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ÚLTIMA HORA 'ASSASSINO DOS CHIFRES' CHEGA A WATFORD
Sonhei que tu tinhas saído durante a noite.
Mas olhei e não estavas aí.
Foi só um sonho.
Eu sei.
Desculpa.
Agora que o dizes, amigo,
também tive um sonho muito estranho.
- Ai sim? - Sim.
Mesmo muito estranho.
Sonhei que alguém me disse que detestava ser copiloto
e que queria ser vendedor.
Uma loucura.
O que é?
- Pai. - O que é?
Meu Deus, foi a sério!
Então, o que achas? Estás pronto?
- Já? - É tão boa altura como outra qualquer.
Está bem.
Sem lágrimas, pode ser?
Não parece bem.
"Por favor, pode comprar-me as coisas?"
Não ia parecer bem, pois não?
- Não. - Então, pronto.
O meu velhote negociava antiguidades.
Quando eu era pequeno, ele levava-me na carrinha dele,
identificava uma casa antiga degradada,
de uma velhota rica com montes de gatos nojentos.
E lá ia ele.
E, na verdade, antes de eu acabar sequer a minha sandes,
ele aparecia com um lindo toucador Rainha Anne.
Sim, ele tinha um dom, o meu velhote. O talento.
Ele ensinou-mo e agora eu vou passar-to.
Compreendes?
Está bem.
Credo!
Viste se o Hulk veio cá
dar-me uma sova a noite passada?
Está pronto, Sr. Vendedor?
Mais uma vez.
Dispomos de uma oferta
dos melhores cremes, loções e bálsamos.
E verá que este...
- E verá que este... colar... - Colágeno.
- Com elástico... - Rico em elastina.
Este creme rico em elastina irá tornar a sua pele mais macia
e fazê-la rejuvenescer.
- E se me esquecer? - Inventa.
Lembra-te, ela não está a comprar o produto, mas a ti.
E quem és tu?
Quem diabo és tu?
- Sou o Bunny Munro. - É que é tal e qual.
- Diz outra vez. - Sou o Bunny Munro!
Sou o Bunny Munro!
BASEADO NO ROMANCE DE NICK CAVE
A MORTE DE BUNNY MUNRO
Este creme com "colangeno"...
PARTE TRÊS GARANHÃO
...e rico em elastina
irá aumentar a hidratação
até 300%.
Mas...
...acho que não precisa.
Na verdade, pai, acho que nos enganámos na casa.
Pronto, não consigo resistir. Leva o meu dinheiro.
A sério?
Até veneno te compraria, seu giraço.
Fico com dois frascos.
- Está bem. - Sabes que mais?
Presenciar isto, um pai e o seu filho...
Mexe comigo, sabe? Bem aqui.
Onde?
Ora bem, amigo.
Porque não esperas lá fora
enquanto eu trato da papelada?
Está bem, pai. Muito prazer.
Bom trabalho, amigo.
Obrigado, pai.
Meu Deus!
Tão giro.
É o teu pai que está em minha casa?
Somos vendedores.
Ele está a dar-lhe uma.
Ele é o melhor vendedor do mundo.
Era capaz de vender a tua bicicleta a uma barracuda.
A uma quê?
É um peixe predador.
Tem as mandíbulas armadas com centenas de dentes afiados.
Ela ouve-se a quilómetros.
Parece uma galinha a ser esganada.
A minha mãe morreu.
Oxalá a minha morresse.
- Tudo bem, Tony? - Olá, terrível.
Raios me partam!
- Aquele é o teu pai? - É o Tony.
Namora com a minha mãe.
- Como é ele? - É porreiro, acho eu.
Donna! Mas que raio?
- O meu pai comprou-me isto. - A bicicleta?
Não, só a campainha.
É muito fixe.
- Achas? - Sim, é excelente.
Júnior!
Júnior, entra no carro.
Olá.
- Então, adeus. - Adeus.
Aonde vais?
Pronto.
Parece animado.
Vá lá!
- Está tudo bem, pai? - Sim.
Está tudo ótimo, meu rapaz.
Parto-te isso tudo!
Porra!
Digo-te, meu puto,
não há nada como limpar a tubaria logo de manhã.
Quem era a tua amiga?
- Ela apareceu e meteu conversa. - Certo.
- Gostou de ti? Muito bem. - Pai.
Mas gostou. Eu sei. Tinha um brilho nos olhos.
- Sim? - Sim.
Topo-o a léguas, meu puto.
Talvez lhe devesse dar uma.
Um dia, Bunny.
Um dia.
- Aonde vamos a seguir? - Não sei. Vê a lista.
Eu não a tenho.
Como é que não a tens?
- Tu é que a tinhas. - Onde é que a pus?
Não sei.
Devo-a ter deixado por lá.
Porra!
- Precisamos dela? - Não somos vendedores?
- Sim. - Como raio vamos ser vendedores
sem clientes?
Voltamos para a ir buscar?
Vou ensinar-te a primeira regra da arte de vender.
Não. Que se lixe. A primeira regra de ser um homem. Nunca voltar atrás.
O que vamos fazer?
Para de bater com os pés. Eu resolvo.
Bom dia.
Não.
Pai, é a assistente social da casa.
Ora porra!
Fazemos assim, meu puto.
Porque não vais ali ao lado buscar umas guloseimas?
Senta-te lá fora. O tempo está bom para se estar fechado.
- Obrigado. - Lindo menino.
Muito bem.
Certo.
Então, e agora?
- Chamo a polícia. - A polícia?
Vá lá. Que raio de conversa é essa?
Já deu entrada um pedido de proteção de menor, segundo a secção 20,
- quando fugiu. - Um quê? Não fugimos.
Agora, é um processo de pessoa desaparecida.
- E a polícia anda à sua procura. - Ele não está desaparecido.
Está aqui comigo.
Pare. Ouça. A mãe dele acaba de morrer em circunstâncias trágicas.
Mal lhe posso explicar o efeito que teve nele.
É uma tragédia.
Neste momento, aquele rapaz precisa do pai.
- Não faça isso. - O que está a fazer?
Sabe que há um telefone público ali abaixo?
Quando lá chegar, já teremos partido.
Não a pode abrir até acabar o programa.
Porra!
Sim.
- Ele é só uma criança, Sr. Munro. - É o meu filho.
Estou só a ensinar-lhe o ofício.
Lamento pela sua esposa, Sr. Munro,
mas isto é o melhor para o Bunny Júnior.
Espero que um dia compreenda.
O que vai fazer?
Estás pronto, miúdo? Vamos. Mexe-te.
Vamos.
Lindo menino.
- Eu dei-te uma lista. - Eu sei.
- Preciso de uma nova. - Eram boas dicas.
Dá-me mais algumas.
Não posso continuar a dá-las sempre que alguém perde uma lista.
Eu não a perdi.
- Então, o que lhe aconteceu? - Cruzes!
Já ouviste falar em imponderáveis?
- O que quer isso dizer? - Que não tive culpa.
Geoffrey, vou entrar no carro,
passar no escritório e obter a lista.
Eu não faria isso, amigo.
Esteve cá a polícia a perguntar por ti.
É melhor resguardares-te um pouco, Bun.
O quê? Porquê?
Aquela mulher ligou-lhes. A tal que lhe faltava dinheiro.
E o que lhes disseste?
Que não sabia de ti.
Disseste-lhes que eu não o roubei?
Disseste-lhes que eu não o faria?
Geoffrey?
Geoffrey?
Disse-lhes que não sabia de ti.
Cum catano!
Vamos voltar ao escritório, pai?
Não.
- Mas não precisamos doutra lista? - Sim.
Então, como...
Segunda regra de ser um homem.
Ter pelo menos um amigo que nunca nos falhe.
Ajuda se ele nos achar um suprassumo.
Não subas muito a fasquia.
Olá, seu porcalhão.
Tudo bem, Poodle? Eu só...
Agora não posso atender,
se deixares uma mensagem após o sinal, eu logo apito.
Eu sei onde ele está.
Vamos ao bar.
Ao bar?
Fixe.
- Tudo bem, Bun? - Tudo bem, querida?
Poodle?
- Gaz, o Poodle já cá esteve? - Não o vi.
Anda cá, Júnior. Senta-te. Enquanto esperamos, bebe-se uma de giz.
Está bem.
Um uísque grande e uma Coca-Cola.
Uma Coca-Cola.
Despacha-te, Bun. Bem sabes que o teu filho não devia estar aqui.
Sim. Eu sei.
Não há aulas hoje?
O que estás a fazer?
Pai,
quando vamos para casa?
Queres ser um vendedor de topo?
Sim, claro.
Os vendedores de topo devem ser como tubarões.
Impiedosos, eficientes, letais.
Está bem.
Sabes o que acontece a um tubarão se parar?
O quê?
Ele sufoca.
Raios me partam, os rapazes!
Olá, Poodle.
Tudo bem, Poodle?
Credo, Poo! Estás a fumegar.
Olá, Poodle.
O que fazes aqui, pequenote?
Tomo uma de giz.
Tu és demais, amiguinho.
Pensei que estavas ocupado para beber um copo com o teu amigo.
Ora, nunca demasiado ocupado para o meu amigo Poo.
É bom ver-te.
Gary, um par de uísques e outra Coca-Cola.
Sim, levo já.
Um aplauso para...
Não vou mentir, tenho andado muito ocupado de roda da minha lista.
Sim? Ocupado mesmo ou ocupado a foder?
Gosto de me esmerar pelas minhas clientes.
Pois.
Eu sei. É claro que sei.
O quê? Estás bem?
Claro que sim.
Beber uns copos com a malta.
Que mais posso pedir?
Pai.
Muito bem. Escuta...
Tenho de ir fazer chichi, pai.
Sim, vai lá. É ali.
As coisas têm-me corrido de feição, Poo.
Consegui dar conta da minha lista.
Portanto, ia pedir-te
se porventura me poderias...
A sério que estás bem?
Anda lá.
O que estás a fazer, Poo?
Poodle, preciso de falar contigo.
Continua.
Caraças! Poo!
Tudo bem, Bunny? Até mais logo.
Certo, querida, até logo.
Vá lá, querida.
Sim!
Poodle.
É estranho, não é?
Não tens de entender, sabes?
Não faz mal ser-se um menino
que gosta de naves espaciais e escaravelhos.
Vá lá. Sim.
- Poodle. Sai lá da frente. - Vai-te foder.
Senta-te, parvalhão!
Sai da frente!
Poo.
Baixa isso tudo.
Por favor. Continua.
Mexe esse rabo!
Levem o idiota lá para fora.
Sai da frente!
- Mostra-me a tua rata. - Poodle.
Mostra-ma!
Tudo bem, Gaz. Ele já está pingado.
Afasta-te, sim?
Vá lá! Mostra-me!
- Que se lixe. - Mostra-me.
- Poo. - Tarado!
Acalmem-se, já!
Estupor!
Vai-te foder!
Queres rata? Aqui tens!
Anda cá.
- Anda cá. - Vai-te foder!
Qual é o teu problema? Peçamos outro copo.
Desculpe.
Este é o seu quarto?
Não faz mal.
Estás cá com o teu pai?
Credo!
Não gostaste da feira?
Não sou um miúdo.
Está bem, amigo.
Somos vendedores, em viagem.
Partimos em breve.
Muito bem. Um trabalhador, é isso?
Então, não queres nada disto.
Vá lá, Poo. O que tens tu?
Ela foi-se.
Que conversa é essa? Quem é que se foi?
A Annie. A minha Annie.
Ela pirou-se, Bun. É como...
És meu amigo, não és?
Sim. Claro.
É como se ela o tivesse levado.
De repente, foi-se.
Não consigo vender nada. Não consigo foder. Não consigo...
Já não funciona.
Tudo bem.
Não entres em pânico. Está bem?
É daquelas coisas.
Acontece a todos.
Já te aconteceu?
Não.
Mas já aconteceu a conhecidos meus.
Referes-te a mim?
Sim.
Não te rales, Poo, aqui o Bun resolve.
Serves aí mais um copo, Gary?
Estás bem?
Sim.
Vou andando.
O meu pai deve querer saber de mim.
De volta ao trabalho?
Trabalhador.
Na verdade...
...pode dar-me algumas?
Leva.
Obrigado.
Boa sorte.
Igualmente.
Vai ficar tudo bem.
Obrigado, Bunny.
É bom ver-te, amigo.
A ti também.
Sim?
Sim.
Mas não vim cá só para te cumprimentar.
Na verdade, preciso de um favor.
Que favor?
Olha, na verdade, estou com um pequeno problema.
Fui apanhado desprevenido. Sabes como é.
E perdi a minha lista.
Queria pedir-te um par de nomes da tua,
mas, não estando tu nessa onda,
talvez eu pudesse ficar com ela toda.
O que dizes?
Vieste por isso?
Vieste ver-me por isso?
Porra... Sim.
Sem ofensa, Poo,
mas achas que tenho tempo
para os teus lamentos?
A culpa é tua.
De quê?
Tu fodeste-a.
A seguir ao velório.
- Quem? - A Annie.
- Fodi? - Por favor.
Poodle, o que importa isso?
Poo! Larga-me!
O que é que tu... Mas que...
Larga-me.
Põe-te no...
És um idiota, Bunny.
Um verdadeiro idiota chapado.
Fui o teu melhor amigo anos a fio e adoro-te.
Mas tu não ligas a ninguém que não seja o raio do Bunny Munro.
Não admira que ela se tenha matado!
Ela tinha uma enfermidade. Tu sabias. Todos sabiam. Ela estava doente.
Nem eu nem ninguém podíamos fazer nada.
Não tive culpa. Nada disto foi culpa minha.
Para reteres uma dama mais de dois minutos,
podias tentar não ser um falhado.
Perdeste-a?
Perdeste o quê? Nunca a tiveste!
És um part-timer, um perdedor.
E, se a tua dama era tão especial,
porque nem me lembro de a foder?
Poodle.
Poodle.
Poodle.
Pai?
Poodle.
- Poodle. - Quero que peças desculpa.
Poodle.
- Pede desculpa. - Poodle.
Pede desculpa.
E depois dás-me a lista?
Bun...
Não! Poodle!
Poodle?
Poodle, amigo?
Raios partam!
Está tudo bem, amigo. Está tudo bem.
Chamei a polícia. A minha esposa está a chamar uma ambulância.
- Está tudo bem. - A polícia?
Sim. Reparou na matrícula?
Já vem aí socorro. Esteja o mais quieto possível.
Espere, aonde é que vai?
Não pode ir-se assim embora.
Amigo!
Aonde vai?
Não pode ir-se embora!
Legendas (português): Deluxe Media Tradução de: Rolando Melo
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