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Durante os anos 30,
como resposta � Grande Depress�o e ao crescimento do Fascismo,
milhares de americanos filiaram-se no Partido Comunista dos EUA.
Ap�s a alian�a dos EUA com a Uni�o Sovi�tica durante a 2� Guerra Mundial,
muitos mais se filiaram no PCEUA.
O argumentista Dalton Trumbo, defensor dos direitos dos trabalhadores,
tornou-se membro do Partido Comunista em 1943.
Mas a Guerra Fria gerou desconfian�a sobre os comunistas americanos.
CERTIFICADO DE NOMEA��O AO PR�MIO DE EXCEL�NCIA
TRUMBO
O que queres, Rocco?
O que todos queremos.
N�o morrer jovem, pobre ou sozinho.
Manny...
Estes tipos, eles...
Se eu n�o lhes der o que querem, matam-me.
Calma, Rocco.
N�o vamos enfrentar estes tipos.
Claro, pode ser que consigas...
- Merda! Raios partam! - Corta!
- Adere�os! - Corta!
Lamento. Lamento imenso!
- Vamos tentar de novo, Eddie. - N�o sei o que aconteceu.
Desculpa, Sam.
Claro que tinha que ser no dia que o argumentista est� connosco.
Est� connosco, mas n�o � um de n�s.
Qual � a minha fala brilhante, Trumbo?
Tenho-a aqui mesmo.
"Calma, Rocco. Se n�o enfrentarmos estes tipos...
Claro, pode ser que consigas a vida longa e feliz que todos queremos."
Nesse caso, estou a lutar pelo qu�?
Pela paz na Terra e a boa vontade entre homens.
Isso n�o � poss�vel. Estamos na Am�rica.
Certo. E se for pelo sexo e dinheiro?
Agora sim. Duas coisas que todos adoramos.
- Bem... - E nada de discursos sobre cidadania.
Muito bem, vamos tentar de novo.
O Mayer arranjou uma equipa de primeira categoria.
Sam Wood como realizador e Dalton Trumbo como argumentista.
Sem equipa, n�o podia trabalhar.
- Fa�o figas para que corra bem. - E tu n�o trabalhavas.
Deus me livre se tu ajudasses a p�r fim � greve dos cenaristas!
Que raio t�m os cenaristas a ver com os argumentistas?
O que os argumentistas escrevem, os cenaristas constroem.
E os que eles constroem, tu filmas.
Ganhas mais dinheiro que qualquer outro. Tal como eu.
Eles n�o podem porqu�? E porque n�o os podemos ajudar?
Ouve-te s�, o lamechas sovi�tico.
Por amor de Deus! Tu ganhaste, Sam!
A greve acabou.
E bem podias agir como um vencedor humilde.
Gente da tua laia nunca se d� por contente!
- Greve ap�s greve, ap�s greve! - Da minha laia?
Fazemos o que for necess�rio para haver justi�a!
- Sabes que mais? - V�, faz piadas.
Porque n�o tiramos todos umas f�rias de seis meses?
Por favor, Sam!
- Vou fazer greve... - Bom para ti.
...contra as pessoas que fazem greve.
E eu tamb�m n�o irei impedir o teu direito de o fazer.
Deixa-te disso, Trumbo! �s um...
Sabes que mais? Sabes? Passei muito tempo... O que foi?
- N�o est�s ajudar... - Sam, Sam.
Temos que falar sobre as cenas de amanh�.
Est� um desastre. Quem � que escreveu esse lixo?
Mas primeiro, d�s-me a honra desta dan�a?
Eddie, est�s a entornar a minha bebida!
Est�s a divertir-te?
Sempre.
Sra. Hopper!
Machete: Hollywood! Escrit�rio da colunista, Hedda Hopper.
Sauda��es da capital do cinema, onde tudo � sol e divers�o.
Ou ser� que n�o? Est�o a ver estas caras famosas?
Danny Kaye, Humphrey Bogart e a sua noiva atraente, Lauren Bacall.
Todos eles expressaram apoio �s greves dos cenaristas
para melhores sal�rios atrav�s de manifesta��es
que rapidamente tornaram-se violentas.
Porque, na realidade, estas greves foram organizadas por radicais perigosos.
Aqui, vemos o actor Edward G. Robinson, estrela do filme "Pacto de Sangue".
E este � o argumentista, Dalton Trumbo,
que �, tal como os outros grevistas e seus apoiantes,
filiado no Partido Comunista.
Quem � o respons�vel por estas manifesta��es?
Voc�s � que criam algo...
- E porqu�? - ...e eles � que ficam com os lucros todos!
Acham isso justo?
- N�o! - N�o!
Os nossos governantes ir�o averiguar a verdade.
Congressista J. Parnell Thomas e o seu Comit� de Actividades Anti-Americanas.
O comunismo n�o � uma amea�a remota.
Os seus agentes mais perigosos est�o aqui,
a controlar a r�dio e os filmes.
A controlar os empregados e os sindicatos.
T�m que ser identificados como inimigos que s�o.
Comunistas! T�m como objectivo dominar o mundo.
S�o a cara de um novo tipo de guerra.
A Guerra Fria.
Uma conspira��o para corromper os valores democr�ticos
e promover a tomada desta na��o.
A Mitzi adormeceu.
- Voc� a�! Era o senhor no filme? - Sim, era eu.
Traidor!
Meu Deus! Querido...
N�o, estou bem. N�o me magoei.
Anda. Vamos para casa.
Pai?
- �s comunista? - Sou.
- E isso � ilegal? - N�o �.
A senhora do chap�u grande disse que eras um "radical perigoso".
� verdade?
Radical, talvez.
Perigoso...
Apenas para os que pontapeiam latas de sumo.
Eu adoro o nosso pa�s e temos um bom governo.
Mas tudo o que � bom pode ser melhorado, n�o achas?
- A m�e � comunista? - N�o.
E eu sou?
Bem, que tal fazermos um teste?
A m�e faz a tua comida preferida para o almo�o.
- Presunto e queijo. - Presunto e queijo.
E, na escola, reparas que h� pessoas sem nada para comer.
O que fazes?
- Partilho. - Partilhas?
N�o mandas essas pessoas procurar emprego?
N�o.
Ofereces um empr�stimo de 6%. Muito inteligente!
- Pai. - Ent�o, simplesmente ignoras.
N�o!
Ora, ora... Sua pequena comuna.
Trumbo, como sempre, o que dizes s� a ti faz sentido.
Deixa eles chamarem-te comunista e a mim democrata.
Ambos s�o partidos leg�timos.
O teu � apenas pior e sem gra�a, mas nada disso f�-lo ser ilegal.
- Por enquanto... - Hunter,
diz ao teu amigo para deixar de ser paran�ico e que beba um copo.
Acho que ele n�o est� a ser paran�ico o suficiente.
- Tu tamb�m n�o! - J� n�o temos gelo.
Tomei a liberdade de produzir uns panfletos.
T�m como tema o Congresso estar alheio a uma coisa
chamada Primeira Emenda.
Eles est�o cientes disso, mas n�o querem saber.
Tudo o que importa � esta nova guerra.
Estes tipos adoram guerras, e esta � das boas
porque � incerta, assustadora e cara.
Quem � a favor � her�i. Quem � contra, um traidor.
- Exactamente! Obrigado. - N�o fumes junto aos quadros.
E quem julga que isto � sobre os filmes, � um idiota.
� por isso que tenciono ter uma pequena conversa com o outro lado.
- Est�s a falar da Alian�a? - Sim, estou.
- Perdeste a cabe�a? - Eddie, eles s�o actores,
argumentistas e directores, tal como n�s.
Eles s�o nazistas mas demasiado forretas para comprarem os uniformes.
Eles convocaram o Congresso para virem c�.
E achas que eles s�o todos como o Sam Woods e a Hedda Hoppers?
Por favor, n�o vamos demonizar quem n�o conhecemos.
Por mim, vamos em frente. Sabes com quem vais falar, n�o sabes?
Senhoras e senhores, o Sr. John Wayne.
Quero falar um pouco sobre um lugar que adoro.
N�o, n�o � Hollywood.
Eu gosto de Hollywood, mas adoro a Am�rica.
E quando falo da Am�rica, falo de liberdade.
Enfrent�mos uma guerra mundial para defend�-la.
Querem ser comunistas? Ent�o, sejam comunistas.
Mas tenho amigos em Washington que acham que voc�s devem explica��es.
N�o sabia que ele era t�o bom.
Isso porque est� a desempenhar o papel de ele pr�prio.
...mas estejam � vontade em sair e desfrutar o ballet russo.
Desculpe, senhor. Gostava de ler a Primeira Emenda?
- Um pouco de educa��o. - Conhece os seus direitos?
� um panfleto sobre a Primeira Emenda.
- � de leitura r�pida. - E de f�cil transporte.
Obrigado, Sam.
- "Do svidanya!" - Custa dinheiro imprimir isto.
Isto � um pesadelo.
Dalton?
- Hedda, boa noite. - Eddie, querido!
Hedda.
- Chap�u novo. - Um novo todos os dias, querido.
Tem ido ao cinema ultimamente, Dalton?
- O Duke n�o foi magn�fico? - Apenas disse o que precisava de ser dito.
- Ol�, Eddie. - Duke.
Ouvi dizer que tu e os teus amigos trouxeram panfletos.
- Algu�m pegou neles? - Ainda n�o.
Quer um, senhor? Somos comunistas.
Ele � argumentista.
Ningu�m os ir� ler, n�o aqui.
E porqu�?
Tudo o que diz � que o Congresso n�o tem o direito de investigar
em quem votamos, rezamos, como pensamos, falamos
ou como fazemos filmes.
Ol�, sou o Dalton Trumbo.
O Congresso tem o direito de perseguir qualquer amea�a.
� a� que eu n�o concordo, mas o objectivo � mesmo esse.
Ambos temos o direito de estarmos errados.
Se quer falar sobre direitos, primeiro diga de que lado est�.
A R�ssia j� n�o � nossa amiga.
� bom que abra os olhos porque estamos numa nova �poca.
- Uma nova �poca! - E?
E talvez n�o seja bom para gente do seu tipo.
Do meu tipo? Que tipo � esse?
O tipo que n�o faz ideia de como � que ganhamos a guerra.
Curioso. � a segunda vez que menciona isso.
Sabe, eu fui correspondente de guerra em Okinawa.
O filho da Hedda estava de servi�o nas Filipinas.
O Eddie estava na Europa no Centro de Informa��es.
- Relembre-me onde � que serviu. - Est� a insinuar alguma coisa?
- N�o, Duke. N�o est�. - N�o te metas nisto, Eddie.
Se vai falar da 2� Guerra Mundial como a tivesse ganho sozinho,
ent�o sejamos claros onde serviu.
Num est�dio, a disparar pistolas falsas e a usar maquilhagem.
E, se vai bater-me, deixe-me tirar os �culos.
Duke, anda. Vamos sair daqui.
Obrigado, Dalton. Acabou de escrever a minha pr�xima coluna.
Ainda bem que n�o tinhas inten��es de demonizar ningu�m.
Caso contr�rio, teria sido bastante constrangedor.
- O Manny jamais diria "amoroso". - Espera um momento.
Paul, dois ma�os de tabaco, por favor.
- Aqui tem. - Obrigado.
Tome.
Deus me livre, ela est� em todo lado!
Com o pr�ximo contrato, ser� o argumentista
mais bem pago de Hollywood.
Portanto, ser� o argumentista mais bem pago do mundo.
� bem merecido.
Voc� n�o s� escreve finais felizes como acredita neles.
� o que as pessoas pagam para ver.
� por isso que pertences aqui, na MGM. Certo, L.B.?
Detesto tornar as coisas muito f�ceis para si, mas...
Onde � que assino?
Mais uma coisa.
Se vai trabalhar para mim,
nunca mais quero voltar a ver algo assim.
Hedda Hopper: A nossa pr�pria amea�a vermelha
- N�o vai, prometo. - �ptimo.
Basta parar de ler a Hedda Hopper.
- Ent�o, o que disse o L.B. depois? - Por favor, n�o comeces.
N�o como desde esse dia.
O meu trabalho n�o � dif�cil o suficiente?
- O teu trabalho nem sequer � dif�cil. - Achas que foi f�cil convencer a Mayer
a oferecer-te um contrato depois daquelas manchetes?
Tens um contrato de tr�s anos para inventares o que quiseres.
N�o tens de qu�.
- Querido, agora n�o. - V� l�, m�e.
Ela consegue.
- Pede-lhe! - Consegue o qu�?
Cleo, � verdade?
Repara nisto.
- Trumbo... - Anda l�.
- Sabes que isso significa guerra. - Observem!
- Tive uma m�e fora do comum. - Ou seja, m�e artista.
A juventude perdida de uma crian�a acrobata.
Meu Deus, quanto tempo � que tiveste no mundo do espect�culo?
At� fazer 15 anos, mas era mais mundo do trabalho escravo.
- Bravo! - Magn�fico!
Sr. Dalton Trumbo?
Sim?
Vemo-nos em Washington.
INTIMA��O OFICIAL
Aproveite o seu piquenique.
Vamos, rapazes.
Sim, Sr. Stripling, senhor.
Dezanove intima��es foram entregues �queles que acreditamos
terem conhecimento da corrente amea�a comunista em Hollywood.
Que tipo de amea�a seria essa?
Setembro 1947
Uma conspira��o para corromper valores democr�ticos
e precipitar a queda desta na��o.
Utilizando os filmes?
Algum filme em particular ou...
Os filmes s�o a influ�ncia mais poderosa alguma vez criada.
E est�o infestados de traidores escondidos.
O Comit� de Actividades Anti Americanas foi formado para investigar
alegados comunistas a trabalhar em Hollywood.
As c�maras e um ex�rcito de jornalistas est�o a postos.
Sr. Reagan, foi-lhe comunicado
que certos membros da Associa��o dos Actores s�o comunistas?
Existe um pequeno grupo, mais ou menos consistente,
que n�s.... associamos ao Partido Comunista.
E consider�-los-ia uma influ�ncia destrutiva?
Diria que, �s vezes, tentam ser uma influ�ncia destrutiva.
Acredita que a ind�stria cinematogr�fica
estar� a fazer tudo ao seu alcance para livrar-se
das influ�ncias subversivas anti-americanas?
N�o. Os comunistas est�o por todo lado.
Comunicam directamente a Moscovo.
Em in�meras ocasi�es, agitadores comunistas tentaram
orientar-nos para caminhos duvidosos.
Estamos demasiado atentos para isso.
Pode nomear alguns desses agitadores?
Bem, Irving Pichel,
Edward Dmytryk, Frank Tuttle...
Se eu pudesse decidir, seriam todos enviados para a R�ssia,
ou para outro local desagrad�vel.
Teremos a nossa oportunidade para testemunhar dentro de 3 dias.
E aquilo que estamos prestes a fazer n�o ir� tornar-nos muito populares.
Est� bem, ent�o somos difamados e depois?
Responde a cada pergunta que te fizerem � tua maneira.
Ent�o, n�o lhes dizemos nada.
Maravilhosamente dito.
Bem, sabem o que isso significa?
Sim.
Quase de certeza que seremos citados por desacato ao Congresso.
Haver� um julgamento.
O que � que me est� a escapar? Apenas prevejo a pris�o.
N�o necessariamente.
Na Primeira Inst�ncia, sim, pode ser.
- Mas, na Apela��o... - Ir� funcionar.
O Supremo Tribunal � uma maioria liberal de cinco para quatro.
Eles acham que este Comit� � inconstitucional.
Querem encerr�-lo.
Parece-me �ptimo.
N�o contem comigo.
Niki.
Ouve, n�o consigo aguentar as despesas deste tipo de coisas que falam.
O Supremo Tribunal e as taxas legais...
Sabes, a Dorothy n�o vai concordar...
Quer dizer, as coisas j� n�o est�o grande coisa, mas, sabes...
Se gastar todas as minhas poupan�as nisto, ela vai-se embora com os mi�dos.
Eu cubro-te.
Despesas, viagens, taxas legais, tudo.
Nem sequer gostas de mim.
Gosto. Tu � que n�o gostas de mim.
N�o, sabes qual � o problema? N�o confio em ti.
Bem, eu diria para continuares, mas, tenho receio que o fa�as.
Ouve, eu sei aquilo que sou. Est� bem?
Quero que este pa�s seja completamente diferente, em tudo.
Se conseguir aquilo que quero, ningu�m ser� privilegiado.
Bem, isso seria uma vida extremamente enfadonha, n�o achas?
Sim, para ti.
N�o para os tipos que constru�ram isto.
Se estiver errado, diz-me, mas desde que te conhe�o, falas como um radical.
Mas, vives como um tipo rico.
Isso � verdade.
Bem, acho que n�o est�...
N�o me parece que estejas disposto a perder tudo isto, apenas, para fazer o correcto.
Bem, desprezo os m�rtires e n�o vou lutar por uma causa perdida.
Portanto, tens raz�o.
N�o estou disposto a perder tudo. Eles certamente n�o.
Mas estou disposto a arriscar tudo.
� a� que o radical e o tipo rico fazem a combina��o perfeita.
O radical pode lutar com a pureza de Jesus.
Mas o tipo rico ganhar com a ast�cia de Satan�s.
Merda!
O que foi?
Cala-te, por favor.
Fa�o o que quiseres.
S� n�o diga mais disparates como esse.
N�o posso garantir isso.
O problema dos "vermelhos" agita a audi�ncia!
Em Washington, dez dos 19 intimados originalmente,
come�aram os seus depoimentos perante o Comit� de Actividades Anti-Americanas.
Sr. Trumbo, levante a sua m�o direita.
Jura solenemente que o testemunho que est�s prestes a efectuar
� a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade, assim Deus o ajude?
Juro.
Sente-se, por favor.
Sr. Trumbo, irei colocar-lhe agora
uma s�rie de quest�es que dever�o ser todas respondidas com "sim" ou "n�o".
Bem, responderei "sim" ou "n�o", se me apetecer responder.
Responderei com as minhas pr�prias palavras.
Muitas perguntas podem ser respondidas "sim" ou "n�o", por um idiota ou um escravo.
Basta!
Est� a recusar-se a responder � pergunta?
Sr. presidente, n�o me recuso a responder a nenhuma das suas perguntas.
� de momento, ou j� foi membro do Partido Comunista?
- Posso apresentar como prova... - N�o. N�o! Est� em desrespeito!
- ...o meu trabalho, os meus argumentos... - N�o, n�o, n�o, n�o, n�o, n�o.
... atrav�s do qual est� a fazer esta determina��o?
N�o, o Comit� � que ir� decidir...
- � cr�tico para... - N�o, s� um minuto.
Os seus argumentos s�o demasiado longos.
J� ouvi isso antes.
� de momento, ou j� foi membro do Partido Comunista?
Estou a ser acusado de um crime?
N�o faz as perguntas.
Em caso afirmativo, penso ter o direito de ser confrontado
com quaisquer provas que sustentem esta quest�o.
- Est� a recusar-se responder �... - Gostava muito de ver aquilo que t�m.
Gostava? Vai ver, muito em breve!
�ptimo!
A testemunha est� dispensada.
Acredita que este Comit� tem o direito de obrigar ao testemunho.
Est� dispensado, senhor! A testemunha est� dispensada!
De condicionar a opini�o, criminalizar o pensamento...
- Guarda, leve-o daqui! - Mas esse direito n�o existe, senhor!
Ordem!
E no dia que existir, Deus nos ajude a todos!
Esta � uma t�ctica tipicamente comunista!
Isto � o in�cio de um campo de concentra��o americano!
Ordem!
Diga o seu nome, por favor.
Arlen Hird. Sou argumentista.
Compreende, senhor, que se recusar responder �s minhas perguntas,
posso acus�-lo de desrespeito ao Congresso?
Eu ainda n�o me recusei, pois n�o?
� de momento, ou j� foi membro do Partido Comunista?
Bem, gostava de responder-lhe, Congressista, mas preciso consultar o meu m�dico.
- O seu m�dico? - Sim.
N�o compreendo.
Para saber se ele poder� remover cirurgicamente a minha consci�ncia.
Esta � uma testemunha hostil...
� uma t�ctica tipicamente comunista!
Arlen. Arlen, o que se passa?
� cancro.
O qu�?
Meu Deus...
H� quanto tempo � que sabes?
- Tr�s meses. - Meses?
Est�s a fazer algum tratamento?
N�o gosto das op��es.
� cancro nos pulm�es.
� mau se operarem, e � mau se n�o operarem.
Bem, h� alguma coisa que possa fazer por ti?
N�o! N�o, � cancro.
Sim, mas...
Meu Deus!
Queres fazer alguma coisa? Certifica-te que este plano resulta.
Estou sem op��es.
OS 10 DE HOLLYWOOD ACUSADOS DE DESRESPEITO
�ramos t�o jovens. Pens�vamos que sab�amos tudo.
E sab�amos.
N�o, eu n�o.
N�o, n�o me apercebi o quanto amava isto tudo
at� atingir uma certa idade, e os pap�is come�arem a escassear.
Lembro-me de pensar... "Bom... o que � que podemos fazer
"quando amamos uma coisa e ela deixa de amar-nos?"
Lutamos.
N�o, n�o, n�o. Amamo-la ainda mais, at� que se renda.
Hedda, nunca deixaste a MGM, ou o meu cora��o.
Como est� o teu filho?
�ptimo. �ptimo.
- Ainda est� na Marinha? - Sim, � Primeiro-Tenente.
Criaste um verdadeiro her�i.
E � por isso que gostava de dizer-lhe
que estamos a fazer tanto por este pa�s como ele.
� complicado.
O Trumbo, os outros...
Todos t�m contratos.
L.B., tu ajudaste a construir este neg�cio, tal como eu.
N�o vamos ficar a ver estes idiotas a destrui-lo.
Tenho que gerir um est�dio, Hedda.
Achas que gosto de todos aqueles que est�o na minha folha de pagamentos?
V� se cresces...
E se eu esclarecer tudo junto dos meus 35 milh�es de leitores,
divulgando quem � que, exactamente, gere Hollywood e n�o despede estes traidores?
E se eu citar nomes? Nomes verdadeiros.
Jacob Werner... Jack Warner.
Schmuel Gelbfisz... Sam Goldwyn. E claro, o teu. Lazar Meir.
Tem cuidado com aquilo que dizes!
H� 40 anos, estavas a morrer � fome numa aldeia judia qualquer.
O melhor pa�s do mundo recebeu-te, deu-te riqueza, poder...
Mas, quando precisamos de ti, tu n�o fazes nada.
E �, exactamente, isso que os meus leitores esperam
de um neg�cio controlado por judeus.
Sai!
Sabes, L.B., eu gosto de ti.
Alguns dos meus anos mais felizes foram passados neste s�tio.
N�o no teu escrit�rio, � claro.
Andavas sempre a tentar foder-me no sof�.
Eu tentava manter a minha virtude intacta... Ou quase.
Mas, os tempos mudam.
Agora, eu foder-te-ia com prazer.
EST�DIOS DE CINEMA DESPEDEM COMUNISTAS!
Todos concordaram unanimemente dispensar os 10 de Hollywood,
sem qualquer compensa��o, com efeitos imediatos.
Nenhum est�dio jamais ir� empregar um membro do Partido Comunista,
ou algu�m que se recuse a colaborar,
nesta nossa luta contra esta terr�vel nova amea�a.
Ele � adorado pelos f�s do cinema, h� mais de 20 anos.
Mas j� se aperceberam que ele n�o tem aparecido muito nos ecr�s ultimamente?
Maus resultados de bilheteira?
N�o. M�s pol�ticas.
M�s not�cias, sem d�vida, para o Sr. Edward G. Robinson.
Muito obrigado por terem vindo.
Os 10 de Hollywood v�o a tribunal por todos n�s.
Ser� longo, dispendioso,
por isso, por favor, d�em o m�ximo que puderem para o fundo da Defesa.
Obrigado por terem vindo.
- Boa noite, minha querida. - Boa sorte.
- Boa noite, senhor. Obrigado. - Adeus.
Bem, esta pequena reuni�o n�o teve...
o mesmo frenesim de outrora, pois n�o?
Onde � que est�o todos os liberais, assim de repente?
Com os seus advogados ou psiquiatras.
Provavelmente, ambos.
Para o fundo da Defesa.
Eddie...
Tens trabalhado?
O neg�cio est� algo lento.
Vendeste um.
O "Van Gogh".
Consegui um bom pre�o.
Eddie...
Meu Deus, olha para isto. Eddie, n�o posso permitir que tu...
Ficarei bem, mi�do, aceita.
N�o, � demasiado. �, simplesmente, demasiado.
Aceita.
Eddie, eu...
Tudo aquilo que fizeste...
Aquilo que ele est� a tentar dizer � que gosta imenso de ti.
Tamb�m gosto dele. Do presun�oso filho da m�e.
Tenho uma �ptima oferta no "Monet", se quiseres subornar o j�ri.
No caso EUA vs Dalton Trumbo,
Junho 1949, Washington D.C.
consideramos o r�u culpado de desrespeito ao Congresso.
Sr. Trumbo! Sr. Trumbo!
Vou ter contigo ao carro.
Sr. Trumbo, foi acusado de desrespeito ao Congresso?
Bem, eu tenho total desrespeito por este Congresso.
S� achei que o j�ri fosse perceber porqu�.
O Supremo Tribunal ir� tentar esquecer rapidamente este veredicto,
e encerrar o cap�tulo mais vergonhoso da hist�ria do Congresso.
Agora, � isto, rapazes. N�o temos mais nada.
N�o, acabou-se, acabou-se.
Como � que est�s de finan�as?
Teso com um homem falido. Porqu�?
Bem... deves-me 30 mil d�lares. O recurso custar� duas vezes isso.
Bem, � melhor regressar ao trabalho.
A fazer o qu�? N�o tens talento para mais nada.
Hollywood riposta!
Fala Gregory Peck.
Um estado de quase histeria, acerca dos alegados comunistas neste pa�s,
amea�a a liberdade dos outros cidad�os.
Este � o tr�gico resultado que adv�m do Comit� Anti-Americano.
Fala a Lucille Ball.
Todos n�s concordamos que a Constitui��o dos EUA deve ser defendida.
Mas a forma de o fazer n�o � silenciando as pessoas de quem discordamos.
Devemos lutar pelo direito de falar e de sermos ouvidos.
Todas as liberdades civis andam de m�os dadas.
E quando uma cai, as outras ficam enfraquecidas.
Assim como a queda de um dos pilares de uma casa,
iria p�r em perigo toda a estrutura.
Daqui a uns dias vai para casa.
Bem, parece-me que vais viver.
Deixaram-me bem o suficiente s� para ir para a pris�o.
Como � que te sentes?
Respiro s� por um pulm�o, que � t�o bom como se fossem dois.
Olha,
Arlen, j� sei sobre a Dorothy.
Sim, ela foi embora.
O timing dela foi sempre fant�stico.
Desculpa.
N�o, eu sei. Como � que podes deixar isto tudo?
Como � que vai isso l� fora?
Todos te invejam.
Bem, como n�o poderiam?
Tenho o melhor quarto na pris�o.
Devias saber. Foste tu que o pagaste.
- Parab�ns, Buddy. - Obrigado, amigos.
Quem precisa dos est�dios? Sou estritamente independente.
Tenho muitos rolos de filmes, ma�os de dinheiro de Wall Street,
e o meu patr�o favorito, eu.
- Sa�de. - Sa�de.
E tu, seu maluco filho da m�e,
vais escrever todos os meus filmes assim que a merda em Washington se resolva.
E como � que isso vai acontecer?
N�o sou pol�tico, gra�as a Deus.
Se me chamarem e acusarem, apenas direi,
"Eu fiz isso. Desculpem, n�o o queria fazer."
E ai o congresso pergunta,
"�s, ou j� alguma vez foste um Democrata?"
"J�, e meu Deus, sinto-me mal por isso."
E ai eles querem os nomes de outros Democratas.
O Bill e o Earl, o Nate, o Tom.
E eu digo, "V�o para o inferno."
A s�rio?
Quantos bancos financiam os inimigos do Estado?
O teu dinheiro acaba, a n�o ser que d�s os nomes dos teus amigos.
Nunca mais trabalham, mas ser� a �nica maneira para que possas trabalhar.
Todos nos conhecemos, as nossas fam�lias.
Somos amigos.
Que vais fazer, Buddy?
S� tu.
Mijar no melhor dia da vida de um gajo.
S� tu!
Por amor de Deus.
"De acordo com o protocolo estabelecido..."
Que � que ela diz?
Que � que a princesa diz?
Merda... Merda!
"N�o deve haver qualquer semelhan�a."
"Preocupa-me um bocado."
Bom dia, Nikola.
Pensava que nunca mais podias escrever.
N�o,
s� n�o posso assinar com o meu nome.
Ou ser pago.
Como � que isso funciona?
Nada bem.
� engra�ado. � fresco e rom�ntico.
Quem escreveu?
Foste tu, rapazola.
Mete ai o teu nome no meu trabalho,
entrega-o no teu est�dio e temos neg�cio.
Foi uma sorte n�o ter sido intimado e n�o ter entrado na lista negra.
As audi�ncias v�o come�ar novamente em breve.
Vou ser chamado e vou preso.
Ent�o, r�pido, rapaz.
Vamos vender esta pequena beleza e dividir, 50-50.
Rid�culo. Eu fico com 10%.
Ficas com 20. N�o, 30! E � a minha oferta final.
�s o pior homem de neg�cios de sempre.
- Detesto o t�tulo. - Eu tamb�m.
A s�rio? Que mal � que tem?
- "A Princesa e o Campon�s." - Sim.
Meu Deus, por favor, Trumbo, parece um espect�culo de marionetas.
Bem, ent�o, muda-o.
J� o fiz.
A s�rio? Achas que este t�tulo � melhor?
"F�rias em Roma."
Eu gosto.
Quem te convidou?
Eu. Ela � a minha Trumbo preferida.
Setembro 1949
Estou a introduzir a legisla��o para que, no caso de uma emerg�ncia nacional,
todos os Comunistas sejam enviados para campos de internamento.
E o presidente apoia isto?
� bom que o fa�a.
Parnell, tenho de falar-lhe em privado acerca dos seus funcion�rios.
Desculpem-me, cavalheiros.
Como disse, Bob, s�o funcion�rios com sal�rios leg�timos da minha terra natal.
O que n�o me contaste � que s�o todos parentes uns dos outros.
O que � completamente legal.
Excepto que nenhum paga impostos.
N�o digas mais nada sem a presen�a de um advogado.
- Sra. Trumbo? - N�o.
- Sra. Trumbo! Ol�. - Jeff.
Senhora, tenho que receber.
- Pe�o desculpa. - Tenho homens com fam�lia.
O meu marido n�o tem conseguido arranjar trabalho.
Devemos a toda a gente.
- Senhora, por favor. - Estou t�o...
Cleo, estamos ricos!
Aqui esta, Jeffrey.
Voc�s vivem vidas excitantes.
Bem, agrade�o-lhe. Agrade�o muito.
Obrigado, Betty!
Conseguimos, Cleo!
Vendemos "F�rias em Roma"! � Paramount.
O nosso querido Ian �...
O que foi, o que se passa?
O juiz Rutledge morreu.
N�o, n�o, foi o juiz Murphy que morreu no m�s passado.
E o Rutledge.
Ontem � noite.
O Juiz Wiley Rutledge morre aos 55 anos de hemorragia cerebral.
Ent�o...
Vai ficar tudo bem. Vais ver.
Sem uma maioria liberal em tribunal,
o nosso recurso vai ser negado.
O que significa que temos de preparar-nos para irmos todos presos.
Se voltasse atr�s, n�o mudava nada. Nem uma �nica coisa.
Vamos perguntar-nos isso daqui a um ano.
Junho 1950
Fazes-me um favor?
Guarda-me isto enquanto estiver ausente.
Obrigado, querida.
A tua m�e precisa de, no m�nimo, rir-se uma vez por dia.
Temos acordo?
Est� bem.
Onde esta aquela pequena semente de ab�bora?
- "Os 10 de Hollywood!" - Obrigado.
"Os 10 de Hollywood!"
Voc�s s�o her�is!
28 c�ntimos.
Isqueiro dourado.
Carteira.
Caixa de cigarrilhas.
Levante as m�os.
Abra a boca. Mais.
Vire a cabe�a para a direita. Para a esquerda.
Olhe para cima.
Abra as pernas.
Pegue no escroto e puxe-o para cima.
Vire-se.
Abra as n�degas.
Agache-se.
Tussa.
Vire-se.
Pode ir.
Pr�ximo!
Agosto 1950
O director diz que tenho de portar-me bem.
Ele quer um trabalho melhor?
Coloquei-o como respons�vel do maldito armaz�m de abastecimentos.
Porque eu sei uma coisa que o director n�o sabe.
O cami�o est� descarregado. O motorista precisa de uma assinatura.
Na verdade...
Ele precisa dela aqui.
Sabe...
Se precisar de ajuda,
eu costumava tratar da expedi��o numa... Numa padaria.
- Ouvi dizer que eras escritor. - Bem, isso tamb�m.
E comunista.
Que raio se passa convosco? Este pa�s � excelente.
Concordo.
Escreves � m�quina?
P�ra.
Bem, se ao menos soubesse ler.
"Protocolo para devolu��o de produtos.
"Deve haver c�pias preenchidas em triplicado do formul�rio 14-A
"nos Abastecimentos, na Expedi��o e no gabinete do director."
Pensas que vais ensinar-me o alfabeto
e que vou apertar-te a m�o em agradecimento e dizer,
"Obrigado, Sr. Trumbo. Mudou a minha vida, senhor.
"Nunca irei esquec�-lo."
Apanhei 20 anos por matar um branco que tentou roubar o meu bar.
Fi-lo e voltava a faz�-lo.
Olha-me de alto a baixo e lixo-te, como nunca foste lixado
em toda a tua vida da treta em Beverly Hills.
Estou aqui para tentar passar o tempo e obter a condicional.
Queres ajudar-me a conseguir isso?
Bem-vindo � porcaria dos Abastecimentos, camarada.
Querida Cleo, n�o conto os dias ou as horas.
Conto os segundos.
�s vezes julgo que vou morrer de t�dio. Outras vezes, de medo.
N�o deste s�tio.
At� agora, os seus desafios t�m sido todos super�veis.
Aumentados por dias de ador�vel t�dio.
t�o tranquilos e calmos ap�s toda aquela tumultuosa
batalha feia e azarada.
N�o, o meu receio � pelo que ir� acontecer quando eu sair.
� nossa fam�lia e ao nosso pa�s.
Nem todas as not�cias s�o preocupantes.
Algumas recordam-me que aquilo que a imagina��o n�o pode evocar,
a realidade concede-nos sem esfor�o.
E a realidade concedeu, em toda a sua maravilha beatificada,
ao sistema penal federal, J. Parnell Thomas,
condenado por evas�o fiscal.
Bem, olha para n�s. Dois prisioneiros.
S� que tu cometeste mesmo um crime.
N�o obstante,
sei que sou o azarado com mais sorte que j� viveu,
porque tu e as crian�as aquecem-me, alimentam-me,
vestem-me, acalmam-me e rejuvenescem-me
ao n�o deixarem nunca o meu cora��o.
Com amor, prisioneiro n�mero 7551.
N�o vamos conquistar aquela colina aos japoneses com balas,
bombas ou punhos. - Sim!
Vamos conquist�-la com sangue.
Quem perder mais, perde.
E n�s n�o perdemos.
- Perdemos? - N�o!
Perdeste.
Foi o que eu pensei.
Conheces o John Wayne?
Conhe�o.
Como � que ele �?
Voc�s iam gostar um do outro.
Ele n�o � bonito?
Muito bem.
M�e, tenho uma nova.
Pronto, espera.
V�, vais assustar o cavalo.
M�e, � melhor vires depressa!
Edward Robinson, � ou foi alguma vez
membro do Partido Comunista?
N�o sou, nem nunca fui membro desse partido, senhor.
Sempre fui democrata liberal.
Mas na sua casa, ao longo dos anos,
tem havido reuni�es pol�ticas frequentadas por pessoas
que sabemos que s�o comunistas.
Sim, senhor. Sim, agora tenho conhecimento disso.
Pris�o Federal Texarkana
Houve actividades tremendas
e angaria��es de fundos... - Merda.
...que ocorreram na minha casa durante a guerra.
Na altura desconhecia
as verdadeiras afilia��es deles
ou o trabalho que estavam a desenvolver.
Nunca me passou pela cabe�a que algumas daquelas pessoas fossem comunistas.
Fui enganado e usado.
- Mentiram-me. - Mas quem � que o usou?
Bem...
As for�as sinistras
que provavelmente est�o � frente destas organiza��es.
Fale-nos das pessoas que se est� a referir.
Sr. Robinson?
Bem, t�m o Albert Maltz.
Conheci o Frank Tuttle,
e o outro homem que,
o homem do topo que dizem ser o comiss�rio...
- O Arlen Hird? - Sim, sim, o Arlen Hird.
- O Dmytryk n�o conhecia. - Agora sou comiss�rio.
O Ian McLellan Hunter e...
...o Dalton Trumbo.
Obrigado, Sr. Robinson.
Obrigado.
Sr. presidente, n�o tenho mais perguntas.
Um bufo como esse aqui dentro,
acaba morto.
O Eddie devia voltar ao trabalho. Ele fez o que tinha a fazer.
N�o, n�o, ele fez o que foi obrigado a fazer.
Bem, o facto � que ele f�-lo.
Homens e rapazes corajosos est�o a lutar esta batalha contra o comunismo.
Est�o a sacrificar-se sob formas que nem sequer imaginamos.
E tu queres falar da carreira cinematogr�fica de um idiota qualquer?
Por mim, via o Eddie Robinson e todos os que s�o como ele mortos
se isso trouxesse um rapaz da Coreia. S� um.
Ent�o est�s a dizer o qu�?
Que tipos como o Eddie colaboram e n�o recebem nada?
Isso n�o � justo.
Cuidado, Duke.
Ou o qu�, Hedda?
Se n�o tiver cuidado, acontece o qu�?
N�o fazia ideia que eras t�o mole.
Sou mesmo assim. Sou todo abra�os.
Estou orgulhoso de ti, Eddie.
N�o foi f�cil, eu sei. Mas estiveste bem.
Obrigado, Duke.
Vou ligar para os est�dios. As propostas v�o chegar aos montes.
Claro.
Obrigado.
Morte para o espi�o Rosenberg, condenado no processo at�mico.
Um dos melhores dramas de espionagem da hist�ria em tempos de paz do nosso pa�s
atinge o cl�max, quando Julius e Ethel Rosenberg s�o sentenciados � morte
por revelarem segredos at�micos � R�ssia Sovi�tica.
O Senado J�nior investiga Washington
O senado j�nior de Wisconsin, Joseph McCarthy,
est� a iniciar a sua investiga��o a alegados comunistas que ele acredita
estarem infiltrados no nosso governo, ex�rcito e escolas.
...porque o inimigo conseguiu que os traidores e ing�nuos
fizessem o seu trabalho dentro do nosso governo.
Um comunista na faculdade
de uma universidade � um comunista em demasia.
Um homem ou � leal ou desleal.
Abril de 1951
Obrigado, Billy.
Est�o aqui! Est�o aqui!
- Chegaram a casa! - Pai!
Estou a ser atacado por gigantes!
O que � que voc�s, lindas criaturas, fizeram com os meus meninos?
Pai, tivemos saudades tuas.
- Christopher. Mitzi. - Ol�, pai.
C�us.
Nikola, olha para ti.
Ela cresceu muito.
Est�s a usar batom?
Pai...
Tive tantas saudades vossas. De todos.
Vamos para dentro. Quero saber tudo...
Vende-se
Lamento muito...
Buddy! Como est�?
N�o tenho nada para lhe dizer.
Parece que apanhamos peste na pris�o.
Sim, bem, � o Buddy Ross, ele sempre foi um cretino.
Pois.
E tamb�m est� com problemas.
- Tr�s filmes, tr�s fracassos. - A s�rio?
Olha para ele. Est� a tentar vender a alma mas n�o a encontra.
S� espero que se mantenha tempo suficiente para ser bem processado.
A s�rio? Por quem?
- Por mim, por ti e por todos n�s. - C�us...
Usamos o sistema capitalista contra eles,
no tribunal civil. Vamos tentar ficar-lhes com o dinheiro.
- N�o. N�o. N�o. - Pelo que nos fizeram!
Vamos faz�-los afirmar sob juramento...
N�o, n�o, n�o. Credo!
J� n�o passaste tempo suficiente em tribunal?
Eu sei que passei. Credo!
O que mais podemos fazer?
Fazemos a �nica coisa que dizem que n�o podemos.
Ou�a, � um excelente escritor. N�s n�o ganhamos nada.
N�o consigo imaginar.
Sr. King, sou escritor de gui�es.
Se n�o conseguisse escrever, passava fome.
Trumbo, n�o temos dinheiro para si.
Quanto pagou pelo gui�o daquilo?
"Homens sem Lei".
$1,200.
Est� bem. Escrevo-lhe um filme por $1,200, ent�o.
E n�o quer o seu nome nele?
N�o, o senhor � que n�o quer o meu nome nele.
Tem raz�o.
Especialmente se ainda andar envolvido em coisas.
Est�?
Eternamente.
C�us.
Tem alguma ideia?
Bem, acabei de sair da pris�o.
Que tal um policial?
A hist�ria de um criminoso, a subida e queda.
J� vi isso muitas vezes.
Porque d�o sempre dinheiro.
Certo, quando recebo o que me interessa?
Dentro de tr�s dias.
Um gui�o de 100 p�ginas em tr�s dias?
Est� a gozar comigo?
Porque se gozar comigo, eu respondo-lhe.
Sr. King, j� ouvi este discurso.
Era melhor na pris�o.
"N�o, chefe...
"Ele..."
Est� a gozar comigo? Hymie, anda c�!
Hymie, paga ao homem! � um g�nio. Lindo!
Esperem l�, ou�am. Temos o "Assassino do P�ntano".
A melhor personagem � o p�ntano.
"Mulheres na Pris�o".
Mulheres a lutar de roupa interior.
� perfeito, exceptuando o facto de n�o prestar. Que mais, Hymie?
"Piratas". N�o temos dinheiro para as cenas no oceano.
� tudo.
Corrija-os a todos.
Quer mais, n�s temos mais. Ena, p�!
Highland Park, California
Ent�o, o que acham do novo bairro?
- Eu gosto. - Sim, � agrad�vel.
Sim, pai.
Vai ser bom estar na cidade.
Vejam s�!
- Trouxe-lhe limonada. - Obrigado.
Muito trabalho. Est� a aguentar-se bem?
- Bastante bem. - Obrigado.
Esquecemo-nos das toalhas!
Raios! Espera por mim. Espera por mim.
BEM-VINDO AO BAIRRO, TRAIDOR
Mitzi...
V�O-SE EMBORA
Bem, h� muitas...
pessoas furiosas e ignorantes no mundo.
Parece que andam a reproduzir-se em n�meros recorde.
Tudo o que podemos fazer como fam�lia � mantermo-nos juntos,
e vigilantes.
"F�RIAS EM ROMA"
Janeiro 1953
Argumento e hist�ria por Ian McLellan Hunter
"A Boca da Verdade".
Diz a lenda que se fores mentirosa e meteres a m�o ali dentro,
ela ser� arrancada � dentada.
Que ideia horr�vel!
Vamos ver-te a faz�-lo.
Vamos ver-te a ti a faz�-lo.
Claro.
Ol�.
� um grande �xito. Excelentes cr�ticas.
N�o trabalho h� nove meses. E tu?
Bem, n�o h� zeros suficientes
num sal�rio da King Brothers para sobreviver,
mas necessitam de gui�es como um ex�rcito de papel higi�nico.
Qualidade m�nima, quantidade m�xima.
Seria de pensar que quando as ambi��es art�sticas de um filme s�o inexistentes,
o trabalho seria rejeitado numa semana.
Mas agradar consistentemente a dois antigos vendedores de m�quinas de jogos
acaba por ser um obst�culo dif�cil de superar.
Tornei-me um estranho na minha casa.
Todas as semanas de trabalho t�m 7 dias, todos os dias t�m 18 horas.
A cada minuto, fico mais para tr�s.
Precisam de cinco como tu.
A �nica quest�o � se estes comunas sabem escrever?
Bem, o senhor elegante no fato cinzento
� o Ian McLellan Hunter.
Foi ele que escreveu "F�rias em Roma".
Ele acabou de ser intimado.
Ele acabou de ser nomeado para um �scar da Academia.
Toda a gente naquela mesa j� foi nomeada.
O Alvah Bessie e o Adrian Scott. Arlen Hird.
O Ring Lardner Jr. e o Albert Maltz e...
Vai ser assim.
Vou encontrar o escritor e trabalhar com ele.
Ele entregar-me-� o gui�o.
Se for bom, entrego-vos
Se precisar de uma remodela��o, eu corrijo-o.
Ningu�m � pago at� estarem satisfeitos.
E estes escritores est�o todos... Est�o todos...
- Quero dizer, est�o todos... - Na lista negra.
�s mesmo um medroso.
Sabem, estamos em guerra contra os comunistas.
- N�o estamos nada. - � um novo tipo de guerra.
Sim, t�o nova que n�o existe.
- E os Rosenbergs? - O que � que t�m os Rosenbergs?
- Roubaram a bomba at�mica. - N�o a roubaram de um cami�o.
Oi�a, compr�mos um fato de gorila.
Temos de us�-lo.
Bem...
Portanto, tinhas cinco trabalhos.
E agora s�o nossos e n�o tens nenhum?
Agora tenho disponibilidade de arranjar mais cinco trabalhos e escritores.
E cada um arranja mais cinco trabalhos e escritores.
Para isto ser sustent�vel, t�nhamos de escrever todos os gui�es da ind�stria.
Arlen, que rapaz t�o desonesto.
Ent�o, quem quer escrever um filme sobre um gorila?
Quem n�o quer?
Agora trabalhamos � meia-noite,
sob nevoeiro denso,
entre desconhecidos.
N�o literalmente.
Estamos a gerir um neg�cio de fam�lia.
Vamos adicionar novas linhas telef�nicas
e, ao atender, nunca digam "Resid�ncia Trumbo."
Irei escrever para v�rios produtores sob nomes diferentes.
Seja qual for o nome que digam, venham ter comigo.
Ou anotem um recado.
- Estou? - O John Abbott est�?
N�o, senhor, quer deixar mensagem?
A porta tem de ser atendida a qualquer hora.
Venho buscar uma encomenda para Sally Stubblefield.
A tua m�e pode assinar?
Obrigada.
Ditados, estenografia e escrita ser�o ensinados.
Quem tiver idade legal, ter� um dos trabalhos mais importantes imagin�veis.
Estafeta.
Os gui�es t�m de ser entregues aos produtores sem levantar suspeitas.
Alguma pergunta? Preocupa��o?
- Sim, Nikola. - H� um hor�rio?
Um qu�?
Preciso de saber quando posso fazer os trabalhos de casa.
E fa�o parte do comit� de angaria��o de fundos para o direito de voto dos negros.
Al�m disso, �s sextas temos reuni�es do Conselho Estudantil.
- Tenho de... - Niki, vamos pensar em algo.
N�o �?
E os protestos continuam enquanto o Supremo Tribunal poder� em breve
analisar o assunto da segrega��o racial.
Negros das vilas e cidades do sul t�m ido para as ruas em grande n�mero.
Tudo sobre o escrut�nio das autoridades de seguran�a.
Tem havido relatos n�o confirmados de motins e dist�rbios.
Mas n�o se sabe se a viol�ncia foi iniciada pelos protestantes...
Nikola!
...grupos de vigilantes de ra�a branca.
Para al�m do sul, por toda a na��o...
Toma.
Alguns erros, n�o muitos.
Muito bem.
...todos os oficiais governamentais de sal�rios elevados
deviam fazer uma declara��o p�blica sobre os seus rendimentos...
Isto conclui a programa��o de hoje.
Quem � o Graham Tauper?
"A Freira Ninfoman�aca".
Excelente trabalho.
Elwood Carr, "Homic�dio no Circo".
Precisa de melhorias. Soube logo que tinha sido o palha�o.
� sempre o palha�o.
Portanto, tu escreveste "O Extraterrestre e a Fazendeira".
Sim.
Escreveste sobre um extraterrestre que fala dos direitos dos trabalhadores.
A patologia do capitalismo.
A complac�ncia da burguesia.
Nem sequer sei o que � e odeio-o.
Bem, a ideia era usar...
Paguei-te para escreveres um gui�o sobre um tipo com uma enorme cabe�a de insecto
que tem rela��es com uma rapariga num palheiro,
e tu escreves uma merda que me vai fazer ser intimado
e que n�o presta!
Corrige-o!
O Frank King que se lixe.
Eu disse que, at� ele estar satisfeito, iria reescrever.
Ent�o vais ficar acordado a noite toda, por essa porcaria?
Para qu�? Para obedeceres aos seus padr�es liter�rios e pol�ticos?
N�o devia obedecer aos padr�es pol�ticos de ningu�m.
"O Extraterrestre e a Fazendeira", pelo amor de Deus.
No que � que estavas a pensar?
Estava a pensar.
� por isso que sou escritor. Para dizer coisas que importam.
Lembraste disso?
Eu era rep�rter. Fui nomeado para um Pulitzer.
Lutei na Espanha e conhe�o o Ernest Hemingway.
- Conhe�o-o mesmo. - Tretas.
E ele conhece-me.
Se entrar num bar em Paris...
Talvez n�o saiba o meu nome, mas...
Ele far-me-� um aceno.
Pois...
Tu ganhaste o Pr�mio Nacional do Livro.
Quero dizer, o que andamos a fazer?
Ent�o, o extraterrestre...
O extraterrestre engravida a fazendeira.
- Certo. - Porqu�?
Porque quer insemin�-la e propagar uma nova esp�cie
na Terra e assumir controlo? - N�o.
Porque f�-lo lembrar-se da rapariga que deixou para tr�s.
Mas ele tem uma cabe�a de insecto.
A namorada que deixou em casa tamb�m deve ter uma cabe�a de insecto.
N�o se fica agarrado ao aspecto de algu�m.
Ele est� a apaixonar-se por ela.
Est� bem.
Est�s a pensar em demasia.
- Est�s bem? - Estou.
Queres fazer isto mais tarde?
N�o. Continua, por favor.
Est� bem.
Quero dizer, alguma vez sentes saudades de escrever algo...
Nem � preciso ser excelente, apenas bom?
Quero dizer, ainda deves ter ideias, n�o?
Tenho algumas. Uma em particular n�o me sai da cabe�a.
Eu e a Cleo
estamos no M�xico, numa tourada, h� alguns anos atr�s...
E quando o touro morre,
milhares de espectadores come�am a aplaudir.
� excep��o de tr�s.
Eu, a Cleo e
um menino sentado � frente...
...a chorar.
Sempre me questionei porque chorava.
Bem...
escreve e saber�s porqu�.
Mas promete-me que n�o o fazes para o imbecil do Frank King.
Por favor.
A apresentar a entrega do pr�mio de Melhor Argumento,
Mar�o 1954
o actor e tamb�m produtor, o Sr. Kirk Douglas.
Niki, despacha-te!
- Quem � o apresentador? - O Kirk Douglas!
Vou j�, vou j�!
O envelope...
E o �scar vai para...
"F�rias em Roma" de Ian McLellan Hunter.
Boa! �s tu, pai. �s tu!
Pai, que fant�stico!
O pr�mio � recebido em nome de Ian McLellan Hunter.
Agora j� podemos ser felizes?
- N�o o quero. - Eu tamb�m n�o.
Tem o teu nome gravado.
- Foste tu que escreveste o gui�o. - Foi a ti que te deram.
E tem-me ajudado bastante.
Aqui tens o gui�o sobre o gorila.
- Pai. - Sim?
- Tens uma chamada para ti. - Em nome de quem?
� mesmo para ti. De um tipo chamado Buddy Ross.
Ent�o, os rumores s�o verdade?
Foste tu que escreveste "F�rias em Roma"?
Que posso fazer por ti, Buddy?
Os meus filmes foram um fiasco e agora estou numa situa��o complicada.
Mas finalmente tenho um projecto bom.
Um com classe.
Entram tr�s grandes estrelas, mas o gui�o...
Mas qual gui�o? N�o h� qualquer gui�o.
Tenho onze argumentistas que me lixaram e agora os actores querem desistir.
E se desistirem...
...perco tudo.
- Quando come�am as filmagens? - Daqui a 10 dias.
Tens mais alguma coisa?
O teu nome ser� omitido, como � evidente.
E s� posso pagar-te ap�s o in�cio das filmagens.
N�o te condeno se me mandares �s favas.
Mas fizemos bons filmes quando trabalh�vamos juntos.
Fizemos mesmo.
Por favor.
Prometi aos irm�os King que faria uma revis�o.
E n�o consigo fazer as duas coisas.
Aqui est�... Preciso que sejas tu a fazer.
Para que possas ajudar o grande Buddy Ross.
N�o, para que possamos continuar a desmantelar a lista negra.
Credo, outra vez essa hist�ria...
Este filme � de grande or�amento e se o Buddy tiver um bom gui�o...
- Que tu lhe vais dar. - N�o, que lhe vou vender.
Por dinheiro, � a raz�o disto tudo, n�o �?
- Para ganharmos dinheiro! - Como � que n�o consegues entender?
Se conseguirmos arranjar um grande filme, vamos conseguir todos os grandes filmes.
E esta porcaria toda colapsa pela simples ironia
de que todos os argumentistas desempregados, est�o a trabalhar.
Santo Deus! � preciso falares como se tudo o que dissesses
acabasse inscrito em t�buas de pedra?
N�o contes comigo para ajudares o Buddy Ross!
Pelo amor de Deus!
- Est�s sempre contra novas ideias. - N�o, eu quero fazer algo!
Aqueles filhos da m�e prejudicaram-nos! Dev�amos process�-los
e acabar com eles todos, o congressista, os produtores e o est�dio!
- Levar todos a tribunal! - Sim, que excelente ideia!
Insiste em querer perder
e a gastar o dinheiro todo em advogados!
- Prefiro perder pelas raz�es certas. - Porqu�?
� perder na mesma.
Tu perdes. Eu perco. Ficamos todos a perder!
N�o percebes isso?
E o pa�s inteiro ir� continuar assustado e inerte.
Achas mesmo que consegues viver assim para sempre?
N�o vou ter assim tanto tempo.
Arlen, podemos fazer isto.
Podemos venc�-los. Podemos ganhar!
- N�o estou interessado em ganhar. - Tretas!
Toda a gente quer ganhar.
N�o, tu � que queres ganhar. Eu quero mudar as coisas.
Quero ganhar para poder mudar as coisas.
Mentira! Queres ganhar para teres um �scar com o teu nome.
E assim ganhas mais dinheiro escrevendo lixo para idiotas!
Porque tenho de explicar-te tudo como se fosses uma maldita crian�a?
- N�o precisas faz�-lo. - Vai-te lixar!
Tu fazes o que fazes e n�o te importas.
Mas n�o finjas que recuperar a tua carreira
� para o bem da humanidade, sim? - Estou a lutar por todos.
Arlen...
Maldito idiota!
Parab�ns a voc�
Para a menina Nikola
Muitos anos de vida
Pede um desejo.
Consegui a foto!
16 anos, parab�ns!
Vai para o p� da tua irm�.
Chris, junta-te a elas.
Obrigada!
Tens a certeza que n�o o podemos chamar?
Sim, tenho.
- N�o pode parar por cinco minutos? - N�o.
- Dois minutos? - Niki...
Um minuto.
Chris, podes trazer os pratos bons?
- Sim, m�e. - Obrigada.
Pai.
- Pai! - Vai-te embora!
Estamos a comer o bolo de anos.
Quando me ouves a trabalhar, n�o quero ser incomodado!
Mas � o meu anivers�rio.
N�o voltes a incomodar-me. Nunca mais!
Se a casa pegar fogo, n�o queres saber?
Estou a trabalhar dentro de uma banheira cheia de �gua.
Tenho a certeza que, se o pa�s inteiro pegar fogo
ainda conseguia trabalhar como o escravo pessoal desta fam�lia.
E tudo o que pe�o � para n�o ser interrompido
por causa de cada fatia da porcaria do bolo de anos!
O que foi? � rid�culo!
Agora perdi o fio � meada. Pelo amor de Deus!
...claro, talvez consigas essa vida longa e feliz que todos queremos.
Mas os teus olhos nunca mais v�o fechar-se outra vez.
Porque vais passar a vida com medo de qualquer ru�do que oi�as no escuro.
Vamos os dois.
N�o posso consentir isto, Rocco. S� tenho de convencer-te que tenho raz�o.
Afinal, rapaz, para que servem os amigos?
N�o o defendas, est� bem? Ele sabe que n�o tem raz�o.
- Nem sequer pediu desculpas. - Acho que o surpreendeste.
Ele n�o est� habituado a ver outro adulto na casa.
Ele tem sempre de ter raz�o.
Como � que aguentas?
Bem, �s vezes � desafiante, sobretudo ultimamente.
Porque n�o vens l� abaixo comigo?
Quero mostrar-te uma coisa.
V�s a� as minhas luvas?
Obrigada.
Imaginas que � a cabe�a dele?
N�o.
Mas tu podes.
Niki.
Isso � o gui�o?
Fant�stico.
Diz ao teu pai que...
Ol�. Procuro o Arlen Hird.
Sr. Trumbo, sou o Andrew.
Caramba! Olha... Olha para ti!
Tenho a certeza que o teu pai deve ter dito coisas desagrad�veis sobre mim,
mas quero garantir-te,
� tudo verdade.
Ele... Ele est� em casa?
Desculpe. Julguei que soubesse.
- Lamento imenso. - Muito obrigado.
Andrew.
Joshua.
O meu pai deixou-lhe uma coisa.
� um registo.
Dinheiro que ele lhe devia a si e a outras pessoas.
Desculpe. Quem me dera que pud�ssemos pagar-lhe.
Andrew, n�o.
Era eu quem lhe estava a dever.
As d�vidas s�o todas minhas.
Obrigado.
Bem...
Ol�, Eddie.
Esta sim, � uma surpresa.
O que posso fazer por ti?
O Arlen morreu.
Eu soube. Eu estava l�.
Isto � o dinheiro que nos deste para o fundo da defesa.
� tudo o que estamos a dever-te. Incluindo o Arlen.
N�o, isso foi um presente.
Queremos sald�-lo.
Isto � suposto ser o qu�? Uma esp�cie de mensagem?
� o que tu, o Arlen e os magn�ficos 10 de Hollywood pensam de mim?
Est� bem. Est� bem. Mas primeiro vais ter de ouvir.
Ap�s teres sido preso,
n�o trabalhei durante um ano.
N�o tive ofertas, nem sequer uma audi��o.
As pessoas quando me viam, atravessavam a estrada.
Pessoas que eu gostava.
Pessoas que eu enriqueci.
Sentei-me em frente daquela comiss�o. Porqu�? N�o tinha feito nada.
Nenhum de n�s fez nada. �ramos todos umas crian�as est�pidas.
n�o t�nhamos nada a ver com aquilo!
S� queria a minha vida de volta.
Eles tinham os nomes de todos. O teu, do Arlen, todos.
N�o lhes dei nada que j� n�o tivessem.
Pus um ponto final, s� isso. Pus s� um ponto final!
Eddie...
n�o se mete um ponto final numa coisa destas,
dando-lhes o que eles n�o tinham o direito de perguntar.
Vais dizer-me como � que eu devia ter tratado este assunto?
Como tu fizeste no Congresso?
Est�s, portanto, a dizer-me que tens orgulho naquilo que fizeste?
Orgulho? Quem � que pode estar orgulhoso?
Tu. Tu podes estar.
Tu, com os teus nomes falsos e fachadas.
Tens todo o trabalho que queres.
Eu tenho de andar todos os dias l� fora.
Isto � o meu trabalho.
N�o posso ser outra pessoa.
Fiz o que tinha de fazer.
Fizeste o que quiseste, Eddie.
E fizeste-o por mais.
Mais filmes, mais dinheiro,
mais tretas nas tuas paredes.
O que eu fiz, est� feito, mas alguma vez te perguntaste quantos anos
de vida roubaste ao Arlen?
Para mostrar ao mundo o g�nio rebelde que �s.
Vais ter de viver com isso!
A beber sozinho?
Preferencialmente.
E o que andas a fazer ultimamente?
Sabes, Hedda, mais um destes e talvez te conte.
Ent�o eu pago.
O habitual. E mais um destes.
Sim, Mna. Hopper.
V� l�, oi�o rumores.
Mostra-me que ainda est�s em jogo, a lutar pela causa justa.
V�, esfrega-o na minha cara.
Sussurra um filme que tenhas escrito em segredo.
Talvez tenha ouvido falar dele.
Talvez tenhas ouvido.
Desculpem, desculpem, desculpem... Estou em filmagens. � de loucos.
Buddy, conheces o Dalton Trumbo?
Sim, creio que j� trabalh�mos antes.
Onde � que foi? Foi na MGM?
H� um milh�o de anos atr�s. Foi um prazer ver-te, Buddy.
Ouvi dizer que o teu novo gui�o est� em sarilhos.
Talvez devesses contratar o Dalton.
Ele costumava ser bom, e a bom pre�o. Era um bom neg�cio.
N�o � que fosses aceitar. N�o depois do Buddy ter dito uns nomes.
N�o sabias?
Diz-se que ele contratou algu�m que n�o devia.
Por isso, foi intimado. Teve de testemunhar.
Sess�o � porta fechada. Sem imprensa. Torna tudo mais f�cil.
Por isso, deu o teu nome, claro.
Agora que foi ilibado, pode fazer o seu filme.
De certa forma, gra�as a ti.
Uma bebida, Buddy? Parece mesmo que est�s a precisar.
Not�cias do Sul: O problema da integra��o.
Acreditas nisto?
Os democratas est�o a votar na segrega��o.
Os dixiecratas sulistas.
Come��mos uma peti��o para a integra��o total.
Aqui est�.
J� tenho cerca de mil assinaturas.
Bem, � com prazer que serei a mil e um.
E este � o novo rascunho
que tem de ser entregue ao Hymie King em Agoura.
Espera, Agoura? Julguei que os Kings estavam em Hollywood.
N�o, n�o. Estas s�o as cenas modificadas.
V�o ser filmadas esta noite, portanto o Hymie precisa dele imediatamente.
Agoura fica a 65 quil�metros.
Sim, tenho a certeza que o Chris j� sabe isso.
Bem, ele n�o pode ir.
Desculpa?
Ele tem um encontro. Vai lev�-la ao cinema.
Est� bem, ent�o, Nikola, levas tu o rascunho.
Tenho um protesto.
Desde quando os protestos t�m hora para come�ar?
- Eu levo-o. - A Nikola vai lev�-lo.
Eu disse que n�o posso.
Minha menina, vais lev�-lo.
- Isto � importante. - Isto tamb�m.
Isto � importante para mim.
E o encontro � importante para o Chris, por isso encontra outra solu��o.
Mexe-te! Ele precisa disso imediatamente!
Querida...
Ela n�o saiu assim h� tanto tempo, e n�o � assim t�o tarde.
Sabes, � uma tentativa evidente para manipular a nossa preocupa��o.
Sabes quando � que percebi que tinha de deixar o Hal?
O Hal?
Qual Hal?
O meu primeiro marido, o Hal.
Jesus, salva-me!
Foi na minha noite de n�pcias.
Na minha primeira noite de n�pcias com o Hal.
Se vamos viajar no tempo at� essa uni�o pag�,
ent�o tenho a obriga��o m�dica de beber.
Vi que ele n�o era um homem com o qual devia ter filhos.
Gra�as a Deus.
Ele ia maltratar-nos.
E �amos acabar como todas as fam�lias infelizes da hist�ria.
Mas tu...
Eu soube que nunca ias ser assim.
Que o que quer que acontecesse,
tudo o que ia importar,
importar verdadeiramente, �ramos n�s.
Bem, tudo o que importa, somos n�s.
N�o.
J� n�o.
Bem...
N�o fazes ideia do que podias perder.
Por favor!
A minha carreira, a Primeira Emenda, o nosso pa�s.
- Esqueci-me de alguma coisa? - De n�s.
Est�s a perder-nos.
Desde a pris�o, n�o falas nem pedes.
S� ralhas e ladras.
S� estou � espera que comeces a bater na mesa de jantar com um martelo.
Portanto, para al�m de ser um p�ria para o mundo,
tenho tamb�m a suprema alegria de combater uma insurrei��o
na minha pr�pria casa, onde estes... - Combater uma insurrei��o?
...dez dedos literalmente vestem-nos, alimentam-nos e d�o-nos abrigo.
Isto n�o est� apenas a acontecer-te a ti!
Estamos todos a sofrer!
A Niki, eu, os teus amigos!
Amigos? Quais amigos?
Quem � que pode dar-se ao luxo de ter amigos?
Tenho aliados e inimigos.
N�o h� espa�o para mais nada.
N�s sabemos.
�ptimo.
Ent�o esta discuss�o acabou.
Isto n�o � uma discuss�o. � uma briga.
N�o vou permitir que os nossos filhos sejam criados por um rufia.
Volto j�.
Est� bem.
N�o quis discutir em frente dos meus amigos, mas n�o vou para casa.
N�o vim para brigar.
Sabes, a tua m�e � uma pessoa calma.
Normalmente.
E o efeito disso � que,
ela consegue fazer com que eu me oi�a.
� extraordin�rio.
Ultimamente, n�o gosto muito de me ouvir.
Sobretudo porque o que eu oi�o � apenas...
O medo que eu tenho.
Medo de estar a magoar-te...
A magoar todos voc�s.
E se for tudo em v�o? E depois?
Por isso, eu brigo.
� tudo o que eu sei fazer ultimamente.
Qualquer... Quer dizer, � s�...
� s� f�ria com quem se atravesse no meu caminho.
Mas tu nunca estiveste no meu caminho, Nikola.
Nem uma �nica vez.
� uma loucura como me enfureces tanto.
Desde sempre que tudo o que sempre quis foi ser como tu.
Bem, receio diz�-lo que foste bem sucedida.
N�s sabemos, est� bem?
A cidade � pequena. Os boatos s�o sempre verdadeiros.
Despe�a o Dalton Trumbo e o resto da equipa
ou ter� protestos, manchetes e boicotes.
- Vamos arrasar com o seu neg�cio. - Vamos?
A Alian�a Cinematogr�fica para a Preserva��o dos Ideais Americanos.
Eu e o Ronald Reagan, a Hedda Hopper,
a associa��o, os directores dos est�dios, o John Wayne.
Adoro o John Wayne.
Bem, eu apresento-lho.
Podem at� fazer um filme juntos.
Caramba, isso era lindo.
S� que n�o me parece
que n�s vamos ser amigos. - Ent�o, Frank!
Quer impedir-me de contratar sindicalizados?
Vou � baixa e contrato um monte de b�bedos e prostitutas!
N�o importa!
- Fa�o lixo! - Frank!
Quer chamar-me comunista nos jornais? For�a!
Nenhuma das pessoas que vai ver os meus filmes sabe ler!
N�o, espere.
Estou nisto pelo dinheiro e pelas ratas, e est�o ambos a cair do c�u.
Tirem-me isso. V�. N�o vou process�-los,
mas isto ser� a �ltima coisa que ver� antes de espanc�-lo at� � morte.
- Tiffany! - Estou aqui.
O que � que queres?
- Um novo gui�o. - Sim?
Sim, � um filme familiar.
Uma coisa que tenho andado a ruminar.
� a hist�ria de um rapaz mexicano e o seu touro de estima��o.
Parece um bocado maricas. Como � que se chama?
"O Rapaz e o Touro." Mas existe um problema.
- � caro? - Pior.
� bom.
O RAPAZ E O TOURO
Ol�! Ol�!
Quem � que te contou?
Janeiro 1957
Que mais � que eles disseram?
Bem...
Para ti tamb�m. E obrigado, Frank.
O que foi?
"O Rapaz e o Touro" foi nomeado para um pr�mio da Academia.
- A s�rio? - Sim, a s�rio!
Que loucura.
N�o sei. � parecido com o "F�rias em Roma".
Hymie, n�o � nada parecido com o "F�rias em Roma".
"F�rias em Roma" tinha um homem com um nome e um corpo
a quem podiam entregar o pr�mio.
N�o existe nenhum Robert Rich. Quem recebe a coisa se vencer?
Bem, talvez n�o ven�a.
Quer dizer, n�o � assim t�o bom. Sem ofensa.
N�o me senti ofendido.
E agora gostava de dizer duas das mais belas palavras
Mar�o 1957
da ind�stria cinematogr�fica, Deborah Kerr!
Os nomeados para melhor argumento, s�o...
Robert Rich, com "O Rapaz e o Touro",
Leo Katcher, com "Melodia Fascinante",
Jean-Paul Sartre, com "Os Orgulhosos",
e Cesare Zavattini, com "Humberto D".
O envelope, por favor.
O Rapaz e o Touro, Robert Rich!
Pai!
- Ganhaste! - Quem � aquele?
Sr. Jesse Lasky Jr., Vice Presidente do sindicato dos Argumentistas
da Associa��o de Escritores, vai aceitar o pr�mio pelo Sr. Rich.
Em nome do Robert Rich e da sua bela hist�ria, muito obrigado.
� t�o estranho.
N�o conseguimos encontrar o Sr. Rich em lado nenhum. Aparentemente...
Quem raio � o Robert Rich?
Tenho de desligar.
� bom que n�o seja quem dizem que �.
- Sr. Trumbo. - Sim?
� o Robert Rich? Escreveu o "O Rapaz e o Touro"?
Bem, sabe, � uma pol�tica minha
n�o reclamar os cr�ditos dos filmes dos outros.
Dessa forma, � poss�vel que tenha tido algo a ver com todos eles.
Excepto aqueles que n�o prestam, os quais foram todos escritos
pelos meus inimigos.
Qual � a sua posi��o perante a lista negra?
Bem, estou nela.
Juntamente com milhares de outros.
Est� a usar a controv�rsia em torno do Robert Rich para acabar com ela?
Sabem, "O Rapaz e o Touro" � um bonito filme.
E se o rumor do meu envolvimento
pode ajudar a vender bilhetes, ent�o �ptimo.
E se as estranhas circunst�ncias
da quest�o do autor levanta algumas quest�es,
bem, melhor ainda.
- Trumbo? - Sim?
- Telefone para ti. - E quem �?
Um maluco qualquer, diz que � o Kirk Douglas.
A s�rio?
Obrigado, Nikola.
Niki?
Kirk.
Kirk!
Dalton!
As minhas desculpas.
Ultimamente temos tido a nossa dose de telefonemas estranhos.
- Imagino. - Por favor, sente-se.
Quer uma bebida?
N�o. N�o, obrigado.
Muito bem.
- Ent�o? - Vou fazer um novo filme.
E acabei de receber o gui�o.
Devem estar a� umas sete horas de entretenimento.
N�o tem uma �nica p�gina de entretenimento.
Mas existe a� algures uma boa hist�ria.
Sobre um homem que tentou dominar o mundo inteiro.
Bem,
at� agora tem a minha aten��o.
Foi um escravo que liderou uma revolta contra o Imp�rio Romano.
E qual � o t�tulo?
"Spartacus".
N�o, n�o, n�o. N�o posso dizer-lhe no que estou a trabalhar,
excepto dizer-lhe que
a lista negra est� viva e de sa�de, assim como o mercado negro.
Bem, sim, pode citar-me.
Ver o meu nome nos jornais leva certas pessoas a perder a cabe�a.
Claro. Aqui est� ele.
- Kirk. - Hedda.
Gostava de apresentar-te um amigo meu, o Bob Stripling,
da Comiss�o das Actividades Anti-Americanas.
Sr. Douglas.
Sr. Stripling.
Uma bebida?
N�o, obrigado.
Disseste que era importante.
Apenas se contrataste o Dalton Trumbo.
Quem eu contrato � assunto meu.
N�o, Sr. Douglas.
� nosso.
Porqu�?
Porque temos de manter a seguran�a deste pa�s.
E como � que est�o a fazer isso?
Bem, porque � que n�o lhe mostramos, chamando-o a prestar declara��es?
Hedda, o teu amigo est� a tentar assustar-me?
Est� a tentar mostrar-te como � que s�o as coisas.
Talvez n�o goste de como as coisas est�o.
Kirk, j� nos conhecemos h� muito tempo.
Desde quando � que te tornaste num sacana?
Sempre fui um sacana. S� que nunca reparaste.
Dezembro 1958
Sim?
Desejo falar com o homem que escreveu isto.
Por favor, entre.
Obrigado.
Sou Otto Preminger.
O realizador.
Perdoe-me, eu...
Acabei de trabalhar h� umas horas atr�s, eu...
Uma c�pia que eu li.
Mas como � que...
Mandei-a entregar esta manh�.
Sou Otto Preminger, o realizador.
Fa�a favor.
Sim, a minha filha mais nova acredita
que posso acabar com o sofrimento de todos os p�ssaros feridos.
Tamb�m eu, com um assador.
J� terminou os seus deveres com o Sr. Kirk Douglas?
N�o, mas tenho duas semanas de folga no Natal.
Durante as quais vai trabalhar para mim.
Vou?
Se for t�o inteligente como a sua escrita.
E ganancioso como a sua reputa��o.
� uma adapta��o do romance Exodus.
J� o leu?
N�o.
Um campe�o de vendas colossal.
Muito perto de uma perfeita merda.
Mas existe l� algures uma boa hist�ria.
N�o fa�o ideia.
Mas tenho o Paul Newman.
N�s convers�mos. Est� um pouco reticente,
mas acredito, com o valor certo, ir� aceitar.
Vais aceitar?
Bem, creio que � a �nica forma de fazer com que se v� embora.
� muito importante.
Pobre Sr. Preminger.
Ele julga que � o gato e que tu �s o rato.
- Vejam s�. Perfeito. - Mitzi, o que � isso?
- Uma boneca russa? - Absolutamente perfeito.
O que � isto, Pai Natal?
� apenas uma lembran�a para a Sra. M�e Natal.
Vou abri-la mais tarde.
O Natal acabou.
Bem...
- Leu as novas cenas? - Terr�veis.
Mantenha esse n�vel de trabalho, e irei colocar o seu nome no meu filme.
Para levar com as culpas.
Bem,
aqui tem.
Ol�.
Ol�, Sammy.
Sabe que foi o Kirk Douglas quem me deu este p�ssaro?
- � uma distrac��o. - N�o. N�o de todo.
Chamo-lhe Sam Jackson.
Ele escreveu o Spartacus.
Bem?
- Melhor. - Gra�as a Deus.
Mas, tem falta de algo genial.
Otto, se cada cena for brilhante,
o seu filme vai ser absolutamente mon�tono.
Vamos fazer assim.
Escreva cada cena brilhantemente,
e eu realizo de forma desigual.
O que foi, querida?
Obrigado.
Ol�, Kirk.
Feliz Natal. Obrigado, Mitzi.
Otto. Como est�?
Muito bem, Kirk.
Eu... n�o queria interromper.
N�o, n�o de todo. N�o de todo.
Otto, importa-se que conversemos um pouco?
� r�pido.
Sinto-me como se tivesse descoberto a minha mulher a trair-me.
Ama-o?
� muito mais sinistro do que isso.
Ele paga-me pelos meus servi�os.
Tal como eu.
E vai t�-los novamente, 2 de Janeiro, como prometido.
S� preciso de si durante alguns dias nas novas cenas.
Claro, mas n�o at� ao dia 2.
N�o queria pedir,
mas nunca tive um realizador t�o horr�vel como o Stanley Kubrick.
O pior � que ele tem raz�o.
Bem, n�o queria recusar, mas...
Bem, eu realmente...
- Isto deve ficar entre n�s. - Claro.
Bem...
Preminger disse que...
Bem, o que ele disse foi,
"Mantenha esse n�vel de trabalho,
e irei colocar o seu nome no meu filme."
- A s�rio? - Sim.
Foram exactamente as palavras dele.
- Mantenha-se em contacto. - Muito bem.
- Feliz Natal! - Para si tamb�m.
Aposto que ele o quer de volta.
Bem, n�o. N�o, n�o. Ele...
Ele s� passou por aqui para falarmos dos cr�ditos do filme.
No "Spartacus"?
Bom, eu n�o devia ter dito nada.
Compreende.
Cinco minutos! De regresso em cinco minutos, todos!
Kirk.
A Hedda Hopper disse que a "Legi�o Americana" vai boicotar-nos
a menos que te livres do Trumbo. - Ed, ele ainda n�o acabou o texto.
O nome dele nunca ir� aparecer. V�o boicotar o qu�?
Kirk... s� um segundo. Por favor. Por favor.
D�-me cinco segundos, por favor.
Ouve. Vinte milh�es de americanos dizem alto e a bom som,
que nunca ir�o comprar um bilhete para o nosso filme,
a menos que despe�as um argumentista.
Est�o aqui 50!
Escolhe um.
Importaste que me intrometa?
Por favor.
Ele sabe.
V� o Kirk Douglas a entrar e a sair daqui.
E o Otto Preminger e o seu Rolls-Royce....
� um idiota,
mas n�o � est�pido.
Ele chamou o FBI?
O Congresso?
N�o.
Porque tudo o que podem fazer, j� fizeram.
Aquele �scar pertence-te.
Vai busc�-lo!
Meu Deus!
N�o �s nada como eu.
�s pior.
Para a grava��o, � o Robert Rich?
Sou.
J� examinei a lista, Ed. S�o todos amadores.
E escreveu o "O Rapaz e o Touro"?
Escrevi.
- Ed, j� te ligo. - Porque � que apareceu agora?
Bem, como tenho sido investigado exaustivamente
pela Comiss�o das Actividades Anti-Americanas,
comecei a pensar,
porque � que ningu�m olhou bem para eles
e no seu trabalho na ind�stria cinematogr�fica?
Vejam, eles foram reunidos para descobrir agentes inimigos,
expor conspira��es comunistas
e escrever leis anti-sedi��o.
Bem, aqui estamos n�s, milhares de horas
e milh�es de d�lares depois,
Agentes descobertos, zero.
Conspira��es expostas, zero.
Leis escritas, zero.
Vejam, tudo o que fazem
� negar �s pessoas o direito a trabalhar.
E nem sequer t�m esse direito.
Pr�mios da academia, dois.
E como se sente
por ter sabotado a lista negra quase como se fosse uma piada?
Uma piada?
Conhe�o a lista negra que criou o Robert Rich,
vi os seus horrores
e a sua crueldade.
Um enorme desperd�cio de vida,
a maneira como andei na longa linha do anonimato.
E n�o posso inventar mais gracejos sobre o Robert Rich
ou sobre o �scar que ele n�o pode reclamar,
porque...
essa pequena estatueta de ouro in�til
est� coberta com o sangue dos meus amigos.
Eu atendo.
Estou?
- Ol�, Otto. - Li o seu �ltimo rascunho.
O que achou?
A minha resposta est� na primeira p�gina do New York Times.
Otto Preminger anuncia "Exodus" escrito por Dalton Trumbo
Odeia-os assim tanto?
Feliz Natal, Sr. Trumbo.
Ed, senta-te.
- Porque � que ele n�o o mata? - Mata-o.
Mata-o!
- Mata-o, seu imbecil! - Mata-o!
Mata-o!
�ptimo. �ptimo.
Marty, eles que ponham a cena com a Varinia e o Crassus.
- Sim, senhor. - Obrigado.
- Ouve, Kirk, eu... - Um segundo.
Warren, quero que publiques um comunicado de imprensa.
O argumen... Um segundo, Warren.
Do que � que te lembras quando pensas no Spartacus?
Foi um homem que come�ou tudo sozinho,
como um animal.
Contudo, no dia em que morreu, milhares e milhares de pessoas
de bom gosto teriam morrido no lugar dele.
Ele era o qu�? Algum deus?
N�o era um deus.
Era um homem simples.
Um escravo.
Eu amava-o.
Warren, o comunicado dir�,
"O argumento de "Spartacus" foi escrito por Dalton Trumbo."
Obrigado.
Kirk, se n�o te livrares do Trumbo, livro-me eu.
E depois de eu me despedir, podes filmar todas as minhas cenas.
Sabes, Ed,
para o bem ou para o mal,
eu sou o Spartacus.
Vai estrear um filme. Chama-se "Spartacus".
� protagonizado pelo Kirk Douglas,
e foi escrito pelo Dalton Trumbo.
Se virem o nome de outros argumentistas no filme,
n�o acreditem.
Estamos em cima deles.
- Sim? - Ouve, Ed.
Vamos protestar � porta de cada cinema onde estiver o filme,
se n�o suspenderes esta noite a sua estreia,
e tires o nome daquele traidor.
Hedda, n�o podes p�r-me nesta situa��o.
� cara e escusada.
Ent�o podes dizer adeus ao teu filme, ao teu est�dio,
e � tua vida miser�vel.
Hollywood apareceu em for�a para aclamar o novo filme, "Spartacus",
na estreia do filme de 12 milh�es de d�lares,
da Meca do cinema.
Os protestantes tamb�m compareceram para recordar a toda a gente
a controv�rsia pol�tica
em torno da produ��o deste filme.
Cleo?
O que foi?
O que se passa?
Acabou.
N�o � verdade?
Sim.
Sim.
E n�s conseguimos.
Sim.
Washington, D.C. Fevereiro 1961
O Presidente Kennedy desfrutou de uma rara noite livre
assistindo ao novo filme de Kirk Douglas, "Spartacus".
Estamos em directo, � espera dos coment�rios do Presidente.
Sr. Presidente, Sr. Presidente, Sr. Presidente!
� um filme bastante controverso.
O que � que acha?
Acho que � um belo filme,
e acho que vai ser um enorme sucesso.
A implica��o da aprova��o deste filme por parte de Kennedy � bastante ampla.
O romance foi escrito por um antigo comunista.
O argumento foi adaptado por um antigo comunista.
E isto pode significar o fim da lista negra,
visto que Kirk Douglas e Otto Preminger
contrataram e inclu�ram sem reservas, os argumentistas da lista negra.
Trata-se de um claro rep�dio contra a batalha de uma d�cada
liderada pelos anti-comunistas...
O pr�ximo pr�mio � para o membro
que tem impulsionado a literatura no cinema.
Ocasionalmente, aparece entre n�s uma pessoa
cujas virtudes s�o t�o evidentes,
Los Angeles, Mar�o 1970
que submete o seu pr�prio ego �s preocupa��es dos outros,
que vive em harmonia com os padr�es da comunidade,
� respeitado e amado por todos.
Tal homem, n�o � Dalton Trumbo.
� com grande prazer que entrego
o pr�mio Laurel da Associa��o de Argumentistas da Am�rica
a Dalton Trumbo.
Parab�ns.
Obrigado, muito obrigado.
Obrigado, muito obrigado, minhas senhoras e meus senhores.
Frequentemente, quando estou perante a comunidade cinematogr�fica,
est� um elefante na sala
Eu.
E pensei falar disso.
A lista negra...
Foi um per�odo de maldade.
E ningu�m que lhe tenha sobrevivido,
saiu intacto dessa maldade.
Foram apanhados numa situa��o que escapou
ao controlo dos meros indiv�duos.
Cada pessoa reagiu segundo a sua natureza,
as suas necessidades, as suas convic��es,
e as suas circunst�ncias em particular
o foram compelindo.
Foi uma �poca de medo.
E ningu�m esteve isento.
Dezenas de pessoas perderam as suas casas.
As suas fam�lias desintegraram-se. Eles perderam!
E alguns...
Alguns at� perderam as suas vidas.
Mas quando recordo esse tempo de trevas,
como eu acho que deviam fazer de vez em quando,
de nada vai servir
procurar her�is ou vil�es.
N�o houve nenhuns.
Houve apenas v�timas.
Vitimas, porque cada um de n�s
sentiu-se compelido a dizer ou a fazer algo
que de outra forma n�o ir�amos fazer.
Infligir ou receber feridas,
que sinceramente, n�o desej�vamos trocar.
Olho para a minha fam�lia ali sentada,
e dou-me conta do que os fiz passar.
E � injusto.
A minha esposa,
que de alguma forma manteve tudo unido,
espanta-me.
E portanto, o que digo aqui hoje
n�o tem a inten��o
de ferir algu�m.
Tem a inten��o de curar a ferida.
Reparar as feridas que,
durante anos,
infligimos uns aos outros.
E mais notoriamente, a n�s pr�prios.
Obrigado. Obrigado pela vossa generosidade.
Trumbo finalmente recebeu o seu �scar pelo "O Rapaz e o Touro" em 1975.
Morreu em 1976, com 70 anos.
EM 1993, Cleo aceitou o �scar de Trumbo por "F�rias em Roma".
Cleo morreu em 2009, com 93 anos.
Nunca voltou a casar.
Centenas de pessoas em Hollywood estiveram na lista negra
e outros milhares foram injustamente atacados por todo o pa�s.
Professores, soldados, funcion�rios p�blicos e as suas familias
estavam entre os que sofreram com a perda de emprego,
bancarrota, div�rcios e at� suicidios.
O comit� das Actividades nos estados Unidos
continuou a investigar cidad�os at� 1975.
Tem a seguir, o excerto de uma entrevista ao verdadeiro Dalton Trumbo
Tradu��o: *HisBrother * mig@s * mpenaf *
Tradu��o: * Ritz * RMdS * SapoCocas20 *
Revis�o: * RMdS *
Sincronia: * LegendasProject *
* Vem traduzir connosco * * candidaturas.lproject@gmail.com *
Se receber o �scar,
o que pensa fazer com ele?
Tenho...
Tenho uma filha, com 13 anos.
Estive na lista negra desde que ela tinha 3 anos.
Ela sabe os t�tulos
de cada um dos filmes que eu escrevi neste escrit�rio.
E manteve isso em segredo at� agora.
� um soldado.
Quando as amigas lhe perguntam, como fazem as crian�as,
"O meu pai faz isto e aquilo. o teu pai faz o qu�?"
Isto confrontava-a com um problema muito real.
Confrontava-a com o problema, desde que tinha 3 anos,
sobre quem era na verdade o pai dela.
E o que � que o pai dela fazia de verdade.
Eu...
penso
que vou dar o �scar, se o ganhar, a esta rapariga.
Acho que vou dizer-lhe,
"Bem, aqui est� um segredo
"que n�o ter�s de carregar mais."
Vou dizer-lhe que recuper�mos outra vez os nossos nomes.
Tradu��o: *HisBrother * mig@s * mpenaf *
Tradu��o: * Ritz * RMdS * SapoCocas20 *
Revis�o: * RMdS *
Sincronia: * LegendasProject *
* Vem traduzir connosco * * candidaturas.lproject@gmail.com *
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