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ESTE FILME CONTA UMA HISTÓRIA VERDADEIRA,
BASEADA EM GRANDE PARTE NAS MEMÓRIAS DO PROFESSOR MARIO CAPECCHI
A QUEM NÓS SOMOS PROFUNDAMENTE GRATOS.
"A população local sofreu um declínio demográfico
durante o colonialismo europeu.
A população de quase cinco milhões de indígenas americanos
mal chegava a 300 mil no final do século passado."
Por que...
Por que não podemos mais falar italiano?
Porque você não está na Itália, você é americano agora.
- Mas, eu queria... - Mario, vamos.
Ouça sua tia Sarah.
Mamãe, podemos falar em italiano?
Mamãe, está me ouvindo?
Filho,
você acha que esses cavalos são como seres humanos?
Seres humanos? Como assim?
Mamãe, a senhora não respondeu a minha pergunta.
Qual era a pergunta, querido?
Esse sou eu: Mario Capecchi.
Eu nasci na Itália,
mas sou americano agora.
E esta é a minha mãe, Lucy.
Ela sempre foi uma mulher inventiva.
Depois de estudar na França,
se mudou para a Itália para lutar contra o fascismo.
Mas, talvez, ela não entendeu tudo o que isso envolvia.
Sim, vá.
Você consegue ler "Mussolini é um ditador" agora?
Sim, perfeito.
Bem, estamos sem tempo!
Querido, me desculpe.
Vou te levar para comer assim que possível, está bem?
Lindo! Demais!
Ela conheceu meu pai, Luciano, na Itália.
Imagine duas pessoas loucas por trabalho.
Não é de se surpreender que eles ficaram juntos.
Vamos!
Você consegue, não desista!
- Muito bem! Acredite em você, vamos lá! - Luciano, o que está fazendo?
Vamos!
É isso!
- Acredite em você! - Ele vai se afogar.
Deixa! É para o bem dele.
Vai!
É isso, bom trabalho!
Bom trabalho, homenzinho.
Agora você é um verdadeiro Balilla! Muito bem!
O que é uma Balilla?
Sua mãe não te ensina nada?
Balilla são os jovens fascistas, o futuro do nosso país.
- Vamos, Anna, a mãe dele está esperando. - Estou indo.
Óculos? Isso.
Segure firme.
Papai, vá devagar, estou com medo.
- Nunca diga que está "com medo". - Mamãe diz que é perigoso ir rápido.
Porque ela é americana e os americanos têm medo de...
- De tudo. - De tudo.
Deixe ele em paz.
- Bem-vindo de volta! - Mamãe!
Fiz seu bolo favorito.
Espere.
- Olhe como ele fica bonito nos trajes. - Não ponha isso nele.
Vamos, Mario.
- Saúde sua mãe como um jovem fascista. - Não, por favor.
- Olá, mamãe! - Pare com isso!
Deixe ele fazer. Mais alto, erga a voz.
- Levante o braço, como um jovem fascista! - Olá, mamãe!
- Assim. - Já chega!
Bom dia, pessoal!
Se o forno estiver com algum problema, é só me avisar.
Obrigada, querido.
Vamos entrar. Vem.
Mario.
Quem é ele?
Disse que veio consertar o forno, mas não tenho tanta certeza.
Acha que está tendo um caso com sua esposa?
Não seja boba, não viu como é afeminado?
E eu já te falei que Lucy e eu não somos casados.
- Você tem um filho e não é casado? - Sim.
Porque os americanos não acreditam em casamento,
na verdade, inventaram o divórcio que é proibido em países civilizados.
Então você pode se casar comigo.
Mamãe, por que precisamos ir embora?
Eu explico depois. Vá pegar sua mala!
Ficou muito perigoso ficar na cidade.
O fascismo cercava as pessoas todos os dias.
Então a mamãe decidiu me levar para uma fazenda nas montanhas.
Vai!
Toca aqui.
Quando eu voltar, se sobrar, gostaria de pegar de volta.
Devíamos avisar a polícia que o seu filho está aqui.
Mas não vão fazer isso, não é?
Quando sua mãe vinha aqui pintar, ela sempre era muito generosa,
não esquecemos disso.
O menino estará seguro aqui, senhora.
Por que está chorando?
Porque não vou ver essa carinha linda por um tempo.
Aonde você vai?
- Me leve com você! - Não, amor, não posso.
Agora não.
Lucy, temos que ir!
Certo, agora prometa que não vai chorar.
Eu te amo.
ADAPTAÇÃO REVISÃO SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A NÓS? loschulosteam@gmail.com
Crianças.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Bom apetite.
Não vai comer?
- Estou esperando minha mãe. - Ela não vai voltar.
Maria quer dizer que ela não vai voltar tão rápido.
Claro que ela vai voltar.
Enquanto isso coma, vamos.
- Certo. - Anda, Mario, coma.
O que está fazendo?
- Estou treinando para lutar. - Contra quem?
Contra os soldados, se vierem.
Se eles vierem vão atirar e não lutar boxe.
De qualquer forma, estou me preparando.
Crianças, está tarde!
Vão para a cama, andem.
- Que chato! - Não estou cansada.
- Boa noite. - Boa noite.
Boa noite, mamãe.
Eu estou bem aqui,
mas quando você volta?
Não dê muita comida para eles, nunca ficam satisfeitos.
Antes da ordenha, lave as tetas...
com água morna.
Vamos, Mario,
esta aqui está pronta para fazer canja.
Vou te mostrar como torcer o pescoço.
- Aonde você vai? - Birgit assassinou uma pobre galinha.
Assassinou? O que está dizendo?
Você bem que gostou da canja de galinha ontem.
Certo, não tinha pensado nisso, vou querer outra coisa!
Parem com isso!
- Certo, Sr. Miller! - Chega!
Eu disse para pararem! Temos que ir.
Fran Martino, tocador de sinos
Você está dormindo?
Você está dormindo?
Toque os sinos
Toque os sinos
Oi!
É um avião inimigo, corram!
Todos se protejam!
Vocês, pessoas inúteis, deveriam ter vergonha de si mesmos!
Como poderíamos saber? Nunca tivemos ataques aéreos aqui!
Estamos em guerra, nenhum lugar é seguro,
só tolos ingênuos como vocês não percebem isso.
Não se preocupe, Mario está bem agora.
Meu filho foi baleado por um avião inimigo
e não devo me preocupar!
Vocês não foram capazes de protegê-lo.
Foi apenas uma fatalidade.
Se não confia em nós, por que não leva seu filho com você?
Porque eu vou lutar.
Não sou como vocês, que levam ovelhas para o pasto
enquanto as pessoas morrem pela sua liberdade.
Nossos homens também estão lutando.
Nós trabalhamos, esta é a nossa liberdade.
Se acontecer mais alguma coisa ao meu filho, responsabilizarei vocês.
Papai!
Mario, o que tem na cabeça?
Então, pode me levar com você?
Não posso, estou prestes a partir para a guerra.
Quando você vai voltar?
Muito em breve.
Eu prometo.
Mamãe disse a mesma coisa, mas nunca mais voltou.
Mas eu mantenho as minhas promessas.
Mario, lembre-se:
continue orgulhoso.
E vocês, não me façam voltar aqui.
Os meses se passaram.
Eu nem conseguia lembrar quanto tempo eu estava lá.
Não tinha notícias da mamãe.
Eu fico me perguntando.
Quando ela irá voltar?
Sua mãe não vem mais?
Claro que ela vem, em breve.
Você fica repetindo isso, antes era "amanhã", agora é "em breve".
O importante é que ela volte.
Não pergunte como eu sei,
mas a mãe do menino foi capturada enquanto fugia para a França.
Pobre mulher.
Ela está em um campo de concentração alemão,
o equivalente a uma sentença de morte.
As retaliações dos soldados são implacáveis,
é um risco manter o menino aqui.
Os fascistas sabem que ela tem um filho e devem estar à procura dele.
Você é um verdadeiro amigo por ter vindo até aqui para nos avisar.
Teremos cuidado.
O que ele disse?
Nada. Bernardo só veio tomar uma taça de vinho.
Percebem o risco que estamos correndo?
Sabíamos desde o início que seria arriscado.
Birgit está certa, não podemos desistir agora.
Os alemães são capazes de tudo!
É triste, mas não temos escolha.
Já chega!
Eu não vou permitir isso!
Como uma criança poderia sobreviver lá fora?
Se descobrirem que estamos escondendo o filho de uma americana
- eles vão matar todos nós! - Você vai parar agora?
Mamãe, não se preocupe.
Eu sei o que tenho que fazer.
Mario, espere.
Lembre-se do que eu te disse, para ficar...
- Para ficar longe de cães e soldados. - Muito bem.
Não chore ou eu vou chorar também.
Boa sorte.
Eu amo todos vocês.
Demorou muito para descer as montanhas até a cidade mais próxima.
Eu não esperava ver tantas crianças como eu.
Me juntei a elas por um tempo. Mas depois decidi seguir sozinho.
E ficar longe dos soldados.
Mais rápido, seus judeus sujos!
Oi.
As pessoas não são muito generosas aqui.
Está com fome?
Já faz muito tempo que não come, não é?
Não tenha medo, eu fujo da polícia assim como você.
Venha comigo.
- O que é isso? - Ravióli de abóbora.
Às vezes eles me pagam assim.
Sabe, eu faço esse trabalho para sustentar a minha filha.
- Você tem filha? - Sim.
Tem sete meses.
Onde ela está?
Com minha mãe.
Vou vê-la quando posso.
Não coma tão rápido, faz mal.
Não tenha medo, sou amigo da Isabella.
Levante.
Você é muito fofo, sabia disso?
Você é muito fofo.
Você tem vontade de ganhar dinheiro?
Diga que sim.
Agora vista-se.
Muito bem, Mario,
podemos fazer grandes coisas juntos.
O menino é perfeito.
Venho buscá-lo mais tarde.
Você tem que ir embora agora mesmo!
- Por quê? - Eu não sabia que ele estava vindo.
Fuja e nunca mais volte ou vai ter um final ruim.
Vai!
Me desculpe por ter que mandá-lo embora, mas é para o seu próprio bem.
Este lugar é nosso, vá embora!
- Para trás! - Faça um movimento e veja o que acontece!
- Qual o seu nome? - Como é o seu nome?
Frank.
- Isso é nome de menino. - E daí?
Eu gosto.
Quem é ele?
Meu irmão.
E seus pais?
Mortos.
Qual o nome dele?
Irmão.
- Irmão não é nome. - Ele gosta.
- Você é louca. - E daí?
Qual o seu nome?
Mario Capecchi.
Você tem alguma coisa para comer, Mario Capecchi?
Ele é mesmo seu irmão?
Cheguei aqui depois de um bombardeio e o encontrei debaixo dos escombros.
Qual é o seu nome verdadeiro?
Ele não fala, acho que perdeu a voz de susto.
De qualquer forma, não vou sair daqui.
Tem espaço para todos.
- Senhora, por favor, alguns trocados. - Não tenho.
Senhor, por favor, me dê uns trocados.
Senhora, por favor, tenha pena do meu irmão surdo-mudo.
- Tudo bem, querida. - Obrigada.
Senhor, por favor, tenha piedade do meu irmão surdo-mudo. Eu imploro.
Suma daqui!
Vou contar até cinco e depois vou expulsá-los a pontapés.
Andando!
Eu juro, vamos fazê-lo pagar!
Mas como?
Pois eu vou te mostrar.
Você é estranho,
você parece tão distraído, sempre com a cabeça nas nuvens.
E você é muito gentil.
O mundo não é feito de pessoas boas, apenas de cães raivosos!
Eu quero testar você.
O homem que nos enxotou,
vá e roube a carteira dele agora mesmo,
então vamos conseguir fazer algumas refeições.
Vai!
Este homem bateu em mim e no meu pobre irmão!
- Este homem aqui! - Tire as mãos dessas pobres crianças!
- Pedimos apenas um pedaço de pão. - Não!
Eu não fiz nada.
Espero que sua consciência deixe o senhor dormir esta noite.
- Eles roubaram minha carteira! - Corre, anda!
Parem-nos!
Mamãe!
Tome cuidado, mamãe!
Não, mamãe!
O que aconteceu?
Nada.
Como nada? Eu ouvi você gritar.
Sonhei com minha mãe,
- vou procurá-la. - Procurar onde?
- Na casa do meu pai, ele pode saber. - E onde ele está?
Em Régio da Emília.
Eu já estive lá, mas ele estava em batalha.
Ouça, nós vamos também.
- Não, vou sozinho. - Por quê?
Porque meu pai não tem quartos.
- Como você sabe? - Eu só sei e pronto!
É uma perda de tempo ir,
as mulheres são sempre as primeiras a morrer.
Aconteceu com a minha também.
- Minha mãe não está morta. - Você não sabe.
- Sim, eu sei! - Então vai!
- Boa sorte, menino. - Obrigado, tchau.
Garoto, aonde você está indo?
Quem está aí?
Surpresa!
Mas...
Como chegaram aqui?
Do mesmo jeito que você.
Diga a verdade, está feliz em nos ver.
Então vamos dizer por você.
Estamos tão felizes em ver você, viva!
- Calma, estamos cansados. - Vamos, estamos quase lá.
- O que é? - Eu tinha razão!
Essa é a moto dele, ele está de volta!
E se ele não estiver aqui?
Ele deve estar aqui, ele nunca deixa a moto para trás.
- O que você quer? - Luciano está aqui?
Quem é você?
O filho dele.
O filho dele?
Jesus Cristo!
Você é o Mario!
Entrem.
Eu sou Anna, você se lembra de mim?
Não.
Luciano!
- Sim. - Venha aqui.
O que é?
O que é isso? O que estão fazendo?
Não comemos há dois dias.
- Vão embora, aqui não damos esmolas! - Luciano, olhe!
Mario?
Meu Deus, você mudou tanto.
E estes são sua esposa e filho?
Eles são meus amigos.
Tudo bem.
Vou fazer algo para vocês comerem.
Está bom?
Me diga, por que você está aqui?
- Vim para saber da mamãe. - E você acha que ela me contaria?
Se ela se importasse com você, não teria lutado contra nós, patriotas.
Quer encontrá-la?
Procure por ela no inferno.
Não fale assim da mamãe!
Com isso,
o máximo que pode fazer é descascar batatas.
Mario.
Vamos, eu fiz as camas para vocês.
Bom dia, povo da Itália.
Aqui está uma linda música do nosso repertório.
Mario, cuidado com o que você diz.
Desde que a perna do seu pai foi ferida, ele não é mais soldado,
e ele está sofrendo muito, entendeu?
Joguei cartas a noite toda e ganhei muito dinheiro.
Vamos dançar.
Vamos!
Mario, você pode ficar, mas esses dois tem que ir.
Então eu vou também.
Quando foi que você ficou tão teimoso?
Ele herdou isso do pai.
- Um lutador... - Sim.
Um lutador aqui.
Tudo bem, vocês podem ficar, mas amanhã vão cortar o cabelo.
Não deixamos selvagens entrar aqui. Está bem?
- Os soldados estão impedindo o avanço... - Come!
...das tropas anglo-americanas,
pela vitória, pela nossa pátria, pela defesa do nosso país!
Viva Mussolini!
- Você acredita nisso? - No quê?
- Que nossos soldados possam resistir. - Claro!
Eu os vi marchando,
eles estavam em frangalhos.
- Dificilmente no caminho da vitória. - O que está dizendo?
Você sabe perfeitamente bem.
Não acreditem em uma palavra do que ela diz,
porque nós, fascistas, não temos medo de nada.
De nada.
Quer apostar que sei jogar bola melhor que você?
Veremos.
A moto do meu pai sumiu!
Vamos contar a ele.
Sua moto!
- Sumiu. Não sei onde está. - O que está dizendo?
- Alguém a pegou. - Como assim?
Rossi, aquele bastardo.
Mario, vamos.
Agora vou mostrar como os fascistas lidam com os ladrões!
Papai, para onde estamos indo?
Cale a boca e obedeça!
Rossi, abra, é o Capecchi.
- Capecchi, o que quer desta vez? - Onde está minha moto?
Eu lá vou saber da sua moto, me deixe em paz!
Papai, deixe-o em paz!
Papai!
- Papai, não! - Vou perguntar mais uma vez:
- Onde está minha moto? - Não sei.
Onde diabos está a minha moto?
Cadê?
Essa é a última memória que eu tenho do meu pai.
E, com certeza, não é boa.
Luciano!
Chega.
Sr. Rossi, sinto muito.
Venha, eu vou te ajudar a se levantar.
E você, quando vai se perder?
Minha casa não é um bordel, tire esse pirralho daqui.
Venha, vamos.
Por aqui!
- O que é isso? - Não acredito no que estou vendo.
A moto do meu pai!
Ele devia estar bêbado e esqueceu onde estacionou.
Ele espancou aquele pobre sujeito até virar purê por nada.
O ANTIGO AÇOUGUE -Olhem só isso!
Querem saber o que vamos fazer?
Agora só nos resta vender para ganhar algum dinheiro.
É tão pesado!
Então, crianças?
- Foram fazer compras? - Nós só pegamos isso.
Não fizemos nada de errado,
é melhor do que deixar apodrecer.
ORFANATO
Saia, ande!
Dois...
E três. Pronto.
Don Piero, outro presente do Juizado de Menores para você.
- O que vocês fizeram? - Nada.
Estávamos com fome e tentamos comer.
Queriam fazer um lanche, roubando um quarto de boi.
Certo, crianças.
- Adeus. - Adeus.
Quando foi a última vez que tomaram banho?
A última vez? Quando eu usava fraldas.
O orfanato era igual uma prisão.
Era muito rígido e tinha muitas regras.
E era horrível conosco.
Principalmente, os mais novos.
Pobres crianças.
Olha, você molhou a cama, que vergonha!
Aprenda!
Deixe ele em paz!
Patife! Encrenqueiro!
Você precisa de uma boa lição!
- Pare, você está machucando ele! - Volte para o seu lugar!
Pare, seu covarde!
E lembrem-se: Aqui não sujamos os lençóis.
Ficou claro?
Sente-se direito.
Hoje à noite vamos fazê-lo pagar.
- Lá vem eles! - Afastem-se da porta.
Todos se preparem!
Pronto, pessoal, lembrem-se que é sem piedade.
Chega!
Parem!
Parem! Já falei para parar!
Parem com isso!
Já chega! Parem!
- O que está acontecendo? - Nós nos vingamos.
Espero que tenha sido por um bom motivo.
Sim, por um bom motivo. Na verdade, por um excelente motivo.
Repitam comigo: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Você pode ir agora.
Próximo garoto.
Agora, repita comigo:
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Em nome da Mãe, do Filho e do Vinho Santo.
O quê?
O que você disse?
Você bebeu!
Você bebeu o vinho da missa! Você devia se envergonhar!
Como punição, dez Ave-Marias e dez Pai Nosso.
Ave Maria cheia de graça. O Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres.
Portanto, o alfabeto é composto por 21 letras.
Vamos repeti-lo juntos.
A, B, C...
D, E, F,
G, H,
I, J,
L, M...
Eu tenho um presente para você.
O que é?
É um anel.
- Onde você conseguiu isso? - Eu fiz.
É o símbolo do meu amor por você.
Eu queria te contar já faz um tempo.
Eu quero me casar com você.
Você está bêbado?
Quando não te vejo, fico triste.
Mas, quando eu te vejo...
- Somos muito jovens para nos casar. - Por que isso importa?
- Posso te beijar? - Na boca?
Você prefere nos pés?
Certo, só uma vez.
Talvez uma vez não seja suficiente.
Mario, venha aqui, preciso falar com você.
Veja, Mario, há algo maior que o oceano
que é o céu.
E então há algo ainda maior que o céu
que é a alma.
Você acredita na alma?
Claro que sim.
Então por que fica tão distraído durante a missa?
Como assim, Dom Piero? É que...
Sabendo que vou para o céu,
já me imagino lá em cima com os anjos.
Senhor Deus, como posso salvar a alma deste selvagem?
Não fique chateado, Don Piero. Você não pode salvar minha alma.
Por que diz isso? Todos podem ser salvos.
- Eu não. - Por que não?
Porque para salvar minha alma leva tempo
e não vou ficar aqui por muito tempo.
Não!
Não! Frank!
Sou eu.
Frank.
Por favor, fale comigo!
Não!
Por favor, diga alguma coisa.
Por favor, fale comigo, Frank!
Frank!
Temos que mantê-lo nu ou ele tentará fugir.
Ontem ele se escondeu no jardim,
se o zelador não o tivesse encontrado, sabe-se lá onde estaria agora.
Ele não quer comer e nem falar,
se o senhor não fizer alguma coisa, tenho medo de perdê-lo.
Mario.
"Com as mãos que deram a Goffredo a balança da invencibilidade,
o duro conquistador levantou a taça.
E o povo disse: 'Eu creio.'
Nova palavra de amor, atravesse os Apeninos como uma nuvem
e faça a floresta rugir com o seu barulho..."
Mario, hoje é dia seis de outubro, é seu aniversário.
Veja o que preparamos para você.
E agora, a melhor surpresa de todas,
você vai ver, agora vai sentir vontade de comer de novo.
Querido.
Mamãe!
Eu voltei o mais rápido que pude.
Estou aqui para te levar para casa.
Para as montanhas?
Não.
Para os Estados Unidos.
Eu trouxe um presente para você.
Ficou perfeito.
Já fazia tanto tempo que eu tinha parado de esperar que a mamãe voltasse.
Passaram-se vários meses até que pudéssemos viver nos Estados Unidos,
conseguir o passaporte foi complicado
e a mamãe nem sempre se sentia bem.
Nesse período, eu cresci tanto que ela teve que me comprar roupas novas.
Vamos atracar em alguns minutos.
Vamos atracar em alguns minutos.
Vamos atracar em alguns minutos, senhora.
Ela recebe a todos que chegam aos Estados Unidos.
Ela dá esperança aos que perderam.
Você já havia visto alguma coisa mais linda?
Quando ela me perguntou se eu já tinha visto algo tão lindo,
tive vontade de dizer que estava com fome, mas fiquei quieto.
Quando cheguei a Nova York, vi arranha-céus pela primeira vez.
Não podia acreditar no que estava vendo.
Alguém na Itália já viu carros tão grandes passando
com tantas pessoas felizes.
E então, Mario,
está animado por estar nos Estados Unidos?
Desculpe, ele não está sendo rude, só é tímido.
Tenho certeza de que você vai ser muito feliz conosco
e vai poder correr pela mata e pelos campos.
E nosso jardim tem coelhos.
Você nunca viu nada tão fofo.
Todos os americanos falam demais?
O que disse, querido?
Ele disse que ama coelhos.
Tio Edward,
a mamãe disse que você se recusou a lutar durante a guerra. É verdade?
Mario, eu sou um quáquer, não acreditamos que lutar seja a resposta,
mas o exército ainda me dá trabalhos perigosos,
como limpar pântanos.
- Onde eu fui picado por uma cobra. - Uma cobra?
- Quer ver as marcas das presas? - Não, obrigado.
CENTRO COMUNITÁRIO BRINGWELED
Bringweled?
- Mãe, o que significa? - Significa campo de visão em galês,
a língua que se fala no País de Gales.
Aí vêm eles!
E aqui estamos.
Foi como um sonho.
Depois de tantos anos sem minha mãe e meu pai,
de repente me vi cercado por estranhos
- prontos para serem minha família. - Amigos,
- Que país estranho! - Quero apresentar...
minha querida irmã, Lucy.
- Oi. - Olá!
E o filho maravilhoso ela: Mario.
Olá.
Ele acabou de chegar da Itália, então...
façam com que se sintam em casa. Está bem?
Bem-vindo.
Vamos.
Este é o Will.
Oi, é um prazer conhecer você.
- É um prazer conhecer você também. - Ele é muito danadinho.
- Bem-vindo ao Centro Bringweled. - Obrigado.
Essa é a Julie.
Ela gosta dos cavalos, então, se gostar, ela pode te ensinar.
Sabe, Mario...
pessoas de todas as partes do mundo vêm para cá.
É por isso que temos sotaques diferentes.
Obrigado.
Então, nessa comunidade nós não oramos,
apenas fazemos um minuto de silêncio para agradecer.
Que faca enorme, Mario.
- Isso não é permitido ou é? - Eu sempre a usei.
Mario, ouça sua tia.
Pode experimentar essa.
Quer ervilhas?
Sirva-se.
Mario!
O quê?
Todos os americanos são quáquers?
Apenas alguns milhares.
Mamãe, quem fez isso em você?
Não, é que...
São só arranhões. Vamos, está ficando tarde. Vamos dormir.
Mario...
ainda não aprendeu a se arrumar?
O que é isso?
Não comeu o bastante no jantar?
Sim.
Isso é para amanhã.
Mario, a guerra acabou.
Amanhã você vai ter outra refeição.
E no outro dia e depois também.
Vamos, devolva isso.
Devolva.
Mamãe nunca quis contar o que houve com ela durante a guerra.
Eu não quis chateá-la.
Então, parei de perguntar.
Mario?
Vimos que você pegou de lá.
Se estiver com fome é só nos dizer.
Quer abrir?
Abra
e puxe.
Todos os americanos comem tudo isso?
Mario, primeiro dia de aula.
Animado?
Espero que não tirem sarro de mim, eu nunca fui à escola Itália.
- Olá. - Oi.
Então, este é o Mario e a mãe dele, Lucy.
- Olá, Lucy. - Olá.
- Oi, Mario. - Olá.
Eu sou a Sra. Thompson, sua professora.
Venha comigo até a classe.
Divirta-se.
Estamos muito felizes em tê-lo aqui.
Muito bem, crianças. Silêncio, por favor!
Quietos! Devem ter percebido que temos um novo aluno.
Este é Mario Ca...
- Capetchi. - Capecchi.
Mario Capecchi.
Capecchi.
Mario veio da Itália para se juntar a nós.
Então, vamos recebê-lo bem. Está bem?
Muito bem. Levantem-se.
Meu país é seu
Doce terra de liberdade
De ti eu canto
Terra onde meus pais morreram
Terra do orgulho do peregrino
De todos os lados da montanha
Deixe a liberdade soar
Obrigada. Sentem-se, por favor.
Por favor, sente-se.
Hoje vamos aprender sobre o fim da guerra revolucionária.
Por favor, copiem o que eu escrever na lousa.
Em 1781, a Batalha de Yorktown.
Em 1782,
as negociações começaram.
Italiano!
Cuidado com as bombas.
Comedor de espaguete.
Ignore, Mario, é o que todos fazem.
Sai fora, Shelly.
Na batalha de Yorktown.
Por que não escreveu nada?
Eu não sei escrever.
Então, Mario, quer dizer alguma coisa?
Só queremos saber por que deixou a página em branco?
Eram perguntas simples, certo?
Mario nunca foi à escola.
Como ele iria responder àquelas perguntas?
Com licença.
Lucy.
Mamãe, aonde você vai?
Odeio essa escola.
- Eu quero voltar para a Itália. - Mario, este é seu lar agora.
Sabe o que me manteve viva por todos esses anos?
Foi a ideia de te encontrar e te trazer para cá.
Agora vá até lá e mostre a eles quem você é.
Faça isso por mim.
- Tudo bem? - Está bem, mamãe.
Oi, Itália.
Não, Mario.
Mario!
Por que não consigo organizar meus pensamentos?
Estou tentando, mas...
Eu não acho que consigo cuidar de você mais.
Não diga isso.
Sarah e eu ficaremos felizes em ajudar.
Ficaremos.
Por favor, não espalhe.
Mario precisa de alguém muito forte e...
meu cérebro parece que vai se dividir.
Desculpem, eu não consigo...
Estou tão cansada, vocês podem cuidar dele para mim?
Claro que podemos.
Mamãe, pode me ajudar com a lição de casa?
Sua mãe está conversando com o tio Edward.
Vamos, eu ajudo você.
Mario?
Mamãe?
Aonde vai?
Preciso falar com você.
Ofereceram-me um emprego na Filadélfia.
É uma grande oportunidade e eu vou aceitar.
- Vai me deixar sozinho? - Não.
Não, você vai ficar com o Edward e a Sarah.
Filadélfia não é tão longe.
Eu posso voltar sempre.
Tudo vai melhorar.
Me leve com você.
Não posso.
Você vai me deixar como na Itália?
- Não... - Lucy?
Eu volto logo, eu prometo.
Mamãe,
- não me deixe sozinho! - Você não está sozinho, vai ficar conosco.
Por favor, me deixe ir com você.
Por favor, mamãe, não vá!
Eu fiz algo de errado?
Por favor, não vá, mamãe! Eu vou ser bonzinho, eu vou mudar.
Não quero que você mude.
Mas eu preciso ir.
Me leve com você. Por favor, não vá!
Mario, fique aqui.
Eu vou voltar logo. Cuide-se.
Mamãe!
Mario!
Me solta!
Sinto muito que sua mãe teve que ir.
Sinto mesmo.
Mas quero que saiba que eu e o Edward somos amigos.
E amamos você.
Frank!
Frank!
- Frank! - Não! Ele é sonâmbulo.
Pode ser perigoso. Deixe ele se acalmar.
Podemos acordá-lo agora?
Não, ele pode ficar mais agitado.
Volte para a cama, eu fico com ele.
Mamãe?
Mamãe, você está aqui?
Não se preocupe.
Ele vai ficar bem.
Certo?
Mario?
Onde você está?
O que está fazendo aí?
Você sabe o que é sonambulismo?
Edward acha que eu não devia te contar.
Acha que vai te chatear, mas eu não concordo.
O que significa sonambulismo?
É quando alguém sai da cama, anda e fala enquanto dorme.
Eu fiz isso?
- Sério? - E você gritava: "Frank!"
Fomos correndo e você estava quebrando tudo.
Não se lembra, não é?
Quem é Frank?
Ela era minha amiga na Itália.
Uma garota chamada Frank?
Não quero falar dela.
- Eu andei mesmo enquanto dormia? - Você acha que eu inventei?
- Sonambulismo é uma coisa ruim? - Não.
Claro que não.
Só...
pode tentar não destruir a casa na próxima?
Eu gosto da minha casa inteirinha.
- Bom dia. - Bom dia.
O que é isso?
- Uma carta para você. - Para mim?
Ninguém nunca me escreveu antes.
É da mamãe.
E o que diz?
"Meu querido Mario,
Tenho um bom emprego aqui na Filadélfia e está tudo bem,
a não ser porque sinto sua falta.
Eu só quero dizer que eu te amo muito
e penso em você o tempo todo.
Um grande beijo. Vejo você em breve.
Mamãe."
Não tem endereço.
Como vou escrever para ela?
Não se preocupe.
Você vai vê-la.
Mais rápido do que pensa.
Tem certeza?
Claro.
Vamos ver.
Suco?
Que lugar é esse?
Você vai ver.
- Bem, esse é o meu laboratório. - Seu o quê?
Eu sou físico.
Sabe o que significa?
- Acho que não. - Não?
Sabe o que é um cientista?
- Você procura respostas para perguntas? - Sim!
Sim, é um bom jeito de explicar.
É exatamente o que fazemos. Sim, procuramos por respostas.
E nunca paramos de procurar. Porque se não conseguirmos encontrar
provavelmente significa que estamos fazendo perguntas erradas.
Um presentinho para você.
É um conjunto de química.
É mesmo para mim?
Sim.
Abra.
Quem sabe um dia você se torne um cientista como eu.
ÔNIBUS ESCOLAR
Eu escrevi uma musiquinha para você.
Empurre o italianinho
Mais uma vez Empurre o italianinho
Empurre o italianinho
- Todo mundo. - Tire o idiota do caminho
E empurre o italianinho
Empurre o italianinho
-Empurre o italianinho -O que está fazendo?
Você vai ver.
- Venha aqui. - Está bem.
-Empurre o italianinho -Muito bem.
Tire o idiota do caminho e...
FILADÉLFIA 50KM
Mario Capecchi,
tem noção de quão sortudo você foi?
É um milagre que não tenha causado um acidente sério.
O que pode dizer em sua defesa?
- Era para ser uma brincadeira. - Brincadeira?
Eu me confundi quando misturei os compostos.
Mario queria pregar uma peça no garoto que o intimida desde o primeiro dia.
A culpa foi minha. Eu comprei o conjunto de química para ele.
Eu nunca imaginei que ele descobriria algo assim.
Eu expulsei você.
Por favor, dê mais uma chance a ele.
Só mais uma.
Certo.
Entretanto,
você está proibido de pegar o ônibus escolar pelo resto do ano.
Você vai vir andando para a escola e voltar.
- É muito longe. - Apenas 11km na ida e na volta.
Para ser mais preciso.
Além disso, ninguém...
eu quero dizer, ninguém mesmo
vai te dar carona.
Agora, saia daqui antes que eu mude de ideia.
Depressa, italiano!
Está atrasado!
Certo, repita comigo.
Epigrama.
Uma aparente contradição na linguagem
que ao causar um choque temporário...
Quem é?
Não sei.
Deve ser para o meu tio.
Mario!
É a minha mãe!
Mamãe!
Você voltou!
Deixa eu te ver.
Você está tão alto. E você encorpou.
Você está tão lindo.
Mamãe, você não parece muito bem.
- Você trabalhou muito. - Trabalhei?
- Do que está falando? - Do seu trabalho na Filadélfia.
Você mandou na carta.
Qual carta?
Eu estava no hospital.
Eu não estava me sentindo muito bem, então eles tentaram me fazer melhorar.
Você estava doente?
- Você se machucou? - Não era isso, eu só...
eu só me sentia muito triste e eles me curaram.
Olá.
Diga olá.
- Mãe, devíamos entrar. - Querido, você pode dizer "olá"?
Não tem ninguém ali.
Vamos entrar.
Por que você está aqui, Luciano?
Estou aqui para levar o Mario de volta para a Itália.
Esta é a casa dele agora, ele vai ficar aqui comigo.
Você tem que nos deixar em paz.
Ele é meu, ele fica aqui. Você vai!
Você não vai levar ele.
Vai!
Saia daqui!
Vá embora!
Por que você me culpa?
Ela vai ficar bem?
Dê tempo ao tempo.
Mas não se preocupe, nós a ajudaremos.
Sua cabeça era como as batidas de um relógio.
O que está escrevendo?
- Poemas. - São bonitos?
Bem, não é por isso que eu escrevo.
Posso ler?
Talvez, quando for mais velho.
Você está triste, mamãe?
Sim.
Às vezes.
Eu estou triste também.
A minha tristeza poderia lutar contra a sua tristeza e afastá-la.
Não.
Agora precisamos ser felizes.
Quer saber um segredinho?
O quê?
Eu não sei o que eu faria sem você.
- Isso é só para os seus poemas? - Não.
Tem cartas aqui também.
Pelo menos as mais importantes.
Venha.
Vamos conversar com os cavalos.
- Conversar com os cavalos? - Como assim?
Vamos dizer "Olá, como vão?"
Querem ficar para jantar?
Não sei se algum dia abrirei a caixa com as cartas e poemas da minha mãe.
Tenho medo do que posso descobrir.
- Oi, Shelly. - Olá.
- Ele é tão legal. - E aí, italiano!
Não vai cumprimentar?
Oi, John.
- Não te ensinaram a andar lá na Itália? - Deixe ele em paz, John!
Vai bater em garotas?
- Seu marica! - Não estou vendo garota nenhuma.
- Só dois idiotas estúpidos. - Um idiota.
Parem!
Talvez você fique melhor com a mandíbula quebrada!
- Parem com isso agora! - Já chega! Eu vou dar um jeito em você!
Parem já com isso!
Eu falei para parar! Parem!
Agora!
Mario, sente-se.
Me desculpe, mas eu tenho que expulsar você.
Não tenho escolha.
Entregue isso para a sua tia e o seu tio.
Olhe, Mario,
você é um menino inteligente.
Não tenho dúvidas disso.
Mas, se você não aprender a seguir as regras,
você não vai ter sucesso nem na escola e nem na vida.
Você entende?
E quanto ao John?
Foi ele quem começou, não deveria ser expulso também?
John terá a punição que ele merece.
Mas uma coisa é provocar, outra é arrumar brigas o tempo todo
- como um selvagem. - Eu não sou um selvagem!
Bem, então...
cabe a você nos mostrar isso.
Ele tem agido assim ultimamente.
- Acha que devemos pará-lo? - Não.
É pela autoestima dele.
Os professores dele estão preocupados com suas explosões violentas.
Eles se preocupam com o quociente cognitivo dele.
Dizem que é muito baixo.
E o que isso quer dizer?
Significa que ele não se dedica.
Ele é esperto.
Sabe, até o diretor Daly admite isso,
mas ele acredita que o Mario é um sério encrenqueiro.
Encrenqueiro? Pelo amor de Deus!
Por estas razões, eu indico que levo Mario para consultar com um especialista
antes de matriculá-lo em outra escola.
Que tipo de especialista?
Eu não sei.
Muito bom.
Mario.
Então, o seu nome é Mario?
Claro que meu nome é Mario.
Repita comigo.
Meu nome é Mario.
Muito bem. Agora,
Mario...
Você sabe por que está aqui?
O que sua escola disse sobre você?
Eles disseram que meu...
meu quociente cognitivo é baixo.
Mas eu não sei o que isso significa.
Você gostaria de ter um quociente cognitivo mais alto?
E como eu vou saber?
Acabei de dizer que não sei o que significa.
O que eu esperava que você iria dizer.
- Então por que perguntou? - Não vamos nos desviar.
Eu faço as perguntas, não você.
Desculpe.
Mario, o que você quer ser quando crescer?
Quero ser "solo".
E o que é isso?
Autossuficiente.
Autossuficiente. O que quer dizer?
Morando sozinho. Nas ruas.
Não gosta de viver na Nova Inglaterra?
Eu gosto dos quáquers, mas não gosto das regras deles.
- Eu esperava por isso. - Esperava pelo quê?
- Sua resposta para a minha pergunta. - Então por que perguntou?
Eu vou te explicar na próxima sessão.
Por favor, sente-se.
Mario, eu sei que você tem uma faca.
Você já sentiu vontade de matar alguém com ela?
Sim, você.
Eu?
Não se preocupe, só estou brincando.
- Eu só disse isso para descontrair. - Estou sempre descontraído.
Agora, isso é só um jogo.
Divirta-se.
Eu volto já.
Mario é claramente único.
Ele é avesso a qualquer forma de disciplina.
Ele respondeu as minhas perguntas com mais perguntas.
Vocês devem concordar que isso é meio anormal.
Deveríamos nos preocupar?
Bem...
você estaria aqui se estivesse preocupado com você.
Bem, o que sugere que façamos?
Por agora, a escola é o ambiente errado para ele
e forçá-lo a ir só pioraria o dano psicológico que ele carrega da guerra.
Qual é a alternativa?
Ele gosta de estar na rua.
Por que não acham um trabalho para ele?
Algo na construção civil, por exemplo.
Pelo menos por enquanto.
Isso é para você.
Marquem outra consulta quando quiserem.
Deixem-me buscar o Mario.
Vocês viram como ele suava?
Viu que ele era mesmo psicólogo e não um paciente fugitivo?
Achar um trabalho na construção civil.
Me dê a receita.
Muito bem!
Espere aqui.
Entre.
Bom dia, Sr. Daly.
Sra. Ramberg.
Como vai?
Estou muito preocupada.
Conte-me o que aconteceu.
Queremos que o Mario volte a escola.
E precisa fornecer um auxiliar de professor
para ajudá-lo a compensar os anos que ele perdeu.
- Mas Sra. Ramberg... - Ele não é menos inteligente que os outros
ele só é menos afortunado.
O senhor não faz ideia do que aquele menino
passou na Itália durante a guerra.
O que ele viu.
O que ele sofreu.
Mas, esta escola...
- tem mais de 500... - Essa escola
deveria ter orgulho de ter um aluno como Mario entre os alunos.
Por favor, sente-se.
Admiro sua tenacidade, Sra. Ramberg,
mas não posso discriminar os outros alunos
contratando uma professora particular para o seu sobrinho.
Você precisa.
- E isso não é discriminação. - Sim, é sim.
Eu não vou ficar intimidado, Sra. Ramberg.
Já tomei minha decisão.
Estou falando do futuro do menino.
Por favor, tenha empatia.
Dê outra chance a ele.
Desculpe,
mas seu sobrinho não se encaixa nessa escola.
Esse é o seu veredicto?
Receio que seja.
Está bem, adeus Sr. Daly.
Sr. Daly, mais uma coisinha.
Os Estados Unidos selecionam seus melhores jovens
para lutar e morrer pela liberdade
e está me dizendo que não podemos educar uma criança
que conseguiu sobreviver àquela guerra sozinha?
O que tem aí?
A mamãe que encontrou.
Posso ficar com ele?
Por que não pergunta a ele?
Como?
Bem, ponha ele no chão.
E se ficar ele é seu.
E se ele for embora?
Então ele está livre para ir.
Fique por perto, está bem?
Ele fez a escolha dele.
Sim.
Gostou do chapéu novo?
Você sabe falar sobre animais.
- Estudou roedores na escola? - Ainda não.
Você sabia que os ratos têm pulmões como os nossos?
E corações como os nossos?
Almas também?
O problema é que ninguém consegue ver, Mario.
Mamãe diz que está doente na alma.
Como os médicos conseguem curam sem ver?
Sabe, eles fazem descobertas novas todos os dias.
Quando eu estava na Itália,
o padre tentou salvar minha alma.
Talvez eu possa ajudar a mamãe.
Eu acho que você já ajuda.
Do seu próprio jeito.
Mamãe!
Já que eu não podia voltar para a escola,
eu precisava de algo para fazer todos os dias.
Pelo menos eu ficava perto da mamãe
que passa os dias vivendo no mundinho dela.
Enquanto isso, o tio Edward decidiu me ensinar as regras do jogo.
Sem muita sorte.
Levante os cotovelos, isso. Flexione os joelhos.
Pode ir.
Certo, vamos jogar.
Tacada um.
Está certo, fique tranquilo. Foque na bola.
Muito bem, Mario.
Corre!
Vamos!
- Isso! - Corre!
Já chega.
- Pare. - O que foi?
São as regras, isso eliminou você.
- Vamos. - Não estou nem aí para as regras.
Já chega! Pare com isso.
Quer saber, vamos trocar, troque de lugar.
Mario, você vai na base.
Alguém vai arremessar.
- Certo, manda a bola! - Certo, vamos lá.
Sai da minha frente!
- O que ele está fazendo? - Mario!
Caramba, pare com isso!
- Parem de querer ganhar! - Já acabamos.
Mario.
O que está fazendo?
Já chega. Mario?
Já chega. Acabou.
O que foi?
Ele é como um animal selvagem.
Além disso, já chega.
Está ouvindo?
Edward.
O que vai fazer?
Podemos continuar dizendo que vai demorar com o Mario.
Por que desanimar agora?
O beisebol não funcionou.
Ele precisa de algo mais...
combativo.
Ele gosta de lutar, então...
Vamos deixá-lo lutar,
mas ele precisa aprender a ter autocontrole.
Concordo.
- Mas como vamos fazer isso? - Sarah Sargent,
você é a melhor professora daqui até a Filadélfia.
Se tem alguém que pode ajudar o Mario...
é você.
Você conhece luta livre?
É um esporte muito antigo.
Ele veio da Grécia antiga.
É a disciplina que te ensina a lutar honestamente.
Esses são os movimentos que você pode fazer:
o aperto da cabeça e dos braços,
o reverso,
o "meio Nelson"
e o "asa de frango".
Isso daí é de comer?
Não seja bobo. Tenha foco.
Agora, esses são os movimentos perigosos.
O do "leste de Munique", certo?
E o "assassino".
Italiano durão, não é?
Quero ver se aguenta agora, senhor.
- Onde você aprendeu isso? - Na faculdade.
Quer tentar de novo?
Não, obrigado.
Tio Edward tenho uma coisa muito importante para te contar.
- O quê? - Quando eu crescer...
vou ser um cientista como você.
Então eu posso achar a cura e fazer a mamãe ficar boa de novo.
Como vai fazer isso se não voltar para a escola?
Você tem que estudar, para ser um cientista.
Eu sei. Você tem razão.
Você pode falar com o Sr. Daly sobre a escola de novo?
Isso é com você.
Amanhã você mostra para eles quem é você.
- Está bem? - Sim.
Vou dar o meu melhor.
Certo.
Certo.
O presidente Truman está na capital Washington hoje.
Para tratar da Associação Americana para o avanço da ciência
e das leis da constituição.
Então, Mario,
está pronto para essa noite?
Espero que eu não estrague tudo.
Não vai, não. Só se lembre do que conversamos.
Luta livre é como xadrez,
o vencedor não é o mais forte, é o mais inteligente.
- Certo, mas não se esqueça. - Eu sei.
Sem cuspir, sem socar.
Sem golpes ilegais, só acerte o árbitro quando ele não estiver olhando.
O quê?
Só estou brincando. Eu respeito o árbitro.
E lembre-se, você não está aqui para ganhar, está aqui para...
Lute sob as regras.
Mario, pronto?
Jill, pronto?
Cumprimentem-se.
Lutem.
Vamos, Mario!
Vamos, Mario!
Um ponto!
Mostre que você pode, Mario!
Ele está perdendo.
Ele está seguindo as regras. Era o que queríamos.
Vamos, Mario.
Vamos, Mario.
Mario, levante-se.
Vamos, levante-se!
Isso! Vai, Mario!
Vamos, querido.
Isso!
Isso, Mario!
O que significa, ele perdeu?
Eu não sei. Temos que esperar a nota dos jurados.
E o campeão é...
- Já acabou? - Sim.
- Quer uma revanche? - Por quê?
Você viu o que você fez?
- Você conseguiu, moleque! - Sério?
- Mamãe! - Você ganhou!
Isso, Mario!
Obrigado por aceitá-lo de volta.
Ele trabalhou duro.
Fico feliz em saber.
Obrigado. E sejam sempre bem-vindos.
- Muito obrigada. - O prazer é meu.
Sabe, eu continuo achando...
BEM-VINDO DE VOLTA MARIO CAPECCHI
MARIO SE TORNOU UM ALUNO EXEMPLAR,
UM PESQUISADOR APAIXONADO COM AMPLO INTERESSE
EM GENÉTICA MOLECULAR E MEDICINA
HOJE ESTÁ ENGAJADO EM SUA PESQUISA
PARA REDUZIR O FARDO DA ANSIEDADE EXCESSIVA
NAS PESSOAS DA NOSSA TERRA
EM 2007 ELE RECEBEU O...
PRÊMIO NOBEL DE MEDICINA Professores Capecchi,
Evans e Smith
é um privilégio expressar aos nossos premiados os nossos parabéns
e a nossa profunda admiração.
Agora peço que deem um passo à frente
para receber o prêmio das mãos de Vossa Majestade, o Rei.
TRADUÇÃO: FERNANDA CARRIEL EMPRESA: ENCRIPTA
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