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A CORDA

Meu nome � Pernille.

Nasci em Copenhague e moro na Tun�sia.

Meu nome � Pernille.

Nasci em Copenhague e moro na Tun�sia.

Ei, porque as pessoas voltam aos seus pa�ses?

- N�o sei. Para encontrar suas ra�zes... - Isso � rid�culo!

N�o necessariamente. � o que voc� far�, n�o �?

Sim, mas eu lamento todo dia.

Do que lamenta, Bilal?

N�o sou Bilal, sou Hakim.

Meu nome � Hakim. Nasci em Villeurbanne...

e moro na Tun�sia.

O que lamenta?

Eu lamento ir voltar...

Eu lamento ter que voltar...

Eu lamento ter que voltar...

Como est�?

Fez uma boa viagem?

Precisa tirar o casaco. Est� quente. � ver�o.

Sim, � ver�o. Ar condicionado por toda parte.

- Parece que vou morrer! - Est� de mau humor.

Passei a semana entre malas e bagagens. Estou cansado.

- Convidei suas tias para esper�-lo. - �timo.

- N�o est� contente? - Sim, estou contente.

Elas est�o esperando por voc�. Ligam a toda hora.

Ainda bem que Bilal � muito �til.

Ele consertou o meu carro. Era apenas um fio solto.

Deveria custar uns 150 a 200 dinares.

� um bom rapaz.

Quantas pessoas tem trabalhando pra voc�, agora?

Tinha me esquecido do qu�o "encantador" voc� pode ser!

Primeiramente, Bilal n�o trabalha para mim.

Aluguei pra ele o bangal�. Em troca ele faz alguns servi�os.

Ele cuida do jardim, faz algumas coisinhas.

Al�m disso, preciso de um homem em casa,

para manter os ladr�es � dist�ncia.

- Bom dia. - Bilal.

Venha, d� um beijo em sua tia.

- Est�vamos aflitas para te ver. - Sentimos muitas saudades.

Est� com �tima apar�ncia.

- Com licen�a. - Onde est� indo?

Bem... Volto j�.

Malik, por favor, promete que n�o vai andar naquela moto?

� perigoso. As pessoas aqui dirigem como lun�ticas.

Aqui temos uma boa vida. Um sol brilhante, garotas bonitas...

E o povo � gentil. Tudo funciona adequadamente.

Se seu pai estivesse aqui, me odiaria por ter dito isso.

Voc� ir� ganhar muito dinheiro.

Para, vai trazer azar pra ele.

Isso faria Abdelaziz adoecer ainda mais.

Voc� faz parecer que meu marido gemia o dia todo.

No dia em eu disse que somos burgueses, ele protestou.

- Eu n�o o culpo. - Mam�e, escuta...

O que �, "mam�e escuta"?

O seu pai odiava a burguesia e os burgueses.

Nunca foi interessado em patrim�nio e dinheiro.

Dedicou a vida aos outros, fazendo-os felizes.

- Muito bom, Wafa. Estava delicioso. - Obrigada.

� verdade. O cuscuz estava demais!

Delicioso!

O que vai fazer, agora?

Ele vai trabalhar, � um arquiteto.

Trabalhar� como um arquiteto.

V� e troque de camisa.

Aqui est� voc�!

Pensei que tivesse ido dormir.

� muito lindo!

Voc� sabe, suas tias est�o certas.

Voc� n�o tem obriga��es.

Pode arranjar um apartamento na cidade...

Se pensa em morar aqui... far� o que quiser.

- Quer um u�sque? - N�o, eu n�o gosto.

Tome um pouco mesmo assim.

Tem tempo para explica��es?

- Pegarei um copo. - Tome do meu.

Meu analista aconselhou-me a dizer-lhe tudo diretamente.

Para tirar a ang�stia do meu peito.

Seu pai n�o aprovava psicanalistas.

Ele dizia que o punham contra mim.

J� esvaziou a garrafa?

Vou pegar uma outra.

Me agarre e tente me derrubar. N�o tenha medo.

Isso machuca, droga!

Poderia ter deslocado o seu pulso, o cotovelo e o ombro.

Aposto que nesse golpe te viram de costas. Chuveiros, vesti�rios...

homens meigos. Agora sei porque gosta de esportes.

N�o vou continuar aqui. N�o sou bobo.

Certo, estou indo.

Venha.

Anda!

Mam�e?

Mam�e!

Me assustou. Pensei que estivesse morta.

Est� louco?

Vai morrer de frio.

- Onde est� indo? - Apagar as luzes. Estou cansada.

Mas quero conversar contigo.

Vem sentar aqui com ele?

Eu vou dormir.

Como ele est�?

Est� dormindo a tarde toda.

Isso � bom.

O corpo precisa descansar. Voc� tamb�m precisa.

Ajeitaram uma cama pra mim l� em cima.

Ele n�o vai recuperar a consci�ncia.

Ele est� morto?

Est� morrendo.

- Ele sabe que estamos aqui? - N�o.

Estou contente por n�o ter me dito.

Acho que n�o poderia enfrentar.

- Ele sabe? - Acho que sim.

Ele suspeita.

�s vezes acho que entende. Outras vezes...

Quando voc� vai embora?

Ser� insuport�vel pra voc�.

As pessoas vir�o oferecer condol�ncias.

Parentes vir�o de todas as partes.

N�o me preocupo com essas pessoas.

� contigo que me preocupo.

N�o!

Tem o seu trabalho.

Poder� vir...

semanalmente, uma vez por m�s,

quando sentir que precisa.

Obrigado, Wafa.

A Sra. est� muito contente porque voltou.

Eu sei.

N�o tem que fazer isso, Bilal.

Prometi � sua m�e.

Wafa?

- J� terminou? - Pode levar o ch�.

Quer um pouco de ch�, Bilal?

N�o, obrigado, j� tomei um pouco.

Uma laranja?

Deixei meu �culos no quarto. Poderia peg�-lo pra mim?

Malik, posso perguntar algo?

- Seu �rabe � excelente, n�o �? - N�o seja formal, Bilal.

Excelente? Isso � um exagero.

- O que � "Assad"? - Le�o.

- E "Sid"? - Le�o tamb�m.

�rabe liter�rio e dialeto �rabe.

Obrigado.

Dormiu bem, querido?

Vou comprar algum peixe. Quer mais alguma coisa?

Polvo, se encontrar.

- Bilal? - Sim.

Poderia ajudar Malik? Ele tem que pegar sua bagagem no aeroporto.

Certamente, Sra.

Achei em uma loja de segunda m�o. Espero que sirva.

Temos um problema, Malik. Quero conversar contigo sobre ele.

� sobre o estacionamento.

Sr. Abdallah, a decis�o � sua.

Como arquiteto prefiro construir uma mesquita que um estacionamento.

� mais interessante, n�o acha?

Dependendo do empreendimento, se quer a mesquita e o estacionamento...

o espa�o maior � do estacionamento e o menor da mesquita.

N�o h� nada que eu possa fazer nesse caso.

Nosso trabalho tem sido claro desde o in�cio, se lembra?

Meu pai lhe disse que construir�amos uma grande mesquita e deixasse aos crentes...

a decis�o sobre o estacionamento.

Essa vizinhan�a � imposs�vel.

- Como est� seu pai? - Muito bem.

- Por favor, mande os meus cumprimentos. - Obrigada.

At� logo.

At� logo.

Viu o quanto � dureza ele falar comigo?

Quando se trata de trabalho, ele quer discutir com um homem.

Ao contr�rio ele insiste para eu fazer caf�. Conversou com a sua m�e?

-Ela estava dormindo. - Estava dormindo?

Eu juro, ela estava dormindo.

O que quer conversar comigo? O que �, al�m de sua m�e?

- Voc�... - Voc� � tudo o que tenho.

- Tenho direitos sobre voc�. - Vov�...

Eu estou aqui. O que mais voc� quer?

N�o quero morrer antes de ver os seus filhos.

N�o fale desse modo, Vov�.

Estou velha. J� estou pronta para a morte.

Pare de agourar.

Pode ser muito feliz. O seu garoto est� de volta.

Quer uma coca, suco de laranja?

N�o, obrigado.

Mahbouba!

Mahbouba!

Traga um suco de laranja.

- H� quanto tempo est� aqui? - Dois meses.

- Minha m�e n�o � muito implicante? - � maravilhosa!

� isso aqui.

Uma das caixas de som � temperamental.

Movimente o fio, introduza de novo e funcionar�.

- Vou pegar ent�o. - Deixe-me ajud�-lo.

-Bilal? - Estou indo, Sr�.

Obrigado.

O jantar est� pronto.

- Seu filho disse que posso ficar com esse. - Ele comprou um est�reo novo.

� t�pico dele: � muito generoso.

Bom apetite.

Ele � como o pai. Parece distante, mas � apenas t�mido.

Ele faz bem.

Esper�vamos que fosse um m�dico, mas decidiu pelo que queria.

� importante fazer o que se gosta.

Comprei len��is. Tem um pra voc�. Poder� usar no seu enxoval.

Obrigada, Sr�.

Como vai sua m�e?

N�o est� mal.

Pode parecer fachada, mas parece estar segura.

Ela � corajosa.

A parte mais �rdua do luto n�o � de imediato, depois da morte,

� agora, nesses poucos meses depois...

quando n�o se tem as pessoas por perto.

Acho que ela enfrenta tudo muito bem.

Estaria preocupado se ela se deixasse levar, se deprimisse.

Mas ela � a mesma de sempre.

Preocupada e teimosa. D� pra entender?

Na minha frente... imagina!

Aonde o mundo vai parar?

Malik, poderia ajudar nessa causa?

Como � que �, Papai?

N�o gosto do neg�cio de banco de esperma. Nunca se sabe com quem vamos dar de cara.

N�o � o caso de dar de cara com algu�m. O s�men � coletado...

Mesmo assim, poderia ser mais f�cil...

se Malik...

N�o � t�o horr�vel.

� s� prender a respira��o e...

Papai, para com isso!

Estou indo � Espanha para a insemina��o.

- Da�, meu filho ter� genes europeus. - Nosso filho.

- Sim, nosso filho. - Nosso filho.

S�o rid�culas!

Quer uma foto minha?

Vai com calma!

- Cala a boca, porra!

Onde est� indo?

Sua m�e me pediu algumas coisas. Ela recebeu visitas de surpresa.

- Que visitas? - Nunca os vi antes.

- S�o 3 ou 4. - Suba, eu te acompanho.

- Se lembra de Riad, seu pediatra? - Ol�!

- Me deu muito trabalho h� um tempo. - Era imposs�vel examinar seu abdome.

- Do que est� falando? - Ela est� certa.

Nunca vi uma crian�a t�o dif�cil de examinar.

Quando via minha m�o se aproximando, come�ava a rir.

Sinto c�cegas demais.

- Como vai a sua corda? - Coisas do passado.

Conhece Maya?

Ela acaba de chegar � Tun�sia, estudou em Paris.

- O que estudou? - Ci�ncia Pol�tica.

Se n�s, as pessoas jovens, educadas...

n�o falarmos �s claras, ningu�m o far�.

Quando h� um problema, tudo o que temos � o "homem de barba". Eles n�o t�m medo.

Temos que ir em frente com isso. Temos que lutar!

Precisamos de partidos e associa��es.

Teremos que ser bravos,

mas eu mesmo, minha amiga Sirine e alguns outros...

talvez Maya, que estudou Ci�ncia Pol�tica,

n�o estamos preparados para correr atr�s das injusti�as por n�s mesmos.

Eles n�o nos dar�o carta branca. Ir�o nos molestar...

e nos atirar numa pris�o. Esse � o pre�o que temos que pagar.

Eu n�o vou desistir.

N�o quero passar a vida s� pensando no meu conforto.

Quero ser capaz de olhar para mim mesmo.

Voc� foi terr�vel, odioso.

Nunca mais fa�a isso comigo.

Quer fundar um partido: Luta pela Liberdade?

- De quem est� zombando? - Nunca mais fa�a isso comigo.

N�o posso mais convidar quem eu gosto?

Cuide de seus convidados, sem mim.

E guarde suas jovens e simp�ticas garotas para si mesma.

Da pr�xima vez ser� muito pior.

Pior do que isso? Est� doente, Malik?

Est� completamente doente.

- Boa noite. - Bilal, o que �?

Vim conversar com o seu filho.

Meu filho? O que voc�s...

N�o queria incomodar voc�s. Eu voltarei depois.

N�o, fique. Mam�e, v� dormir.

- "Mam�e v� dormir?" - J� vou me ajeitar, v� dormir.

- Devo estar sonhando. - Sinto muito, eu n�o deveria...

Bilal tem algo pessoal para me dizer.

Por favor, nos deixe a s�s. Isso � razo�vel.

Se preferir, permane�a aqui e n�s subiremos.

Trouxe isso de volta.

- N�o seja t�o formal. - Desculpa, me esqueci.

Venha para a sala de estar.

- Sente-se! - N�o � preciso.

Sente-se!

- Agora, o que quer? - Preciso pedir um favor.

Um favor?

Um favor.

Estou ouvindo.

Vou sair com amigos essa noite.

Queremos ir ao O�sis Clube.

Da �ltima vez n�o me deixaram entrar.

Por causa das minhas roupas, eu acho.

Quer que eu v� contigo para ajud�-lo a entrar?

Eu queria os seus sapatos, emprestados.

- E se n�o cal�armos o mesmo n�mero? - N�o tem problema.

- N�o ser� divertido sapatos apertando os p�s. - O seguran�a nunca saber� que machucam.

- Que n�mero cal�a? - 40.

Vamos dar uma olhada.

Venha!

- � melhor que n�o. - Por que n�o?

Sua m�e.

Eu volto logo.

Pode escolher.

- Tudo bem se eu pegar esses? - Claro.

- N�o vai querer meias? - N�o.

- Eles serviram? - Perfeitos!

-Como vai chegar l�? - Vou no carro de amigos.

- Boa noite. - Boa noite.

O que ele queria?

- N�o acha que somos parecidos? - Claro que somos. � normal.

Quero dizer Bilal e eu. Fisicamente.

Nunca imaginei que essas coisas aconteceriam entre n�s.

Que coisas?

Quer que eu v� embora?

Posso ir se quiser.

Sem amea�as. Se quiser ir para algum lugar, v�!

Se ficar, n�o continue assim.

N�o continue a dizer que est� indo embora.

- Nunca disse isso. - � muito agressivo.

- � muito dif�cil conviver contigo. - Sinto muito.

Voc� quer ir embora?

N�o.

Eu quero ficar.

Eu voltei para ficar contigo.

Quer assistir TV?

Eu vou trabalhar.

- Boa noite. - Boa noite.

Sirine, � Malik. O que est� fazendo?

Est� pronta?

Queria sair para um drinque.

Boa noite tamb�m.

At� mais.

- Aqui, beba. - O que � isso?

- � �gua, Abdelaziz. - Tira essa imund�cie daqui.

N�o seja tolo, � apenas �gua.

- Quando tem sede voc� bebe. - Por favor, Sara, n�o acredito em m�gicas.

N�o quero saber de vodu em minha casa.

S� porque estou doente n�o pode me insultar nem desdenhar.

Beba, Abdelaziz!

Sara, eu n�o mere�o isso.

Minha m�e est� apavorada com o sangue na urina dele.

Ela acha que poderia me dizer a verdade.

A verdade �... n�o h� esperan�a.

Mas a opera��o correu bem.

N�o houve nenhuma opera��o.

N�s o abrimos, vimos que o c�ncer se espalhara e o costuramos de novo.

Por que a quimio, ent�o?

Sem a quimio, o seu pai morreria em tr�s semanas.

Com a quimio...

poder� ter mais nove meses,

talvez... um ano.

E ent�o?

Ent�o?

Por que est� me olhando desse jeito?

Como assim?

- Tudo estar� bem. - Estar� bem.

O que ele disse?

Voc� sabe como eles s�o.

� dif�cil extrair alguma informa��o deles.

Disse a ele que tinha sangue na urina dele?

Isso n�o � nada. � importante se manter positivo.

Ele disse isso com voz calma.

Acho um tormento insistir nessa atitude positiva...

Uma rede. Eu primeiro.

Se ficar de saco cheio, pense nos amigos. E se for para ajudar...

corte a grama, limpe o banheiro. Eu fa�o alguma coisa.

Aquele idiota nem mesmo paga o aluguel.

- O que est� pegando? - Desculpa.

-N�o nos deixaram entrar. - Nem mesmo com os sapatos?

N�o � surpresa... tr�s caras juntos.

N�o! Est�vamos com garotas. Elas entraram, mas n�s n�o.

� rid�culo. Posso entrar com voc�s, se quiserem.

- Melhor que n�o... - O que h� de errado contigo?

Pode nos fazer entrar?

- Claro, os conhe�o bem. - Porra, Bilal!

Claro que queremos.

Vou cal�ar os sapatos.

Bassem!

- Como conheceu Bilal? - Nas aulas de �rabe, na escola.

- Como est� indo? - Somos iniciantes.

Imagine, pelo que fazemos, classe iniciante.

Respondemos em Franc�s quando falam conosco. Pensam que estamos brincando.

Olha que cabelo!

Sabia que somos primos?

- Besteira. - N�o � besteira.

Te vi no funeral do seu pai. Abdelaziz n�o era seu pai?

- Sim. - Raja � minha m�e.

� Wassim?

Quando sai daqui voc� era desse tamanho.

Essa noite n�o somos primos.

Essa noite somos verdadeiramente primos.

Est� andando assim, hoje.

Vi isso em milhares de filmes.

A mulher diz ao homem que est� gr�vida, a� d�o um close no rosto dela

para verem a rea��o dele.

- Ent�o? - � claro que estou feliz.

Sim, certamente.

Ent�o ser� m�e.

Ter� uma grande barriga, ter� leite...

e brinquedos de pel�cia na sala de estar.

N�o poder� abandonar essa condi��o.

Ter� dor no pesco�o e falar� sobre nada.

Voc� ainda pode dizer n�o.

Prefiro que me diga agora, n�o em 8 anos.

- Concordamos em n�o viver juntos. - Perfeitamente.

Bem, vamos l�, ent�o!

Ol�!

- Como est�? - Como est�, papai?

Mulheres e crian�as primeiro.

Cuidado.

N�o sou como Malik. Nunca vivi na Europa.

N�o sou gay ou homo.

Sou uma bicha. Uma bicha descarada.

N�o acredito no amor.

- � triste pensar assim na sua idade. - Ele n�o pensa assim de verdade.

Sabe do que mais gosto? Gigol�s!

Gigol�s? N�o � um pouco jovem para isso?

� melhor come�ar pagando desde jovem.

Uma noite dessas fiz amor com meu primo.

Foi bom. Agrad�vel.

Mas faltou alguma coisa.

O momento quando entrego o dinheiro pro cara me foder.

� por isso que eu n�o gozo.

Se dependesse de mim n�o seria menino.

Isso faz minha m�e e av� felizes.

Isso far� com que elas fiquem na minha cola.

� o que eu quero dizer. N�o � uma boa raz�o.

N�o sou eu quem vai ter o beb�. Ser�o Sirine e voc�.

Eu apenas assinarei um peda�o de papel.

Em contrapartida posso brincar de boneca.

- Mas a crian�a te chamar� de papai. - Papai?

N�o � nada mau!

Querem limonada, meninos?

Mam�e, tenho uma novidade pra dizer.

Sirine ter� um beb�.

Eu serei... eu acho...

Eu sou o pai.

E... em breve nos casaremos.

Bilal... veio caminhando pela praia?

Sim.

- Mas � muito mais distante. - Eu sei. N�o estava com pressa.

Bilal, pe�a a Wafa para trazer champanhe.

Aquelas garrafas bojudas com o papel dourado no gargalo.

Sim, Sr�!

Voc� foi muito discreto. Mas eu sabia, certamente.

Sabia que estavam juntos.

E n�o ria. Uma m�e sabe de tudo!

N�o quero um casamento com 300 convidados, ok?

300? S� a fam�lia � muito maior que isso.

Se por exemplo, eu for pegar mais champanhe...

com a corda presa naquela coluna

e decido sentar naquele muro...

se me viro para essa lado, tudo bem.

Se me viro para o outro lado,

a corda se enrolar� em mim.

Para desenrol�-la tenho que girar em c�rculos e sentar no ch�o.

No fim do dia, o pequeno Malik girou e girou e girou.

Tenho que girar e girar e girar para me desenrolar daquela maldita corda.

E o que os meus pais fazem? Eles gritam: "N�o h� corda nenhuma."

"Para de girar. N�o tem corda nenhuma."

Est� exagerando.

Exagerando?

Um dia o m�dico disse a meus pais:

"N�o � normal uma crian�a girar desse jeito. Leve-o a um psic�logo."

Ent�o me levaram ao Tio Badis.

Ele abrira o consult�rio de psic�logo pois a loja de v�deo estava falida.

Quando voltei com meus pais, eu rodava como sempre.

Ele olhava para mim assim.

Ele p�s cubos de cores diferentes na minha frente.

Eu tinha 10 anos. Pus os cubos com os cubos e os cilindros com os cilindros.

Ap�s uma hora, ele me devolveu para minha m�e

e disse: "Acho que est� curado."

Malik, levanta.

Sente-se.

Diga-me o que sabe.

Sei o que voc� sabe, papai.

Voc� tem c�ncer. Faz quimio e isso � penoso.

Diga-me a verdade. Quero saber a verdade.

Toda a minha vida eu lutei pela verdade.

N�o estou pedindo caridade.

Se Deus me chamar para ele, n�o tenho nenhum problema com isso.

Quero resolver meus assuntos antes de partir.

Quero organizar tudo para voc� e sua m�e.

E ainda assim, por mim.

Estou contente. Ele pode ver o mar.

- Wafa, onde est� Bilal? - Eu n�o sei.

Quando estiver com ele, diga... N�o...

- Quando estiver com ele, me chama. - Est� bem.

Vim devolver os seus CDs.

Eles s�o bons, n�o s�o?

Voc� quer outros?

Leve todos eles.

Eu vim para dizer adeus.

N�o tem prop�sito eu ficar aqui...

sendo seu criado.

- Para onde ir�? - Ainda n�o sei.

Voltar para o meu pa�s.

Sabe o que eu sou aqui? Um estrangeiro.

Eu s� me dou bem com estrangeiros.

E voc�?

N�o v�, Bilal.

Espera... sen�o...

chegarei depressa ao final.

- Quer que eu v� embora? - N�o.

Diremos que nada aconteceu. Nunca mais saber� nada de mim.

Por favor, n�o, n�o.

Por favor, n�o.

Um segundo, Wafa.

- Quer mais alguma coisa? - N�o, tudo bem.

Obrigado, Wafa.

Se lembra?

Eu sempre dizia a ele para brincar na rua com os outros garotos.

Mas ele preferia a companhia das tias...

e ficar ouvido suas fofocas.

Deveria ter procurado saber. Assim poderia ter impedido...

Mas voc� dizia: "n�o, isso n�o � poss�vel."

Por que o enviamos para aquela escola Francesa?

Ele criava estranhas rela��es com outras crian�as.

Por que fizemos isso? Por que n�o se misturava com as crian�as �rabes?

- Isso � falta minha. - Sua falta, minha falta...

Isso n�o � o fim do mundo. Ele gosta de homens. E da�?

Meu filho � homossexual.

Ele fantasia o jardineiro descal�o. N�o importa!

Tenho que...

Apenas uma coisa: minha m�e n�o precisa nunca saber.

"�rabe liter�rio, �rabe dial�tico."

- O que � isso? - Minhas mem�rias.

Estou escrevendo minhas mem�rias e ilustrando-as.

- Quer dizer, um di�rio. - N�o, minhas mem�rias.

Sei que � idiota. Tenho 25 anos e j� escrevo minhas mem�rias.

N�o � idiota.

Que ador�vel surpresa!

Vou deix�-la com Bozo, o palha�o.

enquanto pe�o � empregada que fa�a um ch�.

O que a traz aqui?

Estava nas redondezas...

e j� faz um tempo...

J� faz um tempo.

Estranha sorte!

Como tem passado? Ouvi dizer que est� cansado.

Quando se chega aos 60...

quando se acorda de manh�...

e nada d�i...

� dado por morto.

Nos sentaremos no terra�o, estaremos melhor l�.

Estou feliz por v�-la.

- Voc� os comprou na "Little Bakery"? - Sim, s�o deliciosos.

Sempre os compro l�.

- Soube que seu filho voltou. - Uma surpresa, h� pouco tempo.

Algumas semanas atr�s.

Deve estar se deleitando.

Estive pensando em voc� desde que Abdelaziz morreu.

Tudo sozinho naquela casa grande, com a mem�ria do seu marido...

e seu filho do outro lado do mundo.

Nunca pensei que Malik voltasse.

Ele � muito... independente.

Sabe alguma coisa sobre meu filho?

Muitos de n�s sabemos.

Voc� tamb�m sabe. S� n�o quer admitir.

Cuidado.

- O que acha da minha sunga? - Muito elegante.

O que sabe sobre eleg�ncia? Veja o estilo do seu cabelo.

Para, Wassim.

Olha pra Sara, veja como ela � bonita.

Diga a ela para trocar a cor. Loiro n�o fica bem para ela.

Sua cor natural fica bem melhor.

Com um pouco de hena para cobrir os fios grisalhos.

Cala a boca e nos deixe sozinhas.

Quando estava considerando morar na Tun�sia...

Eu disse morar, mas diria na d�vida, sair de casa...

hesitei por causa da minha homossexualidade,

da liberdade em geral, mas o principal foi isso.

Pensei que seria complicado.

Mas n�o teria sido igual se nos conhec�ssemos na Fran�a.

Minha m�e n�o estaria l�.

Foi uma grande coisa que ela estivesse aqui. Agrade�o a ela.

Se ela n�o tivesse nos acolhido tudo estaria terminado.

- Posso ajudar? - ID?

Est� checando IDs na praia?

Na praia, na cidade, na beira mar. Sempre leal ao meu pa�s.

Existem leis, como sabe. ID?

Est�o no carro. Vou peg�-las.

Voc� fica aqui. Se se mover vou te ferrar.

Acha que pode me deixar parado aqui feito um idiota?

- Quer um calend�rio? - Um calend�rio?

Como os da pris�o.

Consegui alguns �timos.

Quanto tem de dinheiro... contigo?

- Como se fala para esses caras? - Dinheiro, dinheiro.

Quanto custam os seus calend�rios?

S�o gr�tis. O dinheiro � para n�o jog�-los na cadeia.

� l� que o "love" de voc�s acaba.

- Mostre-me seu crach�. - Meu crach�, seu fodido?

Cuspo na boceta da sua tia! Como ousa pedir a um policial do estado seu crach�?

Aqui n�o � o Canad� ou a Su�cia. N�o pode andar nu por a�.

Sem leis, sem ID, sem licen�a.

- Voc�s t�m algum dinheiro? - N�o temos nada.

N�o tenho mem�ria de minha m�e doente, eu tinha 10 anos.

Quando soube ela n�o tinha mais esperan�a. Ela veio morar aqui.

Ficamos aqui por dois anos e partimos quando ela morreu.

N�o me lembro de nada desses dois anos.

Disseram que eu tinha regredido. Me recusava a falar �rabe...

chorava o tempo todo.

E assim perdi dois anos da minha vida.

Talvez tenha sido para melhor.

Assim n�o se lembra da doen�a dela.

Quando penso no meu pai, o vejo em uma cama de hospital.

Tamb�m n�o me lembro desse lugar.

Esse cemit�rio � bonito, mas � como se nunca estivesse aqui antes.

� como ter ficado na sepultura com meus irm�os e meu pai.

Tive pesadelos durante meses.

Era como se algu�m estivesse dentro da minha cabe�a...

Fiquei paralisado, dois anos aqui.

Ent�o fui levado quando retornamos � Fran�a.

Est�vamos como dois garotinhos fazendo um pacto de sangue.

Fundimos nossos corpos e nos tornamos um.

Bilal e eu tentamos estar dentro um do outro.

Por vezes ele deixava eu entrar nele, em outras eu o deixava entrar em mim.

J� posso sentir um pouco como Bilal. J� posso ver um pouco de mim, nele.

J� somos parecidos.

Em breve nos tomar�o por irm�os.

Irm�os de sangue, como os adolescentes.

Bravos irm�os!

� a sua m�e.

Atenda. Diga a ela para n�o nos esperar para o jantar.

Sim. Wafa, como � que...

Quem disse isso, um m�dico?

Sim, est� certo. Em qual hospital?

� sua m�e...

Est� passando mal.

Levaram ela pra uma unidade de emerg�ncia. Parece ser grave.

Merda!

N�o posso passar pra ele agora.

Por favor, Sirine, ligue para o hospital e saiba o que se passa.

Wafa n�o sabe de nada. S� falou que sente falta de ar.

D� um retorno para n�s.

- Voc� est� bem? - Sim.

Vamos!

N�o me diga que ela morreu! Se ela morreu, desliga e mande mensagem.

Jura!

N�o, n�o assim. Diga: "juro que ela n�o est� morta."

Choque anafil�tico, o que � isso?

Sirine, estamos chegando.

N�o se esque�a: se ela morrer mande a mensagem de texto.

Um choque al�rgico. Piranha!

- O que deu em voc�? - Que piranha!

As coisas estavam indo muito bem. Isso n�o � o final.

Sempre essa culpa! N�o tenho direito de viver sem ela.

A felicidade � para os outros!

Tudo o que tenho � a corda e a culpa.

Minha est�pida m�e come�a a ter ataques al�rgicos!

E est�o atr�s de testes e exames para achar a causa.

Droga, precisamos fazer testes. Um monte de testes!

Ningu�m sabe o que se passa.

- Est� tudo bem, meu querido. - Tudo bem? E como ela est�?

Ela est� acordada. S� pode receber uma visita por vez.

- Ela se sente melhor. Logo sair�. - N�o acredito nisso.

Pode ir v�-la. Ela se sente melhor.

Estou sonhando. Nunca irei v�-la. Bilal, vamos para casa.

Se n�o for agora, se lamentar� pelo resto da vida.

Ficar� furioso comigo. Me odiar� intensamente.

- Ora, vamos... - Ou�a, n�o acabei!

Voc� est� sofrendo, mas � ela quem est� enferma.

Pode achar que ela fez isso para se opor a voc�...

mas em meu pa�s as pessoas cuidam uma das outras.

Eu vou, eu vou, eu vou!

Chega de serm�o! Qual � o quarto?

� voc�, meu querido?

N�o est� dormindo?

N�o, n�o se preocupe.

Parece exausto.

- Est� aqui h� muito tempo? - � voc� quem estaria exausta.

- Como foi o seu fim de semana? - Nada mau.

- Onde foram? - Kelibia.

Deve ser t�o bonita! Nunca estive l�.

O tempo estava bom?

Que coisa � essa de alergia? Isso j� aconteceu antes?

Eu n�o sei, meu querido.

A vida � t�o ef�mera.

Estava caminhando na praia.

O tempo estava t�o bom! Senti sede e voltei...

e me senti fraca.

Quando acordei, estava aqui.

Entra, mam�e.

Tem alguma coisa a me dizer?

Mam�e, esse casamento n�o � uma verdade para mim.

Estou fazendo isso pelo beb� de Sirine e Leila.

Para que ele tenha um pai, entende?

Posso te compreender.

Deve estar aliviado.

Espero que sejam felizes juntos.

Malik...

N�o estou dizendo isso por dizer. � a mais pura verdade.

Posso dar uma palavra com o seu amigo?

N�o irei aborrec�-la, Sr�. Eu prometo. Serei muito discreto.

� voc� quem ter� problemas.

As pessoas dir�o: "ele prefere homens, bom para ele."

Mas poderia ter conseguido algu�m diferente.

Algu�m melhor...

N�o se preocupe comigo, Sr�.

Talvez eu me preocupe demais com o que as pessoas dir�o.

� bem poss�vel.

Voc�s precisar�o ser muito fortes.

Sim, Wafa?

Sr�, por favor, posso receber meu pagamento?

Por qu�? Que dia � hoje?

Oh, n�o! N�o h� nenhum problema.

Continuar� trabalhando como sempre. Tudo se resolver�.

N�o! Sr�, eu n�o posso.

� um pecado.

Mas n�o fez nada errado. Meu filho sim, � um pecador.

Ele ir� para o inferno e quem sabe, eu tamb�m!

Mas voc� n�o fez nada errado.

E o meu pai, conto para ele?

N�o, ele n�o compreenderia.

Tenho algumas coisas pra fazer. Quer vir comigo?

N�o, ficaremos aqui.

Por qu� reage dessa forma? Ele � um �timo rapaz...

e n�o est� atr�s do seu dinheiro.

O que acontece nessa casa n�o poder� choc�-lo.

Ele � bonito e � vi�vo. Qual � o problema?

Para, Moncef! Voc� � o �nico que acha isso divertido.

Sara, voc� � bonita. Bonita e sedutora.

Sim, � verdade.

Wafa!

Uma garrafa de �gua.

Onde est�o indo?

- Bom apetite! - Obrigado.

- Bilal, n�o precisa fazer isso. - Mam�e, qual o problema?

Eu sei, mas n�o quero que se sinta obrigado. Agora ele � convidado.

A prop�sito, Bilal, o que faz agora?

- Digo, o que vai fazer? - Organizar festas.

Que interessante! � uma boa ideia.

Mas tem uma coisa que n�o entendo.

Sirine e o beb� ir�o morar com voc�s?

Malik os visitar� ocasionalmente.

Malik e Bilal.

Como sabe, Sr�,

j� vivi uma situa��o como essa, antes, com um rapaz mais velho, aos 16 anos.

Ele me apresentou � sua fam�lia...

N�o era exatamente a mesma coisa. Eu n�o morava com eles.

Era dif�cil para os pais de Floriano.

Mas foi superado porque viram que amava o filho deles.

� bom que tenha essa experi�ncia. Tem uma vantagem sobre n�s.

Ser� capaz de nos direcionar. Mostre-nos como as coisas funcionam.

- N�o come�a! - Falo completamente a s�rio.

- Agora, ter� que transar com Leila. - Sim... � o trato.

Sortudo idiota! Ela � quente.

- E sua namorada tamb�m. - Sim.

�timo! Me sinto melhor. Come�ava a pensar que voc� era mesmo gay.

- Mas s� faz isso por dinheiro? - � claro.

Estou brincando, Bilal. Eu n�o dou uma dentro.

S�rio, quando v� uma garota n�o sente nada?

- N�o. - Nada mesmo? Nem mesmo uma pequena...

Quando v� Wafa n�o pensa: "Uau, ela � gostosa, quero ela.

Vou transar com ela � noite."

Ora, Wafa, me d� um sorriso!

Se madame visse voc� assim com Wafa...

Sei que sonha comigo � noite, correndo nu pela praia.

Ou�o dizer que as religi�es t�m muito sobre sexo, coisas assim.

Fala um pouco disso.

- Hakim, sossega. Estamos quase l�. - O que importa?

Eu sou quente... Vamos!

Eu fa�o as perguntas. Malik Kefi...

Deseja Sirine Belkhodja como sua leg�tima esposa?

Sim.

Sirine Belkhodja, deseja Malik Kefi, aqui presente,

como seu leg�timo esposo?

Sim.

Agora me volto para as testemunhas.

Leila Ayari, testemunha que a noiva e o noivo...

est�o livres para as obriga��es conjugais?

Sim.

Bilal Nefzi, testemunha que o noivo e a noiva...

s�o livres para as obriga��es conjugais?

Sim.

Por for�a dos poderes investidos em mim...

declaro que o noivo e a noiva assim se comprometem.

Eu os declaro unidos pelo v�nculo do casamento civil.

Ora vamos! � dureza, mas logo passa.

Fizeram isso pela crian�a.

Malik, repete depois de mim: "Fizemos isso pela crian�a."

"Fizemos isso pela crian�a."

Muito bem.

Bilal, sua vez: "Fizemos isso pela crian�a."

Coragem!

"Fizemos isso pela crian�a."

Para que tenha um pai.

Para que tenha um pai.

- Sirine, sua vez. - Eu sei. Fui eu quem pediu.

Tem que dizer bem alto, para que todos ou�am.

"Fizemos isso pela crian�a." Para que tenha um pai e o seu nome,

e seja como as outras crian�as.

- Am�m. Leila. - "Fizemos isso pela crian�a." Sim.

Olhem l�, a velha senhora est� vindo.

Leve-me para casa. Quero ir para casa.

Se meu filho estivesse vivo nada disso teria acontecido.

Mahbouba!

O que deseja, Vov�?

Tenho certeza que ela est� gr�vida.

Ponha a bandeja a� e saia.

Me diga a verdade. Ela est� gr�vida?

Sim.

Eu sabia disso... Senti isso.

Ela est� gr�vida e n�o � meu.

- At� mais. - Espera!

Ir� voltar para me ver?

Meu menino!

Vi voc� dan�ando.

- Onde aprendeu? - N�o estava dan�ando.

N�o minta. � pecado.

Est�vamos dan�ando com Mahbouba na cozinha.

N�o me olha assim. N�o fiz nada de errado.

Quando estivermos juntos te levarei para dan�ar.

N�o todos os dias... mas poder� dan�ar aos s�bados.

- Que festa ador�vel, Sara. Obrigado. - Obrigada por vir.

Vamos nos ver outra vez, antes que se passem outros 10 anos.

Voc� tem o meu telefone, Youssef.

- Sr�... - Muito bem, Sr.

Champanhe!

- Sa�de! - Para de fumar. N�o � bom para o beb�.

O que h� de errado, amor?

Deixe-me lhes apresentar Aymen. Ele gostaria de conhecer voc�s.

Aymen, Sirine, Leila.

- Foi um grande sucesso. - Maravilhosa, uma noite maravilhosa.

Veja s�... � bom sacudir esses velhos preconceitos.

Fazemos muito barulho por pouca coisa. A vida � muito curta.

Temos que aproveit�-la, seguir em frente.

Obrigada. At� mais.

Amo essa m�sica.

Todos os homens aos meus p�s. Sou um sucesso!

-Aquele homem parece simp�tico. - E voc�, cala a boca e dan�a.

- Meu filho � fofinho, n�o �? - Oh, muito!

Me faz lembrar do meu casamento.

Foi nos anos 60.

Me casei com um �rabe e toda a minha fam�lia me gelou.

Pode imaginar? Uma burguesa, cat�lica?

Todos viraram as costas para mim.

Ent�o cheguei na Tun�sia, na casa da fam�lia de Abdelaziz.

Sua m�e me olhou com �dio nos olhos.

Me perguntava se n�o cometera um engano.

Teve uma festa com centenas de pessoas e n�o conhecia ningu�m.

As mulheres me cumprimentavam e voltavam para sua mesas.

Naquele tempo, os sexos n�o se misturavam.

Meu marido ficava em outra sala com os homens e eu ficava sozinha.

As mulheres conversavam e olhavam para mim.

Era horr�vel. Me sentia um coco.

� preciso passar por todos os caminhos na vida.

Sabe disso.

Eu me pus de p� e cruzei a sala.

E l� estava muito mais simp�tico.

Havia cigarros pra se fumar, o cheiro dos cigarros e �lcool.

Estavam jogando cartas. Meu marido jogava com os amigos.

Eu fui e me sentei no colo dele.

Foi um sil�ncio total.

Depois, ele me beijou...

Na frente de todo mundo! Imagina uma coisa dessas na �poca?

Pessoas mais conservadoras sa�ram, escandalizadas.

Meu marido chamou Monsef e lhe perguntou...

Que h�lito p�ssimo!

A mar� est� cheia. Pode ser perigoso.

Aqui est�o elas. Como v�o?

- Onde est� o garoto? - Est� no mar, com o pai.

- Ao menos voc� est� aqui. - Como est�?

Se eu soltar a corda, voc� nada sozinho?

N�o, n�o!

Olha! Eu soltei a corda.

Muito bem, Ali, est� nadando! Olhem ele est� nadando!

Ele sabe nadar!

Tradu��o/ Legendas *espantalho*

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