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A TURMA DOS TARADOS
Continuemos.
Deste lado temos a catedral, dedicada a S�o Louren�o.
Constru��o rom�nica do s�culo XII.
� uma obra dos arquitectos lombardos que no s�culo XI,
que se estabeleceram aqui.
A fachada foi reconstru�da em 1560.
no tempo do Cardeal Gambara.
e embora danificada durante a �ltima guerra,
foi restaurada e restitu�da ao seu esplendor original.
Reparem na impon�ncia da ampla escadaria...
...que leva �s tr�s entradas, a beleza das tr�s ros�ceas...
...que d�o movimento � fachada e a sobriedade das linhas....
...a sobriedade das linhas estruturais do edif�cio...
...real�ada particularmente pela...
...altern�ncia de espa�os cheios e vazios...
...e que constitui a caracter�stica dominante.
Continuemos para o campanil, reconstru�do em g�tico
...na segunda metade do s�culo XIV.
A carteira dela...
- Que fa�o? - D�-lhe um estic�o
Em 1494 Carlos VII amea�ou fazer soar as trombetas...
...do ex�rcito, for�ando a orgulhosa resist�ncia florentina...
Quero comprar-lhe esta coisa. Quanto custa?
Volte para o seu lugar.
Como estava a dizer, o Carlos VIII, que disse com arrog�ncia:
"Faremos soar as nossas trombetas".
Pier Capponi, com todo o gosto de que era capaz, respondeu...
Est� bom.
�s t�o grosseiro!
Porqu�? O que � que fiz?
Disse que o esparguete estava bom e o molho apurado.
Quem era Pier Capponi?
- Quem era Capponi? - Quem era?
Pier Capponi era... foi o inventor das galinhas sem tomates.
V�s o que tu �s? Um ignorante.
- Eu? - Sim, tu.
Nem sequer sabes quem foi Pier Capponi.
Sei, sei. At� temos ali um disco dele.
� o que canta. Sem tomates.
O que comemos a seguir? O que se passa, tenho de comer isto?
Isso n�o � de comer. � de ler.
- Porque hei-de ler? - N�o te sentes ignorante?
N�o me falta nada. Tenho-te a ti.
uma pulseira do Cartier... um rel�gio,
todos os anos vamos de f�rias para as "Balneares".
...e ganho 10 milh�es por m�s!
Mas nunca com os miolos. Com presunto, salame e requeij�o.
E queijo sim senhor e "grana".
Porque � com o "grana" que eu te ganho a grana.
Gostastes desta?
Ser� poss�vel que n�o sintas necessidade de te instruir...
de comprar livros?
Livros? j� tenho um.
Sim. "A Hist�ria do Queijo Atrav�s dos S�culos", ignorante.
V� l� pequerrucha n�o te zangues. Esse Pier Ciccioni, Chiapponi, como se diz?
� Capponi.
O do disco.
N�o � um cantor � um patriota.
Um cantor patriota? Tu l� sabes.
Seja o que for, viva o Pier Capponi.
E vivam as tuas belas mamonas!
Como est� o meu queijinho fresco?
No queijinho fresco n�o se toca. Estou a falar de coisas s�rias.
Tamb�m eu. Falo sempre a s�rio quando...
Aristides, por favor! N�o te fa�as mais idiota do que �s.
Est�s satisfeito com a tua ignor�ncia mas eu quero ter cultura.
- Mas podias ter dito logo! - Ent�o n�o te importas?
N�o requeij�ozinho, podes ter a cultura que quiseres!
O que eu quero � ir estudar para uma escola.
Para onde queres ir? Ora! Um bijouzinho como tu!
Somos ricos, vivemos bem, n�o te falta nada...
Deves estar aqui em casa, � espera do teu maridinho,
...que ao chegar, e ao ver o teu "queijinho fresco"...
...e estes presuntinhos...
Quieta. Quieta a�. Tens a� um bicho.
Um bicho com duas coisas que...
Sou eu o teu bicho, um bicharoco preto...
Valentina. Valentina, onde vais?
Tudo por culpa daquele Pier Capponi!
Se eu o apanho, esmago-lhe as "castanhas".
- Professor Pier Capponi. - Sra. Directora.
Professor Pier Capponi, o senhor � sup�rfluo. Entendeu?
N�o percebe que neste col�gio se elevam aos cumes da cultura...
...os melhores filhos da sociedade.
Refere-se aos c�bulas, que foram corridos de todas as escolas p�blicas.
V�? N�o percebeu nada. Por isso � que � sup�rfluo.
A menos que...
91
A menos qu�?
Com as despesas sempre a aumentar...
...talvez tenha de diminuir o n�mero de professores...
...e a� o professor, Pier Capponi � um daqueles que correm mais riscos.
A menos que?
A menos qu�?
Em suma sou uma mulher s�...
...que tem de dirigir este col�gio sozinha.
Mas que est� cansada de ser s�.
Gostaria, de ter um homem a meu lado...
...no lugar de vice-director.
� pena que o senhor, no fim do ano,
...seja um dos que v�o ser despedidos.
A menos que...
A menos qu�?
� mesmo um cretino, Pier Capponi! Um cretino.
- Sra. Directora est� aqui uma... - Uma qu�?
Uma que vale por mil. Mando entrar? Entre se faz favor.
Bom dia! O senhor � o Director?
N�o. � um cretino. A Directora sou eu. Saia, Pier Capponi.
Mas ele � o Pier Caponi?
Pier Capponi! j� lhe disse para se ir embora.
Venha aqui!
- Estava fechada. - Eu vi.
N�o. Sentiste.
Digo-te pela �ltima vez, Gustavo: n�o abuses.
S� est�s aqui como cont�nuo � por seres meu cunhado.
Todos temos a nossa cruz. A minha �s tu.
Se n�o fosse por causa da pobre da minha mulher...
...que teve a desgra�a de ser tua irm�...
Tinhas tido uma vida "enroscada".
Passavas a vida a fazer roscas.
- Casada? - Sim
Prole?
Como?
Perguntei: prole?
Bem. N�o sei. �s vezes
�s vezes como? Tem filhos?
�... filhos. N�o.
A mensalidade s�o 300 mil. Visitas s� ao Domingo � tarde.
...e daqui a 3 meses...
...poder� conseguir um diploma de cultura geral.
- Um diploma? - Sim.
Ficou presa a minha ratinha.
Sempre o mesmo! Gebo, ordin�rio, ignorante.
Deixa de me chamar ignorante.
Donde vens a esta hora? Onde foste?
Inscrever-me no col�gio privado "For�a e Vontade".
A partir de amanh� sou uma estudante.
Que express�o inteligente que tens, Aristides!
N�o tens orgulho na tua mulher?
Amanh� entro para o col�gio e n�o me dizes nada?
N�o estejas assim!
N�o tens orgulho no teu requeij�ozinho? Diz qualquer coisa!
Apetece-me!
N�o, querido. O teu requeij�ozinho. precisa de estudar.
...n�o pode desperdi�ar energias. Daqui a 3 meses falamos.
Ent�o esta � a �ltima noite?
� a �ltima noite e n�o queres.
Sou teu marido.
N�o estejas assim.
Vamos fazer um acordo. Tu d�s-me, uma coisa a mim...
...e eu dou-te, uma coisa a ti.
O que foi cretino.
Os tomates.
Quem com ferros mata, com ferros morre.
15 DE AGOSTO CHOVE. Desenvolvam.
Deixa-me ver o que est�s a escrever.
Onde vais?
- Deitar isto no cesto de papeis. - Depressinha.
N�o lhe ocorre nada.
Se chover em 15 de Agosto... n�o sabe o que fazer?
Sozinha n�o.
Foste tu, Bernardi. Olha que eu trago-te debaixo de olho.
Racho-te, dou cabo de ti. Vou tomar nota do teu nome.
Bernardi.
Um... Dois... Tr�s.
Professor, onde vai?
� casinha.
Vai deixar a aula durante um exerc�cio?
Preciso de lhe falar no programa do trimestre.
Mas que tem?
Esteja quieto!
Pare estafermo.
N�o pode estar quieto um momento? Afaste-se. Deixe-me passar.
N�o pode entrar antes de eu sair.
� realmente Pier Capponi?
Sou, modestamente.
Estou emocionada. Sou uma sua grande admiradora.
- Tem a certeza? - Sim.
Deve saber tantas coisas!
Nem imagina.
Posso dar-lhe li��es particulares.
Quem me dera! Quando?
Num sitio c�modo. Esta noite no seu quarto?
Faz isso por mim?
Fa�o tudo pela descentraliza��o cultural. O seu quarto que numero �?
Vinte e oito
- �s nove e meia? - L� o espero.
Sr. professor, j� me esquecia.
Requeij�o? Mas quem fala?
�s maluco ou qu�?
Acho que � um maluco � procura de algu�m.
Estou, quem fala?
Estou Valentina sou eu. Como est�s?
Mas qual Valentina. Isto � um col�gio N�o � a casa da "Maria".
Eu sei que � um col�gio. E tamb�m sei que n�o � a casa da "Maria".
Mas quem fala? O que quer?
Quero falar com a minha mulher. Valentina Buratti.
S� um momento. Chama a Buratti. Mas, � uma coisa urgente?
Urgent�ssima. J� n�o aguento mais.
- Mas s� por esta vez. - Sim.
Ai. Valentina. Valentina! Que falta me fazes!
Requeij�ozinho da minha vida!
Ol�, Aristides. Que h� assim de t�o urgente?
O que h�? Oh requeij�ozinho! N�o aguento mais.
Faz-me falta o teu queijinho fresco.
O meu presuntinho est� t�o triste sem o teu queijinho.
Sim, compreendo.
Mas, como compreendes? N�o aguento. Estou aqui que n�o aguento mais.
Tenho muita pena.
Mas qual pena? Desta noite n�o passa. Vou ter contigo.
N�o, Aristides. Deixa-me em paz. Preciso de estudar. Adeus.
D�-me um queijo fresco?
N�o invoques o nome do queijo fresco em v�o.
- Quando o fizeste? - Esta tarde, quando ela chegou.
E d� para a casa de Banho?
� melhor do que estar na primeira fila do "strip-tease".
L� est� ela. Que boa!
N�o se v� nada. Onde est�o essas curvas?
L� est�. O cu mais bonito da Europa.
E que mamas!
- Um bocado a cada um. - Tu n�o.
Porqu�?
Porque entrou a J�lia e se ela te v� est�s tramado.
N�o entendo. Eu estou aqui � for�a, mas tu, casada...
...precisavas disto?
Com o meu marido n�o h� di�logo poss�vel. � um ignorante. Compreendes?
E com os outros sinto-me numa posi��o de inferioridade.
Mas que inferioridade? N�o digas parvo�ces. Sentes-te inferior com esse f�sico?
Sim concordo. O f�sico � importante, mas n�o � tudo.
Quero ser uma mulher completa. Tamb�m quero ter miolos.
Acho que �s doida.
Eu miolos n�o tenho. Nem um f�sico como tu.
Que devia fazer? Matar-me? N�o. Estou-me nas tintas.
Podes crer. �s uma felizarda Tens tudo.
E no entanto n�o imaginas os complexos que tenho!
Tudo por causa dessa maldita cultura que n�o tenho.
Feliz de ti que ainda acreditas na cultura!
Hoje um diplomado d�-se por feliz sendo varredor da rua.
Presente.
- Grita tamb�m presente. - Presente.
Mas porqu�?
� a Directora que nos tranca para n�o sairmos com os rapazes.
Mas n�s fintamo-la sempre.
� a escada de servi�o.
Gustavo, Gustavo, depressa, estou atrasada. O Aquiles est� � espera.
Calma, Julieta. Deixa-me trabalhar.
Se n�o atira-te de cabe�a, que vens mais depressa.
Passa os 2 mil.
Sempre levaste 1.500.
Faz as contas, de noite � caro, a escada � cara, o risco sai caro...
Descarado!
- O descarado � caro, leva 2 mil. - Est� bem.
Valentina, emprestas-me 500 liras?
O safado do Gustavo aumentou o pre�o da escada de servi�o.
O que eu preciso de fazer por umas "vitaminas".
Coxinha comprida, despacha-te.
Depressa que ainda tenho outro servi�o. O Aquiles est� ali.
Ei, tu, escuta. Bonit�o.
Eu? Sim, tu. Anda c�.
Tira a pata, maricas.
Qual maricas! Anda c�.
Olha que chamo a policia.
- Que tal grana - Com golpes baixos desses...
- Como � que te chamas? - Gustavo, porqu�?
Gustavo, tens diante de ti um homem cheio de cio.
E tu queres aliviar-te comigo?
� p�, ouve, tira a pata. Se me tocas levas, maricas!
Mas qual maricas! N�o sou maricas, sou um homem.
Um homem? Um homossexual. Maricas.
N�o. Sou o marido da minha mulher, a aluna nova, Valentina Buratti.
Cara�as! Muito prazer. Gustavo Filibotto.
Oh Gustavo. Toma. Leva-me a ver a minha mulher!
J� sei. Tens as bolas a ferver.
Parece que tenho um fogareiro, na braguilha.
- S�o 20 mil. - Bolas.
As bolas d�-lhas a ela, a mim d�s-me o dinheiro.
A uma pega d�s 10 mil liras. A tua mulher vale menos, �?
Acho razo�vel. Toma, toma.
Espera! Que pressa � essa?
Diz-me por onde � que vou para ir ter com ela.
Por aquela escada.
- E a janela qual �? - � onde est� a escada.
�s um g�nio! Como adivinhaste?
Continuo desconfiado!
- Onde vais? - L� acima.
Para usar a escada s�o mais 20 mil.
Tu n�o �s um homem. �s um aspirador.
Se gostas da mulhera�a? Tens de largar a massa.
Mais 10 mil.
Mas desta vez n�o pagas.
Oh, professor Pier Capponi! Que rom�ntico!
�s tu!
Que fazes aqui?
Advinha. Vim...
N�o se pode entrar. Volta para baixo.
Que alto! Tenho vertigens.
- Isto � um col�gio. - Quero l� saber!
Dei quarenta mil liras �quele filho da ... Como se diz?
- De puta. - Sim.
N�o, Aristides, n�o.
Ainda me arranjas uma chatice. Expulsam-me.
Seria melhor.
�s um ego�sta nojento. N�o queres saber se me quer instruir.
Entra, n�o entra! Deixa-o entrar.
N�o � o professor que te fala.
N�o � o cunhado que te fala.
N�o � o amigo que te fala.
Ent�o o melhor � calares-te.
� o homem que te fala.
Ora! Diz-me l� quem � a desgra�ada.
A Valentina Buratti.
Est� ocupada.
Eu mato-o! Quem �?
� o marido. E ele n�o te mata. Corta-te a...
Depois vais fazer voz de falsete no coro da capela Sistina.
Deixa-me sair pela porta. Pela escada n�o, que tenho vertigens.
A porta est� fechada � chave.
Ent�o vais ficar vi�va.
Os c�es!
Vai-te embora, antes que todos acordem.
Desce que o barbudo parvalh�o soltou os c�es.
Desce, sen�o largo a escada.
Vou largar. Aquilo n�o s�o c�es, s�o feras.
Isto � uma escada m�vel. Deixa-me entrar.
Aqui n�o entras.
Onde vais, Aristides?
N�o sei. � ela que est� a andar sozinha.
Meu Deus, que pancada! Como � que eu fiz isto?
Quem � voc�? O que est� a fazer aqui.
Lindo.
� son�mbulo.
E � forte.
Onde � a sa�da?
Vi a morte na minha frente.
Vi a morte na minha frente.
Para voc�s e para quem aqui fome tem, sou uma m�e.
Calma, calma. Chega para todos.
Ent�o como se sente no nosso col�gio?
Muito bem, obrigada, sra. Directora.
Como v�, esta � a nossa grande fam�lia.
Aqui estudam juntos, comem juntos, e...
...e dormem separados. N�o �, professor?
O que disse, Gustavo?
Nada, sra. Directora. Falava com Pier Capponi. Que homem!
Ouve Gustavo...
Um homem que fica sempre em branco. Mais, branco � imposs�vel.
Menos confian�a, Gustavo.
Tem raz�o. Gustavo, continue...
...a servir o pequeno almo�o aos alunos.
E tu continuas em branco.
A que se referia exactamente o Gustavo?
A nada. Uma parvo�ce.
358
Como infelizmente somos... cunhados,
...ele toma certas liberdades.
Mas entre mim e ele, h� um abismo...
...quer no plano cultural, etimologicamente falando...
...quer no plano social.
� um abismo
Que bem que fala, professor Pier Capponi.
� um encanto ouvi-lo falar. Aprendemos tanta coisa.
Obrigado. � muito gentil.
� verdade. Tenho uma grande admira��o pelo senhor.
A mim ningu�m me serve?
Um momento. J�lia passe-me o leite por favor.
D�-me licen�a sra. Directora? Diga-me quando chegar.
Queimei-a?
Voc� n�o.
Tenha mais cuidado... que diabo.
Devo-lhe uma explica��o.
N�o tem que me explicar nada, professor.
N�o queria... Era a si que eu queria...
Criou-se uma situa��o absurda. Compreenda. N�o me atormente.
Professor.
Professor, est�o a cham�-lo.
Professor Pier Cappoli.
Valentina, espere-me no seu quarto esta noite. Preciso de lhe falar.
Peppino, depois de tantos anos. Nunca teria imaginado...
Imaginaste mal.
N�o te preocupes. Estamos s�s.
- Foi um equivoco. - Eu sei querido.
Um equivoco que durou demasiado mas esclarecemos � noite.
A s�s, finalmente. A s�s, finalmente.
O cora��o mo diz. Sou feliz, feliz. O cora��o mo diz.
Ah. Que bonito que � o macho latino.
Forte e de boa montadura.
Que pivete.
Sou eu. Sou toda tua, Peppino. Est�s a�?
Ah, est�s a�. Abre. Sou toda tua.
Peppino.
Ah, � a senhora. Parecia-me um disco estragado.
- O professor Capponi? - Vi-o ir para os lado do seu quarto.
- Tem a certeza? - Sim.
- Tudo � poss�vel! Obrigado. - De nada senhora.
- 10 mil. - Porqu�?
Imposto de salva��o de mulher com cio.
N�o percebo.
O que ter� dado � velha esta noite, para n�o ter trancado a porta?
Como... Bem, antes assim.
Sabes o que te digo?
Hoje eu e o Aquiles safamo-nos das dores de costas, vamos ter cama.
E ela a estudar. Adeus, marrona. Eu acho que �s doida.
Ia com pressa, mas podia ter fechado a porta.
Do que � que ela se ter� esquecido?
O que �...
Valentina, finalmente s�s.
A lua est� vermelha. Azul est� o mar.
Minha bela Valentina. Mais n�o posso aguentar.
Que � isso? Uma poesia para estudar?
Qual poesia, qual estudar.
N�o sabes que � melhor a pr�tica do que a gram�tica?
Anda. Vamos praticar um bocado.
Sai daqui. �s doido?
Doido. Doido, desde a primeira vez que te vi no duche...
...que quero que experimentes a profundidade e dureza da vida.
No duche? Como? Quando?
Pelo buraco.
Grande idiota. V� na situa��o em que me colocaste.
Pega na tua roupa e esconde-te.
Mete-te a� debaixo.
Ah, �s tu. Ol�. Ol�.
Preciso de te dizer uma coisa, uma coisa urgente.
A lua est� vermelha. Azul est� o mar.
Anda da�, Valentina. Que mais n�o aguento.
Mas que tem voc�s esta noite? Larga-me.
Desde a primeira vez que te vi no duche.
Mas o meu duche � uma sala de cinema?
Deixa-me.
O melhor � esconderes-te rapidamente.
Estou pronto a enfrentar o esc�ndalo.
Tu sim. Eu n�o. Esconde-te.
A� n�o. No guarda roupa.
No guarda roupa n�o. Sofro de claustrofobia.
Um momento, xeique. Venham da� os petrod�lares,
- Conta. S�o 50. - Mais 10 mil.
De qu�?
O suplemento de guia dentro do col�gio.
Ent�o e o suplemento de consumo de pilhas para iluminar a escada.
Deixa-te disso. Gustavo.
Ent�o suplemento de fiscaliza��o externa contra chatos.
Quanto a ser chato, deves-me tu 20 mil. Pagas depois. Adeus.
Com esta ele tramou-me.
Requeij�ozinho, n�o me esperavas, pois n�o?
N�o e tens de te ir imediatamente embora.
�s doida? Ir-me embora, depois do que me custou c� chegar?
O Gustavo � um po�o sem fundo.
A� est� ele de volta, mas desta vez, parto-lhe o f�mur.
� um professor Aristedes.
Tens de te esconder, se te descobrem expulsam-me do col�gio.
Mas s� por 10 minutos porque depois quero...
Tudo o que quiseres, mas agora esconde-te.
Debaixo da cama n�o!
No guarda roupa.
No guarda roupa n�o.
- Porqu�? - Porque podias sufocar.
Na casa de banho.
Despacha-te.
Despacha-te tamb�m, porque quero...
Quero goza... a... r.
- Depois... - Est� bem.
Professor, a que devo a honra desta visita?
O qu�, n�o me esperavas?
- Sim, mas esta noite, n�o. - E as explica��es que prometi?
� muito tarde. N�o podem ficar para outra noite?
At� lavei os p�s.
N�o � boa altura para dar explica��es professor.
D�i-me muito a cabe�a e tenho muito sono.
Nada de desculpas. N�o acredito.
Come�amos por uma bela poesia
A lua est� vermelha. O c�u azul est� a ficar.
Minha bela Valentina. Mais n�o posso aguentar.
- O senhor tamb�m, professor. - J� conhecias?
H� uma hora n�o, mas agora � uma das "10 Mais".
O que interessa? O que conta � o sentimento.
Professor Pier Capponi, abra. Sei que est� a�.
� a Directora. Se me encontra aqui, despede-me. � ciumenta.
- Esconda-me. - Onde quer que o meta?
- Debaixo da cama. - N�o.
- No guarda roupa. Tamb�m, n�o.
- Na casa de banho. - Nem pensar.
- Ent�o onde? - No Parapeito. � o sitio mais seguro.
- Sofro de vertigens. - N�o olhe para baixo.
Fa�o isto por si.
Desculpe sra. Directora. Estava na casa de banho.
Onde est�?
Onde est�?
O Professor Pier Capponi. Despe�o-o e expulso-a a si.
- Aqui n�o est� ningu�m. - Vamos ver se diz a verdade.
Aqui n�o est�.
Debaixo da cama n�o est� ningu�m.
Por favor confie em mim. Eu ia tomar...
....um duche. - N�o ou�o a �gua.
N�o entre na casa de banho.
Porqu�?
Est� tudo sujo. N�o tive tempo de a limpar.
Bom dia.
N�o me parece muito suja.
Gosto de a ver mais limpa.
Vai tomar duche, abra a torneira porque demora a vir a quente.
H� algum problema?
Ent�o porque n�o abre?
N�o encontro a torneira. Ah! J� a encontrei.
- Est� fria? - Sim.
Eu tinha raz�o.
Mas n�o me convence, porque vi entrar aqui aquele ign�bil.
...tenho o dever, o direito de velar pela moralidade das alunas.
Aqui n�o est� ningu�m, como a senhora bem viu.
Claro que vi bem, n�o sou cega. Que quer insinuar?
Acalme-se. Acha que ia receber homens no meu quarto?
Sou uma mulher casada, fiel ao meu marido. N�o fa�o mais que o meu dever.
Bem. Est� a querer enganar-me, mas tome cuidado. Nem tente.
� melhor n�o tocar no fogo.
Mas est� a brincar com o fogo.
Acredite, posso contar tudo ao seu marido embora deteste bisbilhotices.
Mas trata-se do prestigio da minha escola.
e tamb�m do meu prestigio e isso n�o posso toler�-lo.
A sra. Directora exagera. Juro que n�o tenho nada a esconder.
Acredite.
Eu acreditar em si? Voc� esconde-me qualquer coisa.
N�o me engana com essa cara de santinha.
Aqui n�o est� ningu�m
Eu sabia que ele estava aqui.
Fogo, fogo.
Fujam... h� fogo.
Fogo.
Eu levo-a, sra. Directora. Encoste-se a mim. Eu guio-a.
Adeus, Valentina. Escapei de boa.
Adeus Valentina.
Adeus, requeij�ozinho. Volto em breve.
Por aqui. Cuidado com a escada. Cuidado com a escada.
Eu avisei-a para ter cuidado com a escada.
Que coisa dura � a cultura.
Esteja calmo, sereno e tranquilo, que j� vou. Paci�ncia.
Que deseja?
Desculpe a minha ignor�ncia, mas n�o percebo.
Sou o m�dico provincial de forma��o alem�.
Ah, m�dico provincial? S�o 100 mil.
- Porqu�? - Queres ver a tua mulher? 100 mil.
- O m�dico n�o entra de gra�a? - N�o.
- Gustavo, o que se passa? - Nada.
- Quem � esse senhor? - Que fa�o?
50 mil.
- � um morto de fome. - 80.
- Vou p�-lo na rua. - Est� bem. 100 mil. Sugador.
Paga idiota.
Um momento. Deu-me agora o cart�o de visita, pag�vel ao...
...n�o, n�o, isto �, m�dico provincial.
Gostas mais de dinheiro, que macaco de banana.
O m�dico provincial! Veio � consulta anual dos alunos?
- Das alunas, desta vez. - E dos professores.
Os professores ficam para a semana.
Venha Doutor. Tenho uma dor que come�a aqui.
Pois , mas agora n�o posso examinar.
Desgra�ado! Esta j� n�o te vai largar.
Com o que j� gastei nestas coisas comprava 10 queijos da serra.
Aqui est� a primeira Laura Antonelli.
A Laura Antonelli? Manda-a entrar. Manda entrar.
- Quem �s tu? - A Laura Antonelli.
- N�o tens vergonha? Como est�s? - Bem.
Ent�o est�s apurada. Vai, vai.
- N�o me examina? - Est�s maluca?
Queres despir-te? Vai, sen�o acuso-te de ultraje ao pudor. Vai.
Entre a pr�xima.
Ei, Doutor. Tenho uma dor que come�a daqui e acaba aqui.
N�o, n�o pode ser. N�o tenho tempo. N�o posso. Depois vejo isso. Agora n�o d�.
Noutra altura. Eu sei o que queres.... Toma.
Venha outra.
J� aqui estou. Presente
- Bem, bem. Muito bem. Podes ir. - Mas eu sinto-me mal.
- O que � que tens? - Tenho anemia.
- � contagioso? O sr. Doutor � que sabe!
Tens raz�o. O m�dico sou eu.
Quieta, quieta. Abre bem a boca. Deixa ver.
Diz 33.
Tens anemia, �s ladra ou espia.
Mas eu sou an�mica.
Oh senhores! O pote da banha.
Gustavo. Isto n�o � um col�gio, � uma galeria de monstros.
Quando chega a vez da minha mulher?
O apelido dela come�a por B.
Primeiro � preciso examinar todas da letra A.
- Quantas s�o? - Deixa-me ver. 18.
Ent�o quando chegar a vez dela j� n�o tenho tempo de...
N�o podias cortar o resto da letra A e come�ar com a B?
Falta o melhor...
Uma proposta de velhaco mas tenho de aceitar.
- De que est�o a falar? - Isso � c� connosco.
Julgam que eu sou parva?
Como m�dico provincial, declaro que �s idiota.
Exijo que esta rapariga, que � mit�mana e doida,
...seja imediatamente internada na pris�o-manic�mio local...
...por parvoeira violenta.
Doidos s�o voc�s! Sabem uma coisa? Vou contar a toda a gente.
E querem saber outra coisa? V�o-se lixar os dois.
Mandou-te lixar.
Como pode haver neste col�gio uma rapariga t�o ordin�ria?
- Tem de ser expulsa imediatamente. - Est�s a brincar? � a melhor.
E n�o mudes de conversa.
Queres ou n�o que mande embora todas as da letra A?
Sim, sim, sim. Manda, manda, para chegar a vez da Valentina.
Ent�o os 50 mil.
Tu n�o �s um homem, �s um sanguesuga, um vampiro.
- Quantas h� da letra B? - S� duas.
- A primeira � a Valentina? - N�o. � a segunda.
Tinha de ser. Despacha-te, v�.
Porque parou com as consultas?
O Doutor j� viu todas as alunas da letra A.
Mas ainda est�o todas l� fora.
Foi consulta � distancia. M�todo Beckenbauer.
Ah, estudou na Alemanha?
Na Alemanha � outra coisa.
As alunas da letra A est�o dispensadas.
Entra a primeira da letra B.
Tenho uma dor que come�a aqui e acaba atr�s.
E uma grande comich�o que come�a aqui e desce, desce...
- Quantos anos tem? - Bem. Oh. Ah.
� um eczema.
Tenha calma. Isso passa.
Sempre que der, ponha bastante gelo.
Que chatice! Que tortura.
Mal ela chegue, ponho-a aqui e z�s, z�s.
N�o, n�o. � muito duro e ela � muito delicada.
No sof�. No sof�. Ponho-a aqui e z�s, z�s.
- Doutor? - Sim, sim.
Sou a aluna Boa.
Nesta "corte de milagres", ia agora aparecer uma aluna...
...Boa.
- Chamo-me Lu�sa Boa. - Estou a ver, estou a ver.
N�o aguento mais. D�i-me imenso a garganta.
N�o consigo comer, nem consigo beber...
Receio que seja uma inflama��o nas am�gdalas.
Que lhe parece?
Que devo fazer, sr. Doutor?
Para j�. Despe-te.
- Est� bem assim? - Est� �ptimo.
Eu tamb�m tenho uma inflama��o terr�vel nas gengivas.
- Devo dizer 33? - Diz o que quiseres.
Que est� a fazer?
Depois explico-te.
Mas que quer?
Quero o queijinho fresco.
Aristides.
Estava, estava a examinar a aluna boa. � o nome dela.
Posso explicar-te tudo, meu requeij�ozinho.
Hoje vamos falar do corpo humano.
O corpo humano � uma m�quina maravilhosa e complexa...
...que a ci�ncia nunca conseguir� reproduzir.
� duma perfei��o inigual�vel.
A obra-prima da Natureza
Qual de voc�s sabe dizer quantos ossos tem o corpo humano?
J� sabia. Ningu�m sabe.
Pois bem... No corpo humano h� 208 ossos.
Mas... Falta uma t�bia. Quem levou a t�bia?
Foi o Gustavo para fazer sopa.
Silencio... Silencio. Isto � uma escola s�ria.
N�o tolerarei ditos espirituosos durante as aulas.
O esqueleto sustenta os m�sculos e os �rg�os internos.
Cada um de v�s tem um esqueleto com 208 ossos, como este.
Conseguem imaginar que dentro de mim haja tudo isto?
Sim.
Basta. Acabou a aula. Podem sair.
Quem �s? Um esp�rito?
Se est�s aqui, bate uma pancada.
Ent�o est�s. Diz-me o teu nome.
Sou o Pinocador Mascarado.
Querido, querido, querido.
Sra. Directora, sempre quer este desgra�ado no seu quarto?
Cala-te e mete-te na tua vida.
- Onde o ponho? - Em cima da cama, � claro.
- Deitado ou sentado? - Deitado.
Um momento, um momento.
Posso entrar? O que deseja?
Sou um frade do convento dos Fardel�es e desejo ver uma aluna.
Uma qualquer ou tem prefer�ncia?
Valentina Buratti. Sou o seu conselheiro espiritual.
Se � essa, � melhor falar com a Directora
- Ai sim? Onde lhe posso falar? - No fim do corredor � direita.
Obrigado, meu filho. Sta. Tereza de Callura te pague.
Um Momento. Para ir � Directora s�o 100 mil.
Sou um pobre padre...
Por isso tens um desconto. Se fosses o Buratti eram 200 mil.
Qual dos dois �s? Escolhe.
Sou o raio que te parta.
Ao teu av�. Louvado seja o Banco de It�lia.
Louvado seja Jesus... Cristo.
Professor. O que fez?
Sinto-me s�, Valentina. N�o aguento mais.
Tenha calma Professor. Calma... Calma.
Sou s�, sou �rf�o, sou vi�vo.
Nem sequer os subs�dios a que tenho direito recebo.
A megera da Directora n�o assenta os meus descontos.
N�o posso mais. N�o aguento mais. Vou matar-me.
- � realmente um desgra�ado. - N�o sou digno de viver.
Consola-me, Valentina. Deixa-me apoiar a cabe�a...
...no teu casto seio.
O senhor n�o � um desgra�ado, � um macaco.
N�o sou um macaco, sou um homem em branco.
Que chatice. N�o se pode fazer uma r�bula em paz.
Isto n�o � um col�gio.
...� um congresso internacional de enrascados.
Valentina.
A Directora. � a Directora. N�o tenho paz. � uma persegui��o.
Vou j�, Sra. Directora.
No guarda-roupa.
Desculpe sra. Directora.
710
Tenho uma boa noticia para ti. Adivinha quem est� aqui.
Meu Deus. Quem mais?
O teu conselheiro espiritual.
- O meu qu�? - N�o concorda?
- Tu? - Trata-lo por tu?
Conhecemo-nos muito bem.
Desde crian�a que lhe trato da alma.
Deixo-os s�s. Quando acabar, tamb�m quero confessar-me.
Desta vez � que vou...
Porco. N�o aceito as tuas desculpas.
N�o vim para me desculpar. mas para...
�s doida? Sou o Aristides, o teu marido.
N�o v�s aquilo que tenho passado?
J� gastei uma fortuna, com o safado do Gustavo.
Estou-me nas tintas. Tenho de estudar, n�o devo pensar em tal coisa
Eu penso por ti. Eu penso em tudo.
- J�lia. - Queria violentar-te, o fradeco?
Onde � que havemos de o p�r? Em que lugar?
No jardim, ou no caixote do lixo.
Que tal, no quarto da Directora. Venham ,venham
N�o est� c� ningu�m. Entrem.
Vejam onde a velha o meteu. O que iria fazer com ele?
Este pesa. Onde o pomos?
- Debaixo dos len��is. - Tira esse.
Depressa que ela pode vir.
Vamos despi-lo e p�-lo na cama para a surpresa ser maior.
Quando a velha descobrir, que se amanhe.
- Est� a acordar. O que fazemos? - Espera a�.
D�-lhe isto. Vais ver que dorme at� amanh�.
- Que lhe deste? - Um son�fero.
- � um laxante. - Laxante?
Tens raz�o. N�o h� problema. D�-lhe isto
Faz cocktail.
Todo, todo.
Agora � que est� arrumado.
Cobre-o e vamos cavar daqui.
Miss�o cumprida.
Que fizeram ao meu.... fradeco?
N�o te chateia mais.
Mas depois de tanto trabalho merecemos uma recompensa.
Um beijo, um beijo, um beijo.
Ganharam.
Tu n�o, nem penses.
S� um para provar.
�s sempre a mesma.
Isso n�o � um beijo. � um...
S�o horas de jantar.
Desculpe professor. Tinha-me esquecido de si. Tudo bem?
Professor, como est�?
Mal. Ar, ar, ar, ar.
E agora professor? Est� melhor?
Estou pior. Quero... respira��o... boca a... boca.
Espere.
Sempre � sua disposi��o. Claro que sei fazer respira��o...
boca a boca.
Por quanto tempo? Uma, duas horas? Come�amos j�.
Sim. Com ele.
Diabo te carregue. Peppi, acorda.
Como disse o outro ao depois. Aquela enrolou-nos aos dois.
Estou aqui.
Sou toda tua.
Aqui vou eu meu esqueleto do Pinocador Mascarado.
Milagre.
Materializou-se. Que maravilha. Que maravilha.
Estou a sonhar.
Tamb�m eu. O mais belo sonho da minha vida.
- �s tu, meu requeij�ozinho? - Sou eu mesma. Come-me toda.
- J� n�o era sem tempo. - A quem o dizes.
D�s-me tudo?
Tudo, tudo, meu presuntinho.
O queijinho fresco tamb�m?
Tudo. Toma o queijinho fresco. Porque esperas?
Mas isto � queijo de vaca.
Porque te importas? � na mesma queijo.
Isso � o que tu dizes. Ai a minha barriga.
Preciso de ir � casa de banho.
Depois.
19 mil e 800.
- Faltam 200 liras. - N�o tenho mais nada
N�o tens um selo, um bilhete de el�ctrico, de metropolitano?
- V� l� por esta vez. - �s um amigo.
Assinas-me uma letra a tr�s meses.
- Filho duma cabra. - Cada um tem a m�e que merece.
- Gustavo, tamb�m preciso de sair. - Espera. Venho j�.
Gustavo, sou eu, o Peppinp.
Bolas. Logo agora.
A escada gr�tis. Que sorte.
Assim n�o vale. A mim custou-me 20 mil.
Que maravilha. Que maravilha.
Faz de mim o que quiseres. Diz-me o que queres.
Quero ir � casa de banho. Sinto-me mal.
Porque pensas agora na casa de banho? Vamos repetir.
- N�o. Quero a casa de banho. - Porqu�? Cheiras como uma rosa.
H� uma coisa mais urgente. Casa de banho.
Casa de banho.
Depois, depois...
Onde est� a escada?
Que grande pata. Vamos guard�-lo. Pode aparecer o outro.
Gustavo. Estou aqui em cima.
J� tenho c�ibras nos m�sculos.
Agora metes-te a fazer gin�stica � noite?
Faz-te mal, na tua idade. Desce.
N�o h� escada.
Tamb�m deste por isso? Deve ter sido algum filho da...
Tira-me daqui.
Quanto me d�s?
Tem cora��o.
Eu cora��o tenho. E tu tens gana para te atirar da�?
Ent�o quanto me d�s?
N�o consigo tirar a carteira
Ent�o atira o outro sapato.
Viva o macho latino, forte e de boa montadura.
- Onde vais? - � casa de banho.
O meu cabelo. A casa de banho.
Banho, cabelo. V�s que n�o sabes o que queres fazer?
Sei bem, o que quero fazer. Quero a casa de bano.
Pensa em fazer amor agora. Depois na casa de banho.
Tudo a postos. Atira-te.
�s doido? � s� uma rede.
Por um par de sapatos velhos querias tamb�m...
colch�o, len��is, almofada e coberta? Atira-te.
N�o sejas infantil. Atira-te.
Atira-te. N�o sejas in�til.
- Porra. Queres ou n�o atirar-te? - N�o.
A casa de banho. N�o aguento mais.
N�o � capaz de se conter. O que ir� fazer � casa de banho?
Agora fazes acrobacias?
Gustavo, estou aqui.
Peppi, tudo bem?
- Gustavo... - Sim. - Vai cagar.
Sai, Satan�s.
Vi a morte na minha frente. Vi a morte na minha frente.
� uma "linf�mana"
Volta para a festa D�-me novamente.
SALA DE EXAME
Como foi.
Como � que achas que foi?
- Um fiasco. - Foi isso mesmo.
Marcello Bernardi.
Onde est� o Marcello?
Estou aqui.
- Mas ele � o Gustavo. - Mete-te na tua vida.
Marcello Bernardi, presente.
Entra l�. Anda.
Senta-te.
Quantos anos tens?
Oito. Mas pare�o mais velho.
- Conhe�o esta cara. Quem �? - Um repetente cr�nico.
Bernardi, j� chumbamos muitos esta manh�.
Ao menos tu tenta salvar-te, visto que j� �s crescidinho.
Fa�o o que posso.
Como verifico que a vossa prepara��o � bastante fraca...
...vou fazer-te uma pergunta f�cil, uma pergunta elementar.
- Sabes fazer um rombo? - Claro.
Bem. Ent�o faz.
Que est�s a fazer.
A aterragem.
- N�o percebeste? - N�o foi bem?
Refiro-me a um rombo ou losango. Um bom rombo.
J� entendi.
Sempre gostava de saber porque � que o Marcello n�o veio.
Arrisca-se a chumbar.
Deve ter tido coisa melhor para fazer.
O qu�?
Mas tu hoje n�o tinhas exame?
Exame? Mandei o meu s�sia.
Ah. Bravo. E se te chumbam?
Que me importa. Era a �nica ocasi�o para estar a s�s contigo, e...
- E... - N�o queria perde-la.
Sou-te ao menos, um bocado simp�tico?
Sim. Um bocado. Mas agora acabou-se...
T�o tarde. Ainda me fazes perder o exame.
A porta est� fechada.
Acredito. Larguei 20 mil liras para o Gustavo.
Est�s mesmo doido.
Sim sou um doido. Doido de amor por ti.
� incr�vel. N�o sabes nada.
Mod�stia � parte...
Como se pode passar um tipo destes?
N�o. Chumbado, chumbado. Professor Pier Capponi, � um dos seus alunos?
- N�o. - Como n�o?
- N�o? - Sim, sim, claro.
Ah. Bem, bem.
Bela prepara��o que d� aos seus alunos. Anotarei isso na ficha.
Apoiado. E eu? posso ir?
Vai, vai, vai.
Adeusinho a todos. Adeus, Peppi.
D� assim tanta confian�a aos seus alunos?
Aquele � um grande safado. Grande patife, grande idiota.
Filho da safardana da m�e dele. E do safardanas do cag�o do pai.
Se o apanho, esmago-o e fa�o-o num oito.
Foi um desabafo.
Quem �?
Vejamos o... pr�ximo �... Bu... Buratti.
Por favor, pode chamar.
- Burati. - Ah. Pouca de sorte.
- �s tu, o Burati? - Sim, sim.
- Entra. - Quanto �?
N�o te armes em parvo. Entra.
� Simpamina. Vai fazer-te bem.
Venha , venha.
J� � um bocado entradote.
Senta-te.
- Fico de p�. - Senta-te.
Tira os �culos.
Quantos anos tens?
Isso � c� comigo.
Come�amos bem.
Sr. Presidente, para um aluno dum col�gio particular, � sempre embara�oso.
dizer a pr�pria idade.
Ser� embara�oso para ti, animal. "Linf�mano".
Que maneiras s�o essas? N�o est�s bom da cabe�a?
- S�o parentes? - N�o.
Ent�o para que te metes, cara de queijo de vaca?
N�o sejas mal educado.
Est� bem. Queres que te fa�a em picado. Fa�o de ti mortadela.
Por favor. Parem. Por favor.
Lembrem-se que estamos num exame. Lembrem-se que estamos num exame. Por favor.
- De qu�? - Uma aula de exame
Acalme-se, sen�o p�e o j�ri, todo nervoso.
Eu estou calmo. N�o estou nada nervoso.
- O senhor est� nervoso? - N�o que ideia.
Ainda bem porque eu, quando me sobe a mostarda ao nariz.
D�-me licen�a? Buratti, produtos alimentares.
- Agora sente-se e acalme-se. - Est� nervoso?
Estamos todos calmos. Vamos voltar ao exame.
Est� tranquilo?
Ah, �s tu. Vendido.
20 mil.
Para tua informa��o, fiquei em branco.
- Nada ? - Nada. - Nem...
Nem isso.
- Ent�o s�o 40 mil. - Porqu�?
Ainda perguntas?
Ent�o fica mudo? N�o sabe nada. � pr�prio dum ignorante.
Quem � ignorante?
N�o. O presidente do j�ri diz isso por dizer. V�-se bem que voc� se preparou.
Mas est�, como direi?
Distra�do.
Intimidado.
Atrasado.
Voc� � mesmo parvo professor.
Voc� � mesmo um violento.
- Eu? - Sim.
Violento eu? Sou a quinta ess�ncia da do�ura.
N�o � da minha opini�o? N�o � da minha opini�o?
Uma beijoca. Uma beijoca
Desculpem, sou a Buratti. J� me chamaram?
Buratti? Ent�o, quem � voc�?
Sou o Buratti.
Porqu�? Tem alguma coisa contra isso?
- Aristides... Aristides. - Meu requeij�ozinho.
Desculpem.
Ficaste sem saia? N�o faz mal. Anda assim.
Passas na mesma. Com distin��o. Senta-te.
- Mas quem � voc�? - Sou o marido.
- Ent�o n�o devia fazer exame. - N�o porqu�?
Saia imediatamente.
A quem est� a mandar sair?
N�o, n�o. Se quer pode assistir ao exame.
O j�ri est� todo de acordo. N�o � verdade?
Sim.
- N�o. - Sim. Estou enganado?
Se estamos todos de acordo podemos continuar.
Vamos a isso.
Comecemos ent�o com uma pergunta...
- ...dif�cil. - F�cil.
Uma pergunta assim-assim. Est� bem?
Estou completamente de acordo.
Quem foi o general de apelido Bonaparte...
...que foi imperador dos franceses...
...nasceu na Corsega e morreu no ex�lio em Sta. Helena.
Venceu em Austerlitz e foi derrotado em Waterloo?
Se � dif�cil, n�o respondas.
Mais f�cil do que isto. Quem foi?
Celentano.
Acha que foi o Celentano?
- N�o - N�o
A� pelo gesto do fedorento, parecia.
Concentre-se.
Napole�o.
V� ao quadro.
D� licen�a que ela v� ao quadro?
Est� bem. Vai l� ao quadro.
Sentados.
Parecem animais. "Linf�manos".
Estou pronta. O que devo fazer?
Escreva: se X � igual a Y menos Z e Y � igual a 4, Z menos X...
...mais raiz quadrada de Z ao cubo menos Z, qual � o valor de Z?
E se o arcebispo de Constantinola se quisesse desarcebispar...
...todos os arcebispos de Constanti- nola se desarcebispariam?
Vamos para uma coisa f�cil. Por favor, diga o volume da esfera.
N�o.
Diga a �rea do Circulo.
N�o.
Diga como se chama a linha que delimita o circulo.
Diz l� isso. Faz-lhe a vontade.
A linha...
...que delimita o circulo...
...essa linha...
...chama-se... Tenho-o mesmo na ponta da l�ngua.
Desanco-te. Como te atreves a fazer-lhe esses gestos?
Por favor. tenham calma. Por favor.
Anda c�. Vais para casa comigo.
Quero acabar o exame.
Vamos para casa.
Professor Pier Capponi, est� despedido.
O Pier Capponi... � aquele fedorento?
Professor Pier Capponi.
Ent�o � ele o famoso Pier Capponi.
O homem importante de quem falavas.
O cantor patriota Pier Capponi.
E por ele abandonaste o leito conjugal para vir para aqui.
Pier Capponi, prepara-te. Eu dou-te a linha do circulo.
O Pinocador Mascarado.
Vais ser meu para sempre.
O Ministro da Educa��o.
Obrigado, Sr. Ministro.
Senhora. Senhora. Quer dar-me um queijo fresco?
Mas como se atreve. Atrevido.
V� ao meu marido.
Vem c�. O que queres homem?
- Quero um queijo fresco. - O qu�?
O qu�?
100 gramas de mortadela.
Rapaz, pesa 100 gramas de mortadela para este senhor. Depressa.
� para j� , Sr. Aristides.
- Quanto �? - Pague na caixa.
- Seiscentos - Obrigado. Volte em breve.
Quem no Aristides comprou, feliz se considerou.
Uma gorjeta. Obrigado.
Amanh�, h� exerc�cio.
Tema: o salame na Idade M�dia.
Quem fizer erros, vai escrever 100 vezes.
"A cultura � grandiosa, e eu sou parvo".
- De acordo, requeij�ozinho? - � claro.
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