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COISAS SECRETAS
Esta sou eu.
Me chamo Sandrine.
Sou a nova garota.
Como veem, trabalho no bar,
e �s vezes tomo conta da chapelaria. Mas n�o gosto muito disso.
Mas � preciso viver...
Para esquecer, observo o espet�culo, as garotas.
Mas a �nica que realmente me fascina � Nathalie.
Ela � minha modelo secreta.
Ela � linda.
Ela sabe como os p�r todos a seus p�s.
A verdade � que,
mesmo que eu n�o goste de admitir,
eu adoraria fazer o mesmo,
faz�-los todos babarem,
e ter o mundo todo a meus p�s.
Se voc� n�o quiser transar com ele, n�o transe.
Meninas, tenho um clube aqui que vai bem.
Por qu�?
Porque aqui os clientes sabem que encontrar�o o que procuram.
� para isso que pago voc�s.
Gosto muito de ti, Nathalie,
tem um belo bumbum que atrai muitos clientes.
Mas sabe que em mim
n�o desperta nada.
Quando a voc�, Sandrine, voc� � livre.
Ningu�m te diz o que fazer.
S� que...
sendo o mundo o que ele �,
cabe a voc� fazer uma escolha.
N�o se deixe impressionar por esse porco!
Idiota!
N�o vai para casa?
Devo tr�s meses de aluguel � minha senhoria.
Se volto sem dinheiro, certeza que ela me joga na rua.
Aposto que o chefe sabia isso.
Merda!
Venha para minha casa, ent�o.
Foi a� que nasceu uma verdadeira cumplicidade entre n�s.
- Quer comer alguma coisa? - N�o, obrigada.
Champanhe?
Onde voc� mora?
Num quarto de criada min�sculo, em Montmartre.
No come�o, eu estava feliz,
mesmo caro e min�sculo, era a minha casa.
Mas depois de todas aquelas noites sozinha...
Voc� mora sozinha?
N�o tem namorado?
Terminamos logo depois de eu ter me mudado.
Era mais um amigo que outra coisa.
Mesmo que dorm�ssemos juntos.
E eu n�o larguei meus pais para se tornar prisioneira novamente.
- Como era com ele? - Em que aspecto?
Como era o amor com ele?
Era bom ocasionalmente...
S� uma vez,
foi no carro.
Ele estava dirigindo e eu estava com a m�o esquerda em meu joelho.
Ele largou o volante,
pegou a minha m�o e levou-a docemente at� as minhas coxas.
E sempre muito docemente, me obrigou a me acariciar.
Daquela vez eu senti alguma coisa.
Mesmo assim, no dia seguinte a gente se separou.
E voc�?
Nada de especial. Estudei ballet,
conclu� o ensino m�dio...
e vim parar nesse bar.
- Posso te fazer uma pergunta? - Manda.
Uma pergunta indiscreta.
Pode falar.
Desde que entrei nesse bar, eu...
O que voc� sente ao dan�ar assim nua em frente de tanta gente te olhando?
Nada.
- Mas voc� os excita. - � quase sempre uma rotina.
Quase sempre?
Um dia, no palco, tive um orgasmo extremamente intenso.
Mais intenso do que com um homem?
Nessa noite, tive o orgasmo mais intenso da minha vida.
- Por qu�? - Porque todo mundo estava me olhando.
Por causa dos homens que te olhavam?
Por causa de todos que estavam me olhando.
Me excitou muito e eu gozei.
Voltou a acontecer v�rias vezes.
Ent�o, � isso?
� isso o qu�?
Que te faz t�o sedutora.
Isso aconteceu esta noite tamb�m?
Nem sempre temos essa sorte.
Ficou incomodada com o que eu disse?
N�o.
Tenho inveja de voc�.
Eu nunca teria coragem.
Coragem de qu�?
Se apresentar nua?
Gostar de excit�-los? Ou gozar, simplesmente?
Todas essas coisas.
Para come�ar, n�o sou muito bonita.
Isso � o que todas as garotas dizem.
Eu tamb�m estava com medo naquela noite.
- Na noite em que... - Sim.
Tinha bebido um pouco de champanhe,
como hoje.
O suficiente para me sentir leve.
Bem... Sem estar b�beda.
E eu tive coragem...
E gozei violentamente.
Estou chocando voc�?
Como eu disse, eu invejo voc�.
O que te impede de fazer o mesmo?
Nunca teria coragem.
Voc� est� b�bada?
N�o.
N�o. Estou bem.
Vamos jogar um jogo ent�o.
Que jogo?
Um desafio.
Ouse passar, na tua cabe�a, essa linha proibida
que nenhuma das suas amigas passar�.
Isso te dar� prazer.
De fato, o meu desejo era fugir dali o mais r�pido poss�vel.
Fique sentada, n�o vou saltar em cima de voc�.
Tudo tem que acontecer primeiro em sua cabe�a.
Muito bem!
Agora, fecha os olhos
e se deixe levar.
O resto vem automaticamente.
V� para a cama.
Ao mesmo tempo, dizia a mim mesma, qual o risco disso tudo?
Pode ir embora quando quiser...
Por isso... Ter� coragem?
Deite-se embaixo do len�ol.
Tire sua roupa.
Feche os olhos.
Se deixe levar.
Toda vez que voc� hesitar,
fa�a um pequeno esfor�o para continuar...
e para ousar ter prazer.
Acaricie docemente o seu corpo.
Tente descobri-lo.
Sem nenhuma vergonha.
Aflore a sua pele...
Procure os locais que te d�o prazer.
Passe docemente a m�o por suas coxas,
pelo interior das suas coxas.
Est� bom?
Retire o suti�.
Agora a calcinha.
Volte a se tocar.
Est� bom?
Continue.
Agora, tire o len�ol.
Voc� � linda.
Deixe-se impregnar pelo prazer de estar nua e de ser olhada.
Est� bom?
Continue at� o fim.
Agora.
Boa noite.
- Onde voc� dormiu? - Tenho outro quarto ao lado.
- Como se sente? - Por um lado, muito bem.
Eu estou aqui... voc� est� a�.
Por outro, h� a minha senhoria.
Vou ter de negociar.
Encontrar outro trabalho.
Quer vir morar aqui?
Tenho um dinheiro sobrando, posso te emprestar enquanto resolve isso.
Depois voc� me paga.
Sim, isso me ajudaria muito.
Vai ser divertido.
Mas n�o vou te incomodar? Deve ter amigos...
Nunca os recebo em casa.
Gosta de mulheres? Eu n�o sou l�sbica.
Eu tamb�m n�o.
Mas estou farta de ficar sozinha
e n�o quero ter um homem sempre por perto.
Al�m do mais, n�o sei,
acho que gosto de ti.
Anda, se mude e a gente procura um novo emprego para n�s duas.
Bom dia, mam�e.
Bom dia.
Ent�o, mudou de casa?
Me conta... Espera, pegue isso...
Cuidado com as migalhas. Como sua amiga �?
Simp�tica.
Temos um quarto cada uma. E ela nunca me pergunta nada.
N�o preciso justificar tudo que eu fa�o para ela.
Encontrou algum trabalho?
Espero que n�o seja como gar�onete, como no outro restaurante.
Ali�s, tenho certeza que aquilo nem era um restaurante.
Talvez v� trabalhar para um escrit�rio,
como contadora ou secret�ria.
Olhe nos meus olhos.
N�o est� mentindo, n�o �?
N�o, te juro.
Venha c�, me d� um beijo.
E diga oi ao seu pai.
- Onde ele est�? - Ali.
No jardim.
Toda manh� ele fica andando por a� por horas.
Esperando algum telefonema que trar� um novo emprego.
Pobre papai.
Ao menos, podia aproveitar para te levar ao cinema ou ao teatro,
ou para passearem, n�o?
Nessa �poca, respondi a v�rios an�ncios de emprego!
Conheci chefes de pessoal.
Mas apenas nas pequenas empresas, porque nas outras
� imposs�vel ultrapassar os subalternos.
Em retrospecto,
tenho certeza que Nathalie intencionalmente me fazia
passar por tudo aquilo.
Um dia, est�vamos as duas no metro,
e est�vamos ambas cansadas.
Sabe o que acho? Que estamos fazendo do jeito errado.
Estamos fazendo exatamente o que a sociedade manda.
Sem dinheiro, nem rela��es,
nunca vamos conseguir nada.
Daqui em diante, vamos usar a nossa aud�cia e o nosso corpo
para subir na escala social.
N�o seremos as �nicas!
N�o podemos nos sentir intimidada por nossa timidez
e ir mais longe e melhor que todas as outras garotas.
Vamos. Vamos come�ar agora.
- Como assim? - Entendeu muito bem.
- Retire discretamente o suti�. - Agora? Aqui?
- N�o consigo. - Vai.
- Com todo mundo em volta? - Ningu�m vai ver.
Olha.
� a sua vez.
Finja que � completamente normal.
Coloque a bolsa no colo para esconder.
Comece a se acariciar.
Um cara nos viu.
Aquele a esquerda.
Continue.
Como se sente?
Estou com um pouco de medo...
mas ao mesmo tempo me excita estar sendo observada.
Mostre-se agora.
Depressa!
Anda...
Claro que pararmos ali teria sido muito f�cil.
Mas ela sabia muito bem
que havia c�maras de vigil�ncia em todas as esta��es.
Agora, vai.
Achei que n�o gostava de mulheres.
Quero te fazer gozar.
- J� nos viram. - N�o interessa, continua.
Depressa, vamos.
Depressa.
Era uma sensa��o estranha,
estarmos as duas nuas debaixo dos nossos casacos,
no meio da multid�o que nada via.
Esquisito, mas muit�ssimo agrad�vel.
Por isso, continuamos.
Eu tinha come�ado a criar coragem,
e isso me dava uma esp�cie de superioridade
sobre todos aqueles com quem passei a cruzar na rua.
Bom...
Pr�ximo cap�tulo.
Os homens, o manual.
Primeiro, escolha um bom.
Mas n�o transe com ele.
Finja que � uma garota inocente que est� aprendendo tudo,
e que o escolheu como protetor.
N�s todas podemos fazer isso.
Os homens querem sexo e depois partir para outra.
Por isso n�o podemos transar com eles.
Ou pelos menos n�o necessariamente.
Estude eles, deixe-os falar.
Tente descobrir os seus pontos fracos e o que os entusiasmam,
dinheiro, carros...
N�o sei, dinheiro, emprego.
Quando descobrir, bajule eles.
A�, assim que tenha escolhido um, pode ceder a ele.
Mas n�o logo de cara.
Pois sen�o ele vai achar que � uma garota f�cil.
Mas tamb�m n�o fa�a ele esperar muito tempo, sen�o ele pula fora.
Depois de tr�s ou quatro jantares, solte tudo que voc� tem.
D� prazer a ele e fa�a com que ele pense que s� ele pode fazer voc� gozar.
Finja que � um garota obediente e feliz.
Mas n�o por muito tempo.
Na cama, n�o demore muito para parar com os joguinhos.
Ele vai ficar incomodado quando voc� n�o gozar mais.
E a� largue ele e o traia.
Abertamente.
Em aventuras gratuitas.
Se poss�vel, tamb�m com uma mulher.
Isso vai humilhar ele.
Isso o deixar� louco e ele vai voltar de joelhos para voc�.
- E isso funciona sempre? - Quase sempre.
� o grande mist�rio da natureza humana.
A gente se prende a pessoas que resiste a n�s e nos escapa.
Quem te ensinou tudo isso?
A vida... A minha m�e...
Mas n�s �ramos uma fam�lia pobre.
Tamb�m li muito.
Tamb�m estudei, assim como voc�,
o que n�o nos impediu de nos encontrarmos no mesmo bar de strip.
N�s, as mulheres, n�o temos confian�a em n�s, n�o temos coragem.
� sempre preciso que algu�m esteja atr�s de n�s, a nos encorajar.
De certo modo somos como prolet�rias.
A minha m�e dizia que ela sempre seria uma
porque ela n�o tinha coragem de crescer na vida.
"Tenha coragem!", ela me dizia sempre.
Ela conhecia muito bem a natureza humana.
Entretanto, eu nunca gozei com um homem.
Eu sei, e est� muito bem assim.
Sim... bem, como maneira de falar.
Sim, em breve voc� entender�.
Como voc� fazia com o seu namorado?
Eu fingia.
Por qu�?
Porque eu queria Ihe dar prazer.
N�o.
A verdade � que voc� se sentia culpada achando que o problema era voc�.
Estava enganada. Li��o n�mero tr�s:
uma femme fatale �, em geral, narcisista ou l�sbica,
fr�gida com os homens.
S� goza quando sente vontade,
o que n�o acontece com frequ�ncia.
Esse � o poder dela. As acompanhantes de luxo...
Voc� quer me transformar numa prostituta de luxo?
N�o, estou explicando a vida para voc�.
Como eu estava dizendo: com as acompanhantes de luxo,
todo homem espera ter �xito onde os outros falharam.
Por orgulho, eles est�o prontos a pagar fortunas
para desfilar presun�osamente ao lado deles.
Um pouco de frigidez com os homens ajuda muito.
Rapidamente voc� se torna dependente da arma do sexo.
E voc� deve deixar que os escravos sejam outros.
Agora voc� j� sabe ter prazer consigo mesma. Est� livre. Entende?
- E quanto ao amor? - � o nosso inimigo n�mero um.
O verdadeiro risco desta hist�ria.
Durante a guerra, se voc� come�a a pensar, voc� morre.
Quando voc� se apaixona, voc� se fode!
A vida que levava at� aqui foi uma maravilha?
Seja realista.
Se voc� quer sair da sua situa��o, n�o tem alternativa, ningu�m vai te ajudar.
Mais tarde voc� pode ter um grande amor.
Agora, me mostre como finge.
Era assim que fazia com o seu namorado?
E voc�, como fazia no palco?
Imitava os meus verdadeiros orgasmos.
Ok, mais uma vez.
Ent�o, gozei ou n�o?
Por qu�? Voc� fingiu?
Sim. Bem, mais ou menos.
Que bom.
� realmente dif�cil fingir quando voc� n�o est� sentindo nenhum prazer.
S� tem escrit�rios aqui.
Voc� n�o quer que eu trabalhe ali, quer?
Quero.
Foi por isso que me vestiu como uma burguesa?
Eu n�o vou fazer isso. N�o consigo...
N�o, n�o consigo. Os escrit�rios lembram o meu pai.
N�s somos bonitas! Pod�amos tentar a moda, o espet�culo...
O cinema!
Nesses meios, garotas como n�s existem aos montes.
Lembre-se do bar onde come�amos.
Nos escrit�rios, h� menos concorr�ncia.
N�o � s� isso. Voc� mencionou seu pai.
Tenho certeza que tudo que ele fez na vida foi trabalhar.
Sim, para pessoas que nunca Ihe mostraram reconhecimento.
Ele devia ter as suas fantasias.
Esque�a que ele � seu pai. Imagine ele como qualquer outra pessoa.
Acha que ele tinha fantasias?
Como todo mundo!
E as partilhava com a sua m�e?
Acredite, ele n�o as partilhava com ningu�m.
Revistas e filmes pornogr�ficos, talvez uma prostituta...
Mas sempre �s escondidas e envergonhado. Estou errada?
Sim, � verdade que um nerd fracassado, que nunca viveu,
seria uma presa f�cil.
Agora, pensa em homens como ele,
mas mais bem colocados na escala social.
Esses ser�o nossas v�timas.
- Bom dia, meninas. - Bom dia.
- Est�o aqui por causa do an�ncio? - Sim.
Sentem-se por favor. Voc�s ser�o chamadas.
E a�, fiquei realmente surpresa com Nathalie.
Aquele era o chefe de pessoal.
Passou ali por uns segundos apenas.
Achei que ele n�o tinha olhado para ningu�m...
N�o sei como ela fez.
Talvez a sua maneira de cruzar as pernas, ou de as abrir?
No entanto, ela n�o mostrou de fato os seios.
Nem as pernas.
Talvez o olhar.
- Garota? - Eu?
Por favor.
Voc� tamb�m.
Fomos as duas contratadas.
Eu no departamento de estat�sticas, num servi�o onde todos faziam contas!
Bem, eu n�o era boa em matem�tica!
A verdade � que eu era s� secret�ria e, digamos, pau para toda a obra.
Mas Nathalie se tornou assistente pessoal
do chefe de servi�o de Recursos Humanos, como dizem agora.
E ainda por cima, foi para a sede.
�amos ficar separadas, ela ia ficar no Champs Elys�es.
Eu estava com um pouco de inveja.
Voc� trabalha aqui no escrit�rio central,
na GE, quer dizer, na Gest�o de Estoque.
Somos o c�rebro da empresa.
Todas as pessoas aqui s�o seus colegas,
cada um encarregado de uma s�rie de produtos.
E ali, em sua mesa, est� o sr. Cad�ne,
seu superior.
O homem que est� conversando com ele � o sr. Delacroix.
Os dois homens importantes do grupo Barnay
s�o o sr. Delacroix e o velho Barnay.
Mas este tem 65 anos e est� muito doente,
raramente o vemos.
O verdadeiro respons�vel � o sr. Delacroix.
Ele � muito am�vel, voc� vai ver.
As vezes um pouco distra�do,
mas a autoridade nem sempre � f�cil.
E ele?
� o filho Barnay,
nosso diretor geral. Chama-se Christophe.
N�o o vemos muitas vezes aqui no escrit�rio,
mas por raz�es menos graves que o pai.
Um homem cheio de charme,
mas perigoso.
Senhor...
Queria apresentar a nova garota.
Bom dia, senhorita.
N�o, fique sentada.
Espero que voc� goste daqui.
Est� no departamento mais importante da empresa.
E tamb�m o mais interessante.
Se voc� trabalhar bem, pode esperar grandes coisas.
Ser� uma das raras mulheres na empresa.
Quase a �nica entre 35 homens.
N�o os deixe mimar demais.
Boa sorte, senhorita.
At� logo.
Se puder, fique um pouco mais esta tarde.
Apenas para nos conhecermos.
Desculpe.
Ent�o, est� gostando daqui?
O que te interessa mais no seu trabalho?
� muito cedo para dizer.
A verdade � que queria ter o m�ximo de atividade poss�vel.
Saber tudo sobre a empresa.
Entende...
tive uma desilus�o. - No amor?
Ainda n�o me recompus e queria tentar esquecer.
Me atolando no trabalho.
N�o quero ir para casa muito cedo,
e gostaria de fazer horas extras.
De trabalhar.
Mesmo depois de todo mundo ter ido embora.
Voc� vive sozinha?
Que indiscri��o, desculpe.
N�o, com uma amiga.
Vou tentar cuidar disso.
As horas extras, digo.
Tem algum conhecimento de inform�tica?
S� os da escola.
Eu fiz s� o ensino m�dio.
O software da empresa est� sendo trocado completamente.
Vai ser preciso transferir todos os dados para o novo sistema.
Posso colocar voc� envolvida nessa tarefa.
Muito bem. Obrigada.
Desculpe, senhorita, n�o percebi que era t�o tarde.
N�o tem problema. Pelo contr�rio.
At�.
Voc� n�o vai embora nessa chuva.
N�o quer esperar comigo no bar ali da frente?
N�o, obrigada.
Ent�o me deixe pelo menos te levar at� o metr�.
N�o � preciso, obrigada.
Essa foi boa, falar do seu cora��o quebrado.
Qual o nome dele?
- Cad�ne. - Robert Cad�ne?
Sim.
Eu tenho informa��o sobre todo mundo.
N�mero de telefone, estado de sa�de, endere�o...
- Inclusive informa��es confidenciais. - Segredos?
Cad�ne, 35 anos, fez gest�o comercial, mora no 20� bairro.
Sem opini�o pol�tica. Observa��o:
Rapaz inteligente, profissionalmente eficiente.
Recebe tratamento especial da empresa, que assim o controla melhor.
Procura uma mulher distinta e atraente,
para receber convidados aos s�bados, domingos e feriados.
O �nico homem realmente importante �
� o Barnay Jr.
Quando o velho morrer,
ele se torna n�o s� o chefe de toda a empresa,
mas o dono de todo o imp�rio do pai.
Mas, infelizmente, sobre ele, n�o tenho nada,
al�m das fofocas da empresa.
Ele tem uma irm�...
- Por que ele n�o � casado? - Gosta muito de mulheres.
Um grande desafio para n�s.
Como assim?
� um tipo perigoso.
Quase imposs�vel de domar.
Temos que ter cuidado com ele.
Mas logo abaixo dele est� o Delacroix.
49 anos, casado h� 22, dois filhos de 16 e 18 anos.
Joga t�nis toda ter�a-feira de noite.
Vive pela fam�lia e pelo trabalho.
Mais pelo trabalho, na verdade.
Tem um belo apartamento em Neuilly.
Nunca teve caso com mulheres.
O alvo ideal.
Por enquanto, continue sugando Cad�ne,
que pode nos ser �til mais para frente,
mas Delacroix ser� nosso alvo principal.
Almo�a aos s�bados com a m�e, depois de sair do escrit�rio.
Como vai?
N�o quer que te traga um cafezinho?
N�o, obrigada.
- Talvez um copo de �gua? - N�o, obrigada.
- Um suquinho de laranja? - N�o � preciso.
Vamos tomar uma bebida juntos esta noite?
N�o, obrigada.
- At� logo, ent�o. - At� logo.
Tem a maquete hidr�ulica do Port Cergy?
N�o a encontro no computador central.
Todas as informa��es est�o bloqueadas at� amanh�.
Merda!
N�o podemos fazer nada. Vamos parar. Amanh� continuamos.
Senhorita, pode me passar as faturas da sra. Castaldi,
do sr. Gu�diguian,
da SACIF
e da SOCIETEP. Obrigado.
O senhor deveria promov�-la.
- Quem? - A garota nova. Sandrine.
Ela � s�ria e muito trabalhadora.
Am�vel, simp�tica com todo mundo
- Ent�o, a ventoinha do teto? - Est� aqui.
Minha bolsa!
Mam�e!
Mam�e, o que foi?
- Est� ferida? Voc� caiu? - N�o foi nada.
- Est� magoada? - N�o � nada, filho.
Agrade�a a esta garota.
Obrigado. Mas voc� �... a nova garota do escrit�rio.
E o senhor � o sr. Delacroix. Que estranho!
- Bom dia, senhor. - Obrigado.
Ent�o, o que aconteceu?
Um rapaz tentou roubar a bolsa da sua m�e,
e eu consegui impedi-lo. � tudo.
Voc� mora por aqui?
N�o, passei por acaso.
Mas n�o foi nada.
Vou embora.
N�o deixe-a partir assim.
N�o me incomode. Senhorita!
- Como posso agradecer? - N�o foi nada. Adeus.
Obrigada.
Aqui...
Assim mesmo.
N�o, come�amos por aquele...
- A Sandrine est� a�? - Est�.
O Sr. Delacroix quer que v� ao gabinete dele.
- Imediatamente? - Sim, imediatamente.
Sr. Delacroix.
Sandrine.
Bom dia, senhorita.
Sente-se, por favor.
Tudo bem...
A minha secret�ria est� sobrecarregada.
Decidimos criar um novo posto de trabalho para a aliviar um pouco.
E eu pensei em voc�.
Ganharia mais e o trabalho ser� mais interessante, a longo prazo.
O que voc� acha?
Posso fazer uma pergunta sincera?
Com certeza, por favor.
� por causa da hist�ria com a sua m�e que me prop�e isso?
Sim, quer dizer... N�o, eu...
Escute, senhor,
n�o preciso que me agrade�am por ter feito o que fiz.
S�rio.
Preferia aceitar um posto de verdadeira responsabilidade
no dia em que o senhor me considerar capaz, gra�as ao meu trabalho.
Mas estamos todos muito contentes contigo.
N�o me leva a mal?
N�o.
Posso ir agora?
Com certeza, senhorita.
Talvez eu tenha exagerado. Por isso...
Tem de comer esse.
N�o, olha este.
N�o tem nada dentro.
- Exato. - Aqui est�.
- Isso se come? - Mastigue...
C� estamos.
Me sinto verdadeiramente bem contigo.
Eu tamb�m.
Realmente bem.
Est� zangado?
N�o consigo.
� sua �ltima experi�ncia que te perturba?
Eu tinha esquecido completamente da minha decep��o amorosa.
- Voc� deveria me contar sobre. - Contar o qu�?
Faz bem conversar.
Alivia.
N�o consegui esquecer completamente.
S� comecei a melhorar depois de dois anos.
Felizmente, tenho o trabalho, o escrit�rio,
a simpatia de todo mundo.
Por isso que recusei a promo��o.
Acho que estou me apaixonando por ti.
� cedo demais.
Mais tarde, talvez...
Pelo menos aceite, por favor. Aceite a promo��o.
Pedirei que esque�am a sua recusa.
Me promete que aceita?
Est� bem.
- Obrigada. - Pelo qu�?
Pelo cinema, o restaurante.
Por tudo.
Invejo aquele que casar contigo.
Quem era?
Me assustou.
- Ent�o, quem era? - De quem est� falando?
Para com isso, era o seu chefe de servi�o?
Ou algum verdadeiro amante?
Voc� � um sacana.
Voc� nunca fala nada, igual os homens.
Eu conto tudo sobre a minha vida,
mas eu n�o sei nada de ti.
Vamos l�, eu n�o sou um homem ciumento.
Sou supersticiosa...
Se n�o era o seu chefe de servi�o, era o verdadeiro amante?
Voc� n�o confia em ningu�m!
Estou escondendo ele, porque � s�rio.
Quero ter certeza que ele � bom para mim.
Caramba! Que sonsinha!
H� que admitir que ela tinha coragem!
A verdade � que ela o escondia porque tinha medo de mim.
Mas eu nunca roubaria seu homem!
Al�m do mais, ela estava gozando com minha cara.
Suas belas li��es sobre o amor, nosso inimigo n�mero um,
aplicava-se aos outros, mas n�o a ela pr�pria!
- Senhorita Sandrine Tessier? - Sim?
Eu sou a secret�ria do sr. Barnay Jr.
Est� te esperando na Dire��o Geral.
Agora?
J� estou indo.
Tirei a sorte grande.
Voc� n�o dormiu com o Barnay Jr, n�o �?
N�o. Fui convocada para ir ao ao seu gabinete.
Mantenha o sangue-frio.
N�o estrague tudo. Ele tem fama de se meter com as garotas,
para depois as fazer sofrer. Sim, est� bem.
Entre.
Caramba, ele � lindo!
Por um instante, at� me esqueci do porqu� estava l�.
Cheguei mais perto dele, n�o porque eu precisava,
mas porque queria v�-lo de mais perto.
E de perto, ele � ainda mais bonito.
Sente-se, senhorita.
E n�o se mexa, para eu poder contemplar a ave rara.
- A ave rara? - Voc�, senhorita.
Quer dizer...?
Vou te dar uma ordem...
A de se tornar a segunda secret�ria do senhor Delacroix,
em breve sua secret�ria particular.
N�o diga nada, � uma ordem.
Tal como de n�o deixar a empresa Barnay.
Por que "deixar a empresa Barnay"?
Simplesmente no caso de voc� considerar que n�o mereceu,
s� pelo seu trabalho, o cargo que hoje tenho de te pedir que aceite.
Senhorita Sandrine Tessier,
a empresa n�o pode se dar ao luxo de ficar sem voc�.
Uma jovem devotada de corpo e alma ao trabalho,
�s horas extras,
que se recusa a ter uma vida sentimental.
Contratada por ser excelente em matem�tica.
Embora voc� seja, na maior parte do tempo, uma secret�ria.
Sabe, senhorita, atualmente,
algu�m como voc�, t�o destacada em mat�ria de m�rito e moral, � lindo
e extremamente raro.
Podemos, ali�s, nos perguntar o porqu�.
A sociedade prova todos os dias que o m�rito...
� a �nica coisa que interessa.
Eu sou a prova viva disso.
Parab�ns pela sua promo��o.
At� mais, senhorita.
A sua pessoa me interessa muito.
- A minha pessoa? - Sua personalidade eu digo.
Todo mundo gosta de voc�.
O sr. Delacroix � um homem not�vel,
bem colocado... - O que voc� quer dizer?
Que voc� � bem interessante para a empresa
e para mim. Voc� pode ir agora.
- Bom dia, minha senhora. - Bom dia, Sandrine.
Voc� n�o parece estar muito bem.
Pelo menos n�o recusou outra vez?
Sra. Mercier, fa�a o favor de nos trazer uma garrafa de champanhe.
Sra. Mercier, tenho prazer de Ihe anunciar a promo��o de Sandrine
como minha segunda secret�ria.
A senhora se dedicou a mim durante 15 anos.
Agora merece um pouco de ajuda.
- Mas eu estava muito bem assim. - Te garanto que ficar� ainda melhor.
Sente-se.
Nathalie come�ou logo a inventar uma trama
para a levar � reforma antecipada, um m�s depois!
Oi, tudo bem?
Tenho dois lugares para o show da Madonna, amanh� � noite.
Eu n�o vou poder. N�o saio daqui antes das 10 da noite.
Ao menos tem tempo para uma bebida, n�o?
Tenho muito trabalho para fazer.
Me diga a verdade, voc� est� me evitando?
Est� recusando me ver h� semanas.
Estou te vendo agora.
Voc� entendeu o que quis dizer.
Te juro, estou completamente abarrotada de trabalho.
Sabe, Sandrine, dentro de pouco tempo,
todas estas m�quinas e estes computadores
far�o de n�s seres completamente s�s.
Sandrine?
- Boa noite, senhor. - Boa noite, minha senhora.
N�o tem mais ningu�m. Voc� apaga as luzes?
- Como sempre. - Obrigada. At�.
Para!
Um momento, por favor.
Os japoneses.
� o Sr. Delacroix.
Como est�? Muito bem.
Os contratos estar�o prontos...
daqui dois meses.
Estamos esperando voc� em Paris,
para assinar o contrato.
Para!
Estamos prontos para a reuni�o.
Sim, j� estou indo. Feche a porta.
N�o sei o que est� acontecendo com a linha.
N�o consigo ouvir voc�.
Est� me ouvindo?
N�o estou ouvindo.
Eu te ligo mais tarde.
Ok, te ligo mais tarde.
- Ol�. - Como vai?
Onde voc� vai?
Vou voltar ao...
Vou buscar um caf� para o Delacroix.
E isso?
- At� logo. - Sim, at�.
Ol�. Ent�o, e o ambiente?
� �timo.
Sua gravata est� mal colocada.
At� depois.
- Ol�, Sandrine. - Ol�.
- Como est�? - E voc�?
Como vai as coisas com o Delacroix?
Muito bem.
Ent�o, nos vemos esta noite?
Sim, te vejo a noite.
- At� logo. - At�.
Senhorita, preciso de voc� imediatamente.
� uma pena eu nunca ter tido meios de comprar um destes.
Quer ver minhas meias?
Para!
Voc� � louca!
T�xi!
Se me tivessem dito h� dois meses
que voc� ia me fazer descobrir a vida...
aos 50 anos.
Um segundo sem voc� j� � um sofrimento.
Por favor n�o se prenda a mim.
� tarde demais.
� verdade que entre n�s isto n�o pode durar.
Mas n�o posso pensar nisso que fico em p�nico.
Linha direta. Deve ser a sua mulher.
Al�?
� voc�?
Pobre velhote!
Dei a ele um pequeno momento de felicidade.
N�o parava de me dizer pequenas coisinhas,
palavrinhas sem import�ncia que provam que estava apaixonado.
Isso nunca me aconteceu.
At� cheguei a invej�-lo.
Eu fingia. Fingia am�-lo, fingia ter prazer com ele,
fingia tudo...
E no fim, eu n�o tinha nada. Absolutamente nada...
Exceto, talvez, Nathalie, mas ela n�o era um Pr�ncipe Encantado.
Por isso, eu desejava ardentemente Christophe!
- Conhece bem a fam�lia Barnay? - O pai em especial.
� um velho franc�s autodidata,
com um forte senso de honra
e de responsabilidade... Um dinossauro.
Fundamos a empresa juntos, enfrentamos muitos problemas.
Isso criou uma verdadeira confian�a entre n�s.
Convidou-me v�rias vezes para o seu castelo.
Um castelo?
N�o quer me levar contigo algum dia?
Voc� sabe que � imposs�vel.
E Christophe?
Acho que dormiu com todas as garotas da empresa.
Agora que voc� est� aqui, fico com ci�mes.
Bobo.
N�o, s�rio.
Tenho muito medo dele.
Do pai tamb�m.
Ele quer que eu fique discretamente de olho nele.
- Por qu�? - Isso j� dura mais de 20 anos.
O velho acabara de criar a empresa, trabalhava bastante.
Um dia ele teve que ir para os Estados Unidos por dois meses.
O pequeno Christophe ficou sozinho com a m�e
e com a irm�, ainda uma beb�.
Na �poca eles ainda n�o tinham empregados.
A m�e morreu de repente.
Um enfarte que ningu�m previa.
O pequeno Christophe ficou im�vel diante da situa��o,
durante quase duas semanas, sem avisar ningu�m,
nem sequer o pai pelo telefone, que nada sabia.
O cad�ver come�ou a se decompor.
O garoto s� se mexia para alimentar a irm� pequena.
- Que idade ele tinha? - Nove anos.
Ele n�o teve rea��o aparente, estava at� muito bem.
Exceto que n�o tinha medo de nada, nem de ningu�m,
porque, dizia ele, "n�o passamos de peda�os de madeira".
Ficava falando que queria atacar o sol,
tir�-lo da terra ou us�-lo para incendiar o mundo.
E dizia: "Isso seria um crime!"
E ainda: "Seria eu, com isso, t�o mau como Deus?"
Conversa de garoto...
Mas ele continuava falando isso quando tinha 19 e quando tinha 25 anos.
Ao mesmo tempo, parecia desafiar a morte, de avi�o, de carro.
Ele manipula as pessoas por divers�o,
e se mete com gente perigosa,
para ver se matariam ele.
Levou muitas mulheres ao suic�dio.
- Boatos! - N�o.
Ele seduziu um monte de funcion�rias.
Dizem que ele torturou e machucou elas ao ponto de
que duas delas jogaram gasolina em si pr�prias,
e se queimaram.
Queimaram vivas em frente dele.
Voc� acha que ele � maluco?
Ele sabe bem o que est� fazendo.
S�o as mulheres que enlouquecem.
Por ele.
Especialmente quando sabem o que aconteceu �s outras.
Eu gostaria muito de me livrar dele, pelo menos de o afastar,
mas � imposs�vel. O pai dele se sente t�o culpado em rela��o a ele,
que perdoa tudo que ele faz.
Talvez, depois dele morrer, eu passe a ter algum controle sobre o filho.
Isso seria bom.
Com as rela��es que tem, Christophe � quase intoc�vel.
Se tivesse poder, ele seria terr�vel.
Estou h� um tempo querendo te dizer isso...
Por que voc� n�o consegue uma substituta para a sra. Mercier?
N�o.
Mas eu sempre estou atolada de servi�o.
Ela perceberia rapidamente. Iria contar para todo mundo.
N�o, eu tenho uma amiga de confian�a.
Trabalha na sede.
Por favor, n�o insista.
Me deixe em paz. N�o me toque.
Me d� isso!
N�o ia engolir tudo isso?
O que aconteceu?
Por favor, me conte.
Vai...
N�o quer contar?
Voc� deveria falar. Alivia.
Est� agindo como uma garota apaixonada que foi rejeitada.
Se apaixonou por um homem comprometido?
Somos todas iguais.
N�o vale a pena falar.
N�o � nada de qualquer forma.
Eu estava apenas sonhando...
Vai passar.
A �nica coisa importante
� ir at� ao fim com o que decidimos juntas.
J� conquistou Delacroix,
agora o conven�a a substituir a sra. Mercier por mim.
Mas n�o se esque�a do meu conselho,
n�o se apaixone, contente-se com o joguinho.
N�o machuca.
Sr. Delacroix? � do Departamento de Pessoal.
A srta. Sandrine Tessier falou que est� doente,
que ir� faltar pelo menos uma semana.
- Que que ela tem? - Stress com a sobrecarga de trabalho.
Sandrine?
Sr. Delacroix, as assinaturas, por favor.
Volte daqui uma hora.
Desculpe, � muito urgente.
Por favor.
Entra.
Preferia falar com voc� a s�s.
Por qu�? Nathalie pode ouvir qualquer coisa.
- Est� apaixonada por ela? - N�o.
O qu�, ent�o?
T�nhamos vontade, as duas.
� o que fa�o contigo, n�o?
- N�o � a mesma coisa. - �.
Meu Deus, por que fez isso comigo?
Eu n�o queria mais te ver, mas n�o consigo.
Eu desejei te matar outro dia.
Estava t�o mal que queria te estrangular.
N�o sou sua mulher nem sua filha.
Mas sou sua escrava.
Passo mais de 13 horas por dia no escrit�rio.
A maior parte das noites contigo.
E agora, aos s�bados e aos domingos tamb�m.
E ainda por cima tenho que estar bonita.
H� os cuidados com a beleza, as compras,
a lavanderia aos s�bados...
E voc� se recusa a me ajudar.
Voc� quer que eu deixe a minha mulher?
Que eu v� viver contigo?
N�o.
S� quero um pouco menos de trabalho.
E como preciso de algu�m discreto, quero que seja a Nathalie.
E eu tenho de fechar os olhos quando voc�s fizerem amor no escrit�rio?
Eu sou livre.
Quando voc� volta ao trabalho?
Talvez nem volte.
- Depende de qu�? - De voc�.
Sandrine?
Fui ego�sta.
Quando sua amiga pode come�ar?
O desgra�ado penetrara no Inferno!
Agora, pode ir, irm�zinha. Nos encontramos mais tarde, em casa.
Queiram me seguir, por favor.
Senhoritas, queiram me esperar aqui. Sr. Delacroix...
Por favor, sente-se.
Prazer verdadeiro � uma coisa rara.
Muitas mulheres, muitas pessoas nunca o atingir�o.
� uma droga.
Uma diabinha que te prende mas continua escapando.
S� vivemos por ela.
N�o �?
N�o tenho nada a ver com as suas rela��es com sua mulher e sua fam�lia.
De certa forma, o invejo.
Mas o senhor trabalha para a empresa Barnay.
Tem muita responsabilidade.
Imagine que todos agissem como voc�.
Este local n�o passaria de um imenso sex�dromo,
ele n�o funcionaria mais.
Infelizmente.
O senhor deveria ter sido um exemplo.
Estou falando alguma coisa com a qual n�o concorda?
Muito bem.
Este documento descreve o que aconteceu
entre o senhor e duas empregadas suas. Assine-o.
Essa declara��o tamb�m diz que voc�...
aceita ser demitido da empresa por falta profissional grave.
Por isso, sem direito a indeniza��o por demiss�o.
Est� me pondo na rua?
N�o,
vou fazer sil�ncio sobre esse assunto.
Estou pondo voc� sob vigil�ncia.
Vigiado por uma assistente de minha escolha, � claro.
Estou esperando sua assinatura.
Obrigado.
Pobre velho...
O que vai fazer com ele?
Ele te assediou?
Usou da sua autoridade?
N�o!
Ent�o n�o escolheu a hipocrisia como defesa.
Devia ter escolhido?
Senhorita,
os v�cios �teis e aceitos pela sociedade em breve se tornam virtudes.
Sandrine, acho que aceitamos as mesmas verdades.
Primeiro eu pensei que ele queria mostrar sua riqueza.,
o que achei muito vulgar.
Mas ele era bonito,
eu ansiava por ele e poderia perdo�-lo por qualquer coisa.
Dinheiro...
� ele que comanda os nossos sonhos e os nossos desejos,
determina a dimens�o da nossa pris�o.
Entendam, senhoritas, eu decidi fazer como voc�s,
experimentar a verdadeira liberdade.
Brincar com a ordem social.
Seja essa ordem justa ou injusta!
De origem divina, ou humana, nada importa.
Recuso as normas,
a camisa de for�as.
Eu proponho a voc�s um jogo.
Voc�, Nathalie, vai voltar a trabalhar com Delacroix.
- Mas voc�s se conhecem? - Somos amantes.
Bem, �s vezes.
Sandrine, eu conhe�o todos os empregados desta empresa.
Eu tenho um arquivo confidencial sobre todo mundo,
e frequentemente procuro
me distrair de uma forma ou de outra com uma ou outra pessoa.
Nathalie tomou progressivamente o lugar de Delacroix.
N�o oficialmente,
ele continua sendo o meu conselheiro t�cnico,
e ela, secretamente, os meus olhos,
os meus ouvidos,
a minha boca.
Comigo tamb�m?
Srta. Sandrine Tessier,
tenho a honra de Ihe pedir a m�o.
Para uma uni�o provis�ria, um jogo.
Que tipo de jogo?
Talvez o da sorte... ou do amor...
Um novo tipo de entretenimento... quem sabe?
Pelo menos por uns meses.
Um jogo com um lado utilit�rio tamb�m.
O meu pai vai morrer em breve,
e ainda hesita em me confiar todo seu imp�rio.
Ele ouviu uns rumores...
segundo os quais eu sou muito caprichoso,
muito leviano com as pessoas, para ele poder deixar � minha merc�
tanta gente de uma empresa t�o grande como esta.
Mas eu quero esse poder.
Porque n�o h� libertinagem sem dinheiro e prote��o.
"Dependendo disso, seremos poderosos ou miser�veis"...
Esta noite eu invalide Delacroix,
meu eventual rival e c�o de guarda.
Mas n�o quero correr nenhum risco.
Por isso, antes de meu pai morrer, quero faz�-lo pensar que
me tornei um homem s�rio e respons�vel por causa do amor.
Isso, � claro, � um neg�cio que voc� vai aceitar,
como um burro aceitaria, atra�do pela cenoura e amea�ado pelo pau.
E o que � o pau?
A demiss�o imediata da empresa e o esc�ndalo p�blico.
E a cenoura: eu casar contigo.
No civil e pela igreja.
Tem que ser pela igreja e segundo �s regras da comunidade.
O meu pai poderia desconfiar, e n�o sem raz�o para isso.
O aspecto religioso e a comunh�o de bens
dar�o consist�ncia ao nosso amor louco de algumas semanas.
Claro que nos divorciaremos ap�s uns meses,
e voc� ficar� com uma pens�o mais que razo�vel.
Mas continuaremos casados pela igreja.
Esperarei tranquilamente o castigo de Deus.
Por que eu e n�o Nathalie?
Nathalie ser� mais �til no escrit�rio, vigiando Delacroix.
Al�m do mais, voc� ser� muito mais cr�vel como jovem esposa
vinda de um meio popular, ao mesmo tempo inocente,
fresca e viva.
Bom para minha imagem como empres�rio din�mico.
Come�amos nosso joguinho agora?
V�o para o banheiro feminino,
entrem numa cabine
e comecem a fazer amor.
Em cinco minutos me junto a voc�s.
N�o acabem antes de mim.
Ent�o, Sandrine? Aceita o meu jogo?
Vai continuar sua brilhante ascens�o social ou interromp�-la?
E foi a� que gozei pela primeira vez com um homem.
Ele, pelo contr�rio, tenho certeza que n�o atingiu o cl�max.
Voc�s s�o amantes h� muito tempo?
Desde a nossa chegada � Barnay?
Ele sabia coisas que s� podia saber por voc�.
Se nos surpreendeu com o pobre Delacroix
foi porque sabia que n�s est�vamos ali.
Ent�o, o seu amante misterioso era Christophe?
Agora entendo porque me preveniu contra ele.
Se quer saber,
enquanto voc� manipulava Delacroix,
Christophe me manipulava.
Eu pensei que faria ele se apaixonar por mim!
Como posso ter sido t�o est�pida?
E eu j� n�o era t�o ing�nua...
Ele � mais forte que voc�,
que eu,
que n�s duas juntas.
Ele teve tantas mulheres, tanta pessoas
na cama e em outros lugares, e com todas as combina��es poss�veis,
que nem o amor, nem qualquer forma de erotismo vulgar, Ihe interessam.
E � tr�gico para ele, porque ele adora prazer.
Sabe por que ele precisa de voc�?
Como ele te disse, ter o prazer de brincar com os outros
em grande escala.
J� fez com que outras mulheres cometessem suic�dio.
E vai poder continuar destruindo.
Quanto a mim, minto,
iludo todo mundo.
� ele que me comanda em tudo.
Me comporto como uma escrava.
Uma escrava que, por amor, acaba por amar at� isso.
Voc� n�o est� falando nada com nada! Parece uma louca!
Escute o que a louca l� em sua mente.
Secretamente voc� espera que ele a ame,
�s vezes at� acredita nisso.
Voc� acha que, na pior das hip�teses,
ainda ter� chances porque voc� ainda se mostra presente.
Pois bem, garota, voc� est� sonhando!
Quando ele j� tiver servido de tudo de voc� e n�o precisar mais de ti,
vai jogar voc� fora como um pano velho!
Por que fazer uma cena dessas por causa um casamento encenado?
Nunca tive nada na vida.
Nada nem ningu�m.
Voc� n�o o ama. Ele � meu.
N�o vou deixar voc� nem ningu�m roub�-lo de mim.
Christophe me transferiu.
Agora tinha o meu pr�prio escrit�rio na sede, no Champs Elys�es.
Al�?
Sandrine?
Posso falar contigo?
Pode.
Est� bem?
Sim.
Queria te dizer que est� tudo acabado entre n�s, e � melhor assim.
Mas de tudo o que se passou, eu vou lembrar de uma coisa:
Voc� me deu alguns dos �nicos
momentos de verdadeira felicidade da minha vida...
de paix�o intensa,
de sofrimento,
mas tamb�m de grande ternura...
Eu vou guardar voc� sempre no meu cora��o.
Isso que queria dizer. O resto j� n�o tem import�ncia.
Cuide de si mesma, Sandrine.
Adeus.
Este homem n�o estava atr�s de vingan�a.
Compreendi mais tarde que ele me amava, simplesmente.
Com um amor que eu n�o era capaz de compreender.
Que n�o esperava nada em troca, nem sequer a minha presen�a.
Eu deveria ter ficado tocada, mas naquela altura s� achei ele um homem fraco.
Al�m disso, eu s� vivia � espera de um telefonema de Christophe.
E precisamente...
Esta noite, fique bem bonita.
Charlotte vai te buscar � meia-noite.
Ent�o, vai ser minha cunhada.
A �nica perante Deus.
Por t�o pouco tempo!
Um dia, um m�s, um ano, que diferen�a faz diante da eternidade?
A minha nova irm�.
Bem-vinda � fam�lia.
S� te pe�o uma coisa: que seja voc� mesma.
Nascemos num mundo de mentiras.
Seja simp�tica conosco, sincera,
e nunca minta para a gente.
Christophe e eu dizemos sempre a verdade.
Especialmente quando ela magoa,
ou quando ela queima.
E agora, que comece a festa e que todos n�s possamos aproveitar...
Charlotte, se levante.
Sandrine, voc� tamb�m.
Sandrine, fique atr�s dela.
Acaricie o pesco�o dela...
Os bra�os...
Os seios...
Tudo que eu fizer em voc�, voc� faz o mesmo na Charlotte.
Eu abro seu vestido,
tiro-o.
Eu acaricio seus seios,
sua barriga,
o interior das coxas.
Como ousa estragar meu prazer?
Por que voc� as escolhe? Ainda posso te dar prazer do jeito que voc� me ensinou.
Por que me rejeita?
Como conseguiu a chave daqui?
Eu sou diferente de todas as outras que voc� seduziu e rejeitou.
Eu nunca vou cometer suic�dio. N�o vou te dar essa satisfa��o.
Nunca.
Voc� j� n�o � nada.
Amanh� a fechadura ser� trocada.
Te olho hoje pela �ltima vez. E me d� de volta a chave.
Vem peg�-la.
Eu repito, sou mais forte do que aquelas que voc� rejeitou.
- Me d� a chave! - J� te disse, vem peg�-la.
Me bata.
Voc� me ensinou como a dor pode levar ao prazer.
Nunca mais eu quero te ver.
N�o v� que estou sofrendo?
Quer dizer que voc� est� viva.
Infelizmente!
Mas criaturas como voc� s�o desprez�veis.
Infelizmente, ainda preciso de ti no escrit�rio.
Mas assim que meu pai morrer, voc� desaparece.
Para mim, � como se voc� nem existisse mais.
Eu preparo uma festa nova para voc�,
digna de ti.
Prometo.
Ainda posso ajud�-lo a conseguir outras garotas e proteg�-lo.
Para com isso. S� vai fazer com que ele te odeie mais.
O que quer dizer que ele me ama.
N�o tenho mais orgulho ou dignidade.
N�o tenho mais nada.
Me d� todo o dinheiro que me deve.
No dia seguinte, fui buscar as minhas economias.
Dei tudo que eu tinha para ela, o que n�o era muito.
Ela pegou as notas, sentou-se no ch�o,
e come�ou a contar e a recontar.
Eu n�o existia mais.
Ela estava ali, no ch�o de seu apartamento,
quase feia com os seus olhos inchados.
Ela contava e recontava coisas dif�ceis pelos dedos...
Nunca me comoveu tanto como naquele momento.
Pela primeira vez na minha vida, eu me vi, sem querer,
com um cora��o de uma garota de 15 anos.
Eu n�o conseguia acreditar!
Meu marido era t�o bonito.
E eu estava vestindo o meu belo vestido de noiva.
Christophe tinha escolhido a t�tica do casamento surpresa.
S� fui apresentada ao pai Barnay no dia seguinte.
E havia ainda Nathalie.
Christophe a tinha proibido de entrar em casa.
De repente, ao sair, a vi escondida num canto.
Os nossos olhares cruzaram-se.
Ela me odiava.
Admire este magn�fico s�mbolo da nossa vida terrestre.
"E eu sou a morte de tudo,
"e sou o nascimento de tudo.
"A palavra e a mem�ria, a estabilidade, a miseric�rdia
"e o sil�ncio das coisas secretas".
Sr., o seu pai morreu.
O nosso pai j� n�o vive mais.
Acabou de morrer.
Me deixou como o �nico presidente da empresa.
N�o acha que isso � uma bela coincid�ncia?
O presidente est� morto!
Viva o presidente.
E esta noite, mais que todas as outras noites,
amem uns aos outros.
Minha irm�,
"voc� chora por pessoas que n�o deveria chorar...
"Um s�bio n�o lamenta nem os vivos nem os mortos,
"porque n�s nunca existimos, nem eu,
"nem voc�,
"nem estes reis,
"e jamais n�s cessaremos de existir".
Finalmente entramos no reino dos pr�ncipes,
dos fara�s e dos deuses.
Parem, por favor... Parem!
N�o tinha o direito de me tratar assim.
Serei eu mais cruel que a vida e a cria��o?
Mais cruel que o Criador, se ele existe?
J� observou a viol�ncia da morte no rosto das criaturas?
Vivos, somos como deuses acorrentados;
Na maior parte das vezes muito covardes
para experimentar a verdadeira liberdade.
Vaidade das vaidades!
S� a morte opera a grande limpeza.
Voc� pode talvez
ter me ajudado a organizar o espet�culo do destino humano.
Voc� poderia at� ter me trazido o sol.
Uma pena!
Assim que o div�rcio estiver feito, voc� estar� livre.
Vai levar umas semanas.
Voc� outra vez?
Nos deixe...
Olhe para mim.
Para que � isso? Voc� j� n�o existe mais!
N�o, n�o fa�a isso.
Eu poderia encontrar voc� l� em cima...
Vai nos aborrecer...
A mim, ao diabo e todos os meus outros companheiros de jogos.
Te aturar durante a eternidade!
Que horror!
A pol�cia chegou,
algemaram Nathalie e a levaram.
Ela nunca respondeu a pergunta que todos fizeram: por qu�?.
A m�dia ficou em cima do caso,
mas a verdade essencial permaneceu escondida.
Nathalie foi condenada a v�rios anos de pris�o
e o caso caiu no esquecimento.
Casada com comunh�o de bens,
e t�o rapidamente vi�va,
automaticamente herdei tudo que era, oficialmente, do meu marido.
Com Charlotte, assumi a dire��o do imp�rio que seu irm�o tanto cobi�ara,
aconselhada por Delacroix, que se mostrou um excelente colaborador,
discreto e totalmente fiel.
A vida continuou.
Ap�s cumprir sua pena, Nathalie se casou...
com o seu carcereiro de pris�o.
De n�s tr�s, ela foi a �nico
que verdadeiramente se casou.
E uns anos depois,
cruzei com ela por acaso.
L� estava ela,
com o marido e o filho.
Todos pareciam simp�ticos.
Depois de um tempo, nos aproximamos.
Olhamos uma para a outra...
Em sil�ncio.
Eu s� olhei para ela.
Em seguida, tivemos de nos separar.
Ela e eu continu�vamos a nos olhar,
sabendo que seria a �ltima vez.
Ent�o, ela inclinou-se para mim
e me pediu perd�o.
A mim.
Nos olhamos mais uma vez
e beijei ela.
E depois, acompanhada do marido e do filho,
ela se afastou
e desapareceu.
Para sempre.
E nunca mais um dia se passou na minha vida
sem que eu pense nela, pelo menos uma vez.
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