All language subtitles for Caminho Para a Liberdade 2022 WEB-DL 1080p x264 DUAL 5.1

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Original subtitles

Os pilotos chegavam cada vez mais perto com seus motores rugindo.

King Kong o segurava em suas garras

e subia cada vez mais alto, escalando o prédio mais alto de Nova York.

Ele estava de cabeça para baixo em sua pata.

Então, a fera o soltou.

Enfrentando a morte certa, sua salvação se aproximou:

as asas de um aeroplano.

O piloto fez um loop na direção de King Kong,

confiante em conseguir derrotar a horrível monstruosidade.

Com licença.

Quer um sorvete?

Conseguiu mesmo comprar sorvete?

Desculpe, não entendo você.

Precisa falar em inglês.

Papai, não estou mais com disposição pra ter aula.

- Quer de chocolate ou de limão? - De chocolate. Por favor.

Muito engraçado, papai.

Delicioso!

PARA O PEQUENO ROLF

Vai ter sorvete na casa da mamãe, certo? Sorvete de verdade, quero dizer.

Em Nova York? Eles têm caminhões de sorvete.

Esqueça, têm até trens de carga de sorvete.

Ei, isso é meu!

- Espere aí! - Não vai me pegar!

CAMINHO PARA A LIBERDADE

Boa ou má?

- Ela é uma das boas. - Por quê?

Parece legal, e está lendo.

Também acho.

E ela?

Boa ou má?

- É bem mais fácil com pessoas vestidas. - Sim. E mais entediante.

E então?

Eu diria má.

Eu não tenho certeza.

É que você a acha bonita.

A propósito, agora sei como vamos fazer para finalmente fugir daqui.

Vamos tomar o trem para a fronteira franco-espanhola,

andar pelos Pireneus até a Espanha, depois até Portugal,

e um navio em Lisboa vai nos levar para Nova York.

Sim, senhor.

Pegue o bastão!

Bom ou mau?

Bom?

Mau. Definitivamente mau.

Está mais que na hora de ir embora.

Olá.

Bom dia.

- Bom dia, Monsieur Ludwig. - Como vai?

- Bem, o que vão querer? - Duas limonadas, por favor.

- Quer um doce também? - Não, obrigado.

Mãe?

- Como vai? - Bem.

Fique parado.

Você também.

Papai, tem croissant?

Não se mexa.

E não, claro que não tem croissant. Como não tinha ontem.

Também não tinha antes de ontem.

Ei, não olhe.

Um dia vai ter croissant de novo.

E...

Aqui está. Pra você.

- Muito bom, Anna. - Nem um pouco!

Saiba que a moça que desenhou este maravilhoso retrato seu

foi uma artista famosa em Berlim.

"Foi".

Agora crio outro tipo de arte excelente.

Salvo-conduto e visto de trânsito para a Espanha e Portugal.

- Quanto lhe devo? - Nada. É de graça.

O próximo passaporte vai ser o meu. Aí também iremos embora.

- Cuidado! Uma batida! - Não!

Adi!

Fiquem todos aí! Documentos!

Rolf, vamos!

Papai!

- Documentos! - Vamos! Os documentos!

Venha, pra baixo! Depressa!

- Vai ficar apertado aqui. - Seu filho que me convidou!

Fica quietinho, Adi.

O que está cozinhando?

Sopa de peixe.

Muito bem.

Posso?

Veja só. O fogo está apagado.

Documentos, por favor.

Vamos partir! Todos aqui na frente!

Bom,

hoje é seu dia de sorte.

Vem.

Muito bem, Adi.

E eu?

Obrigada. Realmente espero que nos encontremos de novo.

Também espero. Talvez em Nova York.

Adi, pare!

- Precisamos levar isso também? - Sim.

Assim como um carro não anda sem gasolina, preciso de conhaque para escrever.

Talvez Hitler não esteja mais procurando você.

Talvez ele tenha esquecido o que você escreveu sobre ele no jornal.

É possível, certo?

Estamos numa lista. Os nazistas não esquecem quem está nessa lista.

- Pra ser exato, estamos em duas listas. - Por quê?

A primeira é dos nazistas,

a lista dos que querem prender. Ela pode nos levar a um campo de concentração.

A segunda é dos americanos, a lista de todos que eles querem tirar da Europa

para que os nazistas não os mandem para seus campos.

- E nós estamos nas duas. - Entre os dez primeiros?

O que posso dizer

é que nem Hitler, nem o presidente americano perdem o sono por nossa causa.

Mesmo assim, eles nos querem.

Sinto falta da mamãe.

Eu também.

Quero dormir! Vou chamar a polícia!

Consegue guardar um segredo?

- Sim, senhor. Sei guardar segredos. - Muito bem.

Este é o único objeto de valor que nos restou.

- É um... - Um diamante. Sim.

Todas as nossas posses estão nele, agora.

Você não deve contar a ninguém do diamante.

Rolf!

Prometa.

- Prometo. - Ótimo.

Ele é a nossa passagem pra América.

Agora escove os dentes e vá se deitar.

Documentos.

- Documentos. - Claro.

Ora. Temos um pequeno clandestino.

- Olá. - Adi, quieto!

- Pare. - Adi?

Diminutivo de Adolf?

Não.

- Boa viagem. - Obrigado.

Bom ou mau?

Em algum lugar do mundo Há um pouco de sorte

E eu sonho com ela o tempo todo

Em algum lugar do mundo Há um pouco de encanto

E eu sonho com ele Há muito, muito tempo

Bom dia.

Não devem levar muita bagagem.

Nada de malas ou mochilas, vão chamar a atenção.

- E nossas coisas? - Vamos enviá-las assim que possível.

Receberão sacos de estopa para o indispensável.

Sempre evitem chamar a atenção.

- Luisa fez para vocês... - Pardeñas.

O que é isso?

Todos as usam aqui.

Núria guiará vocês.

Achei que vocês iam nos levar. Quem é Núria?

Com umas quatro horas de caminhada, chegarão ao topo. Já estarão na Espanha.

Aí é só descer a encosta e duas horas mais tarde estarão em Portbou.

- Se tudo correr bem. - O que pode dar errado?

Quem é Núria?

Núria!

- Uma criança? - Uma menina?

Núria chama menos a atenção do que se fôssemos com vocês.

Ela conhece as montanhas.

- Ela aguenta a caminhada? - Eu, sim. E você?

- Fala alemão? - Comecei a ensinar quando ela chegou.

Pode confiar nela.

- O que seus pais acham disso? - Nada.

Estão mortos.

Fuzilados na Guerra Civil.

- Eu sinto muito. - O dinheiro.

Por favor.

Mais vinho?

Sim.

Conhecem esta?

Hitler vai a uma cartomante e quer saber que dia vai morrer.

Ela diz: "Mein Führer, o senhor vai morrer num feriado."

Hitler pergunta: "Que feriado?"

Ela diz: "Não importa. No dia que o senhor morrer, vai ser feriado."

- Saúde. - Saúde.

O cachorro vai junto?

- Claro. - Não. Impossível.

Núria tem razão. E se ele latir na hora errada?

- Adi não vai latir na hora errada. - Adi?

Adi, quieto!

- Não podemos arriscar. - Quê? Mas eu prometi à mamãe!

E eu prometi que ela receberia você são e salvo.

Vamos cuidar bem dele. Prometo.

Eu não vou sem Adi!

O cachorro fica aqui!

Vem, Adi.

Vou atrás dele.

Pode nos trazer o cachorro amanhã, antes de partir.

Ultimamente, patrulhas alemãs andam marchando nas montanhas.

- Alemãs? - Sim.

Tome cuidado.

Com licença, senhor.

Sabe onde posso encontrar sorvete?

Um sorvete enorme. Como a Estátua da Liberdade.

É para o meu filho.

Rolf,

é simplesmente perigoso levá-lo conosco.

Por favor, entenda.

Você prometeu, papai.

Você prometeu.

Adi, tenho uma coisa boa pra você.

Depressa, ela já deve estar nos esperando.

- Quem? - A menina.

- Não se deixa mulher esperando, você diz. - É verdade.

Onde está Adi?

Enquanto você dormia, eu o entreguei pro casal.

Achei melhor resolver isso logo.

Você é muito corajoso, garotão.

Não chamem a atenção, Theo disse.

Devo ir pelado?

O que tem bolsa? Por que tão grande?

"O que tem na bolsa", não "o que tem bolsa".

Vou te deixar aqui.

Um livro e um suéter pesado, caso faça frio nas montanhas.

Vamos andar, não vamos sentir frio.

Vamos.

- Tudo certo? - Claro, papai.

Não precisa.

Vamos!

- Dia lindo pra uma caminhada, não? - Sim, foi o que dissemos também.

Um dia muito lindo. E a região é magnífica.

- Muito tranquila. - Sim, é uma região tranquila.

Espero que continue assim.

Tem mais pessoas no sudoeste.

Compatriotas seus.

Mas eles não aceitam cigarros como suborno.

Vamos.

Núria.

Tenho informações pra você.

- O que é? - Não é problema seu. Vamos.

Não preciso descansar.

- Beba. - Podemos mesmo beber essa água?

Porque não vem de uma garrafa, vem do chão.

Eu não ouvi nada.

Tem alguma coisa. Também ouvi.

Vem da bolsa.

Quê? Desde quando bolsas fazem barulho?

Adi?

Droga.

Papai, desculpa! Eu prometi pra mamãe!

- Rolf... - Não vamos conseguir chegar do outro lado.

- Não! - Ninguém vai machucar o cachorro.

Vamos amarrá-lo aqui. Eu o levo comigo quando voltar.

Os lobos vão comê-lo!

Idiota. É só um cachorro.

É um ser vivo como nós! Não posso deixar Adi aqui sozinho!

- O cachorro vai conosco. - Não.

Arriscado demais.

O cachorro vai conosco.

Vem. A mamãe vai ficar feliz de te rever.

- O que ele tem? - Está de ressaca.

Por que o cachorro está de ressaca?

Por causa do teu conhaque.

- Vamos. - "Vamos"!

Aquele conhaque era muito caro.

- Logo vamos chegar! - Daqui a quanto tempo é "logo"?

Precisava escolher o caminho pelas montanhas, papai?

Da próxima vez, iremos de metrô. Ou num belo ônibus de dois andares.

O que foi?

Depressa!

Depressa!

Vamos.

Abaixem-se!

Rápido!

E cuidado com a direção do vento.

- Sturmbannführer, aquilo são pegadas? - Estão falando alemão.

É sempre bom encontrar conterrâneos no exterior, não acham?

Podem ser qualquer coisa. Vamos em frente.

Adi, não!

- Tem alguém lá! - Cuidado!

Parem! Cessar fogo!

Vamos!

SS-Mann Heinrich, suba lá.

Os documentos.

Você continue, eu alcanço você depois.

Rolf, eu prometo.

Tem alguém aí?

E sempre escove os dentes.

Entendeu?

Encontro você depois, prometo.

Prometa que levará Rolf em segurança.

- Papai, não! - Mãos ao alto! Desça aqui!

Olá. É muita sorte encontrar vocês.

Eu estava passeando com meu cachorro. Ele fugiu.

Está encrencado quando eu o encontrar.

Sabiam que...

- Cale a boca! - Pare!

Um andarilho solitário? O que temos aqui?

Vamos! Traga-o para cá!

Vamos, suba aí! Ande!

Muita gentileza de vocês me levarem.

Prontos para a partida!

Talvez encontremos meu cachorro no caminho.

Vamos.

Eu falei que cachorro não bom! Cachorro...

Beba.

Vamos.

Estamos na Espanha. Portbou fica ali. É pra lá que você precisa ir.

Vai me deixar aqui sozinho? Espere! Podíamos tê-lo salvado!

Você é tonto? Estaríamos todos mortos! Você morto, eu morta, seu pai morto!

Ele não está morto!

Não posso seguir sem ele.

Ele foi preso. Talvez seja libertado, talvez não.

Ele vai ser libertado! Ele prometeu!

Vai embora, some! Vai!

Pode jogar!

Não preciso mesmo de você!

Você está me enchendo o saco.

- Você vai morrer se voltar. - Me ajuda, por favor.

Iremos para Foix.

- Quê? - Para Foix.

Se for procurar seu pai, deve procurar em Foix.

Se seu pai for libertado, estará em Foix.

Vai ser libertado, com certeza. Eles não têm como saber quem ele é.

Onde fica essa Foix?

Naquela direção, depois das montanhas.

- Vamos. - Só uma caminhada, certo?

Isto é bom.

Comer não. No pé.

Sua mãe está morta?

Quê? Não. Ela está nos esperando em Nova York.

Íamos encontrá-la, mas nenhum outro navio partiu de Marselha.

Na última carta, ela escreveu que vai pro porto todo dia

- pra ver se chegamos em um dos navios. - Quanto tempo?

- Não faço ideia. Até anoitecer. - Não, quanto tempo faz que ela foi?

Vai fazer três anos em dezembro. Não planejamos isso. Na verdade...

Não pode ser.

Vai embora!

É tudo culpa tua! Cachorro burro!

- Droga! - Pare! A culpa não é dele!

A culpa é sua. Você trouxe o cachorro.

Adi.

Vamos, escove os dentes!

Mastigar a escova não adianta.

Por mais problemas que você tenha...

Sempre os encare com os dentes limpos.

O que é isso?

Pasta de dentes. Você escova os dentes com o quê?

- Com sal, como todo mundo. - Quer experimentar?

- Melhor do que sal? - Melhor.

Espere! Está escorregadia!

E alta!

Quando eu estiver nos EUA com meus pais,

vamos viajar juntos pelo mundo.

- Logo, todos vão poder fazer isso. - Tonterías.

Tonterías? Isso é de comer?

Acredite, um dia as pessoas vão voar até pra lua.

- Quanto falta pra chegarmos a Foix? - Logo chegaremos.

Preciso fazer xixi.

- Por que o cachorro tem o nome de Hitler? - Porque é engraçado.

- Engraçado? - Olhe.

Adi, morto!

Não tem graça.

Um amigo do papai teve a ideia.

Não! Isso não é bom!

Está coçando e ardendo muito! Tem alguma coisa nas minhas calças! Formigas!

Estão me mordendo! Não tem graça!

Segure.

Ajuda!

Rolf!

Ajuda!

Peguei você!

Desculpe.

Eu não sabia que você não sabia nadar.

Amigos?

O 35 DE MAIO

O que está lendo?

"O 35 de Maio", de Erich Kästner.

O dia 35 de maio não existe.

Exatamente. É um dia em que tudo pode acontecer.

Um menino da nossa idade visita o seu tio.

Eles encontram um cavalo que fala e adora andar de patins.

- Patins? - Sapatos com rodinhas embaixo.

Mostre as figuras.

Este é Konrad.

Ele precisa escrever uma redação sobre os Mares do Sul. Seu tio Ringelhuth sugere

que seria melhor viajar para lá.

Assim, junto com o cavalo, eles vão, atravessando um armário.

- Atravessando um armário? - Nos livros, isso é possível.

E eles viajam por vários países.

Num deles, as pessoas têm telefones que podem levar aonde quiserem.

- Em outro, tem carros que andam sozinhos. - Livro doido.

Nos Mares do Sul, Konrad conhece uma princesa. O nome dela é Salsinha.

São alemães.

Não parem.

Erich Kästner?

"Para o pequeno Rolf."

Você é Rolf?

E você?

- ¿Hablas català? - E alemão. E francês.

São de verdade?

São falsos, então. Você quer ir para os EUA?

O cachorro é seu?

- Qual o nome dele? - A...

Albert.

Podem passar a noite aqui. É mais seguro.

A faca eu devolvo amanhã.

Meu nome é Esther.

Bem-vindos aos Maquis.

Estão com fome?

Pilotos ingleses. Foram abatidos na França.

Nós os levamos até a Espanha, assim podem regressar à Inglaterra e voltar a lutar.

Como é mesmo o nome do seu pai?

Ludwig Kirsch. Ele é jornalista. Você o conhece?

Não conheço. Mas vou ficar de olhos abertos. Boa noite.

Adi, deixe o rato em paz! Venha, precisamos voltar!

Meu sobrenome é Armengol.

- E Raúl e María Armengol são... - São seus pais, certo?

Conhece meus pais?

O que eles fazem por nós na zona espanhola é muito importante.

E muito perigoso. Não sabia que eles tinham uma filha.

O que foi? O que você tem?

Eu achava...

Achava que eles estavam mortos.

Eles querem proteger você.

Quanto menos souber, melhor pra você e pra eles.

Onde estão?

- Não posso contar. - Por que não?

Porque é perigoso demais.

Eu sempre soube que eles estavam vivos. Sabia que era mentira.

Prefiro morrer a trair alguém.

Alguns dias atrás, guardas franceses da fronteira

me contaram que meus pais foram vistos em Foix.

Foix.

Pode ser que os encontre lá.

Pode ser.

Tudo é possível.

Acho que tem razão.

Nestes tempos, tudo é possível.

- Você ficou ouvindo a conversa. - Quê? Não ia adiantar ficar ouvindo.

Não entendi nada.

Minha mãe e meu pai estão vivos.

Mas você achava que eles estavam mortos.

Esther me contou.

Eles me protegeram me fazendo acreditar que estavam mortos.

Isso é maldade. Mentiram pra você.

Ali. Cassiopeia.

Não fique sempre agitando essa coisa. Vai machucar alguém.

É a faca de papai.

Não falei a sério. Fico feliz por você.

- Também não falei a sério. - O quê?

- Quando falei que a culpa era tua. - Mas...

Mas foi mesmo. Foi culpa minha.

Tem mais estrelas aqui do que em Berlim.

O que há por trás delas?

Estrelas.

E por trás dessas estrelas, ainda mais estrelas.

Mas o que há por trás de todas,

segundo você?

Sorvete.

Corram!

O que é isso?

Rápido, corram, corram!

Precisam sair daqui! Agora!

- Rápido! - Espera! Minhas coisas!

Anda! Depressa!

- Adi! - Anda, Rolf!

Núria!

Núria, espera!

Núria!

Por ali! Três quilômetros para o norte, depois, oeste.

Entendeu? Siga a trilha! Corra!

E boa sorte.

Vem, Adi!

O que está fazendo?

Li isso num livro pra exploradores. Assim dá pra ouvir a locomotiva vindo.

Locomotiva vem, ouvimos.

"Se a locomotiva vier,

vamos ouvir."

"Se vier, vamos ouvir"!

Se você continuar bancando o sabichão, eu só vou falar em catalão.

¡Bravo, señora! Você conseguiu!

Já subiu numa "loco" em movimento?

- Eu... - Lá está a "loco"!

Que demônios?

- Não está aqui! - O quê?

- A pasta de dentes sumiu! - Certo, vamos!

- A pasta de dentes sumiu! - Rolf?

Impossível, preciso voltar! Preciso encontrá-la!

- Preciso voltar! - Droga.

Rolf!

- Certo, vamos. - Não.

- Vem! - Não! A pasta de dentes é sua.

Tudo bem.

Prometa que vai cuidar bem dele, caso alguma coisa aconteça comigo.

Por que a pasta de dentes é tão importante?

Eu... Meu...

Volto já.

Que moleque chato.

Não! Sou eu!

Rápido!

Achei.

Vamos, Adi!

- Um cavalo é muito útil. - Não diga.

Logo chegaremos lá.

Certo.

A gente se vê.

Arranje uma namorada.

Ou um namorado.

Abaixe-se!

Corra, garotona!

Adi!

Quieto. Quietinho.

Vem.

Talvez ele esteja escondido ali.

Parem de atirar! São só crianças! São crianças!

Essa definitivamente passou perto.

Você está sangrando!

Adi, vem cá.

- Ele não dá atenção ao nome. - Olhe pra cá.

- Desça daí. - Mãe, pare de se mexer!

- Sim. - Adi, junto!

Aperte aqui.

Nunca vou me acostumar com esse nome.

Pai, chegue mais perto da mamãe.

- Assim, fotógrafo? - Ao lado da mamãe!

E não se beijem, por favor. Sou novo demais pra ver isso.

- Nunca mais ficarei longe de você. - Sorriam!

Não se beijem!

Que cheiro bom é esse?

Caracóis. Uma delícia.

Não se mexa.

Se todos os soldados alemães tiverem essa pontaria, Hitler vai perder a guerra.

Amanhã poderemos prosseguir.

Você acha que aqueles soldados estavam procurando meu pai?

É possível, certo?

Como termina a história?

Isto é o que aconteceu: depois de passarem pelo mundo do passado,

Konrad e o tio Ringelhuth vão para o mundo errado.

O mundo errado?

Tudo está invertido lá.

As crianças são os adultos e os adultos são as crianças.

- O mundo real deveria ser assim. - Sim.

Deveria mesmo.

Você acredita em Deus?

Não.

Nem eu. Se Ele existe, como pode permitir que tudo isso aconteça no mundo?

Mas não tem Deus nenhum. Nem bom, nem mau. Pronto!

Chegamos.

Aquele homem. Eu diria que ele é bom.

Por quê?

Porque ele tem um livro.

Existem livros maus.

Ali. Ele tem um livro, e ele é mau.

- Isso não conta. - Cinco a zero.

Gosto do jogo, apesar de ser bobo.

- Por que é bobo? - Porque a mesma pessoa pode ser boa e má.

Seu pai mentiu também.

- Como é? - Ele mentiu, como meus pais.

- Meu pai não mente. - Todo adulto mente.

Seu pai sabia que não viria pra cá.

- Mas ele prometeu! - Pra você sobreviver, idiota!

- Não sou idiota. - É, sim.

Você está mentindo! Ele vai chegar! Você mesma disse!

Eu nunca disse que você encontraria seu pai. Eu disse...

Você está criando uma história na sua cabeça.

Eu sei o quanto isso dói.

Mas e os soldados na floresta?

- Se teu pai for libertado, é um milagre. - Milagres acontecem!

Você! Vá embora! Rápido!

Você continue, eu alcanço você depois.

Eu prometo.

Todo adulto mente.

Rolf, você está bem? Vi você correndo.

Está sangrando.

Não é nada.

- Onde está Núria? Ela está segura? - Sim.

Preciso falar com ela. Tenho notícias dos pais dela.

Da mãe e do pai dela. Entendeu?

- Sim. - Leve-a para este endereço.

Pergunte do livro "Utopia". "Utopia"! Consegue fazer isso?

Precisam ir logo. Encontro vocês lá.

Núria?

Procure Núria. Procure!

Belo farejador você é.

Santa Toledo!

Núria.

Eu não rezei. Só estava amarrando os sapatos.

Tanto faz. Vamos, não podemos perder tempo.

Vem.

Tirem esse cachorro daqui!

- Adi, pare! - Adi?

Ele se chama Adi por causa de Adolf?

Que engraçado. Muito bem.

Agora façam-me o favor de sair daqui!

Estamos procurando um livro! Droga, esqueci o nome!

- E daí? - "Utopia"! O nome do livro é "Utopia"!

Bem, por que não falaram logo?

Sigam-me lá para baixo.

Eles foram presos antes de ontem.

Estão numa pequena cela da polícia ao lado da fronteira espanhola.

Meus pais foram presos.

Teve notícias do meu pai?

Não.

Mas ele está numa lista de pessoas que os nazistas estão procurando.

Mas não no topo da lista, certo?

Infelizmente, isso não importa.

Provavelmente já o levaram de volta pra Alemanha.

Eu sinto muito. No momento, não posso fazer nada por ele.

Mas talvez possamos ajudar Núria.

Como?

Precisamos pagar pela liberdade deles.

- Quanto temos? - Não o suficiente.

Droga.

- Isto basta? - É um diamante!

Muito mais do que basta.

Não posso aceitar. Não.

- Precisa aceitar! - Não!

Juro que vou jogar o diamante fora se você não aceitar!

Parem.

Ele pode ser dividido.

Existem duas possibilidades.

Posso cortá-lo com uma serra ou com um cinzel.

Ambas têm vantagens e desvantagens.

Com a serra, demora um dia inteiro. Com o cinzel, é bem rápido.

Não temos um dia inteiro.

Certo. Entendi. Então...

Com o cinzel, existe o risco do diamante se estilhaçar em mil pedaços.

Pode bater.

Não!

- Bata! - Não!

É arriscado demais.

Talvez eu nunca mais veja meu pai, mas quero que você reveja seus pais.

Portanto, bata.

Mazel tov.

Obrigada.

Obrigado!

Quer um pouco? É bom. É conhaque.

Conhaque Courvoisier.

Espero que nenhum de vocês tenha jantado,

senão todos aqui vamos ver o que comeram.

O telefone de Mueller toca.

A voz do outro lado diz: "Desculpe, foi engano."

E Mueller: "Fomos todos enganados."

Tenho mais uma:

Hitler procura uma cartomante e pergunta que dia vai morrer.

Ela diz: "Num feriado."

Hitler pergunta: "Que feriado?"

Ela diz: "Não importa o dia. Quando você morrer, vai ser feriado."

Feriado.

Venham, todos fora!

Sigam viagem com Ramón. Ele sabe que vocês têm o diamante.

- Hora de dizer adeus. - Mas...

Só por precaução.

Vai dar tudo certo, está bem?

Vamos nos encontrar de novo.

Adi, tome conta das coisas. Bom menino.

Aqui destrava e aqui atira.

- Definitivamente fácil. - Cuidado!

Vai atirar na gente.

Segure o pano.

Um, dois, três, quatro...

- O que está fazendo? - Cinco e seis.

Podemos não ser bons, mas com certeza não somos maus.

Se eles atirarem, estaremos definitivamente mortos.

Olá?

Olá?

Vocês são as crianças do diamante?

Sim.

Primeiro o diamante, depois os prisioneiros.

- Primeiro meus pais. - Primeiro o diamante.

Primeiro meus pais.

O diamante. Agora!

Não! Primeiro meus pais!

Tranquilo, jovem. Tranquilo.

Ninguém precisa sair ferido.

Diga que vamos cumprir nossa parte do trato. Ele que não se meta a besta.

Cumpriremos nossa parte do trato se você cumprir a sua!

Claro, jovem.

Na verdade, você não quer atirar.

Certo?

Meus pais. Agora!

Eduardo, os pais!

- Você... - Não!

Eduardo, vamos! Traga-os!

Vamos.

Aí estão! Até logo.

Vamos.

Mamãe! Papai!

- Núria? - Núri!

Núria!

Núria!

Achei que nunca mais fosse vê-la.

Minha filha, nunca mais deixarei você.

Como está?

Acho que é hora de voltar pra casa e escrever sobre tudo isso.

Eu irei na frente.

Boa noite, meu filho.

Boa noite, pai.

E então? Está empolgado?

- Definitivamente empolgado. - O que significa esse "definitivamente"?

Algo muito forte ou especialmente bom.

Então por que não diz "especialmente bom"?

Porque eu definitivamente prefiro "definitivamente".

Porque é definitivamente um sabichão.

Você ainda não me contou como o livro termina.

Konrad e Salsinha ficam amigos. E Konrad volta pra casa com o tio.

Eles atravessam o armário de novo. De repente, ele está no meio de uma selva.

- O livro é legal. - Definitivamente legal, porque acaba bem.

Não é culpa sua, sabe. A culpa é de Hitler.

E daqueles que expulsaram vocês do país.

Daqueles que começaram a guerra e que prendem pessoas. E as matam.

A culpa é deles. Dos assassinos. Não sua.

Mas agora você vai pra América encontrar sua mãe.

Pra você.

- Pra mim? - Só emprestado.

- Pra você. - Mas você ganhou do seu pai.

E você ganhou de mim.

- Só emprestada? - Definitivamente.

O próximo, por favor.

Documentos, por favor.

Fiquem na fila. Não aqui!

Não é muita coisa, filho.

E está procurando sua mãe? Kate Kirsch?

Katja Kirsch.

- Quanto é três vezes sete? - É 21, senhor.

O próximo. O próximo, por favor.

Posso ver seus documentos?

- Sabe engraxar sapatos? - Não pretendo engraxar sapatos, senhor.

Quero ser jornalista.

Bem-vindo aos Estados Unidos da América, Robert.

Rolf. Meu nome é...

Adi. Espere!

- Droga! - Volte aqui, garoto! Garoto!

Quem é você?

Mamãe.

Mamãe.

Deixe-me ver você, filhão.

MAIS DE 82 MILHÕES DE PESSOAS ESTÃO EM FUGA PELO MUNDO HOJE

MAIS DE 34 MILHÕES DELAS SÃO CRIANÇAS

CAMINHO PARA A LIBERDADE

EM MEMÓRIA DE LISA E HANS FITTKO

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