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Quer falar com ele?
Deixe-o descansar.
De certeza?
Sim.
Ora viva.
De onde é que apareceu?
- Não. - Parem-no!
Raios!
Merda.
Merda.
Merda.
Mas que…
Jay!
Jason?
Jason.
Jason!
Merda.
Olá.
Há quanto tempo nos estás a observar?
Só cheguei há uma hora. Vi-te a sair da escola abandonada.
Seguiste-me até casa.
Até casa?
Não. Não és ele.
Qual deles és tu?
Qual deles sou eu? Qual deles és tu?
Foste tu que construíste a caixa?
- Está bem. Espera. Ouve. - Foste tu.
- Ouve. - Mataste-os.
- Mataste o Ryan. Foste tu. - Ouve.
Tens de acreditar em mim.
Nada aconteceu como devia.
O que queres de mim?
Quando te vi a sair da escola, pensei que eras… ele.
Pensei que eras o meu Jason.
Sabes que mais? Não importa.
- E sabes porquê? Ainda bem que és tu. - Porquê?
Talvez possa pedir desculpa.
Está bem? Desculpa, Jay. Desculpa.
Vai-te lixar.
Porque estás neste mundo?
Também perdi tudo.
Hoje, escolhi a porta errada.
Vai.
Vai.
- Se te voltar a ver neste mundo… - Não verás.
Não verás.
Maldito Jason Dessen.
BASEADA NO ROMANCE DE
MATÉRIA ESCURA
Não podemos voltar para a caixa.
O quê? Não.
Não é isso que estou a dizer.
Ouve. Temos novas identidades.
E dinheiro poupado.
Mudamo-nos para longe.
Para outro estado. Até para outro país.
Será difícil encontrarem-nos neste mundo. Céus… Nós sabemos isso.
E talvez… talvez isso baste.
Vamos fazer as malas.
Não.
O quê?
Não.
Estou farto das tuas tretas da caixa.
Sei que não construíste a caixa, mas uma versão merdosa de ti construiu.
E eu perdi tudo.
E depois outra versão merdosa de ti apareceu e lixou-me a vida
quando eu começava a ter as cenas orientadas.
Por isso, não.
Se quiserem ir, vão. Tenho 18 anos.
Vou trabalhar com o Eduardo no restaurante da mãe dele,
- e vou para a faculdade. Em Chicago. - Charlie.
- Charlie! - O que foi?
Esta também é a minha vida.
E não vou começar de novo.
Char…
Não o vou deixar.
Claro.
Eu também não o deixaria.
Então… o que se segue?
- E se parássemos de perder tempo? - Sabes, é de loucos.
Tenho fantasiado sobre voltar a ver-te desde o dia em que me abandonaste.
Amanda, qual foi o mundo mais perigoso a que já foste?
- Porquê? - Acho mesmo
que temos de deixar este tipo.
Eu percebo, meu.
E gosto mesmo desta energia, porque…
… no ano e meio em que cá estive,
fiquei com a impressão de que és muito simpático.
Mas tenho de perguntar, antes de o matarmos…
Consegues levar-me para casa sem a ajuda dele?
Podes levá-lo de volta?
Sim. Talvez precise de algumas tentativas.
Ótimo. Vamos a isso.
Finalmente.
Parece-me certo.
Mas como garantimos que este é o meu mundo?
Podemos ir a tua casa, mas podemos dar de caras contigo.
Há algum sítio mais perto que conheças bem?
Sim, conheço o sítio perfeito.
Caramba.
A polícia esteve aqui à tua procura.
Pensei que estavas morto.
Ainda não, amigo.
Anda cá!
Parece-me bem.
Devíamos passar em tua casa para garantir.
- Sim. - Ryan.
- Ryan. - O que vai ser, meu?
Olá, meu.
Uísque puro.
O habitual?
O melhor que tiveres. Ele paga.
Vens pagar tudo o que eu quiser? Por favor.
Caramba.
Bebes um uísque.
Sabe que mais? Sirva dois.
E uma Coca-Cola Light e…
Uma sidra.
Está bem.
Vem sentar-te. Senta-te.
O que é isso da Coca-Cola Light?
Achei que não ias gostar do vinho de casa do pacóvio.
No meu último ano, eu e um amigo estávamos numa festa, bêbados.
Podemos falar?
Só quero tentar explicar.
Pelo menos, pedir desculpa.
Desculpas aceites.
Vá lá.
Por favor?
Lancei a mesma moeda.
Só que perdi.
Podes ser rápido?
A culpa é tua, mas farei o meu melhor.
- Sim. Tem lá calma. - Bem…
Então, são gémeos?
- Sim, idênticos. - Raios te partam.
Disseram aos meus pais que ele morreu logo a seguir ao parto.
Mas a enfermeira fingiu a morte dele.
Raptou-o para o criar como filho dela. É de loucos.
Dá-me mais um.
Sim.
Como descobriste que ele estava vivo?
Para.
Esta história é nossa.
Nós…
Fizemos testes de ADN.
Aqueles testes de ADN caseiros.
Correspondência a 100%.
- Achei que era um erro. Era estranho. - Até veres a minha foto.
Bem, assim que vi a tua foto, soube que era um erro.
Eu, não. Assim que recebi a notificação,
senti o meu gémeo há muito perdido.
Foi como um… poder de gémeo. Senti isso.
E foi aí que estiveste? No último ano?
Bem, demorei algum tempo a encontrá-lo.
E depois houve drama com a mulher que o raptou e criou.
Ela tem nome.
É Joyce.
Então…
Isto foi da versão de mim
que te viu morrer.
Eu sabia, intelectualmente,
que uma versão de ti teria sobrevivido.
Mas, quando te vi…
Eu…
Estou tão…
- Arrependido? - Sim.
Como é que não vi quem eras?
Porque nem eu sabia.
O que houve entre nós foi real?
Sim.
Não entrei na caixa por pensar: "Quero uma vida nova."
Mas não sabia que era infeliz.
Que estava apenas a existir.
A fazer coisas que as pessoas fazem, como reconhecimento de padrões.
Soa a depressão.
Agora, ao ver todas aquelas vidas que eu poderia ter vivido…
Deixei-me ser arrebatado.
Tive tanta inveja de todas as outras versões de mim.
E nenhuma tinha alcançado o mesmo que eu.
Fiquei fascinado por uma versão de mim
que tinha desistido de o tentar alcançar,
mas que tinha todas as coisas das quais eu tinha abdicado.
E ele era completamente ele mesmo.
E eu não tinha isso.
Nem sequer sabia como ter isso.
Gostava que tivesses pedido ajuda.
Sim.
Entendo que ser uma pessoa destroçada,
não obstante o que te destroçou, seja difícil.
Entendo isso.
Mas estás a tentar usar psicologia pop.
Em mim.
Há 18 anos, escolheste não casar com uma rapariga.
Depois, viste a vida que podias ter tido e decidiste roubá-la
por causa de…
O quê? Arrependimento?
Arrependimento é a grande revelação?
Vai-te lixar.
Eu digo-te quem sou.
Sou aquela que gostava de ti.
Não de uma outra versão de ti que fez as chamadas escolhas perfeitas.
Conhecia todas as tuas cicatrizes. Ainda conheço.
Mas não querias que te conhecessem.
Não querias uma parceria de mentes.
Roubaste a vida de outra pessoa
porque a verdadeira intimidade assusta-te de morte.
Foste demasiado cobarde para ser sincero.
Só conseguias pensar: "Jason."
Mesmo agora.
Estás a tentar manipular-me para ter pena de ti porque…
… não sabias quem eras?
Eu tive de me olhar ao espelho,
sabendo que te amava pelo idiota imperfeito que és.
Se queres brincar com a verdade, força, porra.
Mas não peças a minha compaixão pelas tuas necessidades emocionais.
Cresce.
Trabalha.
Torna-te a tal pessoa melhor, cuja vida querias tanto
que desceste ao ponto de a roubar.
Ou para de mentir e sê tu mesmo.
Qualquer solução serve.
É uma escolha.
Espera.
Tens razão.
Deixa-me tentar.
Vá lá. Tenta.
Tenta, porra.
Eu sou…
Eu sou responsável por tudo.
Não fui sincero com ninguém.
O mais próximo que estive de alguém foi contigo.
Mas não foi suficiente.
Porque eu só pensava em mim.
Por isso, não te podia amar.
Não da forma que merecias.
E o pior é que…
… nem sequer tentei.
Portanto,
e agora?
Como hei de saber?
Mexe os dedos dos pés.
Devolve algum movimento à tua coluna vertebral.
Aos teus ombros.
E, lentamente, abre os olhos.
- O que se passa? - Desculpa.
Nada.
Tens saudades da tua vida antiga?
A minha vida antiga.
Não diria que tinha grande vida até tu apareceres.
Tenho saudades da vida antes de ficar um caos.
- Se é isso que queres saber. - Sim.
Sim.
Sabes, eu pensava que era só uma coisa. Certo?
Um momento, uma única escolha.
Até te conhecer.
E, quando te conheci, conheci-me.
Que dom maravilhoso
que é ver o monstro.
Conhecer o Leighton Vance.
E adorá-lo.
Obrigada por nos deixares dormir cá.
Sim, quando quiserem, claro.
Caso descubras que não estás no mundo certo,
aqui tens umas Asas Lilases.
Agradeço.
Seja qual for o mundo em que acabes,
vais arrasar, meu.
Tenho um favor a pedir.
Ouçam, presumo que ir para casa não seja uma opção para mim.
Pois.
Gostava de fazer o que sugeriste. Alguma coisa boa.
Como o quê?
Ainda não sei.
E podes deixar-me aqui. Eu mereço.
Mas se puderes dispensar…
- Agradecia… - Queres Asas Lilases?
Acho que ele quer comprimidos. É verdade?
Queres comprimidos?
Isso tem piada, sabes?
Encurralamos o monstro neste mundo,
onde provavelmente tornará a vida do outro Ryan horrível,
ou damos-lhe acesso a inúmeras outras realidades
para ele tornar a vida dessas pessoas horrível?
Ele não vai tornar a vida de ninguém horrível.
Certo?
Prometo.
Está bem.
Podes engoli-los como as ampolas,
mas demoram 30 minutos a fazer efeito, por isso…
E estes duram mais. Têm sido duas horas.
Obrigado.
Não me agradeças.
Só o faço porque ela me pediu e devo-lhe um milhão de favores.
Obrigado.
E agora?
Se não te importares,
estava a pensar em voltar contigo.
Para o mundo do sexo educado?
Já vimos muito pior.
Sim.
Só preciso de tempo para pensar. Para decidir o meu próximo passo.
E se voltarem a mudar a caixa de sítio?
Aí, eu vou aproveitar aquele mundo ao máximo.
Como faria em qualquer lado.
O segredo dos nossos hambúrgueres são as cebolas caramelizadas.
Temos de as começar a fazer antes do hambúrguer.
Está bem? Depois tostamos levemente o pão.
Está bem.
Basta pô-los ali.
Queres provar?
Sim. Claro.
Eddo!
Estou aqui, mãe!
Disse-lhe que já tinhas trabalhado nisto,
quando vivias em Champaign.
- O quê? - Sim. Ela é intensa,
mas vai correr bem. Diz que eras cozinheiro de turno.
Meu. A sério?
Como vai a formação no grelhador?
Estou a apanhar-lhe o jeito.
Tens o pão a queimar.
Está bem.
Obrigado.
Querem mais alguma coisa?
Estamos bem. Tudo bem.
Comida? Não?
Está bem.
Sabes língua gestual?
Sim. Sou… cheio de surpresas.
Posso ensinar-te, se quiseres.
Jason.
Soube que convidaste a Bianca para ir ao cinema hoje.
Sim. Há algum problema?
Não.
Ela é ótima. Mas, como começamos a universidade daqui a uns dias,
pensei que quisesses manter as opções em aberto.
Sim, e não acabar com ela é manter as opções em aberto.
Raios.
O que foi?
Não, gostas mesmo dela.
- Olá, Eduardo. - Olá, Sra. Stewart. Como está?
- Olá. - Olá.
- Estás pronto? - Daniela?
- Olá. Amanda? - Olá.
- Sim, prazer em conhecer-te. - Olá.
Prazer em conhecer-te também.
- Tens um ótimo filho. - Obrigada. Tu também.
- Obrigada. - E obrigada por lhe dares emprego.
Não é nada.
O que vão fazer?
Bem, nós vamos ao Instituto de Arte,
e acho que depois o Charlie vai ao cinema com o Eduardo.
Sim. Podíamos encontrar-nos à porta do museu. Vamos a pé.
Desde que termines o turno.
Sim, senhora.
- Prazer em conhecer-te. - Igualmente.
- Obrigada. - Claro.
- Adeus, Charlie. - Sra. Stewart.
Obrigado.
- Vou buscar mais ementas. - Sim.
Logo vi que estarias com os surrealistas.
Pensei em tentar algo novo.
Como estava o Seurat?
Estava ótimo.
Quer dizer, sempre o adorei.
E…
E tu sabes, a minha tese universitária foi sobre o Seurat, por isso…
Foi uma época fantástica para mim.
A universidade.
Espero que também seja para ti.
Sinto que me devia focar nas pessoas,
mas é a porta que me chama a atenção.
E a forma como as linhas…
Não sei, desaparecem.
Acho que não te devias sentir ligada a elas.
Porquê?
Não há entrada no restaurante.
Aquelas pessoas estão isoladas
de tudo.
Presas no seu pequeno universo.
Vou ter com os meus amigos à entrada.
Está bem.
- Até logo. - Sim.
Daniela? És tu?
Céus! O que fazes aqui?
- Estás de visita? - Eu…
Porque não me ligaste?
Devia ter ligado. Desculpa.
Sim, é só uma viagem rápida, uma reunião familiar…
Como estão o Charlie e o Jason?
Ótimos. Sim.
Desculpa. Tenho de ir, mas…
Está bem. Ligas-me?
Sim. Eu ligo.
Charlie!
Olá. O que se passa?
- Não o viste? - Quem?
Era um Jason. Estava a caminhar na tua direção.
Não.
Amigo, cuidado.
Lamento muito.
Não faz mal.
Não queria estragar a saída com os teus amigos.
Mãe! Céus.
Não sei o que aconteceu.
Jason!
Jason!
Olá.
- Olá. - Tatooine.
Como foi o museu?
Jason?
- Sim? - Desculpe.
Lamento imenso.
Está bem.
Foi ótimo.
Sim?
Como foi o teu dia?
Muito bom.
Mas que raio, meu?
Desculpa.
O que vamos comer?
Pensamento positivo.
Eu estou. Estou muito positivo.
Positivo para o mundo do sexo educado.
Está bem.
Parece certo.
Sim.
Pensei que teriam posto mais segurança.
Talvez pensassem que não era preciso porque mudaram a caixa de sítio.
Talvez este não seja o mundo certo.
Este é o nosso mundo.
Esta é a nossa caixa.
Quase parecias desiludido por não haver nenhum problema.
Deve estar tudo bem.
Não devem ter posto vedações
porque não queriam violar os direitos da relva.
Há um sinal de "Proibida a Entrada". Estás a ver?
Diz: "O nosso espírito pede gentilmente ao seu que considere
mudar as suas atividades para outro local, se não se importar.
Quer ser nosso amigo?"
As tuas piadas estão a melhorar.
A sério? Vens ao meu microfone aberto? Rir muito alto?
Tenho planos.
- Tens planos? Neste mundo? - Desculpa. Sim.
Vais fazer um livro de recortes?
Continuem. Em frente.
Mas que raio?
Mãos à vista!
O que se passa?
Não se mexam.
O que se passa?
- Violaram a quarentena e o recolher. - O quê?
Autorizam-me a revistar-vos digitalmente?
Sim.
Deve haver algum mal-entendido.
Diz que está tudo bem.
Isso é impossível.
Os homens que mantenham as luvas e a distância.
Amanda Lucas. Ryan Holder. Querem vir de livre vontade?
Estamos preparados para vos prender.
Mas que raio, meu? Eu não…
Virão de livre vontade?
Sim, vou.
- Sim. - Ótimo. Sigam-me.
Desculpe.
Muito bem.
Pronto. São as últimas coisas.
Queres ajuda a arrumar?
Não, eu consigo. Não é muita coisa.
Está bem.
Pronto. Bem, acho que vamos andando.
Ficas bem?
Sim.
- Certo. - É a minha vez. Anda cá.
Tens de perceber a que aulas tens mesmo de ir
e as que não tens de ir.
Ele tem de ir a todas.
Sim. Vai correr bem. Sim?
Não vou deixar de vos ver.
- Ainda vivemos na mesma cidade. - Sim.
PADARIA NUEVO LEON
Olá.
Lago Michigan.
Não sabia a que horas voltavas, por isso…
Há comida no fogão.
Bem, vou tomar um duche.
Está bem.
Não vais jantar?
Não, trouxe uma coisa do Tap.
Está bem.
Gosto do nosso novo papel de parede.
Estiveste na caixa, hoje?
Não… não vou lá há algum tempo.
Então, o que é isto?
Bem, são…
… equações de emaranhamento.
A caixa está emaranhada de forma quântica com as outras caixas.
É a única forma de funcionar.
Foi por isso que ela reapareceu.
Se entendesse os cálculos, perceberia como a desemaranhar.
Porque força bruta obviamente não é a solução.
Isso significa que ainda a estás a tentar desligar?
Sim. Estou a tentar de outra forma.
Como foi o teu dia?
Fui trabalhar e…
… dei uma longa corrida, depois.
Vi a antiga loja do meu pai.
Estava…
… tal e qual como quando eu era criança.
Então, ele pode estar vivo aqui?
Talvez.
Eu… não sei.
Está sossegado. Tão sossegado.
Um novo espaço.
Não somos as pessoas que éramos.
Foi uma loucura pensar
que podíamos ser.
Acho que também o sentes.
Ʌ
Passa-se alguma coisa comigo.
Como assim?
Parece que estou… a ser seguida.
E continuo a pensar que vejo versões de ti.
Mas é outra coisa.
Tenho medo das coisas que vejo em ti.
Mas…
… não sei o que fazer com aquilo que fiz.
O que posso fazer?
Nada.
Acho que tenho de me ir embora.
Estás…
Estás a deixar-me?
És a minha pessoa.
Eu sou a tua.
Só tenho de encontrar o meu caminho.
Legendas: Cláudia Nobre
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