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Original subtitles

HOMESTEAD FLÓRIDA

- Ele mora aí dentro, não é? - Mora.

- Tem alguma janela? - Não.

- Não tem janelas. - Só duas portas.

O que tem aí dentro?

Cobras venenosas.

- Só ele e as cobras venenosas? - Isso.

BECO SEM SAÍDA

AL KILLIAN TRATADOR DE RÉPTEIS

Somada,

a quantidade de veneno nessa sala

pode matar o quê?

Considerando as mambas,

as víboras-do-gabão,

as cascavéis e as najas,

provavelmente...

metade da população da Flórida.

Não costumo socializar muito com as pessoas.

Sou mais recluso.

Sou casado com esses animais.

Mas tenho uma ligação mais íntima com minha cobra-real.

Basicamente, ela me odeia.

Odeia todo mundo.

Mas, com esse temperamento, ela dá o melhor show.

Nos anos 1980, fiz uma parceria com a WWE.

SUPERSTARS 23 DE NOVEMBRO DE 1991

Veja só.

Forneci uma cobra-real para o Jake "The Snake" Roberts.

Dentro do saco, uma cobra-real, sem dúvida.

TOMMY CRUTCHFIELD VENDEDOR DE RÉPTEIS

Jake "The Snake", vamos nessa.

É o seguinte:

você não vai se sentir bem.

O Al Killian organizou tudo e eu o ajudei no processo.

Acho que é a primeira vez que vejo isso desde que aconteceu.

Na luta contra o "Macho Man", decidimos:

"Ei, vamos até o fim."

Não, não faça isso.

"Macho Man"!

Conseguimos uma cobra-real de 4,5m.

O que ele está fazendo?

Saia daí, Macho!

Essa não.

Essa é a cobra mais assustadora que já vi na vida.

Na hora do golpe decisivo,

aquele bicho enlouqueceu.

Espere, a cobra está picando ele.

A cobra está picando ele.

A cobra está picando ele.

Tirem-no daí!

Esqueça a ajuda. A cobra está grudada no braço.

Isso não devia acontecer.

A cobra crava ainda mais os dentes no braço.

Jake "The Snake" perdeu o controle.

Ele perdeu o controle.

Por favor, alguém o tire daí,

pelo amor de Deus.

Esse é o momento mais icônico da história da luta livre.

Jake Roberts é insano.

Tinha 20 mil pessoas de pé, gritando:

- Jake "The Snake"! - Jake "The Snake"!

As pessoas têm um fascínio por esses animais.

- Jake "The Snake"! - Jake "The Snake"!

Mas o vício surge quando a pessoa entra na onda.

Senhoras e senhores, essa é a cobra...

É nessa hora que a pessoa faz de tudo para ter os animais.

MONSTROS DE DEUS

Estou vendo bem ali.

- Ali. - Viu o jacaré?

- Vi. - Está vindo rápido.

Bem atrás dele!

É uma fêmea.

Ali, o jacaré!

- Me coloque bem perto dela. - Ela está protegendo o ninho.

Está protegendo o ninho.

Caramba.

Não existe animal mais incrível que esse.

O que vocês estão vendo agora é um jacaré de verdade,

nos Everglades,

no habitat natural, uma fêmea com um ninho.

Ela está aqui há muitos anos.

- Opa, opa! - Deixe-a vir.

Esse chiado é como o latido ou o rosnado de um cachorro,

é só blefe.

A vida é feita de escolhas.

Ter me envolvido com o Hank Molt foi

o pior erro que já cometi.

Por causa do Hank Molt,

o Tommy Crutchfield foi indiciado

por contrabandear iguanas-listradas-de-fiji para os EUA.

Peguei cinco meses de prisão

por causa daquela história das iguanas.

Quando saiu da prisão,

ele ficou muito infeliz e amargurado.

Aquele julgamento e tudo o mais custaram dezenas de milhares de dólares.

A reputação dele foi prejudicada.

De repente, eu me tornei uma pessoa indesejada.

Ninguém mais queria trabalhar comigo.

Fiquei ali,

com meu negócio de répteis arruinado.

Eu não sabia o que fazer.

Estou folheando uma matéria aqui.

O título é Carga Selvagem: O Negócio do Contrabando de Animais.

Foi essa foto que realmente...

chamou minha atenção.

É o Sr. Dang

segurando uma píton-birmanesa albina.

Ninguém nunca tinha ouvido falar de uma píton albina naquela época.

A National Geographic produziu uma grande reportagem

sobre o tráfico de animais silvestres ao redor do mundo.

O objetivo era lançar luz sobre os crimes contra a vida selvagem.

O problema é

que os contrabandistas de répteis leem a National Geographic.

Eu pensei:

"Quem é esse cara

e como posso conseguir isso?"

As pessoas sempre se interessam por coisas que não podem ter.

E, quando se trata de animais albinos,

o interesse é enorme.

Eu estava em Nova York.

Eu tinha uma loja na Third Avenue.

Nós importávamos e exportávamos répteis e anfíbios vivos.

Eu tinha um amigo em Bangkok, na Tailândia,

e ele contratou alguém

para invadir o local e roubá-las,

tirá-las das mãos do Sr. Dang.

Eu queria vendê-las e me livrar delas o quanto antes.

Bastou um dia para eu ligar para o Tom Crutchfield.

Acho que tudo depende de quem conhecemos.

O Alfred Ojeda disse que podia me oferecer três pítons-birmanesas albinas,

mas eu tinha que comprar as três

e o preço era US$ 21 mil.

Então fiz uma segunda hipoteca da casa para conseguir pagar por elas.

O Tom estava disposto a arriscar tudo para conseguir aquelas pítons albinas.

Eu não gostei nada daquilo, mas mesmo assim ele não desistiu.

Ele deu a casa como garantia

e pagou por elas.

Eu as enviei para ele nas mesmas caixas de madeira em que tinham chegado.

Lembro exatamente de quando vi aquela cobra.

Eu estava sentado na cadeira de um barbeiro,

lendo uma revista National Geographic.

Vi a foto dela e pensei: "Nossa, não consigo acreditar."

Era a cobra dos meus sonhos de juventude.

Essas mutações ocorrem muito raramente na natureza.

Se houver 10 mil exemplares, talvez um deles seja diferente.

Rara, especial,

desejável.

Eu entendia um pouco de genética

e tinha mestrado em herpetologia.

Pensei: "Caramba,

se eu conseguisse aquele animal,

poderia reproduzir albinos e talvez ganhar algum dinheiro."

Alguns meses depois,

soube que o Tommy Crutchfield tinha comprado.

Entrei em contato com o Tom

e disse: "Eu quero essa cobra."

O Bob veio até aqui.

Tenho fotos dele segurando o primeiro exemplar.

Era uma píton albina maravilhosa.

Amarelo vivo, olhos vermelhos,

linda, maravilhosa, a coisa mais linda do mundo.

Mas ele não queria vendê-la.

Eu propus o seguinte:

"Eu faço a reprodução, dividimos os filhotes, criamos um projeto

e trabalhamos nisso juntos."

Ele disse...

"Vou te cobrar US$ 10 mil pelo empréstimo

para reprodução.

Eu fico com metade de toda a ninhada

no primeiro ano."

Eu levei a cobra,

fiz a reprodução e consegui alguns filhotes.

Os filhotes pareciam normais,

mas carregavam o gene do albinismo

e tinham a capacidade de gerar albinos mais tarde.

Cruzei dois portadores do gene entre si

e obtive sete albinos.

Mas, ao cruzar albino com albino,

eu conseguia 30, 40 ou 50 filhotes numa única postura de ovos.

Algumas cobras têm muitos filhotes.

Assim, eu pude dobrar minha produção.

No primeiro ano consegui sete.

No ano seguinte, 70.

A partir daí, o crescimento foi exponencial.

Os filhotes produzidos podiam

ser vendidos por até US$ 15 mil cada um.

Todo mundo queria um.

A cobra do vídeo da Britney Spears

foi emprestada a ela por Siegfried & Roy.

Era uma cobra que eu tinha vendido para eles.

O Bob e eu ganhamos

uma quantia incrível de dinheiro.

Você chegou a ganhar US$ 1 milhão num ano?

- Não gosto de falar disso. - Mas ganhou dinheiro?

Sim, ganhei milhões de dólares criando cobras.

O Bob entendia a ciência por trás disso,

que aquela cobra podia produzir muitos dos chamados "morfos".

Descobriram que era possível cruzar animais

e criar variantes genéticas de cores diferentes.

Não só o branco albino,

mas também dourado, roxo e praticamente qualquer outra cor.

De repente, as pessoas estavam criando formas

geneticamente distintas que ninguém nunca tinha visto.

Pode-se atuar nesse ramo, é legalizado.

Pela primeira vez, as pessoas perceberam

que dava para ganhar a vida criando répteis.

Nossa receita com o negócio esse ano

provavelmente ficará na faixa de US$ 350 a 400 mil.

Provavelmente movimentamos entre US$ 250

e 300 mil em vendas por ano.

Faturamos cerca de US$ 2 milhões

em cinco anos.

Essa é uma cobra-do-milho sem escamas.

E eles conseguiam produzir esses animais como um confeiteiro faz biscoitos.

Esse é o macho. Nós o levamos de uma fêmea para a outra.

Eu sou especialista em variações de cor

como essa.

Essa é uma píton-real leucística de olhos negros.

E a primeira que eu vendi foi por US$ 200 mil.

Nós podemos criar um animal com a cor que você quiser.

Parece que está falando de carros personalizados.

- Você curte carros personalizados? - Carros não,

só cobras personalizadas.

Esse pessoal transforma manchas em listras,

cria cobras marrons, amarelas e brancas

e dá a elas nomes malucos,

como dreamsicle, golden child,

ghost baby

e tangerine dream.

Spinner blast.

Diablo blanco.

Essa é a minha cobra-de-monóculo leucística.

Essa cobra é linda para caramba.

Há variações de cor e cobras diferentes para adquirir.

E não são só cobras, mas qualquer tipo de réptil:

jacarés,

lagartos,

tartarugas, o que você imaginar.

É um vício do caramba, cara.

Essa febre das variações de cor

provavelmente foi o que realmente...

impulsionou meu negócio, mais que tudo.

O Tommy criou um centro de reprodução.

Eu tinha lagartos-monitores albinos

e iguanas albinas.

Vendi jacarés albinos por US$ 175 mil cada.

Eu estava de volta ao jogo.

Então é disso que todos estão falando.

- Você cria esses bichos? - Crio.

- Não, não pegue. - É só assim, entendi.

- Eu não tenho muita firmeza com eles. - Não é incrível?

- Eles parecem coisa de ficção científica. - É.

Você quase monopolizou o mercado desses animais.

É que sou bom em criá-los.

Muita gente tem a mesma habilidade, elas só não produzem os animais.

Você ganha dinheiro com as variações genéticas,

mas adora encontrar animais únicos, não só essas variações.

Eu gosto de todos os répteis.

Estar nesse ramo é

como um alcoólatra ser dono de uma loja de bebidas.

O Tom sabe criar répteis,

mas não é um homem de negócios no sentido administrativo.

Eu cuidava da gestão e,

embora entrasse muito dinheiro,

movimentávamos US$ 10, 20, 30 mil ou mais,

o dinheiro tendia a desaparecer.

Muita grana era reinvestida na compra de mais répteis.

O Tom sempre quis mais.

Ele queria o que era mais raro,

o melhor,

o mais incomum,

não importavam as consequências.

A vontade de ter algo não era nem tanto uma questão de dinheiro.

Tinha mais a ver com a obsessão de adquirir determinado animal.

Então se alguém te oferecia algo ilegal, você mordia a isca?

Se fosse algo que eu nunca tinha tido e eu quisesse

e tivesse que burlar as regras para conseguir,

com certeza.

E foi exatamente o que eu fiz.

Eu tinha conhecido dois alemães chamados Wolfgang Kloe e Frank Lehmeyer.

Eles contrabandeavam animais de Madagascar.

Eles começaram a vir

e a trazer os animais deles.

Eles não ligavam para o Serviço de Pesca e Vida Selvagem, leis ou regras.

Eles não estavam nem aí.

Nunca vou esquecer daquela cena na loja.

O Wolfgang Kloe entrou com duas caixas grandes

cheias de tartarugas.

E ficou óbvio muito rápido:

ele não tinha documentação.

Ele tinha acabado de chegar via Orlando

sem declarar 200 tartarugas.

O Tom, com a infinita sabedoria dele, mandou redigir um documento,

alegando que elas haviam sido importadas para os EUA

e vendidas legalmente.

Mandou reconhecer firma, parecia autêntico.

RECEBIDO

E esses alemães estavam trazendo muitas jiboias-arborícolas-de-Madagascar

ilegalmente para os EUA.

As jiboias-arborícolas-de-Madagascar são lindas demais.

Elas têm manchas principalmente douradas, pretas e marrons.

É uma cobra bonita, grande,

com dentes longos e afiados.

Não havia muitas de posse particular.

Disseram que podiam conseguir filhotes.

Se eu os queria?

Claro que eu queria.

O que eles faziam,

na verdade, era pegar fêmeas grávidas na natureza.

E transportavam esses animais em malas

para fora de Madagascar.

Levavam para Frankfurt, na Alemanha,

porque era fácil entrar com os animais lá.

E, quando os filhotes nasciam,

uma equipe na Alemanha recrutava

universitárias do Canadá.

A promessa era uma viagem à Europa.

VIAGEM GRATUITA À EUROPA PARA UNIVERSITÁRIAS

FRANKFURT, ALEMANHA

Elas voavam para Frankfurt, na Alemanha.

Tinham uma ótima viagem.

Recebiam as jiboias filhotes

e as instruções do que fazer.

Sem levantar suspeitas, levavam de volta uma mala

cheia de répteis não peçonhentos

para o Canadá.

Achavam que não seriam pegas.

Se fossem, só ouviriam: "Não façam mais isso."

E também tinha um segundo grupo de pessoas,

encarregadas de transportar os répteis de Toronto

até a Flórida.

Eles faziam isso pelo país todo.

Mas acho que eu era um dos maiores clientes deles.

E isso foi um problema.

O Tom não percebeu que o Frank e o Wolfgang haviam sido descobertos

em algum momento da operação.

OESTE DO COLORADO

Sempre fui caçador de animais de grande porte.

Abati meu primeiro cervo quando tinha 18 ou 19 anos.

Pouco depois,

fui contratado pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA

e comecei a caçar pessoas.

Polícia! Temos um mandado de busca!

Certo, saia daí.

Fique de costas para mim.

Quando entrei para a Unidade de Operações Especiais,

começamos a investigar a fundo o comércio de répteis.

Sabíamos desde o início que era um problema,

mas não tínhamos noção da dimensão

até a Strictly Reptiles ser fechada.

Graças às informações de inteligência que reunimos,

sabíamos que o maior contrabandista de vida selvagem do mundo era

o Anson Wong.

Mas o Anson não agia sozinho.

Havia contrabandistas e vendedores ilegais espalhados pelo mundo todo.

Queríamos ir atrás de todos eles.

Por isso, desenvolvemos a maior operação infiltrada

da história do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA:

a Operação Camaleão.

A Operação Camaleão foi um esforço de vários anos

da Unidade de Operações Especiais

para investigar o tráfico internacional de répteis.

O Anson Wong continuava sendo um alvo lógico.

Mas estávamos trabalhando em casos que abrangiam o mundo todo.

Tailândia,

Taiwan,

Hong Kong, Indonésia,

Alemanha.

Ao folhear isso aqui,

vemos muitos dos nomes de que tínhamos conhecimento,

as pessoas envolvidas no comércio ilegal.

Eram indivíduos que estávamos investigando.

Tornaram-se dois alvos óbvios

o Frank Lehmeyer

e o Wolfgang Kloe.

Sabíamos que eles capturavam animais e os traficavam a partir de Madagascar.

O Serviço de Pesca e Vida Selvagem precisava se infiltrar na operação deles.

Então trouxemos a elite das elites.

Quantos traficantes de répteis você acha que já prendeu?

Centenas.

- Centenas? - Talvez.

Fui avisado duas vezes sobre contratos encomendando a minha morte.

Fiquei preocupado,

mas tento não deixar que isso interfira

na missão da minha vida

de salvar répteis ameaçados de extinção e protegidos por lei.

Quando eu era criança, meus pais tinham um mapa na parede.

O primeiro lugar onde marquei um "X"

foi Madagascar.

Porque eu achava a lagartixa-diurna-de-madagascar

o animal mais lindo que já tinha visto em toda a minha vida.

Eu vivia e respirava répteis.

Lia todos os livros das bibliotecas.

Memorizava nomes científicos.

Aquilo virou uma obsessão,

quase um vício.

Eu fazia qualquer coisa para ficar perto de répteis.

Comecei como fiscal de vida selvagem

no Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA.

O fiscal abre o pacote com cautela,

mantendo distância

e usando o que chamamos de gancho de serpente,

para garantir

que nenhuma cobra tenha escapado das malas,

chamadas de malas de cobras.

Esse é um animal bem atraente.

Quando fui aceito como agente especial,

fiquei radiante.

Eu era particularmente bom em trabalhos infiltrados.

Muito prazer.

Sou Mark Phillips.

Eu era conhecido como Mark Phillips,

um empresário do ramo de roupas esportivas

e colecionador de répteis de alto valor.

Bom dia. Você ligou para a Kiwi Sportswear,

escritório do distribuidor Mark Phillips.

O Sr. Phillips está em outra linha

ou indisponível para atender sua ligação.

Sr. Mark, estou tentando fechar negócio com dois pares.

Vou ter que te dar uma resposta amanhã.

Um traficante precisa ser um mentiroso muito bom para ter sucesso.

E um agente infiltrado precisa ser um mentiroso ainda melhor.

Os melhores agentes infiltrados eram os melhores mentirosos.

Conseguiu pensar sobre aquelas tartarugas-irradiadas?

Pode fazer um preço fechado por elas?

Eu dominava a linguagem, sabia a lábia e agia como um deles.

Essa é uma daquelas cobras em que pensamos quando estamos batendo uma.

Eu era o supervisor direto do Ken em campo.

As pessoas me diziam:

"Você precisa fazer aquele cara parar de trabalhar tanto."

Eu respondia:

"O trabalho é a vida dele."

Eu o considerava um especialista em répteis.

Ele tinha conhecimento,

sabia manuseá-los, identificá-los e de onde vinham.

As fêmeas vêm do Novo México e os machos, do Arizona.

Como se identifica o sexo deles?

Pelas escamas. Quer que eu mostre?

- Se não se importar. - Certo.

Usei minhas habilidades

e foquei em capturar

o alvo da investigação.

Alô?

Alô, é o Frank?

- Sim. - Frank, aqui é o Mark Phillips, dos EUA.

Oi.

O Frank Lehmeyer era amigo de um canadense com quem eu havia feito amizade.

Ele disse que tínhamos um interesse em comum por répteis

e que talvez pudéssemos fazer alguns negócios juntos no futuro,

o que seria benéfico para nós dois.

Ele me explicou por telefone,

com muita franqueza,

que tinham acabado de voltar de Madagascar

e que tinham vários exemplares de tartaruga-irradiada.

Meu amigo, que vai para Nova York,

estará lá no sábado.

Sábado? Ótimo.

E combinamos uma compra.

NOVA YORK

Eu voei para Nova York.

Os alemães não vieram para os Estados Unidos.

Eles iam mandar um entregador.

O endereço onde eles estão hospedados é Park Avenue, 301.

É no hotel Waldorf Astoria.

Levei uma câmera de vídeo

numa maleta.

Encontre meu amigo às 8h, na recepção, sábado de manhã.

Eu me encontrei com o entregador.

Subimos para o quarto dele.

Ele foi até a gaveta da cômoda

e tirou uma caixa cheia de tartarugas-irradiadas de Madagascar.

Elas parecem estar bem.

Consegui provar que eu era gente boa

e que podiam confiar em mim.

Cem, duzentos, trezentos,

quatrocentos, quinhentos, seiscentos...

Lehmeyer.

Alô, o Frank está em casa?

Sim, espere um minuto, por favor.

Pouco tempo depois,

o Wolfgang Kloe e o Frank Lehmeyer já estavam

conversando comigo toda semana.

Alô, aqui é o Frank, da Alemanha.

Estou ligando tão tarde

porque fiquei preso numa reunião de negócios e não pude...

É, na verdade, se você pudesse nos arranjar um verde

e um marrom, seria ótimo.

Eu queria trazê-los para o país.

Vocês planejam vir para os Estados Unidos?

Até que, certo dia,

eles me disseram que iam trazer

algumas sanzinia, ou jiboias-arborícolas de Madagascar,

para os Estados Unidos.

Eu certamente gostaria de comprar alguns dos seus filhotes.

Com certeza iremos à exposição no dia 16 de agosto.

Ele marcou um encontro na exposição.

Era a minha chance de pegar o cartel alemão.

Provavelmente estarei com a roupa que costumo usar:

botas estilo western e calça jeans azul.

Tenho cabelo loiro preso num rabo de cavalo.

ORLANDO, FLÓRIDA

A Central Florida Herpetological está realizando sua exposição de criadores

em Orlando.

"Herpetológico",

alguém tem ideia do que isso significa?

Tem a ver com cobras.

Ei, como você sabia?

O produtor do estúdio me soprou.

O único jeito de superar o medo de cobras é aceitá-las e respeitá-las.

E posso dizer que, nesse momento, eu definitivamente as respeito.

Pessoas de todo o mundo vinham para a Flórida Central.

Era um lugar que se precisava visitar.

Criadores de animais em cativeiro iam à exposição para exibir os exemplares.

As marcações e a coloração desse animal são maravilhosas.

A exposição era o Woodstock das feiras de répteis.

O jovem que perdeu a píton-real no banheiro masculino,

apresente-se no balcão do microfone.

Todos os vendedores famosos estavam lá.

Esse é um aligátor-americano albino.

É um dos sete únicos conhecidos no mundo.

Vai ser vendido por cerca de US$ 125 mil.

Foi um evento incrível.

O único problema é que o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA adorou,

porque não precisaram viajar o mundo todo para prender essas pessoas.

Sabíamos que havia um enorme comércio legal

de animais silvestres na exposição

e isso servia de fachada para o tráfico de animais.

LISTA ALFABÉTICA DOS VENDEDORES

Era a maior concentração de contrabandistas

e vendedores de répteis reunidos.

O equivalente seria um encontro anual de cartéis de drogas

em Juárez.

O contrabando não acontecia propriamente no salão de exposição.

Todo mundo negociava nos quartos de motel.

É dia 16 de agosto.

Sou o agente especial George Morrison.

Preparei o quarto,

fiz furos nos armários e instalei uma lente pinhole.

A partir do ponto onde a câmera com a lente pinhole faria a filmagem,

eu passei fios por baixo do carpete

até o cômodo ao lado,

conectando-os ao gravador de vídeo.

Gravando.

- Oi, como vai? - Tudo bem?

O Frank Lehmeyer não entrou nos Estados Unidos,

mas o Wolfgang Kloe entrou.

Quer uma Corona?

Uma Coors?

Não sei.

Aqui está.

Os alemães contrabandearam

cerca de 80 jiboias-arborícolas de Madagascar.

Sanzinias fresquinhas!

Mais frescas do que isso, impossível, não é?

Eu estava no cômodo ao lado,

gravando e pronto

para proteger o agente se algo desse errado,

se toda a operação desse errado.

E isso é muito difícil de encontrar.

Gravei toda a troca de répteis por dinheiro

e as confissões de culpa dos acusados.

Caminhamos pela floresta em Madagascar.

Está bem, ótimo.

Hora de pagar.

Deixe eu pegar a carteira.

Claro.

Aqui comigo, eu tenho US$ 500 em dinheiro

e vou te passar um cheque de US$ 200.

E você é o Wolfgang Kloe, certo? - Isso.

Depois de documentarmos atividade criminosa suficiente,

estávamos prontos

para prender o Wolfgang Kloe.

Um brinde!

A uma relação longa e próspera.

Sabíamos que o Wolfgang Kloe iria a um restaurante próximo.

Os agentes o prenderam lá.

Ele pediu para não ser algemado com as mãos nas costas.

Eu considerei aquilo um ato básico e decente de gentileza.

O agente que o prendeu algemou-o pela frente.

Colocaram-no no banco de trás de um carro,

com um agente ao volante,

para levá-lo à prisão

em Orlando.

Bem,

ao chegarem a uma praça de pedágio na Florida's Turnpike...

O Wolfgang Kloe saltou do carro.

Nosso agente deixou o carro parado no meio da praça de pedágio

e foi atrás dele.

Houve uma perseguição a pé.

Ele atravessou oito faixas de trânsito correndo,

algemado

e de sandálias Birkenstock.

Ele conseguiu pular a cerca do outro lado da rodovia

e seguiu em direção ao bairro.

Um operário da construção civil que estava na região o viu

correndo algemado

e o conteve para nós.

Houve muita comemoração no rádio da polícia

quando isso aconteceu.

Este é o depoimento de Wolfgang Kloe.

Você jura dizer a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade?

Sim, eu juro.

Elinor Colbourn, em nome dos Estados Unidos.

Eu era advogada de litígios

na Seção de Vida Selvagem e Recursos Marinhos.

Viajei para Orlando para acompanhar a prisão

e estar presente caso surgisse alguma situação.

O senhor já capturou alguma cobra?

Sim, capturei.

Na natureza?

Sim, na natureza.

Em algum momento, o senhor vendeu algum desses animais?

Sim, nós vendemos esses animais.

Para quem vocês os venderam?

Vendemos esses animais

para a Reptile Enterprises, do Tom Crutchfield.

Constatamos que havia, de fato,

um relacionamento contínuo

com o Tom Crutchfield.

Apresento ao senhor, Sr. Kloe,

o item marcado como prova de acusação nº 3.

É o prédio onde fica a loja de répteis do Tom Crutchfield, isso mesmo.

Ficamos naquela região por uns dois ou três dias

e íamos à loja dele quase todo dia.

E então,

logo depois, essa parte do caso avançou rapidamente.

Eu comecei a redigir um mandado de busca

para a empresa do Tom Crutchfield.

Era a segunda vez que pegávamos o Crutchfield.

Dessa vez, ele receberia uma boa condenação.

Tínhamos ido comer no Catfish Johnny's, que é um restaurante.

Os agentes do Serviço de Pesca e Vida Selvagem entraram

pela porta da frente.

Um sujeito chamado Ernie, não sei o que,

apareceu dizendo:

"Agente federal, Serviço de Pesca e Vida Selvagem."

Tínhamos um mandado de busca para a empresa dele.

Queríamos que ele nos acompanhasse.

Eu perguntei: "Não poderei comer? Tenho que ir junto?"

- Ele respondeu: "É." - Disse ao Tom:

"Você não está preso,

mas vamos revistar sua empresa."

O Tom Crutchfield nos acompanhou até a loja dele.

Foi uma experiência surreal

entrar no escritório do Tom.

Estávamos procurando documentos

e lá havia uma caixa de guardar roupas

com filhotes de crocodilo-cubano saindo dos ovos.

Não é algo que se vê todo dia.

Quando cumprimos o mandado,

a reação do Tom Crutchfield foi claramente:

"Caramba, não são só os agentes locais.

Isso é algo muito mais sério."

Eu não fazia a menor ideia do que estava acontecendo.

Eles revistaram minha loja inteira.

Estávamos procurando provas incriminadoras para consolidar o caso

de conspiração

para violar a lei federal.

Basicamente, tivemos que examinar cada pasta

e cada armário que ele tinha lá.

Havia alguns animais em questão.

Eu tive que revistar a sala dos animais peçonhentos sozinho.

Foram algumas horas tensas abrindo aquelas caixas.

Havia uma cobra grande que ficava tentando me picar no traseiro

enquanto eu me abaixava.

Foi muito engraçado.

Parecia que ele ia vomitar.

Eu comecei a rir, é claro.

Eles revistaram os escritórios,

revistaram as gavetas das mesas

e levaram caixas e mais caixas de coisas.

Ficaram lá por muito tempo.

Eles desligaram tudo, levaram todos os computadores.

Levaram nossos animais.

Ficamos lá umas cinco ou seis horas.

Tínhamos documentos incriminadores muito bons

que poderiam levar à condenação do Tom Crutchfield.

Algumas semanas depois do mandado de busca...

um agente do Serviço de Pesca e Vida Selvagem foi até o local.

O lugar já estava completamente vazio.

Tudo o que encontramos foi um bando de crianças da vizinhança

correndo entre as árvores,

perseguindo lagartos exóticos que pulavam por toda parte.

Depois que revistaram minha loja,

eu sabia que a coisa ia desmoronar. Eu estava em liberdade condicional

e percebi que aquilo nunca ia acabar.

Percebi que liberdade e justiça não são para todos.

Bom dia, Belize, e bom dia

Digo bom dia, Belize, e bom dia

E como vocês estão nessa manhã?

A boa notícia sobre Belize é que não há notícias de Belize.

O país vive no seu próprio mundo.

Se fosse para criar um lema para Belize, poderia ser:

"Sem estresse."

Descobri que não podíamos ser extraditados de Belize

por nenhuma acusação relacionada à vida selvagem,

então fomos para lá de carro em 1996.

Abrimos uma locadora de veículos.

Comprei vários carros para alugar. Chamava-se Iguana Car Rental.

Às vezes, eu mesmo levava as pessoas para passeios,

numa espécie de ecoturismo.

Estava indo muito bem, na verdade.

Eu não estava feliz.

Foi muito difícil para os meus filhos deixarem os Estados Unidos,

onde tinham todos os amigos deles.

A Vanessa teve que sair do ensino médio.

Tentávamos manter as coisas sob controle por lá,

mas era muito difícil.

Era muito estressante ser fugitiva,

porque eles continuavam nos perseguindo.

Logo descobrimos que o Tom havia fugido para Belize

para escapar das acusações da Operação Camaleão.

Na minha cabeça,

eu pensei: "Na verdade, isso é ótimo."

Porque ele tinha acabado de cometer um crime grave

ao fugir do país.

Claro, isso nos trouxe um problema.

Como poríamos as mãos nele?

Entramos em contato com as autoridades de Belize

e elas prontamente conduziram uma investigação própria.

As pessoas que moravam na casa no final da rua ficavam

nos observando com binóculos.

Era assustador.

Descobrimos que a família administrava um negócio ilegal de répteis

a partir de onde estavam em Belize.

Ele nunca aprendeu a lição.

Nunca mudou de rumo.

Foi isso que acabou com ele:

pura arrogância

e a obsessão dele por répteis.

A polícia de Belize não anda armada.

Mas, no meu caso, eles foram armados.

A Unidade Dragon de Belize apareceu na minha casa

com metralhadoras e tudo.

Eles foram atrás do meu pai como se ele fosse um assassino.

Somos pessoas que amam animais, foi estranho.

Eles me prenderam e me levaram para a delegacia

da Raccoon Street.

Eu estava em estado de choque.

Foi o meu pior pesadelo.

O Tom foi preso e mandado para a prisão em Belize.

E não conseguimos tirá-lo de lá.

Então eu estava lá, na prisão de Hattieville,

numa cela com um cara que esfaqueou o companheiro de cela anterior numa briga

e o matou.

A prisão de Hattieville tem a fama

de ser talvez uma das piores

da América do Norte ou Central.

Tinha um guarda prisional brutal que andava com um porrete grande.

Uma vez, ele levantou o porrete para mim, eu me virei, olhei para ele e disse:

"Escute aqui, seu filho da puta nojento.

Se você me bater com esse porrete,

eu vou arrancar essa arma do seu cós

e enfiá-la atravessada no seu rabo de merda.

Eu vou te matar.

E os outros guardas vão me matar,

mas quero que você se lembre: minha família está lá fora.

Eles vão matar todo mundo da porra da sua família.

Vamos começar pelas galinhas

e chegar até os avós.

Eu prometo.

Não é uma ameaça, é uma promessa, porra.

Me bata com isso, seu trouxa."

Ele não bateu.

Era horrível.

Pessoas viviam sendo assassinadas lá.

Dava medo ter que ir visitá-lo

e levar água e comida para ele.

De manhã, serviam um pedaço de pão

de cerca de 115 gramas,

cheio de bichos e tal.

O almoço era uma caneca de arroz com feijão

e um pé de galinha.

Um pé.

Não a coxa, mas o pé mesmo, com os dedos.

Foi aí que percebi que a felicidade é, na verdade,

um estado de espírito, não um estado de ser.

Queríamos muito que o Tom Crutchfield voltasse para cá,

então o Departamento de Justiça dos EUA

e a Elinor Colbourn

pressionaram o governo de Belize

para que o Tom Crutchfield fosse extraditado para os Estados Unidos.

Fomos informados sobre o voo em que o colocaram.

Era um voo direto para Miami, então conseguimos recebê-lo lá

e levá-lo sob custódia.

Assim que voltei,

fui indiciado por comprar

animais silvestres contrabandeados pelos alemães.

O Wolfgang Kloe foi condenado a 46 meses de prisão.

O Frank Lehmeyer testemunhou contra ele num tribunal na Alemanha.

Pelo que sei,

ele foi multado em US$ 160 mil.

O Tom Crutchfield acabou se declarando culpado

de sete acusações criminais.

Ele foi condenado a 30 meses de prisão

e a três anos de liberdade condicional.

Minha punição foi

cumprir seis meses

de prisão domiciliar

e depois usar tornozeleira eletrônica por mais seis meses.

A minha mãe,

minha doce e gentil mãe,

acabou tendo que usar tornozeleira eletrônica.

A Penny Crutchfield foi uma vítima do Tom Crutchfield, na minha opinião.

Ela teve uma parcela de culpa, não me entenda mal.

Não sei se era amor

ou só a forte vontade dele de manipular as pessoas,

porque ele era um manipulador.

Qual foi seu crime? Do que você foi acusada?

Fui acusada de contrabando de répteis,

apesar de eu não ter contrabandeado.

Bem...

não que isso pudesse ser provado.

Esses problemas com o Serviço de Pesca e Vida Selvagem

acabaram desgastando o casamento.

Isso desgastaria qualquer casamento.

Minha mãe apoiou meu pai em todos os problemas jurídicos e tal.

Foi só depois que tudo isso terminou que eles acabaram

se separando e se divorciando.

Eu amava o Tom.

Eu ainda amo o Tom,

mas a grande paixão da vida dele são os répteis.

Depois de um tempo,

eu pensei: "Bem, para mim chega."

NÃO HÁ NADA AQUI VALE A SUA VIDA

Puxa, que cobra linda.

Nossa!

É uma naja do Paquistão. Não existe soro antiofídico.

Se ela te picar, você logo morre.

Sinto que, no mundo dos répteis,

existe um certo tipo de pessoas

em quem eu não acho que seja uma boa ideia confiar.

Elas querem as coisas e pronto.

É o vício delas em cobras e répteis, é isso.

SERVIÇO DE PESCA E VIDA SELVAGEM DOS EUA BURLINGAME, CALIFÓRNIA

Sou o agente especial Ken McCloud,

da Divisão de Aplicação da Lei

do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA.

O Tom Crutchfield estava numa prisão federal.

E eu estava entrevistando o vice-presidente dele,

o Adamm Smith.

Entrevistamos o sujeito das 8h às 23h,

durante dois dias seguidos.

O Ken McCloud era muito pessoal,

e despretensioso.

Nos deixava à vontade.

Conversa vai, conversa vem e acabamos nos metendo em encrenca.

O Adamm Smith contou ao Serviço de Pesca e Vida Selvagem

absolutamente tudo o que veio à cabeça dele.

O Tom entrou na jogada.

Ele fez um bom negócio

Foi para a Austrália e...

"Eu troco US$ 50 mil...

Tem esses jacarés, não sei se são de verdade.

Eu entro com US$ 60 mil."

Depois de várias horas...

Ele os mandou ao Zoológico de San Diego.

...o Adamm Smith mencionou o Tom Schultz,

do Zoológico de San Diego.

Aí nós paramos e eu perguntei:

"O quê?

Do que você está falando?"

E ele disse: "Você não sabe?"

O Tom Schultz e o Tom Crutchfield eram grandes amigos.

O Tom Schultz era o curador de répteis.

Ele era curador de répteis

no Zoológico de San Diego.

Um cara incrível.

O Tom Schultz.

Era o maior zoológico do país.

Você pertence ao zoológico

O Zoológico de San Diego

A partir da década de 1970,

sabíamos que zoológicos importantes de todo o país

estavam comprando animais provenientes do tráfico

sabendo das origens deles.

Queriam os animais para as coleções deles

e os compravam de contrabandistas.

Mas, durante anos,

o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA acreditou

que os grandes zoológicos eram intocáveis.

Nos anos em que conheci o Tom Schultz

e fiz negócios com o Zoológico de San Diego,

eles compraram centenas de animais de mim.

Ele comprava animais que sabia que eram ilegais,

incluindo pítons-woma,

pítons-de-cabeça-negra

e pítons-carpete.

Ele sempre queria o que havia de mais raro.

Basicamente, era uma relação simbiótica.

O Tom Schultz vinha buscar os animais

e havia uma troca constante.

Um ajudava o outro.

O Tom Schultz vendia animais que pertenciam

ao Zoológico de San Diego

e depositava o dinheiro

nas contas bancárias pessoais dele.

Ao examinarmos os registros,

achamos itens como relógios Rolex que haviam mudado de dono.

Encontramos diversos registros:

cheques bancários, depósitos, registros telefônicos,

passagens aéreas,

registros de motéis.

O Tom Schultz estava enganando todo mundo

e ganhando quantias enormes de dinheiro.

Tínhamos provas suficientes

para condenar o Tom Schultz

por vários crimes federais.

No final, ele fechou um acordo judicial e concordou em deixar o cargo

de curador de répteis.

Provamos que os zoológicos não são intocáveis.

Isso abalou muitos curadores.

Foi um verdadeiro tapa na cara, um alerta.

Os zoológicos decidiram, então, se reinventar.

Havia uma pressão enorme.

Os zoológicos tiveram que adotar uma imagem ecológica

e se voltar para a conservação.

Criaram departamentos de educação.

Criaram cargos de curador de conservação.

Adultos e crianças.

E o fato é que, atualmente,

mais pessoas visitam zoológicos e aquários

a cada ano nos Estados Unidos

do que todos os eventos esportivos profissionais somados.

E, no entanto, duvido que muitas pessoas, ao olharem para os animais nos zoológicos,

sequer pensem na origem deles.

Muitos são adquiridos de pessoas como eu.

Provavelmente, o aspecto mais revelador,

quando tivemos acesso aos registros do Tom Schultz,

foi a conexão que ele tinha com o Anson Wong

por meio do Tommy Crutchfield.

Alguns dos animais mais raros do Zoológico de San Diego

passaram pelas mãos do Anson Wong.

A rede do Anson Wong parecia não ter fim.

Após todo aquele trabalho pesado e árduo,

jornadas de 16 horas, os altos e baixos,

o estresse a que nos sujeitamos,

além de todo o tempo, esforço e dinheiro investidos,

fomos atrás das maiores e das piores pessoas.

O Anson Wong ainda operava livremente a partir da Malásia,

então precisávamos definir o próximo passo.

O que faríamos?

E acho que uma parte de mim dizia:

"Já chega disso.

Vou ter que fazer algo. Vou ter que acabar com isso."

Beleza!

Para levar o Wong a um ponto onde pudéssemos prendê-lo,

eu teria que me aproximar dele pessoalmente,

tentar fazer com que ele confiasse em mim e virássemos amigos.

Estou ligando.

Foi tudo extremamente bem planejado,

mas não sabíamos no que estávamos nos metendo.

Não se engane:

você não tem ideia de como ele é perigoso.

Já tinha ouvido boatos

de que o Anson Wong tinha ligações com a máfia chinesa.

Há organizações criminosas envolvidas.

Agem de forma descarada no mundo todo.

Ele pode ser um cara perigoso.

Ele é perigoso para caramba.

Anson?

Legendas: Winicius Sturm

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