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Digite, por favor, os três primeiros vídeos do CPS.
Guarda a conta.
Você pode ver que ela fez o pedido.
Cris, boa tarde. Em que posso estar ajudando? Cris, não existe um nome
melhor pra essa empresa.
Dona Cris.
Você ainda tá aí, Dona Cris?
É Cris, senhor.
É Cris.
Céia Lenise, boa tarde. Dora Siri na linha. Olha, eu já liguei algumas vezes.
Eu entendo.
Eu preciso que alguém... Eu precisava que alguém resolvesse isso aí pra mim,
entendeu?
Você não entende?
Assim,
eu tenho a impressão, às vezes, que eu estou falando sozinho, você entende? Eu
entendo. Faz o seguinte, eu vou estar passando o senhor para um outro setor,
ok? Eu tento para isso, não.
Ah, me duvido.
Então, como é que eu estava te falando? Compreende, senhora, mas eu preciso do
CPF da senhora para estar entrando no sistema.
Eu estou a resolver o meu problema, mas o meu CPF não tem nada a ver com isso,
não. Compreende, senhora, mas se passa, senhora, não entendeu que eu preciso do
CPF da senhora.
Entendi. Mas vai que você é uma ladrona de CPF. Eu entendo, senhora. Mas que
parte a senhora não entendeu que eu preciso do CPF da senhora? Eu não te
conheço, dona. Como é que eu vou dar uma coisa a mim?
Vamos tomar café?
Você desligou?
Ai, pelo amor de Deus.
Você está te encaminhando para a sala do castigo.
Gente, faltam 30 minutos para a minha despedida solteira.
Está ansiosa?
Gente, eu não sei vocês, mas eu não vim nessa vida para me aborrecer.
Então, me acompanha, por favor.
Cris, desfile também.
Gente, a Amanda tá precisando de um namorado.
Ai, meu Deus.
Oi. Oi.
Tcharam!
Ai, você conseguiu! Gente, o tio Rico te emprestou um carro forte. Carro forte?
Se você não quiser ir, não precisa ir. Você pode ficar aqui trabalhando no meu
lugar. Quer? Vou adorar.
Amanda!
Quando a gente vem ao mundo, não faz a menor ideia do que vai encontrar.
Tudo é novo e tudo é possível.
Mas o bom de ser criança é que a gente sempre acredita que vai dar tudo certo.
E sempre dá, de uma maneira ou de outra.
Mas às vezes pode demorar uma vida inteira.
Ei, Belé.
Ei.
Vamos fazer alguma coisa.
Você fumava?
Onde é que você achou esse vídeo?
A gente tomou de tralha velha lá em casa.
Você fumava?
Só quando eu bebia.
Você e a mamãe ficam bebendo e conversando em casa?
Às vezes.
E era legal?
Eu não lembro, Benedito. Eu não lembro.
A mamãe gostava desses bonequinhos?
Não.
Ela achava esse troço cafona.
E nem o carro?
Por que você faz isso?
O piso lá do carro? Não, isso. Isso.
Você gosta que eu fique lembrando do dia que você mijava na cama?
Não, minha mãe disse que eu não mijava na cama.
Era você que roncava pra caramba.
Filho, passado é passado.
Sua mãe, depois de seis anos, é outra pessoa. O papai também é outra pessoa.
Tem que viver o presente, cara.
E ter o presente?
Mas tá uma merda, hein?
E aí, meu rapaz, passeando?
Tá indo pra onde?
Pra São Paulo.
Pra São Paulo? E vamos com quem?
Com esse carro aqui. Com esse carro?
Esse carro não chega em São Paulo, não.
Vamos precisar de sorte.
Vai com Deus, meu amigo.
O que é que ela estava te falando?
Ela estava muito impressionada com o seu carro.
Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes, sem crer.
Você vai rir, se perceber, felicidade é só
questão de ter, quando chover.
Melhor...
Dançar na chuva quando a chuva vem.
Ei, foi mal.
Deixa eu fazer aí um desvio de percurso, né?
Hein?
Eu tô pensando.
Que tipo de mulher que você gosta?
Hã?
Queria saber o que você via na minha mãe.
Pega uma mulher. O que é?
Como assim?
Sua mãe era um talento.
Talento. Sua inteligência, você pegou dela isso.
Ela também sabia o que queria.
Sei lá.
Ela era sua aluna?
Escrevia bem?
Isso tinha alguma coisa a ver com ela ter ido embora?
Não. Bom, talvez, né? Ela foi pra França.
Foi ficando, foi estudar.
E foi ficando. E depois nem eu sei mais, Bené.
A gente vai daqui até São Paulo falando na sua mãe, né?
A gente queria entender como é que eu saí de vocês dois.
Vocês se amavam?
É que vocês nem se falam mais hoje.
O
que
foi aquilo?
Não é isso não!
Calma Ben, vai ficar tudo bem.
Cara, eu acho que não vai dar, não. O carro tá parecendo um yakisoba.
Imagina, Benedito, esse carro é um carro comunista, da União Soviética. Foi feito
pra nunca mais ser trocada.
Vem cá, a União Soviética ainda existe?
Vai, vai.
Vai tirando onda.
Vai, vai tirando. Vai indo nessa.
Você viu se a gente passou por algum posto?
Tava dormindo, né, pai?
Foi mal.
Porcaria dessa viagem, entendeu?
Tá satisfeito agora, hein?
Peraí, peraí, peraí. Você quase atropelou o meu filho ainda. Grita com
ele. Como é que... Você... Você, na categoria de pai do garoto, devia estar
olhando ele.
Gente, tá tudo bem aí?
Machucou? Desculpa.
Ô, gente, pelo amor de Deus, atropelar a criança é infração grave.
Você também fica me atazanando, gente. Fica puxando assunto comigo. A culpa é
da Cris, hein? Nem olha pra mim.
Ô, desculpa aí. Eu só queria ajudar.
Oi.
Oi.
Como você chama?
Benedito.
Isso é o nome de criança, gente?
O que aconteceu com o seu carro?
Deixa eu ver.
Pelo amor de Deus.
O motor aqui é o fim do mundo, hein? Isso aí parece um yakisoba.
Queimado, né?
Isso é um Lada?
Ainda fabrica esse troço?
Sim, isso é um Lada e não fabricam mais esse troço.
Vocês estão indo pra onde?
Pra São Paulo. Gente, que coincidência que a gente também tá indo pra praia.
Tá difícil.
É bem difícil.
Será que vocês podem dar uma carona pra gente?
Até um mecânico?
Ah, tranquilo.
Tudo bem.
Você quer uma brava?
Não, obrigada. Você virou bem.
Posso pegar?
Eu
estou
indo acampar?
Não.
Essa aqui é a nossa... Aqui é na grande casa, fica à vontade.
Nossa, incrível.
É do meu tio.
É? De Goiânia.
A gente não está atrapalhado. Não, imagina. Fique à vontade.
Como é teu nome?
Raponso. Raponso, Sandra, Cris e Cílio.
Oi. É sua filha, entra aqui.
Tá bom.
Bora, bora, bora, bora, que está muito tempo parada aqui na estrada.
Você vai fazer o que em São Paulo?
Eu sou de lá. Eu vou resolver umas coisas.
Amanda, tem uma vilazinha por aqui.
A gente pode ver se tem um mecânico.
Ou um quebra galho.
Quer?
É melhor eu não comer besteira. Como que essa dava, garoto? É livre de gordura
trans.
É ruim, né?
Fica com esse daqui que depois eu abro o outro.
Cara, precisa fazer cuspa de dias?
Nada, peguei um dia, fiquei treinada.
Você faz o quê?
A gente vai aprender telemarketing.
Então para que eu vou descer.
O que é isso?
É o manual do Lada, não é legal?
Não é igual.
Por enquanto eu só achei em russo, parece que está convertado.
O que é isso?
É um vestido de madrinha.
E quem vai se casar? Ninguém vai casar.
Não mais, né?
Tô ouvindo.
Bom dia.
Tudo bem? Bom dia.
Bom? Tudo bem?
Vem cá, tem alguém aqui que possa ajudar a gente?
Ixi, tem não.
Não, mas aqui na placa tá escrito mecânico 24 horas.
Ah não, é 24 horas, eu ia dizer.
Aqui é 24 horas, mas não é 24 horas não. Às vezes é 24 horas, mas no momento é 24
horas.
Seguinte, a gente tá viajando.
Só preciso que você dê uma olhada no meu carro.
Tamo com criança, entendeu?
E aí?
Eu... É, o senhor, por favor, poderia ajudar a gente?
Olha a diferença.
Ei, lasqueira!
Acho melhor você ir lá com o Papa pra fazer esse carro andar, viu?
Relé de partida, já era.
O amigo tem certeza que não dá pra resolver, não?
Tem peça, não tem como, não.
Fazer o seguinte, vem cá.
Vem cá, pra que você tá segurando esse livro aí?
Pra dar sorte?
Ah, fica quieta. Eu quero entender o que tá acontecendo ali.
Eu tô fazendo o primeiro carro de vira-vira do mundo.
Primeiro. Eu tô fazendo.
Vira-vira, cidade linda.
Olha que beleza.
Esse teu motor é um motor bom, um motor potente.
Era o motor que eu precisava pra esse carro aqui.
Milzinho.
E o que é que eu vou fazer com o carro sem motor?
Pois é, isso é uma coisa. Porque o carro, quando você tirar o motor, o
carro não vai andar mais, não.
Amor.
Faz o seguinte, eu dou 1.200 e levo tudo.
O negócio inteiro.
E como é que eu volto pra casa?
Aí não é problema meu, meu amigo.
Seguinte, ele vai pensar, ok? Eu vou pensar? Vai pensar.
Olha, enquanto vocês conversam aí, tá na minha hora.
Vamos almoçar, ó.
As moças estão tudo convidadas.
Você vai dar carona até o restaurante?
Eu não confio em qualquer coisa.
Se não tiver nada para a gente se cuidar, eu... Como que dá?
O
que
houve com o seu pai?
Filho?
Eu acho que ele está bolado com o carro.
Falta aquela banheira?
Que era a última coisa que ele tinha da minha mãe.
Agora que sobrou eu.
Cadê sua mãe?
Ah, eu conto pra vocês depois.
Se quiser contar um pouquinho.
É uma longa história.
Falando o quê?
Ei. Intelectual você, hein?
Não.
Bobagem. Seu filho é muito educado.
Com 11 anos.
Você tá com falta pra mãe dele? É, ela mora lá.
Mas eu nem gosto muito de ficar falando assim na frente dele.
É, por quê?
Muitos anos que eu não vejo ela.
Muitos anos quanto?
Sei.
Ele vai.
Uau.
Não, foi mal. Desculpa aí.
Achei a sorvisa!
Sorvisa!
Olha essa cabelinha que gostosa!
Está
não
bem? Porque eu estou sem short.
Queria saber se você faz.
Seu namorado é surfista?
Não. Eu não tenho namorado.
E seu namorado é surfista?
Eu não tenho namorado.
Surfista ou não surfista?
Palhaço.
E vocês são quem viajam nos férias?
Mais ou menos.
Na verdade, essa viagem era pra ser a viagem de despedida de solteira da
Sandra. Era, não é mais?
Ela não sabe mais se casou no carro.
Divirte o filho do cara.
Ainda.
Essa eu não peguei.
O cara ligou pra ela no meio da viagem pra contar.
O que ficou com a cara?
Comer! Comer!
Comer!
Enfim.
Estamos voltando com o casamento, que eu nem sei o que vai acontecer.
Comenta lá!
Vai comer!
Mas pelo amor de Deus, eu não conto o que eu te contei não, tá?
Ah, então também não conta pra ninguém o que eu te contei sobre a mãe do
Benedito.
Claro que eu não sei o que você me contou.
Pode vir agora?
Arriba! Vira, vira!
Eu tenho certeza.
Eu tenho certeza.
Cada
carro
é uma família.
Lembra disso?
Não.
Você me falou isso quando tinha seis anos de idade.
Cada pecinha era uma parte.
Eu era o motor.
E eu era o quê?
Te amo.
A gente podia levar eles, né?
Quem sabe um homem ou um menino harmoniza um ambiente.
Imagina, gente. Imagina se o cara é um psicopata que tá usando o filho pra, sei
lá, catar umas vítimas no meio da estrada.
Filho, meu amor, você podia usar essa sua criatividade louca pra colocar
alguma coisa útil. O que você acha?
Acho bom. Bacana.
Assim que meu carro ficar pronto, vou mandar uma foto pra você, viu?
A coisa tá russa agora aqui, ó.
Será que ele dá uma carona pra gente até a próxima rodoviária?
Claro.
Entra aí.
Tudo bem, né, menina?
Amor...
Tá, tá bom.
E você
conhece bem essa região aqui?
Boa.
Eu tava assim, né? Mas o meu lado não é católico.
Nossa, perto.
E
agora
esse pneu furado?
Vai gastar de TPM.
Tá com cara de quem quer chorar.
Acho que eu tô.
Quer um chocolate?
Quero cinco.
Foi. Já parou pra pensar como tá difícil a viagem pra mim?
Eu quero chorar e não consigo na frente dele.
Desculpa, Sandra, mas eu não tenho coragem.
Sinceramente, eu não tenho coragem de achar uma criança nessa idade, no meio
de uma estrada. Não tenho.
Eu acho o menino uma fofura.
E a Amanda tá achando o pai uma fofura.
Cala a boca, Silvia.
A gente tá vendo, meu amor.
Esse cabelo todo arrumado. Vou parar, gente. Nada a ver. Nada a ver.
Cala a boca. Ih, tchau.
Tchau. Ai, gatinha errada.
Cala a boca. Gata jogada.
Ai,
gente, esse cabelo preso. O que que... Pessoa eficiente. Pega pneu. Nunca fez
isso.
Olha essa cena.
Ai, pelo menos é alguém que vai ser feliz.
É, a pessoa ainda fala.
Eu não tenho coragem de deixar a criancinha, né? Você é que criança, o
peixe. Pelo amor de Deus.
Meu amor, eu só quero ficar ao seu
lado Então, eu vou te reclamar
É ficar em mim
Qual a cidade mais próxima, hein?
Tem uma estradinha de sissão em frente. Se você virar, a gente sai numa
cidadezinha.
Então vocês não acham que a cidade está um pouco vazia, não?
Vai, posta no beiro do carro. Estou precisando.
Eu também preciso.
Vai você primeiro.
Ai, o posto está fechado.
E agora?
Alguém sabe roubar gasolina?
Bacana o seu GPS, né?
Essa gente provalhou antes. Não fala mal dele, não. Tive que pagar em 12 vezes.
Eu não roubei, eu não roubei. Nossa, escuta, a gente só quer sua ajuda.
E se eu não puder ajudar?
A gente só vai saber se você pode ou não ajudar se a gente te disser o que tem de
errado, certo?
Vamos lá.
Ei, moça, como é que você tá?
Por favor, ajuda a gente, vai. O nosso carro acabou a gasolina, por favor. Ah,
não, eu não tenho gasolina.
Só fala, por que o porto tá fechado?
Tá tudo fechado hoje, né, dona? Você não vai achar nada aberto aqui hoje, não.
É que hoje é festa de noivado da filha do doutor Belmiro, entendeu?
Que é prefeito daqui.
Então, hoje aqui é feriado.
Hã?
Chegar, chegou.
Agora tem que ver como é que entra, que o homem é mão de vaca.
Ele faz o feriado tudo, mas só ele tá convidado.
Como assim penetra?
Não, também não é penetra, assim.
Pior que o resto de gasolina que tinha acabou de acabar.
Não, pelo menos sobraram os biscoitos aí.
O Binei comeu o último pacote.
Pelo menos ele tá forrado, né?
Pensando bem, penetra é um jeito.
Posso botar uma saia?
Boa noite.
Boa noite.
Como é teu nome?
Tiburcio.
Tiburcio. Tiburcio, você tem filha, filho?
Duas. Gêmeas, que jogam tênis.
Imagina essas duas nesse motorhome aí que a gente tá. Imagina, sem comida, sem
gasolina, numa cidade que não conhece ninguém.
E o Hermelindo?
Ah, gente boa, trouxe a gente até aqui. Ladrão da cidade. Acabei de conhecer.
Ok.
Como é que você tem coragem de pedir pra ir numa festa de noivado? Não tem. Se
ela quiser passar fome, eu fico aqui.
Que isso, mano? Você não tem coração?
Eu vou passar a noite inteira convencendo uma mulher adulta a ir numa
festa, né? Olha, se você quiser, eu trago alguma coisa. Não, senhora. Não
vai trazer nada. Se ela quiser comer, é ela que vai lá. Por que você tá fazendo
isso?
Ai, Ana, você sabe o que eu acho?
Você deve falar com esse ataque de coitadice.
Sabe ajudar a gente a resolver isso aqui no meio do nada.
Veja bem, chegou aos meus ouvidos que vocês estão sem gasolina.
Isso mesmo, Sr. Bemiro.
Obrigada por ter recebido a gente. A gente queria contar com a sua ajuda.
Adoraria ajudar, mas eu não posso.
E como um bom político, digo e mostro porque eu não posso. Gasolina é uma
coisa muito cara.
E nós aqui na humildade trabalhamos apenas com diesel. Se eu tirar a pouca
gasolina que tenho, eu vou ficar descapitalizado.
Então aproveitem a festa.
Até porque vocês não têm como ir. Estão corretos? Não temos mesmo. A gente
está...
Então fiquem à vontade, vocês são jovens.
Tomem um birinite, comam um petisco.
Isso mesmo, Tiburcio. Dancem, movimentem o esqueleto.
Amanhã o posto abre e vocês resolvem o problema de vocês, tal.
Aproveitem a festa que eu sou o anfitrião e tenho que circular com eles.
Alô?
Alô?
Gente,
é uma festa, hein? Não dá bexame, hein?
Segura um.
Um sem prato.
Não sei.
Muito obrigada.
Bonita roupa.
Tchau, tchau.
Tudo bem?
Vamos ali comigo. Vamos ali comigo.
Você tomou o champanhe? Toma, eu quero tomar. Olha pra você comer a tássia.
Daqui a pouquinho.
Você vai cair.
Stop bebida pra você. Chega.
Amanda, virou xerife agora?
Gente, olha só. Tá todo mundo olhando pra você, detonando a champanhe
importada deles.
Eles me ofereceram, Amanda.
Engole. Engole.
Engole. Engole.
Eles me pediam assim, desculpa.
Vocês não estão entendendo o que eu tô passando, gente.
Ah, não. A gente não participa, né?
Você não precisa achar que só você teve problemas amorosos na vida, né?
Quer postar?
Desculpa.
Ganho. Ou não, né?
Então. Então.
Espera aí, deixa eu ver quanto é que eu tenho.
Esse é os últimos cem reais.
Essa é a entrada absoluta. Tá bom. Todo cagado na estrada aparece com cem reais
aqui botando no banco.
Você só tem quinhentos, tá? Eu dou cinquenta, que tá no motorhome, mas eu
dou daqui a pouco. O que você quer dizer?
Eu vou ganhar. Então, quem é que vai começar?
Eu? Ai, deixa eu pensar, calma.
Eu era apaixonada por um cara da escola.
E eu resolvi que eu ia perder a virgindade com ele.
E eu me apaixonei por ele e ele estava meio afim de mim na época.
Marcelo.
Eu estou rindo, mas ele é filho da puta, sabe? Eu estou rindo porque agora eu já
estou ferada.
Mas enfim.
E então, eu fiquei a perder a virgindade com ele.
E aí lá na hora H, na hora do vamos ver, ele desistiu, fugiu.
Você ficou mal por causa disso?
Ah, mas tô maluco.
Pra mim deu pra caralho essa merda.
Pouca idade, gente. Não tem muita coisa triste, né? Só fica mais triste.
Próximo. Cris?
Sei lá, nunca ninguém fez nada, tipo, muito ruim pra mim.
Mas também nunca ninguém fez nada muito bom, né?
É que... Ninguém nunca disse que me ama.
Ah tá, a pessoa tem a cara da Cinderela e nunca ouviu mimimi no cantinho da Ana,
tá. O que ela quis dizer, Cris, é que isso é uma questão de tempo.
Ah, faz sim.
Não, eu quis dizer que é uma questão de tempo porque ela perdeu esses cinco
meses e colocou a tona mesmo, entendeu? É isso que eu quis dizer.
Desculpa, eu sei que tá incrível esse jogo, mas assim, nenhum de vocês entende
o que eu tô passando. Vocês não sabem o que eu tô passando. Eu sei.
Enfim, não vinha ao caso, mas foi uma doença grave.
Tive que operar e...
Aí a coisa ficou complicando, complicando, complicando.
Até que os médicos falaram que eu não ia mais poder ter filho.
Aí o Paulo, o nome dele era Paulo. O Paulo ficou comigo no hospital, super
companheiro no início.
E assim que eu fiquei boa, que eu achei que eu fosse começar tudo de novo.
Ele não segura a onda.
Sabe quando o homem não segura a onda?
E se separou de mim?
Achou que acabou?
Um ano depois ele casou com outra.
E a mulher dele ficou grávida.
Filho da puta.
Grande filho da puta esse Paulo, hein?
Filho da puta.
Ele era um bosta, né? Um merda.
Caralho.
A gente nem ouviu essa história ainda, depois foi pra ver isso.
Cara, cara, mas vocês se livraram dos meus encostos. Vocês se livraram dos
meus encostos.
Esse cara é bizarro.
Desculpa, Alê das Ois, mas assim, falou, falou, fez jogo, mas não sabia, né?
Eu tinha uma aluna, uma menina, 19 anos.
A gente se apaixonou.
E ela era incrível, linda.
Cuidava dela, amava muito ela.
A gente começou a viver uma história.
Aí depois de um tempo eu recebi uma proposta pra dar aula numa faculdade,
então a gente podia dizer não.
E a gente se mudou, a gente começou uma vida, uma vida incrível, tudo certo.
E a gente era muito apaixonado um pelo outro.
Aí ela engravidou.
A gente teve o nosso filho.
E tava tudo certo. Até que ela veio com a história de que ela conseguiu uma
bolsa pra estudar na França.
Como se fosse a melhor coisa do mundo.
E o que a gente tinha era a melhor coisa do mundo.
Ela foi embora.
Eu não podia ir junto. Para o menino era muito difícil viajar. E aí ela foi.
E ficou por lá.
Foi embora.
Ficou. Não voltou mais.
O que você disse para o Benedito?
Desculpa, mas essa história foi muito mais triste, Amanda.
A história triste da Amanda.
Obrigada, Amanda.
Obrigada. Saúde, meninas.
Você tá bem? Você quer uma ajuda?
Gente, eu tô muito atolada, meu Deus. Como atolada? Porque eu me acostumei com
o assalto, aí já, sei lá.
Tira esse assalto, vamos olhar tudo.
Ai, tanto tempo usando chinelo.
Ai, que alívio.
Tá fazendo o que sozinho aqui?
Ah, vindo ao tempo, quer?
Não, quer dizer que quero.
Está meio altinho também. Foi bom.
Está muito bom. Está tudo bem.
A mãe do Benedito veio para cá para ficar assim?
Eu acho que sim.
Ela já conseguiu o que queria lá, né?
Ela virou escritora, publicou um livro em uma editora independente de lá.
É um livro infantil.
Onde ela coloca o ponto de vista dela em relação à separação.
Você precisa ver como ela me desenha no livro.
Me mandou a prova do livro agora pra eu dizer o que eu achava, mas o Zé Benedito
não sabe disso. Eu mostrei o livro pra ele.
Situação mesmo.
Exato, né?
Você tá com frio?
É, tô um pouquinho.
Tô vendo.
O que que é isso?
O que aconteceu,
Cilly? A Sandra vai falar o Noé.
Eu deixo vocês na minha festa e é assim que vocês me tratam. Eu quero que vocês
vão embora agora da minha casa. Agora!
E o combustível?
Que combustível?
Obrigado. Obrigado.
Obrigado.
Bom dia.
Aqui,
né? Então,
eu tava pensando aqui. Eu tenho uma proposta pra te fazer.
Posso te ensinar a boiar?
Tá bom.
Todo ano a gente tenta e não consegue. Hoje a gente vai conseguir.
Vambora.
Desculpa por ontem.
Tudo bem.
Acontece.
E o Afonso, hein?
O que tem o Afonso?
Vai dizer que não tá rolando absolutamente nada.
Tá rolando absolutamente nada. Pode parar, tá?
Quando mais o cara é todo complicado.
Ele tá indo pra São Paulo, tá indo aí, mulher dele.
Parece que...
Já escreveu um livro falando sobre a vida deles e ele fica andando com esse
livro no bolso, para cima e para baixo.
Só não abençoou ele. Batalha atrás dela, né?
Eu, hein?
Roubada. Tô pensando que foi minha vida agora, não. É, complicada.
Você decidiu?
O que você acha que eu devia fazer?
Olha essa bateia que me fez, sabe?
Se não é você que vai ter que passar o resto da sua vida com ele, não sou eu. O
resto da minha vida é tempo, hein?
Arriba, comandante!
Música
Gente, eu tô pensando que a gente tem que voltar pro trabalho.
Ai, que merda, tá elas acabando, gente.
Todo mundo acha que o trabalho de telemarketing é legal, né? Bacana, você
fica lá sentadinho no ar-condicionado, divando, bonita. Não, não, não, não,
não, não. Para com isso, ué. Deve ser tranquilo.
Sabe quantas palavras a gente ouve por dia?
Não, né? Não, eu quero.
Vamos supor, vai. Uma hora tem 60 minutos.
Bacana. A gente fala...
Cinco minutos com cada cliente. Nossa, parece que tem que falar uns cinco
minutos. Não, não.
Um ponto, vai. Sessenta dividido por cinco?
Doze. Doze. Nossa, gente.
Legal. Doze clientes por hora. A gente trabalha sete horas por dia.
Doze clientes vezes sete?
Oitenta e quatro.
Oitenta e quatro.
Um gênio.
Obrigada. Desses oitenta e quatro, um quarto deles para pra ouvir o que a
gente tá falando.
Quanto sobra? Quantas pessoas sobram?
Sessenta e três.
Tá, sessenta e três.
Dessas sessenta e três...
15 são educadas, vai, no máximo.
Ou seja, a gente ouve 48 xingamentos por dia, o que dá uma média,
aproximadamente, uma velocidade de 7 xingamentos por hora. Vocês estão
acompanhando, tá?
Falavam pra caramba, hein? Falavam pra caralho, gente. A pessoa tem que
realmente ter um posto de autoestima pra não sair do trabalho, isso é um lixo.
Não é?
O seguinte, o que vocês acham da gente seguir?
Se a gente esquecer essa rodoviária, a gente vai com vocês até São Paulo.
Incomoda isso?
Tudo bem? Tranquilo?
Tudo bem.
Eu acho que a gente devia dormir num hotel.
Meninas, se comportem, meninas.
Bem-vindos ao Hotel Ariel, a terra do peixe e de outras criaturas.
Telefone do quarto?
Vou ligar pra quem?
Tenho uma saudade do Xavier.
Tá com fome?
Até tô.
Então, obrigado.
De nada.
Vamos comer alguma coisa?
Temos peixe, senhores.
Baiacu, pirarucu, tucunaré e namorado.
Tá ótimo.
Tem alguma coisa animada pra fazer por aqui?
Várias coisas, senhora. Se quiser tomar um chopp, rola. Se quiser comer uma
pizza, rola. Cantar no karaoke também, rola.
Nossa, tudo isso?
A cidade é tão pequenininha.
E aí, onde fica tudo isso? No final da rua, senhora.
Aí, um do lado do outro.
Não, senhora. Tudo é no mesmo lugar.
Agora, Benara, vem.
Como é que ele tá apaixonado?
Filho, apaixonado é... É como se um crocodilo estivesse dentro de você.
Para. Para.
Sacaneia. Pode sacanear.
Pode sacanear.
Eu achei a mãe do Benedito.
Como? Acho que eu estou apaixonada.
É?
Por quem?
Tenho vergonha de falar.
Bota a cobertura em cima do rosto e fala.
Pela crise.
Por quem?
Sai, animal!
O livro que ele carrega deve ser raro, porque não foi nem lançado ainda.
A editora é pequena. Foi difícil de achar, mas eu consegui falar com o
editor.
Ela casou com o editor do livro, Amanda.
Olha só.
Ela até mudou de nome já.
É o nome dele, ó. Ângela... É o nome dele.
Eu imprimi esse daí pra você.
Ela já lançou vários livros aqui. Tem uma crítica do último livro. Eu vou ler
pra você aqui, ó.
O livro de Ângela Cossá... Não,
eu não vou me meter. Vai.
Eu não tenho esse direito. Aliás, você também não tem esse direito. A gente não
tem esse direito. Desliga isso. Não, não, peraí. Não mece aqui, não, que eu
tô querendo dar um monte.
Vai, por favor. É essa a mulher que eu quero saber.
Posso ficar aqui um pouquinho?
Ai, meu Deus, por quê?
Eu acho que não vai mais ter casamento.
O quê?
Eu perdi meu tímpano aqui no caminho de tempo que essa louca gritou, gente. O
negócio tá pesado. Perdeu o quê?
Tímpano. Toda vez que você me liga, tem uma merda pra confessar, Javier.
Não é possível!
Eu não sou noiva, eu não sou pago, sabia?
Me ama!
Que caralho, Xavier!
Você não me ama a palavra nenhuma, não é possível!
Com quem?
Com você!
Desculpa. Valeu muito.
Aham. Tô pronta.
E o Benedito? Tá dormindo.
Te incomoda de ser só nós dois?
Não.
Tranquilo. Bora.
Onde você vai?
Vou dar uma vontade de uma hora pra Amanda e vou comer uma pizza antes que
eu morra de fome e de tédio.
É... Ô, o que que tava rolando aqui?
Quando?
Agora, se eu entrar aqui.
Nada.
Nada, nada?
Nada, nada.
Sei.
Cínica.
Ué?
Ué, Bené, o que foi?
A maior gritaria lá fora.
Ai, a Sandra tá dando um escândalo lá no quarto.
Eu posso ficar aqui?
Claro.
Sou de Goiânia.
Saí de lá quando a vida desandou. Aquelas coisas, né?
Sempre melhor arrumar uma outra cidade pra conseguir recomeçar.
E você?
Eu sempre morei em São Paulo, mas... Sou de Porto Alegre. Porto Alegre? Porto
Alegre. Engraçado, você não tem sotaque.
Tô perdendo durante a vida, né?
Tô perdendo várias coisas durante a vida, né?
Eu acho que ela desligou, eu não estou vendo nada.
Será que eu vou lá?
Não, deixa ela sozinha um pouco.
Ela estava mal.
O que está acontecendo aqui?
O que é isso?
Cacete.
Há muito tempo que eu não me sinto assim.
Assim como?
Feio. Em paz.
Isso aí.
Ai, vamos voltar lá pra dentro pra beber mais um pouco, vem.
Vamos, vamos.
Ai, quero você.
Quero você.
Pai!
Pai! Nené?
Olha o que eu achei.
Na verdade, a Cris achou.
O que é isso aqui?
É o que eu achei na internet.
Quem mandou você pegar isso aqui?
Ela não fez por mal. Eu só queria ajudar o Benedito.
Ajudar o Benedito?
Eu pedi ajuda pra você. Alguém pediu ajuda pra você. Você ouviu pedindo ajuda
pra você?
Quando a Amanda me falou do livro, eu achei o editor.
O marido.
Você falou... Você contou pra ela? Eu não devia ter falado. Desculpa. Sabe há
quanto tempo eu tô esperando pra contar isso daqui pro meu filho? Sabe há quanto
tempo eu tô guardando isso daqui pra ele?
Sabe aonde eu tô indo?
Você sabe aonde eu tô indo com ele? Você não sabe.
Você tá me deixando assustado, cara.
Isso era pra ser uma coisa boa. Não, isso não é uma coisa boa. Sabe por quê?
Porque é sua mãe.
A sua mãe não é uma pessoa boa.
Ela não é... Bené? Afonso, deixa eu... Bené? Deixa eu te explicar.
Afonso, deixa eu te explicar. Filho, Bené?
Por favor, deixa eu... Peraí, Amanda, pô!
Pra que que eu fui falar? Amanda, calma. Pra que que eu fui falar?
Contato do garoto.
Amanda, a gente vai falar com eles.
Vamos pro karaokê, vai?
Seguinte, deixa eu te falar uma coisa.
Deixa eu te falar uma coisa.
Eu não menti pra você, entendeu?
Eu amo você.
Tá? Eu amo você desesperadamente.
Tá bom?
Depois a gente conversa.
Desculpa, amiga.
Tudo bem.
Desculpa. Desculpa.
Desculpa.
Cadê a Sandra?
Eu acho que apagou no quarto.
Acesse a garrafa, vai.
Não, não. Você já está ultirando.
Quer saber? Vai ficar descoitadíssima. Não.
Chega.
Eu vou me divertir.
Bora, gente, um brinde. Vai, um brinde? A quê?
A quê?
Ao sobrevivente.
Tudo bem aí?
Você não vai chorar, né?
Não.
Cansei de chorar.
Acho que vou seguir o conselho da Amanda.
Da Amanda?
Que foi ela se meter na sua vida?
Clássico, Amanda.
Adora se meter na vida dos outros, mas não fala porra nenhuma da vida dela.
Ela demorou dois anos para me dizer de onde ela é.
É de Goiânia. Ela te falou isso?
Mentira.
É rápido.
E você, vai casar, não vai?
Não sei.
Sempre acho uma bobagem se as pessoas terminarem o relacionamento por causa de
uma traição.
Larga o amor da sua vida por causa disso.
E se ele é o amor da sua vida, por que você não casa com ele?
É porque ele ficou com a minha prima.
Ele ficou com a tua prima?
Desculpa toda hora, tá cansativa.
Repetitiva.
Repetitiva. Repetitiva.
Será que eu vou, gente?
Vai lá e fala que eu vou.
A culpa é minha.
Tá bom, eu vou. Vai lá que a gente tá ficando, você tá atrapalhando o clima.
Vai.
Vai.
Despaixa. Despaixa.
Cara, essa música é tão bonita.
Se é fim dele, empata logo o jogo e fica com outro cara.
Acho que eu nunca mais vou beber na minha vida.
Três coisas que a gente fala que nunca mais vai fazer e continua fazendo.
Pile, beber e falar mal dos outros.
Pior de todas é a Amanda.
Ela não abriu a boca desde que apontou.
Vem cá, Amanda, e o coiso?
Não. Ela chegou cedo no quarto com o amor do cão.
Quero nem ver.
Vem lá.
Bom dia.
E aí, tudo bem?
Não.
Opa, pode deixar a mala aí que a gente já tá carregando essa tarde.
Então, a gente... A gente não vai seguir viagem com vocês.
Não? Como assim, gente?
Não, não, não.
Não, pera aí. Se a gente tem bené, não vai ter graça, não.
Eu vou sentir falta das suas piadas. Que piada? Quem faz piada?
Ah, você é engraçado.
Eu não queria... Eu não
queria... Eu não
queria...
Amanda, eu quero falar com você.
Tudo certo.
Você não vai falar nada, não.
Eu... Eu acho realmente melhor a gente não seguir. Eu acho melhor também.
Eu vou deixar vocês na próxima cidade que tiver rodoviária. Não precisa.
Olha só, você é um cachorro.
O coitado do Bené não tem nada a ver com isso. Eu vou deixar vocês na próxima
rodoviária.
Sou um desastre.
Gente, vambora. Vené, vou deixar vocês na próxima rodoviária, tá? Vão, galera.
Bora, pega a Esmar. Não, ajuda aqui, gente.
Porra, Sandra, dá pra ajudar com alguma coisa, não?
Dá pra ser dada essa vez com dois de pau?
Ih, a trama tá densa.
Ele não tem que tirar dos seus pés a fila. Não
dormitará aquele que te guarda. É certo que não dormita nem dorme o
guarda de Israel.
O Senhor é quem te guarda. O Senhor é a tua sombra, a tua direita.
De dia, não te conectará o sol.
Nem de noite, a lua.
O Senhor te guardará de todo mal.
Guardará tua alma.
O Senhor guardará tua saída e a tua entrada. Deixa fora e para sempre.
Salve o Espírito.
Desculpe, moça, mas é tradição da cidade de, nesse momento, ficar em silêncio.
É, me falaram que tem uma rodoviária aqui?
Rodoviária é modo de falar, mas passa ônibus aqui, né? Passa, passa.
Um por semana?
Um por semana?
Então vocês deram azar, que o da semana já passou.
Passou não, velho, passa de quinta.
Amanda, você não pode largar eles aqui.
Ele que quis assim.
Ai, tudo minha culpa.
Tudo minha culpa. Para, Cris.
Para, não tem nada a ver com você, tá? É, eu...
O ônibus vai deixar a gente na próxima cidade e lá a gente se vira.
Desculpa.
Desculpa.
Mas tudo certo, não tem o que pôr mal.
Dorme a cidade.
Alguém já apagou.
Só sobra o medo do elevador.
O instante é a verdade.
O universo todo viu.
Atrás de um prédio eu vi o sol sair.
Então vambora, tem que acontecer
Cidade grande é bom pra se
perder
Também é um pouquinho de confusão, né?
Mas se não fui eu, o que foi então?
Vamos conversar, Amanda.
Amanda, eu preciso falar com você.
Eu não quero falar, eu tô dirigindo.
Não é importante, eu preciso ser agora.
Típico, né, Sandra? Tem que ser do jeito que você quer, né?
Amanda, dá uns beijos no Afonso.
Eu sei.
Ele te falou?
Eu vi.
Você não falou nada?
Amanda?
Amanda, olha pra mim, você não vai falar absolutamente nada?
Fala comigo, cara, me xinga, me bate, sei lá, mas fala, bota pra fora.
Olha só, gente, parece que eu tô tomando sol na laje. Vem cá, você sabe dirigir
motorhome?
Desculpa.
Desculpa, meu irmão.
Eu sei que eu preciso mudar e eu quero mudar.
Mesmo.
Eu decidi que eu vou casar com o Xavier.
Eu amo ele.
É tão difícil encontrar alguém.
Acho que as coisas acontecem na vida por alguma razão.
Eu te peço desculpas.
Por que você estava tão irritada no hotel?
Porque ele me contou que ele ficou com a faca da minha prima.
A gordinha?
A Pernudas. A madrinha?
Era, né? Porque eu não aceito madrinha de olho roxo.
É, porque o que aconteceu com ela?
Agora nada.
Se eu for quebrar com a cara dela, eu vou.
Você ri, né?
Ri da desgraçadinha.
Tudo bem, eu vou melhorar.
Perfeito.
Puxa, que sacanagem.
Você quer me bater? Pode bater.
Só não bate na minha cara.
Tudo bem.
Me conheci o Afonso direito.
Deixa eu pular.
Vai ficar tudo bem.
Obrigada.
Agora elas vão tomar um sol na laje, a gente fica aqui esperando.
Bené?
Filho. O que foi, Bené? Teve um pesadelo?
É, eu tava olhando aqueles sonhos que eu não sabia onde eu tava.
Chegamos.
A gente chegou aonde?
Você não tá usando mais teu sobrenome, não?
É que eu casei.
Eu soube. Pela internet.
O Benedito tá bonito, né? Ele cresceu.
Por que você foi embora?
Por que você foi embora?
Ele tem ideia do quanto ele sentiu sua falta? De quantas mil vezes ele
perguntou sobre você?
Hein?
Fazer a missão de casa. Ele perguntava de você. Eu não sabia o que ele dizia.
Por que você fez isso?
Perdoa.
Me perdoa.
Eu posso ficar com ela?
É... Não.
Pode,
filho.
Pode,
claro que pode.
Vem cá.
Também gosto dessa, sabia?
Linda, né?
O que que tava acontecendo aqui?
Tranquilo.
Você quer comer alguma coisa, meu amor?
Filha, a gente tá conversando.
Perdoa a mamãe, pai.
Tudo bem.
Que jogo estranho, gente.
Eu tenho um presente pra te dar.
Ah, é?
Qual?
Eu quero te dar outro dia.
O que vocês vão fazer domingo?
O que a gente vai fazer domingo, pai?
O que você quiser, filho.
Quer almoçar comigo?
De repente vocês podem almoçar comigo e daí você me dá um presente. O que você
acha? Eu acho um bom clube.
Central de atendimento. Boa tarde, Lívia. Como posso estar ajudando?
Desculpe, qual o seu nome, senhor?
Senhor Benedito?
Não, não, não é Amanda. Meu nome é Lívia, mas eu não posso passar esse tipo
de informação.
Não, não posso te passar pra ela. Você falou Benedito?
É, mas é uma criança. Ele tá tentando falar com a Amanda.
Bené? Vem cá, você não tinha que ter devolvido esse motorhome, não?
Meu bem, o meu tio é o único homem desse país que nunca ouviu aquela musiquinha
de espera do telemarketing. Entendeu?
Ai, gente, vem cá, não posso ficar torrando muito, senão eu vou ficar
ridícula naquele vestido rosa. Mas não tem como não ficar horrenda naquele
vestido. Vou te falar, quando eu experimenter aquele vestido, eu me sinto
a tia da Barbie. Não, não, maldade sua, vai, a prima da Barbie, tá bom.
Te amo.
Também te amo. Então, aumenta. O que vocês estão falando, hein?
Nada.
Gente, não é possível que vocês estão reclamando ainda do vestido de madrinha.
Amorzinho, posso te falar uma coisa?
Você colocar aquele vestido horroroso na sua prima piranha, a gente até entende,
né, gente? Quer se vingar da mulher, tudo, mas na gente, eu achei que a gente
fosse amigas.
Gente, que bom humor. A pessoa fulmina toda vez que a gente fala desse vestido
frumelo.
O que foi, garota? Vai confundir mim?
Feliz. O que aconteceu?
Eu vou casar, gente!
Desencalhou!
Desencalhou!
Tão linda, Sandra.
Pelo menos dela, né? Tô me sentindo péssima nesse vestido.
Além de feia, ainda me pinica.
Ai, gente, acho que a gente tá muito bem, entendeu?
Bem mal tá aquela prima...
O que você acha?
Acho que o rosa combina tanto com o roxo.
Gente, estou muito bêbada com o Afonso e o Benedito.
Acho que você não viesse.
O Benedito insistiu.
Que bom, Benedito. Tudo bem?
Trouxe isso pra você.
Desculpa, viu?
Imagina. Tá com certeza.
Tá ali.
E aí?
Oi, oi, oi.
Tudo bem?
Opa.
Vamos ali, menino.
Você já viu um bichinho? Tem que soltar um bar.
Vem cá.
Posso?
Desculpa por quê?
Naquela noite, eu e a Sandra... Não se me leve desculpas, não.
A gente nunca teve nada, né?
Olha só.
Eu só queria que você me escutasse.
O que você quer falar? Pra você se sentir melhor, é isso?
Ficou a conta?
Prazer, senhor.
Eu?
Vai vir agora.
Tu não bateu na sua prima? Por que eu não posso bater nele também?
Parou? Agora?
Acabou?
Eu diria perdão, meu amor.
DJ, DJ!
Volta a música aí, DJ!
Onde é que você vai? Vai embora. Vai embora? Manda! Eu vou, Sandra, eu vou.
Você não me perdoa?
Por que você não perdoa ele?
Sei lá, é diferente.
É? É.
Eu ou mim?
Você sabe disso, tá? Você sabe disso, minha mulher.
Olha pra mim.
A gente guarda com tanta vontade as coisas ruins.
E se livra com tanta facilidade das coisas boas.
Fica bem, tá?
Te amo.
Deixa eu ver.
Deixa eu ver.
Olha,
por que aquele maluco te bateu?
Filho, ele estava me devendo aquele choco.
Mas o que você fez?
Sabe quando alguém pega uma coisa de outra pessoa sem pedir e a pessoa fica
brava? Sei.
Então, tipo isso.
Caraca, mas ele te deu um choco só por causa dele.
Eu quero falar com você.
Vem. Vem.
Algo me diz que o seu pai vai terminar a noite com os dois olhos roxos.
Sai
daqui,
vó. Sai daqui agora!
Peraí, dá pra titica aqui. Sai, vai.
Olha só, se você for me bater, me bate desse lado, porque esse lado esquerdo
aqui já tá meio dolorido.
Sabe qual é a diferença entre a gente?
Sabe? Entrou a minha mulher.
Do que você tá falando?
O homem, quando ele se magoa, quando ele se machuca, ele fica vingativo, meio
agressivo. A mulher, não.
Frágil, com medo de tudo, querendo fugir.
Eu acho que eu entendi. Nós somos diferentes?
Não.
Não acho que nós somos diferentes.
Acho que a gente é bem parecido.
Aliás, acho que a gente é igual.
Nós dois somos dois fudidos.
Nós dois somos magoadas.
Nós dois.
A gente é meio covarde.
Será? Essa mágoa aí, ó.
E essa mágoa aqui, ó.
É uma desculpa que a gente tá usando pra não seguir em frente.
Porque a gente tá com medo, normal.
Eu não aguento mais.
Eu não aguento mais me esconder atrás de tanta tristeza.
Feliz. Ops.
O que foi, Benê?
Eu preciso te falar uma coisa.
O quê?
Eu sinto uma coisa aqui como se fosse um crocodilo.
Tá bem?
Sim, o que eu tô tentando dizer é que... Fala.
Eu te amo.
Eu sei que é meio estranho e não tem nada a ver, mas eu realmente te amo.
O que foi? Você não gostou?
Não, eu... Eu adorei.
E... Ninguém nunca tinha dito que me amava ainda.
Quem sabe daqui a um tempo?
Quantos anos você tem?
Um.
Ah.
Bota o tempo nisso, hein?
Vamos dançar?
A gente se deu tão bem, que o neve sentiu, e o velho não ficou exagado e
decidiu, que era melhor ser mais veloz e passar rápido pra mim, parece que até
chutei, o meu da família.
Quando a gente vem ao mundo, não faz a menor ideia do que vai encontrar.
Tudo é novo e tudo é possível.
Mas o bom de ser criança é que a gente sempre acredita que vai dar tudo certo.
E sempre dá.
De uma maneira ou de outra.
Mesmo que leve uma vida inteira.
O tempo engatinha do jeito que
sempre quis, distante é devagar, perto parta bem depressa
assim. O tempo engatinha do jeito que...
E aí
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