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6 maio - 6h
6 dias desde o desaparecimento das crianças
Recuperação do Túnel da Raposa do Século XVIII
Anda.
Anda.
O que foi?
Aonde vais?
Zorka!
O que foi, Zorka?
Zorka, vem cá.
Meu Deus, são as crianças. Chamem uma ambulância!
- Estou. - Liga a televisão.
- É a Ada? - Não, não é Ada.
Esta manhã, duas das crianças desaparecidas na semana passada
foram encontradas perto do Túnel da Raposa.
Estão com hipotermia, em estado reservado.
Em que estado estão?
Muito grave. Tinham menos de 28 graus quando as encontraram.
- Saíram sozinhas? - Sim, até custa a acreditar.
- Disseram alguma coisa? - Estavam a delirar e desmaiaram.
Meus queridos,
eu sei como se sentem.
Todos os corações de Walbrzych estão com as vossas filhas.
Também me sinto responsável por elas.
Por isso mesmo, ao vê-las nas mãos
do hospital público,
gostava de vos oferecer uma coisa.
Desculpe, mas não é o momento ideal.
Acho que é o momento ideal para agir,
caso queira que o coração da sua filha não pare de bater.
Como diretora da Fundação Black Daisy,
gostava de dar aos vossos filhos
os melhores cuidados de saúde.
E de vos dar aquilo que o hospital não vos dá,
conforto enquanto cuidam deles.
Por minha conta, claro.
Sou o diretor desta ala. Saia, por favor.
Deve ser novo aqui, não?
As crianças podem não aguentar a transferência.
Pode sair, ou precisa de ajuda?
Que engraçado, estava prestes a perguntar o mesmo.
Por favor, pensem na minha proposta.
Quero ajudar as vossas filhas.
Maja.
Não é o momento ideal, mas vai ficar tudo bem.
- Vai ajudar? - Sem comentário.
- Precisas de boleia? - Não, obrigada.
- Até logo. - Adeus.
Maja!
E a Ada? Está viva?
E o resto das crianças? Maja, o que se passa?
Tens até logo à noite para devolver as chaves.
Podes ficar com a camisola daquele sacana.
Maja...
Tinhas razão.
Não devia ter deduzido que estavam mortas.
Tenho de as ver. Elas estavam com a Ada.
Estão inconscientes.
Tenho de estar presente quando falarem.
Metallica? Não deixaste o Marek ir ao concerto.
Vai-te lixar.
Já viram os poços?
Vou ter com a equipa de resgate e tu procuras as crianças.
Compõe o colarinho.
Marta.
Oponho-me à transferência das crianças para a nossa clínica.
Não sou pediatra, elas podem morrer.
Se eu fosse a ti,
estaria mais preocupado em vê-las a andar e a falar.
Temos de ficar de olho nelas.
Onde as ponho?
Ao lado das octogenárias alemãs que recebem injeções vaginais?
Bom dia, minha senhora. Seja muito bem-vinda.
Por aqui.
Já fizeste tantos milagres. Faz lá mais um.
Com licença.
Estou a incomodar-te?
O fumo faz-te mal à garganta?
Obrigado.
Vou dar-te ordens,
mas olha-me nos olhos, para eu garantir
que não vai haver mais asneiras, como houve com o velhote cigano.
Onde é que eu entro nisso?
Precisamos de máscaras, detetores de gás,
bombas e fatos à prova de fogo.
Vais a algum desfile de carnaval?
Não, vou para o túnel consigo.
Ouvi dizer que não gostas de entrar em túneis apertados.
Se bem que...
Não precisas de acabar a frase.
Vai buscar o equipamento, rainha da noite.
Vou falar com o príncipe encantado.
A minha avó dizia-me
para não mostrar o rabo todo a um homem.
Como gosto de ti, vou mostrar-to.
Há um problema.
Se não encontrarmos as crianças, estou feito.
A menos que alguém me ajude.
E não me parece que tu sejas esse alguém.
Estou a proteger a Czarnecka, o que é uma treta,
porque tenho juros a receber
e a minha sogra a fazer terapia contra o cancro.
Muito bem.
Vamos fazer um acordo.
Deixe-me entrar no poço
e encontrar as crianças,
e eu fico longe da Czarnecka.
Sabes porque não acredito em ti?
Porque és muito certinho.
O Majcher vai encontrar as crianças.
O sucesso vai fazer-lhe bem.
E vai fazer-te bem aceitares
que, para variar, não vais andar armado em campeão.
Depois de celebrarmos, voltas ao serviço.
Mas disseste uma coisa sensata.
Vais ficar longe da Czarnecka.
Inspeção. Braços no ar.
Inspeção. Braços no ar.
Mata-Ratos?
Onde está o chefe?
Chefe!
Então?
Violaram normas de segurança e saúde na desinfestação.
Tenho de verificar imediatamente o equipamento e os produtos químicos.
Onde guardam isso?
Na cave.
Espere.
Com licença.
O que está a fazer?
Cianeto de hidrogénio.
Sabias que químicos proibidos podem dar alguns anos de prisão?
Não sei como isso é possível. Usamos fosfina desde os anos 90.
- Temos todos os certificados... - Isto não é fosfina.
Não te preocupes.
Se o equipamento estiver em bom estado,
vou fazer vista grossa a estas coisinhas.
O que foi?
Maja.
Põe-te a andar.
Vamos para aqui.
Podemos ver esta parte toda.
O resto está inundado. Venham atrás de nós.
Fiquem por perto, está bem?
Alguma coisa?
Não vês a fita da Polícia?
Não és da Polícia. Agarra-o!
- Deixa-te disso, Majcher. - Do quê?
Põe-te na alheta.
Porque está tão agitada?
- Vim falar com a Sra. Szolc. - Não está. O Tymek está no hospital.
O que aconteceu?
Está em estado grave. Foi mordido por mutantes.
Quais mutantes?
Sei lá. Ele esteve numa mina antiga ou lá o que era.
Sigam-nos de perto.
Venham atrás de nós.
Tymek.
Tymek.
Devolve-me aquilo!
Devolve!
Devolve!
Quero aquilo, por favor.
O que...
Afasta-te do meu filho! Sai!
Enfermeira!
Tymek.
Ele acabou de falar. Tymek!
Fica aqui, vou chamar o médico.
Antracite.
O ouro negro de Walbrzych.
- Vou à frente. - Está bem.
O que foi?
Nada. Não esperem por mim.
Vens, Majcher?
Um momento.
Majcher, só para prevenir, não entres...
Estou.
Trataste do assunto?
Temos de voltar ao trabalho.
- É para já. - Despacha-te.
Malta, sabem como entrar no túnel?
O que raio estão a fazer?
Que merda.
Porque temos de andar depressa? Estou sem...
Sem fôlego.
Deixa cá ver.
Saiam já!
Levem-no! Vamos!
Chamem uma ambulância!
Envenenamento por cianeto de hidrogénio! Chamem ajuda!
Aguenta-te, miúdo!
Vamos buscar os outros!
Depressa! Aqui.
Deem-lhes oxigénio!
Vamos tirá-lo já daqui!
Majcher!
Acorda! Não desmaies!
Não desmaies! Vamos tirar-te daqui!
Malta! Despachem-se!
Socorro! Despachem-se!
Vamos!
Deem-me oxigénio!
Majcher!
Não me faças isso. Estás a ouvir?
Aqui!
Estou aqui.
Aguenta só mais um pouquinho.
Cuidado!
Não parem!
Depressa! Continuem!
Levantem-no depressa!
Vamos!
Depressa!
Esperem.
Vai ficar tudo bem.
Não me faças isso. Tens de sobreviver.
Tens de sobreviver.
- É assim tão grave? - É um desastre do caraças.
Perdemos dois homens.
De certeza que fizeste tudo o que podias.
Vá lá, eu devia estar com elas. Que merda!
Rafal, não podias ajudá-los.
Alguém mandou cianeto lá para dentro.
- Não pode ser. Isto é... - Zyklon B.
Eu sei.
Suspeitam que a Czarnecka esteja ali dentro.
Fica aqui, de olho nas saídas.
E espera por mim.
Espera por mim.
Ajudem-no, com cuidado.
Tenham muito cuidado, por favor.
Fundação Black Daisy
Lena...
Sim, foi um erro.
Mas não liguei por isso.
A Maja pediu-me para devolver as chaves de vossa casa.
Pensei em fazer um acordo contigo.
Olha, a coisa está tão feia, que...
Vamos trocar de chaves. A chave de casa pela da clínica.
Porque faria isso?
Para salvar a nossa filha. Aqueles miúdos devem saber algo.
Estás aí?
Como está ele?
Só o novato é que está bem.
Estamos à espera do relatório toxicológico.
Foram envenenados com algum gás.
Já sei os resultados.
Não vai acreditar em mim.
Rafal...
Esteve na operação? Deixe-me ver como está.
Não, estou bem.
A sério, não tenho nada. Está tudo bem.
- A Maja pode perder o emprego. - E podemos reaver a nossa filha.
Tens algum plano?
- Vou improvisar. - Como ontem?
Ontem, vieste ter comigo
em vez de tomares conta do bebé que tiveste com a minha melhor amiga.
Estás completamente louca, Lena.
Podia ser bem pior.
Não estão aqui.
Pois não.
O que estás a fazer?
É melhor não entrar
- É da Ada? - É minha.
A Ada tem uma igual.
No último aniversário dela, enviei uma para a escola.
O que queres fazer?
Destruir-lhe o gabinete.
Quero ver se ele guarda os registos das crianças aqui.
Adas e Lusia...
Bernat e Kopinska.
Paciente Zero
Lena Opalinska
Vestígios de hemocianina no sangue
Hemocianina?
Despacha-te.
Ouviste?
Lena! O que se passa?
- Há um diagnóstico errado. - De quem? Das crianças?
Não, é meu.
Já não queres saber da Ada. Só queres saber de ti.
Marek, tens resultados de análises da Ada em casa?
Não. Ela nunca esteve doente, Lena.
Não tens resultados de análises da tua filha?
Da nossa filha, Lena. É nossa, caraças.
Lena! A chave.
O cartão.
O cartão.
"A paciente foi mal diagnosticada. O seu sangue contém vestígios
"característicos das criaturas vivas mais antigas,
"do géneroLimulus,
sem sintomas da doença de Wilson."
Muito bem.
Está tudo ótimo.
Chefe,
a Sra. Szolc veio falar consigo.
Szolc?
- Boa noite. - Boa noite.
Posso falar consigo, Sra. Czarnecka?
O meu marido não pode saber, imploro-lhe.
Espere. Ouça-me.
Alguém esteve no meu gabinete.
Acho que a Opalinska anda outra vez a espiar-nos.
É esse o teu pretexto?
Quantas vezes tenho de dizer?
As crianças podem aparecer a qualquer momento.
Acabou.
- Amanhã, vou à Polícia. - À vontade.
Deduzo que queiras parar a tua investigação.
Estou-me nas tintas para a sua jovialidade e fertilidade.
Estou a falar de ti, não de mim.
Da tua especialidade.
Já não queres saber da cura para o Alzheimer?
Optaste por esquecer o amor da tua vida?
Bem...
É uma cretina sem escrúpulos.
Trouxe-te um paciente novo.
Creio que vais achá-lo interessante.
A mãe dele disse que foi mordido por alguma coisa.
Ficou catatónico depois de lhe desinfetarem a ferida
e encontrarem isto.
Não te preocupes com a Opalinska.
Todos acham que ela é louca.
Temos de a convencer de que os outros têm razão.
Acha assim tão fácil?
Veja isto.
Passou-se alguma coisa? Foi a Ada?
Quero falar da mãe.
Tens algum boletim médico dela? Qualquer coisa?
- Não. Ela nunca estava doente. - E a depressão?
Claro, mas tirando isso,
até as nódoas negras lhe passavam num instante.
E a mãe dela? Será que era alemã?
Alemã?
És o pedrado mais velho da República Checa.
Não me ofendas, conheço mais velhos.
Não me parece que a tua avó fosse alemã.
- O apelido da tua mãe era Zielinska. - Podia ser do pai dela.
Duvido. Se o pai a tivesse aceitado, ela não teria ido para o orfanato.
Sabes onde ficava?
Como haveria de saber?
É importante.
Espera. A Ewa às vezes falava
de se esconder na sala da caldeira para não ter de voltar ao orfanato.
Na sala da caldeira do sanatório.
Isto é...
... um dos meus tesouros mais preciosos.
"Kinder- und Hausmärchen", "Contos de Grimm".
Muito obrigada.
Este exemplar veio da coleção do pré-guerra do nosso sanatório.
Foi impresso em 1857.
É uma pena estar em alemão, mas, como falo um pouquinho,
vou tentar traduzir enquanto leio.
"A Protegida de Maria",
"O Irmãozinho e a Irmãzinha" "Rapunzel", "O Rei Sapo",
"O Flautista de Hamelin".
Muito bem.
"Era uma vez
"uma cidade próspera chamada Hamelin.
"Havia muitos celeiros na cidade, espalhados pelas margens dos rios,
"repletos de sacos de cereais.
"Um dia, a cidade teve um problema.
Uma praga de ratazanas assolou Hamelin."
Mais uma analogia.
"A cidade, padarias, lojas,
"ruas e casas estavam repletas de ratazanas.
"Os roedores tomaram conta da cidade.
"As pessoas deixaram de comer com medo de encontrar ratazanas no prato.
"Deixaram de dormir com medo de encontrar ratazanas na almofada.
"Um dia,
"uma pessoa estranha chegou à cidade.
"Era um homem alto, com olhos azuis-claros,
vestido com uma túnica de cores vivas."
Boa noite.
Desculpa.
Orfanato N. 1 de Szczawno-Zdrój
Arquivo
Zielinska...
Criança deixada à porta a 8/2/1946, com uma nota a dizer "Eva Grunn"
Adotada por Aldona e Zygmunt Zielinski a 23/5/1949
- Toma. - Obrigada.
O tempo está a acabar.
Que pivete é este?
Édipo.
Édipo, vem cá.
Vem cá, sua bola de pelo.
Caramba.
Vamos.
Pronto.
Cabrãozinho
Cabrãozinho...
7 dias desde o desaparecimento das crianças
Tradução e Legendagem PEDRO MARQUES RTP - Produção
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