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O CANALHA AMARELO
S� mais uma hora. Meu �ltimo dia no emprego.
Aposentadoria antecipada. N�o foi ideia minha.
Ordens m�dicas. Problema de cora��o.
Angina, disse ele.
Estou polindo meu distintivo e me despedindo dele.
Dele e dos 30 anos bizarros...
de "proteger e servir", de l�grimas...
sangue, terror e triunfo que ele representa.
Penso no sorriso maroto de Eileen.
Nos bifes grossos e suculentos que ela comprou no a�ougue hoje.
E penso no caso que n�o resolvi.
Na menina que est� por a� indefesa...
nas m�os de um lun�tico perigoso.
Droga, Hartigan. N�o vou deixar voc� fazer isso. Voc� vai morrer.
Vai matar n�s dois. N�o vou deixar. Estou te avisando.
Solta o casaco, Bob.
Voc� est� me arrastando com voc�.
Sou seu parceiro. Eles podem me matar tamb�m. N�o vou aceitar isso.
Vou pedir refor�o pelo r�dio.
Claro, Bob. Vamos ficar aqui esperando, sentados enquanto...
o tal Roark se diverte com a v�tima n�mero 4. V�tima n�mero 4.
Nancy Callahan, 11 anos. Ela ser� violentada e retalhada.
E o refor�o que esperamos, por acaso, chegar� apenas...
tarde o suficiente para que Roark volte para seu papai senador.
Respire, Hartigan.
Acalme-se e pense com calma.
Voc� tem 60 anos e tem problema de cora��o.
N�o vai salvar ningu�m.
� uma bela atitude a sua, Bob.
Um orgulho para a Pol�cia.
Eileen est� em casa te esperando. Pense nela.
Caramba, Bob...
talvez voc� tenha raz�o.
Fico feliz em ver que finalmente tomou ju�zo.
Que modo de terminar uma parceria.
Que modo de come�ar minha aposentadoria.
Nancy Callahan, 11 anos.
Pelo que sei, ela j� deve estar morta.
Voc� foi uma boa menina, Nancy.
Ficou bem quietinha.
N�o tenha medo.
Logo vamos levar voc� para casa.
Mas, primeiro, vamos te apresentar a uma pessoa.
� um homem muito bonzinho.
Estou a caminho do armaz�m, onde Weezil disse que ela est�.
Sinto um sinal de indigest�o.
Pelo menos rezo para que seja.
...digress�o despreocupada e passageira.
A s�ntese da indulg�ncia em prazeres automotivos.
E por emo��es baratas e de curta dura��o, Sr. Shlubb...
arriscaria-se a enfrentar a ira de...
Burt Shlubb e Douglas Klump...
matadores delirantes do tipo que topam "qualquer servi�o sujo".
Este Jaguar que tanto cobi�a...
est� temporariamente sob nossa cust�dia...
embora continue sendo propriedade do filho do Senador Roark.
Preciso ficar quieto e acabar logo com eles.
Um �nico amassado, um simples arranh�o...
e as consequ�ncias citadas anteriormente...
certamente se abateriam sobre n�s.
Recupere o f�lego. D� um tempo para seu cora��o desacelerar.
Mas ele n�o desacelera.
Reaja.
Ela precisa de voc�.
N�s j� acabamos, Benny.
Vamos dar um tempo para eles. Um pouco de privacidade.
J� estou indo, Lenny.
S� estou assegurando que v�o se dar bem.
Que animal n�o se daria bem com uma menina t�o linda assim?
Voc� deve estar com muito medo.
Mas n�o h� o que temer.
N�s s� vamos bater um papo.
S� isso. Um bom papo. S� eu e voc�.
N�o precisa chorar agora.
O m�dico disse que seria assim.
Tome a p�lula que ele receitou.
N�o � preciso mais ficar quieto.
N�o mais.
Respire fundo, velho. Prove que n�o � um completo in�til.
Que diabo. Saia com estilo.
Ele gosta de ouvi-las gritar.
Vi suas v�timas e seus rostos retorcidos, boca escancarada...
e olhos esbugalhados. Congelados num �ltimo instante terr�vel de vida.
Nenhum grito. Ou cheguei bem na hora ou tarde demais.
N�o � nada. Pegou de rasp�o. De p�, velho.
Roark! Entregue-se!
Solte a menina.
N�o pode fazer nada contra mim, Hartigan!
Sabe quem eu sou.
Sabe quem � meu pai!
N�o pode me tocar, seu tira de merda!
Olhe para voc�! N�o consegue nem erguer essa arma que carrega.
� claro que consigo.
Cubra os olhos, Nancy. N�o quero que veja isto.
� s�rio, menina. Cubra os olhos agora.
Eu tiro as armas dele.
As duas.
Que modo de terminar uma parceria.
Pelo amor de Deus, n�o piore as coisas.
- N�o me force a te matar. - Estou bem, Bob.
Nunca estive melhor.
Estou pronto para te dar uma bordoada.
Mantenha-o falando. Ganhe tempo.
S� mais alguns minutos at� o refor�o chegar.
Sente-se e controle-se. Eu te mato se for preciso.
Fa�a-o esquecer a menina. A franzina Nancy.
Ele n�o vai matar quando o refor�o chegar.
Corra para casa, Nancy. Corra por sua vida.
Ei, n�o ou�a o que ele diz. Ele � louco.
- Voc� � mesmo dur�o, hein? - Fique exatamente onde est�.
Atira em seu parceiro pelas costas...
depois tenta assustar uma menininha.
Talvez eu pegue minha arma reserva...
e fa�a uns furos em voc�.
Podia ter pensando em algo, mas perdeu a chance.
Sente-se ou eu te parto ao meio.
- � t�o lerdo, jamais vai me deter. - Senta a�!
Voc� nunca ser� capaz de me deter.
Finalmente me sento, como voc� mandou.
As sirenes est�o perto agora.
Ela ser� salva.
Fica tudo escuro. Eu n�o ligo.
Estou ficando sonolento. Tudo bem.
Ela ser� salva.
Um velho morre.
Uma menina vive.
Uma troca justa.
Me diz que n�o � verdade, John.
O que est�o dizendo sobre voc� e aquela crian�a.
N�o pode ser verdade.
Se quiser me ver de novo...
...diga algo agora.
Temos uma quantidade enorme de provas com o seu DNA.
O testemunho de seu pr�prio parceiro...
confirmado por seis testemunhas oculares, e isso s� por enquanto...
e ainda temos seu pr�prio sil�ncio.
Farei o que posso, mas digamos que voc� est� bem encrencado.
Vamos, Hartigan, o que est� te bloqueando?
O que est� te calando?
Isso tudo n�o cheira nada bem.
N�o sou o �nico da Pol�cia que percebeu isso.
Claro, posso lavar seu pinico e limpar sua bunda.
� meu trabalho.
Mas n�o espere nenhum bate-papo amig�vel de minha parte.
Eu soube o que fez com aquela menina.
Espero que o prendam para o resto da vida.
Boa noite, policial.
N�o preciso me apresentar, n�o �?
Voc� l� jornais.
Como este � ano de elei��o, viu bastante a minha foto.
Sabe quem eu sou e o que posso fazer.
E vou acabar com voc�, Hartigan.
E vai ser duro e frio.
Voc� arrancou a orelha do meu filho.
Arrancou o bra�o e at� o saco e o pau dele.
Agora ele est� em coma. Disseram que talvez nunca mais acorde.
Meu filho.
Ele poderia ter sido eleito presidente dos EUA...
mas voc� o transformou num capado retardado.
Puxar aquele gatilho fez voc� se sentir poderoso?
Poder n�o � um distintivo e nem uma arma.
Poder � mentir.
Mentir muito e fazer o mundo todo ficar do seu lado.
Quando todos creem em algo...
que no fundo sabem que � mentira, voc� os conquistou.
Quantas pessoas t�m neste hospital, umas 500?
Eu podia te furar como uma peneira agora e nem seria preso.
Todos mentiriam por mim. Todos que valem algo.
Sen�o suas pr�prias mentiras, tudo que sustenta Sin City...
desmoronaria como um castelo de cartas.
Mas quero voc� firme, forte e saud�vel.
Vou at� gastar meu dinheiro para pagar uma cirurgia...
para resolver esse seu problema de cora��o.
Voc� ainda vai viver por muito tempo.
Ser� condenado por ter estuprado aquela pirralha e atirado no meu filho.
E vai passar o resto da vida na cadeia...
em desgra�a, destru�do...
sozinho.
Sua mulher?
Se lhe contar a verdade, ela morre.
Se contar a verdade a qualquer pessoa, ela morre.
Eles n�o me deixam testemunhar.
Disse aos tiras que me salvou e agiram como se eu fosse louca.
Convenceram meus pais a me manter afastada.
Disseram que voc� fez coisas que voc� n�o fez.
Eu disse a eles que voc� me salvou do maldito Roark...
mas eles nem deixam eu fazer um exame para provar que sou virgem.
Ainda sou virgem e ainda estou viva. Gra�as a voc�.
Eles entenderam tudo ao contr�rio.
�s vezes a verdade n�o importa tanto quanto deveria.
Mas voc� sempre lembrar� a verdade.
Isso significa muito para mim.
Mas fique longe, Nancy. Eles v�o matar voc� se n�o se afastar.
N�o venha me visitar.
N�o me escreva.
E nem diga o meu nome.
Voc� pode n�o me deixar visit�-lo, mas vou te escrever, Hartigan.
Vou assinar as cartas como "Cord�lia".
� o nome de uma detetive muito legal dos livros que leio.
Vou escrever toda semana. Para sempre.
Est� bem, menina.
Agora v� para casa.
Aqui n�o � seguro para voc�.
Adeus, Nancy.
Eu te amo.
John Hartigan.
Senhor lei e ordem.
Senhor seguidor de manuais.
Senhor correto e poderoso.
Tenho que te dar cr�dito por ter sido t�o honesto durante tantos anos...
e n�o ter se ferrado.
Mas agora voc� est� se ferrando, amig�o.
Est� se ferrando numa boa.
Acho melhor dar uma olhada nele. Ele n�o parece bem.
Ele est� robusto e vigoroso, Tammy.
Est� vendo?
� a perfeita imagem da sa�de.
Est� vendo a Tammy ali, ela � gostosa, n�o �?
Eu a aluguei na Cidade Velha.
Eu queria te mostrar tudo que voc� n�o ter�. N�o na pris�o.
Est� ouvindo, Hartigan?
Pare de ser idiota e comece a jogar do nosso lado...
talvez se divirta com a Tammy.
Viu isso? Ela estremeceu.
Ela tem nojo de voc�.
Soube sobre voc� e a menininha.
N�o � nada al�m do pre�o que prometi a mim mesmo que pagaria.
Voc� n�o salvou a vida da menina...
para depois atir�-la aos c�es.
N�o pelas minhas regras.
Eles querem uma confiss�o. Eles n�o a ter�o.
H� uma carta de Nancy esperando quando me trancam na solit�ria.
Ela assina como Cord�lia, como prometeu.
Ela n�o diz nada que possa identific�-la.
Acho que enviar� uma ou duas cartas...
antes que sua juventude se interesse por outras coisas.
Mas toda quinta-feira chega mais uma.
Que do�ura de menina.
Eu fa�o tudo para minha m�o n�o tremer quando pego as cartas.
Ela � a �nica amiga que tenho. A filha que nunca tive.
Minha doce Cord�lia.
A franzina Nancy Callahan.
Passam-se oito anos.
At� que chega uma quinta-feira em que pulo do colchonete...
empolgado como um menino no Natal...
s� para ficar encarando o maldito ch�o da cela...
procurando uma carta de Nancy que n�o est� l�.
E depois, outra quinta-feira sem carta.
Ser� que ela est� bem?
Aconteceu alguma coisa?
Nada.
Agora j� s�o dois meses sem nenhuma not�cia de Nancy.
Ser� que eles a acharam? Ser� que a pegaram?
� �bvio, velho idiota.
Fa�a as contas. Nancy tem 19 anos.
Por quanto tempo achava que ela ia escrever?
Ela foi uma santa de escrever por tanto tempo.
Ela te esqueceu, velho.
Voc� est� sozinho.
Completamente sozinho.
Este cara tem um cheiro horr�vel, de comida estragada.
Como um cad�ver deixado num lix�o no meio do ver�o.
Ele fede tanto, que tenho �nsia de v�mito.
O desgra�ado quase arranca a minha cabe�a.
Quando me recupero, eu vejo.
O mesmo envelope usado por Nancy.
Mas n�o h� carta dentro dele.
H� algo macio. Algo que deveria estar vivo.
Um peda�o de carne e osso que deveria ser o dedo indicador...
da m�o direita de uma garota de 19 anos.
Como eles a acharam?
Ela foi t�o cuidadosa.
Nunca disse onde morava ou trabalhava.
Eu tenho que sair. Tenho que ajud�-la.
Nada mais importa. Nem minha vida e nem meu orgulho.
S� h� mais uma �ltima coisa que eles querem.
Voc� me pegou, Roark. Voc� venceu.
Deixa comigo, Claire.
Tem de ser o Marv.
Ele nunca dorme e est� sempre se metendo em encrencas.
Sim.
O qu�?
Hartigan, meu Deus, � voc�. Sim, sim.
N�o, j� me encarrego disso, nesse minuto.
Estarei l� �s dez, prometo.
Lucille, ela n�o desistiu de mim antes do julgamento.
Ela quase me bateu quando n�o a deixei contratar um novo advogado.
Quando me recusei a me declarar inocente ela me bateu.
Quando ela souber o que pretendo fazer vai me bater de novo.
Hartigan.
Droga.
� como se estivessem esperando pela minha chamada.
Est�o prontos pra negociar e praticamente pedindo para isso.
T�m medo de algo.
Me prometeram que seria solto sob liberdade condicional...
se confessasse estar arrependido e todas essas bobagens...
que, certamente, n�o vamos aceitar.
N�o, vamos esperar que voc� cumpra sua pena, sem rabo preso.
A�, vamos virar o jogo e processar esses filhos da m�e por falsa acusa��o.
E voc� ser� exonerado.
E se tornar� um homem rico.
Isso n�o funciona assim.
N�o precisa ser um g�nio para entender que te armaram uma cilada.
- Mas at� o Senador Roark... - Desligou cedo demais.
- Usaremos a lei, a imprensa... - Est� criando um problema por nada.
Ele nunca saber� o que aconteceu com ele.
Vou confessar.
Como?
John Hartigan, se arrastando em frente � junta da condicional...
confessando o estupro de uma menina e implorando por clem�ncia?
N�o, isso n�o funciona.
Digo que sou um tarado, um ped�filo deplor�vel.
Vou aceitar qualquer coisa que queiram de mim.
Est� bem, seu filho da m�e.
Vamos acabar com isso logo.
Eu digo tudo que eles querem ouvir, do jeito que eles querem.
Digo que sou um tarado, um ped�filo deplor�vel.
Concordo com tudo que eles querem.
Eu te amo, Nancy.
Estamos bem longe da cidade, Hartigan.
- Quer uma carona? - Contanto que fique na frente.
A cadeia te deixou paranoico. Isso s�o �guas passadas!
Nossa.
Oito anos.
�. Oito anos.
Bem, se for algum consolo para voc�...
voc� me fez ter �dio de mim mesmo.
- Tem not�cias de Eileen? - Tenho.
Ela casou de novo. H� quatro anos.
Teve dois filhos. Lamento, Jim.
N�o lamente. Fico feliz.
Eileen sempre quis filhos.
Ela ser� uma boa m�e.
Como voc� disse, Bob, s�o �guas passadas.
Bob e eu nos despedimos afetuosamente.
Ent�o vou procurar o �nico ser humano do planeta que significa algo para mim.
Nancy.
Como descobriram que era voc� que me escrevia aquelas cartas?
Como descobriram quem voc� �?
E o que fizeram com voc�, querida?
Nenhum som.
Nenhum sinal de vida.
Roark teria todo esse trabalho s� para torturar um velho acabado?
Como um menino cutucando uma mosca depois de arrancar as asas?
O que ele fez a Nancy?
Parece que ela s� l�, estuda e escreve.
Nenhum di�rio, telefone ou endere�o escrito em lugar algum.
S� o que parece ser uma pista � a caixa de f�sforos de uma espelunca.
� um tiro no escuro, mas talvez ela tenha amigos l�.
� tudo que tenho. Nancy n�o teria nada a ver...
com b�bados e fracassados como estes.
Mas se h� algo a ser encontrado...
a menor pista que leve ao lugar que Nancy est�...
ou a quem a sequestrou, o lugar � aqui.
Com licen�a. Ser� que podia me ajudar? Estou procurando uma pessoa.
Numa noite fria assim, todo mundo procura algu�m, estranho.
N�o � isso. Ela se chama Nancy.
Olha no palco, forasteiro.
Ela est� se aquecendo.
A franzina Nancy Callahan.
Ela cresceu.
Encorpou.
Nancy Callahan, 19 anos.
E eu esperava uma intelectual franzina.
Talvez um pouco t�mida demais para o seu pr�prio bem.
Ela me falou muito pouco sobre si mesma nas cartas.
Como eles a acharam?
De repente eu entendo.
Eles blefaram.
Eu os guiei direto at� ela.
Ela ainda n�o viu voc�.
Vire-se e saia pela porta.
Leve o maldito para fora.
Tire aquela Bareta dele e o mate.
Voc� � s� um ex-presidi�rio com tes�o vendo uma dan�arina.
S� mais alguns segundos e ela estar� a salvo.
N�o, Nancy. N�o me veja.
N�o me reconhe�a.
N�o h� tempo para explicar.
Cometi um erro terr�vel. Coloquei voc� em perigo.
Temos que sair daqui agora mesmo.
Como voc� quiser, Hartigan. S� vou vestir uma roupa.
E eu achei que voc� tinha esquecido de mim.
De mim e das minhas cartas bobas.
Elas me fizeram resistir.
Impediram que eu me matasse.
Ande logo.
- Talvez eu deva dirigir. - Sem chance.
S� eu consigo fazer esse tro�o andar.
Al�m do mais, pelo que parece, voc� ter� que atirar em algu�m.
- Eu n�o tenho arma. - Embaixo do banco.
Est� carregada e funcionando.
Vai servir.
Usei algumas vezes. D� um coice como uma mula.
Hartigan, tem tantas coisas que eu queria te dizer.
Voc� nunca saiu da minha cabe�a.
Passei noites em claro pensando em voc�.
Do que est� falando?
Dirija, Nancy! Continue na estrada!
Ela conta com voc�, velho.
- O que est� fazendo? - Prove que ainda vale alguma coisa.
Continue na estrada, Nancy!
Ele atira bem.
� h�bil, mas � afoito demais.
Fica mandando bala como se fosse de a��car.
Ele n�o tem calma.
Mire com cuidado e encare o dem�nio nos olhos.
Pare o carro, Nancy. Preciso confirmar se ele morreu.
- O qu�? - Pare o carro! Agora!
Certo. Parar o carro. Confirmar se ele morreu.
Desculpe. Fiquei meio tensa.
Tudo bem. Voc� foi �tima. Espera a�. J� volto.
N�o. Deixa eu ir tamb�m.
Nada vai me acontecer se estiver com voc�.
Por favor? Deixa eu ir.
O fedor. Me d� n�usea. Seu sangue fede mais do que ele.
- Nossa. - E est� por todo lado.
Mas o verme sumiu.
N�o temos mais tempo.
Sirenes. Antigamente eu gostava desse som.
N�o h� nada a fazer sen�o achar um lugar para passar a noite...
acalmar a Nancy e pensar no que vou fazer agora.
O fedor. De algum modo ele segue conosco at� o motel.
Nancy, eu fui ao seu apartamento.
A janela estava escancarada. Quase n�o tinha m�veis.
Por isso achei que tinha sido sequestrada.
A janela? Fui roubada de novo? � a terceira vez este ano.
Jurei que se visse voc� de novo, provaria que me tornei forte.
Mas agi como antes, assustada e indefesa.
- Sou uma idiota. - Devia se sentar.
Vai se sentir melhor se sentar.
Nunca fui muito bom com gente.
Em se tratando de confortar uma garota traumatizada...
sou t�o bom quanto um cego operando com um alicate.
Foi sempre voc�, Hartigan.
Todos esses anos.
S�o s� seus nervos fazendo voc� dizer isso, Nancy.
Voc� est� exausta. Precisa dormir.
- Durma comigo. - Pare com isso, Nancy.
Oito anos.
Por que acha que continuei a escrever aquelas cartas?
N�o foi s� gratid�o.
Tentei me apaixonar por outros rapazes.
At� achei que tinha conseguido uma ou duas vezes.
Mas eu j� estava apaixonada por voc�.
N�o.
Existe o errado e o errado, e ent�o isto.
Pelo amor de Deus, voc� � s� uma menina.
Eu te amo.
Eu tamb�m te amo.
Do fundo do cora��o.
Uma ducha fria... ajuda.
N�o, Nancy.
Reconhece minha voz, Hartigan?
Reconhece minha voz, seu lixo?
Estou diferente, mas aposto que reconhece minha voz.
Claro que reconhe�o sua voz, J�nior.
Tudo foi direto para o inferno.
Fui levado a trair a �nica amiga que tinha e coloc�-la...
nas m�os de um man�aco assassino que eu pensei que tinha matado.
Fui enganado pelo filhinho mimado de um senador.
Foi tudo para o inferno.
Klump, sou eu.
Estou com um cad�ver que voc� precisa pegar.
E quero que me prepare uma festa.
Eu j� estou com a garota, seu burro de merda!
E tem que ser tudo perfeito ou chamo meu pai.
� bom meus apetrechos estarem limpos e afiados.
� bom que estejam prontos. Quero tudo perfeito.
Eu fa�o o que quero, do jeito que quero, como quero e quando quero.
Meu pai. Eu o amaria se n�o o odiasse.
Ele gastou uma fortuna contratando especialistas...
para fazer brotar entre as minhas pernas o que voc� arrancou.
Assim o velho escroto pode ter esperan�a de ter um neto.
Embora, como pode ver, tenha alguns efeitos colaterais.
Mas n�o estou reclamando. Desde que voc� foi preso...
tenho me divertido demais.
E agora voc� me trouxe de volta sua querida Cord�lia.
Imagin�vamos quem escrevia aquelas cartas. N�o havia pistas.
Menina esperta. E muito bonita.
Um pouco velha para o meu gosto, mas eu perdoo s� desta vez.
Nancy, n�o grite.
N�o importa o que ele fa�a, n�o grite.
Ela vai gritar. Vou passar a noite toda com a querida Nancy...
e voc� vai morrer sabendo que foi o culpado.
Todas gritaram, Hartigan.
D�zias delas. Talvez uma centena.
Durante oito anos, todas elas gritaram.
E se n�o tivesse tanta gente aqui...
eu mostraria a voc� como farei a querida Nancy gritar.
Vai ser um show e tanto.
� isso. N�o h� como lutar agora.
Nenhuma esperan�a.
Nenhuma chance.
� isso. � o fim.
N�o.
Reaja, velho. Mantenha o pesco�o firme. Vamos.
A janela. Talvez tenha um alarme.
Firme o pesco�o, droga! N�o desmaie!
N�o desmaie.
N�o tem alarme.
O vidro. Corte a corda.
Voc� consegue. Voc� consegue.
� insens�vel da minha parte...
comentar com evidente desprazer sua temer�ria impulsividade...
ao escolher carro t�o chamativo e pouco pr�tico...
para roubar, Sr. Shlubb.
Pode reclamar o que quiser, Sr. Klump...
mas deve admitir que essa majestade f�lica s� pode vir...
da dita performance de uma Ferrari.
Um motor de propor��es cicl�picas pulsa...
debaixo da capota deste garanh�o de a�o.
Irrelevante para a citada miss�o, contudo, � a seguinte quest�o...
que agora formulo:
Tendo este carro linhas t�o arrojadas...
mas nenhum porta-malas...
mesmo sendo capaz de provocar as mais intensas ere��es...
onde depositaremos nossa carga rec�m-finada?
Uma preocupa��o genu�na.
Bem elucidada.
Posso apenas expressar uma perplexidade limitante!
Diga para onde Roark leva as garotas ou corto sua cabe�a!
Fale com clareza, escroto.
A resposta que procura � rural. At� mesmo agr�ria.
A fazenda.
Era s� o que eu precisava saber. Todos os tiras da regi�o...
sabem sobre a fazenda da fam�lia Roark e que devem ficar longe dela.
Shlubb e Klump estavam levando um arsenal.
Quando as coisas apertarem, talvez fa�a uso dessas armas.
Mas primeiro tenho que ser silencioso.
Silencioso e cruel.
O carro da Nancy. A 10 km da fazenda.
"S� eu sou capaz de fazer esse tro�o andar", disse ela.
Boa menina. O carro morreu com aquele escroto amarelo...
e voc� n�o disse a ele como fazer ele ligar de novo.
Ficou muda. Aposto que J�nior ficou furioso.
Aposto que ele te deu muitos tapas de raiva.
Mas voc� aguentou. Ganhou uns minutos extras.
Ainda h� chance, Nancy.
N�o grite.
Eu largo o carro a 1,5 km da fazenda...
e sigo pelo mato.
N�o chego � metade do caminho quando sinto...
meu cora��o. N�o pode ser o cora��o.
Eu estava curado.
Uma tosse forte. Com sangue.
Agora n�o importa.
N�o preciso ficar vivo por muito tempo mesmo.
Um modo deprimente de matar um homem, mas silencioso.
Odeie a si mesmo depois.
Voc� s� est� piorando as coisas para voc� mesma, sua vaca idiota!
Acha que estou cansado? � isso? Voc� acha que estou ficando cansado?
� voc� quem vai desistir.
Voc� vai desistir!
Vai chorar e implorar.
Vai gritar!
Ah, sim, voc� vai gritar, sua vaca gorda e feia!
Voc� vai gritar!
Acha que o chicote � o pior que posso fazer?
Foi s� o come�o.
Hartigan estava certo sobre voc�.
Voc� n�o consegue ter tes�o se eu n�o gritar.
Voc� � pat�tico.
Voc� � pat�tico.
N�o � nada inteligente me ridicularizar assim.
Faz surgir o pior de mim.
Velho idiota.
Voc� foi r�pido demais.
Droga! N�o pode ser!
Atacando como Galahad, tal como disse a mim mesmo que n�o faria.
Velho idiota.
- N�s o acertamos! - N�o arrisque. Encha-o de buracos.
Bom conselho.
Desista, J�nior.
- Acabou. Solte-a. - Voc� est� delirando, Hartigan!
Posso ver seus olhos enquanto fatio...
a mulher dos seus sonhos na sua frente.
Olha s� voc�. Est� prestes a cair de joelhos!
N�o consegue nem erguer essa arma!
� claro que consigo.
Por um instante voc� me assustou, velhote.
Nancy, desculpe.
N�o quero correr riscos com voc�.
Primeiro eu te amole�o e depois � hora do show.
A� vai.
- E vai doer. - Nisso voc� tem raz�o.
Ot�rio.
Eu pego a arma dele.
As duas.
Oito longos anos, filho-da-m�e!
Logo percebo que estou socando nacos de ossos no assoalho.
Ent�o paro.
Adeus, J�nior.
Foi um prazer.
Eu n�o gritei, Hartigan. Nem uma vez.
- Eu n�o gritei. - Eu sei, querida.
Voc� ficou forte.
Quando levo Nancy at� o carro, ela j� parou de tremer.
Ela est� quente de novo. Voltou a ser ela.
Obrigada por trazer meu casaco.
E por todas as outras coisinhas.
Tipo ter salvado minha vida duas vezes.
- � melhor voc� ir. - Voc� n�o vem comigo?
N�o. Uns amigos meus est�o a caminho, para recolherem provas.
Vou contar tudo que aconteceu.
Vou limpar meu nome.
E botar o senador Roark atr�s das grades, onde ele deve ficar.
N�o posso te perder de novo. N�o de novo.
Voc� nunca vai me perder, Nancy.
Nancy Callahan, o amor da minha vida.
Sinto vergonha de mentir para ela. Espero que me perdoe por isso.
Botar o senador atr�s das grades? Claro.
E quem sabe depois desse milagre eu n�o v� dar uns tapas em Deus.
N�o existe promotor p�blico que v� atr�s do senador Roark.
Eu matei seu filho �nico.
A linha de sangue foi cortada.
Roark perdeu seu maldito legado.
Ele vai usar todo seu poder para se vingar de mim.
Ele vai atr�s de mim usando a Nancy. Ele ir� ach�-la de novo.
Isso n�o vai ter fim.
Ela nunca estar� segura.
N�o enquanto eu viver.
S� h� um modo de venc�-lo.
Um velho morre...
uma jovem vive.
Uma troca justa.
Eu te amo, Nancy.
O FREGU�S TEM SEMPRE RAZ�O
Ela treme ao vento como a �ltima folha de uma �rvore morta.
Deixo que escute meus passos.
Ela estremece por um �nico instante.
Aceita um cigarro?
Aceito.
Est� t�o cheio dessa gente quanto eu?
N�o vim aqui pela festa. Vim aqui por voc�.
Tenho te observado h� dias.
Voc� � tudo que um homem poderia desejar.
N�o � s� seu rosto...
seu corpo ou sua voz.
S�o seus olhos.
Tudo que vejo em seus olhos.
E o que v� em meus olhos?
Vejo uma calma insana.
Est� cansada de fugir.
Est� pronta para enfrentar o que tem de enfrentar...
mas n�o quer fazer isso sozinha.
N�o...
n�o quero enfrentar sozinha.
O vento carrega eletricidade.
Ela � macia, quente e quase sem peso.
Seu perfume � uma doce promessa que me traz l�grimas aos olhos.
Digo a ela que tudo vai dar certo.
Que vou salv�-la do que ela teme e lev�-la para bem longe.
Digo a ela que a amo.
O silenciador quando dispara � como um suspiro.
Eu a abra�o forte at� ela partir.
Nunca saberei do que ela fugia.
Vou descontar seu cheque pela manh�.
SIN CITY - A CIDADE DO PECADO
Sim.
M�e, n�o fale assim.
N�o � a cidade.
Eu podia ter sofrido um acidente de carro em qualquer lugar.
�, � s� uma fratura. O m�dico disse que � uma fratura simples.
Logo vou estar bem.
Dobre a esquina certa em Sin City...
e voc� poder� encontrar de tudo.
Becky.
Quer um cigarro?
Eu tamb�m te amo, mam�e.
De tudo.
UMA DIF�CIL DESPEDIDA
A noite est� quente como o inferno.
Um quarto nojento, na parte nojenta de uma cidade nojenta.
Eu estou diante de uma deusa.
Ela est� dizendo que me quer.
N�o vou nem perder mais tempo pensando no motivo de tanta sorte.
Eu quero voc�.
Ela tem o perfume que os anjos devem ter.
A mulher perfeita.
A deusa.
Preciso de voc�.
Goldie.
Ela diz que se chama Goldie.
Tr�s horas depois, a sensa��o � que minha cabe�a est� enorme...
sinto aquela coisa fria no meu est�mago...
e percebo que Goldie est� morta. Ela n�o tem marcas.
� preciso checar seu pulso ou perceber que seus seios perfeitos...
n�o se movem como deveriam se ela estivesse respirando.
Ela foi assassinada e eu estava bem aqui quando aconteceu...
deitado ao lado dela, completamente b�bado como ela.
Droga, Goldie. Quem era voc� e quem te queria morta?
Quem foi al�m do anjo piedoso...
que deu a algu�m como eu a noite de sua vida?
Com toda certeza n�o foi minha apar�ncia.
Ent�o por que o bar imundo?
Por que a gentileza, Goldie?
Tiras. Est�o se entregando aparecendo aqui.
S� eu e o assassino sabemos que houve um assassinato.
Algu�m pagou uma grana alta por essa arma��o.
N�o tem por que ser silencioso.
N�o tem por que fazer de outro jeito que n�o seja do meu.
Quem quer que tenha matado voc�, Goldie, vai pagar.
Abra. Pol�cia!
J� vou sair.
N�o sei por que voc� morreu, Goldie.
N�o sei por que e n�o sei como nunca te vi antes desta noite.
Mas voc� foi mais que uma amiga quando precisei.
E quando eu descobrir quem te matou...
n�o vai ser nem r�pido e nem silencioso como foi com voc�.
Vai ser barulhento e sujo, o meu jeito de matar.
E quando ele estiver morto, o inferno para onde o mandei...
vai parecer o para�so, depois do que eu fizer com ele.
Eu te amo, Goldie.
Claire?
N�o se preocupe, Lucille. � s� um arranh�o.
- Tem cerveja aqui? - N�o vou te dar �lcool de jeito nenhum.
Al�m do mais, n�o foi para isso que veio aqui, foi?
N�o.
Toma. Voc� fica pior sem isso.
Valeu. Voc� � o m�ximo.
Lucille � minha oficial de condicional.
Ela � sapat�o, mas s� Deus sabe por qu�.
Com esse corpo, ela podia ter o homem que quisesse.
Quem arranja as p�lulas � a namorada dela. Uma psiquiatra.
Uma vez ela at� tentou me analisar, mas ficou assustada demais.
N�o te vejo nesse estado faz algum tempo.
- Tive que enfrentar uns tiras. - Por acaso n�o matou nenhum, matou?
Que eu saiba n�o, mas eles ficaram bem machucados, com certeza.
E como acha que vou explicar isso para o comit�?
N�o tem nada para explicar! N�o desta vez! N�o foi uma briga de bar...
ou um lun�tico amea�ando botar fogo em algu�m.
Ei, ei, isso � coisa grande.
- Calma a�. Toma outra p�lula. - N�o tem essa de calma a�!
Vai ser sangue por sangue, e aos montes.
Vai ser como nos maus e velhos tempos.
Os velhos tempos do tudo ou nada...
voltaram. N�o h� escolha...
e estou pronto para guerra.
A pris�o foi o inferno. Se voltar ser� para sempre.
Inferno � acordar todo dia sem saber por que voc� existe.
Mas agora eu sa� de l�.
Foi preciso uma pessoa gentil morrer para isso...
mas eu sa�. Sei exatamente o que devo fazer.
Agora, vou at� a Gladys. Doce Gladys.
Mas tenho de entrar sem minha m�e perceber...
pois sua audi��o melhorou muito depois que ficou cega.
Mam�e ainda n�o mudou nada nesse quarto.
Toda semana ela tira o p�, ent�o parece que foi ontem...
que eu me mudei.
Toda vez que venho visitar, ela me faz dormir aqui...
e os odores antigos me fazem chorar como agora.
Sei que a Gladys estaria a salvo aqui.
Eu a chamei de Gladys por causa de uma das freiras da escola.
Ela quase fez jus ao nome.
Por um momento nos sentimos bem, juntos de novo.
Bem como era.
Contei a ela sobre Goldie e o que devemos fazer.
Marvin?
� voc�, querido?
Sim, mam�e. Desculpe ter te acordado.
Estava preocupada, n�o consegui dormir.
Vieram uns homens procurando por voc�.
N�o eram da pol�cia.
Era sobre meu trabalho. Tenho um novo trabalho.
- � noturno. - O que houve com seu rosto?
Eu... me cortei fazendo a barba.
Est� ficando confuso de novo, n�o �?
Mam�e, h� anos n�o me sinto t�o bem.
Dava para ver que voc� estava assustada, n�o �?
Algu�m queria voc� morta e voc� sabia.
Ent�o foi at� os bares, as espeluncas...
procurar pelo sujeito maior e mais cruel, e me achou.
Eu vou encontrar o desgra�ado que te matou...
e vou dar a ele uma morte violenta.
V� at� o beco certo em Sin City...
- Tira as m�os de Nancy! - ...e voc� pode encontrar de tudo.
Teu casaco est� parecendo Bagd�.
Como a tua cara. Cai fora!
Ele � novo aqui, Marv. N�o sabia.
O bar da Kadie � meu tipo de bar.
Nancy mal come�ou sua apresenta��o e a plateia j� est� ofegante.
Muitas noites eu babei por Nancy...
lado a lado com outros fracassados como eu.
Mas n�o foi para isso que vim aqui hoje.
Estou procurando por algo pequeno e cabeludo.
Calma a�, Weevil. Estou aqui pra te fazer um favor.
� dinheiro no seu bolso.
Espalhe por a�. Diga a ele que ando pelos bares totalmente b�bado...
falando pra todos, e chorando por causa de uma gata chamada Goldie.
O que vai ser, Marv?
Uma dose e uma cerveja, Shellie. E n�o pare de servir.
Claro, querido. Agora pega leve.
A maioria das pessoas acha que Marv � louco.
Ele s� teve azar de nascer no s�culo errado.
Ficaria � vontade em algum campo de batalha do passado...
atirando um machado na cara de algu�m...
ou numa arena romana enfiando uma espada em outros gladiadores.
Lan�ariam para ele garotas como Nancy.
O show acabou, palha�o. Termina o drinque.
Casaco legal o seu.
Seus dias de matan�a acabaram. Est� velho, benfeitor desgra�ado.
Adoro matadores.
N�o importa o que fa�a com eles, nunca se sente mal.
- Tira. - O qu�?
Um casaco bom como esse e voc� a�, sangrando nele.
Tudo bem. � todo seu. Meu Deus!
N�o foram voc�s que mataram Goldie.
O cara que fez aquilo sabia exatamente o que estava fazendo.
Ent�o diz quem mandou voc� aqui.
N�o estou ouvindo voc� dizer nome nenhum.
Acho que quando acertei a sua barriga, mirei alto demais.
Se continuar a esconder coisas de mim, vai me for�ar a ser cruel.
Foi Telly Stern quem me deu a ordem.
Ele controla o jogo no Triple Ace Club.
Obrigado de novo.
Ent�o a coisa mais bizarra acontece.
Por um instante, sinto aquele perfume de anjo da minha Goldie.
S� preciso do meu rem�dio, � isso.
Desgra�ado.
Voc� vai pagar pelo que fez comigo.
Quer falar agora, Louie?
Quanto ganhou pelo servi�o, Louie?
Quanto pelo assassinato?
Foi Connelly. Ele armou tudo.
Ele nunca vai falar.
N�o sei voc�, mas eu estou me divertindo muito.
Connelly fala. Todos falam.
E quais s�o seus pecados, meu filho?
Bem, padre, n�o quero que fique acordado a noite toda...
ent�o s� vou falar dos �ltimos.
Estas m�os aqui est�o cheias de sangue.
Voc� quer dizer figurativamente.
Quando preciso descobrir alguma coisa, procuro algu�m...
que sabe mais que eu e pergunto.
�s vezes pego pesado.
Por exemplo, matei tr�s homens esta noite.
Mas primeiro os torturei.
O senhor pode at� achar que estou querendo subir na cadeia alimentar.
Os dois primeiros eram peixes pequenos, dois leva-e-traz.
Mas quem te dedurou, padre, foi Connelly, o cara da grana.
Deus do C�u, homem, esta � a casa de Deus!
Eu s� quero um maldito nome.
Roark.
Est� mesmo abusando da sorte, padre...
achando que vou engolir isso.
N�o pode ser t�o grande.
H� uma fazenda na North Cross com a Lennox.
Est� tudo l�. Descubra por voc� mesmo.
E enquanto estiver l�...
pergunte a si mesmo se vale a pena morrer por aquela vadia.
Vale a pena morrer.
Vale a pena matar...
e vale a pena ir para o inferno por ela.
Am�m.
Pelas chaves, o padre tinha um Mercedes.
Ou ao menos o que vendem hoje em dia dizendo ser um Mercedes.
Carros modernos, todos parecem barbeadores el�tricos.
Goldie.
Goldie!
N�o pode ser a Goldie.
A culpa � s� minha de ficar confuso.
Tenho me divertido tanto que esqueci de tomar os rem�dios.
Aquela n�o era a Goldie.
Goldie est� morta.
E � por causa disso que estou fazendo tudo isso.
Quando se tem um problema, � ruim esquecer os rem�dios.
Aquela coisa fria...
ardendo nas minhas entranhas, dizendo que n�o vai parar.
Esta fazenda aqui � um lugar ruim.
Pessoas morreram aqui...
da maneira errada.
N�o quero briga, c�ozinho.
N�o tenho nada contra voc�.
Calma.
De jeito nenhum vou usar minha arma em voc�, amigo.
Estou curioso para saber quem � o seu dono...
porque tem sangue no seu h�lito e acho que sei de que tipo.
Ent�o eu olho ao redor para ver o que est� enterrado.
Aqui est�.
� imposs�vel. Ningu�m me enganaria assim.
Fico cego. Nenhum som. Ningu�m � t�o silencioso assim.
Ningu�m, exceto a pessoa que entrou naquele quarto h� duas noites.
Foi voc�, desgra�ado. Voc� a matou.
Voc� matou Goldie.
Foi...
Eu estraguei tudo, Goldie.
Encontrei seu assassino, mas ele foi melhor que eu.
Silencioso demais, veloz demais...
Um assassino nato.
Por que ele n�o terminou o servi�o?
Ele guarda as cabe�as. E come o resto.
- Lucille? - N�o � s� aquele lobo dele.
O lobo s� pega sobras.
Os ossos.
� ele.
Ele come gente.
- Cozinha pessoas como se fossem bifes. - Eu vou te aquecer.
Como se fossem bifes.
Agora ele tem n�s dois.
Est� tudo bem. Respire fundo, bem devagar.
Olhe as cabe�as na parede.
As cabe�as na parede.
Filho-da-m�e. N�o desfez aquele sorriso maldito...
e me fez olhar enquanto chupava a carne dos meus dedos.
- Ele me fez olhar. - Ai, Jesus.
Ele me fez olhar!
Nossa, como eu queria um cigarro.
Mulheres. �s vezes elas s� sabem berrar...
e, logo depois, � como se nada tivesse acontecido.
Dessa vez, voc� nos meteu numa grande encrenca.
Quem quer que esteja por tr�s disso tem contatos no departamento.
Alguma pista?
Um cara com quem falei disse que Roark est� no comando.
Seja quem for, sabia de antem�o que eu investigava a prostituta.
- Que prostituta? - A que te deixou obcecado...
a que morreu.
Goldie.
Eu n�o sabia que ela era prostituta.
Isso n�o muda nada.
- Mas eu n�o sabia. - Ela era de alto n�vel.
Deve ter te divertido muito.
Sil�ncio. Tem um carro chegando.
Kevin!
Tudo que tenho � um rosto e um nome.
Vejo voc� depois, Kevin.
Vamos.
POL�CIA
Eles terminaram de checar a casa.
Est�o vindo para c�.
Desgra�ados. Vou mostrar a eles.
Voc� n�o vai nos matar, Marv.
N�o atire, por favor!
Ou�a. Sou sua oficial de condicional.
Ele est� inconsciente e desarmado.
N�o tem motivo para mat�-lo.
Capit�o, o alvo, n�o h� sinal dele.
Aqui tem um sinal.
Belo casaco o seu.
Fico lembrando do tira que acabei de matar e do que ele disse.
Fui cruel por causa do que ele fez com Lucille...
por isso gastei um bom tempo com o filho-da-m�e.
Mas s� quando mostrei a ele os peda�os dele mesmo � que falou.
Foi s� um nome. Patrick Henry Roark, o homem da batina.
Podia ter sido presidente, mas preferiu servir a Deus.
Ao longo do tempo, acabou virando o homem mais poderoso do estado.
Derrubou prefeitos e governadores como se fossem nada.
Fez seu irm�o corrupto senador dos EUA sem nenhum esfor�o.
E agora vai morrer por uma prostituta.
Estou me acostumando com a ideia. Cada vez mais gosto dessa ideia.
A� eu sinto como se fosse um chute no saco.
E se eu estiver errado?
Eu tenho problema.
�s vezes fico confuso.
E com Lucille morta, n�o tenho meu rem�dio.
E se eu imaginei isso tudo?
E se me tornei o que todos sempre disseram que eu me tornaria?
Um man�aco.
Um assassino psicopata?
N�o se pode matar um homem sem ter certeza de que deve fazer isso.
Eu preciso ter certeza.
A mercadoria j� est� exposta quando chego no Centro Velho.
Por quase uma hora pergunto por Goldie.
N�o tenho nenhuma resposta, mas sei que estou perto.
Lucille disse que Goldie era prostituta...
e, se era mesmo, tem ra�zes aqui.
Amigos, talvez at� fam�lia.
Voc� n�o pode ser a Goldie. Goldie morreu.
Goldie. �, claro.
Eu n�o comi nada, n�o tomo meu rem�dio h� dias.
N�o � de se espantar que esteja vendo coisas.
Desgra�ado!
Ele � louco.
Bate de novo, Wendy. Mais forte.
Espera a�. Por que ela te chamou de Wendy?
Porque � o meu nome, idiota.
Goldie era minha irm�. Minha irm� g�mea.
Acho que era a irm� legal.
Goldie e as outras seis... onde est�o?
O que fez com elas?
Sua vadia maluca.
Olha na minha cara.
Alguma de voc�s deixaria eu me aproximar o bastante para mat�-la?
Nenhuma de voc�s deixaria, s� a Goldie.
E ela s� fez isso porque achou que eu podia proteg�-la.
Aposto que os tiras n�o fizeram nada pelas outras, fizeram?
Mas assim que pensaram que eu ia cair na deles...
vieram loucos, de armas em punho.
Mas n�o me pegaram.
Desde ent�o venho matando afora para saber a verdade.
Ent�o, boneca, atira.
Atira agora ou saia da minha frente.
Droga.
Legal, fico feliz por termos nos entendido.
- Qu�? - Amarrei direito.
- � minha especialidade. - Voc� se soltou...
e podia ter pegado minha arma se quisesse.
Claro, mas achei que pudesse esclarecer as coisas para voc�.
Al�m disso, teria que bater em voc�...
e eu n�o bato em mulheres.
Preciso de algemas.
De que tipo voc� quer? Tenho uma cole��o.
D� para ele as que est�o com voc�, Gail.
Foi um fazendeiro chamado Kevin que matou Goldie...
mas � o cardeal Roark que est� por tr�s de tudo, e eu n�o sei por qu�.
Sei que parece loucura.
N�o, n�o parece. Goldie atendia ao clero.
Do nada, uma pe�a do quebra-cabe�as cai no meu colo.
Sou burro demais para sacar todo o esquema ainda...
mas ela acende dois cigarros e me d� um.
Sinto o gosto do seu batom e, de repente...
meu cora��o bate t�o alto que n�o consigo ouvir mais nada.
Quero estender a m�o e toc�-la...
sentir o gosto do suor da Goldie mais uma vez...
mas ela n�o � a Goldie.
�, acho que vai servir.
Tamb�m preciso de uma d�zia de garrotes de 60 cm...
um rolo de arame farpado...
e um par dessas luvas especiais para manusear o arame.
Cuidando da seguran�a da casa?
Pode crer.
Ela era minha irm� e eu estou nessa at� o fim.
Mas por que desafiar Roark por algu�m que mal conhecia.
Ela foi gentil comigo. Ela me deu algo que eu nem sabia que existia.
Eu nunca consegui mulher nenhuma, nem pagando...
por causa da minha apar�ncia.
Eu paro de pensar nela e volto a prestar aten��o em mim.
Est� chegando a hora de matar e � melhor estar preparado.
Eu verifico a lista. Garrote, gasolina, serra...
luvas, algemas, arame farpado, machado...
Gladys e meus punhos.
- Estamos bem perto. Pare. - Est� bem, Marv.
Deixa o motor ligado.
Se eu n�o voltar em 20 minutos, d� o fora daqui e n�o olhe para tr�s.
Mate-o por mim, Marv.
Mate-o para valer.
Eu n�o vou te decepcionar, Goldie.
Ele vai para cozinha.
Prepara um lanchinho noturno... e eu at� posso imaginar de que tipo.
Vamos l�, seu filho-da-m�e.
Merda, ele � esperto.
� o melhor que sabe fazer, depravado?
� isso a�. Leve para o lado pessoal. Chega mais. Eu aguento.
Te peguei, seu canalha. Quero ver voc� escapar agora.
Tento acalmar meu cora��o e cuspir o fogo dos meus pulm�es.
Meus m�sculos me prometem muita dor.
Deixa eu fazer isso, Marv. Ela era minha irm�. Deixa eu acabar com ele.
Voc� n�o devia ter vindo aqui, Wendy.
Ah, mas eu quero...
Desculpa, garota, mas eu mal comecei com este man�aco...
e n�o quero que voc� veja o resto. Voc� teria pesadelos.
Tenho que te dizer, estou bem cansado...
mas n�o foi por causa da nossa luta.
Foi esse neg�cio de serrar e amarrar.
N�o � t�o f�cil quanto parece.
Teria sido uma bagun�a...
se eu n�o tivesse aquelas borrachas para fazer torniquetes.
Mas tenho que admitir... espirrou um pouco.
Para soltar aquele cheiro no ar. E atrair aquele seu amiguinho.
O que voc� sabe?
Olha quem est� aqui.
A� vem ele.
� um bom c�ozinho.
Ele n�o grita. Nem mesmo quando a fera ficou satisfeita...
e suas entranhas ficaram todas espalhadas.
De alguma forma o maldito ainda estava vivo e me olhando.
Mesmo quando peguei a serra e terminei o servi�o...
ele n�o gritou.
Ligo para o Kadie e pe�o a Nancy para se vestir...
e me encontrar na casa dela. Ela diz que sim, como sempre.
Oi, Nancy. Tem cerveja?
Claro, Marv. Quem � a garota?
Tem poucas coisas que Nancy n�o faria por mim.
H� um ano um cara barbarizou com ela...
e eu dei um corretivo nele.
Perco a no��o quando caras barbarizam com mulheres.
O que quer que eu fa�a com ela?
O melhor � lev�-la de carro a Sacred Oaks.
E voc�? Vai sair da cidade?
N�o. Eu gosto daqui.
Fa�o uma liga��o direta num t�xi e ando no limite de velocidade...
para n�o chamar aten��o.
Minhas ideias come�am a clarear. As coisas fazem sentido.
Eu te devo uma, Goldie.
Te devo uma e vou pagar.
Se ir atr�s de Roark significa morrer, ganhar ou perder...
droga, morrerei rindo se souber que fiz direito.
Quieto como uma sepultura, aqui. Nem sinal do alvo.
Est� certo. Fique de olho.
- Kevin? - O que sobrou dele.
O cachorro comeu o resto.
Ah, meu Deus! Monstro.
Dem�nio.
N�o grita ou te acerto.
Ele tinha a voz de um anjo...
mas s� falava comigo.
Agora est� morto por causa de uma prostituta idiota.
N�o acho legal falar assim da Goldie...
perto de mim.
Quando o conheci...
era um menino atormentado.
Atormentado pela culpa.
Tentei aconselh�-lo...
mas o canibalismo o enchia de luz.
Em l�grimas, ele jurou que sentiu a m�o de Deus todo-poderoso.
O que voc� sabe?
Sei que � muito esquisito comer gente.
Ele n�o comia os corpos, simplesmente.
Ele comia as almas.
E eu comecei tamb�m.
Eram todas prostitutas.
Ningu�m ligava para elas. Ningu�m sentia falta delas.
E ent�o a sua Goldie quase estragou tudo.
Ela ficou em locais p�blicos...
e depois com voc�.
Voc� era muito conveniente.
Quebrou o queixo de um cara na mesma noite.
Quem acreditaria num bandido como voc�?
Kevin a matou.
Eu mandei a pol�cia atr�s de voc�, mas n�o conseguiram te pegar.
Voc� n�o parava.
E agora ele est� morto e voc� est� aqui para...
acabar comigo.
Isso te dar� satisfa��o, meu filho?
Matar um velho desamparado?
Matar, n�o.
Nenhuma satisfa��o.
Mas tudo que rolar at� l� vai ser legal.
Kevin...
n�s estamos indo para casa.
Pode gritar agora se quiser.
� lindo, Goldie. Exatamente como prometi, at� melhor.
E quando ele vira os olhos, morto, o inferno para onde o mandei...
deve parecer o para�so depois de tudo que fiz com ele.
- Parado! - Ah, meu Deus!
Imbecis.
Deviam ter atirado na cabe�a, e muitas vezes, para ter certeza.
� t�o rid�culo.
Todos sabem o que vem depois...
mas eles seguem os procedimentos mesmo assim.
Que perda de tempo.
Meses se passam enquanto eu como e respiro por tubos.
Noite ap�s noite espero que algu�m venha acabar comigo.
Depois de um tempo percebo que n�o vai ser t�o f�cil assim.
Fico em p� por uns dez minutos...
at� os tiras me darem uma rasteira.
Eles n�o me fazem perguntas.
S� me enchem de pancada e me esfregam uma confiss�o na cara.
Eu s� fico cuspindo sangue nela...
e rindo da quantidade de c�pias que eles t�m que fazer.
E ent�o chega o verme do promotor p�blico...
desliga o gravador e diz que se eu n�o assinar a confiss�o...
v�o matar a minha m�e.
Eu quebro o bra�o dele em tr�s lugares e assino.
Da� em diante, � o circo que todos querem.
ROARK ASSASSINADO
Eles me culpam pelas mortes.
N�o s� das pessoas que realmente matei...
mas at� de Lucille e das garotas que Roark e Kevin comeram.
At� mesmo de Goldie.
A ju�za � s� fogo e enxofre quando d� a senten�a.
Meia-noite, minha morte ser� em poucas horas...
quando tenho a primeira surpresa em 18 meses.
Minha �nica visita.
Estou pronto para qualquer coisa, menos para aquele perfume.
Eu os peguei para valer, n�o foi, Goldie?
Desculpe, Wendy.
Fiquei confuso de novo.
� que vendo voc� desse jeito...
Pode me chamar de Goldie.
Ela tem o perfume que os anjos devem ter.
A mulher perfeita.
A deusa.
Goldie.
Ela diz que se chama Goldie.
Eles me prepararam um fil� bem decente para a �ltima refei��o.
Tem at� cerveja. � a primeira desde aquela noite com Nancy.
Raspam meu cabelo, me enfiam uma fralda de borracha e iniciam.
J� estava mesmo na hora, se quer saber.
"Sim, embora ande no vale sombrio da morte..."
Poderia terminar logo? Eu n�o tenho a noite toda.
Voc� ouviu o homem. Execute-o.
Isso � o melhor que podem fazer, seus veados?
Ele morreu.
A GRANDE MATAN�A
Esquece, cara! Pode bater a noite toda nessa porta se quiser.
N�o vou abrir de jeito nenhum.
N�o acredito que est� fazendo isso comigo, Shellie.
Depois de tudo que passamos. N�o significa nada para voc�?
Significa muito. Muito dinheiro perdido porque ningu�m quer se meter...
com uma gar�onete com a cara toda roxa e inchada.
Sei que est� brava comigo, amor, e eu te perdoo mesmo sem voc� pedir.
H� uma diferen�a entre ficar parada na de um cara que n�o � dos piores...
e descobrir que foi seduzida por um idiota filho-da-m�e...
que engana a esposa sobre a qual ele nem te fala...
sempre que fica de porre, o que � bem frequente.
Especialmente o tipo de idiota...
que precisa bater em mulher para se sentir macho.
Isso magoa, Shellie.
Uma coisa � se fazer de dif�cil...
outra � tentar me ofender.
Sou imposs�vel de ser fisgada.
Fa�a um favor a si mesmo, Jackie-Boy, procure ajuda...
de um psiquiatra.
Procure ajuda e v� � luta.
Abra a porta.
Shellie, abra a porta. Eu cuido disso.
Abra a porta e vai ver o quanto est� errada sobre mim.
Fa�a o que ele pede, Shellie. Estou pronto.
N�o. Se ele souber que voc� est� aqui comigo...
- n�o sabe como o tempo vai fechar. - O palha�o est� totalmente de porre.
E tem quatro amigos bufando no corredor...
t�o b�bados quanto ele.
Ei, podia jurar que ouvi algu�m a� com voc� agorinha.
Algu�m? Jackie-Boy, � a orgia africana de sempre!
- Eu n�o sou racista. - Chamei cinco atacantes...
e metade do time de basquete da cidade est� aqui comigo.
Vai enfrentar todos eles?
Est� me provocando, amor.
Alguns dos meus melhores amigos...
mas voc� est� me irritando.
E o tempo todo est� fazendo assim comigo...
fui educado enfatizando que a qualquer hora que eu quisesse...
podia estra�alhar esta maldita porta.
Certo, amor. Voc� sabe do que sou capaz.
- Sabe do que sou capaz. Um, dois... - Est� bem.
Pessoal, fiquem � vontade.
Trouxe o bando todo com voc�?
Esses idiotas n�o t�m vida? S� vivem grudados em voc�?
Voc� vai adorar, amor.
Voc� vai chamar umas amigas suas que trabalham na boate.
E n�s vamos a todos os bares da cidade.
- Vai ser �timo! - N�o vou chamar ningu�m.
Essa � uma camisa de homem e com certeza n�o � uma das minhas.
Estou sentindo cheiro de outro em voc�.
Estava com outro homem e esteve a noite toda.
- Quem � ele? - � o Super-Homem.
Saiu voando pela janela assim que ouviu voc� chegar...
porque ficou apavorado.
Voc� acha que eu n�o tenho sentimentos.
Se vai me bater...
anda logo e acaba com isso, seu desgra�ado.
L� vem voc� mentindo sobre mim de novo...
bem na frente dos meus amigos.
Nunca bati numa mulher em toda minha vida.
Isso � para mostrar a ela, cara.
Filho-da-m�e. Covarde escroto.
Amor, a gente est� aqui para se divertir.
Sim.
Preciso dar uma mijada.
Queria que tivesse aparecido antes, Jackie-Boy.
Teria conhecido meu namorado.
E visto como � um homem de verdade.
Est� me ofendendo de novo.
Mas eu te perdoo.
Sou um cara generoso.
Ele � generoso. Mas esse g�nio dele...
voc� nunca deveria t�-lo provocado assim.
N�o precisa se preocupar com o meu g�nio.
Cala a boca. Afasta as m�os ou corto seu pinto.
Saquei.
N�o vai querer sair por a� vestida desse jeito.
� uma selva l� fora. Voc� deveria estar fazendo liga��es.
Amor, n�o estou ouvindo voc� fazer as liga��es.
Responda!
N�o preciso dessa afli��o.
Oi, sou o novo namorado da Shellie e estou fora de controle.
Se ousar falar com ela de novo ou mesmo pensar no nome dela...
corto voc� de um jeito que ficar� in�til para as mulheres.
Est� cometendo um grande erro, cara.
�? Voc� tamb�m cometeu um grande erro.
N�o puxou a descarga.
Pessoal, vamos dar o fora.
Sem perguntas, droga. Agora.
Dwight, o que fez com ele?
Eu s� fiz com que provasse do pr�prio veneno.
Acho que n�o vai te incomodar de novo.
- Como est� o queixo? - J� levei piores.
Dwight, ele era coisa do passado.
Antes de voc� aparecer outra vez com esse seu rosto novo.
E foi s� porque senti pena dele.
E foi uma vez s�.
Fiz muitas bobagens.
Uma vez que sou uma dessas bobagens...
n�o posso te botar toda a culpa, Shellie.
Este cara � uma amea�a.
Pode matar algu�m se eu n�o det�-lo.
- Ligo para voc� depois. - N�o! N�o v�!
Shellie grita alguma coisa que eu n�o entendo...
por causa do barulho do helic�ptero da pol�cia que passa.
- Vira. - Acho que foi "vira"...
mas n�o tenho certeza. � um risco que eu n�o devia correr...
mas n�o posso ir para casa e esquecer tudo...
e deixar Jackie-Boy e sua gangue se divertindo.
Eles s�o predadores e esta noite est�o atr�s de sangue.
Sangue de mulher.
Droga, Dwight.
Seu idiota.
Seu idiota maldito.
Vou pelo parque com meu cadillac...
para achar Jackie-Boy como um morcego descontrolado montanha acima.
Eu acelero. � um bom modo de chamar aten��o.
Mas se voc� � assassino com um rosto novo, cujas digitais...
poderiam te mandar direto para c�mara de g�s como eu...
a �ltima coisa que quer � chamar aten��o.
Eu n�o tenho dinheiro suficiente para subornar o tira e, mesmo se tivesse...
sempre h� uma chance m�nima de ele ser honesto.
Tento passar uma conversa nele ou mato o tira e arrisco tudo?
Ent�o Jackie-Boy me livra de um monte de problemas.
Cuidado, Jack!
Tiras! Est�o atr�s de n�s.
N�o por muito tempo. N�o para onde estamos indo.
Sinto um n� no est�mago.
Jackie-Boy est� nos levando direto para Cidade Velha.
O tira desliga a sirene.
Ele sabe que n�o � a lei. N�o na Cidade Velha.
Aqui, as garotas s�o a lei. Lindas e impiedosas.
Se voc� tiver dinheiro e seguir as regras...
elas realizar�o todos os seus sonhos. Mas se engan�-las...
vira presunto.
- A viatura da pol�cia j� se foi. - Eu chamei. Fiz certo?
Voc� est� sempre certo, Jack.
Nenhum de n�s duvida disso por um segundo.
Mas ouvi coisas sobre essas meninas.
Coisas que fizeram com os caras que saem da linha.
Quem est� fora da linha?
Ei, amor.
Entra aqui, do�ura. Te dou uma carona.
Olha, querido, eu trabalho de dia e foi um longo dia.
Al�m disso, n�o gosto de suruba.
Entra no carro, amor. Vamos s� conversar. Vai ser legal.
Tamb�m n�o gosto de conversa.
Lindeza, eu tive um dia para l� de ruim.
Levo uma pancada toda vez que me viro.
Mas levar o fora de uma puta...
quando tenho grana que ganhei com suor para pagar por ela...
bem...
� demais para um homem suportar.
Tente no �lamo, na rua Dylan.
No �lamo, n�o no Amigo.
O Amigo � um bar de bichas.
Voc� est� se divertindo tirando sarro com a minha cara...
sem nenhuma raz�o?
J� chega, Dwight. Estamos de olho nesses caras...
desde que vieram com aquele tira atr�s deles.
Est� tudo sob controle.
Curta o espet�culo.
N�o h� raz�o para discutir com ela.
As garotas s�o suas pr�prias vigilantes.
Como vai a gar�onete, a que nunca fica calada?
Agora n�o, Gail.
Nossa, como estamos nervosos, n�o �?
Seu problema � esse, Dwight. Voc� se preocupa demais.
Isso e seu p�ssimo gosto para mulheres. Pelo menos ultimamente.
Droga, Gail. Agora n�o!
Aqueles palha�os ali s�o amigos da gar�onete?
Um deles acha que �.
Ele est� fora de controle.
Eu o segui aqui para garantir que n�o ferisse nenhuma das meninas.
N�s, meninas indefesas.
A morte est� prestes a acontecer a menos de 20 metros daqui...
e mesmo assim � dif�cil tirar os olhos dela.
N�s estamos t�o seguras quanto poss�vel, Lancelot.
Aqueles caras do Chrysler est�o a um erro...
de descobrir do que Miho � capaz.
Ela estava louca para treinar.
Ela guia meu olhar e eu vejo um elfo na beira do telhado.
- A pequena e letal Miho. - O beco est� terminando, caub�i.
D� a volta. Evitaria um monte de problemas para voc� e seus amigos.
Voc� � muito atrevida.
Mas n�o est� em posi��o de fazer amea�as.
A armadilha est� engatilhada. Pronta para disparar.
E da�? Eles s�o a esc�ria. Merecem o que est� por vir.
Ent�o por que a sensa��o ruim de que algo est� muito errado?
Que eu saiba, eles n�o mataram ningu�m.
O tempo fechou na casa de Shellie, mas n�o mataram ningu�m.
E nem v�o matar.
Por que essa sensa��o ruim?
Algo que a Shellie disse, mas n�o consigo saber o qu�.
Certo. Fui mais grosseiro do que devia.
- Estou meio tenso. - Descontrolado.
Voc� n�o precisa de mulher, precisa de uma boa noite de sono.
N�o saberia o que fazer com uma mulher no estado em que est�.
Ela est� dizendo que voc� n�o tem o que � preciso, Jack!
Voc� quer ver?
Quer ver o que eu tenho?
J� vi de todos os formatos e tamanhos.
J� viu um assim?
Entra no carro.
Amor, voc� acaba de fazer a maior idiotice de toda sua vida.
Ah, Deus. N�o.
Isso � loucura.
Sem mais nem menos, sem raz�o nenhuma.
Vai em frente. Vai em frente.
- Ele est� em vantagem. - N�o est�, n�o.
Ele est� morto. � s� idiota demais para saber.
Eu te peguei bem onde quero.
Isto � o fim de uma carreira, sua piranha.
- Voc�s v�o me pagar. - Cuidado onde pisa, Jackie-Boy.
Isto n�o tem gra�a.
Ningu�m ri! Tenho amigos que nem imagina!
Voc�s todas v�o pegar fogo.
Calma. Ela s� est� brincando.
- Vai piorar as coisas. - Cala a sua maldita boca.
N�o aperte o gatilho. Ela bloqueou o cano. Vai disparar para tr�s.
Eu mandei voc� calar a boca.
N�o consigo enxergar.
O que est� acontecendo?
N�o vejo nada.
N�o ou�o nada.
Pelo amor de Deus, Miho, acabe com ele.
�... seja r�pida, certo?
Ela n�o chega a degol�-lo.
Mas corta o pesco�o quase at� a nuca.
Depois � ir direto ao trabalho:
colocar os corpos no ch�o, revistar os bolsos...
e pegar dinheiro quando encontra.
Estou checando as cal�as de Jackie-Boy.
A carteira est� cheia.
Mastercard, Discover, American Express Platinum...
e cerca de 300 d�lares em notas de 20...
que n�o me orgulho muito de enfiar no bolso.
Ent�o acho uma bomba at�mica.
Jackie Boy...
seu filho-da-m�e.
Aquele helic�ptero fazia tanto barulho...
que n�o consegui entender o que ela disse.
Achei que tivesse dito "vira".
Mas ela disse "tira".
Tenente detetive Jack Rafferty.
"Jack de Ferro" � como os jornais o chamam.
Um tira her�i desgra�ado.
A fr�gil tr�gua dura h� anos. Os tiras ficam com parte dos lucros...
e t�m divers�o de gra�a quando d�o uma festa.
As garotas t�m que administrar a pr�pria justi�a.
Elas defendem o pr�prio territ�rio. Se um tira chega no bairro...
e n�o quer comprar o que elas est�o vendendo, elas o expulsam de l�.
Mas sempre o mandam de volta vivo.
S�o as regras.
� o pacto.
Os tiras ficam de fora.
Assim as garotas ficam livres para manter os cafet�es e a m�fia longe.
Se a Cidade Velha ficar aberta...
ser� a guerra.
As ruas v�o ficar vermelhas de sangue...
de sangue de mulher.
Os tiras. A m�fia. As coisas voltar�o a ser como antes.
� claro que n�o! N�s temos armas.
Vamos enfrentar os tiras e a m�fia...
e qualquer um que vier para cima de n�s.
- N�s vamos � guerra. - N�o seja tola.
Voc�s n�o teriam chance. Me arrume um carro.
Com capota e um motor decente.
Vou esconder os corpos.
Esqueceu a viatura que os seguiu at� aqui?
Os tiras sabem que Rafferty veio para c�.
V�o procurar no rio. V�o procurar no esgoto.
Eles v�o ach�-lo e a� v�o chegar atirando.
Vou jogar os corpos nas fossas. Os tiras n�o v�o checar l�.
Tira essa arma da minha cara ou te bato.
Quem pensa que � para dar ordens?
- Voc� teve o que queria de n�s. - Cala a boca, Gail.
Voc� teve o que queria de mim...
e depois sumiu com aquela gar�onete.
Sumiu at� trazer essa confus�o horr�vel para n�s.
Miho chega pelas minhas costas.
Uma palavra de Gail e ela me corta ao meio.
Eles v�o vigiar as estradas. Eles v�o pegar voc�.
Ser� como nos velhos tempos de novo.
Os cafet�es, as surras, as drogas, os estupros.
N�o est�o vigiando as estradas. Ainda n�o. Quero com capota.
Se eu n�o conseguir voc� far� a sua guerra.
Tire essa arma da minha cara agora!
Desgra�ado!
Esqueci como voc� � r�pido.
Minha guerreira.
Ela quase arranca minha cabe�a...
ao sugar minha boca para a dela com tanta for�a que machuca.
Uma explos�o que afasta os tristes anos cinzentos...
entre agora e aquela noite selvagem em que ela foi minha.
Um com capota e um motor decente.
E certifique-se que tenha um porta-malas grande.
Eu sempre vou te amar, querida.
Sempre e nunca.
Onde achou essa carro�a?
Olha s� o porta-malas. Eles n�o v�o caber a�.
Se n�o tiver mais nada para fazer...
eu posso ir para casa?
O sangue e tudo mais me fizeram mal.
Claro, Becky. V� para casa.
Mas n�o fale com ningu�m, nem com sua m�e.
Eles nunca v�o caber no porta-malas.
N�o desse jeito. Miho.
Seque seu cabelo assim que chegar em casa...
ou ficar� gripada.
Ei, Becky. Gail falou para voc� n�o ligar para ningu�m.
S� quero ouvir a voz da minha m�e. N�o vou dizer nada.
Por favor, n�o conte nada para Gail.
Oi, m�e?
Garotas piradas. O que estavam pensando...
para me arrumarem uma carro�a velha assim?
N�s mal conseguimos fechar o porta-malas...
com tudo que enfiamos l� dentro.
N�o pod�amos fazer nada.
A �nica sa�da foi colocar Jackie-Boy do meu lado...
onde qualquer um que olhasse podia v�-lo.
Vamos l�. Pegue um cigarro dele.
Vai ajudar.
Te peguei fumando, mano?
Cala a boca, Jackie-Boy.
Voc� est� morto.
Isso � s� imagina��o. Cala a boca.
D� para ver seu estado mental, n�o d�?
Faz voc� ouvir coisas. Seus nervos est�o ferrados.
Faz voc� fumar.
Voc� sabe que � verdade.
Ningu�m nunca consegue mesmo parar.
Um fumante � sempre fumante quando a coisa aperta.
- E a coisa apertou para voc�. - Estou bem. Cala essa boca, droga.
Vai ver isso?
Aquelas vadias te ferraram.
O que vai fazer quando acabar a gasolina? Chamar o reboque?
Voc� � um banana com as mulheres.
N�o vai conseguir nem chegar nas fossas.
Cala a boca, droga. Eu vou conseguir.
N�o se n�o olhar para estrada, meu chapa.
Cuidado!
Ah, que legal.
Parece um filme policial.
Cala a boca!
Cara, voc� se danou. Acabou.
� o fim.
Est� rodopiando indo at� o fundo do po�o...
entrando pelo cano.
Acabou.
J� era.
Desta vez n�o consigo mand�-lo calar a boca.
� claro que � um babaca.
� claro que est� morto.
� claro que s� estou imaginando que ele est� falando.
Mas nada disso impede que o desgra�ado tenha toda raz�o.
Eu n�o tenho a m�nima chance de escapar desse tira.
N�o nesta carro�a.
Encosta!
A �nica d�vida � se vou ou n�o mat�-lo.
D�vida cruel.
Pelo que sei � um tira honesto, um cara normal...
que trabalha duro para pagar a hipoteca, tem mulher e filhos.
Minha m�o se mexe sozinha...
levando uma das armas at� meu colo e puxando o c�o.
N�o sei o que fazer.
� melhor parar. Ele est� ficando bravo.
Voc� manda.
Seu amigo a�... exagerou muito esta noite?
Hoje eu sou o motorista.
Est� com a lanterna traseira queimada.
Desta vez � s� uma advert�ncia.
E agora?
A gasolina acaba a 500 metros das fossas.
Eu empurro o carro o resto do caminho.
S� mais alguns minutos e tudo estar� terminado.
Jackie-Boy vai afundar nessas fossas de piche.
Eu vou pegar o trem para Sacred Oaks. Vou para casa...
Sem perguntas, Dallas. Fa�a o que eu digo.
Esvazie as ruas. Estamos fechados.
N�o tem programa hoje na Cidade Velha.
N�o esta noite.
N�o resista. S� vai se machucar.
� uma causa perdida.
N�s sabemos de tudo.
Logo o corpo do detetive Rafferty estar� em nossas m�os...
e o pacto entre voc�s e a pol�cia ser� quebrado.
Haver� pris�es e mortes.
Meu patr�o vai se apoderar do que sobrar deste bairro.
Voc�s todas ser�o escravas. Nada impedir� isso.
Mas voc� tem o poder de salvar muitas vidas.
� s� facilitar o processo de transi��o...
e negociar os termos da rendi��o da Cidade Velha.
Seu filho-da-m�e! Eu te conhe�o.
Eu j� te encontrei antes. A esc�ria de Sin City.
Agora sirvo a um novo mestre...
e logo voc�s tamb�m v�o servir a ele.
Agora vista-se e chore por Dwight McCarthy, se quiser...
porque a esta hora ele est� morto.
Voc� n�o o conhece.
Meu homem encontrar� um jeito.
Ele sempre encontra.
N�o sei qual � a desses americanos, sempre reclamando...
de como se d�o mal.
Mas este � um �timo pa�s.
A estrela guia do mundo moderno.
Impostos baixos. A terra das oportunidades.
Onde mais uma �nica bala valeria a fortuna que estamos ganhando?
� mil vezes melhor que explodir aeroportos e igrejas...
sem ganhar porcaria nenhuma por isso.
Encontrou algo, Murphy?
Parece o distintivo do nosso pobre tira morto.
Est� todo amassado.
Tem algo preso nele.
Caramba. � a bala.
Seu filho-da-m�e! Escroto!
Os quatro n�o eram tiras.
Eram mercen�rios.
E se foram contratados por quem estou pensando...
os tempos ruins nem come�aram ainda.
E tudo parecia ir t�o bem.
Lembra, n�o precisamos entreg�-lo inteiro, Brian.
Voc� tem raz�o, Ronnie. Me empresta a faca.
Acho que vou cochilar enquanto espero.
Estou no osso! Falou?
Pronto.
J� viu coisa mais linda na sua vida?
N�s voltaremos para pegar voc�s tr�s e, se acontecer alguma coisa...
usem a imagina��o, certo?
Agora s� sil�ncio.
N�o tem ar para respirar.
S� o gosto amargo e oleoso do piche subindo nas minhas narinas.
Deixe ele entrar e encher seus pulm�es.
Elas contavam com voc� e voc� estragou tudo.
Dedos finos e firmes no meu pulso.
Miho. Voc� � um anjo.
� uma santa.
� a Madre Teresa.
Voc� � Elvis.
� Deus.
E se tivesse chegado 10 minutos antes...
ainda ter�amos a cabe�a de Jackie-Boy.
Dwight, eles pegaram a Gail!
� mole. Tem um espi�o na Cidade Velha.
Um informante que entregou voc�s para m�fia.
Precisamos descobrir quem � e resgatar a Gail.
Mas primeiro temos que pegar a cabe�a de Jackie-Boy...
antes que ela chegue aonde est� indo e a porcaria se espalhe.
Miho, espero que tenha deixado um deles vivo para poder falar.
Eu mostro a ele que n�o estou de sacanagem.
E n�s conversamos.
Fique esperto. Fique frio.
� hora de provar a suas amigas que voc� vale alguma coisa.
�s vezes isso significa morrer.
�s vezes significa matar um monte de gente.
Ali est�o eles. O que vamos fazer?
Vamos det�-los, Dallas.
A cabe�a de Jackie-Boy fica t�o perto de mim...
que quase posso peg�-la.
Pega a cabe�a!
Peguei!
Chupa isso, vadia est�pida!
N�o sei dizer se Miho est� viva ou morta...
mas estou em p� e cada peda�o de mim deseja matar.
Quer a cabe�a agora, amor? Ent�o desce aqui e pega!
Sujeito corajoso.
Eu podia atirar no seu ouvido bem agora...
se meu rev�lver n�o estivesse molhado e in�til.
Voc� me pegou, amor. Estou indefeso como um beb�.
Vou ser sincero com voc�, querido.
Foi uma grande lorota quando disse que meu rev�lver estava molhado.
V�, eu n�o curto muito atirar.
Prefiro explodir.
Depois que explodi o teto de um bar...
e vi peda�os de gente voando...
um pequeno tiroteio jamais chegar� aos p�s.
E aqui estou, com todas essas granadas...
e um controle remoto lindo de morrer.
Mas � com a minha faca que vou te matar.
Voc� matou meus amigos.
Algu�m devia ter te dito: nunca d� motivo para um irland�s se vingar.
A pequena e letal Miho.
Voc� n�o vai sentir nada a n�o ser que ela queira.
Ela gira a l�mina.
Ele sente.
Eu explico a Miho o que e como vamos fazer.
Pego o telefone e fa�o a liga��o mais importante da minha vida.
Primeiro temos de resgatar Gail. Depois � a matan�a.
A grande matan�a.
Temos que ficar aqui assistindo a isso?
Est� de sacanagem, cara?
Eu podia assistir, sem me cansar, ao Manute trabalhar a noite toda.
Ele � um artista.
S� um artista poderia tocar numa coisa t�o linda.
Sua pele � perfeita.
Seus nervos reagem.
� lindo.
Fale logo o que eles querem, Gail.
- Becky? - Acabou, Gail.
N�o pode lutar contra eles. Dwight est� morto.
Eles est�o com o que sobrou do tira que matamos.
A m�fia vai entregar tudo para os tiras, que v�o nos detonar.
Temos que fazer um acordo.
Sua vadiazinha. Voc� nos entregou.
Eu n�o tive escolha. Eles iam ferir a minha m�e.
Voc� precisa fazer um acordo com essa gente. � ego�smo n�o aceitar.
Um monte de garotas vai morrer por nenhum motivo.
N�o foi por sua m�e.
N�s a ter�amos protegido e voc� sabe disso.
Foi por dinheiro, sua vadia idiota!
� claro que tinha dinheiro.
E voc�s podiam ter levado minha m�e para Cidade Velha...
e deixado ela descobrir que a filha dela � prostituta.
� de partir o cora��o, n�o �?
Eles me ofereceram o que voc�s nunca poderiam me oferecer:
deixar essa vida.
Eu tinha que salvar o meu pesco�o.
Seu pesco�o.
Seu precioso pescocinho.
Voc� � louca! Podia ter cortado minha garganta, piranha louca.
Schutz, pegue as l�minas.
- Stuka, mate esta aqui. - N�o, voc�s me prometeram.
Vadia burra! Voc� merece coisa pior.
Eu sabia que tinha um motivo para ter levantado da cama hoje.
Ningu�m. N�o vejo ningu�m.
Olha s� isso. Essa coisa me atravessou. Olha s�.
Tem algo preso.
- Parece um bilhete. - Me d� isso.
Fez um buraco em mim. Olha, pessoal.
A CABE�A DO TIRA PELA MULHER
- Est� come�ando a doer muito. - Todos para os fundos. Tragam a mulher.
N�o acha que algu�m devia chamar um m�dico?
McCarthy, seu idiota.
Ei.
Pessoal?
D�zias deles, armados at� os dentes.
Estou em desvantagem num�rica, com poucas armas.
Mas o beco � cheio de curvas, escuro e muito estreito.
Eles n�o podem me cercar.
� poss�vel bater as probabilidades com a escolha do local da luta.
Pode ficar com a Cidade Velha. Eu n�o ligo.
S� quero a mulher.
Cala a boca.
Dwight, n�o fa�a isso.
- Espere. H� algo errado. - Fica calada ou eu te mato.
� claro, Sr. McCarthy. Uma troca justa. Ela � toda sua.
Agora podia me explicar por que n�o devemos acabar com voc�s?
Dwight, o que voc� fez?
Exatamente o que tinha que fazer...
o tempo todo.
N�o. Tem algo errado! N�o tinha fita na boca dele antes.
Por que tem agora?
O local da luta � muito importante.
Belo truque, McCarthy, mas n�o vai ajudar.
N�o h� nada como ver os amigos chegarem com um monte de armas.
N�o! McCarthy, seu merda!
As garotas sabem o que fazer.
Sem fuga.
Sem rendi��o. Sem piedade.
Temos que matar todos os desgra�ados.
At� o �ltimo.
N�o por vingan�a ou porque mere�am.
Nem para tornar o mundo um lugar melhor.
Precisamos de muitos corpos...
para que quando o chefe Walenquist cheque os relat�rios de lucros e perdas...
saiba quanto custa mexer com as garotas da Cidade Velha.
Eles v�m correndo de volta.
Bem na hora.
A pequena e letal Miho.
Ela mostra a que veio.
A Valqu�ria ao meu lado est� gritando e rindo...
com �dio puro e alegria, sedenta de sangue da carnificina...
assim como eu.
Essa paix�o, amor, vai nos consumir.
N�o h� lugar no mundo para nosso tipo de paix�o...
minha guerreira, minha Valqu�ria.
Voc� sempre ser� minha.
Sempre... e nunca.
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