All language subtitles for The Gentlemen - 2x02 - Episode 2.WEB.FLUX.pt

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Original subtitles

Esta catedral está aqui há quase mil anos,

quase tanto tempo quanto a sua família tem o título.

É geralmente aceite

que o homem não evoluiu arquitetonicamente

desde a construção destas catedrais medievais.

As nossas ambições tornaram-se limitadas.

O desejo do homem de se unir a Deus caiu por terra.

Deus não cumpriu ou o homem não cumpriu.

A experiência falhou.

Quem disse que ela acabou, Sr. Johnston?

Nunca mostre o seu trabalho inacabado a um tolo.

Sabe a razão pela qual

o monarca segura o orbe e o cetro durante a cerimónia de coroação?

Pela mesma razão que há um pináculo nesta catedral

e uma nave por baixo.

O pináculo e o cetro representam o masculino, o orbe, o feminino.

Dar e receber.

O Sol e a Lua. Positivo e negativo.

Taco e bola. Garrafa e copo. Falo e útero.

Um padrão escondido à vista de todos, mas visto por poucos.

Os arquitetos clássicos construíram as posições de poder

com um telhado em cúpula e um obelisco, coluna ou pináculo.

A coroa representa a reconciliação consciente

destas duas forças opostas.

O erro das pessoas é pensar que o rei é um homem, não um símbolo.

Ele é a personificação

da busca do indivíduo para se tornar completo.

Este sempre foi o objetivo secreto do monarca.

A unificação destas duas forças díspares

para exercer um poder maior.

Aonde quer chegar, Sr. Johnston?

E porque estamos nesta catedral?

Que sabe

sobre este pergaminho de pele de ovelha que temos aqui?

É a Magna Carta,

um dos documentos constitucionais mais importantes de sempre.

Tal como o rei é o cetro espiritual,

este documento é o orbe material.

O seu antepassado foi um dos 25 barões

que obrigaram o rei a assinar este documento.

Eu sei disso.

O seu ADN está entranhado na pedra angular da civilização ocidental.

Um rei legítimo poderia encontrar o equilíbrio que se perdeu.

Para o citar, Vossa Graça:

"Nunca mostre o seu trabalho inacabado a um tolo."

Do que este país precisa

é de um rei

que mereça tal coroa.

O seu antepassado foi o veneno.

O senhor é o remédio.

Qual é a diferença entre merda má e estrume bom?

A resposta é o senhor, Vossa Graça.

Tem a capacidade única de transformar o que é venenoso

em algo divino.

A capacidade de escolher entre o julgamento

e a misericórdia.

Um homem inofensivo não é um homem completo.

O completo é um homem perigoso que tem o julgamento sob controlo voluntário.

Não podem confundir a sua bondade com fraqueza.

A questão é…

… irá aceitar o desafio?

Viva o rei!

THE GENTLEMEN: SENHORES DO CRIME: A SÉRIE

MILÃO - ITÁLIA

- Eduardo. - Ciao.

- Buongiorno. - Buongiorno.

Café?

Duplo, obrigado.

Um para mim também. Como foi o voo?

Bom. Duas horas e meia de lá até cá.

Claramente um homem que gosta de agir depressa.

Agradeço ter-se reunido comigo pouco depois da nossa última reunião.

Tens a minha atenção.

Vim falar da lei para despenalizar a canábis

que está a ser debatida em Westminster.

Acha que consegue impedi-la de passar?

Esta é a Angelica. É a minha conselheira desde 1996.

Certo. Como está?

O Bobby Glass quer reprovar a lei.

Acho que cometeria um erro.

Veja como foi na América.

A legalização criou uma nova indústria de 40 mil milhões por ano

sem ter impacto no mercado ilegal.

Em vez de reprovar a lei, deixamo-la passar

e usamos a nossa posição única no mercado

para dominar o legal.

Ninguém conhece o negócio melhor do que nós.

Com a preparação certa, a nossa perícia no mercado ilegal é transferível.

O Bobby Glass não concorda?

Ele acha que estaríamos a matar a galinha dos ovos de ouro.

E acha: "Porquê ter uma galinha quando pode ter duas?"

Exatamente.

Mas, para dominar o mercado legal, preciso de investimento significativo

para criar a infraestrutura legal

antes de a lei ser aprovada no Reino Unido.

De que nível de investimento estamos a falar?

De 50 a 60 milhões de euros.

Em troca, recebe 50% do lucro anual.

A minha função é garantir que a lei é aprovada.

A sua função é pagar a infraestrutura.

Um homem na tua posição deve conhecer

muita gente influente e com muito dinheiro.

Preciso de um homem com as competências necessárias.

Alguém com ambição e desejo.

E estás a planear isto tudo sem a aprovação do Bobby Glass?

Sem ele saber. Até ser tarde demais para o impedir,

altura em que verá que é uma coisa boa.

Na ausência de autorização, procura-se o perdão.

O dinheiro que ganharemos compra muito perdão, Sr. Moretti.

Darei 50% do meu lucro ao Bobby Glass.

Ele é problema meu, não seu.

Preciso de tempo para pensar.

Tens de conseguir aprovar essa lei, Eddie.

Claro.

Obrigado.

À inglesa.

Antes de saíres,

tenho um favor a pedir.

Uns parceiros do Extremo Oriente precisam de ajuda com um problema em Londres.

Que tipo de problema?

Um que precisa de ser resolvido.

Envolve um homem chamado Sr. Takashi.

Depois, dou-te os pormenores. Agradecia a tua colaboração, Eddie.

Em nome da boa-fé,

será um gosto fazê-lo.

Sair com o Lorde Hawthorne envolve o quê?

Os pormenores exatos do que uma saída envolve estão abertos a interpretação.

Será de esperar uma refeição.

Depois, pode haver uma transição para outro local. Talvez um bar.

Mas mais importante que o número de locais que visitam,

o espírito com que abordam a noite

determina se se qualifica como uma noite de farra

ou dois tipos a embebedarem-se.

Cheira-me a esturro, querida irmã.

Especifica a natureza desse espírito

que tentas descrever.

Feliz. Festivo.

"Gayesco" comum.

Antes que te borres todo, no sentido de alegre.

Lembra-me de porque tenho de ser eu.

Afogas-te em carisma natural.

E só o Lorde Hawthorne pode pôr

o duque na Câmara dos Lordes,

que é vital para o plano do pai.

Dito isto, Sua Senhoria garantiu-me

não tencionar obrigar-te a fazer nada que te deixe desconfortável.

É só uma refeição.

Mas se quiseres masturbá-lo nas cavalariças, ele ia gostar.

Nunca se sabe. Podias gostar.

Sempre tive muito prazer

nas iguarias culinárias dos invertebrados.

O gelo picado.

O tesouro reluzente

servido numa concha calcária.

A sensação escorregadia ao deslizar pela garganta.

Mastigas um pouco ou preferes engoli-las inteiras?

Depende das ostras.

Sendo tão frescas, temos de mastigar um pouco. Garantir que estão mortas.

É maravilhoso como o instinto animal entra em ação,

mesmo num ambiente tão requintado.

Diz-me uma coisa, Jack.

Se tivesses de ser um animal, que animal serias?

O meu pai diz sempre que luto como um cão.

Mas acho que é um elogio.

Estás muito mais acima na cadeia alimentar.

Talvez um leão.

Ou talvez um carcaju.

Sempre me identifiquei com uma raposa.

Sou astuto e manhoso.

E tenho uma cauda muito peluda.

Ouça, Richard.

O toca-e-foge é tranquilo,

mas não vai haver pinadela.

Jack…

Acho que interpretaste muito mal as coisas.

Eu não…

Não me importo do jogo

e de namoriscar, se o faz feliz.

Mas a sua pila no meu rabo? Não vai acontecer.

Não que tenha problemas com isso. Simplesmente não é a minha cena.

Qual é a tua cena?

Passarinha, pachacha, patareca, cona.

Frente, não traseira.

Preferes algum tipo específico de cona?

Posso ser muito esquisito.

O problema é que tenho um apetite voraz.

Quão voraz?

Não quero parecer que me estou a exibir, mas…

Até eu me espanto com o meu apetite.

Intrigas-me, Jack.

Gostava de te conhecer melhor.

Pensei que podíamos ir a uma festa depois do jantar.

Um grupo de pessoas de que acho que gostarás.

Muito bem, Vossa Senhoria.

Sou todo seu durante a próxima hora. Sensivelmente.

Jack, quero apresentar-te umas amigas minhas.

- Olá, amigas. - Olá, Jack.

- Venho em paz. - Duas das melhores tequilas que há.

- Aqui têm. - Obrigada.

Saúde.

- Estás a divertir-te, Jack? - Muito, Vossa Senhoria.

Duas muito especiais só para nós.

- Toma, querida. - Obrigada.

Jack!

Trouxe champanhe.

Maravilha!

Sim, vamos embora.

- Aonde vais? - Já lhe disse. Tenho muito apetite.

A noite ainda é uma criança.

Não podes ir sem provar algo do saco de festa.

Mime-se, Dickie. Estou ocupado.

Sim!

Mansão Halstead.

Olá. Posso falar com o duque?

Quem devo anunciar?

Larold, já te esqueceste de mim?

Desculpe, Sr. Frederick. Não reconheci a sua voz.

Não faz mal. Estou fora há algum tempo.

- A sua irmã quer falar consigo. - Não quero…

- Fredward? - Charls.

Finalmente. Já começava a pensar que tinhas batido a bota.

É uma escolha interessante de palavras, Risinho.

Pois. Bem…

- Como estás? Estás bem? - Um pouco usado e descartado.

Mas a lagarta humilde também e olha o que se tornou.

Quando voltas?

Depende. Por isso é que queria falar com o Eddie.

Pois. Podemos pelo menos ir ver-te ou…

Talvez.

Certo. E se for com a mãe amanhã?

Devo avisar-te, Charlotte, estou um pouco diferente.

Figurativamente. Não tenho duas mamas novas e uma vagina usada.

Está bem.

- Então, até lá. - Esperemos que sim.

Não diria que parecia ótimo,

mas não parecia infeliz nem nada.

É difícil de descrever.

"Não é o melhor", sete letras.

Segundo.

Se está pronto para o contacto, é claramente uma coisa boa.

Mas não o apressemos.

Exatamente.

Uma colher de manteiga de brandy e ele volta à estaca zero.

O Freddy nunca foi assim.

Ficou cego, mãe.

Querida, não ficou cego. Só ouviu o olho a estalar.

Como estala um olho?

É preciso consumir uma grande quantidade de cocaína.

- Talvez o possamos trazer para casa. - Não.

Ter tido coragem de contactar não significa que esteja pronto.

Não perturbemos o que está a funcionar.

"Armar um monstro marinho."

Querido, devias vir connosco. Acho que o Freddy ia adorar ver-te.

Começa por T.

Se pudesse, ia, mãe.

Mas, como sabes, estou um pouco ocupado.

- Com licença. - Dez letras.

Tentáculos.

Obrigado, amor.

Que favor quer o Marco Moretti exatamente?

Procuram um contabilista que foi criativo demais com a contabilidade.

Têm a morada do advogado dele,

que sabe onde ele está na proteção de testemunhas.

E quando o encontrarmos?

Bem, deixamo-los fazer o que têm de fazer.

Tens de levar o homem deles, o Sr. Takashi, de A para B e para C.

Não temos de sujar as mãos.

Não era melhor ser um funcionário da Mna. Glass, dada a experiência?

Este é um pouco por baixo dos panos.

Entendido, senhor.

Se estiveres desconfortável com isto, entendo perfeitamente.

De todo, senhor.

Tudo por si e por esta família.

Lindo menino, Winston. Lindo menino.

Senhor…

Sr. Takashi?

Vou tomá-lo como um sim.

Posso levar a mala?

Para pôr no Land Rover?

Sim.

Sou o Geoffrey Seacombe.

Serei o seu motorista.

Destino?

Para onde vamos?

Lincoln's Inn Fields.

Foda-se! Vai ser um dia longo.

Que fazem as pessoas nas festas do Lorde Hawthorne?

É tudo muito moderno, pai.

- Não é para ti. - Pois.

Que queria ele? A tua pila?

Sim.

Deste-lhe?

Se achasse que me safava só com isso, tinha dado.

Mas estava preocupado com o meu rabo.

É bom ver que ainda tens princípios.

Ele diz que não cumprimos o acordo.

Cumprimos. Ele saiu.

- Diz que não se comprometeu. - Comprometeste-te a sair?

Comprometi-me a sair, não a entrar.

Nada mais a dizer.

O Lorde Hawthorne pediu um aumento da compensação financeira.

E, dadas as limitações de tempo, achamos que devemos dar-lhe o que quer.

Que limitações de tempo?

Bobby, a votação para decidir o novo par hereditário

é no fim da semana.

Com a ajuda dele, entro na Câmara dos Lordes,

onde controlo o destino da proposta de despenalização.

Quanto?

Cento e cinquenta.

Isso é

cinco vezes mais.

Temos de nos lembrar dos nossos princípios.

O Jack fez o que devia fazer. Cumpriu as suas obrigações.

No contexto, 150 não é nada.

Podíamos ter pagado dois milhões.

- Não deixemos os princípios atrapalhar. - Como?

Queres repetir?

- Ouviu o que disse, Bobby. - Pois ouvi.

E a afirmação perturba-me.

Não brincamos com os nossos princípios.

Estas pessoas não sabem com quem estão a lidar.

Portanto, pagamos-lhes a quantia acordada.

Pões uma arma na mesa, à frente deles,

e vês como se borram todos.

Se precisares de ajuda nisso, avisa-me.

Não pago nem mais um cêntimo àquele cabrão chique.

As chaves, por favor.

Vou buscar o carro.

E se pagássemos com o fundo de emergência?

O meu pai não ia gostar.

Se souber. Não tem de saber até decidirmos contar-lhe.

Agradecer-nos-á a iniciativa.

Sabes tão bem como eu

que, se o fizéssemos pelas costas, não gostaria.

Se ele descobrir, Sue.

Hoje, estás particularmente maroto, Edward.

Só estou a tentar encontrar uma solução.

E se falarmos com ele juntos?

A menos que estejas ocupado.

Não, é só o Geoff.

Está à vontade.

Como lida com as novas funções? Deve ser difícil ter dois cargos.

Digamos que ele é… extremamente capaz.

Talvez valha a pena tratares disto sozinha.

Se vamos obrigá-lo a ceder,

pode responder melhor a um toque feminino.

Punho de ferro com uma luva Brioni.

Com a vantagem de te dar tempo

para resolver o problema enigmático com o teu couteiro.

Com certeza.

Adeus.

Se vais conduzir, lembra-te de que é um carro, não um foguetão.

Estás em boas mãos, irmã. Aperta o cinto.

Jack!

Que bela mala.

Vejo que tem queda para a bajulação, Mna. Glass.

Apesar da apresentação elegante em Chanel,

não me deixarei seduzir, intimidar nem ameaçar.

Não o estou a ameaçar.

Estou só a contextualizar a situação.

Quero falar com o Eddie. Onde está?

- Ocupado. - A fazer o quê?

A caçar, a pescar, a contar as pombas no pombal. Não sei.

Trinta e uma saída à noite com o meu irmão foi o que combinámos.

Percebo que, apesar dos seus melhores esforços,

o Jack não lhe deu o que considerava necessário.

Mas, se não disser o que correu mal, acabou-se.

Ele não… se comprometeu com a noite.

Ele não é homossexual.

Nem o senhor é homossexual. O rabo do Jack nunca esteve em jogo.

Não pedi o rabo dele.

Queria uma noite na cidade,

que, como expliquei, ele não proporcionou.

Nunca houve um homem mais heterossexual que o meu irmão Jack no mundo.

É como um cão com seis pilas. Mas todas apontam na direção de uma passarinha.

Se quiser que alguém lhe bata uma,

sugiro que feche os olhos e imagine dedos peludos.

Essa não é a minha cena.

Nada mais a dizer.

Vou deixá-lo aqui com essa mala elegante

com trinta mil em dinheiro para comprar as pilas que quiser.

Pode pensar nas suas opções. Falamos amanhã.

Geoffrey.

Desculpe incomodá-lo.

Falámos com o advogado, como pediu.

- Têm a morada do contabilista? - Há mais de uma hora.

Mas parece que o nosso amigo japonês está a gostar daquilo.

Sê mais específico.

Já temos o que queríamos, mas continua a torturá-lo.

Temos a morada do contabilista. Levo-o até ele. Vamos.

Ainda tenho de concluir o trabalho.

Não, já terminámos.

Vamos.

Ainda tenho de concluir o trabalho.

Trabalho concluído.

O trabalho não é este.

Trabalho concluído.

Ótimo.

Foda-se!

Aquilo é um problema.

Eddie, como estão a correr as coisas com o nosso amigo em comum?

Os métodos dele são

um pouco extremos, para ser simpático.

- Sim, mas têm a morada? - Sim, temos.

Ele arrenda uma casa em Castle Combe.

Deixa-me ser muito claro.

O nosso alvo é um monstro.

É imperativo que ele desapareça.

O acordo era um corpo. Já temos um corpo a mais.

Sim, mas se os métodos do nosso amigo japonês parecem extremos,

há um bom motivo para isso.

Está bem?

Então, diz-me.

É um problema ou não?

Sim ou não?

Não há problema.

Obrigado, Eduardo.

Obrigado.

Vamos.

Lembras-te de gamar as biclas com o Jack?

Os tipos de Islington vieram à procura, de Ralph Lauren,

cheios de esteroides e de ameaças,

e depois, tu, Susie Glass, repreendeste-os, não foi?

Pareciam uns valentões, mas não tinham tomates.

- O preço trágico dos esteroides. - Comecei a gostar de ti.

Porque enfrentei uns miúdos com acne? Vai-te lixar, Joe!

Não, é óbvio que já gostava de ti.

Eras linda.

Ainda és.

Era a forma como não toleravas tretas.

Ainda não tolero.

Então, que relação tens com o duque?

Profissional.

Justaposição incongruente, não?

Tu e Sua Alteza?

É um paradoxo, Joe. Os paradoxos ligam-se à ironia.

As ironias relacionam-se com a justaposição.

Queres jogar este jogo?

Jogo o que quiseres, Susie Glass.

Obrigada, Joe.

Bolas nos buracos, dedo em tudo, nariz na vida dos outros.

Que andas a tramar, Grande J?

É melhor recuares já,

antes que acabes numa ratoeira.

Vou dizer-te porque pergunto.

O teu tempo não seria melhor empregue noutro jogo?

De que porra estás a falar?

Mais dinheiro.

Menos volume.

Margens maiores.

E o teu pai não te daria ordens.

A tua coragem é rara, Susie.

Tens competências e experiência.

Visão.

Embora não duvide de que vender pó traga grandes ganhos,

o risco é um pouco elevado para o meu gosto.

Agora tens medo de alturas?

Não são as alturas. É a volatilidade.

São os traficantes de coca sul-americanos. Adoram puzzles de corpos.

Cortam os primos uns dos outros aos bocadinhos,

metem-nos em sacos de plástico e escondem-nos na tundra.

E voltam a juntar os bocadinhos

como uma versão do terceiro mundo do Humpty Dumpty.

Vai-te foder! Gosto dos campos de erva de Inglaterra.

O que quero saber

é se saímos porque querias dar uma queca,

ou para me sondares sobre mudar de carreira.

Não pode ser por ambas?

- Tiro os sapatos? - Só se for aí que guardas a pila.

- Tenho de a guardar em algum lado, não? - Parvo.

Não me compete dizer nada, senhor.

Parece que vais dizer na mesma, por isso, diz lá.

A jornada em que embarcou para recuperar a antiga glória da propriedade

parece estar a ter um custo elevado.

Durante anos, estivemos a viver no jardim zoológico e a contrair.

Agora, vivemos na selva e expandimos.

E, sim, isso tem um custo.

Ainda acordado?

Deitar-me-ei a seu tempo, senhor. Talvez uma bebida antes?

Tomo um pouco de Macallan de 1976 no quarto. Obrigado.

Claro. Está cá uma senhora para o ver.

Espera-o no seu escritório.

É a condessa Isabella Soranza de Parme.

Condessa.

Boa noite, Eduardo.

Desculpa vir sem avisar.

Os meus sentimentos.

Obrigada.

Não te tomarei muito tempo, já é tarde.

Mas, por respeito, quis falar-te pessoalmente.

Como e porque mataram o meu namorado já não é relevante.

Essa porta está fechada.

Agora que ele se foi, o seu papel foi com ele.

Mas falei com o Marco Moretti e ele pediu-me para substituir o Cico.

Serei intermediária entre ti e o Marco

para garantir que não há atritos entre as organizações.

Obrigada pelo teu tempo.

E, se me permites, a um nível mais pessoal,

parece que precisas de descansar.

Condessa…

Para avançarmos de boa-fé…

… pode querer tratar do Botticelli.

O Bobby está a arder com 16 milhões.

Eu trato disso.

Boa noite.

Boa noite.

- Bom dia, Geoff. - Bom dia, Vossa Senhoria.

Acordaste cedo, como sempre.

- É a melhor parte do dia. - Sim.

- Procurava Sua Graça. Está por aí? - Ele deve descer em breve.

Está muito elegante. Vai a algum lado especial?

Na verdade, vamos ver o Freddy.

E embora vá ser maravilhoso voltar a vê-lo,

não deve ter sido fácil passar pelo que ele passou.

Mas parece que está mesmo a começar a melhorar.

Ainda bem.

É só que…

Geoff…

Vais achar que sou a velha mais egoísta do mundo,

mas a ideia de ele voltar para casa enche-me de um grande pavor.

Não é egoísta.

É uma das mulheres mais atenciosas

e decentes

que alguma vez tive a sorte de conhecer.

É melhor ir andando. A Charlotte e o Tarquin devem estar prontos.

Muito bem, Vossa Senhoria.

Vamos buscar o Sr. Takashi. Deve estar a comer os cereais.

Boa. Vou só atender isto, Geoffrey.

Bom dia, Susan. Conseguiste resolver as coisas com o Lorde Hawthorne?

Não. Ele mandou-me uma SMS esta manhã a dizer que ainda não está satisfeito.

Não podias dar uma mãozinha e falar com ele de nobre para nobre,

aristocrata para aristocrata? Se não estiveres ocupado.

Infelizmente, não posso fazê-lo esta manhã.

Mas vais gostar de saber que a condessa entrou em contacto.

O Marco Moretti quer usá-la como intermediária agora.

E querem devolver os 16 milhões que gastaste no Botticelli.

Porque achas que foi ter contigo e não comigo?

Talvez quisesse falar de nobre para nobre, de aristocrata para aristocrata.

Ou porque sou quem tem o aeródromo.

Seja como for, ela entrará em contacto.

De certeza que sim.

Adeus.

Tomamos o pequeno-almoço?

Isso talvez não.

Volta lá para cima e levo-te um batido de proteína.

Sim, senhor.

Gabriella, podes sair rapidamente?

Céus! É lúgubre.

Há sítios piores para se estar preso durante seis meses.

Já lá vai algum tempo, mas vai correr bem.

Vai correr bem.

Vai lá.

- Olá. - Pessoal, deem espaço ao Freddy.

Meu Deus, querido!

Estás com bom aspeto.

Olá, Freddy.

Há quanto tempo!

Pois é, não é?

Há muito tempo.

Venham, venham cá.

Aí está ele!

O bebezinho Tim.

- Tim? - Tarquin.

- Tarquin. - Sim.

Que nome fabuloso!

Como está ele?

Péssimo, a maioria do tempo.

Adorava dar-lhe um abraço.

Sim, claro.

Sim. Talvez quando ele acordar.

Talvez não acorde.

Desculpa?

Pode ficar a dormir, pois aqui é calmo.

Porque é… Bem, eu acho que é calmo.

ESCONDERIJO DO CONTABILISTA

Acabaram de parar numa casa. Três saíram do carro.

O duque, o couteiro e um tipo com ar de japonês.

Conhecemos algum japonês?

O chef do pai?

Mantém-te discreta e informa-nos.

Porque vigiamos o duque?

- Não gosto que ande com os italianos. - Muito nariz no rabo.

Anda a esticar a trela ultimamente.

Não muito. Só um pouco de vez em quando.

Nesta fase, é só um instinto feminino, Jackie.

Mas não subestimaria esse instinto.

A boa notícia é que cheguei a uma conclusão

que gostava de vos contar.

É importante. Pode ser um choque.

Mas eu… renasci.

Espiritualmente.

A família é tudo para mim.

Não fui o irmão mais velho que devia ter sido.

Não estive lá para ti.

Todos aqueles anos,

a aspirar linhas de cocaína como um aspirador.

Mas quero estar lá para ti agora.

Para ti e…

… para o teu filho.

Bem, isso é…

Mãe, desiludi-te. E ao pai.

Falhei nas minhas responsabilidades

e percebo que o pai tinha razão

em deixar tudo ao Edward.

Não, tinha.

Ele tinha razão.

E…

Fico contente.

Na verdade, estou grato por o ter feito.

Porque isso trouxe-me até aqui.

Dito isto, acho que estou pronto

para voltar para casa.

Se quiserem que eu volte.

- Sim! - Sim.

Meu Deus! Claro.

- Aceitam-me? - Queremos-te lá.

- Ótimo. - Queremos, querido.

Acho que é importante não nos precipitarmos.

Não me precipitei. Pensei muito.

- Fiz a mala. - Pois, hoje não.

Não temos espaço no carro.

- Trouxe os cães e o Tarquin. - Num 4x4?

Está bem.

Querem chá?

- Arranca! Rápido. - Não sem o meu telemóvel, mãe.

Não, eles podem enviá-lo!

Arranca, está bem? Ele está com um olhar estranho.

- Adeus, querido! - Adeus, Freddy!

- Adeus! - Adeusinho.

Reparaste na quantidade de crucifixos?

Entre outras coisas.

Passa-se algo muito estranho.

Tudo bem, Bella?

Quer treinar?

Hoje, são só negócios, Sr. Jack.

Está no escritório.

Obrigada.

- Estás em forma. - Então?

Obrigada.

Que sítio incrível para um escritório.

Que ambiente tão masculino.

Sente-se a testosterona.

E, no entanto, cá estás, uma rosa num emaranhado de espinhos.

Gosto de achar que a minha feminilidade serve para contrabalançar.

Como posso ajudar?

Vim beijar o anel.

Presumo que o Eduardo tenha contado a novidade

de que serei a intermediária entre o Marco e vocês.

Ele referiu que entraste em contacto com ele.

Estou ansiosa por colaborarmos.

E o meu pai ficou muito grato pelo reembolso do Botticelli.

Ainda bem.

E espero que abra caminho para uma nova relação de trabalho.

Mas sou nova neste mundo.

Só conheço la dolce vita de uma aristocrata.

Por isso quis falar contigo.

Para ver se me tomavas sob a tua asa. Tenho muito a aprender.

De certeza que aprenderás depressa.

Como o Eduardo?

Sei que era soldado.

Mas vivia uma vida inócua de prazer e frivolidade, como eu.

Orientado por ti, tornou-se muito mais.

Decerto o Eddie será um bom exemplo para ti

ao oscilares entre os dois mundos.

A única coisa que posso acrescentar

é que, se te vires numa situação

em que tenhas de devolver dinheiro ao meu pai,

é melhor falares comigo primeiro, não com o Eddie.

Cadeia de comando. Essas coisas.

Claro.

Assim que o dizes, parece tão óbvio.

Obrigada, Susanna.

Estás a ver?

Já me estás a ensinar.

E obrigada pelo café.

Ele chegou.

Acho que temos um problema.

Acabou. Está com a família. Vamos. Arruma as coisas.

Telemóvel.

Mulher, filhos, acabou.

Sem problemas.

Que estás a fazer?

- Têm de morrer todos. - Não.

Ele está com a mulher e os filhos.

Fazemos isso noutro dia.

Está bem?

Porque não vão escolher os quartos?

Podia ser pior.

- Já está? - Sim.

Pouse-o.

Ouviste aquilo?

Não te preocupes.

Fecha a porta.

Há uma ratazana na cozinha.

Tens de dizer à tua mulher para levar as crianças

e voltar para o carro,

enquanto tratas disso.

Diz "sim", se entendes.

Sim.

Eu entendo.

Pode querer que vás com ela, mas não acontecerá.

Estarei a ver-te.

Não ponhas a tua família em risco.

Ela só tem de pôr as crianças no carro e ir à cidade comer um gelado.

Em uma hora, irás ter com ela.

Depois de tratar da ratazana?

Exatamente.

Vai lá.

- Que haja de chiclete! - Comprar gelado.

Quero de massa de bolacha.

Foda-se!

Que vais fazer à ratazana? Matá-la ou soltá-la no jardim?

Matá-la.

Há mesmo uma, certo?

Foda-se! Céus!

Quer que trate deste?

Não, obrigado, Geoffrey. Eu faço isto.

Senta-te.

Está bem.

Posso beber um copo de água, por favor?

Pode ser?

Sim, claro.

Senta-te.

Lembras-te de o pai nos levar a perseguir veados?

Lembras-te?

Perseguimos o veado juntos

e o pai deixou-me dar o tiro.

Faria alguma diferença se dissesse que sou inocente?

E acertei-lhe. Acertei-lhe, porra!

Ficou tão orgulhoso.

Não sou um criminoso.

Sou só um contabilista.

Quando nos aproximámos

e ainda respirava,

não fui capaz.

Céus!

Eras mais novo do que eu.

O pai deu-te a faca

e degolaste-o como se não fosse nada.

Não. Nunca trabalhei para eles.

Foi o meu chefe. Por favor, não.

Do que este país precisa

é de um rei que mereça tal coroa.

Desculpe, uma pergunta.

Não fui feito para isto.

Mas tu? Nasceste para isto.

Tem a capacidade única de transformar o que é venenoso

em algo divino.

Tem filhos?

A capacidade de escolher entre o julgamento e a misericórdia.

Não podem confundir a sua bondade com fraqueza.

A questão é…

… irá

matar?

Onde está o teu Deus agora?

Pelo amor de Deus!

Devíamos limpar tudo e ir embora.

Certo.

Boa tarde, capitão.

Parece que tiveste um dia duro. Queres divulgar algo?

Discutimos isso a tomar um chá?

Não, salta o chá

e diz-me porque tens um corpo no carro.

Vais negar?

Geoffrey?

Tenho um plano para o corpo.

Posso lembrar-te da tua posição na hierarquia?

Trabalhas connosco, não por fora,

e, no final, o meu pai é o chefe.

É melhor não esqueceres.

Estou ciente da hierarquia.

Quem é ele?

Há uma explicação longa e complicada

que te contarei a seu tempo.

Volta ao plano, por favor.

É usar o corpo para trazer o Lorde Hawthorne para o nosso lado,

garantindo o meu lugar na Câmara dos Lordes.

Primeiro, um dos teus funcionários interceta-o

numa das suas festas decadentes.

Bem-vindo a Londres.

Quando o pousar, pomos no copo um comprimido para dormir.

E, na manhã seguinte, ele terá uma bela surpresa ao acordar.

Meu Deus! Que aconteceu?

Lorde Hawthorne, como está nesta bela manhã?

Isso é horrível. Onde está?

Fez bem em ligar.

Temos um acordo com os donos do local,

por isso, posso ajudar.

Por sorte, estamos perto. Fique onde está.

Parece uma festa e tanto.

Não faço ideia do que aconteceu.

Não se preocupe.

Arranjaremos forma de resolver isto.

- Vai ficar tudo bem, não é, Eddie? - Exato.

A tua intenção é deixar passar a lei,

despenalizar a canábis

e evocar a ira do meu querido pai porque queres atuar legalmente?

Não é sobre ser legal ou ilegal, Susie.

Não podes ter sol na eira e chuva no nabal.

Com o apoio do Hawthorne, deixamos passar a lei.

Entretanto, investimos numa empresa legal

que vende a nossa erva ilegal

num mercado legal, evitando o custo da regulamentação,

minando os concorrentes e tornando-nos a loja da esquina da canábis.

E o elefante na sala?

O meu pai quer a lei recusada.

O teu pai está cego.

Não vai gostar de ser enganado.

Nós esperamos até o facto estar consumado e escolhemos bem o momento.

"Nós"?

Sim, nós.

Ia sempre incluir-te. Só queria garantir que conseguia.

- Estás confiante de que consegues? - Contigo, sim.

Então, é melhor pensar bem nisso.

É melhor.

Eu renasci.

Acho que estou pronto para voltar para casa.

Que dizem os médicos?

Não há médicos. Não é um hospital. É um centro de reabilitação espiritual.

Eu, Edward Horniman, duque de Halstead, juro por Deus Todo-Poderoso

que serei fiel

e prestarei total lealdade a Sua Majestade, o Rei,

aos seus sucessores e herdeiros,

de acordo com a lei,

que Deus me ajude.

O teu padrinho acha-te pronto?

Bem,

ele é interessante.

Um tipo incompreendido. Um homem muito inteligente.

Que Deus me ajude.

Pelo que rezas, Freddy?

Por orientação.

E sentes que recebeste essa orientação?

Não sei.

Não sei.

Ele está a ouvir.

Rezei-lhe quando perdi o meu irmão.

E as minhas preces foram atendidas.

Porque agora tenho-te a ti.

Estás a rezar pela tua perda, pelo que te foi tirado.

E aqui estou eu,

mesmo ao teu lado.

Porque agora somos irmãos.

E juntos,

vamos garantir que recuperamos o que é teu por direito.

Legendas: Ana Sofia Pinto

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