All language subtitles for Entrelobos 2010

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Original subtitles

SERRA MORENA, C�RDOBA 1954

Venha aqui, Quero!

Marquito,

vamos nadar no rio.

Vamos, cabra!

Andem, todas!

Ontem a bruxa foi longe demais.

N�o est� doendo mais.

Pula! Est� gelada, mas est� boa.

Vamos, pula! Voc� n�o tocou na �gua durante o inverno.

Est� gelada!

N�o est� mais gelada.

Vamos.

Voc� acha que ela est� nos olhando?

Quem?

Mam�e.

Claro, ela v� tudo l� de cima.

Como voc� sabe que ela est� l� em cima?

O padre Antonio me falou.

Quem se comporta bem na Terra...

vai diretamente pro c�u.

Ent�o...

A bruxa est� complicada.

Oh, as cabras!

Quero, Quero!

Garoto, venha aqui!

Quero, venha aqui!

Benito!

Pra tr�s!

Fora daqui!

N�o fique longe de mim, Quero.

Solte-o!

V� embora!

Fora, fora!

Voc� est� bem?

E Lucero?

Vamos pra casa.

O que aconteceu?

Vindo pra c�...

os lobos atacaram as cabras...

e mataram cinco.

Cinco?

Dem�nio maldito!

E aonde voc�s deixaram elas?

O que vamos comer agora? O cachorro?

N�o pod�amos fazer nada.

N�o venham com hist�rias.

Eu tenho dois garotos in�teis que n�o podem sequer cuidar das cabras.

Ainda por cima, acordaram a menina.

Fora daqui!

N�o quero ver voc�s nunca mais!

Fora!

N�o me bata!

Papai est� chegando.

Aonde est�o as crian�as?

Deviam estar no inferno.

Os lobos mataram cinco cabras.

Caramba!

Se n�o pagarmos ao patr�o

vamos ter que ir embora daqui.

E aonde vamos nos enfiar...

se n�o temos aonde cair mortos?

Olha, Juan ...

arrume dinheiro de onde for, porque daqui eu n�o saio.

Eu n�o posso me endividar mais.

Voc� n�o v� que n�o temos nem o que comer?

E que porra quer que eu fa�a?

D� o do meio...

Ele � quase adulto.

Se nota que n�o s�o teus!

Garoto.

Prepare sua bolsa, que estamos indo.

Pra onde?

� casa do patr�o.

Pra que?

N�o pergunte tanto e se apresse.

Sim, mas Juanillo vem comigo.

Nem pensar. Ele fica.

Sem Juanillo, eu n�o vou.

Voc� vai agora, garoto.

Ent�o, prepare suas coisas. Vai.

Por favor, Juanillo, n�o deixe que eu v�.

Vem aqui.

Vamos garoto, vem aqui.

Desgra�ado!

Solte ele.

N�o! Eu n�o quero ir sem o Juanillo!

Deixa ele, diabo!

N�o me toque!

Vamos, que n�o tenho o dia todo.

Marquito!

Pai, me solte!

Quieto!

Me solta!

Quieto garoto!

Juanillo!

Venha aqui!

Marquito!

Juanillo, corra!

Pai! Pai!

Espera!

N�o para!

Marquito!

Corre, corre!

Marquito!

Entre.

Com sua permiss�o, Don Honesto.

O que voc� quer?

Estou trazendo o garoto que falei.

Como se chama, garoto?

Marquito.

Dizem que maneja bem as cabras.

Sei que maneja bem.

Ele cresceu com elas.

Ceferino.

Ceferino!

Diga, Don Honesto.

Amanh� de manh� leve ele pro velho.

Como ordenar, meu senhor.

Cuidado homem, vai arranhar minhas botas.

Perdoe-me.

Sem nada mais, Ceferino, e v� preparar meu cavalo.

� suas ordens, Don Honesto.

Ent�o...

o assunto das cabras foi encerrado, n�o, Don Honesto?

Desta vez, passa.

Mas da pr�xima voc� vai pra rua.

Est� claro?

Sim, senhor.

� que os lobos andam muito ativos ultimamente...

Pare de falar de lobos, focinho de porco...

j� fa�o muito em te deixar com a casa e o cavalo.

Que Deus lhe guarde por muitos anos.

E j� sabe: Estou aqui...

para lhe servir.

Pai.

Aonde voc� vai?

Pra casa.

E eu?

Vamos, vamos.

Doroteo!

Vamos nos aproximar um pouco.

Vamos.

Vamos.

Doroteo!

Mas, Doroteo, animal!

Que porra voc� fez?

Nada, Don Ceferino.

Venancia entrou em trabalho de parto, e...

eu tenho que tirar o nen�m.

E?

Nada... Estamos sem dinheiro.

N�o reclame tanto, tem gente pior do que voc�.

Uma coisa, don Ceferino:

Se n�o se incomodar, antes de ir...

Se me puder deixar umas migalhas de trigo...

N�o me fode, Doroteo.

Tudo o que tem que fazer, � fornicar um pouco menos...

e trabalhar um pouquinho mais.

Entendido?

Vamos.

Pizquilla, deixe.

Tomara que os lobos o comam, nesses montes perdidos.

Se mexa! O que espera?

Boa noite, Don Ceferino.

Boa noite, com Deus.

Por que por aqui t�o tarde, meu sargento?

Roubaram alguns porcos na propriedade de don Mart�n...

e dizem que foi o Balilla.

Ouviu alguma coisa?

N�o sei de nada, mas n�o se procupe, se ouvir alguma coisa

levo ao seu conhecimento.

Por acaso j� n�o sabe que estou decidido

a acabar com esse desgra�ado?

Al�m disso, que Don Martin ...

oferece uma boa recompensa.

Quanto?

Falam de 20.000 duros.

20.000 duros...

Vamos.

Boa noite, e que tenha um bom servi�o.

Com Deus.

Um desgra�ado, � o que esse Balilla �.

Ouviu falar dele?

Um bandoleiro.

O maior filho de puta que h� de Despe�aperros para abaixo.

Quando a guerra acabou, ele fugiu para a montanha

e desde ent�o vive de assaltar todos que pega.

Reze para n�o encontr�-lo.

Olhe, garoto.

O Vale do Sil�ncio.

Tem que ter culh�es pra viver aqui.

Vamos descer.

Vamos!

Boa tarde, Don Atanasio.

J� vi que a vida no campo lhe faz muito bem.

Continua com o mesmo humor de sempre, hein?

Te deixo um pouco de trigo para aguentar o ver�o.

Eu volto no outono pelas cabras.

E os outros sacos?

Se me disser aonde se esconde o Balilla s�o todos seus.

Com Deus.

Ah, e cuide desse garoto,

que eu trouxe ele pra te ajudar com as cabras.

Pendure no seu pesco�o.

Quantas cabras entrarem no curral...

tantas pedrinhas p�e na outra lata.

Entendeu?

Se te sobrarem pedras...

� porque te faltam cabras.

V� busc�-las.

Sim, senhor.

Vai pra dentro!

Senhor, est�o todas!

Senhor?

V�o embora!

Fora!

Quem est� a�?

Voc� dorme a�.

Cabra!

Vamos, mineiro!

Te peguei!

Vem aqui, mineiro.

Garoto!

Leve elas para o curral.

Ei cabra, voc�s n�o escapar�o!

Calma, Lunara.

Garoto, venha j� aqui!

Foi mordida por uma cobra?

N�o, quebrou a perna.

Traga dois gravetos,

um pouco de goma de cisto e um pouco de trovisco.

Calma, Lunara, calma.

Quando menos esperar, j� vai estar pulando.

Vamos, Lunara, Lunara,

Calma.

Segure ela a�.

O cisto � bom para a pancada.

Anda, leva ela pra caverna.

Vai e traga um pouco de alecrim.

Senhor, um lobo!

Aonde?

L� fora.

Est� comendo o coelho!

Ele apareceu, e roubou de mim.

Menos mal...

que tinha um coelho.

Sen�o, seria voc�.

Tem que ter muito cuidado...

com os lobos solit�rios.

V� por ali.

Agora.

Jogue.

Quieto a�.

Venha para c�.

Mas n�o perca de vista.

Agora j� sabe...

como fazer para conquist�-lo.

At� te atacar...

eles passam r�pido...

por aqui e por ali...

umas quatro vezes...

e ro�am em voc�...

para que entre em p�nico.

E quando come�a a correr...

pulam no teu pesco�o...

e acabou.

Eles nunca te fizeram nada?

Quando cheguei aqui...

eles mataram uma cabra ou outra.

Mas logo...

fui me entendo com eles, e agora...

eles me respeitam.

Como conseguiu?

Do mesmo jeito que fez hoje:

dando comida aos poucos.

Prenda bem.

E coloque no buraco.

Mais! A�.

� porque aqui...

os tordos pousam...

nos galhos.

O lobo solit�rio o est� provocando.

Era raro o dia...

que ela n�o me batia.

Ela nunca me quis.

E meu irm�o muito menos.

E o pai...

n�o soube se impor.

Aqui com voc�, estou mais feliz.

Quem est� a�?

N�o tem perigo.

� o Balilla.

Pablito, fique vigiando.

Bem, o de sempre:

algu�m roubava a fazenda de Don Samuel

e matava o vigia.

Todos os p�ssaros comem trigo, mas a culpa � sempre do pardal,

que tem culh�es.

Toda a puta vida lutando para que haja justi�a.

E afinal, pra que?

Pra acabar assim?

N�s viramos fugitivos.

Ficamos quatro dias sem dormir.

Ontem Doroteo nos disse...

que tem 50 Guardas Civis nos procurando.

Agora entendo esse filho da puta.

O que?

Ceferino.

Tinha que me deixar cinco sacos de trigo.

E sabe o que me disse?

Que me dava assim que eu dissesse

aonde voc� se escondia.

Filho da puta!

Que �dio ele tem por mim!

Desde que a Contrapartida matou seu irm�o...

ele meteu na cabe�a que fomos n�s.

Quando eu vinha pra c� com Don Ceferino...

nos encontramos com a Guarda Civil.

Estavam te procurando.

Diziam que tinha roubado uns porcos de Don Martin.

Cago pra isso!

Eles perguntaram a Don Ceferino...

se sabia aonde voc� estava.

E?

Falaram que dariam muito dinheiro...

a quem dissesse alguma coisa.

Devia lhe meter uma faca peito adentro.

Vamos.

Fique um pouco mais para descansar, Balilla.

A qualquer momento podem aparecer os da Civil.

Toma.

Mechote, leve isso.

V�o com cuidado.

Atanasio.

E voc�?

Eu o que?

Por que vive sozinho?

N�o tem fam�lia?

N�o muita.

Minha senhora e as crian�as...

foram mortos na guerra.

Eu estava na montanha com as cabras...

e de repente, houve um bombardeio.

Eu sabia que alguma coisa de ruim tinha acontecido

e voltei correndo para a aldeia.

Quando cheguei na minha casa eu queria morrer.

S� se salvou meu Tom�s,

o mais velho,

que havia sa�do para lutar na rua.

Eu perdi tudo.

Tudo o que mais amava.

Ent�o eu vim pra c�.

E aqui estou, com minha tristeza...

que guardo aqui dentro.

Meu Deus...

Est�o ca�ando eles!

Garoto,

v� para baixo com as cabras.

Eu vou ficar aqui, n�o me sinto...

muito bem.

Te trago um pouco de leite?

N�o, n�o. N�o me traga nada.

Estou um pouco enjoado.

Bom, at� a noite.

Lobinho!

Lobinho!

Lobinho!

Atanasio!

O que me aconteceu...

voc� n�o vai acreditar!

Est� muito quente.

�.

Pegue a erva para a febre e coloque para ferver.

Que ele fique bom logo...

que n�o quero sair daqui.

Fora, isso n�o � para voc�!

Lobinho!

Atanasio!

Atanasio!

Atanasio!

Senhor...

porque veio pra c�?

Sentia muito calor...

e aqui corre um pouco de ar fresco.

Ainda est� com dor?

Sim.

Garoto...

eu estou indo.

Pra onde, se n�o pode nem andar?

Morrer.

Pra onde quero ir h� muito tempo.

Ent�o me leve com voc�.

Pra que?

Pra ficar com minha m�e.

Escute:

Se ele sobreviveu...

e alguma vez...

encontrar com ele...

Com quem?

Com o Balilla.

N�o se assuste...

Que � meu filho.

Meu Tom�s.

Toma.

Isso te proteger�.

E n�o deixe que nunca...

o fogo se apague.

Vamos, mineiro.

Fora!

Fora!

Fora!

Atanasio!

Atanasio!

Aonde se meteu a porra do velho?

Caragorda, v� at� l� em cima e veja se v� algo.

Atanasio, caralho, n�o tenho o dia todo!

Deixou as cabras abandonada?

Quer brincar de esconde-esconde?

Ei, chefe!

Venha ver isso.

Droga!

Eu sabia que voc� tinha pouco tempo.

Vamos logo, n�o v� que n�o tem ningu�m aqui?

Porra! Pega as cabras.

Morreu sem dizer nada, hein?

- Venha aqui! - N�o!

Voc� vai dizer aonde se esconde o Balilla, n�o?

- Me solta! - Aonde ele se esconde?

- Eu n�o sei! - Estou te avisando!

O velho ajudava ele, n�o �?

N�o sei de nada!

Eu acabo com tua vida e voc� vai contar pra tua av�.

Me solta!

Me solta!

Me solta!

Porra, garoto!

Vamos ver quem come quem.

Estou aqui, pare de atirar.

Don Ceferino, vai escapar um.

Calma, ele est� ferido de morte.

Caragorda, olhe os cavalos.

Estou indo pra l�, chefe.

Vamos, Manuel.

Depressa.

Vamos.

Lobinho.

Lobinho?

Toma, coma um pouquinho.

Olha o que eu trouxe pra voc�.

Com isso, voc� vai ficar bem.

Voc� vai ver.

Calma, lobinho...

que n�o vai te acontecer nada.

Voc� vai se sentir em casa.

Voar!

Me feriram bem.

Pegue.

Sobraram tr�s balas.

Fique aqui.

Seguir�o meus rastros.

Procure cachorrinho, procure!

Ei! Ele est� ali! Vamos

Solte a faca.

Solte!

Aonde o Balilla se escondeu?

Fale ou te mato.

Aonde o Balilla se escondeu?

Aonde?

Balilla, filho da puta!

Logo voc� vai se reunir com ele.

Parece que a terra engoliu ele.

Mas como ele escapou, caralho?

N�o entendo.

Vou procurar por todos os lugares.

- Ramirez. - Sim, meu sargento.

Vamos procurar no Rio Fraile antes que escure�a.

�s suas ordens.

Voc� cuida desse selvagem.

N�o se preocupe, meu sargento...

antes do sol cair, ele estar� no quartel.

Caragorda, voc� vai com ele.

Manuel.

Voc� e eu vamos at� a cabana do Doroteo

porque o campo � vigiado e esse sabe mais do que disse.

Vamos.

Escute bem: amanh� quando o sol sair

pega tuas coisas e tua fam�lia e cai fora daqui.

Mas... porque?

Porque Don Honesto mandou.

Mas Don Ceferino, pelo amor de Deus...

eu vivi toda minha vida aqui.

Minha mulher e meus filhos est�o enterrados l� fora.

Como v�o fazer isso comigo?

S�o ordens de Don Honesto.

Tem uma maneira que voc� pode ajudar.

Me diga.

Que me diga de uma vez por todas aonde o Balilla se esconde.

Don Ceferino, eu disse mil vezes:

eu juro pelos meus mortos que est�o enterrados l� fora

que eu n�o sei aonde est� o Balilla.

Pode fazer as malas, desgra�ado.

Eu sei aonde voc�s podem encontr�-lo, Don Ceferino.

Pizquilla, v� pra dentro, isso n�o � da tua conta.

Aonde, Pizquilla?

Aonde, caralho?

Ele passa muitas noites na cabana do zarolho.

Aonde todos os seus amigos est�o enterrados.

Ele est� l�.

Filho da puta!

Chefe! Chefe!

Quer que lhe acompanhe?

E o que fazemos com o selvagem?

Como voc� sabe que �s vezes ele fica na casa do zarolho?

N�o sei...

Mas essa noite � lua cheia,

e a n�voa est� vindo, pai.

Alonso!

Eu cago nos teus mortos!

Meu sargento!

Aonde estar� Don Ceferino?

N�o se preocupe tanto com seu chefe, Caragorda,

que ele est� na cidade se enchendo de vinho.

Cala a boca!

SERRA MORENA 2010

45 anos depois de ser capturado pela Guarda Civil,

Marcos ainda tem certeza de ter aprendido pouco sobre os homens.

A sensa��o � de que nada tem tanta verdade

quanto aqueles anos vividos entre os lobos.

Legenda: .:MGross:.

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