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...para entreter toda a família este verão,
temos a solução.
Vamos, Butlin's.
Butlin's.
"O nosso desígnio é o vosso deleite."
Macacos me mordam. Ouviste isto? Butlin's.
O que é o Butlin's, pai?
O que é o Butlin's? É o melhor campo de férias do mundo.
O meu pai levou-me lá
quando eu era pequeno.
Credo, o meu velhote!
Eu não me lembro dele.
Ele era incrível, meu puto.
Pensava que íamos seguir viagem e trabalhar, sabes?
Mal pude crer quando chegámos e vi a placa,
"o nosso desígnio", percebi que ele me ia levar.
Nós os dois.
Chegados ao quarto, ele mandou-me ir para a piscina.
Disse que logo descia.
Estive lá que tempos. A flutuar como um crocodilo,
a ver todos aqueles miúdos e famílias a chapinhar.
Por fim, vi-o. No bar.
Um pequeno bar que lá havia.
De camisa, casaco, brilhantina no cabelo, tudo.
Soube então exatamente porque tínhamos ido para o Butlin's.
Ele tinha um encontro amoroso marcado.
Umas cambalhotas com uma vadia qualquer.
Vi-os a beber e a conversar.
Vi o modo como ela o olhava.
O olhar dela. Era...
...indefeso.
Sim.
Ele era incrível, o meu velhote.
Depois, acabaram de beber e lá foram eles.
Lá foi ele.
E lá estou eu, ainda na piscina.
Está a ficar frio.
E então senti-o,
como um calor nas costas.
Virei-me e, sentada na borda da piscina,
estava uma rapariga.
Estava a rir-se para mim.
A observar-me.
E, digo-te já, meu puto,
ela tinha os mais belos olhos que já vi na vida.
E algo tomou conta de mim,
como se estivesse cheio deste poder.
Deslizei até ela.
Quanto mais me aproximava, mais ela sorria.
E todo o vazio que sentia aqui
desvaneceu-se.
Soube então
para que viera a este planeta parvo.
Que eu o tinha, o que ele tinha, aquele dom.
E não precisava de mais nada,
pois sabia que, um dia,
poderia ser tal e qual como ele.
A este homem nada faltava, não precisava de nada,
tinha o mundo na mão e espremia-o ao limite.
O grande Bunny Munro I.
Certo. Vamos lá ver o avô.
BASEADO NO ROMANCE DE NICK CAVE
A MORTE DE BUNNY MUNRO
PARTE CINCO DEFUNTO
- Estás pronto? - Sim.
Certo. Vamos lá.
Desande! Estou ocupado.
Tudo bem, pai? Sou eu.
O Bunny.
Caramba...
Desliguemos isto.
E então?
Isto também já não trabalha.
- Está com bom ar. - Vai bugiar.
Dá lá um cigarro.
Vou é preparar-lhe um chá.
Eu não quero chá.
Como está?
Tenho 70 anos e surge-me um cancro. Como achas que estou?
Posso fazer alguma coisa?
Tu?
Deves estar a gozar.
Deixe-me ir fazer-lhe um chá.
Já te disse, não quero chá nenhum!
Não partas isso, filho. Vale uma fortuna.
Desculpa, avô.
Deixa o raio do pássaro em paz e anda aqui ao avô.
Espero que lhe partas o coração.
Espero que o partas como ele partiu o meu.
Credo!
Deixe-o em paz e dê cá um cigarro.
Vai-te lixar, vai comprar.
O raio do teu pai.
Tentei ensinar-lhe o negócio.
Antiguidades. Um ofício de homens.
Mostrei-lhe as coisas mais adoráveis que um rapaz poderia ver.
- Vá lá. - Fecha a matraca.
Não tens remissão possível. És uma causa perdida.
Mas ainda podemos salvar o miúdo,
se ele apurar os ouvidos.
Estávamos em terra de ninguém,
à cata de ouro e prata.
Eu tinha faro para a coisa.
Cheirava-me se havia algo Chippendale,
uma caixa de prata da era georgiana debaixo das escadas,
uma coisinha francesa,
o belo bon du jour.
Aquelas miúdas antigamente...
Dava-lhes uma palavrinha e aquele olhar especial...
"Podemos falar de negócios, senhora?"
E lá enfeirava a secretária Sheraton da velhota por tuta e meia.
Um adorável formato serpenteante.
Nem uma só linha direita.
Eu tinha o dom.
Era um mestre do ofício.
E ele acabou a impingir escovas de sanita.
Produtos de beleza.
Porta a porta.
- Por marcação. - Atenção, senhoras.
Eis o homem do papel higiénico.
Vá lá, pai.
"Vá lá"?
"Vá lá"? Sim, vá lá.
Eu dei-te o meu nome
e tu fizeste dele uma anedota.
Partiste-me o coração.
Tiraste-me a taça dos lábios, seu fedelho.
- Eu tentei. - O quê? Tu quê? Tentaste?
Tentaste?
Vai-te lixar.
Vem cá.
Não vais redundar num zé-ninguém como ele, pois não?
O meu pai podia vender uma bicicleta a uma barracuda.
- O que disseste? - Pai.
Pai.
Estás a gozar comigo?
- Estás a gozar comigo? - Pai.
- Tu estás a gozar comigo? - Pare.
- O que disseste? - Disse para parar. Por favor.
- O que raio me disseste? - Desculpe.
Olha para ti.
Não me tens ouvido, rapaz?
Tu não tens remissão.
Nenhum de vocês tem.
Leva-o daqui.
Estou a morrer, filho.
Pai.
Acho que não venderia muitos produtos de beleza.
- "Por favor, pode comprar..." - Nem te atrevas.
ASSASSINO CHEGA À COSTA SUL LOUCO DE CHIFRES AVISTADO EM EAST SUSSEX
- Ficas bem? - Sim. Tudo bem.
Hoje quase perdia o autocarro.
Sabes quando corres e suas e o cabelo fica todo...
Então, vamos para casa?
Devíamos ir.
Devem sentir a minha falta na escola.
Até a Prof.a Crosby.
Pode até ser bom.
Podemos alindar o apartamento.
Posso pôr as coisas da mãe no quarto se for preciso espaço, por isso...
O quê?
Sabes que dia é amanhã, não sabes?
A feira. De luxo e encantadora. O grande evento.
Sempre vamos?
Claro que vamos.
Não estamos a sacudir a árvore das patacas?
A mungir a vaca da sorte,
a sacar o graveto, a respigar o bago.
Estamos, como se diz no ramo, a pilhar e saquear.
Fazemos aquilo que nascemos para fazer. Está-nos no sangue.
Somos vampiros. Somos abutres.
Somos piranhas assanhadas a esfolar um búfalo.
Somos barracudas.
Olá.
Abrimos a nossa grande bocarra
e todos os peixinhos entram a correr.
Ele está quase aqui.
Pode estar ao virar da esquina. Ou ali fora à porta.
E a grande questão é: "Quem será o próximo alvo?"
Sorte a tua, Emily,
tens o maior coelhinho do mundo para te proteger.
Pois, sim.
Credo!
É tal e qual a Kate Moss, só mais gorda e mais feia.
Queres ir fumar um cigarrinho lá fora?
- Pai, acho que ela está ocupada. - Cá vamos nós.
Ela vai pedir ao chefe para fazer uma pausa.
Vou sair para fumar um cigarro.
Ficas bem por uns minutos
se te comprar um gelado ou assim, não ficas?
- Pai, devíamos ir andando. - O quê?
Devíamos ir andando.
Não te rales, rapaz. Não vai demorar. Não demoro nada.
Vá lá.
- Pai. - O que é?
Olá.
- Tudo bem, meu? - Horas de ir andando.
Ai sim? Aonde vais?
Tem de sair.
- Certo. O que acabaste de lhe dizer? - O quê?
Ouve, eu entendo. Há meses que te empenhas
a tentar convidá-la para ir ao cinema,
a sonhar com um beijo ao fim da noite.
E um pouco de missionário às escuras no encontro n.o 346.
Até que surge o Bunny
e te dá cabo do programa.
- Está a falar de quê? - Que se lixe!
Estamos ocupados. Coisas a fazer, gente a encontrar.
Anda, rapaz. Vamos seguir.
Credo!
Aquele rapazola a dizer ao Bunny Munro o que fazer?
Ela devia queixar-se.
Falar com a administração.
Ela pode parar cinco minutos por hora.
Está no código do trabalho.
Que se lixe, meu puto. Estamos de volta ao jogo.
Porra!
Porra!
Porra!
Não olhes. Baixa só a cabeça.
Porcos dum raio.
Não apanham o Bunny Munro!
Mãe?
Vá lá.
Vá lá.
- Eternity Enterprises. - Geoffrey.
Bunny.
É bom ouvir-te, bwana. Recebeste o meu recado sobre o teu pai?
Sim, fui vê-lo.
- Ele está bem? - Está ótimo.
Então e tu e o Júnior?
- Onde estás? - Em Barnham.
- Porque não vens para casa? - Está tudo maluco?
Amanhã é o grande evento, tenho de me focar.
Dá-me alguns nomes.
Bunny, amigo, não tenho dicas em Barnham.
Que conversa é essa?
- Foste longe de mais, Bun. - Ouve, seu...
A polícia voltou a ligar?
- A polícia? Não. - Não me mintas.
- Estão em todo o lado. - Por favor, Bunny.
- Quero que voltes para casa. Já. - Porquê?
Porque és meu amigo...
...e eu adoro-te.
Eles estão aí, não estão? À escuta. Vai-te foder!
Eles ouviram isto?
Geoffrey.
Ouve, sei que estás em baixo, amigo.
Ela era boa pessoa.
Vai-te foder!
Vai-te foder!
Pronto, Bunny, meu puto.
Horas de vender a frio à antiga.
- O que disse o Geoffrey? - Quer que voltemos.
- Quando? - Agora.
E nós vamos?
Nem pensar. É só polícia por lá.
- Foi o que o Geoffrey disse? - Não, mas ele mente.
Como sabes?
Ouve só: ele disse que me adorava.
Pai.
- O que foi? - Boa tarde.
Chamo-me Bunny Munro, forneço produtos de beleza.
- Cremes para as mãos, pele... - Não quero.
- Não? - Não.
- Tenho loções... - Não, obrigada, já disse.
- ...antienvelhecimento. - Desande.
- Pois, limpe isto. - Desande.
- Desande. - Vá-se foder!
E que tal "vá-se foder"?
Então e você?
Vá-se foder!
Foda-se!
Foda-se!
Chamo-me Bunny Munro, forneço produtos de beleza.
Tenho loções hidratantes antienvelhecimento que amaciam a pele
e esfoliam as células para uma melhor aparência.
A pele desperta para o seu potencial.
Chamo-me Bunny Munro.
Vendo produtos de beleza apenas por marcação!
Chamo-me Bunny Munro.
Quer foder comigo?
Alguém que foda comigo, por favor!
Pai...
...tenho falado com a mãe.
O quê?
Acho que ela tem tomado conta de mim.
Certo. O quê?
Disse-lhe que fosse embora, e ela foi.
Sessenta e três.
Quero mesmo ir para casa agora.
Por favor.
Cinquenta e nove.
Por favor, pai.
Bingo!
Por favor, pai.
Que tal estou?
Bem.
Estou com um bom pressentimento.
Pai, esqueceste-te da tua mala.
Querida, olha para ti.
Tenho algo a confessar.
Não tenho dinheiro.
Lamento.
Chama-me Bunny.
Bunny?
És o meu Bunny.
Dá cá isso.
Deixa-me tirar-te isso.
Não queremos pôr fogo à casa, pois não?
Pronto.
Porra!
Grande porra!
Porra!
Porra!
Vá lá.
Vá lá.
Porra!
Vá lá.
Vá lá. Por favor.
Vá lá.
Porra!
Vá lá!
Porra!
Ora viva.
Mãe.
Desculpa ter perdido a enciclopédia.
Gostava mesmo dela.
Eu sei.
Estás triste?
Não, querido.
Só queria ver a tua cara ao dar-ta.
Lembras-te de quando soubemos onde os polvos têm os tomates?
Onde é?
Na cabeça.
É um mundo estranho e maravilhoso.
É?
Garanto-te que sim.
Lamento. Não fui suficientemente forte.
Mas tu és.
Tu és o mais forte.
Sabes que sim, não sabes?
Querido, o teu pai não te pode ajudar.
Ele está perdido.
Eu sei.
É muito triste, não é?
É.
Mas, ouve, tenho de te dizer algo muito importante.
Sim?
Aconteça o que acontecer, preciso que perseveres.
- Estás a perceber? - Sim.
Vai acontecer uma coisa má e queres que eu seja forte.
És muito fixe. Sabias?
Estou condenado.
OBRIGADO AO JOHN HILLCOAT PELA INSPIRAÇÃO PARA A IDEIA ORIGINAL.
OBRIGADO À SUSIE CAVE E À EQUIPA DO THE VAMPIRE'S WIFE
Legendas (português): Deluxe Media Tradução de: Rolando Melo
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