All language subtitles for How to Divorce During the War (2026)

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Original subtitles

Legendado por Cabine de Projeção

Adaptação e Revisão: Lzito

...e os EUA,

a União Europeia deve confirmar hoje seu pacote de sanções.

Desde que Vladimir Putin ordenou o envio das forças russas

às chamadas regiões marionetes de Luhansk e Donetsk,

os bombardeios no leste ucraniano não param.

[Ucraniano] Todo dia, dia e noite...

Primeiro, parabéns pelos prêmios.

Muito obrigado.

Vamos ao que interessa.

Pode contar de onde veio a ideia para o seu filme?

Tirei da própria vida.

Pode detalhar um pouco mais?

Eu só queria fazer um filme

em que o público lituano pudesse

se reconhecer e se identificar com os personagens.

E acho que os anos 90 foram únicos na história da Lituânia.

Um período que o cinema lituano ainda precisa descobrir.

Olhando agora com o devido distanciamento,

podemos ver como nós éramos.

Corta!

Dá para colocar mais expressão?

Mais expressão?

- É, o produtor pediu. - Tá bom.

- Obrigado, Marija. - Bom trabalho.

E gravando!

Ficou ótimo. Pode postar.

E as cores? Que tal diminuir o rosa?

Pode ser, se quiser.

Beleza.

Parabéns!

- Pelo quê? - Pelos 100 milhões de views!

Obrigada. Parabéns para você também.

Vocês mandaram muito bem.

Todo mundo ama cães e crianças.

Ah, fala sério.

Só os seus trabalhos chegam nisso.

Você é uma chefe foda.

- Tudo bem? Parece meio distraída. - Ah, não.

Não elogia tanto, senão fico convencida.

Você pode.

Queria falar uma coisa com você.

Nossa filial na Ucrânia está meio bagunçada.

E eu queria que eles viessem aprender com você.

Tem a ver com as conversas sobre a guerra?

Guerra? Não! O conteúdo deles nunca ganha atenção.

Não sei qual é o problema.

A análise e a criação parecem boas,

mas não dão visualizações.

Que tal mandá-los para a filial russa?

Não, o pessoal lá é muito pirado.

- E então? - Tá, se for útil, tudo bem.

Você leu em voz alta hoje?

- Li. - Como você se saiu?

Fui bem, mas preciso de ajuda para escrever uma redação.

Não ando muito inspirado ultimamente.

- Qual é o tema? - "O que quero ser quando crescer".

Nossa, passam temas assim?

E o que você vai escrever?

Não sei ainda. Atriz, talvez.

Você quer ser atriz?

Não sei, talvez.

Por que atriz?

Atores fingem ser outras pessoas.

Você gosta de fingir?

Não sei.

Como está indo o roteiro?

Poderia estar melhor.

Pai, você consegue.

Eu sei, uma hora vai.

Onde você rasgou o suéter?

Bem ali.

Nem sei, nem percebi.

Sem problemas.

Pega uma linha e faz um nó.

Para não soltar. Assim, ó.

Viu?

Disfarçar o nó é o mais difícil com esses meus dedos gordos.

Onde está o furo?

Segura assim,

vira do avesso,

espeta a agulha

e puxa por este lado.

Aí faz uma laçada assim.

Viu só?

- Quer tentar? - Quero.

Toma.

Só não fura o dedo, senão sua mãe me mata.

Tá.

Está indo muito bem.

Vai com calma.

Acho que devia ser costureira.

Vytas.

E a aula de música da Dovile?

Puts, a gente dormiu.

Dez minutos. Vamos acordá-la.

- Deixa ela dormir, não dá tempo. - Tá brincando?

A gente se atrasa um pouco, vamos.

Dovile, querida, acorda.

Hora da aula de violino.

- Eu dormi demais? - Dormiu, mas tudo bem.

Pode descansar, eu a levo.

Vamos juntos.

Cadê o violino? Eu pego.

Precisamos trocar a lava-louças e o depurador da cozinha.

Não esquece o violino, Dovile.

Sempre encontro prato sujo na lava-louças.

Minha roupa fica fedendo quando cozinho.

Pede desculpas para a professora pelo atraso?

- Claro. - E me liga quando acabar.

Olha, dá para sentir a gordura?

- Não. - Sinto cheiro de óleo.

Que tal reformar a cozinha?

Vytas...

Precisamos conversar.

Sobre o quê?

Aconteceu alguma coisa?

Quero dar um tempo.

O quê? Tipo férias?

Não. Não são férias.

O quê, divórcio?

Marija?

Sim.

Sério?

Mas por quê? Fiz algo de errado?

Não, você não fez nada de errado.

- O que é, então? Tem outro? - Não.

O que é, então? Me explica.

Não sei. Eu só...

Acho que não te amo mais.

Você "acha"?

Fala alguma coisa.

- Fala! - Falar o quê?

Como assim "o quê", Marija?

Eu não te amo mais!

- Não me ama? - Não.

Não me ama...

Tem noção do que está fazendo?

Pensei muito nisso.

Há quanto tempo planejava isso?

- Há meses. - O quê?!

Caralho, há meses!

Por que não falou nada?

- Desculpa. - Como assim desculpa?

O que isso quer dizer, Marija?

O amor muda com os anos. Se não tem outro...

E o que eu faço agora?

E o apartamento? Quer que eu saia?

- Não precisa ser já. - É minha casa. Eu construí.

Eu paguei o apartamento. Foi com meu dinheiro.

- Vai falar de dinheiro agora? - Não! Não me importo com isso.

Escuta, Marija.

Não vamos desistir assim. Vamos tentar terapia, por favor.

Vytas, por favor, não dificulte as coisas ainda mais.

- Acabou. - "Não dificulte"?

- "Acabou"? - É, acabou!

Não quero mais morar com você.

Dormir com você, te ver todo dia, sentar à mesa com você.

Assistir a filmes com você,

ler livros chatos só para parecer cult.

Tô cansada de você, entediada.

Sempre trancados em casa. Cansei dos seus amigos.

Cansei de bancar a esposa legal.

Sempre fingindo ser quem eu não sou.

Entendeu? Não aguento mais, não quero!

Eu não tenho amigos.

Claro... Sei.

Você não tem amigo nenhum.

- O que quer dizer? - Não sabe?

- Não entendeu? - Não, não entendi.

- Não entendeu? - Não! Está com ódio de mim?

Eu me sinto miserável com você.

Tão miserável.

Nunca achei que acabaríamos assim.

- Achei que a vida seria diferente. - Diferente como?

- Me fala. Somos jovens, Marija. - Não somos mais, Vytas.

A vida devia ser empolgante.

E acabou virando...

uma grande merda.

É tudo... certinho demais.

Confortável demais, tão sem graça...

Tá me sufocando.

Me solta, seu idiota!

Desculpa, Marija.

Que fracassado.

Você é um bosta, Vytas. Um fracassado.

Eu te odeio! Você estraga tudo!

- Você estraga tudo! Te odeio! - O que eu estrago, Marija?

Tudo que eu faço é por você!

Eu limpo cada canto dessa casa!

Cuido da Dovile, faço a comida!

É disso que eu precisava, uma dona de casa! Incrível!

O que você quer, então? Me fala que eu faço!

Seja como era há doze anos.

Claro, só quer beber e curtir. Essa é a sua vida dos sonhos?

É. Por que não, Vytas?

Você era legal, inteligente, talentoso. Lembra?

Você era cineasta.

Você era incrível!

E agora é só um dono de casa que eu tenho que sustentar

e ainda dar mesada!

Sabe o que você é?

Um babaca ingrata.

Você não dá valor ao que eu faço pela gente.

Carrego todas as tarefas chatas nas costas.

Cozinho, lavo roupa e cuido do apartamento.

- Com o meu dinheiro. - Foda-se o seu dinheiro!

Foda-se o seu trabalho. O que você faz lá?

Vídeos de merda para idiotas ficarem ainda mais burros.

Cala a boca!

Mas você é tão clichê.

"A vida tá me sufocando..." "Queria uma vida diferente..."

Podia ter mais classe. Nem os filmes e livros ajudaram.

- Vai se foder. - Agora sim.

E como vamos viver?

- Não sei, de algum jeito. - "De algum jeito."

Não mereço essa merda toda.

Fui bom demais para você.

Talvez me amasse mais se eu te enforcasse mais vezes.

Talvez.

Podia ter falado há dois meses. Por que não falou?

Não podia. Que diferença faria?

A gente conversaria, moraria separado um tempo.

Qual seria o sentido?

Não tá mentindo? Não tem mesmo outro?

Não estou mentindo.

Se tivesse, eu o enforcaria.

Ou melhor, dava um tiro.

Ia atirar com o quê?

- Alô? - Terminei. Onde você tá?

No mesmo lugar de antes.

Tô indo.

Até.

E a Dovile?

Falamos disso depois.

- Oi. - Oi.

- Como foi? - Foi bom.

O que você tocou hoje?

Esqueci o nome.

A professora se irritou com o seu atraso?

Não, foi tranquilo. A Ugne chegou mais tarde.

Ela esqueceu o violino e teve que pedir emprestado.

E aí tocou super mal.

Que bom.

Mãe, posso jogar no seu celular? Fiquei sem internet.

O último trem sai em dez minutos.

Essa cabeça me deu um problemaço na escola.

Estamos superatrasados!

Pode ficar aqui até achar outro lugar.

- Como é que é? - Qual é o problema?

Que outro lugar? Eu não tenho dinheiro.

Eu te ajudo, te dou dinheiro.

Arruma um emprego, escreve um roteiro, sei lá, ganha na loteria.

Não quero seu dinheiro. Por que tá fazendo isso comigo?

Não vamos começar com isso.

Não quero ir embora.

Essa é a minha casa. É aqui que eu quero morar, Marija.

A Dovile vai ouvir.

Toma dois, faz efeito mais rápido.

Obrigado.

Mãe!

Acorda. Acorda!

Cadê o papai?

Que horas são?

Podemos comer Nutella no café?

Só um momento.

Vytas! Acorda!

- A guerra começou. - O quê?

Os russos invadiram a Ucrânia.

...do regime de Kiev.

Nosso objetivo é a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia.

Ataques com mísseis e aéreos nas principais cidades ucranianas.

O que vai acontecer agora?

Os russos vão nos atacar?

Ninguém vai atacar a gente. Se arruma, vai se atrasar.

- Quero assistir. - É hora da escola, vamos logo.

O Facebook tá bombando.

- Meu Deus. - Loucura.

Parasitas.

Tá bom, vamos.

...no nordeste, perto de Kharkiv.

A Rússia diz atacar apenas alvos militares,

mas civis ucranianos em Chuhuiv...

Não se preocupe, Dovile. Não estamos em guerra.

Vai ficar tudo bem.

- Tá? - Tá.

Te amo.

Eu sei. Tchau.

Tenha um bom dia, mocinha.

- Bom dia. - Bom dia.

- Cara, você viu? - Claro.

Uma merda total. Para dizer o mínimo.

Os russos vão tomar a Ucrânia em dois dias.

- Acha mesmo? - Com certeza. É o exército russo.

- Acha que os próximos somos nós? - Aqui na Lituânia?

Capaz, somos da OTAN.

Acho que somos os próximos.

- Ninguém vai defender a gente. - Nós vamos nos defender.

Não tenho tanta certeza.

Nossos avós diziam que onde os russos pisam...

Deus nos livre.

Nós seremos os próximos.

- Não atacariam um país da OTAN. - Bom dia.

Espero mesmo que não.

Falou com o Vytas?

Foi difícil?

Com certeza.

Eu virei a vida dele do avesso.

Sim, mas... não tinha outro jeito.

Não sei.

Eu disse que ele pode ficar até achar outro lugar.

Acha uma boa ideia?

Preferia que eu o jogasse na rua?

Ele é um homem adulto, sabe se cuidar.

E pode ir morar com os pais.

É, pois é.

Como a Dovile reagiu?

Não contamos a ela. É difícil demais.

Eu sei.

Tenho orgulho de você.

Doze anos é bastante tempo.

Sim, mas você tem a vida toda pela frente.

Fico com tanta pena dele.

Imagino.

Com o tempo, tudo se ajeita.

Sei que é um momento difícil,

mas devia dar uma palavra com o pessoal sobre a Ucrânia.

Estão todos chocados.

Saulius teve crise de pânico.

É terrível.

Nem consigo acreditar.

Ninguém consegue.

Atenção todos, por favor?

Podem se aproximar um segundo?

Venham. Você também, venha.

Hoje está sendo um dia terrível.

Assim como vocês, custa a acreditar no que está acontecendo.

É muito difícil dizer algo num momento como este.

Dá muito medo.

Nem sei como consolá-los, de verdade.

Pelo menos a guerra não chegou aqui.

Eu também estou assustada.

Mas precisamos nos recompor e focar no trabalho.

É isso, gente. Vamos ao trabalho.

Não podemos parar, temos que seguir.

A guerra está perto, mas não aqui, certo?

Vamos ao trabalho.

Vocês ouviram a Marija.

Está difícil para todos nós, então...

vamos voltar ao trabalho, tá?

Desliguem o celular para não se estressarem.

Nem imagino o que os ucranianos devem estar sentindo.

Imagina você aqui, comendo sushi e olhando pela janela.

Crianças correndo, carros passando, passarinhos voando.

De repente, ouve um avião, uma explosão de sirenes.

Você continua comendo sem saber o que há de errado.

Aí explode o quintal onde as crianças brincavam.

Fogo, vidros quebrando, gritos ao longe.

Corpos pela rua.

Você corre para se esconder, deixando tudo para trás...

Chega desse assunto, Jurate.

Desculpe.

Tudo bem. É que tá tudo uma merda, em todos os sentidos.

Vamos só almoçar em paz.

Quer sobremesa?

O que você tá fazendo?

- Achou onde ficar? - Vou ficar com meus pais.

- Avisou a eles? - Sobre o quê?

Que você me largou ou que vou morar lá?

Ficou quieta por quê?

Não contamos para a Dovile.

Nós?

Você começou essa merda, você conta.

É sério? Temos que contar juntos.

Eu não queria isso. Quero morar aqui, é a minha casa.

Você começou tudo,

e ainda quer me torturar?

Agora você é quem sofre.

Vai usar a Dovile para se vingar?

Vai se foder, tá?

- Você é o pai dela, Vytas. - Que a mãe largou.

Não faz isso.

Vytas, larga essa...

Vytas!

Pense na Dovile se ela não encontrar você em casa.

Mãe, não quero comer mais.

Tudo bem, recolha o prato.

O que vocês têm?

Dovile, nós...

queremos conversar.

- Queremos te contar algo importante. - O quê?

Bom, nós...

Eu e o seu pai...

Vão se divorciar?

Entendi. Agora vão dizer que me amam muito

e que minha vida não vai mudar. É isso?

Você falou com ela?

Não, meus amigos me contaram como os pais se divorciaram.

Olha, Dovile...

Nós amamos muito você, de verdade.

Eu sei.

Também amo muito vocês.

Vou ficar com a mamãe?

Provavelmente.

Mas vou te visitar sempre.

E você vai morar onde?

Na casa da sua avó. Depois, a gente vê.

- Podemos ligar a TV? - Claro.

...se preparando para acolher refugiados de guerra.

Estão vendo os noticiários?

Milhares de pessoas foram às ruas...

Já vou ver.

...apoiando a Ucrânia em várias cidades.

O Žalgiris se recusou a jogar na Rússia,

mesmo antes da decisão da Euroliga de suspender os jogos no país.

A situação é inaceitável...

Posso ficar aqui um tempo?

Claro.

- Aconteceu algo? - Só não exagera, por favor.

Eu e a Marija vamos nos divorciar.

- Do que você está falando? - É isso mesmo.

Mas por quê? Ela te largou?

Ninguém largou ninguém. As coisas são assim.

Como assim as coisas são assim?

- Ela arrumou outro. - Mãe.

Não me diga que arrumou outra.

Ninguém arrumou ninguém. Já era esperado.

Mas como assim?

Podemos não falar disso agora?

Vou buscar minhas coisas.

Vai ficar tudo bem. Não é o fim do mundo.

Mãe, não chore. Faz mal para você.

Como não vou chorar?

A estação de trem de Lviv.

Mãe, corta um pouco menor.

É? Pode deixar.

Está queimando.

Tem que fritar em fogo baixo.

Onde aprendeu a cozinhar assim, linda?

O papai sempre cozinhava.

...após o adeus, os pais ficam para defender a pátria.

E esta é Przemyśl, na Polônia, onde chegam os trens de Lviv.

Um dos principais centros de refugiados...

Vários colegas meus acolheram refugiados.

Muitos colegas meus também.

Pessoas de bem.

Onde você vai?

Caminhar. Preciso pensar no meu roteiro.

- Pensar? - É.

Pense, depois escreva.

Vai lá, pode pensar.

CENTRO DE CADASTRO GLÓRIA À UCRÂNIA!

Oi, tudo bem?

Marija. Olá.

- Marina. - Oi, prazer.

- Dmitry. Dmitro. - Oi. Marija.

- Pavlo. - Marija.

Esta é a Dovile, minha filha.

[EM RUSSO] Então vamos. Venham.

Preciso da sua assinatura aqui.

Esta é a nossa cozinha.

Aqui fica a geladeira.

Aqui para comer.

[EM RUSSO] É uma casa linda.

Obrigada.

É, e...

Aqui, o banheiro.

Ali.

E... o quarto de vocês.

- Podem entrar. - É lindo. Muito obrigada.

Vou pegar as malas. Tirem as mochilas.

Os casacos.

- Onde ponho o casaco? - Pode pendurar ali.

- Oi. - Oi.

Oi, linda.

- O Wi-Fi já tá funcionando? - Tá sim. Pode ir.

Oi!

Está com fome? Fiz panquecas de banana.

Sua mãe nem olhou para mim.

Você sabe como ela é.

Você magoou o único filho deles.

Como você tem passado?

Bem. Tenho escrito.

Isso é ótimo.

Tomara que vá para Cannes.

Muito engraçado.

Tá bom, tchau.

Ah, abrigamos uma família ucraniana.

Uma mãe com dois adolescentes.

Que bondade sua.

Caramba, aquela sua cama é ruim.

Lavou as mãos, Dovile?

- Bom apetite. - Obrigado.

Como vai o trabalho?

Bem, tentando escrever.

- Estão te pagando? - Ainda não. Mas vão pagar.

Não pensa em procurar outro emprego?

- Sem a Marija, não vai ser fácil. - Não começa com isso.

Podia fazer uma comédia.

As pessoas pagariam para ver.

Cineastas se dão bem na Rússia. Por que não tenta?

Alguns diretores lituanos trabalham lá.

Sem ofensas, mãe, mas isso é ridículo.

Rússia? Está tendo uma guerra!

- Chega desse assunto. - Tá bom, não se estresse.

Vytas, você traiu a Marija?

Pode não falar essas coisas perto da Dovile?

Não levante a voz para a sua mãe.

Vamos comer.

Esta vai para os ucranianos que lutam pela nossa liberdade!

Vamos apoiar e doar! Nossos corações estão com eles!

...a invasão parou em todas as frentes.

A Rússia tenta enviar reforços, pois suas perdas estão aumentando.

Os EUA estimam que a Rússia perdeu 7 mil soldados,

enquanto a Ucrânia fala no dobro.

Olha só quem acordou!

- Minha cabeça está explodindo. - Você encheu a cara ontem.

Mal consegui te arrastar. Você tirou a calça no táxi.

- Puta merda! - Mas você se divertiu bastante.

O que deu no banheiro?

Você entrou lá e vomitou.

Depois deitou no chão e não queria sair.

- Sorte que a Dovile está com o Vytas. - É verdade.

Os dois lados não chegam a um acordo nos pontos principais.

Que mal-estar não poder fazer nada.

- Doe dinheiro. - Eu doei o que pude.

Alguma novidade?

Não. Os russos continuam matando gente.

Não acredito em conversas de paz.

Como acreditar se um lado destrói não apenas prédios...

Marija, até quando vamos esconder?

A atuação da Hungry Rabbit na Rússia gerou descontentamento ontem,

com figuras públicas protestando nas redes sociais

que a empresa, pagando impostos ao Estado agressor,

está financiando o exército russo.

A produtora de entretenimento online Hungry Rabbit

não disse se fechará a filial russa.

Ainda não conseguimos contato com a CEO, Ona Stankevičiūtė.

Voltamos após as Notícias do Dia.

Puta que pariu.

Já soube, né? Qual é o plano? O que vamos fazer?

A reunião de acionistas é segunda. A gente resolve lá.

Sabe que precisamos sair de lá, né?

Mas aí só sobra a sua filial.

- Não é simples assim. - Não é isso que importa agora.

Sabe que vou ter que demitir gente?

Além disso, onde você estava há duas semanas?

Você sabia da filial russa.

Sua consciência só acordou agora?

- Ona. - Merda...

As grandes empresas estão saindo. Temos que fazer o mesmo.

Contratamos mais gente, fazemos mais conteúdo. Damos um jeito.

Acredite, metade da equipe vai sair por causa dos seus princípios.

Falamos na segunda, tá?

Tá bom.

- Quando a Dovile volta? - Não sei.

Ela não gosta daqui.

Por que não vai escrever seu roteiro?

Eu cuido disso.

- Tem certeza? - Absoluta.

Vai fazer suas coisas.

[EM RUSSO] ...seu estômago vazio.

O ministro da Agricultura da Alemanha, Cem Özdemir, disse em entrevista...

O que está assistindo?

- O jornal. - Está com fome?

- Não proibiram esses canais? - Temos parabólica.

- Quer comer? - Não quero.

Disse que só via filmes e séries russas, não o jornal.

A gente vê o jornal às vezes.

Sua mãe e eu estivemos na Praça Vermelha há 40 anos.

Não entramos no Mausoléu de tão longa que era a fila.

Como o tempo voa.

Sei que estiveram lá, mas não vejam essa porcaria.

Muda de canal.

É só propaganda. Vocês acreditam nisso?

Não, claro que não. E o almoço, vai querer?

Por que vocês assistem a isso? Inacreditável.

Nós só vemos filmes, normalmente.

Tem um bom sobre um cão policial.

Sabe o que eles estão dizendo?

Que a Ucrânia não existe? Que eles são fascistas, nazistas?

Que a culpa é deles? E vocês acham isso normal?

Já mudamos de canal. Chega.

Vergonha! Vergonha! Vergonha!

APOIE A UCRÂNIA

PAREM A GUERRA

GUERRA SANGRENTA

A Ona voltou.

Ona, espera.

Qual foi a decisão?

Primeiro, transferimos cem mil euros ao fundo de ajuda à Ucrânia.

Depois ajudamos os refugiados com o aluguel,

e trazemos a nossa equipe de lá.

Ajudamos no que puder.

Ótimo. E a filial russa?

Por enquanto, nada.

- Nada? - Os acionistas se recusam.

São uns idiotas, então.

Viu o que tá rolando lá fora?

Vamos declarar apoio à Ucrânia. Talvez diminua a raiva.

A gente sobrevive.

Do que está falando, Ona?

Toda a equipe assinou a petição para sairmos da Rússia.

Deixe os acionistas virem conversar com eles.

O que eu digo a eles? O que digo à minha filha?

Não posso fazer nada. Não depende de mim.

Ah, é?

Pois essa é a minha decisão.

Me demito.

Marija, não seja ridícula.

Eu não consigo.

- Oi. - Oi.

- E aí? - Tudo tranquilo.

- Meia hora ou uma? - Uma.

- 140? - Pra você, sim.

- Qual é o valor normal? - 200.

- Obrigado. - Vai tomar banho?

Depois.

Vamos.

Muita gente vai fazer o mesmo. Você vai ver.

Nem juntei muita coisa em oito anos.

Você vai ficar bem.

O que vou fazer sem esse emprego?

Obrigado. Adorei, como sempre.

De nada.

O tempo tá bom. O verão tá chegando.

É verdade. O tempo tá ótimo.

- Amanda, de qual cidade você é? - Kharkiv.

Sinto muito por todo esse horror.

Sua família está bem?

Não é a hora nem o lugar para falar disso.

Desculpe.

Os produtos entregues ao Banco de Alimentos

são inspecionados pelos voluntários.

Queria que cuidassem da gente antes da Ucrânia.

Como a sopa, que depois vai para o Centro de Registro Ucraniano.

Acho que atendi três mil ligações na última semana.

As pessoas cruzam a fronteira e querem saber o que fazer.

Como ajudá-los? E o Banco de Alimentos...

Larga esse celular.

- Fez os deveres? - Fiz.

Viu os ucranianos hoje?

Não, a Marina saiu e os meninos estão jogando lá dentro.

- Bom apetite. - Obrigada.

Mãe?

- Você tá linda. - Obrigada. Você também.

Cada um pega a sua sacola aqui, tá?

Com a sacola, você vai à estação

onde há alguém com um tipo de alimento.

Depois de colocar o alimento, você vai para a próxima estação.

Entenderam? Repitam o processo aqui.

Depois vão para a próxima,

até passarem pelas oito estações.

Com a sacola cheia, coloquem naquela caixa ali.

Entendido?

Quando a caixa encher, levamos as doações aos ucranianos.

- Vamos começar? - Sim.

Por favor.

Podem fazer fila aqui.

Posso ajudar em algo mais?

- Não tá cansado? - Não, tudo bem.

Bom, por hoje acabou.

Mas semana que vem teremos

um protesto, uma intervenção na Praça Lukiskiu.

Estou organizando, então...

Ter um artista famoso como você daria mais visibilidade.

- Famoso? - É, claro.

O que eu teria que fazer? Vai ter TV filmando?

Acho que sim.

É tipo uma ação teatral.

Pense a respeito e nos avise se tiver interesse.

- Tá bom. - Obrigada por hoje.

- Imagina. - Até mais.

- Alô? - Olá, sou a pedagoga social.

- Sim? - Houve um problema com a Dovile.

Como assim?

Podemos falar pessoalmente? Nos vemos na escola em uma hora.

Certo, estou indo.

Ele disse que ucranianos são terroristas.

Por que ele disse isso?

O Denisas está errado, mas o que você fez foi inadequado.

Concorda?

O que você fez com ele?

Dovile, me conta o que você fez.

Ele não devia dizer isso.

O que ela fez com ele?

Dovile, pode esperar lá fora?

Obrigada.

As crianças vazaram este vídeo.

Ela bateu na cabeça dele com um livro.

Ela deu um chute e cuspiu nele antes.

Que horror.

Esse Denisas é um folgado. Quem ele pensa que é?

É, ele não devia falar assim.

Como ele está?

Está com os pais. Vamos falar com eles agora.

O problema é que a Dovile se recusa a admitir que agiu mal.

Entendo.

Muito obrigada.

Vamos conversar sério em casa.

O que foi isso, Dovile?

Mesmo que ele fale bobagem,

resolva com palavras, não com violência.

Agindo assim, você desce ao nível dele.

Você é inteligente, deveria agir como tal.

Desculpa.

Ah, filha...

Não faça mais isso, tá?

Tá bom?

Muito bem!

Obrigada por aceitar responder a algumas perguntas.

Olá. Claro, com muito prazer.

Qual é a mensagem principal desta intervenção?

Antes de tudo, acho inconcebível

que o regime russo

faça coisas assim na Europa do século 21.

É inacreditável.

Sobre a intervenção,

em vez de usar faixas e bordões,

optamos pela arte performática

para expressar o grito do coração e a nossa dor.

É o nosso grito de desespero.

E por que usar corpos nus e sangue no protesto?

- Prova aí. - Cuidado, tá quente.

Falta alguma coisa?

- Tá bom! - Tá?

Cadê os ucranianos?

No quarto deles.

Sério?

Cozinhamos por três horas.

Eles quase não saem do quarto, mal os vejo.

Nossa, coitados.

Por que não os chamamos para a mesa?

Sim, claro.

uma intervenção expondo a crueldade do regime

chamou bastante atenção.

Simboliza a máquina de guerra.

Mãe, olha, o papai tá na TV!

...que devora inocentes.

Nossa.

Maneiro, né?

Somos todos feitos de sangue e lama.

A máquina de guerra...

O Vytas agora faz arte contemporânea?

Pelo visto, sim.

Por que decidiu participar da intervenção?

Foi um feliz acaso, sabe...

Pois não?

- Oi. - Oi.

Venham comer. Fiz comida.

Não, não. Comemos depois.

Não, venham. Tem muita comida.

Combinamos de comer fora

com a minha filha mais velha.

Não entendi.

Pavel, traduz.

Só um segundo.

Com a irmã mais velha. Vamos sair com ela.

Ah, certo! Chama ela também!

O que ela disse?

Pra chamar ela pra cá.

Com licença.

Obrigada!

Oi, o que faz aqui?

Vim buscar a Dovile para o fim de semana.

Ah, esqueci.

- Pai, você saiu na TV. - Saí?

- Foi. Quer jantar aqui? - Não, vamos pra vovó.

Fique para jantar. Fizemos comida.

- Conheça a Marina e os garotos. - A comida tá ótima.

- Oi, Vytas! - Oi.

- Claro, por que não ficamos? - A Jurate cozinha super bem.

É mesmo?

Não sabia que você e a Jurate eram tão amigas.

Não? A gente sempre se deu bem.

O que estão cozinhando?

Meu primeiro marido me deixou com um bebê no colo.

O segundo morreu há dois anos.

- O que fazia na Ucrânia? - Eu era contadora.

A gente vivia muito bem.

Um apê de três quartos e carro.

Quais são os seus planos? Vai trabalhar aqui?

Claro, não posso depender da Marija.

Acho que vamos morar com a minha filha.

Ela mora em Vilnius há três anos.

- O que ela faz aqui? - Manicure.

Ela aluga um quarto pequeno.

Procuraremos algo maior quando eu começar a trabalhar.

- Quantos anos ela tem? - 25.

- Vocês são de Kharkiv? - Sim.

E há quanto tempo ela está em Vilnius?

Há quase três anos.

Coma uma tortilla com o ensopado.

Que delícia!

- Como você está, Vytas? - Bem, trabalhando muito.

- E você? - A Jurate vai sair do Rabbit também.

Como assim "também"?

Não te contei?

Pedi demissão do Hungry Rabbit.

Por causa da filial na Rússia?

A Olena chegou. Vou abrir a porta.

Como trabalhar lá sabendo que pagam impostos na Rússia?

Mas você não paga nada. Não é problema seu. Enlouqueceu?

Problema do dono. Você é só uma funcionária.

Não sou só uma funcionária, Vytas.

Sou a diretora da filial. Alguém tem que dar o exemplo.

Mas não vai achar outro emprego assim na Lituânia, Marija.

Não começa.

Você e a sua ética. Querendo se fazer de santa.

Ridículo.

E a sua chefe? Ela vai mudar a filial?

Não é tão simples. Estão numa situação difícil.

- Minha filha. - Boa noite.

Oi! Oi...

- Prazer. - Olena.

- Marija. - Jurate.

Vytas.

- E você é a... Olena? - Olena.

Prazer.

Dovile.

- Sente-se, por favor. - Obrigada.

- Oi, pirralhos. - Oi, vovó.

Está uma delícia.

- E o que você faz? - Eu?

- Sou cineasta. - Nossa, que interessante!

Que tipo de filme você faz?

Como posso dizer...

Pai, posso jogar no seu celular?

Comédias? Filmes de época?

São mais... filmes de arte.

- Tipo Tarkovski? - Não bem Tarkovski, mas...

Basicamente, sim.

Onde dá para assistir?

- Na internet. - Na Netflix?

Não.

A Netflix não quer nossos filmes. Quem me dera.

Tem uns sites lituanos.

E você trabalha com o quê?

- Trabalha fazendo unhas, né? - Sim, em Seskine.

Tem fotos de exemplos no seu celular?

Acho que não tenho.

- Sem problemas. - E você?

Trabalho numa empresa internacional de internet

que faz vídeos engraçados.

- Qual é o nome? - Hungry Rabbit.

- Acho que conheço. - É mesmo?

- É, bem legal. - Que bom!

E você, Marija?

Estou procurando emprego.

Ela também trabalhava lá.

Essa empresa tem uma filial enorme na Rússia.

Deu a maior polêmica sobre isso na Lituânia.

Tipo apoiar o agressor e tal.

Como assim?

Pagam impostos lá, que o Putin usa pra comprar armas.

Há quanto tempo vocês estão juntos?

Ela quer saber há quanto tempo estamos juntos.

Nós nos divorciamos.

Faz uns dois meses. Um mês e meio, na verdade.

- Desculpe. - Sem problemas.

E somos só amigos. Nenhum parentesco.

Onde você mora?

Eu moro e trabalho em Seskine.

O que foi, Dovile?

Engasgou?

Entalou? Tussa.

Pigarreia.

Vamos, ponha pra fora.

- Não consegue? - É só tossir.

Vai, tosse, tosse!

- O que foi? - Ela tá engasgada?

O que foi, Dovile? Não consegue tossir?

Consegue puxar o ar?

Dovile, respira.

Não consegue? Trancou?

- Não consegue respirar? Dovile? - Respira!

Ela não consegue respirar! Dovile!

Deixa comigo, deixa.

Um pouco de água.

- Quer beber? - Só respira.

Passou?

Senta, Dovile.

Respira fundo.

Certeza que não quer ir pra vovó?

- Absoluta. - Tchau.

Tchau.

Prazer em conhecer vocês.

- Tchau. - Obrigada pela companhia.

Vytas?

- Se cuida. - Tchau.

Sobre a Dovile...

Muito obrigada.

Sem você...

Sabe,

acho a Marina e as crianças meio chatas.

É? Por quê?

Eu achei superlegais.

Sei lá, são tão estranhos.

Nem sei explicar.

Talvez seja a bagunça deles.

Fui ao quarto deles hoje. Estava uma bagunça só.

Eles são tão... diferentes.

Todo mundo é diferente.

E também são três pessoas num quarto só, né?

Cadê o carregador?

Acho que não gosto de dividir minha casa com estranhos.

Não me sinto confortável.

Marija, precisamos conversar.

O que foi? Quer terminar comigo?

Não, para com isso.

A Ona me ofereceu o seu cargo.

Ela ficou louca?

Por quê?

Porque você está saindo.

Tá de brincadeira?

É a chance da minha vida, Marija.

- Diz que é brincadeira. - Não é.

Não disse que o pessoal todo pediria demissão?

- E a filial russa? Não se importa? - Me importo.

Por que não está dormindo?

- O quê? - Por que não está dormindo?

Tá tudo bem, só estamos conversando.

- Vai deitar. - Falem baixo.

Tá bom. Boa noite.

Saia da minha casa.

- O quê? - O quê?!

Não enlouquece, Marija.

Você me ouviu.

Não quero te ver.

Fora da minha casa!

Marija, por favor.

- Dinheiro ou cartão? - Cartão.

Saldo insuficiente.

- Posso tentar de novo? - Claro.

Insuficiente.

Então não vou levar.

Abrimos a massa assim.

Depois, o salame.

Colocamos por cima da pizza a quantidade que quisermos.

Aí pegamos a muçarela.

E arrumamos pra ficar bonito...

Ei, você! Vem cá.

Vem aqui!

Quem você pensa que é?

- Você gosta disso? - O que você está fazendo?

- Larga dela! - Você é a mãe dessa nazistinha?

Ina, o que tá fazendo?

Sua filha é uma fascista!

- Para! - Me solta!

Aquela é a mãe do Denisas?

Ela fez da vida do meu filho um inferno!

Cai fora daqui!

Põe o cinto.

Me desculpe por ela. Ela se descontrolou.

Mande-a de trem para a Rússia, se não gosta daqui.

É essa porcaria de TV. Estou do seu lado.

- Então se separe! - Falar é fácil.

Por favor, não fale na escola nem na polícia.

Diga isso às crianças que viram tudo.

Você está bem?

Quero que todos os russos vão embora.

O que está acontecendo? Fala comigo!

Não é nada. Não se preocupe.

Prometa que, se ficar triste ou com raiva, vem falar comigo.

Promete?

- Tá bom. - Promete?

Prometo.

Te amo.

Também te amo.

Terminamos?

Podemos fazer de novo? Eu gravaria de outro ângulo.

- Mais um take? - Sim.

Quando tudo começou, procurei formas de ajudar as pessoas.

Foi assim que cheguei ao Banco de Alimentos.

É um trabalho difícil?

Assim...

Comparado ao que ocorre na Ucrânia,

ao que as famílias estão passando, isso aqui é fichinha.

Incentivo todos a ajudarem.

Olá, o Vytautas Kazlauskas mora aqui?

Uhum.

Pode assinar aqui para confirmar a entrega do pacote?

- Obrigado, tchau. - Obrigada.

Não tem aula hoje?

Não estamos entendendo.

- Valeu. - Tá animadinho, hein.

Meu chapéu chegou.

Comprei há dois meses. Tinha até esquecido.

Deve ser um bom chapéu.

- Mandaram de Marte? - Acho que sim.

Encontrei a Liuda ontem.

Ela disse que te viu na TV.

Por que vai a esses protestos? [propaganda russa na TV]

Pai, não assista a essa merda quando eu estiver por perto.

- Por que mexer com política? - Não estou mexendo.

Só expressei minha posição, só isso.

E que posição é essa?

Melhor não se meter em política. Nunca se sabe

quem pode tomar o poder por aqui.

Tá bom, chega.

Desliga a TV enquanto a gente come.

Por causa desses protestos, nunca mais trabalhará na Rússia.

O que te fez pensar que eu trabalharia na Rússia?

Olha, não quero discutir. Vamos só comer em paz.

Com os tempos atuais, nunca se sabe o que pode acontecer.

Como assim?

A OTAN está provocando a Rússia.

E se eles resolverem por a OTAN no lugar dela?

- Sabe o que significa? - O que significa?

Devia pensar nisso.

Vocês ficam fazendo barulho, protestando.

Pra que chamar atenção?

E, sinceramente, a Rússia não é a única culpada.

Do que você está falando?

A OTAN não devia se meter na Ucrânia.

Eles queriam o Mar Negro só pra eles.

É tudo por causa disso.

Porra, pai, você vê propaganda demais.

Propaganda?

E você não assiste à propaganda?

E a lavagem cerebral dos lituanos?

Como você consegue comparar?

Por que não mostram aquele prédio em Kharkiv,

bombardeado por mísseis americanos?

Inacreditável.

Eu vi com os meus próprios olhos!

Que inferno.

O que tá fazendo? Ficou louco?!

- Vytas! - 'Vytas' nada!

- Fora! - Está tudo bem aqui?

Está ótimo.

Só tirando a bosta da cabeça deles.

- Não nos envergonhe! - Vocês me envergonham.

Não quero mais nada com vocês.

Você está ótima.

Obrigada.

Você também não tá mal.

- Prontos? - Tudo certo.

- Quer ir junto? - Tenho que fazer uma coisa.

Entendi.

- Até mais. - Tchau.

Tchau. Se divirtam.

Tchau.

Eles nos dão comida pelo trabalho.

Entendi.

E se a gente não for na vovó hoje?

Sério? Que legal!

Vamos para o centro.

Passear, comer uns biscoitos.

Claro.

...ciberespionagem e maior atividade de agentes regulares.

A inteligência lituana diz que o GRU está usando contatos locais

para criar uma rede de agentes...

Vem aqui.

Falei pra vir aqui! Vem!

Pirralhos de merda! Quem vai limpar isso?

Quem vai limpar isso?

Moram de graça aqui e não fazem nada!

Falei pra limpar! Mexe essa bunda!

- O que houve? - Limpem a cozinha!

Quem mora aqui, limpa!

Desculpe, vou limpar agora.

São só crianças. Vão pro quarto.

Ia te contar: arranjei um emprego num restaurante.

As crianças vão para a escola e a Olena acha um lugar para nós.

Já vou limpar isso.

Me perdoe. Sinto muito.

O que faz aqui?

Por que não está com seu pai?

Obrigado.

E então? Me conta.

Olha, Olena.

Posso ficar aqui com você por um tempo?

Ficou louco?

Não tenho para onde ir.

Eu só viria para dormir.

Não. Impossível.

Meu horário é muito imprevisível.

E se o gerente descobrir...

Como ele vai saber?

Não seja tolo. Peça ajuda aos seus amigos ou pais.

Não posso. Não tenho amigos.

Que merda.

Coitado.

Vai dar tudo certo.

Marina, a sopa está ótima.

Obrigada.

A filha dela trabalha num salão, podem pagar o aluguel.

Vou falar com a Marina amanhã.

Claro que seria melhor se falasse com ela abertamente.

Não sei como.

Sua organização os mandou. Você devia se responsabilizar.

Não sou uma pessoa ruim, mas eles são muito complicados.

Não falam inglês e nem limpam.

Adolescentes são bagunceiros.

Lembre-se de que estão com você por causa da guerra.

Alô?

Eu não consigo morar com eles.

O que faz aqui?

Por que está aberto?

- Estava tomando? - Não.

São para adultos.

- Eu só tomei um. - Dovile, ficou louca?

Faltam vários! Quantos tomou?

Só um. Não consigo dormir.

Dovile, esses calmantes não são para crianças.

Você pode se envenenar.

Vem. Você precisa vomitar.

Não precisa, estou bem.

- Há quanto tempo toma? - Não sei.

Olha só para esses coitados.

Atirados no chão, protestando.

Sabem pelo menos contra o que protestam?

Ignore! Não caia em provocações.

Seu imbecil. Olha este vendido com cara de porco.

- Cai fora, babaca! - Parou, Vytas.

E olha o Kazlauskas aqui. E aí?

Sem filme pra fazer, fica aí deitado protestando, é?

Para. Tira essa câmera.

- Ei, para! - O que é isso?

Olhem o que está acontecendo aqui!

- Por que ele me filmou? - É uma provocação!

Nós vamos averiguar.

- Eu explico tudo. - Ótimo, venha conosco.

Certo, mais alguns segundos.

Cinco, quatro, três, dois, um.

Voltando para a prancha.

Respire fundo. Contraia o abdômen.

Trocando para o outro lado.

Halter numa mão e segura.

Para um desafio maior, levante uma das pernas.

Sustente mais um pouco. Estamos quase acabando.

Merda.

Aquele cara começou.

Disse que os russos estavam certos. Pedi para ele ir embora.

Aí ele me bateu.

Não deu pra recuar, então usei força física.

E começamos a brigar.

Separaram a gente. É só o que eu lembro.

Obrigado.

Oi, Marina. Você deixou umas roupas aqui.

Posso levar para você se quiser, ou você mesma pode vir buscar.

- Olá. - Olá.

Achei que gostava dela.

Não.

Vamos trocar a Jurate.

Precisamos renovar.

Muito bem.

Quando você quer voltar?

Posso começar semana que vem.

Certo.

Oi...

Queria dizer que voltei ao trabalho.

A Ona me aceitou de volta.

Espero que esteja bem.

É isso. Tchau.

[EM RUSSO] Que merda é essa?

Vem cá. Ei!

Onde você vai? Você, vem cá! Para!

A Dovile tá na escola?

O que houve?

Posso entrar?

Por que não vamos ao hospital, Vytas?

Não precisa.

Me desculpe.

Tudo bem.

Oi.

- E aí. - Oi.

Vem jantar.

Tá...

Como foi a escola?

Legal.

Põe um queijinho aí.

O que está acontecendo?

Nada.

O papai vai morar aqui.

Sério?

Não gostou?

Gostei.

Muito.

Muito bem.

Bem-vinda de volta. Atrapalho?

Não, imagina. Só me deitei.

- Tudo bem? - Aham.

Vamos lá.

1,5 milhão de euros irá para armar o drone.

O restante, a pedido da Turquia, deve ir para a ajuda humanitária,

de defesa, reconstrução ou logística para a Ucrânia.

Quase 6 milhões para o Bayraktar destinado à Ucrânia...

Pode começar o filme.

...arrecadados rápido, em menos de três dias e meio.

- Pronto? - Segura. Foi.

Drone financiado por doações...

Aproveitem o filme.

- Boa noite. - Boa noite.

Legendado por Cabine de Projeção

Adaptação e Revisão: Lzito

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