Não. Mas a gente não precisa voltar para lá.

Você ouviu o que eu disse? Nós não temos que voltar para lá.

Não precisa ficar com medo, não.

É só feijão com arroz que a gente vai fazer.

Se ele falou... Que vai ser papai e mamãe.

Pode acreditar que vai ser papai e mamãe.

Toninho, eu estou com medo.

Está sim, Benzinho.

O que é que essa coitada te fez?

Você não percebeu que eu só estou usando ela?

Me deixe em paz, Pedro. Só assim você também vai ter paz.

Seu... Eu tenho um compromisso. Às quatro horas eu tenho que encontrar uma

pessoa. Eu te levo.

Aonde for.

Você é teimoso.

Você ganhou. Eu não tenho nenhum compromisso.

Eu tô mais cansado, viu?

Eu viajei dez horas até aqui.

Você quer descansar, é?

Numa cama?

É bom.

Eu te levo.

Tony.

Me faz um favor.

Pega o meu cigarro que tem no quarto.

Ele me pediu o cigarro.

Está aí.

Você tá falando da Marcela?

É.

Sei lá.

Ela começou a criar uma série de problemas aí que eu não entendi.

Eu acho que ela tá querendo ficar com você.

Esse é o meu palácio.

Não é muito bom pra quem saiu de casa com tantos sonhos, mas... Pode ser um

mundo.

Mas não é um mundo.

Senta por aí.

Bem... Depende da gente.

Eu... Eu ouvi o que o Giba te falou.

Não tem importância.

Se você não tivesse ido atrás dela naquela hora... Eu não podia imaginar

que fosse ficar assim.

E agora?

Eu não tenho que dar satisfação para ela do que eu faço.

E o Giba?

Eu dou um jeito.

Ele não vai querer brigar comigo só por sua causa, né?

Vem. Ela não vai acreditar quando sair do banheiro.

Vai levar um assusto.

Um mês.

Um mês a seco.

Eu não tenho que pensar na Ivete, muito menos no Giba.

Eu tenho que pensar em mim.

Eles que se manquem porque não tão agradando.

Por que você tá me olhando? Por nada.

Você não queria descansar numa cama?

Pois vamos descansar.

Eu durmo no sofá mesmo.

RISOS

Mas eu preferia de outro jeito.

Já vai começar de novo?

Eu não terminei, Selma.

O que houve?

Não sei.

Eles quiseram.

Eu vou insistir enquanto você não me mandar embora.

Você me mandaria embora?

Mandaria.

Mesmo depois de tudo que nós tivemos?

Mesmo depois do casamento marcado que você abandonou?

Essa é a hora que eu tenho para saber o que aconteceu de verdade.

Você sabe.

Depois é bem que tentei, mas aí eu não quis saber mais.

Eu acho que não tem importância.

Para mim tem.

Deve ter acontecido alguma coisa que me escapou. Eu falei as coisas que sempre

falo. Não mudei nada. O fato de você não ter conseguido não quer dizer nada.

E aquela história do Toninho? Mas você mesmo disse que ela quis.

Que eles quiseram. É, mas não precisa me trair, né?

Também não quer dizer nada.

Vai ver que a maior prejudicada nessa história toda foi você.

E você foi o maior chorão.

Ganhou até do Toninho.

Aquela vida de interior não me agradava.

Eu queria mais.

Muito mais.

Do que ter as mesmas caras todos os dias.

Do que te esperar todo dia às seis da tarde.

Do que ter um bando de filhos.

Estou atrapalhando?

Não, pode entrar.

Eu posso voltar outra hora, hein?

Não, fica.

Ele é só um amigo.

Um amigo, é?

Lá de sua terra, é?

É.

Eu sou de Lanageiras.

E vim buscar ela.

Ah, veio buscar ela.

Pra quê?

Flores, volta depois.

Deixa que eu resolvo. Eu vou esperar, tranquilinho, sem me meter na conversa.

Dispensa esse cara.

Visto de cima, você parecia um fole. É, vou embora, viu?

Vou sair daqui.

Você vai embora?

É, tô num bagaço que não é mole, bicho.

Mas a gente veio junto, vai embora junto.

Talvez eu faça hora extra, Giba. Mas não vai dar tempo, Toninho. São seis horas

da manhã, você não vai ter tempo de dormir.

Eu não disse que vou dormir, disse que talvez faça hora extra.

A Marcela tá aí, você fica com ela, ora.

A gente veio junto, vai embora junto.

Só se for agora, viu?

Pra te esperar, não dá.

É porque você ainda não conseguiu?

É, é por isso mesmo. É que eu ainda não trepei. Aqui eu é que fiquei do palhaço.

Mas é que eu pensei... O que você pensou não me interessa. Isso é problema meu.

Você não tem que trabalhar?

Isso também é problema meu. Tá bom, faz o que você quiser. Fica aí, dorme aí, o

que você quiser. Eu vou embora porque isso não é fogo.

Você me leva até o centro?

Ao centro é aí mesmo, ora.

Tá certo, eu levo.

Você sabe que está, Pedro.

Se você quiser, eu posso ir embora.

Não, Pedro.

Mas ficar fazendo o que aqui?

Você está com seus amigos?

Neném, ele está demonstrando boa vontade.

Será que você não entende?

O que nós combinamos.

Mas a gente nem fez nada.

Não precisa me pagar coisa nenhuma.

Pega aí o dinheiro.

Não se preocupe. Eu acho que nem perdi o meu tempo.

Pega o dinheiro, Ivete.

Afinal, você não veio aqui pra ver o espetáculo entre o Toninho e a Marcela.

Deixa de frescura. Pega o dinheiro aí, vai. Eu só quero que você me leve

embora.

Eu levo, sim.

Toninho, vê se tu não vai embora sem antes acertar comigo, tá?

Acertar? O meu dinheiro.

O seu dinheiro?

O do programa.

Ué, mas olha você que tava doida pra trepar comigo.

Você não vai criar caso agora, né, pô?

Não, eu não vou criar caso.

É que eu pensei que você tivesse gostado, né?

Bem, eu vim com a Ivete. Eu acho que é pra ela que eu tenho que... Bom, a Ivete

veio com você, mas quem trepou comigo foi você. Vai ter que pagar.

Tá bom, tá bom.

Quanto vale essa merda aí?

Quarenta contos. Você quem sabe.

Saio eu ou ele?

Acho que quem vai sair vai ser você.

É ela quem decide.

O dinheiro tá aí.

Faça bom proveito.

Vão embora, Ivete.

Espere!

Se a gente veio junto até aqui, vai embora junto também.

Não precisa esperar ele não, viu, Toninho?

Pode ir, porque agora eu vou dormir.

Vamos embora, Toninho.

Você vai ou fica?

Giba, deixa.

Do jeito que eu tô vendo, parece que não vai dar pra ficar aqui com a Marcela.

Já que não dá, rua!

Rua o quê?

Rua! Se manda! Vai embora!

Das minhas costas, você não vai dormir aqui, não!

Eu dei 30 contos por esse troço.

E se você pensa que vai dormir de graça, está enganada.

Você está nervoso porque broxou. Mas eu não tenho nada com isso. Cala a boca!

Cala a boca!

Vamos. Vamos lá.

Abra essa boca.

Diga uma merda qualquer. Diga qualquer coisa que te enche essa boca de bofetão.

Seus baixeiros, e some daqui.

E não disse uma palavra, viu? Uma palavrinha sequer, porque se você

disser, eu não respondo por mim. Eu te arrebento aqui dentro, viu, sua puta?

Vamos, vagabunda!

Vamos! Vagabunda!

Vagabunda! Vamos embora, Toninho.

Aqui quem decide sou eu, menino.

Sou eu quem manda.

Flores, Flores, deixa ele.

Fica de fora.

Entra. Vamos, seu Fonseca, entra.

Como é? Agora é a nossa vez.

Seu caipira imbecil.

Essa vagabunda já vai embora.

Aí nós conversamos.

Flores, para com isso, Flores.

Giba.

O que é isso?

O que é isso o quê?

Ficou louco?

Deixa pra mim.

Eu tô cuidando do caso.

Eu sei o que estou fazendo.

Mas o que é?

O problema é meu, Toninho.

Isso aqui é sua bicha? Você pensa que alguém aqui... Eu vou quebrar sua cara!

Larga!

Me

larga!

Eu mato! Eu mato!

Eu mato!

Mato! Mato!

Mato!

Deixa eu ver.

Mano...

Vou dar uma volta por aí, beleza?

Quando eu voltar, não quero mais encontrar esse matuto aqui.

Seria fácil para mim jogar ele por essa janela.

Mas eu vou deixar que você dispense o bicho.

Boa viagem para Laranjeira, Coyote.

São, a decisão é sua.

Ele está te dando essa chance.

Eu corro!

Socorro! Socorro!

Ele queria te matar.

Ele queria te fazer em pedaços.

E sabe por que ele fez?

Porque eu o deixei.

Mãos para cima.

Subam, vistoria e tudo.

Os documentos.

Eu só queria levar vocês pro meu apartamento.

Eu gosto de ver os outros na...

Na cama.

Entende?

É da polícia. Você, qual o seu nome?

Gilberto dos Santos.

Você?

Fonseca.

Tá bem, tá bem.

Os dois pro corredor.

Os documentos do rapaz.

Esse não tem cara. Devolve os documentos para ele.

Tá bom. Pode dispensar.

Olha, a gente não tem dinheiro mesmo, viu?

Não tem dinheiro? Mas é claro que não pode ter dinheiro. Fica a noite toda na

orgia e farra por aí.

Depois pega o ônibus e não tem dinheiro pra pagar.

Você devia ter vergonha, rapaz. Eu não quero saber.

Escuta aqui, ô meu. Se não tem o dinheiro da passagem, o jeito é deixar

um documento aqui.

Irassema? Hã?

Vem, tem um conto aí?

Tenho.

Obrigado.

Eu vou fazer hora extra.

Te vejo à noite.

Tá. Tchau.

Tchau. Até à noite.

Tchau.

A gente se vê amanhã.

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