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Como � bonito!
Em outras circunst�ncias, teria apreciado
o Santu�rio de Apolo?
Sempre estive mais ou menos nessas circunst�ncias.
No fundo, essas belezas o deixam indiferente.
De forma alguma.
N�o quero amar o que n�o � mais.
O que est� irremediavelmente perdido para mim.
N�o seria uma aberra��o amar uma mulher morta?
O Santu�rio de Apolo,
o Parten�o,
as igrejas do Ocidente
s�o m�mias conservadas pelo tempo.
Quando estou sobre a Acr�pole,
ao contr�rio, sinto uma vida extraordin�ria.
Como aqui.
Agora.
Tenho certeza de que � um dos lugares onde
reside o segredo do que foi a Gr�cia, onde
poder�amos compreender sua raz�o de ter existido.
Tamb�m acho que a vida existiu aqui.
Mas existiu.
Sinto-me aqui como um homem voltando a um local onde amou.
A vida n�o � a mem�ria, � amanh�.
N�o sei o que fazem na R�ssia, sr. Boutros,
mas duvido que fa�am algo t�o belo quanto o Parten�o.
Antes do Parten�o ou na mesma �poca, os homens
constru�ram templos para abrigar o que
havia de mais precioso: seus deuses e seus tesouros.
Depois do Parten�o, outros homens constru�ram catedrais.
O que se faz hoje, sem d�vida, n�o � compar�vel.
Mas n�o que faltem arquitetos, sr. Malfosse.
Mas porque n�o h� mais o Deus.
E ent�o?
Ent�o, foi preciso inventar casas para os homens.
Somos muito desajeitados nesta �rea.
Encenou-se aqui ��dipo Rei� de S�focles.
No final da tarde.
O espet�culo estava t�o precisamente cronometrado
que, no momento em que �dipo furou seus olhos,
ao saber do incesto e do parric�dio
dos quais era culpado,
a vermelhid�o do sol se apagou
e a luz se fez cinza-escuro.
A trag�dia de S�focles que prefiro � �Ant�gona�.
Est� me surpreendendo.
Na vida, o imaginaria mais do lado de Creonte
e do �interesse do estado�.
Ontem � tarde, abriu-se, em Moscou,
o processo de Stalin contra Kamenev,
Zinoviev e outros chefes comunistas de primeira linha.
Todos eles se acusam de crimes
impressionantes, por qu�?
Porque s�o sacrificados em nome do �interesse do estado�.
-E se fossem culpados? -Imposs�vel.
Imposs�vel.
N�o desta maneira, ao menos. Se fosse verdade,
Zinoviev e Kamenev seriam monstros de folhetins.
Depois do seu famoso 89, a Revolu��o pulula
de exemplos de trai��o.
Nada disso.
O que Stalin quer � o poder absoluto.
� simples.
Esta hist�ria j� estava em S�focles.
E em Shakespeare.
Uma vez mais, o homem � submetido ao
interesse do estado, sr. Boutros.
Fala facilmente, Malfosse.
Cai-lhe bem elogiar os direitos do homem.
De onde vem?
De onde vem seu poder?
Sua cultura burguesa, t�o lustrosa, t�o tolerante.
Vem do terror de Robespierre.
Da ditadura sangrenta de Bonaparte.
Ali�s, talvez a Revolu��o tenha que devorar
seus filhos antes de chegar � serenidade.
Eu o amo.
Eu te amo.
Eu te amo.
�O quarto banhado em uma sombra porosa de listras.
Sobre a aldeia apenas o sol estava de p� a essa hora.
O ferreiro batia, no horizonte,
uma barra de ferro superaquecida.
Perto deles, o sil�ncio da sesta que
amortecia a vida dos humanos era seu c�mplice.�
Antes de deixar Atenas, Rico me disse para partir com voc�.
N�o quero receb�-la como um presente.
Eu quero que se decida.
Eu decidi.
Ali�s, Rico sabia.
Mas sempre fingiu comandar o inevit�vel.
N�o ter� comigo a mesma vida que tem com Rico.
Assim espero.
Margot.
Est� ai?
Em qual pais viveremos?
Se tiver de partir para Moscou...
Posso acompanh�-lo?
Acorde, merda!
O quarto do motorista, onde �?
Na pequena escada, no corredor � direita,
a porta em frente. Se quiser...
Sou eu.
Sei que a sra. Santorini est� com voc�.
Abra, preciso falar com ela.
D�-me cinco minutos, Malfosse.
N�o, Margot! Agora!
Tenho de me vestir!
Espero-a no meu quarto.
Encena um p�ssimo teatro de revista, meu caro.
A cena do flagrante delito.
Sabe como constatamos um adult�rio pela lei italiana?
O comiss�rio de pol�cia desliza um bast�o
entre os corpos dos amantes enla�ados.
Se encontra um obst�culo no caminho do bast�o, h� adult�rio.
Por favor, Margot.
S� que est� esquecendo um detalhe.
Nesta pe�a, n�o faz o papel do marido.
N�o � o meu marido.
Se Rico � incapaz de mant�-la,
outro deve encarregar-se de proteg�-la.
Exatamente.
Eu pedi sua ajuda.
Para me ajudar a deixar a Gr�cia com Boutros.
Entre!
Entre!
Ali.
Diga � recep��o para fechar a conta. Sairemos em 15 minutos.
� a melhor solu��o.
Se chegarmos juntos a Patras no seu carro,
desviar� as suspeitas da pol�cia.
Haver� um navio em cinco dias, irei com Michel.
Iremos a Corfu.
Como um casal de turistas.
Em lua-de-mel.
Margot.
Partiremos em 15 minutos, voc� e eu.
Mas voltaremos para Atenas. Boutros se virar� sozinho.
J� corremos riscos demais, acho.
Atenas? Por que Atenas?
Sabe bem que acabou tudo com Rico.
Pode ser que tudo esteja acabado entre
seu marido e voc�. Ele talvez lamente o resto da vida.
Mas o que far� depois, � outra hist�ria.
Partirei. Eis o que farei.
Parto com Boutros e isso � s� da minha conta.
Margot!
Se n�o estiver pronta em 15 minutos para
ir a Atenas comigo, denuncio Boutros � pol�cia grega.
Tem disposi��es legais a tomar.
Uma fortuna como a sua n�o se abandona assim.
N�o ir� estragar sua vida assim,
por uma hora de prazer s�rdido que lhe
arrancou este aventureiro.
Cale-se.
O que entende de prazer?
Quinze minutos, Margot. Avise-o.
N�o h� perigo algum.
Sou o motorista do sr. Malfosse, apenas.
-Bom dia, senhora. -Bom dia.
Sou a Marquesa de Santorini.
Meu marido � secret�rio na embaixada italiana.
Por favor, senhora. N�o precisa.
Obrigada.
Eu os deixo aqui.
Irei a p� at� o Golfo de Corinto.
Sabe onde estamos?
De acordo com a lenda e pelas descri��es de
S�focles, foi aqui que �dipo, voltando a p�
de Delfos, encontrou Laio, rei de Tebas.
Foi aqui que �dipo matou Laio,
ignorando que era seu pai.
N�o acredito em press�gios, sr. Malfosse.
Ali�s, acabam de interditar o teatro de S�focles.
Serei sincero com voc�, sr. Boutros.
Espero que a pol�cia grega o agarre.
E que n�o atrapalhe mais a vida da sra. Santorini.
Eu a esperarei 5 dias, a partir de amanh�.
N�o mais.
Como o encontrarei em Patras?
Deixarei um bilhete para voc�.
Por aqui, marquesa!
Sra. Santorini acaba de chegar, sr. Primoukis.
Disse-lhe que a esperava.
Esteve em Delfos. Com meu amigo, sr. Malfosse.
Queria consultar o or�culo?
Na verdade, queria ver seu marido,
mas ele foi embora.
Ele tamb�m.
Charlie!
J� havia vindo v�-la. H� 15 dias.
Na noite do dia 4 ou 5 de agosto.
Eu o vi nessa noite? N�o tenho nenhuma lembran�a.
Estava dormindo, cara senhora.
Dormia o sono da inoc�ncia.
Obrigada, Charlie.
Interessa-se por pol�tica, sra. Santorini?
Sabe que naquele dia o gen. Metaxas proclamou
a lei marcial, suspendeu a constitui��o e
assumiu o poder em nome do nosso rei Jorge II?
Os comunistas haviam organizado uma greve geral
para o dia seguinte.
Pretexto para mobilizar suas tropas contra
um golpe de estado. Como na Espanha.
A guerra civil devasta aqui h� mais de um m�s,
por causa dos comunistas.
Mas n�s os pegamos rapidamente.
N�s os agarramos no ato.
Dia dif�cil, senhora. Dia muito dif�cil.
D� a sua palavra de honra que
n�o far� nada em Atenas para det�-lo.
N�o telegrafar� para Rico.
N�o sublevar� os amigos. N�o me dar� serm�es.
S� lhe pe�o uma coisa, para dizer-lhe mais
uma vez o que penso. Ainda a caminho.
N�o posso impedi-lo de falar.
Mas serei surda. Surda.
Dia dif�cil, senhora. Muito dif�cil.
Um chefe comunista, no entanto, escapou das minhas buscas.
Um dos mais perigosos.
Formou-se em Moscou, com um grande ativista.
Um dos organizadores da greve geral revolucion�ria
de Sal�nica no m�s de maio.
Tr�s vezes no mesmo dia, escapou entre meus dedos.
Encontrei o homem com o qual Boutros tinha
um encontro naquela tarde.
um agente do Comit� Central Comunista,
que foi pego na primeira a��o da manh�.
Fizemos o agente falar.
Tinha um encontro com Boutros num cinema da periferia.
Infelizmente, mais uma vez ele desapareceu.
Uma hist�ria emocionante, sr. Primoukis.
Mas devo deix�-lo. Tenho um encontro e devo me vestir.
Claro, cara senhora.
Desculpe-me ret�-la com minha conversa.
Quer ver meu marido? N�o conte com isso agora.
Est� em Roma com seu embaixador que o chamou.
O embaixador se interessa muito pela Gr�cia.
E voltar�, o Marqu�s de Santorini, seu esposo?
N�o, a seguir, sa�mos de f�rias. Encontraremo-nos em Ragusa.
Em breve?
Em alguns dias, pegarei o barco em Patras.
foi importante para a hist�ria da Gr�cia.
Mas sr. Primoukis, esse foi o dia do torneio de t�nis,
do Corpo Diplom�tico, quando meu marido venceu
a Dupla masculina, com Von Pahlen,
primeiro-conselheiro da Embaixada da Alemanha.
Parece que Rico quer mesmo ganhar essa final.
Rico sempre quer ganhar. Ele s� joga quando tem certeza da vit�ria.
Hoje ele ter� duas vit�rias: a copa,
e Dora Cooper.
Voc� vai me consolar, Staalbaum?
Uma vez voc� disse ao Ferit Pacha que eu nunca teria o suficiente dos homens
porque eu nunca estava realmente com fome.
Voc� me dar� apetite?
Brincadeira. N�o vamos mudar nossas conven��es. Voc� est� comigo
para me proteger e me defender de tenta��es.
E por quem voc� � atra�da? Raoul Malfosse?
Ele � muito dedicado.
- Voc� est� sempre na sua casa em Kifissia. - Eles s�o todos dedicados.
Todos ele t�m casas em Kifissia.
E eu sou sempre vista em todas as casas de Kifissia.
Malfosse significaria seguran�a, com certeza.
Mas eu rio da seguran�a.
Bravo!
Sr. Von Pahlen e o Marqu�s de Santorini vencem a partida em 4 sets.
7-5, 3-6,
6-4 e 6-2.
Aqui, em Atenas,
Quais s�o os objetivos da nossa organiza��o?
O rei, o pa�s,
religi�o, fam�lia.
A renova��o da Gr�cia pela aboli��o do sistema partid�rio.
Este � o objetivo do regime declarado hoje.
04 de agosto, 1936.
Esse � o inp�cio da terceira civiliza��o grega
sob os ausp�cios do rei George
e do general Metaxas, primeiro-ministro.
Ele est� falando h� muito tempo?
Uma eternidade. � a ora��o final.
De concreto, qual � o programa deles?
A lei marcial, dissolu��o do parlamento,
medidas contra os comunistas.
Em resumo, uma ditadura militar apoiada pela Coroa.
Queremos uma sociedade de trabalho.
Nenhum grego tem o direito de n�o trabalhar.
O trabalho pode ser espiritual,
mas deve continuar sendo trabalho.
Apenas os desempregados, os idosos
e os doentes ser�o dispensados.
Obrigado.
E viva os desempregados.
Esse � o fim da "Pequena Entente". (alian�a pol�tica formada entre os anos de 1920 e 1921 por Checoslov�quia, Rom�nia e Iugosl�via)
A porta est� aberta pra a penetra��o econ�mica alem� nos Balc�s.
Isso � um golpe duro para a Fran�a.
Qual Fran�a, Sr.Malfosse? Aquela de L�on Blum?
Ir� entregar Rico para Dora Cooper, sem lutar?
Deixo-o entregue a si pr�prio.
N�o h� nada a fazer contra a paix�o de um homem
por sua fama de sedutor.
Staalbaum diz que n�o ama os homens.
Diz tamb�m que os ama demais.
Na verdade, Staalbaum quer que o amemos.
E sejamos insens�veis aos outros.
N�o quer que o amem. Mas que cedam a ele, sucumbam a ele,
sufoquem em seus bra�os, inclusive na sua cama.
Uma informa��o, Avghi:
sufocamos mesmo em seus bra�os?
� um dinamarqu�s incans�vel, de uma brutalidade deliciosa.
Mas � sistem�tico demais.
Gosto de rituais, n�o de rotina.
Esse a�.
Podia ser um companheiro de uma sesta libidinosa.
Protegerei minhas pr�prias chances, Avghi.
N�o. Tenho a impress�o de que confunde a sesta
com o amor eterno.
Malfosse volta do golpe de estado. Vamos saber.
-Interessa-se por pol�tica? -Nada.
Mas tenho horror a massacres.
O que fazer se Metaxas massacra?
Sabe, os massacres s�o uma tradi��o nacional grega!
-Bom dia. -Bom dia, Margot.
Bom dia, Avghi.
Estou com sede.
-Muito obrigado, Charles. -De nada, senhor.
Ulisses volta a �taca.
Volta tarde, sem d�vida. Teve muitas aventuras.
Mas volta.
E os pretendentes de Pen�lope?
A prova do arco � amanh�, Rico.
Ulisses deveria se preocupar. Dos pretendentes,
mais de um poderia deix�-lo tenso.
Vamos conseguir for�as para essa nova prova.
Em que pensa?
Em que penso, Ulisses?
Pergunto-me por qual sinal o reconhecerei.
Faz tanto tempo que me deixou.
Ulisses era o �nico que sabia o segredo do leito conjugal.
De tanto talhar na cepa de uma �rvore em volta
da qual resiste a casa.
Na minha hist�ria, Ulisses nunca soube
o segredo do leito conjugal. Nunca.
Na minha hist�ria, voc� n�o � Pen�lope.
Na minha hist�ria, estou perdida.
Sonho que corro atr�s de um homem
que se afasta.
Ainda tenho sete anos.
Sempre estou com minha m�e em Viena, toda vez que sonho.
Ela diz que meu pai partiu pois amava as outras mulheres.
Voc� entra no meu sonho sorridente, muito bonito.
Mas ainda tenho sete anos.
Voc� tem quarenta.
Ou tenho os cabelos brancos
e voc� � jovem.
Jovem como no dia em que o conheci.
Nunca temos a mesma idade nos meus sonhos.
Nem na vida.
Onde conhecemos essa Dora Cooper?
Na C�te D'Azur, no ano passado, com La Rochelle.
Ela ainda acredita que um grande destino me espera.
Todas creem.
Por algumas semanas.
Eu mesma acreditei por alguns anos.
Vamos dormir.
� tarde para grandes decis�es.
-Vamos de carro! -Como queira.
� um verdadeiro �breakfast�,
sr. Malfosse, � inglesa. Mas voltemos ao assunto.
Esse homem, esse Boutros
apresentou-se ao senhor de repente
em Atenas, � isso?
E n�o sabe mais quem o recomendou?
Algu�m falou-me no torneio de t�nis do Corpo Diplom�tico.
Mas quem?
Talvez o sr. Staalbaum, o ministro dinamarqu�s.
Ou talvez o encarregado de neg�cios da Alb�nia.
A Marquesa de Santorini.
Talvez. De fato. Eu teria de perguntar �s pessoas.
O fato � que eu tinha acabado de receber meu novo Packard
e precisava de um bom mec�nico.
Esse homem apareceu.
Um �timo mec�nico.
E ele o deixou assim? Sem mais nem menos?
Sim, na volta de Delfos. No meio da estrada.
Fiz uma observa��o sobre seu jeito de conduzir.
De conduzir ou de se conduzir, sr. Malfosse?
Reagiu com insol�ncia, mostrei-lhe seu lugar
e ele partiu como um louco para o campo.
Ao partir, n�o disse por que ia para Patras?
Patras e patatr�s, sr. Malfosse.
Contarei o fim dessa hist�ria em alguns dias.
Ficar� surpreso ao saber a verdadeira identidade
do seu �motorista�.
Sim. Ele sabe, tudo, Margot.
Como? N�o sei de nada. Deve ter espi�es por toda parte.
Algu�m, no Acr�poles. At� um dos meus criados, como saber?
Mas sabe que seu amigo est� em Patras. Mesmo
sem saber seu nome verdadeiro.
N�o disse a ele, n�o?
Sim? Tinha certeza.
Ou�a, Margot!
Margot, ou�a-me! N�o devo falar assim, mas...
Parta imediatamente. Sim.
Sem bagagem.
Cuidado, ser� seguida.
Pegue �nibus e mude seguidamente deles.
N�o, n�o embarque para Patras.
Pegue um barco para as ilhas e fa�a um desvio.
At� logo, minha amiga.
Boa sorte, Margot!
Enquanto historiadores analisam os efeitos
da recente Confer�ncia de Ialta, as tropas aliadas
cercam as defesas alem�s. Ontem,
13 de fevereiro de 1945, as for�as russas
liberaram Budapeste e no oeste, os aliados
desembarcavam em territ�rio inimigo.
Assim, fatalmente, os �ltimos basti�es do
3� Reich desmoronam sob o efeito da libera��o.
ADMINISTRA��O
Santorini!
V� buscar suas coisas. Ir� embora.
Venha.
A� est� ela!
Ent�o, sr. Rico, disseram quem o denunciou?
Foi an�nimo, uma vingan�a pessoal, certamente.
Uma m� sorte pessoal, sem d�vida.
A interven��o do sr. Malfosse resolveu tudo.
Precisei provar que rompeu com Mussolini
em 38 e que escolheu o ex�lio.
J� conhece a regi�o, sr. Malfosse?
Estive em outra parte do Loire, de �timos vinhedos.
H� quinze anos que n�o aproveito, ali�s.
Quando Margot me prop�s ficar aqui,
na sua casa, antes da guerra, estava exausto
e nem sabia mais aonde ir.
Mas gostei e tornei-me um verdadeiro campon�s.
A volta � terra lhe fez bem.
Sr. Malfosse, achei isso no banheiro.
Mas � muito bonito, como isso se chama, senhor?
Eu me chamo Margot Santorini. E ele Rico Santorini,
� o irm�o do meu pai. E voc�? Malfosse Santorini? � isso?
Com ela, tenho a impress�o de rejuvenescer.
Ou talvez, sinta-me mais vivo.
Porque lembra cada vez mais a m�e dela.
H� dois anos, Margot voltou aqui.
Deixou-me a pequena, ficou alguns dias conosco,
na sua casa e depois voltou para l�.
Tr�s meses depois, recebi uma carta de La Rochelle.
Os alem�es a detiveram. Ele se mobilizou, para nada.
Ela tinha desaparecido.
Por que a deixou partir, Rico?
Eu n�o a deixei partir.
Eu a incentivei a partir.
Ela precisava enfrentar seu limite.
Mesmo com um outro.
Gra�as a um outro.
Claro, um casal como ela e Boutros era loucura.
Essa loucura me parecia necess�ria.
Ali�s, voc� tamb�m facilitou a partida dela com Boutros.
Sim, poderia t�-la segurado, sem d�vida.
Denunciando Boutros � pol�cia.
Pensei nisso, por um instante, tenho vergonha de dizer.
Uma coisa que nunca perguntei:
conhecia esse Boutros antes da tal noite?
Em todas as hist�rias h� sempre um personagem
que encarna o destino.
Boutros era o destino.
Ele caiu sobre n�s.
Naquela noite, eu e Margot decidimos romper,
n�o t�nhamos mais for�a nem imagina��o
para vivermos juntos.
Ainda n�o t�nhamos achado coragem para nos separar.
Boa noite.
�...vamos seguindo o ritmo da l�mina, acalentando
nosso infinito no finito dos mares.
Uns alegres por fugir da p�tria infame.
Outros, por horror ao ber�o
e, alguns, astr�logos afogados nos olhos de uma mulher.
A circeia tir�nica de aroma perigoso.�
�Astr�logos afogados nos olhos de uma mulher�.
Deixe-me ficar.
S� um instante.
Fala espanhol?
N�o sou ladr�o. Perseguem-me por pol�tica.
J� � dif�cil entender o ingl�s, mas �s 4 da manh�,
com um rev�lver nas costas...
Fale mais devagar.
O que disse, ainda h� pouco?
N�o sou ladr�o, sou perseguido por
raz�es pol�ticas.
Sou um sindicalista e os
policiais de Metaxas est�o atr�s de mim.
Posso me mexer?
N�o � francesa?
Meu pai era franc�s. Nasci na �ustria, mas vivi na Fran�a.
Mas estou lhe contando minha vida!
Amea�ada por um rev�lver digo tudo.
Meu marido � diplomata italiano.
-Italiano? -Sim.
Droga!
O dia amanheceu, n�o pode mais partir.
Vou acordar meu marido.
N�o.
O que pensa? Que vai entreg�-lo � pol�cia
porque � italiano?
Que ideia tem dos homens?
De toda forma, na sua situa��o, � obrigado a confiar em mim.
Revistem todos os quartos.
O primeiro andar tamb�m.
N�o � um sonho nem estou louca:
tem um homem no meu quarto.
J�?
� s�rio. Os policiais de Metaxas procuram-no.
Viu-me na janela e pulou no quarto.
Uma mulher correta nunca deveria morar no t�rreo.
Em Paris, quando a conheci, morava no t�rreo,
na Av. Henri Martin, e n�o dava boa reputa��o.
N�o se trata de reputa��o, mas da vida de um homem.
Marqu�s, por favor.
A pol�cia quer v�-lo.
Volte para o quarto, cuidarei deles.
Sinto muito, � o sr. Primoukis.
Sinto mesmo.
Ele � muito perigoso, um agente do Commintern.
Ele se chama Nicholas.
Primoukis, seja Nicholas ou Stalin n�o me importa.
Dou minha palavra que n�o est� no quarto. Isso n�o basta?
-Mas sr. Santori... -Marqu�s de Santorini
ou Excel�ncia, como preferir.
Marqu�s, o senhor � italiano. Somos aliados
no combate ao comunismo.
Por isso mesmo, est� sendo indelicado ao insistir tanto.
Desde quando revistam os quartos dos aliados?
E de um aliado diplomata?
Marqu�s de Santorini, pedirei somente para
dar uma espiada no quarto de sua mulher.
Primoukis! Sugere que, sem eu saber, pode haver
um homem no quarto da minha mulher?
Minha mulher teria um amante?
Podemos conferir, Primoukis. Mas percebe as complica��es?
Um instante, sr. Marqu�s.
Um instante.
Bem mais distinto, sem d�vida alguma.
Sabe dirigir? Tem carteira?
Tenho carteira internacional.
Tem algumas no��es de mec�nica?
Muito boas, trabalhei em uma oficina.
�timo. O sr. Malfosse precisa de um motorista mec�nico.
E n�o recusar� nada � minha mulher,
ele a adora silenciosamente h� um ano.
Tem ideias pol�ticas, esse sr. Malfosse?
Neg�cios no setor p�blico na Gr�cia, S�ria e Egito.
Na Fran�a, seria sem d�vida um bravo defensor
das for�as opressoras, mas aqui seus concorrentes
s�o alem�es e italianos, ent�o, deve ser antifascista.
E o senhor que � italiano, por que me ajuda?
Eu n�o sou italiano.
Mussolini � italiano.
N�o sou nada, sou cosmopolita.
Um aristocrata pobre casado com uma mulher rica e bela.
Rica demais e bela demais para mim.
Conhece Valery Larbaud?
� um escritor franc�s, meu autor preferido.
Conhecer Larbaud n�o � indispens�vel � sua profiss�o.
A pol�tica deve ser austera ou deixa de ser pol�tica.
Para se ter �xito � preciso ambi��o, perseveran�a,
o gosto pela autoridade.
A faculdade de trair tudo, exceto a ideia
que temos do pr�prio destino.
A pol�tica burguesa, sem d�vida.
Os burgueses n�o precisam fazer pol�tica,
n�o diretamente. Fazem circular dinheiro e mercadorias, basta.
E acham pequenos burgueses frustrados para
fazer pol�tica.
Mussolini, por exemplo.
Para n�s...
Para voc�s, a pol�tica � tamb�m
para pequenos burgueses. Stalin, afinal de contas,
era apenas um ex-seminarista.
Mas para mim, a pol�tica n�o � s� Stalin.
� a viol�ncia coletiva dos povos,
que perturba o curso natural da Hist�ria, sempre opressiva.
A vontade de opor a tomada de consci�ncia � resigna��o,
a palavra � ora��o.
o risco da vida � falsa certeza da morte.
Entre!
Obrigado, est� bem.
Est� com fome?
Seu protegido devorou o seu caf�.
O que � bom para a sua linha.
Teve sorte. Ele � muito rom�ntico.
E fica ainda melhor sem bigode.
Esteve �timo esta noite com Primoukis.
�timo.
Mesmo sem Boutros aqui,
n�o deixaria a pol�cia vasculhar seu quarto.
Apesar de tudo, sou secret�rio da embaixada.
Acha que Malfosse ser� t�o compreensivo?
V� agora.
Bom dia, caro amigo!
N�o o fiz esperar muito?
Margot estava radiante, naquela manh�.
Ela certamente ainda n�o sabia por qu�.
Mas seu corpo proclamava sua felicidade.
Antes de seu esp�rito entender a raz�o.
Eu esperava impaciente que ela chegasse.
Seu telefonema cheio de subentendidos intrigou-me.
-Espreitava sua BMW... -N�o, era um Cabriolet...
Cord, �ltimo modelo.
A BMW era de 1935.
-Acha? -Tenho certeza.
Um Cord branco. Havia comprado na primavera de 1936.
Que mist�rio � esse?
Por que eu deveria esper�-la longe de casa?
Seus criados n�o devem me ver chegar com esse homem.
Rico sabe dessa escapulida?
Ora, Raul. O que est� imaginando?
Ouve as fofocas sobre mim?
Raul, � meu amigo.
N�o h� ningu�m aqui para eu pedir o que espero de voc�.
A sra. Santorini me falou do senhor.
-� bom mec�nico? -Bastante, acho.
Precisarei do senhor por 15 dias.
N�o mais. Isso lhe conv�m?
Isso me conv�m perfeitamente.
Em 15 dias tamb�m precisarei estar longe.
Margot, � melhor voltar agora.
Prefiro que os criados n�o a vejam
ligada � chegada do sr. Boutros.
Sim.
Obrigada.
N�o esque�a que almo�aremos juntos no golfe.
N�o, Raul.
Se me permite, quero agradec�-la.
Em 5 ou 6 dias, precisarei de voc�.
Seu carro pode engui�ar, por exemplo.
Precisaria fazer compras.
Pedir� para o sr. Malfosse lhe emprestar a Packard.
Eu a conduzirei.
Preciso ir � cidade, fazer contatos, saber onde estamos.
O disfarce de motorista � a melhor prote��o.
Certo.
Sei que a diverte. � como no cinema.
Curioso, quando crian�a, no Egito,
meu pai tamb�m tinha um Jaguar.
N�o � grego?
Sim, sou grego.
Mas minha m�e era francesa.
Meu pai tinha um neg�cio de exporta��o em Alexandria.
Aqui, far� as refei��es com meus criados.
-Espero, sr. Malfosse. -N�o h� outra solu��o.
Um homem como voc� deve gostar da igualdade.
A igualdade!
A igualdade, sr. Malfosse, n�o � eu comer
com seus criados. Nem que voc� coma com eles.
� n�o poder mais se pronunciar esse possessivo:
�meus� criados. Pois n�o haver� mais criados.
Voc� fala bonito.
Quando ser� essa sociedade id�lica?
H� quanto tempo se pregam os princ�pios.
evang�licos do Cristianismo?
Voltaremos a falar nisso em dois mil anos, sr. Malfosse.
Enquanto isso, eu lhe enviarei meu camareiro.
Ele lhe mostrar� onde ficar.
Margot cair� de amores.
Cair� de amores! � t�o crist� essa no��o da queda.
Perder� sua mulher?
N�o � mais minha mulher.
N�o toco seu corpo h� s�culos.
Por qu�?
N�o sei.
Eu a olho.
Eu a acho bonita.
Mas as imagens n�o v�m mais.
Nem as imagens.
Voc� se deita com imagens e palavras?
Sou um italiano refinado.
Ali�s, sabe bem.
Sim.
Vou trabalhar meu vocabul�rio.
Casou-se na Fran�a?
Sim.
Ir�o se divorciar?
� muito prov�vel.
Eu lhe previno logo. N�o queira se casar comigo.
Isso n�o me interessa.
O dinheiro � de Margot?
Ficar� pobre, melhor.
Adoro pagar os homens que fazem amor comigo.
Ent�o, dever� me pagar caro.
Por qu�?
Porque eu n�o resisto, em geral.
Os investimentos a curto prazo sempre s�o os mais onerosos.
Margot!
Margot, � sua vez. Em que pensa?
�Usei o m�nimo de poder necess�rio para
fazer face ao perigo comunista. E n�o tenho a inten��o
de dispens�-lo antes de ter limpado o pa�s
do Comunismo e ter instaurado uma ordem resoluta.�
A� est�.
Parece-me, sr. Von Pahlen, que o General Metaxas
� um rival de seu chanceler.
N�o, sr. Malfosse.
A paix�o o cega.
Hitler n�o chegou ao poder com um golpe de estado,
mas com elei��es parlamentares, livres.
Na verdade, o golpe de Metaxas foram os seus
aliados ingleses que prepararam.
Mas voc�s tirar�o proveito.
A Fran�a talhou e retalhou como convinha.
Na Europa Oriental, h� mais de 15 anos.
Mas a Fran�a ganhou a guerra, sr. Von Pahlen, e ent�o?
Em contrapartida, a Fran�a perdeu a paz.
Viveu de forma muito negligente,
fundamentada no Tratado de Versalhes.
Interessa-se pelo Tratado de Versalhes, sra. Santorini?
Claro, sr. Von Pahlen, sou obrigada.
O meu pa�s vem da�.
� austr�aca de nascimento, verdade.
Aproveitando que seu marido n�o est�.
pois faria uma cena, se n�o conjugal,
pelo menos diplom�tica,
o Duce se interessou muito pela �ustria.
Demais.
Um brinde ao povo perdido da Alemanha.
Desconhe�o este fato.
Vou partir.
Partir?
Recebi instru��es. Devo partir para o exterior.
Mas nem pudemos conversar.
Falamos um pouco na primeira noite.
Suas pernas entre as minhas...
Minhas m�os sentiram a curva de seu quadril.
Continue falando, por favor.
Diga qualquer coisa, estou ouvindo.
Nunca saberei que gosto tem sua boca.
Michel!
Michel Boutros!
Primoukis continua investigando.
Est� seguro de que me escondi no Acr�poles, aquela noite.
Interroga o pessoal do hotel.
Nunca devem v�-la comigo.
Ainda lhe pedirei para fazer algo por mim.
Amanh� cedo, ir� por mim
a um endere�o que lhe darei.
� um bairro afastado.
� Am�lia Sefaris?
Sim.
Disseram que a carta de Sal�nica chegou bem.
Zingos est� bem? Conseguiu escapar?
Disseram que a carta de Sal�nica chegou bem.
A de Sal�nica sim, mas a carta de Lam�a se perdeu.
N�o sei nada de Zingos.
S� estou encarregada de pegar um envelope que guarda aqui.
Claro. Desculpe-me. A pergunta me escapou.
Vou buscar o envelope.
Am�lia?
Ele morou aqui, Zingos?
Ele est� na garagem, Boutros?
Boa noite, Malfosse. Decidimos fazer uma festa surpresa, quer?
Entrem. Fizeram bem.
Boa noite.
Boa noite, Dora. Que bela!
Boa noite.
Quem teve essa ideia absurda?
Se uma de suas mimosas encontrar Boutros,
estarei em maus len��is. Devemos ser cuidadosos.
A ideia foi de Margot. Quer ver uma �ltima vez seu protegido.
Boutros partir�.
Mas n�o se anime muito. Voc� organizar� a partida.
Como, eu?
Margot previu tudo, mas ela mesma explicar�.
Eu teria pedido para Rico, mas ele parte
amanh� para Roma com o embaixador.
E com Dora Cooper tamb�m, para lhe dizer a verdade.
Vou ceder aos seus desejos, mais uma vez.
Boutros partir� na frente a p�, para n�o chamar aten��o.
N�s pegaremos na estrada, na sa�da de Atenas.
Em Delfos, nos deixar�.
Voltaremos juntos n�s dois.
Sozinhos.
N�o brinque com meus sentimentos, Margot.
Mas � com os meus que eu brinco, Malfosse.
Tenho o seu passaporte.
Am�lia Sefaris � muito bonita.
Preparei tudo para a partida.
Malfosse nos levar� a Delfos.
De l�, descer� para Patras.
Todos os dias, h� barcos para Corfu cheio de turistas.
Dif�cil de vigiar.
Anotei tudo aqui. Ler� depois.
Devia ser secret�ria da organiza��o.
Queria saber como e o gosto da minha boca?
Poderia escond�-lo.
Guard�-lo perto de mim.
Guard�-lo.
Guard�-lo.
� porque parto que me ama.
Porque...
H� em mim algo acima das minhas for�as.
Precisa de outra vida,
n�o de um amante.
N�o!
Queria guard�-lo.
Chega ofegante, de p�s descal�os.
No entanto n�o falta nenhum homem no terra�o.
Os homens n�o me interessam, minha cara Dora. Nada.
Est�o com um jeito estranho. De quem falavam?
De quem podemos falar, Dora e eu, sen�o de Rico?
Parta com Boutros.
Eu o vi pouco mas
h� homens que devemos reconhecer na hora.
Ele existe.
Perde seu tempo comigo, como perderia com Staalbaum.
Com Malfosse, voc� me surpreenderia.
Voc� � feita para se dar de corpo e alma.
Boutros n�o a amar� tanto quanto eu a amei,
mas ele a amar� melhor.
O Comunismo n�o tem tanta import�ncia.
Sabemos o que a vida faz de n�s.
Um homem forte vale mais do que as palavras
que o fazem viver num momento.
Ainda n�o disse a ele por que me sinto t�o pr�xima dele.
Lembra-se, Rico?
Lembra-se, h� dois anos, quando minha m�e morreu?
Eu estava em Viena.
Fevereiro. As tropas de Dolfuss arrasaram as mil�cias oper�rias.
N�o entendia nada.
Mas estava horrorizada.
Agora esta hist�ria faz sentido.
Nunca me falou nela.
Voc�...
Pode guardar essas lembran�as para Boutros.
S� uma coisa:
deixa dinheiro para mim? At� eu me refazer,
at� acertar com voc�?
Certo.
Rico.
-Bom dia. -Bom dia, senhora.
Temos hora com o sr. Andr�as �s 15h. Sr. Malfosse.
-Irei ver. -Obrigado.
Esta casa � de Dora Cooper.
Estou bem para esperar a morte.
Os alem�es levaram Dora para um campo, perto de Vittel.
Consegui tir�-la de l�, em 1942.
Dora foi quem lhe falou da pris�o de Margot.
Como ela soube?
N�o me lembro mais. Mas logo me mobilizei.
Tentei saber.
Nada.
Havia desaparecido, sido levada a algum lugar da Alemanha.
Era bonita, n�o?
Lembro-me de uma esp�cie de chama interior.
Uma alegria de viver, obstinada, quase desesperada.
Por que partiu?
Queria encontrar algu�m do outro lado da Europa. Um grego.
Comunista.
Chamavam de Boutros.
Deve ter sido pego na estrada.
Que desperd�cio!
Por volta de 1934, era fascinado pelo Comunismo.
Como dois ou tr�s homens que eu admirava.
Depois, tornei-me o contr�rio.
Pelas mesmas razoes, ali�s. As mesmas raz�es p�ssimas.
Hoje, acabou. Nada mais me interessa.
Ali�s, isso nos escapa.
A marcha do Comunismo na Europa se afina, cada dia.
Inexor�vel. Irresist�vel.
Stalin ser� obrigado a ir at� o fim, logo.
Stalin ir� at� onde os anglo-americanos disserem.
Nem um cent�metro a mais. Olhe a Gr�cia, nestes tempos.
Os comunistas s�o pisados, Stalin n�o se mexe.
N�o diz nada, deixa Churchill agir.
Ent�o, n�o haver� o apocalipse?
Certamente que n�o. Haver� s� a pol�tica.
Fiz reserva, sra. Santorini.
-Margot Santorini? -Sim.
-N�o tem medo do barulho? -N�o.
Seu apartamento � no t�rreo. Muito barulhento.
N�o ligo, quero esse quarto.
Obrigada.
Seu pai comandava um batalh�o de partisans,
na periferia de Atenas. Recebemos ordens para recuar.
Boutros n�o concordou.
Foi discutir no Estado-Maior com os dirigentes do partido.
Na volta, caiu numa emboscada na estrada para Delfos.
Primoukis...
Primoukis, um ex-policial colaborador que havia
dado o servi�o para os ingleses,
furou-lhe os olhos
antes de mandar fuzil�-lo.
N�o se parece com seu pai.
Com a sua m�e, sim.
Como se parece com ela!
Inacredit�vel, pensei rev�-la como naquele
dia de ver�o, h� 30 anos.
Perguntou-me se a carta de Lam�a chegou bem.
Era a senha.
Eu a revi em 1943.
Eu devia conduzi-la a Zingos.
Foi pega durante uma a��o, dois dias antes de encontr�-lo.
Ela desapareceu sem deixar rastro.
Zingos era o verdadeiro nome do seu pai. Sabia?
A filha de Zingos. � inacredit�vel.
Sobre a aldeia, apenas o sol estava de p� a essa hora.
O ferreiro batia no horizonte uma barra de ferro
superaquecida.
Perto dele, o sil�ncio da sesta que
amortecia a vida dos humanos era seu c�mplice.
Atiraram-se um sobre o outro
O desejo, que fizera o caminho atrav�s
da inquieta��o de suas almas, surgiu enfim.
Sua fome tinha vontade de morder.
Ele abriu os bra�os.
As flores erguem alta as p�talas antes de desabrochar.
Maravilha dos corpos.
Maravilha das almas fervorosas.
Esmiu�adas at� a ponta dos seios.
At� a ponta das unhas.
At� a ponta da l�ngua.
Quando o prazer os fez passar.
por seu corredor misterioso, olharam-se nos olhos
atrav�s da penumbra. Com um ardor fraternal,
queriam fazer juntos essa viagem atrav�s do inferno.
onde a maioria se abandona e se perde.
LEGENDAS: jmedeiros17
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