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Para mim, um sneakerhead � quando a tua mulher chega com as compras
e n�o tem espa�o no ch�o da cozinha para as colocar,
porque est� cheio de t�nis e caixas
e tu est�s a tentar distingui-los.
� a� que sabes que tens um problema, ser um sneakerhead.
Apare�o na manh� do lan�amento, e � a loucura total.
DESIGNER DO PIGEON DUNK DA NIKE
H� centenas de pessoas no quarteir�o,
a pol�cia j� est� l�, a perguntar:
"O que se passa aqui?"
Os mi�dos n�o sa�am de l� e a pol�cia dizia: "Se n�o se forem embora,
vamos come�ar a deter-vos."
Havia mi�dos a dormir l� h� quatro dias.
N�o iam sair dali. Est� a ver?
A pol�cia come�a a prender os mi�dos, e um agarra-se � grade,
do tipo, "n�o saio daqui".
Ainda por cima, houve pessoas a levarem armas.
Levaram tacos de basebol, facas,
um machete, tipo, daqueles para a selva.
Tivemos de arranjar forma de sa�rem pelas traseiras da loja,
e a pol�cia montou tudo para que houvesse t�xis � espera...
DEL�RIO DOS T�NIS
... e a pol�cia dizia: "Saiam desta zona."
... tudo devido a um par de t�nis de basquetebol.
PRE�O DE VENDA: 69,95 D�LARES
PRE�O DE REVENDA: 5500 D�LARES
APENAS EM LA
Um sneakerhead � algu�m que aprendeu numera��o romana a colecionar Jordan.
A HIST�RIA
A palavra "sneaker" � atribu�da a Henry Nelson McKinney...
OFERE�A-LHE A LIBERDADE DO P� DESCAL�O
... um publicit�rio que popularizou a express�o em 1917.
Desde que Marquis Converse fundou a sua empresa,
os t�nis passaram do recreio para as pistas.
H� 50 anos, os consumidores tinham muito menos op��es.
T�nhamos os nossos Cons, chamados...
TODAS AS CORES
... "All Stars", t�nis ou botas, feitos de lona.
Est�o por todo o lado!
A empresa alem� Adidas,
criada pelos Irm�os Dassler,
introduziu t�nis de cabedal e camur�a no mercado no in�cio dos anos 70.
Quando jogadores profissionais come�aram a us�-los no torneio de Harlem Rucker,
abriu-se todo um mundo novo.
No in�cio dos anos 80, surgiram marcas como a Reebok e a Puma,
mas os momentos de viragem aconteceram a meio dos anos 80.
Em 1984, apareceram os primeiros Air Jordan.
A 15 de setembro, a Nike criou uns t�nis de basquetebol revolucion�rios.
A 18 de outubro, a NBA retirou-os dos jogos.
- ...devido � cor. - Mas qual � o problema da cor?
- Que regra estamos a violar? - N�o tem branco.
Bem, nem a NBA.
Dois anos mais tarde, os Run-D.M.C. lan�aram o sucesso "My Adidas",
encorajando 16 000 f�s a erguerem os seus Adidas no Madison Square Garden.
O boom dos t�nis de marca nesta altura
forneceu os elementos necess�rios ao nascimento de uma comunidade,
em que o objetivo era cal�ar os modelos mais novos, raros e de edi��o limitada,
que atingiu propor��es quase m�ticas.
O que come�ou como uma subcultura est� agora omnipresente.
Penso que podemos ligar isto ao crescimento do hip-hop...
COFUNDADOR DA SNEAKEROLOGY
... em que mi�dos brancos da periferia n�o queriam parecer betos.
Queriam ter mais estilo, porque adoravam a m�sica
e queriam vestir-se assim, por isso, cal�avam os mesmos t�nis.
Foi o ponto de viragem.
Falamos das fases iniciais
dos Shell Toe da Adidas, dos Air Force 1 High.
O desporto influenciou bastante, porque, ao longo do tempo,
deixou de se tratar apenas de atletismo. Tornou-se parte da cultura popular.
Olh�vamos para a cultura popular e tent�vamos que fizesse mais sentido...
DJ / PRODUTOR DE M�SICA
... n�o pens�vamos apenas se o cabedal dos t�nis era bom.
LAN�AMENTO COLE��O RUN DMC
Os Run-D.M.C., my Adidas, pela forma como usavam a Adidas,
tiveram o primeiro acordo publicit�rio para n�o atletas,
com a Adidas, valendo um milh�o de d�lares.
O hip-hop tornou-se moda.
Depois, o que os rappers vestiam tornou-se moda.
� cultura de rua.
Com o aparecimento do hip-hop e com a nova cultura de estilo
que surgiu com os Jordan, o skate apareceu da mesma forma
e uniu todos os aspetos do design e da cultura de rua.
DESIGNER DE T�NIS
GERENTE DA MARCA
O hip-hop, o skate e os t�nis mudaram o mundo.
Os atletas queriam ser rappers, os rappers queriam ser atletas.
Todos tinham uma linha de roupa e um contrato discogr�fico.
M�sico, artista, estrela de cinema...
DIRETOR DE MARKETING
S�o coisas homog�neas agora, que se fundiram.
Da mesma forma, nos �ltimos dez anos,
os mi�dos come�aram a procurar a valida��o por terceiros.
E por a m�sica ser uma pe�a t�o importante da engrenagem cultural,
prestamos aten��o ao que estes m�sicos est�o a fazer.
ARTISTA / DESIGNER DE T�NIS
Os mi�dos tentam imitar os seus her�is
vestindo as mesmas coisas.
Os seus �dolos, os seus �cones exibem isto.
E eles pensam: "� uma parte deles
que posso levar comigo e que faz sentido."
EDITOR DO DEPARTAMENTO DE T�NIS
T�nhamos toda uma gera��o de pessoas a querer usar
t�nis em todas as ocasi�es, o que fez as normas mudarem.
Hist�ria, tecnologia, design, celebridades, venda a retalho, neg�cio...
Tudo isto fundido num �nico tema,
numa �nica cultura, com a qual as pessoas se identificam, mesmo que n�o colecionem.
ATOR / COMEDIANTE
O tipo da UPS pode ter uns Adidas cor de chocolate ou uns Nike.
Os t�nis est�o por todo o lado.
Antes de continuarmos, o melhor � esclarecermos uns termos.
GLOSS�RIO DO SNEAKERHEAD
"Colorway" refere-se � combina��o de cores de um determinado lan�amento.
"Retro" s�o t�nis que foram reintroduzidos,
por vezes, com algumas diferen�as est�ticas.
"Collab" refere-se � uni�o de um artista de fora
ou de um designer com um modelo espec�fico,
como nos lend�rios Pigeon Dunk de Jeff Staples
ou os New Balance 999 Kennedy de Frank the Butcher.
"Deadstock" s�o t�nis novos que nunca foram cal�ados,
ainda na caixa original,
frequentemente, a apanhar p� na cave de uma loja de t�nis.
"Edi��o Limitada" s�o t�nis produzidos em quantidades limitadas
e apenas dispon�veis em determinadas lojas.
A Nike chama-lhes "Quickstrikes".
Adoraria ter cada par de Jordan,
mas n�o sei se isso seria poss�vel.
Eu n�o cal�o nenhum dos t�nis que est�o a ver aqui.
Os �nicos Jordan que uso
s�o aqueles de que tenho dois ou tr�s pares.
EMPRES�RIO
Colecionar tornou-se importante, para mim, h� uns cinco anos,
com a ideia do "quando guardar, quando usar".
Quando estamos na cama, ele est� na Internet.
Ele levanta-se �s tr�s da manh� para os lan�amentos.
Eu pergunto: "O que est�s a fazer?" Ele diz: "S�o quase cinco,
v�o fazer os lan�amentos, vou para a Internet."
Oi�o uma asneira por n�o os ter conseguido...
� um jogo. Faz parte da ess�ncia de tudo isto.
"Quem acorda mais cedo, quem � o mais r�pido?"
Algumas pessoas olhar�o para mim e dir�o:
"� estranho que gostes tanto de fazer isto."
Tornou-se, sem d�vida, parte da minha vida, a cultura,
as lojas que visito, aonde vamos.
� o seu pequeno mundo.
Um sneakerhead, para mim, � algu�m que valoriza...
ARTISTA DE HIP-HOP
... a cultura dos t�nis como uma cultura, como uma arte,
algu�m que valoriza a compra de t�nis
como mais do que apenas comprar pe�as de roupa.
ANTIGAMENTE
Sou um sneakerhead ac�rrimo desde o sexto ano.
Lembro-me de ir � loja, e o meu pai...
DESIGNER DE T�NIS, EMPRES�RIO
... examina tudo e pergunta: "Gostas destes?"
E eu digo: "Adoro estes." Eu estava no quinto ano.
E ele diz: "Muito bem, compra-os."
"A s�rio?" E ele responde: "Sim".
Comprei um par de Jordan III.
Senti-me parte do grupo. Senti que me tinham contado um segredo.
Tinha de comprar algo sempre que l� ia,
porque queria que o vendedor achasse que eu era fixe.
Quando tinha uns sete ou oito anos, o meu tio deu-me um par de Pro-Ked.
Os primeiros t�nis que tive de ter foram, sem d�vida, uns Chuck Taylor.
O primeiro par da Nike que realmente me entusiasmou foi o Diamond Turf I.
Estavam em liquida��o, n�o tinham caixa nem nada,
mas eu comprei-os, percebem?
Foram o meu primeiro par de t�nis bem fixes.
A partir desse momento, come�ou tudo.
Eu tinha os t�nis que os tipos de 16 e 17 anos
do meu bairro usavam e sentia-me completamente diferente.
Aquilo em que nos base�vamos para nos avaliarmos
era uma corrente, ou um anel, ou uns t�nis.
Quando conhec�amos algu�m era: "Ol�, meu, o que se passa, meu,
� bom ver-te, meu! Bolas, ena!"
H� uma m�o-cheia de coisas que pode definir quem somos
sem dizermos uma palavra, e os t�nis s�o uma delas.
O meu primeiro par de t�nis mudou a forma como olhava para tudo.
Sem d�vida que tinha tudo a ver com a marca.
Pod�amos ter t�nis bem giros, uns Spalding,
e as pessoas diziam: "O que � isso?"
Assim que diss�ssemos: "Meu, tenho uns Wilson."
A resposta deles era: "Vai-te lixar!" Est�o a perceber?
Quer�amos estar t�o na moda como os tipos que conseguiam coisas extraordin�rias.
Tem a ver com uma emo��o. Tem a ver com um momento.
Esteticamente, achei que ia ser bem fixe.
Colocar um cofre em casa. Mas n�o sei
se conseguem fazer um cofre grande o suficiente
para colocar l� dentro tudo o que quero,
para ter a certeza de que, quando saio,
posso ir descansado, j� que a minha cole��o est� protegida.
JOGADOR PROFISSIONAL DE BASEBOL
Mas, para muitas pessoas, trata-se dos t�nis
e de toda a cultura que os rodeia. Para mim, come�ou tudo
ao ver o Michael Jordan, enquanto atleta.
Quanto mais nos envolvemos, mais tempo nos consome
e mais irresist�vel se torna.
S� quero comprar Air Jordan, o que, s� por si, ocupa
uma grande parte do meu dia, todos os dias.
Nada me deixa mais entusiasmado do que ver este "Memphis"
escrito por cima dos EUA.
Significa que o correio trouxe algo bom.
Vamos ver o que recebemos nesta.
Rasgamos e pronto.
Parecem uns Jordan III, pela caixa.
Azul-claro. Belo dia, n�o?
Parecem uns Air Jordan X Retro, Chicago Bulls.
� uma varia��o de cores diferente, uma edi��o retro pela primeira vez.
Belo cabedal polido.
� bem bonito. Isto deixa-nos entusiasmados.
Acho que os vou p�r no cofre.
� um belo s�tio para eles.
Um sneakerhead � algu�m que sente borboletas no est�mago
quando ouve a express�o "colorway exclusiva".
A ARTE DA CA�A
Antes da Internet, t�nhamos de conhecer uma loja,
ou algu�m ou alguma coisa, para metermos a m�o em certos lan�amentos.
A arte da ca�a era a descoberta.
Quando queria ver quais os t�nis que iam sair,
tinha de sair de casa, ir at� � baixa de Worcester,
� loja Kangaroo Crossing, olhar para o quadro e ver o que se passava.
�amos a lojas de t�nis e v�amos o que estava na parede,
e podia ser a primeira vez que v�amos algo.
Costum�vamos ir a Yonkers, � loja Packer Shoes.
S� para vermos o que havia.
E depois pergunt�vamos: "O que h� l� em baixo?"
Era um desporto de contacto, na altura.
Sentia que tinha de ir l�, toc�-los e senti-los para os descobrir.
N�o havia uma forma f�cil de o fazer.
�amos a uma loja como a Foot Locker, a Athlete's Foot ou a Modell's,
e olh�vamos para toda a parede
e diz�amos: "Este aqui, na prateleira de baixo,
aposto que n�o � popular, mas eu vou torn�-lo popular."
E torn�vamo-lo popular com aquilo com que o combin�vamos.
Era uma quest�o de escolher o sabor da parede
com o qual �amos deixar as pessoas malucas no dia seguinte.
Antes da Internet, um verdadeiro colecionador de t�nis
tinha de viajar a cidades diferentes
para arranjar certos modelos, e havia uma esp�cie de corredor na I-95,
entre Nova Iorque, Baltimore e Filad�lfia, especialmente pelos Air Force 1.
Eu apanhava um autocarro para Nova Iorque para descobrir coisas novas.
"Vejam-me estes Air Force 1, t�m NYC de lado. Porqu�?"
Agarrava nesses t�nis e trazia-os de volta para Massachusetts.
Se estiv�ssemos em Baltimore, f�ssemos � loja Charlie Rudo,
v�ssemos uns t�nis e nos dissessem:
"� prov�vel que tenhamos uma nova cor no pr�ximo m�s."
N�s pens�vamos: "Meu Deus,
como � que vou � Charlie Rudo para ver se t�m uma cor nova?"
Na minha altura, era do tipo: "Sa�ram uns t�nis em T�quio.
Tenho de arranjar voo para T�quio, marcar um hotel, descobrir o tipo
com quem tenho de falar para entrar na fila,
compr�-los e, depois, voltar para casa com eles."
Volt�vamos com uns t�nis pelos quais conhec�ramos 40 pessoas
e viaj�ramos 13 000 quil�metros.
COMPRAR T�NIS 259 VOO DE VOLTA PARA NI 2400
Nessa altura, essas coisas eram muito importantes para mim.
EMPRES�RIO SNEAKERHEAD
Sou um sneakerhead.
Adoro t�nis, mas detesto dizer: "A minha vida gira � volta deles."
Porque s�o eles que giram � minha volta.
Os meus pais s�o ambos da Cro�cia.
O meu pai era muito antiquado.
Apoiaram-me de formas muito diferentes,
mas nunca compreenderam.
� dif�cil compreender.
Temos uma divis�o cheia de t�nis, e perguntam-nos:
"Vais fazer alguma coisa com eles? Est�s a p�r o teu futuro em pausa
por t�nis?" Eu respondia: "N�o se preocupem.
Isto vai funcionar."
A minha cole��o tem uns 2500 pares,
mas de sobra, aqui, est�o provavelmente 1000.
Os Jordan XI apareceram em 1996.
Foi quando cedi, porque os XI pretos e vermelhos
iam sair com um cabedal original.
Por isso, qualquer janota queria uns Jordan XI. Os pretos e vermelhos.
Se temos 16 anos e vemos
um grande g�ngster a passar � nossa frente na fila,
recuamos. Por isso, perdi o meu par.
Nessa altura, comecei a pesquisar na Internet.
Foi quando encontr�mos a Nike Park, a Nike Talk e o eBay.
Ia estudar finan�as na faculdade, por isso,
comprei um par de pares extra, coloquei-os no eBay,
vendi-os por uns 20 d�lares a mais e consegui o meu par gr�tis.
Isso abriu-me os olhos.
Estes s�o os Paris Dunk.
PRE�O DE REVENDA: 11 000 D�LARES
A arte de Bernard Buffet foi sublimada na lona.
Foi quando os Nike SB arrancaram verdadeiramente.
Os Dunk High de Wu-Tang.
PRE�O DE REVENDA: 11 000 D�LARES
Este � provavelmente um dos �ltimos pares novinhos em folha.
Dre, que seguran�a tem para tudo isto?
Tenho o meu pai com a t�bua de madeira,
� seguran�a que chegue.
DESCOBERTA
J� n�o h� ca�a. Agora, sabemos onde � que vai ser lan�ado,
quantos pares � que sair�o. A informa��o destruiu aquilo a que chamava
o jogo dos t�nis.
O boom? Foi no in�cio dos anos 90.
� um jogo completamente diferente.
JOALHEIRO DE CELEBRIDADES
Lembro-me de pesquisarmos no eBay e escrevermos a express�o "Nike Dunk",
e apareciam uns 28 resultados.
Agora, aparecem uns 50 000 resultados, est� mesmo muito saturado.
Os t�nis s�o apenas um subproduto
dessa oferta p�blica de aquisi��o que agora afirma: "Cada par � limitado...
PESQUISA NA CATEGORIA "COLABORA��O"
... cada par � collab, cada par � retro."
Todas as �pocas dos t�nis existem simultaneamente.
Agora, com a Internet, com a revenda,
com o pre�o certo, conseguimos os t�nis que quisermos.
Isso � o melhor, podemos ser um sneakerhead em qualquer lado.
Um mi�do no Iowa, antes da Internet, podia ir aonde?
Quando a oferta � muita e muito frequente, o seu significado diminui.
H� uma diferen�a entre pesquisar online,
ver no eBay, clicar para comprar,
e dois dias depois a FedEx entrega por correio,
abrimos a encomenda e l� est�o eles. Cal�amo-los e exibimo-los.
H� uma esp�cie de: "Muito bem, e agora?
Tenho de ver o que vir� a seguir." Percebem?
Eu desconfio das Edi��es Limitadas da Nike... N�o acredito em nada disso.
Conceptualmente, model�mo-la pensando numa loja de vinhos,
e � a met�fora perfeita para o produto que temos.
Concebemos a loja na ideia de criar
uma representa��o f�sica do que � ir � ca�a de grandes t�nis.
A Internet � �tima, mas n�o necessita de muito esfor�o.
Basta que nos sentemos a um computador.
Queremos trazer de volta essa sensa��o de descoberta,
de virem e dizerem:
"Meu Deus, isto � de loucos." E, depois, contarem aos amigos...
COPROPRIET�RIOS
� disso que se trata, de trazermos de volta essa experi�ncia.
H� cinco anos, fiz um projeto com a Nike chamado "Black Friday".
Garanti que ningu�m via qualquer imagem dos Black Friday,
assim, quando os t�nis sa�ram, foi necess�rio ir � loja
para ver o seu aspeto.
Dei a m�stica da descoberta.
"Quero isto ou n�o quero?" Era isso que costum�vamos fazer!
Entrar na loja, ver uns t�nis e pensar: "Quero-os ou n�o os quero?"
Ver algo ao vivo, ver a qualidade da costura, do cabedal,
e interagir com pessoas da mesma cultura,
isso � mais importante agora.
O novo mil�nio trouxe a Internet
e uma profunda transforma��o no mundo dos t�nis.
O que antes fora uma subcultura original tornou-se um mercado internacional.
Os sneakerheads s�o amigos do mundo,
que falam uma l�ngua em comum.
O MONSTRO VAI PARA O ORIENTE
T�QUIO
Originalmente, a cultura americana misturou-se com a cultura europeia,
formando, depois, o estilo japon�s.
No Jap�o, h� um fosso enorme entre o desporto e a moda.
Por exemplo, mesmo que o Michael Jordan,
um jogador de basquetebol, usasse os t�nis,
n�s gostamos de moda, mas raramente assistimos a desportos.
No Jap�o, � dada �nfase ao estilo.
Os pormenores e a funcionalidade s�o t�o importantes como quem os cal�a.
A nossa cultura admira coisas vintage.
No Jap�o, h� uma cultura chamada "Otaku",
que diz para n�o olharmos s� para o presente,
mas para conhecermos o passado e a hist�ria,
de forma a compreender profundamente esse objeto.
No ano passado, as coisas vintage eram muito populares.
Mas, agora, a moda virou-se para as altas tecnologias.
Como resultado da procura por algo �nico,
a Asics e as outras marcas tornaram-se muito populares.
Sem d�vida, os Air Max destacam-se
como os n�mero um no Jap�o.
Quando os Air Max da Nike foram lan�ados,
essa foi a primeira vez em que t�nis se tornaram
realmente populares no Jap�o, tendo T�quio como centro.
Quando os Air Max foram lan�ados no Jap�o, a meio dos anos 90, foi um boom enorme.
A dada altura, um par chegou a custar 300 000 ienes, ou seja, 3000 d�lares.
� tudo farinha do mesmo saco.
PROPRIET�RIO
Penso que todos os sneakerheads t�m o mesmo problema.
Compramos t�nis, apesar de n�o os usarmos.
Queremos t�nis novos, mas n�o temos dinheiro.
Quis abrir uma loja que possa
comprar esses t�nis a bom pre�o.
O seu sonho resultou na Skit.
Hoje, h� quatro lojas Skit no Jap�o,
e o invent�rio de Kamamoto excede os 15 000 pares.
Mas o seu caminho para o sucesso n�o foi f�cil.
H� menos de cinco anos, ele n�o tinha casa
e vivia num parque a apenas 800 metros da sua loja de maior sucesso em T�quio.
A sua enorme cole��o come�ou apenas com dez pares,
guardados num apartamento pequeno, que �, agora, um sal�o de beleza local.
Nos anos 90 e por volta de 2000,
havia tantas lojas de t�nis no Jap�o.
Mas todas elas vendiam os mesmos t�nis.
O neg�cio � de revenda apenas.
Muito do seu conhecimento vem de avaliar grandes e pequenas cole��es.
Chegam em caixas de sapatos, sacos do lixo e, por vezes, de carro ou cami�o.
A maior quantidade de t�nis que algu�m trouxe foram 800 pares,
pelos quais paguei seis milh�es de ienes, ou seja, 58 500 d�lares.
Algo fant�stico nos colecionadores japoneses
� que a maioria dos t�nis est�o como novos.
Eles nunca os usam.
A jornada de Hommyo foi, tamb�m, muito improv�vel.
Come�ou por importar Adidas e Air Jordan vintage no in�cio dos anos 90.
Hommyo viu a oportunidade e aproveitou-a.
No secund�rio, n�o era um bom aluno.
EMPRES�RIO NO RAMO DOS T�NIS
O professor dizia que estava sempre a fazer tudo mal.
N�o podia ir para a universidade.
Tive uma oportunidade
e fui para Filad�lfia.
Para a Universidade de Temple.
Temple � na zona norte de Filad�lfia.
T�m muitas lojas de t�nis.
Tinham os Air Force One originais de 1982.
Os Air Jordan One de 1985.
Ap�s ter-me licenciado em Temple, voltei para o Jap�o.
E comecei a trabalhar para uma empresa comercial.
Lembro-me.
Tinham muitos t�nis vintage nos EUA.
E abrimos a Chapter. Uma loja de t�nis bem pequenina.
S� com t�nis vintage.
Mensalmente, vou a Nova J�rsia, a Filad�lfia...
... e trago sempre 200 ou 300 pares.
Mas negoceio o pre�o.
Dizem: "Cinco d�lares."
"Cinco d�lares? Meu Deus!"
Trago-os aqui e vendo-os por 300 d�lares.
Estou a fazer bom dinheiro!
Um sneakerhead � uma pessoa que tem POC.
Perturba��o obsessiva-consumista.
V�CIO
Temos de pensar no significado...
PROFESSORA DE PSIQUIATRIA CL�NICA UNIVERSIDADE DE COLUMBIA
... de ter uma rela��o com um objeto como um t�nis.
Chamar-lhe-ia uma obsess�o, um v�cio, ou ambos?
Ambos. Uma doen�a. Sim!
Como se distingue um colecionador normal de algu�m com acumula��o compulsiva?
Infelizmente, ainda n�o consegui determinar
o limite.
Houve uma altura em que os meus pais
queriam saber o que havia de errado comigo, percebe?
Passou de tr�s para 30 e, depois, de 30 para 300.
� um v�cio comportamental, por assim dizer.
Cada vez queremos mais.
S� recentemente,
talvez nos �ltimos seis, sete meses, � que pensei:
"Quero-os a todos!"
Sabemos que temos um problema, quando temos montes de t�nis
empilhados, sem qualquer objetivo a n�o ser
possu�-los.
DJ / APRESENTADOR DE TV
J� nem sei quantos t�nis tenho. Perdi a conta...
Diria que tenho mais de 1000 pares, neste momento.
ARM�RIO DE WALE
Gosto de mudar todos os dias. � como a d�vida nacional.
Estou sempre...
... setecentos e tal...
AS PAIX�ES DE CARMELO ANTHONY
BASQUETEBOL, PROJETOS EMPRESARIAIS E 1000 T�NIS
- Quantos pares tem? - Deixei de contar ap�s...
- Ap�s quantos? - Os mil.
Ap�s os mil!
Eu s� fiquei obcecado por volta de 1995, 1996,
s� se tendo tornado um problema a partir de 2002, 2003,
quando tinha quase 2000 pares de t�nis.
Era pior antes. Talvez tenha tido uns 5000.
PUBLICA��O NO TWITTER
N�o conseguem pensar em mais nada.
Concentro-me bastante nisso.
Mas se os colocasse todos no mesmo s�tio, provavelmente teria um ataque de p�nico.
Dominou os meus pensamentos e a forma como...
Aquilo que queria vestir, aquilo em que queria gastar dinheiro.
Eles colecionam tantas coisas, que isso prejudica
a sua capacidade de ter relacionamentos, a utiliza��o das divis�es da sua casa.
Quis sempre uma casa com dois quartos, supostamente para um est�dio,
mas acabava por se tornar num quarto de t�nis.
DJ / DESIGNER DE T�NIS
L� fora, tudo o que cal�ava, os Jordan, os New Balance.
Aqui, � como se fosse a segunda vaga, poder vir aqui
e procurar alguma coisa.
Depois, a terceira vaga s�o os armaz�ns com caixas ainda fechadas.
Nunca fui ao armaz�m a pensei: "Quero a caixa n�mero tr�s."
As pessoas dizem: "Tens problemas s�rios."
E eu respondo: "Eu sei, meu."
ARTISTA / DESIGNER DE T�NIS
� como o Frankenstein. Criamos um monstro que temos de alimentar.
� como um filme de terror.
Os t�nis aproximam-se cada vez mais.
Tenho tantos guardados... Tenho um dossier,
com imagens de cada par,
em que caixa est�o, etc. � de loucos.
Tudo o que adquirimos vai parar a um armaz�m qualquer,
acabando escondido,
e a gl�ria de os exibir e todos os sonhos que t�nhamos
sobre como os colocar para mostrar aos outros
nunca chegam a acontecer.
Boa sorte com isso.
O mais interessante � que Fairfax deixou de ser
um pequeno bairro judeu silencioso,
no meio de LA, para passar a ser o epicentro da roupa de rua.
A Diamond Supply Company est� mesmo aqui. Do outro lado da rua, temos a Kayo,
que se mudou para aqui, que � a DGK,
e algumas das maiores marcas de skate.
A Supreme, claro, foi uma das primeiras aqui
e ajudou a montar este cen�rio. Mesmo agora, vemos mi�dos em filas
para comprar os novos Air Force 1.
Vemos pessoas como o Freddie Gibbs ali. Como est�, senhor?
Esta � a primeira loja de artigos em segunda m�o de LA,
a Fight Club L.A., atr�s de mim,
onde os mi�dos deixam os t�nis para serem vendidos,
as pessoas v�m comprar os mais raros,
os mais exclusivos e, sobretudo, os t�nis que n�o arranjam noutro s�tio.
A marca Buscemi, e o que fazemos aqui, representa uma revolta contra...
DIRETOR CRIATIVO, MARCA BUSCEMI
... uma empresa de malas do s�culo XIX, chamada Louis Vuitton, certo?
Eles fabricam malas de por�o. Mas, agora, se entrarmos numa loja da Louis Vuitton,
vendem trelas de c�es e t�nis de basquetebol.
O que est� a acontecer? Eu n�o compreendo.
Eu n�o consigo compreender.
Mas se andarmos pelo Rodeo Drive, ou pelo Monte Napoleone em Mil�o,
ou pelo centro de Hong Kong, ou qualquer mercado de luxo,
entramos basicamente em lojas de roupa de rua. E pronto.
N�s come��mos isto, por isso, � altura
de ganharmos um pouco com isso.
Por isso, lan��mos uma marca com uma s�rie de acess�rios
e lan��mos, obviamente, uma marca com os 100 mil�metros,
uns t�nis inspirados no basquetebol.
Queria criar os melhores t�nis poss�veis,
os melhores t�nis do planeta. Mas como o faria?
E tamb�m queria competir contra as maiores marcas de luxo do mundo.
Inspir�mo-nos numa mala muito conhecida
e fundimo-la com t�nis de basquetebol.
PRE�O: 900 D�LARES
Um verdadeiro sneakerhead sabe tudo sobre t�nis.
A raz�o de ser fixe, de ficar bem.
OS COLLAB
A partir dos anos 90, come�ou a popularidade dos Collab Edi��o Limitada.
A maioria das empresas de t�nis come�ou a unir-se a celebridades,
artistas de grafites, m�sicos e retalhistas especializados,
para colocar o pr�prio selo em modelos personalizados,
lan�ados em pequenas quantidades.
Essas colabora��es intensificaram o frenesim,
conduzindo cada vez mais colecionadores ao mercado florescente das edi��es limitadas.
Isto criou mais uma oportunidade para o colecionador.
Antes dos t�nis, era um experiente designer gr�fico.
Fizemos muitos trabalhos para revistas, design editorial, design de log�tipos.
E j� t�nhamos a nossa linha de roupa, a Staple Pigeon, que come�ou em 1997.
Era algo bastante alternativo, mas muita gente
gostava a s�rio da Staple Pigeon.
No dia em que me encontrei com a Nike, tudo fez sentido.
Eles disseram: "Ena, � um designer,
tem uma linha de roupa, tem uma loja,
� um sneakerhead, sabe de t�nis...
Temos de trabalhar juntos." Nessa fase, era f�cil.
A Nike abordou-me e disse: "Os Dunk." S�o dos seus t�nis mais ic�nicos.
"Vamos celebrar um anivers�rio, e queremos festej�-lo
em v�rias cidades mundiais...
T�QUIO
... que foram epicentros da cultura dos t�nis."
LONDRES
E disseram: "Gost�vamos que fizessem a celebra��o de Nova Iorque,
se estiverem interessados." Ao que respondi: "Porra, claro!"
Posso dizer asneiras?
Se eu queria fazer os t�nis mais ic�nicos para a empresa de t�nis mais ic�nica
na melhor cidade do mundo? Ser eu a faz�-lo?
"Sim, acho que quero isso!"
E eu disse: "Deixem-me pensar nisso. Sim!"
Uma das raz�es que nos levou ao pombo
� a variedade de cores fixes que personificam esse p�ssaro.
Os diferentes tons de cinzento.
E, depois, salpicos de branco, de preto.
E, claro, a sola em rosa-pombo, que � essencial.
Tal como em rela��o ao material, decidimos colocar nobuck aqui,
para ter um toque mais macio, como o de um animal.
Podem ter sido os t�nis que mudaram a cultura dos t�nis para sempre.
LOWER E. SIDE INVADE NIKE
Porque, ap�s este sucesso, e de ter estado na primeira p�gina dos jornais...
FRENESIM E MOTIM DOS T�NIS
... e nas not�cias da noite, as idosas de Central Park West,
de repente, passaram a compreender que se faziam essas coisas por t�nis.
Acabou por abrir as comportas. E tudo gra�as a este menino.
Na Costa Oeste, marcas como a Asics, conhecidas pelos t�nis de corrida leves,
est�o a lan�ar Collabs �nicos, que se vendem imediatamente
em boutiques de Beverly Hills, como a Blends.
DIRETOR
A moeda de compra � a raridade.
Para consolidar essa moeda, a Asics dependeu fortemente
do designer de Nova Iorque, Ronnie Fieg, propriet�rio da Kith,
a loja de t�nis que se destaca atualmente em Manhattan.
ARQUIVO DA ONITSUKA TIGER ASICS
Ele tem muito m�rito pela nossa situa��o atual.
Fizemos t�nis muito bonitos, juntamente com os parceiros
com os quais colabor�mos.
Quando olhamos para as camur�as, para os cabedais,
para o equil�brio dos t�nis
e para a forma como s�o desenhados, � lindo.
Nos anos 70, houve o grafite, o boom, a ilegalidade.
Nos anos 80, o nosso movimento
ganhou algum reconhecimento. Keith Haring, Basquiat,
alguns nomes famosos da cultura de rua.
Nos anos 90, a t�cnica mista, a cultura das t-shirts, novos estilos de vida.
O meu primeiro envolvimento na cultura dos t�nis foi em 2002, 2003.
Estava no meu escrit�rio, e um homem entrou, trazendo o meu livro.
Era Mark Parker, que, na altura,
era o diretor criativo global da Nike.
Antes disso, nunca tinha feito nada em t�nis.
Os primeiros pares de t�nis n�o tinham qualquer conte�do art�stico.
PRE�O DE REVENDA: 10 000 D�LARES
Est�o a ver os t�nis FLOM?
Um acr�nimo para "For Love Or Money", ou "Por Amor Ou Dinheiro."
Amor ou dinheiro. Deem-me a op��o. Se tivesse de escolher, escolhia o amor.
Escolhia, sempre, o amor.
PRE�O DE REVENDA: 1000 D�LARES
O Dunkle, que deixa todos malucos...
Vejo publica��es di�rias do Dunkle no Instagram.
S�o uns t�nis quase futur�sticos,
com os carateres UNKLE, que eu criei
para a Mo' Wax Records nos anos 90.
Nunca gostei verdadeiramente disso.
N�o quero ir longe demais e dizer que n�o teve qualquer autoriza��o,
mas foi um pouco: "Est�s a faz�-lo? Est� bem.
Obrigado por me perguntares."
Apesar disso, invent�mos a caixa cor-de-rosa.
N�o se trata tanto do entusiasmo,
mas do verdadeiro conte�do.
Penso que os t�nis s�o arte.
Para mim, s�o tamb�m parte da vida.
Para mim, representam a paix�o.
Quis tentar algo interessante,
algo que ningu�m tivesse tentado, ou feito, antes.
A Nike abordou-me e sugeriu abrirmos uma loja juntos com um novo conceito.
A Atmos abriu em Harajuku, h� dez anos.
Pouco depois de a Atmos abrir em 2001, a Nike abordou Hommyo
relativamente � primeira colabora��o de sempre nos Air Max I,
t�nis muito procurados em T�quio.
O projeto foi mantido em segredo at� ao lan�amento, quando esgotou imediatamente.
Nem o pessoal da Nike no Jap�o sabia.
Primeiro, era ilegal vend�-los.
Mas, por fim, a Nike no Jap�o disse:
"Pronto. Vendam."
Talvez haja umas 200 ou 300 colabora��es.
Os americanos, os europeus
fazem sempre tudo com as suas cores hist�ricas.
Mas eu sou japon�s, por isso, estou sempre a usar uma origem diferente.
Diferente dos americanos e dos europeus.
Gosto destas cores.
Os americanos n�o se importam.
O cliente japon�s � mais sofisticado.
Como esta costura.
Gosto dela.
Os americanos n�o se importam com a costura.
N�s importamo-nos com os pormenores.
Os americanos talvez achem os t�nis Retro
do Michael Jordan muito fixes de usar,
no entanto, os japoneses nunca os usariam
se n�o ficassem bem com a sua roupa.
A minha tarefa � tirar partido da diferen�a
entre os americanos e os japoneses.
Hommyo acabou por levar os seus designs de volta aos EUA,
onde tudo come�ou para ele.
AS 50 MAIORES INFLU�NCIAS NOS T�NIS
Hoje, � considerado uma das figuras
mais influentes na �rea.
Eu cresci entre a cultura que me fez aquilo que sou.
Sempre que via os meus amigos
que se davam ao luxo de n�o ter responsabilidades
e que se encontravam na rua,
era uma piada, por vestir o meu uniforme:
"C� vem o Frank, o soldador, Frank, o mec�nico."
Um dia, disseram Frank the Butcher, ou Frank, o carniceiro.
Olh�mos todos uns para os outros, e ficou.
Come�ou com... "Eu tenho um grupo de rap
e precisamos de capa para um �lbum, de uma t-shirt..."
Foi assim que comecei.
Comecei a aprender design, Photoshop e Illustrator.
Apresentaram-me a Concepts.
Uma loja local que era muito importante, que � muito importante.
Era uma oportunidade incr�vel.
Aproveitei essa oportunidade e continuei a faz�-lo.
Penso que os que pareceram ter mais impacto no mercado
e que foram tamb�m os meus preferidos...
�s vezes, isso n�o acontece, certo?
Foram os New Balance 999 Kennedy.
Tinham como tema as ra�zes do John F. Kennedy na zona
e o seu amor pela vida n�utica e pela vela.
Us�mos isso como contexto
e cri�mos t�nis que tinham materiais e varia��es de cor
que reportavam a esse tema n�utico. Bandeiras n�uticas.
Para n�s, faz�amos apenas o nosso trabalho.
Estava a trabalhar apenas nos t�nis, mas, quando sa�ram,
tornaram-se noutra coisa. Esgotaram em meio dia.
Sa�ram num s�bado e no s�bado � tarde j� n�o havia.
No mundo dos crust�ceos, encontrar uma lagosta azul � extremamente raro.
DIRETOR-GERAL
Todos precisam de o dizer. O pescador liga para a loja e diz:
"Encontrei uma." E respondo: "N�o me interessa. N�o como marisco."
O estilo da embalagem dos Red Lobster era incr�vel,
mas esta tinha de ser bem melhor.
Foi a� que investimos bastante do nosso dinheiro
para garantir que os mi�dos precisassem de ter estes t�nis.
Seme�mos o p�nico de que havia lagostas azuis a atacar Boston,
que comiam c�es, matavam pescadores, coisas dessas.
Perdemos o controlo da hist�ria e as pessoas assustaram-se.
PERIGO, LAGOSTA AZUL, FIQUEM EM TERRA.
As pessoas n�o se aproximavam da praia.
Para o Blue Lobster, houve uma fila de seis dias. Um mi�do, na fila,
no terceiro dia, recebeu uma chamada. A namorada tivera um acidente de carro
na Calif�rnia, fraturara a bacia e estava no hospital.
O tipo voa para casa, vai ver como ela est�
e volta em dois dias, para voltar � fila de espera,
onde os amigos lhe guardaram o lugar.
Se isso n�o � dedica��o, n�o sei o que �.
NOVA IORQUE
Sempre estive imersa na cultura dos t�nis.
Cresci muito pobre, sem poder comprar nada de marca,
e penso que, para muitas pessoas, quando n�o temos algo em crian�a,
crescemos com essa obsess�o.
Para mim, os Jordan sempre foram o ep�tome de fixes.
� o equivalente a ter um BMW no secund�rio.
E, em 2009, ia fazer uma festa de anivers�rio
e disse: "Eu sei o que quero para bolo de anivers�rio.
Quero que seja uma vers�o gigante de um Jordan III."
Quando vi o bolo do t�nis, apaixonei-me de tal forma,
que disse: "N�o o vamos cortar."
Uns meses depois, estava a andar pelo SoHo,
e encontrei um amigo que tinha trabalhado na Nike.
Ele diz-me que passara a trabalhar na marca Jordan.
Eu digo-lhe: "Devias p�r-me a desenhar uns Jordan."
Ele: "O que queres dizer, gostas de Jordan?"
E eu: "N�o viste o meu bolo?"
Mostrei-lhe as fotos e ele disse: "Meu Deus, devias desenhar uns Jordan."
E a verdade � que todos costumam dizer:
"Devias fazer isto, dev�amos ir almo�ar,
dev�amos..." Mas depois... Por�m, ligaram-me no dia seguinte,
puseram-me em contacto com pessoas de Portland
e come��mos a definir o design dos Jordan.
A silhueta eram os Jordan II, porque eram os seus 25 anos,
portanto, isso foi-me apresentado como os Jordan que tinha de conceber.
Atirei-me de cabe�a
e tornei-me a primeira rapariga a desenhar uns Jordan. Estes.
Quando se � DJ, n�o queremos usar cal�ado desconfort�vel.
Especialmente, quando come�amos.
Trabalho das dez �s quatro da manh�, estou seis horas de p�.
Uso uns Skytop da Supra.
Assim, fiz uma colabora��o com eles.
Fiz os Low Red, que � a minha alcunha. E fiz uma varia��o de cores nuns Jordan.
Fiz os vermelhos, pretos e brancos.
Os segundos que fiz eram pretos e dourados. Eram os Indie.
E, agora, fiz os Samikazi.
S� fizemos uns 400 pares.
Comecei a desenhar t�nis aos 15, 16 anos.
Tinha-me tornado profissional.
A DC tornou-se numa oportunidade real de evoluir o mercado do cal�ado do skate.
COLE��O DYRDEK
"AS TUAS PROBABILIDADES MELHORARAM."
Quando apareceram, explodiram.
A dada altura, tinha 30 t�nis diferentes, pelos quais recebia dinheiro.
Desenhei um ter�o de toda a linha.
Estes foram os primeiros t�nis que desenhei.
� uma das minhas variantes de cor preferidas, azul-marinho e bege.
Estes eram mesmo demais.
Tentei criar estes t�nis mais para corrida,
um estilo de t�nis de corrida mais tradicional.
N�o funcionou. A prancha estava sempre a prender-se,
e fracassei logo nos primeiros.
Neste aqui... Outra inova��o tecnol�gica
foi a sola exterior escondida, ou seja, fica coberta.
Adorei a ideia de criar isto,
uma sola em forma de concha, que parece um t�nis de corrida.
N�o vendeu.
Algo que fiz ap�s os meus d�cimo-quintos t�nis,
foi agarrar em cada um deles e banh�-los a ouro.
Sou a �nica pessoa viva com uma corrente de t�nis
com todos os t�nis que desenhou.
Perguntam: "O que � isso?" Respondo: "Os meus t�nis todos em ouro."
Toma, meu, engole isto.
CHULOS DOS T�NIS
No mundo dos t�nis, h� tipos que s�o
como a divis�o Artistas e Repert�rio dos t�nis.
� o que fazem. Encontram t�nis.
Tenho uma fonte de confian�a. Uma fonte de muita confian�a.
S�o uma esp�cie de porteiros seletivos. Perguntam-lhes: "Consegues estes?"
E eles respondem: "Isso � uma pergunta de ret�rica?
Se os consigo? Claro que consigo.
Se quero arranj�-los para ti? N�o sei."
Ligavam e alertavam para determinados t�nis.
"Deverei ter uns Retro III, n�mero 40, na pr�xima semana.
Preparem-se." "Quanto?"
"Ainda estou a pensar no pre�o."
"Deixa-me ligar ao tipo que trabalha l�.
Ele � o gerente. Deixa-me dar-lhe 300 d�lares."
A piada foi: "Qual � o teu tamanho?"
"Do 41 ao 46." E ele: "Como assim, do 41..."
E eu: "D�-me do tamanho 41 ao 46, n�o me importa qual."
E eu ficava com todos os 43 e 44,
mas aceitava do 41 ao 46, porque era assim que tinha lucros.
O meu valor mais baixo era 350.
Lembro-me de uma vez em que um cont�nuo me abordou,
porque achou que vendia drogas,
porque me viu dar uma caixa de sapatos
e receber dinheiro, e quase me deteve.
Eu disse: "N�o, s�o t�nis." E eles foram ver no meu cacifo,
e eu s� tinha Air Jordan, porque andava a import�-los,
a arranjar cores diferentes,
de diferentes lugares no mundo, antecipava-me.
Com o que vendi hoje, posso comprar cinco pares incr�veis
e ainda regressar com mais dinheiro do que sa�.
Quem somos n�s para dizer que n�o? Tens uns 300 d�lares
e queres arranjar-me a comprar uns Tiffany?
Queres os Altitude? Estou a tentar arranjar os Daylight ASOS.
Eles t�m umas cenas que eu n�o tenho,
falamos um pouco, negociamos. E era assim que se processava.
Durante oito anos, fiz tudo sozinho e depois, pumba!
Comecei a negociar com pessoas no Jap�o, com pessoas na Europa,
a conhecer pessoas novas em Nova Iorque e comecei a criar uma esp�cie de rede.
E foi isso que criou o projectblitz.com.
SITE DE COM�RCIO ELETR�NICO
Come��mos com um invent�rio de 10 000 pares.
Nike Dunk, Air Max, Costa, Janoski, Vans, Supreme, Reebok.
H� 14 anos, quando algo esgotava, esgotava.
O projectblitz.com n�o � s� um website, � como uma galeria.
� como arte. Compramos, colecionamos, mexemos nisto, naquilo,
e, assim, consigo sempre guardar uns para mim.
Esta � a segunda parte do armaz�m onde temos
todos os Jordan, os Nike de basquetebol, os Penny, os KD.
Temos estes Adidas fixes, com imagens de dinheiro.
Estes ainda valem, provavelmente, tr�s, quatro mil, facilmente.
N�o gosto que me apelidem de revendedor,
porque me sinto mais um curador.
Sem mencionar nomes, j� tivemos clientes famosos.
Sem mencionar nomes, j� tivemos clientes famosos.
COMO O DRAKE?
Estes s�o os Mag da Nike, os que Marty McFly usou no filme Regresso ao Futuro,
com a sola iluminada.
Um grande artigo. Vale 6000 d�lares.
Os Yeezy I, um dos pares de amostra originais...
AMOSTRA PROPRIEDADE DA NIKE
... feitos para o pr�prio Kanye West, que os usou em palco.
Os Kobe Jordan VIII, assinados � m�o pelo pr�prio Kobe, no jogo um.
Custam o mesmo que um Mercedes Classe C.
Mas a venda mais falada de sempre...
REVENDEDORESPARACASA
... tem de ser a do lend�rio par de t�nis, cal�ado pelo pr�prio Michael Jordan.
A maioria dos f�s de basquetebol nunca se esquecer�o...
T�NIS DA GRIPE
... do famoso Jogo da Gripe de Michael Jordan em 1997.
A grande hist�ria desta noite
� a hist�ria que diz respeito � condi��o f�sica de Michael Jordan.
Ele sofre de sintomas de gripe.
Estabeleci uma rela��o com ele, no in�cio da temporada,
quando l� foram em novembro.
Fui ter com ele, porque n�o havia mais ningu�m perto dele.
Perguntei-lhe: "Posso ficar com os seus t�nis ap�s o jogo?
Ele olhou para mim, e eu pensei: "Ter-me-ei metido em sarilhos?"
Jordan marcou 39 pontos no crucial jogo cinco
entre os Bulls e os Jazz,
cimentando o seu legado e dando a Preston uma oportunidade �nica.
Ap�s o jogo, o balne�rio estava louco, obviamente.
Tinham acabado de ganhar, e pessoas chegavam e inclinavam-se
para agarrar nos t�nis, e ele dizia: "N�o, esses s�o para ele."
Apontava para mim, e foi quando pensei: "Ena, ele lembrou-se."
Umas semanas depois, comecei � procura de um cofre,
e � onde t�m estado desde ent�o.
Os t�nis que ele usou naquele dia foram a leil�o e venderam-se
por 105 000 d�lares. - A s�rio?
� de loucos pensar que um par de t�nis podia dar tanto dinheiro.
O COMPRADOR CONTINUA AN�NIMO.
Os sneakerheads s�o um culto alimentado pela Internet.
DIA DO LAN�AMENTO
A Nike tem controlado a quantidade de pares de Jordan
que v�o para o mercado.
ECONOMISTA
Todo o seu sucesso est� assente em procura n�o correspondida,
o que significa que nunca h� oferta que fa�a frente � procura.
LAN�AMENTO DE AIR JORDAN
Os fan�ticos por t�nis fazem filas por todo o pa�s para conseguirem um par.
Centenas de pessoas fizeram filas, durante horas, para pagarem cento e...
Com o megassucesso da linha Jordan,
a Nike dominou a arte dos lan�amentos limitados.
No in�cio dos anos 90, as quartas-feiras e, mais tarde, os s�bados,
ganharam um novo significado para os colecionadores,
por serem os dias em que se lan�avam os novos modelos.
Isto levou ao fen�meno dos acampamentos,
em que sneakerheads obcecados passavam duas ou tr�s noites no passeio,
durante o ano inteiro, � espera dos modelos mais desejados.
� entusiasmo.
T�NIS ASTRON�MICOS DE 220 D�LARES
� o entusiasmo dos media, dos nossos amigos
e da nossa comunidade.
� uma mistura de pessoas que s�o entusiastas genu�nas,
de pessoas que gostam de estar na moda, de pessoas que adoram desporto
e de pessoas que est�o simplesmente a aproveitar-se,
que s� querem aproveitar uma moda.
Acampam durante uma noite ou uma semana.
Pagam pre�os exorbitantes a um revendedor ou no eBay...
... para serem reconhecidas como fixes.
N�o percebo. Esta fila enorme � para t�nis?
VIDAS EM HOLLYWOOD
- Sim! Alguns acamparam durante a noite. - Por t�nis?
Vince, n�o s�o apenas t�nis. S�o uma edi��o limitada de Fukijama.
Fuki-qu�?
Vince!
Com meses de anteced�ncia, sabemos dos novos lan�amentos.
Estes Foamposite s� ser�o lan�ados em Orlando...
BRILHAM NO ESCURO
... porque o jogo All Star � l�. Teremos de acampar em tr�s locais.
Os t�nis dispon�veis hoje estar�o provavelmente esgotados amanh�.
As pessoas t�m um car�ter de urg�ncia: "Se n�o os comprar agora,
nunca os vou conseguir."
Porque as pessoas chegam �s duas da manh�,
come�am a fazer fila, e o entusiasmo cresce hora ap�s hora.
A oferta n�o responde � procura.
E a maioria das edi��es limitadas dos Jordan
t�m uns quatrocentos ou quinhentos pares.
Esses t�nis vendem-se num dia. E isso deixa os mi�dos
todos entusiasmados para os pr�ximos t�nis que sa�rem.
Est�o a tentar novos sistemas de sorteio.
Tentaram que se inscrevessem pelo Twitter.
Quando os Air Yeezy 2 foram lan�ados,
tivemos de usar um sistema de sorteio
para as 1000 pessoas que foram � loja num dia.
Foi a altura mais louca.
Quando fiz o Pigeon Dunk, em toda a empresa da Nike,
devia haver umas quatro pessoas a tratar dos produtos de edi��o limitada.
Agora, � todo um edif�cio no campus da Nike,
com centenas de empregados
pagos para pensar em produtos de edi��o limitada.
CALEND�RIO DE LAN�AMENTOS
Mas o que fez os sneakerheads ficarem em filas por todo o pa�s...
T�NIS DA NIKE CAUSAM DIST�RBIOS
... foi o pre�o astron�mico de revenda desses t�nis.
RAZ�ES POR QUE � IMPOSS�VEL COMPRAR GALAXY FOAM EM REVENDA
Sendo limitados, os pre�os de revenda escalaram...
PRE�OS V�O DOS 1200 AOS 3000 D�LARES
... criando novos sneakerheads, os revendedores.
O pre�o de retalho � 240 d�lares.
O de revenda � 1500 a 3000, talvez 4500 d�lares.
Se me v�o pagar uns milhares
para ficar na rua umas horas, sento-me aqui.
H� m�dicos que n�o ganham tanto dinheiro.
Os sneakerheads s�o t�o obcecados com t�nis
que est�o dispostos a n�o pagar a renda
para dizerem que t�m t�nis que nunca cal�ar�o.
O LADO NEGRO
FRENESIM DOS AIR JORDAN CLIENTES DERRUBAM PORTAS
PARA TEREM OS NOVOS AIR JORDAN
Caos no centro comercial esta manh�, dois dias antes do Natal.
Foi o caos, tudo por um par de t�nis de Michael Jordan.
E a multid�o ficou t�o indisciplinada
que a pol�cia teve de intervir com g�s pimenta.
A pol�cia de choque tentou acalmar mil clientes � porta de uma loja de t�nis.
Infelizmente, o entusiasmo e a explos�o dos pre�os de revenda
conduziram a um previs�vel lado negro.
V�rias pessoas foram pisadas, enquanto outras rastejavam por cima para entrar.
A viol�ncia associada a lan�amentos de t�nis irrompeu pelo pa�s.
Ao crescer aqui, em Nova Iorque,
vimos os mi�dos a ser gamados pelos seus t�nis.
Era algo normal.
Vemos um tipo no metro, descal�o,
sabemos que lhe roubaram os t�nis.
ESTUDANTE ESPANCADO POR CAUSA DE T�NIS
Trouxe muitos ci�mes. Trouxe muita inveja.
Resume-se a: "Tu tens uns Jordan e eu n�o.
H� uma necessidade, um desejo, profundos
de ser visto com algo novo e fresco,
com algo que � desejado e muito cobi�ado.
� o desespero da juventude de hoje.
� um desespero muito triste, que come�a em casa.
Nem se trata dos t�nis. Trata-se do lar.
Sempre houve pessoas a querer o que n�o podem ter.
� uma infelicidade que isso aconte�a sempre que se tem
algo que as pessoas querem.
Ningu�m pede ao presidente da GM que fa�a algo por causa do roubo de carros.
LAN�AMENTO DE T�NIS TRANSFORMA-SE EM PESADELO PARA A POL�CIA
MOTIM DOS T�NIS
Mas n�o me surpreendeu que os mi�dos ficassem violentos
e ferozes em rela��o aos t�nis,
pela forma como os publicitam,
publicitam-nos como se fossem o sonho.
Podiam ser mais respons�veis.
ATREVE-TE A VOAR
Podem alterar a data dos lan�amentos. Podem alterar a forma como os lan�am.
As empresas de cal�ado deviam perceber
que t�m controlo sobre o que pode ou n�o acontecer.
E a pergunta �: estar�o dispostas a retroceder no tempo?
O QUE FAZER EM RELA��O � VIOL�NCIA?
� um assunto muito delicado, porque, nos neg�cios:
"As pessoas fazem filas pelo meu produto,
est�o t�o entusiasmadas com o lan�amento
que fazem websites, tiram fotos,
partilham com os amigos..."
� isso que se quer num neg�cio, certo? Mas nunca queremos que ultrapasse a linha
em que h� quem mate pelo nosso produto.
OS T�NIS OU A VIDA
Em dezembro, o meu filho foi, numa segunda de manh�, comprar uma rifa
para conseguir os novos Bred 11,
que iriam sair a 21 de dezembro.
Foram ao centro comercial, compraram os t�nis, sem problemas.
Foram seguidos e perseguidos.
O carro estranho seguiu-os at� ao bairro
e abriu fogo sobre os jovens.
Joshua foi atingido na cabe�a e morreu nessa noite.
PERDAS QUE NUNCA DEV�AMOS ESQUECER
O meu filho tinha 22 anos quando o assassinaram.
Pedia ao Senhor que fosse eu em vez dele,
porque ele era um filho exemplar.
Houve quem fosse sentenciado � pena de morte
por este incidente.
A sua vida acabou. A sua fam�lia atravessa um mau momento.
Sentirei esta dor para sempre.
Vou estar sempre a passar por isto. Foi isso que me inspirou
a criar a organiza��o Life Over Fashion, ou Vida Acima da Moda.
UNAMO-NOS E ESCOLHAMOS A VIDA VALE A PENA MORRER POR ISTO?
ADOLESCENTE DE 15 ANOS MORTO POR FURAR FILA
Todos os anos, h� algu�m que morre por causa de um par de t�nis.
MI�DO DE 16 ANOS MORTO POR PAR DE AIR JORDAN
THE GAME DOA 5000 D�LARES A FAM�LIA
Quero garantir que, quando o seu filho, ou voc�, vai comprar os t�nis,
n�o tenha de se preocupar se se vai magoar.
N�o tenha de se preocupar com a viol�ncia que lhe est� associada.
PORQUE H� MI�DOS A SEREM MORTOS POR CAUSA DE JORDAN?
Durante um tempo, lan�avam t�nis � meia-noite.
Perceberam que as pessoas eram muito mais agressivas � meia-noite
que �s oito da manh�, e come�aram a fazer os lan�amentos
�s oito da manh� para tentar acalmar os �nimos.
E resultou, apesar de n�o ter sido a 100 por cento.
� um problema, e penso que n�o h� uma solu��o m�gica neste momento.
HOMEM MORTO POR CAUSA DE UNS FOAMPOSITE RETRO EM MARYLAND
MORTO POR CAUSA DE UNS YEEZY
Com a minha persist�ncia, a Nike contactou-me.
Falei com um dos seus vice-presidentes.
E, at� ao dia de hoje, comunicamos frequentemente.
DE QUEM � A CULPA PELA VIOL�NCIA � VOLTA DOS AIR JORDAN?
Eu cheguei a falar com o Michael Jordan.
OS LAN�AMENTOS N�O DEVIAM SER PERIGOSOS
Ele deu-me os p�sames, e eu perguntei-lhe...
PODER� MICHAEL JORDAN AJUDAR A ACABAR COM A VIOL�NCIA?
"Podemos encontrar-nos e falar sobre uma solu��o?"
ESTIMA-SE QUE T�NIS SEJAM RESPONS�VEIS POR PELO MENOS 1000 MORTES POR ANO
Nas imedia��es de Portland, no Oregon, h� um s�tio especial...
HOSPITAL PEDI�TRICO DE DOERNBECHER
... onde os t�nis praticam boas a��es e at� criam um mercado pr�prio.
O Hospital Pedi�trico de Doernbecher � um hospital pedi�trico
completo de cuidados terci�rios.
LINFOMA DE BURKITT
Tratamos de crian�as com cancro, com doen�as renais...
SOBREVIVENTE DE CANCRO NO RIM
...e que precisam de transplantes.
O Doernbecher Freestyle � um programa de angaria��o de fundos
para o hospital, e come�ou
quando um empres�rio da Nike se juntou � administra��o.
O filho dele sugeriu: "Porque n�o concebe a Nike uns t�nis para vendermos?"
Isso levou � ideia de ter os pacientes a desenharem os t�nis.
Passou de um programa muito pequeno para um dos nossos maiores angariadores.
Em 2012, desenhei uns t�nis da Nike.
Nessa altura, era um dos mi�dos do Freestyle.
Fomos a uma reuni�o, em que me deram um monte de documentos
com o estilo dos t�nis e a sua sola,
e eu pude decor�-los como queria.
Eu desenhei os Nike Foamposite I.
D�o-nos uns t�nis para desenharmos,
e vamos para casa por um m�s
para trabalhar neles e depois voltamos a reunir-nos.
Ap�s o dia da avalia��o, ele acordou na manh� seguinte
e ficou chocado por ver que tinha tantos seguidores
no Instagram, e ficou um pouco confuso.
Os atacadores t�m bolhinhas. Por isso � que os escolhi.
E t�m estrelas, mesmo aqui.
E, de lado, t�m estas estrelas com os s�mbolos da paz.
Escolhi o vermelho, porque tive cancro no sangue.
E o sangue � vermelho. Para mim, era �bvio.
Nesta zona aqui, � parecido ao material das sapatilhas de ballet
e o s�mbolo da Nike brilha mesmo.
A palmilha do t�nis tem o desenho de uma pulseira,
que os meus pais me deram quando fiz 13 anos.
Para mim, significa fam�lia, for�a e la�os,
coisas que me ajudaram durante os tratamentos.
No dia em que fomos ao hospital, lev�mos connosco o jogador e estrela
dos Kansas City Royals e sneakerhead, Jeremy Guthrie, para uma visita-surpresa.
� algo fixe que podes adaptar a ti, para estares pronto
quando a temporada come�ar. - Muito obrigado!
- Achas fixe? - Sim!
PARA O MEU AMIGO
- Vamos jogar l� para fora. - Muito obrigado.
Fixe, isso foi muito bom!
Os mi�dos escolhidos para desenharem os t�nis...
COLE��O 2012
... anos depois, ainda falam da grande experi�ncia que foi
e de qu�o importante foi para eles e para as fam�lias.
O PODER DA CORAGEM
O design dos t�nis era bem fixe. Ajudou-nos mesmo
a enfrentar as partes m�s disto e a divertirmo-nos.
Pens�vamos que desenh�vamos os t�nis e que o dinheiro iria para o Doernbecher,
mas foi muito mais do que isso.
Um sneakerhead sou eu, um designer de Doernbecher com 15 anos.
O FUTURO
A subcultura sneakerhead aumenta a cada dia.
Mas, agora, os colecionadores n�o est�o � frente dos computadores.
H� uma comunidade criada pelos t�nis.
Com a explos�o simult�nea das redes sociais
e da, agora, infinita oferta de t�nis de edi��o limitada,
personalidades quase m�ticas apareceram.
Estes guardi�es conseguem juntar as pe�as
e contar a hist�ria de como alguns t�nis foram feitos.
Acima de tudo, tendem a separar
o que � mesmo especial do que � meramente novo.
H� uma esp�cie de competi��o mundial,
em que, se tivermos Instagram ou Twitter,
publicamos aquilo que usamos todos os dias.
No Instagram, se seguirmos, por exemplo, o Dunkxchange, ou pessoas
com montes de t�nis, vemos as suas publica��es
com o pre�o ou com a quantia com que os podemos obter.
Dependendo de quem s�o, h� centenas ou milhares de pessoas a ver,
por isso, h� mais press�o para termos algo novo
quase todos os dias.
O que, claro, acaba com as pessoas a ter centenas de pares de t�nis.
Em qualquer fim de semana, em diferentes cidades mundiais,
colecionadores de t�nis obcecados comungam uns com os outros
para comprar, vender e trocar os seus t�nis mais cobi�ados.
A nova ca�a come�ou.
Tal como os t�nis s�o constantemente publicitados aos �vidos consumidores,
tamb�m o s�o estas reuni�es que atraem milhares
de sneakerheads, � procura de uma dose do seu v�cio.
Frequentemente, nas culturas tradicionais, somos vistos como anormais,
que compram centenas de pares de t�nis para os revender. Por isso, vir aqui
e n�o ter de explicar o porqu� de fazermos isto
ou o porqu� do nosso amor... � bom poder fazer isso.
Dois pares! V� l�!
- N�o d�. S�o 150, meu. - V� l�, 220.
E ponho-te num filme.
Comecei o Sneaker Pimps em 2002...
FUNDADOR DO SNEAKER PIMPS FUNDADOR DO DUNKXCHANGE
... na Austr�lia, quando n�o havia nenhum evento de t�nis.
Quando come��mos, o p�blico tinha vinte e poucos, trinta e tal anos.
Agora, s�o mi�dos muito mais novos,
a gera��o mais nova agarrou na cultura
e continuou com ela.
Por vezes, � um pouco mais misterioso.
Nunca sabemos o que vai funcionar. Uns t�nis,
mesmo que sejam feios como tudo, v�o ser vendidos
por 500, 600, 700 d�lares no dia seguinte.
Continua a inspirar as pessoas, meu. Sempre o fizeste, certo?
- � bom ver-te, irm�o. - Certo.
Ser� dif�cil expandir o neg�cio. Os arm�rios das pessoas est�o cheios.
Os armaz�ns est�o cheios. As lojas de artigos em segunda m�o tamb�m.
Chega a um ponto em que n�o conseguimos vender mais t�nis aos mesmos mi�dos.
Eu tenho uma loja e vejo pessoas a entrar que, no ano passado,
n�o andavam � procura de t�nis.
Acho que vai continuar a crescer.
Nunca vi pessoas como a minha m�e a usar Free e Flyknits
e solas coloridas nos t�nis.
Se abrirmos o mercado chin�s, se percebermos a �ndia,
o truque � vender a pessoas diferentes,
n�o vender produtos semelhantes �s mesmas pessoas.
Recentemente, com a popularidade da cultura dos t�nis, � natural
ter empresas de topo
a fazerem t�nis que nunca fizeram antes.
Os ricos entram na Gucci
e compram t�nis da Gucci, por terem t�nis da Gucci,
n�o por pensarem automaticamente: "S�o os t�nis
mais incr�veis que j� vi." Mas sim: "Temos t�nis para n�s."
Este � o custo de m�o-de-obra mais alto do mundo.
O custo material mais elevado.
A borracha � a melhor, o material � o melhor.
Valem 100 por cento, talvez at� 150, aquilo que pagam por eles.
Penso que podia vender estes t�nis pelo dobro
e vender�amos o mesmo.
Gosto disso. � uma oportunidade de evoluir para os entusiastas dos t�nis.
Muitos de n�s est�o quase nos 30 agora.
Muitos de n�s est�o a constituir fam�lia e a apaixonarem-se.
Percebem?
E queremos olhar para as fotos do passado
e ver algum tipo de crescimento.
A rua tem aludido �s marcas de topo desde o primeiro dia.
Penso que � bom, agora, haver um di�logo aberto
e uma maior rela��o, percebem?
Al�m de ser um neg�cio enorme, a cultura dos t�nis � uma parte intr�nseca
de tantos mundos diferentes.
Desde a moda, � m�sica, ao desporto.
Os t�nis est�o em todo o lado.
Os t�nis foram sempre um reflexo
de quem queremos ser, de quem acreditamos que somos,
ou de onde vimos.
UM POSITIVO CONT�GIO SOCIAL
Como nos vamos representar, como nos vamos mostrar
ao mundo atrav�s do cal�ado... � disso que trata a cultura dos t�nis.
Isso resume tudo.
Os t�nis definem quem somos.
Os t�nis s�o o s�mbolo de estatuto de uma gera��o...
DIRETOR DE DESIGN
... que outras gera��es n�o compreendem.
J� tive situa��es em que vi pessoas a olharem fixamente para os meus p�s,
e eu tinha uns Retro cal�ados,
e eu olhei fixamente para elas tamb�m.
Os mi�dos dizem: "Meu, tens uns dos antigos!"
E os da velha guarda dizem: "Meu!"
Com tantos t�nis, e especialmente o mercado dos Retro,
h� pessoas a tentar comprar as coisas
que tiveram quando eram crian�as ou que queriam quando eram crian�as.
Eu valorizo algo que seja bonito, bem concebido...
As raz�es normais pelas quais valorizamos algo,
mas tamb�m valorizo de outra forma, porque o vivi.
Sem comprar uma Harley-Davidson ou um descapot�vel,
ou parecer que temos uma crise de meia-idade,
penso que uma forma de nos mantermos jovens � atrav�s da cultura dos t�nis.
� uma oportunidade para as pessoas permanecerem ligadas
� vida que tinham
quando as coisas eram menos complicadas.
Eu, a levar aqueles t�nis para casa,
significa que as coisas v�o melhorar, percebem?
"A minha m�e e o meu pai n�o est�o bem, n�o est�o juntos,
eu vivo no bairro, na pior zona da cidade,
na pior das alturas..." Percebem, o fim dos anos 80.
E isto era como um farol de esperan�a.
Muitos de n�s, que se apaixonaram por t�nis a dada altura,
est�o a chegar a uma idade em que pensam:
"N�o consigo usar sapatos cl�ssicos." Por isso, esse amor
por t�nis ir� permanecer para sempre com uma gera��o.
Sempre que abro um par de t�nis novo, sinto-me como um mi�do de novo.
Coloco os atacadores com muito cuidado,
que era o que fazia no sexto ano.
Ainda o fa�o dessa forma hoje.
Tenho 39 anos e acho que me vou sentir assim para sempre.
O que � um sneakerhead? N�o fa�o ideia.
Sou apenas um tipo que gosta de t�nis um pouco mais entusiasticamente do que tu.
Sou o Frank Rivera, ou Frank the Butcher, de Boston, Massachusetts.
Chamo-me Jeff Staple. Sou o fundador e diretor criativo
da Staple Design e da Reed Space.
Chamo-me Elliott Curtis, tenho 26 anos. Sou o cofundador da Sneakerology 101.
Sou o melhor de Brooklyn,
o gigante de Nova Iorque, o DJ favorito de Deus, chamo-me Clark Kent.
Sou de Brooklyn.
Sou o Russ Bengston.
Sou o editor do departamento de t�nis da Complex Magazine.
Sou o Hommyo Hidefumi. Vivo em T�quio.
Chamo-me Lenny McGurr, Leonard McGurr.
Sou de Nova Iorque e o meu nome art�stico � Futura.
Obrigado.
Legendagem: Vania Moises
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