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Traduzido do Ingl�s, desculpe algum erro... Warceelo
TODAS AS CAN��ES FALAM DE MIM
I. A �LTIMA CARTA
Como est�o as coisas com sua m�e?
Bem.
Eu n�o a vejo muito.
Eu passo mais tempo com minha av�.
Ela me paparica, me faz caf� da manh�, me conta hist�rias...
� engra�ado. Bem, isto depende.
Eu como muitos vegetais e comida saud�vel.
- Vivendo em estilo, huh? - Sim, eu acho.
Nem tanto.
E a livraria?
Bem, como sempre, igual. Voc� conhece meu tio. Est� ficando cada dia mais louco.
Voc� cortou o cabelo, n�o?
Um pouco, sim.
Esta muito bom.
Obrigada.
Esta procurando um lugar ou voc� ficar� com sua m�e e sua av�?
Sim, estou procurando um lugar.
Bem, vejo que com calma...
Estou procurando por a�.
- Eu n�o te contei, devo come�ar um novo trabalho.
- S�rio?
- No est�dio do Eduardo. - Isto � �timo.
Ele vem sendo muito legal comigo.
O pagamento � razo�vel e � meio longe, mas...
� um trabalho. � um projeto para um concurso
e seria �timo se isto desse certo. Eu quero muito trabalhar e come�ar...
Voc� ir� trabalhar com Eduardo?
Sim, sim, sim... Sim.
Eduardo � um filho da puta, n�o?
- N�o. Por que diz isso? - � o que voc� costumava dizer.
- N�o. - Sim.
Ele estragou uma por��o de projetos seus.
N�o, n�o estragou. Ele sempre foi prestativo...
Voc� o rejeitou e ele torturou voc�. Ele � um idiota.
Eu n�o rejeitei, Ramiro.
Ele jamais me torturou. N�o, n�o mesmo.
Ele estava interessado no meu trabalho.
- Voc� n�o o conhece. - Apenas o que voc� me falou sobre ele.
Okay, esque�a.
- O que vamos fazer? - Acho que estou indo para casa.
Desculpe.
Ol�. Como vai voc�?
O que?
N�o, n�o, n�o.
N�o, eu estou bem. Estou com um amigo agora...
Posso te ligar amanh�?
Okay, okay. �timo, sim.
Eu gostaria, okay. Falo com voc� mais tarde. Tchau
Me desculpe por isso.
- Esta afim de tomar um drink? - Voc� esta?
Sim, eu poderia tomar alguma coisa. Vamos, apenas um drink.
"Homem espera em sua vez em fila antes de roubar banco."
"Um homem roubou seis mil euros de um banco em Molinos, Teruel
ap�s tomar caf� num bar local
e, pacientemente, aguardar sua vez na fila com os outros clientes.
O homem cobriu o rosto quando fora sua vez de ser atendido.
O motivo � desconhecido, porque v�rias testemunhas
j� haviam visto seu rosto quando entrara no banco ap�s ter deixado o bar."
� inacredit�vel!
� engra�ado, n�o? Quero dizer, este cara...
ele espera na fila,
� amig�vel com as pessoas a seu redor, e, quando chega sua vez,
ele cobre o rosto.
Eu gosto desse cara. Eu realmente gosto desse cara.
Muito engra�ado.
O que esta fonte faz aqui?
� um absurdo. O que isto faz aqui?
O que isto est� fazendo aqui?
Eu gosto.
Desculpe, eu apenas...
- Seu idiota! - Foi um acidente.
- Foi um acidente. - N�o, n�o foi n�o!
- Est� � a parte mais dif�cil.
- Quantos voc� fuma por dia? - Eu nem mesmo fumo todos os dias.
Eu tento, mas n�o tenho for�a de vontade suficiente.
Ramiro, voc� � louco.
Aqui.
- Voc� primeiro. - N�o, eu parei.
N�o.
- Eu juro, eu parei. - N�o acredito em voc�.
� s�rio, eu n�o fumei mais nada esse tempo todo. Eu parei.
Certo, mas experimente este.
� do tamanho do seu pau.
- Deixe-me ver voc� fumar. - Eu consigo fazer argolas.
- Argolas? - �.
O que...?
O que est� fazendo?
Nada. N�s n�o estamos fazendo nada. Estamos bem.
N�o, n�o estamos. Isto � um absurdo, Ramiro.
- Voc� me chamou, certo? - Eu te chamei, voc� me chamou...
- Mas voc� me chamou primeiro. - Ent�o...?
- Eu nem mesmo queria vir. - Ent�o voc� deveria ter dito.
Eu n�o disse por que eu queria v�-la tamb�m.
Ei, eu tenho uma ideia.
Eu virei, passamos a noite juntos...
- N�o, Ramiro. - Porque n�o?
- Porque... - Voc� n�o quer?
Sim, eu quero. Claro que quero. Mas n�o.
- Isto s� torna as coisas piores. - N�o precisa ser...
Eu vou embora logo ap�s. Ser� bom para n�s.
Nos sentiremos p�ssimos depois e n�o vamos querer nos ver mais.
N�o, Ramiro.
- Porque n�o? - Por que...
- Porque n�o? - N�o, Ramiro.
- Tudo bem, tudo bem. - N�o fique com raiva.
- Ramiro. - N�o se preocupe com isso.
Ramiro e Andrea haviam terminado depois de seis anos juntos.
Ramiro mudou-se do apartamento que dividiam e voltou a morar com sua m�e.
O dia que ele se mudou, ela evitou estar l�.
Ramiro rapidamente recolheu suas coisas e observou as de Andrea.
Era como se ele as estivesse vendo pela primeira vez.
Coisas as quais ele nunca realmente notou
agora pareciam estranhas para ele.
Como se pertencessem a um estranho.
Andrea deixou um bilhette sobre a cama.
Algumas vezes Andrea precisava explicar seus sentimentos por escrito.
Ela havia escrito cartas para ele ap�s suas brigas e momentos felizes.
Algumas vezes sem motivo aparente
A �ltima carta foi de apenas algumas linhas de um livro que ela estava lendo.
Era uma carta de despedida.
- Eu tento convencer a mim mesma que h� coisas muito piores do que abandonar algu�m.
Pode ser doloroso, mas n�o tem de ser uma trag�dia.
Se eu nunca desistir de ningu�m nunca haver� espa�o para o novo.
A evolu��o constitui uma infidelidade.
Para os outros, para o passado...
para priorizar as opni�es de si mesmo.
Todos os dias deveriam ter, ao menos, uma infidelidade essencial.
Uma trai��o necess�ria.
Um simples ato de otimismo.
De esperan�a.
Isto garantiria a f� no futuro.
Uma afirma��o de que as coisas n�o apenas podem ser diferentes,
mas melhores.
Minhas pequenas, pobres lembran�as
Como esfor�am-se para ficarem comigo.
Eu as digo para partirem, que me deixem
Que n�o me falem mais de ti.
Que voc� foi minha felicidade, que voc� � meu sofrimento.
Que me doem de todos as formas
as feridas do seu amor.
Minhas pequenas, pobres mem�rias.
Que n�o pensam em nada, al�m de ti
Pobrezinhas
Como choram por ficarem junto a mim.
II. OS PROBLEMAS DE RAMIRO LASTRA
- Por favor. Voc� tem um livro de um autor estrangeiro,
com uma capa azul?
Eu ouvi falar dele no r�dio. � uma hist�ria de amor.
- Acabei de vender o �ltimo. Uma pena.
- Oh, bem. Eu terei de continuar procurando.
- Boa sorte, madame. - Obrigada.
- No outro dia um rapaz me perguntou: "Voc� tem algum livro grande
com uma capa dura para o meu cunhado?
Ele � um motorisa de �nibus
e gosta muito de ler."
Ol�.
- Maestro. - Lucas, o que h�?
Eu tenho uma importante not�cia para voc�s.
- S�rio? - Sim.
Depois de voc�.
Meu querid�ssimo Luismi. Ramiro.
Venho vos informar que eu irei me casar.
Com Silvia. Ela � uma amiga argentina
que precisa de cidadania
e casando-se � a �nica forma de conseguir
- Casando-se com voc�? - Sim, bem...
Ela poderia casar-se com qualquer um,
mas eu fui o primeiro a fazer esta humilde proposta.
- Eu vou me casar. - Espere um segundo.
Lucas, voc� e esta garota...
engrenaram-se em coisas carnais ou algo parecido?
- Sim, mas isto n�o importa nada agora... - Ela � uma gar�onete.
- Do �nico bar que frequentamos agora. - � s� para os pap�is...
a menor coisa er�tica que podem imaginar.
- Meus parab�ns pelo seu sacrif�cio.
- Isto que me preocupa, sabe?
Que ela pode sentir-se em d�bito comigo,
como se me devesse um favor ou algo assim.
Eu n�o gostaria de manchar a amizade com algo assim.
E � por isso que tem de ser muito claro.
Precisamos nos abster dos sentimentos.
Por que eu n�o gosto de Silvia.
E � por isso que vou casar com ela.
Por que neste caso n�o pode haver este tipo de interfer�ncia.
Voc�s transaram quantas vezes?
N�o, trepar n�o tem nada haver com isso.
Isto � o que voc� pensa.
E � por isso que voc� nunca trepa.
Trepar, Ramiro. Trepar.
�... � fundamental...
� uma prioridade m�xima, agora, para voc�.
- Minha prioridade � encontrar um apartamento. - Para trepar tranquilo...
- Sabe em quem eu ando pensando muito ultimamente?
- Em Irene. - Irene...?
Mu�oz. Irene Mu�oz. Ela era de minha universidade.
- Nunca mais a vi desde ent�o. - Mas ela tinha um namorado.
- Ela saia com um cara chamado Jaime, mas eles n�o eram certos um para o outro.
N�s fizemos um trabalho juntos de Literatura Medieval e...
havia sempre toda aquela tens�o...
- Sabe quem voc� deveria foder agora mesmo? - Quem?
- Silvia.
- Logo antes de voc� se casar com ela? - Exatamente.
Isto vai evitar confus�es.
Ei, Gonzalo.
Eu esqueci de te contar, Gonzalo est� mal.
Ele brigou com Bea e se mudou.
- O que houve? - Ele ir� te contar.
Tente n�o rir da sua cara.
Parece que ele foi pego tocando uma...
- Este � o problemas dos apartamentos hoje me dia.
Costumava haver um longo corredor
E quando ouvia-se a porta da frente
voc� tinha tempo para reagir...
E eu estava pensando em outra mulher.
Todo mundo faz isso, certo?
- Voc� contou a ela em quem estava pensando?
- N�o, eu disse que n�o queria contar
e eu n�o consigo ver por que deveria...
- � loucura, Gonzalo.
Voc� n�o � livre nem, ao menos, para ser infiel em pensamento.
- Este � o problema sobre os casais.
- Ao diabo com Bea, cara. Voc� n�o fez nada de errado.
V� ao banheiro, quebre o sistema.
N�o sei.
- Garotos. Vamos terminando.
- S� mais uma rodada. - N�o. Estamos fechando, Lucas.
- Sobrou um pouquinho!
Eu contei a eles sobre n�s, Silvia.
- O que sobre n�s?
- O que voc� acha?
Nosso compromisso nupcial.
- Isto soa horr�vel. - Eu conhe�o coisas que soam muito pior!
Voc� v�... O nome dela era Andrea, certo?
Andrea.
- Voc� a viu de novo? - N�o.
� complicado.
Desde que Ramiro rompeu com Andrea todos seus amigos preocuparam-se com ele.
Ele n�o queria ser a v�tima,
mas tamb�m ele n�o gostava deles tornando seu problema algo trivial.
- Vamos realmente neste lugar? - Sim.
Lucas, eles v�o nos cobrar uma fortuna.
Eu sou contra bares que voc� tem de esperar na fila.
Sem p�nico. Esperem aqui, um minuto.
E l� vai ele... Como se fosse dono do lugar.
Eu sou contra qualquer lugar em que se tenha de esperar numa fila.
Puta que o pariu...
Bem, eu...
Eu conheci uma garota aqui, uma vez.
Carlota.
Carlota, sim. Alguma vez eu j� lhe contei?
Sobre Carlota? Sim.
Havia dias que Ramiro n�o queria sair
Mas quando fazia, ele nunca mais queria voltar.
- Dizem que para se recuperar de um termino
leva exatamente metade do tempo da dura��o do relacionamento.
- Eu li isto numa revista. - Parece certo.
- Quanto tempo ficou com Andrea? - Seis aninhos.
- Esta teoria � uma merda.
Ele n�o conseguia parar de pensar em Andrea.
Muitas vezes perguntou-seHe often wondered onde ela poderia estar.
Ele a imanigou fazendo o mesmo.
Tamb�m imaginou encontra-l� casualemente por a�.
A ideia o amedrontava e o confortava ao mesmo tempo.
Eu estive olhando voc� o tempo todo.
E tinha duas op��es: ficar ali ou vir e conversar com voc�.
Quer trepar?
Oi.
- Quer trepar? - N�o.
Brincadeira... Pensa que eu diria algo as...?
Ei, onde vai?
Adeus.
Mas n�o � dram�tico.
Isto n�o � t�o tr�gico.
Isto n�o � drama, n�o.
Te direi mil coisas com que possa chorar...
Isto n�o � um drama, n�o.
Isto n�o � t�o tr�gico.
N�o �.
N�o, n�o � um drama.
III. O PARADOXO MATEM�TICO DA NOSTALGIA
Sim, muito tempo.
Sim.
Como esta? Bem.
Sim, sim.
Pensei em voc� outro dia e imaginei que devia te ligar.
Voc� sabe, o tipo de coisa que voc� acaba n�o fazendo.
Tudo bem. Qualquer hora... Sim.
- Oi, como est�? - Ol�.
- Como vai voc�? - Muito bem.
O que sabe Elena?
Nada de muito, mas
sei que ela faz edi��es numa editora.
Algumas vezes penso em ligar para ela mas eu nunca ligo.
Isto acontece com muitos ex-colegas de classe.
Eu perdi contato com muita gente, tamb�m.
Creio que organizem encontros para ex-alunos, mas...
eu n�o sei.
Eu fico um pouco nervosa
encontrando pessoas que n�o vejo mais.
Me causa uma sensa��o estranha.
Eu n�o posso for�ar este tipo de encontros.
Certas vezes eu vou a reuni�es assim e... e... eu n�o sei.
Acabo cercada de pessoas que eu julgava conhecer
mas que n�o conhe�o nada.
S�o rostos no meu �lbum de fotos e por tr�s n�o h� absolutamente nada.
Eu falo no passado, uso verbos no pret�rito...
Invento as coisas realmente...
Voc� ainda est� com Andrea?
- N�o, n�s terminamos. - Me desculpe.
Terminamos a seis meses atr�s.
N�o estavamos bem. Foi melhor para n�s.
Quanto tempo estavam juntos?
Seis anos.
- Seis anos � muito tempo. - Sim...
a verdade � que sim. - Como est� lidando com isso?
Dizem que leva metade da dura��o do relacionamento para se superar.
Esperamos que n�o.
O que me incomoda � a sensa��o de que segui, ponto por ponto,
todos os passos de uma esp�cie de manual de clich�s de casais.
Gostaria de ser um casal especial.
A exce��o que confirma a regra.
Sim, isso.
Tamb�m, agora vejo coisas Que antes eu n�o via.
Por exemplo, quando ela teve de preparar sua tese de gradua��o,
Eu passei um ano inteiro animando e suportando
todas suas mudan�as de humor.
Mesmo meu apoio a irritava.
Como se ela quisesse mostrar o qu�o dif�cil era para ela
mas tendo de deixar claro que eu n�o podia ajud�-la.
Que merda! Agora voc� � a v�tima?
Ela nunca chegou e falou, mas ela estava constantemente mostrando-me
qu�o mais dif�cil era a �rea dela era que a minha.
Claro, como podemos comparar Filologia e Arquitetura?
N�s, alunos de Letras, somos sempre os piores.
- Continua trabalhando na livraria? - Sim.
Eu acho um dos melhores empregos do mundo.
Andrea n�o gostava nem um pouco.
Primeiro ela vinha bastante, ela apreciava.
Nossa, nunca me passou pela cabe�a subir aqui.
- Eu subo aqui para ler.
Costuma vir pouca gente, geralmente � bem tranquilo.
Camisinhas e fezes, mas ei... - Que nojo.
� legal.
- Suponho que seja normal. - O que?
Acontece com todos os casais.
Aconteceu comigo e Jaime e ele cursava Letras tamb�m.
- Voc� n�o est� mais com Jaime? - N�o.
Rompemos a um ano atr�s.
- Sinto muito. - A passagem do tempo.
Eu n�o sei como alguns casais superam isso.
- Mas superam, certo? - Eu n�o sei.
Sim. N�o.
- N�o. - N�o?
- Penso que todo casal tem uma data de validade.
Mas alguns agem como se n�o houvesse nada ou ignoram.
- Penso que seja, tamb�m, o medo do fracaso.
E t�m todos aqueles clich�s na cabe�a
sobre o amor que n�o dura para sempre, que se esgota...
- � por que o amor n�o dura para sempre. Esgota-se.
- � inevit�vel... - Inevit�vel. Odeio essa palavra.
- O que? - Nada.
Ramiro n�o contou a Irene que quando ela graduou
Andrea sugeriu que eles fizessem uma viagem a Paris.
Ela havia conquistado uma nota alta e queria celebrar.
Era tamb�m uma forma de recuperar a felicidade de estarem juntos.
Mas Ramiro disse que n�o poderia ir.
Ele sentiu que havia sido paciente o suficiente e queria mostrar a Andrea
que nem sempre estaria dispon�vel.
Discutiram.
Andrea decidiu fazer a viagem de qualquer modo e convidou Clara e Laura
suas duas melhores amigas. A viagem de casal se tornou uma viagem de garotas.
Ramiro se arrependeu uma semana depois e comprou uma passagem para Paris.
- O que � isso? - Nada, n�o � nada. Vou deixar isto aqui.
- Quer assistir um filme? - Sim.
- O que voc� quer assistir? - N�o me importo...
O que quiser assistir.
Ramiro. Ramiro, o que � isso?
- Eu comprei uma passagem para Paris. - Est� louco?
- Est� tudo bem, a senhora disse que eu posso devolver.
- N�o posso acreditar nisso.
- N�o se preocupe, eu vou devolver. Esta tudo bem.
A senhora disse que posso...
Voc� n�o quer que eu v�?
- N�o � isso, eu apenas n�o entendo por que fez isso.
- Queria te surpreender. Eu achei que ficaria feliz.
- Sim, bem, este � um plano diferente... Ser� esquisito...
- Por que? - Por que sim. Ser� esquisito.
- As garotas podem n�o querer voc� por perto. - Eu n�o vejo porque.
- Por que? - Sou seu namorado, n�o sou?
- Sim. - Sou, n�o sou?
- Ent�o...? - Suas amigas e seu namorado.
- � normal. - O que?
- Se voc� estiver querendo rapazes...
- Se voc� n�o quer entender, eu n�o vou me explicar.
- Voc� est� certa, n�o quero. - Ramiro!
Est� bem, voc� venceu, acabou. Deixa.
- Deixa. - Est� bem.
Qual o problema, Ramiro?
- Nada. - Qual o seu problema?
- Estou cansado dessa merda.
- Est� cansado disso? - Sim, estou cansado.
- Est� cansado? - Estou cansado.
- Est� cansado do que? - O que � t�o engra�ado?
- O que � t�o engra�ado? - Voc�.
- Se tivesse dito "sim" desde o come�o...
Eu sei, sou um idiota.
N�o, eu apenas... eu apenas n�o esperava.
� minha culpa, - Eu deveria ter pedido antes a voc�.
- Eu quero que v�. - N�o.
- Eu n�o vou, n�o ser� o mesmo. - Eu n�o ligo, eu quero que voc� v�.
- Eu s� vou estragar tudo para voc� e suas amigas.
- Ramiro. - Clara e Laura n�o gostam de mim.
- Voc� tamb�m n�o fez nenhum esfor�o.
Sim, eu fiz. Mas n�o importa.
N�o, n�o. Lembra-se da vez que elas vieram para jantar.
Voc� passou o jantar inteiro falando sobre remodelar o Prado.
Voc� foi para a cama e colocou os pijamas.
Bem, claro. Eles eram meus pijamas.
- O que est� fazendo?
- Adem�s, eu n�o gosto de viajar. - Voc� n�o gosta de ir a lugar algum.
- Minha mobilidade � apenas aparente.
Ai vem a teoria da mobilidade aparente.
- Voc� est� de pau duro, safado.
- Deixe-me assistir o filme. - O que?
- N�o...
No fim, Ramiro acabou indo a Paris com Andrea e suas amigas.
- Est� tarde, n�o? Pode passar a noite se quiser.
- � melhor eu ir para casa.
- N�o se preocupe, eu n�o vou estragar seu estilo ou coisa parecida.
- Ol�, Andrea. Sou eu, Ramiro.
Ramiro Lastra.
N�s saimos por um tempo.
Eu estava ligando s� pra ver como voc� estava.
Eu vou bem.
De qualquer forma, nos falamos a qualquer hora. Cuide-se. Tchau.
Quando come�aram a sair, Andrea o buscava na livraria.
Em diversas ocasi�es, quando sozinhos,
eles faziam sexo no dep�sito ou na se��o de Guerra Civil Espanhola.
Alguns dias Andrea ia para ler e folhear livros.
Depois disto ela come�ou a deixar de ir completamente.
- "Quanto mais vasto o tempo que deixamos para tr�s,
mais irresist�vel � a voz que nos convida ao retorno.
Essa frase parece evidente, e no entanto � falsa.
O homem envelhece, seu fim se aproxima,
os instantes se tornam cada vez mais preciosos e ele n�o tem tempo a perder com suas lembran�as.
� preciso compreender o paradoxo matem�tico da nostalgia:
ela � mais poderosa na primeira juventude,
quando o volume da vida passada � inteiramente insignificante."
Ramiro sentia que tudo que lia estava relacionado com ele.
A m�sica tinha efeito similar.
De repente ele come�ou a gostar de can��es que, at� ent�o, pareciam rid�culas para ele.
A esta��o dos amores
vem e vai.
E nossos desejos n�o envelhecem,
apesar da idade.
Se eu pensar em qu�o mal eu gastei
meu tempo,
que nunca mais ir� voltar, jamais.
A esta��o dos amores
vem e vai.
E vir� sem nenhum aviso, voc� ver�.
Ir� te surpreender.
N�s tivemos tantas oportunidades,
perdendo-as.
N�o chore por elas mais, n�o mais.
H� um novo entusiasmo,
por bater, no cora��o
e outra oportunidade
de conhecer a si mesmo.
Horizontes perdidos
n�o voltam, jamais.
A esta��o dos amores...
- Ol�, Ramiro. Como vai voc�?
Eu perdi sua liga��o outro dia.
Desculpe se n�o retornei, Eu estive uns dias em Menorca.
Numa casa bem legal com alguns amigos.
Eu ando muito sobrecarregada ultimamente.
Ando trabalhando muito e n�o tenho tempo para nada mais.
�s vezes penso em largar tudo e come�ar algo diferente.
Mas eu n�o vou te entediar falando de minhas coisas...
Eu estive na livraria mas voc� n�o estava l�.
Luismi me disse que eu lhe perdi por cinco minutinhos...
Ele foi muito am�vel comigo. N�s rimos bastante.
Ele disse que a crise n�o afetou a livraria
por que ela sempre havia estado em crise.
Comprei aquele livro de poesias de Alejandra Pizarnic.
Aquele que voc� estava sempre tentando me fazer ler e que eu nunca lia.
Eu gostei muito, mas � realmente triste.
Me fez pensar em voc� o tempo todo.
Da pr�xima vez me recomende algo alegre e divertido.
Desculpe, n�o posso mais escrever. Estou atrasada como sempre.
Talvez pud�ssemos nos escrever de tempos em tempos. O que voc� acha?
Mesmo sem termos muito o que dizer... Apenas para manter contato.
Espero que esteja bem. Um beijo bem grande, te amo. Andrea.
Ramiro leu o email diversas vezes. Especialmente o final.
Ele achou a ultima parte pertubadora. "Um beijo bem grande, te amo."
Ele decidiu n�o responder.
IV. FUTURAS PERSPECTIVAS
- Uma porra de ano inteiro?
Voc� sabe quanto tempo � isso?
E por que Canad�?
- Ainda n�o � definitivo. Eles t�m de confirmar minha vaga.
- Eu tenho uma ideia melhor. V� at� o viaduto
e, uma vez l�, se jogue.
Ao menos se voc� cometer suic�dio, n�s teremos lembran�as carinhosas suas.
- Oi. - Ol�.
- O que est� acontecendo?
- Este retardado infeliz quer ir para o Canad�.
- Ainda n�o � definitivo. - Por que Canad�?
- H� uma vaga para professor de Espanhol.
- Perfeito. � �timo.
Mudar de pa�s � �timo. Voc� passa a ver a coisas por uma nova perspectiva.
- Que "perpetiva"? - Perspectiva.
- N�o � por isso que ele quer ir. Ele est� tentando fugir.
De seus problemas. Isso n�o resolve nada, Ramiro.
- Ol�. - Ol�.
- Como est� tudo? - Bem.
- Bem. - Bem, sim.
- Voc� j� contou as novidades? - N�o, ainda n�o.
- Que novidades?
- Melhor voc� contar para eles.
- N�o, conta voc�.
- N�o me diga que esta gr�vida.
Isto � �timo!
- Wow! - Muito bom.
- Meus parab�ns. - Muito bom!
- Meus parab�ns. - Ainda � cedo.
- Obrigada.
- Ainda � muito cedo, ainda estamos nas primeiras semanas.
- Pobre Gonzalo! - Por que?
- Ele n�o poder� mais sair com agente,
ou viajar, ou ir ao cinema.
- Agora voc� gosta de viajar?
- Me referia de outra forma. Ramiro est� indo porque...
Como vou saber?
Algo estranho est� acontecendo. Isto n�o � normal.
Um est� indo para o P�lo Norte, o outro vai ser pai...
Realmente, isto n�o � normal. - Qual seu problema?
Por que voc� tem que ser t�o babaca?
- Por que est� me atacando?
- N�o estou atacando voc�. E voc� sabe muito bem.
- O que �? - Seu tom de voz. Chega.
- Voc� sempre tem que discordar comigo...
- N�o, n�o tenho. N�o estou discordando de voc�.
- Ent�o pare, tudo bem? - Certo.
- Por que est� t�o quieto?
Ah, desculpa, eu esqueci.
Desculpa, voc� � o Senhor Melancolia.
Quer saber qual o seu problema?
Voc� est� com muito tes�o.
O que acontece se voc� trepar com uma de suas alunas?
- E � s� isso que ele pensa...
- Voc� sabe como s�o as pris�es no Canad�?
- N�o h� alunas. - Que?
- N�o h� alunas. � uma escola para garotos.
- De verdade?
Eu vou pegar o �ltimo metro para casa. O que voc�s v�o fazer?
- Estou indo para casa. - Eu tamb�m.
- Sua partida � o que o irrita.
Seus amigos tomando decis�es, crescendo.
Exatamente o que ele n�o est� fazendo.
- � de seu futuro marido que est� falando.
- Sim, veremos. - Vou por aqui.
- A pior parte dessa coisa toda de casamento
� que � como uma obriga��o que ele inventou para ele mesmo.
Ele n�o quer nada de mim e faz disso um sacrif�cio.
- Ele est� apaixonado por voc�.
Por isso est� com medo de casar com voc�.
E talvez por isso se ofereceu para casar com voc�, para se distanciar.
- Um pouco �s avessas, n�o?
- Lucas nunca levou a s�rio nenhuma garota.
- Talvez seria mais f�cil se voc� casasse comigo.
- Eu vou me lembrar disso.
Canterei o que quero.
Calarei enquanto bebo.
E se for para esquecer,
ou para revelar secredos,
melhor, melhor calar.
Can��o para foder.
E brincadeiras � parte,
tudo tem sido um inferno
E pessoas covardes,
e ficamos morrendo de medo.
Alguns vir�o as costas para mim,
outros me d�o conselhos.
Can��o para foder.
A um salto da cama, a resposta.
- Geralmente � o contr�rio;
Primeiro te fodem e depois eles prop�e casamento.
- � que eu sou mais tradicional.
- Antigamente as pessoas n�o fodiam antes de estarem casados.
... Eu lembro de um namorado que tive.
Fod�amos muito bem.
Quando terminamos, levou um tempo antes de aproveitar o sexo novamente.
Eu sempre os comparava.
Especialmente as primeiras vezes.
Mas n�o se preocupe, n�o foi t�o ruim quanto eu esperava.
- Obrigado.
- Veja. Bem aqui...
- Se te mandam para casa no mesmo dia, n�o te aplicam uma anestesia geral.
N�o deve ser nada s�rio.
- N�o pense nisso. Voc� n�o est� gr�vida.
- Eu n�o sei. Eu sinto. - S� est� atrasada... Sempre atrasa...
- Tr�s semanas, atrasada? N�o, n�o, n�o, n�o, n�o.
- Talvez voc� esteja psicol�gicamente gr�vida de tanto pensar nisso.
- Imagina?
- Imagino fazer amor contigo,
bem gorda e com sete meses de gravidez
e com os peitos grandes.
- Qual ser� o nome?
- Se for menino, Ramiro. - Nem pensar.
- Sim, Ramiro � horr�vel. Javier?
- Javier? Samuel?
- Samuel Lastra? - N�o envolva seu sobrenome.
- Certo, mas � melhor que Martinez. Samuel Lastra Martinez.
- E se for uma menina? - Lucia.
- H� milhares de Lucias por a�...
- Sandra. - Soa muito com Andrea.
- Irene. - Irene n�o.
- Porque n�o? Porque n�o?
- Eu gosto de Marina. - Marina?
- Gosto do som. "Ol�, Marina!"
- Podemos coloc�-la numa escola francesa ou italiana.
- N�o, eu prefiro uma escola normal. Se n�o eles acabam esquisitos...
- Eu o levaria para caminhadas em seu andador,
ler hist�rias para ele, lev�-lo para ver filmes...
Quando ele crescer eu vou ensin�-lo sobre os p�ssaros e as abelhas e essas coisas...
- Se eu estiver gr�vida, deveriamos procurar outro apartamento.
Nada deprime mais uma pessoa apaixonada do que ser feito de idiota.
O que significa, lembrar-lhes que est�o num jogo.
Embora a seriedade do jogo possa machucar para a vida toda.
- Um ano? No Canad�?
Voc� n�o podia escolher um lugar mais longe que este?
- N�o havia vagas na Nova Zelandia...
S�rio, eu preciso de uma mudan�a de cen�rio. Ver outros lugares.
Ajuda a enchergar as coisas por uma outra perspectiva.
- Voc� � um idiota. - Por que?
- Por que voc� iria partir sem me dizer nada.
- Eu ia te contar, mas quando fosse certeza.
- Voc� n�o respondeu meu email.
- E voc� n�o me ligou. - Eu pedi desculpa pelo email...
- Voc� est� certa.
- Eu ia te escrever.
- Aham...
- Ol�. Como esta?
Bem, bem.
N�o, eu estou com uma amiga agora.
Eu te ligo mais tarde e n�s conversamos. Certo.
Sim, est� bom para mim. Qualquer hora. Perfeito.
Certo, te ligo depois. Sim, certo.
Falo com voc� mais tarde. Tchau.
- Voc� parece bem. - Sinceramente, eu ando muit�ssimo bem.
- Eu gosto daquele pr�dio. - Aquele l�?
- Eu sempre me pego observando ele.
Algumas pessoas dizem que ele esconde a Almudena, mas...
Eu acho que est� nos fazendo um grande favor.
Eu gosto dele, � um pr�dio comum
constru�do nas ru�nas da Muralla de San Reymondo.
Que foi?
- Nada, s� � engra�ado. - O que � engra�ado?
Toda vez que nos vemos, agora, voc� fala sobre pr�dios,
pra�as, fontes... Voc� n�o costumava fazer isto antes.
- Sim, costumava sim. Mas eu posso dizer que voc� n�o estava interessado.
Voc� fingia estar, o que � pior.
- Mentira. - N�o.
- � exatamente como eu sempre me senti, voc� falava mais para voc� do que para mim.
- S�rio? - Sim.
- � poss�vel. Mas n�o importa.
Outro dia eu fui numa palestra de um arquiteto sueco que me encantou.
- S�rio?
- Ele se inscreveu num concurso criado pelo governo em Roma
para remodelar uma de suas pra�as.
Arquitetos de todo o mundo proporam diferentes projetos.
Ele disse que foi a Roma,
por uma semana, para v�-la. Ele andou horas por ela.
Ele a estudou, a vivenciou.
E, antes de considerar milhares de ideias,
ele chegou a conclus�o que a pra�a estava bem como estava.
Ele n�o encontrou nenhum motivo para mud�-la ou para torn�-la melhor.
Ele gostou dela exatamente como ela era.
E est� foi sua proposta: n�o tocar nela.
- Bom. - Eu achei genial.
O foda � que ele n�o venceu...
Muitos arquitetos s� querem criar coisas espetaculares...
e nem ao menos sabem por que. �s vezes � bom.
A mudan�a pode ser uma coisa boa. Mas, algumas vezes, n�o �.
� desnecess�rio...
Eu estou te entediando? - N�o.
- Eu estou te entediando. Esque�e, eu estou te entediando...
- N�o, � que...
- Levanta.
- Ah, eu tenho uma coisa pra voc�. � apenas uma coisinha...
eu passei por uma papelaria e...
- Por que? - N�o � nada, s�rio.
- �timo. Muito legal.
- Voc� gostou? - Sim.
- N�o abra agora! - N�o.
- N�o, n�o, n�o, n�o... - T� bom, n�o abro.
Obrigado.
- O que est� fazendo? - Te beijando. Te incomoda?
Sinceramente, n�o. N�o mesmo...
- Ei...
Por que tirou a foto do banheiro?
- Por que eu n�o queria ver ela todas as manh�s.
- Tentando me apagar, n�o?
- Eu n�o vou pro Canad�.
- Que?
- O que eu vou fazer l�?
- Eu n�o sei.
- Voc� n�o disse que precisava de uma mudan�a de cen�rio?
- Sim, mas mudei de ideia.
- Voc� mudou de ideia? - Sim.
- Quando?
- Eu n�o sei. Agora mesmo.
- E de qualquer forma, eu n�o quero ser professor.
Eu nunca quis dar aulas.
Uma escola para garotos no P�lo Norte? Que idiotisse!
- Ramiro, voc� � louco. - Por que?
- Por que sim. Voc� n�o pode fazer isso. - Fazer o que?
- Mudar de ideia assim. � um absurdo.
Absurdo � eu ir para o Canad�. Eu prefiro ficar com voc�.
- Est� me gozando.
Voc� disse que queria ver o mundo por uma outra perspectiva.
- N�o faz diferen�a alguma. - Sim, faz. Faz sim.
Voc� n�o pode mudar de ideia assim s� por que fodeu uma vez.
- Voc� realmente acha que eu treparia com voc� e simplesmente sumiria?
- N�o, n�o.
- Ou foi minha partida que fez voc� querer trepar comigo uma �ltima vez?
- Voc� me beijou primeiro. - Sim, e da�?
- Eu n�o sei. Eu n�o sei.
Eu achei que fosse diferente...
- Achou que oque fosse diferente? - Voc�.
- Achei que tinha mudado. - Como?
- Melhor. Eu achei que estivesse melhor.
- Claro, entendo.
Voc� trepou comigo por que me viu menos apaixonado por voc�,
pensando em viagens...
- Talvez fosse o que voc� quisesse que eu visse, com toda essa merda sobre o Canad�.
- A "merda sobre o Canad�" � real.
- Agora � verdade? - Sim.
- Menos mal. - Sim, menos mal.
Porque, se eu ficar aqui, voc� pode aparecer.
- Hey. O que a "caranga branca" faz aqui?
Onde ela estava? - Eu n�o sei.
- Voc� a colocou aqui? - Eu n�o sei, Ramiro.
- Eu achei que tinha perdido ela... - Pode ficar.
- Eu n�o a quero. Agora eu j� sei onde ela esta.
- Eu, realmente, n�o me importo. Leve com voc�.
- Pode ficar com ela. - Ramiro...
- Eu n�o tive a inten��o... - Mas...
V. A VIDA DE ANTES QUE N�O VOLTAR�
- Ramiro, o que o traz aqui?
- Ol�, Nico.
- A quanto n�o nos vemos. - Sim.
- Entre, entre!
- Voc� parece bem. - Voc� tamb�m.
- Voc� parece o mesmo de sempre.
- Quer beber algo? - Sim.
- Eu tenho Coca-cola, �gua, suco, Coca diet...
- Um copo d'agua. Eu iria te ligar mas perdi seu n�mero.
- Algumas semanas depois e voc� n�o me acharia.
Eu estou me mudando. - S�rio?
- Sim, com minha menina. Compramos uma casa nos suburbios.
� linda, com um jardim nos fundos e tudo mais. Incr�vel.
Nossos familiares nos ajudaram. Foi uma oportunidade maravilhosa.
� a 48 quil�metros de Madri, sem as ruas da cidade.
N�s ainda podemos v�-las sendo constru�das.
Pegamos as chaves em duas semanas.
- Isto � �timo. - N�s estamos muito ansiosos.
- Acho que os vi, voc� e sua namorada, na rua outro dia.
- Sim, Vicky.
M�s que vem completamos quatro anos, mas...
parece que acabamos de nos conhe�er. � inacredit�vel.
Ela � marevilhosa. N�o esperamos para ter um beb�,
mas estamos nos segurando at� que nos acomod�mos na casa nova.
- Claro.
- Vicky acabou de ser promovida. N�s trabalhamos na mesma empresa.
- N�o brinca? - S�rio.
Ela � coordenadora de produ��o e eu sou um designer.
� uma manufaturadora de video games. - Voc� cursou Matem�tica, certo?
- Sim, mas eu mudei para Tecnologia de Informa��o no meu segundo ano.
Eu n�o queria acabar dando aulas... - Certo.
- Ent�o, como vai voc�?
O que o traz aqui?
- Bem, somos vizinhos de novo.
Estou morando com minha m�e e minha av�.
Andrea e eu terminamos a alguns meses atr�s.
Ela ficou no apartamento em que mor�vamos e eu me mudei.
Estou aqui at� encontrar algo.
- Isso � p�ssimo. - N�o, seguimos bem.
Embora mal estejamos nos vendo.
Ela est� trabalhando num est�dio de arquitetura.
- Veja, � ela.
- Est� com minha m�e, comprando mobilia para a casa
Diga, amorzinho?
- Sim. Sim, sim.
Deixe-me dar as medidas novamente.
Ol�.
- Raquel, eu mal te reconheci.
- A �ltima vez que me viu eu tinha treze anos.
- Certo, isto foi...
- Quando voc� roubou a namorada do meu irm�o.
- Sim, mais ou menos.
- Voc� j� esteve na aula do Carlos Parrocha?
Voc� estudou Filologia, certo?
Ele � um idiota. Eu estou fazendo um trabalho para ele.
- Sobre o que?
- Identidade, autobiografia e o uso de modelos em Sender.
- Ele me deu uma boa nota. - Ele � desprez�vel.
Ele tem pequenas gotas de saliva em seus l�bios.
- � verdade, que nojo.
- J� pegou Rosario Marquez em gram�tica?
- N�o. Eu tenho um professor muito chato de gram�tica.
Ele � legal, mas n�o � bom para lecionar.
- O mundo das mobilias! Pratos, len��is, eletrodom�sticos..
Veja quem est� aqui. Voc� se lembra do Ramiro, n�o?
Ela est� fazendo Filologia, assim como voc�.
- Voc� se graduou? - Sim.
- O que esta fazendo agora? - Continuo na livraria.
- Espero encontrar trabalho algum dia.
Fui.
- Voc� disse pra mam�e que ficaria em casa para estudar.
- Preciso pegar umas anota��es com Maria. N�o vou demorar.
- Voc� quem sabe.
- At� mais tarde. - Tchau.
- Eu mal a reconheci. - Ela � uma obra de arte.
Quando voc� e a Andrea romperam?
- No come�o do ver�o. - Ah, certo.
Eu n�o sei se foi antes ou depois disso.
Eu a vi na rua outro dia e ela estava �tima.
Estava radiante.
Mas n�o sei se estavam juntos ainda.
Ela n�o falou nada.
Ramiro e Nicolas se encontraram na escola.
Tinham tr�s meses de diferen�a e consideravam-se melhores amigos.
Ramiro era mais popular com as garotas.
Mas Nico o apresentou a Andrea.
Quando Ramiro come�ou a sair com ela eles se afastaram.
Ramiro pensou diversas vezes em recobrar sua amizade com Nico.
Por�m nunca fez para isso acontecer.
Sete anos depois, ele percebeu que nunca mais tiveram nada mais em comum.
- Sabe, eu li alguns poemas seus.
- N�o brinca.
- Sim, sempre achei que voc� fosse um poeta.
- Bem, houve uma �poca em que era poeta.
Um poeta retardado de rua...
- Bem, eu gostei deles quando li. Apesar de estar apaixonada por voc�.
- N�o se fa�a de idiota, voc� sabe perfeitamente. - N�o.
- Voc� roubou o meu di�rio, e estava tudo l�. Idiota.
- Sim, eu me lembro.
- Sinceramente, se voc�, alguma vez, voltar a escrever, me avise.
Meus amigos organizam um sarau e voc� poderia vir qualquer hora...
- Voc� participa? - N�o, eu n�o escrevo.
- Voc� aparenta escrever.
- S�rio? - SIm.
- N�o, eu nunca escrevi poesia. Apesar de que eu venho escrevendo contos.
- Eu gostaria de os ler.
- Voc� me deixa ler seus poemas e eu deixo voc� ler meus contos.
- Mas eu n�o escrevo mais.
- Mentiroso. - De verdade, eu juro.
- Quer saber?
Voc� continua com cara de poeta retardado de rua.
Bom, eu tenho que ir.
Te vejo por ai. Somos vizinhos agora.
Ramiro deixou de escrever poemas logo ap�s come�ar a sair com Andrea.
Ele os leu a um tempo a tr�s e n�o eram t�o ruins quanto ele se lembrava.
Ele queria escrever um novo.
Ele abriu o caderno que Andrea lhe deu, e leu a dedicat�ria na primeira p�gina.
Algumas linhas de Alejandra Pizamik.
Temos de escrever para o Nada, para ningu�m.
O corpo recorda um amor t�o r�pido quanto o acender da l�mpada.
Em sil�ncio � tenta��o e promessa.
- Ent�o?
Tudo bem, pode me dizer a verdade.
- Eu gostei. - N�o, de verdade. Pode ser honesta.
- Estou sendo honesta. Eu realmente gostei.
Sim, eu os acho muito bons.
- Quero que me diga a verdade.
- S�o rom�nticos. S�o bons. - Eu os escrevi a muito tempo atr�s.
- Posso dizer que eles t�m aquela...
inoc�ncia, ingenuidade. S�o bons, eu gostei.
- Posso ver que n�o gostou. - Sim, gostei.
- N�o seja estraga prazeres. - N�o me importo.
- Cavalo dado n�o se olha os dentes.
- Eu sei que s�o ruins. - S�o incr�veis, Rami.
Rami, s�o incr�veis.
S�o magn�nimos.
S�o, possivelmente, os melhores que li...
nos �ltimos 15 anos.
S�rio, n�o ri. Entre voc� e Borges n�o h� diferen�a.
- Certo, certo. - N�o me toque.
N�o me toque, porque eu n�o acredito que voc� est� aqui.
Se me toca, me acelera o cora��o.
Agora mesmo estou sentindo uma pontada.
Ramiro lembrou-se do �ltimo poema que ele escreveu.
Sobre o tempo que se passa esperando a pessoas pela qual se est� apaixonado.
Ele teve a ideia um dia em que Andrea o fez esperar.
Ela sempre criava desculpa que eram mais ou menos convincentes
e Ramiro amea�ou deix�-la esperando.
Certa vez ele decidiu faz�-la acreditar que ele realmente a tivesse deixado esperando.
VI. SOLTANDO BALA
- Ramiro, tem uma garota aqui procurando por voc�.
- Eu?
- Ol�.
- Como � este livro? - Eu ainda n�o o li.
- Ent�o voc� � o t�pico vendedor que n�o conhece seus produtos.
- Sim, vivo numa ignor�ncia absoluta.
- Os outros recomendam livros que n�o leram.
- Especialmente se custam mais de 25 euros.
Voc� recomendaria este aqui?
- Sim, este tem uma hist�ria modesta. � triste, mas engra�ado.
- Voc� n�o recomenda muitos livros, n�o �?
- Apenas se me perguntam. - Eu vim para lhe devolver os poemas.
- O que significa que n�o gostou. - Sim, mas eu fiz algumas corre��es.
- S�rio? - N�o.
Agora n�o, que morro de vergonha. - S�o lixo, n�o s�o?
- Quer que lhe diga a verdade?
- Luismi, eu volto j�.
- Tchau. - Tchau. Fique a vontade!
- Eu gosto da sua livraria. - N�o � minha, � do meu tio.
- Sua av� me disse onde te encontrar.
- Certo. Eu quero ouvir a sua cr�tica.
- N�o � f�cil falar de poesia.
Mas eu realmente gostei de todos eles. Especialemnte dois deles, que est�o muito bons.
Mas alguns eu gostei menos.
Os que s�o mais transparentes.
- Transparente. - Sim.
Sim, eu gosto de poesias que s�o mais sugestivas.
Penso que alus�es funcionam melhor. - Sim, j� saquei.
� das que preferem a poesia que n�o se entende.
N�o, mas eu gosto de manter as coisas um pouco misteriosas.
At� por que a emo��o na arte � impessoal.
- Certo, essa frase n�o � minha. Eu n�o lembro quem a disse, mas...
O que quero dizer �, eu gosto mais quando o poeta n�o se exp�e de uma maneira t�o evidente.
- Certo. - Voc� sempre escolhe os mesmos temas.
Amor, sexo... N�o te passa nada mais na cabe�a?
- N�o conhe�o outros... Estes s�o meus temas.
- Eu vejo.
Me recordo de um... Creio que falta um pouco de...
elabora��o po�tica. - Elabora��o po�tica.
- Sim. N�s os deixamos na loja, mas...
- Acho que me lembro. - N�o, por favor.
- Sim. - N�o, est� bem.
- Era algo como...
- "Teus peitos..." - N�o.
- "Seus l�bios..." - Vamos, eles n�o s�o t�o ruins.
- "Tua bunda..." - N�o s�o t�o ruins.
- E por ai v�o... - Voc� trouxe suas hist�rias?
- N�o. - Sabia.
- Voc� quer que eu lhe traga
qualquer coisa, para poder me fazer em peda�os.
- Pelo contr�rio. Eu diria que gostei deles, mesmo se n�o gostasse.
- Voc� est� puto. - N�o, n�o estou.
- Voc� est� puto... - N�o.
- N�o pode ser assim. - N�o, eu acho que voc� tem raz�o.
- N�o, n�o, n�o.
Se voc� pegou seus poemas, os colocou num envelope
e me entregou, � por que voc� gosta deles.
Ent�o agora voc� tem de defend�-los.
- Voc� n�o tem nada melhor para fazer do que vir aqui e me massacrar.
- Eu tenho aula de sintaxe Mas isto � mais divertido
- Ent�o voc� matou a aula de sintaxe para vir aqui ser critico liter�rio?
- Sim.
- N�o.
- Sintaxe � uma disciplina fundamental. � melhor voc� voltar.
Que horas � sua aula?
- �s seis. - Voc� ainda pode assist�-la.
- Vejo que est� preocupado com meu futuro.
Ent�o � melhor eu ir. Vejo voc� depois.
- O que est� fazendo?
- O que? - Est� louco?
Eu vi que os deixou ali e pensei que podia l�-los.
- Eu n�o te dei permiss�o. - Ent�o por que os escreveu?
Para que as pessoas leiam. Para isso se escreve.
Ramiro, para isso. - Eu os escrevi a muito tempo atr�s.
- J� pensou em public�-los?
- Eu n�o pensei em merda nenhuma.
- Eu conhe�o uma empresa que trabalha com pequenas publica��es e livros de pequenas edi��es.
- Podemos fazer uma edi��o limitada. - Eu n�o vou public�-los.
- Milhares de livros s�o publicados na Espanha todos os anos.
Por que voc� n�o publica um?
Onde voc� vai?
Ali�s, eles s�o muito bons.
- Sabe que estamos nos metendo em confus�o.
Nunca poderiamos ser um casal normal.
Teremos de nos esconder por a�.
Seria uma rela��o clandestina, como fazem os amantes.
Ter�amos de foder no carro, em hoteis, nos encontrarmos em outras cidades...
Nunca tive uma rela��o assim.
Imagine voc� chegando em casa um dia e dizer a seu irm�o: "Ol�, Nico.
Este � meu novo namorado."
Ele abre a porta e l� estou eu.
Pode imaginar isso? - N�o.
- Estou indo para o Canad�.
- Est� indo para o Canad�? Agora?
- N�o, em setembro.
Eu estou indo lecionar em um col�gio.
- N�o consigo te imaginar lecionando.
- N�o consegue. Por que n�o?
- N�o sei, n�o te encaixa.
- Por que n�o me encaixa?
- Eu n�o sei.
- Quer que te deixe em algum lugar?
- Sim.
- Aos conjugues � obrigat�rio que vivam juntos, permane�am fi�is,
e ajudando um ao outro mutuamente, assim como dividindo tarefas dom�sticas
e cuidando de qualquer outro familiar em suas responsabilidades.
Ramiro Lastra Garcia,
Voc� aceita Silvia Esther Delgado como sua esposa?
- Sim. - Certo.
Silvia Esther Delgado, voc� aceita Ramiro Lastra Garcia como seu marido?
- Sim, aceito. - Certo, ent�o.
Pela autoridade a mim investida eu vos declaro marido e mulher.
Que sejam muito felizes, de verdade.
- "O estranho em nosso corpo
� a submiss�o �s regras da simetria.
temos dois olhos, duas orelhas, dois orif�cios nasais,
dois pares de dentes numericamente exatos,
duas am�gdalas, duas clav�culas, dois br�nquios,
dois pulm�es, duas omoplatas,
dois mam�los, dois bra�os, dois rins,
duas coxas, duas n�degas,
duas pernas, dois test�culos,
duas m�os, dois p�s, duas costelas.
Quem imp�s esta ordem bin�ria, aparentemente id�nticas,
a um pensamento futuro?
Qual a rela��o destes pares de org�os,
ou membros repetidos, e aqueles que s�o �nicos?
Como a l�ngua, o es�fago,
o est�mago, o cora��o, o f�gado,
o p�nis, o �nus...
N�s somos a combina��o do solit�rio e do conjunto.
O que parece indicar que, seja l� o que nos tenha criado, estava em d�vida.
Que, afinal, sem saber o que fazer,
optou pelo aleat�rio, o ecleticismo."
- � lindo. - Sim, � sim.
E este livro s� custa 5 euros
e � um livro nada f�cil de encontrar.
Voc� tem algo de Federico Garc�a Lorca?
Hmmm, sim. Federico...
- Federico... - Lorca, certo?
Sim.
- Veja, aqui � toda se��o de Poesia Espanhola.
- Como est� Silvia?
- Ela est� contente? - Sim.
Est� contente.
- Mas est� puta por que voc� n�o foi. - Mas por que?
� s� um tr�mite, certo?
Era para voc� ser a testemunha.
- A �nica coisa que acho � que voc� tem de tomar cuidado com ela agora.
- Por que?
- Voc� deveria foder outra garota para evitar qualquer confus�o.
- Todos est�o no bar celebrando Vamos.
- V� voc�. Eu passarei l� depois. - Vamos, Lucas.
Venha, vamos! - N�o, v� voc�. De verdade.
- J� escreveu uma carta e amor alguma vez?
- Por que est� me perguntando isso agora?
Por que voc� nunca escreveu uma carta de amor na sua porra de vida?!
� como disse Pessoa. As cartas de amor s�o rid�culas
Mas afinal, rid�culo mesmo � quem nunca escreveu uma carta de amor.
- Fant�stico. Voc� � mais rom�ntico que eu.
Voc�, que termina com uma garota e fica "ai ai ai ai ai".
Passa o tempo todo sendo um puta melanc�lico, Ramiro.
Ent�o voc� trepa com essas garotas maravilhosas
e n�o d� a m�nima.
Por que n�o consegue sair dessa merda.
- Estaria bem se voc� parasse de usar o verbo "foder" um pouco.
- Ei, cara. Como vai voc�?
E ai, como vai? Faz tempo que n�o te vejo!
- Que tal algumas cervejas?
Quando Ramiro e Andrea decidiram romper
n�o haviam argumentos nem censuras.
Apenas um sentimento de tristeza que prolongou-se por alguns dias.
Eles romperam mas continuavam vivendo juntos.
Andrea falou algo sobre deixar a cidade por um tempo.
Ela sempre quis viver em outra cidade
e pensava que a dist�ncia fosse fazer bem a eles.
Ramiro concordou, mas a ideia o assustava ao mesmo tempo.
Uma noite, Ramiro n�o voltou para casa
Encontrou-se com algumas amigos e acabou bebendo num bar e chegou em casa de dia.
Andrea ficou em casa, desenhando a noite toda e perdendo tempo.
Ela pegou no sono um pouco antes de Ramiro chegar em casa.
- Voc� dormiu? - Creio que sim.
- Ol�. - Oi.
- Como v�o as coisas?
- Veja.
Toda essa arte
ficar� obsoleta por causa da internet.
Gra�as a isso n�s temos a B�blia, os gregos, Cervantes,
as enciclop�dias...
Uma pena.
Veja, veja. Veja como � bonito. � excitante.
Seu primeiro livro ser� sempre seu primeiro livro.
� um momento que voc� n�o esque�er�.
Ramiro, venha c�.
- Aqui est� a primeira caixa.
- Veja que beleza!
Parece �timo! - H� 50 copias em cada caixa.
- H� quantas caixas? - Dez.
- O cheiro � bom. Significa que h� algo bom dentro.
N�o, bom n�o. Muito bom.
- Acho que tem um erro.
- Que foi? - O nome est� errado.
- O que voc� quer dizer? - Aqui diz "Ramiro Bala".
- O que foi? - Diz "lastre" (bala).
- Um momento.
Sim. N�o � "lastre", � "Lastra". Ramiro Lastra, com "A".
- Sim, claro. � "Lastra", com "A".
Como isso foi acontecer, Miguel?
� Lastra, com "A".
Lastra, com "A". Claro que �....
RAMIRO BALA AMOR TRANSPARENTE
- N�o � grande coisa.
Ningu�m percebe essas coisas.
Se n�o dissermos nada, ningu�m vai perceber.
Ali�s, se voc� pensar bem,
N�o � uma mudan�a t�o grave.
N�o muda o significado. Lastre, Lastra...
Todos os livros t�m erros. Todos eles.
- O meu tem um na capa...
- Veja, a primeira edi��o de Ulisses
estava repleta de erros. Toneladas.
Eu deveria ter conferido o layout novamente...
VII. AMOR TRANSPARENTE
- Voc� tem que autografar uma c�pia para mim. - Oi.
- Oi. - Achei que voc� n�o viria.
- Desculpe, eu sai bem tarde do trabalho. - Como voc� est�?
- Bem. Feliz em te ver.
- Espere. Vamos a algum lugar diferente.
- Sim? - Sim.
Certo.
"Ramiro Lastre". Na verdade � engra�ado, n�o �?
- Ei, voc� n�o autografou. - N�o � f�cil.
- Onde estamos indo. - Eu n�o sei.
- O que � isso? - Uma carta.
Uma carta que escrevi para voc�. Leia.
Quer dizer, agora n�o. Leia depois.
- Voc� me escreveu uma carta? - Sim. Era para ser um email.
Mas acabei escrevendo uma carta.
� uma carta rid�cula.
E provavelmente voc� ser� incapaz de ler minha letra...
Basicamente o que eu digo � que te amo.
Muito.
N�o ria, � o que eu digo na carta.
Creio que se continuo te amando depois disso tudo
eu deveria te contar.
E tamb�m penso que agora � a hora de te dizer.
N�o sei se este � um momento adequado...
N�o sei como tem estado,
se tem um namorado ou... Eu n�o andei pensando muito nisso.
E nem estou dizendo que devemos ficar juntos,
estou apenas dizendo como me sinto por que quero que voc� saiba.
E penso que devo te dizer
todas as coisas que n�o te contei enquanto est�vamos juntos.
Quando terminamos, eu nem ao menos disse que te amava.
Nem sei como se sente em rela��o a isso agora,
mas eu penso que terminarmos foi a coisa certa a se fazer.
Provavelmente foi a �nica coisa que poderiamos ter feito, n�s �ramos jovens
e estivemos juntos por anos
e agora continuamos jovens e nem tanto tempo assim passou...
mas � distinto.
� verdade que ainda temos muita coisa para experimentar...
Mas n�o sabemos o que, exatamente. Eu n�o sei voc�...
mas eu n�o quero minha vida condicionada a coisas que podem ou n�o acontecer...
Quem decidiu que assim fossem? Por que? N�o faz sentido...
Eu n�o quero mais pensar no que eu estou perdendo.
N�s gastamos nossas vidas pensando em estarmos em outros lugares.
� absurdo. � pura arrog�ncia.
Isso s� te deixa infeliz... Te leva a frustra��o permanente.
Eu n�o quero ver a vida desse modo, n�o mais.
Eu gostaria de ser mais feliz e aproveitar mais o que eu tenho.
Pelo menos, para come�ar. Eu n�o sei.
Eu te amo, e sou muito apaixonado por voc�. E sempre soube disso.
Mas quando terminamos, eu pensei que conseguiria dar um jeito de negar isso.
Eu pensei que podia
te deixar por outras coisas e n�o fa�o id�ia do que sejam.
Tudo que sei � que AQUI � onde quero estar.
Tudo que sei � que te amo e sou muito apaixonado por voc�.
- Voc� j� disse isso. - Eu sei.
Mas faz tanto tempo desde que eu disse isso e eu gostaria de dizer isso com mais frequencia.
Eu gostaria de passar mais tempo com voc�.
E te amar melhor que antes.
E se isso n�o for o que quer...
Voc� vai viver sua vida e eu viverei a minha.
Bem, isso seria p�ssimo. Eu ficaria p�ssimo
mas eu sei que h� v�rias outras mulheres l� fora para mim gostar.
Mulheres para mim amar.
E muitos homens l� fora, al�m de mim. Homens para voc� amar.
Que teriam de te amar tamb�m, os filhos da puta...
Tamb�m n�o � nostalgia. Eu me lembro dos tempos ruins!
Tempos ruins que passamos.
Eu sei que se come�armos agora, como qualquer casal, pode n�o dar certo.
Mas eu n�o quero pensar nisso agora.
Agora eu estou te dizendo isto e estou feliz com o "aqui" e o "agora".
Eu gosto de sua express�o. Sua express�o neste momento.
O parque com esta luz. O agora.
� aqui que quero estar.
Nem cinco minutos (ou segundos) antes, nem cinco minutos depois.
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