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EST�S ME MATANDO, SUSANA
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Gatinha.
Oi, gatinha.
Gatinha.
Vamos fazer um beb�?
- Estou no meu per�odo f�rtil. - Eligio...
Deixe de bobagem.
Voc� est� b�bado.
- O qu�? - Voc� est� b�bado.
Um pouquinho.
S� um pouquinho.
Eu te amo muito.
Diga que me ama.
Ent�o, boa noite.
Estou aqui se quiser.
Cara.
Droga.
Caramba.
Susana!
Sonhei que estava me traindo.
Era um cara grande e peludo, muito bem-dotado.
E eu via tudo pela janela.
Voc� n�o parava. Caramba!
Estava muito excitada.
Tocava seus peitos, seu corpo...
Eu queria bater em voc�s dois, mas, quando me aproximei...
Era tipo aqueles pesadelos, sabe? Quando voc�...
N�o pode fazer nada.
Caramba, Susana, podia pelo menos n�o ter gozado.
Susana?
Eu amo sua filha. � o amor da minha vida.
N�o vou sair at� falar com ela.
O que faz aqui?
Achei que atores de teatro n�o gostassem de novela.
Preciso pagar o aluguel.
�? .E.
J� pagou, n�o pagou?
- N�o. - Est� gostando!
De jeito nenhum.
Preciso sustentar minha mulher tamb�m.
N�o seja ciumenta.
- Eu n�o sou ciumento. - N�o?
N�o sou.
Est�o me chamando.
- Porqu�? - V�o gritar de novo.
Maquiagem, Marta!
- Marta... - V�o me demitir.
- Est� bem... - Marta, maquiagem!
- Pronto? - Sim.
Venham.
Certo, vamos l�.
Pe�a para prestarem aten��o.
- R�pido, pessoal. - Vamos ver...
- N�o temos o dia todo. - Sim, sim!
Sua marca est� a�.
Pessoal, n�o temos o dia todo.
Mais uma vez. Qual � seu nome mesmo?
- Eligio. - Mais uma com o Eligio.
- Marta, por favor. - Vamos!
- Vamos, vamos... - A��o!
Senhor, com todo respeito, amo sua filha.
� o amor da minha vida. N�o saio daqui at� falar com ela.
Patr�o, se quiser, eu o boto para correr.
Feche a�.
Isso.
Cara, vamos para outro lugar.
- � quase meia-noite. - N�o tem problema.
- Ela ficou brava da outra vez. - Relaxe.
S� preciso avis�-Ia. Me d� cinco minutos.
� s� dizer que estavam passando por aqui.
- Esse cara... - Brincadeira.
Esperem aqui.
O qu�? Est� bem.
Pronto.
J� volto.
Susana?
Podem entrar. Ela n�o est�.
Vou brigar com ela depois, por chegar tarde.
J� sabem onde fica tudo.
Sim, sabemos.
Os cavalinhos...
Al�?
Oi, gatinha.
Oi.
- Susana? - Sim?
"Gatinha"?
Caramba!
Engra�adinha.
Gatinho.
Caramba...
O que est� acontecendo?
Dos cavaleiros.
Ela foi embora.
Ela n�o est� aqui.
- Voc� j� disse isso. - N�o, cara, ela foi embora...
Foi embora de casa.
Por que demorou tanto?
� brincadeira!
� s�rio! Ela levou mala e tudo!
Foi embora, levou tudo e deixou o celular.
Foi embora de verdade?
- Ela n�o disse para onde ia? - N�o.
Voc� deve ter bebido e esquecido.
- N�o... - De novo?
Tem certeza?
Sim, ela deixou o celular, mas levou at� roupa �ntima, tudo.
Estranho, n�o �?
- Mas voc�s brigaram? - N�o!
Tem certeza?
Sim, estamos bem.
ONDE voc� SE METEU?
EST� TUDO BEM? O QUE ACONTECEU?
O QUE HOUVE? RESPONDA!
Boa noite. Qual � a emerg�ncia?
Ol�, boa noite.
Quero comunicar um desaparecimento, eu acho.
� parente ou c�njuge?
� minha esposa.
Preciso saber se ela levou alguma coisa de casa.
Bom, ela levou...
Ou melhor, a maioria das roupas n�o est� aqui, ou mais ou menos isso.
A mala...
Isso se qualifica como abandono de lar.
N�o, ela n�o me abandonou.
N�o � abandono...
- Senhor - Sim...
Se ela levou coisas de casa,
consideramos como um caso de abandono.
Levou algumas coisas.
Ela levou s� algumas coisas.
Ent�o o que podemos fazer � pedir que preencha um relat�rio
para que investiguem o caso de abandono.
Abandono de lar? � esse o nome?
Posso ajudar com algo mais?
- Posso parar aqui? - Pode!
Pode vir!
- N�o vou ser multado? - N�o, pode parar!
Isso.
- S�o vinte pesos. - J� trago o resto.
- Tchau, meu amor. - V� sonhando...
"O Amor Obsessivo de Dostoievsky", de Apollinaria Suslova.
- Ele a seguiu pela Europa... - Licen�a.
- Estou dando aula. - E a Susana?
Eu vou saber?
Como assim?
- Com licen�a. - Cad� ela?
- Como assim? - Cad� ela?
Achei que estivesse com voc�. Vou substitu�-Ia at� janeiro.
At� janeiro?
- Sim. - Ela voltou para a Espanha.
O qu�? Voc�s brigaram?
N�o, eu acordei... N�s estamos bem.
S�rio.
Aprontou de novo.
N�o, n�o. N�o � por a�.
Deve ter fugido com outro cara.
Pode ser.
Por que diz isso?
� uma possibilidade.
Ela pode ter te deixado por outro...
�, mas ela n�o tinha motivo.
N�o, n�o. Eu n�o fiz nada.
Nada!
N�o acredito.
N�o acredito. Estamos em uma fase muito boa.
Caramba...
Por que n�o fica comigo hoje?
Eu adoraria.
Mas n�o posso. Preciso procur�-Ia.
- Vou procurar. - Agora?
- Sim. - N�o pode ir agora.
- Est� na pr�xima cena. - Fale para me matarem!
- O que vou falar? - D� um jeito.
Digam ao David que precisei sair. E um problema pessoal.
- J� est� indo? - J�.
At� logo!
Al�, sogra?
Desculpe te acordar, mas preciso saber onde a Susana est�.
Desculpe. � a pol�cia.
Espere a�.
N�o desligue. S� um minuto.
Preciso saber o que est� acontecendo.
Me diria se soubesse?
Mas j� estou ficando maluco. Estou muito preocupado.
E ELIGIO... GOSTAVA MUITO DE EUSEBIO
E O CORA��O BATIA FORTE
Ela me mandou um conto h� quinze dias.
Ser� publicado na edi��o de amanh�.
Deixe eu ver.
A� est�.
E como voc� a paga?
Acho que ela vir� receber. Buscar o cheque.
Entendi.
E voc�? Como est�?
Estou ferrado, mas estou bem.
Gostei da sua atua��o naquela pe�a.
- Muito boa mesmo. - Obrigado.
N�o fez mais nada depois?
Fiz, sim.
Estou sempre trabalhando, com muitos projetos e planos...
Tenho outras coisas...
Agora me lembro.
Eu te vi em um comercial de sab�o.
Preciso confessar que, a primeira vez que a Susana entrou aqui,
meu primeiro pensamento foi:
"� bem bonita, mas n�o deve ser boa escritora".
- Voc� sabe que ela escreve bem. - Sei, sim.
Sim, ela � muito boa.
Eu tamb�m acho.
Mas � uma pena que s� julguemos pelas apar�ncias.
Quem fala?
Desculpe.
Marta...
Tenho que ir.
Apague a luz.
J� decorou?
E s�: "O que fez com minhas camisas?"
-"O que fez com minhas camisas?" - E a�?
O que faz aqui?
"O que fez com minhas camisas?"
Acho que vou embora. O papel j� � seu.
Como sempre.
Como est�o as coisas?
- Como assim? - Entre voc� e ela.
- A diretora de elenco? - E, voc� sempre consegue.
N�o tem nada, cara. S� fico tranquilo.
Uso meu talento, s� isso.
- Com isso aqui? - Sim.
- Com isso? - Sei l�, cara.
- Eu deveria fazer outra coisa. - E a Susana?
A Susana est�...
N�o sei. N�o estamos nos falando.
- O que ela est� fazendo? - N�o fa�o ideia.
POEMAS SELECIONADOS SLAWOMIR GORSKY
RELEMBRANDO CL�SSICOS
MIDDLEBROOK RECEBE JOVENS ESCRITORES DO MUNDO TODO
SUSANA RAMIREZ, DA CIDADE DO M�XICO
Al�?
Ol�! � do workshop de escritores?
- Sim, como posso ajudar? - Posso falar com a Susana Ramirez?
A Susie! Vou passar a liga��o.
"Susie"? S� pode ser brincadeira.
- Al�? - Al�.
Posso falar com a Susana?
Quem �?
Al�?
Al�?
Trinta? Vale mais que cinquenta mil!
Se precisa do dinheiro hoje, � o m�ximo que posso oferecer.
A� voc� me quebra.
- Claro que n�o! - Sim...
O carro j� est� bem desgastada.
� s� dar uma arrumada. Uns 35.
Trinta e uma x�cara de caf�.
Senhoras e senhores, estamos aterrissando no aeroporto de Iowa.
Durante a aterrissagem, mantenham a poltrona em posi��o vertical.
Verifiquem se os cintos est�o ajustados.
E que sua bagagem de m�o...
Bem-vindo aos Estados Unidos.
Pr�ximo!
- Ol�! - Ol�.
- Digitais. - Sim.
- Obrigado. - Sim.
Motivo da viagem?
Vim visitar minha esposa.
Ela � cidad� americana?
N�o, ela estuda na Universidade de Middlebrook.
Quanto tempo vai ficar?
N�o sei.
Tem passagem de volta?
N�o.
Posso ir?
Qual o endere�o da sua esposa aqui?
Ela est� morando na universidade.
Certo. Pode ser mais espec�fico?
Porqu�?
Precisamos saber onde vai se hospedar.
Vou ficar na universidade.
- Me acompanhe. - Tudo bem.
- Oi. - Certo.
Tem US$ 4 mil aqui. � muito dinheiro.
O que vai comprar?
Nada especial.
Para que tanto dinheiro?
Porque estou viajando e n�o gosto de ir a bancos.
Eles n�o gostam de mim nem eu deles.
Tudo bem. Vire para a parede.
De novo?
Senhor, vai cooperar?
- Ou preciso obrig�-Io? - N�o, vou cooperar.
Opa!
Preciso revistar suas partes �ntimas. Vou usar o dorso da m�o.
Tudo bem, fique � vontade. Sou ator, eu n�o ligo.
Opa!
- Muito bem. - Senhor?
- Sim? - Preciso que tire a roupa.
N�o. Isso, n�o.
- N�o. - Senhor...
Tire a roupa.
Droga...
Est� brincando.
Claro.
De onde voc� �?
Do M�xico.
S�rio? N�o parece mexicano.
- N�o? - Voc� � diferente.
Melhor.
Melhor?
Como assim?
N�o pode fumar aqui.
Tem um aviso bem ao seu lado.
N�o pode jogar lixo!
Posso levar uma multa.
PROIBIDO FUMAR, COMER, BEBER E ANIMAIS
Chegamos. S�o US$ 85.
L -O qu�? - E o pre�o fixo do aeroporto.
Certo.
Muito bem, entendi.
Quem n�o pode pagar, que pegue �nibus.
�.
V� se ferrar, seu ladr�o!
Ei!
Volte aqui!
Seguran�a!
Seguran�a!
Ele n�o me pagou!
� ele! Aquele ali!
Ei!
Droga...
Filha da m�e.
�Ol�! �OH.
Aqui � o workshop de escritores?
- Isso. - Estou procurando a Susana Ramirez.
Ela � minha esposa.
A Susie � casada?
Estranho, porque ela colocou "solteira" na ficha.
Estranho mesmo.
Talvez ela tenha se esquecido.
Espere a�...
Voc� deve ser o tal mexicano.
Que mexicano?
Que os seguran�as est�o procurando.
N�o sou esse cara, n�o.
Sou outro mexicano.
N�o � engra�ado. Isso s� dificulta meu trabalho.
- Sabe onde ela est�? - Deve estar na casa do Rick e do Wen.
� verdade.
Posso lev�-Io at� l�.
N�o precisa.
Preciso de ajuda com os livros.
- J� deu meu hor�rio. - E...
- Seria �timo. - Sem problemas.
Muito obrigado. Desculpe.
- Eu te encontro ali? - Sim.
- Est� bem. - Certo.
A Susana n�o sabia que viria, n�o �?
N�o, � surpresa.
Ser� uma surpresa e tanto.
Caramba...
- Pronto, j� passou. - E?
J� passou.
Est� bem.
Por que est�o te procurando?
Quem?
Chegamos.
Certo.
- Ent�o... - Certo.
- Obrigado. - Claro.
Vejo voc� por a�.
- Sim, sim. - Legal
Tchau.
- Tchau. - Obrigado.
N�o h� de qu�.
- Ol�, entre! - Ol�!
- Deixe as coisas aqui. - Est� bem.
- Aqui? - Isso.
- J� come�aram. - Ningu�m vai roubar?
- N�o! - Est� bem.
Antes de voltar para os aperitivos e este delicioso u�sque,
quero dizer algumas coisas.
Est�o aqui gra�as � empresa petrol�fera e ao departamento do Estado.
Esperamos que, quando voltarem a seus pa�ses,
escrevam artigos, colunas e livros que apresentem
uma vis�o diferente dos EUA.
�, chega de criticar os EUA, pessoal.
Eles est�o pagando a viagem.
N�o, cr�ticas s�o bem-vindas.
Mas queremos uma vers�o mais sutil das coisas.
De onde voc� �?
Do M�xico.
Mas eu paguei a viagem, ent�o...
Vim visitar minha esposa.
Bem-vindo � Am�rica!
Muito obrigado! Mas j� estava na Am�rica.
Bem... Enfim.
Temos escritores do mundo todo aqui...
- Espera, voc� � do M�xico? - Surpresa, Susie!
Venha aqui.
- Acabou a farra para voc�. - N�o vai nos apresentar?
Sim...
- Eligio... - Ramon. Bem-vindo.
Fala espanhol? Tudo bem?
- Hercules. - Tudo bem?
- Tudo bem? - Prazer.
Eligio, ao seu dispor.
-"Ao seu, dispor". - E.
Com licen�a.
E a�, princesa?
- Est� feliz em me ver? - Calma.
Est� ou n�o? Um pouco?
Pare com isso.
Voc� sabe muito bem.
Eu n�o sei, n�o.
N�o fa�o ideia por que est� aqui e por que foi embora.
Por que foi embora?
Porque eu quis.
- N�o brinque comigo, Susana. - Por favor.
N�o vim at� aqui para voc� dizer que foi porque quis.
Eu vou armar um barraco aqui se for preciso!
- N�o estou nem a�! - Fale baixo, por favor.
- Eu n�o estou nem a�. - Tudo bem.
Calma.
A quantidade de livros publicados pelos escritores desse workshop...
N�o me ama mais?
� s� me falar e pronto.
- E separamos. - E, eu n�o te amo.
Que mentira! Claro que me ama
-ou n�o teria ido embora assim. - Falamos disso depois.
Quando e onde?
Nunca, no inferno.
- J� volto. - Est� bem.
Est� brincando.
Susana!
Oi. Voc� conhece a Susana?
Deve ser o marido secreto.
- Sim. - O h�spede surpresa.
- A mosca na sopa... - Voc� a viu?
� seu direito saber.
Ela est� com o polon�s.
- Quarto 706. -706.
R�pido.
Susana!
Abra essa porta ou eu vou arrombar!
- Eligio, pare ou chamo a pol�cia. - O qu�?
Com quem voc� est�?
Quem � voc�?
- Quem � voc�? - Vamos.
Quem � esse cara?
Ei, n�o! N�o sei quem voc� �!
Mas essa brincadeira acabou!
Acabou. Ouviu, Susana? Acabou.
Est� bem?
A Susana � minha esposa.
Est� bem?
Se eu o vir com ela ou perto dela de novo,
vou acabar com voc�, seu filho da m�e!
- Desculpe... - Fui claro?
- Muito bem. - Desculpe, Slawomir.
- Desculpe. - Desculpe.
Me solte!
Seu grosso!
Se acha o mach�o?
Nunca fiquei t�o envergonhada!
Est�o achando que voc� vai me bater!
� exatamente o que vou fazer!
- Vamos. - Me solte!
- E esse cara? - D� um tempo, Eligio.
Quem � ele?
Ele � poeta.
- Poeta? - Sim, � polon�s.
Polon�s! Est� brincando!
E o que est� rolando entre voc�s?
N�o te interessa.
Como n�o? Claro que me interessa!
Entendi! J� se conheciam, n�o �?
Veio para se encontrar com esse filho da m�e!
Eligio, tenha d�.
Eu n�o vim encontrar ningu�m. Eu vim para escrever.
Est� bem?
E eu queria ficar sozinha.
Era s� dizer que queria ficar sozinha.
Que vinha � trabalho. N�o teria problema nenhum.
Eu n�o teria me importado.
- Jura? - N�o muito.
Eu teria deixado voc� vir.
Voc� teria deixado?
N�o precisa me dar permiss�o para fazer as coisas.
Voc� sabe bem que fez besteira.
Tudo bem, mas...
Quando eu disse que queria ficar sozinha e escrever,
voc� tamb�m apareceu...
- N�o, nada a ver! � diferente! - N�o �!
- �, sim! - N�o �!
Se eu falasse, voc� ia me fazer ficar.
Claro que n�o! Por que diz isso?
Porque... Porque sou uma idiota.
Voc� teria enchido o saco se eu falasse que viria.
- E para evitar briga... - N�o,n�o...
N�o se fa�a de submissa. Sempre fez o que queria.
- Sempre. - Voc� tamb�m!
- Eu,n�o! - Como n�o?
Eu ralo fazendo comerciais e novelas...
- Porque voc� quer! - N�o, para pagar o aluguel!
Coitadinho! Que d� dele!
N�o diga que faz isso por mim.
Fa�a o que quiser, mas n�o diga que � por mim.
Vamos sobreviver com seu sal�rio de professora?
Consigo me sustentar sozinha.
- Sozinha? - Sim.
- �timo. - Acabou.
- � assim, ent�o? - N�o quero mais discutir.
Como assim? Ei, ei!
Aonde voc� vai?
N�o, n�o! Vamos esclarecer isso!
Susana, se acalme! N�o!
Susana,chega!
Susana, que droga!
Chega! Cale essa boca!
Chega.
Susie? Est� tudo bem?
Sim, estou bem.
- Vamos! - Chega.
N�o, Susana. N�o v� come�ar a chorar.
Assim n�o...
A� � golpe baixo.
N�o d� para conversar.
Ei, escuta.
Olhe.
Estou disposto a voltar para o M�xico se for preciso.
Mas n�o porque voc� quer que eu v� embora do nada.
Assim, n�o.
- Certo? - Certo.
Tudo bem...
O que quer saber?
Tudo.
Tudo.
O que seria "tudo"?
O que tem com esse cara?
N�o comece.
N�o comece. N�o tem nada a ver.
Esse n�o � o problema, n�o percebe?
Quando o conheceu?
Logo no come�o.
Nos apresentaram e ficamos amigos.
S� amigos?
Eligio, parece um adolescente!
Me conte. Responda.
Por que se importa? Quer saber se estou dormindo com ele?
Dormiu com ele, n�o �?
Na verdade...
Sim, eu sinto atra��o pelo Slawomir.
E, sim. Eu dormi com ele.
Se saber te deixa feliz...
Caramba.
Como saber disso me deixaria feliz?
Droga. Como me deixaria feliz?
Como?
E voc� gostou?
- O qu�? - Voc� gostou?
- Me conte... - Por favor...
Isso te ajudou no processo liter�rio?
Eligio, tenha d�.
Quanto mede?
- O qu�? - Parece ser grande.
� grande mesmo?
Voc� gosta mesmo de sofrer.
Quanto mede?
� muito grande?
N�o!
- S� pode estar brincando! - Voc� perguntou!
Voc� perguntou!
Mas n�o era para falar.
Isso n�o � importante.
Voc� est� me matando, Susana.
Quando voc� saiu e me deixou aqui...
O que foi fazer?
Nada. Fui contar para ele que voc� tinha chegado.
Que gentil! N�o queria ferir os sentimentos do poeta.
Que fique bem claro...
Que fique entendido:
Est� proibida de voltar a ver esse cara.
Acabou. Est� proibido!
- Vai contar para a minha m�e? - Chega, Susana.
Chega de brincadeira, est� bem?
O mach�o aqui est� prestes a fazer uma besteira.
N�o estou nem a�. Vou dar porrada em voc�s dois.
Se for preciso, eu vou preso por causa disso tudo.
Ent�o, por favor. Chega.
Tudo bem. Fui falar com o Slawomir.
Eu disse que tinha chegado e que eu n�o poderia mais v�-Io.
Est� bem?
Tudo bem.
Que droga.
Ent�o...
Nossa!
Susana, por qu�?
Eligio...
Nunca imaginei que voc� viria para c�.
S�rio.
O que mais eu faria?
Me esquecer.
N�o.
Por que n�o?
Porque eu te amo, idiota.
- Me ama mesmo? - No momento, eu te odeio.
Mas, sim, eu te amo.
"Te quero mais que tudo", como diz a m�sica.
Por que sua roupa est� toda suja?
� que...
Fui idiota e peguei um t�xi no aeroporto.
O taxista era um racista filho da m�e. Quis cobrar mais.
Ent�o eu sa� sem pagar e me escondi no bosque da universidade.
- S�rio? - E.
N�o!
N�o paguei mesmo.
Estou exausta.
Voc� � muito gostosa, Susana.
Por que fez isso?
Amanh� continuamos essa conversa.
N�o vou dormir a�.
- Venha. - N�o vou dormir a�!
Droga...
O que foi?
Quero uma tr�gua.
Uma tr�gua.
Isso, assim...
Eu te amo, Susana.
O que foi?
O que foi?
O que foi, gatinha?
Que bom que voc� veio.
S�rio.
Eligio...
Perdi uma palestra hoje.
Para ficar transando.
Com seu marido dessa vez.
Que coisa, n�o �?
Veja, gatinha.
- O qu�? - Venha.
- O qu�? N�o! - Venha!
- Ol�, amigos! - Ol�!
- Vamos fazer neg�cio hoje? - Sim.
Oi, Fred!
- Oi. - Oi.
Queremos fazer um test-drive.
Certo. Qual tipo de ve�culo?
O melhor que tiver.
Gostei desse.
- �. - Esse?
� muito... � muito legal.
- �? - Eu dirijo, amor.
- N�o! - Eu dirijo.
Veja s�!
Viu? J� temos uma nave.
Eu li seu conto que saiu na revista.
S�rio?
- E? - Gostei.
E?
�, gostei. N�o sei se entendi o fim, mas gostei.
Se n�o entendeu, como gostou?
Gosto de um monte de coisas que n�o entendo.
Como o qu�?
Como voc�.
A resposta foi boa, mas n�o vale.
Como queijo Oaxaca.
Como huevos rancheros. Entende?
E agora, gatinha?
O qu�?
O que faremos?
Com o qu�?
N�s dois. Como ficamos?
N�o sei, Eligio. Como assim?
Nossa situa��o.
Quando vamos ter um filho?
O velho truque de engravidar?
Voc� n�o est� batendo bem. Por que � t�o insens�vel?
Voc� se sente preparado para ter um filho?
Posso fazer umas aulas se quiser.
Vamos.
Vamos, amor.
Temos que devolver o carro antes que chamem a pol�cia.
N�o tem ningu�m na rua! Cad� todo mundo?
Est�o no shopping.
� o que tem para fazer.
Vamos para Nova York?
- O que acha? - N�o.
Preciso acabar meu romance.
Receber meu dinheiro.
-"Receber meu dinheiro". - Me sentir...
E a bolsa? Meu amor...
Com o valor dessa bolsa n�o d� nem para comprar roupas novas.
Nada.
N�o brinque.
E a�?
Falando na universidade. Veja!
L� v�m eles. E a�?
- Vamos a um bar aqui perto? - Amor...
Sim? Voc�s v�m?
- Querem ir? - Vamos!
No caldeir�o...
Logo que mudamos, os canos entupiram.
As privadas transbordavam de coc�.
N�o acredito!
Do pr�dio inteiro.
Tivemos que construir todo um sistema hidr�ulico,
tipo os astecas,
para conter a inunda��o.
Ele estava engra�ado limpando com uma calcinha na cabe�a.
De repente, ele diz:
"N�o aguento mais! Est� vendo como isso � simb�lico?"
- Estamos na merda. - Na merda!
Est�vamos nadando na merda dos outros.
Est�vamos redimindo a humanidade.
Que messi�nico!
Pois �.
- Tome mais uma, mexicano. - Um brinde.
- Um brinde. - Sa�de.
Caramba...
Falando em merda...
- Sim... - O que acham do workshop?
Porque a Susana n�o me disse nada.
Caramba.
Vamos.
A janela n�o abre?
� para n�o se jogar daqui?
Esses gringos pensam em tudo.
M�SICA POLONESA
M�sica polonesa.
Certo.
Como est� indo?
Est�...
� o romance?
Eligio, pare.
Eligio...
Eligio, pare.
Pare, amor.
Exato, sen�o...
- N�o consigo terminar nunca. - Tudo bem.
Quando vai para o M�xico?
Acho que vou ficar at� acabar.
Quer que eu v� embora?
N�o! N�o, pode ficar.
Mas, o que vai fazer at� l�?
Certo. Est� bem, est� bem.
J� entendi.
Vou dar uma volta na cidade.
Andar por a�.
Vou ver que tem por a�.
Bem, tchau.
- Divirta-se. - Voc� tamb�m.
Tchau.
Impressionante!
Quem � o pr�ximo?
- Voc�? - N�o, eu...
- V�... - Eu vou tentar.
Voc�?
Sim, eu.
Acha que mulher n�o sabe atirar?
N�o, mas voc� � democrata, n�o �?
Voc� n�o me conhece mesmo.
Cuidado.
Tomem essa! Nossa!
Foi incr�vel! Muito bem.
E voc�?
- Quer tentar? - Sim.
Mas espere. Eu acho que...
- Com licen�a, por favor. - Essa � enorme.
Sim!
- Tudo bem, abaixe! - Abaixe isso!
Abaixe!
- N�o! - Abaixe a arma!
- Abaixe. - Est� abaixada. Tudo bem!
- Eu me rendo!
- Certo. - Aqui.
- Posso? - Sim, por favor.
Certo. Obrigado.
Isso a�, galera. Agora, sim.
V�o ver por que sou o rei da parada.
O que ele disse?
� melhor usar as duas m�os.
Larry, eu sei o que estou fazendo.
Obrigado.
Certo.
Nossa!
Deve ter atingido um urubu.
Espere.
- Caramba! - Tudo bem.
Posso te ajudar?
- Sim, por favor. - Est� bem.
- Relaxe, est� bem? - Estou tremendo.
Use as duas m�os. Bra�os retos.
Bem firmes. Pulso firme.
- Certo? - Sim.
Agora, feche um olho.
- Esse?
Agora, mire. O alvo vai ficar fora de foco.
Sim, est�.
Agora, s� precisa apertar o gatilho de leve.
Certo.
- Isso! - Muito bem.
Tome essa!
Bem melhor!
- Foi bom, n�o �? - Foi bom!
Nossa.
Preciso de um sorvete para me acalmar.
"Quando olhou para o menino,
pensou que havia sentido cheiro de cedro.
Ele n�o sabia por qu�,
mas foi at� o menino e o deu uma moeda.
Algo havia mudado nele?
N�o tinha mais nada a perder.
Se...
Se...
Se..."
Podemos tomar um lanche l� fora, enquanto discutimos o trabalho.
Coisa idiota. N�o acontece nada.
Achou t�o ruim assim?
- N�o gostou? - Gostou?
Bem, n�o gostei, n�o.
Gostei de algumas partes.
Quais partes?
As batalhas navais e os espadachins...
Nossa.
Parece que querem roubar seu homem.
Se o Eligio quiser...
- O qu�? - Fique � vontade.
Quero saber por que n�o gosta de nada.
- O problema n�o sou eu... - Percebeu?
- Quando fala... - Pessoal, vamos ao Woodvine.
- Vamos? - Sim!
- Beber... - Sim.
- Claro, vamos. - Beleza.
- Nos vemos l�. - Obrigada, gringa.
- Linda. - Voc� quer ir?
Como quiser.
Vamos, amor.
Se n�o quiser, ficamos no quarto.
Eligio, � s�rio. Qual � a sua?
Como assim?
N�o se fa�a de bobo, Eligio.
A gringa est� dando em cima de voc� na cara dura.
N�o, nada a ver.
Nada a ver.
E eu n�o fiz tudo isso de vir atr�s de voc�
para ir atr�s de um rabo de saia.
Nunca fiz isso no M�xico, como vou fazer aqui?
Voc� nunca fez isso?
- Nunca fiz... - Como...
Vamos?
- Vamos, sim. - Vamos.
- J� falamos sobre isso. - J�.
N�o � quest�o de falar.
Eu s� queria esclarecer as coisas.
- Vamos! - Sim, vamos!
J� aviso que, se o polon�s aparecer, eu quebro a cara dele.
Ent�o vamos.
- Mas... - N�o d� corda para ele.
- J� foi para o M�xico? - Sim, j� fui.
Fui para Matamoros.
A cidade era bem suja.
- Era suja e depressiva. - N�o.
- Desculpe... - N�o, cara.
N�o. � nojenta, n�o s� suja.
�.
- Voc� nunca foi para Matamoros! - N�o, mas meu amor.
Os gringos exageram nessa coisa de limpeza.
Pelo menos n�o ficamos doentes com a comida.
�, mas tudo tem o mesmo gosto.
Pois �.
Precisam de um pouco de germes e salmonela para...
Sabe? Para dar sabor.
Por exemplo, qual � o prato t�pico dessa cidade?
- Hamb�rguer? - Bife?
- Hamb�rguer de bacon. - E muito bom.
Certo.
No M�xico, assim como no Peru, em cada cidadezinha,
voc� pergunta o prato t�pico.
Eles respondem tacos de cochinita pibil,
tatu de Juchit�n...
- Minhocas? - Minhocas de Oaxaca tamb�m.
- Que legal! - Por exemplo...
- Vou fumar um cigarro. - Tudo bem.
Tem os tacos da virilidade tamb�m.
Por que tem esse nome?
� feito com os test�culos do boi.
�, pois �.
- Voc�s comem isso? - Comem nada!
No caf� da manh�.
Ereto e supercrocante.
� �timo.
O Larry est� prestes a me xingar.
N�o!
S�rio. Um brinde!
- Sa�de. - Sa�de.
Sa�de.
Larry, venha aqui.
- Vem c�! - Sa�de,sa�de.
- Voc� est� bem? - Estou.
Eu nunca sa� do pa�s.
- N�o? - Nunca nem sa� de Iowa.
- O qu�? - Nunca fui para fora do estado.
- S�rio? - Pois �.
- N�o? - Pois �.
Mas viajar � muito importante para mim. Quero muito viajar.
Eu adoraria ir para o M�xico.
- Voc� deveria ir. - Sim.
- O jeito que voc� fala... - Desculpe, preciso ir.
Susana?
Desculpe!
O que faz com esse cara?
Calma, calma.
- Qual �? - Estamos conversando.
Eu falei que ia quebrar sua cara se te visse com a minha mulher!
- Ele n�o entende. - Entende, sim!
O que est� fazendo com a minha mulher?
Est� maluco?
- Filho da m�e! - Ele vai te machucar!
- Saia da frente! - Pare!
Por favor!
Filho da m�e!
Droga!
- Caramba... - Voc� est� bem?
Saia daqui! V�!
Tome essa, idiota! Tome!
Pare.
Pronto.
Estamos quites.
Pronto.
Nossa.
Qual � o problema desse cara?
Voc� � um animal.
- O qu�? - Voc� � um...
- Ele come�ou! - E um selvagem.
- Ele come�ou, amor! - Est�vamos conversando!
Qual � o seu problema?
- Me desculpe. - Eu n�o quero isso.
- Droga. - N�o quero.
Me perdoe!
Ele me bateu primeiro!
Que droga!
Filho da m�e.
Que dor.
N�o consigo fechar a boca.
Aqui, qualquer coisa d� cadeia.
Sabia que, nos EUA, metade dos presos est�o na cadeia por drogas?
Pare.
Por causa da maconha.
Bom...
Vou te deixar em paz, gatinha.
Desculpe, gatinha.
At� mais.
O rato diz para o gato:
"Quer saber? Traga seu irm�o! N�o ligo!"
N�o entendi.
� mais engra�ado em espanhol.
Em mexicano.
Que estranho!
Estou tendo sonhos estranhos.
� s�rio.
Desde que te conheci.
Voc� vai rir de mim, mas s�o fantasias loucas.
Estamos nas pir�mides astecas.
Voc� est� fantasiado
de �ndio nativo, com aquele cocar na cabe�a.
- Claro. - E eu estou deitada no altar,
como se fosse uma oferenda.
- E? - S� isso. E acordo.
- S�rio? - E, toda vez.
- Sabe o que tenho sonhado? - O qu�?
Que voc� � a m�dica de Davy Crockett.
- Certo. l - Estamos na batalha do �lamo.
E eu sou um Chihuahua com um chap�u de mariachi.
S�rio?
Voc� s� est� me zoando.
- � s�rio. - N�o � legal!
- �. - Voc� � maldoso.
Por que est� rindo?
- Preciso ir. - Est� bem.
- Preciso ir. - S�rio?
�.
-lnfelizmente... - Certeza?
Sim.
Mas obrigado pela carona.
De nada.
Boa noite!
Meu Deus!
Vamos!
Voc� est� b�bado!
- Boa noite! - Boa noite!
Caramba.
Gatinha...
"Ele estava despenteado, a barba por fazer,
com os olhos vermelhos e o cora��o batendo descompassado.
Eles discutiram, gritaram.
E, depois, fizeram amor com raiva, desesperadamente.
Como se fazer amor fosse um ato de autoflagela��o,
um gemido eterno.
O fim de um mundo fr�gil e ardente.
Uma zona intermedi�ria entre a vida e a morte."
Muito bom, n�o �?
- Voc� arrasa, gatinha! - Obrigada.
N�o haveria melhor maneira de encerrar nosso encontro
do que essa bela obra de arte.
Parab�ns.
A tradu��o tamb�m estava �ptima.
Nos pr�ximos dias, o j�ri vai decidir o ganhador,
que ser� publicado por nosso patrocinador,
bem como outras editoras...
Gatinha!
Nossa!
Gatinha!
Viu que est� tudo coberto de neve?
Susana?
Isso sim � inverno.
Inverno...
Inverno de verdade.
Caramba...
- Eles partiram. - E a�?
- O qu�? - Foram embora!
Sua mulher e aquele polon�s idiota.
N�o. Acalme-se.
Foram para Chicago com o Vaclav e o Thomas.
- Acho que est�o nesse lugar. - Brincadeira...
J� fiquei l� tamb�m.
- Filha da m�e... - O que vai fazer?
Filha da m�e!
� uma filha da m�e!
Que merda!
Essa filha da m�e!
- Ei! - Entre!
- Oi, cara! - Oi, pode me emprestar seu carro?
- O qu�? - Posso pegar seu carro?
- Calma, cara. O que foi? - Posso? Por favor.
- Sim! - Beleza, obrigado.
- J� volto. Obrigado! - T� bom.
O que voc� quer?
- Entre. - Vamos.
Vamos. Vamos.
- Saia. - Eligio...
Saia!
Fale para ele sair, Susana!
Vamos, Susana.
Vista-se.
Vista-se agora, caramba!
Coloque uma roupa! Vamos!
Voc� � minha mulher e vai vir comigo!
Vamos, Susana! Vamos, caramba!
Vamos! Vista-se, Susana.
Vista-se. Coloque uma roupa, caramba!
Coloque uma roupa e vamos!
Vamos sair daqui!
Vamos, Susana, por favor! Eu te imploro!
Vista-se, por favor! Vista-se, caramba!
Susana...
E agora, Eligio? O que vai fazer?
N�o sei.
Droga, Eligio.
V� mais devagar.
Est� bom assim.
Eligio...
Merda!
Droga!
Caramba.
Acho que agora d�.
Nossa!
Caramba...
Nossa!
Uma senhorita chamou o guincho.
Ela est� na cafeteria. Pode me ajudar aqui?
Sim.
Sim.
Um caf�...
- S�? - S�.
- O�. - Ol�.
Quer um caf�?
- Quero. - Certo. Sente-se.
Obrigado.
Rosie?
O cara mexicano est� aqui.
Est� bem. Obrigada.
- � o Sr. Eligio? - Sim.
- A senhorita Susana deixou um recado. - O qu�?
Pediu para dizer que ela foi para onde o senhor j� sabe.
Para o inferno?
Acho que sim.
- Obrigado. - Bom...
Obrigado.
- Oi. - Oi!
Sabe onde a Susana est�? Tem o endere�o, n�o tem?
Tenho.
- Vou pegar. - N�o, tudo bem.
Pode entregar isso a ela?
- Claro. - Obrigado.
Vou com uns amigos para a Calif�rnia nas f�rias.
- Vai ser divertido. - Legal
Acho que vamos at� Tijuana.
M�xico.
FUI PARA ONDE ME MANDOU
Conhe�o um lugar em Tijuana
que faz os melhores tacos.
- Tacos? - E.
� um lugar chamado "Tacos Salseados".
� na rua Hermita. Vai lembrar?
- Hermita - E.
- Legal - Os melhores tacos do mundo.
Aqui.
Fa�a boa viagem.
Voc� tamb�m. Tchau.
Aquele perde uma mulher N�o sabe o que ganha
Quando um amor se vai Amanh� chegar� outro
D� amor a uma mulher E vai ver o que recebe
Te engana, te cansa Ou busca outro amor
- Quer comprar? - N�o. Obrigado.
Olhe-se no espelho
� um conselho que te dou Se quiser segui-Io
Se est� prestes a perd�-Ia N�o deixe para amanh�
Porque voc� sabe o que ganha Aquele que perde uma mulher
Caramba!
O que houve com a Susana?
Estava tudo bem, mas, depois, brigamos feio.
- Obrigado. - Mas v�o fazer as pazes, n�o?
N�o, cara. Acabou.
N�o brinque.
- Acabou? - Sim.
Fez alguma idiotice?
Algo assim. Exatamente.
�, eu sempre piso na bola.
- Sempre fa�o isso. - Idiota.
�s vezes, acho que vou encontr�-Ia de novo.
Em uma estreia ou algo assim.
At� parece.
Ela ser� uma escritora reconhecida, publicada...
E eu serei um ator um pouco mais bem pago.
Vou perguntar se ela est� casada, se tem filhos...
Ela vai dizer que sim, est� casada.
Que tem dois filhos.
Mas vou saber que, no fundo, est� infeliz.
Ela vai me perguntar o mesmo. E eu vou dizer que sim.
Que me casei, mas que n�o deu certo.
E, de repente, cara. Assim, do nada...
Vamos come�ar a transar.
Vamos nos pegar em algum canto a�. Vamos mandar ver.
Ela vai me dizer como � bom transar comigo.
"Fazia tempo que n�o transava assim."
Eu vou dizer: "Que coisa, n�o �?"
Depois, vamos nos despedir com um beijo e pronto.
Acabou.
Nunca mais nos veremos.
Vou ficar triste e melanc�lico por saber que essa mulher...
Que a Susana era o amor da minha vida.
Antes de ir embora, ela vai me falar o que nunca falou antes:
"Eu te amo".
Fiquei excitado s� de pensar nisso, cara.
Esse � seu problema, cara. Fica excitado por tudo.
Preciso de uma m�o.
TACOS E QUEIJOS
Sabe, eu conhe�o o cheiro do DEA.
Esse filho da m�e aqui
quer que eu venda 50 kg para ele.
Isso n�o me cheira bem.
N�o me cheira bem.
O que foi?
Foi �timo!
Foi muito bom.
Tente de novo. Um pouco mais sombrio...
- Mais c�nico. - Acho que deu. Obrigado.
- Pode improvisar. - N�o,n�o.
Gostou dele?
SUSANA RAMIREZ GANHA PR�MIO COMO MELHOR ESCRITORA
Eu vou e vai calar a boca.
Desde quando decide onde vou ou deixo de ir?
Desde agora. Se for, n�o volte.
- N�o vou abrir a porta. - Eu vou!
N�o vai me deixar aqui sozinha com sua prima Alejandrina.
- Eu vou aonde eu quiser. - Sua fam�lia me irrita.
Calada.
Sua fam�lia � repugnante.
Menos a sua m�e.
A coitadinha, retardada mental.
Sempre tomando ch�.
- Calada! - Tenho d� dela!
- Calada! - D�!
- Calada! - Vai me bater?
Estou aqui! Pode bater!
Por que n�o aceita a verdade?
Os conflitos conjugais, assim como as obras de teatro,
tamb�m t�m seus intervalos.
Estamos a todo vapor.
Est�o sentindo o fluxo?
- Essa foi melhor, n�o �? - Sim.
Perfeito! Aguarde.
Mais uma vez?
Ela est� tentando humilh�-Io...
Meu Deus!
Desculpe. N�o queria te assustar.
Nossa!
Caramba!
Quando voltou?
Hoje.
Est� passeando? Visitando os amigos?
Quer uma cerveja?
- Quero. - Quer?
Parab�ns pelo livro.
Obrigada.
Muito legal.
Estou muito feliz.
A Andrea me contou da pe�a.
- Sim. - Que bom!
- �, estou feliz. - E?
Mudou bastante o apartamento.
Por onde andou?
Fui para Nova York e Madri.
Com o polon�s?
N�o.
Sozinha?
Sim, fui sozinha.
E as minhas coisas?
Est�o l� embaixo.
No dep�sito.
- Quer pegar? - N�o.
N�o tenho para onde levar.
Ent�o por que veio?
Voltei.
N�o brinque.
Assim, do nada?
�.
N�o.N�o.
N�o.
- N�o? - N�o.
Quer que eu v� embora?
N�o sei. Me diz voc�.
N�o. Diga voc�.
Por que voltou?
Porque voc� � meu marido e essa � minha casa.
Eu pensei muito
e sei que, apesar do que aconteceu...
Ou exatamente pelo que aconteceu,
podemos ficar bem juntos.
Esses s�o seus motivos?
S�o.
Sim. O que quer que eu diga?
N�o tem mais nenhum motivo?
Algo que nunca me disse?
Certo.
Caramba!
Olhe, Susana...
S� uma coisa.
Que coisa?
Eu te amo.
Voc� � a mulher da minha vida.
Eu sei que pisei na bola muitas vezes com voc�.
Mas n�o pode voltar como se nada tivesse acontecido.
J� que n�o quer responder minha pergunta,
vou te dar umas palmadas.
Umas palmadinhas de leve.
Tranquilo, nada paternalista.
E voc� vai at� gostar. Vamos l�.
� s�rio?
N�o. � s�rio?
Claro que � s�rio. Nunca falei t�o s�rio.
- N�o vai me obrigar. - Vamos logo.
- Vamos. - Pare com isso!
Se me falar por que voltou, escapa das palmadas.
Diga por que voltou.
- Bom... - Vamos, vamos.
Tudo bem, pode dar as palmadas.
Vamos! Pode dar as palmadas.
N�o, n�o...
- Desgra�ado! Me solte! - Por que voltou?
Filho da m�e...
Por que voltou?
V� se ferrar.
Me solte!
- Que bunda gostosa... - Me solte!
- Caramba... - Me solte!
Eligio, me solte agora!
Por que voltou?
Idiota!
N�o acredito.
Entendo o que est� perguntando.
Eu sei.
Pergunte de novo.
Por que voltou?
Voltei porque te amo, Eligio.
Eu te amo.
BASEADO EM "CIUDADES DESIERTAS"
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