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Lamento muito a tua perda, Edoardo.
EPISÓDIO OITO TRAZ-ME A CABEÇA
Estás ligado a três baterias de carro,
ligadas a um aparelho de cerca elétrica.
O tipo de coisa que se usa para controlar
ovelhas, gado,
esse tipo de coisa.
Cinquenta mil volts ligados aos teus tomates.
Então, como vai ser?
- Diz-me quem te enviou. - Não sei, porra!
- Quem? - Não sei quem contrata o meu chefe.
Foi o Bobby, não foi? Diz-me.
Diz! Foi o Bobby Glass, não foi?
Foi o Bobby Glass!
THE GENTLEMEN: SENHORES DO CRIME: A SÉRIE
O homem que temos em mente é muito fiável.
A logística está tratada.
Terá o que precisa até ao fim do dia.
Não te preocupes, Edoardo.
Amanhã por esta hora, o Bobby Glass estará no inferno.
Tudo bem?
Que história é essa de tiros à meia-noite nos bosques antigos de Wiltshire?
Para ser sincero, não estávamos lá para testemunhar.
Alguns dos nossos trabalhadores estavam a fumar no aeródromo.
Faz parte da nova política de RH.
Quando, de repente, começaram a ouvir tiros.
Muitos.
Vinham do bosque do duque.
Mandei lá uns rapazes dar uma olhadela
e encontraram um monte disto.
Nove milímetros e duas de .43. Houve uma batalha no bosque.
Marcas de pneus, sangue, mas nada de corpos.
Muito bem. Eis o que sabemos.
Na mesma noite em que o avião da Bella explode no céu,
descarregam um monte de armas na propriedade do duque.
Ele volta.
Mas não quer ser visto, não atende chamadas
e não quer falar connosco.
Talvez o devesses visitar.
Para ver se ele está bem.
Não é muito fácil, Jimmy.
Dissemos coisas no casamento.
É o duque, mana.
Terá sempre tempo para ti, Susu.
Confia em mim.
A confiança é uma virtude que está em falta atualmente.
Vou tentar.
Desculpa ter demorado.
Não faz mal.
- Como está a perna? - A sarar. Obrigado.
Deixa-me…
- Pronto. - Obrigado.
Conhecemo-nos há muito tempo.
E compreendo a necessidade
de me mentires sobre a tua atividade criminosa.
Mas este caminho que seguiste… Não sei porquê nem como aconteceu.
A verdade é que não quero saber.
Representa um risco inaceitável.
Adoro-te, Eddie.
Mas a minha prioridade é o meu filho, a mãe e garantir a sua segurança.
Claro.
Por isso, falei com Sua Majestade esta manhã.
Há uma casa vazia na propriedade de Sandringham.
Zona de exclusão aérea. Comando de Proteção Real.
- Disponibilizou-a o tempo que quisermos. - Certo. E como enquadraste a conversa?
Dei um álibi adequado. Queria estar mais perto do trabalho.
Ótimo.
Tens noção de que a tua família está em segurança aqui.
Não sabes como foi por pouco. Quase levaram o Tarquin.
Nanny,
Halstead é a nossa casa ancestral.
Vivemos aqui há mais de 700 anos.
Achas mesmo que a abandonaria?
Diz-me, o que pensa a Charlotte?
Ela concorda comigo. Senão, não estarias aqui. E queres que eu…
Sabe Deus porque quer ficar.
Por um sentido desorientado de lealdade familiar
que está no ADN dela.
Talvez devesses dar-lhe ouvidos, Nanny.
A mãe é que sabe.
Não neste caso.
Lamento, Nanny,
mas só vais embora
quando disser que podes.
Com licença.
Temos um carro no portão norte.
É a Susie Glass.
Peço-lhes que a deixem entrar?
- Diz ao Andy que a encontro a meio. - Muito bem.
Aliás, Geoffrey,
eu mesmo lhe digo.
Tudo bem, Andy?
Susie.
Soube da Bella.
Lamento muito.
Acompanha-me.
Que aconteceu?
Tu sabes o que aconteceu.
Sei da Bella.
Não sei mais nada.
Quem fez isto, Eddie? Vamos destruí-los.
Eu sei que foi o teu pai.
A questão é se estiveste envolvida.
Uma pergunta.
O teu homem tem-me na mira?
Se tivéssemos sido nós, porque estaria aqui?
Que teria a ganhar com isto? Que teria alguém…
Não me mintas, porra!
Eddie, ouve-me.
Até eu pensei que teria sido o meu pai.
- Foi o Bobby. Eu sei que foi. - Não.
Porque não?
Comprou o teu contrato.
Os cem milhões que deves ao tio Stan, na manhã do teu casamento.
Ele é o teu credor.
Não gosto disso. Significa que confia mais em ti do que em mim.
O meu pai não tem interesse em matar-te nem em perder cem milhões de libras.
Que raio? Porque faria isso?
Não sei, está bem? Não faço ideia, mas…
Independentemente do passado entre ti e o meu pai,
há cem milhões de razões para ele ter de te manter vivo agora.
Olha para mim.
Nós não fizemos isto, está bem? Eu não te fiz isto.
Quero mostrar-te uma coisa.
Onde o encontraste?
No bosque.
Está morto?
Espero que não. Geoffrey, acorda-o, por favor.
Se me vai matar, mate-me. Mas não me queime os tomates outra vez.
Sou um soldado. Fui contratado para fazer um trabalho.
Não sei nada de nenhum bebé.
Mas sabes quem te enviou, certo?
O Bobby Glass.
Diz-me, soldado.
É normal conheceres o cliente antes de uma operação?
Não. Normalmente, não. Mas, desta vez, conheci-o.
- Conheceste-o? - Sim. Conheci-o.
E os colaboradores dele? Estavam lá?
Tem uma filha, a Susie Glass. Conheceste-a?
Diz-lhe o que ela quer saber.
Não sei. Não lhe sei dizer.
- Porque eu não… Não! - Geoffrey.
A Susie Glass, sim, conheci-a!
Conheci-a. Juro por Deus!
Conheci-a. Conheci-a, porra!
Conheci-a. É uma miúda fantástica. Tem uma bela gargalhada.
Vossa Graça, espero que não interrompa a sua lua de mel por minha causa.
A lua de mel acabou.
Preciso que responda a uma pergunta muito simples. Sim ou não.
Embora geralmente me recuse a sujeitar-me a tal simplicidade binária,
sinto um imperativo premente na sua voz
e, portanto, responderei.
Vendeu a minha dívida ao Bobby no dia do meu casamento?
Numa palavra,
sim.
Alguém vai matar o Bobby.
Marco, temos de abortar.
- Eddie, que é isto? - Não foi o Bobby.
Tens de parar o homem.
Ouve, Edoardo.
Quando o homem é contratado, não há como pará-lo.
Ele vai à sauna, mas não consigo falar com os guardas.
Ponho-te lá. Depois, estás por tua conta.
Esperem!
Em fila indiana, por favor.
Olhar para a frente!
Anda cá, filho. Dá-me a porra da naifa!
Buongiorno, cabrão!
Foda-se!
Já há muito tempo que…
… não fazia algo assim.
Só para esclarecer…
… não és meu dono.
Pronto, pai. Estás como novo.
É pena não se poder dizer o mesmo do outro.
Sim, mas não o fez sozinho, pois não?
Deve ter tido ajuda para meter a arma cá dentro.
Onde estavam os guardas?
Onde estava o Georgie?
Não te preocupes com o Georgie. Arranjaram-lhe uma forma de o ocupar.
Falei com o diretor. Está a resolver.
Ele que se despache
ou não há mais envelopes castanhos.
- Como é que tu és? - Como assim?
Esfaqueias reclusos, subornas pessoal da prisão,
investes uma fortuna num homem que contratou alguém para te matar.
Não. O duque tem princípios.
Acho que posso tê-lo subestimado, só isso.
É impetuoso, pai.
A mulher dele morreu.
Sim, eu entendo isso.
Mas, como investimento, é uma ação instável.
Não, estou a comprar barato.
Ele está a evoluir como ser humano,
a transformar-se, a transmutar-se à nossa frente.
Acho que ele tem algo.
Partir-lhe as pernas e deixá-lo rastejar para fora do bosque
foi para o desenvolvimento espiritual?
Sim.
E se estiver a evoluir para algo volátil?
Como o quê?
Não sei, nitroglicerina.
Precisamos dele.
E ele precisa de nós.
Obrigado por ter vindo, Sr. Johnston.
Quando falámos, detetei tensão na sua voz.
Lamento, Vossa Graça. Não sabia da sua perda.
Presto-lhe as minhas condolências.
Uma bebida?
Fico-me pelo meu chá.
Lamento pela qualidade do meu chá. Alguém alvejou o meu mordomo.
É péssimo quando isso acontece. Mas o chá está adequado.
Obrigado.
E presumo que conheceu a minha segurança.
Parece que me estão a foder de todos os ângulos.
Devia ter dito que ia vender a dívida ao Bobby Glass.
Sim, devia.
Peço desculpa pelo momento.
Sabe que ia pagar-lhe com juros?
Isso nunca esteve em dúvida.
Explico-lhe o meu raciocínio.
Quando Jesus se aventurou no deserto,
jejuando durante 40 dias e 40 noites em isolamento,
foi testado três vezes pelo adversário.
O primeiro teste foi tentar Jesus a saciar a fome
usando os seus poderes internos de transformar pedra em pão.
A recusa em usar o seu poder
simbolizava a rejeição do mundo material em favor do espiritual.
Tal como o senhor, Vossa Graça.
Ofereceram-lhe os benefícios superficiais
de aceitar o dinheiro do Bobby Glass, mas recusou.
E tomou o assunto nas suas mãos.
Na segunda tentação, o adversário incitou Jesus
a saltar do pináculo de um templo para forçar a intervenção de Deus.
Jesus escolheu confiar em si,
sabendo que o seu motor espiritual interno o podia levar através do deserto.
Tal como o senhor escolheu forjar o seu próprio caminho,
afastando-se da proteção familiar do Bobby Glass e entrando no desconhecido.
O teste final é o que ainda vai enfrentar.
O adversário ofereceu-lhe o mundo e tudo nele,
se ele se curvasse e o adorasse só a ele.
A sua dívida para com o Bobby obriga-o a escolher
entre curvar-se a uma autoridade externa
ou tornar-se um participante autogerador.
Jesus rejeitou o Diabo
e saiu do deserto como o Rei dos Reis,
pronto para conceder a salvação ao mundo.
Não quero salvar ninguém, Sr. Johnston. Quero saber quem matou a minha mulher.
E vai saber.
Vossa Graça, os diamantes formam-se sob pressão
e os reis são ungidos como antídoto para o caos.
Vendi a sua dívida
porque ainda tem de enfrentar os seus demónios,
a sua dúvida de que pode personificar a autoridade suprema.
Nunca fiz isto pelo dinheiro fácil.
Sempre estive nisto a longo prazo, Vossa Graça.
Obrigado pelo seu tempo.
Tenho outras coisas a fazer.
Com certeza.
Como disse o grande homem:
"Se está a passar pelo inferno, continue."
Mansão Halstead.
Olá, mãe, sou eu. É o Freddy.
Freddy, querido.
Como estás?
Estou bem, a sério. Estou só… Estou mesmo bem.
Só tive um sonho um pouco perturbador na noite passada
e queria só confirmar que estão todos bem.
Sim, querido, estamos.
A sério?
Que bom.
Mas tens a certeza? Foi só um…
Foi um sonho incrivelmente vívido.
Foi mais um pesadelo, na verdade, e…
Não sei.
Bem…
A mulher do Eddie, a Bella.
Sim, houve um acidente terrível.
E perdemo-la.
Ela morreu, Freddy.
- Geoffrey. - Senhor?
- Há progressos com o homem? - Sim, começou a falar, Vossa Graça.
A técnica do castigo não resultou,
então, tentámos a da recompensa,
que deu bons resultados.
Tinha um número para deixar mensagem, caso algo corresse mal.
Falou-lhes após a equipa ser eliminada
por um couteiro e um membro da Guarda Real?
Pelos vistos, não.
Então, o cliente não sabe que a operação falhou.
Mas falhou, senhor.
Quem garante? Anda.
Fala Bravo, líder da equipa.
Céu limpo.
Não graças a si. Mandou-nos para o caos.
Estavam à nossa espera.
Mataram a equipa toda.
Mas escondi-me e voltei mais tarde.
Já tenho a encomenda.
A criança.
Mas, para a ter, tem de me trazer o dinheiro.
O dinheiro de todos.
Os meus colegas morreram. Não aceito menos.
Se ele cair, vão…
Vão deixar-me ir, certo?
Se resultar.
NÚMERO DESCONHECIDO ANSIOSO POR TE VER…
Ele acreditou.
Graças a Deus, pá!
… A BALOIÇAR NA PONTA DA MINHA PILA.
Ainda estamos bem?
Desculpa a confusão, Geoffrey.
Não se preocupe, senhor. Eu limpo isto.
Sei que sofres, Eddie.
O preço dessa dor é não conseguires pensar bem agora.
Procuras soluções onde elas não podem ser encontradas.
Qual era o teu plano?
Atrair uma equipa experiente de ex-militares
para uma armadilha tua?
Achas que estas ratazanas astutas e capazes seriam enganadas
por um queijo irresistível na armadilha mais evidente,
vigiada por criminosos e um atirador furtivo ex-militar?
Percebo, Eddie, a sério, mas nunca iria resultar.
Mesmo que aparecessem, sabiam ao que iam e agiriam em conformidade.
E depois?
Transformas as ruas de Londres numa zona de guerra ucraniana,
apenas para agitar o caldeirão do caos autodestrutivo
que te consome.
Alguém tem de morrer, Susie.
Dez homens deles morreram.
Seriam demasiado cautelosos para aparecer,
depois de terem levado uma abada nas tentativas anteriores.
Sei que queres vingança e vou ajudar-te a tê-la.
- Mas precisas de tempo. - Está bem.
Já chega.
Vamos encontrá-los, Eddie.
Juntos.
Sim, bem…
Risinho. Ia agora à tua procura.
Eddie, eu e o Nanny vamos para Sandringham.
Implorei-lhe que ficasse, mas ele não me ouve.
Serão só umas semanas.
Percebo.
Já descobriste quem está por trás disto?
Ainda não.
Mas vais encontrá-los, certo?
E quando encontrares,
vais fazê-los pagar?
Anda cá.
Cuida de ti.
Cuida do meu afilhado.
Não, a sério, Eddie.
Tudo isto é…
É só temporário.
Eu vou voltar.
Não tenho medo.
Estou contigo.
Será triste ver a Charly e o Nanny irem para Sandringham.
Merecem um pouco de paz e sossego depois de… tudo.
E o terreno… Meu Deus!
É tão bonito. Devíamos ir visitá-los.
Hoje, o Freddy ligou.
Contei-lhe o que tinha acontecido.
Parecia muito abalado.
Desculpa.
- Que disseste? - O quê?
Disse que ele parecia muito abalado com isso.
Porque telefonou?
Ele não costuma ligar.
Foi um pouco assustador.
Disse que tivera um sonho e queria saber
se algo terrível tinha acontecido ao Tarquin.
E que disse ele?
Só que tinha tido esse sonho e que tinha parecido muito real.
Queria saber se estavam todos bem.
E disseste que estávamos?
- Sim. - Diz-me exatamente o que disseste.
Que acontecera algo, mas que estávamos bem.
Bem, tirando a Bella.
Preciso que sejas muito clara, mãe.
Disseste-lhe que o Tarquin estava bem?
Sim, disse.
Onde é o casamento?
No lago Maior.
Encantador. A lua de mel?
Uns lagos a norte.
A Bella insiste em levar-nos de hidroavião.
Uma condessa italiana voadora.
E lembra-te disto.
No final, Esaú perdoou Jacob, Edward.
Mas só depois de lutar com o Anjo do Senhor.
Até quando dormirás, ó preguiçoso?
Quando acordarás do teu sono?
Um pouco de sono, um pouco de dormitar, um pouco de cruzar as mãos para dormir.
Assim virá a tua pobreza como um viajante. E a necessidade como um homem armado.
Foi o Freddy.
Achas mesmo que faria algo tão radical?
Sozinho, não.
Um homem mau andava com uma boca perversa.
Piscava os olhos, falava com os pés,
ensinava com os dedos.
Ele planeava maldades continuamente,
portanto, a sua calamidade virá de repente.
Subitamente será quebrantado sem remédio.
Arrependei-vos de tal pecado, irmãos,
e recebereis as bênçãos ilimitadas
de Deus, o Pai Todo-Poderoso.
Ámen.
Maxie.
Muito bem.
Um grande produtor peruano acabou de nos contactar.
Vem a Inglaterra amanhã e quer reunir-se connosco.
Quando dizes grande…
Grande como o Carlos Vargas.
E a palavra do Senhor veio até mim a dizer…
Que quer o Carlos Vargas de nós?
Dizem que ouviu falar bem de si.
Confirmámos. É mesmo ele.
"Julgarás?
Julgarás a cidade sangrenta?"
Marca isso, Errol.
Mas vamos ser cautelosos.
"E que o nosso tempo possa chegar."
ENTREPOSTO ADUANEIRO DO AEROPORTO DE HEATHROW
Por aqui.
Que sítio sinistro.
Muito sinistro.
Só vocês os dois. Os outros ficam aqui.
Sr. Vargas, é um grande prazer recebê-lo em Inglaterra.
É um prazer conhecê-lo, Sr. Dixon.
Na verdade, não estamos em Inglaterra.
Isto é um entreposto aduaneiro.
Uma terra de ninguém.
Porque as mercadorias podem ser armazenadas sem pagar impostos.
Qualquer mercadoria.
- Deve ter a sua utilidade. - Sem dúvida.
Agradeço que tenha vindo encontrar-se comigo.
Este é um negócio sério,
operamos num mundo implacável
e é bom associar uma cara a um nome.
Ouvi histórias incríveis sobre si, Sr. Vargas.
Também ouvi histórias sobre si, John.
Algumas não muito incríveis.
Tais como…
Tais como?
Aviões a despenharem-se, esposas a morrer,
rapto de um bebé de um ano…
Temos algum problema, Sr. Vargas?
Sim.
Temos um problema.
- Obrigado, Sr. Vargas. - De nada.
Eddie, acho que houve algum mal-entendido, amigo.
- Senta-te, Errol. - Olha, Eddie,
não sei o que achas que fizemos, mas…
Mandei-te sentar.
Deixamos-vos a sós, a menos que precises de algo mais.
Obrigado.
Não é a primeira vez que vejo um irmão ser abatido à minha frente.
Porque o fizeste, John?
Conheces a história de Jacob e Esaú?
Jacob roubou o direito de primogenitura de Esaú, como tu roubaste o meu irmão.
Isso não me interessa. Quero saber porque mataste a minha mulher.
Antes de poder cumprir o seu destino,
Jacob teve de lutar com o Anjo do Senhor.
Não és um anjo do Senhor.
És um traficante de coca de Liverpool com delírios de grandeza.
Aí é que te enganas.
Fazia o trabalho de Deus. Não foi nada pessoal.
A mim, pareceu-me bastante pessoal.
O que tens de perceber é que eu tinha um irmão,
mas perdi-o.
Então, Deus trouxe-me o Freddy
para eu poder reaver o que me fora tirado.
Depois, foi a minha vez de ajudar o Freddy a reaver o que lhe foi tirado.
Então, a razão era essa,
a casa e o título.
E o império da droga.
E a criança?
Não íamos fazer mal ao bebé.
Só queríamos que a propriedade não fosse para ele.
Dois membros da nossa comunidade perderam um filho recentemente.
Foi-lhes roubado por Satanás.
Eles teriam dado um lar amoroso ao miúdo,
longe da disputa amarga entre ti e o teu irmão.
Nunca houve disputa.
O meu irmão é viciado. Não está no seu juízo perfeito.
Ele vê as coisas com mais clareza do que tu, Eddie.
Ele contou-me tudo.
Devia ser tudo dele.
"Dele",
ou seja, "teu".
Por "dele",
quero dizer "Dele".
Também és um viciado, John, mas a tua dependência faz-te pensar
que trabalhas para o criador do universo.
Olha para o teu coração, Eddie.
Diz-me que isto não é a vontade de Deus.
Queres olhar-me para o coração?
Tens a certeza?
- Então, Eddie? - Obrigado.
Já está tudo?
Ainda não.
Podemos tratar do resto, se quiseres.
Alguma distância profissional tem as suas vantagens.
Não. Tenho outros planos.
Senhor, que designaste um tempo para cada propósito sob o Céu.
Vamos clamar por aquele cujo coração está assolado pela podridão
e levá-lo à concórdia, como entre Jacob e Esaú.
Querido, ouve-me, porque só vou dizer isto uma vez.
O que quer que o Freddy tenha feito, ele continua a ser teu irmão.
Eu sei que ele é vulnerável.
Sempre foi.
Mas odiaria que fizesses algo de que te possas arrepender.
Meu querido…
Sei pelo que passaste.
Amo-te tanto.
Mas estás numa encruzilhada.
Um caminho leva-te a perder tudo, incluindo a ti próprio.
Lamento muito, meu querido.
O outro caminho permite-te manter a tua família.
Então, qual será, Eddie?
Vingança?
Ou perdão?
- Vamos entrar? Tomar um chá. - Não.
Prefiro dar um passeio. Apanhar ar fresco primeiro.
- Farei o que tem de ser feito. - Não.
Sou tua mãe e vais fazer o que é correto.
O que é correto?
Esperas mesmo que o perdoe pelo que ele fez?
Não sei. Fui feliz aqui.
Isto era do tio do Jorge IV.
Não te reconheço, Eddie.
Estás bem?
Sei o que fizeste, Freddy.
Não.
Sabes o quê? Que estás… Que queres dizer?
Sei o que fizeste.
Eddie, já passámos por isto.
Seja o que for, juro que não fui eu desta vez. Estive aqui.
Sei que não fui o melhor irmão no passado,
mas o que quer… Que sabes? O quê?
- Edward, eu… - Não!
Cum caraças!
Meu Deus, Eddie!
A minha mulher!
A minha mulher, caralho!
Foda-se!
Levanta-te, porra! Levanta-te!
Vai-te foder!
Odeio-te, porra!
Foda-se!
A minha mulher!
Levanta-te, porra!
Para, Edward!
Anda cá! Levanta-te!
Anda cá!
Anda! Vem, porra!
Não, deixa-me ir. Por favor, não me mates.
Meu Deus, por favor!
Não quero morrer, Eddie. Não quero morrer. Não quero.
Alguém tem de morrer, Freddy.
- Alguém tem de morrer. - Não, por favor, não quero morrer.
- Não. - Anda.
Não.
Lindo menino, Freddy.
Legendas: Ana Sofia Pinto
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