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Um gigante.
Um gigante...
Um gigante.
Atende.
Aquele homem espera por ti.
Deixa-me fazer o meu trabalho.
O alemão com quem a Ada falava era muito alto?
Ainda não o apanhei, mas o cúmplice dele é alto.
Podes ir direita ao assunto?
A Ada falou de um gigante nas notas que encontrei em Broumov.
Notas, ótimo. Vou mandar recolhê-las.
Não é preciso, eu conto tudo quando voltar.
Lena?
Que maravilha.
Espetacular.
Desanda, malcheiroso.
Seu fedorento do caraças.
Ada?
Rafal!
Sai daí, Rafal!
É um antigo túnel alemão, deve levar à mina de Thorez.
Mas que raio?
Porque é que o Landauer precisa de uma passagem para a mina?
Não sei de nada, juro.
Ele cavou tudo sozinho?
Uma fatura de um hotel perto da barragem.
Inclui alojamento e refeições.
É estranho, ele tem um quarto no sanatório há uma semana.
Leva-os e vai dar uma vista de olhos.
Vocês tratam do gigante.
O Majcher vai investigar os túneis.
Nem teve tempo para desfazer as malas. Sai mesmo a ti.
Há algumas roupas no saco.
Vai dormir.
Porque não estás a dormir?
Podemos ir ao espaço, mamã?
Só se prometeres que vais dormir depois.
Ajudas-me?
Incrível.
Que lindo.
- Esta é a minha preferida. - A sério?
Pai!
Pai!
- O que foi? - Pai.
A que sítios é que ela ia aqui perto?
Nenhum. Ficava na cama, a ler.
Esta banda desenhada manhosa?
Há aqui alguns tesourinhos.
Como este, de 1954.
Esta raridade custa o mesmo que a revisão do meu carro.
O que é isso?
Acho que não é nada.
Quando ela vem cá, a que sítios vai?
Nenhum, já disse. Achas que escondo alguma coisa?
Toma a medicação.
Tenho de voltar a Walbrzych.
- Lena. - É importante, pai.
3 maio - 1h15
3 dias desde o desaparecimento das crianças
Podes analisar as roupas da Ada?
E as notas?
Primeiro, as roupas.
Passaste-te completamente, sabias?
Amanhã às 7h.
Encosta o carro.
Vamos, temos de deter o Landauer.
Vamos atacar a canalha.
Mas somos rufias ou quê? Toca a andar.
Acalma lá os cavalinhos. A tua miúda não foi raptada.
Qual miúda?
- A Lusia é filha da minha irmã. - Acalma-te.
Acalma-te tu. Nem vais ter filhos.
Se não baixares a arma, também não vais ter.
Baixa a arma, Blazej.
Baixa-a.
O Rafal lá em cima
e o Majcher lá em baixo, no esgoto.
Estou a ter um ataque de pânico.
Não consigo ir.
Como se fosse possível.
Que sortudo do caraças.
Estamos na merda.
Para que lado, Rafal?
Está escuro como o teu cu.
Devia ter estudado mais.
Porque haveriam de vir aqui pescadores?
Para pescar ratazanas?
O que te fizeram?
Cabrões.
Estou contigo.
Encontraste alguma coisa?
Só isto.
Para onde levaste os miúdos?
Envia isso.
É bom voltar ao meu trabalho antigo.
Toma, Kris.
Já está.
Estás aí?
Szolc, vai pela esquerda.
O sacana esfregou-se na minha perna!
- Fedorento de um raio! - Apanhem-na.
"À Vossa Proteção recorremos, Santa Mãe de Deus.
"Não desprezeis as nossas súplicas nas nossas necessidades,
"mas livrai-nos sempre de todos os perigos,
ó Virgem gloriosa e bendita."
Bolas.
Polícia! Mãos no ar!
É arriscado.
Está acusado de sequestro de cinco crianças e da tutora.
E se nos fôssemos aquecer juntos?
Escolheu a pessoa errada.
Eu não bebo.
Espero que tenha outras fraquezas.
Adoro.
Brutalidade acima de tudo.
Temos de continuar a tentar.
Os efeitos ainda não duram muito tempo.
De certeza?
Nunca dei uma dose destas.
Não é só pelas cicatrizes.
Eu sei.
Teste de Ovulação
Está no período fértil
Konstanty, mudança de planos. A partir de agora, só doses grandes.
E vou levar o Adrian para Wroclaw.
Isto é que é uma revitalização.
As minas de carvão são uma relíquia do passado?
Parece que esta atividade,
associada a tempos sombrios de transformação...
Lena.
Lena, abre! Sou eu!
Já reparei que estás na mó de cima.
Esta é a camisola. Os técnicos que a analisem.
Muito bem, vamos analisar.
Apanhámos o alemão, o Landauer.
E agora?
Estamos à espera. O fidalgo pediu um advogado.
... apoia a ciência, não só a nível local.
Pois é. É a base do meu sucesso.
A minha fundação não distingue os objetivos sociais dos científicos.
O bom é bom, seja o que for.
- Parabéns. - Obrigada.
Obrigado pelo seu tempo.
Rafal.
Por favor, deixa-me assistir ao interrogatório.
Despacha-te, Adrian.
Põe-te a andar, Adrian. Sai daqui, puto.
Encosta o carro.
Que giro.
Deve ser a Lena Opalinska.
Acompanho a sua carreira.
É a Marta Czarnecka, a empresária visionária.
Pensei que a Polícia tivesse revistado a área.
Não estou à procura de nada.
O que faz aqui a uma hora destas?
Desculpe, estou com pressa.
Sei que as perdas são difíceis. Toda a gente precisa de apoio.
O meue-mail deve ter ido para ospam.
Venha ter comigo logo às oito. Não vou deixar que recuse.
- Olá. Uma perguntinha. - Bom dia.
Nos últimos tempos, vendeu vários pares de botas
de diferentes tamanhos desta marca?
Não lhe sei dizer. Deixe-me ver os registos.
O computador avariou há três dias. Apontamos tudo.
Aqui está.
Sete pares de botas, incluindo botas de pesca.
São 14 mil zlótis.
Quem comprou? Consegue ver sem o computador?
Querida, quem comprou as botas de pesca de 2 mil zlótis?
O teu amigo, o Smolarz.
Também comprou redes, luvas e peneiras.
Quase nem lhe cabia no carro.
- Obrigado. Adeus. - Adeus.
Como conheceu a Ada Opalinska?
Criámos uma amizade polaco-germânica em regiões esquecidas.
Isso é proibido?
Vá-se lixar. Essa amizade pode dar-lhe 15 anos de cadeia.
Fui contratado por colecionadores anónimos
de livros da II Guerra Mundial.
Acho que foi no Mausoléu que todos os portões foram destruídos.
Seja mais direto, por favor.
Aluguei a garagem do Tyczka para chegar lá.
Pensei que a garagem estava ligada ao Mausoléu.
Mas não está, pois não?
É por isso que falava com uma miúda de 16 anos?
Paguei-lhe para investigar notícias
da biblioteca que removeram do castelo de Fürstenberg em 1945.
E no que deu isso?
Estamos a falar de uma menor!
Já trabalhei com muita gente, mas a Ada é a melhor.
A Ada Opalinska
referiu-se alguma vez
ao Sr. Tyczka como "gigante"?
Nunca.
Nunca.
O Tyczka é o Tyczka, o Gigante é o Gigante.
O Gigante é o Gigante...
Vocês, os polacos, adoram teorias da conspiração.
O que se passa?
Isto é o seu telemóvel.
Também falava com os amigos da Ada, o Filip e o Tymon.
Eles eram o músculo, a Ada era o cérebro.
Ela é inteligente.
Eu sei, desculpe...
Desapareceu outra criança.
Mas que merda...
- Onde? - Perto dos ciganos.
Pesquisei na Internet e encontrei esta fotografia.
Ala Skarzynska. Em cima, segunda a contar da direita.
Vai ter com os pais, é urgente. Sabemos a morada?
Rua Lakowa, número 78, apartamento 12.
Acionem todos os carros-patrulha.
Não voltem sem ela. De preferência, tragam os seis.
Sim, chefe.
Miúdo, vem cá.
Já brincaste com esta rapariga?
Porque perguntas a esse rufia? Temos de encontrar o músico cigano.
Ele costuma estar com crianças.
- Estão atrás do Luka! - Como assim?
Desapareceu uma branquelas.
- Suszka, toda a gente sabe. - Foi outra.
Esconde-te, Luka. Estão outra vez atrás de nós.
Tenho de me esconder feito ratazana porque não sabem proteger os miúdos?
Estou a proteger-te. Vai para cima.
Bom trabalho.
Caracolinhos, onde anda o vosso violinista?
Estás a ouvir? Onde está?
- Tem calma, Blazej. - Está bem.
Vou começar por ter calma.
Desaparece quando eu disser "abracadabra".
Adoro-te, minha fada.
Conta até 20 antes de dizer "abracadabra", está bem?
Qual é a pressa?
Há algum incêndio?
Viemos à procura do seu filho. Ele está em casa?
Não.
Podemos certificar-nos?
Fiquem à vontade.
Porque não atendes?
- Estou a trabalhar, raios... - Preciso de ajuda.
- Não é o teu trabalho? - Diz lá.
Os teus amiguinhos perseguem ciganos por diversão.
- Estão a assustar os miúdos. - Luka.
Não percebo. Não posso...
Olha, decide de que lado estás.
Merda!
Miúdo, preciso de um favor.
Pede a alguém para ir a Podgórze, passa-se alguma coisa lá.
Estás a ver estes agentes grandes, Suszka?
Tentaram intimidar um cigano que acabou por desaparecer.
Calma, Blazej.
Anda, Suszka.
Vamos dar de comer aos miúdos que temos nas jaulas.
Agora também andas atrás de ciganos velhos?
Tira-os daqui.
As nossas crianças?
O que foi agora? Intimidaste os miúdos ciganos.
Estamos condenados a ser culpados por todos os males que vocês fazem.
E tu gostas disso. Onde estão as nossas crianças?
Já reparaste que nunca se ouve falar
de crianças ciganas a desaparecer?
Porque adoramos as nossas crianças e sabemos tomar conta delas.
E nós não adoramos as nossas?
Não adoramos?
O que raio estás a fazer?
Para onde estás a olhar? Chama a ambulância.
Credo, demorou.
A vida da minha filha está em jogo.
A Ala estava a brincar com os miúdos no quintal.
Ela ri-se muito, não era preciso vigiar pela janela.
Estava a brincar com quem?
- Com as crianças. - Quais?
Aquelas ali.
Foi tudo muito rápido.
Olá, meninas.
Brincaram com a Ala hoje?
Muito bem. Estava lá mais alguém?
Ele voltou aqui.
- Quem? - O tipo que vai à escola.
Quem vai à escola?
Anda sempre com uma faca e corta o antebraço assim.
Corta o antebraço?
Podem descrever o aspeto dele?
É um velhote cego de cabelos brancos.
É magro e não magoa as crianças, só a ele mesmo.
Magoa-se a ele mesmo?
Quando sangra, tenta tapar os desenhos com o sangue.
Depois, põe-lhes a mão de uma forma estranha.
Nos desenhos que estão no chão?
- Ele desenha e o sangue... - Ele desenhou hoje.
Vi a Ala a ir ter com ele.
Deu-lhe a mão e desapareceu.
Chamam-lhe Sznirel.
Fizeram um bom trabalho.
Se alguma vez pensarem em ser agentes da Polícia...
... liguem-me primeiro, está bem?
Olha, enganámo-nos bem. O Gigante não é um homem.
Cheira-me a grandes novidades.
É o"riese". Devíamos investigar lá.
Como é que a Ada andou 20 km com crianças sem ser vista?
Não ouviste o Landauer? Ela conhece os túneis como ninguém.
Até pode conhecer,
mas não me lembro de ela estudar em Hogwarts.
Desapareceu outra criança, Lena. Tenho uma pista.
- O quê? - Um sem-abrigo chamado Sznirel.
Pode ser quem procuramos.
Dizem que desenha coisas estranhas no chão.
Chegámos ao pântano,
os cães não detetaram vestígios das crianças.
E vocês?
Dá-lhe isso.
Perseguir ciganos àquela hora? Que falta de decência.
Vai uma salsicha?
Já reparei que não andam atrás das crianças.
Já foram à vida?
Ainda andas nas minas de carvão?
O quê?
Meninos, comportem-se.
O avô precisa de ter uma conversa séria com o tio.
Acho que não procuras carvão. Fomos lá e vimos o covil.
Sexo, drogas, satanistas.
Alguém faz uma fortuna com os bilhetes.
Quanto?
O preço de sete pares de botas de pesca.
O Wlodek vende um por 2500 zlótis.
Dois vezes sete, catorze.
Sete vezes 500, 3500. Dá um total de 17 500 zlótis.
Mais uns trocos para o próximo churrasco.
Maldita seja a tua mãe.
Tu sabes que a minha mãe já morreu.
Põe-te na alheta.
Se estivesse viva, eu não aceitaria. Ela ficaria destroçada.
Também vais beijar-me as mãos?
As minhas, não. Dos duendes.
Então, Ruda?
O quê?
No hospital?
Do que estás a falar?
Ruda, o que se passou?
Nunca estás quando precisamos de ti!
- Tymek? - Pai?
- Porque não estás a dormir? - Não consegui e fui correr.
Posso ir aí?
Espera um minutinho.
Já te disse para esperares!
Sim?
Já falaste com a professora Opalinska?
Não atende?
Muito bem.
Olá.
- Como te chamas? - Ala.
Ala...
- O que foi, Lena? - Olá.
- Como se chama a miúda que procuram? - Ala, porquê?
- Encontrei-a. - O quê? Onde?
Vou enviar a localização.
Olha.
Quem és tu?
Ilse...
Ilse.
Vem comigo.
Segura nisto.
Pai, lembras-te da BD da Ada?
Envia-me foto da capa.
Não, tu sabes bem...
Trouxe as tuas coisas.
Trouxe as gotas e tudo.
Obrigada.
Espero ter trazido tudo.
Lena, ouve.
Tens mesmo uma filha?
Com licença, Kacper.
Não consigo.
Pai - 2 mensagens
Olá, sou a Perse.
Finalmente, estamos aqui.
Somos os primeiros desde 1945.
32 horas depois
Vês? Não aconteceu nada.
Vamos sair daqui.
Acorda. Por favor, acorda.
Por favor!
O Adas e a Lusia foram por ali.
Quem são o Adas e a Lusia?
Onde estou?
- Tu trouxeste-nos até aqui. - O quê?
Cuidado.
Socorro! Estamos aqui!
- Aqui! - Já vou.
Meu Deus!
Levanta-te, Witek. Consegues ouvir-me?
- Consegues ouvir-me? - Mamã?
Quero a minha mamã.
Tenta levantar-te.
Estás magoado?
Está tudo bem.
Não se preocupem, o Adas e a Lusia devem ter andado mais.
Está tudo bem.
- Tenho medo. - Tem calma.
Fiquem aqui, eu vou ver o outro lado.
Tradução e Legendagem PEDRO MARQUES RTP - Produção
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