All language subtitles for The Grand Tour - 1x05 - Episode 5.WEB.CAKES.pt

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Original subtitles

SEDE DA ATLASSIAN WILLIAMS

Era mesmo para nos encontrarmos aqui?

Sim, de certeza que é aqui.

Veem alguém?

Não.

Devem estar a perguntar-se porque estamos à porta

da sede da Williams F1 a meio da noite.

Bem…

A Fórmula 1 funciona 24 horas por dia

e em fins de semana de corrida,

as equipas enviam constantemente peças novas da fábrica para a pista.

É um desporto onde cada segundo conta.

E a Williams tem uma peça crucial que tem de ser entregue

no Grande Prémio de Spa

e precisam dela depressa,

por isso, tornámos isto numa corrida.

Naturalmente, eu ia levar um capacete

de comboio com o James

e o Thomas ia levar outro de carro.

Onde estão os capacetes?

Treze horas para a Qualificação Sprint

e estamos a 650 km de Spa.

Vai ser mesmo à justa.

Cada segundo aqui aumenta a probabilidade de não chegarmos a tempo.

Percebo a preocupação porque vão num transporte público,

que é obviamente o pior de todos os transportes.

Eu vou ficar bem. Vou de carro.

Referi que é um carro muito rápido?

E também é muito caro.

Apresento-vos o Pagani Utopia Roadster.

Custa 3,1 milhões de euros.

É um hipercarro com um tempo dos zero aos 100 de…

Que importa? É mais rápido do que um comboio.

É a ferramenta perfeita para me levar a uma vitória certa.

É incrível,

mas não vai vencer o comboio.

Veremos.

REINO UNIDO BÉLGICA

A batalha pelo direito de nos gabarmos ia levar-nos a um duelo em três países.

A corrida ia começar na sede da Williams,

bem no interior de Inglaterra,

atravessando a França

até ao circuito de Spa, na Bélgica.

A linha de chegada seria a cabeça do piloto de F1, Alex Albon.

E, com o relógio já a contar,

tínhamos de lhe entregar o capacete

antes do início da Qualificação Sprint.

13 HORAS ATÉ À QUALIFICAÇÃO SPRINT

Enquanto esperávamos,

elaborei as regras do jogo.

"Regra número um:

a Equipa Carro", que és tu… - Sim.

- … "não pode usar o comboio." - Certo.

"Regra número dois:

a Equipa Comboio", que somos nós,

"não pode usar o carro."

É tudo?

Sim.

Ainda bem que as anotaste.

A propósito, não há estações perto daqui.

Por isso, logo à partida, estás feito.

Só queria dizer isso.

Aqui vamos. Obrigado.

Obrigado.

Muito bem. Eu sou a Equipa Azul.

Que cor temos nós?

Desculpa.

- Está bem. - Adeus.

- Francis? - Laranja.

Boa sorte, Thomas.

Vão-se lixar!

Não desejes sorte.

É um hipercarro.

- Por aqui? - Sim, anda.

Primeira.

Travão de mão.

Ouçam só.

É um cliché dizer nave espacial, mas meu Deus!

Saiam da frente!

Ainda não deu para aproveitar o Pagani.

A sair da Williams.

A corrida começa.

A estação é longe?

Bem…

Em 1964, a estação de Wantage Road ficava ao virar da esquina,

mas fechou. - Certo.

Mas já não estamos em 1964.

Espero que as bicicletas não sejam para nós.

- Sim. - Céus!

Agora, a estação mais próxima é a de Didcot Parkway.

É longe?

Pouco menos de 15 km.

Onde são as mudanças, Francis?

Tens assistência elétrica.

Nunca andei numa.

Muito bem.

Segue-me.

Está bem.

Não me importo nada com este impulso extra.

Quinze quilómetros?

Fácil.

Fizeste o exame de condução de bicicleta?

Não, mas tenho-te a ti.

Porquê o Pagani Utopia?

É muito simples, tem um depósito de 85 litros.

É enorme.

Tem tanta autonomia.

Além disso, tem um V12 biturbo de 852 cavalos,

atrás da minha cabeça.

Este é o tipo de carro que ganha corridas.

Deixa-me ver se percebi bem.

O Thomas está num hipercarro com um zilião de cavalos.

- Sim. - E nós estamos em bicicletas.

Sabes o que o Sir Chris Hoy fazia antes de um grande sprint?

O quê?

Tomava bicarbonato de sódio

porque a alcalinidade neutralizava os efeitos do ácido lático.

Tens disso aí?

Não.

Está bem.

Estamos mesmo ao lado da Great Western Main Line.

Estamos a chegar a Didcot.

Enquanto eu e o James nos aproximávamos da primeira de muitas estações,

o Thomas já levava um avanço considerável

e estava a abrir caminho pelos Home Counties.

Pronto. Autoestrada vazia,

depósito cheio,

vencer a corrida.

Trinta minutos após partirmos

e com uma valente dor de rabo devido ao selim,

chegámos finalmente à estação.

ESTAÇÃO DE DIDCOT

Soltar o capacete.

Carga valiosa.

Apesar de o Thomas estar quilómetros à frente,

o Francis tinha um trunfo na manga.

Pedi um favor.

CENTRO FERROVIÁRIO

Vamos entrar na parte histórica da via-férrea de Didcot.

Isto é o tratamento VIP à Francis Bourgeois?

Consegues ouvir aqueles turbos Napier?

Olha só.

Não acredito!

Não arranjaste um comboio!

Aqui temos duas locomotivas Classe 50 vintage.

E estas bestas vão levar-nos

numa rota direta e sem paragens

até à estação internacional de St. Pancras, em Londres.

Olha para isto.

O que acontece agora?

Agora é que vai ser a sério.

Muito bem. Daqui até Dover é sempre por autoestrada.

Tenho tudo e mais alguma coisa.

Tenho interruptores no teto.

Tenho a caixa manual mais linda que já viram.

Estou sentado em pele requintada,

num habitáculo de qualidade excecional.

Parece um bar de cocktails de luxo.

É assim que se viaja.

A ganhar força.

Estamos a ganhar força?

O que significa ganhar força?

Ouve isto.

Vamos quase a 100 km/h.

Fomos dos zero aos 100 em cerca de 20 segundos.

Quanto é que isto dá?

Chegavam aos 160 km/h, mas hoje só podemos ir a 120 km/h.

O Thomas não conduz devagar.

- James, posso só lembrar-te? - Sim.

Se não tivesse arranjado isto…

- Sim. - … ainda estaríamos a pedalar.

Sim. É justo.

Vai, comboio. Vai, Classe 50!

Ouve esta sinfonia.

Estou a ouvir. Estou cá.

Parece um helicóptero a acelerar.

Foi um bom momento, não foi?

Todos estes sons,

é música.

É a banda sonora da paixão ferroviária.

Estou?

- Thomas. - Thomas, como estás?

Mas que raio? Estou?

Ouves isto?

Sim, ouço.

Onde estão?

É o som de oito turbos.

É a música do English Electric 16CSVT.

Sim, o que ele disse.

Como assim, oito turbos? Onde estão?

Estamos na cabine de uma Classe 50, Thomas.

Classe 50.

E superámos-te nas estatísticas do motor.

O teu motor é mau.

Desculpem. Como assim, estão numa locomotiva?

Escolheste mal os inimigos.

O Francis Bourgeois está comigo

e ele arranjou um comboio privado.

Credo! Isso não me parece um comboio de passageiros.

Isto é quase batota.

As Classe 50 eram principalmente usadas no transporte de passageiros.

Por isso, considero isto um comboio de passageiros, mais ou menos.

Onde estás neste momento?

Estou a 105 km de Dover.

Estou a andar bem.

Desculpem. Estão assoberbados

por estarem numa locomotiva

e não me conseguem ouvir?

Thomas, o que importa é que não temos trânsito

e vamos a 120 km/h,

que são mais 8 km/h do que tu.

Meu Deus! Credo!

Desculpa, Thomas, mas o som dos turbos é ensurdecedor.

Só me resta desejar-te boa sorte

e vemo-nos em breve.

O Thomas até podia ir à frente,

mas as regras eram claras.

Ele não podia ir de comboio,

o que significava que ia abrandar imenso.

Eis a saída para o Túnel da Mancha.

Não vou por um túnel.

Vou num ferry.

Afinal, esqueçam.

Vou por um túnel.

Este.

Vidros abertos.

Caramba!

Bem, aconteceram ali duas coisas.

Primeiro, ouvi o som incrível deste carro no túnel.

Segundo, perdi o controlo da traseira

e borrei-me todo.

Ealing Broadway!

CANAL DA MANCHA

Com o Thomas a chegar a Dover,

eu e o James avançávamos para Londres,

onde ia começar a próxima etapa da nossa corrida.

Estamos a chegar a St. Pancras. É melhor pegarmos nas nossas coisas.

ESTAÇÃO INTERNACIONAL DE ST. PANCRAS

Temos de ir.

Está bem. Pronto.

Boa. Conseguimos!

Não é todos os dias que se veem duas Classe 50 paradas em St. Pancras.

É uma corrida.

Chega de fotos. Vamos.

Deixámos a fantasia ferroviária vintage do Francis

e cruzámos a estação rumo ao século XXI,

em direção ao muito mais moderno e muito mais rápido

Eurostar.

Vamos lá.

A corrida não espera.

Vejo as falésias brancas de Dover.

DOVER INGLATERRA

A nona maravilha do mundo, provavelmente.

Chegámos. É hora do ferry.

Que comece a próxima etapa da viagem.

BILHETEIRA

PARTIDAS

Pronto, consegui.

É só esperar que os camiões entrem.

Se não nos despacharmos,

vamos falhar a Qualificação Sprint.

E quero ver o meu capacete no Alex Albon.

Isto soou mal.

Uma equipa que já estava em Spa era a Williams.

9 HORAS ATÉ À QUALIFICAÇÃO SPRINT

O seu exército de mecânicos e engenheiros trabalhava arduamente

para preparar o carro do Albon para a Qualificação Sprint.

O que significava, em suma,

que tínhamos de atravessar o Canal rapidamente.

Por aqui, Francis.

A embarcar.

BRUXELAS - ZUID

Aqui vamos.

A embarcar no ferry.

Isto não é nada mau.

É mais espaçoso que um comboio.

A dez minutos da partida,

o Francis não perdeu tempo

e aproveitou

para continuar a lição sobre comboios.

Quando as Classe 373 passam a alta velocidade,

fazem um som muito característico.

Ouves…

E depois…

Só para comprovar o som.

Em cheio.

Aqui vamos.

A terceira etapa do plano começa.

Vamos a isto.

Enquanto deixávamos Londres,

o Thomas já ia a meio do Canal,

a navegar a uns estáveis 30 km/h.

Mas, como o Eurostar é bem mais rápido do que isso…

8 HORAS

… pudemos acomodar-nos

e recuperar o tempo perdido.

TRACKatlas.

Um Atlas Geográfico Completo da Rede Ferroviária da Grã-Bretanha.

É ótimo para ler antes de dormir.

Há um termo entre os entusiastas de comboios

para algo que é uma "caneta vermelha".

Pegam num livro destes

e assinalam

a linha em que estiveram.

2 LIBRAS 5 MINUTOS

Adoro que me mostres tudo isto

enquanto estamos a ultrapassar o Thomas.

Enche-me de alegria.

Sim.

Menos de uma hora

após sairmos de Londres,

eu e o James já estávamos a chegar à Europa continental.

E agora íamos desenfreados

a uma velocidade alucinante de 300 km/h.

CALAIS FRANÇA

- Passámos o Thomas a abrir. - Sim.

Ele vai lá ao fundo.

James.

Só queríamos avisar

que já estamos bem no interior de França.

Como assim, "bem no interior"… Como?

Velocidade, meu amigo. Velocidade.

Neste momento, Bruxelas já está muito perto.

Já têm um país inteiro de avanço sobre mim.

Conduzir um Pagani é efémero.

Mas o Sr. Albon usar o capacete que eu e o Francis lhe entregámos

vai durar para sempre

e ficará imortalizado na história da Fórmula 1.

Assim que sair deste ferry,

vou garantir que isso não acontece.

Felizmente, já estava muito perto da costa francesa.

E sendo um homem de palavra…

… estava na hora de cumprir o prometido.

Saí finalmente do ferry.

Vamos ver se ganhamos tempo.

Meu Deus!

Com o Pagani a atravessar rapidamente França,

tive a oportunidade de analisar

o aspeto do Utopia

à luz do dia.

É um pouco…

… demasiado.

Parece que pediram à IA para criar um Pagani,

depois disseram para o tornar ainda mais Pagani

e continuaram a carregar no botão umas 60 vezes.

O resultado é este.

É só… Há muita coisa a acontecer.

Mas o melhor de um Pagani é que eles personalizam o carro

conforme o vosso gosto.

Se quiserem os estofos feitos de alpaca, podem fazê-lo.

Se quiserem os estofos feitos de malas da Gucci, podem fazê-lo.

Ouvi falar de um cliente que queria pó de diamante na pintura.

Vão cobrar-vos

e três milhões de euros é o preço base.

Sinto que se quisessem uma pintura com pó de diamante,

com estofos Gucci de alpaca

num Pagani Utopia Roadster,

vão querer

ter muitos terrenos

com petróleo.

Já cruzámos a fronteira…

- Já? - … para a Bélgica.

Estamos a avançar bem.

Espreitamos o capacete?

Estamos aqui.

Era pena não o fazer.

Está bem.

Aqui está.

É esta a encomenda.

Olha só.

Queres pô-lo?

Não posso.

- Porquê? - Põe tu.

Pode não servir. És cabeçudo.

Sim, parece apertado.

Está a comprimir imenso.

Sim, parece que te está a comprimir.

Já está.

Como uma luva.

Fica-te bem.

Parece o capacete de um vencedor.

O James e o Francis podem já estar na Bélgica,

mas ainda havia tempo para eu e o Pagani voltarmos ao jogo,

teoricamente.

Não.

Isto não é bem o "vou dar gás assim que entrar em França"

que eu imaginava.

Eis Bruxelas.

Qual é o plano?

Mudamos de comboio?

Sim, vamos mudar para um serviço regional,

mas temos de ser rápidos.

ESTAÇÃO DE BRUXELAS-MIDI BÉLGICA

Pronto.

Lá vai ele.

É tão rápido.

Qual é o número que procuramos?

Estamos à procura do serviço regional para Verviers via Liège.

Não vejo Verviers.

Entrar pela 1DE.

O que significa 1D?

- Isto não é um sistema simples. - Não.

É sempre assim nas principais estações europeias.

Não quero pressionar, mas temos um Pagani Utopia Roadster

a voar na nossa direção neste momento.

Vá lá.

Mexam-se!

Vou perder a paciência.

Um acidente.

Não têm de olhar.

Vão!

Vejam, alguém levou um toque por trás.

É um Maserati.

E estamos livres.

Estamos a perder muito tempo.

Desculpe.

- Estamos a tentar ir para Verviers. - O quê?

Verviers.

Não o ouço.

- Verviers. - O quê?

Verviers.

- O quê? - Verviers.

Verviers.

- Está um ecrã maior ali ao fundo. - Olha.

Certo.

Verviers.

E o GP F1?

Deve ser esse.

- Plataforma sete. Vamos. - Está bem.

Tenho de comprar bilhetes.

Muito bem, tenho a autoestrada livre.

Tenho de recuperar o tempo perdido.

Plataforma sete.

Vamos subir.

Não pares. Vamos lá.

Está no papo.

E sacou do telemóvel.

É um belo Siemens Eurosprinter.

Dois pisos.

- Temos de ir para o piso de cima. - Sim.

Vejamos se a porta para à nossa frente.

Olha só.

Guten morgen.

Pronto.

Isto é agradável.

Bélgica.

Chegámos.

Finalmente no país certo,

estava agora a apenas 270 km de Spa.

CIRCUITO DE SPA

Mas também eram mais 270 km do que o Pagani tinha no depósito,

o que significava que a minha única opção era encarnar a velocidade,

a postura e a graça de uma equipa das boxes de Fórmula 1.

Estou bem.

Gasolina 98.

Vá lá.

Mais rápido.

Está na hora de ir.

Quero pagar a bomba sete.

Com licença. Desculpe.

Ele tinha a mão nas calças. Não sei porquê.

Uma paragem nas boxes na F1 ronda os dois segundos.

Esta durou oito minutos.

Está tudo bem.

Vamos lá. De volta à estrada.

Quanto dura esta viagem?

Uma hora e 24 minutos.

Mas já estamos na Bélgica.

Sim, e vamos avançar a velocidades até 190 km/h.

Não é nenhum Eurostar.

Não, mas é mais rápido que as estradas.

Ou será que não?

Este é o primeiro carro com turbo em que ando

onde não sinto que estou a perder nada do som.

Parece um espírito a gritar de outro plano de existência.

Ouçam.

Com o Pagani a avançar sem tréguas pela Bélgica,

o Francis estava prestes a lançar outra surpresa logística.

O que nos espera em Verviers?

Outro comboio?

Tal como a fábrica da Williams ficava a uma pequena distância da estação…

Não.

… Spa fica a uma distância média

da estação a que estamos a chegar.

Média é mais do que pequena?

Sim. Então, temos de ir outra vez de bicicleta.

Claro que temos.

Quão longe é a distância média?

Vinte e oito quilómetros.

Sinto que estou nos Apanhados.

E a primeira era o quê, 15 km?

- Sim. - Dá mais de 40 km.

Isto não é uma viagem de comboio.

É uma viagem de bicicleta com comboios no meio.

Não te preocupes.

Como passámos tanto tempo sentados,

põe as pernas a mexer, senão vais ter uma cãibra monumental.

Está bem.

Saí da circular e entrei numa autoestrada em direção ao circuito.

Vamos a isto.

Podia estar a recuperar muito tempo,

mas já só tinha duas horas.

LINHA DE CHEGADA

Com os fãs a encher o circuito e o Alex Albon a preparar-se para correr…

… escusado será dizer que ninguém podia tirar o pé do pedal.

Nunca fiz uma direta que começou com uma viagem de bicicleta

e depois: "Sabes que mais? Em vez de ir dormir,

vou andar ainda mais de bicicleta."

VERVIERS - ESTAÇÃO CENTRAL LIÈGE, BÉLGICA

Thomas.

Onde estão?

Chegámos a Verviers. Estamos a mudar de meio de transporte.

A mudar para quê?

Vamos arranjar bicicletas.

Esquece-o, estás a atrasar-nos.

Bicicletas?

Está bem. Divirtam-se.

Onde estás?

Estou nos arredores de Bruxelas.

- Está bem. - Não precisamos disso agora.

Adeus, Thomas. Boa sorte.

Está bem, boa sorte.

- Está nos arredores de Bruxelas. - Certo.

Isso não é nada bom.

Estão mais perto do circuito do que eu.

Agora tenho uma velocidade máxima superior à deles.

Muito superior, na verdade.

Última etapa.

É o nosso momento.

Verviers tem muitas subidas.

Infelizmente.

Só faltam 27,8 km.

A quanto vou?

Escolhi aquele momento para ver a velocidade.

- Estás bem? - Sim.

Qual será a velocidade deles?

O Francis é estranhamente atlético.

Uma vez, vi-o a arrancar numa trotinete

e foi tão rápido que temi pela segurança dele.

Mas o James não é ciclista.

- Estás mesmo bem? - Sim.

Mas acho que tenho quecepassa na mão.

- Que é quecepassa? - Nada.

E contigo?

- Pronto, vamos continuar. - Estás bem?

Sim.

Queres que te avise se houver coisas na estrada?

Aquele sinal, apesar de ser fluorescente, apareceu do nada.

1 HORA ATÉ À QUALIFICAÇÃO SPRINT

Estamos a chegar a Liège,

que é a cerca de 30 km do circuito.

Estamos perto.

Vejam a perna esticada.

Já fizeste isso antes, Francis.

Estou a ver colinas e florestas.

Esta é a paisagem de Spa.

Estamos perto.

Não me digas que temos de subir aquela colina.

Caraças!

Isto parece o Tour de France.

Não me deixes para trás, James.

O quê?

Não me deixes para trás.

Vá lá, Francis, estás a ser lingrinhas.

Porra, aquela subida!

Caramba!

Vais a 40, Francis. Vais a 40, 41,

42,

43.

Vejam aquela postura.

Está a esmagar o testículo.

Grande Prémio da Bélgica de F1. É um sinal!

O Thomas deve sair aqui.

Cá está. É a minha saída.

Nem sinal dele.

- Estou? - Thomas.

Onde estás?

Estou perto do circuito. Onde estão?

Quão perto?

Menos de 30 km.

Está bem. Só precisamos de saber isso. Muito obrigado.

O que raio foi isto?

- Está a menos de 30 km. - 30 km.

Não é nada bom.

30 MINUTOS ATÉ À QUALIFICAÇÃO

Está ali a pista.

Reta final.

Olha para a quantidade de peões.

Obrigado.

Obrigado, pessoal.

Centenas de quilómetros em três países

e tudo se decide neste momento.

Chegámos!

Chegámos mesmo!

O Pagani?

Isto é uma grande lomba.

- Aqui, James. - Se essa perna não nos der a vitória…

Para onde vou?

- Williams! - Desculpe.

Desculpe, sabe o número

do paddock da Williams?

ACESSO AO PADDOCK

Agora, para onde?

É a Williams ali?

É a Williams.

Temos de ir pela frente, não é?

Vou pegar no capacete.

Vá lá, sai!

Vamos…

Pronto. Já está.

Não tenho tempo. Vamos lá.

Estão aqui? Espero que não.

Com licença.

Com licença.

Obrigado.

Obrigado.

Williams. James!

Não vejo um Pagani.

Não vejo um Pagani.

Conseguimos?

A garagem.

É a garagem.

O quê?

- Têm de encontrar a garagem! - Aqui é a Hospitalidade.

Afinal…

Não tínhamos chegado.

Merda!

Pronto.

Desculpem. Onde é a garagem da Williams?

Onde estão eles?

Não vejo ninguém de bicicleta.

É para subir as escadas?

Foi o que ela disse. Sim, subir as escadas.

Lá está. A Williams.

É a Williams.

Alex, cheguei.

Eu fico com o capacete.

Obrigado.

Não acredito. A sério.

Nós merecemos. Fizemos 42 km de bicicleta.

E houve um comboio pelo meio.

Já não me sinto mal.

- Sim. - Sinto, sim.

Ainda estou devastado.

A QUALIFICAÇÃO SPRINT COMEÇA EM

Quero muito ver o capacete laranja. O que trouxemos.

- Eu sei. - De muito longe.

Estou ciente disso.

- Lá está! - Vai, Albon!

- É o laranja! - Honra o nosso capacete.

Sim!

Um dos meus cabelos vai a cerca de 300 km/h neste momento.

Ele pôs o capacete.

Experimentei-o.

Muito bem.

Parabéns, cavalheiros.

- Bom trabalho. - Bom trabalho.

Na próxima, ganho-vos. Perceberam?

Não espetaste um Pagani.

Isso é verdade.

Mas, verdade seja dita,

nas últimas 13 horas ao volante do Pagani,

também não tinha tido hipótese

de começar sequer a explorar o seu desempenho.

Por isso, a voltar de Spa,

fiz um pequeno desvio.

Pista livre, sem limites de velocidade,

sem o trânsito de Bruxelas,

sem o James e o Francis já na meta.

Vejamos do que é capaz.

Modo de corrida.

Credo!

Continua a patinar em terceira.

Este desempenho é absolutamente brutal.

Estão a ouvir isto?

O facto de eu estar a orquestrar este som

e este desempenho com uma caixa manual

deixa-me boquiaberto. A sério.

E vejam a manete. Está toda à mostra.

É praticamente pornográfica.

É isto que o C-3PO vê à noite na Internet.

Sem grande surpresa, este hipercarro de 852 cavalos

e três milhões de euros é revigorante

quando se acelera.

Mas o que o torna interessante

não é o facto de ser rápido.

É a forma como é rápido.

É feito de um material chamado carbotitânio

e Carbo-Triax HP62.

E tem 40 tipos diferentes de fibra de carbono.

E não tem nenhuma insonorização,

daí o som das pedras a serem projetadas

pelos pneus contra as cavas das rodas.

Toda essa redução de peso faz com que este carro pese menos de 1300 kg.

Isso torna-o mais leve do que um Mini Cooper S.

Significa que tem uma melhor relação potência/peso

do que o novo Revuelto da Lamborghini.

É o supercarro topo de gama deles, com mais de 1000 cavalos.

Não só os números no painel do Utopia passam a voar,

como o baixo peso, os pneus aderentes e a aerodinâmica sofisticada

fazem com que trave assim.

Os travões.

Até me deixou tonto.

Mas a loucura que é o Pagani não se fica pela velocidade em linha reta

porque, se se atreverem a desligar o controlo de tração,

é melhor estarem preparados.

Têm de o controlar.

Têm mesmo.

Não há atraso nenhum entre eu virar este volante

e a frente responder.

Credo!

E é mesmo uma loucura.

Meu Deus!

É de loucos.

A margem de erro é praticamente nula.

Têm aderência, uma derrapagem, um pião.

Só têm isso.

Em vez de adicionar baterias híbridas, tração integral

e uma caixa de dupla embraiagem para garantir desempenho,

a Pagani optou por tornar a experiência crua

e sem filtros,

à moda antiga.

É um carro que exige que o condutor esteja mesmo muito atento.

Meu Deus!

A Pagani podia ter enchido o carro de tecnologia.

Podiam tê-lo feito muito mais rápido em linha reta, mas não o fizeram.

Decidiram fazer algo muito mais importante.

Decidiram torná-lo empolgante.

O mundo dos supercarros e hipercarros deixou-se baralhar

pela corrida sem fim em busca de mais cavalos e mais velocidade.

O Utopia não quer saber disso.

Sim, é rápido, mas é muito mais do que isso.

É uma lembrança de que os hipercarros ainda podem ser

o que a nossa mente imagina aos oito anos.

Pronto, admito que o Utopia é uma lembrança bem cara,

mas não é para isso que servem os hipercarros?

Para nos dar algo com que sonhar.

BERLIM

Só para ficar claro,

o hipercarro de 850 cavalos e 3 milhões de euros era bom.

Sim.

Está bem, mas de que vale se estás sempre preso no trânsito?

Não preferias estar num destes?

Um Microlino.

Com apenas metade do tamanho do precioso Pagani do Thomas,

o Microlino é um carro elétrico da Micro, fabricante de trotinetes dobráveis.

Quantos elétricos vemos

que não passam de massas amorfas e aborrecidas?

A maioria.

Há um rol especial de elétricos feitos para um fim específico,

que fazem coisas fixes, e este é um deles.

- Chega bem para a cidade. - Sim.

É compacto, eficiente… É perfeito.

Olha para ele.

É tão fofo.

Quanto dá?

Do zero aos 50 em cinco segundos.

- Cinco. - Nada mau.

- Zero aos 50? - Quilómetros por hora.

Mas não passa dos 90.

- Quilómetros por hora. - Sim.

- Certo. - Na cidade, chega.

Sim, é verdade.

Como podes não o adorar?

Mas este carro pequeno tem um preço bastante elevado.

Custa a partir de 17 000 libras.

- Dezassete mil? - Sim.

Este tem maior autonomia, custa 22 000 libras.

James, isso é o preço de um carro a sério.

Sim, dá para um Volkswagen Polo.

Volkswagen.

Mas não tem este ar.

Isto é felicidade pura.

Adora-lo mesmo, não?

Adoro-o.

Não só pelo que é,

mas pelo carro em que se inspira,

o Isetta.

E é um carro cuja história é lendária.

Deixem-me recuar até aos anos 50.

A Europa tenta reconstruir-se após a Segunda Guerra Mundial

e o dinheiro escasseia.

Em Itália, toda a gente anda em scooters baratas,

o que é muito bonito

até começar a chover.

É aí que entra Renzo Rivolta,

o dono da Iso, uma empresa italiana de refrigeração.

O Rivolta tem uma ideia brilhante.

E se houvesse uma scooter à prova de chuva?

Então, reúne um grupo de engenheiros aeroespaciais.

E o resultado foi este.

Com o motor de uma mota,

o puxador de uma porta de frigorífico

e dois lugares lado a lado.

O design da Iso é genial, elegante.

Um salto quântico para os microcarros.

Mas os italianos não aderem ao Isetta.

E o microcarro não vende tão bem como o Rivolta esperava.

Após um ano no mercado,

a Iso só vendeu umas centenas de Isettas,

o que significa que está prestes a ser esquecido pela história.

Até que aparece um peso-pesado:

um chamado Bayerische Motoren Werke.

Conhecem-na como BMW.

E, para o Rivolta,

essas três letras significam uma grande vitória.

Neste novo clima do pós-guerra,

a BMW está quase falida.

Precisa de uma tábua de salvação.

E rápido.

Como um chef com estrelas Michelin a virar-se para cachorros-quentes,

os donos da BMW decidiram que o Isetta podia ser a solução rápida

de que precisavam para manter a fábrica a funcionar.

Compraram a licença do design à Iso

e trataram de lhe dar o toque da BMW.

E, em 1955,

revelam…

Isto.

O Isetta.

Não mudaram o nome,

mas este é o BMW Isetta.

Sei que parece igual,

mas é muito diferente.

E, mais importante ainda,

a BMW tirou o minúsculo motor de 9,5 cavalos da Iso

e enfiou-lhe um motor potente que debita

12 cavalos.

Está a fazer sinais de luzes.

Desculpe.

Este veículo tem as suas particularidades.

O padrão da caixa, por exemplo, parece saído de um pesadelo.

É barulhento, soa a corta-sebes

e não é propriamente seguro.

Este teto de abrir não é um teto de abrir.

É uma saída de emergência

obrigatória por lei em caso de colisão frontal

porque, se forem contra um rato com isto,

para onde é que vão?

Ainda assim, apesar de todas estas coisas,

adoro este carro.

Adoro-o tanto…

… que comprei um.

Esta coisa espalha alegria.

Não é só o habitáculo. Toda a gente o adora.

Toda… Olá.

Toda a gente adora este carro.

São tão alegres.

E tem um belo truque na manga.

Estaciono-o.

Frente para o passeio.

E saio.

Diretamente no passeio.

Genial.

O pequeno Isetta foi um grande êxito entre os alemães.

Venderam-se mais de 160 000 em menos de uma década,

consolidando o negócio da BMW

e preparando o terreno para o seu sucesso futuro.

Mas havia mais.

Depois de ter ressuscitado a BMW,

o Isetta não tinha terminado as suas boas ações.

Tinha provado que podia salvar uma empresa,

mas chegara a altura de se tornar um salvador do povo.

Estamos em 1961,

o auge da Guerra Fria.

O Muro de Berlim ergue-se quase da noite para o dia.

Repleto de minas terrestres,

arame farpado e guardas armados,

os berlinenses do Leste são proibidos de cruzar a fronteira.

E aqueles que tentam, arriscam a vida.

Em Berlim Ocidental,

está um jovem chamado Klaus-Günter Jacobi.

E o seu grande amigo, o Manfred Koster, está preso deste lado do Muro

e vai ser mobilizado para o exército da Alemanha de Leste,

algo que não quer mesmo nada.

Então, o Klaus engendra um plano audacioso para libertar o Manfred,

passando-o clandestinamente pela fronteira num…

… acertaram…

… Isetta.

O plano do Klaus assentava numa particularidade do Isetta.

O motor está montado à direita, atrás dos bancos,

e o Klaus acha que talvez deixe espaço suficiente à esquerda

para um buraco do tamanho do Manfred.

Em 1963,

à noite na sua oficina,

começa a criar um compartimento secreto do tamanho de uma pessoa

no Isetta.

Ao modificar o piso e o escape,

e ao instalar um novo depósito minúsculo,

o Klaus cria uma pequena cavidade secreta atrás do banco do condutor.

Para escapar,

era neste espaço que o Manfred teria de caber.

Desculpa.

- Olá. - Sim?

Thomas, ajudas-me aqui por um segundo?

Está bem.

Enfia-te aí dentro.

Prefiro não o fazer.

- Estudaste história, certo? - Sim.

- E adoras história. - Sim.

E fazes aquela coisa americana de vir à Europa,

tocar num edifício e dizer: "Sabes a idade disto?"

Sim.

Da última vez, foi um Tesco Express.

Isto é história a sério.

Atira-te de cabeça.

Má escolha de palavras, mas tenta.

Uma pessoa cabe mesmo aqui?

Sim. Acho que pôs as pernas ali.

É apertado.

Tens de te encolher mais.

Como ficaste no fim de Gossip Girl.

- Isso… - Sim.

Expira.

Entrei?

- Não, de todo. - Está bem.

Parece que vais ficar na Alemanha de Leste, amigo.

Está bem.

Felizmente, o verdadeiro Manfred é bem mais pequeno do que o Thomas,

e o compartimento secreto do Isetta

assenta-lhe como uma luva.

Então, uma noite, em 1963…

POSTO DE CONTROLO

… dias antes de o Manfred se apresentar ao serviço militar,

decidem pôr o plano em marcha.

Mas demoram mais do que deviam.

Quando chegam ao posto de controlo,

são 23 horas.

Falta apenas uma hora para a fronteira fechar

e a fila é longa.

O tempo vai passando,

a fila avança lentamente

e faltam apenas minutos para a fronteira fechar.

Documentos, por favor.

Se o Manfred tossir ou um cão farejador lhe apanhar o cheiro,

basicamente, se os guardas desconfiarem de alguma coisa e o descobrirem,

não vão só mandá-los para casa.

Provavelmente, nunca mais serão vistos.

O Manfred está livre.

E a sua fuga desencadeia uma pequena revolução.

Inspirados pela missão do Klaus,

nos anos seguintes,

o Isetta é usado para tirar ainda mais desertores

da Alemanha de Leste, rumo à liberdade.

O Isetta tinha oficialmente provado que era um herói da Guerra Fria.

É uma história incrível. É mesmo.

Consegues imaginar a tua vida,

o teu futuro, a tua segurança, a depender de um Isetta?

Foi um herói improvável e minúsculo.

Estamos a dizer que o Microlino

tem de honrar um pequeno grande legado.

Sim, é verdade, mas tem o mesmo otimismo.

Tem essa energia.

Sim.

Ele aprovou-o.

Sim.

- Ele adorou-o. Sim. - Grande homem.

Esqueçam os Ferraris e os Lamborghinis.

Isto é que vale a pena.

É um dos poucos elétricos que têm mesmo pinta.

- Sim. - Vai, Microlino!

- Acelera a fundo. - A fundo.

- Tudo. - Vai a fundo.

- Vai? - Estou a dar tudo.

Posso ajudar. Se puseres o peso todo…

Não faças isso! Tira.

AGRADECIMENTO ESPECIAL KLAUS-GÜNTER JACOBI

PRÓXIMO EPISÓDIO

Do agitado Atlântico…

Porra!

… ao deserto do Namibe,

quase cair de um penhasco…

Caramba!

Como fizeste isso?

Estou empolgado.

Pois, eu estou intimidado.

A correr em Angola!

Não tenho travões.

É assustador.

Legendas: Pedro Freitas

Supervisão Criativa Mariana Vieira

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