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Zulu
Para baixo!
O quê?
- Ouçam-me. - Cala-te, cabrão!
THE GENTLEMEN: OS SENHORES DO CRIME: A SÉRIE
SEGUE O X
Que disseste?
Repete. Que disseste?
Isto tem que ver com o panorama geral.
Eu trato de ti. Quero voltar a ouvi-lo.
… quando tirar este punhal das costas.
Porque só ouço a sibilar!
Esta cobra traiçoeira!
Cala-te! Não abras a boca! Sua cobra do caralho!
Desculpa vir sem avisar.
Só tens de pedir, Eddie.
Dei-te uma ordem muito clara.
Tu traíste-me.
Vossa Graça.
Senhor?
O senhor está bem?
É melhor chamar uma ambulância.
EPISÓDIO CINCO
UMA ESTRADA NACIONAL
NOS ARREDORES DE BASINGSTOKE
VALE DA COCAÍNA PERU
Ouçam, abram, trago convidados para o Sr. Vargas.
Calma, Raul, sou eu, o Hector. Abre o portão, por favor!
Não sou o Raul. Mas eu abro-te o portão, Hector…
Engano-me sempre no nome dele.
Podem tirar os capuzes. Chegámos.
O Sr. Vargas leva a segurança a sério.
Mostro-vos como fazemos.
Arranca!
Menina… Com essas botas, vai ficar presa na selva.
Calma, Pedro.
É aqui que a coisa acontece.
Temos 15 destas quintas só neste vale.
Mas isso não é o especial. Vou mostrar-vos onde a magia acontece. Venham.
Primeiro, pegamos nas folhas e fazemos uma pasta.
Pegamos na pasta e coamo-la com um pouco de gasóleo.
Ficamos com esta merda.
Este líquido sujo.
Mas depois, juntamos um pouco deste amoníaco mágico.
Agora, só temos de cozinhar isso
e ficam com cocaína de altíssima qualidade.
É tudo muito interessante,
mas viemos falar da distribuição com o Vargas. Não ter aulas de química.
Tens razão, erro meu.
Pronto. Vamos.
Joe Green.
É ótimo finalmente conhecer-te.
- E esta deve ser a Mna. Glass. - Susie.
Este é o meu colaborador, o Arturo.
Bem-vindos.
Acho que, no teu caso, isto já tardava, Joey.
Trabalhas para nós em Miami, certo?
Sim. Há cinco anos.
O Joe é o melhor. Fiável, de confiança. Calmo sob pressão.
Juro, levava um tiro por este homem.
É bom saber.
Provou que é de confiança.
Com o apoio do Reino Unido, está pronto para um compromisso regular.
O Hector sabe tudo!
Está envolvido na operação toda.
Que compromisso tinhas em mente?
Duzentos quilos por mês.
É uma grande responsabilidade.
Por isso é que não vim sozinho.
Além de fornecer a quantia substancial de dinheiro necessária para começar,
tenho acesso a uma rede pré-existente.
Só ouvi coisas boas sobre a sua operação, Mna. Glass.
Mas a cocaína é diferente da marijuana.
Compreendo as diferenças entre os produtos,
mas a logística, em termos de transporte e distribuição, é comparável.
Ou seja, podemos pagar 4 mil por quilo.
Estou confiante de que conseguimos, Sr. Vargas.
Analisei isto de todos os ângulos e é à prova de fogo.
Com a infraestrutura da Susie, a experiência, o talento,
o profissionalismo dela, juntamente com o meu conhecimento,
não há perigo nenhum.
Só há uma oportunidade de ouro.
Vou levar algum tempo,
talvez uma ou duas semanas,
a pensar na vossa proposta
e entraremos em contacto.
Hector!
Foste impressionante.
Totalmente destemida.
Mal raciocinava com o coração aos pulos.
Mas tu olhaste-o diretamente nos olhos.
No fundo, o Vargas é um empresário como qualquer outro.
Enquanto achar que pode confiar em nós para ganhar dinheiro, não há nada a temer.
Tens a certeza disto, Susie?
Se o teu pai soubesse, matava-nos.
Bem, a ti, talvez não.
Garanto-te, Joseph, ambos estaríamos em apuros.
Como está o duque?
Não sei.
Soube que a recuperar.
Não falaste com ele?
Tentei ligar, mas ele não atende.
Mas soube que tem as pernas partidas, um braço partido,
hematomas graves, pneumotórax
e meia dúzia de dedos partidos.
Em suma, passou um mau bocado.
Não fazes isto para te vingares do teu pai, pois não?
Não, Jojo.
Faço-o por causa das tuas covinhas irresistíveis,
do teu sentido de humor maroto e da tua personalidade gigantesca.
É muito lisonjeiro, mas não é resposta.
Que fazes?
- Anda. - Não, não danço.
Sabes disso.
Não aceito uma recusa, Susie Glass.
Ele está a assustar o pessoal, mãe.
A Daisy e a Abigail recusam-se a ir ao quarto dele
desde o incidente com o decantador. Não é, Sr. Lawrence?
Foram transferidas para outras funções.
O Eddie passou por muito, temos de lhe dar tempo.
Acho que ele devia apresentar queixa, acho mesmo.
Causar ferimentos graves por condução imprudente é crime.
O Eddie deixou bem claro que não quer fazer isso.
Devia, pelo menos, acionar o seguro.
Não percebo como um Ford Mondeo pôde causar tantos danos.
Nanny, acho que devias esquecer isso.
O Eddie não gosta de falar sobre o seu… acidente
e só temos de lhe dar tempo e espaço.
Obrigada, Sr. Lawrence. Pode…
Desculpem, mas…
O Eddie voltará para nós quando estiver pronto.
Ovos Benedict, Vossa Graça.
Quer que abra as cortinas?
- Sr. Lawrence? - Sim, senhor?
Baze daqui.
Muito bem, senhor.
- Ciao, Bella. - Grazie.
Então, como está o doente, Vossa Senhoria?
Está a recuperar gradualmente, graças a Deus.
Muito bem.
Mas receio que, neste momento, ainda não possa receber visitas.
Não fala com ninguém há semanas.
Compreendo e agradeço a sua preocupação, Lady Sabrina.
Mas, se não se importa, gostaria de ir vê-lo agora.
Vamos tentar.
Sei que não queres ver ninguém.
Não vim aqui só por compaixão.
Trouxe-te uma mensagem.
Que mensagem?
É do Marco.
Ele quer o dinheiro dele.
Os 60 milhões que investiu no teu plano de despenalizar a canábis.
Disse que, se não o tiver até ao fim do mês,
haverá consequências.
Podia ajudar-te.
Ele é meu padrinho. Ele ouve-me.
Posso dizer que precisas de mais tempo ou isso.
Não.
Diz-lhe que lhe dou o dinheiro.
A morte perseguiu-me a vida toda.
Os meus pais morreram num acidente de avião em miúda.
O meu irmão mais novo suicidou-se.
Mas quando soube o que te aconteceu…
… senti algo que nunca sentira.
O quê?
Amor.
Sei que não há espaço no teu coração para isto agora,
mas achei que era importante saberes.
Bella…
Obrigado.
Olá! Mana Susie. Anda cá.
Chucky, há quanto tempo!
Este gajo giro deve ser o Joe.
Chucky.
- Como estás? - Bem.
Tenho algo para vos mostrar. Venham.
Sei que esperam notícias do Peru,
mas estou empolgado com as possibilidades de colaboração.
É o seguinte, gajo bonito.
Começou como um local para lavar dinheiro,
mas tive uma ideia.
E se juntarmos comida japonesa
e sabores paquistaneses?
Digo-vos o que acontece. Temos japistanês.
Parece racista. Não é. São duas culturas, duas comidas a unir-se.
E acho que, se fizermos isto bem, vamos ter um destes
em todas as grandes cidades, de Londres a Bradford.
Estou a apontar para 200 restaurantes. Saturação total do mercado!
Lavaremos dez vezes mais dinheiro.
Por isso, temos de planear.
Quando abrirmos as asas, vamos levantar voo. Veem a visão?
Cá estamos.
O chefe, o Moody.
- Mna. Susie. - É de outro nível. Vejam.
- Mostra como cortas rápido. - Vejam.
Vá lá.
Sou o melhor chefe de japistanês do país.
És o único.
Cá estamos.
Legitimidade ali. Loucura aqui. Façam o que quiserem.
Jacúzi no canto, tragam a avó. Estou-me a cagar.
Mal tenhamos luz verde da América do Sul, estamos prontos.
Que achas?
Gostas?
Gosto muito.
Estás linda, querida.
Estás com um ar… descansado.
As férias devem ter sido boas.
É incrível o que umas semanas ao sol podem fazer a uma rapariga.
Sim, suponho que sim.
Como queres o ponto da carne?
Médio, pai.
Está bem.
Tu…
Tiveste notícias do duque?
Não.
Não esperava ter, tendo em conta o que lhe fizeste.
Não tinha outra opção, pois não?
Mas estás bem, não estás?
Claro que sim.
É importante não haver mal-entendidos aqui.
Fiz o que tinha de fazer.
Eu percebo.
Conheces-me.
Não sou de ficar a remoer.
Pois.
Quanto ao capital investido pelo Sr. Moretti
através das suas várias filiais,
ainda tem um pouco mais de dez em dinheiro.
Infelizmente, os restantes 50 estão atualmente em vários investimentos
e demoraria muito tempo a recuperá-los.
Quanto tempo?
Três a seis meses.
Não tenho esse tempo, Ahmed.
Claro que podia redirecionar os fundos que estão atualmente reservados
para a compra das duas propriedades em que aceitaram as ofertas.
Se desistisse desses negócios, libertaria trinta.
Não. Não vou fazer isso.
Mas continuará a ter um défice substancial
e não terá forma clara de pagar os 60 milhões.
Não está disposto a vender os seus ativos.
Não desiste dos investimentos pendentes.
Não tem dinheiro a entrar
e os seus custos operacionais são cinco milhões por ano.
Para eu tirar um coelho da cartola,
tem de haver lá um coelho.
Já podes ir, Ahmed.
Tem sido um fluxo constante de especialistas.
Neurologistas, oftalmologistas, fisioterapeutas, psicoterapeutas…
A lista é interminável.
Mas temos de estar gratos.
Podia ter sido muito pior.
E como se sente?
Bem, estou bem.
Eu…
Estou perfeitamente bem.
Céus!
- Viste o que lhe fizeram? - Tome.
Viste o que fizeram ao meu lindo menino?
Geoffrey…
Ainda o temos.
Isso é o que importa.
Desta vez.
E da próxima?
Vai torná-lo mais forte. Dê-lhe tempo.
Eu sei que ele vai recuperar fisicamente.
Mas e depois?
Cabe a ele decidir.
E é isso que me assusta, Geoff.
Sei como ele é. Tu sabes como ele é.
Falas com ele por mim, por favor?
Ele vai ouvir-te.
Não falas muito, mas, quando falas, as pessoas ouvem.
É bom vê-lo melhor, Vossa Graça.
Não devias estar a afastar os faisões?
O couteiro tem isso sob controlo.
Posso?
Já estive na sua situação.
Aliás, mais do que uma vez.
Sei como se sente.
E como seria exatamente, Geoffrey?
Está magoado.
Está zangado.
Mas, se for atrás do Bobby Glass,
a Susie virá atrás de si.
E tem de estar preparado para a eliminar também.
Sabes porque não me matou?
Não achou que fosse uma ameaça.
Toda a gente leva uma tareia, às vezes.
O que importa não é como caiu.
Temos uma visita. Veio diretamente da América do Sul.
Hector, estás longe de casa.
Queria dar-vos as boas notícias pessoalmente. O Sr. Vargas aceitou.
- Então, é para avançar? - Podes crer que é.
O meu pai contava-me histórias sobre os perigos do tráfico de coca
desde miúda.
Para ele, o fosso entre drogas de Classe A e B era um abismo
que não se podia atravessar.
A lógica dele era
que os traficantes de cocaína eram como animais selvagens,
capazes de tudo
e sempre a caminho da sua inevitável destruição.
Mas não significa que a infraestrutura de distribuição
que criou para a erva nos últimos 20 anos não seja perfeita para a cocaína.
Uma infraestrutura que podemos aproveitar com a ajuda de velhos amigos.
Chucky, Joe, apresento-vos o JP e a família.
Como estão, rapazes? Que sítio bonito.
- Pronto? - Slainte!
Desde que todos os envolvidos ajam com a devida discrição.
As tentativas do duque de criar outra fonte de receita
iam chegar aos ouvidos do meu pai,
ou seja, dependiam do consentimento dele,
algo que ele não estava disposto a dar.
Enquanto nós só nos aproveitávamos da operação dele.
Desde que o meu pai não descubra, não tem de se preocupar.
Não é assim que se lava dinheiro. É devagar.
Está a entrar muito dinheiro.
É algo que podemos resolver. Certo, Suze?
Sim. Vamos já tratar disso.
A verdade é que o que o meu pai apresentava como sabedoria
mascarava uma falta de ambição
que, com o tempo, o transformou numa árvore perene,
sob a qual nada mais podia crescer.
Assim que nos libertamos dessa mentalidade cautelosa e voltada para dentro,
as possibilidades são ilimitadas
e o único problema com que nos deparamos
é o que fazer
com aquele dinheiro todo!
Eram precisos centenas de anos e milhares de homens
para fazer uma catedral,
com a confiança de que Deus estava a ouvir.
Esta monstruosidade dos anos 60 demorou dois anos e 100 homens.
A razão para isto
é a constrição que vem com o abandono da certeza.
Quero perguntar-lhe algo.
Com os inevitáveis sentimentos de desânimo e arrependimento
com que se deve ter debatido,
sentiu, em algum momento,
alguma sensação de libertação?
Não, Sr. Johnston. Absolutamente nenhuma.
Só quando nos deixamos para trás
é que podemos experienciar quem realmente somos.
O problema é que, no meu caso,
o processo que me retirou os meus privilégios
deixou-me numa posição precária que precisa de uma resolução rápida.
E é por isso
que dou a minha propriedade como garantia de um empréstimo de 100 milhões.
O valor que ofereci quando nos conhecemos.
Deve ser o destino.
Se não pagar o empréstimo em um ano, mais 15% de juros,
a propriedade e os terrenos são seus.
Que tenciona fazer com o dinheiro?
Pagar as dívidas e recapitalizar.
Conhece a Pedra de Londres, Vossa Graça?
Sim, é um marco em Cannon Street.
É muito mais do que apenas um marco,
mas reza a lenda que Brutus a trouxe para as Ilhas Britânicas,
o suposto fundador da Grã-Bretanha, em 1115 a.C.
Enquanto a Pedra de Brutus estiver segura…
Londres prosperará.
A história dela, e a sua, é anterior ao Império Romano.
A lenda diz que chegou com os troianos
e desembarcou nas Ilhas Britânicas 1200 anos antes de Cristo.
Viram o potencial
numa ilha a que chamaram Albion,
por isso, deixaram a pedra,
como um farol místico que pulsaria durante milénios.
É uma história encantadora.
Acredito que é o descendente direto do rei Príamo,
o último rei de Troia.
Que a sua linhagem aristocrática remonta a muito mais longe do que imagina,
aos gregos antigos.
Talvez esteja a exagerar a minha linhagem.
É muito amável.
Mas não vim para aulas de História. Vim por um número.
Concedo-lhe o empréstimo, lorde Horniman, duque de Halstead.
O Stephens trata já do contrato.
Não porque queira adquirir a sua propriedade,
mas mais porque gostaria de vê-lo realizar todo o seu potencial.
Bom dia, Chucky. Em que posso ajudar?
Tudo bem, Susan? É rápido.
Posso pedir que venhas cá com o bonitão
com urgência?
Pode ser difícil. Estamos ocupados. Não pode esperar?
Não, não pode. Preciso de vocês aqui já.
Vou ver se ajusto a agenda.
Ajusta. Até daqui a meia hora. Obrigado.
Podes só ouvir-me?
Olha… Ligo-te depois.
Ia deixar-te dormir até mais tarde.
O Chucky tinha outros planos.
Está a stressar com alguma coisa.
Não será pela qualidade da comida, mas nunca se sabe.
Não quis entrar em detalhes.
Terei de deixar isto contigo.
Vou fazer umas coisas antes de ir ao JP.
- Está tudo bem? - Sim.
Está tudo perfeitamente bem.
Liga-me quando saíres do Chucky.
O Joe?
O Joe está ocupado. Está tudo bem?
Não, nem por isso. Ainda temos uma situação complicada.
É por isso que se chama faca de chefe, meu amigo!
Bom dia, Arturo.
Não sabia que vinhas. Devias ter-me dito que estavas na cidade.
Porque faria isso?
É o que as pessoas fazem quando querem ter uma reunião de negócios.
Marcam-na.
Estás bem, Moody?
Sim, Mna. Susie. Perfeitamente bem.
Ele está bem. A avó era talibã. É rija como tudo, então…
- Sim. - Sim.
Que tal sentarmo-nos
e discutirmos seja qual for o teu problema como profissionais?
Queres saber qual é o meu problema?
Bruno.
O nosso produto é único.
Facilmente identificável pela sua qualidade
e pelos marcadores químicos que usamos para o rastrear.
Que bom.
Quando soubemos que havia uma cadeia de fornecimento aqui…
… viemos investigar.
E aqui estamos.
Trabalham para mim.
Estavam a vender o nosso produto.
Não.
O produto era vosso.
Pagámos uma quantia considerável e passou a ser o nosso produto.
Ouçam esta.
Isso nunca aconteceu.
O Sr. Vargas
recusou.
O Hector veio dizer-nos em pessoa.
Pagámos 400 quilos.
Quando foi a última vez que o viste?
Quando pagámos a primeira remessa.
Se têm um problema, sugiro que falem com o Hector.
Eu trato do Hector.
Onde está o Joe?
Está ocupado.
Liga-lhe.
E se ligássemos ao Sr. Vargas? Poderá esclarecer isto.
O Sr. Vargas está a par da situação.
Liga ao Joe.
E diz-lhe para vir cá agora.
Liga lá ao cabrão, não é?
Tudo bem? O Chucky e eu precisamos da tua sabedoria.
Podes vir cá rapidamente?
Não sei. Vai ser apertado. Porquê, que se passa?
Não posso falar ao telefone.
Mas não é nada de mais. É uma conversa rápida.
Como assim?
Vem até cá, sim?
Está bem, Suze. Daqui a uma hora, estou aí.
Ótimo.
É bom ver-te.
Estás com bom aspeto.
- Dada a situação… - Sim, obrigado.
E…
Desculpe tê-lo desiludido.
Esta é a natureza da especulação.
Às vezes, atingimos as nossas ambições. Outras vezes, não.
Compreendo que não possa descartar 60 milhões como especulação pura.
Mas e se, em vez de devolver o dinheiro, fizermos melhor?
Pegamos nos 60 milhões, mais 40 meus, e investimos.
Cinquenta quintas em todo o continente em três anos.
Não se trata de vingança.
É nivelar o campo de jogo.
Fizeste uma grande jogada, Eddie.
E perdeste.
As pessoas falam.
A reputação é afetada. Sabes o que tens de fazer agora?
Retirar-te.
Reconstruir-te.
Evoluir.
E é exatamente isso que pretendo fazer, Marco.
Mas tens de ganhar a confiança das pessoas.
Que é isto?
- É uma recusa? - Não.
Só acho que ainda não estás preparado.
- Estou. - Não.
Estou. Antes, estava limitado.
Agora, estou livre de associações.
Eram eles que me travavam.
Sim, podes estar livre, mas estás sozinho.
Eddie, estás sozinho.
Não tens raízes no mundo em que pretendes operar.
Compreendes?
Está bem.
Terá o dinheiro na conta ao fim do dia.
Obviamente.
Quando o dinheiro chegar, diz. Podemos transferir para o Marco Moretti.
O nome na transação deve ser Stanley Johnston, com T.
Sim, isso mesmo. Obrigado, Ahmed.
- Vamos. - Vai resolver esta merda.
- Tirem essa merda laranja… - Vá-se lixar!
- Porque estão a bloquear a estrada? - Desculpe.
- Que se passa? - Tirem isto daqui.
- Trabalhamos. - Por amor de Deus!
Tenho direitos.
Tirem esta merda do caminho.
- Fazemos uma ciclovia. - Sim! A culpa é dos ciclistas.
Sim, é isso. Vá-se embora. Vá!
A pedra é como um farol místico que pulsará durante milénios.
Os troianos não deixaram só a pedra, Eddie.
Alguns ficaram.
Acredito que é o descendente direto do rei Príamo, o último rei de Troia.
O seu ADN está na pedra angular da civilização ocidental.
Quando soube o que te fizeram…
- Evoluir. - Senti algo que nunca sentira.
Ele tem razão, sabes?
Amor.
Ele nunca será o homem que era.
Nunca mostres o teu trabalho a um tolo…
… até estar concluído.
- Vão-se embora. - São só cinco minutos.
- És um grande cabrão. - Eu sou um cabrão?
- Já te ouviste? - Não.
És tão idiota.
Vês? Aí está ele. Não há razão para preocupações.
Suze, não sei quanto a ti, mas não me apetece morrer hoje.
Ninguém vai morrer, Chucky. Está tudo bem.
Isto é só algum golpe ou uma grande treta.
Suze, em ambos os cenários,
podemos acabar mortos.
- Vai correr bem. - Porque estás tão calma, sacana?
Sabes o que se passa aqui, Suze?
Parece que houve um mal-entendido com o Hector.
A coca nunca foi nossa para vender.
Não, isso é loucura.
O Hector não faria isso…
Senta-te.
E tu.
Vou fazer um karak chai.
Querem um chá? Faço-vos um chá. Sim? Chá?
Nada de chai.
E não vais a lado nenhum, amigo.
Angel.
Tenho umas perguntas para ti, Joe.
E espero que tenhas as respostas de que preciso para avançarmos.
Sim, eu também.
Compraste esta coca ao Hector, certo?
Onde está o resto?
Vendemo-la.
Ganharam muito dinheiro?
Sim, safámo-nos bem.
Onde está o dinheiro agora?
O dinheiro é nosso, Arturo.
A cocaína não era vossa.
Por isso, o dinheiro
não é vosso.
Tens de me dizer onde está a porra do dinheiro.
Senão, vai haver problemas.
Para ti,
para os teus compañeros…
- Não. Calma, porra! - Que merda?
Ouve, está bem? O dinheiro, sim? O dinheiro está no meu apartamento.
Mas posso dar-te algo que queres bem mais que dinheiro.
Sim?
O Hector.
O tipo que roubou a coca.
- Onde está ele? - Falámos de manhã.
Está a caminho do meu apartamento.
Sugiro… Sugiro que tu e eu
o encontremos lá
para podermos esclarecer isto, sim?
Muito bem.
Porta-te bem.
Estes filhos da puta!
Não imaginam no que se meteram.
Deixe-me matá-los, chefe.
Tu ficas aqui.
Ela vai ao apartamento.
Angel. Bruno.
Tragam o Hector de volta.
Sabes onde ele mora, certo?
Sim, sei onde ele mora.
Se o Hector não estiver lá, mata-a.
Desculpem, algum de vocês pode assinar isto?
Hoje, estou com pressa.
As entregadoras aqui são lindas, Angel!
Vamos, Bruno!
Amigo, onde quer estes malandros?
Que porra se passa aqui, Susie?
É a pergunta dos 12 milhões, não é?
Suze, vais ter de me dizer o que se passa.
Direi, quando souber.
Agora, preciso que ponhas os corpos onde não os encontrem.
E não podes falar disto ao pai.
Ouve, tens isto sob controlo ou não?
Tenho.
Esta é a minha perspetiva.
Ou o Arturo queria tomar o nosso lugar,
eliminando-nos para controlar o Reino Unido,
ou o Hector anda a mentir-nos desde o início.
- Temos de falar com ele. - Não falo com ele há dias.
Disseste que ligaste de manhã.
Inventei isso para os separar e podermos matá-los.
- Temos de falar com o Vargas e explicar. - Achas que ouvirá após o que fizemos?
Susie, temos de desaparecer até resolvermos as coisas.
O Vargas virá atrás de nós.
É o que esta gente faz, é o que eles fazem.
Pronto.
Não deixarei que te aconteça nada.
Susie, eu amo-te.
Estamos juntos nisto, sim?
Vamos fazer assim.
Pegamos no dinheiro e bazamos daqui.
Podemos ir para Tenerife, Tailândia, Tombuctu…
Está bem.
Arranjo um avião do aeródromo do duque.
Boa. Sim. Vou buscar o dinheiro. Tu vais buscar os diamantes.
Põe o que puderes numa mala pequena. Leva pouca coisa.
Quão pouca?
Pode não ser para sempre, mas…
… pode ser.
A fazer serão?
É como dizem. Só trabalho e sem diversão.
O teu amigo conseguiu falar contigo?
Que amigo?
Sul-americano. Cabelo oleoso. Bigode.
O Hector?
Esse mesmo.
Veio cá esta manhã à tua procura.
Parecia um pouco agitado e bastante pedrado.
- Olá. Tudo bem? - Sim.
Jato abastecido, mala feita e mensagem de ausência ativa.
Muito bem, querida.
Falaste com o Hector?
Não. Deixei-lhe várias mensagens, mas ele não me ligou.
Onde raio está ele?
Não sei. Talvez esteja morto. O Vargas pode tê-lo apanhado.
Não importa, Susie.
O que importa é embarcarmos juntos nesse avião hoje.
Está bem. Vemo-nos no aeródromo.
A tua mala, Susie?
Não vou entrar no avião, Joe.
Como assim?
Vais sozinho.
E não te vai levar para Tombuctu.
Vai levar-te para Madrid,
onde um grupo de colaboradores do Sr. Vargas
te vai receber e escoltar até Lima, no Peru.
E por que razão faria isso?
Porque não tens escolha.
Consigo respeitar alguém que comete erros.
Más decisões, que nem sempre faz o que é certo.
Mas o que não consigo respeitar é um mentiroso.
Porque, a partir daí, questiono tudo o que sai da tua boca.
E em que menti?
Andas a mentir desde o início.
- Sabias que eu ia lá estar? - Susie!
No leilão?
Estavas à espera para me apanhar?
Não, juro por Deus. Foi uma coincidência.
E a treta continua.
O Sr. Vargas aceitou.
Não era para andar.
- Ele recusou. - O Vargas recusou-nos.
Então, tu e o Hector contornaram-no.
O Hector? O Hector está contra nós.
Aí está outra mentira.
Disseste que não te atendia.
Mas ele procurou-te.
- Sul-americano. Cabelo oleoso. Bigode. - Como esta manhã.
Vou fazer umas coisas antes de ir ao JP.
Disseste não poder ir ao Chucky e, tecnicamente, era verdade.
Mas quando o Hector desapareceu,
achei que merecia mais investigação.
Suponho que ele soube que o Vargas vos tinha descoberto.
- Mataste o Hector para encobrir o rasto. - Ouve, Susie…
Susie…
Tudo o que fiz foi por nós.
Gostava de poder acreditar nisso, Joe. A sério.
Mas, como disse, és um mentiroso.
Não menti quando disse que te amava.
Não te vai adiantar muito no Peru, pois não?
Susie, não tens de fazer isto.
Ainda podemos ficar juntos, tu e eu.
Foi emotivo, Joe.
Eu consigo sozinho, está bem?
- Mna. Glass. - Ele está a caminho.
Já queria resolver a fuga há algum tempo.
Agora que está feito e provou a sua lealdade,
talvez
nos possamos sentar juntos e falar sobre oportunidades futuras.
Vamos marcar uma data.
Está bem.
- Espero não estar a interromper. - De todo.
- Esta é uma agradável surpresa. - Igualmente.
- Vais a algum sítio giro? - Vou numa viagem espontânea.
Sabes que agora tenho tempo livre.
Estás com bom ar, dadas as circunstâncias.
Obrigado.
Lamento a desavença entre ti e o meu pai.
Achei que um puxão de orelhas bastaria, mas sabes como ele é quando está irritado.
Já não interessa. São águas passadas.
Mas acho que agora tenho uma ideia mais clara do que quero.
E o que é?
Tudo.
Direto.
Conseguiste ver algo de positivo
no que a maioria consideraria uma situação complicada.
Temos de nos deixar para trás para percebermos o nosso verdadeiro valor.
Quando perdemos tudo,
percebemos que as coisas que tínhamos eram efémeras e transitórias.
Nunca foram realmente nossas.
Começas a assustar-me.
Não é assustador.
Estou preocupado contigo, Susan.
Preocupado comigo, como?
Que esteja emocionalmente instável?
Demasiado materialista?
Que me falte equilíbrio cármico?
Triste.
Era a palavra que ia usar.
Triste.
Não te preocupes comigo.
Vou ficar bem.
Vai lá, ainda perdes o voo.
Sim.
Dá notícias.
Isto é inesperado.
A que devo o prazer?
Achei que podíamos falar.
Pareces sério.
Estou em apuros?
Não, não estás.
Eu posso estar.
Antonio, duas bebidas.
Queria contar-te uma história, Bella.
Tem paciência, pois há uma pequena hipótese de ter um final feliz.
Era uma vez um homem
que cometeu um erro.
E o custo desse erro de cálculo foi um castigo.
Acordou numa cova rasa,
rodeado pelo abismo escuro do nada.
A dor era esmagadora.
Tinha as pernas partidas, o corpo espancado e qualquer movimento aumentava
a agonia em que ele já se afogava.
Obrigado, Antonio.
O único som que ouvia era uma voz a dizer que o tempo dele acabara.
O jogo tinha acabado.
O sino tinha tocado.
E, ao fechar os olhos, ele aceitou o seu destino.
Uma centelha de luz apareceu
a cintilar na periferia da sua consciência.
E essa centelha tinha uma intenção.
Emanava uma única mensagem.
"Segue-me."
E assim fez.
E, após duas noites, 5 km de lodaçal, espinhos e arbustos,
deu por si numa estrada nacional nos arredores de Basingstoke e…
E foi salvo.
Porque paraste?
Para te deixar acabar a história.
Como hei de saber como acaba?
Porque estiveste lá, Bella.
Estiveste no caminho.
Em cada passo.
Devo-te a vida.
E agora…
… deves-me uma resposta.
A resposta é sim.
Legendas: Ana Sofia Pinto
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