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ALÉM DAS CINZAS
Gisella Perl?
Sou a Dra. Gisella Perl.
Eu sei, uma medica muito famosa,
- A minha mãe contou-me tudo sobre si. - Sim, contou?
Sim, disse que era uma senhora notável, e uma médica fantástica.
Venha. Venha.
Três semanas.
No máximo.
Sim. Três semanas. Foi exactamente o que me disse o meu médico.
Óptimo. Como se chama?
Didi. Didi Goldstein.
Didi Goldstein? Muito bem,
Espere por além por mim. Sim? Preciso comer qualquer coisa.
Eu vou... eu vou.
Taxi!
Oh, meu Deus!
Sabia que a sua tia Rachel era minha paciente em Sighet?
Sim. Eu nunca a conheci. Ainda não.
Esperemos que ela chegue em breve.
Aqui estão mais alguns.
Olhe para estes sapatos.
Quem é que usa isso? Uma senhora, não.
Uma empregada talvez, Venha. Não uma senhora.
Ainda não viu sapatos suficientes?
Não, não, não. Quero ver outra antes de comprar.
Minha cara senhora. Que acha?
Ah, sim!
Estes, estes agradam-me.
São muito caros, Dra. Perl.
Em Sighet usava sempre o melhor.
Tinhamos coisas esplêndidas, que pensa? Lindas!
Ah! A beleza, não pode imaginar a beleza.
Mas estamos em New York, não em Sighet.
Então, pára de olhar aproveitemos a beleza aqui.
Oh, não... Estes... estes são qualquer coisa.
Estes... oh, meu Deus!
Giska, pára de olhar para os sapatos!
Giska, ouviste-me?
Pára de olhar para os sapatos e vai buscar as velas para o Shabat!
Sim, Mamã.
"Bendito és Tu, ó Eterno, Adonai, Rei do Universo,que nos santificaste...
"com Teus Mandamentos, e nos ordenaste acender as velas do santo Shabat."
- Amen. - Amen.
Papá? Papá, quero ser médica.
- Cilla, ajuda a tua mãe com a sopa. - Sim, papá.
Papá, ouviu? Disse que queria ser médica.
- Papá, quero ir para a Universidade em Cluj. - Acho muito boa idéia, Giska.
- Moshe! A única rapariga, e a única Judia. - Uma médica?
Não vais ser a única Giska. Eu também quero ser médico.
Não é suficiente que te tenhas graduado num só ano, e ser a melhor da tua classe?
Giska! Não é suficiente?
Não, Papá. Não é suficiente.
Dra. Perl? Dra. Perl.
Sim.
Os sapatos!
São lindos.
Vamos levá-los.
Era suposto eu ir buscá-la, e trazê-la. Não acompanhá-la numa expedição pelas lojas.
Em Sighet a Dra.Perl costumava ter as coisas à sua maneira.
Eu sei. À maneira dela. Ela apanhou-me desprevenida
Ouve, Didi. Depois do que ela passou, temos de a ajudar. Da melhor maneira que podermos.
Eu sei Papá. Eu sei, mas olha para aqueles sapatos novos. Ele nem tem um vestido decente.
Certo...
Sarah, que se passa?
Rachel. Minha querida irmã. Rachel, Rachel, morreu.
Giska, encontrei Rachel.
- Rachel, vais no nosso combóio? - Sim.
- Vou olhar pela tua mãe, não te preocupes. - Gisella?
Quando Rachel... Quando ela morreu...
Quando morreu Rachel, sim...
Ela estava só?
Dra. Perl, eu olharei pela sua mãe. Não se preocupe.
Não!
Isso deu-me que pensar.
Penso que é melhor, que alguém estivesse com ela. Que alguém estivesse a seu lado.
- Você tem certeza disso? - Sim, eu sei que estava.
Sim.
Isso é bom.
Sim.
MANHATTAN HOSPITAL GERAL
- Tenho de voltar a trabalhar. - Eu tenho que fazer isso, Papá.
Pára Giska! Não há mais médicos no mundo?
Não há médicos mulheres em Sighet. - E queres ser a primeira?
E não há médicos ginecologitas.
Não quero que percas a tua fé. Não quero que deixes fé a que obedeces, o Judaísmo
- Não Papá não abandonarei... - Não, és a minha filha mas velha.
A minha querida menina.
Deves casar e ter filhos e ser uma boa Judia cumpridora. Ser humilde.
Eu posso casar, e ser uma boa Judia cumpridora,
E ser mãe, e ser médica.
Dá vida como mãe. Isso deve bastar.
Dar vidas como mãe, e salvar vidas como médica.
Não compreende. Papá? Eu podia ser muito, muito importante.
- Por que tens de ser tu? - Quem mais podia ser?
Não podes ser, ao menos por uma vez, ser como as outras raparigas?
- Papá, vou fazê-lo sentir orgulho. - Minha filha, eu já tenho.
Então vou torná-lo mais orgulhoso. Veja este livro.
- Sim, eu lembro-me. - Eu juro, Papá. Eu juro sobre este livro:
Onde quer que eu vá, onde quer que a vida me leve, e sob quaisquer circunstâncias...
eu sempre... sempre, me manterei, uma boa, fiel Judia.
Dra. Perl? Dra. Gisella Perl?
- Dra. Perl? - Sim!
Olá. Sou Esther Jacob do Comité Americano da Junta de Apoio Judaico.
Olá. Encontrámo-nos em Paris, há alguns meses...
- E consegui-lhe a passagem. - Oh! E conseguiu-me a passagem.
Eu lembro-me.
- Óptimo! Vamos? - Sim.
- Desculpe Esther, mas... - Sim.
preciso de trabalhar de novo como médica.
Com certeza, que irá. Vai tabalhar. Vamos resolver isso, está bem?
Você não compreende. Se não puder trabalhar...
não consigo viver.
O que tem de compreender, Dra. Perl, é que para trabalhar neste país...
precisa de pedir primeiro a cidadania Americana.
- Ah, sim! - Com certeza.
Você tem também de passar nos exames da nossa Comissão médica. E eu não penso que você...
- esteja á altura dessa exig... - Desculpe Doutor, mas estou certa que compreende...
A Dra. Perl temo seu visto temporário. Nós solicitámos a cidadania.
- O Congressista Bloom... - E Eleanor Roosevel...
a pedido de Eleanor Roosevelt, já pôs tudo isso em andamento.
Bem, é muito bom. Então talvez possamos andar com as coisas mais rápidas, aqui.
- Óptimo. - Tem aqui, algum dos seus diplomas?
Os meus diplomas, Doutor? Gostaria de saber onde estão os meus diplomas?
Também eu. Também eu. 122
Por agora eu faço isso. Tudo bem. Tudo bem.
Então, isto é o que tem de ser por algum tempo.
Está bem. Está bem.
- Como está a correr? - Correr?
Os estudos. Para os exames?
Assim, assim.
Sabe, tenho de dizer isto. Vocês Americanos estão...
muito longe, atrás dos Europeus, nos avanços médicos.
Lamento muito, mas muito atrás.
Você deve ter sido um diabo de médica lá na Hungria.
- Isso foi alguma coisa que ouviu? - Não, mas eu imagino que era.
Pois.
"Manterei puras e sagradas, ambos, minha vida e meu coração."
O que era eu. O que eu era.
"E evitarei todas as más práticas intencionais que possam ser prejudicias."
"Mas se as transgredir, por má prática minha, então, que o oposto caia sobre mim."
Não é maravilhoso?
Mazel tov!
- Mamã! - Imre?
- Imre, que é? - O raio vai entrar dentro de casa.
Vem á Mamã. vem. Vem! Vem cá!
O raio não te faz mal, meu amor. Vai ficar fora de casa, onde ele pertence.
Oh, meu Deus, Imre, silêncio. Fecha os olhos. Não olhes, sim?
Não olhes. Isso mesmo.
Ah, Vou cantar para ti, e assim não ouves o trovão, sim?.
Isso mesmo. Está tudo bem.
Oh, minha querida.
E agora, um dos meus favoritos pessoais, De Strauss, a valsa "Danúbio Azul".
Ele aperta bem o meu dedo. Mantem-no bem apertado.
Brindemos, a um feliz e saudável bebé Jacob. O nosso bebé.
- L'Chaim! - L'Chaim!
- Gisella, Vamos. Acompanhe-nos, um L'Chaim, para o bebé. - Com certeza. L'Chaim para Jacob, sim.
L'Chaim!
Mas sabes, Didi, uma cesariana não era necessária.
Podia ser completamente evitada.
Se eu lá estivesse, não haviam problemas. Nenhuns problemas.
- Aquilo talvez não fosse permitido... - Não foi minha decisão, Mico tentou...
- Fará o parto do nosso próximo filho. - E o seguinte, e o outro a seguir...
Eu acho... Eu acho que não é correcto. Lavar tubos de teste para gente sem capacidade...
enquanto outros decidem se posso ou não posso trabalhar, ah! Não está certo. E vocês sabem isso.
- Vocês, e toda a gente sabe disso. - Esther! Esther!
Mas que exames são esses?
Coisas que eu aprendi em Cluj, há 25 anos, quando rapariga.
Com licença! Com licença!
- Sou o Dr. Ruben. Gisella Perl alguém a viu? - Eu sou a Dra. Perl.
- Preciso de ajuda, por favor. - O que é?
É uma emergência. Por favor, por favor.
Sou oncologista. A minha mulher está em trabalho de parto, os obstretas estão ocupados.
Chamaram um cirurgião, mas não sei...
O bebé está preso. Mas não quero que a operem.
Compreendo. A anestesista medicou-a?
Não. Ainda não. Esther Jacob falou-me em si a semana passada.
Eu confio nela. O meu pai era ginecologista em Cluj. Andre Abrams.
O Dr. Abrams está cá? Ele podia ajudar-me com os meu papéis.
Infelizmente ele não sobreviveu. Lamento. Por favor, venha.
- A sua mulher também é Hungara? - Sim. Chama-se Eva.
Eva.
- Passe-me um desinfectante. - Imediatamente, Doutor.
- Dê-lhe uma bata, por favor. - Aqui tem.
- Acalma-te. - Que está ela a fazer aqui?
Ela é uma especialista. Dra. Gisella Perl.
Ela ainda pode trabalhar. Ainda não fez os exames na Ordem.
Ela vai estar presente, e não vai operar a menos que ela pense que é absolutamente necessário.
Eva é minha mulher. Agora por favor afaste-se e dê espaço à Dra. Perl.
- Tudo bem, está bem, faça à sua maneira. - Eva, sou a Dra. Perl.
Agora, vamos respirar rápidamente, e não force percebe? Estamos bem, agora. Estou consigo.
- Há quanto tempo está com contrações? Quanto tempo? - 18 horas.
- Como tem ela suportado isso? - Tem estado em total esforço toda uma hora.
- Qual é a posição? - Frontal.
Eva, ouça-me. Ouça. Muito bem. Respiração rápida. Rápida.
Vou examiná-la, e depois virar o bebé. Mas não magoo o bebé, está bem?
Muito bem. Respiração rápida. Muito bem. Bom. Bom.
Deus, ajuda-me. Hoje tenho de trazer esta vida ao mundo.
- É tão lindo! - Você... você é o nosso salvador.
- Parabéns, Papá. - Obrigado. Obrigado.
Se o bebé fosse uma menina dava-lhe o seu nome.
É o que costumo pedir a todas as minhas pacientes.
- Deus a abençoe, Dra. Perl. - Chame-me Giska, Todos os meus bons amigos o fazem.
Faziam.
- Você será recompensada por isto. - Não, não, não.
Fomos ambos recompensados de certo modo. Não pode recompensar-me mais.
- Bem vinda, senhora. Cuidado. - Oh! Didi, isto é perfeito.
Posso ver pacientes no primeiro andar, e viver no segundo, tal como fazia em Sighet.
Sighet, Sighet, Sighet...
Sim. Sim. Didi, isto é maravilhoso.
Fez o parto desse bebé, para ele lhe dar este apartamento mobilado em Central Park?
- Sim, eu disse-lhe que preferia Manhattan. - Em vez de quê?
- Queens, onde Michael e eu vivemos? - Eu disse-lhe o que era certo fazer, Didi,
para me retribuir.
Mas não acha isto um pouco excessivo?
Ele confiou em mim. E, eu salvei-lhe o filho, portanto...
Sabes, um filho é um grande presente, Didi. O maior presente. Um presente sagrado.
E poder estar em posição de fazer isso acontecer...
- Isto está vazio. - O quê?
- As suas malas, não têm nada dentro. - Muito bem, não tenho nada.
- Então por que as trouxe? - Não pensa que posso encher...
Bem, tenho que ir. Tenho que cuidar do meu bebé.
- Dê um beijo meu a esse lindo bebé, sim? - Está bem.
Dra. Perl.
Doutor, por favor.
Entre. Rápido. Rápido.
Venha. Já a segurei. venha, venha. Tenha calma.
Pobrezinha.
Shhh, Elizabeth. Você não conhece os novos tempos.
Já tinha ouvido falar em si. Não sou Judia, mas não sabia para onde mais ir.
Veio ter comigo. Estou muito satisfeita. Oh, desculpe, desculpe.
Mas sabe? Eu devia falar com os seus pais.
Os meus pais morreram. Eu moro com o meu Tio.
Ele obriga-me a trabalhar. Não posso ir á escola.
Foi ele que fez isso?
Oh, meu Deus!
Todas as noites se embebeda. Ele vem direito a mim e eu luto sempre com ele.
Luto sempre. Mas hoje, quando fui para o celeiro, ele, ele...
Eu não quero voltar. Preferia morrer.
Não vai morrer, minha querida menina. E também não vai voltar para ele.
Não. Vai ficar aqui connosco. Temos muito espaço. E vai voltar para a escola. Agora, venha, venha.
- Eu posso trabalhar. Eu trabalho muito. - Acalme-se agora, acalme-se.
Vou levá-la para dentro e deitá-la, sim? Precisa de descansar. Precisa de dormir.
Obrigada, doutora.
Giska? Está? Giska?
- Sim. - É Jonas Ruben.
Espero não estar a incomodá-la.
Doutor Ruben, este apartamento é tão lindo. Vou pagar-lho tão rá...
Não se preocupe, não se preocupe. Fico feliz por você gostar.
Ouça, quero ser o primeiro a dizer-lhe.
Você passou o exame final.
- Giska, está aí? - Sim, Dr. Ruben.
Jonas, por favor.
Ouça você deve começar a...
trabalhar assim que tiver a sua cidadania aprovada.
Sim, mas já que fala nisso pergunto, há aí alguma coisa, algum tipo de problema?
Parece estar a demorar tanto.
Seja paciente Gisketa,
Muitas formalidades, só papelada. Nada com que se preocupar.
Sim? Nada?
Nada, prometo.
Então são muito boas notícias. Obrigada, Dr. Ruben.
- Jonas. - Jonas. estou-lhe muito grata. Obrigada.
O salão não pode continuar sem ti, meu amor. O teu público espera-te.
- Tão lindo! - Bem vinda Mamã.
Já era tempo! Onde estiveste?
- Ah! O trabalho dum medico nunca acaba. - Agora o poema que escreveste.
- Cameça com isso. - Sim, é tão bonito.
Não papá. Papá!
Giska, diz a fala de Ofélia, cena um do terceiro acto.
Que querido irmão. Meu querido David. Sempre foi um pequeno Shakespeare!
Mas não para mim. Para Helen. A segunda mulher doutor na família.
Basta! Basta! Demasiados doutores.
Talvez qualquer coisa para Rosie ou Cilla? Vamos Cilla. Deve haver alguma coisa que queiras,
Uma coisa que ambas queremos. Cantar.
- Sim, conta comigo. Sim? - Vamos cantar.
Dra. Perl, queria começar por felicitá-la por ter passado nos seus exames de medicina.
Sim? Obrigada.
O INS pediu-lhe para vir aqui hoje, porque há questões levantadas...
- acerca do caso do pedido de cidadania. - Pode responder a isto?
Perguntas? Que tipo de perguntas? Questões...
- médicas? - Se é uma questão de competência médica... - Não! Não! - ...garanto-lhe...
- Questões éticas, Dra. Perl. - Não compreendo.
Perguntas sobre o que aconteceu durante a guerra.
Que quer dizer, durante a guerra? Durante a guerra, como hei-de saber,
eu estava em Auschwitz. Talvez não esteja claro no meu pedido.
Não, o que você fez durante a guerra.
É só burocracia. Uma formalidade.
Se poder apresentar testemunhas, pessoas que possam testificar o seu carácter.
Oh! Eu posso testificar que...
- Testemunhos do passado. - Um minuto, por favor. eu... eu...
Desculpe, mas não conheço ninguém de Sighet aqui em New York neste momento.
Ninguém que tenha sobrevivido. Óbviamente não há testemunhas que possam testificar...
Talvez possa encontrar alguém. Você nunca sabe.
- Que está em questão no meu caracter, por favor? - Pode sentar-se. Esteja á vontade.
Sente-se, Dra. Perl.
Como você sabe Dra. Perl, você é um dos primeiros refugiados a chegar a New York.
Confirmámos que é quem diz ser.
Pensa que eu ia fingir? Quem mais pensa que eu podia ser?
Há muita gente a entrar no país, Dra. Perl, Bons e maus. E você deve compreender...
- A Dra. Perl é muito respei... - Não, não. Agora já sei. Eu compreendo.
Você está a dizer-me que sou suspeita de ser uma das más. É?
E a pedir-me que lhe prove que sou uma das boas.
Dra. Perl, sabemos que esteve em vários Campos.
Campos? Isso é o que vocês chamam a Auschwitz e Bergen-Belsen, na América?
Campos? Lugares onde as vossas crianças fazem as férias?
- Senhores, certamente compreenderão... - E nós sabemos que enquanto esteve nesses Campos...
pelos seus previlégios, como médica, você teve contactos muito próximo com os Nazis.
Contactos muito próximos.
Próximos, sim. Sim, uma pistola na tempora, uma bota na garganta.
Contactos muito dolorosos.
Você trabalhou como médica ao lado de médicos Alemães. Médicos Nazis. Sim ou não?
- Os médicos Alemães estavam lá, claro, mas... - Médicos Nazis!
E você colaborou com eles? Sim, ou não?
- Gisella! - Senhores, fazem alguma idéia do que ela passou?
Gisella, por favor. Por favor sente-se. Está tudo bem.
Por favor.
Muito bem.
Por favor tomem notas. Todos vocês. Por favor tomem notas.
A Mamã teve que entregar todo o dinheiro aos Nazis. Portanto vai pagar-lhe com jóias.
Não, não Martha. Diz à tua mãe que é muito amável. Ela pode pagar-me depois da guerra.
Não, foi o que disse...
- Ela insistiu. - E e o Papá concordou.
Não, não posso aceitar isso. Agora não. Ajudamo-nos uns aos outros como podermos. Sim?
Agora, vão directamente para casa e digam aos vossos pais o que eu disse. Sim?
- Katya, Marta, vão. - "Atenção, gente de Sighet.
"A partir de agora há um toque de recolher das 23:00 às 06:00 horas..."
Mas os Húngaros são aliados deles, Papá. Você não me dá ouvidos.
Ouça o Frederick. Diz-lhe o que lhes ouviste.
- Moshe, os Alemães... - Não vamos saír de Sighet.
Como acreditas? Como sabes se Cilla está segura?
Helen na carta dela, diz que ela chegou a Budapeste.
- Elas estão juntas? - Não sei, Mamã. Sim. Suponho que estão.
Elas têm que voltar. Giska, tens de as fazer voltar.
Não. Elas não devem voltar aqui, Mamã. Reze para que estejam seguras onde estão.
- Papá, temos ter calma. Mas não teime... - Então e Bela? Chandor, Julius...
Mamã são homens adultos. Podem bem cuidar deles,
e das famílias deles e estão a fazer o mais certo que podem.
- Mas você e o papá... - Eu não vou para lado nenhum sem o Papá.
Ouça o que eu digo. Ouça!
Ainda temos tempo. Temos contactos e muito dinheiro. Você e o Papá vão juntar-se a Rose na Palestina.
Não somos todos como tu. Não podemos começar tudo de novo.
Esta é a nossa vida. O nosso mundo. Sighet é a nossa casa Giska.
Sempre será a nossa terra!
- Papá, por favor. - Papá...
os Alemães vão destruír-nos.
Os Hungaros não permitirão. Nenhum povo civilizado o permitirá.
Os Hungaros ajudam estão com eles, Papá. Vejo-os a caminhar juntos, lado a lado.
- Então Sighet não permitirá. - Moshe! Moshe! Sighet é só uma cidade.
É só mais uma cidade.
- Giska tem razão. Você precisa... - Ouve.
Nós somos uma família. Ficamos juntos.
Juntos!
Helen, tenho boas notícias para si. Boas notícias nestes tempos terríveis!
- Boas notícias para mim? - Bem, pode ser.
- Que dizer... finalmente? - Sim, se lhe der o meu nome.
O meu marido vai ficar tão feliz.
Obrigada, Dra. Perl. Se não fosse você, isto não era possível.
Não, não, foi Deus que quiz que assim fosse. Eu fiz tão pouco, sou apenas uma médica.
Abram!
Abram a porta!
Que se está a passar?
- Revistem a casa toda! - Como se atreve invadir a nossa casa?
Tu! Traidor.
- Vamos. Por aqui. - Vocês deviam ter vergonha?
- Que estão a fazer? - Calados!
Não podem comportar-se assim!
Não está certo, invadir esta casa!
- Larguem-me. - Você tem que vir connosco.
- Por quê? Ele é um médico. - Largue a minha filha.
Moshe!
Porca! Vamos!
Larguem-me! Gisella!
O GHETTO DE SIGHET UM MÊS MAIS TARDE
JUDEUS ENTRADA PROÍBIDA
Papá!
- Imre! Depressa. - Papá!
Charlotte, traz água.
Vejam o eles lhe fizeram! Oh, meu Deus.
- O quarto seguir é melhor. - Charlotte, dá-me a água.
Toma. Toma isto.
- Toma estes comprimidos. - Remédios?
Sim, Elizabeth, contrabandeou-os para cá, para mim. toma, Frederick.
- Dr. Junger, como está ele? - A febre está muito alta.
David, tens de tomar isto.
- Toma. Vá lá, estás a arder em febre. - Não consigo engulir.
Tenta. Tenta por mim.
Muito bem. Muito bem.
Dr.Junger, quando é que o libertaram?
Ontem. Eles decidiram súbitamente que eu não tinha nada para lhes dizer.
Por quê levá-los, então? Por que lhes batem? Por que fazem eles estas coisas horriveis?
Por nenhuma outra razão, mas encher-nos de mêdo.
Magda, por favor. Está tudo bem, tudo bem.
Amanhã, Giska. Amanhã eles vão levar-nos daqui.
- Amanhã? - Para onde?
- Polónia. - Polónia?
Vai deitar-te, Charlotte. Vai-te deitar.
Bem, talvez pelo menos fiquemos todos juntos, não?
Então e Cilla? Bela? Todos eles?
Mamã, não sei. Mas eles são muito fortes.
Eles estão a cuidar bem de si mesmos, e...
e sabe, talvez não queiram que nos preocupemos com eles.
Toma.
Temos que chegue para nós todos.
Mete no teu sapato. Caso seja preciso...
Frederick, isto é a sério? Suicídio?
Eu prefiro morrer às minhas mãos, que dar esse prazer a qualquer sacana.
- Eu também. - Shhh, calada, por favor.
Não quero que a mamã e os outros ouçam o que dizes.
Giska, mete isso no teu sapato. Por favor.
Não demorem. Todos em fila.
Desculpe.
Gisella!
Desculpe.
Gisella!
Gisella!
Frederick, aqui.
Desculpe.
- Onde está o Dr. Junger? Onde estão eles? - Mortos.
Eles tomaram o veneno. Mas Charlotte sobreviveu.
Charlotte, ele deu-lhe muito pouco. Ela deve estar algures nestas filas.
Não a consegui encontrar.
- Giska! - Papá, está tudo bem.
Aqui. Fique aqui.
Charlotte. Charlotte Junger?
Gisella! Giska!
Dra. Perl. Onde está a Dra. Perl?
- Dra. Perl! - Só Judeus.
Elizabeth!
Dra. Perl! Deixe-me ir com eles.
Deixe-me ir com eles. Não!
Dra. Perl. Por favor parem o combóio.
Por favor!
AUSCHWITZ
Auschwitz.
Giska. Querida Giska.
Jura-me. Ver-nos-emos um ao outro na Terra Prometida.
Prometo que sim, Papá. Prometo.
- Água. - David. David.
Água.
Mulheres para a direita, homens para a esquerda.
Água. Água.
Depressa.
Rápido! Rápido!
...homens para a esquerda!
Rápido!
Mulheres para a direita, Para a direita!
Um momento, por favor. O meu irmão... senhor, o meu irmão está muito doente. Tem pneumonia.
Estou a ver. Precisa de cuidados médicos. Vamos tratar bem dele.
- Levem-no para a ambulância. - Giska, por favor, vem comigo.
Sim. Sim. Óptimo.
- O meu filho pode ir com ele? - Sim, Se você quiser.
- David. David... - Levem os dois, para a ambulância.
- Vou voltar depressa. - Imre, Espera lá por mim, por favor.
- Onde fica o hospital? - Muito perto. Siga. Siga.
Em fila. Continuem a andar.
Depressa. Sigam.
Entrem.
Frederick! Papá!
Giska! Não te preocupes. Vamos ficar bem.
Diz á tua mãe para ficar contigo.
Giska. Encontrei a Rachel.
- Rachel, estavas no nosso combóio? - Sim.
- Viste Charlotte Junger? - Não.
- Como está Isabel - Fraca e com sêde.
Oh, minha querida Isabel.
Oh! Giska!
Dra. Perl. Dra. Perl, vou cuidar da sua mãe.
Mamã!
Não se preocupe. Vou cuidar da sua mãe.
Depressa! Vamos, depressa!
Cala-te, porca Judia!
- Que estás a fazer? - Eu sou médica.
Volta para a fila.
E você atreve-se perguntar-me de que lado estava eu. Veja.
Aí tem. Consegue ver? Escreva isso.
Sou a Dra. Perl, número 25404.
Prisioneira. Não colaboradora.
- Dra. Perl, bom dia. - Bom dia.
Espero que compreenda que ontem, não tínhamos intenção de perturbar de modo algum...
Não, não. Compreendo. Bom dia, senhores.
Permitam-me que lhes apresente a minha amiga Didi Goldstein.
- Bom dia. - Menina Goldstein, bom dia.
- Continuamos, onde ficámos. - Sim.
O combóio chegou, a sua família foi separada, você foi levada para desinfecção,
O seu cabelo foi rapado. Uma mulher foi agredida na cabeça, você tentou ajudar, mas não pôde.
- Depois tatuaram-lhe o braço. Estou correcto? - Sim.
Dra. Perl, não tenho a intenção de a ofender com isto.
Mas temos de estabelecer a sua relação como médica no Campo.
Em Auschwitz, sim.
Sim, agora, antes de ser tatuada, você disse áquela mulher...
Você deve lembrar-se que esta mulher era uma guarda nazi.
Você disse a essa guarda nazi...
que era médica. Foi nessa altura que começou a trabalhar como médica?
Não. Hunca mais a voltei a ver. Elas eram muitas.
Não, não foi assim que comecei.
- Isso não foi nessa altura. - Então como? Como se passou?
Foi voluntárimente? Alguém a nomeou?
Você diz que não colaborou. Foi obrigada a trabalhar contra sua vontade?
Não, eu...
Ofereci-me voluntárimente. Mas... por favor.
Naquela altura eu não fazia idéia das coisas que teria que fazer.
Vamos. Vamos.
- Desculpe. Sabe onde é o hospital? - Shhh!
- Você sabe para onde levaram os homens? - Não sei.
Meu Deus, onde estão eles?
Por que se está a beliscar?
Para ter cor nas minhas bochechas. Para evitar ser escolhida.
- Por que demorou tanto tempo? - Desculpe?
A comer caviar, enquanto nós apodrecíamos aqui.
Você habitua-se.
Eles têm que nos queimar a todos, antes que os Russos cheguem.
Charlotte.
- Charlotte Junger. - Cale-se.
Dou-lhe dois dias. Depois, acabou-se!
Charlotte!
Atenção.
Atenção! Atenção!
- Que temos aqui? - Uma bailarina.
Uma bailarina?
- Queres dançar para mim? - Papá?
Bravo. Bravo. Bravo.
Devo...
Não. Não, não, não. Ela é tão bonita. E tão boa bailarina.
Obrigada, Papá.
Encantado. Vem.
Têm alguns médicos aqui?
Atenção!
- Há aqui médicos? - Não há médicos, ahn?
Nem sequer um?
Atenção! Há médicos aqui?
Nenhuns médicos?
Ah! Finalmente!
- Que tipo de médica é você? - Ginecologista.
Ginecologista?
Ginecologista? Excelente. Faz medicina privada, ou está ligada a alguma cliníca?
Tenho um consultório. Estudei em Cluj e em Berlim.
Berlim? Sim. Eu devia conhecê-la.
Eu também estudei em Berlim.
Sabe, você tem um ar autoritário, que acho impressionante.
É uma atitude que admiraria, e respeito em qualquer um, mas num médico, é maravilhoso.
Obrigada, senhor.
Desculpe, senhor, eu sei, mas, se me permite...
se... se me poderia ajudar a encontrar o meu filho.
Ele foi levado para a enfermaria ontem à noite, .
- Compreendo. - e... e...
Ele está á minha espera. E eu estou preocupada com ele.
E eu sei que ele deve estar muito preocupado comigo...
Claro, qualquer bom filho ficaria preocupado com a sua mãe, sim.
- Sim, e eu gostaria de o ir lá visitar. - Certamente. Podemos fazer-lhe isso.
- Sim? - Sim.
Talvez entretanto pudesse passar-lhe uma mensagem.
- É um prazer. O nome do rapaz? - Imre
Imre Krauss.
Irme será informado de que a sua mãe está bem. Certo?
- Obrigada,senhor. Só mais uma coisa, por favor. - Por favor, com certeza.
Desculpe-me, mas se posso...
- Por favor, continue... - O meu irmão está muito doente, e minha mãe...
Por favor, por favor. Você, o seu marido, e a sua mãe, toda a sua família...
estarão juntos de novo, muito em breve.
- Sim? - Sim.
Obrigada. Obrigada, senhor.
Gostava de lhe pedir um pequeno favor. Sim?
Você é Hungara e eu Alemão. Penso que as mulheres a devem ouvir melhor a si, que a mim.
Agora. Nós acabámos de construír uma casa para mulheres grávidas
Como verá, elas terão todas as condições, camas limpas, boa comida e cuidados médicos, claro...
Agora, custar-me-ia que elas tivessem que andar.
Temos algumas viaturas da Cruz Vermelha. para lá as levar.
Mas, a questão é, quanto mais cêdo as podermos meter nos camiões...
mais cêdo podem receber os cuidados que merecem.
E sabe, quase me sinto envergonhado por ter que dizer isto.
Elas estão tão desesperadamente necessitadas.
Sim? Então, podia fazer isto por mim?
Poderá reunir as mulheres grávidas, e levá-las até ao fim?
- Sim? - Claro que posso. claro que posso ajudá-lo.
Muito obrigado.
- Não, não, muitíssimo obrigada. - É muito amável.
Desculpem!
O Dr. Mengele, disse-me que há uma casa para as futuras mães.
Há lá boas camas, banhos, cuidados médicos, boa comida...
Estes carros da Cruz Vermelha, levam-nas para essa casa.
Para aquelas de vocês que estão grávidas, esta parece-me ser uma boa opção, sim.
Você pensa realmente que pode ser grande, grande, forte e poderosa, "Herr" Doutora?
De que está a falar?
- Vai mandar todas as mulheres para a morte. - Ele disse...
Você não sabe quem é ele, o Dr. Mengele? Ele é o médico da morte.
Não aqueles camiões são da Cruz Vermelha.
Então onde estão os trabalhadores da Cruz Vermelha, Doutora?
Mas...
Eu quero o meu filho e o meu filho ajudou o meu irmão...
mandaram-nos num carro da Cruz Vermelha ontem à noite,
- ambos eles. - Shhh!
O seu irmão e o seu filho foram levados para onde aquelas mulheres estão a ir.
Para onde os mandou.
Não, não, o Dr. Mengele prometeu levar uma mensagem a lmre.
Ah! Dr. Mengele prometeu levar uma mensagem a Imre.
- Sim! Sim! - Para a enfermaria.
A enfermaria é uma câmara de gás. Um crematório.
- Não! Não! - O seu filho está morto.
Olhe. Veja além.
São carros da Cruz Vermelha do Dr. Mengele. Vê-os?
Você é a grande médica, hein? Que cheiro doce é este no ar?
Certamente já o cheirou antes, se você realmente é médica?
Ouça. Ouviu isto? Sabe o que é ser queimada?
Carne humana. compreende?
Carne humana.
Você tomar o veneno, isto foi uma tentativa de se matar?
Dra. Perl?
Sim, o conhecimento do que estava a acontecer. Foi o que...
o que aconteceu. o crematório, Imre. Imre, meu filho...
Era... Era demais. Sabe... Aquilo era demasiado.
Lamento a sua perda.
Agora, este primeiro dia, foi esta a primeira vez que soube, das câmaras de gás?
Sim.
E você livremente, admitiu mandar todas aquelas mulheres para morrerem nas câmaras de gás?
Eu fui enganada. Fui ameaçada. Voce não ouviu o que eu disse?
Tal como aquelas mulheres foram. Mas excepto que eu sobrevivi, e... e...
Você compreende o que o Dr. Mengele disse sobre...
daquelas mulheres serem mandadas para tratamento?
Eu era médica e como médica queria que isso fosse feito.
Eu acreditava queria que haveria uma enfermaria para todas.
Mas eu era nova.
Naquela altura, não compreendi o que significava "cuidados médicos" para as mulheres grávidas.
Então estes "cuidados" foram então elas irem para as câmaras de gás?
Normalmente, sim. Por vezes, faziam experiências com elas.
Você participou em algumas dessas experiências, Dra. Perl?
Nem sob pressão?
Eu teria pedido que me fuzilassem a fazer qualquer experiência em grávidas, ou não.
Então você não assistiu o Dr. Mengele.
Discutimos agora sobre semântica? Se ajudei o Dr. Mengele? Sim. Pela vossa definição, sim,
naquele primeiro dia, sem saber.
Mas assim que soube o destino daquelas mulheres,
as mulheres que eu pensava estar a ajudar, mas em vez... caí em mim, assim que soube...
jurei que nunca mais haveria uma mulher grávida em Auschwitz desde que eu o pudesse evitar.
Palavras fortes, Dra. Perl.
Sim, palavras. Que são as palavras, Sr. Prentiss?
Não há nenhumas que descrevam o que eu vi.
Vamos parar para o almoço? Estaremos aqui às duas horas. Se isso convêm a todos?
Claro. Claro.
Oh, meu Deus!
Acaba sempre tão cêdo?
Não vou lá voltar.
Porquê?
Ela falou de Rachel?
Ela falou de Rachel, não falou? E de Isabel. Diz-me.
Ela só falou sobre ela.
Dra. Perl, voltemos ao assunto do aborto...
a que ser referiu antes do intervalo.
Você diz no seu pedido de visto, que você efectou pessoalmente mais de mil abortos?
Isso está certo, sim, mas, sim, algo perto disso.
Não sei qual foi a intenção, Dra. Perl, mas esse é um numero aterrador.
A intenção para que serviu, Sr. Prentiss,
foi um muito importante propósito. Salvar a vida das mães.
Salvar as vidas das mães? Mulheres que você nos disse que estavam todas destinadas a morrer.
A intenção dos Nazis, Sr. Prentiss, era matarem-nos todos nós.
Até ao último Judeu.
De fome, fuzilar-nos, humilhar-nos queimar-nos, gasear-nos, todos deviam morrer.
Qualquer coisa, desde que resultasse em morte.
- Bem, nós compreendemos Dra. Perl... - Mas a minha intenção, como médica...
como qualquer outro ser humano como nós, era sobreviver. Eu aguentei.
E eu forcei... eu forcei outros a aguentarem...
porque, eu nunca perdi a esperança que os Russos, ou talvez mesmo vocês...
mesmo vocês, pudessem encontrar-nos e por fim ao morticínio.
Portanto, enquanto vocês combatiam a vossa guerra...
eu combati a minha.
Talvez me faça lembrar. Talvez possa explicar isto...
- uh... - Senhores, por favor.
É tudo tão simples.
As mulheres que estivessem grávidas eram mortas.
Eu abortei fetos para que as mães pudessem sobreviver. Compreendem?
Se eu pudesse salvar a vida da mãe...
e se ela pudesse sobreviver, poderia se fôr essa a vontade...
de Deus, ela pode um dia dar à luz outra criança.
Ninguém pode exterminar o Povo Judaico, enquanto as mulheres Judias tiverem bebés.
Houveram bebés nascidos em Auschwitz?
Sim, alguns, mas...
os recém nascidos eram imediatamente exterminados com a mães.
Mas essas mulheres estavam separadas dos homens. Como é que ficavam grávidas?
A maioria das mulheres grávidas em Auschwitz já chegavam assim.
Quanto ás outras... algumas eram violadas pelos SS...
algumas vendiam o corpo por comida, nas latrinas.
Era? Nas latrinas?
Sim. Haviam homens, prisioneiros a trabalhar que tinham acesso a esta área.
Mas, ainda assim. mil mulheres grávidas. Não acha esse número...
Sr. Prentiss, Auschwitz não eram umas poucas tendas no bosque, era como uma pequena cidade.
Havíamos 30.000 de nós só no sector ds mulheres Hungaras.
Mil, em 30 mil, é na verdade, muito pouco.
Você disse antes, que o Dr. Mengel fazia experiências nas mulheres grávidas?
Sim. Em ambos, no feto e na mãe.
Sem anestesia.
Com nenhum outro propósito que o seu próprio prazer perverso. Ele ...
Nada disto parece real, que ele não usasse anestesia, mas exigisse instrumentos esterilizados.
Ele não é psra compreender.
Se você não estava presente nestas experiências,,,
como sabe que aconteceram?
Porque estas mulheres me eram trazidas depois, para tratamentos.
Para que pudessem voltar ao trabalho. A maioria delas não sobreviveu.
Isto só me encorajou a fazer abortar mais mulheres grávidas.
Dra. Perl, penso que estamos a ter alguma dificuldade...
- para compreende a situação que descreve. - Está bem, está bem.
As mulheres de Sighet foram as primeiras.
As que eles escolheram no dia da selecção. Ouviram falar de mim e elas escolheram-me.
A rapariga que me trouxe aqui disse que você me conhece.
- Dra. Perl! - Meu Deus, Leiku. Leiku. Leiku!
- Você pode ajudar-me? - Sim claro, que posso.
Eu não queria fazer isto, mas se Mengele descobre, sou mandada para o gás.
Eu sei disso. Calma. Escuta.
Quando saírmos deste inferno, tu e o teu marido...
podem ter outra criança. Uma criança livre.
- Demorou tanto tempo... - Calada! Não podes acordar o guarda.
Estás bem? Agora deita-te de costas. Por favor.
Ouve. Respira muito lentamente pelo nariz. Compreendes?
- Posso ver o meu bebê? - Sim podes, com certeza. Mas deita-te.
- Oh! Não! - Não fales, por favor.
Silêncio. Quieta. Acalma-te
Leiku, depois podes ter outro filho, prometo-te.
Portanto você abortou o feto de Leiku?
Não. Quer dizer, sim, sim. Mas o feto de Leiku não sobreviveu
Mas se você não tinha acesso à enfermaria nesse lugar...
Mesmo na enfermaria, mesmo na enfermaria, se assim se pode chamar...
haviam muito poucos instrumentos, Sr. Prentiss.
Mas você disse que o Dr. Mengele usava instrumentos? Instrumentos esteril...
Sim. Usava. No bloco de experimencias. Bloco 11. Mas ele não trabalhava na enfermaria.
Antes de você chegar à enfermaria e abortar estes bebés...
Fetos.
Como foi possível você fazer isso, sem instrumentos?
Com as minhas mãos nuas, Sr. Prentiss.
Sim.
Desculpe, Dra. Perl, mas você parece não ter remorsos por nenhum desses actos.
Perdoe-me Sr. Prentiss, mas você parece não ouvir.
Por que havia eu de sentir remorsos, por salvar as vidas de mil mulheres?
Eu arriscava a minha própria vida, sempre que fazia isto.
Se alguma vez soubessem, a qualquer altura também seria mandada para o gás. Que remorsos?
Essas histórias, Dra. Perl. A sua lógica...
Um momento, por favor. Por favor pare de escrever, por favor. pare!
Pare de escrever, por favor.
Sim.
Meus senhores, Auschwitz era outro país,
um país com as suas próprias regras e a sua própria lógica.
E essas regras mudavam dia a dia. De situação para situação.
Nós, que lá estávamos, que vivemos aquilo,
não nos podíamos julgar umas às outras. Portanto seria impossível...
Não. Não. É absurdo,
para si, um homem, aqui sentado para me julgar.
- Sim. - Boa noite, Dra. Perl.
É o Dr. Mengele que fala. Estou tão satisfeito por a encontrar. Eu preciso...
Quando foi que pediu um hospital para mulheres em Auschwitz-Birkenau, Dra. Perl?
- Quando pediu o hospital para mulheres? - Eu não me recordo exactamente.
Lembro-me que o meu cabelo tinha começado a ficar completamente branco, e...
Eu não sei. Talvez, dois meses depois de lá ter chegado.
Por causa do Dr. Mengele?
Sim, por causa do Dr. Mengele.
Médicos judeus, dêem um passo em frente. Vamos abrir uma enfermaria para as mulheres.
Todos os médicos judeus, um passo em frente.
- O seu nome? - Dra. Ruth Stern de Budapeste, oncologista.
Óptimo.
Outros médicos, um passo em frente.
Mais perto. Mais perto. Vira-te para eles.
Todos os médicos Judeus, um passo em frente. O seu nome?
O seu nome?
Mais ninguém?
- O seu nome? - Dra. Gisella Perl. Sighet.
Ah, sim, a ginecologista.
Muito bem. Então vamos ver-nos muito, um ao outro.
Exactamente, que fazia você no hospital, ou como lhe chama, na enfermaria?
Tratávamos os doentes e feridos, tão bem quanto podíamos.
Não tinhamos ligaduras, apenas este tipo de papel, e quase nenhum medicamento.
- Vamos, volta ao trabalho. - Desculpe...
Com sua licença, mas esta paciente, precisa de descansar só um dia.
O pé dela está infectado e eu não acho que ela...
Pang!
Vem.
Ponha essa mulher de volta esta tarde, ela está apta para trabalhar.
Acalme-se, está tudo bem.
Dra. Perl, a nossa informação indica, que um dos seus pacientes era um oficial das SS.
Isso é verdade?
Não quero acreditar.
Continua a insinuar, que isto era algo que eu escolheria?
- Que de bom grado ajudaria um Nazi? - Responda à pergunta, por favor.
Sim. Irma Griese chamou-me aos aposentos dela.
Entre.
Porque achava que estava grávida.
Tens que me extraír. Há instrumentos esterilizados no armário. Vai buscá-los.
E se falares disto a alguém, sabes, acabo contigo.
Não direi uma palavra..
És uma boa médica.
Pena que tenhas de morrer. A Alemanha precisa de bons médicos.
Irá doer?
Vai sentir uma dor aguda, pressão...
Depois começa a ter cãibras e homorragias.
Espera um minuto. Quanto tempo vai doer? Não suporto nenhum tipo de dor.
Sim. Não é muito tempo. Algumas horas. Depois deve descansar. E ficar na cama um tempo.
Agora, por favor...
- Obrigado Dra. Perl, Penso que é tudo por hoje. - Vemo-nos amanhã, à mesma hora.
Um momento, por favor. Há mais um dia depois disto?
Só mais algumas perguntas.
Não posso acreditar, aqueles tipos dos Yankees, perderam de novo.
Custou-me dez dólares.
Pois, é o que acontece quando se apoia um perdedor.
De Auschwitz, num minuto baseball no seguinte,
esta transição é tão fácil para vocês, não é?
Dra. Perl, garanto-lhe, Isto é difícil para todos nós ouvirmos.
Sim, Sr. Schuman tenho a certeza que tem razão, os senhores,
desculpem, tenho de tentar de compreender uma coisa.
Encontrei uma revista, há poucos dias. Sr. Prentiss, talvez, deve estar a par disso.
A revista chama-se Commonweal,* e é uma publicação católica. (*Bem Público)
Nesta revista há artigos sobre os Campos, como vocês tão amávelmente lhes chamam.
Isto foi há três anos. Você sabia. A América sabia.
Vocês... todos vocês sabiam. E sentaram-se aqui, e não fizeram nada?
Nada?
Nada?
- Desculpem. - Por favor, por favor, Sr. Prentiss.
Por favor, deixe-me acabar.
Até amanhã.
Quando estávamos a ser massacrados, no verão de 1944, que estavam vocês a fazer?
Sr. Smith? Você passeava pela praia com a sua esposa?
Fazia um piquenique na praia?
Eu não compreendo realmente.
E você, Peter Schuman, meu parceiro judeu, que fez para ocupar o seu tempo?
Ia ao Templo ou batia bolas de basebal com o seu filho?
O meu filho foi morto no Dia-D.
O corpo nunca foi recuperado.
Perdoe-me. Deus, me perdoe. Perdoe-me.
Lamento tanto. Sinceramente sinto muito.
Mas ter que explicar o que aconteceu, eu... eu desorientei-me.
Lamento pela perda do seu filho. Peço-lhe o seu perdão.
Até amanhã.
Dra. Perl? Sou só eu, Dra. Perl...
Marta Weiss. De Sighet.
Eu nunca acreditaria que um dia estaria a caminhar a seu lado na América.
Eu, a andar assim, com a grande Dra. Perl.
E ninguém... ninguém acreditaria.
Talvez você possa convencer estes funcionários a acreditarem.
- Eles não acreditam que é uma grande médica? - Ainda não, mas quem os pode censurar.
Eles nunca estiveram em Sighet.
Sabe, eles têm a sua Park Avenue com o seu Central Park...
- mas nós temos o grande Corso, e o rio... Tisza. - E o rio Tisza.
- Há mais raparigas de Sighet, aqui. - Sim?
Sim, não sei quem elas são, mas a mulher da UJA disse-me que estão cá.
É bom. E em breve vamos ter saraus, e estaremos a viver como lá,
- E eu também posso ir? - Você, querida, vai ser a convidada de honra.
O seu cabelo voltou a escurecer.
Shh, shh. Eu pintei-o. Eu sou demasiado jovem para ter cabelo branco.
Dra. Perl. Recebemos uma carta duma mulher que chegou recentemente a Nova York.
Uma mulher chamada... Zozia...
Bem, de qualquer modo, esta Zozia escreve, que...
foram recusados tratamentos à irmã dela, na enfermaria porque ela não lhe podia pagar.
Como consequência morreu.
Sim, eu lembro-me do caso.
Essa mulher conhecida por a "zombie" a "Walking Dead".
Nós tinhamos muito poucos medicamentos, mas nada que a pudesse salvar.
Foi muito triste, na verdade.
Então você nunca pediu pagamento pelo tratamento?
Absolutamente não.
- Estou autorizada a falar? - Decerto. Por favor.
A Dra. Perl, A Dra. Perl salvou a minha vida na enfermaria.
E eu não sou a única. Ela salvou tantas... Eu vi-o com o meus próprios olhos..
Ela não pediu nada. Ela só deu.
- Eu posso dizer-lhes... - Gostava de ouvir.
Eu não podia andar. Estava muito doente.
Minha irmã, Katia, era muito forte. Ela práticamente carregou-me para lá.
- A Dra. Perl de Sighet, está aqui? - Martha, Katya!
Ruth, preciso que me ajude.
Ela escondeu-me durante todas as seleções.
Se o Dr. Mengele tivesse descoberto, decerto teria sido fuzilada.
O outros médicos também ajudaram...
Para as vossas camas.
Ela manteve-me lá mais duma semana...
Ajudou-me, alimentando-me com as rações dela...
trocando-as por margarina, até eu ficar mais forte.
- Eu... eu, devo à doutora... - Está bem. Está bem.
0 Dr. Mengele estava aterrorizado com as doenças, tifo, em particular.
Era comum em Auschwitz, que em qualquer altura...
mandassem um barracão inteiro de mulheres infectadas, para serem gaseadas...
junto com ambos os barracões dos lados.
Por outras palavras, 3.000 mulheres assassinadas por um caso de tifo.
Eu tinha certeza de que Marta tinha tifo.
E se ele tivesse sabido disto, íamos para o gás, todos nós. Médicos e pacientes.
Ele viria em momentos inesperados pedir-nos amostras de sangue.
Não era a primeira vez que fazíamos isto. Nem a última.
Apressa-te, Gisella.
Depressa, Giska.
Muito bem, estende os braços para eu ver.
Quando Marta estava lá, os médicos, todos nós cinco, tirámos o nosso próprio sangue...
e marcámos os tubos com os números das tatuagens dos pacientes.
Nós estávamos saudáveis. Estes outros tubos foram os que entregámos ao Dr. Mengele.
- E resultou? - Sempre.
Sim, mas isso não é tudo.
A Dra. Perl salvou-me vida muitas... muitas vezes.
- Então a sua irmã também sobreviveu? - Não.
Não. Ela foi apanhada quando um dia fomos buscar comida.
Quando Irma Griese atingiu a minha Katya na cabeça.
Katya. Katya, vem.
Eu queria tentar trazê-la à Dra. Perl, mas eu não era suficientemente forte.
Não conseguia levantá-la.
Precisamos da... Dra., Dra. Perl.
Você vai lá acima, e toma um bom banho quente, sim? Tenho maravilhoso óleo de banho de Paris.
E enquanto faz isso, faço compras e vamos fazer um óptimo jantar juntas.
- Não se importa se eu ficar consigo? - Oh, querida, você é uma dádiva de Deus.
- Agora vá. Tome o seu banho. Vá. - Está bem, está bem...
PÃO KOSHER
Gisella Perl?
- Zozia? - Não pode servir essa mulher.
Doutora. Doutora, por favor, a minha irmã. Está muito doente.
Vê?
- Não, não, ela não resistir. Lamento, Zozia. - Tem de a ajudar, ela morrerá.
Ela não passa desta noite, Zozia. Desculpe. Não há lugar.
Não pode, por favor deixá-la morrer aqui? Com alguma dignidade?
- Veja, não há nenhum lugar. - Por favor. Imploro-lhe. Imploro-lhe!
Por favor, ela matou a minha irmã!
Ela matou a minha irmã!
Você não é médica. Você é uma assassina.
Uma assassina!
Saia do meu caminho.
Oh! Pardon!
Madame? Conheço-a?
Não.
Já nos conhecemos?
- Penso que o vi hoje. - Quem?
Mengele. Dr. Mengele.
Ele parece diferente. e o sotaque era francês, mas isso não quer dizer nada.
Podia ser um disfarce.
- Ele se atrevia-se a vir para New York? - Claro, ele soube que eu estava aqui.
- Por que terá vindo só por si? - Porque... porque eu sei.
Eu sei as coisas que ele fez.
Eu vi as experiências. Eu vi as coisas que ele fez àquelas mulheres.
Venha. Não demora muito.
Só por uma questão de interesse seu. Venha.
Nas suas funções, quantos gémeos diria você que trouxe ao mundo?
Você não sabe? Deve saber.
- Por favor, diga-me. Eu gosto de saber. - Talvez, dois. Dois pares de gêmeos.
Alguma vez você já teve uma mãe que concebeu múltiplos pares de gémeos?
- Não. - Bem, então, tenho um caso muito especial para si.
Temos uma mulher no Campo cigano. chegou grá... não, está grávida de gémeos,
mas... Isto é o que a faz muito especial.
Ela já tem filhos gémeos idênticos, com 12 anos.
Rapazes maravilhosos. Robustos. Devia vêr a maneira como jogam futebol.
Devia ver a forma como surripiam os chocolates do meu bolso.
Rapazes muito espertos. Começo a ter muita ternura por eles.
Assim, uma mulher que já teve gémeos espera agora mais dois pares de gémeos.
- Impressionante, não é? - Sim.
No Campo ciganos forneceu-nos espécimens muito fascinantes.
Ainda temos que determinar se os gémeos por nascer são idênticos. Vamos saber em breve.
E quando o fizermos, que interessante oportunidade de poder estudar os rapazes,
e estas disciplinas ao mesmo tempo. Grande precedente. E claro, estudaremos também a mãe.
Ela é a única que nos pode fornecer a chave necessária para revelar o mágico...
segredo atrás da concepção de gêmeos.
Desculpe, mas não há magia, Dr. Mengele.
Nenhum segrêdo a revelar, nós já sabemos como as coisas ocorrem...
Sim, sim, mas Dra. Perl, se pudessos isolar os óvulos de uma mulher que tem gémeos...
poderíamos nós então, aplicar esse processo noutras mulheres?
Especificamente nas mulheres Arianas? Pense nas implicações, ahn?
Sim.
Que maneira engenhosa de duplicar a pura raça Ariana.
Então temos em primeiro lugar de eliminar todos os contaminadores do sangue ariano.
Uma mulher do mundo, com suas qualificações, a sua erudição, a sua cultura...
- sem dúvida fala francês, oui? - Sim, eu falo bem francês.
Maravilhoso! Sabe, eu sabia que tinhamos mais em comum do que o amor à medicina.
Mesmo sendo cigana, ela compreende a língua Alemã surpreendentemente bem.
- Portanto, você e eu, hoje falamos francês. - Sim, de acordo.
- Voilà. ela não parece forte? - Sim.
Quando eu a vi na plataforma com os gêmeos, Sabia que ela era alguém extraordinária.
Dois pares de gémeos.
Sim. Temos de cuidar muito bem de si, hein?
E... e você, você fez um trabalho muito bom.
Uma colega juntar-se-á a nós, e vai observá-la...
Eu tenho que me desinfectar.
Não, não, você não. Você não. Não é necessário. Você comece.
Olá. O que vai acontecer aqui hoje, sabe?
Sim. Sou uma prisioneira. Só estou aqui para me ajudarem a nascerem os meus bebés.
Está bem?
Estão que espera você? Meninos, meninas?
Não sei.
- Talvez um menino e uma menina. - Talvez.
Tudo muito bem.
Oh. meu Deus, que fiz eu?
Meu Deus! Que fiz eu?
Deus meu perdoe! Deus meu perdoe!
Oh, meu Deus!
Que fiz eu?
Mas você não tinha escolha, Dra. Perl.
Você nunca magoou nenhuma de nós. Tudo o que fez foi ajudar.
- Vou contar-lhes isso amanhã, Dra. Perl. - Oh meu bom Deus, perdoa-me.
Normalmente damos-lhe injecções de fenol no coração. É mais limpo, claro.
Talvez fosse difícil decidir, assim foi melhor.
Dra. Perl, por favor limpe o sangue no ventre dela,
Os sonderkommader* receberam instruções sobre o falecimento dela. *(Presos que trabalhavam nos Campos)
- Falecimento? - Pois. Sim. Rápido por favor.
- E metam-na no camião, já. - Sim.
Temos de ser rápidos. E limpem esta sala do chão ao tecto.
Céus, que confusão.
Vamos, vamos vamos.
Dra. Perl, Você é bem vinda para observar, claro.
Não. Os meus pacientes. Tenho que voltar para eles.
Como queira.
Oh, meu Deus, manterei puros e sagrados ambos, a minha vida e o meu coração.
Sim. eu... eu manterei puros e sagrados ambos, a minha vida e o meu coração.
"E em todas as casas onde entre, entrarei para ajudar os doentes...
Para ajudar os doentes!
Sim! E abster-me-ei de todas as más práticas intencionais que possam ser prejudiciais.
Sim. Meu Deus. bem se eu, cumprir este juramento...
implicará que não apenas que ganhe para sempre, reputação entre todos os homens...
para a minha vida, e para o meu coração.
"mas se eu o transgredir e a ele renunciar, então...
"possa o oposto cair sobre mim.
Possa o oposto caír sobre mim.
Papá. Papá, perdoe-me, peço-lhe.
Perdoe-me, Papá. Papá.
Ó Papá, perdoe-me. Papá.
Fiz tudo o que podia, Papá. Prometo-lhe.
Prometo, eu tentei, eu tentei acreditar.
Mesmo naquele inferno tentei, tão fortemente acreditar.
- Imploro-lhe. - Não, por favor...
Doutora... Doutora. Dra. Perl?
Dra.Perl! O kapo* partiu-me o braço. Esperam-me para trabalhar cerca das 20... *(Guarda do Campo)
Tem de esperar atrás das outras. Essas mulheres esperaram tratamento todo o dia.
Doutora!
Um momento.
Sente-se. Estenda o braço.
Porque eu não tenho nada a minha irmã morrerá? Dra. Perl, está a ouvir-me?
Ou todo o pão que tem recebido lhe entope os seus ouvidos?
Por favor, meu Deus. Meu Deus, perdoe-me por Zozia.
Meu Deus...
Perdoe-me por negar ajuda àqueles que não tinham nada para me dar.
Eu estava apenas a tentar viver.
É um crime querer viver?
Queres viver? Queres viver Giska?
Sim.
Ouve-me. Ouve.
Como médica, és incrível, Giska. Um milagre para nós.
Sim, nós rimo-nos de ti quando lhes falas dos teus saraus lá em Sighet.
Recitar-lhes poemas e cantar-lhes canções, enquanto os vês morrer.
Tudo o que tenho para os tratar são palavras, Ruth. Não medicamentos. Só palavras é tudo.
Palavras ou medicamentos, Giska, todos eles vão todos morrer. E também nós.
Não, não, não. Não compreendes. No minuto em que perderes...
a esperança, é o minuto em que começas a morrer, minha amiga.
Como?
Giska, como podemos manter a esperança, se já entregámos as nossas almas?
- Eu não entreguei nada. - Por que vives nesse mundo de fantasia?
- Estás a falar de quê? - Giska, vê no que te tornaste.
- Como te atreves a acusar-me? - Shhh! Shhh!
Veremos como és valente, quando Mengele te seleccionar para te levarem...
- Não te estou a acusar de nada. - Sim, estás a acusar-me.
Ouve o que digo. Eles vão levar-nos a todas para as câmaras de gás.
Eu recuso a câmara de gás.
Eu não morrerei aqui. Ouviste-me?
Não. Eu recuso-me.
Eu recuso o gás.
Eu recuso.
-Eu recuso!- Eu não queria morrer.
Eu não queria morrer, Papá.
Eu lembro-me que queria ser médica quando era pequena.
E eu tornei-me médica.
Uma muito boa médica. se assim posso dizer.
Eu sei que estas crianças que ajudei a trazer ao mundo, foram uma dádiva.
Não minha, mas de Deus.
Mas tudo mudou quando fui deportada para Auschwitz...
e depois comecei a trabalhar lá como médica.
Vocês sabem de algumas coisas que lá fiz, pelas mulheres grávidas.
Mas, sim, eu também mandei, por desconhecimento...
muitas mulheres para a morte um dia depois da minha chegada.
E, sim, algumas das coisas que lá fiz...
Alguns procedimentos que fui forçada a lá usar...
não foram honrosos.
Portanto, você tem razão. Eu tenho sangue em minhas mãos.
E acreditem, eu vejo isso tão claramente como vocês podem ver essa tatuagem aqui no meu braço.
Ambos eles me identificarão para sempre, como tendo sido médica em Auschwitz.
Não só para o mundo exterior, mas... para mim mesma.
E eu sei que é muito difícil para vocês compreenderem, senhores...
não tendo estado lá. mas é a verdade...
eu só fiz o que tinha que fazer para sobreviver.
Aqueles de nós que não sobreviveram, talvez de certo modo, sejam os melhores de nós.
Minha família.
Frederick, o meu marido. Minha mãe e meu pai.
David, todos os meus irmãos. Imre, meu filho.
Eles não vão juntar-se a mim aqui. Não haverá regresso a casa, para eles.
Portanto, por que me permitiu Deus sobreviver? Ninguém sabe.
Tenho de acreditar que foi para que possa ajudar a trazer mais crianças ao mundo.
Crianças livres. Crianças com possibilidades de viver.
Compreendem, se eu pudesse ajudar a vir ao mundo uma criança Judia...
e ela crescesse até ter filhos e eles tivessem filhos,
então os Nazis não teriam vencido. Compreendem isto? Sim?
Um milhão de crianças inocentes foram mortas por Mengele.
Eu quero trazer um milhão de crianças ao mundo.
Até ao dia que morrer, tenho de ajudar a reconstruír...
o que os Nazis tentaram tanto destruír.
Por favor senhores, permitam-me fazer isso, aqui na América. porque...
se eu não puder, então, creiam-me. Deus não devia ter-me permitido viver.
Por favor.
- O que está a passar-se? - Os russos estão aqui. Os russos estão aqui.
Simone...
Simone, o teu bebé é livre, Simone.
O teu bebé é livre.
O primeiro bebé a nascer livre em Auschwitz.
Apesar de algumas das suas acções durante a prisão...
poderem ser questionáveis...
as suas intenções não eram.
Estas acções estavam continuamente centradas na sua sobrevivência...
e na sobrevivência das mulheres ao seu cuidado.
Nós portanto aprovamos o seu pedido de cidadania.
Dra. Perl, a sua secretária acaba de telefonar. Ela disse...
Olga, que espere por mim. Estarei lá em meia hora.
Ela disse que era uma emergência. Uma mulher está...
a entrar em trabalho de parto. Tenho aqui as suas coisas. Pode ir imediatamente.
Olga que mande a mulher para aqui.
Olga disse que ela não quer ir para o hospital. Fica aterrorizada com hospitais.
Ela vive no Lower East Side. Aparentemente, esta mulher conhece-a, de Sighet.
Oh, meu Deus.
Obrigada. Obrigada.
Obrigada.
- Dra. Perl? - Sim!
Aqui em cima. Aqui em cima.
Oh, meu Deus!
Rápido! Minha mulher, por favor. Aqui em cima.
- Onde está ela? - Está aqui. Ela falou em si todo o dia.
- Você tem um avental? - Sim, aqui. hum...
- Aqui. Leve. Leve. - Obrigada.
Ela está aqui.
Ferva um pouco de água. Arranje lençóis limpos e aqueça-os. Depressa.
Aqui está a sua Dra. Perl. Aqui está ela.
Leiku! Oh, Leiku! temos muito tempo para chorar, Leiku. Temos trabalho a fazer, não é?
Respira lentamente. Respira fundo e calmamente. Isso mesmo.
Respira. Respira.
Deus ajude-me. Devo ser capaz de trazer de novo vida hoje.
Uma dádiva, Leiku.
Uma dádiva de Deus. Finalmente.
A Dra. Gisella Perl passou a fazer uma florescente...
prática privada na Cidade de New York.
trazendo ao mundo mais de 2.000 bebés antes de emigrar para Israel em 1981.
Uma vez em Israel trabalhou no Hospital Shaare Zedec em Jerusalém.
Morreu em 1988.
Legendas blueindigo
o PRODUTOR AGRADECE ESPECIALMENTE AO HOSPITAL SHAARE ZEDEK EM JERUSALEM INC
ALÉM DAS CINZAS
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