All language subtitles for The Shards - 1x09 - Episode 9.WEB.playWEB.pt

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Original subtitles

Esta história é fictícia.

Qualquer semelhança com pessoas reais é mera coincidência.

Uma das formas mais íntimas de matar alguém

é empurrando-o de uma grande altura.

A velocidade terminal refere-se à velocidade máxima

que um corpo humano em queda pode atingir no ar.

Demora cerca de 12 segundos a atingir essa velocidade.

O Terry nem sequer chegou perto antes de colidir

com o soalho de madeira da entrada dos Schaffer.

Olhando para trás, para aquele semestre de outono do último ano,

não faltaram acontecimentos traumatizantes.

O assassino em série ou vários assassinos que aterrorizavam a nossa escola,

a desintegração do nosso grupo de amigos

e as mortes prematuras de adolescentes que não deviam ter morrido.

Mas, até hoje, as duas perguntas que mais me intrigam

e perturbam são:

Quem empurrou Terry Schaffer daquele corrimão da escadaria?

E porquê?

Muitos presumiram que tinha sido eu.

O Terry tinha-me traído.

Não só se tinha aproveitado de mim

no Hotel Beverly Hills, como eu acreditava, na altura,

e continuo a acreditar, que nos filmara como uma espécie de seguro perverso.

A verdade é que, na noite da festa da Noite das Bruxas da Debbie

quase toda a gente tinha motivos para querer o Terry morto.

O Steven trabalhara lealmente para o Terry durante uma década.

E o Terry retribuíra humilhando-o regularmente

e sabotando os seus esforços para produzir um filme.

A Liz suportara anos das infidelidades do Terry

e das mentiras descaradas sobre a sua sexualidade.

Durante todo esse tempo, algo de malévolo crescia dentro dela.

E o período de latência terminara finalmente.

Depois havia a Debbie.

A menina do papá perdera a confiança no único homem em quem confiara.

A sua raiva era agravada por uma dor profunda...

... quase biológica.

A Susan desprezava o Terry por arruinar a vida da Debbie

e odiava-o ainda mais por tentar arruinar a minha.

Mais tarde, descobri que a Susan sabia da minha vergonha secreta.

O Thom andava cada vez mais violento e imprevisível, naquele ano.

E alimentava um profundo ressentimento contra o seu pai.

Ou qualquer figura paterna.

E, claro, havia o Robert, um conhecido psicopata.

As circunstâncias da morte da mãe

eram assustadoramente semelhantes à queda do Terry.

Quando o olhei nos olhos naquela matiné do The Shining,

soube que tinha a capacidade e o desejo de cometer males indescritíveis.

Todos fantasiávamos com fazer mal ao Terry.

Mas só um de nós era realmente capaz de o fazer.

ESTILHAÇOS

Eu sei... Ele arrancou-te um cabelo da cabeça.

Foi bárbaro.

Mas estou a perceber que tu, Polanski...

A equipa de sonho. Funciona.

Vocês são uma combinação mágica.

Larga o telefone.

Estou a falar com a Faye Dunaway. Dá-me um minuto.

Que se foda a Faye Dunaway.

Eu disse para desligares já.

É importante.

Faye, posso ligar-lhe depois?

Cinco minutos. Está bem, adeus.

O que foi?

De repente, estamos numa alhada, Terry.

Porque me chamaste isso?

- Sou o papá. - Já não és.

Ou melhor, já não sou a menina do papá.

Sempre soube que este dia chegaria.

Estás grávida. Não faz mal.

- Podemos tratar disso. - Não estou grávida.

Pratico o coito interrompido desde os 16 anos.

Não, não. Não digas isso.

Não fales assim comigo.

Não te eduquei para falares assim.

Descobri algumas coisas sobre ti.

O que queres dizer com isso?

Pensa bem no que posso saber.

Qual é a pior coisa que eu podia descobrir sobre ti?

Bem...

... finalmente.

Sempre suspeitei.

Finalmente descobri.

O que descobriste?

Estás a ameaçar-me?

Digamos que chegaram à minha secretária

cor-de-rosa de princesa informações que podem muito bem ser a tua ruína.

Posso dizer à mamã.

Posso ligar para o estúdio.

Posso contactar a imprensa, mas decidi que não o farei.

Se, a partir de hoje, me deres exatamente o que quero. Aquilo a que tenho direito.

Para. Para já.

Ou o quê? Castigas-me?

Alguma vez resultou? Eu escapulia-me sempre.

Ficava ressentida contigo quando te zangavas comigo.

Sempre que perdia um concurso ou uma partida de Monopólio,

dizias-me: "Debbie, és igual à tua mãe."

Isso queria dizer "perdedora".

Odiava-te por isso.

Mas a verdade é que sou mais parecida contigo do que com ela.

- Sempre fui. - Não és nada parecida comigo.

Tal como tu, papá, sou uma assassina.

Herdei essa tua qualidade.

Não gosto do meu carro.

Quero um Ferrari.

Não quero ir para a faculdade.

Quero ser uma estrela

e vais arranjar-me uma prova de imagem

e conseguir-me o papel que me lançará.

- Fui clara? - Não tens talento.

Mas tenho informações.

Agora sei uma coisa que a mamã nunca conseguiria provar.

Olha-me nos olhos.

Sabes que agora finalmente sei.

Este é apenas o início de uma longa lista de pedidos que te vou fazer.

Boa conversa.

Bons tempos.

O que é? O que sabes?

Diz-me. Já!

Tira as mãos de cima de mim.

Não queres estragar o teu troféu mais brilhante, pois não?

Eu sei.

E vou contar.

Pode desaparecer tudo numa nuvem de fumo

e esse é o teu maior medo, não é?

Não imaginas como é maravilhoso

ganhar finalmente.

Finalmente conseguir, no fim de tudo, o que quero.

Como estás?

Estou atrasada para o ténis com a Debbie.

Querias falar sobre o quê?

Fiz merda.

Eu sei.

- Fui muito intenso. - Ameaçaste-me com uma faca.

Na semana em que encontraram a cabeça de um colega na vitrina dos troféus.

Escolhi a semana errada para ameaçar a minha namorada com uma faca.

Thom, não tem piada.

Já agora, há alguma ligação?

Entre a tua obsessão por facas e o que aconteceu ao Matt?

A minha obsessão por facas?

De que estás a falar?

Ultimamente, pareces outra pessoa.

- Nem te conheço. - Não me conheces?

Eu conheço-te.

Sei que estás assustada.

Sei que precisas de alguém que te proteja.

Foi o que disseste.

Há miúdos a morrer.

Não estamos seguros em LA. Estamos rodeados de gente muito má.

Como o Robert.

Há algo de muito errado com ele, não achas?

Não, Thom, não acho.

Nunca vi o Robert fazer algo tão perturbador

como ameaçar cortar os pulsos com uma faca de carne.

Linha de Apoio ao Suicídio Juvenil 1-800-188-HOPE

O que é isso?

Falei sobre ti à orientadora da escola.

Ela disse que, hoje em dia, é muito difícil ser adolescente

com toda a pressão das candidaturas à faculdade e do divórcio.

E as coisas com o teu pai.

Falaste com alguém sobre o meu pai?

Não devias ter feito isso, Susan. Não devias mesmo.

- Estás a perceber? - Isso.

Esse olhar é precisamente o que me faz pensar do que és capaz.

Tenho tanto por que viver.

Tu.

A nossa família, o nosso futuro.

Tu...

Thom, o que estás a fazer?

Su...

Thom, preciso que te sentes.

Susan Marie Reynolds.

Quero proteger-te.

Eu...

Quero casar contigo.

Quero ter-te nos meus braços até adormeceres.

E, quando adormeceres, ficarei acordado a abraçar-te toda a noite.

É a única forma de ter a certeza de que estás segura.

Thom, o que fazes no chão? A Susan perdeu um brinco?

Estamos atrasadas para o ténis e tenho de ir a casa para trocar de mala.

Por isso, vamos.

Pensa nisso.

Que merda foi aquela?

O Thom a lembrar-me porque acabei com ele.

Meu Deus, os nossos namorados são péssimos.

- Ex-namorado. - Não interessa.

É o último ano. Não há desculpa para não te divertires.

Sobretudo na semana da Noite das Bruxas. É o meu feriado favorito.

Tens razão. Precisamos todos de uma distração,

mas a polícia cancelou tudo por causa do A Traineira.

Para meu alívio, os crimes brutais do A Traineira

tinham finalmente penetrado no imaginário dos meus amigos.

... estão aterrorizados com um assassino em série conhecido como A Traineira,

que faz estudantes de um colégio de elite do San Fernando Valley os seus alvos.

Já ninguém me via como uma Cassandra louca a lançar avisos em vão.

Agora todos tinham medo.

A vaga de homicídios do A Traineira tinha sido notícia nacional.

O elevado perfil público do assassino parecia

agradá-lo e talvez excitá-lo.

Parecia que ele gostava da atenção e cedo começou a procurá-la diretamente.

Numa carta recebida pela redação do Los Angeles Times,

um indivíduo que se identificava como A Traineira

fez ameaças concretas e credíveis.

O comunicado promete, passo a citar: "matar todas as criancinhas

fantasiadas que forem pedir doces."

Nessa altura, eu já dissera repetidamente à polícia

que o responsável era o Robert.

Porque escondiam a identidade do A Traineira?

Que influências teria usado a família rica e bem relacionada do Robert?

Já escapara impune a um homicídio em Chicago.

Estava mais decidido do que nunca a não o deixar escapar outra vez.

Sabia o segredo do Robert.

O problema é

que ele também sabia o meu.

Queria confrontá-lo na Noite das Bruxas.

Desta vez, não me deixaria seduzir pelo seu charme.

Nem dominar pelo meu desejo.

Íamos a uma festa numa casa segura,

mas sabia que nenhum de nós estaria seguro até o Robert Mallory

sair das nossas vidas para sempre.

De certeza que, agora, já adivinham quem organizou a festa.

A polícia pode cancelar o desfile da Noite das Bruxas de West Hollywood,

mas não me pode impedir de dar uma festa.

Vai ser a festa das festas. Sem olhar a despesas.

Tenho uma ideia para o tema, a Área 54.

O quê?

Como o Studio 54, mas no espaço.

Acho que temos de evitar o kitsch. Não achas, Susan?

O Studio 54 já passou de moda há meses.

Esta festa tem de ter outro nível. Tem de ser adulto.

Estamos atrasadíssimas para o ténis.

Reservei o dia inteiro.

Ou melhor, o meu pai reservou.

Meu Deus, tens o teu pai na palma da mão.

Nem fazes ideia.

Podemos aparecer quando quisermos ou não aparecer.

Já está pago.

Não posso levar uma mala lilás com a roupa branca de ténis.

O clube pode aceitar judeus. Mas isso não aceita.

Liz?

Às vezes, ela dorme aqui. Diz que é a única cama da casa

onde o Terry não lhe mentiu com o corpo.

Liz, acorda.

Liz?

Como está ela?

O Dr. Stone está com ela.

Nunca vi a Debbie assim.

Histérica e depois...

... terrivelmente calma.

Tentei...

Tentei confortá-la, mas ela...

Ela afastou-me.

A minha própria filha afastou-me.

Acho que mereço isso.

Ela está em boas mãos.

A...

A cabeça do cavalo?

A polícia procurou impressões digitais e não encontrou nada.

Eu limpei a confusão.

Como sempre.

Steven, quem poderia ter feito isto?

Algo cruel e violento.

E como pode alguém entrar em nossa casa sem ser visto?

Liz, o alarme nem estava ligado.

Não te queria dizer isto, mas o estábulo

estava um pesadelo.

- O Spirit foi esfaqueado repetidamente... - Não.

... decapitado e faltam-lhe os cascos.

Mais uma vez, não há impressões digitais no local do crime.

Mas parece pessoal, não parece?

- Estranhamente pessoal. - Steven, posso dizer-te uma coisa?

Sempre.

Nos últimos cinco anos, o Terry apenas se queixou da porra do cavalo.

Do custo da estabulação e da despesa que dava.

Estás a dizer que foi o Terry?

Tens provas?

Steven, sabes isto sobre o Terry.

O Terry faz coisas.

Coisas más.

E sai sempre impune.

A Debbie está a descansar.

Dei-lhe uma injeção de Darvon e vai dormir até de manhã.

Muito obrigado, Dr. Stone.

Deixe-me acompanhá-lo à porta.

Espere, Dr. Stone.

Já que está aqui, posso falar consigo?

Em privado.

Vou deixar-vos a sós.

Dr. Stone, o Klonopin que me receitou tem defeito.

Defeito?

Sim, está estragado. Não funciona.

Preciso de uma receita mais forte.

Liz, se o Klonopin não funciona, é porque já funcionou bem demais.

Tem de o deixar gradualmente.

Porque está tão nervosa?

Diga-me.

O meu marido é homossexual.

A minha filha odeia-me.

Há um assassino em série atrás dos famosos.

Pode dar-me uma injeção do que deu à Debbie?

Corta!

O que aconteceu, Mark?

Tens cinco minutos.

Parece-me uma troca justa.

O auge da minha vida por cinco minutos da tua.

Está bem, dez. O que queres?

O que quero...

... é ser claro.

As coisas estão a mudar rapidamente entre nós.

Quando me conheceste a servir café

no café da Paramount, eu tinha acabado de chegar

de San Diego com uma atitude positiva

e uma grande visão para tomar conta da cidade.

Ficaste fascinado pela minha prontidão quando fui buscar o teu pedido.

Quando perguntei se podia trabalhar para ti,

adorei o sonho de Hollywood que se desenrolava diante dos meus olhos.

Mas deixou de parecer um sonho há muito tempo.

Queres um aumento?

Acho que, passados 12 anos, devia querer mais do que um aumento.

Não.

Quero produzir contigo.

- Desculpa? - Quero ser teu sócio de produção.

Está bem.

Ouve, vou ser sincero contigo.

Todo esse visual com o eyeliner, o cabelo, a roupa...

Como se chama este visual?

- Nova Era. - Certo.

Steven, pareces uma prostituta executiva numa nave espacial.

Se achas que te levo assim a uma reunião com o Barry Diller

ou o Lew Wasserman, não percebes nada de Hollywood

nem de como esta cidade funciona. E é mais profundo do que a roupa.

Olha-te ao espelho, Terrence Levi Schaffer.

Também não és propriamente o Clint Eastwood.

E, já agora, metade do teu sucesso deve-se a mim.

Quando foi a última vez que leste um guião?

Sou eu que te encubro e faço o trabalho sujo.

- Não és nenhum anjo. - Sabes o que quero dizer.

Não passas de uma marioneta com a minha mão enfiada no teu rabo.

Não abres a tua boca há anos.

Todas as tuas opiniões sobre o que é bom,

o que é mau, o que é comercial, quem é maleável...

Sou sempre eu, querido.

Continuas a não passar de um moço de recados, Steven.

Não me provoques.

Estiveste a isto de ser despedido. Tens noção disso?

Quero produzir o Less Than Zero contigo.

A Liz está sempre a falar do filme.

Porque estão todos tão empenhados num guião de um adolescente?

É um sucesso.

Confia em mim.

Vou facilitar-te a vida.

Não tens de fazer nada.

Dá-me a minha oportunidade.

Uma oportunidade.

E se falhar, nunca mais tens de produzir comigo.

Por mais tentador que isso seja,

a resposta é não.

Mais uma coisa.

Vai buscar as minhas calças à lavandaria antes que feche.

Charles.

Está na hora de mais Bain de Soleil.

Podes levantar o fato e aplicar por baixo.

Os raios de sol penetram o tecido.

Esfrega bem.

Já chega de diversão. Obrigada, Charles.

Quem era?

O meu mordomo bronzeador.

É absurdo nunca ter tido um.

Não acredito que o teu pai te deixa fazer isso.

É por causa do que aconteceu ao Spirit?

Aprendi, infelizmente, nesta idade,

que há sempre uma altura em que temos de desistir dos sonhos de infância.

O meu pai também tem uma nova devoção financeira para comigo

por razões que prefiro não revelar neste momento.

É bom ver-te.

Já há muito que não temos tido tempo para nós.

Porquê?

Tenho andado ocupado.

E as pessoas à nossa volta estão sempre a ser assassinadas.

Isso é verdade.

Vá lá, entra na água!

Anda cá.

O que se passa?

Nada.

Nada.

Estás mole.

Sou mais que atraente. Devias estar duro como uma rocha, Bret.

E estaria, se parasses de me pressionar tanto.

É difícil manter uma ereção enquanto se está a nadar.

É um facto científico.

Andas com outra pessoa?

Sê sincero comigo.

Eu devia acabar contigo. Devia mesmo.

Amo-te. Sabes como me excitas.

Não sei.

Sei muitas coisas.

O que significa isso?

Significa que...

Não me vou conter mais.

Estou farta de ser contida.

Estou pronta para apostar tudo.

E tu tens de escolher.

Estás do meu lado ou não?

Sabes que quero que fiquemos juntos.

Está bem.

Nesse caso, preciso da tua ajuda.

O baile é daqui a sete meses.

Vou vencer a Susan e ser rainha do baile

e vou confiar em ti como escritor para gerir a campanha.

O papá vai pagar.

Confia em mim, o papá vai pagar.

E juntos, alcançaremos a vitória.

- Quero isto. Entendido? - Sim. Certo. Entendido.

Também quero que me fodas todas as sextas e sábados à noite

e nada de te vires na minha barriga.

Tem de terminar dentro de mim

e eu inspecionar-me-ei depois para garantir que o fizeste.

Percebeste?

Charles. Toalha.

Naquele momento,

senti o suor a escorrer-me pela cara,

cada gota cheia de vergonha e pânico.

O que sabia a Debbie?

E quem lhe contou?

Ao contrário da Debbie Schaffer, a Susan Reynolds sempre foi boa rapariga.

Tirou 20 a tudo.

Foi a primeira do nosso círculo a saber o que é protetor solar.

A sua fachada perfeita começava a estilhaçar-se

apenas dois meses após o início do último ano.

Observei isto de longe

e magoou-me muito esta distância recente.

Lamento imenso.

Ninguém devia passar por uma coisa daquelas,

uma cabeça de cavalo numa cama.

Quem achas que foi?

Não sei.

Mas senti que estava num filme de terror

como os que o Bret me arrastava para ir ver.

Nem gosto desses filmes.

Gosto de histórias de amor.

Eu também.

Antes era comigo que ela desabafava.

Mas já não.

Agora virou-se para o Robert Mallory.

Só anos depois, após todas as mortes e tragédias,

soube como o Robert conquistou a confiança dela.

O Thom não é o mesmo.

Ele mudou. Ele está...

Errático.

Sim.

- Sim. - Sim.

Uma vez, quando estávamos bêbedos, ele disse-me:

"Susan, se eu não te posso ter, mais ninguém pode."

Tu não és uma propriedade.

Eu sei.

Sim e o Bret é...

O Bret é...

Ele está diferente. Sinto que não posso confiar nele.

Porque não?

Não sei porque te estou a dizer isto,

mas nos estábulos,

antes de as aulas começarem,

o Bret disse que o Spirit era estúpido.

Odiava o cavalo.

Tinha ciúmes?

Sim.

A teia que o Robert Mallory criou com a Susan,

algo que descobri a tempo,

baseou-se numa regra de manipulação que só um sociopata saberia aos 18 anos.

Nunca exijas.

Nunca forces demasiado.

Deixa que venham ter contigo.

Deixa sempre que venham ter contigo primeiro.

Sim. Um pouco...

Susan, custa-me dizer isto,

mas acho que tens de admitir que talvez tenhas ultrapassado os teus amigos.

Mas eu adoro-os.

As pessoas mudam, sabes?

E este é o tipo de altura em que começa a acontecer.

- O Bret odeia-me. Eu sei. - Sim.

Está com ciúmes ou assim.

E eu e o Thom temos... Uma relação complicada.

Porque é complicada?

Porque estamos apaixonados pela mesma rapariga.

Não nos devemos precipitar. Temos de manter a calma.

Sei que não queres magoar ninguém e eu também não.

Mas o futuro é brilhante.

Está mesmo no horizonte, à nossa espera.

Se ambos quisermos.

Naquela noite fatídica,

antes do acontecimento mais aterrador da sua vida,

a Susan Reynolds foi para a cama a sentir o que não sentia há meses.

Paz.

E depois essa sensação de segurança foi destruída.

Estou?

Deixa-me entrar, deixa-me entrar! Vá!

É o Thom!

Thom?

Olá. Olá. Olá. Está tudo bem, está tudo bem

- Está tudo bem. - Não!

Estava preocupado contigo. Estava a observar-te lá de fora e vi-o.

Vi-o a atacar-te, por isso entrei, corri e lutei com ele.

Lutei com ele. Eu afastei-o.

O que aconteceu?

Eu empurrei-o. Empurrei-o da varanda.

Onde está ele?

Não sei.

A Debbie tinha convencido o pai

a dar a festa da Noite das Bruxas mais épica de sempre.

O tema do evento era o Unmasked que era irónico,

porque, no final da noite,

muitos dos nossos segredos iriam ser revelados.

A Debbie exigiu que fôssemos todos sem máscara e de traje de gala.

Por isso, aluguei um.

Lembro-me do vazio cavernoso da minha casa, nessa tarde.

Foi a primeira vez, desde criança,

que me lembro de ter saudades do meu pai.

O meu pai atava-me os laços para os bailes da escola.

Até hoje, não domino essa técnica.

Estava ali, no meu quarto,

a horas da minha primeira festa formal para adultos.

Nunca me senti tão velho.

Também nunca me senti tão vulnerável.

Pedir doces com o grupo, no sexto ano,

parecia um sonho de uma vida passada.

Doçura ou travessura!

Tive saudades de um tempo e lugar que já não existiam.

E que nunca mais existiriam.

Só há uma coisa que não percebo.

Como conseguiste despir o disfarce de assassino tão depressa?

Como podes dizer isso?

Não fui eu. Eu salvei-te.

Sei que foste tu, Thom.

E não contei a ninguém porque tenho tentado proteger-te.

Mesmo agora.

Mas, esta noite, isso acaba.

Sei que foste tu, Steven.

Sei que foste tu que me filmaste.

Doçura ou travessura, docinho.

O que dizes a um mergulho rápido no jacúzi no dojo?

Nunca digo que não a um jacúzi.

Quero dizer...

Desculpa.

Sei que adoravas aquele cavalo.

Entendo o que significava para ti.

E prometo que vamos descobrir quem lhe fez aquilo.

Todos sabemos que foi o papá.

Ou a seguradora.

O papá é muito mais sombrio do que pensas.

Também quero pedir desculpa.

Agora compreendo tudo o que passaste

ao longo dos anos.

Como deve ter sido difícil guardar tantos segredos.

Tens o cabelo molhado.

- Estiveste no jacúzi? - Sim.

Foi tudo muito... esclarecedor.

Instrutivo.

Deixa-me ajudar-te.

Acho que devíamos falar...

... sobre o que aconteceu entre nós.

O que aconteceu entre nós?

Tu sabes...

... tu vieste cá.

De que raio estás a falar?

Céus. Tão cliché.

Um heterossexual que finge que nunca aconteceu.

Está bem, meu.

Nunca estiveste na minha cama, assim como não foste ver o The Shining.

Estás obcecado por mim e estou farto disso.

Quem quer saber se vi um filme há um ano?

Eu quero, Robert.

- E a Katherine Latchford também. - Quem?

A rapariga com quem o viste e que depois assassinaste.

Encontrei-me com a tua tia. Ela contou-me.

A minha tia? A tia Abby? É uma alcoólica depressiva.

Pediu para se encontrar comigo e contou-me tudo.

Estavas no The Shining nesse dia. Ela disse que eras perigoso.

Disse que eras um psicopata.

Tudo o que suspeitava sobre ti, Robert, acabou por ser verdade.

Tudo.

Mataste a Katherine Latchford, o Matt Kellner,

a tua mãe e, provavelmente, muitos outros.

A minha tia mal consegue descontar os cheques da pensão.

Ouve. Bret,

sinto empatia por ti.

Estás a debater-te com a tua sexualidade.

E pelo que li, o Morte em Veneza e outros

são uma merda da pesada.

Tenho pena de ti.

A sério.

Tens de ultrapassar essa paixoneta que tens por mim.

Espero que encontres alguém. A sério.

E agora que tenho a Susan, sei como é importante.

Sabes, o amor.

De que estás a falar?

Eu e a Susan estamos juntos.

Ela está comigo.

Não com o Thom nem contigo.

Tretas.

Isso são tretas. Isso...

Não vou deixar que isso aconteça. A Susan nunca será tua.

- Morro antes de o permitir. - Prometes?

Sabes que mais, Robert? Devias saber que acabou.

Acabou.

Tenho uma reunião com os detetives amanhã,

para contar tudo o que sei sobre ti.

A história da Katherine Latchford.

Tudo.

Parabéns.

Vais juntar-te ao Ted Bundy

no corredor da fama dos mais belos assassinos em série.

Deixa-me ir contigo à polícia amanhã, Bret.

Há umas coisas que gostaria de partilhar com eles sobre ti.

Tira as mãos de cima de mim.

Liguei para o local de trabalho do teu pai

para perguntar pelo seu misterioso e longo desaparecimento.

- Estão de férias. Sabes disso. - A sério?

É que me disseram que nunca avisou que ia de férias.

Um dia, simplesmente não apareceu.

Presumiram que se tinha despedido.

Está de férias para sempre com a tua mãe na cave, Bret?

Cortaste-os em pedaços

e guardaste-os lá com os vegetais?

Enterraste-os no quintal? Mataste-os?

Vai-te foder. Isso é mentira.

Acho que és doente!

És um romancista patético, sem inspiração.

És tu quem anda a matar estes miúdos para me incriminar.

Assim escreves sobre o que conheces.

Um futuro bestseller. Podes acabá-lo na prisão.

O que se passa aqui?

Olá, querida.

Estava a ajudar o Bret com o laço.

Bret, podemos falar?

Não, deixa estar, querida. Acho que acabei.

Vamos lá! Os Oingo Boingo já vão no segundo encore.

Estou.

Está bem.

O que queres?

Obrigado! Façam barulho!

Talvez a Susan e o Robert tenham sido os primeiros adolescentes

cujo primeiro beijo foi interrompido por um grito de alarme.

Meu Deus!

- Está morto? - Parece que sim.

Parece que escorregou. Ou que se meteu com a pessoa errada.

Papá, consegues respirar?

Por favor. Alguém chame a polícia!

Façam alguma coisa!

Papá, consegues ouvir-me?

Espera aqui.

"Bebidas" GELADAS

Conseguiste doces?

O quê?

Na festa da Noite das Bruxas.

Não vi um único M&M, o que foi uma chatice.

- E tu? - Achas que tens piada?

Estou farto do teu teatro de sociopata, Robert.

O Terry Schaffer está ligado às máquinas. Pode morrer.

- Aposto que achas que fui eu. - Sim, acho.

Desde que chegaste, tudo começou a correr mal.

A minha teoria?

Um passarinho contou-me que o Terry comprou os direitos do teu argumento.

É verdade?

Sim. E então?

O que tiveste de fazer para teres uma oportunidade em Hollywood, Bret?

Aposto que... coisas sombrias.

Coisas de que te arrependes.

Coisas de que te ressentes.

A que horas é a tua marcação?

Porquê?

Por nada. Só espero ser o primeiro.

As minhas provas são irrefutáveis. Vais sair daqui algemado.

Se fores tu a falar primeiro,

vai ser uma perda de tempo.

Não me parece.

Se eu falar primeiro, vais preso

e, inevitavelmente, acabas no corredor da morte.

- Pelo quê, exatamente? - Pronto?

Sim.

- Bem, siga-me. - Qual de nós?

Ambos.

Agora.

Na altura, eu não sabia que a minha vida estava prestes

a dividir-se entre um antes e um depois.

E não apenas a minha ou a do Robert,

mas a de todos nós.

Sentem-se.

- Agentes, tenho informações sobre... - Só um momento, miúdo.

Já vamos ouvir-vos individualmente.

Estamos na posse de provas

relativas aos homicídios da Katherine Latchford,

do Matt Kellner e ao rapto da Rhonda Fox.

Que tipo de provas?

Acreditamos que os crimes estão ligados.

Foram cometidos pela mesma pessoa.

E essa pessoa...

... está nesta sala.

Eu sabia.

TODAS AS PESSOAS ESTÃO SUJEITAS À GRAVAÇÃO DE ÁUDIO

E foi aí que as coisas...

... se descontrolaram.

Baseado no Livro de BRET EASTON ELLIS

Tradução: Andreia Duarte

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