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Este sítio é muito bonito.
Muito tranquilo.
Está a estragar o momento. Outra vez.
Desculpe, Vossa Graça.
- Geoffrey. - Calado, Winston.
O Simon MacDougall pôs a propriedade à venda.
Ouvi dizer. 240 hectares.
E treze quilómetros do melhor rio para pescar trutas do país.
De qualquer país, Geoffrey.
É melhor sermos rápidos.
THE GENTLEMEN: SENHORES DO CRIME: A SÉRIE
Atualmente, tem um excedente de caixa
de 33 milhões,
dos seus vários interesses empresariais.
O que, claro, é uma quantia substancial.
Dito isto,
uma grande parte já está investida noutras coisas.
Depois de contabilizarmos estas transações em curso,
ainda teria perto de 20 milhões à sua disposição
para a propriedade MacDougall.
Embora se espere conseguir adquirir a propriedade
por muito menos.
Disse ao Simon que pagaria mais para não entrar no mercado.
Claro. Se decidirmos vender, será o primeiro a saber.
Queria fazer uma proposta de 18.
Não pode valer mais de 15, senhor.
Aquelas terras, Ahmed,
pertenceram à minha família
durante quase 350 anos.
O oitavo duque desenhou a casa
e fê-la com as suas especificações com dinheiro ganho na Índia.
Além das especiarias e do salitre que trouxe com ele,
também trouxe a amante.
Tiveram três filhos juntos, mas todos morreram na infância.
Mas eles nasceram fora do casamento e recusaram-lhes um enterro cristão.
Foram enterrados em sepulturas anónimas
à volta daquele grande carvalho na orla do bosque,
no fundo do jardim deles.
Na sua dor, vendeu por uns trocos.
Não conseguia entrar na casa.
O Sr. MacDougall pode achar que a terra lhe pertence,
mas não pertence.
Pertence-me a mim.
Edwina, finalmente.
Querido, não deixes o advogado falar tanto.
Sim, desculpem a demora.
Queríamos perguntar-te algo.
Certo.
Estávamos a pensar se querias ser padrinho do Tarquin.
O batizado será em breve.
Como novo par do reino, o senhor está no topo da lista.
Claro.
- Adoraria e seria uma honra. - Obrigada.
Serás um exemplo maravilhoso.
O jovem Tarq não podia ter melhor. Agora só temos de confirmar um segundo.
Achámos que o Freddy poderia estar demasiado entusiasmado
com a orientação espiritual.
Sim, creio que é melhor evitar esse.
Mas, querido, devias mesmo ir vê-lo.
Sei que estás ocupado, mas ele parecia muito interessado.
Sim, eu vou, mãe. Eu vou.
Pensei se devíamos convidar o Geoff.
O Geoff?
Para padrinho.
Querida, não acho que seja boa ideia.
Ele achá-lo-ia uma imposição. Acharia muito difícil recusar.
Ficaria radiante.
Desculpem. Estamos a falar do Geoff, o couteiro?
Sim.
Não é pouco ortodoxo?
Conheci um tipo que tinha um labrador como padrinho,
mas nunca um couteiro.
Querida, acho mesmo que o Nanny tem de ter uma palavra a dizer.
Tive outra ideia.
Não achámos ser muito complicado?
Difícil, sem dúvida.
Vá lá, Nanny, diz.
Sua Majestade.
O rei?
Posso ter de o pôr no espírito certo,
mas, como sabem, tem-me em boa conta.
Como poderíamos discordar?
- A Sra. Glass chegou. - Obrigado, Sr. Lawrence.
Boa notícia, Risinho. Já volto.
Bom dia, Susan.
Capitão, estive a ver as tuas projeções.
Não sabia que a canábis era a segunda cultura mais valiosa nos EUA.
A seguir à soja. Os americanos adoram soja.
Há vontade política para a aprovar?
A despenalização é benéfica.
Reduz o crime, alivia a pressão sobre a polícia
e liberta espaço nas prisões para os criminosos.
E traz receitas fiscais de milhares de milhões por ano.
Os consumidores poderão escolher entre erva legal cara
que compram numa loja e erva ilegal barata que compram na rua.
Achas que a despenalização não teria um impacto negativo
no mercado pré-existente que sustentou a minha família na última geração?
A única diferença é que, em vez de uma linha no gráfico,
agora, há duas grandes e gordas.
A perspetiva de fazer isto sem autorização do meu pai deixa-me apreensiva.
Pode parecer o Pai Natal, mas, se acabarmos na lista negra dele,
um pedaço de carvão na meia será o menor dos nossos problemas.
A lei vai ser aprovada, quer ele goste ou não.
Se entrarmos agora, usamos a nossa posição.
Se esperarmos, ficamos para trás.
Posso contar com o teu apoio, Susan?
Estás bem, Jimmy?
Desculpe interromper, chefe.
Acho que temos um problema na quinta.
Mas é um pouco delicado.
Talvez até por motivos políticos.
Que tipo de problema, Jimmy?
Uma greve de zelo.
É uma greve para reduzir a produtividade,
andando a metade da velocidade.
Jimmy?
- Há quanto tempo estão nisto? - É difícil dizer.
Temo que a minha noção do tempo esteja distorcida.
Certo, quem se vai chegar à frente e explicar o que se passa?
Por favor.
Eu explico.
Bem, e…
Falo pelos meus colegas.
Não tivemos escolha senão fazer
uma paralisação radical.
O Randall, que esteve cá até à semana passada,
para ganhar mais, inscreveu-se num dos vossos ensaios clínicos.
O que é justo.
É só um pouco de erva, certo?
Larguem-me!
Errado.
Não é… Está bem.
Ele teve uma reação adversa
que resultou num episódio de saúde mental, que o obrigou a ser hospitalizado.
E que apoio lhe foi oferecido?
Nenhuma indemnização, nem baixa por doença, nem compaixão.
A minha compaixão é para gatinhos. E para a gorjeta do massagista.
Não para um intrometido que manipula o meu pessoal.
Esta foi uma decisão coletiva e devem saber
que foi coordenada com oito…
- Eram oito? - Sim.
Oito das outras 12 quintas de erva.
Cobertor, sobe e liga…
Como te chamas mesmo?
Ned. Da…
Não, tudo bem.
Então, Ned, que querem os teus trabalhadores?
Aumento geral de 20%, pausa de uma hora por turno,
4 semanas de férias, 6 semanas de baixa. E havendo um aumento de produtividade,
como acredito que haverá, então, uma conversa a seu tempo
sobre uma fatia razoável de participação nos lucros.
Vinte é muito, Ned.
São as nossas condições.
Bem…
… deixa connosco.
Isto pode sair caro se não tivermos cuidado.
Não me preocupa o golpe financeiro, mas o reputacional.
Se não confiarem em nós, vão procurar noutro lado.
Que há com os ensaios clínicos? Agora testamos nos funcionários?
Desenvolvimento de produto.
Temos de nos manter na linha da frente.
Deixei os iniciantes fumarem alguns protótipos,
de vez em quando, só para fazer uma base de dados interna.
Não é nada de especial.
Confirma-se, chefe. O grupo do WhatsApp bomba.
Greves em seis quintas e a aumentar.
É o cabecilha. Devíamos levá-lo para o bosque.
Calma, pistoleiro. O mundo dos iniciantes é pequeno e são uma raça frágil.
Nós somos uma organização criminosa capitalista.
Não devíamos estar sujeitos aos caprichos das greves.
Não digo que devíamos.
Mas, se descobrirem que o Red Ned foi parar a uma cova
após defender os interesses deles, não ficarão felizes.
Pronto, que tal 5% para quem provar a sua lealdade?
Conseguimos menos.
Um aumento de 3%.
Uma hora de pausa por turno.
Duas semanas de férias. Três semanas de baixa.
A participação nos lucros está descartada.
Certo. Isso não chega.
A oferta é final e não negociável.
Quem se recusar a aceitá-la abandonará estas instalações.
Se não o fizerem, será interpretado como aceitação da oferta.
Não nos pode obrigar a aceitar.
Não confundas bondade com fraqueza.
Não confundi.
Não há conversa.
Ou aceitam a oferta, ou são todos despedidos.
E eu? Recuso-me a aceitar porque… Pronto.
Estamos unidos e a união faz a força.
Por isso… Pronto.
Baza!
Não podemos deixá-lo ir, Susan.
Temos de deixar claro que, se ele disser uma palavra,
será a última.
Não me oponho a lembrá-lo da importância da discrição.
Cobertor, tens a tua arma?
Enfia-lha na porra da cabeça.
Ned, ouve. Acho que te esqueceste, querido.
Deixa-me lembrar-te da situação. Não negociamos. Matamos.
Percebeste?
Que foi? Ficaste sem tomates?
Acena se me percebes.
Ótimo.
Pronto, vamos voltar ao trabalho, sim?
Cum caraças! Não podem apontar armas às cabeças das pessoas.
- Somos humanos. - Cala-o, Cobertor.
Vais entrar num mundo novo, Ned.
Um mundo onde o velho Ned já não existe.
Neste momento, és uma mancha, uma nódoa de gordura.
O tipo de coisa de que nos livramos.
Fui bem claro?
Tirem-no da minha frente.
Mexe-te, porra! Mexe-te!
Pareces um pouco tenso hoje, capitão. Devias marcar uma massagem.
Marlon, um duplo de excelsa, por favor.
Sim, chefe. Sai já.
É o preferido do signor Moretti.
Mas eu prefiro mais aromáticos.
Estão a dar-se bem?
Sim, ele manda-me café e eu mando-lhe chá.
É um sinal de respeito.
Vou conversar com a minha filha.
- Vai buscar comida. - Sim, chefe.
- Certo. - Mna. Glass.
Por falar em produção, está a correr bem, não?
Três quintas novas no norte. Seis para o sul.
Então, que rumores ando a ouvir?
- Que rumores? - Do firmamento.
Coisas que não me dizem. Coisas que ouço por terceiros.
Tens de ser mais específico.
O Joe Green.
Ele é um sacana.
Encontrei-o no leilão do Botticelli. Não o via há anos.
Porque ele está no negócio da coca.
E isso é algo em que não queremos estar envolvidos.
Poupa-me o discurso. Já o ouvi demasiadas vezes.
Está bem.
Sei que tu e o Joe se conhecem há muito tempo, está bem?
Não me importo que o cumprimentes. "Olá, Joe. Queres um chá e um bolinho?"
Mas se ele te começar a oferecer um quilo de coca,
isso já é outra coisa.
Tem de haver uma delimitação rigorosa.
Percebi-te perfeitamente, pai.
Já soubeste da novidade?
O rei aceitou.
Bom trabalho, Nanny. Obrigado.
A Charlotte foi contar à mãe.
- Como estás? - Bem.
Ela vai ficar feliz.
Não recebemos a visita de um monarca desde o século XVIII.
Ele está ansioso por te conhecer, Eddie. Um duque que se destacou na agricultura.
Quando lhe contei o quanto faturas
com as tuas várias explorações agrícolas, quis muito saber mais.
- Espero que não me tenhas elogiado muito. - Não desiludirás, Eddie.
Mudaste desde que saíste do exército. Positivamente, devo acrescentar.
A maioria dos que viram o que viste, ou se afogam na bebida
ou dão um tiro na cabeça.
É uma luta para muitos dos nossos camaradas.
Mais para uns que para outros.
Mas tu, meu amigo, pareces ter assumido o controlo da tua vida.
É simpático da tua parte, Nanny.
Mas acho que não é totalmente verdade.
Nunca foste bom a aceitar elogios.
Faz parte do teu charme, suponho.
Enfim, vou dar algum apoio moral.
Preparar uma visita real pode ser assustador para os inexperientes.
Nanny…
É muito importante para mim ser o padrinho.
Vou levá-lo muito a sério.
Obrigado, Ed.
Ciao, Bella!
Buongiorno, Edoardo.
Bom dia.
Soube que te estás a dedicar ao novo cargo com entusiasmo.
O Cico não estava tão a par das coisas como se esperava,
mas não estou ocupada como tu.
Sim, há sempre vários assuntos a tratar.
O Marco agradece o favor que lhe fizeste.
Felizmente, não foi muito complicado.
Executado na perfeição.
Pediste-me para saber do contabilista.
Afinal, o que ele te disse sobre ser totalmente inocente
era verdade.
Só viu um e-mail que não devia ter visto.
Não era um criminoso. Era uma testemunha.
Por isso é que precisavam dele morto.
E agradecem muito a tua ajuda.
Mas fizeram um comentário.
O homem que enviaram, o Takashi, acho que era o nome dele…
Não tiveram notícias dele.
Pelo que sei, ele foi
deixado no aeroporto mal terminou.
Segundo os japoneses, nunca embarcou.
Achas que ele decidiu ficar em Londres para passear?
Talvez. De certeza que gostaria da Torre de Londres.
Ou um amigo ou parente de alguém que ele despachou recentemente
decidiu voltar para se vingar.
Direi ao Marco que o deixaste no aeroporto.
- E acaba-se a história. - Obrigado.
Nunca mais falaremos dele.
Adeus.
Ciao.
É sempre um prazer vê-lo, Sr. Lawrence.
- Senhor? - Pode ligar ao Ahmed?
Sim, senhor.
Infelizmente, o Sr. MacDougall decidiu não aceitar a sua oferta.
- E propôs os 18, como combinado? - Sim.
Sabe porque ele não aceitou?
Recusou-se a entrar em pormenores ao telefone,
mas a resposta dele foi… enfática.
Como assim?
Usou uma certa quantidade de insultos.
A terra é minha e não a vou vender a esse cabrão!
Acho que pode ser necessária uma abordagem mais direta.
Entre vizinhos.
Desculpe incomodar, Sr. MacDougall. O duque queria falar consigo.
Ele está aqui?
Olá, Simon. Desculpe aparecer sem avisar.
Vossa Graça.
A que se deve este raro prazer?
Ouvi dizer que decidiu vender.
É verdade.
Fiquei algo desiludido por não me ter dito,
dada a nossa conversa.
Sim, peço desculpa.
Decidi testar o mercado aberto.
A oferta que fiz é muito superior à que conseguiria no mercado aberto.
Porque não se poupa ao trabalho?
Prefiro não o fazer.
Certo.
E tem outro comprador à espera?
Não, ainda não.
Simon, fiz alguma coisa para o ofender?
Vivo ao lado da sua família há 15 anos.
Todos os Natais, convidámos-vos para beber um copo.
Nunca ninguém se dignou a responder
a dizer que não podiam vir.
Sou um homem muito ocupado, Simon, e a minha mãe não é boa a responder.
Só posso pedir desculpa pelas nossas falhas coletivas.
À luz disso, porque não aumento a oferta para 19 milhões
agora mesmo e encerramos o assunto?
Sabe qual é o problema com pessoas como o senhor?
Acham que são melhores do que nós,
com o seu lugar, o seu título e os seus amigos duvidosos.
Não pense que não sei o que se passa ali.
Ouvi os rumores.
Acha que pode comprar tudo o que quer,
mas a verdade é que não pode.
Porque não enfia os 19 milhões pelo cu acima?
Não o censuro, Simon,
pela nuvem de equívocos sob a qual se encontra.
A minha oferta é de 19 milhões.
Amanhã, será de 18. No dia seguinte, 17.
E vai continuar a diminuir até chegar a zero.
É uma oferta muito generosa. Sugiro que a aceite.
Se acha que me pode intimidar, como um gângster,
não pode.
Mas e se o Simon tiver razão?
E se, além de duque e par do reino,
eu fosse, de facto,
um gângster?
Acha mesmo que me pode impedir de conseguir o que quero?
Direi ao meu advogado que vai ligar.
Bom dia.
Obrigado pelo seu tempo.
Foda-se!
Despediram-me.
Que achaste que iam fazer, pá?
- São gângsteres. - Sinceramente?
Pensei que dariam ouvidos à razão. Pensei mesmo.
De que te estás a rir?
Pensei que te tinham apanhado a gamar-lhes erva.
Não! Eles nem sabem nada disso.
É uma pena, pá.
Não está certo.
Primeiro, não fazem nada pelo Randall quando ele enlouquece.
Pois não.
E depois despedem-te por pedires melhores condições de trabalho.
Foi o que eu… Eu disse isso.
Eu disse isso.
Mas tenho uma ideia.
Sabes onde guardam o material.
Sabes os códigos. Quando está guardada. Quando não está.
- Pronto, vão. - Sabes os turnos.
Talvez possamos arranjar-te uma indemnização.
Vamos lá com os meus primos.
- Que merda é esta? Quem são estes? - Família. Abre a porta.
Roubamos mais alguma erva.
Não muita.
Um pouco mais do que os cinco mil por semana que desviavas.
Um pouco, sim? O Victor trata de a vender por nós.
Ganhamos dinheiro a sério.
Isto é demasiado. Não… Já chega.
Não precisas de… Kris!
Céus! Isto é muito mais do que combinámos. Vão saber que fui eu.
- Não vão saber nada. Entra no carro. - Kris, é…
Que se foda!
A grande novidade
é que o rei aceitou ser padrinho do Tarquin.
Juntamente com o Eddie, claro, e a irmã do Nanny é a madrinha.
Por ti, tudo bem, Geoff?
- Acho que consigo viver com isso. - Não o veremos muito após o batizado.
Com todos os compromissos que acompanham
ser o rei de Inglaterra, defensor da fé e tudo isso.
Afilhado do rei de Inglaterra. Soa bem.
Mas devia ser teu.
Não preciso de um cargo cerimonial.
Não vou a lado nenhum.
Pois não?
Anda para aqui.
Uma prenda para ti, Viktor.
São muitos. Eu disse que eram muitos.
Eu disse isso, por isso…
Este é o Ned.
Aquele de quem te falei.
Trá-lo para dentro.
É muito produto para roubar de uma vez.
E achas que não vão reparar
quando faltarem dez barris de erva?
Foi o que eu disse.
Não se roubam 200 quilos ao Bobby Glass.
Têm-me ligado o dia todo.
CHAMADA PERDIDA
O Bobby Glass, é?
Temos aqui uma oportunidade.
Tens de me contar tudo o que sabes sobre a operação do Glass.
Não posso fazer isso.
Posso fazer isso.
Vais ver o Jack logo?
Sim, talvez.
Tenho-o massacrado no ginásio, para o manter em forma.
Já ouvi dizer.
Não leves a mal,
mas não lhe contes sobre isto quando o vires.
E por "isto" presumo que te refiras a nós?
Não quero exagerar, mas ainda é cedo, não é?
O Jack fala muito, sobretudo depois de beber.
Se lhe contares sobre nós, ao jantar, já todos saberão.
Certo, e não queres isso?
- Não faças disto o que não é. - Claro. Tudo bem. Sem problema.
Não é que tenha vergonha. Só não quero que o meu pai saiba.
- Ele disse alguma coisa? - Ainda não. Quero que continue assim.
Achas que ele não aprovaria?
Não leves a peito. Não és tu. É o ramo que escolheste.
Ele disse-te para ficares longe de mim?
- Não tenho 12 anos, Joe. - Mas fazes o que ele diz.
É compreensível. Ele não é só o teu pai. É o teu chefe, não é?
Jimmy.
Certo. Mantém-me informado.
Sim.
Quanto falta?
Estamos a fazer o inventário. Jimmy?
Seis.
- Aí mais quatro ou cinco? - Podemos assumir que foi o Red Ned?
Não atende o telefone, mas não estava sozinho.
Eram seis. Três em cada carrinha.
E iam a alta velocidade.
Temos de recuperá-la o mais depressa possível.
Não podemos ser fracos. Há um crime, tem de haver um castigo.
- Onde vive o Ned? - Não sei.
- Porque não sabemos? - Nunca se falou nisso.
É o problema de não ter RH.
Fala com os colegas. Arranja-nos uma morada.
Geoffrey.
Pode haver outra complicação.
Parte da erva que foi levada foi da área de desenvolvimento.
Materiais sensíveis, não estão prontos para o mercado aberto.
Como?
Psicoticamente complicada.
Ou seja?
Os primeiros resultados sugeriam sentimentos de euforia ímpares.
Pensávamos ter conseguido. Era um mercado novo.
Os primeiros clientes estavam radiantes. Mercado, dinheiro e jogo novo.
- Mas… - Mas o quê, Jimmy?
Depois, tivemos um percalço.
Certo, que faz às pessoas esse material roubado?
Não são coisas boas.
Na verdade, chefe, coisas más.
Coisas mesmo muito más.
Primeiro, espumam-se da boca como um babuíno raivoso.
Depois, começam as visões.
Dragões que cospem fogo.
Morcegos demoníacos com dentes de sabre.
Velhos a fazerem broches a dois burros…
Mesmo combustível de pesadelos.
Porque acontecia isto?
Porque misturámos coisas.
Certo. E os outros, Jimmy?
O segundo fumador ficou mesmo maluco.
Achou ter visto o rei lagarto num saco de ervilhas congeladas.
O segurança foi atrás dele e o rei lagarto atacou.
O segurança apaga.
O rei lagarto quer acordá-lo com uma poção mágica
que tirou da teta de um deus elefante de oito cabeças.
Tentou pôr o tipo bom.
Acabou no hospital, com ovos mexidos no lugar do cérebro.
E o último,
sim, esse foi o mais louco.
Disse à namorada que era um F16.
Descolou de um porta-aviões para atacar o submundo,
onde podia dizimar duendes e orcs.
O pobre coitado morreu com o impacto.
Que acrescentaste ao certo?
Começámos a experimentar com DMT sintético.
Mas que porra, Jimmy?
Vendemos um relaxante de fim de dia,
não algo que te leve para o multiverso ou para uma zona intergaláctica fodida.
Talvez um pouco de regulamentação não seja mau.
Bem, Jimmy, obrigado.
Estás dispensado.
Obrigado, Vossa Graça. Chefe.
Uma coisa é parecermos fracos perante a concorrência,
mas outra é as pessoas começarem a morrer assim.
Quando isso acontece, as autoridades, os média, a atenção pública é captada.
Pensa nas manchetes.
"Drogado voador mutilado sufoca polícia paranoico
com uma das cinco frutas ao dia."
Temos de achar o Ned.
Não diria ser salubre, e tu?
Acho que é bastante encantador.
Acho que lhe devíamos ter dado mais uns trocos.
Pelo estado desta pocilga.
Não te tinha por uma liberal sentimental.
Sei que querias levá-lo para o bosque,
mas, na verdade,
não podes ter um negócio se matas os que querem sair.
Eu não queria matar todos os funcionários.
Só ele.
- Não imaginávamos que ia acontecer isto. - É um agitador.
Era uma questão de tempo até nos causar problemas.
Preocupa-te é que esta erva manhosa
prejudique a aprovação da lei no parlamento.
Sim, seria tolo se não estivesse. Tenho muito em jogo.
Farei tudo o que puder para a aprovar.
O Red Ned já fugiu. Mas encontrei algo.
Já anda a roubar há algum tempo, mas não nesta escala.
Alguma pista do paradeiro dele?
Não. Há umas cartas do médico para o colega de casa.
Algo sobre internamento compulsivo?
Deve ser o Randall.
E se falarmos com ele?
Pode ser uma conversa unilateral, meu caro.
Um tipo quer falar consigo, chefe.
Liga do telemóvel do Red Ned. Mas não é o Red Ned.
Quem fala?
Quem sou não interessa.
O que interessa é que posso ajudar a recuperar o produto que perdeu.
Não foi perdido. Foi desviado.
Certamente não quer que isso se torne público.
Se acharem que podem roubar à vossa organização,
a vossa reputação sofre.
A mercadoria que têm na vossa posse é uma substância perigosa.
- Queremos reavê-la. - Não me importa o que é.
Só quero facilitar uma forma para vos ser devolvida.
Qual é a sua proposta?
Quem fez isto não sabia o que estava a fazer.
Posso garantir que não o repete.
Mas, para devolver a vossa erva,
gostaria que nos sentássemos e conversássemos.
Devolva o produto e, depois, falamos.
É importante falarmos primeiro. Vou enviar uma hora e uma morada.
Temos de ir à reunião.
É uma armadilha.
Quaisquer oportunidades que esta pessoa misteriosa queira discutir, é um truque.
Sem dúvida.
Mas, correndo o risco de ser repetitivo,
aquele lote de erva vai ser um grande problema.
Se o roubarmos, arriscamos uma guerra.
Reunimo-nos e tratamos do assunto à nossa maneira.
Acho que devíamos informar o pai antes que haja confusão.
Na esperança de nos dar uma visão brilhante
que ainda não nos conseguiu dar?
Não. Porque, gostes ou não, ele ainda é o chefe.
Deixa-me falar a partir de agora, está bem?
É importante. Precisas disto, eu preciso, ambos precisamos.
Mas que vai acontecer?
Sê profissional. Enche essa merda.
Vamos encher, claro.
Foda-se!
Não se ganha dinheiro a roubar o Bobby Glass.
Em vez disso, faz-se dele um inimigo.
Se fizeres do Bobby Glass teu amigo, se ele te respeitar
e trabalhares com ele,
é assim que ganhas dinheiro com o Bobby Glass.
Se me tivessem dito isto antes, não teria havido problema,
porque eu tê-lo-ia impedido.
Agora, há uma série de problemas
e, em cada um deles, eu teria dito que não.
Começam a mexer tanto na engrenagem
que há gente a matar funcionários públicos.
Não.
Começam a deixar os trabalhadores abandonarem a operação
para poderem voltar e roubar-nos.
Não.
Começam a aceitar sentar-se com pessoas que nos roubaram.
Não.
Não, porra!
Vão fazer o seguinte.
Nada.
Eu trato disso.
Não. Não podemos não fazer nada.
Temos de localizar o produto e tirá-lo do mercado.
- Eu trato disso. - Não.
Se a polícia nos ligar à erva, as consequências serão catastróficas.
O que seria catastrófico
era sentarmo-nos com essas pessoas,
porque isso faz-nos parecer fracos e isso não é aceitável.
Mal comecem a vender o produto, nós encontramo-los.
Temos soldados nas ruas de todas as cidades deste país.
E mal descubram algo, vão avisar-nos.
Na verdade, se ouvirem com atenção, podem conseguir ouvi-los agora.
Conseguem ouvir?
Consegues ouvi-los?
Não, Bobby.
É o som dos tambores da selva, Eddie.
É isso mesmo, Jackie.
É o som dos tambores da selva.
E mal a mensagem chegue, avançamos e matamos todos.
Resolvido.
Não, não vamos esperar tanto tempo.
Qual é a pressa?
A pressa?
Bobby, como disse muitas vezes,
a chave do nosso sucesso é a longevidade, a capacidade de passarmos despercebidos.
Se as pessoas se começarem a matar e a enlouquecer na rua,
a polícia e a imprensa vão adorar.
- Não me venhas falar de longevidade. - Mas ele tem razão, pai.
É mau para o negócio.
Estão presos na visão micro,
mas não estão a ter a visão macro de tudo isto.
É aí que entra a verdadeira longevidade.
Do meu ponto de vista, este problema pode ser uma vantagem para nós.
Um monte de rapazes a enlouquecer
por causa de uma psicose induzida pela canábis
na véspera
da votação para a despenalização é…
Pode ser o empurrão final de que precisamos.
Jack, espalha a palavra.
Quem tentar vender produto em quantidade.
- É para já. - Vamos à reunião, Susan.
Não podemos desobedecer ao patriarcado.
É exatamente o que vamos fazer.
Além disso, já não me apetece ir a saunas de prisão falar de tambores da selva.
É como trabalhar com o Rei Jorge Louco.
Não critiques o reinado de Jorge III.
Fez o Palácio de Buckingham e as regras do críquete.
Porque o conselheiro interveio e tomou as decisões.
- Com ele, perdemos a América. - Podemos reavê-la, se quiseres.
Como localizaríamos o produto?
Impondo-nos com precisão.
Quando dizes "impondo-nos com precisão"…
Sim, tenho um colega que acho que é perfeito para a ocasião.
Alguma vez sentes saudades da tua antiga vida como soldado?
Há algo de muito sedutor numa cadeia de comando.
Mas, quando começamos a ser responsáveis pelos nossos atos, é difícil voltar atrás.
Deteto um duplo sentido aí a espreitar, sob a superfície?
Pode haver algo a espreitar se quiseres, Susan.
Obrigado por aceitarem reunir.
Sei que são pessoas sérias
e quero resolver esta situação a vosso contento.
Antes de podermos ter qualquer conversa,
tem de nos devolver a nossa erva.
Parecem ter um problema laboral.
Aproveitei a oportunidade para vos resolver esse problema.
Estão com dificuldades em encontrar gente boa.
Quero oferecer os meus serviços
para terem uma equipa de funcionários mais eficiente
que, posso garantir, nunca teria a ousadia de vos roubar.
Não vai haver aqui nenhum acordo, Viktor.
Terminámos.
Parece sobrestimar a força da sua posição.
O Bobby Glass é um homem importante, mas está fora há muito tempo.
Tenho uns associados albaneses que estão lá dentro com ele
e dizem que ele anda um pouco louco.
Não louco como um cão raivoso.
A palavra para isso em albanês é tërbuar,
que significa furioso,
perigoso,
desvairado.
A palavra que usam para ele,
çmendur,
significa louco como um maluco.
Um doido.
Ninguém teme um homem que está çmendur. Dão-lhe moedas dos bolsos.
Um pedaço de pão, talvez.
Vocês precisam de nós.
Bem, infelizmente,
discordamos.
A próxima bala é para si.
E ele não hesitará em fazer-lhe um buraco no cérebro
se eu lhe der o sinal.
Parece ter confundido o homem pelo símbolo.
Bobby Glass, o homem, é de carne e osso,
suscetível aos caprichos da natureza humana.
Mas por trás dele,
há um exército.
Muitos dos soldados nunca o conheceram nem conhecerão,
mas a sua lealdade para com ele, para com o que ele representa, é absoluta.
Por isso, vai devolver-nos a erva, a menos que queira acabar como eles,
no chão.
Bom trabalho, Andy.
Que perícia impressionante com isso.
Obrigado.
Eu contacto-te.
Sabes onde moro.
Todos os antigos Queen's Dragoon Guards têm a mesma postura?
É sinal de que é um bom sargento instrutor.
Caro?
Tenho uma casa senhorial do século XVII
que comprei e precisa de um guardião.
O Andy precisava de casa e orientação,
portanto, ganhámos todos.
- É útil tê-lo por perto. - Nunca se sabe se será preciso.
Olha para ti!
Estás linda, querida.
Obrigada, tu também.
Mãe, está maravilhoso.
És mesmo uma mestre na arte oculta dos arranjos florais.
Não, só acrescentei umas coisinhas do jardim.
Há algo que te queria dar antes da cerimónia.
Não é muito.
É para o Tarquin.
Queria dar-to ontem, mas sabes
como andamos tão ocupados a preparar tudo.
O Geoff fez isto para o Tarquin.
Não queria fazer alarido disso.
Esculpi-o num pedaço de nogueira que tenho há anos.
A Charlotte deu-mo quando tinha uns seis anos.
Encontrou-o no bosque.
Achei que devia dar-lho agora em vez de…
No dia.
Achei que devias vê-lo antes da cerimónia.
Querida… Que foi?
Qual é o problema?
Nós, mãe.
Nós. Quero dizer…
- Querida… - Não, eu…
Não.
- Nanny… - Sim, querida?
Amas-me?
Claro que sim, com todo o coração. Passa-se algo?
Fazias algo por mim?
Sim.
Qualquer coisa.
Achas que devemos começar sem ele?
Querido, é o rei de Inglaterra. Espera-se.
Pronto. O Nanny poderá dizer-nos o que se passa.
Nanny, que raio se passa?
Falei com Sua Majestade.
Afinal, não poderá vir à cerimónia.
Mas apresenta as desculpas
e espera conhecer o bebé Tarquin em breve.
Embora já não como padrinho.
Bom, então, achas que, dadas as circunstâncias,
talvez a ideia original da Charlotte
possa estar disposta a assumir a responsabilidade?
Céus! Quero dizer,
posso, pelo menos, perguntar-lhe.
Está tudo bem?
Aceitas ser padrinho do Tarquin?
Ambas ficaríamos muito felizes se aceitasses.
E o Nanny também.
Por favor.
Seguir Cristo é morrer para o pecado e nascer para uma nova vida com ele.
Por isso, pergunto, arrependem-se dos vossos pecados?
- Arrependo-me dos pecados. - Arrependo-me dos pecados.
Arrependo-me dos pecados.
Renunciam a Satanás?
Renuncio a Satanás.
- Renuncio a Satanás. - Boa sorte com isso.
Em nome dele, reclamo-vos
para Jesus Cristo, nosso Salvador.
Pelo sinal
da cruz.
Convido os pais e padrinhos a fazerem o mesmo.
Desculpa o atraso. Fiquei retida na quinta.
Os funcionários estão felizes e rendidos?
Felizes o suficiente, agora que a agitação socialista foi erradicada.
E o produto? Conseguiste recuperá-lo?
O Cobertor trouxe os barris.
Estão a 2 m de profundidade,
onde não podem destruir mais mentes.
Já que já foste contra o teu pai uma vez,
seria certo assumir que te juntarás a mim na lei?
Porque achas que não fui movida
pelo desejo de salvar vidas inocentes?
Nem me atreveria a sugerir o contrário.
Acho que já te conheço bem.
Tenho a sensação de que já te decidiste.
Sou assim tão óbvia?
És muitas coisas, Susan. Óbvia não é uma delas.
O mesmo não se pode dizer do teu pai.
Sei que acham que o meu pai é louco, mas não é.
Talvez um pouco excêntrico, inflexível
e nem sempre percebi que, às vezes, ele está errado,
mas não é louco.
Dito isto, vai ficar se descobrir.
Primeiro, descobrirá que a lei foi aprovada
e já será tarde para o impedir.
Depois, vamos sentar-nos com ele, ter uma conversa
e dizer-lhe quanto dinheiro vai ganhar.
Muito bem, capitão.
Se vamos sequestrar a democracia em nome de um bom lucro,
devíamos começar a reunir pares. - Pois devíamos.
Legendas: Ana Sofia Pinto
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