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Londres, 1857
Tradução, Revisão e Sincronia: @EvandroNight
Saia do caminho, senhorita.
Não até eu receber minha moeda.
- Já te paguei. - Me pagou meio penny para vigiar as caixas.
Eu cobro o valor inteiro.
Muito bem.
O que tem aqui dentro, afinal? Vieram de bem longe.
De mais longe do que você consegue imaginar.
O que é isso?
É o futuro.
E ele está vindo para todos nós.
Minha nossa.
Lady Anya, o que foi?
Não sei ao certo, Mary.
Mas acho que pode ser magia.
@TeamArkeiro apresenta: S02 EP10 The Librarians...e o "Coração de um Bibliotecário"
Vikram, onde você está?
Ei, Vik, cadê você?
Sim, sim, eu sei.
Estou me preparando para o enfadonho,
atrofiante e tedioso serviço burocrático conhecido como dia de inventário!
Já me blindei para o tédio que está por vir.
Mas encontrei algum conforto no fato de que estamos nos debruçando sobre minúcias,
e isso beneficiará a todos no final.
Ahã.
Você não parece estar se preparando para o dia de inventário.
Ah. Mudamos para amanhã.
- Você não recebeu a notificação? - O quê?
Devia ter apitado no seu celular.
Ah, esse dispositivo infernal.
Fica apitando o tempo todo.
Como se seu único propósito fosse distrair as pessoas de atividades verdadeiramente úteis.
Oh, olha, a Lysa me mandou um vídeo de um gato.
Onde está a Lysa?
Foi por isso que mudamos o dia de inventário.
Uma amiga dela está na cidade, especialista em rastreamento via satélite.
Ela e a Senhora Astolat foram encontrar com ela para ver
se calibram nossa tecnologia para ajudar a encontrar o Merlin.
Então, vou ao cinema com alguns amigos.
E eu vou tomar um café com um colega da minha aula de krav maga.
Ooh, é um café ou um "café"?
É café, mas tenho quase certeza de que ele acha que é "café" mesmo.
Estou entendendo que os dois vão socializar com civis?
Vik, a gente tem direito a ter uma vida, e você também.
Posso te colocar nos aplicativos, se quiser.
De verdade?
Não. Não, de jeito nenhum.
Ser bibliotecário é um papel fundamental, e necessariamente solitário.
Vik, eu adoro trabalhar para a biblioteca, mas a vida é feita de conexões.
E sem querer apontar o óbvio, mas a Lysa não existiria
se você e a Anya não tivessem se conectado.
E essa história teve um final feliz?
A da Lysa teve, com sua amiga heroica e incrível?
Não! Podemos curtir as gentilezas sociais e escapar das nossas obrigações como o dia de inventário,
mas ter uma conexão verdadeiramente humana...
Isso é missão para um tolo.
O que é isso?
É um exemplar de Jane Eyre.
Sim.
Mas também é...
era dela.
Dela?
Da Anya?
É o livro da Anya?
Eu dei a ela quando ela viu pela primeira vez...
A mim.
Ei. Isso é uma carta?
- O que diz? - Connor, é indelicado.
Normalmente eu concordaria com a Charlie, mas acho que você deveria ouvir isso.
"Meu querido Vikram, já se passaram 10 anos desde a última vez que te vi
através de uma pintura para o futuro.
Nosso filho está na França. Meus pais cuidando de sua educação,
enquanto fui convocada para Londres
para uma festa frívola de jardim para celebrar o nascimento iminente
de mais um príncipe ou princesa pela rainha.
Senti sua falta todos os dias. Mas foi somente hoje,
quando vi algo que não consegui explicar,
algo que pareceu a magia que você foi encarregado
de buscar, que coloquei a pena no papel.
Sei que jamais lerá isto.
Sei que estas palavras são pouco mais
do que uma forma de organizar meus próprios pensamentos.
Mas não consigo deixar de desejar que estivesse aqui,
pois sou tomada por esta sensação
de que este homem e a magia em sua posse não trarão nada além de horror.
E algo precisa ser feito para detê-lo." Com todo meu amor, Anya.
- Sim, minha senhora? - Meu chapéu, Mary. Vou sair.
"Com todo meu amor, Anya." É a letra dela.
Eu reconheceria em qualquer lugar.
É incrível.
Essa carta ficou dentro desse livro nessa prateleira o tempo todo.
Talvez não.
Olha.
Metálico, levemente ácido.
É tinta de galha de ferro.
Muito usada na era vitoriana, mas escurece para marrom com o tempo.
Mas ainda está preta. Mal secou.
Você não está dizendo que a Anya escreveu essa carta recentemente?
Só há uma maneira de descobrir.
E agora?
Agora, esperamos.
- Outra carta? - Meu Deus.
É um portal? Uma ponte?
Não sei.
Mas este livro permitiu que a Anya e eu nos comunicássemos através do tempo.
Um exemplar de um romance vitoriano está funcionando
como portal de cartas entre a Anya e o Vikram.
- Mas como? - A Lysa não está atendendo.
- Ela sabe que não pode. Vou tentar. - Ok, ok. Ideias, ideias.
A Anya disse na carta que se deparou com algo mágico.
Poderia ser isso que está causando?
Talvez. E quanto ao próprio livro?
Você disse que pegou para ela. De onde você tirou?
- Ah, talvez a loja onde comprou? - Não foi numa loja.
Daqui.
Da biblioteca.
Senhora Astolat!
Preciso de tudo que temos sobre a Espada de Marte.
Acredito que sua localização está próxima!
Próxima de quê?
O que exatamente é a Espada de Marte?
Anya!
Quer dizer, minha senhora.
Minha lady Anya.
O que está fazendo aqui embaixo?
Acho que a melhor pergunta é o que isso está fazendo aqui.
Este é o castelo da minha família.
Passei muitos verões aqui explorando cada canto,
e não me recordo de um cômodo como este,
especialmente um com tesouros tais.
Bem, sou um bibliotecário, como sabe, a serviço do seu noivo, Gregor.
Ele me disse para encontrar um lugar para meus livros, e aqui está.
- Agora tenho muito trabalho a fazer... - Sim, meu noivo... não, eu não...
Não o imaginava como um grande leitor.
Mas só o conheço há uma quinzena.
O que pensa dele, nesse tempo?
Sei muito pouco.
Mas o pouco que sei me faz desejar saber ainda menos.
Sinto muito.
- Se eu pudesse ajudar... - Obrigada.
Não pode.
- Posso lhe pedir um favor? - Qualquer coisa.
Estou ao seu dispor.
Um livro.
Li todos os meus pelo menos duas vezes.
E isto é uma biblioteca, não é?
Posso pegar emprestado um?
Claro.
Diga o título.
E se não tiver um exemplar?
Terei um exemplar.
De qualquer livro?
- De qualquer tempo? - Ponha à prova.
Uma amiga me recomendou um conto.
Jane Eyre?
Jane Eyre.
Um romance de Currer Bell.
- Um pseudônimo, se é que já vi algum. - Tem mesmo um exemplar.
Sou um bibliotecário muito bom.
Diga-me. Do que se trata?
É sobre uma mulher que abandona tudo.
E se descobre apaixonada por um homem com muitos segredos.
Quero lê-lo faz tempo.
Fique com ele.
É seu.
Um pequeno detalhe.
Minha amiga, vejamos, é a editora,
e este livro só chegará às livrarias em algumas semanas.
Os únicos exemplares deste livro estão em caixas na editora.
Então, Vikram Chamberlain, como é que você, num cômodo escondido
num castelo em Belgrado, parece ter um exemplar?
Quais são os seus segredos, Vikram?
Vikram.
Não. Nada disso.
Estou em paz com a solidão.
Você não está sozinho.
Sim, você nos tem, mas a Anya te escreveu outra carta.
O que diz?
"Meu querido Vikram, fiquei estupefata ao ver suas palavras no meu livro.
Anseio por suas mãos e seus lábios no meu"...
Bem...
Vou guardar o resto disso para depois.
Ah, aqui está! "Avancei na minha investigação desde a última vez que escrevi,
refazendo meus passos."
Mas as caixas e o homem não estavam em lugar nenhum.
Por sorte, algumas evidências foram deixadas para trás."
Perdão.
Não é assim que uma dama deve se comportar.
- Não sou uma dama! - Bem, se não for,
chamarei o inspetor para lidar com a senhora,
mas se for, podemos nos entender.
Então, vai conseguir se controlar?
Talvez a senhorita possa me ajudar com algo.
Havia um senhor com caixas ali, e agora sumiram.
Sabe para onde ele foi?
Deixei cair uma moeda aqui antes. Acaso a viu?
- Um Penny? - Um Sixpence.
Muito bem.
Não sei para onde ele foi, mas o ouvi falar sobre o Cabot Club.
O Cabot Club.
É um clube exclusivo para cavalheiros, sem mulheres, nem mesmo criadas.
Como dama, sinto-me ofendida.
Eu também.
Não teria um irmão, por acaso?
Do meu tamanho?
Também deixei cair um xelim aqui antes.
Isto é o que precisa. Ácido nítrico.
Uma reação química, hein?
Fascinante.
Só quando exposto aos elementos.
Rapaz! Isso é para a cozinha!
Sim, senhor.
Eca, uma mulher!
Intelectuais insuportáveis!
A próxima coisa que vão querer é o direito ao voto!
"O homem em questão me escapou, mas embora seja de aparência comum,
consegui vislumbrar uma tatuagem estranha em seu braço."
Que tipo de tatuagem? Da Marinha? De prisioneiro?
É tão típico dela oferecer uma migalha de informação e depois... sumir assim...
tem mais no verso.
"Vire a página, querido."
Carambolas.
É pior do que a Marinha.
O quê? O que é?
Isso é...
Irmandade da Serpente.
Vikram, se acalme.
- Vou tentar a Lysa de novo. - Estou calmo.
Estou incrivelmente calmo. Ficarei mais calmo quando voltar a 1857.
Onde está minha bengala?
Vik, não pode fazer isso.
Vai dizer que estou mexendo com a linha do tempo e que vou causar um apocalipse, blá, blá, blá?
Além disso, desmontamos sua máquina do tempo.
Está completamente inútil.
Não me importa!
É a Irmandade da Serpente!
Sabe o quão ativos eles estavam no século XIX?
Sabe quantos bibliotecários perderam a vida na busca deles
- para não soltarem a magia sobre o mundo? - Por isso mesmo você deveria avisá-la. Não é?
Diga a ela o quão perigosos são.
Avisá-la? Quer que eu a avise?
Muito bem. Vou mostrar como isso funciona, hein?
"Querida Anya, este homem é extremamente perigoso,
- fique longe dele a todo custo." - Ótimo. Tenho certeza de que ela vai ouvir.
"Querido Vikram, que adorável." A Anya tem muitas qualidades maravilhosas,
mas a falta de curiosidade não é uma delas.
Ela vai se jogar de cabeça nisso, e não consigo detê-la.
Se ela vai atrás dele de qualquer forma, vamos ajudá-la.
E o Connor tem razão.
Não pode voltar no tempo, mas ainda podemos ajudar.
- É. - Nas cartas, ela disse
que o homem com a tatuagem estava se encontrando com alguém de dedos dourados.
- E um baú de produtos químicos. - Fotografia.
Havia toneladas de químicos usados nos primórdios da fotografia.
Nitrato de prata, vapor de mercúrio.
Tiossulfato de sódio era usado para fixar fotografias.
Sim. Era de ponta no meu tempo.
Usavam ouro para tonificar e deixar a imagem mais nítida.
O que mancharia os dedos.
Então, estamos procurando um fotógrafo.
E para ser admitido no Cabot Club, precisaria ter boa reputação,
possivelmente um par do reino.
Só pode haver um número limitado de fotógrafos em Londres em 1857.
Sabe de uma coisa?
Aposto que há um livro aqui com seus nomes e endereços.
"Se insiste em seguir este caminho,
aqui está uma lista de fotógrafos na região,
esperemos que um deles..."
"Esperemos que um deles dê frutos.
Por favor, tome cuidado, meu amor, o perigo está à espreita."
- Finalmente! - Ooh!
- Aí está. - Senhora Astolat.
- Estava me seguindo? - Claro!
Na verdade, estou à sua procura faz algum tempo.
Por quê? Está tudo bem?
Imaginava que a senhora jamais saísse de Belgrado.
Só por necessidade.
Fui encarregada de encerrar o anexo do Vikram à biblioteca.
Não posso fazer isso enquanto todos os conteúdos não forem devolvidos.
Acredito que a senhora tem o último.
- Um exemplar de Jane Eyre? - Não.
Quer dizer, sim, eu o tenho, mas não posso devolvê-lo.
Entendo que possa ter algum apego sentimental.
O anexo do Vikram deve ser reabsorvido pela biblioteca.
É perigoso demais deixá-lo aberto assim.
Não é sentimento.
É o Vikram.
Não sei por quê nem como, mas por causa deste livro, consigo falar com ele.
E faz tanto tempo.
Senti sua falta, fiquei sozinha o suficiente, tão furiosa com ele,
que ver a sua letra de além do tempo é...
Oh, minha pobre querida.
Só posso imaginar o que está sentindo.
Não é só isso.
Vi algo que pareceu magia. E o Vikram está me ajudando a investigar.
Então, vê, não posso devolver isso a você, pelo menos não ainda.
A biblioteca deve ter descoberto que precisava do Vikram,
e encontrou uma forma de emprestá-lo à senhora.
Vou ajudá-la em sua missão.
Mas assim que a tarefa estiver concluída, o livro deve voltar ao seu lugar.
Isso lhe parece justo?
Com certeza.
Então, o que estamos caçando?
Um fotógrafo.
Ah, Senhor, ah, Bambridge?
Senhor William Bambridge?
Este é certamente um estúdio fotográfico bem superior aos outros cinco que vimos.
Ah, sim. Olha só a clientela.
"Fotógrafo real de Sua Majestade a Rainha Vitória." ... Senhor Bambridge?
Vim fazer meu retrato?
- Algo está errado. - Errado?
Fui gentil, Lady Anya.
Aprendi a confiar nos meus instintos.
Pensaria que no mínimo,
um fotógrafo da rainha teria uma câmera.
Veja. As marcas no chão, ali.
Havia um tripé aqui.
Minha nossa.
É o fotógrafo do clube.
Alguém esteve aqui agora.
Ah, Senhor Bambridge? Senhor Bambridge!
Nenhum sinal dele.
Quem quer que seja, é escorregadio.
- Ele está vivo? - Por um fio. Pulso fraco.
Parece um golpe na cabeça.
Precisamos levá-lo ao hospital imediatamente.
- Ela o encontrou. - O fotógrafo?
Sim. Pesquisa é a chave do sucesso, galera.
O encontraram quase morto. Ele havia sido atacado.
Se tivessem chegado 1 minuto antes, a Anya teria sido a atacada.
Mas ela está bem.
Por pura sorte!
Isso. Isso é o que vem da nossa ajuda?
Estou preso.
Atolado em outro tempo e lugar e não consigo salvá-la.
Imagine como ela se sentia cada vez que você ia ser o bibliotecário.
Não é a mesma coisa. Ela nunca foi bibliotecária.
Não, não é.
Mas há um bibliotecário em 1857.
Oh, ah...
Ah, o livro dos bibliotecários.
Um registro de cada bibliotecário na história.
Oh, Connor, seu gênio lindo.
Se não posso estar ao lado dela, que pelo menos um bibliotecário esteja!
Encontrei!
E em 1857, ele está sediado em Londres.
Meu amor, deve perceber agora que é perigoso demais
investigar sozinha. Com a Irmandade da Serpente envolvida,
chegou a hora de buscar ajuda.
O bibliotecário do seu tempo, aquele que sem dúvida tomou o meu lugar,
- saberá como ajudar." - O nome dele é Benedict Hale.
Estudou em Oxford, na Sorbonne, tem...
Quase tantos títulos quanto eu.
Viajou por todo o mundo.
Estudou artes marciais no Japão.
Benedict Hale.
Se a senhora quiser aguardar aqui.
O Senhor Hale estará com a senhora em breve.
"Com a ajuda do bibliotecário, estará segura."
O Senhor Hale estará aqui em um momento.
Posso trazer algum refresco?
Não, obrigada.
Na verdade, adoraria um chá, se não for incômodo.
Lady Anya Besson.
Mal pude acreditar quando meu criado me entregou seu cartão.
- Senhor Hale. - Bem, o que fiz
para merecer o prazer de sua visita?
Não, o prazer é todo meu.
Sabe, sei que não fomos formalmente apresentados,
mas seu rosto me é muito familiar.
Tenho a sensação de tê-la visto em algum lugar antes.
Duvido, acabei de chegar em Londres.
O que torna sua familiaridade ainda mais estranha.
Quer dizer, não andamos exatamente nos mesmos círculos.
É, não.
Além disso, ainda não me disse por que está aqui.
Um conhecido sugeriu que eu viesse visitá-lo.
Quem?
Qual conhecido?
Oh, eu, ah...
- Oh, minha nossa! - Cuidado!
Oh, desculpe.
A moda moderna é terrivelmente apertada.
- Oh, de fato. - Oh, não.
Danifiquei seu troféu?
Não, isto não é um troféu.
Esta é a Estrela de Prata da Abissínia.
Antiga, e intacta, graças a Deus.
Por favor.
Oh, obrigada.
É muito gentil.
Lady Anya, preciso saber quem a enviou.
Senhor Bambridge.
- Bambridge? - Sim.
Bambridge.
Veja, mandei fazer meu retrato algumas semanas atrás.
Ah, deve ser daí que me conhece.
Deve ter me visto no estúdio dele.
Ele disse que talvez o senhor pudesse me ajudar.
Ajudá-la com o quê?
Estou arrecadando dinheiro para as viúvas e órfãos
do terrível conflito na Crimeia.
Senhor Bambridge disse que o senhor é um homem de intelecto e empatia.
As viúvas e os órfãos podem contar com seu apoio?
Temos que parar de nos encontrar assim.
- Senhora Astolat, me assustou. - A senhora já parecia assustada.
Senhor Bambridge?
Oh, no hospital, ainda inconsciente.
O deixei nas mãos de uma enfermeira. Treinada pela Nightingale, graças a Deus.
Ela acha que ele vai se recuperar bem.
Ótimo. Devemos ir para casa escrever ao Vikram imediatamente.
Por quê? O novo bibliotecário não pôde ajudá-la?
É ele. O homem que vi com o orbe.
O novo bibliotecário foi corrompido pela Irmandade da Serpente.
Não entendo.
O livro dos bibliotecários não tem nada sobre Benedict Hale
sendo corrompido pela Irmandade da Serpente.
E acho que sei por quê.
A Anya teve uma visão melhor desta vez, então consegui identificar o orbe dela.
Benedict Hale está de posse da bola de vidência.
Mas achei que a bola de vidência já estava na biblioteca?
Não estava em 1857.
Ah, espera. O que é a bola de vidência?
É no que se baseiam os mitos das bolas de cristal.
Ela mostra o futuro.
Mais especificamente, o pior do futuro.
Oh, é combustível para pesadelos.
E a julgar pelo mural de crimes do Benedict, o pesadelo dele é a Primeira Guerra Mundial.
É uma boa aposta que a Irmandade da Serpente
encontrou a bola de vidência e a usou para converter o Benedict ao lado deles.
Mas o motivo de não estar no livro dos bibliotecários
é que toda vez que um futuro é revelado,
o ato da revelação permite que esse futuro seja alterado.
Um bibliotecário saberia disso.
Então o Benedict pretende mudar o futuro?
Quer dizer, não o culpo.
Se você visse as trincheiras da Primeira Guerra Mundial,
- não tentaria impedi-la? - Sim, mas como?
Isso não acontece por mais 60 anos.
Vitória. Ela é o ponto de inflexão.
Está me dizendo que a Rainha Vitória causou a Primeira Guerra Mundial?
Não, não, não, não. Mas antes de Vitória, a monarquia britânica estava em crise.
Ela assume o trono aos 18 anos, a última membro da linha real.
Depois, casa com seu amado Albert
e passa a produzir uns meia dúzia de herdeiros reais.
Na verdade, foram nove, o último nascido em 1857.
Esses príncipes e princesas crescem
e se casam em todas as casas reais da Europa.
Na Primeira Guerra Mundial, o George V da Grã-Bretanha está lutando
contra seu primo, o Kaiser Wilhelm.
E o outro primo deles, Alexandra, é casada com Nicolau II da Rússia,
e eles estão ocupados assistindo seu império ruir.
São os netos de Vitória.
Toda a Europa é uma enorme rede de primos e relacionamentos.
E se você fosse o bibliotecário em 1857 e quisesse mudar esse futuro,
uma coisa que poderia fazer é eliminar esses jogadores.
Mas não quero fazer o advogado do diabo,
mas não seria bom impedir a Primeira Guerra Mundial?
A magia sempre tem consequências.
E essas consequências são graves.
O consenso de quase todos os historiadores é que a Primeira Guerra acontece de qualquer jeito.
Havia tensões demais crescendo pela Europa em direções diferentes demais.
Mas ter essas casas reais relacionadas entre si
evita que aconteça cedo demais.
Ok, calculando isso, se uma crise de sucessão britânica acontecer em 1857,
isso desencadearia uma expansão austro-húngara descontrolada...
Poderia resumir para aqueles de nós que não têm pós-graduação em história?
O cenário mais provável é que, se você remover a família real britânica em 1857,
a Primeira Guerra Mundial não começa em 1914.
Começa por volta de 1890, antes de a América estar pronta para entrar na guerra.
Então os aliados de fato perdem.
O que teria um efeito em cascata na história.
Muda a guerra seguinte, que causa outra guerra depois,
esta com capacidade nuclear mútua.
Então...
Em vez de impedir a Primeira Guerra Mundial, o Benedict Hale causa a Terceira Guerra Mundial
matando a Rainha Vitória e sua família.
Como?
Espera, a Anya não disse que estava em Londres para celebrar o nascimento
do mais novo príncipe ou princesa?
Sim. A família real estará reunida em público, uma ocasião rara.
Mas a Anya não viu nenhuma evidência de armas.
Exceto pelo ácido nítrico.
Ah, é usado em explosivos, munições.
Também é usado nos primórdios da fotografia.
Ah, as chapas fotográficas eram revestidas de nitrato de prata.
A Estrela de Prata! Sim.
A Estrela de Prata da Abissínia.
"Quando a conjuração correta é pronunciada, a Estrela de Prata da Abissínia é capaz
de capturar as almas daqueles em seu campo de visão."
Então, se o Benedict usar ácido nítrico
para transformar a Estrela de Prata em uma chapa fotográfica...
Bambridge. Ele é o fotógrafo real.
O Benedict se passa por ele, tira a foto,
e a família real desaparece da existência.
Preciso avisar a Anya. Ela não pode...
O que diz?
Como sempre, ela está à nossa frente.
Ela descobriu o plano do Benedict.
E pretende detê-lo.
Esta renda coça tanto.
Sim. Bem, a moda raramente é confortável.
Não devia ter gasto tanto dinheiro comigo.
Não gastei. O Benedict Hale deu 10 libras para viúvas e órfãos,
e achei que o melhor uso era impedi-lo de criar mais viúvas e órfãos.
- Não vejo como um vestido que coça ajuda. - Bem, precisamos nos misturar.
Vamos, senhoras.
Se queremos encontrar o Senhor Hale antes que use a câmera mágica na rainha.
Mas como vamos fazer isso?
Sem ideia. Vou improvisando conforme o caminho.
O quê?
Você e o Vikram Chamberlain formam um par e tanto.
- Ah. - Ah.
Major-domo.
A rainha estará conosco?
Imagino que seu confinamento deve estar muito próximo.
Não discutimos o estado da rainha, senhora.
É que não vejo Sua Majestade
desde quando era dama de companhia. Não gostaria de perdê-la.
A rainha estará com a senhora em breve.
A família real está apenas tendo seu retrato feito no jardim leste.
Obrigada.
- Jardim leste? - Jardim leste.
Minhas desculpas, Vossa Majestade.
O Senhor Bambridge está doente e me enviou em seu lugar.
Agora, se pudessem todos se aproximar um pouco mais uns dos outros.
Como vamos chegar à câmera com todos aqueles guardas presentes?
Você fica com a câmera. Eu fico com os guardas.
Como vai fazer isso?
Não sou a única que se lembra do Vikram Chamberlain.
Não pode matar ninguém de verdade.
Mais divertido ainda.
Ei, seus almofadinhas!
Tenho uma arma perto da rainha e vou usá-la.
Vossa Majestade!
Por favor, seus guardas cuidarão disso.
Não podemos perder o...
Guardas!
Vossa Majestade, por favor, fique onde está.
Por favor.
Por favor, só mais uma carta.
O Connor está mergulhado nos arquivos, pesquisando.
- Vikram. - Não.
Não me diga que ela vai ficar bem.
Não me diga que vai ficar tudo bem porque você não tem como saber isso.
- Não ia dizer. - Ótimo.
Porque agora, o futuro dela e o seu passado estão em fluxo.
E talvez o Benedict Hale cause a Terceira Guerra Mundial, talvez não.
E talvez a Anya não morra de velhice rodeada pelos que ama.
Talvez ela morra tentando detê-lo.
E meu mundo inteiro acabará se isso acontecer.
Sabe, esperar é a parte mais difícil.
Sempre tento me distrair batendo em alguma coisa.
Quando a Anya entrou neste anexo pela primeira vez, me apaixonei por ela imediatamente.
Foi como se o próprio chão tivesse tombado de lado, e eu tivesse escorregado.
E ainda não me encontrei de volta.
Por quê?
Porque ela é brilhante, inteligente, corajosa.
Ela me fazia sentir que eu podia fazer qualquer coisa.
Mas na verdade, era ela quem podia.
Ainda acredita nela?
Então há mais uma coisa que pode fazer.
Sim, sou uma mulher. Vocês vão ter que me engolir!
Ok.
Aí está.
- Não, não! - Me dá... me dá isso!
Lady Anya, devia ter imaginado.
Senhor Hale, não pode fazer isso.
Vou salvar o mundo.
Ousa se interpor no meu caminho?
Mulher tola.
O senhor está errado.
Não vai salvá-lo.
Vai destruí-lo.
Sou um bibliotecário.
Tenho magia na ponta dos dedos.
E nunca estou errado.
Não.
Não.
"Meu amor, daria qualquer coisa agora para estar ao seu lado,
mas não posso cruzar o tempo a não ser em palavras,
e as únicas palavras que posso lhe dar agora são estas.
Você me disse uma vez que eu podia mover montanhas,
mas era você quem realmente podia, com a mesma facilidade com que me moveu.
Você tem meu coração,
mas também tem o coração de uma verdadeira bibliotecária.
- Você é o reflexo de tudo que há de bom." - Reflexo?
"E de tudo que desejo ser.
Faça tudo ao seu alcance para detê-lo
e mostre ao mundo o quanto você é incrível."
Certo. Há mais de uma saída de um labirinto.
Como você...
Não vou deixá-lo fazer isso.
Guardas!
- Peguem essa mulher! - Tire as mãos de mim!
Não!
Cuidem dessa mulher.
Tenho uma foto para tirar.
Senhor Hale, não faça isso.
Não, Senhor Hale, não faça isso.
Senhor Hale, não faça isso!
Peço desculpas pela demora, Vossa Majestade.
Agora, lembre-se, fique bem quietinha.
Isso entrará para a história.
Hoc oblatum est anima mea.
O que foi isso?
Oh, nada, Vossa Majestade.
Agora, por favor, lembre-se, é fundamental que fique completamente imóvel.
Completamente imóvel.
Agora olhe e fique imóvel, Vossa Majestade.
O que está acontecendo? Não!
Não!
Oh.
Ha. Obrigada, Senhora Astolat.
Esses guardas do palácio precisam de um treinamento melhor.
Então, o que perdi?
Meu espelho de bolso.
Útil para ver ao redor das esquinas, verificar a própria aparência, e frustrar planos.
O Vikram disse que a câmera roubaria a alma de quem ela visse.
Quando o Senhor Hale não estava olhando, deslizei meu espelho para redirecionar o olhar da câmera
de volta para ele e longe da rainha.
A rainha.
Lady Anya.
Vossa Majestade.
Era para acontecer isso?
Oh, aquilo?
Foi apenas um...
Efeito da luz.
Pode se mover agora, Vossa Majestade.
Oh, é tão diferente agora, sem o Vikram aqui.
Ele ainda está aqui.
Ou estará de novo.
Bem, pelo menos essa engenhoca infernal pode ficar guardada com segurança na biblioteca.
E esta bola de vidência.
Sim. E agora o anexo pode fechar.
Promessa é promessa.
Sinto muito por tirá-lo de você desta forma.
Não sabia o que significava ser bibliotecário até agora.
A biblioteca precisa do Vikram.
E o mundo precisa da biblioteca.
Se tenho que abrir mão dele de novo, não pode ser por menos do que isso.
Saiu-se muito bem nessa aventura.
Não me surpreenderia se a biblioteca encontrasse uso para a senhora no futuro.
Ha. O futuro?
Bem, que pensamento delicioso.
Quais são os seus segredos, Vikram?
Tenho uma estranha sensação
de que jamais conseguirei guardar qualquer segredo de você,
Anya.
Oh, não, sou muito determinada.
Isso estou aprendendo.
"Meu amor, a esta altura, sabe que o mundo não acabou,
assim como não acabou quando fomos separados pela primeira vez.
Ele seguiu em frente. A princípio, achei cruel,
mas agora sei que avançou pelo nosso próprio bem"
Anya?
Não exatamente. Desculpe.
Lysa.
O Connor e a Charlie me contaram tudo.
Sinto que perdi muita coisa, hein?
De fato.
Você teria adorado sua tatatataravó.
Você e ela compartilham o mesmo espírito.
E nunca ficou tão evidente quanto hoje.
Ela parece incrível.
Adoraria ler as cartas dela algum dia, quem sabe?
Acho que ela aprovaria isso.
"Desde que você foi embora, sinto que estava adormecida.
Mas de repente, fui despertada para toda a magia do mundo,
ordinária e extraordinária. E quero fazer parte disso."
O dia de hoje foi exaustivo,
doloroso,
mas também um presente.
Porque sei agora que sempre terei a Anya comigo.
"E você também pode fazer parte disso. Faça seu trabalho, viva a vida,
e me mantenha perto do seu coração."
Porque o melhor dela permanece vivo.
Em suas palavras
neste lugar,
e em você.
E em você também.
"Mas não pare de experienciar o mundo.
Ele é vasto e cheio de maravilhas.
E eu, da minha parte, pretendo aproveitá-lo."
Mas por ora...
Para onde vamos?
Connor, Charlie, venham aqui.
Vamos sair.
Você vai me apresentar aos seus amigos do café e do cinema.
Ah, o cara do café não é bem um amigo.
- O quê? - Ah, não me importa, vamos logo.
Dedicado ao @ARKeiroVesgo
Uma Dupla de Dois agora é: @TeamArkeiro
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