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Justi�a. Que significa essa palavra?
Hoje, por exemplo, significa que, quando um indiv�duo
� acusado de tentativa de homic�dio, essa acusa��o tem de ficar provada...
...para l� de qualquer d�vida razo�vel.
E, para se provar tentativa de homic�dio, s� uma coisa importa: a inten��o.
N�o vou mentir-vos. Gordie Brock fez asneira da grossa.
Chegou a casa b�bado.
Espancou a mulher, Deena, e mandou-a para o hospital.
Mas, quando Deena Brock estava estendida no ch�o, inconsciente,
foi Gordie Brock quem chamou uma ambul�ncia.
Foi Gordie Brock que impediu que a mulher
se esva�sse em sangue antes de os socorros chegarem.
Se isso faz dele um her�i? � �bvio que n�o.
Mas mostra claramente uma coisa:
apesar de maltratar a mulher, nunca teve inten��o de a matar.
Nunca teve inten��o de a matar.
Podem odiar Gordie Brock � vontade, por maltratar a mulher. Eu odeio-o.
Mas, quando entrarem na sala do j�ri, lembrem-se dessas seis palavras,
porque s�o elas o �mago deste caso.
� que voc�s t�m uma tarefa. E a vossa tarefa � fazer justi�a.
E, felizmente, a Acusa��o facilitou-vos a vida.
Uma s� palavra.
Inocente.
Decidem sempre t�o depressa?
Tr�s horas n�o � o meu recorde para absolvi��o, mas serve.
- Salvou-me a pele. - N�o se esque�a da nossa conversa.
- Sim, vou uma reuni�o, esta noite. - �ptimo.
N�o salvou s� a vida dele. Salvou tamb�m a minha.
O Tubar�o volta a atacar.
- Procuradora P�blica... - Devia ter eu ficado com o caso.
Por mais que adore um frente-a-frente entre n�s, ia dar ao mesmo.
Tentativa de homic�dio. Gordie Brock � not�cia.
- Queria gl�ria, mas perdeu. - Visava um tipo que bate na mulher.
- O lugar de Gordie Brock � na cadeia. - O j�ri discorda.
Mas, se lhe serve de consolo, fica muito gira nesse fato.
- Continue a sonhar. - Pois continuo.
- Como vai, Stark? - Ol�.
6 DIAS DEPOIS
Margaret? Por que �s desmancha-prazeres?
O suspeito est� na cozinha.
� o meu advogado, rapazes.
Que tal pouparem tempo e dinheiro a toda a gente e me soltarem j�?
� uma pena eu ter cancelado a sess�o fotogr�fica.
Margaret? Que fazes ainda aqui?
Fa�o-me essa pergunta h� nove longos anos.
De certeza que conheces a express�o "cancela tudo".
Os seus clientes conhecem. Tem de voltar � carga.
Ouve, dou-te uma dica, sim?
Pega nas met�foras militares e enfia-as sabes bem onde.
Que bonito...
- Por que n�o est�s nas aulas? - S�o quatro e meia, pai.
Queres mais pimentos verdes nos teus ovos?
- N�o tenho fome. - Porque est�s deprimido.
- Ol�. - Ol�.
J� fedes. Quando foi a �ltima vez que tomaste banho?
Na ter�a-feira.
Depois da trag�dia da Deena Brock, faz todo o sentido castigares-te por culpa.
Diz a Oprah branca adolescente.
Pois, as marcas do meu lar desfeito tornaram-me uma jovem mais madura.
Ent�o, pai... J� passou um m�s. Estou preocupada contigo.
Est�o deliciosos.
- Estou bem. - A s�rio?
A s�rio. Estou mesmo. N�o devias ir para casa?
Vim lembrar-te da audi�ncia pela guarda.
- N�o trato dessas coisas, querida. - A minha, pai.
Fiz 16 anos no m�s passado? Obrigadinha pelo postal.
Desculpa.
Tenho de decidir quem fica com a guarda final. Tu ou a m�e.
Esse juiz era mesmo uma n�doa.
- Um telefonema. - N�o estou.
� o presidente da c�mara. Falou de uma inspec��o aos seus impostos.
Leu o Lopez, esta manh�?
Aspen continua a ser o recreio dos ricos e famosos.
L.A. � a nova Meca dos homic�dios impunes.
Devia ver os impostos dele.
Detesto ver os pobres presos por ignorarem a passadeira,
enquanto os milion�rios se matam uns aos outros sem perder a massagem.
Vamos criar uma unidade anti-crime no Minist�rio P�blico,
para apanhar tipos ricos com advogados fin�rios como voc�.
- Qual � a gra�a? - Fa�a o seguinte, senhor presidente.
Ponha dez procuradores p�blicos num caso relevante,
d�-lhes todo o dinheiro que consigam gastar,
que eu enterro-os vivos com uma matin� � quarta e ao domingo.
- Acha a Devlin incompetente? - Tem umas boas pernas.
Mas n�o percebe nada de julgamentos com j�ri.
Por isso vou trazer algu�m de fora para chefiar a unidade.
Que pateta � que aceitaria esse cargo? Ora...
Eu? Procurador p�blico? Que est� a? N�o.
Ora... Porque n�o?
Como-os ao pequeno-almo�o. S�o a minha principal fonte de fibra.
Quem melhor para revolucionar a unidade?
Vencer � o seu forte e � o que faz de si o maior.
- Eu consider�-lo-ia um favor pessoal. - A Jessica nunca aceitaria.
Tenho 67% no �ndice de popularidade.
Ela tem editoriais a exigir a cabe�a dela. Far� tudo o que eu disser.
Manny, d�-me um bom motivo que seja para pensar sequer nisto.
Dou-lhe at� tr�s, hermano. Sente remorsos pela Deena Brock.
Est� farto de estar do lado dos vil�es.
E n�o quer acabar assim.
RESERVADO Procuradora P�blica Jessica Devlin
- Senhor, ela est� ao telefone. - A s�rio? Vamos l�...
- Vamos l� despachar isto. - J� lhe ligo.
Bem-vindo ao Minist�rio P�blico.
Miss Devlin... Isto deve safar-me de umas multas por excesso de velocidade.
- Obrigada. - Obrigado.
Posso saber o que anda a tramar?
Olhem esta sala... Nada mau, para uma funcion�ria p�blica.
E vem com lugar de estacionamento. � pena um idiota o ter ocupado.
H� gente que n�o respeita ningu�m, n�o �?
Olhem s�... Que horror.
Acha que pode entrar por aqui adentro e limpar a consci�ncia?
O presidente convidou-me. Sabe o que quero?
- Quero dar-me bem consigo. - E eu quero os Rams de volta a L.A.
Mas sabe que mais? N�o conto com isso.
Ganhei a vida a humilhar este gabinete diariamente.
Mas quero que saiba que nunca foi pessoal.
Para si, o sistema judicial � um jogo que traz divers�o e lucro. Importa-se?
At� parece que isso � mau.
Para um advogado de defesa, n�o. Mas um procurador representa a cidade.
E, geralmente, n�o muito bem. Voc� � boa advogada.
Mas as pessoas do seu gabinete s�o... N�o sei.
Qual � a palavra que me falta? Ah, um nojo.
- Grandes julgamentos exigem garra. - Ora, fez asneira.
Ambos sabemos que � por isso que aqui est�.
Por mais criminosos que apanhe, ter� o sangue de Deena Brock nas m�os.
E voc�? Se este gabinete fizesse ideia do que � uma acusa��o eficaz,
o tipo ainda estaria preso e ela estaria viva.
- Bem, isto vai ser divertido. - Pois, uma festa.
L.A. vs. Jennifer Dennison.
- Est� a gozar? - A arguida � uma cantora de 20...
Acusada do homic�dio de Terrence Rourke, no Hotel Chateau.
Alega que a v�tima a violou e que o apunhalou em autodefesa.
- � para me impressionar? - � culpada, mas invenc�vel. Pr�ximo.
Ou�a-me com aten��o.
- Certo. - O Delgado obrigou-me a contrat�-lo,
mas quem manda aqui sou eu.
- Fica com os casos que eu escolher. - Est� certo.
O qu�? A morgue n�o estava dispon�vel?
Parta uma perna, senhor Doutor.
Ouvi dizer que ele suborna o j�ri.
- Sem escr�pulos. - � reles.
Ganhou o caso Frye pondo o filho do Juiz Kranepool em Berkeley.
Que falta de �tica.
E a taxa de condena��es deste gabinete � pat�tica.
E foi Harvard, j� agora. � �bvio que pensam que me conhecem.
Vejamos o que sei sobre voc�s. Richard "Casey" Woodland.
Quarterback de reserva na USC. O pai � senador.
Encantador, jeito para o j�ri, fraco nos factos. N�o � nenhum g�nio.
Billie Willis, esperta, impulsiva, deixa a emo��o toldar-lhe o julgamento.
- Martin Allende. - Allende.
Loyola Law Review. Bom no papel, fraco de p�. Nem a janela sabe fechar.
- E claro... - D� o seu melhor.
Raina Troy, durona e genial. Sonhava em enfrent�-la num caso.
N�o lida bem com a autoridade. Prestes a ser acusada de desrespeito.
- Como queira. - Nada mais a acrescentar.
Tenho uma pasta sobre cada procurador deste edif�cio.
Conhe�am o vosso inimigo.
- N�o estamos do mesmo lado, agora? - O j�ri saiu, n�o foi?
Se a rainha m� vos cedeu a mim, � porque est�o na lista negra.
Isso significa que t�m podres e, logo, temos algo em comum.
- Madeleine Poe. - N�o consta da lista.
- Ofereci-me para a unidade. - Mas n�o consta da lista.
Licenciei-me com honras em Stanford, fui assistente no 9� Circuito
e h� dois anos que detenho o nosso recorde de condena��es.
Pretendo tornar-me advogada de defesa. Vim aprender com o melhor.
Assim � que �, graxa. Uma t�ctica eficaz. Sente-se.
Diz-se que os advogados de defesa bem pagos batem os procuradores
porque � mais f�cil provar a d�vida razo�vel do que a culpa certa.
Mas h� uma explica��o simples para eu sempre ganhar e voc�s perderem,
apesar das minhas superiores capacidades como advogado.
Um procurador p�blico tem de adaptar o caso �s exig�ncias do sistema judicial.
Um advogado de defesa adapta o sistema judicial
�s exig�ncias do seu caso.
Querem ganhar? Peguem num l�pis.
Vivo segundo tr�s regras simples.
O meu manifesto impiedoso.
Estas regras orientam todas as decis�es que tomo em todos os casos.
Primeira regra. O julgamento � uma guerra. O segundo lugar � a morte.
Segunda regra. A verdade � relativa. Escolham uma que resulte.
Terceira regra.
Num julgamento com j�ri, s� h� 12 opini�es que contam.
E, Miss Troy, a sua, decididamente, n�o � uma delas.
A partir de hoje, todos os casos ser�o como David contra Golias.
E quem tem a fisga?
Agora, tenho uma m� not�cia e tenho uma not�cia realmente horr�vel.
A m� � que, de um dos vossos colegas mais in�teis,
herd�mos o caso Dennison.
O j�ri � p�ssimo. A outra parte tem recursos ilimitados.
A not�cia realmente horr�vel � que vamos a julgamento daqui a 48 horas.
Para que isto resulte, t�m de aceitar
que vencer � a �nica coisa que interessa.
- E a justi�a? - A vossa tarefa � ganhar.
A justi�a � problema de Deus.
Por isso, pessoal, ou est�o comigo ou n�o est�o.
Ao trabalho.
J� o vi na televis�o.
Ossos do of�cio.
Representa criminosos. O Terry n�o era criminoso.
Mrs. Rourke, estou aqui para ajudar. Por favor, fale-me do seu filho.
O Terry era um mi�do fant�stico. Sempre adorou m�sica e fotografia.
Fazendo telediscos, conciliava ambas.
O Terry tinha uma vida social activa?
Tinha muitas namoradas. As raparigas gostavam dele.
Tenho de lhe perguntar isto.
Era habitual ele ter casos de uma noite?
- Tem filhos, Mr. Stark? - Uma filha de 16 anos.
Ent�o, sabe que, quando come�am a crescer,
deixam de nos contar tudo.
Se calhar, nem queremos saber. S� rezamos para que estejam seguros.
Ou�a, eu acredito que esta rapariga matou o seu filho.
Mas tenho de lhe dizer que vai ser dif�cil convencer o j�ri.
Eu compreendo.
Mas acontece que o Terry era incapaz de fazer aquilo que ela diz.
E, de forma a eu poder sobreviver,
preciso que o mundo saiba disso.
Ent�o, vou ter de limpar o nome do seu filho, n�o �?
E prometo-lhe que o farei.
Ent�o, um carro de luxo vai buscar Jenny Dennison �s seis da manh�.
Deixa-a num est�dio de Burbank.
- Passa 15 horas a filmar um teledisco. - O Terrence era o operador de c�mara.
Ficaram amigos, foram beber um copo
e foram parar ao Chateau �s 2h15 da manh�.
- O �lcool impugna a credibilidade dela. - Ela pede-lhe que saia, ele recusa.
Ficou agressivo. Atirou-a para a cama e violou-a.
O exame m�dico n�o detectou coito for�ado.
Nem ferimentos de defesa que indiquem luta.
Se ele n�o a violou, por que o matou?
�s como um m�ssil guiado. Direitinho ao �mago do caso.
Ora bem... Estrat�gia.
Primeiro, temos de implodir o caso de Jenny Dennison.
Queremos que o j�ri diga:
"Como � que um tipo que nunca foi agressivo, se torna um violador?"
Temos de criar a nossa verdade. Aqui est� Terrence Rourke.
Aparece nas filmagens, conhece uma mi�da gira, convida-a para sair.
Bebem demasiado e, por isso, discutem.
Jenny resolve tudo com uma faca.
A prepara��o para este caso � atroz.
Recome�ar do nada. Tarefas. Madeleine, os podres da Jenny.
Namorados, amigos, parentes.
Billie, o mesmo sobre Terrence Rourke. Raina, criminal�stica.
- O relat�rio da per�cia e m�dico-legista... - � s� o come�o.
S� criativa. Escava mais fundo.
Martin, vai ao Chateau. Pergunta pelo Reid, o subgerente.
Diz-lhe que vais da minha parte e d�-lhe isto. Verifiquem a vers�o da Jenny.
Todo o local do crime. Sigam as pisadas delas.
Encontrem as brechas do caso. Vamos a isso.
- E eu? - Pois �.
Quero que v�s ao Jensen's e que tragas batatas fritas com queijo.
- Est� a gozar, certo? - Ri-me?
Vais lev�-las ao oficial de justi�a Ray Sabado.
O Ray est� encarregue do nosso j�ri. H� duas coisas que adora.
Adora tagarelar com os jurados e adora comer.
Com esse pacote, vamos obter mais informa��es
do que com dez consultores de j�ri.
- Isso � conduta dolosa. - Teremos de ser corajosos.
Temos de provar que Terrence Rourke foi assassinado.
Precisamos que o j�ri ou�a a voz dele.
Como vai o novo emprego?
J� tive melhores dias.
O Larry mudou de emprego.
- Chefe de Anestesiologia. - Pode p�r fim ao meu sofrimento?
Est� prestes a faz�-lo. Foi o �ltimo cheque de pens�o de alimentos.
Estamos noivos.
Isso � pela minha felicidade, ou pela pens�o de alimentos?
- Sim. - H� mais.
O novo emprego do Larry � em Nova Iorque.
H� um col�gio fant�stico para a Julie. A audi�ncia pela guarda j� ter� terminado.
� a altura certa. Que achas?
Quer dizer... � �bvio que j� tens tudo planeado
e pareces saber sempre o que � melhor para a Julie.
Vai ser �ptimo para ela.
E sempre fal�mos em mudar-nos para Nova Iorque, lembras-te?
Sim, claro. Mas agora a vers�o � ligeiramente diferente.
- Contaste-lhe? - Contei.
- � mesmo marado, n�o �? - �.
Sim, � mesmo marado.
Mas vais visitar-nos, n�o �? Sei que est�s sempre atarefado.
Est�s a brincar? N�o...
Iremos aos espect�culos da Broadway, veremos os Knicks a perder.
Pois... N�o, vai...
Vai ser fant�stico. Vai ser fant�stico.
Pois.
Pois.
�ptimo.
Ent�o, vamos deixar-te trabalhar.
Querida?
Boa noite.
Boa noite.
Se calhar, n�o fui claro. Estamos em contra-rel�gio.
- S� passaram 24 horas. - Ou seja, metade do tempo dispon�vel.
Ouve, os teus dados sobre a v�tima s�o fracos.
O teu resumo da criminal�stica, � como todas as disciplinas a que chumbei.
Interrogaste o do servi�o de quartos, mas n�o nenhuma das empregadas?
- E o oficial de justi�a Sabado? - Esteve doente, ontem.
E quando foste a casa dele? Foste?
- Ele disse que era contagioso. - Reza para que morra. Retiro.
A �nica coisa boa aqui s�o os dados sobre a Jennifer Dennison. �ptimos.
Precisamos de mais coisas assim para limpar o nome do Terrence.
� disso que precisamos para ganhar.
� para isso que aqui estamos. Pronto...
Vamos...
Julie!
� o meu pai. Ligo-vos mais tarde.
- Ol�. - Ol�.
- A m�e est� bem? - Por que n�o haveria de estar?
- Por que mais estarias aqui? - Estava nas redondezas.
� assim t�o bizarro passar por c�?
N�o me visitas na escola desde a terceira classe,
por isso, sim, considero-o bizarro.
- Tudo bem. Queres ir comer? - E o teu caso?
A audi�ncia preliminar foi adiada para as quatro. Tenho umas horas.
- A m�e est� mesmo bem? - Ouve...
Pensei que, como vais partir em breve, pod�amos estar juntos.
- Se n�o queres, como uma barra... - N�o foi isso que disse.
Ia agora para a Melrose.
�ptimo, preciso de umas botas de cabedal novas.
- Bem, na verdade... - Est�s pronta?
- Pai, este � o Jared. - Ol�.
- Muito prazer, Mr. Stark. - Jared?
Vi o julgamento Brock na Court TV.
Grande contra-interrogat�rio � vizinha.
Afinal, n�o acabou l� muito bem.
- Pai? - Sim?
Jared, eu e o meu pai...
N�o, deixa estar, querida. V�o voc�s. Vemo-nos mais tarde.
- De certeza? - Falo contigo depois.
- Muito prazer. - O prazer foi meu.
C�MARA MUNICIPAL
- Sabe que ela me p�s na despensa? - Admira-me t�-lo deixado ir almo�ar.
- Que faz aqui? - Tenho uma palestra sobre boa forma.
O Magic n�o estava dispon�vel?
Tem muita gra�a. Ouvi dizer que talvez precise de outro advogado.
- Dou-lhe uns nomes. - Que tal Anita Astin?
Fenomenal.
Pelos vistos, a Defiance Records concorda.
Soube que v�o cham�-la para defender a Jenny Dennison.
- N�o � nada bom. - � assim t�o dura?
Nem imagina.
- N�o houve qualquer coisa entre voc�s? - Uma vez. Ou melhor, duas.
- Como terminou? - N�o muito bem.
Centro de Correc��o Twin Towers Recep��o de Reclusos
Homic�dio involunt�rio. Cinco anos, sai dentro de dois.
- Falou com a Procuradora P�blica? - � um excelente acordo. Aceite.
Estamos a falar de cadeia a s�rio, ou tipo Martha Stewart?
- Podemos conversar. - Recusamos a proposta.
De certeza, Jenny? Porque, se for condenada, pode morrer na cadeia.
Recusamos a proposta. Preciso de falar com Mr. Stark.
Vamos...
Gostas de abusar da sorte.
Achas o qu�? Que sou um reles procurador com 30 casos pendentes?
- Est�s a correr um grande risco. - Eu sei.
Mas ser� t�o divertido dar uma co�a ao Tubar�o.
- N�o me chames isso. Detesto. - At� parece que n�o vi a tua barbatana.
Est�s a recusar um �ptimo acordo para ajustar contas?
N�o sejas convencido. Sei como ages. Se tivesses algo, n�o havia acordos.
Talvez a tua cliente mere�a uma hip�tese.
Agora, �s um procurador bonzinho? Ora, �s uma vergonha.
- Sinto hostilidade. - Passaste-te para o outro lado.
Como se precisasses de cura por seres advogado de defesa.
- Se calhar. - A tua cliente acabou mal. Amoleceste.
Tra�ste os teus colegas. Tra�ste a tua profiss�o.
E, agora, Stark, vou deixar-te a ver estrelas.
- Tens um trunfo, n�o �? - Vemo-nos em tribunal.
- Se calhar, � uma testemunha ocular. - Teria de estar na lista.
- Novos dados periciais? - A Defesa n�o chamou peritos.
Obrigado por teres aparecido.
Contratei um servi�o de vigil�ncia da Internet para investigar a Jenny.
Muito bem. Primeiro ponto para o senhor estudioso.
- E o vencedor �? - Sexstacy.net.
Meu Deus! Isto �?
Jenny Dennison e Terrence Rourke minutos antes de o matar.
- E a Jenny deixa de ser a v�tima. - Isto � sexo consensual.
- E bem fogoso. - Isto � vit�ria garantida.
Isto � uma trag�dia.
H� cinco minutos, t�nhamos uma defesa baseada em poucas provas.
Agora, temos a Paris Hilton n�mero 2, com um Romeu manhoso
e uma c�mara escondida, a tentar ficar rico com um v�deo de sexo. Fabuloso...
Desde quando filmar sexo �s escondidas � punido com morte?
Desde a terceira regra. Os julgamentos com j�ri n�o t�m a ver com a Lei.
T�m a ver com o que 12 pessoas acham certo.
A Anita far� dessa grava��o uma viola��o por humilha��o.
Antes, achavam que ganhar era dif�cil?
Pois a divers�o come�ou agora, meninos.
Sabes aquele v�deo de sexo? Corre pela escola.
Todos falam disso.
- Viste-o? - Sim, foi realmente arrepiante.
Num instante estavam enrolados, no seguinte...
�s demasiado nova para essas coisas.
Era para maiores de 13, a comparar com a pornografia que circula na Internet.
E da�? �s uma entendida em sexo. � isso?
- Sei o suficiente. - Sim? O suficiente para qu�?
- Est�s a perguntar se sou virgem? - N�o, n�o estou.
Porque os pais das minhas amigas atrofiam-se todos com isso.
Tens a tua m�e, o psiquiatra.
- Passavas-te se soubesses? - Exacto.
Promete que nunca ir�s para um quarto de hotel com um homem excepto se:
A, fores casada. B, eu estiver morto, ou C, ambas.
H� um borracho com quem estou desejosa de sair.
- Mas eu n�o quero saber. - Jantas comigo esta noite?
Vamos compensar o outro dia.
Est� bem, mas ficas avisada que n�o fico barato nem sou f�cil.
- O seu filho tendia a ser violento? - N�o lhe estava na massa do sangue.
Mas tinha fama de ser um engatat�o, certo?
Pode perguntar a quem andou com ele.
O Terry era um cavalheiro.
Obrigado. N�o tenho mais perguntas, Merit�ssimo.
Primeiro, deixe-me dar-lhes os p�sames pelo seu filho.
Obrigada.
Descreveria o Terrence como um jovem est�vel?
Sem d�vida.
Mas passou tr�s semanas na Cl�nica New Days, em 2001?
O Terry estava viciado no �lcool e nos analg�sicos.
Os registos do seu filho revelam que agrediu uma enfermeira.
- Merit�ssimo? - Posso terminar a pergunta?
O seu filho teve uma alterca��o com a enfermeira
Gina Hathaway, a 7 de Agosto de 2001?
Foi um mal-entendido.
- Protesto. Depoimento indirecto. - Indeferido. Responda, por favor.
Ela tirou-lhe o di�rio.
E, por conseguinte, Terrence foi levado para uma ala somente com enfermeiros.
Sim.
- Escapou-te a cl�nica? - Foi volunt�rio.
- Se tivesse mais tempo... - A Anita teve um dia e descobriu.
- Desculpe. Fiz o meu melhor. - A culpa n�o � tua. � minha.
Entre a s�mula, a lista de testemunhas
e as directrizes, devia ter feito o teu trabalho.
- Ela pediu desculpas. - Importas-te?
- N�o me defendas. - N�o h� defesa para a mediocridade.
N�o durmo h� 32 horas.
Interroguei a fam�lia, os amigos, os professores.
Queres uma medalha? Em julgamentos com j�ri n�o h� muitas oportunidades.
A tua incompet�ncia p�s-nos numa grande enrascada.
Se sou assim t�o desastrada, por que n�o me despede?
Foi a primeira sugest�o �til que fizeste.
Boa sorte para o resto da tua carreira.
E tu �s o pr�ximo.
Despediu-a? N�o tem autoridade para tal.
Foi-se.
Isto � um problema. N�o sabe relacionar-se com os outros.
Ent�o, n�o sei trabalhar em equipa. Que quer de mim?
Sabe que mais? Ela minou o meu caso. Teve o que mereceu.
Vou acabar com o seu sofrimento. A sua equipa pode terminar isto.
Volte para os honor�rios de milh�es,
os seus casos escolhidos a dedo e esque�a tudo isto.
Nunca abandono a sala a meio do filme.
- J� vi este. Voc� morre no fim. - O her�i nunca morre.
N�o tem propriamente estofo de her�i.
Jess, prometi � Elizabeth Rourke que limparia o nome do filho.
Bem, teve um come�o em grande.
V� l�, Billie... Ele n�o quis ofender-te.
- Claro que quis. - O tipo � doido varrido.
S� a Devlin � que pode despedir-te.
N�o � propriamente uma das minhas maiores f�s.
Por amor de Deus, deixem-na ir.
Desculpem se n�o sinto pena dela, mas o Stark tem raz�o. Fez asneira.
Os amigos do Rourke sabiam que se drogava.
- Ela n�o fez as perguntas certas. - Importas-te de repetir?
A lamber as botas do Stark dessa forma, n�o te ouvi bem.
Estou a fazer o que me compete. Devias experimentar.
C�us, Madeleine... N�s conhecemos o teu dom para o lit�gio.
Voc�s n�o compreendem mesmo.
Apesar das vossas �bvias defici�ncias, ou melhor, gra�as a elas,
deram-vos uma oportunidade incr�vel
de levarem a tribunal todos os grandes casos desta cidade.
Se se deixassem de lam�rias, veriam que n�o h� um �nico advogado
neste edif�cio que n�o trocasse de lugar convosco num estalar de dedos.
Estou? Sim, est� bem. Entendido.
Era o Stark. Quer-nos em casa dele, imediatamente.
A Madeleine � uma parva irritante e graxista,
mas tem raz�o.
Isto � uma oportunidade �nica.
N�o para mim.
Vieram de autocarro, ou qu�? Estou curioso.
- Bela casa. - Obrigado.
S� podem estar a gozar...
Esta casa � linda. Parece que n�o lhe falta nada.
- Excepto consci�ncia. - Deixe-me adivinhar. Tribunal privativo?
Exacto. Senhoras e senhores, � aqui que se assiste � magia.
Lar doce lar.
Os pain�is que pisam cobriram o ch�o do Supremo Tribunal dos EUA.
Esta cadeira j� viu melhores dias.
Sobretudo quando Clarence Darrow se sentou nela no caso "Macaco" Scopes.
Esse candeeiro estava na secret�ria de Ito aquando do O.J.
- Isto � do filme Na Sombra e no Sil�ncio. - N�o se cansa do tribunal no julgamento?
N�o me admira que n�o tenhas percebido nada.
Os julgamentos s�o ganhos antes de porem um p� no tribunal.
H� oito c�maras, vota��o em tempo real do simulador de j�ri,
o mesmo sistema de an�lise de voz usado pelo FBI em Quantico.
Nunca apresento um argumento em tribunal
antes de ter sido aperfei�oado nesta sala.
Temos uma �nica hip�tese neste caso: destruir Jenny Dennison.
Temos de convencer o j�ri de que era uma gald�ria ninfoman�aca,
que atraiu Terrence Rourke para o quarto de hotel,
se meteu num arrufo e o matou a sangue-frio.
Por que h�-de a Defesa p�r a Jenny a depor?
A Anita tem de provar a autodefesa. A Jenny � a �nica testemunha.
Atacar uma v�tima de viola��o pode dar para o torto, se for um homem a faz�-lo.
Por isso � que n�o vou ser eu, mas tu a interrog�-la.
Vamos dar uso a essa flagrante hostilidade.
N�o vou atacar uma arguida sem bases, para influenciar o j�ri.
Ela tem raz�o. � uma t�ctica feia. Parece desespero.
Caso n�o tenham reparado, estamos desesperados.
Primeira regra. O julgamento � uma guerra, e a guerra tende a ficar feia.
Eu fa�o-o. N�o me custa nada arrancar a cabe�a � Barbie.
Por que n�o me espanta?
Uma arguida esperta como ela n�o vai descontrolar-se.
A s�rio? S� por gozo, por que n�o?
Posso? ...sobes para o lugar das testemunhas?
E voc�s v�o para o lugar do j�ri. V� l�...
Merit�ssima Margaret?
Est�s juramentada e �s acusada de matar um homem com quem dormiste.
- Miss Troy, quantos anos tem? - Vinte e nove.
- Com quantos homens foi para a cama? - O qu�?
- Merit�ssima? - A testemunha tem de responder.
- N�o fa�o ideia. - Mais de 50?
- N�o sei. Claro que n�o. - Trinta?
Talvez fa�a contas, mas eu n�o.
J� contraiu alguma doen�a ven�rea?
Uma vez. Na faculdade.
- Ent�o, gosta de sexo sem protec��o? - Tinha 20 anos.
J� praticou sadomasoquismo, sexo com outra mulher, orgias?
- � um crucifixo que tem no fio? - Nem se atreva.
- � crist� praticante? - Sou.
Segue os ensinamentos da sua Igreja?
Como os concilia com a sua �bvia promiscuidade?
N�o sabe nada a meu respeito!
Pode viver numa mans�o toda fina,
mas n�o deixa de ser um estupor de um advogado reles e aproveitador!
N�o tenho mais perguntas, Merit�ssima. Pode descer.
Regresso daqui a duas horas.
Quando voltar, quero ver as entranhas de Jennifer Dennison
penduradas no candelabro, mesmo ao lado das de Miss Troy.
- Obrigado pela fotografia. - De nada.
- Ent�o, que pensas? - Penso...
- A respeito de qu�? - De aulas de franc�s.
Se queres aprender franc�s, arranjamos-te um apartamento em Paris.
Estou a falar de mais-valias na candidatura � faculdade.
Sim, �ptimo. Est� muito melhor.
Usem aquilo do namorado. Excelente.
Sim, excelente.
N�o demoro muito. Adeus.
Algemas electr�nicas. Ent�o, �amos... Onde �amos?
- Sabes que mais? - Ah, en France.
Se calhar, � melhor ires. Est�s muito ocupado.
- N�o, Julie, eu... - Tudo bem, n�o estou zangada.
Na verdade, n�o encontro melhor forma de nos despedirmos.
- N�o digas isso. Estou a tentar... - Nunca h� lugar para mim na tua vida.
Ainda bem que posso finalmente deixar de tentar.
Sabes, quando aquela senhora morreu e tu te foste abaixo,
pensei mesmo que tinhas mudado.
Afinal, s� mudaste de fac��o.
Que aconteceu depois de terem rela��es sexuais?
Ele disse: "Acabei de fazer de ti uma estrela."
Nem imaginava ao que se referia. At� que me mostrou a c�mara.
Ele filmou-vos a fazer amor?
Deve ter trazido a c�mara com ele e ligou-a quando eu n�o estava a ver.
- E o que aconteceu a seguir? - Pedi ao Terry para me dar a grava��o.
Ele riu-se na minha cara e for�ou-me a deitar.
Eu s� pensava nos meus pais, no quanto isto ia mago�-los.
- Foi nessa altura que vi a faca. - E o que fez?
Peguei na faca. E espetei-a.
- Ligou logo para o 112? - Sim.
Por que raz�o a Pol�cia n�o encontrou a grava��o?
Antes de chegarem, fui ao quarto da minha empres�ria e entreguei-lha.
Eu n�o queria v�-la.
Agora, est� por todo o lado.
N�o tenho mais perguntas.
Come�arei com as coisas do liceu e partirei da�.
A Acusa��o deseja contra-interrogar a testemunha?
Mr. Stark, deseja interrogar esta testemunha?
N�o temos perguntas, Merit�ssimo.
Olhei para a Jenny Dennison e n�o vi uma arguida culpada.
- Vi uma rapariga perturbada. Vi... - A Julie.
- Mas ela matou uma pessoa. - Mais culpada � imposs�vel. Assassina.
- Devia t�-la esmagado. - A empregada deixou-nos entrar.
Come�a � procura de uma nova.
Ent�o, como querem fazer isto? V�o chamar-me hip�crita � vez?
O qu�? A dizer: " O julgamento � uma guerra, e eu sou um desertor. " J� sei.
V�, d�em o vosso melhor. V� l�... For�a.
Estado do Ohio vs. Pavey.
O equipamento usado para a serologia da Anita produziu falsos resultados.
Base para um apelo. Lan�a d�vidas sobre a teoria dela.
A Jenny frequentou um programa para sobredotados, no �ltimo ano.
O tipo que o chefia diz que � narcisista e mentirosa.
- Dep�e em tribunal de bom grado. - Analisei a sequ�ncia cronol�gica.
H� discrep�ncia entre o relato da Jenny e o servi�o de quartos.
O Sabado largou as batatas fritas, mas perde-se com queques.
O jurado n�mero seis � religioso. Acha que o rock � a m�sica do diabo.
E a promiscuidade deve ajudar-nos com o tr�s e o dez.
Esfalfaram-se a trabalhar, e eu desiludi-vos.
- Ent�o, qual � o pr�ximo passo? - Sinceramente? N�o sei.
Invente um. A verdade � relativa, bl� bl� bl�. Vamos...
Fez asneira, mas � a �nica hip�tese de ganharmos.
E � por isso que aqui estamos, lembra-se?
V�em isto?
Filmou isto quando tinha 15 anos.
Imaginem como os amigos se riram dela quando disse:
"Vou ser uma grade estrela." Mas olhem para ela agora.
Pois, � julgada por homic�dio.
A quest�o � que sabia o que queria. Agiu por pura ambi��o!
Nada mais importava.
Desde novo que a �nica coisa que queria era ser o melhor advogado do mundo.
Mas, quando se perde esse �mpeto, essa ambi��o que nos consome...
...estamos arrumados.
- O meu morreu com a Deena Brock. - Continua a ser o melhor.
Se isso fosse verdade, ter-te-ia deixado arrasar com a Jenny.
Para se ser o melhor, tem de se ser como ela, controlar tudo.
Nunca deixar nada ao acaso! N�o permitir nenhuma vulnerabilidade!
Controlo obsessivo.
Nunca se deixar que se seja a v�tima.
Caramba! Caramba! Boa! Boa! Boa!
Quero a grava��o original no laborat�rio criminal da Pol�cia.
Quero-a de volta daqui a duas horas. Na arena, daqui a 30 minutos! Boa...
Sou fant�stico. E, ainda assim, sou humilde.
A Acusa��o deseja contra-interrogar a testemunha?
Sim, Merit�ssimo. Que foi, agora?
V� e aprende. Obrigado.
Miss Dennison, quando decidiu que queria ser estrela da pop?
Acho que foi na primeira vez que vi um teledisco da Madonna. Tinha 7 anos.
Al�m da Madonna, que outros artistas admira?
- J. Lo, Britney Spears, Aguilera? - Sem d�vida.
Essas cantoras exprimem uma sexualidade expl�cita a cantarem.
Mas, segundo o material promocional da Defiance Records,
a sua editora, voc� � a pr�xima Norah Jones.
"Sadia, espiritual e terra-a-terra." Isso n�o a incomoda?
A Defiance contratou-me. Decidem a melhor forma de vender.
Mas j� planeia a sua carreira desde a prim�ria.
E sabe que o sexo vende.
Por que acha que n�o lhe deram ouvidos?
Protesto. Qual � a relev�ncia destas perguntas?
- Mr. Stark? - Miss Dennison...
Isto � um teledisco que fez h� quatro anos, numa c�mara de filmar SD200.
� a Prova D da Defesa, previamente registada.
Um exame laboratorial confirma que esta grava��o
possui os mesmos vest�gios electromagn�ticos que a sua grava��o
com Terrence Rourke, no Hotel Chateau.
Ou seja, estas duas grava��es foram feitas
exactamente pela mesma c�mara, a sua c�mara.
Importa-se de explicar ao j�ri
por que mentiu sobre a c�mara usada na grava��o?
Eu n�o menti. O Terry deve ter usado a minha.
N�o foi isso que disse. Disse:
"Ele mostrou-me a c�mara. Deve t�-la trazido com ele."
O seu depoimento consta do auto. Pe�o para o lerem?
- Um breve intervalo? - Negado.
Miss Dennison, podia dizer ao j�ri por que se filmou a si mesma
e a Terrence Rourke a fazerem sexo no Hotel Chateau?
Foi tudo um grande mal-entendido.
Contou ao Terrence que estava a filmar-vos?
- N�o, mas... - Porqu�?
- Achei que n�o se importaria. - Mas importou-se.
De facto, ficou horrorizado com o que fez.
Que aconteceu quando Terrence Rourke percebeu o que tinha feito?
Quando o Terry reparou na c�mara, ficou furioso.
Receava que a m�e visse a grava��o.
- Voc� tencionava torn�-la p�blica. - Eu n�o disse isso!
Ser� humanamente poss�vel ter divulgado esta grava��o
para provocar um esc�ndalo que lan�asse a sua carreira?
- N�o! - N�o entregou a grava��o � Pol�cia.
Com os dedos ensanguentados e entregou-a � sua empres�ria.
E, agora, como que por magia, pelo maior dos milagres,
acabou por ir parar � Internet.
E toda a gente fala nela.
Falam de si, na semana em que o seu primeiro �lbum vai ser lan�ado.
Consegue olhar os jurados nos olhos e dizer a algum deles
que se trata de um acidente c�smico?
Agora, tem a bondade de contar ao j�ri
o que aconteceu naquele quarto de hotel entre si e Terrence Rourke?
O Terry tentou tirar-me a grava��o.
Atirou-me para a cama. Tinha o joelho no meu peito.
Eu devia era ter-lha entregado.
- Por que n�o fez? - N�o sei.
N�o conseguia respirar. Fiquei com medo. Ainda estava um pouco b�beda.
Quando peguei na faca, s� queria assust�-lo, para que parasse.
N�o sei como foi isto acontecer.
Sabe, sim, Jenny, porque, assim que conheceu Terrence Rourke,
decidiu gravar o vosso encontro sexual.
Essa parte foi premeditada, n�o foi?
Foi, mas juro por Deus que nunca quis fazer-lhe mal. Por favor, acreditem.
Eu acredito.
Mas o seu plano custou-lhe a vida.
Custou o �nico filho a Elizabeth Rourke.
N�o h� perda maior.
N�o tenho mais perguntas, Merit�ssimo.
Quero uma foto com a estrela do momento.
- Merit�ssimo... - Procuradora P�blica, por favor.
- Sorte de principiante. - Chama-se ganhar. N�o se preocupe.
H�-de habituar-se.
- Est� bom. - Obrigado, Manny.
Vou dar-lhe exactamente 30 segundos para se gabar.
- Sabe que ganhou um grande caso? - Sei.
- Parece que perdeu o melhor amigo. - Estou prestes a perder muito mais.
Como estipulado aquando do div�rcio dos teus pais,
tendo chegado aos 16 anos, tens de escolher
qual dos progenitores ficar� com a tua guarda at� aos 18 anos.
J� tomaste uma decis�o?
J�.
A minha m�e tem sido tudo para mim. A minha protectora e melhor amiga.
Quando os meus pais se divorciaram,
pensei que o mundo ia acabar.
Ela fez tudo para o evitar. Quer dizer, estava um caco,
mas fingia que estava tudo bem, para eu n�o ficar assustada.
E nem sempre foi f�cil. Sabe, sei ser uma grande chata.
Mas a minha m�e ensinou-me
que n�o basta amar uma pessoa quando � f�cil.
Temos de am�-la quando � complicado.
Quando n�o o merecem. Quando est�o em sarilhos.
� para isso que serve a fam�lia.
� por isso que escolho viver com o meu pai.
Sabias disto?
Estou t�o espantando como tu. Se calhar, at� mais.
- N�o queria magoar-te. - N�o estou magoada.
Sim, estou um pouco. Mas, acima de tudo, estou com medo.
Sem ofensa, Sebastian, mas tu s� olhas para o teu umbigo.
- N�o me ofendeste. - A s�rio.
Sabes como � criar uma filha adolescente sozinho?
- N�o, mas se � o que a Julie quer... - O que ela quer? Tem 16 anos!
Quer um Porsche, sair com o Pr�ncipe Guilherme e a paz no mundo.
- � uma crian�a! - M�e! A minha vida est� toda aqui.
Oh, Jules...
� realmente isto que queres?
N�o posso impedir-te.
S� rezo a Deus para que saibas o que fazes.
Este � o maior caso que algum dia ter�s em m�os.
N�o deites tudo a perder.
Porqu�?
�s o �nico pai que algum dia hei-de ter.
E, se Deus existe, sou a �nica filha que algum dia h�s-de ter.
Neste momento, a m�e est� furiosa, mas aquilo passa-lhe.
Se eu for para Nova Iorque,
eu e tu trocaremos postais de anivers�rio e prendas de Natal.
Mas acabaremos por nos tornar uns completos estranhos.
Tu talvez prefiras isso, mas eu n�o.
- A �ltima coisa que eu quero... - Uma vez na vida, n�o digas nada.
Andei o suficiente no psiquiatra para saber que nunca hei-de bater bem
se n�o tentar resolver a nossa rela��o.
E h� outro motivo para te ter escolhido a ti.
Algo que, provavelmente, n�o compreendes,
e que, se calhar, nunca compreender�s.
Tu precisas de mim.
Legendagem: SDI Media Group
Ripadas e sincronizadas por: PT-Subs Rips
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