All language subtitles for A NoiteDasTaras II 1982

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Original subtitles

E aí

Sem problema nenhum.

Está tudo calmo por aqui.

Tudo bem, então vamos embora.

Já lhe disse para não tocar violino a essa hora.

Eu estava nervoso.

Não consegui dormir.

Você nem deitou?

Saiu, não foi?

Saiu, sim.

Isso vai mal, meu filho.

Muito mal.

Andou fazendo... Não.

Eu não fiz, não.

Fez, sim.

Você é a minha desgraça.

Sabe o que vai acontecer um dia?

Você vai me matar.

Mãe, pelo amor de Deus, não fale assim.

Eu te amo.

Não ama, não.

Você me odeia tanto quanto seu pai.

Me chama como ele chamava.

Não. Chama!

Não, não faça isso! Estou te mandando, menino! Chama!

Polaca!

Polaca!

Polaca!

O que é que ele queria dizer com isso?

Vamos! O que é que ele queria dizer com isso?

Puta!

É melhor assim.

Quando sentir ódio de mim, me chama de polaca.

Ouviu? Me chama de polaca. E não saia pra fazer essas coisas!

Quem foi hoje?

Foi o... Não!

Não me conta.

Chega!

Não quero mais saber disso.

Pode entrar, meu filho.

Mãe.

O que é?

Você me ama, não é verdade?

Muito.

E não fica aborrecida quando eu... Quando eu faço aquelas coisas, não é?

Aborrecida, não.

Eu fico triste.

Mas você sabe o que eu tenho de fazer.

Eu não posso impedir, mãe.

Ninguém pode.

Está dentro de mim, em algum lugar.

Está aqui.

Esse que é o problema.

Mas não é doença.

Eu não sou doente.

Isso tem cura, não é?

É doença e tem cura.

Ou tinha.

Mãe, mesmo assim você me ama, não é verdade?

Claro. Só amei você em toda a minha vida.

Você nunca passou de um pobre inocente.

O culpado de tudo sempre foi seu pai. Ele e aquele maldito violino.

Polaca!

Sou sua fã.

Fã? O violino.

Ah, sim.

Tem me ouvido tocar.

Sempre.

Pena que faz isso só de vez em quando.

Eu não sou profissional.

Devia ser.

Eu não entendo de música, mas acho que você tem talento para concertista.

Era o que eu queria ser.

E por que não é?

Minha mãe. Ela não deixou.

Puxa, como pode ser isso?

Todo o talento que você tem?

Por causa do meu pai.

Ele sim que tocava bem violino.

Tudo que sei aprendi com ele.

Mas deu tudo errado na vida do papai.

Em vez de ser virtuoso, o professor de grande orquestra acabou tocando violino

em orquestra de segunda classe.

Que pena.

Daí minha mãe ficou com ódio de violino e de violinistas.

Já entendi.

Cortou sua carreira.

É, foi o que aconteceu.

Tenço no próximo ponto.

Deixa eu aproveitar para lhe fazer um pedido?

Se eu puder atender?

Pode sim.

Toque para mim esta noite.

Tá bem.

É bom ter uma ouvinte certa.

Até a noite.

Até.

Oi, senhor Moisés.

Senhor chamou Moisés vir.

Entra.

Senhor quer vender Moisés um coisa?

É, eu vou buscar.

É isto aqui.

Quê?

Ai,

antigo.

Não entendi.

Bom,

mas nós já falamos sobre isso.

Eu quero vender.

Tempos ruins.

Essas coisas não valem muito hoje em dia.

Mas eu aceito o que o senhor quiser dar.

Ah, sois desbesser.

Quer falar português, por favor?

Eu dizer assim estar melhor.

Eu vai oferecer?

Desculpe, mudei de ideia.

Não quero mais vender, não posso. Não? Não, desisti. Saia, por favor. Vai

embora, vai.

Obrigado.

Oi, filha. Oi.

Ué, você vai sair?

Você mal chegou da escola.

Não vou a lugar nenhum.

Então por que está se embonecando toda aí?

A senhora nem sabe o que aconteceu.

Consegui falar com ele hoje.

Vai tocar pra mim.

Ah, o tocador de rabeca da dona Débora?

Que tocador de rabeca?

É um grande violinista.

É, mas o povo diz que ele é meio doido. E a mãe também.

Essa gente da vila fala demais, mãe. Nem sabe o que estão dizendo.

É, minha filha, mas toma cuidado com ele. Por favor.

A senhora não veio aqui pra falar sobre ele.

É sobre a televisão colorida.

Encrencou novamente.

Não. É que teu pai não pôde pagar a prestação esse mês.

Será que você podia pagar, filha? Já dei minha parte pra despesa da casa esse

mês.

Mas é só um empréstimo. Depois teu pai te devolve dinheiro.

Todo mês a mesma coisa. Sempre sobra uma prestação pra mim.

E o que a gente vai fazer? É inflação.

Não, não dá mais com essa inflação.

Você precisa dar um jeito de ganhar mais um pouco de dinheiro.

De que jeito, hein?

Ora, eu não sei.

Seja mais ativo!

E acha que trabalha um pouco lá no banco?

Mas é outra coisa.

Vê o Carlinho da casa da entrada.

Ele tem dois empregos.

Um é de funcionário público. Nem precisa trabalhar.

Só assinar o ponto duas vezes por semana.

Uma mata dessas lá na Secretaria de Agricultura, pô.

Ouvi no rádio que um dos presidentes do banco vai ser candidato a deputado pelo

PDS.

E o que é que eu tenho a ver com isso?

Ele pode lhe arranjar um negócio desse.

E nós votamos nele.

A senhora não sabe como é que são as coisas.

O homem tá muito alto lá no banco, tá entendendo?

Eu nunca vi ele e nem nunca vou ver.

Quanto mais falar com ele.

Mas você precisa fazer alguma coisa.

O dinheiro não dá mais pra gente viver.

Mas eu vou fazer o quê?

Isso não, não, não.

Com ele posso ganhar dinheiro.

Papai não sustentou a casa assim?

Nem pense nisso.

Não é vida nem profissão. O que tá querendo? Passar a noite inteira tocando

pra aquelas putas dançar?

Era isso que ele fazia? De qualquer forma, ele vivia de música.

Ai meu Deus, eu devia ter vendido essa porcaria hoje à tarde.

Que foi mesmo o que você disse?

Falou em vender.

O violino do papai. O meu violino. É, o seu Moisés da loja de antiguidade queria

comprar ele. Eu arrependi na última hora, agora estou arrependida.

Rodrigo, vai me matar?

Vai matar sua mamãe?

Tu é mesmo uma polaca de merda!

Moisés, ele ia comprar o safado.

Ele queria roubar o violino do velho. O meu violino.

Queria roubar a música.

A minha música.

Ei, vem cá.

Vem cá, Benzão.

Tá na bundinha, ó.

Vem cá, pô. Que isso?

Vou fugir?

Pô, eu vou acabar indo embora pra casa.

Eu ainda não faturei nada.

Diz alguma coisa, Benzinho.

Dizer o quê?

O que você quiser.

Pode até dizer besteira.

Não tenho nada para dizer.

Também não preciso.

Vamos até em casa?

Na sua casa?

Uhum. Meu apartamento fica pertinho daqui.

Fazer o quê?

Ah, não.

Essa não.

Vai dizer que você não sabe.

É dinheiro que você... Eu faço um trabalhinho com

você e você me paga. Certo? Vamos?

Como é que é, boneco?

Olha a hora.

Bicho, se cada freguês demorar o que você tá demorando, eu não faturo porra

nenhuma.

Pelo menos fala alguma coisa, vai.

Eu estava pensando.

Gozado. Isso é hora de pensar?

Quer que eu vá embora, eu vou.

Tá bem, meu amigo.

Depois de eu perder esse tempo todo... Ah, essa não.

Olha. Sabe o que eu quero?

Que você resolva fazer amor bem gostosinho, me pague, depois você pode

ir embora tranquilo e feliz, tá bom?

O que é que você sabe de felicidade?

Lá vem você com esse papo.

Ah, agora sim.

Me faz um favor?

Que é?

Tira minha calcinha.

Sim, gostosão.

Ei, você só sabe fazer isso?

O que você quer que eu faça?

Fazer amor pra valer, um negócio quente, que faça a gente sonhar, ouvir música.

Quer dizer que aquele negócio de música resolveu mesmo?

Pois é, resolveu. Então, que música que você ouviu? Olha, é uma pergunta que eu

sempre faço para os meus clientes, depois de uma boa trepada.

Eu, por exemplo, sempre escuto boleros.

E você, o que você ouviu?

Paganini. Quem é esse cara?

Um compositor.

E qual é a dele?

Samba-canção, boleros?

Compôs para violino. Era violinista.

Que merda. O que foi que você disse?

Eu acho esse sentimento muito chato.

Parece um gato desafinado. É um horror.

Olha, se eu pudesse, eu quebrava todos os violinos que existem no mundo.

Um dia ainda quebra esse maldito violino.

Faz isso pra ver.

O que foi, meu?

Não fale mais assim.

Pô, cara, qual é?

Eu não te ofendi, ofendi?

Não, não, desculpe.

Você parece doido. Esse violino lhe deixa louco.

Transforma você num assassino. Eu não sou um assassino. Eu sou um violista. Eu

sou um artista.

Pensei que havia me desprezado.

Cheguei tarde ontem. Tive coisas para fazer.

O importante é que cumpriu sua promessa.

De agora em diante, vou tocar todas as noites para você.

Eu estarei sempre te ouvindo e à tua espera.

Ah, ontem eu falei com o professor de música da minha escola a ter respeito. E

ele disse o quê?

Ele disse que quer te conhecer para você ir lá.

Alô? Pois não.

Ah, sim. Está sendo providenciado. Pode ficar tranquilo.

Tudo bem.

Por favor, entregue isso aqui ao Zé Manso.

Oi. Vamos fechar o caixa. Tá ok.

Tchau. Tchau.

Rodrigo, você viu?

O quê?

O judeu do Brechor foi estrangulado.

E você não fala nada?

O que eu tenho a ver com isso?

Foi você, não foi?

Não, não foi não.

Você tá namorando a menina da casa nove, não tá?

Não, não tô. Só falei com ela no ônibus.

Mas ela tá.

Tá sempre na janela te esperando.

O que é que eu tenho a ver com isso, mãe?

Você não tem, mas eu tenho.

Não pode enganar, mentir pra ela.

Oh, meu Deus. Deus ou diabo? Será que eu não tenho nenhum direito dentro desta

casa? Não, não tem.

Quanto mais com ela, que é uma boa moça, estuda, trabalha. Você é um vagabundo.

Ela até com essa maldita música na cabeça.

Não sabe quem você é.

Cala essa boca.

Ainda vou acabar ficando louco nessa casa.

Louco você já é.

Louco.

Polaca!

Vamos, Benzinho. Não pode, pô.

Vamos fazer nenê? Depende do preço.

Preço de liquidação.

Estou com um pouco de pressa.

Moro aqui mesmo. Não precisa pagar o quarto. Vem.

Que legal.

Olha lá. A Judite já arrumou alguém para dormir com ela.

Deve ser músico.

Músico? Numa altura dessa, pega qualquer uma mesmo.

Pode ir ficando no zinco, eu tô de execução rápida.

Esse troço aí é mesmo violino ou será pra enrustir o morro? É violino mesmo.

Eu sou músico.

Quer ouvir?

Não carece. Eu meto sem música.

Sem música e sem papo, tá bom?

E aí

E

aí

Espere aí.

Oi. Oi.

Pensei que fosse me fazer esperar a noite toda.

É difícil de explicar. Não tem muito tempo.

Olha aqui.

Ou tudo acontece já entre nós dois ou não vai acontecer nunca. Como não tem

mais tempo? Não estou entendendo nada.

Tenho 60 anos.

Está brincando comigo.

É a idade do meu pai se fosse vivo.

A do seu pai, não a sua.

Minha idade é contada pelo tempo que toco violino. Toco igual a ele, só a

continuação dele, entende?

Ele morreu e ao mesmo tempo não morreu, porque o som do violino continua o

mesmo. Ah, é muito complicado para você compreender.

Mas compreendo.

Não, não.

Não é possível.

Você nem sabia que eu existia e eu já te amava sem te ver. Só ouvindo quando

tocava de madrugada.

O que você espera de mim?

Enquanto ouvia sua música, pensava em você tocando em grandes teatros do

mundo. Sempre aplaudido. O povo querendo mais e mais ouvir sua música.

E como você entrava nisso?

Como sua mulher, a dona de você.

Quem cuidava de tudo.

Os mortais só podiam ver o Deus do Violino no palco.

Depois só viam a mim.

Tinham que falar comigo.

Você era sagrado.

Agora ficou tarde para isso.

Ficou mesmo?

Eu acho que não.

Por quê?

Porque eu te amo. E você?

Bem, você me ama também.

Você é muito romântica.

E tudo não passa de um sonho.

Você nem imagina como as coisas são sofridas.

Ela no princípio falava assim também.

Ela quem?

Você já teve outra mulher?

Não.

Ela.

Polaca. O que foi que você disse? Nada não. Vamos embora.

Vem.

Vem.

Ele pode matar essa menina.

Você quer mesmo enfrentar o futuro comigo?

Se você estiver disposto a ser o que é, um artista...

Rodrigo!

Por que você veio atrás de mim?

Você nunca fez isso!

Ela não sabe de nada!

Não é uma polaca!

Quem é uma polaca é você!

Sou polaca!

Minha filha, esqueça o sonho ou ilusão que teve.

Ele não presta pra você, é perigoso. Ele não presta pra ninguém, só pra mim.

Mas eu o amo. Você está apenas enfeitiçada por aquele maldito violino.

Lamento muito, mas é melhor que você se desilude agora antes que seja tarde

demais. Vamos embora!

Ele não vai, não!

Você não sabe o que está dizendo, menina!

Ele não vai ser sacrificado como foi o pai.

Mandou contando pra ela as suas fantasias. Tudo isso é mentira. Ele não

passa de um louco. E ninguém ama um louco.

Polaca. Seu pai odiava a polaca da vida dele. E quem era ela? Era você,

sua polaca.

Polaca! Vamos embora.

Vamos embora. Pra bem longe daqui.

Vamos.

Menina, você não...

Isso é mentira! Eu só mato as polacas!

Todas as polacas como você!

Vem, Rodrigo!

Louco!

Louco!

Louco!

Vou acabar com todas as polacas desse mundo, polaca!

Não faz isso, Rodrigo! Para!

Não faz isso!

Não faz isso, Rodrigo!

E aí

E aí

Tá rezando pra que santo?

Pô, quer me matar de susto?

Dá uma olhadinha aí, ó, no pilantra.

Ele?

É ele mesmo?

Não acredito.

O homem proibido. O machão do Pantanal.

É, e nós viemos assaltar justo a casa desse mão de vaca.

Viu isso aqui?

Dois belos canastrões.

Será que a boneca está aqui?

Por que você fez isso?

Ele tinha que ficar quieto, não tinha?

Mas ali, a gente precisava interrogá-lo. Ei, sabe de quem é essa casa?

Não. Do Davi Cardoso.

Não diga. É a casa do meu chuchu?

Onde ele está?

É o que a gente ia perguntar para o motorista.

Vamos descobrir.

Ele deve estar dormindo. Você fica aí. Nós vamos procurar. Se eu tiver, a gente

chama. Vamos. Vai.

Não me sacaneie, hein.

Quando encontrar, vem me chamar.

outra vez.

Aqui não tem ninguém.

Nesta casa não tem empregada. Olha que bagunça. Vamos procurar outro lugar.

Essa é a casa do Davi Cardoso?

É ou não é? Ele está em casa?

Vamos?

Viu?

Assim.

Isso. Fica bonzinho que não vai te acontecer nada.

Assim.

Viu? Assim.

Ó.

Peso. Nossa,

quanta carta.

Olha,

que bagunça. Aqui não tem empregada. Só tem carta nessa casa.

Olha o teu querido aí.

Deixa eu ver essa, ó.

Vamos ver como é que começa.

Meu grande amor.

Deixa eu ver de quem é.

José Antônio é viado.

E essa agora, ó. Vamos ler.

Amor da minha vida. Te amo.

De quem será essa?

Orlando dos Santos é viado também.

É ele.

Agora vai esquentar.

Estou com as pernas tremendo.

Está com medo?

De emoção.

Tão bonitinho.

Tão safadinho.

Tão filhinho da putinha.

Aguenta aí que eu vou chamar as outras, tá?

Malvina, encontramos ele. Onde? No quarto.

Impossível, nós já estivemos lá.

Pois tá, e tá dormindo.

O que é isso?

Não adivinhou ainda?

Um assalto. Tá ficando bidu.

Vocês querem dinheiro?

Claro, quem trabalha quer dinheiro.

E vocês estão trabalhando?

Vou pegar a pasta na sala. Isso. Toma, segura.

Vem cá, boneco.

Isso. Vem cá.

Fica quietinho aí. Bonzinho.

Vem cá.

Calma. Vocês querem a chave do meu Mercedes?

Bela merda. O que eu faço com aquela droga? Eu tenho um avião. Quer a chave

do avião?

Grana, Benzinho. A gente quer grana.

Calma. Vamos fazer um trato. Sem essa. Não tem trato nenhum.

Quietinho, boneco.

Vamos acabar logo com isso. Rápido.

Vamos.

Amarra ele.

Quem? Eu?

É. Não tem perigo.

Se ele se mexer, leva chumbo.

Nossa!

Que exagero.

Vai, tira a mão pra fora.

Ih!

O que foi?

Tá ficando duro. E daí?

Tá com medo de quê, santinha?

Vai me dizer que nunca pegou em nada duro.

Depressa com isso.

Como é que vai ser?

O que tem que ser.

A gente é assaltante de verdade ou o que é?

Pô, mas ele é muito forte.

E se conseguir escapar?

Aí já sabe.

Fogo nele.

Puxa, você quer dizer dar tiro mesmo?

Atirar pra matar?

É isso aí, minha nega.

Não pensei nisso, não.

Ah, não pensou? Pensou o quê? Que nós viéssemos aqui fazer piquenique, hein?

É, que fosse uma coisa assim como um passeio. Uma boa.

A gente entrava na casa, amarrava as pessoas, roubava e ia embora.

Acontece que essa barra é pesada. Ou a gente topa tudo, ou não topa nada.

Quer saber de uma coisa?

Eu não tenho coragem de dar tiro nele, não.

Afinal de contas, ele é o Davi Cardoso.

Ah, bela merda.

Você é dura na queda, hein?

Eu não estou deslumbrada com um galãzinho como vocês.

Qual é seu nome?

Lily.

E seu apelido? Seu verdadeiro nome?

Eu me chamo mesmo é... Ei, sem essa, quase ia cair no nosso e falando.

Tem medo de mim?

Ia me entregar à polícia, hein?

Prometo que não.

Você é simpática.

Acho que é, se você tirar essa máscara.

Acho melhor ficar calado. Você me perturba.

Só tem um problema.

Problema? É meio sério.

Espera aí.

Vou chamar as outras.

Espere um pouco.

Você pode resolver sozinha. Olha, não vem com malandragem pra cima de mim não,

hein? Preciso ir lá no banheiro.

Fazer o quê?

É urgente?

É urgentíssimo.

Essa agora?

Bem, bem.

Como é que fazemos?

Ó, não sei não.

Eu sei.

O que você está inventando, hein?

É só você desamarrar meus pés e eu vou sozinho ao banheiro.

Tá falando sério?

Você tem minha palavra.

Eu nunca menti na minha vida.

Pode ir.

Ei!

O que é? Tem outro problema.

Que problema?

Vem até aqui.

O que é?

Assim não vou poder fazer a coisa.

Que coisa?

Xixi.

E agora?

Eu não vou soltar suas mãos.

Então você vai ter que me ajudar.

Ajudar como?

Ainda não percebeu?

É o que eu estou pensando?

Ou isso ou me solta.

Soltar nunca.

Você está mexendo com cara de boba?

E então?

Essa agora.

Aí não, é mais embaixo.

Aí... Acertei?

Acertou. Ô, você é aleijado, é?

Mais ou menos.

E eu que faço?

É, tira pra fora.

Assim é mordomia demais, hein? Desamarra minha mão então que eu tiro sozinho.

Tá besta. Vamos lá, vai.

Aí... Suave, devagar, cuidado.

Aí... Mais embaixo.

Aí...

Vira pra baixo, pô.

Tá virado.

Pô, isso não acaba nunca?

É. É sempre assim, toda noite, quando eu acordo.

Você deve beber muita cerveja, hein?

Acabou.

Guarda no mesmo lugar?

Tem outro?

Espera. O que é agora?

Aí, as três pancadinhas.

Que saco, ainda tem mais essa?

Vai.

Que pobreza. Até agora só conseguimos micharia.

Onde será que ele esconde o dinheiro? Não sei, mas a gente tem que apelar.

O que interessa é dinheiro e joias. Apelar como?

Ir lá no quarto e dar uma dura nele.

Pô, mas você vai partir pra ignorância? Se não tiver outro jeito... É isso aí.

Vamos lá.

Toma Obrigada

Que bela sacanagem.

Ah, não.

Vocês são demais.

Qual é o barato, hein?

Ele teve vontade de fazer xixi. Ah, e estava fazendo aí, é? Ah, deixa de ser

idiota. Sai daí que temos o que fazer.

É, mas assim não vale. Olha aqui, ô, meu.

A paciência acabou.

A gente vai fazer umas perguntinhas e você vai responder tudo direitinho, tá?

Responde sim. Espera aí, gente.

Onde é que está o dinheiro?

Eu estou duro. Está querendo levar porrada?

Parava de honra. Não tenho mesmo.

Dá uma pancadinha na cuca dele para ver se ajuda a memória.

Para com isso, gente.

A gente deu uma encada. Ele é um cara famoso.

Nós vamos levar pior. Já pensaram nisso?

E qual é a solução?

Sei lá. A gente devia começar com um cara qualquer.

Já imaginaram a zorra que vai ser a notícia desse assalto? E daí perdemos

todo o trabalho?

Bem, olha pessoal, eu posso dar uma ideia, hein? Não te mete nisso.

Deixa ele falar.

Podemos fazer um acordo. Vocês vão embora e eu esqueço tudo. Ninguém se

machucou mesmo, hein?

Então... Hã?

Então... E então?

Nada disso.

Vocês são umas cretinas.

Assim vão cair no bico doce aí do galã.

O que nós vamos fazer é virar esta casa do avesso até achar um cofre.

Deve haver um cofre nesta casa.

Escuta aqui, sua piranha!

Não faz isso!

Eu sou a chefe. Eu mando. Ou não mando.

Você sabe onde está o cofre?

Jura?

Então, se você não sabe de nada, não serve para nada, eu vou te estourar a

cabeça.

Cara, eu estava brincando com você.

Pode ter medo, mas não precisa feder tanto.

Não disse que eu esfregava a minha coisa na tua cara se um dia eu te encontrasse?

Já vai!

Por favor.

Obrigada.

Não faz nada comigo.

Foi tudo ideia da Malvina.

Malvina é aquela valentona? Não faz nada comigo que eu dou. Dou o que você

quiser. O quê?

O que quiser.

Diz que eu dou.

Então é isso.

Vamos fazer melhor.

O que quiser.

Diz o que é que eu dou.

Dá o que deseja dar.

Para você?

Para quem mais?

Só se virar este revólver para lá.

Não há problema, não é?

Estou com medo.

E quando eu tenho medo, eu fico uma tesão danada.

Então... Está com medo? Estou apavorada.

Meu Deus, será que mataram alguém?

Aposto que foi a Malvina.

Vai, vai, rápido.

Agora nós, Valentão.

O que vai fazer?

Está com medo?

Você acha que eu sou herói besta?

Senta aí.

Eu te conheço.

É assim, é você mesma. Não é as coisas nenhuma. Você nunca me viu?

Como nunca te vi?

Eu conheço você. Nós fizemos um filme juntos.

É sim, um daqueles bem quentes, viu?

Eu conheço esses peitinhos.

Garanto que você nunca mamou neles quando criança.

Ah, eu conheço essa máquina.

Mas seria um desperdício dar uns mamãozinhos para a criança chupar.

Eu conheço esse corpo.

Você não sabe dizer outra coisa, não?

Por que está me torturando, hein?

Se der uma desperta, eu atiro antes que você me derrube.

Atira mesmo?

Você acha que não? Ela vai matar o coitado. Vai nada.

Malvina é meio maluca.

Dá um beijinho de respeito e obediência.

Onde? Onde você mais respeita.

Deixa comigo.

Que susto!

Depois desse tiro não há pau que levante. Não disse?

Matou o coitado.

É melhor não entrar que pode sobrar um tiro pra gente.

Isso é covardia. Você tá com medo.

Medo de você?

Medo de gozar e perder a parada. Aí, machão. Rei da porno chanchada.

Pensa que toda mulher tá morrendo tesão por você, homem proibido.

Mas que está com medo, está.

Você é o tiro de letra.

Por que não experimenta? Qual é o meu lucro? Quer apostar?

Que tipo de aposta?

Que vai gozar.

Convencido? Quero apostar. O quê?

Tudo. Com vocês eu aposto tudo o que vocês quiserem, tudo.

E se eu ganhar?

Eu esqueço tudo e vocês vão embora.

O que você acha?

Vai ser leal?

Guerra na cama é guerra na cama. Vale tudo.

Como vai ser?

Quem gozar primeiro perde.

Juntos dá empate.

Tá, eu topo. Mesmo?

Mesmo.

Deita. Deita você primeiro.

Deita.

Tá bem, mas abaixa esse negócio, senão o meu não levanta.

O que será que ela está fazendo com o Davi?

Vamos lá ver. Se você quer se arriscar.

Empatamos.

Come.

Come tudo.

Isso, assim, seja um garotinho bonzinho.

Mas que diabo é isso?

Nós fizemos um filme juntos. Ela foi minha tara no pornô. E o nosso assalto,

como é que fica?

Eu já peguei o que eu queria.

Agora só falta desempatar. Tchau!

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