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Yoruba
Zulu
Vocês falam a nossa língua?
Sim. Falamos a vossa língua.
Onde fica a vossa aldeia?
- Pasadena? - Pasadena...
- A leste de Glendale? - Glendale.
Sim, a norte da 134. Que raio estamos aqui a fazer?
Querem vir à nossa aldeia?
Temos comida e sítios para descansar.
Água para tomar banho, companheiros com quem dormir.
Espera lá. Tenho uma pergunta.
Quando falam em "dormir", referem-se a sexo?
Claro.
O papá está em casa!
- Qual é o senão? - Senão?
O que querem em troca?
Apenas saber que satisfizemos as vossas necessidades.
Pergunta complementar:
e se algumas dessas necessidades forem um pouco invulgares?
Cala-te! Seria uma honra aceitar a vossa hospitalidade.
A nossa aldeia não fica longe. Venham connosco.
Até ver, este é o meu universo preferido.
NÃO SALTAR
LI ONLINE QUE O GENÉRICO ESTÁ A TER MUITO SUCESSO
SABEM QUAL É O MEU GENÉRICO PREFERIDO?
E NÃO, NÃO É O DE "A GUERRA DOS TRONOS".
É O DE "MAD MEN"
AQUELE EM QUE A SILHUETA DO JON HAMM ESTÁ A CAIR.
CAPTOU BEM O ZEITGEIST NIILISTA DAQUELA ERA.
MAS NÃO ESTÃO AQUI PARA FALAR DO GENÉRICO DE OUTRAS SÉRIES.
ESTÃO AQUI PARA VER ESTE.
QUE, INFELIZMENTE, JÁ ACABOU.
OU SERÁ QUE NÃO?
SPOILER: O BERT CASA-SE
Não acham estranho que uma tribo primitiva,
sem contacto com o mundo exterior,
sem tecnologia, fale inglês?
Talvez estejamos a falar a língua deles.
Sendo assim, como consigo dizer a palavra "helicóptero"?
É óbvio que eles não têm helicópteros.
Nós dizemos "unicórnio", mas não temos unicórnios.
Não quero falar mais sobre isto.
És um ser lindo.
- Eu? - Nunca ninguém te disse isto?
A minha mãe, mas ela disse que era uma beleza interior.
Queres partilhar a minha cama esta noite?
Sim, por favor.
Obrigado.
É tudo tão fresco.
É como viver na secção de frescos de um supermercado.
Devemos preocupar-nos?
Talvez.
Provavelmente.
Desculpa, tenho os pés feitos num oito.
- O que estás a fazer? - Estes são bons. Vou usá-los.
- O tanas. São meus. - "Meus"? O que significa isso?
Pertencem-me. Fui à Foot Locker e esperei uma hora
até o miúdo idiota encontrar o meu tamanho. São meus.
- Meus. - Não. Tu dizes "teus".
- Teus? - Obrigado. Meus.
- Meus. - Teus.
Obrigado.
Olha, o Kripke fez um amigo.
O que vais fazer só com um sapato? Não, são os dois meus!
- São os dois meus. - São os dois meus.
Bom dia.
Isto é tão bonito, tão tranquilo.
Ainda bem que gostas, porque não vamos a lado nenhum.
- Não conseguiste reparar a máquina? - Eu?
Não, venho de uma longa linhagem de pessoas que chamam um tipo.
- Então, o que vamos fazer? - Não sei.
Procurar uma cabana num bairro com boas escolas?
Céus, tinha-me esquecido dos nossos filhos.
Não faz mal, não te preocupes. Eles não eram reais.
Eram projeções de uma força malévola
que nos mantinha escravizados numa realidade falsa.
- Sim, mas eram nossos. - Sim.
Estamos mesmo presos aqui?
Espera aí.
Tenho recebido mensagens de alguém. Talvez saiba como reparar a máquina.
Aqui não há tecnologia. Como é que se envia mensagens?
As culturas primitivas tinham muitas formas de comunicar:
tambores, sinais de fumo...
E uma terceira coisa.
- Gostaste do sexo de ontem à noite? - Foi fantástico.
Além disso, amo-te.
Então, eu também te amo.
Chana, queres partilhar a minha cama esta noite?
Claro.
Qual é a tua?
- Uma pergunta. - Sim?
Não quero parecer lapa nem nada,
mas pensava que nós os dois tínhamos algo especial.
- E temos. - Então, porque vais dormir com ele?
- Ele convidou-me. - Não gosto nada disso.
Porquê?
No meu mundo, fazemos as coisas de forma diferente.
- Em Pasadena? - Sim.
Quando um homem e uma mulher se amam, são monogâmicos.
O que é "monogâmico"?
Só fazem sexo um com o outro.
E toda a gente em Pasadena faz isso?
Não posso falar por todos, mas muitos deles.
Seguramente, mais do que em Beverly Hills.
E a monogamia faz as pessoas felizes?
Sei que me faria feliz.
Eu quero isso.
Vou pensar na tua ideia da monogamia.
Obrigado.
Tenho uma namorada.
- Obrigada. - Ora essa.
- Estou tão feliz. - Um teu criado.
- Bom trabalho. - Igualmente.
E tu...
Vais receber um bilhete de agradecimento manuscrito.
O que eu não dava por um batido proteico.
Se existem universos infinitos,
talvez haja um em que o inglês tenha evoluído de forma autónoma.
Sem a Inglaterra?
- Desculpa lá... - Sim?
- Isso é merda? - Sim. De urso.
Queres chegar-te à frente?
Porquê?
A vossa gente não procura sinais e presságios em excrementos?
Deve haver quem o faça.
Espera, encontras mensagens em merda de urso?
Sim. Diz-me se vai chover, se as nossas mulheres serão férteis...
Claro. Culturas primitivas, sinais em excrementos de animais.
- Posso juntar-me a ti? - O que estás a fazer?
Se vamos receber mensagens neste universo, talvez seja assim.
- No meio da merda? - Não faço as regras, Denise.
Vais ajudar-me ou ficar aí parada com cara de enjoadinha?
Enjoadinha, sem dúvida.
Por exemplo, reivindiquei esta taça porque não quero os vossos germes.
Ou seja, esta taça é minha. A minha taça.
Todas as taças são iguais, como é que sabemos?
Boa pergunta. Olha aqui no fundo. Deixei a minha marca.
Sei que vocês são todos encantadoramente analfabetos,
mas isto é uma letra.
A letra K, que é como quem diz: "Não toquem na taça do Kripke."
- Diz. - Não é melhor partilharmos tudo?
Para uma comuna esquerdalha, talvez,
mas não preciso de te dizer como isso acabou.
Como é que isso acabou?
Esta é a minha taça. Não toquem na minha taça.
Parece que hoje não há nada para mim.
Boa sorte.
- Acho que isto vai deixar nódoa. - Já acabámos?
Espera aí.
- Anda ver isto. - Não.
Tens de ver isto.
"Usa quartzo vermelho." Onde vamos encontrá-lo?
Não faço ideia.
Talvez em merda de coelho.
- O que estás a fazer? - É meu.
- O que quer isso dizer? - Quer dizer que me pertence.
Mas nós partilhamos as taças. Aliás, nós partilhamos tudo.
Só se fores comuna ou "sociauísta".
Porque estás a chorar?
Não estou habituado a estar feliz.
- Chana? - Olá, Simpa.
Não é uma boa altura, meu.
Ontem à noite, não foste ter comigo para fazer amor.
- Pois, agora sou monogâmica. - O que é isso?
- Só faço amor com o Bert. - É verdade.
- Não gosto de monogamia. - Tem prós e contras,
mas podemos falar sobre isso mais tarde?
Não gosto. De todo.
Agora que fizemos amor, preparo-te uma refeição maravilhosa?
Conheces-me tão bem.
Vocês têm rabanadas?
Quando me deram estes melões, criaram o que se chama "crédito",
que podem utilizar para compras futuras.
Porque não partilhamos os melões com todos?
Pensa lá bem. Se fizeres isso, como pensas enriquecer?
- Tenho uma pergunta. - Diz lá, chefe.
Fala-me da monogamia.
Isso é um pouco complicado.
Digamos que estás a pescar num lago e, passado muito tempo,
apanhas um pequeno peixe azul.
Leva-lo para casa, cozinha-lo, come-lo e é delicioso.
Por isso, decides que só vais comer esse peixe parvo para sempre,
mesmo que outro peixe te dê o seu número de telemóvel.
E se quiseres estar com alguém,
mas essa pessoa estiver numa relação monogâmica com outra pessoa?
Já passei por isso. Tens três opções.
Podes esquecê-la, o que é complicado sem pornografia.
Podes convencê-la a trair o outro tipo,
mas para isso precisas de um carro com vidros esfumados.
Ou arranjas maneira de te livrares do outro tipo.
- Mandá-lo numa viagem? - Sim, ou talvez caia de um penhasco.
Acontece.
Onde vamos encontrar quartzo vermelho?
Não faço ideia. Felizmente, conhecemos um geólogo.
Certo, o Bert.
Vais dizer-lhe que descobriste isso em merda de urso?
- Não. - Posso dizer eu?
Não.
Olá.
Muito bom dia.
Ótimo. Bert, descobri como nos tirar daqui.
E que tal: "É bom ver-te, Bert. O que contas, Bert?"
- Muito bem, o que contas? - Vou casar.
- O quê? - Sim. Pedi a Chana em casamento.
Ela aceitou.
Ela sabe sequer o que é o casamento?
Não, e não lhe digas nada.
Bert, preciso de te fazer uma pergunta sobre geologia.
É sobre quantas vezes um geólogo faz sexo num período de 24 horas?
Porque a resposta é duas.
Não. Onde encontramos quartzo vermelho?
- Porquê? - É para a máquina. Recebi uma mensagem.
- Conta-lhe como a recebeste. - Para.
- Aquilo é quartzo vermelho. - Ótimo. Obrigado.
Duas vezes. Parabéns.
- Podes dar-me esse colar? - Não, é meu.
- O que aconteceu à partilha? - É meu. Não somos comunas.
Kripke.
Teoricamente, é possível que uma sociedade tenha o inglês como língua
sem que exista uma Inglaterra, mas parece-me improvável.
- Foi o que eu disse. - Pessoal...
Claro que podemos estar a falar a língua deles sem saber.
- Eu também disse isso. - Ouçam-me!
- Mais cuidado com o rabinho. - Desculpa.
Já dei uma volta por toda a aldeia.
Só há um pedaço de quartzo vermelho e o Gavel não mo quer dar.
Não me surpreende. Ele também é um amante muito egoísta.
Sem aquele quartzo vermelho, nunca vamos conseguir sair daqui.
- Diz-lhe onde recebeste a mensagem. - Importas-te?
- Porque não o roubas? - Viste o tamanho do tipo?
E então? Esta gente não bate, não luta.
Parece um programa chamado "A Terra dos Coninhas".
És horrível.
Sabes o que respondo a isso, Denise? Respondo...
Recebeste a mensagem ou devo repetir?
Acho que ele está a dormir.
- Achas ou está mesmo a dormir? - Está a dormir.
Acho eu.
E se ficássemos neste universo?
Gostas das casas de banho ao ar livre?
- Porque demoraste tanto? - Não quero falar sobre isso.
É meu.
- E agora? - Não sei.
Talvez aquele monte de merda tenha um plano B.
Boa, Bert. Temos de encontrar outro pedaço de quartzo vermelho.
Esquece isso por agora. Stuart Bloom, queres ser o meu padrinho?
Denise, seria uma grande honra se realizasses a cerimónia.
- Com todo o gosto. - Espera, espera.
- Querida, chega aqui um instantinho. - Estou tão feliz por vocês.
- Então? - Não há problema.
Sou sacerdote certificada da Universal Life Church.
Que não existe neste universo e é uma treta naquele em que existe.
Como queiras, vai lá dizer ao teu melhor amigo
que ele não tem direito a ser feliz.
Caraças.
Bert, ficaria muito contente em ser o teu padrinho.
- Não pareces contente. - Acabaram-se-me os antidepressivos...
A minha taça! É minha!
Que estranho.
Agora.
A nossa vida mal começou
Renda branca e promessas
Um beijo para dar sorte E lá vamos nós
Obrigado.
Antes de o sol nascer Nós voamos
Tantos caminhos para escolher
Começamos a caminhar Mas aprendemos a correr
- Já chega, obrigada. - Claro.
Meu Deus. Vou tentar não chorar.
Bert, Chana,
estão prestes a embarcar numa aventura incrível.
Vão zarpar num barco feito de amor.
E como tornamos esse barco apto para navegar?
Construímos um casco de confiança e um mastro de cedências,
onde fixamos uma vela feita de sonhos.
Já percebemos, um barco.
Quanto a vocês, não sei, mas os casamentos dão-me tusa.
Antes de unirmos este casal nos laços sagrados do matrimónio,
alguém tem alguma objeção?
Eu tenho! Eu tenho!
A monogamia está errada!
Não fomos feitos para nos possuirmos uns aos outros,
nem para possuirmos sapatos, roupas...
- Ou taças. - A taça é minha!
Não, não. A taça é de todos.
Não, a taça é minha.
O que deu a esta malta?
Este não é o casamento com que sonhei.
Minha!
Não, espera, volta! Não...
Esquece, Bert. Isto é "Chana-Town".
Topas?
Caraças.
- Lamento, Bert. - Sim.
Eu era feliz lá.
- Era o paraíso. - Pasadena também é...
... durante a semana, quando o centro não está à cunha.
Vou perguntar só mais uma vez: como é que eles falavam inglês?
Tenho uma pergunta melhor. Estamos finalmente num universo normal?
Parece que sim.
Parece-me bastante normal.
Tradução e Legendagem: Pedro Póvoa / Cinemágica, Lda.
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