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Original subtitles

Tradução, Revisão e Sincronia: @EvandroNight

Quem está aí?

Mãe?

Pai?

Ele esta vindo me pegar! Está vindo!

Gabe, estamos indo embora agora!

Não! Voltem aqui!

Eles foram embora.

Estou indo aí agora.

Não. Não.

Vocês não podem me deixar.

É hora de brincar.

Pronto ou não... Lá vou eu.

@TeamArkeiro apresenta: S02 EP09 The Librarians...e o "Telefone de Brinquedo"

Você percebe que vai passar uma noite fora, não uma semana de férias, né?

Sabe, acho que você está com ciúmes de não ir junto.

- Eu não estou... - Ai.

...com ciúmes.

Só estou irritada, tá? Tem diferença.

Você empacotou um laboratório de pesquisa do tamanho de uma mala?

Estamos indo para as profundezas sagradas da biblioteca.

É uma oportunidade perfeita para fazer experimentos.

Não, não, não, não. A gente já conversou sobre isso. Tá?

Vocês vão para a iniciação tradicional da biblioteca.

Não vai ter tempo para experimentos.

Ao menos minha mochila tá cheia de coisas úteis: garrafinha d'água, bússola, saco de dormir,

- repelente de duendes. - O quê? Repelente de quê?

Por que vocês dois estão agindo como se nunca tivessem ido à biblioteca?

Vimos a ponta do iceberg da última vez. Dessa vez é diferente.

A biblioteca é vasta.

- Infinita. - Intimidadora.

Todo bibliotecário passa por isso.

É obrigatório que vocês tenham um conhecimento profundo

e completo do conteúdo da biblioteca.

- Mas... - Mas?

Eu deveria ir com vocês.

Vocês são minha responsabilidade.

Guardiões não participam da iniciação da biblioteca.

É exclusivamente para o bibliotecário...

Ou bibliotecários, no caso.

Você nem fez as malas?

Aventurei-me ao sanctum interior da biblioteca para cumprir

esse tédio compulsório séculos atrás.

Dificilmente precisarei repetir a experiência.

Ei, se eu fizesse as regras, eu iria com vocês.

Ah, acho que Charlie vai sentir nossa falta.

Não, não vou sentir a sua falta.

- Oh. - O que vou fazer aqui

o dia todo sozinha? Ficar me coçando?

Ooh, você pode verificar a caixa de artefatos que a gente vem adiando.

Os brinquedos me perturbam demais desde que peguei isso.

Precisamente por isso eu deveria ficar aqui com a Charlie. Hein?

Hmm, esse macaco tem uma cara bem perigosa.

Melhor não olhar diretamente para eles. Hein?

Ei, você não vai escapar disso. De jeito nenhum.

Ooh. Tá na hora.

Aff, mesmo sendo necessário?

- Sim! - Tudo bem!

Não se esqueçam. Devemos deixar nossos celulares para trás.

- Ah. - É.

Ótimo, nem vou poder ligar pra vocês se precisar.

Podem ter certeza de que estaremos entediados até os ossos com toda essa maravilha sem fim.

Entediados até os ossos? É uma piada, né?

- Né? - Não. Não, vai ficar tudo bem.

Vai ficar tudo bem. Talvez a gente aprenda algo.

Ooh, você pode me ajudar com as minhas malas?

Você é tão chata.

Aproveite o dia de folga.

Obrigada, Connor.

Eu não quero folga!

Alô?

Tem algo ruim na minha casa. Estou com medo. Por favor.

O quê? Isso é uma pegadinha?

Foi o Vikram que te mandou fazer isso?

- Quem é Vikram? - Ha-ha. Muito engraçado, pessoal.

Tá bom. Podem aparecer agora.

Moça, v-você pode me ajudar? Por favor. Estou com medo.

Como eu sei que você não é algum demônio preso num telefone?

Não entendo. Todo mundo foi embora.

Estou sozinho em casa.

Quem é você?

M-Meu nome é Jovan. Por favor, me ajude.

Estou com muito medo. Vem me buscar.

Com medo de quê?

- Ele quer me pegar. - O quê?

Eu ouço ele por toda parte e tem uma luz brilhante e assustadora tentando me pegar.

- Por favor me ajude. Estou com medo. - Não consigo sair daqui.

Tem alguém que eu possa ligar?

Estou sozinho. Não tenho mais ninguém.

Por favor, não chore.

Tá bom. Tá bom. Tudo bem.

Eu vou te ajudar.

V-Você vai me proteger, promete?

Eu prometo.

Jovan, e os seus pais?

- Consegue ligar para eles em um telefone? - Nossos telefones não funcionam.

- Você consegue sair de casa? - Ele não me deixa.

- Moça... - Pode me chamar de Charlie.

Charlie, você vai vir me proteger?

- Você pode me dizer onde está? - Na minha casa.

Estou na parte da cidade do outro lado da floresta assustadora.

- Você está em Senjak? - Sim.

Você vem aqui?

Eu sempre cumpro minhas promessas.

Corre. Estou com medo.

É o seu dia de sorte porque eu não tenho medo de nada.

- Mas preciso que faça algo por mim, ok? - Sim.

Você consegue ser corajoso pra mim?

Jovan, você sabe como contar até cem?

Sei. Claro.

Ótimo.

Você consegue contar até cem em voz alta?

Acho que sim. Um, dois, três, quatro...

- Charlie? - Stone?

O que você está fazendo aqui?

O que nós estamos fazendo aqui?

O que você está fazendo aqui?

Quem é "nós"?

Eu...

Cassandra Cillian.

Que bom te ver.

A biblioteca mandou vocês atrás de mim?

Não. A gente não sabia que você estaria aqui.

O livro de recortes nos mandou.

O livro de recortes?

Você não tem um livro de recortes?

- Não. De jeito nenhum. - Que fascinante.

Como o seu anexo distribui os casos?

- Agora é a hora... - A gente tem... a gente tem um pêndulo.

Um pêndulo? Ooh, como funciona?

Ele aponta onde há magia em um mapa.

Um mapa mágico que muda dependendo de onde precisamos ir.

Tipo um mapa meteorológico sinótico?

Só que em vez de eventos climáticos, ele alerta para ocorrências mágicas,

mas não diz o que está acontecendo?

- Pessoal, podemos focar... - Silêncio.

- Não exatamente. - Mas como vocês sabem

- o que estão procurando? - Vikram e os outros são bons em identificar isso.

- Ah. - Tudo bem.

Vou ficar por aqui.

E quando vocês terminarem de fazer isso aí,

talvez possamos cuidar dos assuntos de bibliotecário?

Bem, dessa vez vem com uma dose de colaboração

com nossas contrapartes baseadas na Europa.

Às vezes o processo é tão importante quanto o resultado.

Ou a biblioteca não te ensinou nada?

- Tudo bem. - Obrigada.

Então o livro de recortes nos mostrou isso.

Uma família e uma casa em algum lugar por aqui

desaparece a cada 20 anos no último século.

E estamos tentando proteger a família atual.

A família de agora.

Charlie. Charlie. Você está aí?

Jovan, estou aqui.

- Terminei de contar até cem. - Desculpa.

- Achei que você tinha ido embora. - Não, não, não. Não vou a lugar nenhum, tá?

Só encontrei alguns amigos.

- Isso é um... - Telefone de brinquedo?

É. Tocou no anexo. Eu atendi.

Você tem ideia do que esse artefato faz?

Tem um garotinho assustado do outro lado.

Eu disse que ia ajudar.

Pode ser uma armadilha.

- Pode estar nos atraindo. - Amaldiçoado.

- Possesso? - Rádio interdimensional.

Ainda bem que você nos encontrou, hein, Charlie?

A gente pega o telefone. Você pode voltar para o anexo.

Não vou a lugar nenhum. Tá? Ele confia em mim.

Além disso, o pêndulo me mandou aqui.

Vikram e os outros já tinham ido para a iniciação da biblioteca.

Ah, a iniciação.

Lembra da nossa, Stone?

Tem muita coisa que pode acontecer durante uma iniciação...

A gente mal tinha um ano trabalhando na biblioteca.

Ele quase caiu na fonte da juventude.

- Jones tinha um laço mágico... - Eu estava lá.

Ela não precisa saber disso.

- Ele está com vergonha. - Não estou com vergonha.

Só quero focar na missão.

Acho que o que Stone está tentando dizer é que você é uma guardiã.

Não uma bibliotecária.

Então, ah, nós resolvemos daqui pra frente.

Não vejo seu guardião em lugar nenhum.

Cassie e eu fazemos isso há muito tempo, então.

Não vou a lugar nenhum. Ok?

Então vamos trabalhar juntos.

Vai ser divertido.

Por mim tudo bem.

Fiz uma promessa para Jovan.

Não quebro minhas promessas.

Ei, Jovan. Você pode vir à porta e nos deixar entrar?

- Não posso. Ele vai me pegar. - Ele está com medo de descer.

Como vamos descobrir em qual casa ele está?

Espera, espera, o que você disse?

Você disse que houve um desaparecimento a cada 20 anos no último século.

Então procuramos uma casa com pelo menos cem anos.

Nos anos 1920, os principais materiais usados para construir casas sérvias eram bem simples.

Era madeira, tijolo, pedra.

Então estamos procurando uma casa que incorpore elementos do neoclássico,

Neo-renascentismo, Neo-romântico... estilo...

Essa aqui.

Essa não parece tão diferente das outras.

É a única no quarteirão com fundação de pedra.

As outras usam concreto.

Acho melhor só confiar no instinto dele nesse tipo de coisa.

Tem certeza que é essa?

Parece que sim.

Se por "sim" você quer dizer muito, muito errado.

Tudo bem.

Telefone assustador?

Confirmado.

Casa assustadora?

Confirmada.

Agora, tudo que precisamos é encontrar a magia

- causando tudo isso de assustador... - Ei, ei.

- Devemos fazer uma varredura na casa! Não... - Jovan?

Jovan, sou a Charlie.

Jovan, sou eu.

Jovan.

Você realmente veio!

Eu disse que viria, não disse?

Você está seguro agora.

Ah, sim.

Quarto assustador no sótão.

- E confirmado. - Você não tem medo?

Ainda está aqui. Você consegue sentir?

Não tenho medo de nada.

Há uma variação óptica irregular aqui.

Algo está bagunçando as leis da física.

Algo assim?

Está vindo.

Adoro uma boa brincadeira de pega-pega. Sou eu quem pega. Prontos, já, corram!

Não. Não gostei nada disso.

Nem um pouco.

Vai, vai, vai, vai.

A luz pode ser uma emissão de energia elétrica.

Vai, vai, vai, vai, vai. Vai.

Isso dá uma sensação de casa mal-assombrada.

Não há onde se esconder. Não há para onde correr. Vou te pegar.

Está vindo e você não consegue parar.

Corre.

Precisamos achar outra saída.

O quê? Hein?

Tem algo tentando mantê-lo aqui.

Eu já disse antes, ele não me deixa ir embora.

Como vamos tirá-lo daqui?

Acho que seja lá o que for isso, temos que enfrentá-lo de frente.

Não! Não, não, não, não, não!

Ei. Eu prometi que ia te manter seguro, não foi?

E eu não quebro minhas promessas.

Pode ser um demônio da casa.

- Talvez a gente precise fazer um exorcismo. - Talvez.

Mas não quero descartar

minha teoria interdimensional, porque a luz pode indicar algum tipo de buraco de minhoca.

Jovan, o que você acabou de dizer?

É o bicho-papão.

Jovan, não existe bicho-papão de verdade.

- Isso é ruim. - Muito ruim.

- Espera, você não está me dizendo que o... - O bicho-papão é real.

Muito real.

Tá bom. Mas não tenho medo de um monstro de história de criança pra dormir.

Oh, deveria ter.

O medo é um mecanismo biológico que nos mantém seguros.

Quero dizer, é um instinto de sobrevivência.

Ignorá-lo pode ser fatal.

Você parece a Lysa.

E vocês duas seriam feitas uma para a outra?

- Sério? Que coisa mais fofa. - É.

- Não é fofo? - Podemos focar aqui?

- Tá bom, tá bom. - Desculpa.

Então é um bicho-papão, se vocês dizem.

- Qual é o plano? - Tudo bem. Primeiro,

precisamos descobrir que tipo de bicho-papão é esse.

Desculpa, "que tipo de bicho-papão"?

Já encontramos vários tipos de bicho-papão ao longo dos anos.

Muitas versões diferentes, em muitas culturas diferentes.

Pode ser o homem do saco, que arranca crianças de suas casas.

Talvez valha considerar o Vodyanoy.

O coletor de almas vingativo que afoga suas vítimas?

- Baba Yaga. - Oh.

Tá bom. Tá bom. Entendi. Muitos tipos de bicho-papão.

Tudo bem. Como descobrimos qual é esse?

Mais importante ainda, como paramos isso?

Encontramos ele antes que ele nos encontre.

Procuramos rastros que ele deixou pela casa.

A magia sempre deixa rastros.

Olha, vocês duas vasculhem, eu protejo o menino.

Não vai embora!

Ei.

Vou ficar no telefone com você o tempo todo.

Meu amigo vai cuidar de você.

Ok? Todos nós vamos te manter seguro.

Tá bom?

O que exatamente estamos procurando?

Ah, algo que faça sua espinha gelar

ou os pelos do pescoço arrepiarem, provavelmente é um bom começo.

Certo.

Você realmente odeia ter medo, hein?

Simplesmente não acho útil.

Se estou com medo, não consigo fazer meu trabalho.

Sério?

É que eu acho que o medo é uma das coisas essenciais

que me permite ser uma bibliotecária eficaz.

O que você quer dizer?

Disseram que eu ia morrer quando eu tinha 15 anos.

Então, carreguei esse medo por muito, muito tempo.

Mas um dia percebi que esse medo me deixou mais afiada, mais atenta.

E se eu não tivesse enfrentado meu medo e o conquistado,

nunca teria me tornado uma bibliotecária.

Nunca teria ajudado todas as pessoas que ajudei.

Tenta ficar perto da cama, meu chapa.

Não se preocupa, meu amigo.

Vamos descobrir o que é isso.

Seus pais vão chegar logo.

Eles não vão chegar logo.

Sei que está com medo. Tudo bem ter medo.

Você não entende.

Você é adulto, igual a Charlie.

Ela não tem medo de nada.

Deixa eu te contar um segredo, certo?

Você tem que me prometer de dedinho que não vai contar pra ninguém.

- Certo? - Prometo.

Eu tenho medo o tempo todo.

- Você tem? - Tenho.

Veja, esse é o maior segredo do mundo:

as pessoas mais corajosas sempre têm medo.

Até a Charlie?

Até a Charlie.

Veja, os adultos gostam de fingir que não têm medo

porque isso os ajuda a se sentir corajosos.

Mas eu acho... eu acho que admitir que você tem medo,

isso é a coisa mais corajosa que você pode fazer.

Tenho uma teoria.

Que diabos?

Para onde foi?

Isso não é normal.

Exatamente como eu esperava.

Me ajude a mover o sofá.

Pronta.

Olha, a escuridão é vencida

quando a luz se comporta do jeito que a física diz que deveria.

Isso não é uma sombra comum.

É uma toca de bicho-papão.

Uma o quê?

Não, isso é bom.

Significa que sabemos com o que estamos lidando.

Esse bicho-papão se alimenta do medo do desconhecido.

Vem do inglês médio, bugge ou bogge.

Significa "um espectro aterrorizante" e vive nas sombras.

Conseguimos rastrear isso?

Ou descobrir para onde vai em seguida?

Sim.

Quanto mais longe uma fonte de luz estiver de um objeto, menor deve ser a sombra.

Então, em teoria, se conseguirmos descobrir como a fonte de luz

dentro da toca está se movendo em relação ao objeto,

- conseguiremos prever sua próxima posição... - Tradução, por favor.

Desculpa.

Ah, então uma sombra é criada quando um objeto opaco bloqueia a luz,

criando uma área de escuridão no lado oposto a ele.

Ainda não entendi.

Certo.

Ok. O fato de essas sombras permanecerem nítidas, mesmo depois que o objeto some,

viola a lei do inverso do quadrado.

Ou seja, a fonte de luz está sempre diretamente atrás

ou embaixo de um objeto.

O que você está fazendo?

Ah, matemática.

Olha, se mapearmos a trajetória das sombras

durante o tempo em que estivemos na casa,

podemos ver que há um aumento na área de superfície em relação ao objeto,

sendo o mais recente esse sofá aqui.

Então estamos procurando um objeto maior que um sofá e rente ao chão.

Uma cama. Estamos procurando uma cama.

Estou com muito medo.

Eu também.

Não, não, não.

Olha pra mim. Mantém os olhos em mim.

Vamos. Aqui na cama!

- Jovan! Não, não, não. - Jovan!

Não deixa ele me levar.

Pega ele!

Não solta.

Bu.

Não, não, não, precisamos manter o portal aberto até termos um plano.

Foi aterrorizante.

Foi como o momento em que descobri sobre meu tumor no cérebro.

Foi o momento mais assustador da minha vida.

Eu sei. Eu senti também.

Quando era criança, fiquei preso em uma mina.

Não conseguia achar a saída.

Estava com medo.

São momentos em que a gente não sabe o que vai acontecer a seguir.

É o medo do desconhecido.

Nos fazendo sentir como crianças desamparadas, igual ao Jovan.

- Charlie... - Jovan, você me ouve?

Espera. Espera um momento. Espera um momento.

Precisamos ter um plano.

Não temos tempo para pensar num plano.

- Preciso salvá-lo. - Charlie, preciso que você pare

de pensar como guardiã e pense como bibliotecária por um segundo, tá?

Você não serve a ele de nada se for capturada também.

Ele estava no telefone quando fui embora.

Ele o largou por um segundo. O bicho-papão deve ter desligado.

Foi assim que ele conseguiu levá-lo.

Enquanto ele e eu estávamos conectados pelo telefone, ele estava seguro.

Mas quando a conexão foi cortada,

foi aí que o bicho-papão conseguiu levá-lo.

Pega coisas para amarrar na ponta desse fio.

- O que você está fazendo? - Ok, corda de pular, fios, cabos,

- qualquer coisa que me dê comprimento. - Espera. Espera, espera.

- Ei. Ok, calma. Ok? Ei, espera um segundo. - Não.

- Espera um momento. - Estou pensando

como uma bibliotecária, como a minha bibliotecária.

Não, Charlie!

Jovan?

Achei isso num armário lá embaixo.

Tomara que seja comprido o suficiente.

Vou matar o Vikram.

Ensinando eles a pular sem olhar.

- A gente também era assim. - Não, não éramos.

Tudo bem. Mas agora sabemos mais.

Bom, ela ainda está aprendendo. Só precisamos mantê-la viva.

Viu? Não é esse o trabalho dela?

Acho que agora a Charlie precisa de um guardião mais do que nós.

Qual é a probabilidade da Charlie estar sozinha

no anexo exatamente no momento em que aquele menino ligou?

Zero.

A probabilidade é zero.

Jovan!

Eu sabia que você viria.

Ei, prometi que ia te manter seguro, não foi?

Aqui.

Devemos ir embora enquanto ainda podemos.

Ei, vou te tirar daqui, tá?

E os outros?

Você não vai ajudá-los também?

Que outros?

Você tem que ajudá-los.

Ei. Claro que vou.

Temos que nos mover rápido antes que o bicho-papão volte.

Sigam esse fio.

Minha equipe está do outro lado, no mundo real.

Eles vão ajudar.

Um homem teimoso e mal barbeado e uma ruiva animada.

Vamos, todo mundo, rápido.

Rápido, vamos.

Corram.

Carambola!

Vai, vai. Que... Recua. Recua.

Para de empurrar! Devagar, devagar.

E-e-e-espera. Espera.

Olha. Olha.

Estão tão assustados quanto o Jovan estava.

Eles não estão trabalhando com o bicho-papão.

São as outras vítimas dele.

Isso. Continuem, todos vocês.

Esse fio nos conecta ao outro lado.

Eu sabia que estava certa.

O reino do bicho-papão fica em outro plano de existência, mas paralelo ao nosso.

É por isso que pode caber tanta gente lá dentro.

Você diria que o espaço debaixo da cama é equivalente a um carro de palhaço?

É, pode colocar assim, se quiser.

Onde estão a Charlie e o Jovan?

Se aprendi alguma coisa sobre a Charlie,

é que ela vai garantir que todo mundo saia primeiro.

Você não pode ir embora.

A gente ia brincar juntos agora mesmo.

Tudo bem, todos vocês, rápido. Continuem, todos!

Não, não, não, não, não.

Charlie!

Não, não, não, não.

O que fazemos agora?

Como saímos daqui?

Eu não sei.

Você está estragando minha diversão.

Mas agora, podemos brincar de um jogo.

Só nós três.

Corre!

Agora a diversão começa.

Jovan, fica a trás de mim.

É obvio que você não consegue me enfrentar.

Você acha que sou "uma coisa" que vive na escuridão.

Eu sou "a coisa" na escuridão.

Sou uma ideia.

Sou a sombra dos lobos que te perseguem pela floresta.

Sou o homem de armadura negra que assombrava Roma.

Sou o raspar de um machado nas ruas de Nova Orleans.

Sou uma mão de gancho arranhando a porta de um carro.

Mas você?

Você não passa de mentiras que conta pra si mesma, fingindo ser toda crescida,

fingindo não acreditar no bicho-papão.

Mas você não consegue esconder o que me deu origem.

Uma criança aterrorizada que existe dentro de todos vocês.

E eu sempre consigo encontrá-la.

Não tenho medo de você.

Ah, tem sim.

Vai, vai, vai, vai, vai.

E é intoxicante.

É intoxicante.

É intoxicante.

É intoxicante.

- Precisamos tirá-la de lá. - Deveríamos ligar pra ela.

Não acho que um telefonema vá reabrir um portal para o submundo do bicho-papão.

Não com um celular, mas isso aqui pode conseguir.

Que número você está... que número está discando?

Como você sabe se é o número certo?

Sério? É um telefone de brinquedo mágico.

Charlie. Charlie, você está aí?

Estou com medo.

Certo.

- Tudo bem ter medo. - Não, não está tudo bem.

Não posso ter medo.

Tenho que ser a forte.

Tenho que ser a corajosa.

Por que isso, Charlie? Por que você tem que ser a corajosa?

Porque sempre foi assim que precisei ser.

Pela minha família, pelo meu esquadrão, pela minha equipe.

E agora pelo Jovan.

Não posso quebrar minha promessa pra ele.

- Não posso perdê-lo. - Me escuta. Todos nós temos medo

de perder as pessoas que amamos.

Tudo bem.

Assuma seu medo.

Ter medo é parte de quem você é.

- Parte de quem todos nós somos. - Mas você sabe quem é.

Não sabe, Charlie?

É isso mesmo.

O medo faz parte do que é ser humano.

Oh, vai fingir que é grandona e forte agora?

O medo faz parte do que é ser humano.

- O medo é tudo que você é. - Hein?

Sabe o que dizem, bicho-papão?

Você é o que você come.

- Quem é você? - Me diz você.

Do que você mais tem medo?

Se você é o grande desconhecido, o que expulsa o desconhecido?

Se você está com a escuridão, qual é a luz que apaga tudo isso, hein?

O conhecimento.

E qual é a maior fonte de conhecimento?

O que protege este mundo da magia maligna?

E o que tem mais poder do que você jamais sonhou em ter?

A biblioteca.

Exatamente.

Quer saber quem eu sou, bicho-papão?

Sou a guardiã.

Aproveite.

Ele está se alimentando do próprio medo.

Ele está se devorando.

Vamos para casa, Jovan.

Obrigado, Charlie.

Sempre cumpro minhas promessas.

- O que está acontecendo com eles? - Agora todos podem seguir em frente.

Você os salvou de ficarem presos eternamente em outro reino.

Devem ter sido as famílias que desapareceram

dessa casa a cada 20 anos.

Isso não vai acontecer de novo, graças a você.

Mãe, pai.

Eu disse que ela nos libertaria.

O que ele acabou de dizer?

Ele disse que você o libertou.

Olha.

Esse era o telefone dele o tempo todo.

É um fantasma, igual a ele.

Não.

Eu o salvei.

- Ele não está morto. Eu... - Ele não está em nenhuma das fotos

porque faz muito tempo que ele não mora aqui.

Não conseguia identificar o que estava errado nesse quarto,

mas dá pra ver que tudo é de uma época diferente.

Essa família desapareceu décadas atrás, presa com o bicho-papão.

Mas então, como ele me ligou?

Por que ele estava aqui em vez de lá embaixo?

Acho que seu último ato em vida foi um pedido de socorro pelo telefone de brinquedo.

Isso criou uma conexão psíquica que o manteve ligado ao mundo real.

Esse artefato estava na biblioteca por décadas.

A biblioteca sabia que você podia ajudá-lo.

Tocou para você, Charlie.

Então eu falhei.

- Não consegui salvá-lo. - Não, não, não é...

você não está vendo?

Ei, ei.

Você o salvou, Charlie.

Existem muitas formas diferentes de salvar pessoas.

Você o ajudou a encontrar a família dele.

Eles estão juntos agora, em paz, por sua causa.

Tchau, Charlie.

Tchau, Jovan.

Deve detectar magia como ondas eletromagnéticas.

A magia como norte verdadeiro.

Adoro isso.

Não me importaria de ter um desses livros de recortes por aqui também.

É, bem, cada anexo tem sua própria forma de detectar magia.

Acho que seja o que for mais adequado para cada equipe.

Sabe, obrigada por tudo.

Não teria conseguido enfrentar tudo isso sozinha.

Olha, você cuida dos seus bibliotecários, mas eles estão aqui para cuidar de você também.

Não esqueça disso.

Não vou esquecer.

É o que faz uma equipe.

Sabe, se eu fosse escolhida para ser guardiã antes,

poderíamos estar vivendo essas aventuras juntos o tempo todo.

Você está exatamente onde deveria estar.

Olá.

Vocês voltaram.

Ei. Nunca te vi tão animada pra nos ver.

Uau.

Nossa. O que deu em você?

Uau. Ei, bom de te ver também.

- Estamos em casa. - Sim, estão.

- Nunca mais me façam acampar. - Meu Deus. Não liga pra ele.

Ele só odeia dormir em saco de dormir. Acostumado com o conforto do castelo.

A biblioteca foi incrível.

Vimos a árvore do conhecimento.

- A Arca da Aliança. - E você?

Curtiu ter o anexo todo pra você, sua sortuda?

Ou ficou entediada sem a gente causando caos?

Ah, então você não conseguiu catalogar os brinquedos assustadores.

Bem, eu guardei um. O telefone de brinquedo.

Ah, é. Esse me dava um frio na espinha.

A cara? Aterrorizante.

- É, vocês não fazem ideia. - Mas parece que você fez.

Você teve uma aventura sem a gente?

Quer ouvir como eu enfrentei um bicho-papão?

- O bicho-papão é real? - Sim. Com certeza.

- Me fisgou no bicho-papão. - Sim. Sim.

Tá bom. Então, tudo começou quando vocês foram embora

e aquele telefone de brinquedo ficou tocando sem parar.

Quer dizer, eu...

Dedicado ao @ARKeiroVesgo

Uma Dupla de Dois agora é: @TeamArkeiro

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