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Adivinha!
MENSAGEM INSTANTÂNEA - Faz 10 anos que nosso professor
nos deu aquela tarefa de escrever para um amigo à distância
É incrível!
Estamos juntos há mais tempo que a maioria dos casamentos.
E tenho ótimas notícias!
Eu consegui o emprego que eu queria na loja 'Toy Matters'!
É aqui mesmo em Denver
Começo assim que eu me formar.
Falta só 1 mês para o natal, meu período preferido do ano.
Mas o meu até então namorado me largou.
E eu já tinha até comprado presente pro safado!
Você não precisa de um aparador de pelos de nariz, precisa?
Ele precisava.
Eu tenho pensado tanto em você.
Imagino se um dia a gente vai se encontrar.
Não sei 'quando' ou 'se', mas, como sempre, até lá,
Te vejo sob a lua! Te vejo sob a lua!
Crawford, entre aqui!
Sim, senhor?
Diga, como vão as coisas no mundo cintilante dos obituários?
Para ser honesta, senhor, andam bem mortas.
Que engraçado, Crawford.
Há quanto tempo está cuidando dos falecidos?
Há quase um ano. Mas curti cada minuto.
Você mente convicentemente.
É um traço que eu respeito num repórter. Agora escute.
Na semana que vem, a conferência anual de brinquedos vai ser aqui em Boston.
Como é época de natal, Sullivan, que seleciona as reportagens...
achou que ela daria um bom artigo.
Temos leitores que adoram essa besteira de feriado. E aí...
você quer fazer?
Eu?
Claro! Não acredito que esteja me dando uma matéria de verdade. Obrigada.
Obrigada, senhor!
Não é nada muito empolgante...
...mas temos leitores que... - Adoram essa besteira de feriado!
Exato.
Tenho aqui uma lista dos participantes.
O senhor não vai se desapontar.
Vou fazer a melhor reportagem do ano.
Não vamos nos precipitar. Só faça ficar interessante.
O senhor tem certeza dessa lista?
Tenho. Só os grandes virão. Kramer...
Finkis, Herschells e...
...Toy... - Matters.
- Toy Matters. - Isto. Esta mesmo.
Não posso pegar, senhor.
Olha, Crawford, vai querer ou não?
- É que... - Deixa pra lá.
Vou mandar o Sullivan escrever. Ei, Sully!
- Espera! - Sim?
Espera.
Eu consigo.
Tudo bem.
Obrigada.
Ser Papai Noel cansa.
Você tem mensagem.
Meu Deus! Ela sabe?
Não posso ir. Não... Sr. Howard, não posso... Sr. Howard, não...
- Seth? - Sr. Howard, eu estava indo vê-lo.
Eu só queria verificar se você já está preparado para a conferência.
Era justamente sobre isto que eu precisava conversar. Eu...
Você sabe que já anunciamos que venderemos ações no mercado.
Então haverá um monte de pergunta de um monte de gente.
- Eu sei disso, senhor. Mas... - Sabe que Angélica estará lá...
o quanto ela é importante pra mim e como isto pode ser complicado.
- Certo. - A competição será feroz.
Por isso, precisarei de toda a sua ajuda.
Sim, senhor.
Serviremos o almoço em instantes. Obrigada.
Oi.
- É isso aí. - Quer mudar de lugar?
Não. Só estou mandando vibrações. Por enquanto, curtirei a paisagem.
Tá legal.
Me diz uma coisa. Se este avião cair mesmo...
e tivermos que usar o assento como bóia...
você acha mesmo que prender as mãos e pulsos o seguraria?
Porque acho que não, cara. Acho que esta coisa é papo furado.
Estou brincando.
Tô com medo.
E aí, o que achou?
Foi diferente.
É bolo de carne.
O que foi? Só fiz duas aulas...
e o professor nos estimula a sermos criativos e a experimentarmos.
A usar tudo o que temos no nosso armário de temperos.
Você só tem chocolate em pó no seu armário de temperos.
Sentiu o gosto dele?
Que tal se eu preparar meu frango "a cacciatore" pra você amanhã?
Frango? Viva!
É brincadeira. Amanhã eu não posso.
Nossa, você tem um encontro?
Não, e obrigada por ficar chocada com esta possibilidade.
Desculpa.
Na verdade, tenho uma matéria.
Uma reportagem? É mesmo? Que legal!
Eu sei. Mas...
Mas o quê? Achei que fosse tudo o que você queria.
Seth vai estar lá.
Seth? O seu Seth?
Como você faz isto?
- O quê? - Você sabe, com as mulheres.
Você faz parecer tão fácil.
Pô, cara, eu sou ator.
Matt, você só fez um comercial onde interpretava uma formiga.
Mas era uma formiga incrível.
- Fiz de modo bem orgânico... - E você estava fantástico.
Mas não estou falando da sua vida, mas sim da vida real.
Estou falando da minha vida.
Tem idéia de como é difícil pra mim conhecer garotas?
Começo a conversar com elas, e daí minha boca simplesmente...
se desliga do cérebro. Começo a falar de salgadinhos de queijo...
ou de um website legal que elas precisam conferir.
A única verdadeira relação frutífera que tive...
com uma garota foi no papel. Não é triste?
Não acredito que esteja falando do Seth das cartas de amor.
Como assim, cartas de amor?
O cara que passou anos escrevendo cartas e concordou em nunca ligar...
tudo por causa de um pacto que fizeram há 13 anos.
- Falo daquelas cartas de amor. - Não.
Nossa rela...
Nossa amizade se baseia em escrever cartas.
Tá, sei. Vá pegá-las.
Pegar o quê?
Anda.
É coisa séria pra você.
Você vai encontrar essa gata para quem tem escrito há anos.
Não, cara, é algo gigantesco. É algo enorme.
É mais do que isto, é "gigantorme".
"Gigantorme". Eu devia ser escritor. Como se escreve "gigantorme"?
Tá, Matt, peraí. Estão rolando umas coisas que você não entende.
Coisas de trabalho. Estou bem nervoso com esta viagem.
Eu sei, é um lance de carreira. Os brinquedos.
- Precisam de você. - Não, é mais do que isto.
Eu nem queria vir a esta viagem.
O Sr. Howard insistiu. Foi ele quem me deu uma oportunidade.
Eu não podia recusar.
Isto.
Oi! Me escuta, tá bom?
Tem esse lance com a Gina. Eu acho que...
Finalmente um pouco de verdade. Eu... Olha só, cara...
você vai arrasar.
Você deve suspirar toda vez que lê.
- Por causa do quê? - Por causa do quê? Disso.
Tá na cara que ele a deseja.
E olha que esta carta é antiga. A coisa deve ter esquentado.
Não, é sério, de onde está tirando essa idéia?
Olha aqui. Leia.
"Recebi sua carta ontem".
Nossa! Você tem razão. Ele está quase me pedindo em casamento.
Continua lendo.
"Não acredito como você parece tão feliz.
Fico feliz das coisas estarem correndo tão bem pra você. "
- Viu? - Não.
Ora, vamos! Ele está dizendo nas entrelinhas:
"Odeio que esteja feliz e que tudo está dando certo sem eu estar aí. "
Tá, você é doida.
Mesmo, se ele estivesse sentindo isto, ele diria...
ou escreveria, ou sei lá o quê.
Ele JÁ escreveu incontáveis vezes, obviamente.
- Você só está negando. - Não, só estou sendo realista.
Ela vai olhar pra você e vai saber.
Ela vai saber.
É disso que tenho medo.
Oi.
Me dá uma licença, parceiro.
Oi. Sou Matthew.
- Oi. - Matt.
"E, como sempre, vejo você sob a lua".
É, sempre acabamos as mensagens assim.
Desde a primeira carta.
Sempre soubemos que iríamos nos encontrar...
e a única coisa que sabíamos com certeza era que seria sob a lua.
É tão romântico.
Fiéis amigos por correspondência separados pelas circunstâncias...
tendo somente palavras para sustentá-los.
Destinados a se encontrar um dia e se apaixonar perdidamente.
É tão romântico.
É tão excitante.
Ellen, tem uma coisa que preciso lhe dizer.
Na verdade, duas coisas. A primeira é...
existe uma grande diferença entre realidade e romance...
e, às vezes, temos que escolher um ou outro.
Então, escolha o romance! Como você pode não estar empolgada?
Não, estou empolgada, é que...
Lembra do "Mágico de Oz"...
quando Dorothy conhece o Mágico, que ela achava ser perfeito?
E daí ela percebe que ele é um sujeito comum...
que ele não tem nada de especial.
E daí?
E se Seth for meu mágico?
Ou pior, e se eu for o mágico dele?
Eu prefiro deixar como está. Sua mãe nunca lhe disse isto?
Sim, mas também disse que brincar com os olhos deixa a gente vesgo.
Acho que eu ainda não estou pronta para largar a fantasia.
E vai dar um bolo no cara?
Isto não está certo! Ele só ficará com as suas fotos!
Esta era a outra coisa que eu meio que queria falar com você.
Ele só ficará com... as suas fotos.
- Como é que é? - Eu sei, eu sei, é loucura, né? Mas...
você me conheceu quando eu era pequena. Eu era estranha, feia...
e tinha espinhas!
Já você sempre foi irritantemente perfeita.
Então, quando chegou a hora de mandar uma foto, achei uma muito boa.
Só que era de você. E eu nunca achei que ele fosse descobrir.
Peraí. Então, todas as fotos que ele tem são minhas?
Mas ainda bem que continuamos amigas.
Teria sido muito complicado se eu tivesse mandado foto de outra.
Ah, claro, ISTO que complicaria as coisas.
Você vai dar um bolo num cara por quem você suspira há 13 anos...
e o deixará passar a vida sonhando com uma mulher que nem existe?
Mas você existe!
Eu sei que EU existo. E você existe. Mas...
meu rosto e sua personalidade? "Ela" não existe!
Eu sei. Eu sei, eu sei.
Por isso que eu estava pensando...
...que talvez você pudesse ir... - Você tá louca?
Primeiro, eu jamais conseguiria fazer isso e, segundo... não!
Mas é claro que conseguiria. Você me conhece há séculos!
Além disso, você tá me devendo.
- Como é que é? - Por causa do bolo de carne!
Eu não sabia que ia ficar com aquele gosto!
Ellen, por favor!
Por favor! Vai ser só uma noite.
Você irá jantar e será charmosa.
Bom, charmosa, eu sou mesmo.
É a mais charmosa de todas.
E ele ficará feliz. E eu ficarei feliz.
Vai todo mundo ficar feliz.
Tá vendo?
Feliz!
Preciso dizer pra ele.
Preciso dizer pra ele.
Matt.
Matt?
Matt.
- Matt, acorda! - Não sabia que ela tinha namorado.
Sou eu.
Seth?
Que horas são?
Não posso fazer isto. Não ver a Gina. Não posso seguir com isto.
- Mas que papo é este? - Não posso vê-la.
É claro que pode.
Olha, provavelmente ela é a pessoa que mais conhece você no mundo...
bom, tirando sua mãe, e isso porque sua mãe...
viu você pelado e a Gina não viu... ainda.
Você não entende. Não fui eu quem ela viu.
Claro que viu. Ela já viu sua foto. E, se ela não ficou desapontada...
você está bem.
Bom, aí é que está. Foi...
por isso que eu trouxe você, Matt.
Do que está falando?
Bom, sabe...
as fotos que eu enviei pra Gina ao longo dos anos...
elas não foram exatamente...
precisas.
Não, você não fez isso. Você...? Você fez.
Mandou pra ela uma foto daquela sua fase de "mullet" no cabelo?
Cara, sei que a gente fez coisas de que se arrepende, mas o "mullet"?
Não, na verdade, as fotos são suas.
- Sim? - Seth!
Aí, cara, escuta. Tá? Escuta.
Só uma pergunta, mais uma vez. Por que estou fazendo isso?
Por quê? Número 1, porque você é meu melhor amigo. Número 2...
Porque paguei por essa incrível viagem a Boston...
e, número 3... porque vou dar mais US$ 50.
US$ 50. Nossa, US$ 50!
Acho que vou para Las Vegas com essa fortuna.
qual é! O que sei sobre brinquedos? Não sou duende do Papai Noel!
Mas é ator. Então, atue.
Não, não. Sou ator desempregado.
E, tirando o lance da formiga, nunca recebi para atuar.
- Sou, tipo, um voluntário. - É seu 2º trabalho profissional.
Cara, sua carreira está decolando.
Quer saber, você está certo. Está certo.
Tenta se divertir com isto, sabe?
Viva o momento orgânico, ou seja lá o que os atores fazem.
Tá legal.
Ela vai achar que sou um tremendo idiota!
Obrigado.
Oi.
Você já a viu?
Não, eu estava esperando. Eu...
não sabia que o senhor sabia.
Lugar horrível pra se encontrar. Toda esta multidão.
Meu Deus, todo o setor.
- Bom, é, mas... - Meu Deus, aí vem ela.
É a Srta. Davis.
É nossa primeira vez juntos em público.
- Prazer em conhecê-la, finalmente. - Prazer.
Por favor, me dêem licença. Vai, Matt, cadê você?
Oi. está procurando alguma coisa?
Estou. Sabe onde ficam os telefones públicos?
Acho que não existem mais.
Espero que existam. Não consigo sinal no celular aqui dentro.
A tecnologia moderna não é maravilhosa?
Não pude deixar de observar que você conversava com aqueles dois.
Não são presidentes de duas das maiores fabricantes de brinquedo?
- É uma conferência sobre brinquedos. - Certo, mas eles não são arquiinimigos?
Tecnologia moderna. Vai entender. Onde diabos você se meteu?
Ah, Riley, desculpe. O que foi?
Sim, ela está aqui. E, sim, eles estão juntos.
Não posso mantê-los afastados.
Riley, eles são adultos. Não vão sair se beijando em público.
Eu sei que é um período de calma.
Eu sei dos regulamentos, e eles também sabem...
Riley? Riley! Riley!
Droga! Desculpe.
Sabe onde posso achar um telefone pago?
Não. Escuta, você disse que está rolando um caso entre eles dois?
Você não devia ter ouvido. Aliás, por favor, finja que não ouviu. Tá bom?
Olha, desculpa. Eu preciso mesmo ir.
Daí ele me disse: "Eu adoro seu produto e... "
Caramba, ela é uma delícia! Bom menino!
Tá, Toy Matters, Pesquisa e Desenvolvimento de Novos Produtos.
Formado pela Notre Dame. Pergunte da mãe, não do pai. Ele é surdo.
Seth?
- Isto. Gina. - Gina, exato. Oi.
É muito bom vê-la depois de nunca tê-la visto.
É, eu também.
Mas...
Mas... é... claro. Você é igualzinho a sua foto.
É o que me disseram.
E aí, como foi seu vôo?
Foi bom. Garotas, saias curtas, bebidas...
amendoim de graça. O que há pra não gostar?
Quer dizer, foi totalmente dentro da rotina, sabe?
Fiquei trabalhando no computador. Sou assim bem detestável.
Vou anotar isto.
E aí, brinquedos, né? Trabalhando em algo novo pro natal?
Sim, na verdade, estamos. Estamos fazendo um novo robô.
É bacana. Eu estava imitando um ro...
- É uma boneca. É complicado. - É, tá parecendo.
E aí, quer que eu Ilhe mostre Boston?
Podemos ir ao Fenway, The Prudential, andar no Charles.
Eu adoraria... Não é melhor irmos à conferência de brinquedos?
Acho que hoje eles vão discutir...
brincar com os outros em comparação com brincar sozinho.
Não quis dizer que eu brinco comigo...
Você disse Fenway?
Sr. Doogan. Oi, Sullivan. Precisa falar isto ao Sr. Doogan.
Angelica Davis e Bill Howard.
São os presidentes da Toy Matters e da Herschells.
Tá, escuta. Acho que tenho um grande furo de reportagem.
Eles estão se vendo secretamente.
Quer dizer, imagine as implicações. Troca de segredos, novos desenhos...
estratégias financeiras.
Imagine só o alvoroço quando os acionistas descobrirem.
Oi.
Você é repórter?
- Que ótimo. - Tá. Diga a ele que estou de olho.
Certo, tchau.
Sr. Howard, eu vim buscá-lo.
Eu não queria que perdesse nada.
Escuta, eu ficaria feliz se você me chamasse de Bill.
- Está me fazendo parecer velho. - Não.
Tenho de dizer que estou orgulhoso do seu trabalho.
Seus novos projetos nos ajudaram a obter apoio para vender ações.
Eles nos destacam no mercado. Sabe, ter contratado você...
foi uma das melhores decisões corporativas que eu já tomei.
Eu não mereço mesmo este tipo de elogio.
Não seja tão modesto! Tivemos um ótimo ano.
Mas escuta...
percebi que há alguns jornalistas bisbilhotando.
Publicidade poderia nos destruir e pôr as empresas em perigo.
- Angélica, você chegou. - Oi, Howard.
Você está bem?
Então a gente se vê lá dentro.
Isto não pode estar acontecendo.
Perfeito! Um coral de natal!
- Seth, não precisamos, é sério. - Ora, eu sei que você adora isto.
Pois é, é bem sazonal.
O que foi?
É natal.
O que é mais natalino do que um coral?
É que esta música...
me faz lembrar de uma amiga que devia estar aqui.
Uma doença em seu lar.
Permita retirá-la desse lugar de pesar...
...para onde o natal aguarda. - Tá bem.
Venha, minha lady.
Feliz natal! Feliz natal!
Para a madame, uma mocha dupla especial de natal.
Feita especialmente para seus lábios. Descafeinado, é claro.
Nossa. Como se bebe?
Vim preparado pra isto.
- A madame tem mais algum desejo? - No momento, não.
Sabe, você não é nada do que me contaram.
Digo, imaginei.
É mesmo?
É, mas por um lado bom. Você é bem mais vivaz.
Bom, melhor do que "mortaz".
Bacana ouvir você dizer isto, Gina.
O CACHORRO HARRY MORREU. ELA AMAVA O CACHORRO
Eu estava querendo lhe perguntar como você está...
agora que o Harry se foi.
Estou bem. Sabe como é, tipo...
O que posso dizer?
É que eu sei o quanto você o amava.
- Deve sentir muita falta dele. - Eu amava?
É mesmo. Eu o amava.
É. Mas, pra ser sincera, ele não beijava bem.
Usava muito a língua.
Como vai sua mãe?
Está bem.
Vai indo bem.
É difícil pra ela. Ela fica pensando no meu pai.
É, claro. Mas sabe, estão fazendo grandes avanços nessa área.
Já viu esses aparelhinhos?
É só colocar no ouvido do seu pai, e ele vai estar novo em folha.
O quê?
Quero dizer...
nas circunstâncias...
seria improvável, provavelmente bem improvável.
Aliás, completamente improvável.
Tá, talvez não fique novo em folha. Mas...
certamente facilitaria um diálogo entre os dois, não acha?
Não. Não, não acho.
Pode me dar licença?
Certo, aqui está. O pai é surdo.
Tem chocolate. O pai está morto, não surdo.
Sua idiota.
Você chegou.
Oi. Que horas são?
22:30 h.
Nossa, já?
É, acho que o tempo voa quando a gente se diverte.
Foi idéia sua. Eu estava feliz em casa com meu frango.
Pedi que se encontrasse com ele, não que saísse com ele.
E onde estava na conferência? Procurei por você em toda parte.
Primeiro, eu não forcei ninguém a não ir.
Ele logo gostou da idéia.
Espera aí. Foi você quem teve a idéia?
É. Só perguntei se ele queria conhecer Boston.
E você queria saber como ele é!
- E? - E...
ele foi meio diferente daquilo que você descreveu.
Diferente como?
Bom, ele é...
é meio engraçado.
E despreocupado.
Mais físico do que intelectual.
- Físico? - Tem um corpão.
- Ele o quê? - Você que perguntou.
E ele quer me ver de novo amanhã à noite.
Mas ele imita robô que é uma gracinha.
- O quê? - É, uma dança meio robótica.
Não é isto. Você falou de amanhã à noite?
Bom, é. Na verdade, ele convidou você.
Quer que eu diga não?
Não. Você tem de ir.
Agora eu estou em dúvida.
Eu cumpri com minha parte do trato.
Talvez seja o momento de você assumir as coisas.
- Ellen... - Gina...
você é uma mulher incrível.
Você tem que se lembrar disso. E...
qualquer cara, incluindo este, teria sorte em ter você.
- Eu como seu frango. - Não!
Ellen, eu disse que comerei seu frango. Você não tem coração?
Tá bom. Fecho com o frango...
e aumento para meu "crème brulêe" de avelã.
Tá. Negócio fechado.
E aí, aonde ele vai me levar?
- Patinar no gelo? - O que quer de mim?
Pareceu algo que você faria.
Sei lá. Se fosse eu, eu a levaria pra esquiar...
pra um restaurante fino, para uma montanha isolada...
longe da cidade. Mas não sou eu, é você. E você é...
...insosso. - Matt, ela tem medo de água.
Não sei se você conhece gelo, mas ele costuma ser congelado.
É. Congelado o quê? Ah, é mesmo. Água! H20!
qual é, cara! Quem tem medo de gelo?
Já viu alguém com "gelofobia"?
Isto não tem nada a ver com o assunto.
E a conferência? Ela sabe que eu jamais deixaria de trabalhar.
Nossa, você é mesmo um porre.
Eu tive que dar uma apimentada.
Comecei a contar as suas histórias, e foi um tédio...
pra todo mundo!
Esta Gina é uma garota especial.
Aliás, se você não entrar em ação, eu ficarei feliz em agir por você.
Você ficou louco?
Está falando da minha Gina. Você não entra em ação nem...
apimenta as coisas.
Matt, mano, siga o plano.
Se você começa a agir como você mesmo, ela vai desconfiar...
e achar que sou um completo idiota!
Eu posso ser paranóico, mas acho que acabei de ser insultado.
- Você não é. - Idiota?
Paranóico.
Ora, Sullivan. Você acha mesmo que Angélica Davis...
vai arriscar toda a sua carreira por um homem?
Acho que farão uma declaração quando a Toy Matters entrar na bolsa.
- Pode atender? - Posso.
Sully, pode esperar um pouco?
- Alô? - Alô, Gina.
É o Seth.
- Alô? - Desculpe.
- É ele. - Quem?
Seth!
Você tem que atender.
- Atende você! - Não, atende você!
Alô? Oi. Desculpe. Minha amiga Ellen atendeu e deixou o telefone cair.
Por que está no telefone? Nós não nos falamos no telefone.
Jura? Obrigada. Eu também me diverti bastante.
Nossa, certo, parece legal.
Tá, a gente se vê amanhã.
Boa noite.
Eu ligo mais tarde.
Ele só ligou pra me agradecer por hoje...
e pra dizer que sou exatamente como ele me imaginou.
É mesmo? E como ele conseguiu seu número?
Ele me pediu. Gina, em cidades diferentes é uma coisa...
mas achou que o pacto de não ligar funcionaria na mesma cidade?
Claro que não.
É que foi nossa primeira ligação, e eu nem participei dela.
Eu lamento.
Mas poderia me dizer coisas que devo saber?
Tipo... quando eu saí com um cara chamado Harry?
Harry?
Meus pais tinham um chihuahua chamado Harry, que morreu há meses...
mas, tirando ele, não conheço nenhum Harry.
- Harry é um cachorro? - É. Por quê?
Por nada.
Seth!
Seth!
Seth!
- Oi! - Oi, eu estava chamando você.
Estava? Estava. Foi mal.
Eu havia esquecido que você odeia água, mesmo congelada.
É.
- Mas tem patins de gelo. - Não.
Peguei emprestado de uma amiga.
Uma amiga que está me ajudando a enfrentar meus medos.
Medos que eu nem sabia que tinha.
Bom, por mais feliz que ficaria em ajudá-la a se curar...
estou pensando numa coisa diferente.
Tá. No que está pensando?
Eu mostrarei.
Oi!
Fui empurrado.
É melhor acabar com isto, tá?
- De onde são estas flores? - São ótimas.
São trazidas da Flórida.
Tem que regá-las todo dia, pois são delicadas. Mas...
se cuidar bem delas, durarão a estação inteira.
Tudo bem. Ei!
Acha que pode quebrar e não comprar?
Não, não.
Então deve $12,50, moça.
Sabe, é engraçado. Ontem, parecia que não tínhamos nada em comum.
Mas, hoje à noite, parece...
Parece que nos conhecemos a vida inteira.
- É. - Certo?
Com licença...
Eu sinto muito.
- Você! - Você!
Tentei encontrá-lo depois da conferência.
Fui embora, como estou indo agora. Boa noite.
Espere!
Ei, espere!
Espere! Preciso muito conversar sobre a Toy Matters e a Herschells.
- Vai haver uma fusão? É um negócio? - Não, não é nada disso.
Tá. Podemos ir tomar um café e colocar os pingos nos "is"?
- Você está bem? - Estou.
É que eu acabei de ver...
Deixa pra lá. Tá, mas esse caso, há quando tempo está rolando?
Desculpe, mas está esperando alguém?
Estou. Estou esperando um amigo.
Um amigo e uma ex-amiga.
Mas pode falar.
Olha, não posso mesmo falar nada. O quê? O quê? O que foi?
Foi bom, não foi?
- Gostei do filme. - E eu sei dançar.
É sério, sei mesmo.
Olha pra eles.
Ele nem a conhece.
Após 13 anos, seria de esperar que ele descobrisse que não sou eu.
Mas acho que não posso culpá-lo.
Mas ela? Que cara-de-pau! Meu Deus!
Desculpe, é uma história trágica, um dia triste etc.
Sou Gina.
Gina Crawford, e não costumo ser dramática assim.
Gina. Prazer em conhecê-la.
É mesmo? Ninguém diz isto a uma repórter.
Você não me disse seu nome.
Meu nome? Você falou o seu e, claro, quer saber meu nome.
- Facilita a conversa. - Claro, naturalmente.
Matt. É meu nome. Sou Matt.
Certo, Matt.
- Café? - Café.
Eu pago.
Tudo bem.
Daí eu disse pra ela: "Nem pensar, o crocante não é melhor".
E, daí por diante, só piorou.
Acho que os salgadinhos de queijo são uma coisa sagrada.
Comigo é a mesma coisa com chocolate.
É, eu sei. Chocolate amargo com amêndoas, certo?
É, como você sabia?
Foi um chute. Eu tenho irmãs.
Mas, bom, é melhor eu ir.
Eu quero estar lá quando a Ellen chegar.
Se bem que, devo confessar, você provavelmente salvou a vida dela.
- É mesmo? - É, quer dizer...
tomar café com você me deixou calma.
Tornou menos provável que eu cometa homicídio esta noite.
Por isso, em nome da Ellen, eu agradeço.
Acho que você não devia ser muito dura com ela.
Às vezes, as pessoas fazem coisas que parecem sem sentido...
mas, depois, olhando de perto, elas fazem sentido...
mesmo se, num primeiro momento, não fizessem sentido...
Isto está fazendo sentido?
Você tem alguma coisa contra guardanapos?
Não, é só um tique nervoso meu.
Ah, meu olho treme. É horrível.
Quer dizer que você está? Nervoso?
Não. Você está?
Não. Na verdade... obrigada...
parece que eu já conheço você.
Eu sei que é loucura, mas...
começou com uma mentirinha de nada...
e, de repente, virou este monstro que preciso continuar alimentando.
Isto já aconteceu com você?
- Bom... - Não. Você parece centrado.
O que faria se estivesse no meu lugar?
Eu? Não sei ao certo.
É aqui que moro.
A gente se vê amanhã na conferência?
- Bom, talvez... - Olha, eu vou achá-lo mesmo.
Então é mais fácil já fazer planos comigo.
Tá, que tal um jantar e um cinema?
Não um encontro.
Matt, por favor, você parece ser incrível.
Você é incrível.
Sou eu.
Eu sei que, quando dizem que "não é você, sou eu", é você.
Mas, neste caso, sou eu mesmo.
Quer dizer, estou a fim de um cara que só conheço no papel.
Não é uma coisa de louco?
- É, mas... - Tá bom.
Vamos fazer um trato. Um encontro.
Você escolhe o lugar...
mas posso fazer cinco perguntas para minha história.
- Duas perguntas! - Quatro.
Três, oferta final.
Negócio fechado.
- Boa noite. - Boa noite.
Eu só preciso mesmo de três.
Matt! Acorda!
Cara, este é um costume horrível. Estou perdendo tempo de sono.
- Tempo de sono? Você a beijou! - E daí?
E daí? Tem noção das implicações? A gente não faz isto.
Foi só um beijo de amigos. Como se fosse um beijo no seu avô.
Tá, se é assim que você beija o seu avô... que nojo!
O que Seth deve estar pensando? E se ele nunca mais me escrever?
E se ele só não a parou porque ele ficou tão embasbacado...
que congelou?
Vai por mim, ele não estava congelado.
- E daí? - Eu dei um pouco mais de vida a você.
E fiz mais parecido comigo.
A boa notícia é que funcionou.
A notícia ruim é que aquele beijo foi uma delícia.
Matthew...
continue com o bom trabalho.
Gina, você devia pegar mais leve.
Eu disse pra você ir, não disse?
Você tem razão.
Está coberta de razão.
Eu não pensei que você entraria tanto no personagem.
E agora não sei se fico com raiva, ciúme ou em pânico...
por você ter mudado toda a dinâmica de nossa relação...
enfiando a minha língua na garganta dele!
- Acho que preciso dizer a verdade. - Não!
Não. Quero dizer...
e quanto às expectativas?
Bom, obviamente, as expectativas dele não são muito grandes.
Eu estava falando as suas.
Deve ser ele.
Alô?
Oi, Seth.
- É. É, eu também. - Você também o quê?
Amanhã à noite?
Só um segundo. Preciso ver na minha agenda.
- Estou ocupada amanhã à noite? - Por quê?
Porque ele quer me levar, digo, levar você pra sair de novo.
Não, diga que está ocupada!
- O quê? - Não, não, não diga.
Que droga, eu não sei!
Parece que você beija bem.
O que quer que ela diga pra ele? Que estou ocupada?
Não.
Não, eu não poderia fazer isto com ele.
Tem certeza de que é isto que você quer?
Tenho.
- Sully, me reescreva isto, sim? - Claro.
Obrigado.
Crawford, como vai a história? Me disseram que tem um furo.
- Está indo bem. - Espero que sim. Contamos com você.
Gina Crawford.
Oi, é o Matt. Me diz uma coisa, você entende de árvores de natal?
Bom, acho que depende...
do que você sabe sobre casos entre executivos de empresas de brinquedo.
É sua primeira pergunta?
Calma. Estou guardando pra mais tarde. No que está pensando?
Eu ia sair hoje à noite para comprar minha árvore de Natal. Pensei...
...que você quisesse vir junto. - Escuta, você só tem um encontro.
Não tem um amigo para ajudá-lo a escolher uma árvore?
Meus amigos não têm espírito natalino.
A maioria deles nem sabe o que aconteceu no 9º dia de natal.
Esta é fácil. As damas dançaram.
Viu? Isto significa que virá comigo?
Você tem sorte de eu adorar tudo referente a natal.
- Eu sei. - O quê?
Eu sei que tenho sorte. A gente se vê à noite.
Certo.
Nove, moças dançando.
Oito, mulheres fazendo strip. Sete, biquínis cavados.
Seis, bordas rotatórias. Cinco...
Loiras com pernas longas.
Doze latas de cerveja. 3, empregadas, 2, acrobacias
E uma roupa íntima comestível pra mim.
Feliz natal!
Você sabe que quatro vem antes de cinco, não doze, né?
É, mas quatro latas de cerveja nem dá pro cheiro.
E por que estamos cantando músicas natalinas?
Porque Gina gosta muito do natal...
e vamos entrar no espírito também.
Eu vou me encontrar com ela. Vou dizer que você mandou um oi.
Diz que o Matt mandou oi. E divirta-se.
É US$ 49,63.
Aqui está. Obrigado.
- Muito obrigado. - Certo. Charlie, anda, vamos.
- Obrigada. Feliz natal! - Obrigado. Pra vocês também.
Certo, certo. Vamos. Vamos.
- Feliz natal. - Feliz natal.
Chegamos.
Como você virou fanático por natal?
Quando eu era criança, meu pai fazia grandes natais...
daí, depois que ele faleceu, eu me achei...
na obrigação de fazer a tradição seguir.
Como se ele estivesse comemorando com a gente.
- Que lindo. - Tem isto e...
E o quê?
Bom, tenho uma amiga que é maluca por coisas natalinas.
Eu também sou.
Aliás, você me lembra ela.
Que engraçado. Seus amigos me lembram a Ellen.
Ela é tão estraga-prazeres.
Olha que gracinha!
Perfeito.
Deixa pra outro dia.
Acho que está na hora da minha primeira pergunta.
Não reconheceu Seth ontem. Então não trabalha na Toy Matters.
Trabalha na Herschells, certo?
- Isto mesmo. Herschells. - Eu sabia.
Bom, uma já foi. Faltam duas.
Gina, escuta, acho que tem uma coisa que devíamos...
- É o Seth! - Por que isto vive acontecendo?
Porque é um sinal.
É um sinal de que preciso abrir o jogo neste exato momento.
- Espere! Não, não, não! Não, não! - Por quê?
Você já pensou no que vai dizer pra ele?
- Não. - Olha, nós...
vocês esperam por isto há muito tempo.
Tem de ser perfeito. Não pode ser numa liquidação de árvores.
- Não foi assim que eu imaginei. - Que você imaginou?
- Você imaginou? - Não, digo, neste instante.
Ouça, estragaria o momento. Não acha?
Ei!
Vocês vão comprar esta árvore?
Ou vão ficar aí de pé e quebrar os galhos?
Sim, vamos comprá-la. Mas nos dá um minuto, tá?
Escuta, por que não vai chamar a moça aqui...
e compramos esta árvore, amarramos em cima...
de um táxi e depois vamos tomar um café?
Vamos pensar em alguma coisa, tá? Eu prometo. Tá bom?
- Tá. - legal.
Matt?
- Cara, o que está fazendo aqui? - Eu?
Estou comprando esta árvore. E você?
Você está comprando uma árvore e pergunta o que estou fazendo aqui.
Não vão deixar passar como bagagem de mão.
- Você precisa sair já daqui. - Cara, você precisa se acalmar.
Sabe por quê? Porque lembrei que a Gina curte o natal. Certo?
- Sim, certo. - Pensei em comprar um presente.
- Ótimo! Perfeito. - É? Gostou?
Adorei.
Mas, se liga pra nossa amizade, vai parar de falar e se mandar daqui.
Se eu ligo pra nossa amizade? Eu ligo.
Não falo muito o quanto eu gosto...
...de você. - Pare.
Faz muito tempo que a gente devia ter essa conversa.
Você me ajuda muito. Homens não gostam de falar nisso.
- Matt. Por favor. Agora não. - Mas não vejo problemas em falar.
- O quê? Não. - Eu te amo...
- O quê? Agora não. Por favor. - ... mano.
- E não sou... tá ligado? Mas... - Por favor, pare.
- Vem cá, mano. Vem aqui. - Não, não, não!
É esta época do ano.
É esta época do ano.
- Eu concordo. - É.
- Certo. Vou comprar isto. - Ótimo.
- Boa conversa. - Ótima.
- Foi boa? - Perfeita. Te vejo no hotel.
Como pôde fazer isto?
Foi maluco, não foi? Ele surgiu do nada e...
- O que ele disse? - Ele só disse...
"Que Deus abençoe todos nós". Esquisito, né?
Tá, mas ele não falou nada de mim? Você não falou de mim?
Não, eu fiquei falando de bálsamo, pinheiro-bravo...
e do nível de umidade que maximiza a vida da árvore.
Mas você? Não. Você não entrou na conversa.
Certo. Certo, ótimo. Obrigada.
Tudo bem. Podemos cair fora daqui agora?
- Podemos. - Moça? Oi.
Você mal abriu a boca desde que saímos da loja de árvore.
Está tudo bem?
Segunda pergunta.
Você acha que Howard e Angélica conversam sobre suas empresas?
Ou acha que eles se concentram naquilo que o outro quer revelar?
Talvez porque eles sabem que algumas coisas...
ficam melhores se deixadas na imaginação.
Não sei se entendi.
Sabe, no "Mágico de Oz"...
quando Dorothy, o Espantalho e os outros...
fazem uma imagem do Mágico?
Que ele é esperto, sábio e capaz de resolver todos os problemas.
E, quando eles o conhecem, não é a mesma coisa.
Porque eles percebem que...
ele é um cara comum, igual a todo mundo.
- Sim, mas ele não a desapontou. - Eu sei, mas...
Estamos mesmo falando de Howard e Davis?
Claro. Do que mais a gente poderia estar falando?
Acho que eles são honestos...
quanto às coisas que realmente importam...
e não acho que trocariam seu amor por um negócio ou por lucro.
Número 3?
Certo.
Preciso fazer compras de natal, e vou ao shopping amanhã.
Quer vir comigo?
Esta é sua pergunta?
- Acho que sim. - Eu adoraria ir.
Ótimo.
Por que não me pressionou com as duas últimas perguntas?
Porque consegui tudo o que precisava. Não se preocupe.
Foi o final perfeito para uma noite perfeita.
Espera. Tenho mais uma coisa que fará tudo ficar perfeito mesmo.
Fecha os olhos.
- Seth! - Vai! Feche os olhos.
Pode abrir agora.
- O que é isto? - Chifres de renas.
Nossa. É. São... chifres mesmo.
Eu sabia que você ia gostar, já que curte tanto o natal.
Nossa. É. Chifres de renas.
Só as comprei porque sei o quanto você curte o natal...
e só queria que você soubesse que eu sei disso.
Quer dizer... que eu me importo.
Eu adorei.
E eu adoro o natal.
- Você odeia o natal! - Eu sei, mas você adora!
Exato. Então, tecnicamente, isto é meu.
Foram um presente pra mim. E até você voltar a ser você, e eu, eu...
os chifres são meus.
Eu o vi.
O quê?
Ele devia estar comprando o presente.
- O que disse a ele? - Nada. Ele nem me viu.
Matt não achou uma boa idéia eu falar com ele.
Sei. E este Matt...
devo presumir que você deu um nome pra voz que ouve na cabeça?
Não, a voz dentro de minha cabeça é de mulher.
Matt é só um amigo.
E, se ele é só um amigo, por que está tremendo?
Deixa isto pra lá!
- Quando voltará a vê-lo? - Esta noite.
Eu ia contar pra você.
Acha que ele está suspeitando de algo?
Só de você beijar melhor do que ele pensava.
- O que foi que eu lhe disse? - Eu sei, eu sei.
- Mas, depois da primeira vez... - Depois da primeira vez o quê?
Bom, rolaram mais vezes.
- Me mate agora. - Uma vez feito, não posso desfazer!
Ele ia achar que tinha algo errado se, após a primeira vez...
não houvesse uma segunda ou terceira... ou quarta.
Quarta?
Oh, Ellen.
Tá legal. Tudo bem.
Eu aguento.
Não vou contar pra ele.
O quê?
Ele está se divertindo com você...
e acha que está se divertindo comigo. E ele vai...
...embora em dias, e ela não notará diferença. Ela achará que ela...
...ficou com medo. Me escondi numa árvore.
Tá, Ellen? Pra mim, isto foi um sinal...
...que devo dizer pra ela, mas...
não posso porque eu seria despedido, e isto...
...destruiria nossa relação.
Ele jamais me perdoaria por ter feito uma coisa dessas.
Não vou dizer pra ele.
Tem certeza de que é isto que você quer?
Quero isto aí.
Obrigada.
Eu estava almoçando com meus amigos...
quando Meredith Berry chegou e se sentou.
Na época, a gente chamava ela de Merry, e ela era uma gata.
Ela tinha laços no cabelo que combinavam com as meias.
Tá me dizendo que tinha uma amiga chamada Merry Berry?
Você não entende. Ela era perfeita.
Daí ela chegou e se sentou à mesa, quando meu amigo Tony...
estava acabando de contar uma piada suja, daí eu ri.
Mas eu estava com comida na boca.
Sabe o que acontece quando se ri com comida na boca?
- Sei, a comida sai pelo nariz. - Exato.
- qual era o prato? - Espaguete.
Feliz natal.
Quer tirar uma foto com o Papai Noel?
- Volto daqui a pouco. - Parece que estão fechando.
Não.
Prazer. Feliz natal. Uma amiga quer tirar uma foto.
- Ela só quer uma. Muito obrigado. - Tudo bem.
Gina, depressa.
- Estou me divertindo muito. - Eu também.
- Vem cá, garotinha. - Obrigada, Papai Noel.
Isto mesmo. Vem. Sente-se no colo do Papai Noel.
Me diga o que quer de natal.
Olha pra câmera.
Perfeito.
Comporte-se! Comporte-se! Comporte-se!
Vou me comportar! Vou me comportar! Vou me comportar!
- Oi. - Gina!
Que diabos é isto? Parece que o natal vomitou.
É. Foi um presente do Seth.
Você sabe, porque eu gosto muito do natal.
Podemos conversar outra hora? Estou com algo na mesa. Fogão.
- Obrigada pela visita. - Espera, na verdade...
preciso conversar sobre uma coisa.
Oi. Sou o Seth.
Meu Deus! Ela está tremendo!
Seth, esta é...
Ellen. Minha vizinha, Ellen.
Oi, Ellen.
Ellen está em choque, como todos estamos, com esta...
incrível demonstração de alegria natalina.
- Fui eu. - Gina...
podemos conversar rapidinho lá embaixo?
- Podemos. - Tá.
Pode nos dar licença? Volto logo.
Ficou demais.
Matt?
- O que está fazendo aqui? - Ah, então este é o Matt.
Matt, esta é minha amiga, Gina.
Ellen! É minha amiga, Ellen.
- Oi. - Oi.
Prazer em conhecê-la.
E aí, o que faz aqui?
Esqueci de devolver seu cachecol. Você esqueceu no táxi noutro dia.
Obrigada.
- Então... - Escuta...
eu estava querendo conversar com você.
É que já está tarde. Será que podemos conversar amanhã?
- Pode esperar mais uma noite. - Certo.
Bom, até mais.
- Prazer. - Tchau.
Só um amigo, né?
É, ele é só um amigo.
Sei.
Me sinto culpada pelo Seth, e você já está com um novo amiguinho.
Ah, você se sente culpada? Agora quer que eu me sinta culpada?
Ótima posição considerando que esqueceu de fechar um botão.
Parece que você esqueceu que foi você que teve esta idéia.
Não pode ficar brava comigo por nós termos nos dado bem.
Você era minha melhor amiga. Como queria que eu me sentisse?
Olha, Gina, não sei como você se sente.
Ninguém sabe.
E pode ser loucura minha, mas está passando bastante tempo com o Matt.
Se ele é só um amigo...
...por que você está tremendo? - Isto é ridículo.
É. Você está gostando do Matt e não contava com isto, não é?
Acha que, quando esta conferência acabar...
Seth vai voltar pra casa e pensar que conheceu você?
E assim você não tem que acabar com Matt...
e Seth passará os próximos 13 anos escrevendo pra você...
sobre os momentos que passou com você? Só que é comigo!
E, para ser sincera, você está se apaixonando por ele.
O quê? Não estou, não.
Sim, estou.
Ah, não.
Ellen, não.
Olha, sei que tenho que tomar uma decisão. Mas...
você faz parecer que estou enganando os dois, e não é verdade.
Se está com medo de perder Seth, tem que se decidir.
Porque vai abdicar do melhor relacionamento que já teve...
e eu também.
- Certo. Tchau. - Até mais tarde.
- Gina Crawford. - Oi, Gina.
Sullivan. Achei que estivesse nas impressoras.
Estou. Mas ouvi algo sobre sua historia.
Os executivos souberam que houve um vazamento de notícia pra nós.
Só sabem que foi um Matt. Vão demitir todos os Matt.
- Despedir? - É. Todos os Matt vão rodar.
Estou ansioso pra ver o que tem. Mas rápido, estamos imprimindo.
Certo. Obrigada, Sullivan.
Viu o "Boston Daily" de hoje?
O artigo sobre a conferência? Você leu?
Olha, Sr. Howard, sobre o artigo, não havia nada...
Foi simpático.
- O quê? - Na verdade, bastante simpático.
A única vez em que vi executivos sendo considerados seres humanos.
É um pouco sentimental demais pro meu gosto...
brinquedos de natal e tudo o mais...
mas eles devem ter leitores que adoram essa porcaria de feriado.
- Ela não fez. - Fez o quê?
Ela estava me protegendo.
Ela estava me protegendo como Matt, não como Seth!
Seth, mas que papo é este?
Acabei de ganhar o melhor presente de natal que já recebi.
- Feliz natal, Bill. - Feliz natal, Seth.
Crawford, vem cá!
- Senhor? - E aí, o que houve?
- Com a matéria de natal? - Exato.
Eu li. E quer saber? É exatamente o que achei que seria.
- Isto é uma coisa boa? - Não, não é.
Mas também não é uma coisa ruim.
Você escreve bem, mas o que houve com o furo de que Sullivan falou?
Um escândalo que atrairia os leitores dos tablóides?
Eu sei, é que... não havia uma história.
Não tinha nada que eu achei que pudesse verificar.
Nada que achou que pudesse verificar?
Isto.
Crawford, quero que dê um tempo dos obituários.
Vamos ver como se dá com os classificados.
Classificados? Estou sendo rebaixada?
Feliz natal.
- O que foi? - Tive uma idéia.
- Também tenho algumas. - Só um segundo. Só um segundo.
Você está com fome?
Não tem nada aqui.
- Temos de ir pra outro lugar. - Agora?
- Vai valer a pena. - Estou confiando em você.
- Tem certeza de que ela não chegará? - Ela vai demorar horas pra voltar.
O que você tem com a cozinha?
Só quero pegar umas coisas.
Chega de ficar rodando, gata. Vamos ficar aqui mesmo.
Não, aqui é o apartamento da Gi... da Ellen!
Ela vai demorar horas pra voltar.
Gosta?
É incrível.
Li o artigo, Gina.
Você não mencionou o caso amoroso. Por quê?
Eu não queria estragar o natal de ninguém. Sou boba mesmo.
Não é isto. Não revelou a história para me proteger.
E você estava me protegendo porque também sentiu.
Senti o quê? Não sei do que está falando.
Você sabe exatamente do que estou falando.
E você está sentindo neste exato momento.
Vamos falar de outra coisa?
Não até você me responder uma coisa.
- Você o ama? - O quê?
Seth. Você o ama?
Como eu poderia não amar?
Sei lá, é loucura. Eu posso...
estar apaixonada por alguém com quem não passei nem 1 min junta?
Posso?
E, é claro, há você.
E eu sinto que tenho que escolher entre você e ele.
Isto não vai acontecer. Na verdade, não pode acontecer.
Pode dizer o que quiser, mas...
a verdade é que tenho que escolher um dos dois.
E eu posso estar sendo precipitada, mas...
por mais que adorei os momentos que passei com você...
amo Seth um pouco mais.
Ele faz parte da minha vida há tanto tempo que não me vejo sem ele.
Mas ele está aqui. Quer dizer... eu estou aqui.
Com licença, vocês poderiam...?
Oi.
Parem!
Desculpem, mas estou numa conversa muito importante...
e vocês não estão ajudando.
Não me interpretem mal. Gosto do que estão fazendo...
com o "fah la la la" e espalhando a alegria.
Só peço que, por favor, espalhem em outro lugar.
- O que é...? Certo, obrigado. - Boa noite.
- Feliz natal. Eu não... - Espalhando alegria.
- Certo, não olhem assim. - Olha, Matt, não quero magoá-lo...
mas preciso voltar a ter honestidade na minha vida.
- Gina, é exatamente o que eu... - Por que não subimos...
e preparamos um chocolate quente? Está frio aqui fora.
Tudo bem.
Belo apartamento.
Minha Nossa!
- Aqui é meu apartamento! - Gina, não é o que está parecendo.
- Não é? - Tá...
...é um pouco. Fazíamos... - Chocolate quente!
Gina, escute, você precisa ouvir a verdade.
- Gina! - Seth!
Gina!
Ela não é a Gina.
- Não é? - Peraí, você não é o Seth?
Não. Eu sou o Seth.
Gina, espera!
- Sou o Matt. Prazer em conhecê-la. - Meu Deus.
Peraí. Se a Ellen dele é a Gina, minha Gina é a Ellen, certo?
Pra mim, dá na mesma, e pra você?
Acho que sim. Vou gostar de ser eu mesma com você mesmo.
Vamos fazer mais chocolate quente.
Gina! Você entendeu tudo errado!
Claro que eu entendi tudo errado!
Eu sempre entendo tudo errado!
Como fui tão idiota? Por que eu não fui honesta?
Por favor. Me escute um segundo. Por favor.
Por quê? Para você me dizer que não foi culpa minha?
Que qualquer um teria feito o mesmo no meu lugar?
Por que você diria isto? Papo furado!
Ela odeia natal. E ele deu um presente pra ela.
- Posso explicar se você deixar... - Por que eu não abri o jogo?
Por que simplesmente não falei? Quem faz este tipo de coisa?
Que tipo de ameba acéfala faz isto?
- Eu. - O quê?
Nós dois somos amebas acéfalas.
Sou eu, Gina.
Sou Seth.
Quis te dizer isto várias vezes nesta semana, mas...
Mas o quê?
Tinha este artigo, e fiquei confuso sobre o que eu podia dizer...
e o que eu devia fazer.
E pensar que você não sentisse o que sinto ao saber a verdade...
me deixou apavorado.
Você é o Seth?
Então toda esta relação foi baseada em uma mentira.
- Gina, não. - Desculpe, não posso fazer isto.
Gina, não se vá! Sou eu quem você quer!
Sou eu quem sabe tudo sobre você.
Como você chorou ao ganhar a feira de ciências da 7ª série.
Como você nunca tira a etiqueta do colchão...
por acreditar que pode ser presa por isto.
Você não contou do caso porque estava tentando me proteger.
Você não contou do caso porque sou eu quem você quer.
Tem de ser eu. Tem de ser eu, porque, pra mim...
tem de ser você.
Você está certo.
Estou? Em qual parte?
Tem que ser você.
Mas não devia ter mentido pra mim.
Bom, mas também não é você lá em cima mergulhada no chocolate.
Talvez eu tivesse algumas das mesmas preocupações.
Não acredito que é você mesmo.
Dois em um.
Você é tudo o que eu imaginei.
Você é exatamente o que pensei.
Olhe.
Ela devia saber que você estaria aqui.
Eu só estava esperando por você.
LEGENDAS VAIMBERG
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