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Olá e sejam bem-vindos.
Este é o meu Alfa Romeo.
É um GT 1300 Junior de 1970.
E estou a conduzi-lo porque,
bem, é bom arejar o mofo,
mas também porque quero falar sobre restomods.
Os restomods estão muito na moda.
São carros clássicos restaurados por especialistas
e modificados para ficarem melhores do que eram.
Mas o termo restomod é um pouco abrangente.
Tecnicamente,
este monte de sucata traiçoeiro e pouco fiável é um restomod,
porque o restaurei para tirar toda a ferrugem.
Pronto, parte da ferrugem,
e modifiquei-o, dando-lhe mais uns cavalos
e uma suspensão nova.
Mas fi-lo com um orçamento quase nulo.
Isso levanta a questão.
Como ficaria este carro
se o restaurassem com um orçamento ilimitado?
Nas montanhas enevoadas de Itália,
talvez tenha encontrado a resposta.
Da italiana Totem Automobili, especialista em restomods,
chega a sua mais recente criação,
o GT Super.
E foi restaurado
pela módica quantia de 565 000 libras.
Por isso, convém que seja bom.
O GT Super é menos um restauro
e mais uma recomposição.
Eles reconstruíram o carro do zero,
em fibra de carbono.
E a qualidade do trabalho é incrível.
Vejam esta porta, por exemplo.
Sei que parece que tem três materiais diferentes,
mas tudo, incluindo o friso da janela,
é, na verdade, uma única peça contínua de fibra de carbono, de baixo até cima.
Mas o que mais recebemos pelo nosso dinheiro?
Bem, acho que tem o melhor interior que já vi.
O interior original do Giulia GT era bonito,
mas era uma porcaria.
Este tem a mesma essência desse interior,
mas, em vez de ser feito em vinil que nos faz suar e baquelite,
é feito em pele sumptuosa,
estofos em pied-de-poule
e peças de alumínio fresado.
É absolutamente requintado.
E é igualmente bonito debaixo do capô,
até ao pormenor da barra de suporte forrada a pele.
Mais importante ainda,
o velho quatro cilindros de 100 cavalos desapareceu,
substituído por um motor italiano totalmente novo,
com muito mais garra.
Este tem um V6 biturbo de 2,8 litros…
… que debita 631 cavalos.
Vai dos 0 aos 100 em pouco mais de três segundos.
O meu carro não vai dos 0 aos 100 sem avariar.
Meu Deus do céu!
Parece o meu carro,
mas é como se tudo estivesse no máximo.
É bom.
É muito bom.
Mas não deixa de ter os seus inconvenientes.
Apesar de terem reconstruído o carro em fibra de carbono,
consegue pesar mais do que o original.
Acho que é por este carro
ter sido desenhado para ser um elétrico
e partilhar o chassis com a versão elétrica.
Daí o volume extra.
E o outro problema é o som.
Para mim, este carro não devia ter um motor turbo,
mas acho que precisaram do turbo
por ser tão pesado.
Quero que este carro ladre,
rosne, grite.
E esse som não está lá.
Sabem que mais?
Quanto mais o conduzo…
… menos me importo.
Para mim, o GT original é um dos carros mais bonitos de sempre.
Foi por isso que comprei um.
É impossível melhorá-lo,
é até insultuoso,
mas a Totem conseguiu essa proeza.
Isto é uma versão de uma música
melhor do que a original.
É a All Along the Watchtower do Jimi Hendrix.
Sinceramente, se se querem dar ao luxo de comprar um restomod,
não sei se conseguem melhor que isto.
Claro que conseguem.
Este é o Prodrive P25,
uma gárgula feroz em forma de restomod.
Quatrocentos e cinquenta cavalos
da brutalidade dos ralis dos anos 90,
transportados para a atualidade.
Agarrou-me pelas cuecas
e está a dar-me um puxão brutal.
Na altura,
a equipa britânica Prodrive
geria a equipa da Subaru no Mundial de Ralis,
catapultando pilotos como o Colin McRae, o meu herói de infância,
para vitória após vitória.
Este carro é a homenagem da Prodrive
ao seu próprio Subaru Impreza, campeão mundial em 1997.
A Prodrive pegou no espírito genuíno dessa máquina vencedora de corridas
e pô-lo num carro de estrada.
Parece totalmente analógico.
Sem ABS.
Sem controlo de tração.
Só eu e a máquina.
E o que torna esta máquina tão única?
Bem, a Prodrive pegou no Impreza de série,
reduziu-o ao essencial
e reconstruiu-o do zero
com uma carroçaria em fibra de carbono.
Mas não é tudo.
O feroz motor boxer foi melhorado com componentes internos mais robustos
e um turbo maior.
Foi instalada uma tração integral de rali.
E para rematar,
um pequeno truque herdado do seu passado nos ralis.
Tal como o carro de rali,
o P25 está equipado com anti-lag.
Se premir este botão…
Isto dá-me potência instantânea.
Como se já não andasse como o caraças.
Meu Deus!
O anti-lag injeta combustível no escape para os turbos não perderem rotação,
garantindo uma resposta rápida quando se volta a acelerar.
É antissocial,
mas é absolutamente brilhante.
Está bem.
Dá para ver que ele o adora.
É o Colin McRae?
É o Richard Burns?
Não, é o Francis Bourgeois.
O que é isto?
É o Prodrive P25.
Parece um Subaru dos anos 90.
É um restomod?
É um restomod em todos os sentidos.
Certo. Quanto custa?
Cem mil, 150?
Quinhentas e cinquenta mil libras.
Quinhentas e cinquenta mil libras.
Pensa na I&D, certo?
Cavalos?
Quatrocentos e cinquenta.
Seiscentos e trinta e um.
Está bem.
Quanto custa?
Quinhentas e sessenta mil libras.
Está bem, é o preço normal dos restomods.
Olha para ele. Olha só.
É lindo.
Então, onde está…
Onde está o Giulia GT? O que…
O carro original?
A essência está lá.
Aquela peçazinha ali… Isto é do carro original.
Vês?
É a única coisa do carro original?
- Sim. - Tudo o resto foi fabricado?
Sim.
Então, é um carro novo.
- Sim. - Não é restomod.
Só literalmente.
Francis, vê como é bonito.
Olha para ele.
- Certo. Thomas? - Sim.
- Só para demonstrar. - Sim.
Para onde foi o dinheiro todo…
- Sim. - Acho que a melhor forma é…
Apanha-me.
Está bem.
Pronto, vamos lá.
O anti-lag está ativado.
Vejo-o nos espelhos.
Não tem a mesma tração que eu.
Vá lá.
Vá lá, pequeno Totem.
Temos aqui um pequeno problema.
Tem modos de motor.
E tenho-o no modo mais agressivo,
mas, quando está nesse modo,
não tem controlo de tração.
Não consigo ganhar aderência.
Raios!
Estou a ganhar ao Thomas nas curvas, isso é certo.
Na reta,
acho que os 630 cavalos dele
podem acabar por me apanhar.
"Subaru estúpido, Francis."
Sinto que estou a estragar um pouco a diversão do Thomas.
Estou ansioso por ver a traseira do Totem.
Estou a apanhá-lo.
Parece que me está a deixar passar.
Sim.
Está a ser simpático.
Está bem, vê isto.
Sim, Thomas!
Sim, Thomas!
É o que acontece quando o Thomas vai à frente.
Talvez perseguirmo-nos em máquinas de um milhão de libras
não fosse a forma mais inteligente de ver quem tinha o melhor carro.
Então, decidimos resolver isto à moda antiga.
Então, uma corrida de Drag Racing de 400 m
entre o derradeiro restomod dos anos 90
e um carro novo a fazer-se passar por um Alfa Romeo dos anos 70.
Francis, vês a bandeira que aquele tipo tem na mão?
Lembra-te de onde estás.
Pronto, vamos lá.
Pronto.
Controlo de arranque ativado.
Meu Deus!
Estou a perder.
Mas estou a mandar chamas.
Deixei-o para trás!
Inacreditável!
Acabei de ser destruído.
Desculpa, Thomas. Não te vi de todo.
Qual é a tua desculpa, Thomas?
Pouca potência, pouca tração?
Demasiada extravagância,
demasiada paixão,
demasiada alma.
Meu Deus! Este carro é rápido, muito rápido.
Aquele deixou-o a comer pó.
Que carro!
Felizmente para mim,
os restomods são muito mais do que simples tempos nos 400 m.
Ambos os carros mostram o que é possível fazer
quando o restauro é feito com um orçamento ilimitado.
Mas, seja qual for o orçamento
para a vossa carteira,
acho que importa menos o que se gasta neles
e mais o que se retira deles.
Sim.
LONDRES
Depois de regressarmos da nossa aventura italiana,
voltámos a juntar-nos os três num cinema local…
Imbecil!
… para uma sessão especial de um clássico intemporal.
Esta, como sabem, foi feita para ser robusta.
Então, temos de descobrir quão resistente é.
Lá está.
Não devia ter sobrevivido.
É de loucos.
Eis o que estou a pensar.
Qual é o carro mais resistente de sempre?
Ainda está a funcionar.
A Toyota Hilux.
O Jeremy Clarkson acabou de te mostrar.
É uma carrinha.
Estou a falar de um carro normal, como um sedan ou uma station wagon.
Estou a ver. Sim. Faz sentido.
Se alguém quiser um carro
que dure para sempre e que nunca morra,
não vai querer andar sempre numa carrinha.
- Só deve querer um carro normal. - Sim.
- Mas seria um carro moderno? - Não.
- Não seria, pois não? - Não.
O foco é o preço.
Sim. Também têm demasiada eletrónica e ecrãs.
Nem pensar.
Tens de ir ao passado?
Sim.
- Aonde? - Anos 90.
- Anos 90. - 90?
Sim, vai ser dos anos 90.
Antes de a eletrónica se complicar.
- E de virem os contabilistas. - Sim.
Muito bem, ouçam,
vamos embora,
escolhemos um candidato
e lutamos até à morte.
Só carros.
- Alinho. - Pronto.
Está bem.
Vamos a isso!
- A direção está torta. - Sim.
Após uma semana a vasculhar anúncios,
cada um comprou o carro que achava
ser o mais resistente do mundo.
E reunimo-nos aqui.
O centro de testes mais rigoroso do mundo…
O País de Gales.
Aqui estamos.
Estou empolgado.
Vou primeiro?
- Sim. - Sim.
- Certo. Prontos? - Sim.
Esperem.
Esse carro é castanho.
- Eu ajudo-te. - Sim.
Olha só.
O Lexus LS 400.
O carro que afirmou a Lexus como luxuosa,
duradoura e de prestígio.
É mesmo castanho.
Meu Deus!
Porque é tão castanho?
Castanho sobre castanho
em castanho. - Castanho.
Combinas com o carro.
Estou a encarnar o típico dono de um Lexus LS 400.
Sabias que gastaram mil milhões de dólares
a desenvolver este carro?
E não é um carro bonito,
mas, quando olhas para o alinhamento dos painéis,
as folgas têm exatamente a mesma largura.
Este Lexus é famoso por ser muito bem construído.
O problema do teu carro, Francis, é que é um pouco complexo.
Posso apresentar-vos um tijolo com três peças móveis?
Meu Deus!
Porque é tão azul?
Acho que foi repintado.
Isto é um Volvo 240 de 1993.
O tijolo invencível original.
Este carro mudou o jogo em todo o mundo.
Foi o carro usado nos testes de impacto dos EUA nos anos 70,
como exemplo de como um carro deve ser feito,
porque era seguro, robusto e bem construído.
O único carro que gostava que me atropelasse
é, provavelmente, um destes.
Dito assim, parece inofensivo.
E é. Só tem 120 e tal cavalos,
num quatro cilindros.
- É fraco. - Não.
É incrivelmente desafogado.
Pensaram em tudo para garantir
que não era um produto descartável.
É um carro que vai funcionar para sempre.
Foi desenhado para que, se a correia se partir,
não haja interferência entre a válvula e o pistão.
- Não tem interferência. - Exato.
Vou mostrar-vos algo
que não hesita em interferir.
Certo. O que significa isso?
Tem um mata-vacas?
Não é.
É mais uma barra de proteção.
- Mas sim. - Espera um segundo.
Certo. É um…
- É um Ford Crown Victoria. - Espera.
Um segundo.
É o Ford Crown Victoria,
mas este é a versão Police Interceptor.
Podes crer.
Foi reforçado.
Tem melhorias na suspensão.
Aguenta uma colisão a 120 km/h.
Os painéis são em aço galvanizado, para evitar a corrosão.
Podem comprar-se usados.
Ser Interceptor não o desqualifica.
Só mostraste o quão brilhante é esta escolha.
- Desculpa. - Sabes?
Se disseres que isto é uma má escolha,
estás a sugerir que a polícia dos EUA comete erros.
Está bem.
Feitas as apresentações,
rumámos ao primeiro de muitos testes de indestrutibilidade,
convencidos de que os nossos carros tinham o que era preciso para sobreviver.
O Volvo 240 é um carro muito importante para mim
porque cresci em Volvos.
Os meus avós tinham.
Os pais também.
Fui levado do hospital para casa num Volvo 240.
O motor deste carro foi incrivelmente bem concebido,
mas os engenheiros da Volvo não se deram por satisfeitos.
Para o testar, puseram uma série deles em dinamómetros,
a trabalhar a fundo durante 500 horas.
Equivale a dar a volta ao equador a 160 km/h.
Duas vezes.
O Crown Vic é um sacana resistente, feito para durar.
Há muitos carros que ultrapassaram um milhão de quilómetros.
Este carro é construído sobre um chassis de escada.
Já não fazem carros com chassis de escada.
Só se fazem carrinhas, SUV e camiões,
porque já não é eficiente.
É muito pesado.
Mas é incrivelmente forte.
Nós fomos mais expostos ao Crown Vic do que a qualquer outro carro
através do cinema e da televisão.
Pesquisei no Google em quantos filmes o Crown Vic entrou.
E a resposta foi em todos,
incluindo o Vaiana.
Porque escolhi este carro?
Mil e quatrocentos engenheiros
foram encarregues de criar o melhor carro possível.
Tinham de afirmar a Lexus como uma nova marca
de luxo, durabilidade
e com uma pitada de diversão.
A minha grande inspiração na engenharia tinha um carro destes.
Era o meu tio-bisavô Alex.
Ele desenhava suspensões
e os projetos dele foram usados
em dez milhões de veículos.
Quando conduzia este carro,
dizia estas palavras…
"É um carro muito bom."
Não gosto de danificar carros,
mas isto tem um objetivo.
Há uma razão para fazermos isto e espero
que inspire os fabricantes a voltarem a fazer carros como deve ser,
porque é melhor quando duram para sempre.
É melhor para o consumidor.
É melhor para o ambiente.
Parece que o James encarnou mesmo um polícia americano.
O primeiro teste de sobrevivência dos carros
seria descobrir o quão resistente é a suspensão.
Eu e o Thomas ficámos encarregues de o planear,
convencidos de que íamos impressionar o engenheiro que há no Francis.
Porque está um contentor suspenso no ar?
Sim.
Thomas e James, o que é isto?
É a nossa imaginação a manifestar-se na realidade
e é magnífico.
Está melhor do que imaginava.
Estou empolgado.
Isto é ótimo. Confia em mim.
Vamos pôr os carros
na ponta do insuflável laranja,
largar o contentor numa ponta,
os carros dão um salto,
caem direitos e testa a suspensão.
Como esperam que os carros continuem a andar depois disto?
Fizeram alguma simulação CFD
da insuflação do saco quando o contentor cai?
Consideraram a altura do contentor?
Consideraram o peso do contentor?
Nada de CFD.
Fizeram alguns cálculos para a trajetória…
Para provar ao Francis que o teste era cientificamente válido,
decidimos fazer-lhe uma demonstração com um rato de laboratório.
É um Tesla.
Sim.
Sim, agora estão baratíssimos.
Pergunto-me porquê.
- Arranjam-se facilmente, não é? - De repente.
Pelo ar, sobre a suspensão. O teste perfeito.
Três, dois, um,
largar!
O que é que eu disse?
Nesta altura,
assumi o controlo.
E, usando alguma lógica…
OBSTÁCULOS NA ESTRADA
… preparei uma experiência mais bem pensada.
O que estamos a ver?
Este é o teste da suspensão.
É enorme.
Este percurso de tortura trepidante
era uma estrada do inferno…
A PIOR ESTRADA DO MUNDO
… que incluía um simulador de buracos,
lancis fora do sítio…
LANCIS SOLTOS
… rails de segurança manhosos…
PISO EM MAU ESTADO
… e o trilho de troncos.
CURVA ACENTUADA
E para garantir que não fazíamos o percurso a pisar ovos,
íamos correr contra o relógio, com os carros
a terem de fazer 8 km em 15 minutos.
Pessoal, eu vou primeiro.
Só temos de sobreviver.
Vamos lá.
É aqui que o lado Interceptor do Crown Vic me deve valer.
A suspensão está 20 mm mais alta.
Tenho molas reforçadas.
Aqui vamos.
ESTRADA FECHADA
Certo.
Céus!
Vá lá, Volvo, tu consegues.
Vou abrir caminho a proteger e servir.
É uma perseguição policial fora da estrada.
Primeiro obstáculo, alguns lancis.
Caramba!
Isto não soou bem.
Nos carros modernos,
a suspensão é desenhada… Merda!
… por computadores.
Meu Deus!
Quando isto foi feito, não tinham isso.
Tinham de reforçar tudo ao máximo
e é por isso que estes carros conseguem fazer isto.
Pobres carros,
o que vão sofrer aqui.
Parece assustador.
Sim.
A suspensão 20 mm mais alta já está a compensar.
Agora, seguem-se as rodas deitadas.
Caramba!
Borracha contra borracha.
Vá lá.
A meio do percurso,
a nossa suspensão estava a levar uma tareia.
Caraças!
Se chegaríamos ao fim
era a grande incógnita.
A suspensão de braço duplo absorveu isto incrivelmente bem.
Vá lá.
Vá lá, Lexus.
Vá lá, Lexus!
Caí da borda.
Vou precisar de ajuda.
Estou a ir, Francis.
Isto é assustador.
Isto é muito assustador.
A isso, Thomas, tenho de dizer:
"Bem jogado."
Como fiquei para trás após a minha saga dos troncos,
tive de acelerar para cumprir o objetivo de fazer 8 km em 15 minutos,
por isso, incentivei o James a despachar-se.
Vai um pouco mais rápido, James, vá lá.
És um criminoso.
O que está a acontecer ali?
E, com isto,
o poderoso tijolo sueco
foi o primeiro a completar o percurso.
Tentei fazer um pião, mas não resultou.
O Crown Victoria Interceptor.
Que carro!
Não gosto do riso do Thomas.
Tiraste o pneu da jante.
- Não! - Sim.
- Foi uma derrapagem suave no fim. - Não.
- Arranja-se facilmente. - Arranja?
O teu pisca está pendurado.
Isso é estético.
Meu Deus!
Céus!
É um teste à suspensão.
Ele passou-se.
Francis, não digas nada.
James, lamento muito.
Empolguei-me e…
Estavas cego de raiva.
Reparaste que o teu impacto quase não danificou a minha traseira?
O quê?
O que estou a ver nos nossos três carros
é que a suspensão, antes de medirmos,
portou-se incrivelmente bem,
considerando tudo. - Sim.
Acho que nem temos de medir.
- São bem rijos. - Sim.
Com os carros ainda a funcionar,
passámos ao teste de durabilidade do interior.
Uma máquina de lavar para carros.
Presos a uma estrutura rotativa…
Uma bola com picos.
… os carros iam ser carregados com objetos do dia a dia,
pesados, abrasivos e serrilhados.
Sabiam que o Lexus LS 400 passou
por 500 testes de qualidade do interior…
Bolas de golfe.
… antes de sair da linha de montagem.
Com os carros cheios
de, basicamente, uma vida de férias em família…
Alguns tijolos.
Cuidado.
… estava na hora de testar a durabilidade
dos nossos tabliers, bancos e botões.
- Pronto? - Sim.
A picareta caiu com força.
Não!
É isso mesmo, Crown Vic.
Foi um grande impacto.
Vamos ver.
O Tijolo partiu os tijolos?
Com os três carros já vazios,
a questão era:
como tinham resistido à agressão?
- Certinho. - Olha só.
A consola central está boa.
Vamos ver o rádio.
Ainda está bom.
A antena a subir dá pena.
Soltou-se um pouco de plástico.
Mas saíste-te bem, Francis.
Estou impressionado.
Vamos ver o Volvo?
- Sim. - Sim.
Está bem. Primeiras impressões.
Estofos, totalmente intactos.
Alguns furos no tejadilho.
Isto já era, fosse o que fosse.
Piscas.
O botão do volume?
Foi-se.
Mas ainda funciona.
Ainda funciona.
O porta-luvas não fecha.
Tejadilho, porta-luvas, volume.
Isto é um rebuçado antigo do Volvo que ficou a descoberto?
Querem ver o Crown Vic em toda a sua glória?
Parece bem.
As sirenes não dão?
Perdi as sirenes.
E as luzes da polícia?
Funcionam?
Acho que está só desligado.
Nunca teria acreditado nisto.
Após ver as coisas que estavam nos carros,
não estão danificados,
só sujos.
Se fizéssemos isto a um Série 7 moderno…
O carro ficaria inutilizado.
Ia para a sucata.
Ia mesmo para a sucata.
Sim. Não podias fazer nada.
É por isso que os botões físicos são a melhor opção.
Se tudo estiver num ecrã estúpido,
um tijolo… Nunca se sabe…
O carro torna-se inútil.
Estou impressionado.
Vamos ao próximo?
Vamos.
A caminho do teste seguinte,
estávamos maravilhados com a resistência dos nossos carros.
Este, desde o início,
manteve todo o seu charme japonês.
Os acabamentos em madeira, do departamento de pianos da Yamaha,
sofreram apenas alguns riscos
no verniz por causa das picaretas.
Parece que explodiu aqui uma bomba,
mas isso só deixou algumas coisas soltas.
São danos superficiais.
O carro em si
está a funcionar perfeitamente.
Sempre ouvimos dizer que o 240 é bem feito,
mas custa a acreditar…
… até vermos com os nossos olhos.
De seguida, era hora de pôr a nossa carroçaria à prova.
Os nossos carros iam enfrentar um pelotão de fuzilamento
de máquinas de lançar bolas de críquete,
cujo arsenal a 150 km/h iria simular uma saraivada de proporções bíblicas.
E para mostrar que somos fiéis às nossas convicções,
também nos pusemos na linha de fogo.
Merda!
Credo!
Vou sair daqui.
Sim, não. Que se lixe!
Sim, eu também.
Estúpido.
Vou para trás deles
e usá-los como escudo.
Merda!
Estou mais seguro aqui.
Vou baixar-me. Vou fingir que está tudo bem.
Devias proteger!
Não!
Muitos painéis amolgados e vidros partidos depois,
estava na hora de avaliar os estragos.
Painel traseiro esquerdo.
Uma pequena… Está bom. Não é preciso contar.
Vou contar este retrovisor como…
Espera. Parece que tem arranjo.
Só está virado ao contrário.
- O Lexus? - Sim.
Não parece muito diferente.
A parte boa é que não entrou nenhuma bola de críquete por aqui.
Sim.
O retrovisor esquerdo foi-se.
Parece haver ali um retrovisor em risco.
- Vamos ver o carro do James? - Sim.
Até o holofote ficou intacto.
A fugir às balas.
Algumas luzes fundidas.
O vidro foi atingido.
Estamos bem.
Tenho de admitir,
estes três carros são tão resistentes como achávamos.
Ainda estão todos em jogo.
Só têm danos estéticos.
Depois de a suspensão, o interior e o exterior dos carros terem sobrevivido
a um castigo tremendo com facilidade,
tinha chegado a hora de testar os motores.
Com os aceleradores presos,
os carros iam manter-se no limite até o primeiro motor rebentar.
A fiabilidade dos nossos motores era lendária,
por isso, preparámo-nos para esperar.
MAIS TARDE…
MUITO, MUITO MAIS TARDE…
Merda!
- Queimaste a junta da colaça. - Provavelmente.
É um Volvo. É só deixar arrefecer uns minutos
e volta a andar.
Foi só um pouco de óleo. Está bom.
Sim, ainda conta como estando a funcionar. Lamento.
Pois conta.
Sem problema.
Pronto para outra.
Com a junta da colaça do Volvo aparentemente intacta,
os três carros continuavam em jogo.
Então, pensei em subir a parada para encontrarmos um campeão.
Bem-vindos ao derradeiro teste de durabilidade.
Uma regra.
Se pegar lá em baixo,
ainda está vivo.
- Certo. - Certo.
Três, dois,
um, vai!
Lá vai o Volvo.
Lexus!
Meu Deus!
Vai quase a direito.
Não!
- Vira à direita! - Meu Deus!
James,
não está com bom ar.
- Não está com bom ar. - Não.
- Olha como o tejadilho entortou. - Sim.
- Tentamos ligá-lo? - Sim.
É um ângulo estranho. Prontos?
- Sim. - Sim.
Vá lá, liga!
- Acelera. - Olha!
Meu Deus! O Crown Vic está a funcionar.
Meu Deus!
Vitória!
É incrível.
Nunca teria acreditado nisto.
Pronto, um de três.
A seguir, o Volvo.
Não está com bom ar.
Tenho quase a certeza de que aterrou de frente
contra a estrada.
O motor já não está na posição em que devia estar.
Foi empurrado para trás?
Sim.
Pronto.
Como está aí dentro em relação a antes?
Bem, a embraiagem está noutro sítio.
Muito bem. Pronto?
Espera.
Ainda tem ponto morto.
Não!
Meu Deus!
Meu Deus!
Caramba!
Como?
O motor nem está no mesmo sítio!
Não acredito.
- Sim! - Dois em dois.
Temos de saber em relação ao Lexus.
Pelo que vi,
o Lexus bateu naquela lomba lá em cima…
… saltou e, logo a seguir…
A frente sofreu um impacto brutal, Francis.
Diria que está quase pior do que o Volvo.
Sim, agora que estou aqui,
o motor está
mais para cima e para trás.
Vamos lá.
Já nem o consigo ver.
É só castanho em castanho.
Vá lá, Lexus,
acredito em ti.
O painel acende.
Até tive uma palpitação.
Vá lá.
Vá lá, Lexus!
Vá lá.
Vá lá.
Vá lá.
Vá lá, Lexus!
Vá lá!
- Ligou! - Pegou?
- Ligou! - O motor funciona.
- O motor funciona! - Sim! Pegou!
Conseguimos!
Está a fumegar, mas funciona.
Está em ralenti.
- Sim! - Está a tentar rodar.
Concordamos que todos os carros pegaram e estão a funcionar?
- Sim. - Estes carros são autênticas lendas.
Apesar de os três carros terem pegado,
não esperávamos
que algum deles se chegasse a mexer.
Como?
Recusa-se a morrer!
Este carro tem muito ânimo.
Tem mesmo.
É um milagre.
O carro tinha o direito de permanecer em silêncio
e decidiu não o fazer.
É um bom dia para o Crown Vic.
Quanto ao Lexus,
também continuava a andar.
Mais ou menos.
Infelizmente, o Lexus
não se safou tão bem.
Assim que o LS 400 bateu naquele monte de terra,
o motor e a caixa de velocidades,
na zona onde se ligam ao veio de transmissão, fizeram…
Como duas das máquinas se recusavam a morrer,
tínhamos de encontrar um vencedor absoluto.
Por isso, fomos a uma oficina especializada,
gerida por um homem
com vastos conhecimentos…
Olá, Francis.
… em destruir carros.
Tudo bem, malta?
- É bom ver-te. - É bom ver-te.
- Como estás? - É bom ver-te.
- Como estás? - Melhor do que eles.
Precisamos de ajuda.
- Sim? - Certo.
Queremos saber qual é o carro mais resistente.
O Lexus LS 400 está fora.
Veio empenado.
Pior que estes?
Sim, não sei como.
É entre estes dois
que têm de decidir. - Sim.
Está bem, vamos pô-los na rampa e inspecioná-los
para vermos se conseguimos avaliar qual deles…
É estranho dizer "ar de vencedor" para qualquer um deles.
É o menos perdedor.
Este não tem ar de vencedor,
mas este também não.
Já viste o que temos feito?
Sim, vi o que fizeram na América.
- Gostei. - Obrigado.
Viste a parte em que…
Não.
- Não, não vi isso. - Não?
- Não. - Não essa parte.
Com o Crown Vic no elevador…
Está como novo.
… o Richard pôs mãos à obra.
Muito bem. Vamos ser sensatos
e começar por este lado.
Ele tem um esquema.
Como estás a escrever?
Com a caneta.
Com base em que critérios?
Após uma inspeção minuciosa ao Crown Vic e ao Volvo,
o Richard deu o seu veredito sobre ambos os carros.
- Sim, concordo. - Concordo.
Há um nível pior do que esse, não é?
- Sim. - Demos margem.
- Claro. - Claro.
Todo f…
- Sim! - Obrigado. Muito bem.
A parte de cima está toda…
- Isso. - Sim.
Mas por baixo está razoável.
Em termos de funcionalidade e durabilidade,
até está bastante bom. - Sim.
É como um velhote todo estourado
a correr uma maratona muito rápido.
- Certo. - Percebem?
Por fora…
Por baixo? Sim.
Ainda tem uma ereção.
- Vou ver o outro carro. - Certo.
Temos de ver melhor.
Sem conseguir escolher um vencedor,
o Richard mudou de estratégia
e recorreu à sua vasta experiência
para sugerir uma alternativa.
Já me deparei com esta situação inúmeras vezes.
Restam dois candidatos.
- Sim. - E não consigo…
A única alternativa para resolver este impasse é que, nós
e estes carros, temos de voltar à prova de fogo do automobilismo.
Usar o automobilismo como ciência para resolver isto.
De forma absoluta e empírica, de uma vez por todas.
Num aeródromo próximo,
o Richard preparou
uma prova de automobilismo incrivelmente sofisticada.
- Então, vai ser assim. - Sim.
Vão até lá abaixo, dão a volta àqueles cones e voltam.
É isso?
É mais do que suficiente.
Entrem nos carros.
Nós vamos arbitrar.
- Ficamos ali. - Sim.
- Pronto. - Boa sorte.
Já experimentaste a primeira classe da Transport for Wales?
Não.
Crown Vic, portaste-te bem comigo.
Não me portei bem contigo, mas isto é pelo título.
Pronto.
Em três,
dois,
um,
vão!
Sim!
Vá lá.
O Volvo não parou.
O Vic foi o primeiro a contornar o cone.
Não. Vá lá, Crown Vic.
Eles têm muito a aprender.
Vá lá, motor, aguenta!
Não!
Aquilo é um problema.
Isto é automobilismo.
Só há um vencedor.
Acho que ganhou.
Bem, meu amigo, têm um vencedor.
- Já está. - O meu trabalho está feito.
Richard, foi um prazer. Muito obrigado.
Aproveita o momento.
- Obrigado. - Sempre ao dispor.
Muito bem.
Muito bem.
Sim! Vai, Crown Vic!
Não acredito.
- Muito bem, equipa. - Muito bem.
Temos um resultado científico para uma questão antiga.
Qual é o carro mais resistente do mundo?
É o Ford Crown Victoria.
Já agora, aonde foi o Richard?
Está ali um arco-íris.
Ele esteve mesmo aqui?
PRÓXIMO EPISÓDIO
Spa fica a 650 km.
A qualificação começa em 13 horas
e a linha de chegada
é a cabeça do Alex Albon.
A corrida começa.
Ouve esta sinfonia.
O Thomas está num hipercarro com um zilião de cavalos
e nós estamos em bicicletas.
Aqui vamos.
Entrar pela 1DE.
Isto não é um sistema simples.
Grande Prémio da Bélgica de F1. É um sinal!
Legendas: Pedro Freitas
Supervisão Criativa Mariana Vieira
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