All language subtitles for Back to the Secret Garden .2000 (1)

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Original subtitles

"DE VOLTA AO JARDIM SECRETO"

MANS�O MISSELTHWAITE, YORKSHIRE, INGLATERRA, 1946

Hora da aula, crian�as! Venham!

Venha, Deborah!

Certo. Vamos l�.

Entre.

J� verifiquei tudo, lady Mary. Precisa de mais alguma coisa?

N�o, obrigada, Martha. Aqui est� o endere�o.

De todo o resto j� falamos.

Bem, Martha, voc� vai se sentar ali amanh�.

- Misselthwaite � toda sua agora. - Farei o melhor que puder.

- N�o se preocupe. - N�o estou nem um pouco preocupada.

Voc� � a �nica pessoa � qual eu confiaria nossos �rf�os.

Obrigada. Vamos todos sentir sua falta.

S� mais uma coisa.

Venha comigo.

Vou deixar isto em suas m�os tamb�m.

- Meu Deus. - S� posso confi�-la a voc�.

- Tem certeza? - Absoluta.

Foi seu irm�o que devolveu a vida a este jardim.

Bem, n�o sou Dicken, lady Mary, mas vou fazer o melhor poss�vel.

Sempre me perguntei como consegue achar essa porta.

Basta ter a chave. Nunca tive problemas.

- Prometa comer legumes, Doris. - Sim, lady Mary.

- Boa menina. Stephen, cuide deles. - Pode deixar, lady Mary.

- Como se sente, Penelope? - Bem melhor, lady Mary.

- Um pouco melhor. - Isso � maravilhoso.

N�o perca a esperan�a. Sei que conseguiremos a opera��o nos EUA.

Fa�a uma viagem segura.

- Tchau! - Tchau, lady Mary!

Martha...

Srta. Sowerby, vai jantar conosco no sal�o?

Esta noite n�o, Toby, preciso p�r o trabalho em dia.

Tudo bem, Srta. Sowerby. Vou deixar um prato no forno para a senhora.

Continuo sendo a velha Martha, Toby.

A senhora est� no comando na aus�ncia de lady Mary...

Srta. Sowerby.

Ol�, Martha.

- O que voc� tem? - N�o acho a porta do jardim.

Ora... lady Mary n�o mostrou onde fica?

Mostrou, mas n�o acho. Pode fazer a gentileza de mostrar-me onde �?

Bem que eu gostaria, mas lady Mary � que a abria para mim todo dia.

- Voc� arranhou sua m�o. - Esque�a os arranh�es, Will!

- O que faremos se eu n�o a achar? - Ora, n�o se preocupe, Martha.

Voc� vai achar. Afinal, est� com a chave.

Ela n�o parece estar me ajudando.

Sen�o s� precisaria afastar a hera, como lady Mary, e veria a porta.

Bem, vamos tomar ch� e tentar de novo amanh�.

N�o ser� diferente amanh�. Ela estava aqui! Sei que estava!

Marquei bem o lugar.

O que vamos fazer, ent�o?

Lady Mary me encarregou de cuidar do jardim, e eu vou cuidar.

Chame o pedreiro, Will.

Amanh�.

IRM�S DE CARIDADE LAR PARA �RF�OS

Jogue por cima!

UM M�S DEPOIS

- Bem-vinda ao nosso lar, lady Mary. - Obrigada, � um prazer.

Entre.

- Ol�. - Ol�.

� uma honra fazer parte deste interc�mbio.

Venham, por favor! Venham!

- Pode p�r aqui, padre. - Sem demora, venham!

- James, largue a bola! - Isso mesmo, venham.

Esta � lady Mary Craven, esposa do novo embaixador ingl�s nos EUA.

Ela est� trabalhando num programa novo e bem interessante. Lady Mary.

Obrigada.

N�o vim fazer um longo discurso.

Vim ver se algum de voc�s est� interessado...

numa aventura emocionante.

Como voc�s, muitas crian�as no meu pa�s...

perderam seus pais nesta guerra terr�vel que finalmente acabou...

e, com o interc�mbio de �rf�os, tentamos ajudar quem mais precisa...

a vir para c� fazer cirurgias que n�o podem ser feitas na Inglaterra.

Ent�o, h� algu�m aqui...

que gostaria de morar numa casa de campo na Inglaterra por um ano?

Nossa. Tantos assim?

Bem, n�o sei como vou escolher s� um.

Podem voltar a brincar, crian�as!

Quero ter certeza de minha escolha. Posso conhec�-Ios individualmente?

- Claro, v� em frente. - Obrigada.

- Que rosas brancas lindas. - Quem � voc�?

Sou Mary Craven. Posso perguntar seu nome?

Lizzie Buscana.

Quer dar uma volta comigo, Lizzie?

N�o est� brava, porque n�o fui ouvir voc� falar?

Claro que n�o. Ningu�m foi obrigado a ouvir.

Posso perguntar por que n�o foi?

Minhas rosas t�m pulg�es, e n�o tenho rem�dio pra isso.

- Preciso tir�-los com as m�os. - Sem luvas?

Deixe-me ver.

Pobrezinha. Voc� deve amar muito essas rosas.

Voc� tem m�os de jardineira, como minha m�e tem. Tinha.

- Voc� tem um jardim? - Sim, e sinto muita falta dele.

Quando crian�as, n�s o cham�vamos de "jardim secreto".

- Vivemos muitas aventuras l�. - Mam�e, papai e eu tamb�m t�nhamos.

Mas sem aventuras, s� hortali�as pra restaurantes finos de Manhattan.

Era a melhor horta do Brooklyn.

- Como � o seu jardim secreto? - Bem, como posso descrev�-lo?

Nunca consegui. N�o � um jardim formal, na verdade.

Acho que s� posso cham�-lo de jardim para crian�as.

- Fale-me do seu jardim no Brooklyn. - Olhe, estou dizendo...

produz�amos tantos tomates, abobrinhas, alfaces...

...at� morangos de estufa. - Estou impressionada.

Morangos s�o dif�ceis, sobretudo os de estufa.

N�o para mim. Eu tenho o nariz verde.

- Acho que se diz "polegar verde". - Sei o que � o polegar verde.

Minha m�e dizia...

O que ela dizia, Lizzie?

Que eu tinha o nariz verde, porque estava sempre com ele na terra...

ao lado dela, desde quando engatinhava.

Deve sentir muita falta dela.

Meus pais estavam indo de avi�o para San Diego.

Meu pai era oficial da Marinha.

O avi�o caiu.

N�o foi nem durante a guerra.

Entendo como se sente.

Quando eu era menina, com a sua idade, cheguei a Misselthwaite vindo da �ndia

- Tamb�m tinha acabado de perder os meus pais. - � mesmo?

Eles morreram numa epidemia...

e eu tive de ser criada na Inglaterra por parentes distantes.

Eu n�o queria ir. Estava morrendo de medo.

Mas acabou sendo o melhor lugar do mundo para mim.

Eu me sentia em casa l�, e acho que voc� tamb�m vai se sentir.

- Vou deixar as rosas de mam�e? - Elas estar�o seguras comigo.

Vou transplant�-las pessoalmente no melhor lugar do jardim da casa.

Promete?

Prometo.

Nosso pessoal em Misselthwaite cuidar� muito bem de Lizzie. Adeus.

Lady Mary!

Esta � uma Beleza Americana. Minha m�e as cultivava no jardim.

Tirei da melhor roseira.

Vai haver um jantar muito importante hoje na embaixada.

Tenho sua permiss�o para usar esta rosa maravilhosa no cabelo?

- Por mim, tudo bem. - Obrigada. Adeus, Lizzie.

- Espero que tenha sido agrad�vel. - Foi, sim, obrigado.

A pior parte deste trabalho s�o esses terr�veis jantares formais.

Achei que eles n�o iriam mais embora.

Voc� parece estar com a cabe�a longe.

Tive uma experi�ncia extraordin�ria hoje, Colin.

- Vi algu�m que n�o v�amos h� anos. - Quem?

O rouxinol de peito vermelho.

Acho que voc� precisa de repouso, Mary.

Parecia igualzinho. Nunca esqueci o canto dele. Voc� esqueceu?

N�o me olhe como se eu estivesse biruta!

Eu me lembrei da primeira vez que ouvi aquele rouxinol...

...e entrei no jardim secreto. - N�o sei diferenciar os cantos...

nem os rouxin�is, ali�s, duvido que voc� consiga.

Mesmo que tenha sido minha imagina��o, d� no mesmo.

Conheci uma menina muito interessante...

e ela aceitou ir para Misselthwaite.

Mas estou preocupada, pois ela n�o � do tipo que costumamos procurar.

Qual � o problema com ela? Muito americana?

Infelizmente, todos s�o americanos aqui.

N�o. Acho que talvez seja um pouco teimosa.

Acha precipitado dar-lhe chance? Penelope precisa ficar um ano aqui.

� muito tempo, caso aquela menina n�o goste de Misselthwaite.

Nunca vi voc� julgar errado uma crian�a. Confie no seu cora��o.

- N�o vai se enganar. - Eu s� sei decidir assim.

Ent�o, est� decidido.

Vamos subir?

Sim.

Obrigada a todos. A festa ficou �tima, gra�as aos seus esfor�os.

- Obrigado, madame. - Vamos todos acordar tarde amanh�.

Obrigado, boa noite. Lembrei que carreguei isto o dia todo.

� um telegrama da Inglaterra.

- � de Martha. - Algum problema?

- Ela abriu outra porta no jardim. - O qu�?

"Encontrei dificuldades para usar porta existente.

Achei necess�rio criar porta funcional.

N�o vi outra alternativa. Espero que entenda."

- Ela n�o achou a porta. - N�o deixou a chave com ela?

Sim, claro que deixei. N�o entende? N�o funcionou.

Ela n�o consegue abrir a porta. Pobre Martha, deve estar arrasada.

Bem, ent�o, agiu certo, n�o agiu? N�o havia outra alternativa.

Eu queria saber o que deu errado.

Ser� que tem algo a ver comigo?

Como vou saber?

Bem, o que est� feito est� feito.

Misselthwaite! Misselthwaite!

Boa noite, mocinha. Eu levo a mala. Mabel.

Aqui est� ela, Srta. Sowerby. Elizabeth Buscana, dos EUA.

- Ol�. - Meu nome � Lizzie Buscana.

Dormiu quase a viagem toda. Parece ter se recuperado.

- Como foi a viagem, Lizzie? - Eu li muito...

e uma aeromo�a me ensinou a jogar damas no avi�o.

Bem, � tarde, Lizzie. Vamos para Misselthwaite.

Vou p�r voc� na cama.

Aqui estamos, Lizzie. Vamos entrar, est� frio aqui.

Deve estar exausta da viagem, ainda que n�o perceba.

Quando vou poder ver o jardim secreto?

- Lady Mary falou do jardim secreto? - Um pouco.

- O que ela disse? - Sei l�, que � para crian�as.

- Sim, pode-se dizer que �. - Quando vou poder v�-lo?

Vai v�-lo domingo, quando as crian�as podem entrar l�.

Vamos para dentro.

- Voc�s n�o t�m luz el�trica aqui? - Temos, Lizzie...

mas n�o vamos ligar s� para subir a escada, certo?

Precisamos economizar aqui em Misselthwaite.

- Lady Mary n�o � rica? - Cuidamos de 3O crian�as.

As despesas se acumulam.

Este � o seu quarto.

- Espero que goste. - Est� brincando?

� o quarto mais bonito que j� vi.

Era de lady Mary quando ela veio para Misselthwaite.

Ela pediu que voc� ficasse nele.

Ainda bem que trouxe uma camisola de l�.

Faz frio na hora de acordar.

N�o temos muitos luxos em Misselthwaite...

mas faremos de tudo para que se sinta em casa, est� bem?

Vou ter de esperar at� domingo?

- Esperar? O qu�? - Para ver o jardim.

As crian�as podem entrar nele aos domingos, ap�s a missa...

...para o ch� e a aula de etiqueta. - "Podem entrar"?

Sim, Lizzie. Existem regras que precisam ser obedecidas aqui.

- Mas... - Agora chega de perguntas.

� hora de ir para a cama.

Precisa dormir. Por aqui, acordamos junto com o galo.

Vejo voc� amanh�.

Boa noite, querida.

- Bom caf� da manh�. - Aqui est�, Kate.

- Obrigada. - Aqui est� Lizzie.

- Tome mingau primeiro, Lizzie. - Mingau?

- Para esquentar o peito. - Bom dia.

- E um copo de leite. - Bom dia, Lizzie.

- Bom dia. - Eu levo a colher. Venha.

Pronto. Crian�as, digam "bom dia" para Lizzie Buscana.

- Bom dia, Lizzie! - Bom dia.

Tem um lugar aqui, perto de Geraldine. Aqui est� sua colher.

E lembrem-se, crian�as, nada de conversar durante as refei��es!

Ol�.

- Trouxe cigarros dos EUA com voc�? - Voc� fuma?

N�o seja boba. Valem uma fortuna na cidade. Voc� trouxe?

- N�o. - Que pena.

A gordona est� de olho na gente. Depois conversamos.

- Lizzie, voc� sabe jogar beisebol? - Claro. Vim do Brooklyn.

Os Brooklyn Dodgers s�o campe�es mundiais.

Ser� que pode me ensinar? Sou bom no cr�quete.

- Quero ser jogador de beisebol. - Claro. Qual o seu nome?

- Stephen Brinkey. - Tem uma bola e um taco?

Tenho um bast�o de cr�quete e umas bolas de t�nis. Servem?

Claro. V�o ter de servir.

Feliz anivers�rio, Dicken.

Como podem ser t�o descuidados?

Olhe por onde anda, ianque!

- O que acha que est� fazendo? - Desculpe.

Se a Srta. Sowerby me visse, ia achar que eu a estava espionando.

- Mas voc� estava, n�o? - N�o. Estava espiando o jardim.

Adoraria ouvir mais, mas n�o posso, infelizmente. Est� na hora da aula.

O Prof. Toynbee pode estar certo em sua hip�tese de desafio e resposta.

Todavia, as civiliza��es s�o realmente necess�rias?

Se s�o t�o boas, por que naufragam sistematicamente?

Acha que sua ideia deve ser levada t�o a s�rio quanto as de Toynbee?

Por que n�o deveria ser levada a s�rio? S� porque sou �rf�o?

O problema n�o � a sua sorte, Sr. Egglinton...

mas sim seus argumentos.

O senhor d� declara��es, n�o argumentos.

Toynbee d� provas irrefut�veis, hist�ricas, de suas declara��es.

O senhor n�o traz provas. Portanto, suas declara��es n�o t�m for�a...

al�m do volume de sua voz.

Se eu achasse provas hist�ricas, levaria minhas ideias a s�rio?

Eu examinaria suas provas e me convenceria de sua credibilidade.

Depois disso, levaria suas ideias a s�rio.

Tudo bem. Vou escrever um ensaio calcado em fatos para provar...

que estou certo, e que o Prof. Toynbee est� errado.

Que azar, acabei de sair para trabalhar aqui fora. Ol�.

Ol�. Est� trabalhando no qu�? Um poema?

N�o, no meu ensaio para o Dr. Snodgrass.

Ah, sim. Para provar que � mais esperto que o Prof. Fulano de Tal.

Importa-se?

Adoro chuva.

Tem uma porta nova no muro do jardim secreto?

- Sim, por qu�? - S� queria saber.

- Por que se chama "jardim secreto"? - Boa pergunta. N�o � mais secreto.

- Eu o chamo de jardim sagrado. - Jardim sagrado?

Sim. Espere at� domingo e vai entender. � pior que visitar uma igreja.

Preciso trabalhar, tenho de passar tudo isto a limpo.

- Por que s� vamos l� aos domingos? - Por favor!

Tudo bem, seja chato!

Mam�e, me ajude.

� a porta.

O jardim est� morrendo.

Ol�, nen�.

Tudo bem.

Obrigada, reverendo. O serm�o estava �timo.

Foi um prazer rev�-la.

Agora, crian�as...

esta semana aprenderemos como devemos nos comportar no ch�.

Estava bem ali! Tenho certeza!

Ou ser� que era ali?

...e, por favor, n�o mexam neles. Voc�s t�m um prato, um pires...

uma x�cara, uma colher de ch�, um garfo de sobremesa...

...e uma faquinha. - A gordona est� de olho em voc�.

Quietas. Prestem aten��o.

A primeira considera��o, ao se sentar perto dos outros...

� deixar os outros � vontade.

N�o, Lizzie. N�o pode tocar nas flores.

- O jardim est� muito fr�gil. - Desculpe.

A segunda considera��o...

� n�o derramar nada neles.

O guardanapo, desdobrado assim...

servir� para usarmos os pr�prios joelhos como mesinha.

Aten��o, por favor.

Viu? O jardim sagrado. Curve-se e adore em sil�ncio.

- N�o tem gra�a. - Por que se importa? Tudo morre.

Por que n�o desce do salto alto e p�ra de querer ser sabe-tudo?

N�o finja que se importa! Voltar� para casa e nunca mais ver� isto!

S� faz isso para chamar a aten��o.

Retire o que disse, ou vai perder esse sorriso idiota!

- Lizzie, sente-se! - Isso eu queria ver, Miss Am�rica.

Como se atreve?! Saia j� deste jardim!

Lavar� pratos uma semana, a partir do almo�o! Espere no seu quarto!

N�o foi culpa dela. Robert disse uma grosseria.

Voc� fez isso, Robert?

Fui honesto com ela. Certas pessoas n�o aguentam a verdade.

Os dois para seus quartos! Em marcha!

- O que est� esperando? - N�o quero ir junto com ela.

Em marcha, eu disse.

E, agora que tiveram um exemplo de como n�o se comportar...

pode continuar sua aula de etiqueta, Sra. Chillblaine.

Obrigada, Srta. Sowerby. Bem, crian�as... continuando...

Posso entrar?

Ol�.

- S� queria ver se voc� estava bem. - Obrigada.

- Deve sentir muita falta dos EUA. - Sim.

- Mas gosto daqui. - Eu queria poder ir para os EUA.

Quero ir para Hollywood e ser estrela de cinema.

Se eu tivesse algum amigo l�, fugiria daqui hoje mesmo.

Embarcaria como clandestina num navio para Nova York.

- N�o quer ser estrela comigo? - Quero ser paisagista.

E quero ficar aqui at� saber o que h� com o jardim.

Bem, � meio �bvio. Ele est� com alguma doen�a.

Talvez. Talvez n�o.

- Voc� guarda um segredo? - Claro. N�o falo nem sob tortura.

- Ontem � noite entrei escondida no jardim. - Foi mesmo?

H� algo muito estranho l�.

Havia uma porta. N�o aquela porta nova e feia.

Parecia a porta de verdade do jardim, s� que estava trancada...

e n�o consegui v�-la do lado de fora por causa da hera.

E hoje n�o consegui v�-la nem por dentro.

Dizem que � uma porta m�gica, mas eu n�o acredito em magia.

- M�gica? - S� quem tem a chave pode v�-la...

mas voc� a viu sem ter a chave. Isso prova que n�o � m�gica.

- Que chave? - A chave do jardim secreto.

A gordona est� com ela. Fica no escrit�rio de lady Mary...

...na escrivaninha dela. - Como voc� sabe?

Digamos que j� xeretei l�. Dizem que quem consegue abrir a porta...

descobre os segredos do jardim, ou alguma bobagem assim.

Lizzie, voc� est� a�?

Sim, Srta. Sowerby!

Feche a porta, Lizzie.

Bem, n�o sei o que deu em voc� hoje...

mas devo dizer que fiquei chocada com seu comportamento no jardim.

- Sinto muito, Srta. Sowerby. - S� vai dizer isso em sua defesa?

Robert disse que o jardim estava morrendo. Ficou rindo feito idiota.

- Eu n�o podia permitir. - N�o precisa se preocupar com isso.

Will est� fazendo tudo o que pode pelo jardim.

- Eu sei. Talvez eu pudesse ajudar. - Voc� me ajudaria muito...

se esfor�ando para seguir as regras de Misselthwaite.

- Sim, senhora. - Regras s�o regras, Lizzie...

e eu n�o posso abrir exce��es.

Sen�o n�o ter�amos ordem nem disciplina aqui. Entendeu?

- Sim, senhora. - Muito bem, ent�o.

Seu servi�o na cozinha come�a daqui a meia hora.

Geraldine!

Essa passou perto. A gordona mataria n�s duas se me achasse.

N�o a chame de gordona, est� bem? Pelo menos perto de mim.

Achei que n�o ligasse, ela castigou tanto voc�.

Eu mereci. A Srta. Sowerby � severa, mas � justa.

- Ent�o ser� a Srta. Sowerby. - �timo.

Entre!

Srta. Buscana. N�o est� na hora de dormir?

Ainda faltam uns minutos, Dr. Snodgrass.

- Quer me dizer alguma coisa? - Se o senhor tiver tempo.

Sente-se.

Em que posso ajud�-la?

Stephen disse que o senhor n�o � s� professor, mas tamb�m sacerdote.

- � verdade? - Sou doutor em Teologia...

e catedr�tico da Universidade de Oxford.

Vim dar aulas em Misselthwaite quando a guerra come�ou.

Ent�o, entende de certo e errado, essas coisas, n�o?

Acho que tenho uma certa familiaridade com o assunto.

Quando algu�m acha que deve fazer algo que n�o � permitido...

ele deve fazer?

Baseado nos meus anos de experi�ncia e estudo...

devo dizer...

que depende.

Posso fazer algumas perguntas para me esclarecer?

- Claro. - Essa coisa a fazer � contra a lei?

- N�o. - Vai causar dano a algu�m ou algo?

- N�o. - Algu�m, al�m de voc�...

sair� ganhando se voc� a fizer?

- Acho que sim. - Nesse caso, aconselho voc�...

a confiar na sua consci�ncia e se guiar por ela.

- S� isso? - Vai me contar que coisa � essa?

- N�o. - Como imaginei.

Ent�o, por falta de mais dados, esse � o meu conselho, sim.

Obrigada.

N�o h� de qu�.

Perdei toda esperan�a, v�s que entrais.

Apague a luz, Robert. J� deveria estar dormindo h� uma hora.

- Adeus, ent�o. - Isso mesmo.

Amanh� conversarei com voc�. Durma bem.

Obrigada, Sra. Raposa.

Ol�.

Qual o problema do jardim? O que ele tem? O que querem que eu fa�a?

"Em mem�ria de Dicken Sowerby...

que deu sua vida pelo pa�s e deu vida a este jardim...

a todas as aves e animais...

e a todos que o conheceram."

N�o sou Dicken Sowerby. Ele foi um her�i.

Sou s� uma �rf� do Brooklyn. N�o posso salvar o jardim.

Fogo!

Fogo!

Fogo!

Onde est� Jane?

Robert!

Abra a janela!

- Bom trabalho, voc�s dois. - O que aconteceu aqui?

- Desculpe, causei um inc�ndio. - Algu�m se feriu?

- N�o. Estamos todos bem. - Gra�as a Deus por isso.

Imaginem o que poderia acontecer. A mans�o toda poderia virar cinzas.

Esta chave estava na escrivaninha de lady Mary. Por que est� aqui?

Eu a peguei, Srta. Sowerby.

- O que est� fazendo aqui? - Vim ver se todos estavam bem.

Des�a com as outras crian�as, Geraldine. Conhece o procedimento.

Sim, Srta. Sowerby.

- Pegou esta chave no escrit�rio? - Sim, senhora.

- Des�a e fique com os outros. - Sim, senhora.

- E ent�o, como o fogo come�ou? - Foi totalmente minha culpa.

Estava lendo Byron � luz da vela. Acho que dormi e a derrubei.

Lizzie salvou o dia. Lizzie e Stephen.

Fizeram muito bem, e eu fico agradecida.

Entendo por que ele est� vestido. E voc�, por que est� vestida?

E por que foi voc� que deu o alarme?

Eu estava no jardim secreto. Vi as chamas quando voltava para dentro.

- E o que fazia no jardim? - Estava s� olhando.

- Achei que descobriria o problema. - Entendo. Descobriu?

- N�o, senhora. - Robert, des�a...

e avise Toby e a criadagem que podem p�r as crian�as para dormir.

Lizzie, venha comigo.

E nada de mentiras, mocinha...

ou vai voltar para os EUA antes do fim do dia. Estamos de acordo?

Sim, senhora.

- Voc� disse a verdade sobre o fogo? - Sim, senhora.

Muito bem. Deixemos isso de lado por enquanto.

Agora, vamos falar da chave.

Stephen a pegou mesmo?

N�o, senhora. Ele nem estava sabendo.

- Acho que s� queria me proteger. - E voc� deixou.

Se eu disser o motivo, vou criar problemas para mais algu�m.

Geraldine estava fazendo sinais para voc� atr�s de mim?

- N�o quero p�r a culpa em ningu�m. - Eu sei!

Apenas diga a verdade, pelo amor de Deus!

Ela estava balan�ando a cabe�a, pedindo que eu n�o confessasse.

Fiquei confusa.

Como sabia onde estava?

A chave!

Voc� vasculhou a sala toda?

Geraldine me contou onde estava.

Entendo. E, de posse dessa informa��o, voc� decidiu furt�-la.

Eu s� ia peg�-la emprestada por algumas horas.

Teria devolvido, se Robert n�o tivesse causado o fogo.

Podem chamar isso de empr�stimo nos EUA. Aqui em Yorkshire, � um furto.

Devo dizer que estou chocada.

Chocada e decepcionada.

Nunca furtei nada na vida... at� agora.

Meus pais sempre me ensinaram a ser honesta como eles.

Eles tamb�m chamariam isso de furto. Foi um furto.

Sente-se, menina.

- Por que queria a chave? - Para tentar abrir a outra porta.

- Que porta? - A que fica sob a hera.

- Continue. - Esta n�o foi a primeira vez.

Entrei escondida l� outra noite, por cima da sua... da nova porta.

Ouvi um rouxinol cantando na janela. Achei que estava me chamando.

O vento parecia tocar uma m�sica, como uma flauta, algo assim.

- Como a flauta de P�. - A senhora j� ouviu?

H� muito tempo, quando meu irm�o Dicken estava vivo.

E, quando voc� voltou l� com a chave, esta noite, o que aconteceu?

Uma raposa estava do lado de fora e me levou at� a porta.

Quando entrei...

todos os animais e p�ssaros vieram ficar comigo perto do chafariz.

Pareciam querer que eu fizesse algo...

s� que eu n�o sabia o qu�.

- Os animais foram at� voc�? - Sim.

Passarinhos, coelhos, veados, raposas...

e duas coisinhas peludas, redondinhas, que nunca vi.

- Porcos-espinhos. - Acho que � o nome exato para eles

Dicken tinha um apego especial pelos porcos-espinhos do jardim.

Olhe...

lamento muito por todos os problemas que causei.

Lamento mesmo.

Acho que deveria me mandar de volta para os EUA.

N�o mere�o mais estar aqui.

Levante-se, Lizzie.

- Acho que isto lhe pertence. - N�o pertence. Est� sob sua guarda.

Foi deixada sob minha guarda, mas parece que isso foi um erro.

Parece que ela deve ficar com uma �rf� que cruzou um oceano...

como j� ficou com outra �rf� que cruzou outro oceano.

Se eu n�o fosse t�o burra, j� poderia ter percebido.

Eu n�o sou como lady Mary.

� mais parecida com ela do que imagina.

Bom dia! Por que levantou t�o cedo, Lawrence?

Este pacote chegou para a Sra. do porto de Londres. � da lady mary.

- Era urgente. Ent�o, vim correndo. - Obrigada, Lawrence.

- Eu poderia ter apagado o fogo. - Como? Lendo poesia para ele?

- Calma! S� estou tripudiando. - "Tripudiando"?

- Significa "mexendo na ferida". - Os americanos destroem o ingl�s.

- La entrar no jardim ontem, n�o ia? - N�o.

- S� que pegou no sono, certo? - De onde tira essas ideias?

Vi algu�m entrando l� na noite em que cheguei.

Era noite de lua cheia, como ontem. Era voc�, n�o?

- Falou sobre isso com Sowerby? - Acha que sou dedo-duro?

Por que entrou l�?

- Terminou, Lizzie? - Sim, acabei de terminar.

Venha comigo, por favor.

Puxe com for�a.

� uma muda da roseira de mam�e.

H� um bilhete de lady Mary.

"Querida, esta muda � da roseira Beleza Americana de sua m�e."

N�o precisa ler em voz alta, o bilhete � para voc�.

Eu quero ler em voz alta.

"Lamento informar que, apesar de todos os nossos esfor�os...

o transplante deu errado e a roseira secou.

Mas consegui salvar esta muda, e a envio fazendo votos...

de que sobreviva � viagem. Com todo o meu amor, Mary Craven."

Posso plant�-la agora, antes da aula?

- Quer plant�-la no jardim secreto? - Posso?

Voc� � a guardi� da chave, Lizzie. Quem decide � voc�.

- Lizzie! - Voc� fez uma coisa muito boba.

- Gentil, mas boba. - Eu s� queria proteger voc�.

- Espero que n�o esteja brava comigo. - Claro que n�o.

S� meus pais j� fizeram algo t�o gentil por mim.

Lizzie, quer ser minha namoradinha?

- Sua namoradinha? - Sim. Voc�s namoram nos EUA, n�o?

- Claro. - Pode me responder, ent�o?

- N�o sei o que dizer. - S� precisa dizer "sim" ou "n�o".

- Certo. Acho que tudo bem. - S�rio?

Claro que � s�rio.

Maravilhoso! Bem, preciso ir embora. Tchau por enquanto.

Ol�.

Lizzie. O que faz aqui?

Martha me deu a chave da velha porta. Disse que era minha.

- � mesmo? - E me deixou vir quando quiser.

- Voc� se importa, Will? - Nem um pouco.

- Nunca achei Martha a pessoa certa. - N�o achava?

- N�o. - Por que n�o?

Martha � boa pessoa, a melhor pessoa que conhe�o...

mas n�o tem o temperamento certo para ser guardi� da chave.

- Temperamento? - � a �nica cr�tica que diria sobre ela.

Martha Sowerby tem toda a minha admira��o e o meu respeito.

- Voc� gosta dela, n�o? - Sim.

Como namoradinha, quero dizer.

Voc�s ianques! Sempre pegam e falam as coisas!

Desculpe. N�o � da minha conta.

- Ela perguntou sobre isso? - N�o.

- O que � isso? - Uma muda da roseira de mam�e.

Lady Mary a mandou.

Martha disse que eu podia plant�-la aqui, mas... tenho medo.

Sim, menina. Tem todo o direito de ter medo, meu Deus.

Ser� que posso plant�-la na estufa at� que fique mais forte?

- J� fez isso antes, pequena Lizzie. - Sim.

- Talvez isto ajude. - Atrapalhar n�o vai.

Por que voc� n�o quis que eu contasse?

N�o queria que ficasse encrencada. Voc� ficou?

E como. Por n�o contar.

Que horror. Eu lamento tanto.

- Voc� vai ser mandada para os EUA? - Acho que n�o.

Que al�vio. Fiquei preocupada. Sentiria muito a sua falta.

Acho que fugiria para l� com voc�.

- Stephen est� olhando voc�, Lizzie. - Crian�as n�o devem falar, Doris.

Acho que cometi um erro muito grave.

- Voc� n�o tem aula agora, Doris? - N�o.

- Quer ganhar meus biscoitos amanh�? - Sim, por favor!

Ent�o, v� procurar o que fazer. Boa menina.

Stephen est� namorando voc�, mas voc� gosta � de Robert.

- Como ela sabe? - Todo mundo sabe.

- Stephen a pediu em namoro, n�o? - Sim.

- E voc� aceitou. - O que vou fazer?

Eu falo com Stephen se voc� quiser.

Obrigada, mas acho que preciso resolver isso sozinha.

Tem certeza?

Que legal. Aquela bocuda contou para Robert.

Veja o lado positivo. Pelo menos, ele est� com ci�mes.

Fiquei sabendo que voc� deu a chave do jardim secreto a algu�m.

Informa��o de primeira m�o, por assim dizer.

Tive bons motivos, e � um al�vio para mim, Will.

- Foi uma calamidade ficar com ela. - N�o pode se culpar, Martha.

- Eu sou o jardineiro. - Tamb�m � dif�cil para voc�, n�o?

A verdade � que n�o ando dormindo muito bem.

- Sinto-me em falta com voc�. - Nem uma vez.

Nunca, Will, desde que �ramos crian�as.

- Lizzie, voc� me viu rebater? - N�o.

Nunca tive namorada, mas acho que voc� deveria se interessar por mim.

- Pelo menos um pouquinho. - Escute, Stephen...

essa hist�ria de namoradinha... eu n�o deveria ter aceitado.

N�o quero magoar voc�. Gosto muito de voc�, mas como amigo.

Sinto muito, mas preciso ser honesta. Espero que entenda.

Sim, claro. Foi muito atrevimento pedir voc� em namoro.

- Por favor, me perdoe. - Voc� � que precisa me perdoar.

Tudo bem, n�o vamos falar mais disso.

- N�o ficou zangado? Pode ficar. - N�o. Preciso voltar para o jogo.

Obrigada.

Ela mandou voc� aqui?

Ela nem sabe que estou aqui. Vim ver se voc� estava bem.

- Estou. - N�o est�. Est� furioso.

N�o culpo voc�.

N�o diga nada a ela. N�o quero lhe dar essa satisfa��o.

N�o se preocupe. Desde que ganhou aquela chave, ela se sente poderosa.

- Acha que � boa demais para voc�. - Mas n�o para Robert.

Seria bem feito ela perder a chave. A gordona ia mand�-la embora j�.

Aposto que sim. A� ela lamentaria ter tratado voc� t�o mal.

Robert? Sou eu, Lizzie. Procurei voc� no jantar.

Robert, n�o me trate assim. Preciso falar com voc�.

Robert! Est� no jardim?

Onde voc� est�?

N�o! Como ele foi capaz?

- Ficou completamente maluca?! - Por que pegou minha chave?

- Estava protegendo minha rosa! - Juro que n�o fiz nada disso.

N�o roubou a chave para entrar aqui?

Pulei a porta de Sowerby, como sempre fa�o!

Por que veio aqui hoje?

Vou fugir. Vim aqui pensar. Normalmente, � bem tranquilo.

- Voc� n�o pode fugir. - Por que n�o?

Olhe para ela.

Lizzie, mesmo que voc� salve sua roseira, e at� o jardim...

que diferen�a isso vai fazer? Vai trazer sua fam�lia de volta...

ou a minha?

- Ajude-me a salvar o jardim. - Como, ainda que eu quisesse?

Ter um amigo em quem eu pudesse confiar j� ajudaria.

- Ouviu isso? - O qu�?

A m�sica.

Olhe!

Eles querem que eu plante a roseira de mam�e aqui.

- "Eles"? - Os animais e p�ssaros do jardim.

- Lizzie, o que est� acontecendo? - Eu aceitei a chave.

N�o acreditei no jardim quando isso era mais importante.

Agora acredito. Ele vai salvar a roseira da minha m�e.

S� est� se sujeitando a ficar de cora��o partido de novo.

O cora��o do jardim est� partido. Esse � o problema.

- O que parte o cora��o de um jardim? - � isso o que precisamos descobrir.

A�, talvez consigamos cur�-lo.

Mas preciso ter a chave. N�o posso fazer nada sem a chave.

O Dr. Snodgrass escreve romances policiais usando um pseud�nimo.

Ele entende muito de investiga��es.

Olhe! � a raposa de novo.

Extraordin�rio.

Ela quer nos desejar boa sorte.

Eu trouxe seu ch�, Will.

N�o tomei ch� nenhum dia esta semana. Tenho trabalho demais.

Exatamente.

J� que voc� n�o vai ao ch�, o ch� vem at� voc�.

Isto � muito bom.

Eu adoro ficar aqui perto do lago. � t�o rom�ntico.

Est� animada como uma cotovia hoje.

Como uma cotovia? Como um rouxinol, talvez.

Do que est� falando, Martha?

� que me sinto muito melhor do que nos �ltimos dias.

� como se uma nuvem escura tivesse ido embora.

Tudo m�rito daquela menina ianque vinda do outro lado do oceano.

Ela vai fazer bem ao jardim, Will.

Espero que sim.

- O ch� est� bom. - Fiz especialmente para voc�.

- Isso me faz pensar. - � mesmo?

- Desde quando voc� trabalha aqui? - Como se voc� n�o soubesse.

N�s dois passamos a inf�ncia aqui.

Nem lembro quando as brincadeiras viraram trabalho.

Metade da nossa vida.

Mas ainda teremos a outra metade, se Deus quiser.

A metade melhor, segundo alguns.

Quando a pessoa a torna melhor, com certeza.

E como a pessoa pode fazer isso, na sua opini�o?

A pessoa pode.

Ou duas pessoas podem.

- O que est� tentando dizer? - Eu me sinto livre.

Livre para ir embora de Misselthwaite se eu quiser.

H� um mundo inteiro fora daquele port�o, Will.

- Ent�o, voc� vai embora? - De uma forma ou de outra.

Todos vamos embora, de uma forma ou de outra, um dia.

E voc�, Will? O que o manteve aqui por tantos anos?

Voc�.

Casar comigo e ir morar numa casinha que penso em comprar...

a 2O km da estrada principal...

isso poderia ser chamado de ir embora de Misselthwaite?

� o que eu mais quero no mundo.

A aula acabou. Obrigado.

- Dr. Snodgrass? - O que foi, Srta. Buscana?

� verdade que escreve hist�rias policiais usando um nome falso?

- Por que quer saber? - Escreve ou n�o escreve?

N�o � verdade.

Escrevo hist�rias de mist�rio da Roma antiga, da �poca de Cl�udio...

e n�o hist�rias policiais. Assino com meu nome em latim.

Poderia me ajudar a resolver um mist�rio, por favor?

- Que tipo de mist�rio? - Algu�m pegou a chave do jardim.

- Preciso dela para salvar o jardim. - Entendo.

Mas por que precisa dela para salvar o jardim?

Porque � m�gica. N�o posso fazer nada sem ela.

Quando enfrentavam um mist�rio humano que precisava de solu��o...

os cidad�os de Roma se perguntavam: "Qui bono?"

- Sabe o que isso significa? - N�o.

- "Quem se beneficia?" - Quem se beneficia?

Quem se beneficia quando a chave � roubada de voc�?

Quem voc� acha que se "bonou" roubando a chave?

N�o consigo pensar em ningu�m.

A pessoa n�o iria querer us�-la, pois seria flagrada.

Ent�o, s� pode ter feito isso para que eu n�o a tivesse.

- Ser� que...? - O qu�?

- N�o, � absurdo. - O qu�? O qu�?

Sabe quem eu acho que se "bonou"?

- Geraldine. - Geraldine? Ela � minha amiga!

Ser�?

- Tudo bem, desembuche. - � que achei meio estranho.

Ela fez voc� roubar a chave, negar, e voc� quase foi mandada embora.

E talvez Sowerby mande voc� embora por ter perdido a chave.

Mas... n�o entendo. Como ela pode me odiar tanto, e n�o demonstrar?

Ela quer ser atriz, n�o? Talvez seja mais talentosa do que imaginamos.

- Quem �? - Lizzie. Posso entrar?

Entre.

Est� ocupada?

S� estou lendo minhas revistas. Lament�vel. A �ltima tem 9 meses.

Veja. Bette Davis. Ela n�o � linda?

E uma atriz maravilhosa. Adoro as personagens dela.

- Voc� pegou a chave do jardim? - O qu�? A chave foi roubada?

Pare com isso, Geraldine! Voc� n�o engana ningu�m!

- Devolva, ou encho voc� de pancada! - Eu n�o peguei, juro!

- S�rio! Vou salvar o jardim com ela! - Estou dizendo a verdade.

- Convenceu Stephen a roub�-la, n�o? - N�o sei do que est� falando.

Preciso da chave, Stephen!

Ela precisa ficar comigo! O jardim morrer� se voc� n�o a devolver!

E a roseira da minha m�e tamb�m! Devolva!

Joguei no lago.

- O qu�? - Acabei de jogar.

- Por qu�? - N�o sei.

- Satisfeita? Era o que voc� queria? - Eu n�o sabia que ele faria isso.

Como pode me odiar tanto? O que foi que eu fiz?

N�o odeio voc�. Quero ser sua melhor amiga, � s�rio.

� um jeito estranho de demonstrar isso.

Sua amiga, mas nos EUA. Eu ia fugir e encontrar voc� l�...

mas, antes disso, voc� precisava estar nos EUA, certo?

N�o pode obrigar as pessoas a fazerem o que voc� quer.

Na verdade, eu posso. Sempre consegui...

mesmo antes que meus pais... Estraguei tudo, como sempre.

N�o queria que voc� me odiasse. N�o mesmo.

Nem eu, na verdade. N�o sei por que fiz isso. Sinto muito, Lizzie.

Eu tamb�m. Sinceramente. Sei que n�o vai acreditar, mas � verdade.

Eu s� queria ser sua amiga.

Tudo bem. Esque�am isso.

Mas chega disso, est� bem?

- E agora? - Agora, nada.

Ele jogou no lago?

Estou com vontade de jog�-lo no lago. E Geraldine tamb�m. Os dois.

- Quero voltar para casa. - O qu�?

Bobagem. Voc� adora Misselthwaite. Sei que adora.

Estraguei tudo! Meu lugar n�o � aqui.

�, sim. Seu destino era vir para c�.

- Voc� precisa acreditar em si mesma. - Sou a guardi� da chave e a perdi!

A chave � s� uma chave, n�o importa!

O que importa � o que est� no seu cora��o.

N�o sei o que fazer.

Bem, hoje recebi um telegrama de lady Mary.

- Ela chega amanh� em uma licensa especial. - � mesmo?

- Talvez ela v� saber o que fazer. - Vai saber, sim. Tenho certeza.

- Est� terminando? - Sim, Srta. Sowerby.

Espero que esteja satisfat�rio.

- Sente-se, Geraldine. - Sim, Srta. Sowerby.

- Voc� � mentirosa, n�o, Geraldine? - Sim, Srta. Sowerby.

- Acha que aprendeu a li��o? - Sim. Sim.

- Acha que vai mentir de novo? - N�o. Nunca mais, prometo.

E isso � mentira, n�o?

N�o �?

Estou t�o envergonhada.

- A senhora deve me desprezar. - N�o, n�o, menina.

Fez mais mal a si mesma do que aos outros com suas mentiras.

O mentiroso vive num inferno que ele pr�prio cria.

Ningu�m acredita nele, mesmo quando acha que est� sendo sincero.

E ele acha que todos contam mentiras, exatamente como ele.

Nunca vai ter certeza do que realmente � verdade...

e esse castigo � pior do que limpar refeit�rios.

E n�o vai parar enquanto as mentiras n�o acabarem, entendeu?

- Acho que sim. - Vai entender quando refletir...

e, enquanto isso, pode limpar o refeit�rio a semana toda.

� uma boa oportunidade para reflex�o.

Ol�.

- O que est� fazendo? - Tentando achar a porta antiga...

mas n�o consigo. Martha est� enganada. Preciso da chave.

Talvez a �poca do jardim tenha acabado. J� pensou nisso?

- Nada dura para sempre. - N�o. Sei que isso n�o � verdade.

O jardim secreto pode durar para sempre se quisermos.

Voc� acredita nisso, mas n�o tem certeza. Ningu�m pode ter.

Eu tenho.

Que provas...?

- Ouviu isso? - N�o estou ouvindo nada.

- � o rouxinol de peito vermelho. - N�o, s�o as crian�as brincando.

Venha.

Venha!

- N�o pergunte por que, venha. - Garotas, vamos, de p�!

- Sigam-me! - O que est� acontecendo?

Vamos, mexam-se!

- Vamos, sigam Lizzie! - Venham!

Vamos achar a porta!

N�o. Esta n�o � a porta certa.

Vamos dar a volta de novo!

Ol�, rouxinol! Ol�, raposa! Ol�, jardim secreto!

Viemos brincar! Onde est�o voc�s?

Voc� mentiu. N�o jogou a chave no lago.

Joguei, sim. N�o sou mentiroso.

Eu sou a guardi� da chave e digo: Brinquem!

Era isto que partia o cora��o do jardim.

As crian�as estavam proibidas de brincar aqui.

- Lizzie! - Ol�, lady Mary. � bom rev�-la.

O prazer � todo meu. Este � meu marido, sir Colin.

- Ol�. - Ol� pra voc�.

O jardim parece milagrosamente recuperado.

N�o posso explicar isso, lady Mary.

Deus � testemunha: Quando Will e eu sa�mos, hoje de manh�...

ele estava como o descrevi na minha �ltima carta.

- N�o estava, Will? - N�o � mentira, lady Mary.

Eu j� considerava o jardim morto.

Talvez Lizzie possa explicar.

Deixei as crian�as entrarem, mesmo sendo contra as regras.

Senti que precisava fazer isso.

Acho que agora entendo, Lizzie.

Talvez eu esteja errada. Este � mesmo um jardim para crian�as?

N�o �?

Acho que eu tinha me esquecido.

Por favor, venha.

Disse que a chave n�o importava, que eu tinha de acreditar em mim mesma.

A senhora tinha raz�o.

Quero que fique com minha primeira rosa.

N�o posso. Essa honra � de lady Mary.

A rosa � sua, Martha.

Que seja a primeira de muitas. Obrigada, Lizzie.

- Aqui est� a chave, lady Mary. - Ela n�o me pertence mais.

Agora � sua, Lizzie.

Acho que vou deix�-la na porta, para que todos a usem.

LEGENDAS VIDEOLAR Revis�o e Resync Randy03

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