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A hist�ria � fict�cia.
Semelhan�as com pessoas, vivas ou mortas, � mera coincid�ncia.
Todos terminaram?
T� legal. A pergunta era:
"Quem � o mais pobre do nosso grupo?"
Um voto pro Thom.
- Desculpa. - Obviamente foi o Robert.
Dois votos pro Thom.
Tr�s votos pro Thom.
Thom � o mais pobre.
Meu pai nos abandonou, t�?
Ele n�o deu um tempo pra nos planejarmos.
Foi embora sem avisar. Que bom que est�o se divertindo.
Thom, isso � o que fazemos. Somos s� n�s. Sempre fomos n�s.
� bobo e idiota de prop�sito. � s� um jogo.
Que voc� sempre parece ganhar.
Quem � a mais bonita? Mais inteligente?
A mais prov�vel a ter sucesso, a mais prov�vel a ser rainha?
Susan.
Enquanto isso, sou eleito o mais pobre
e Debbie � eleita a que deve perder peso.
Com licen�a, fui eleita isso uma vez depois de comer um saco de Doritos.
Meu Deus, Bret, onde voc� estava?
Te liguei o dia todo. N�o atendeu.
�, por onde andou, Bret?
Parece cansado e mais p�lido do que o normal.
Para. Ele est� aqui agora.
Estamos jogando voto secreto. Faz a pergunta.
Quem � o Traineira?
- N�o, n�o � sexy o bastante. - N�o.
Prefiro algo como melhores peitos, que eu venceria.
Mas como contadora dos votos, eu aceito.
Bret, � hora de votar. Vota.
Tamb�m fui eleito o mais bonito, o que deve ter o maior pau,
melhor h�lito e melhores pelos p�bicos.
Ei, eu venci esse. Adorei aquela pauta.
Melhor bunda, melhor sorriso.
- T�. - Entre outros.
Um voto pro Bret.
Debbie, � a sua letra.
O que posso dizer? Anda obcecado com mortes.
Um para os Cavaleiros do P�s-Vida. � aquela seita?
Que t�dio.
Um pra Rhonda Sincera.
Meu voto, obviamente.
Eu gostava dela, mas agora sei que ela � louca.
Disse que eu era uma criminosa diante de todos quando abri m�o da coroa.
Voc� � uma lenda agora.
Passou 45 minutos na cadeia e foi solta.
Mesmo assim, meus pais tiveram que ir. Minha m�e perdeu a cabe�a.
- Teve choro, foi humilhante. Voc� n�o viu. - T�. Quem se importa?
A Srta. March of Dimes se retratou na hora,
disse que estava confusa.
Os pais dela a levaram pra um hosp�cio no Tennessee,
que � o lugar dela.
Sua reputa��o est� em alta, Su Su. Por que a amargura?
Tem raz�o.
A Rhonda � perturbada. Ela passou por muita coisa.
Quero retirar publicamente meu voto secreto e me abster.
Ainda estou um pouco abalada.
T� legal, um voto pro Robert.
Ei, dois votos pro Bret, o vencedor.
Parece que � o Traineira.
Parece que sim.
Querem saber por que n�o conseguiram falar comigo nas �ltimas 18 horas?
Obviamente.
Eu passei a noite na delegacia prestando depoimento.
O qu�? Por qu�?
Matt Kellner est� morto.
Merda.
Achei a cabe�a dele.
Algu�m queria que eu achasse.
ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: E-MAIL | loschulosteam@gmail.com
A morte do Matt Kellner mudou tudo.
LINHA POLICIAL - N�O ULTRAPASSE
Eu n�o era mais a �nica pessoa preocupada.
Todos que me acusaram de paranoia
n�o podiam mais negar que havia um assassino entre n�s.
A escola ficou fechada por uma semana, e, quando reabriu,
houve uma presen�a policial que duraria o ano todo.
Os interrogat�rios come�aram.
Todos tinham virado suspeitos.
Se quer saber como o Traineira se infiltrou
no campus da escola na noite do baile,
deve se lembrar que est�vamos em 1981.
N�o havia celulares, c�meras de seguran�a, registros digitais ou detectores de metal.
Tudo isso foi depois do 11/09.
EXCEL�NCIA DOS GRIFOS
Eram s� pessoas na �poca. Se atrapalhando e fracassando.
Voltamos � vida normal o melhor poss�vel,
esperando que a normalidade retornaria.
- Que bom que veio, Sr. Ellis. - Desculpa.
LER PARA SUCESSO ESCREVER PARA HABILIDADE
Por que est� no meu lugar?
Sei l�. Deu vontade.
Por que trocaram os lugares?
Mist�rio pra outro dia, Sr. Ellis. Sente-se em qualquer lugar.
Um sequestro, um assassinato e uma investiga��o ativa,
e ainda nem � Halloween.
Muitas pessoas na minha posi��o provavelmente mudariam o programa,
mimariam voc�s,
mas eu n�o vou fazer isso aqui no �ltimo ano, Shakespeare 101.
Romeu e Julieta � uma pe�a sobre morte,
obsess�o, ang�stia e amor.
Fala sobre como � ser um adolescente.
Ato 1, cena 3, Julieta ainda n�o tem 14 anos,
e Romeu deve ser um pouco mais velho.
Uma garota de 13 anos, um rapaz de 15.
Uma garota da 8� s�rie e um rapaz do 2� ano.
Srta. Reynolds, fez uma careta.
Alunos da 8� s�rie n�o entendem o amor.
S�o imaturos at� pra almo�ar fora do campus.
Tem raz�o. E os do 2� ano?
O Romeu tem a sua idade.
Adolescentes acham que est�o apaixonados, mas isso passa.
No come�o, � muito intenso,
mas depois passa ou desaparece da noite pro dia.
A� o que resta � o h�bito.
Isso � besteira.
Que diferen�a faz a idade deles?
Os c�rebros est�o subdesenvolvidos e cheios de horm�nios.
- O Thom leu? Ele est� bem? - N�o podem amar?
N�o devia fazer voc� querer se matar.
Romeu e Julieta s� mataram eles mesmos. Faz sentido pra mim.
Fale sobre isso.
Se est� apaixonado e se mata, isso � morrer uma vez.
N�o poder estar com a pessoa que ama � como morrer todo dia.
- Morrer uma vez, morrer todos os dias. - � mesmo? � como morrer todos os dias?
Ou eles teriam superado assim que conhecessem algu�m novo?
Quantas pessoas conhece que terminam, agem como se fosse o fim do mundo,
e logo acham o novo amor da vida?
Romeu e Julieta deveriam ter superado.
N�o � a abordagem mais rom�ntica, Srta. Reynolds, mas eu gostei.
H� espa�o no clube do livro de educadores divorciados,
- se topar. - Est� errada. Eles s�o almas g�meas.
A Julieta � especial. Ela n�o � uma vadia da 8� s�rie.
Ela � um anjo.
Anjos n�o s�o vadias.
Anjos n�o s�o vadias.
ANJOS
Parece uma boa �rea pra explorar no seu artigo, Sr. Wright.
Susan est� com Deus; Ela era boa demais para mim:
- O que foi? - Nada.
Est� me encarando.
N�o posso olhar pra minha namorada?
Olhe pra onde quiser. N�o ligo.
S� acho muito triste.
O que � muito triste, Thom?
N�o acha que Romeu e Julieta devem ficar juntos.
A pe�a se chama Romeu e Julieta.
E da�? Tem um desenho chamado Tom e Jerry.
Eles tamb�m devem ficar juntos?
T� bom, Thom.
Eles s�o perfeitos, e temos que acreditar em voc�,
pois nunca saberemos, porque Romeu e Julieta se mataram.
Exatamente.
Isso prova o quanto eles se amavam.
Talvez n�o devessem ficar juntos.
- Talvez fosse pra ser um lance de Verona. - Um lance?
Sim. E quando sa�ssem de Verona�
Por que sairiam de Verona?
- Pra conhecer outros lugares. - Tipo?
Mesmo agora, como nos tempos modernos, h� poucos lugares no mundo.
Se pensar bem, talvez uns 100.
Do que est� falando?
Claro, Toledo � um lugar, mas voc� nunca vai pra l�.
Ent�o, na pr�tica, ele n�o existe.
Tem alguma curiosidade pelo mundo l� fora?
Voc� se importa com algo al�m das coisas que vivencia pessoalmente todos os dias?
N�o. E voc�?
Sim.
Ent�o se importa com Toledo?
Claro, e me importo com Roma e Paris�
Se importa mais com Toledo do que comigo?
Susan, voc� se importa mais com Toledo do que comigo?
� loucura. N�o farei isso.
E n�o vou corrigir seu artigo nem escrev�-lo como sempre.
Termine a tarefa sozinho.
Eu te amo, Susan. Eu morreria sem voc�.
Quanta press�o. N�o quero estar com algu�m que precisa de mim pra sobreviver.
� o centro do meu universo, minha Terra.
Esse � o Sol. O Sol � o centro do universo.
"Julieta � o Sol.
Erga-se, belo Sol,
e mate a Lua invejosa,
que j� est� doente e p�lida de tristeza
por voc�, sua serva, ser muito mais bela do que ela."
"N�o jure pela Lua,
a Lua inconstante que muda a cada m�s em seu orbe,
para que teu amor n�o se prove igualmente vari�vel."
Thom,
eu preciso de espa�o.
O que isso significa?
Acho que devemos terminar.
- O Robert te mandou fazer isso? - O Robert?
Ele est� te manipulando. O Bret tem raz�o.
Desde que ele chegou, voc� mudou completamente.
- Isso n�o tem nada a ver com o Robert. - Claro que tem.
Meu Deus, Thom, isto aqui, este � exatamente o problema.
Sou eu quem est� terminando com voc�, e sinto muito, mas�
Voc� n�o acha que � real porque somos adolescentes.
N�o.
Eu n�o acho que isso � real porque n�o �.
Eu n�o estou mais apaixonada.
Ei.
Pode me trazer uma faca de carne?
Sim, senhor.
- N�o. Ei, senta. - N�o.
- Senta. - N�o. Solta.
Senta!
Aqui est�, senhor.
� esta, bem aqui.
Podemos ir ao banheiro e cortar.
Ningu�m vai perceber. N�o vai doer.
Ser� como adormecer em um banho quente.
Esta?
Bem aqui?
Podemos nos abra�ar enquanto morremos.
E quando morrermos, podemos nos encontrar no �ter como um s�.
Me d� a faca.
Vai se foder, Thom.
Vai se foder, Thom.
Vai se foder. Qual � o seu problema?
Acha que eu terminaria minha vida
em um ch�o de banheiro sujo
do Hamburger Hamlet por um cara que chegou no auge no �ltimo ano?
Nunca diga isso pra mim.
N�o est� falando s�rio. Isso � o Robert na sua cabe�a.
N�o preciso do Robert. N�o preciso dele. N�o entende? N�o preciso de ningu�m.
Eu tenho potencial.
Tenho uma grande vida pra viver.
Tenho sonhos.
Acabou, Thom.
Acabou.
- Vou embora. - N�o. N�s n�o�
- N�o terminamos de conversar. - Vou embora.
- Voc� � doente. - Eu sei.
Posso mudar. Serei diferente. Serei quem voc� quiser que eu seja.
Posso ser diferente. Me fala.
Eu� eu n�o quero que voc� seja diferente.
Quero que voc� seja voc�.
- Eu me odeio. - N�o, voc� � perfeito, t�?
Ent�o por que ningu�m fica?
Se sou t�o perfeito, por que todos me abandonam?
Eu n�o estou te abandonando, Thom.
Estarei na sua vida por muito tempo.
N�o.
N�o estar�.
Os amantes morrem.
Est� me amea�ando?
S� estou lembrando o fim da hist�ria.
Macbeth, ato 4, cena 3.
"Fa�amos rem�dios da nossa vingan�a para curar essa dor mortal."
Faz sentido pra mim.
Enquanto estiver se sentindo forte,
estar� sentindo algo al�m de tristeza.
Vingan�a como cura para depress�o.
Mas se a vingan�a � rem�dio, h� efeitos colaterais.
Quem pode me dizer quais s�o?
Caos.
Caos, claro.
Mas, s�rio, pensem nisso.
O que aconteceria se machucasse quem te machucou?
Haveria revide.
"Sangue se paga com sangue."
Ato 3, cena 4.
Bingo.
A vingan�a desencadeia um ciclo infinito de revides
e contra-ataques. Como Macbeth mais do que prova,
sangue se paga com sangue at� todos morrerem de hemorragia.
Ent�o � tipo um empate?
N�o.
Todos perdem no final.
Todos perdem.
Lady Macbeth � uma das grandes vil�s da literatura.
Ser� que ela entende os efeitos domin� de suas tramas?
"Pela picada dos polegares, algo maligno se aproxima."
Que linda.
Meu Deus.
Oi.
Gra�as a Deus meu farmac�utico chegou.
Mam�e est� ficando sem estoque.
Estou uma pilha de nervos com esse Traineira.
Terry disse que vamos instalar um novo sistema de seguran�a
e tenho que bolar uma senha de 4 d�gitos.
Mas como vou lembrar dela?
Estou perdendo o sono s� de saber
que tem um monstro horr�vel por a� atacando os jovens.
Bom, voc� sabe.
Todo monstro tem motivo pra se tornar um.
Ent�o, vamos aos neg�cios.
Eu reabasteci seu estoque de Valium
e Halcion.
N�o gosto dos frascos das farm�cias.
Pl�sticos e feios.
Voc� � uma mulher de valor.
Voc� realmente pensa em tudo.
Tenho novidades.
Tenho observado os funcion�rios da casa
e, na minha opini�o,
voc� n�o est� sendo tratada com o respeito que merece.
Ent�o, tomei a iniciativa de distribuir um memorando aos empregados.
De agora em diante, ser� chamada de Srta. Schaffer�
MEMORANDO INTERNO
�e n�o Sra. Schaffer.
As pessoas deveriam ver que o Terry n�o define voc�.
Esta cidade � sustentada por mulheres como voc�.
� verdade.
Eu me arrastei pelo vidro, Steven,
com um sorriso no rosto
e uma faixa de Miss Indiana me sufocando no caminho.
Acho relaxante ser colocada em um pedestal.
Mesmo que seja o seu. Ent�o, obrigada por isso.
Bom,
diga adeus a essa paz moment�nea, Srta. Schaffer,
porque vou dizer algo que pode desestabiliz�-la.
N�o grite.
N�o fa�a esc�ndalo.
S� escute.
Eu sei sobre o filme porn�.
Que filme?
Querida, vi voc� fazer coisas que o corpo humano n�o devia tentar fazer.
Como voc� viu?
Eles prometeram que s� seria lan�ado no exterior.
Se o Lago Echo Park for considerado o exterior,
ent�o � verdade.
O qu�?
Est� passando na cidade?
Voc� e o querido beb� Ryan em uma tela
que fica mais manchada a cada exibi��o.
Deus, o que eu fiz?
Terry vai me deixar.
N�o terei dinheiro. Meu Deus, n�o terei dinheiro.
Tome um Halcion, querida. Vai ajudar.
Se pensar em contar a algu�m sobre isso�
Que Deus me ajude.
Voc� n�o sabe do que sou capaz.
Pare.
Pare agora mesmo.
Claro que seu segredo est� seguro comigo.
S� quero saber por que fez isso.
N�o sei.
Nem sei mais quem eu sou.
Ou por que fa�o o que fa�o.
Sou s� um objeto agora.
Foi o impulso vingativo de uma esposa trof�u enferrujada. O filme porn�.
- S� isso. - Tem certeza disso?
Talvez eu quisesse ser tocada de novo, mesmo que fosse em uma cena.
Me poupe do ato de O Dia do Gafanhoto. N�o engulo essa.
Uma �ltima rodada, por favor. Obrigado.
Acho que h� algo borbulhando sob a superf�cie sempre turbulenta daqui.
Posso ver seus devaneios.
Sei que quer atuar,
e acho que foi s� uma tentativa perversa
de seguir rumo a esse sonho.
"Fora, maldita mancha. Fora, eu disse.
Um, dois.
Pois ent�o � hora de faz�-lo.
O inferno � sombrio."
"O rosto falso deve esconder o que o cora��o falso sabe."
Quero que saiba que comprei todos os negativos
pra n�o precisar se preocupar com eles verem a luz do dia.
E pra te proteger do seu marido.
Steven.
Meu Deus, obrigada.
Mas vou ficar com eles, querida.
Porque preciso cuidar de mim mesmo.
O que voc� quer?
O que eu mere�o.
Terry n�o me v� como um concorrente nessa ind�stria,
ent�o vou precisar da sua ajuda pra dar vida a uma grande vis�o.
Um filme chamado Menos que Zero, e vou produzir com ele.
O namorado da Debbie escreveu um roteiro baseado no romance que est� escrevendo.
� brilhante.
Escrevi uma an�lise brilhante, e Terry nem leu.
Liz, ele n�o l�, porra.
Ele fez uma reuni�ozinha com o Sr. Ellis, mas n�o vai comprar os direitos.
Vai me ajudar a consegui-los.
Tem um papel pra voc� no projeto. Voc� � perfeito pra ele.
Torne-se, finalmente, uma estrela.
- O que quer que eu fa�a? - Toda noite, enquanto Terry dorme,
sussurre uma �nica frase no ouvido dele n�o menos que 100 vezes,
como Nancy faz com Ronnie Reagan pra colocar planos na cabe�a dele.
Qual � a frase?
"Menos que Zero render� US$100 milh�es a voc�."
Nossa pr�xima aula foi sobre Hamlet,
e os paralelos com minha vida cada vez mais irreconhec�vel
eram t�o evidentes que me senti sendo zombado.
N�s dois �ramos pr�ncipes.
N�s dois �ramos reservados,
e sab�amos que algo muito podre
acontecia dentro dos nossos reinos.
T�, preciso que leiam dos atos 1 a 3 antes da pr�xima aula.
E quero 500 palavras dos coment�rios de Shakespeare
sobre a conex�o entre mortalidade e loucura.
Obrigada.
Bret, tem um segundo?
Vamos conversar. Em particular.
Podemos pedir esta sala emprestada por alguns minutos?
Tudo bem. Mas tenho outra aula daqui a pouco.
N�o deve demorar.
Claro.
Temos mais perguntas sobre Matt Kellner.
De que tipo?
Sobre sua rela��o pessoal com o Matt.
Minha rela��o pessoal com o Matt?
�ramos apenas conhecidos.
N�o �ramos pr�ximos.
Se querem falar com quem era pr�ximo dele,
falem com Robert Mallory.
J� falamos disso com o Robert. Extensivamente.
Uma pergunta, Bret.
Foi � casa dos Kellner no dia em que o Matt sumiu?
N�o nos disse isso antes.
N�o achei que fosse importante.
Falamos sobre um trabalho de classe. Ele precisava de ajuda.
E tem outra coisa que n�o contou.
Voc� visitou o pai do Matt depois que ele sumiu.
N�o achei que fosse relevante.
- Por que visitou? - Estava preocupado com meu amigo.
Achei que n�o fossem amigos. Qual dos dois? Eram amigos ou n�o?
Ou�
eram outra coisa?
Inconsist�ncias nem sempre s�o significativas,
mas quando s�o atribu�das � pessoa que encontrou o corpo da v�tima�
�, a� nos sentimos obrigados a investigar um pouco mais a fundo.
Claro.
Isso � tudo, policiais?
Tem mais uma coisa.
No palco do Dance Off, ouviram voc�
sussurrando pra Debbie Schaffer que ela merecia vencer.
Queria muito que sua namorada vencesse, Bret?
Est�o insinuando que eu matei Cha Cha?
De onde tiraram isso? Estou preso?
Deveria estar?
Policiais, preciso da minha sala agora.
N�o se preocupe, senhora.
Terminamos aqui.
Obrigado, senhora.
Meus segredos estavam me alcan�ando.
A ansiedade por esconder minha sexualidade
fez com que eu me tornasse suspeito.
Eu n�o tinha �libi.
Eu estava fodido.
Algu�m distorceu a percep��o que tinham de mim,
e eu sabia quem tinha sido.
Robert, sei que � voc�.
ME ASSISTA
Achei que nada me assustaria mais do que ser incriminado por assassinato.
Voc� foi �timo. O projeto�
Mas eu estava errado. Isso foi pior.
Eu n�o estava errado. Nem certo. Entra, rapaz.
Sim.
Bob�
Bob�
Sim.
� rid�culo. N�o, Bob.
Preciso desligar.
Sim. Vou me encontrar com um talento.
Sim.
Voc� � doente. Sabia disso, Bob?
A gente se fala depois. Tchau.
Quer uma bebida?
N�o, obrigado.
Direto ao assunto.
Dei uma olhada no seu roteiro
e estou pensando em comprar os direitos.
Nossa.
Certas pessoas cujas opini�es ocasionalmente considero
t�m sussurrado no meu ouvido dizendo que ele � brilhante.
Levo em considera��o.
Fico feliz em saber.
Sua escrita � t�o� adulta.
Muitas vezes, hist�rias sobre jovens podem ser t�o juvenis, falsas.
Sim, exatamente.
Mas voc�, com sua escrita, d� pra ver que entende de coisas adultas.
N�o entende?
Acredito que voc� sabe como as coisas funcionam.
Acredito que entende riscos.
Acredito que entende como seria arriscado
aceitar um roteirista de primeira viagem.
Mas voc� tamb�m sabe como as coisas podem ser boas.
Coisas que podemos�
fazer um pelo outro.
N�o �?
Sim.
�timo.
N�o quer mesmo aquela bebida?
T�.
Tudo bem.
Vou ao banheiro rapidinho.
Terry estava errado.
Eu n�o entendia coisas de adulto.
S� achava que entendia.
Com o tempo, aprendi que muitos jovens cometem esse erro.
Achei que tinha o controle naquela tarde no Beverly Hills Hotel.
Achei que era minha escolha sair do banheiro,
minha escolha ficar no quarto.
Eu me lembro do seguinte.
A vis�o do corpo nu do Terry.
Ele parecia mais jovem do que era.
Objetivamente atraente, mas velho demais pra eu contemplar como um parceiro sexual.
Mesmo assim, l� estava eu, fazendo exatamente isso.
Terry me puxou e beijou minha boca.
Tinha gosto de champanhe e maconha.
Ele me colocou na cama e tirou minha cal�a.
Eu o acomodei, levantando os p�s pra que tirasse todas as minhas roupas.
Embora eu estivesse ereto,
n�o senti excita��o quando Terry chupou e acariciou meu pau.
N�o senti nada quando bateu meu pau no rosto,
fez garganta profunda e inalou.
Isso continuou por alguns minutos, at� o Terry pegar meu quadril,
me virar e levantar minha bunda.
Me perguntei se era como caras mais velhos faziam.
Eu s� tinha estado com Matt e Ryan.
Eu lembro do quanto doeu e do al�vio que senti ao deitar de costas.
Lembro que estava silencioso, exceto pela brisa l� fora
agitando as palmeiras.
E ent�o acabou.
Voltei ao banheiro e me olhei no espelho.
Achei que eu parecia sereno.
E n�o apenas sereno,
mas como se tivesse realizado algo.
Eu escolhi isso, n�o foi?
Entendia coisas de adulto.
Entendia como o mundo funcionava.
N�o era o que queria, mas n�o era t�o ruim.
Ou talvez fosse.
O que eu sabia, afinal?
Era uma crian�a.
Era meu segredo mais sombrio.
E agora n�o era nem isso.
A informa��o estava por a�. Eu tamb�m n�o podia controlar isso.
Algu�m tinha nos gravado, mas quem e por qu�?
The Beverly Hills Hotel ENTRADA
Eu s� sabia que era 1981,
eu tinha 18 anos e estava no arm�rio.
Preferia ser declarado um assassino em s�rie do que homossexual.
Hamlet � atormentado por paranoia e inseguran�a,
preso entre a��o e ina��o,
preso entre o desejo de vingar a morte do pai
e o desejo de estar absoluta e totalmente 100% certo
da culpa do seu tio.
Mas esse tipo de certeza existe?
Claro.
Como tem certeza?
Se viu algu�m fazer algo,
� a realidade objetiva.
Verdade.
Hamlet viu um fantasma. Isso parece verdade?
N�o, � uma alucina��o induzida pelo luto.
Discorda, Sr. Mallory?
Se discordo que Hamlet � maluco?
Claro que n�o.
Discordo que exista algo conhecido como verdade.
"N�o h� nada bom ou ruim, mas o pensamento o torna assim." Ato 2, cena 2.
"A dama protesta demais, eu acho." Ato 3, cena 2.
Deixe o Sr. Mallory continuar.
Perd�o, senhora.
Policiais, esta � minha sala. N�o � a academia de pol�cia.
S� precisamos falar�
com um aluno.
Sr. Mallory.
"Boa noite, doce pr�ncipe."
Voc� primeiro.
Corri pro telefone naquela tarde de outubro
esperando ouvir de novo a respira��o obscena
do Traineira.
Al�. Quem �?
N�o era ele.
Em vez disso, uma surpresa:
quem ligou foi a tia do Robert, Abigail.
Ela queria conversar pessoalmente
e o Robert nunca deveria saber.
N�o sabia se viria ou n�o.
Quer uma bebida?
N�o, obrigado.
Desculpa se pare�o um pouco a�rea.
Sa� de uma reuni�o com meu advogado.
Eu e meu marido estamos no meio de um div�rcio,
e est� sendo bem dif�cil lidar com ele.
Mas acho que ele diz o mesmo de mim.
Eu deveria ter remarcado. Desculpe.
Sim, mais uma.
Robert disse que n�o gosta dele.
Digamos que estamos sempre brincando.
O Robert n�o acha que seja isso.
Ele n�o acredita nisso.
Por que estamos aqui?
Robert fala muito de voc�. Desde o 1� dia de aula.
Disse que voc� o perturbou quando teve certeza
que o viu no cinema h� mais de um ano.
Eu sei que vi ele l�. N�o entendo por que ele est� mentindo.
Podemos ficar aqui o dia todo com voc� se esquivando da situa��o.
Por que ele foi internado?
- Como descobriu isso? - O que ele fez?
O que Robert fez pra ser colocado em um hospital psiqui�trico?
A morte da m�e dele foi o catalisador pro Robert sair um pouco do eixo,
o que � esperado, mas�
o pai dele o colocou l�.
O que aconteceu com ela?
Supostamente foi um acidente.
Caiu do andar de cima da casa dela.
Trope�ou no corrim�o e caiu, morreu instantaneamente.
Mas�
sempre houve d�vidas, sabe?
- D�vidas? - Discrep�ncias.
O pai do Robert sempre teve d�vidas.
N�o fazia sentido.
Ela tinha que estar em certa posi��o perto do corrim�o do segundo andar.
Robert n�o estava.
Mas foi ele quem a encontrou.
Ele tem um �libi?
Esque�a a m�e dele.
Apenas me escute.
O Robert veio pra LA e ficou comigo.
No ver�o de 1980.
Foi quando disse que o viu, n�?
Em maio, em O Iluminado.
Voc� tem raz�o.
Voc� viu ele.
Robert foi ao cinema.
E ele estava l� com uma garota.
Katherine Latchford.
Foi a 1� v�tima do Traineira.
Sim, a primeira garota.
Ele disse que n�o foi ao cinema porque n�o queria que fizessem a conex�o.
Eu amo muito o meu sobrinho, mas�
Mas o qu�?
Mas eu n�o sou cega.
E n�o acho que tamb�m deva ficar cego por ele.
A n�usea me dominou muito rapidamente.
Queria ir pra casa, fumar maconha e tomar Quaalude
pra ficar chapado a ponto de me aniquilar,
entrar debaixo dos cobertores e cair em um sono profundo e sem sonhos.
Agora eu sabia quem era o Traineira.
Eu tinha provas.
A pol�cia tinha descoberto a mentira?
Por isso que o levaram pra um �ltimo interrogat�rio?
Em retrospecto, naquele momento
eu s� tinha certeza de que havia algo podre na Calif�rnia.
Robert.
O que quer de mim, Bret?
Como �?
Como entrou aqui?
Eles me detiveram de novo, amea�aram me fichar.
Perguntaram sobre coisas horr�veis, coisas terr�veis,
que sou incapaz de fazer.
Acham que estou fazendo por sua causa.
Minha m�e morreu, n�?
J� n�o sofri o bastante?
Eu nunca machuquei ningu�m.
N�o � quem eu sou. Por que quer que seja?
Por que me odeia tanto?
Eu n�o te odeio.
Ent�o por que est� fazendo isso?
Por que todos se voltam contra mim?
Amigos e familiares.
� porque sou assim?
Perfeito demais?
Me mata que eles n�o veem meu verdadeiro eu. Este eu.
Com o cora��o partido.
H� algumas coisas em voc� que n�o posso ignorar.
Estamos todos assustados agora.
Deve admitir que tem um hist�rico.
� verdade. Tenho um hist�rico de instabilidade mental.
Tenho depress�o, ansiedade. Mas isso n�o faz de mim uma pessoa ruim.
Eu sou uma pessoa ruim?
Diga que n�o sou, Bret.
"Ser ou n�o ser. Eis a quest�o."
Baseada no livro de BRET EASTON ELLIS
Legendas: Rafael Magiolino
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