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PROMO��O! ROSAS DOIS BUQU�S POR 70 COROAS.
N�o, n�o, n�o. A fila come�a atr�s de mim.
Tudo bem.
S�o 50 coroas.
N�o. S�o 35 coroas.
A promo��o s� � v�lida se comprar dois buqu�s.
Mocinha, s� preciso de um buqu�.
Metade de 70 continua sendo 35.
Um buqu� custa 50 coroas.
Dois buqu�s custam 70 coroas.
N�o faz sentido.
� um absurdo.
Vou fazer uma reclama��o no PROCON.
O gerente est�?
N�o, ela foi almo�ar.
Almo�ar?
Talvez aprender a contar seja algo melhor a fazer.
Dois pre�os pela mesma coisa?
� um absurdo.
Mas quero que saiba...
N�o trarei dois buqu�s sempre.
Sinto sua falta.
UM HOMEM CHAMADO OVE
� EXPRESSAMENTE PROIBIDO ESTACIONAR BICICLETAS
Incompetentes!
METAIS
MANTENHA O PORT�O FECHADO!
O c�o precisa parar de urinar aqui.
N�o ou�a o velho malvado, Prince.
Anders! Voc� viu? O velho tentou matar o Prince.
- O que fez com o c�o? - N�o � um c�o.
Parece mais uma bota de inverno com olhos.
- Animais n�o s�o permitidos. - N�o banque a pol�cia.
N�o pode falar com ele, Anders? Voc� � presidente da associa��o.
- Acabei de conversar. - N�o conversou direito.
Bom dia.
Tudo bem?
Est� tagarela hoje?
Ove!
Podemos conversar com voc�?
No escrit�rio.
Vai ser promovido.
- Tudo bem? - Sim.
H� quanto tempo trabalha aqui, Ove?
H� 43 anos.
- Merda! - Merda!
- Assumiu o trabalho do seu pai? - Sim.
Temos uma sugest�o para voc�.
Voc� tem apenas 59 anos de idade.
Pode querer fazer outra coisa na vida.
Querem sugerir o que para quem est� h� 43 anos no mesmo lugar?
Bom...
- Querem me demitir? - N�o � bem isso.
Mas � quase isso.
Queremos lhe oferecer um programa.
Um programa de educa��o bancado pelo governo.
� um passo adiante.
A tecnologia digital est� tomando conta.
Ent�o, tenho uma sugest�o.
N�o seria mais f�cil eu me levantar e ir embora?
- �timo. - Bom...
Ent�o estamos de acordo.
Espere um pouco, Ove. Temos um presente de despedida.
Uma p� de jardim.
Deve mudar sua conta de telefone para onde voc� for.
- N�o h� telefones l�. - Est� brincando?
Venha com calma. Venha.
Cuidado. Oi! Oi!
Venha!
Pare!
- Droga! - Que merda � essa?
Acelere um pouco. Patrick!
- O que est� fazendo? - Um pouco mais.
- Voc� � louco. - � proibido dirigir aqui.
N�o consegue ler as placas em sueco?
Voc� � cego? Estamos passando.
Prazer em conhec�-lo. Sou Patrick.
Voc� pensa como o Mickey Mouse, mas se der marcha � r�...
Vire na outra dire��o e olhe nos espelhos!
- O que ela est� dizendo? - N�o sei. � em persa.
N�o � lindo?
N�o.
N�o. Oi! N�o!
- N�o, n�o! - Bati em algo?
- Saia, agora! - Est� bem.
Fique em algum lugar fora do caminho.
- Saiba que... - Obrigado.
Sei dirigir um carro.
- O que � agora? - � o sensor da c�mera de r�.
C�mera? Que merda de cam...?
- Oi. - Ol�.
Mam�e!
C�meras de r�?
Nem deve saber como rebobinar uma fita cassete.
- Petter! - Idiotas.
Droga, n�o consigo encontrar meu casaco.
Petter!
- Petter! - Sim.
- Venha! Petter! - O que voc� quer?
� EXPRESSAMENTE PROIBIDO ESTACIONAR!
Suma!
Voc� pegou minha bicicleta. Posso pegar de volta?
- N�o � uma bicicleta de mulher? - � da minha namorada.
- E onde ela mora? - No n�mero 142.
Os comunistas que introduziram a separa��o de res�duos?
Ela mesma pode buscar.
- Mas � que... - Deixe, deixe.
- Ele n�o pode tom�-la assim. - Ele � muito estranho.
Oi, Ove.
Est� tudo bem?
Por que todos perguntam isso? Por que n�o estaria bem?
Voc� n�o foi trabalhar.
N�o � domingo e voc� nunca fica doente.
Quer alguma coisa? Ou s� quer falar da vida?
Est� indo almo�ar?
Idiota!
Disc�pulos de Satan�s!
� proibido dirigir aqui!
- Disse alguma coisa? - Disse.
� proibido dirigir aqui.
� mesmo? Mas n�o tenho autoriza��o.
- Tem autoriza��o uma ova. - Tchau.
- Vamos! - Deem o fora!
Algum problema?
H� um estacionamento para visitantes.
Por isso decidimos constru�-lo.
Eles s�o do munic�pio.
Querem levar Rune para uma casa de repouso.
Est� muito frio em casa. Pode verificar o aquecedor?
N�o. D� outro cobertor a ele.
Desculpe n�o ter vindo ontem como eu pretendia.
N�o pude vir.
Est� um verdadeiro circo em casa.
H� novos vizinhos na casa da frente.
Voc� ficaria chocada com as pessoas hoje em dia.
N�o conseguem fazer nada direito.
N�o conseguem manobrar um carro, nem trocar um pneu.
Se voc� pergunta algo simples, perguntam se voc� vai almo�ar.
Imagine.
Logo teremos um pa�s onde todos est�o ocupados comendo.
Voc� tem sorte de n�o fazer parte disso.
Um "camisa branca" apareceu no condom�nio.
Um completo disc�pulo de Satan�s.
N�o h� nenhuma ordem em casa sem voc�.
Se eu me apressar, podemos nos ver hoje.
Sinto sua falta.
Mas que diabos?
Sim? O que est� havendo?
- Trouxemos arroz com frango. - Est�o vendendo arroz?
� apenas um pouco de comida para agradecer sua ajuda.
Comida persa com a�afr�o. � deliciosa.
Parvaneh � �tima na cozinha. E eu sou �timo em...
J� devolvemos a carretinha. Vi o bilhete.
Tem toda a raz�o, a culpa � nossa.
- Achamos que estaria com fome. - N�o, n�o estou.
- Ent�o vamos jogar fora. - N�o, n�o jogue a comida fora.
Disseram que voc� tem uma escada.
Claro que tenho uma escada.
Todos devem ter escada aqui. Est� no estatuto.
Se � que sabem sobre ele.
Ent�o, talvez voc� possa...
emprest�-la?
Parece mais seguro quando tem sempre algu�m em casa.
Aqui est�o os estabilizadores.
E o manual de instru��es.
Ent�o...
- Droga! - Voc� tem chave "gonal"?
- Hexagonal. - Hexagonal.
N�o, � chave "gonal".
N�o existe chave "gonal". � hexagonal porque tem 6 lados.
Procure no Google.
Ove?
Pode dar uma olhada no aquecedor agora?
- E se eu pedir gentilmente? - Tente drenar os elementos.
- Pode ajudar? - Oi.
Meu nome � Parvaneh. Meu marido, Patrick.
� um prazer conhecer os vizinhos.
- Aqui � um belo lugar. - Sim, � um belo lugar.
- � um para�so para as crian�as. - Sim, verdade.
Meu Deus!
Ser� que ningu�m mais tem um trabalho?
N�o vai escoar os elementos dela?
Drenar!
N�o � escoar, � drenar.
Rune poderia ter perguntado do aquecedor antes de dar o golpe.
- N�o houve golpe, Ove. - Foi exatamente um golpe!
N�o vai levar os estabilizadores?
Sim, vou.
Ove foi presidente da associa��o, depois elegeram meu marido.
Parvaneh!
D� uma olhada. S�o excelentes.
N�o leve. Eram da Sonja.
- Era onde ela... - Agora, calem a boca!
Sil�ncio! J� chega!
Fora daqui, todos voc�s! V�o para casa!
Fora daqui!
Um para�so, certo?
Ove?
Ove?
Pode vir aqui dar uma olhada em algo?
Sim. Tenho que ir?
Ove?
- A estante ficou �tima. - � mesmo?
Quantos livros voc� tem mesmo?
Estes aqui, os das caixas na cozinha
e aqueles na despensa.
Vou construir outra estante.
Dizem que o c�rebro funciona mais r�pido
quando voc� est� morrendo.
Como se o mundo exterior se movesse em c�mera lenta.
Tive tempo para pensar bastante.
Principalmente sobre os elementos, na verdade.
E em minha m�e. Ela morreu muito jovem.
Meu pai n�o era daqueles que demonstravam sofrimento.
Obrigado por vir.
Eu tamb�m n�o.
A vida � assim.
Uma coisa � certa.
O que fazemos nesta vida n�o viveremos depois dela.
Vamos, Ove. Vamos para casa.
Meu pai n�o falava muito.
Ele se importava mais com a casa.
E carros.
Talvez era porque eles tamb�m n�o falavam muito.
Carros podem lhe dar liberdade.
Mas se trat�-los mal,
eles a tiram de voc� imediatamente.
Naquela noite ele falou.
- Ove? - Sim.
Quero que voc� saiba como tudo est� conectado.
As coisas ao nosso redor.
- Este � um Saab 92. - Sim.
Para que servem as velas de igni��o?
Para manter o carro funcionando.
Exatamente.
Isso, Ove...
Isso � vida!
Nunca existir� um carro melhor do que o Saab.
Mas na maior parte do tempo ele n�o falava nada.
Depois da escola, ia para o trabalho do meu pai.
- Oi, papai! - Oi, Ove!
Ele dizia que era mais seguro assim.
- Saia dos trilhos, Ove! - O qu�?
Saia dos trilhos!
- Ove! - O que est� dizendo?
Atr�s de voc�!
Deve ter sido a primeira vez que meu pai me abra�ou.
Por algum motivo, pensei em minha m�e.
Precisa ter mais cuidado.
Ele tamb�m deve ter pensado nela.
Ent�o tive a chance de ter mais aten��o.
Est� tudo bem agora, Ove. J� pode soltar o papai.
Todo mundo dizia que ele era muito bom.
Como algu�m pode ser muito bom?
Conheci os �timos colegas do meu pai.
Pare!
Tom era um deles.
- Devolva. - N�o, eu encontrei.
Voc� vai levar uma surra.
�s vezes, voc� n�o sabe se o que faz � o certo.
� uma sensa��o que voc� tem.
Seu pirralho de merda.
�s vezes, os sentimentos, de forma estranha,
podem estar relacionados diretamente � dor.
Ficamos com o que encontramos. Sempre foi assim.
- Sempre. - Ove?
Ove?
Fa�a o que quiser com a carteira.
Voc� a encontrou.
- Encontrei no trem. - Muito obrigada.
ACHADOS E PERDIDOS
Por que n�o quis contar sobre o Tom?
N�o falamos sobre o que os outros fazem.
Pensei em ficar com a carteira.
Sim, eu sei.
Mas no final, voc� decidiu devolv�-la.
- Sim. - � melhor ser honesto, Ove.
Mas, �s vezes,
� preciso de um pouco de ajuda para ser honesto.
- Entendeu? - Sim, muito bem.
- Mesmo? - Entendi.
Venha, vamos para casa.
O que � isto?
Ent�o, chegou o dia em que finalmente
vivenciei a grande liberdade.
Oi, papai.
Oi, Ove.
Como foi?
Veja voc� mesmo.
Muito bem. J� viu?
Pessoal?
J� viram as notas do Ove?
Ele ser� o nosso pr�ximo supervisor.
- O qu�? - Cincos e quatros.
Incr�vel.
Que...
Chame o supervisor, pelo amor de Deus!
Papai!
Que diabos?
Que lixo de corda voc�s vendem?
Voc� disse que era universal. "Servem para tudo".
Voc� a utilizou para qu�?
Idiota.
N�o � mais poss�vel comprar uma boa corda.
Os novos vizinhos continuam fazendo bagun�a.
Comem arroz com a�afr�o.
O que h� de errado com carne e batatas?
N�o � preciso colocar coisas diferentes na comida.
Esta deve ser a primeira vez que precisa esperar por mim.
- O que est� fazendo? - Ela arranhou o Prince.
Se jogar mais uma pedra, farei um tapete com seu pug.
� um chihuahua.
Aquela gata deve ter raiva e peste.
Sim, claro. Voc� tamb�m deve ter.
Mas n�o jogamos pedras em voc�.
Ainda acha que pode fazer o que quiser?
Velho maldito. Vou contar ao Anders.
Fique � vontade, conte a ele.
Se conseguir que algu�m que dirija um Audi compreenda.
Quatro zeros na grelha e um quinto zero ao volante.
Se esse c�o urinar por aqui de novo,
vou acabar com ele!
Idiota!
Serve para voc� tamb�m.
Suma! � uma propriedade privada.
Em 27 de agosto, emprestei-lhes minha mangueira de jardim.
- Preciso dela agora. - Agora?
Vai regar em mar�o?
Cuide do seu jardim, que eu cuido do meu.
Por que n�o d� uma olhada no aquecedor j� que est� aqui?
Obrigada. � muito gentil.
Estou cozinhando. Quer comer?
Obrigado, j� comi.
Est� bem. Vou pegar a mangueira.
Rune?
Rune?
S� para voc� saber,
as pessoas fazem o querem no condom�nio.
Tudo o que voc� e eu constru�mos ir� por �gua abaixo.
E que se dane tudo, n�o me importo.
N�o dou a m�nima.
Estou pensando em ir embora, para sempre.
Vou me encontrar com Sonja.
Pensei que voc� ficaria feliz em saber.
N�o pode fazer nada a respeito.
Apenas fique a� sentado e assista a tudo...
A comida est� quase pronta.
Obrigada pelo empr�stimo. Foi muito gentil da sua parte.
- N�o quer comer um pouco? - N�o.
Jimmy vai comer tamb�m.
Charuto de repolho, Ove. � delicioso.
Rune iria gostar.
Ele n�o escuta, nem entende nada.
Rune entende muito mais do que as pessoas imaginam.
� como se ele soubesse exatamente o que pensamos.
Certo, preciso ir.
Solte a mangueira.
Solte a mangueira!
Oi, Ove!
Estamos tentando abrir a janela.
Do lado de fora? Boa sorte!
Est� segurando a escada, certo?
- Deveria segurar a escada. - Sim, claro.
- Aonde vai? - Deus do C�u!
OBRIGADO. ESTAVA DELICIOSO. OVE.
Pelo menos d� para contar com um Saab.
O diretor vai receber voc� agora.
Foi uma trag�dia.
Se pudermos fazer algo, ficaremos felizes em faz�-lo.
� s� me avisar. Foram �timas notas.
S�o seus.
� metade do sal�rio do meu pai.
Ele sempre recebia adiantado.
N�o podemos aceitar o dinheiro de volta.
Certo � certo.
Talvez possamos encontrar outra solu��o.
Eu sabia fazer o trabalho do meu pai
e conhecia todos os colegas dele.
O que far� agora que seu pai est� no C�u?
N�o, isso n�o. Isso n�o!
Isso n�o!
Chega um momento em que voc� decide
quem quer ser.
Agora estamos quites pela carteira, seu merdinha.
O momento havia chegado para mim.
O rel�gio � meu!
Voc� � Ove Lindahl?
Sou.
- Est�vamos procurando voc�. - � mesmo?
Vamos dar uma olhada em sua casa.
H� um novo plano de zoneamento para a regi�o.
Sua casa n�o � adequada para os planos futuros de constru��o.
N�o, Stig. Tudo deve ser demolido.
Pode morar aqui at� que a demoli��o seja conclu�da.
Foi a primeira vez que os vi, mas n�o a �ltima.
Nunca disseram como se chamavam, apenas de onde eram.
Os homens de camisas brancas.
Eles sempre conseguiam o que queriam.
Ove? Pausa para o caf�.
Enfim, terminaram.
E acho que tinha ficado bom.
N�o para os homens de camisas brancas.
Oi.
Dizem que o destino � resultado de nossa pr�pria estupidez.
� poss�vel dizer que o que mudou meu destino
foi o resultado da estupidez dos meus vizinhos.
Ainda h� algu�m na casa?
- H� algu�m na casa? - Socorro!
Ol�?
Socorro!
- Saia da�! - Socorro!
- Desconecte a mangueira! - Vou entrar!
Tentei argumentar com os bombeiros.
Mas, ent�o, ele apareceu de novo.
Desligue a �gua.
Desligue a �gua! Tudo ser� demolido mesmo.
Deixe queimar!
"Camisa branca".
H� quanto tempo estamos viajando?
H� cerca de uma hora.
- Por qu�? - Satan�s!
Eu poderia ter acordado voc� se soubesse que queria descer.
Mas voc� estava dormindo t�o bem.
Acordou tarde?
N�o. Tudo bem.
As passagens, por favor.
Muito obrigada.
- N�o tenho passagem. - Ent�o compre uma.
- Desculpe, n�o tenho dinheiro. - Eu tenho.
Certo?
Vou devolver o dinheiro.
N�o precisa.
Estou lendo "O Mestre e Margarida".
- Conhece? - N�o.
H� um gato no livro numa situa��o parecida.
J� leu alguma coisa de Mikhail Bulgakov?
- N�o, n�o li nada seu. - Dele.
- Certo. - Estudo para ser professora.
Vou descer aqui.
Espere! Esqueceu isto.
Depois daquele dia, eu me levantava toda manh�
e pegava o trem das 7h30.
Mas ela desapareceu completamente.
Estava prestes a desistir ap�s tr�s semanas.
- Oi. - Oi.
Costuma pegar este trem?
Sim.
Eu...
Estou no ex�rcito.
No... regimento.
Bom,
achei que devia devolver o seu dinheiro.
N�o seria melhor me convidar para jantar?
Jantar? Claro.
Mas n�o tenho um lugar onde eu possa preparar o jantar.
Eu quis dizer num restaurante.
Est� bem.
- Costuma ir a restaurantes? - Sim.
- Ent�o est� combinado. - Com certeza.
- Ol�! - Oi!
- Est� 15 minutos atrasada. - Sim, estou.
Ent�o...
Sabe algo sobre carros?
- Carros? - Sim.
Talvez seja um pouco interessante saber
como eles funcionam.
- N�o � simples como se pensa. - N�o.
Imagine um carro.
Um Saab 93, por exemplo.
Ele precisa de uma fonte de energia, um motor.
O Saab utiliza motor a pist�o.
Os pist�es acionam o virabrequim.
O bom do Saab � que ele tem tra��o dianteira.
Por isso n�o precisa de eixo de transmiss�o.
Meu pai tamb�m adora carros.
- Quase n�o comeu. - Comi em casa.
Por que comeu em casa?
Assim, voc� poderia pedir o que quisesse.
Menti para voc�.
N�o estou no ex�rcito.
Limpo trens.
Minha casa foi incendiada.
E agora, vou embora.
Obrigado, foi �timo.
Ela me perguntou o que me interessava.
Respondi: "casa".
Foi a �nica coisa em que pensei.
Depois ela me contou sobre um curso.
Dois anos depois, eu me formei em engenharia.
- Parab�ns! - Obrigado.
Que lindas!
- Gostou? - S�o lindas mesmo.
Bom, vamos ver o que diz em seu diploma.
- "Ove Lind..." - Quer se casar comigo?
Pensei que, talvez, voc� gostaria de...
Fale com calma e clareza.
Quer se casar comigo?
- Sim! - Quer?
Sim, eu quero!
J� vai!
Que...?
Que diabos? Droga! Merda!
- O que est� fazendo aqui? - O que voc� est� fazendo?
Precisa me levar ao hospital agora.
- Por um sangramento no nariz? - Patrick caiu da escada.
Bem que ele poderia ter ca�do de bunda.
Voc� mesma pode ir.
Pegue a maquininha de costura japonesa em que voc�s vieram.
N�o tenho carteira de motorista!
- Quantos anos voc� tem? - 30.
Tem 30 anos e n�o tem carteira de motorista?
Patrick foi de ambul�ncia e pode morrer.
Mas posso pegar o �nibus. Obrigada!
- Tudo bem, eu levo. - �timo. Foi t�o dif�cil?
- Aonde vai? - Vou buscar as crian�as.
Que cheiro horr�vel!
Mam�e, n�o consigo respirar.
- Ent�o abaixem os vidros. - N�o, n�o abaixem.
Subam! Subam os vidros.
- Parem! - Pode ir mais r�pido?
Vamos, Ove. N�o devem multar em frente a um hospital.
Vai demorar apenas uns 15 minutos.
Ele est� em observa��o.
Vou v�-lo e depois nos encontramos aqui, certo?
Espere um pouco.
- E as crian�as? - Ficam com voc�.
Voc�s v�o ficar com Ove, est� bem?
- Livro. - Sim, estou vendo.
- Livro. - Ela quer que voc� leia.
"O sr. Brum come�a a fazer o que faz toda ter�a-feira."
"Quando voc� crescer, ser� maquinista, disse Guld-Ivar."
- O livro n�o � t�o divertido. - N�o, tamb�m acho que n�o.
Voc� precisa contar a hist�ria como se fosse um urso falando.
- N�o existe urso que fala. - Esse fala.
"J� fui maquinista por muito tempo,
- disse o sr. Brum." - Assim mesmo, �timo!
"O sr. Brum aperta um bot�o vermelho."
- "Centenas de abelhas..." - Oi, crian�as!
- Olha, um palha�o! - O Palha�o Beppo chegou!
Oi!
Querem ver um truque de m�gica?
Eu estava lendo uma hist�ria para as crian�as.
"Ele estava lendo uma hist�ria para as crian�as."
Mas agora estou aqui.
Tem uma moeda de cinco coroas?
Preciso de cinco coroas para fazer meu truque.
D� uma moeda de cinco coroas a ele.
Obrigado. Agora vai come�ar o show!
Sepideh! Pare j� com isso!
Onde est� o Ove?
Pode me dizer onde voc� mora?
- Como p�de abandon�-las? - N�o as abandonei.
Estes caras sem talento,
fantasiados de policiais me obrigaram a sair.
Acreditamos que seu pai � um risco � seguran�a.
Eu s� queria minha moeda de cinco coroas de volta!
Agora o Palha�o Beppo se despede de voc�s.
Obrigado.
- Espere um pouco! - O qu�?
N�o � a moeda de cinco coroas que eu lhe dei.
- Coitadinho! - Quero a moeda de cinco coroas.
Voc� � retardado?
O que est� fazendo a�?
N�o foi minha culpa. Ele tinha sapatos grandes.
Nem � engra�ado. E � pouco pr�tico.
Que droga! � um absurdo!
Pois �. O que eu te disse?
Eu pago, a culpa � minha.
� o meu carro.
Tchau, Ove.
- Tchau, Ove! - Tchau, Ove!
Intercity 3214 est� chegando na terceira linha.
Ajudem, droga!
Est� louco? D�-me sua m�o.
D�-me sua m�o agora!
Vamos, droga! Voc� � est�pido?
Papai!
O que h� com voc�? Quer morrer?
- Voc� salvou sua vida. - Dele...
"Salvou a vida dele".
Idiota.
Ove!
Nasanin fez um desenho para voc�.
Espere a�.
Aqui. Nasanin fez um desenho para voc�.
Voc� � o colorido. Ela sempre o desenha colorido.
- O que vai fazer? - Tenho uma boa ideia.
Voc� me ensina a dirigir.
Patrick n�o pode e voc� � muito melhor.
- N�o, n�o tenho tempo. - Pago a gasolina.
N�o � uma boa ideia?
O que foi isso?
Meus Deus, coitadinha!
Pronto.
- Abra a porta. - Ela n�o � minha.
Abra j� a porta!
Deus, est� congelando aqui. Pegue um cobertor.
- Por qu�? - Depressa.
Agora!
Oi, cara.
Eu estava l� fora e ouvi algu�m gritar.
Conhe�o um modo mais r�pido. Espere.
Dizem que os gordos s�o usinas de calor.
- Vou pegar algo para limp�-la. - Na cozinha, n�o!
O que � isto?
- T�o baixo. - Era para Sonja.
- Minha esposa. - Onde ela est�?
Ela est�... morta.
Ela era uma cozinheira de m�o cheia.
Eu sempre comia aqui. N�o �, Ove?
Acho que a gata j� est� um pouco melhor.
- Quem vai ficar com ela? - Minhas filhas s�o al�rgicas.
Droga, eu me esqueci. Tamb�m sou al�rgico.
N�o � t�o f�cil se matar como se imagina.
A gata est� comigo agora.
Tenho que me livrar dela.
Mas eu volto depois. Prometo, Sonja.
Ela j� estava assim. N�o pense que fiz algo.
A gente se encontra em breve.
Achei que gostava de crian�as.
� claro que eu gosto.
Mas n�o sei se eu seria um bom pai.
Ove, voc� seria o melhor pai que nossos filhos poderiam ter.
Eu te garanto.
Idiota!
Desculpe, Ove! Bati em voc�?
Anders est� me ensinando a dirigir.
Oi, Ove.
E quando esse almofadinha aprendeu a dirigir?
Voc� n�o quis me ensinar.
� melhor colocar o cinto de seguran�a.
- Sim, claro. - Agora, deixe-me...
- Desculpe. - Tchau!
Cuidado.
- N�o acertem a perna do papai. - Ela me empurrou.
Eu sei.
O que houve?
PATRICK E PARVANEH
- Cuido dela se abrir a porta. - Sente-se aqui.
Voc� tem alguma placa verde?
A lei exige que coloque atr�s quando estiver praticando.
Um idiota n�o pode aprender a dirigir com outro idiota.
Legal, obrigada!
Ol�, Ove. Tudo bem?
Aprenda a ler os manuais de instru��o.
Oi!
Que clima ador�vel para praticar dire��o!
Alguns doces persas.
Cozinho quase t�o bem quanto dirijo.
Sente-se.
Pare. O sinal est� vermelho.
Sou t�o in�til.
Agora est� verde. Pode avan�ar.
N�o se esque�a da embreagem...
- Ele est� me estressando! - Cuidado...
Ligue de novo. Solte a chave.
Solte a chave.
Solte a embreagem e pise no acelerador.
- � o que estou fazendo! - Solte a embreagem...
N�o consigo fazer isso!
N�o, seu desgra�ado!
Nunca foi um aprendiz? N�o viu a placa?
- Calma, velhinho. - "Velhinho"!
N�o sou "velhinho" para voc�, seu desgra�ado de merda!
Sou um "homem grande"!
Buzine mais uma vez e ser� a ultima coisa que far�.
Entendeu?
Agora me escute bem.
J� deu � luz duas crian�as e a terceira est� chegando.
Voc� veio do Ir� para c�, fugiu da guerra e tudo mais.
Aprendeu sueco, estudou e conseguiu se sustentar.
E � casada com um incompetente.
Certamente tamb�m consegue aprender a dirigir.
N�o estamos falando de fazer uma cirurgia no c�rebro.
Ent�o, ligue o carro, e dirija.
Idiota.
�timo.
N�o, n�o, n�o. Eu j� pedi.
Est� bem.
N�o, n�o, n�o. Por aqui.
Esta era a padaria favorita da Sonja.
Todos os s�bados, �s 13h, n�s nos sent�vamos aqui.
- Exatamente nesta mesa. - E comiam mil-folhas?
- Como sabe? - Hoje � s�bado e s�o 13h.
O que faziam depois daqui?
�s 14h �amos para casa.
Sonja costumava ler algum livro.
Rune e eu lav�vamos os carros. Lavagem � m�o como deve ser.
Sem usar m�quinas, pois danificam a pintura.
Rune?
Mesmo?
- Voc�s nem se falam. - Na �poca, n�s nos fal�vamos.
Na verdade, �ramos muito parecidos.
Pare! Eu disse para parar!
- Rune. - Ove.
Trabalhamos bem juntos de cara.
Vou pegar um atalho pelo campo.
Pare!
- N�o fa�a mais isso. - Fale o mesmo aos seus amigos.
Compartilh�vamos os mesmos valores.
Logo na primeira reuni�o da associa��o,
fui eleito o presidente e Rune, o vice.
Uma escolha s�bia, pens�vamos.
Acho que ficamos surpresos por encontrarmos um amigo.
At� mais tarde.
At� que finalmente descobrimos uma pequena diferen�a.
Voc� tem um Volvo?
Tenho.
Que carro voc� tem?
Um Saab.
Certo.
A princ�pio, ignoramos o problema
e nos socializamos como de costume.
Lidamos muito bem com isso.
� um menino!
Os anos se passaram.
Perdemos contato.
Mas ent�o, sem aviso pr�vio,
o desgra�ado me tirou da administra��o.
Fiquei com tanta raiva,
que comprei um Saab 9000 CS.
E Rune comprou um Volvo 960 Executive.
Quando o filho deles cresceu,
decidiu se mudar para os Estados Unidos.
N�o nos vimos muito depois disso.
Eu havia acabado de comprar um novo Saab 9-5,
e pensei que estava na hora de acabarmos com as rusgas.
T�nhamos que voltar a conversar.
Estive pensando.
N�o est� na hora de acabarmos com as disc�rdias?
� claro, somos amigos.
Foi quando aconteceu.
Quer ver meu carro novo?
BMW.
Dei meia-volta e fui para casa.
Desisti de Rune para sempre.
N�o se pode dirigir um Volvo a vida toda.
Foi a trai��o final.
Nunca tiveram filhos?
J� s�o 14h.
Ove, tamb�m preciso fazer a prova te�rica.
Pode me ajudar?
Posso.
Faz parte do processo para tirar a carteira.
Obrigada. Voc� vai ficar bem.
J� as conhece.
- Quem? - Minhas filhas.
N�o sei se � uma boa ideia.
Nem eu. Devo ficar em casa?
N�o, � uma �tima ideia.
Crian�as, estamos saindo. Ove cuidar� de voc�s.
- Est� bem. - Comportem-se.
- Ligue se precisar. - Tchau.
Estou com fome, estou com fome!
� contra teste com animais, mas a favor com crian�as.
Nasanin quer mingau antes de ir para a cama.
Voc� ter� que lavar a mamadeira.
Papai n�o conseguiu instalar a lava-lou�as.
Ele disse que vai jogar
a maldita lava-lou�as pela janela.
Venha, vou te mostrar o meu quarto.
Que coisas devemos lembrar na constru��o de casas?
�gua.
- E o esgoto. - Exatamente.
- Infraestrutura tamb�m. - Sim.
- J� construiu uma casa? - Sim, mas n�o de pedra.
Ele me disse que eu era a melhor da classe!
Concordou com isso?
N�o! Bom...
- Sepideh? - Oi, mam�e.
Est� na hora de ir dormir.
Ela est� dormindo.
O que aconteceu?
O que est� fazendo? � voc� de novo?
Viu a placa? Ela diz:
"� expressamente proibido estacionar bicicletas."
Sonja morava aqui, certo?
Ela era minha professora.
Eu n�o conseguia ler e escrever, mas ela n�o me achava burro.
Ent�o eu aprendi tudo. Ela era �tima.
Desculpe incomod�-lo.
- O que far� com a bicicleta? - Entregar � minha namorada.
Talvez ela goste que eu conserte o pneu.
- Vou para o outro trabalho. - Que trabalho?
Numa lanchonete de kebab. Poupo para comprar um carro.
- Que carro? - Um Renault.
Franc�s? Vai comprar um carro franc�s?
Conheci um ex-aluno seu.
Eu tinha que resolver algo antes de vir para c�.
Foi o que fiz.
APRENDIZ AO VOLANTE
Pare!
�timo. Desligue.
- Agora, pode estacionar. - Mas bati naquele carro.
N�o foi nada. � um Volvo.
Espere aqui. Tenho que fazer algo.
A bicicleta est� consertada. Pode entregar � sua namorada.
- Voc� a consertou? - S� troquei a c�mara de ar.
- Vai comer kebab? - N�o, por que eu comeria?
- O que ele faz aqui? - Por que os olhos pretos?
- � maquiagem. - Pensei que s� mulheres usavam.
- Acho que ele est� �timo. - Certo.
- Nenhuma mulher sair� com voc�. - N�o quero nenhuma.
- Voc� � gay? - Ove!
- N�o � legal dizer. - Pode dizer o que quiser.
Voc� � um desses homossexuais?
Sim, sou um homossexual.
Tudo bem. Por que se irritou?
N�o diga nada ao pai de Mirsad.
Ele ainda n�o sabe.
N�o saio por a� contando o que os outros fazem.
Voc� tem um problema muito maior.
- Que problema? - Comprar um carro franc�s?
Talvez seja bom voc� aprender sobre o funcionamento do carro.
N�o � t�o simples como possa imaginar.
Preciso fazer xixi.
- Dever�amos falar do motor. - N�o d�, faremos isso depois.
Oi. Voc� � o Ove, certo?
Estacionou fora das faixas.
Lena Samuelsson, do Jornal L�nstidningen.
� sobre o que houve na esta��o de trem.
Voc� salvou a vida de um homem l�.
Est� enganada, n�o fui eu.
Eu estava l� e vi tudo.
Temos uma s�rie chamada "Os Her�is Invis�veis".
Acho que voc� se encaixa bem.
Muitas coisas interessantes devem ter ocorrido em sua vida.
- Quer conversar sobre isso? - N�o.
Estou com uma carta do homem que voc� salvou.
Deveria l�-la. � comovente.
- Espere, a carta est� aqui. - Agora estou pronta.
- N�o ser� poss�vel. - Por qu�?
- Ol�! - O que foi isso?
- N�o ouvi nada. Vamos. - Pode abrir?
O que foi? N�o tranquei o port�o.
At� mesmo um idiota pode abrir de dentro.
Idiotas.
Ove!
Espere.
Achou que ela iria desaparecer se fechasse a garagem?
Meu Deus!
Voc� � um tolo!
Ove...
- Pensei em algo. - Pare de se achar.
� s�rio.
Posso ajudar voc� a limpar sua casa.
Guardar algumas coisas em caixas.
N�o precisa.
H� muitas coisas de Sonja para guardar.
J� disse que n�o precisa.
- N�o � melhor seguir em frente? - J� disse para n�o falar disso!
N�o conheci Sonja. Ela certamente era maravilhosa.
Mas voc� a transformou numa esp�cie de santa.
Sonja provavelmente gostaria de ser uma pessoa comum.
Uma pessoa maravilhosa, mas comum.
- Calada, eu disse! - N�o grite comigo.
Quanto mais os idiotas falam dela,
mais r�pido me esque�o do pouco que me lembro da voz dela.
N�o existiu ningu�m antes dela. E n�o existir� depois.
Eu existo.
N�o, desgra�ados!
Parem, pelo amor de Deus! Parem!
Espere um pouco.
Se voc� parasse de agir como um Neandertal,
a gente se daria muito bem.
- Saia da frente. - N�o saio.
V� embora, d� o fora!
Se voc� n�o concorda que a gente dirija aqui,
reclame com o munic�pio.
Ou n�o poderemos ajudar Rune.
N�o me importo com Rune.
� proibido dirigir aqui.
Sequer um metro.
O que h� de verdade com voc�, Ove?
Sei o que �. Voc� � um reclam�o.
Pesquisei sobre voc� nos arquivos municipais
e na Internet.
E sei de tudo.
Li suas mensagens tolas,
suas cartas �s autoridades.
Sei tudo sobre sua esposa e o acidente dela.
E como voc� culpa todo mundo pelo que aconteceu com ela.
Mas voc� sabe que,
na verdade, voc� n�o fez o bastante.
Vou denunciar isso.
Sou funcion�rio de uma empresa de sa�de privada.
S� fazemos o que j� foi decidido.
Deveria se preocupar com o seu cora��o, Ove.
O que sabe sobre o meu cora��o?
O que sabe sobre o meu cora��o?
- Vamos. - Responda!
O que sabe sobre o meu...?
Pare o carro! Pare o carro, agora!
Pare o carro! Idiota desgra�ado.
Malditos "camisas brancas"!
� o �ltimo aviso!
Amanh� essa bota de inverno vai se transformar num mocassim.
Ele enlouqueceu de vez.
Esque�a isso. Esque�a, droga.
N�o! Voc� deve lutar!
Malditos "camisas brancas".
Ove?
Ove, ol�? Abra a porta!
Ol�, Ove?
Voc� est� bem?
Ove!
Venha, est� pronto.
Est� bem.
Espere. Feche os olhos antes.
- Feche os olhos. - Est� bem.
Aqui.
- Pronto? - Sim.
- O que �? - Venha, vamos dan�ar.
- N�o, n�o, n�o. - Sim, sim.
- Venha, vamos. - N�o, n�o sei dan�ar.
L� no fundo, voc� sabe dan�ar.
- Ove. - Sim?
Voc� vai ser pai.
Vamos ser pais!
Eu te amo, Ove.
Eu tamb�m te amo.
Ent�o teremos que comprar uma Kombi.
Sim, ou um ber�o.
Boa ideia. Vou construir um.
Malditos patifes! O que est�o fazendo?
- Viemos te pedir algo. - O qu�?
Mirsad foi expulso de casa. Talvez ele possa ficar aqui.
Aqui?
Acham que aqui � um maldito hotel?
Mirsad saiu do arm�rio hoje.
Disse ao meu pai que sou gay, um homossexual.
E ele odeia gays.
Ele se mataria se um dos filhos fosse gay.
Mas, tudo bem. Vamos.
Sonja sempre ajudava as pessoas.
Certo, venha.
Bom dia.
Preparei torradas, se estiver tudo bem.
Tamb�m fiz caf�.
Vou fazer minha ronda.
N�o deveria tomar caf� antes?
Preparei o caf� da manh�, sandu�che de queijo...
Antes da ronda?
N�o, preciso fazer minha ronda.
Posso ir com voc�?
Este pa�s � livre.
Sim? Certo.
Espere!
Ol�. Posso me juntar a voc�s?
Estou come�ando a malhar.
- Oi, sou Jimmy. - Oi, sou Mirsad.
- Seu pai ficou bravo? - Sim.
Ele n�o pulou de alegria.
VE�CULOS S�O PROIBIDOS
MANTENHA O PORT�O FECHADO!
- Ficou sabendo do Rune? - N�o.
Amanh� v�o lev�-lo para uma casa de repouso.
Besteira!
Leva anos at� o processo ser conclu�do.
- Sei dessas coisas. - � s�rio.
J� foi decidido. Eles vir�o amanh�.
Anita entrou com um recurso h� tr�s anos.
- Agora eles ser�o separados. - H� tr�s anos...
� mentira. Sonja saberia disso.
- N�o. - Eu tamb�m saberia.
Anita n�o disse nada para Sonja.
- Ela n�o queria que soubessem. - Por que n�o?
Ela n�o queria pedir ajuda.
Disse que voc�s j� tinham problemas suficientes.
Disse?
Ela n�o queria nos contar porque t�nhamos problemas suficientes?
- Ela disse? - Sim, e da�?
Idiota! � o que fui.
N�o fique brava comigo, Sonja.
� dif�cil admitir que estava errado.
Especialmente se voc� est� errado h� muito tempo.
Desculpe.
Mas agora vou fazer a coisa certa.
Sei que fica preocupada quando fico bravo.
Mas acho que desta vez voc� concordaria comigo.
Agora � uma maldita guerra!
D�-me todos os pap�is e documentos
entre voc�s e o munic�pio, previd�ncia, condado, igreja.
- Quero tudo sobre Rune. - Est� bem.
Para renovar sua assinatura aperte estrela...
Pode me emprestar o seu telefone?
� por causa dos vizinhos.
Pouco importa
se eles j� entraram com um recurso.
Existe um tribunal superior.
Sabe ler? � analfabeto?
Analfabeto!
Al�?
Al�?
Como voc� pode falar com quem n�o escuta?
Como voc� pode falar com quem est� gritando?
Eles n�o escutam.
Sente-se.
Desligue isto.
S�o sempre as mesmas pessoas.
Sempre foram as mesmas pessoas.
Os nomes s�o diferentes, mas s�o as mesmas pessoas.
� o lugar certo para reunir um monte de desgra�ados.
Os disc�pulos de Satan�s.
Ou�a o que est� dizendo.
Voc� me disse para nunca desistir, certo?
Ent�o fique a� sentado sentindo pena de si mesmo.
� tudo uma porcaria, todos eles s�o idiotas.
Ent�o desista.
S� por que acha que pode resolver tudo sem ajuda.
Mas quer saber, Ove?
Ningu�m pode fazer tudo sozinho.
Ningu�m. Nem mesmo voc�.
Pode ir agora.
J� disse que pode ir!
Concordo plenamente com voc�.
A ideia foi dela.
Para fazermos uma viagem a dois,
antes do nascimento do beb�.
Ela estava determinada que viajar�amos de �nibus.
Ela disse que era mais rom�ntico.
Eu aceitei.
Afinal, era mais barato.
J� na Espanha, Sonja sugeriu
que dever�amos fazer como os espanh�is.
Eu descobri que os espanh�is tinham muito a aprender
sobre normas de constru��o suecas.
N�s nos divertimos.
Toda noite, sa�amos para comer.
Guard�vamos comida do buf� no almo�o
e com�amos no jantar ao ar livre.
Sa�de!
Um dia, chegou a hora de voltar para casa.
Ol�.
- Ol�. - N�o, obrigado.
N�o, n�o, n�o!
- O que ele disse? - Ele parece feliz.
Viemos, viemos de Pepparkakeland...
Na estrada, na estrada, andamos de m�os dadas.
- Deixe-os em paz, Ove. - O qu�?
- Est�o se divertindo. - Est�o?
Sim.
Sonja queria que eu tocasse a barriga dela no �nibus.
O beb� chutou forte.
Aqui, sinta.
- Sentiu? - Est� chutando sem parar.
Vou ao banheiro.
Sonja?
Sonja?
Sonja!
Socorro!
Pode ir v�-la agora.
Fiquei sentado ao lado dela durante uma semana.
Nenhuma alma viva falou comigo. Deve ter sido melhor assim.
At� que um dia...
O m�dico disse que Sonja nunca despertaria.
N�o diga essa merda para mim, est� bem?
E o inexplic�vel aconteceu.
Foi como se o melhor
e o pior tivessem acontecido ao mesmo tempo.
Ent�o tive que contar a ela tudo o que aconteceu.
Sobre uma vida que n�o existia mais.
Em meio a essa dor,
senti uma for�a interior.
No in�cio, transformei a raiva em algo proveitoso.
Sonja continuou estudando.
Faltava um ano para ela se formar como professora.
Mas quando ela se formou, n�o havia empregos.
- Tem boas notas, mas lamento. - Obrigada.
Naquela �poca, n�o havia escolas com acesso para deficientes.
Mas um dia,
Sonja viu um an�ncio no jornal.
Uma classe especial.
Uma classe onde agrupavam
todos que misturavam as letras
antes mesmo de ter um nome para isso.
Seu curr�culo � �timo, mas ainda n�o temos planos
para contratar um professor com defici�ncia f�sica.
Fiquei desesperado. Queria destruir tudo.
Cada desgra�ado. A empresa de �nibus,
o motorista b�bado, o produtor de vinho,
a ag�ncia de viagem. Tudo.
Escrevi para os governos da Espanha e da Su�cia,
mas sem sucesso.
A ideia � construir uma rampa at� a entrada.
Eles sequer queriam construir uma rampa
para que Sonja pudesse entrar na escola.
Escrevi a todo mundo tentando obter justi�a
por algo que nem eu mesmo sabia a resposta.
No final, Sonja...
era a mais forte de n�s.
Ove.
Ou morremos ou vivemos.
Naquela mesma noite, fui � escola
e constru� a rampa durante a noite.
No dia seguinte, Sonja p�de come�ar a trabalhar.
Bem-vinda.
Homero escreveu "Il�ada" sobre a Guerra de Tr�ia.
Quando ele escreveu "Il�ada"?
- David? - No s�culo VIII...
- Antes de Cristo. - Droga!
Vamos saudar e dar boas-vindas a Richard Stenebo.
- Oi, Richard! - Bem-vindo.
N�o estou mentindo.
Em um ano,
esses mesmos alunos podiam facilmente recitar
poesias de 400 anos na formatura.
"T�o infinita era a capacidade dela.
Como uma deusa, em forma
e a��es.
Um modelo animal.
Mas para mim...
ela era apenas p�."
Bravo!
Ela lutava pelo bem.
Pelas crian�as que nunca teve.
H� seis meses, ela morreu em decorr�ncia do c�ncer.
Prometi ir encontr�-la.
Est� na hora. Ele est� pronto?
N�o vai lev�-lo.
Teve tr�s anos para se preparar com tranquilidade para isso.
A decis�o j� foi tomada.
Estamos fazendo isso para o seu bem, Anita.
O que � o amor?
Separar duas pessoas quando mais precisam uma da outra?
O problema � que durante 24 horas do dia
ele n�o tem ideia de onde est�.
- N�o, mas eu tenho. - Certo!
- E quem vai cuidar dele? - Eu vou.
Com uma pequena ajuda de...
Uma pequena ajuda? De quem?
Oi. Como vai?
- Lena, do jornal local. - Oi.
Estou com relat�rios financeiros dos �ltimos tr�s anos
da empresa de assist�ncia m�dica Konsensus,
da qual voc� � acionista. H� um lucro marginal.
Tamb�m tenho extratos banc�rios de um banco nas Ilhas Can�rias.
H� dep�sitos em milh�es. Bem discreto.
- Onde conseguiu isso? - Na Internet.
Meu editor ficaria feliz em publicar tudo isso.
Mas a decis�o � minha, se � que me entende.
Ele foi embora imediatamente.
Era melhor na nossa �poca.
Pelo menos, as pessoas lutavam por seus princ�pios.
Ove!
Ove!
Chame uma ambul�ncia!
N�o deixe a maldita ambul�ncia entrar aqui.
Ao lado da janela.
Oi. Parvaneh, voc� est� listada
- como o parente mais pr�ximo. - Sim, doutora.
Seu pai tem uma doen�a card�aca.
Pode-se dizer que ele tem um cora��o muito grande.
Desculpe. Muito grande?
Sim. Mas ele vai se recuperar.
Ove!
Voc� � um maldito doente que pode morrer.
Merda! Acho que chegou a hora, Ove!
Merda!
Estava acumulando poeira no s�t�o.
Mas nunca foi usado.
� lindo, Ove. Obrigada.
Talvez tenha que pint�-lo.
Aqui, segure o beb�.
Preciso falar com Patrick.
Ol�.
� melhor colocar voc� aqui.
Voc� est� feliz.
Sim, voc� tamb�m vai ganhar algo.
Um iPad! Obrigada, vov�!
Reconhe�o esse sentimento.
� como comprar um carro novo.
Isso � vida.
Ove n�o tirou a neve da frente da casa dele.
- Ele deve estar dormindo. - Mas j� s�o 8h.
� o hor�rio da ronda dele.
Ove!
N�o deve se preocupar que eu tenha feito algo idiota.
Se estiver lendo isto,
o diagn�stico m�dico se concretizou.
Ela disse que meu cora��o era muito grande.
Embora isso pare�a uma coisa boa, n�o �.
Mais cedo ou mais tarde, paga-se por isso.
Desejo que o funeral seja numa igreja como deve ser.
Tudo bem se jogar minhas cinzas ao vento
ou qualquer outro disparate.
Quero que seja em sil�ncio, apenas com os mais pr�ximos,
os que pensam que fiz as coisas de modo correto.
A gata come atum duas vezes ao dia,
e n�o faz coc� na casa de outras pessoas.
Respeite isso.
E n�o deixe nenhum desgra�ado dirigir dentro do condom�nio.
ADEUS, OVE.
MANTENHA O PORT�O FECHADO!
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