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GABINETE DE PRODUÇÃO DE THE GRAND TOUR
LISTA DE ELENCO DO GT
Vejam, é um Ferrari 250.
Ridículo.
Este é um 300 SL.
E este é um Jaguar D-Type.
Todos a correr na rua.
E vejam…
Continuam a fazê-lo.
Tão fixe.
- Isto é em Angola. - Sim.
- Em África. - Sim.
Não é a Mille Miglia ou Le Mans.
É Angola.
Como nunca soube disto?
Sinceramente, nem conseguiria encontrar Angola num mapa.
O facto de fazerem estas corridas é uma loucura para mim.
É por isso que é perfeito.
Será uma verdadeira aventura Grand Tour.
Três carros desportivos rumam ao Lubango, aqui no planalto,
e participam na sua enorme e épica corrida de rua.
O que vamos conduzir?
É convosco.
Temos 10 000 libras cada um.
Dez mil.
- Brinquedos de track day. - Sim.
Podemos prepará-los. Gaiolas de proteção, bancos a sério…
E depois a produção pode enviá-los para o Lubango.
Fácil.
Fácil.
Mas, afinal…
Não era fácil.
De todo.
COSTA ANGOLANA
(NADA PERTO DO LUBANGO)
Sim, acho que nos vão deixar no meio do nada.
Francis?
Que estás a fazer?
É um seis cilindros em linha chinês.
Tem um turbo enorme.
- Ótimo. Podes vir ajudar-nos a procurar? - Está bem.
Os nossos carros não foram enviados para o Lubango.
Em vez disso, para termos uma viagem a sério,
a produção tinha-os deixado a centenas de quilómetros,
algures perto de uma igreja abandonada no extremo sul de Angola.
Só nos disseram para os encontrarmos e seguirmos para leste.
Temos de encontrar uma igreja aqui.
Estamos no meio do nada.
Posso?
Claro, és mais alto do que eu.
Os teus olhos são mais juntos do que os meus.
Vejam.
Um crucifixo.
Está um crucifixo ali em cima.
- Sim. - Tem de ser uma igreja.
Sim, deve ser, certo?
Mas é uma falésia, não é?
É uma boa caminhada até ao topo,
mas ao menos há um caminho. - Nós aguentamos.
Preocupa-me mais…
Porque desligou o motor?
Acho que é demasiado raso para o barco.
Então…
Espera. O que é isso?
Está bem.
- Estou a ver. - O que é isto?
São canoas rudimentares, acho eu.
Não são canoas.
É a embalagem de esferovite onde vinha a canoa.
Os remos?
Estás a olhar para eles.
Ótimo. Está bem. Boa.
Muito bem, prontos? Três, dois, um. Credo!
- Pronto, conseguimos. - Sim, já está. Boa.
Esta é tua, Thomas.
Pessoal, não é nada…
Está a partir no meio.
Meu Deus! Não é nada estável. Sim.
Certo, James, és o próximo.
Vai lá.
- Sim. - Muito bem.
- Já pareces confortável. - Sim.
Estás bem?
Sim. Espera.
- Não é fácil, pois não? - Não.
Eis o que…
Que posição vais adotar para remar?
Missionário, acho eu.
Está bem.
Então, estou a fazer a cowgirl invertida?
Não recomendo que se levantem.
Mantém o centro de gravidade baixo.
- Que equilíbrio fenomenal. - Muito bem.
- Equilíbrio fenomenal. - Esperem, os remos.
Pessoal, aquela praia parece-me bem.
- Vamos nessa direção, acho eu. - Está bem.
A água está fria.
- Sim, está fria. - Sim.
Não!
Não!
Como és tão bom a entrar no barco, mas não a manter-te no barco?
Perdemos o Francis para as profundezas.
Não.
Como está?
Sim, está fria.
Não, estou bem.
Olhem para vocês.
Obrigado, senhor.
O Francis está a ser ajudado por um local.
Obrigado.
Muito bem, Angola está a ter um início lendário.
Vá lá.
Merda!
O James caiu.
Vai!
Pronto. Está bem.
Depois de tirarmos a água do mar
de tudo o que tínhamos…
… fomos procurar os nossos carros.
Thomas, queres dar-me alguma pista?
- Sobre o meu carro? - Sim.
Bem, é a combinação perfeita
entre desempenho e usabilidade.
James?
Icónico.
Francis?
O pulsar.
Sim, é uma igreja.
- Cá estão. - São os carros?
Estão camuflados.
Pois estão.
Nem os vi.
Estou muito empolgado.
- Posso ser o primeiro? Está bem. - Claro.
Não sou este.
Sou este.
Malta, o início e o fim da conversa sobre carros desportivos.
O ícone. O póster na parede de toda a gente.
O Porsche 911.
Estás a bocejar?
- Ia fazer isso… - Por 10 000 libras.
… porque é uma escolha extremamente aborrecida.
O que estás a dizer?
É um 911 de 10 000 libras.
Preparaste-o. Tens gaiola de proteção.
Preparado para corridas.
- Banco de corrida. - Sim.
James, foste buscá-lo ao fundo do baú da Porsche.
- Olha os faróis. - Não.
É o elemento de design mais triste da história da Porsche.
Gostava de lhes mudar o nome para "faróis de rim",
porque parece
que está a processar ureia.
Envelheceu bem. Ele tem razão.
É um grande carro, mas lamento, é tão aborrecido.
É ótimo.
É um carro para quem acha
que uma noite sem usar fio dentário é empolgante.
Isso mesmo.
Podemos passar ao meu?
Muito obrigado. Estão prontos?
Este é deste milénio.
O BMW M3 da geração E46.
- Sacana previsível. - Não.
Acho que foi uma boa decisão, Thomas.
Obrigado, Francis.
Como podes dizer isso, Francis?
Este é o descapotável.
Tem o encanto de uma uva com grainha.
Não arranjas um coupé por 10 000 libras,
mas este, sim.
Tem o motor S54.
Nada representa mais o automobilismo na história da BMW do que isso.
Fizeste isto?
O quê?
Puseste aquela luz de travão de F1 na traseira do carro?
- Luz de chuva. - Vamos correr.
Porque precisas da luz de chuva?
Para o caso de chover.
Estamos no deserto.
Aquilo é horroroso.
Não!
Pronto, Francis, o que compraste?
Isto é um Nissan Pulsar GTI-R.
Um quê?
A Nissan teve de produzir 5000 unidades deste carro
para poder entrar no Grupo A do WRC.
Tração integral.
- É um… Sim. - Tração integral?
É um puro-sangue dos ralis.
Na altura,
chegava mais rápido aos 100 do que um Ferrari Testarossa.
Porque está em tão mau estado?
Bem, passou os últimos dez anos da sua vida
debaixo de uma lona.
O que… Quanto gastaste nele?
Não gastaste 10 000 libras.
- Dez mil. Sim. - Como assim?
- Dez mil? Gastaste 10 000? - Dez mil libras.
Isto vai esclarecer todas as vossas dúvidas
sobre a compra deste carro. Um momento.
Está bem.
Tem um subwoofer.
O quê?
Ocupa o banco de trás todo.
Tem um som péssimo.
Está bem.
Imagina que és uma miúda nos anos 90
e ouves aquilo, vês isto e eu salto lá de dentro.
O que pensas?
- Foge. - Sim.
O pai tinha razão.
Bem, este é o nosso trio.
- É. - Para atravessar Angola.
A produção disse: "Vão para leste."
Não sei o que significa, nem onde estamos.
O mar está a oeste.
Deve ser para ali algures.
Pronto, vamos lá.
Vamos a isso.
Thomas, como deves calcular, o deserto é um pouco arenoso.
- Sim. - E escolheste um descapotável.
- Vou só fechar a capota, James. - Está bem.
Estás a premir o botão?
- Não. - Estás a brincar?
Não.
Nem ouço nada.
Sim, boa.
Estás a falar a sério? Não funciona mesmo?
Vais ficar com um belo bronze.
ÁFRICA
Munidos dos nossos carros, a missão era simples:
chegar ao Lubango,
onde iríamos participar no festival de corridas de rua
para celebrar os 50 anos de independência.
LUBANGO INÍCIO
Faltavam dois dias e cerca de 320 km para a corrida
e, com apenas deserto pela frente,
estava na hora de pôr os carros à prova.
Não acredito.
O que trouxe eu?
Isto é muito mais do que 230 cavalos.
Só cerca de 750 destes carros foram parar ao Reino Unido.
Isto é uma joia rara.
Adoro como o turbo…
Ouço-o como se viesse da saída de ar.
Só…
Estou apaixonado. E conduzi…
… menos de 4 km.
Sim.
Este carro mudou a minha vida.
Quando este carro saiu e vi que existia um veículo
que se podia levar para o trabalho,
mas depois ir para uma pista e ganhar corridas,
mudou completamente a minha perspetiva do que um carro podia ser.
Mas admito que talvez seja uma ideia um bocado absurda para África.
Estou com um pouco de inveja do Francis,
num carro de rali com tração integral.
Isto é para um circuito de rua.
Não é para um sítio remoto, no meio do nada, em África.
Está bem.
Sim.
Eu sabia que ia ouvir bocas.
Sei que não é o 911 mais bonito,
mas esta geração tem um palmarés inacreditável no automobilismo.
Partilha os faróis com o GT de competição que venceu Le Mans.
Foi convertido no 911 Safari Dakar para atravessar desertos.
Tem pouco menos de 300 cavalos
e foram feitos para durar para sempre.
Na verdade, este fez 248 000 km.
Dá para dar a volta ao mundo seis vezes.
Mais um país não é coisa que me preocupe.
Como estão os vossos carros a lidar com o terreno?
Muito bem, por acaso.
O Porsche está a aguentar-se muito melhor do que esperava.
Para ser sincero, dava-me jeito um pouco mais de altura ao solo.
O sistema de tração integral do meu Pulsar está a funcionar lindamente.
Não tive nenhum problema com a aderência.
Querem fazer uma corrida?
- Sim. - Vamos a isso.
Muito bem, 338 cavalos,
o mais potente aqui.
Estou prestes a arrasar.
Muito bem. Três,
dois, um…
Vão!
Prego a fundo.
Vou prego a fundo.
Está a patinar. Não patines.
Terceira.
Vá lá, Pulsar!
Enche o turbo!
O James está ali!
Vá lá!
Não tem peso na traseira.
Vejam só o Francis!
Meu Deus!
O Pulsar vai isolado na frente.
Vai, 911.
Onde está o BMW?
Onde está aquele BMW?
Não! Vá lá, eu apanho o James!
Eu apanho-o!
Pronto.
O Pulsar é o vencedor.
Francis, o teu carro é bem rápido!
Fiquei sem conta-quilómetros.
Sinceramente, James, não esperava que me acompanhasses.
Qual é a tua desculpa, Thomas?
Tu tens um motor por cima das rodas traseiras.
Eu tenho uma bagageira.
Ou seja, tomei uma decisão melhor?
Esperem até estarmos em asfalto.
É aí que este carro vai mostrar o que vale.
Por falar em asfalto,
não havia nenhum,
durante quilómetros e quilómetros de poeira.
Tão árido.
Acho que nunca estive num deserto
que parecesse tão desprovido de vida.
É bizarro pensar que vamos para uma corrida de rua
quando ainda não vimos nenhum sinal de civilização.
Mas o que encontrámos foi isto.
Como acabámos de mudar de planeta?
Meu Deus!
Muito bem.
Muito bem.
Não vejo. Estou num banco de competição, por amor de Deus!
Vá lá.
Caramba!
O que aconteceu?
Meu Deus!
Caramba!
Como fizeste isso?
Não via nada! Tenho um banco de competição.
Estava a andar e a estrada acabou.
- Podias ter capotado. - Podia. Sim.
A roda está toda fora?
Está no ar. Sim.
Queres que eu… Acho que te posso rebocar.
- Sim, acho que é a única forma. - Sim.
Sim, recua.
O plano para impedir que o BMW caísse do penhasco a desmoronar-se
era puxá-lo da beira com o Pulsar,
enquanto o Porsche do James servia de âncora.
Pronto, começa a puxar.
James, mantém a tensão.
Estou muito tenso.
Sim!
Pronto, acho que já saímos!
Conseguimos!
- Conseguimos? - Sim.
Deves-me uma, Thomas.
Eu… Sim, tecnicamente, devo-te uma.
- Obrigado. - Muito bem.
- Muito bem, mesmo. - Sim.
Alguém quer ir à frente?
Como o 911 oferecia melhor visibilidade dianteira,
passei para a frente.
E voltámos à estrada.
Quase.
Não, Thomas.
Porque continuaste a acelerar?
Eu…
- Vê isto. - O que é isso?
É um macaco insuflável.
Utiliza os gases do escape para elevar o carro.
- É como um airbag. - Sim.
Está a encher.
Está a elevar o carro.
- Está. - Está a elevar o carro.
Bem, deslizou.
Empurrem.
Vá lá! Está a andar.
Está a andar.
- Sim! - Sim!
Vê a tua luz de chuva.
Foi sacrificada.
És um sacana lindo.
- Vejam isto. - Cheio de agradáveis gases do Pulsar.
Finalmente de volta à estrada,
começava a pensar que talvez
isto fosse demasiado para mim.
Maldito…
Faço o que for preciso para sair deste caminho de cabras.
Atiravas-te de um precipício?
À medida que avançávamos,
o deserto não dava tréguas.
O que foi aquilo?
E, após horas no meio do nada,
encontrámos finalmente
os primeiros sinais de civilização.
Pessoal, olhem!
Meu Deus!
Afinal, a paixão de Angola pelas corridas estendia-se até ao deserto.
E tínhamos encontrado alguns dos melhores pilotos de rali do país.
Vejam como anda.
Meu Deus!
Estou preso.
Sim, está bem. Sim.
Vou estacionar aqui. Pode ser?
Vejam isto.
É um bocado estranho.
Desculpem, bloquearam-vos a pista.
Tudo bem? James.
- Bruno. - Prazer.
- Prazer. - São os primeiros
que vemos em terra firme, em Angola.
Como estão? Posso estacionar ali?
Acho que sim.
Vocês correm aqui?
Sim, estamos a correr aqui.
Há um circuito ali?
Temos um circuito ali.
Também fazemos umas voltas cronometradas aqui.
Podemos experimentar?
Com esses carros?
Sim.
Acho que não.
E o Pulsar?
Pode ajudar o BMW.
Uma pergunta. Que é um bom tempo no circuito?
Esta manhã, fiz 1min12s.
1min12s. É o tempo a bater.
Iam a abrir, Thomas.
E tu ficaste preso mal tocaste no circuito.
Bem visto.
Felizmente para o Thomas e o seu BMW,
esta pista no deserto era feita de areia mais dura e compacta
e o nosso rali improvisado
seria de apenas duas voltas.
Desesperado por provar que o seu carro dava conta do recado,
ele ofereceu-se para ser o primeiro.
- Acho que a minha única opção é… - Potência.
… senão, vou ficar preso.
Pronto, aqui vamos.
Três, dois, um, vai!
Olha o para-choques.
O para-choques.
Não vai voltar para casa.
Aqui vamos. É isso.
Vejam este sítio.
Estamos a voar.
Era uma grande lomba.
Foi mau.
É um desnível. Olá.
Agora, estamos a andar.
Pela primeira vez nesta viagem,
podia finalmente exibir a agilidade do BMW
e as suas credenciais no automobilismo.
Deve aparecer nos próximos dez segundos.
- Cá está. É rápido. - Cá está.
Continua.
Vá lá. Não fiques preso!
Sim!
Lindo menino.
Travar com o pé esquerdo.
Meter a frente.
Passar a meta a voar!
- Muito bem. - É assim mesmo.
Meu Deus! Sou tão fixe.
Thomas, tenho de admitir, foi impressionante,
a tua última curva.
Muito obrigado, Francis.
- Queres saber o teu tempo? - Sim.
- Fizeste… Com 1min12s a bater… - Sim?
- Um minuto… - Sim?
… vinte e dois segundos e 69 centésimos.
Isto é um carro de rali.
- É como um Pajero de rali. - Sim.
- Saíste-te bem. - Obrigado.
- Muito bem. - Obrigado.
A seguir, era o James, no desportivo
para quem acha o ketchup picante.
Vamos a isto.
- Pronto? - Pronto!
Três, dois,
um, vai! - … um, vai!
Estamos confiantes.
Já está a acelerar.
Potência.
Era uma grande lomba.
Desculpa, carro.
Isto é areia funda.
Isto é areia funda.
Olha só.
Vá lá.
Ganhou uns quatro segundos
só naquela parte. - Sim.
Esta curva é assustadora.
Que grande pancada.
Desculpa, carro.
Estás a sair-te bem.
Melhor do que eu.
Partiu o para-choques.
Foi bom, 911.
Bom trabalho.
Foi um bom tempo.
O teu para-choques não parece muito bem.
O meu para-choques pelo teu parece-me uma troca justa.
Então, tinhas de bater 1min22s69.
Fizeste-o em um minuto, vinte
e dois segundos
e 13 centésimos.
Muito bem.
Filho da mãe!
Finalmente, era a minha vez de exibir o pulsante Pulsar.
Este carro foi feito para isto.
Estou pronto.
- Sim. - Vamos para o posto.
Inicia a contagem.
Três, dois, um, vai!
Estamos lixados.
O Pulsar arrancou como um foguete.
O melhor resultado do Pulsar no WRC foi um terceiro lugar.
Vamos ver se conseguimos a nossa primeira vitória.
Certo, vamos tentar não ficar presos.
Bateu numa bandeira!
- Derrubou-a. - Derrubou a bandeira.
Não era para acontecer.
O som do turbo no fim.
É um som magnífico.
Como te sentes?
Ainda não atingi o limite desta coisa.
Provavelmente, não.
- Estás pronto? - Sim. Força.
Tinhas de bater 1min22s13.
Fizeste
um minuto, 20 segundos
e 18 centésimos.
Muito bem.
Dois segundos.
- Dois segundos mais rápido. - Obrigado.
Estás tão suado.
Meu Deus!
- É nojento. - Mas que raio!
Boa. Sinto que deixámos os nossos carros orgulhosos.
Sim. Querem procurar asfalto?
- Vamos. - Sim.
- Sim. - Sim, por favor.
Depois de os pilotos de rali nos indicarem a direção certa,
estávamos a aproximar-nos de uma estrada a sério.
O que diz sobre Angola termos encontrado corridas
antes de um animal selvagem?
Significa que viemos ao sítio certo.
Exato.
Vejam este edifício.
Certamente, é um sinal.
Lá em cima.
É um carro
e está a andar a velocidades de estrada.
Prometi-te asfalto
e vou levar-te ao asfalto.
Vamos correr, amigo!
É agora, pessoal.
Sim!
Sabe bem.
Sabe bem.
É isso!
Pessoal, acabei de ver algo incrível para assinalar esta ocasião.
O meu conta-quilómetros acabou de marcar 73 201,
o número exato da locomotiva
que levou a princesa Diana e o príncipe Carlos
na sua lua de mel, de Londres Waterloo até Romsey.
Isso é incrivelmente específico,
mas respeito-o, Francis.
Estou tão entusiasmado. A sério.
O nosso primeiro contacto com o asfalto soube bem
e, ao cair da noite,
levou-nos à nossa primeira cidade angolana,
Moçâmedes.
Se acham que encontramos um hotel naquela cidade ali à frente,
não me importava de arranjar um sítio
onde pudesse lavar a areia dos olhos.
Quando estávamos a conduzir no que parecia a superfície de Marte,
nunca imaginaria
que iria ver uma cidade tão bonita.
Depois de uma boa noite de sono
e de termos finalmente escapado ao deserto,
era altura de explorar a cidade de Moçâmedes.
Estou a ver palmeiras,
edifícios coloridos.
Parece a South Beach de África.
Estás a tentar impressionar os locais com o barulho do teu turbo?
Tenho de chamar a atenção para o meu carro de alguma forma.
Olha, outro hatchback reles
como o teu.
Sim, acenei com a cabeça.
Vejam as marcações na estrada.
Parece uma grelha de partida.
James, encosta um segundo. Encosta.
Olá, miúdos.
Finalmente encontraste pessoas que gostam do teu carro.
A meta.
Aquilo é a via das boxes.
É exatamente como uma via das boxes. As boxes, a via das boxes,
a meta, a grelha de partida.
Isto é um circuito de rua.
Sim, é o que diz.
Quarenta e três anos?
"De 1975 a 2018."
Houve corridas aqui até 2018.
Bem, vou perguntar a este tipo.
- Olá? - Olá.
Fazem corridas aqui?
Sim. Corridas.
Há muito tempo. Sim.
Como… Carros rápidos?
Como estes?
Sim. Com base no carro…
Sim.
Veloz.
Que carro ganharia?
O vermelho.
O vermelho ganharia?
- Porsche. - Porsche.
- Foi o Porsche. - Sim.
- Sim. - Muito obrigado.
- Obrigado. - Grato.
- Obrigado. - Agradeço.
As primeiras pessoas que vimos em Angola estavam a fazer todo-o-terreno.
Na primeira cidade a que chegámos,
encontrámos um circuito de rua.
Desde os seus primórdios, nos anos 50 e 60,
que as corridas de rua prosperam em Angola.
Após a Segunda Guerra Mundial,
o automobilismo estava em alta na Europa
e Portugal exportou-o para a sua colónia africana,
numa tentativa de unificar o império em declínio.
E, apesar de quase 30 anos de guerra civil,
a paixão de Angola pelas corridas amadoras nunca morreu.
Os locais mantiveram a tradição viva,
criando circuitos de rua pelo país,
como este.
Agora, vejo esta rua com outros olhos.
Só imagino carros de corrida a voar por aqui abaixo.
E, amanhã, íamos juntar-nos a eles nas ruas do Lubango.
Mas, antes, tínhamos de fazer a última etapa da viagem,
felizmente, sem sairmos da estrada.
Sinto que vamos ter
corridas a sério quando chegarmos ao Lubango.
E acho que tenho o carro certo para isso.
Isto é, se chegarmos sãos e salvos.
Cuidado com os buracos.
Céus!
Esta doeu.
Estão a divertir-se a fugir aos buracos?
Para ser sincero,
este asfalto mostra bem o quão desconfortável é o Pulsar.
Parece que o meu cóccix está prestes a furar o banco.
Ora, ora,
se não são as consequências das tuas escolhas.
James, acho que chegou a hora de os nossos carros brilharem.
Fala por ti. O meu esteve sempre a brilhar.
Como queiras.
O 911 é um carro para pessoas que vão ao cinema
e não compram pipocas porque trouxeram uvas de casa.
Eu fazia isso.
É uma solução saudável
e é mais barato.
É um carro para alguém que usa um urinol público
com as cuecas e as calças descidas até aos tornozelos.
Não sei o que fiz para merecer este abuso.
Após umas horas a falar mal do 911 e a evitar buracos…
Foi uma grande pancada.
… achámos que devíamos ter pena do rabo do Francis
e decidimos fazer uma pausa.
Não sei o que esperas, mas não será um menu promocional.
O que é aquilo? Bagas?
São bagas de góji?
Parecem malaguetas.
Picante.
Parecem potentes.
- Queres uma? - Faço contigo.
Pois fazes.
Acho que devem ser
como Wotsits ou Cheetos.
Como Cheetos picantes.
Não queres mesmo uma?
Nem pensar.
- Ʌ - Tem sabor?
Cometi um pequeno erro.
Sim. Eu também.
Cometi um erro terrível.
Está a ficar mais picante.
Compro uma taça.
Dá-me uma taça?
Quero uma taça.
Não. Compraste a tua coisa.
Ainda está a arder.
Comprei uma taça.
Estamos a começar a subir.
Meu Deus! Vejam esta estrada.
Sim.
Esta era a passagem da Serra da Leba,
um trajeto diário para os locais,
mas, para nós, era a estrada por que tanto esperávamos.
Que vista!
Vejam só.
Isto é incrível.
É aqui que um M3 se sente em casa,
a dar tudo numa estrada de montanha.
Ao cair da noite,
chegámos ao nosso destino:
a meca do automobilismo de Angola,
o Lubango.
É aqui.
Esta é a pista.
Não acredito na falta de proteção na berma.
Meu Deus!
Aqueles pneus vão proteger-nos da árvore, certo?
Sim, mas…
Há uma árvore ao lado da árvore protegida pelos pneus
sem proteção.
Thomas, não reparaste
que a árvore está pintada de branco na base.
É verdade. É uma árvore segura.
Sim, isso salva-nos.
Estamos a entrar nas boxes.
Vi este padrão em todo o lado.
Vejam, estão decorações de equipas ali na parede.
Esperem. Eles estão a fazê-las.
Estão a pintar as decorações agora.
Olá, pessoal.
Está muito bom.
- Obrigado. - Obrigado.
Está a falar com eles sobre o quê?
Querem fazer umas decorações nos vossos carros?
Meu Deus!
Thomas, a corrida é amanhã.
Sabes o que dizem. Bom aspeto, bom andamento.
Sim, não vejo porque não.
Pronto, alinhamos.
Certo, pessoal.
Isto é incrível!
A menos de 24 horas da corrida,
deixámos os nossos novos amigos
fazerem a sua magia.
DIA DA CORRIDA
O fim de semana de corridas já decorria no Lubango.
As ruas estavam animadas com o som de motores de competição
e, após uma noite frenética a pintar e a modificar os carros,
as decorações estavam prontas para inspeção.
O Francis?
Cá está ele.
O que é que ele fez? Não mudou nada.
Acho eu. Sim.
Aquele…
Não é o Francis.
Sim, não é o Francis.
O que tem escrito?
O que se passa?
Não.
O que fizeste?
Francis?
O que fizeste ao teu?
Como assim, o que fiz ao meu?
Sim, arruinou-o.
Está incrível. Parece de corrida.
É simples. É óbvio.
Tem os números.
Já tem capota.
Tenho uma asa. Vocês não têm.
Não percebo o que se passa.
É a luz de chuva.
É mais uma distração.
Não é problema meu, certo?
Quero ser visto.
Assim, não bates contra mim quando chover.
De certeza que isto cumpre as normas da FIA?
Desde que o diretor de corrida seja o Pai Natal,
isto será aprovado.
Respeito a tua decisão quanto à pintura, James.
- Obrigado. - Tenho visto muito este padrão.
Sim. É o padrão samacaca.
- Samacaca? - Sim.
Representa a unidade,
a identidade cultural e a comunidade.
Acharam o 911 uma escolha aborrecida.
E limitou-se a pôr uns borrões na frente.
Passa alguma luz?
Não tentei.
Está bem. Francis, o que está escrito no teu carro?
Tenho-me sentido um pouco frustrado por o estatuto do Pulsar
passar despercebido por aqui.
- Então, o motor SR20… - Sim.
Queria que ficasse explicado
para as pessoas saberem o que está debaixo do capô.
"SR: designação da família de motores.
Vinte: dois litros.
D: dupla árvore de cames.
E: injeção eletrónica.
T: turbo."
E, depois, "ATTESA:
tecnologia avançada de terreno, sistema de engenharia para todos."
"Que mais tarde viria a ser usado no Skyline GT-R."
Tens uma página de enciclopédia no carro.
- Precisamente. Fizeram um bom trabalho. - Sim.
À exceção do meu número. Houve uma certa barreira linguística.
Eu queria que fosse o 73 201.
A locomotiva que referi
quando entrámos no asfalto e o velocímetro marcou 73 201?
Lembro-me disso.
Mas escreveram 72 103 por acidente.
Isso é um comboio?
Não.
Ainda me dá mais vergonha.
Então, o teu número é o 72 103?
- Sim. - Sim.
A nossa corrida consistia em dez voltas
ao Circuito de Nossa Senhora do Monte…
META
… um circuito de 2,6 km com curvas cegas,
sem proteções e zero margem de erro.
Aqui, bastava um erro e era o fim.
Mas, antes de entrarmos na pista,
queríamos ver a concorrência.
- Um Radical. - Não vamos enfrentar um Radical.
- É seu? - Sim.
Dá para fazer alguma curva a fundo?
- Sim. - Sim?
Para fazer isso, deve ter tomates.
Sim.
Vamos ficar bem.
Sim, vamos ficar bem.
Temos o mesmo equipamento.
- Sim. - Está tudo bem.
Sim. Vemo-nos na pista.
Espero que não.
Felizmente, não íamos enfrentar nenhum Radical.
Em vez disso, íamos correr contra carros de estrada modificados.
Esta é a minha primeira corrida a sério.
Também é a tua?
A esta escala, sim.
- Sim. - Aquele está bonito.
Isto é que é uma decoração.
É a sua equipa?
A sua equipa? É bonito.
Vejam aquela entrada de ar.
É para quê?
Para o piloto…
- O piloto. - … sobreviver.
Não temos aquilo.
Também têm a entrada de ar.
Sabem algo que nós não sabemos.
- Se víssemos isto ontem… - Correr em África.
Teria feito isso em vez das riscas.
Faz sentido.
Volkswagen. Um BMW.
- Vejo um BMW. - BMW.
É o seu carro?
Sim, um 335.
- Estamos equilibrados. - Vai ser bom.
Vemo-nos na pista.
- Boa sorte. - Boa sorte.
Isto é a sério. Estou empolgado.
Pois, eu estou intimidado.
Talvez o James tivesse razão.
Esta pista era incrivelmente exigente
e estávamos prestes a sentir isso na pele,
na qualificação.
Pronto, é agora.
Uma volta lançada.
É tudo o que temos.
Vá lá, força!
Tudo o que tens!
Esta é um pouco assustadora.
Bloqueou um pouco as rodas.
Esta descida é rápida.
Caramba! Isto é assustador.
Caramba!
A entrar na reta.
Vou libertar a potência do Pulsar.
Vai, Porsche!
Força!
Após uma volta de qualificação à pista,
eu começaria na quinta posição.
5.º
Muito rápido.
Com o Francis atrás de mim, em sétimo…
7.º
Vá lá.
… e o nosso piloto residente, o Thomas, à frente, em terceiro.
3.º
Com as nossas posições definidas,
alinhámos na grelha de partida.
Fico nervoso antes das corridas,
mas nunca estive assim.
Muito bem, 911, eu e tu.
Nós conseguimos.
Vá lá, vamos a isto.
Vamos lá.
Estamos a correr!
Estamos a correr em Angola!
Vai, Porsche!
Aqui vamos!
Vá lá, força! Força!
Os BMW estão num despique!
Tenho um Golf à perna!
Desaparece, Golf!
Vá lá!
Este SEAT é muito bom.
Vá lá, Pulsar!
O meu conta-quilómetros avariou.
Não acredito!
Aquele 335 é rápido.
É rápido.
Após uma volta,
eu tentava manter o segundo lugar,
com o James e o Francis bastante perto.
Ultrapassei o SEAT!
O BMW está… Não!
O outro BMW ultrapassou o Thomas!
Nem penses nisso!
Nem penses nisso.
O Golf está mesmo em cima de mim.
O que é que aquela coisa tem?
Já não vejo o Francis.
Não tenho travões.
Fiquei sem travões.
Tenho de travar com o motor.
Tenho de abrandar,
porque não convém nada conduzir neste circuito sem travões.
O safety car entrou.
Deve ter acontecido algo.
Infelizmente, um Civic desistiu.
Mau para ele,
mas bom para mim.
Com o safety car na pista,
os travões do Pulsar ganharam minutos valiosos para arrefecerem.
Como está a vossa temperatura?
Muito alta.
Fiquei sem travões na segunda volta.
Tive de deixar o carro arrefecer.
Vá lá, M3, tu consegues acabar a corrida. Sei que consegues.
Após umas voltas atrás do safety car,
estávamos prontos para voltar à ação.
Os travões já estão a funcionar, graças a Deus!
Pronto, James, apanha ar limpo.
Ainda faltam algumas voltas.
Parece que o SEAT tem um problema.
Vai para as boxes?
Bandeira verde.
Bandeira verde!
A corrida já ia a mais de meio
e, com o SEAT líder nas boxes,
tinha passado de terceiro para segundo.
Vá lá. Este BMW é meu!
Este BMW é meu.
É agora.
Estou mesmo atrás de ti, Thomas.
Estou a ver o James.
Estou colado a ti.
Estou a ver o Francis naquela abominação cor-de-rosa.
Isto é incrível.
Vá lá, Pulsar!
Vejo os sacos de colostomia do James no retrovisor.
Nem penses.
Não. Falhei a mudança! Não!
O Thomas está a fugir.
Vejam só a batalha entre aqueles BMW.
Sr. BMW, és meu.
Nunca estive numa batalha assim.
Não vou permitir que aquele BMW vença.
Ao entrarmos na última volta,
era agora ou nunca.
Estou na liderança.
Meu Deus, que sensação incrível!
Caramba!
Estou a perder posições.
Logo agora que ia colado ao James.
Acho que o Pulsar está a sobreaquecer imenso.
O Thomas vai à frente,
o que significa que estou com este 335i verde-lima.
Ainda tenho o maldito Golf colado a mim.
Estou à frente.
Mas será que aguento?
Não!
Ele é tão rápido.
A entrar na última curva.
Não faças nenhuma loucura. É agora.
Hoje, não, Golf. Não!
Filho da mãe!
Está muito à frente.
Sim!
2.º
Sim!
3.º
Isto é África!
Isto é uma corrida!
7.º
Esta corrida foi uma das coisas mais incríveis que já fiz,
mas tive de escolher
entre continuar a puxar pelo Pulsar
e arriscar-me a rebentar o motor.
Não era capaz de o rebentar.
Que cultura automobilística incrível
têm aqui em Angola.
Absolutamente incrível.
Não acredito como foi incrível.
- Foi absolutamente sensacional. - Sabem que mais?
Foi um privilégio
perder a virgindade a correr aqui.
- Do agitado Atlântico… - Sim.
- … ao deserto do Namibe… - Sim.
… quase cair de um penhasco
e acaba assim.
- Para ser sincero, devo-o ao 911. - Sim.
Foi ele que fez quase tudo.
É um carro brilhante.
Ando a gozar com ele há dias.
Mas vê-lo no retrovisor
deixou-me preocupado.
Ficou em segundo lugar em tudo.
- Sim, exatamente. É neutro. - Medíocre.
É só um Porsche.
Já agora, sei que o BMW nos deixou ficar mal imensas vezes.
Mas, no fundo, sabia que era o momento de ele brilhar.
- E brilhou. - Ias lançado!
Levou-me ao pódio. Percebem?
Sabem que mais? Eu estava a divertir-me a perseguir-vos,
mas vi a temperatura no H
e pensei: "Pulsar, portaste-te lindamente a viagem toda.
Vou levantar o pé."
Desculpas. Por isso não te passou.
Ouviste? Tinha-te ultrapassado.
- Ultrapassavas-me. - Sim.
- Ficaria em décimo. - Sinceramente,
sinceramente…
- Não! - Foi-se!
Não!
Pulsar, aguenta-te!
Pobre carro!
- Lá está! - Não!
- Lá se foi o Pulsar. - Pulsar!
Pronto, vamos. Vamos, Francis.
- Obrigado a todos. - Obrigado.
- Obrigado. São incríveis. - Obrigado.
- Foram todos fantásticos. - Incríveis.
Obrigado.
Que pessoas incríveis!
Aonde vamos agora? Onde matamos o vício?
- Não há para onde ir. - É o que queria dizer.
Temos de voltar atrás no tempo.
Legendas: Pedro Freitas
Supervisão Criativa Mariana Vieira
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