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5 maio - 8h
5 dias desde o desaparecimento das crianças
Não!
Venham.
Sentem-se.
Vá.
Está na hora, Ilse.
Hans.
Gerda.
Albert.
Inez.
- Otto. - Não quero.
Não tenhas medo, querido.
A mamã nunca te faria mal.
"Era uma vez uma cidade próspera chamada Hamelin.
"Havia muitos celeiros na cidade,
espalhados pelas margens dos rios."
Opalinska Filha
- Falaste com os teus pais? - Isso não é da tua conta.
- Falta! - Lança!
Estás a sangrar.
- Está infetado. - Tu é que estás!
- Mas que raio? - Andas muito estranho.
Estás sempre a implicar comigo. É por causa da Natalia?
Tens inveja? Tens medo de me ter como rival?
Se tivesse, deixava-te a apodrecer no túnel.
Espera.
Espera por mim.
É um dos meus melhores agentes. Não sei o que lhe deu.
O vício pode ser hereditário.
Percebo a frustração dele.
Tanto quanto sei, ainda não têm nenhuma pista.
Nem quero pensar no que aconteceria se...
Há muito que esta terra não sofria tanto.
A culpa não é sua.
Talvez os meus superiores discordem.
Desde que eu tenha o poder da palavra,
estará a salvo.
Infelizmente,
não me responsabilizo pelas ações dos pais.
A única coisa que posso fazer...
... é prepará-los para o que pode acontecer.
E ambos sabemos o que pode acontecer.
Lamento.
Chá de cidreira.
Muito obrigada.
Insubordinação e beber em serviço.
Merecias um processo disciplinar.
Não estava em serviço.
Nem vais estar até que as coisas acalmem.
Acalmem?
Esperar que a Czarnecka se acalme? O meu trabalho depende dela?
Rafal.
Sei que guardas rancor pelo marido dela.
Não entende.
Não entende nada.
Ambos sabemos que guardas rancor por causa do teu pai.
O Czarnecka deixou-o na miséria.
Sei que isso te afetou muito.
O Czarnecka pagou por isso e a esposa dele também.
Não! Ela usou a tragédia para lhe passar a perna!
E agora usa-a para fazer dinheiro sujo!
A santinha de merda da Daisy!
É disso que estou a falar.
Em breve, a cidade estará de luto
e tu só queres saber das tuas coisas!
De luto?
Procurámos em todo o lado. Não vamos encontrar os miúdos.
Só tiveste um castigo leve porque respeito o teu trabalho.
E respeitava o teu pai.
Wanda!
Também preciso de um descanso.
Queres trocar comigo?
Vá lá, sempre quiseste isto.
É um caso perdido e será arquivado em breve.
Obrigado.
Rafal.
Acho que não sabemos tudo desta cidade.
Não me vou meter no teu caso com o cigano.
Ele não é um santinho.
Aquele cigano perdeu o pai.
Foi assassinado por um polícia, se bem me lembro.
Alguém começou a perseguição, não foi?
Estás sempre armado em superior, caraças.
Vai-te lixar, otário.
Muito bem. Atiraste-me muita água.
Mexe as mãos.
Saiam da água! Depressa!
Temos de sair depressa! Saiam!
Saiam! Depressa!
- O que é? Uma ratazana? - Não são assim tão grandes.
Mas guincha como uma.
Piscina - Desratização necessária?
Caraças.
Sim?
Não me pediam para adivinhar espécies com desenhos e descrições
desde o exame de taxonomia.
Copiavas quase tudo em taxonomia.
Acho que é um caranguejo-ferradura.
- Caranguejo-ferradura? - Limulusem latim.
É um artrópode marinho, próximo das aranhas e carraças.
Existe há 425 milhões de anos.
É um fóssil vivo.
Lena?
Porque tem o sangue azul?
Disseste que não sabias nada.
Porque a hemocianina transporta oxigénio no sangue.
O seu sangue é asséptico
e é utilizado para detetar bactérias em diversas superfícies.
Só existe no oceano Atlântico.
Podemos encontrar fósseis na Baixa Silésia.
Vão pôr-te a trabalhar nessas circunstâncias?
Obrigada por confirmares.
Como estás?
Não sei se aguento.
Estou feliz por teres ligado.
- Andaste a beber? - O quê?
Sabes que mais? Vai-te lixar.
Marek...
O que queres da minha filha, Ilse?
Ouvi dizer que foste suspenso.
Como estás?
- Isso pergunto eu. - Como estou?
- Estou passado contigo. - A sério?
- E eu contigo. - Porque foste lá?
Porque achas?
Porque querias sentir-te melhor.
Se quisesse sentir-me melhor...
... teria acabado contigo há muito.
Lembro-me de um circo vir a Walbrzych.
- Deve ter sido há muito tempo. - Eu tinha uns cinco anos.
O meu pai levou-me lá.
Foi um sonho concretizado, ver todos aqueles animais,
a mulher-elástica, palhaços, acrobatas...
Ele estava tão orgulhoso e feliz por poder mostrar-me tudo.
Fui atrás de um pónei ou algo assim.
Perdi-me e não consegui encontrar o meu pai.
Fiquei com muito medo.
E agora?
Agora, és um adulto.
Ninguém manda em ti.
Podes ditar as tuas próprias regras.
Podes tomar as tuas próprias decisões.
O Majcher sabe de nós.
Era uma questão de tempo.
Podes intimidá-lo?
Tem calma.
Ninguém faz mal ao seu maricas de estimação.
Não sou o maricas de ninguém.
Sim, teria sido horrível.
- Ter uma vida normal. - Como assim, normal?
Estou.
Onde estás?
A mãe deixou-te usar o telemóvel do pai?
Não sei, ela está a chorar sem parar. Quando voltas para casa?
Daqui a pouco.
Daqui a pouco, quando?
Donka,
vai ter com a mãe e abraça-a, para ela se animar.
Vou levar-te gomas.
Tens razão.
Sou um adulto.
Tomo as minhas decisões.
Foi aqui. Ela estava a ver estas fotografias antigas e...
Estava pálida?
- Estava a cambalear? - Estava bem. Viu aquela foto e...
Esta?
É tudo por agora, obrigado.
Obrigada, senhor doutor.
Isto é do teu contacto da Polícia?
Não, ele começou a suspeitar. Fui atrás do Niec.
Falaste de uma avaria? Na piscina ou no bar?
Nos dois.
Caranguejos-ferradura nos dois. Entupiram os canos do bar.
Tínhamos lá a nossa equipa e mais ninguém soube.
Mas publicaram um vídeo da piscina.
Nunca tinham ido tão longe. Deve ser por causa da explosão.
Alguém os ajudou. Eu sei quem foi.
Fica de olho no Niec.
Quanto aos caranguejos-ferradura, vamos insistir em ratazanas.
- Ratazanas, claro. - O supervisor da piscina explica.
- A Opalinska esteve no laboratório. - Já sabemos dessa chata.
Ela e a mãe dela.
Ela soltou-os.
A Lena Opalinska?
Como foi lá? Duvido, o elevador está bem escondido.
O Smolarz tratou da passagem subterrânea.
Não faço ideia. Também há poços.
Seja como for,
a Lena andou a vasculhar o sanatório.
Talvez saiba da sociedade secreta.
Será que a Ada lhe disse algo?
Mas quando?
Na altura, talvez...
Meu Deus.
Verifica novamente, por favor. Ela sabe demasiado.
Vamos rever o vídeo da Opalinska mais nova.
Talvez nos tenha escapado algo.
Mãe, por favor, não faças isso.
Não!
Então? Está tudo bem?
Alguma novidade?
Tu tens alguma?
Talvez esteja na hora de aceitar...
... que não vamos encontrar as crianças.
Não digas isso.
Tenho aqui um vídeo daquele dia.
Do lago.
Porque o trouxeste agora?
Trouxe-o para ti, não sei se depois terei acesso.
Fui suspenso.
Posso sair da Polícia.
Não queres ver?
Agora, não.
Só vou ver depois de a encontrar e de ela estar a salvo.
Pronto, está bem.
O que queres fazer?
Tenho de falar com ele.
É o Sznirel em Auschwitz. Onde encontraste?
Ele esteve em Auschwitz e Gross-Rosen.
Trabalhou com a Ilse Grunn no sanatório de Szczawno-Zdrój.
Ainda há mais.
Olha.
Isto quer dizer que ele tem...
... 130 anos.
Que grande disparate.
O que tem isso que ver com...
Não faço ideia. Por isso temos de falar com ele.
Vamos sair.
Põe em pausa.
Não vês?
Fazzoome continua.
Puxa atrás.
Puxa atrás.
Põe em pausa.
Fazzoom.
Tu és cientista.
Ela deu-lhes sangue puro,
sem estar diluído com uma treta qualquer.
É a única forma segura.
- A pirralha não sabe de nada. - E se soubesse?
Também quero.
Por favor.
Estás à espera de quê?
Tem a certeza?
Bom dia.
Está cá alguém?
Alguém?
Sr. Szolc?
Desculpe, a porta estava aberta.
O Tymek saiu.
Eu sei, vim falar consigo.
Acontece que...
O Tymek...
Estávamos debaixo da terra quando houve a explosão.
O que disseste?
Vamos lá ver quanto dura desta vez.
Talvez tenhamos subestimado as Opalinska.
Professor?
Ainda tens a amostra de ontem?
Preciso de fazer outro teste.
Da paciente da Sra. Opalinska?
Entraste sem mais nem menos?
Fui guiada por uma raposa.
Ou pelo fantasma dela.
Ainda não sei ao certo.
Para que é que o Lubinski precisa de documentos de Gross-Rosen?
Não sei, encontrei-os por acaso.
Acho que os nazis podem ter feito experiências lá.
O Lubinski e a Czarnecka fazem experiências em humanos?
Não sei o que pensar.
Ele não está.
O que vais perguntar ao Sznirel?
Quantas velas compra nos aniversários.
Alguma coisa sobre a Ilse Grunn.
Ele disse o nome dela antes de eu saber quem ele era.
Sabe o que aconteceu à minha filha?
Quem é a Ilse?
Porque não envelhece?
Porque não envelhece?
Porque não envelhece?
Tem calma.
O que é isto?
O que é isto?
Estás bem?
Magoaste-te?
A Ada estava no subsolo.
Com as crianças.
Vê isto.
A Ilse Grunn fez o mesmo durante a guerra.
O que está a fazer? O que lhes injetou?
Sangue de caranguejo-ferradura.
Não queria mostrar-te isto.
Rafal...
Não acredito que a Ada fizesse mal às crianças.
- Deve ser algum ritual. - Ritual?
Porra! Ela dá-lhes sangue.
- Rafal, acredita em mim... - Sangue!
Vamos lá.
- Boa noite. - Boa noite. Entre, por favor.
- Boa noite. - As minhas condolências.
Queria ter vindo mais cedo.
- Entre, por favor. - Não tinha de se incomodar.
São tão importantes como os outros.
Sei aquilo por que estão a passar.
Sobretudo com o trabalho.
Tudo começou por sermos expulsos do sanatório.
As pessoas estavam furiosas, não era seguro.
Seja como for, não tocamos durante o luto.
Devia ter ficado mais do vosso lado para tentar proteger-vos.
Queria compensar. Precisam de dinheiro.
Não precisamos de caridade.
Vim oferecer um trabalho.
A mim?
Gostava que os meus pacientes
desfrutassem mais de música romani.
Para acalmar as pessoas.
Viste o vídeo.
Porra!
Vamos buscá-las.
Perguntaram-lhe por uma tal de Ilse e pelas crianças.
Ilse Grunn.
Fala-me das crianças.
Fala-me das crianças!
Não adianta.
Tentei que ele me dissesse qualquer coisa.
Precisam dele para quê?
Não tenho bem a certeza, mas ouvi umas coisas.
Diz lá.
Ela disse que este louco não morre.
O que aconteceu?
Um cão mordeu-me.
Deve ter sido um mutante.
Viste-o?
Recusou-se a falar e fugiu.
Pode ter infetado o tecido cutâneo.
É vidro?
Ele vai ficar bem?
Vou dar-lhe a vacina do tétano e ele deve recuperar.
Tymek.
Tymek.
Tymek.
Tragam já oxigénio!
Aguenta, Tymek.
- Filho. - Tymek, meu querido.
Mamã! Socorro!
- Parece que ela... - Larga a miúda!
- Socorro! - Vou chamar a Polícia.
Ela é louca.
Mamã, não!
Socorro!
Socorro!
Mamã, não!
Mamã!
Socorro!
Socorro!
Tradução e Legendagem PEDRO MARQUES RTP - Produção
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