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- Quero ver meu cunhado Ruggero. - J� disse que ele n�o est�.
Ele n�o atende minhas liga��es. Ele trocou de n�mero?
- N�o posso passar. - Ent�o ele trocou.
N�o vou embora enquanto n�o passar o n�mero.
- Por favor, v� embora. - Ele est� aqui?
- Por favor. - Ele est� na sala dele?
Certo, vou embora, mas avise que passei.
DE BENEDETTA: MINHA IRM� PATRIZIA N�O QUER VIR � FESTA
ELA EST� TRANSTORNADA. ME LIGUE
Eu j� ia chamar um t�xi.
Voc� sabe que minha irm� gosta de pontualidade.
- Eu estava ocupado. - O que houve?
Eu trabalho.
Ande logo e feche a capota ou vai desarrumar meu cabelo.
- O que voc� comprou? - N�o vou dizer.
- N�o vai dizer? - N�o.
Ruggero, por favor! Ruggero!
- Oi, Sergio. - Fabio.
- Onde est� a Benedetta? - Foi at� a casa da Patrizia.
- Aconteceu alguma coisa? - Voc� n�o comeu esta semana?
- Oi, Sergio! - Oi.
- Como vai? - A� est�o voc�s.
- Oi. - Ol�.
- Querido, como vai? - Tudo bem.
- E a aniversariante? - Estamos esperando por ela.
Equipe inSanos apresenta:
Tradu��o e Sincronia: JuLima
Revis�o Final: LikaPoetisa
N�O MATAR�S 1� Temporada | Epis�dio 12
Quem est� na ambul�ncia?
Mattei te atualiza, vou falar com os vizinhos.
- Quando far�o as pazes? - N�s n�o brigamos.
- Ent�o, quem sobreviveu? - A esposa.
Os param�dicos acham que s� sobreviver� por milagre.
O marido atirou nela, ap�s matar os filhos
e depois atirou na pr�pria boca.
- Que arma ele usou? - Um rifle de ca�a.
H� outros na casa, mas todos registrados.
- J� chamaram a bal�stica? - Est�o chegando.
- Quem os encontrou? - A irm� da mulher.
Benedetta Martini, Avigliano � o nome de casada.
- Ela mora aqui perto. - E onde ela est� agora?
Na casa dela. Foi de l� que ligaram para a emerg�ncia.
Era a festa de anivers�rio dela quando veio para c�.
- E por que veio? - Ainda n�o falamos com ela.
Est�o todos l�. Ela tem outra irm� e um irm�o.
- Testemunhas? - Nenhuma, aqui � isolado.
Um homem disse ter ouvido tiros, mas achou que fossem ca�adores.
E parece que um vizinho ouviu algu�m brigando na rua
- antes do massacre. - Investigue melhor.
Andrea j� est� fazendo isso. J� ia esquecendo...
Um dos agentes conseguiu fotografar o corpo da mulher
antes que os param�dicos a levassem.
- O que � isto? - Deve ter tentado se defender.
O marido tem uma ferida do lado esquerdo da cabe�a.
Envie a foto para mim.
Quando dizem que dinheiro n�o traz felicidade.
Hotel Passo Scuro de Ceresole.
Se deseja fazer uma reserva, deixe uma mensagem.
- Quem est� a�? - Sou eu, detetive.
Olha s� o que achei, a chave de um carro.
- Onde a encontrou? - L� fora, perto da garagem.
Luca!
Ele ainda est� vivo, vamos lev�-lo ao hospital.
A irm� de voc�s ainda est� viva, mas em condi��es muito cr�ticas.
Ela foi levada ao Hospital San Maurizio.
� o meu hospital.
O filho mais novo tamb�m sobreviveu.
Gra�as a Deus.
- Onde ele est� agora? - Est� sendo levado ao hospital.
Estava escondido no porta malas.
Uma primeira reconstru��o, indica que Sandro Rocchi
matou a fam�lia inteira, e depois se matou.
Sei que est�o abalados e lamento fazer isso agora,
mas preciso que pensem nos poss�veis motivos deste ato.
Havia alguma tens�o familiar ultimamente?
N�o.
Eles sempre foram a fam�lia perfeita.
Minha irm� me ligou mais cedo
- e disse que n�o viria � festa. - Por qu�?
N�o sei, ela estava agitada. Disse que me explicaria tudo.
Por isso voc� foi at� a casa dela?
Sim, eu nunca a ouvi falar daquele jeito.
Que horas recebeu a liga��o?
Por volta das 15h.
E por que n�o foi procur�-la imediatamente?
Eu estava arrumando o jardim
e o pessoal do buffet estava chegando.
Preferi esperar meu marido chegar.
Foi horr�vel.
Hoje o cunhado de voc�s ligou para um hotel de Ceresole Reale
chamado Passo Scuro. Algum de voc�s sabe o motivo?
Voc�s sempre v�o para Ceresole.
H� muito tempo n�o vamos at� l�. J� eles, eu n�o sei.
N�s temos um chal� naquela regi�o.
Sandro e a Patrizia tamb�m tinham um.
At� pouco tempo atr�s, n�s �amos com frequ�ncia.
- Mas eles venderam o deles. - Podemos ir ao hospital?
Claro.
Agrade�o a colabora��o de voc�s.
Patrizia.
O Dr. Saletti conseguiu parar a hemorragia interna,
mas ela sofreu graves les�es.
Ela est� em coma induzido, a situa��o ainda � cr�tica.
Nos deem licen�a.
Por favor, salve a minha irm�.
Sim, amor. Fique calma.
Sandro fez isso por causa da Keller.
- Que diabos est� dizendo? - Ele andava muito aflito.
Ele nunca conseguiu esquec�-la.
Talvez Patrizia tenha descoberto tudo.
Talvez o Sandro tenha contado e fez o que fez.
O que aconteceu foi uma trag�dia.
N�o tem rela��o alguma com aquela hist�ria.
Sandro pode ter tido mil motivos para fazer isso.
Ele ligou para o hotel de Ceresole.
E se falou com o pai dela?
Se ele tivesse falado, n�s j� saber�amos.
Eu...
Com licen�a. Me desculpem.
Preciso falar com voc�, Sergio.
- Fique calmo, Ruggero. - Nos falaremos depois.
- N�o fique paranoico. - N�o vou.
Sergio, preciso te fazer uma pergunta.
Durante a cirurgia daquele rapaz voc� cometeu algum erro?
Por favor. Minha cunhada est� morrendo e o que voc� quer?
Falar de um rapaz que morreu.
- Saletti diz que voc� errou. - Ele � um arrogante.
Mas tamb�m � o nosso cirurgi�o assistente.
Ou�a, aquele rapaz chegou aqui em p�ssimas condi��es.
Eu poderia t�-lo declarado morto e me poupado o trabalho.
Voc� dirige este hospital h� uns dez anos?
- Mais ou menos. - Ent�o confie em mim.
Os pais do rapaz entenderam.
Eles devem reconhecer que tentei salv�-lo.
Vamos torcer.
- Gerardo? - Eles quase acabaram.
- O que a bal�stica disse? - Confirmaram o que imaginamos.
Ele atirou primeiro nos filhos, depois na esposa
e em seguida em si mesmo.
Eles enviar�o o relat�rio final ainda hoje.
Certo.
Gerardo, veja isso, Patrizia � canhota.
Algu�m deve ter colocado a chave inglesa na m�o direita.
N�o foi ela que golpeou o marido.
E talvez n�o tenha sido o marido que os matou.
O suic�dio foi uma encena��o.
Vou para o hospital.
- Bom dia. Samuele est� aqui? - Sim, est� l� dentro.
- Posso entrar? Sou tia dele. - Lamento, ningu�m pode entrar.
A Detetive Ferro est� conversando com ele.
Est� tentando, ele est� em choque e n�o diz nada.
Tudo bem.
Eu sei que foi horr�vel
e n�o quero te obrigar a pensar nisso.
Mas se voc� lembrasse de algo, seria muito importante para mim.
Me ajudaria a descobrir o culpado.
Foi sua m�e que te colocou no carro?
Pode s� fazer sim ou n�o com a cabe�a.
Est� tudo bem, n�o se preocupe.
Pense s� em descansar agora.
E logo eu voltarei s� para ver como voc� est�.
Ele disse algo?
Mas � compreens�vel numa situa��o como esta.
Posso lev�-lo para minha casa por enquanto?
Ele ficar� com a assist�ncia social
esperando a decis�o do juiz de menores.
Mas n�s somos a fam�lia dele. Por que deix�-lo com estranhos?
N�o seria melhor ficar numa casa que conhece?
Talvez ele consiga se acalmar e finalmente falar.
Talvez seu cunhado Sandro
n�o tenha matado a fam�lia e se suicidado.
Suspeitamos que outra pessoa tenha matado todos eles.
Mais um motivo para ele ficar comigo.
Eu imploro.
Est� certo, por enquanto pode lev�-lo.
Mas comunicarei ao juiz e os deixarei com uma escolta.
Claro, sem problemas.
Obrigada.
Voc� vai acompanh�-los.
E leve o Di Leo junto.
Fiquem pelas primeiras 24h e veremos o que acontece.
Voc� fica dentro da casa e ele fora.
Pode deixar.
Ruggero, onde voc� se meteu? Nos deixaram ver a Patrizia.
- Vamos entrar. - Preciso ir para Londres.
- Como �? - Teresa, me escute.
Nosso cliente mais importante amea�ou nos deixar
se eu n�o levar hoje o or�amento que preparei.
- Voc� entende? - N�o pode mandar outra pessoa?
N�o posso. Ele quer falar apenas comigo.
Como pode pensar nisso enquanto minha irm� corre risco de vida?
Se eu ficar, o que posso fazer por ela? Nada.
Talvez possa fazer algo por mim, n�o acha?
Desculpa. Mas � importante para o nosso futuro.
Ser� algo muito r�pido.
Hoje voc� dorme na casa da Benedetta
e amanh� eu pego o primeiro voo de volta.
Voc� � um babaca.
Teresa.
Teresa, por favor!
Ruggero.
Me desculpe.
Sei que n�o � o momento,
mas quero falar do meu investimento.
- Eu nunca consigo te encontrar. - Exato. N�o � o momento.
Acha certo falar disso enquanto sua irm� corre risco de vida?
- Conversaremos depois. - Eu preciso do dinheiro.
N�o quero mais lucrar, s� quero reaver o que investi.
- Fabio, est� me machucando. - Me desculpe.
- Eu estou abalado. - Eu entendo, fique calmo.
- Agora v� ficar com sua irm�. - Certo.
Venha, querido.
Vamos tirar este sapato?
Sorte que a detetive levou seu super her�i
porque eu n�o tenho nenhum brinquedo em casa.
O que voc� quer fazer?
Querido, por que n�o responde?
N�o precisa ter medo. Eu estou aqui.
Vamos brincar l� fora?
Vou fazer algo para comermos. Preparo algo para voc� tamb�m.
N�o precisa, senhora. N�o se d� ao trabalho.
N�o � trabalho, ser� um prazer. Sobrou muita coisa da festa.
HOTEL PASSO SCURO QUARTOS E RESTAURANTE
- Boa estadia. - Obrigado.
- N�o tem bagagem? - N�o.
Gosto de viajar sem peso.
Ol�, Sr. Keller.
Voc� deixou o garoto ficar com a tia?
Sim, mas deixei uma escolta com eles.
Rinaldi vai traz�-lo se houver algum problema.
Mas voc� n�o devia ter feito isso.
Voc� nunca d� a m�nima para a conduta. Nunca!
N�o � uma decis�o que cabe a voc�.
Fora que ele � a testemunha-chave.
N�o, a testemunha-chave � Patrizia Rocchi.
- Se ela sair do coma. - Exato. S� temos o garoto.
Ele est� em choque, n�o diz nada.
Mas se a m�e n�o acordar, n�o teremos escolha.
Alguma novidade?
- E o que espera para me dizer? - N�o queria atrapalh�-los.
Bom trabalho e me mantenha informado.
Um dos vizinhos reconheceu os dois que estavam brigando
- antes do massacre. - E quem eram?
Patrizia Rocchi e o irm�o Fabio Martini.
Pode intim�-lo.
E veja se consegue contatar este n�mero.
� o hotel de Ceresole para onde Sandro Rocchi ligou de manh�.
Eu tentei, mas n�o consegui.
Est� tudo bem?
Melhor que nunca.
Por que estou aqui? Quero ir para o hospital.
Descobrimos que voc� e sua irm� Patrizia
brigaram antes do massacre.
- Por que estavam brigando? - Por uma besteira.
E qual seria essa besteira?
Ela queria que eu voltasse para a universidade.
O que � uma loucura.
Respondi mal e ela me passou o serm�o habitual.
Eu estou sem trabalhar h� cinco meses
e ela est� convencida que um papel mudar� minha vida.
E como voc� se mant�m? Mora sozinho?
Moro. Tenho dinheiro guardado.
E moro na casa da fam�lia desde que meus pais morreram.
N�o preciso pagar aluguel.
O fato � que voc� e sua irm� brigaram
e em seguida aconteceu tudo aquilo.
Acha mesmo que eu machucaria minha irm� e a fam�lia dela?
Bom dia, Dr. Avigliano. Sou o agente Luca Rinaldi.
Creio que falou com meu colega l� fora.
Falei. Onde est� minha esposa?
- Querida? - Estou aqui.
Finalmente. Achei que voltaria mais cedo.
Voc� deveria ter me consultado antes de traz�-lo para c�.
- Est� brincando, n�o est�? - Voc� tem raz�o, desculpa.
Mas voc� deveria ter me avisado.
Estou preocupada, ele ainda n�o disse nada.
A pol�cia acha que o suic�dio do Sandro foi encenado.
- Foi outra pessoa que os matou. - Que bobagem!
Samuele.
Como voc� est�?
Voc� sabe que est� seguro aqui conosco, certo?
Sabia que o tio tem jogo de videogame de futebol?
Por que n�o jogam uma partida juntos?
N�o, vou voltar ao hospital, tenho plant�o.
S� passei pegar umas coisas.
Certo. Fique perto da Patrizia que � melhor.
Voc� tomou seu rem�dio?
Se continuar neste ritmo, seu cora��o vai explodir.
Que outro sangue? O que significa?
Eles encontraram dentro da casa.
Valeria tem certeza que havia outra pessoa aquele dia.
Eu n�o sei mais o que pensar.
Achei que este cap�tulo estivesse encerrado.
Lucia sabe?
N�o. Valeria pediu para n�o contar.
Quer esperar que a investiga��o seja oficialmente reaberta.
A mam�e mentiu para n�s durante 17 anos.
Por qu�?
- Talvez haja outra explica��o. - Qual?
Nem consigo olh�-la nos olhos.
Tenho feito de tudo para evit�-la.
E sinto que devo fazer algo, mas n�o sei o qu�.
N�o h� nada que voc� possa fazer.
Nenhum de n�s pode fazer nada.
Est� certo.
Agora me diga o que devo pensar!
Ao menos diga algo!
Valeria sempre foi obcecada por esta hist�ria.
Ela pediu uma nova inspe��o, mas n�o achar� nada.
- O que voc� quer de mim? - Quero saber a verdade.
O que houve exatamente, Lucia?
- Voc� sabe. - N�o, eu n�o sei.
Por que acharam sangue que n�o era do meu irm�o?
- De quem era? - N�o sei.
Eu n�o acredito em voc�.
Quem mais estava com voc� aquele dia?
Voc� sempre disse que matou o Mario para se defender,
porque ele tinha nos descoberto.
- Essa � a verdade ou n�o? - Chega!
Quero saber se meu irm�o morreu por minha causa.
Eu passei 17 anos atormentado pela culpa.
- Voc� n�o sabe o que significa. - � voc� que n�o sabe.
Eu fiquei presa por 17 anos.
N�o voc�.
V� embora, Giulio. Me deixe em paz.
Valeria pode reabrir o caso, se torturar o quanto quiser,
mas tudo continuar� do mesmo jeito.
Voc� ainda n�o acredita em mim?
Ainda n�o acredita em mim.
A verdade � aquela que voc� j� conhece.
Onde est� meu irm�o?
Precisamos det�-lo para alguns esclarecimentos.
Por que fazem isso conosco?
Meu cunhado e meus sobrinhos est�o mortos,
minha irm� est� em coma no hospital.
Ao inv�s de estarmos com ela,
estamos aqui nos defendendo de sabe-se l� o qu�.
Voc� pode tranquilamente voltar ao hospital.
Tranquilamente?
Posso saber o que o Fabio fez?
N�o podem pensar que ele est� envolvido.
Fabio � meio confuso,
mas � uma �tima pessoa, eu garanto.
E se existe algu�m...
que sempre o tratou bem e nunca o viu como ovelha negra,
essa pessoa � minha irm� Patrizia.
Volte ao hospital, estamos s� investigando.
Voc�s n�o t�m cora��o.
Verifique a situa��o econ�mica de Fabio Martini.
Conta corrente, propriedades, tudo.
Consegui falar com o hotel de Ceresole.
Ningu�m atendeu a liga��o que Rocchi fez hoje.
Caiu na secret�ria eletr�nica e ele n�o deixou recado.
Mas eles tinham o nome dele registrado.
Ele se hospedou m�s passado, sozinho.
Boa noite. Posso me sentar aqui?
Obrigado.
Me chamo Ruggero, desculpe incomod�-lo.
Eu acabei de chegar
e adoraria saber o que tem na regi�o.
Gostaria de alguma dica.
O senhor parece um expert, ou estou enganado?
Sr. Keller conhece as montanhas melhor que os guias.
�timo. Pode trazer mais duas cervejas, por favor?
Obrigado.
J� voc�, n�o me parece um expert em montanhas.
Bem, n�o julgue pela apar�ncia.
Acabei de chegar de Turim e vim direto do escrit�rio.
Mas eu amo as montanhas.
Mora em Turim, ama montanhas e n�o conhece Ceresole?
Claro que conhe�o, mas geralmente vou para a Su��a.
Eu prefiro a Su��a.
Obrigado.
Ent�o, quer me contar algo?
Deve amar muito estes lugares para conhec�-los t�o bem.
- Eu odeio estes lugares. - Como assim odeia?
Acabou de dizer que mora aqui h� um ano.
Eu tinha uma filha.
Minha �nica filha.
Ela tinha 20 anos da �ltima vez que a vi, h� tr�s anos.
O que houve?
Ela veio passar as f�rias aqui.
Ela amava as montanhas
e amava principalmente viajar sozinha.
Ela gostava de acampar
e passava ver�es inteiros assim.
Mas um dia, ela simplesmente n�o voltou.
A pol�cia a procurou por dois anos,
depois arquivaram o caso.
Eles dizem que ela fugiu para outro pa�s.
Mas eu sei que n�o � verdade.
Sei que ela est� morta.
- E como tem tanta certeza? - Eu sei e basta.
Mas chegou a falar com algu�m?
Algu�m te fez pensar isso?
N�o, aqui ningu�m se lembra dela.
Ela tinha acabado de chegar.
Mas sinto que cedo ou tarde a encontrarei.
Claro.
- O que voc� est� fazendo aqui? - Ela � minha cunhada.
Eu sei.
Achei que n�o estivesse de plant�o hoje.
Prefiro acompanh�-la de perto.
Eu tamb�m preciso ser acompanhada.
De muito perto.
N�o tenho nada adequado para uma crian�a. Nadinha.
E se eu fosse buscar algo na casa dele?
N�o pode, sinto muito.
Tente contar uma hist�ria, voc� deve conhecer alguma.
Talvez possa inventar uma.
Minha m�e costumava fazer isso.
Amor.
Amanh� comprarei um pijama novo para voc�.
Est� com sono?
Quer que eu conte uma hist�ria?
Era uma vez um rei
que vivia numa ilha distante.
Esse rei se chamava Ulisses.
Ele tinha uma esposa que se chamava Pen�lope
e um filho chamado Tel�maco.
Eles tamb�m tinham um c�o que se chamava Argos.
Um dia Ulisses partiu para a guerra.
A guerra acabou.
E Ulisses voltou para casa.
Por que me fez falar destas coisas?
Lamento, n�o era minha inten��o.
Mas nota-se que o senhor estava precisando.
- Eu preciso dormir. - Quer que te acompanhe?
- N�o, obrigado. - Boa noite.
Sergio, eu falei com o Keller.
- O que est� dizendo? Quando? - Hoje. Estou em Ceresole.
E voc� tinha raz�o, Sandro n�o contou nada.
Eu disse que a hist�ria da filha n�o tem liga��o com o ocorrido.
E a pol�cia descobriu que o Sandro n�o se matou.
Como assim?
Foi uma encena��o, algu�m matou todos eles.
Como � poss�vel? Quem fez isso? Foi um assalto?
Eu n�o sei. A pol�cia n�o quis dizer nada.
S� sei que levaram o Fabio para interrog�-lo.
- Justo o F�bio? Meu Deus! - O que foi?
Ele me deu 100 mil euros para um investimento
que acabou dando errado.
Agora ele me persegue querendo o dinheiro
- e disse que est� na merda. - Meu Deus!
N�o posso devolver, os 100 mil viraram 15 mil.
- E voc� contou para ele? - N�o. Pedi que ele esperasse.
Talvez a gente descubra que ele n�o est� envolvido.
Vamos torcer. Bem, agora vou dormir.
Amanh� volto para Turim. Tchau.
Certo. Boa noite.
- Pediu para me chamar? - Entre.
O que foi?
Nem sei como te dizer isso.
O promotor n�o autorizou a reabertura do caso do seu pai.
Mas achamos sangue desconhecido, � um elemento novo.
Ele n�o considerou relevante.
Uma casa isolada e abandonada por 17 anos
o sangue pode ser de qualquer um.
- De quem? - De algum sem-teto
que ficou na casa por um tempo, por exemplo.
- � um absurdo. - N�s continuaremos assim mesmo.
Daremos um jeito de descobrir de quem � o sangue.
Obrigada.
CASO FERRO
N�o tenho informa��es novas sobre Ceresole.
E o Mattei est� cuidado das contas de Fabio Martini.
Pode ir para casa, se quiser.
Eu sei. Estava fazendo outra coisa neste meio tempo.
Ou�a, Andrea...
faz dois dias que voc� n�o fala comigo
e mal olha na minha cara.
O que est� acontecendo? Eu fiz alguma coisa para voc�?
Espero que esteja brincando.
Jura que n�o percebeu nada?
N�o percebe que machuca as pessoas ao seu redor?
Voc� usa as pessoas conforme seus interesses.
Vamos ver se entendi, estamos falando de voc�?
Quando foi que te usei?
Quando estava se afastando do Lombardi e se sentia sozinha.
� verdade que eu fui at� aquele hotel.
E tamb�m � verdade que dei o primeiro passo.
Mas s� fiz isso porque me iludi
e achei que voc� sentisse o mesmo que eu sinto.
Exatamente, Andrea. Voc� se iludiu, n�o eu.
Fui muito clara com voc� desde o in�cio.
E n�o � verdade que uso as pessoas.
Imagina.
Mas voc� voltou com o Lombardi justo quando precisava de algo.
E vai deix�-lo quando n�o precisar mais dele.
Que diabos voc� sabe sobre mim e o Giorgio?
Como assim que diabos eu sei?
Voc� mesma j� me contou. E ele quase me estrangulou...
Quando? O que est� dizendo?
Deixa pra l�, combinado?
Me deixe em paz.
N�o falaremos mais sobre isso, mas apenas de trabalho.
E cedo ou tarde vou acabar desencanando.
Beleza.
LAUDO 20 PER�CIA DE ARMA BRANCA
- Detetive Bertone. - Voc� deve ser Valeria Ferro.
- Obrigada por ter vindo. - Vamos caminhar um pouco?
- Ent�o, o que queria perguntar? - O senhor fez esta per�cia?
Sabe dizer por que o n�mero dos laudos � progressivo,
mas pularam um n�mero de protocolo?
Foi descuido ou omiss�o?
Voc� n�o trabalha com Lombardi? Por que n�o perguntou para ele?
Foi ele que seguiu o caso.
Mas o senhor achou a digital.
Achei uma digital na arma, uma parcial.
Ficou claro que era dela, sem sombra de d�vida.
Era a digital do dedo indicador da sua m�e.
Te digo por experi�ncia.
Com 11 pontos caracter�sticos
entre a digital encontrada e a do suspeito,
se pode racionalmente pensar que a digital pertence a ele.
Eu encontrei 14 pontos.
Mas o tribunal exige que sejam 16 pontos.
Por isso, n�s anulamos aquela per�cia
e fizemos outra. Que � essa a�.
- Fizeram? - Foi o Lombardi que pediu.
E encontrei mais 2 pontos.
Mas j� era um caso resolvido, acredite em mim.
N�o sei mais como explicar, n�o sei em qual l�ngua falar.
- Era a digital dela na faca! - E da�?
Ela poderia ter pego a faca para jog�-la no lago.
Ou talvez s� estivesse assustada.
- Mas ela confessou. - S� ap�s a per�cia da digital.
Ela estava sem sa�da.
Qualquer advogado aconselharia a confessar
- para obter a redu��o da pena. - Foi uma confiss�o tardia.
Os advogados sabem que n�o serviria de atenuante,
e de fato foi o que houve.
E ningu�m confessa um homic�dio que n�o cometeu.
Ela tentou n�o ser descoberta, viu que n�o conseguiria
e decidiu contar tudo.
Ela teria sido condenada, mesmo sem a confiss�o.
- Tinha mais algu�m com ela. - Sim, mas ela matou!
Ou protegeu o assassino, j� pensou nisso?
Voc� cometeu um crime, decidiu nossas vidas
e n�o teve coragem de me contar!
Fique longe de mim ou te denunciarei.
- Me escute... - N�o me toque. Nunca mais.
Espere um pouco.
- Valeria. - O que foi?
- Voc� est� bem? - Me desculpe. Pode falar.
Fabio Martini tinha um motivo para o homic�dio.
N�o foi s� uma briga entre irm�os.
Foi por algo mais grave que a universidade.
Voc� mentiu para mim.
� verdade que sua irm� Patrizia te emprestou 100 mil euros?
� o total que descobrimos entre transfer�ncias para voc�
e v�rios saques em dinheiro feitos pela Patrizia.
Suponho que os saques tamb�m eram para voc�.
Sup�s errado.
� coincid�ncia que haja uma hipoteca de 100 mil euros
ativada por voc� da casa da fam�lia onde vive?
Nem Teresa nem Benedetta sabiam disso.
Voc�s contaram para elas?
Brigou com a Patrizia pelo dinheiro?
Patrizia sabia da hipoteca?
Onde foram parar os 100 mil que sua irm� te emprestou?
- Eu investi. - Investiu em qu�?
Dei para o meu cunhado Ruggero.
Ele gerencia um fundo com um rendimento alt�ssimo.
- E sempre lucra muito. - Mas?
Ele n�o me d� mais satisfa��o. Nunca consigo ach�-lo.
J� at� implorei para que ele me devolva.
Minhas contas estavam vencendo e n�o podia mais esperar.
Por isso procurei a Patrizia.
Para pedir emprestado mais 100 mil, enquanto espero.
Ela ficou furiosa.
E com raz�o.
Mas depois decidiu me ajudar, como sempre fez.
At� porque o Ruggero me deve uma satisfa��o.
Juro que acabou ali mesmo.
N�s combinamos que ela falaria com o Sandro
e tentaria convenc�-lo a adiar a compra de uma casa na praia.
E que ir�amos juntos pagar a hipoteca.
Talvez tenha ficado em casa com ela esperando o Sandro.
Ele se negou a ajud�-lo, voc�s brigaram,
o acertou com a chave inglesa, e cometeu o massacre.
N�o, juro que n�o fui eu.
Eles eram os �nicos dispostos a me ajudar. Acredite em mim.
Querido, est� vendo o tio Fabio?
A detetive quer saber se voc� o viu na sua casa ontem.
Samuele.
Deixa pra l�, n�o tem problema.
Obrigada por ter vindo.
Eu fico feliz quando voc� vem me ver, sabia?
- Vamos. - Pode ir, eu j� vou.
Nenhuma mudan�a por aqui?
N�o foi ele, acredite em mim.
Meu irm�o n�o � esse tipo de pessoa.
Ele jamais faria isso.
Pode voltar para o seu sobrinho.
Pronto? Sim.
Certo. Obrigada. Me mantenha informada.
Talvez operem novamente a Patrizia ainda hoje.
Vamos torcer para dar tudo certo.
- Ele confessou? - N�o.
E n�o acredito que tenha sido ele.
Sorvete de morango � gostoso, n�o �?
Agora vamos comprar a bola que te prometi.
Teresa?
Eu estava na delegacia.
Sim. Vou agora mesmo.
Ela piorou de repente e teve insufici�ncia card�aca.
O que voc� est� fazendo aqui?
Eu a consultei e tomei algumas provid�ncias.
� prov�vel que seja operada hoje.
Eu assumo daqui. Pode sair. Obrigado.
N�o. Voc� pode sair.
Est� suspenso at� o julgamento da morte daquele rapaz.
O que est� dizendo? Algu�m deve prestar queixa antes.
- E os pais n�o prestaram. - Eu sei, mas eu sim.
- Seu merda. - Sergio, pare com isso!
Me solte, vou acabar com ele.
Isso mesmo, cuide desse inSano.
- O que est� havendo? - Me soltem.
N�o deixarei minha cunhada nas m�os dele.
Nem que eu entre � for�a na sala de cirurgia.
Voc� ficar� afastado at� esse caos terminar.
Eu n�o criei esse caos, foi ele. Ele deveria ser expulso.
Sergio, use como uma ocasi�o para descansar.
E tudo se resolver� no tribunal. Ou�a meu conselho.
N�o estou preocupado com o tribunal,
estou preocupado com a minha cunhada.
Exatamente por isso,
� melhor que seja operada por outro m�dico.
� uma pena que tenha ficado t�o pouco.
� que surgiu um imprevisto.
- Seu recibo e o troco. - Obrigado.
- Bom dia. - Oi, Alfredo.
Estas s�o para voc�
e esta � para o Sr. Keller.
Ele mora aqui h� um ano e nunca recebeu carta.
- O que ser� que aconteceu? - Talvez seja sobre a filha.
Quanto tempo ainda vai demorar?
Voc� n�o pode ver como est� indo?
Benedetta, por favor. Eu j� te expliquei.
Tentei de todas as maneiras, mas n�o posso entrar.
O que fez para que dessem queixa de voc�?
Teresa.
- Ela ainda est� em cirurgia? - Sim, e ningu�m nos diz nada.
Ela sofreu uma parada cardiorrespirat�ria.
As condi��es eram grav�ssimas. N�o pudemos fazer nada.
Fiz tudo o que estava ao meu alcance.
- Eu sinto muito. - S� tem isso a dizer?
- Sergio! - Acalme-se, por favor.
Desgra�ado!
Seu rem�dio.
Tem certeza que est� se sentindo bem?
Ultimamente o cora��o
anda pregando pe�as em mim.
Fique calma, n�o pretendo morrer t�o cedo.
- Agora faremos do meu jeito. - Ou seja?
O garoto vem para c�, conversa com o psic�logo,
v� o juiz e segue o percurso normal
reservado �s testemunhas at� ele falar.
N�o acho que voc� esteja em posi��o de me ditar regras.
N�o, voc� que n�o est� em posi��o de ditar regras.
N�o quer mais me ver?
Quer terminar de vez? Fique � vontade.
Quer dar queixa de mim? V� em frente.
Veremos o que diz o juiz sobre esse suposto crime.
Mas quando se tratar de uma investiga��o,
a �ltima palavra ser� a minha. Faremos do meu jeito.
Ent�o ligue para o Rinaldi e pe�a para trazer o garoto.
Voc� n�o liga que ele tenha acabado de perder a m�e.
Claro que ligo. Infelizmente a m�e era a outra testemunha
e agora s� restou o garoto. Eu n�o tenho escolha.
Preciso encerrar o caso.
A qualquer custo. N�o � mesmo, Giorgio?
Ligue para o Rinaldi.
Al�?
Aqui � a detetive Ferro, voc� ainda est� no hospital?
N�o, acabei de voltar para casa.
Infelizmente darei outra not�cia ruim.
N�o poder� mais ficar com o Samuele.
Por qu�?
Pode pedir a guarda dele e � prov�vel que o juiz conceda,
mas agora deve traz�-lo para c�.
Mas n�o h� nada que se possa fazer?
- Temo que n�o. - Esperar ao menos um dia?
Agora � ainda mais importante descobrir se ele viu algo.
Claro. O que devo fazer?
Passe para o agente Rinaldi. Obrigada.
A detetive quer falar com voc�.
Obrigado.
- Pronto? - Rinaldi, traga o garoto.
Seja gentil, entendeu? Sem criar tens�o, nem alarde.
Deixe que se despe�am. Quando chegar aqui, me procure.
Certo, detetive. N�o se preocupe.
Voc� me avisa quando o Samuele estiver pronto?
- Vou esperar l� fora. - Agente.
Podemos ir comprar a bola, s� eu e ele?
- Senhora... - Por favor.
Eu prometi para ele.
� s� o tempo de ir e voltar.
Est� certo. Mas n�o demorem muito.
Samuele, vamos. Venha.
Vamos para o carro.
Bem, estamos prontos.
- At� logo. - At� logo.
O que voc� quer aqui?
Todo mundo erra e voc� deveria saber disso.
Talvez agora voc� deixe de ser arrogante.
Minha esposa e minha cunhada est�o abaladas.
Acham que se eu tivesse operado, isso n�o teria acontecido.
Eu poderia aconselh�-las a te processar.
Eu n�o fiz nada.
Eu tamb�m n�o fiz nada.
Agora voc� deve saber como me senti.
Sergio, por favor, n�o fa�a isso.
- N�o fazer o qu�? - N�o d� queixa de mim.
Ironia do destino, n�o?
Parece que n�s dois estamos no mesmo barco.
Vou retirar a queixa contra voc�.
Viu s�?
Voc� j� est� sendo menos arrogante.
Se preferir, reabro o quarto para n�o esperar a�.
N�o, obrigado.
Vai ser r�pido, houve um contratempo.
Certo. Se precisar de mim, � s� chamar.
Me desculpe, ia pegar um copo d'�gua.
- Eu pego para voc�. - Obrigado. Me desculpe.
- Ol�. - Ol�.
Sr. Keller, chegou uma carta para voc�.
Sandro sempre foi para Ceresole sozinho.
Ningu�m nunca o viu sair, jantar ou falar com algu�m.
Por que voc� disse sempre? Quantas vezes foram?
No �ltimo ano foram seis vezes.
Nas primeiras cinco vezes, ele se hospedou no VillaAlba,
um hotel 4 estrelas, com piscina.
S� da �ltima vez ele ficou no Passo Scuro,
que � uma pens�o 2 estrelas.
Verifiquei e descobri que havia quartos livres no VillaAlba.
E na cidade h� muitos hot�is do mesmo n�vel.
Pe�a a lista de clientes hospedados no Passo Scuro
nos dias em que o Sandro esteve l�.
E dos que estavam ontem quando ele ligou.
Andrea?
Sim.
N�o, nada.
Venha.
Vamos abrir tudo.
Faz muito tempo que a gente n�o vem para c�.
Voc� lembra desta casa? Esteve aqui quando era pequeno.
E da cidade voc� lembra? Se chama Ceresole.
Sim, voc� lembra.
Te garanto que ficar� tudo bem.
Ningu�m vai nos incomodar.
Quer ver o seu quarto? Ent�o vamos.
N�o consegui dizer n�o para ela.
N�o imaginei que pudesse fugir.
Se quiser me tirar do caso, vou entender.
Eu ca� como um patinho.
N�o pretendo te tirar do caso.
Eu teria feito o mesmo.
Mas agora vamos tentar resolver.
Ela desligou o celular, mas deve ter deixado a bateria.
- Tentem rastre�-la. - Pode deixar.
Sabe quem alugou um quarto no Passo Scuro ontem?
- Ruggero Bellavia. - Quem � ele?
O marido de Teresa Martini, uma das irm�s.
Ele estava presente quando perguntei se algu�m sabia
da liga��o do Sandro para Ceresole.
N�o disse nada, mas sabia quem Sandro procurava e por qu�.
Acho que eu tamb�m sei.
Urs Keller. � um su��o que est� morando no Passo Scuro,
ele j� estava l� quando Sandro se hospedou.
Keller mora l� h� um ano. E � o pai de Lara Keller.
Uma mo�a que sumiu h� tr�s anos nas montanhas em Ceresole.
O corpo nunca foi encontrado e o caso encerrado.
Ligue para o hotel, veja se Bellavia ainda est� l�.
- Ele fez check-out hoje cedo. - E o Keller?
- Ainda est� l�. - Vamos conversar com ele.
Voc� vem comigo?
Me avise se achar a mulher e o garoto.
Pode deixar.
E voc�, veja se Bellavia voltou para Turim.
Posso confiar em voc� desta vez?
Bom dia.
Nos encontramos de novo.
Tamb�m senti vontade de dar uma caminhada.
Agora estou acabado.
Caminhar nas montanhas com esses sapatos n�o conv�m.
Sim, � verdade. Mas nem pensei nisso.
Voc� deve estar com sede.
Vou buscar um pouco de �gua.
Quer ler minha carta?
- Por que te interessa tanto? - N�o, n�o me interessa.
- Estava me seguindo? - Claro que n�o.
O que quer de mim?
Ontem veio puxar papo e agora est� aqui.
Eu n�o quero nada.
- Sabe algo sobre a minha filha? - Claro que n�o. N�o sei nada.
- Onde est� minha filha? - N�o sei.
Por favor, eu n�o...
Voc� sabe de algo?
- Vou te matar, se n�o disser. - Eu n�o sei.
Juro que n�o sei nada, sinto muito.
Eu n�o sei de nada, lamento muito.
Samuele?
Samuele!
Samuele!
Onde ele est�?
Estou aqui.
- Queria me assustar? - Sim.
- Voc� est� feliz aqui? - Estou.
- Estou com fome, tia. - Ent�o vamos lanchar.
- Por que est� chorando? - N�o estou chorando.
Estou feliz. Vamos?
- Oi, Benedetta. - Sergio.
Onde voc� se meteu?
Samuele falou, disse que est� com fome.
- Certo, mas onde voc� est�? - Estamos em Ceresole.
- Volte, est�o te procurando. - N�o. Querem tir�-lo de mim.
O que deu em voc�?
Sei que � loucura, mas ele voltou a falar.
- Ele voltou a falar? - Sim, vou avisar a detetive.
N�o avise, vou at� a� e iremos juntos � delegacia.
- Certo. - � melhor irmos juntos.
- Sim, eu prefiro te esperar. - J� estou indo.
- Tudo bem. - Nos vemos daqui a pouco.
- At� logo. - Tchau.
Ele quis roubar a carta que recebi da minha esposa.
Ainda n�o entendi o motivo do interesse.
Provavelmente ele n�o achou que fosse da sua esposa.
E de quem seria?
O senhor conheceu Sandro Rocchi?
Ele j� esteve neste hotel e era cunhado do Sr. Bellavia.
Tenho motivos para crer que eles est�o envolvidos
no desaparecimento da sua filha.
E acredito que Bellavia temesse que a carta fosse do Sandro.
Todos aqui acham que sou louco.
Minha esposa escreveu que se eu n�o voltar para casa,
ela vai pedir o div�rcio.
No entanto, eu tinha raz�o.
Ligue para sua esposa
e diga que talvez a espera de voc�s termine.
Sabe onde posso encontrar o Bellavia?
Deve ser por aqui.
Onde diabos est�?
Onde est�?
Merda!
- Quer uma? - Quero.
Vamos ver a mam�e amanh�?
N�o sei, precisamos pedir para os m�dicos.
Ou melhor, sabe o que faremos?
Pediremos para o titio, quando ele chegar.
O que est� desenhando?
Que carro grande!
Assim todos n�s poder�amos nos esconder dentro dele.
Foi a mam�e que te disse para se esconder no carro?
Sim, porque algu�m estava atirando.
Quem estava atirando, querido?
Eu n�o sei, atirava muito alto.
E depois?
A mam�e me carregou e fomos para o carro.
Ela ficou brava porque n�o achava a chave da garagem.
Ent�o me mandou ficar escondido,
bem paradinho e quieto.
Voc� obedeceu direitinho.
Depois ouvi um celular e depois mais nada.
Um celular? Ouviu algu�m falando?
N�o, s� um celular.
Entendi.
Est� certo, obrigado.
Bellavia n�o voltou para Turim, ainda deve estar por aqui.
- Al�? - Aqui � Benedetta Avigliano.
Onde voc�s est�o?
Desculpe por ter fugido, mas devo contar algo importante.
Samuele voltou a falar e se lembra do que aconteceu.
E o que ele disse? Ele viu algo?
N�o, mas ele ouviu tiros e um celular.
- Um celular? - Sim, o toque de um celular.
N�o estava tocando, tia.
Era um tipo de bip. Como uma mensagem.
- Voc� ouviu? - Sim, ouvi.
Espere um segundo. Andrea, me d� seu celular.
Pode colocar no viva voz assim o Samuele me ouve?
Claro.
- Samuele, est� me ouvindo? - Estou.
Ent�o escute...
O som era esse?
Sim, era esse mesmo.
- Benedetta? - Sim.
- Onde est� seu esposo agora? - Est� vindo para c�.
- Indo para onde? - Nossa casa em Ceresole.
Eles est�o aqui. N�s tamb�m estamos aqui.
- Me passe o endere�o. - Sim.
Na sa�da da cidade tem uma ponte,
passe por ela e nossa casa fica na estrada.
Certo, fique tranquila que estamos chegando.
Nos espere a�.
- Meu Deus, ele chegou! - Ele est� a�?
Est� chegando.
O que devo fazer?
Contou para ele que Samuele ouviu um celular?
N�o, mas contei que ele voltou a falar.
Ent�o finja que est� tudo bem e n�o deixe ele se aproximar.
- Fique calma, estamos chegando. - Tudo bem.
Amor.
Vamos entrar? Venha.
Venha r�pido. Corra, corra.
Querida? Cheguei.
Samuele, precisamos ficar em sil�ncio, combinado?
Querida.
- Est�o a� dentro? - Estamos.
- Por que est�o trancados? - Samuele est� no banho.
Me deixe entrar.
Amor, minhas m�os est�o cheias de espuma.
J� estamos acabando.
- Benedetta, abra a porta. - Me d� cinco minutos.
Eu sei que ele n�o est� no banho. Abra logo.
- Abra e me deixe explicar. - Explique da� mesmo.
Abra a porra da porta!
Voc� � louco, n�o vou abrir.
Benedetta, escute.
Eu sei que � dif�cil de entender.
Mas se n�o fizesse o que fiz,
nossa vida estaria arruinada, entende?
Benedetta! Abra, porra!
Que merda, Benedetta.
Parado! Pol�cia!
Solte o rifle e coloque as m�os na cabe�a!
Acabou.
Por que voc�s mataram Lara Keller?
N�o quer�amos mat�-la.
N�s perdemos o controle da situa��o.
Sa�mos para ca�ar aquele dia e n�o pegamos nada,
mas era uma forma de passarmos um tempo juntos.
Ela chegou quando beb�amos vinho assistindo ao p�r-do-sol.
N�s oferecemos bebida a ela.
Ela se sentou conosco e contou que estava viajando sozinha.
E queria escalar os alpes italianos.
Voc�s confundiram camaradagem com disponibilidade.
N�s t�nhamos bebido e ela parecia interessada.
Voc�s a violentaram?
Quem foi o primeiro?
Foi voc�.
No fim das contas, ningu�m se op�s.
- Sandro tamb�m... - O que houve depois?
Ela n�o parava de chorar
e naquele momento entendi que precisava mat�-la.
Sandro foi embora e o Ruggero n�o me deteve.
Quando o Sandro voltou e a viu morta, come�ou delirar.
Por isso eu deveria ter notado que ele n�o aguentaria.
Jog�-la do penhasco
foi a �ltima coisa que fizemos juntos.
Depois cada um tentou esquecer como p�de.
At� que voc� percebeu
que o Sandro tinha decidido contar tudo.
Eu soube pelo Ruggero que ele vinha muito para c�
e tinha encontrado o pai da garota.
Aquele deve ter sido o golpe de miseric�rdia,
ele n�o conseguiu mais guardar segredo
e contou tudo para Patrizia.
Ela ligou transtornada para sua esposa
e foi quando voc� entendeu tudo.
Eu corri para a casa deles.
Encontrei o Sandro no carro, ele estava indo at� a delegacia.
N�o podia permitir que destru�sse minha vida.
Eu o atingi com a primeira coisa que encontrei,
o coloquei no carro e o levei para a casa dele.
Eu sabia onde ele guardava o rifle.
As crian�as estavam em casa e...
eu precisei mat�-las.
Depois encontrei a Patrizia.
Ela disse que o Samuele estava no acampamento,
eu acreditei nela.
E a matei tamb�m.
Depois levei o Sandro para dentro,
atirei nele e coloquei o rifle em suas m�os.
Onde voc�s jogaram o cad�ver de Lara Keller?
O que ele queria fazer?
Ele achou que a carta dizia
onde estavam os restos mortais da Lara.
E queria dar sumi�o neles.
Obrigado, detetive.
Como � poss�vel, todos esses anos
e n�o percebemos nada?
Eu n�o sei.
Al�?
Sim, sou eu.
N�o sei.
Eu imaginei, mas n�o sabia.
Perfeito.
Muito obrigado.
Era do banco.
Creditaram 96 mil euros na minha conta.
- Foi o Ruggero. - Ruggero...
Vou dar uma olhada no Samuele.
Como voc� est�?
Quer ficar na sala conosco?
A mam�e morreu, n�o �?
Agora ela te proteger� do c�u, junto com o papai.
- Voc� n�o vai morrer, vai? - N�o.
Eu estarei sempre aqui com voc�.
Al�?
Oi, Valeria.
J� estou indo.
Ou�a, Valeria...
Lamento, errei com sua m�e e te pe�o desculpas.
Tudo bem.
Mas agora � tarde.
Vim o mais r�pido que pude. O que aconteceu?
Siga-me.
Quem estava na casa do lago com voc� e o papai aquele dia?
Me fez vir at� aqui para obter respostas que j� tem?
- Quem mais estava na casa? - Ningu�m!
Ent�o de quem � o sangue que encontramos?
Por que nunca disse que havia uma terceira pessoa?
- Porque n�o havia. - Claro que havia.
� algu�m que voc� est� protegendo?
Acha que eu seria louca de passar anos na cadeia
para proteger algu�m?
Pare, Valeria. Desista.
Por que n�o tenta aceitar que foi isso que aconteceu?
Eu j� tentei. Mas sempre surge algo novo, e agora...
Aquele sangue precisa pertencer a algu�m.
Me diga de quem � o sangue.
N�o ficar� em paz enquanto n�o tiver as respostas, n�o �?
De quem �?
� do seu...
� do Mario.
Est� zombando de mim?
N�o.
Ent�o por que n�o � compat�vel com o meu?
Porque Mario n�o � seu pai.
Veja o que � capaz de inventar para n�o contar a verdade.
Esta � a verdade.
N�o acredito.
Quando nos conhecemos, eu estava gr�vida de tr�s meses.
Fa�a o exame no Giacomo
e ver� que o sangue � compat�vel com o dele.
O que voc� est� fazendo?
Passei pegar uma coisa.
Meu pente?
Quer me explicar o que est� havendo?
Onde est� a mam�e?
Na delegacia.
Voc� tinha me prometido que pararia, lembra?
Preciso saber se ela est� falando a verdade.
Sobre o qu�? Qual verdade?
E por que n�o me diz o que quer fazer?
- Tem a ver comigo tamb�m. - Voc� sempre fez vista grossa.
Estou tentando manter esta fam�lia unida.
Ent�o pare agora mesmo porque � in�til.
Detetive Ferro.
Sim.
Pode me dizer se j� saiu o resultado?
Obrigada.
O sangue do Giacomo � compat�vel.
M�e, me diga quem � meu pai.
Eu n�o sei. Nunca soube quem era.
Me diga.
Aconteceu numa noite,
eu voltava para casa e estava escuro.
Senti uma m�o na minha boca e fui jogada contra o muro.
Eu n�o gritei porque ele teria me matado.
Depois quando ele terminou, disse que sabia onde eu morava
e que n�o me convinha procurar a pol�cia.
E eu n�o procurei.
Eu tive medo.
Ent�o voc� n�o deu queixa?
N�o.
E nunca contou para ningu�m?
Para o Mario.
Ele sempre soube, desde o in�cio.
E disse que criaria como filho dele.
Depois voc� nasceu
e apagou...
todo o horror do passado.
Volte para casa, m�e.
Acabou.
Voc� vem comigo?
Mais tarde.
Tem certeza que sua filha n�o vai continuar investigando?
Ela n�o vai. Est� tudo acabado.
Ela n�o tem mais nada para procurar.
Voc� continua linda, Maria Grazia.
Maria Grazia morreu, ela n�o existe mais.
At� a pr�xima temporada!
N�O MATAR�S
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