All language subtitles for Le.Collier.Rouge.The.Red.Collar.2018.1080p.BRRip.x264.AC3.HORiZON-ArtSubs.AMARELO+NEGRITO

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Original subtitles

- Art Subs - 10 anos fazendo Arte para voc�!

Legenda - FKillerii -

Legenda - Hawkeye147 -

Legenda - Spa -

Legenda - BethRockefeller -

Legenda - Durenkian -

Revis�o - NoriegaRJ -

O COLAR VERMELHO

Cale a boca! Vira-lata sujo!

Cale a boca!

Pobrezinho, por que te tratam assim?

Por que joga pedras no cachorro?

- N�o te fez nada. - N�o para de latir.

- Isso n�o � motivo. - Claro que �.

N�o posso mais. N�o consigo dormir.

Fica latindo de dia e de noite.

� porque est� triste.

N�o tenho culpa.

Siga-me, Paul.

- Meu comandante, bom dia. - Bom dia.

Onde fica o escrit�rio do respons�vel?

Segunda � esquerda, meu comandante.

Suboficial em chefe Dujeux. �s suas ordens, meu comandante!

Por que late assim aquele cachorro?

� o cachorro do prisioneiro, meu comandante.

O famoso cachorro.

Quantos prisioneiros tem agora?

Um s�, meu comandante.

Diga-me, voc� foi � guerra?

Sim, meu comandante, era atirador.

Ferido duas vezes...

Primeiro no ombro e o segundo na Batalha de Marne.

- � por isso que... - Sim.

Diga-me, tem um hotel por perto?

O hotel dos viajantes. A dois passos.

A 100 metros, na pra�a.

- � simples, mas... - Servir� bem.

Paul, reserve dois quartos e deixe a bagagem.

E volto para busc�-lo?

- N�o, in�til, vou a p�. - �s suas ordens.

- Indica o caminho? - Claro.

Vamos ver o detido.

E tamb�m late � noite, o cachorro?

� noite tamb�m.

E os vizinhos n�o dizem nada?

N�o h� muitas pessoas no bairro ap�s a guerra.

E penso que...

Com todo o respeito, meu comandante,

lembre-se que estas celas estavam cheias de garotos

passados no conselho de guerra porque queriam salvar a pele.

Isso significa que est�o do lado do prisioneiro?

N�o com ele em particular, mas...

Entenda, � o �ltimo.

E a hist�ria do c�o, comove todos.

� aqui.

De p�, Morlac! Vamos l�!

Certo, Dujeux, pode se retirar.

Como queira, meu comandante.

Sou o l�der do esquadr�o Lantier du Grez,

encarregado de julgar seu caso.

Fique como est�, n�o me incomoda.

Bem.

Morlac, Jacques.

Agricultor por profiss�o.

Mobilizado em maio de 1915.

Isto � tudo...

Foi considerado chefe de fam�lia,

o que lhe permitiu uma licen�a.

Depois foi designado para Champanhe

e logo o transferiram para a sua unidade,

para se juntar ao Ex�rcito Oriental.

Chegou a Sal�nica em junho de 1916.

Nunca me pareceu muito clara aquela campanha nos B�lc�s.

N�s, no Somme,

sempre consideramos os do Ex�rcito Oriental,

como apadrinhados que iam de f�rias para a praia.

Bem...

E foi l� que se destacou?

Meus parab�ns.

Realmente fez uma a��o de bravura excepcional, certo?

Pelo qual foi condecorado na Legi�o de Honra.

Para um simples cabo...

Deve estar orgulhoso, certo?

N�o entendo como algu�m recebido na Legi�o de Honra

possa ser culpado do que est� sendo acusado hoje.

Suponho que estava b�bado...

A guerra nos abalou a todos.

�s vezes nossas mem�rias nos aprisionam.

E para escapar delas, bebemos um trago.

Um trago al�m da conta.

Provavelmente foi isso.

Portanto, pe�a desculpas, um arrependimento sincero

e isso n�o ir� mais longe.

N�o estava b�bado e n�o me arrependo.

E ningu�m vai me for�ar a me desculpar.

H� quanto tempo tem esse cachorro?

Desde o come�o.

Desde o come�o de qu�?

Desde que os policiais foram me buscar.

N�o me oferece um cigarro?

S� tenho tabaco.

Em seguida foram reunidos em Nevers.

Para pegar um trem para o leste.

E o cachorro?

- Nome? - Morlac.

- N�mero do cal�ado? - 42.

- Nome? - Juliot.

- N�mero do cal�ado? - 43.

- Nome? - Mandin.

- N�mero do cal�ado? - 42.

Vamos, depressa!

Esperam pelo qu�?

Vamos l�!

Venha! Venha, vamos!

Muito bem.

Passei parte da guerra com os ingleses em Somme.

E muitos tinham cachorros.

Quando me deram seu caso me lembrei deles.

No fundo, criou, com este animal,

uma rela��o de companheiro de armas.

Levarei em conta no meu relat�rio,

ter� uma indulg�ncia.

N�o escreva isso, n�o � verdade!

Nunca assinarei.

Calma, Morlac, o que h� de errado?

O que fiz foi contra os pol�ticos.

Especuladores que enviam os outros

para morrer no lugar deles!

Hero�smo, coragem, patriotismo.

Ainda h� infelizes que acreditam nisso.

O que disse � inaceit�vel.

- Insulta a Na��o, inaceit�vel. - A Na��o?

J� dei demais � Na��o.

J� chega.

Paremos por hoje.

Bem...

O hotel fica atr�s da pra�a. N�o tem como se perder.

Deve estar com sede, latindo assim.

Vamos, venha.

Sim.

� chic�ria, n�o h� caf� de verdade por aqui.

Norbert Seignel, advogado.

Comandante Lantier du Grez, juiz militar.

Est� aqui por causa do Morlac, n�o �?

Sim, de fato. Conhece ele?

Por causa do trabalho e da minha idade,

conhe�o todos da cidade e at� da regi�o.

Quando o vi passar no 14 de julho com o cachorro,

n�o tinha ideia do que ia acontecer.

O que achou do que aconteceu?

Fiquei muito surpreso, n�o esperava algo assim.

Antes da guerra, era um garoto quieto,

- como qualquer outro. - Teve educa��o acad�mica?

N�o muita. Depois da escola comunit�ria,

foi para o campo ajudar o pai.

Tinha amigos?

Alguns camponeses.

Se encontravam em dias de mercado,

ou de vez em quando nos bailes.

Mas acho que n�o podemos saber de tudo.

Nenhum engajamento pol�tico?

N�o que eu saiba,

aqui as pessoas votam no que os padres dizem.

Sem mulher?

Acho que tem.

Como conhece todo mundo, deve saber quem �.

Valentine. Valentine Dupraz.

Mora nos arredores da aldeia de Loges.

Ela tem fam�lia?

Todos morreram numa epidemia de sarampo.

Tem um filho.

Quantos anos tem?

Tr�s anos, acho.

� filho de Morlac?

N�o sei.

N�o podemos saber tudo.

- Tenha um bom dia. - Voc� tamb�m.

Senhores.

Um pacote de fumo, por favor,

e papel de cigarro.

- Aqui tem senhor... Capit�o... - Comandante.

E me d� um isqueiro tamb�m.

Obrigado.

Obrigado.

At� logo, senhores.

� o juiz militar. Est� aqui pelo Morlac.

- Parece muito rigoroso. - Pobre Morlac.

Pobre Morlac. Isso acontece por ser idiota.

Que aproveite para chorar.

� o m�nimo, cabe�a �ca, Morlac.

� como o cachorro, n�o para de latir.

Como chama a garota que Morlac frequentava?

Valentine. Eles t�m um filho.

- Dos dois? - 3 ou 4. Talvez mais, quem sabe?

Cale a boca.

E se falarmos de suas mulheres assim, pelas costas?

N�o fique brava, Mathilde. Coloque mais uma rodada.

Vamos, de p�, Morlac. Sentido!

Certo. Obrigado, Dujeux.

Est� mais tranquilo?

Podemos continuar?

Paramos quando te enviaram para o Oriente.

O que aconteceu l�?

Fomos ensinados a ser bons soldados.

Boa bucha de canh�o.

E depois, direto para o matadouro.

Porra, seu cachorro � o melhor!

Teve uma licen�a nos primeiros seis meses?

- Sim. - E veio at� aqui?

- Com o seu c�o? - N�o, ele ficou l�.

Os rapazes tomaram conta dele.

Depois, foi integrado no ex�rcito do Oriente,

e embarcou num barco militar.

N�o era um barco militar, era um cargueiro requisitado.

Morlac! Olha o seu cachorro.

- O que ele traz na boca? - Parab�ns.

Toma, um presente.

Vai, sentado!

E os oficiais aceitaram a presen�a do c�o?

N�o se viam os oficiais.

Ficavam nos aposentos para que n�o os v�ssemos vomitando.

- E os suboficiais? - Os suboficiais...

Eles gostavam que o cachorro limpasse um pouco os por�es.

E como foi a chegada em Sal�nica?

Que lugar estranho! Nunca vi tanta gente diferente.

Havia franceses, ingleses, italianos, gregos.

Tamb�m havia s�rvios, senegaleses,

arm�nios, albaneses, turcos.

E at� indochineses.

Mas era um general franc�s que comandava?

Que comandava? Comandava o qu�?

Ningu�m falava a mesma l�ngua. Ningu�m sabia o que fazer.

Ficamos alguns dias no porto, at� desembarcar tudo

com velhos guindastes avariados.

Seu isqueiro n�o funciona.

Tome.

Obrigado.

Os oficiais chegavam montados a cavalo.

Davam ordens e contra-ordens.

Ningu�m entendia nada.

Por fim, partimos sem saber para onde ir.

Mas logo percebemos.

Quando cruzamos com os infelizes que vinham da frente de combate,

percebemos que nos enviavam para um massacre.

Levanta muito cedo, Comandante! Ainda n�o estamos abertos.

Mas sente-se. Vou preparar seu caf� da manh�.

Obrigado. Conhece a aldeia de Loges?

- � na estrada de Saint-Amand. - D� para ir a p�?

Fica longe a p�, mas se quiser,

posso emprestar a bicicleta do meu falecido marido.

Ter� que levantar o selim, ele era mais baixo.

Senhor! Senhor! Por favor! A aldeia de Loges � para l�?

- L� em cima, � esquerda. - Obrigado.

- Senhor. - Bom dia.

A senhora � a Valentine Dupraz?

Sim, sou eu. Por qu�?

Sou o juiz encarregado do caso de Jacques Morlac.

- J� desconfiava. - Podemos conversar?

� sombra?

Venha.

Sente-se.

- S� tenho xarope. - Tamb�m serve.

Obrigado.

Me diga. � verdade que toda a sua fam�lia morreu

de uma epidemia de sarampo?

A minha m�e e a minha irm�, sim.

E o seu pai?

Tamb�m morreu, mas n�o de sarampo.

Ent�o, veio para c� quando seus pais morreram.

E por que aqui?

Aqui tenho a minha horta, as minhas cabras.

N�o presto contas a ningu�m, entende?

H� quanto tempo conhece Jacques Morlac?

- Voc� � Jacques Morlac? - Sim, por qu�?

- Me disseram que vende feno. - Sim.

Preciso para as minhas cabras.

Era o Lachat que me fornecia.

Ele morreu. Agora tenho que achar outro fornecedor.

De quanto precisa?

De uma carro�a pequena. Voc� leva para mim?

Onde?

- Aldeia de Loges, conhece? - Sim.

Chegando l�, vire � direita. Minha casa � logo depois.

Eu a encontrarei.

At� amanh�.

At� amanh�.

Aonde vai vestido assim?

Vou entregar feno.

E veste a roupa de domingo para entregar feno?

Sim, fico com um ar mais respeit�vel. Vamos!

Respeit�vel?

Se veste sempre assim para entregar feno?

E sempre veste uma blusa branca para trabalhar na horta?

Deve ter sede com este calor.

Guardaremos o feno mais tarde.

- Como se chama o cachorro? - N�o tem nome.

- N�o tem nome? - Dou comida e fa�o carinho,

mas n�o tive vontade de dar um nome a ele.

Vive aqui sozinha?

Sim, por qu�?

- E os seus pais? - Eles morreram.

Sinto muito.

Gosta de ler?

Depende.

J� leu "Os Tr�s Mosqueteiros"?

N�o, ainda n�o.

Leia. Voc� vai gostar.

S� tenho xarope.

Se s� tem xarope, ent�o beberemos xarope.

N�o quer tirar o casaco? Ficar� mais � vontade.

Sim.

E isto tamb�m...

E isto...

- O c�o n�o vai me morder? - N�o sei, logo veremos.

Voltarei amanh� para guardar o feno.

Valentine?

Chega, Louis! Sei que foi voc�!

N�o me obrigue a me queixar outra vez � pol�cia.

- � voc�! - Quem � esse Louis?

� um rapaz meio tonto que vive aqui ao lado.

- Est� bem. - N�o � perigoso,

- mas um dia tentou me beijar. - � natural.

Gostei de "Os Tr�s Mosqueteiros".

- Leu um pouco? - Li at� o fim.

- At� o fim? Mentiroso! - Vamos, me fa�a perguntas.

Quem � a Sra. Bonacieux?

A amante de d'Artagnan. Fa�a outra.

Deixa eu ver... E a Milady de Winter?

Essa � uma mulher maldosa.

E voc� gosta muito das mulheres maldosas.

- Para! - Voc� gosta!

Para.

Espera. Vou te dar uma coisa mais s�ria.

Ah, �?

Vai ler este aqui.

"Os Sofrimentos do Jovem Werther".

"A vida humana � um sonho."

"Outros j� o disseram, mas esta ideia me persegue."

"Esgotamos as for�as para satisfazer nossas necessidades,"

"que s� servem para prolongar a nossa miser�vel exist�ncia."

� verdade o que ele diz, n�o acha?

N�o sei. N�o entendi bem.

� Goethe, um escritor alem�o.

Este livro era do meu pai.

Ele tamb�m era alem�o. E judeu.

O padre falou dos judeus uma vez, na catequese.

Esque�a o que ele disse. Os padres

n�o s�o os mais indicados para falar dos judeus.

- Leu todos esses livros? - Quase todos.

- Deve ter aprendido muita coisa. - Sim, algumas.

E eu que n�o sei nada... Isso n�o te incomoda?

N�o, n�o me incomoda.

O que me incomoda � que tenha que ir embora.

Amanh� direi � minha m�e que venho viver aqui.

- E ela concordar�? - Vou dizer a ela, n�o pedir.

A situa��o � preocupante, mas n�o est� nada decidido.

- Um queijo de cabra? - N�o, obrigada.

Dois queijos de cabra, mas n�o muito secos.

� verdade. Georges conhece o subprefeito e ele confirmou.

Tem certeza?

N�o podemos ficar de bra�os cruzados

e deixar os alem�es fazer o que quiserem.

Sim, mas e a guerra?

Segundo o Coronel Rancet, n�o vai durar muito.

Foi ele que jantou l� em casa antes de ontem?

Ele mesmo. Disse que em 3 semanas

a nossa cavalaria estar� em Berlim.

Tr�s semanas?

- Chefe Gabarre? - O que houve, Valentine?

- O tonto voltou a te incomodar? - N�o, n�o � isso.

� verdade que v�o declarar a guerra?

Bem, n�o estou nas altas esferas.

N�o venha com hist�rias. Me responda.

Amanh� de manh� ser� publicada a ordem de mobiliza��o geral.

Vamos.

Ent�o, vendeu tudo?

O que houve? O que voc� tem?

Amanh� � a mobiliza��o geral. Tem que se esconder.

Onde? Debaixo das suas saias?

N�o tem gra�a. Eles vir�o te buscar.

De qualquer modo, sou o sustento da fam�lia.

Se a guerra n�o acabar, levar�o todos os homens.

Calma. Calma, Valentine.

A guerra ainda n�o come�ou.

Tenha calma.

Vamos l�, tenha calma.

N�o quero que v� embora.

Estou aqui, estou aqui!

- Estive na vila. - E ent�o?

As not�cias n�o s�o boas.

Os alem�es ainda resistem apesar de ter passado muitos meses.

Os generais querem mais homens.

Todos os homens.

Vou ser mobilizado, Valentine.

Valentine!

N�o vai durar muito. Ser�o s� alguns meses.

Somos mais numerosos, eles n�o resistir�o.

Valentine?

Valentine...

Espere, aonde vai?

Morlac!

Estou indo.

E n�s? E n�s?

Calma, Morlac, vai sufoc�-la!

Calados!

- Ol�, homens. - Ol�, Jacques.

Sabe do que ele � acusado?

Sei sim, e n�o entendo quererem castig�-lo por uma bobagem.

E ap�s ganhar a Legi�o de Honra.

Um ultraje � na��o voc� chama de bobagem?

Verdade que podemos considerar os m�ritos em combate,

mas ele teria que se desculpar.

Pode alegar que tinha bebido, ou outra raz�o, n�o sei.

- E ele se recusa? - N�o apenas se recusa,

como ainda piora o caso fazendo coment�rios irrespons�veis.

Desculpe.

Pronto.

O caso Morlac deve ser um dos meus �ltimos casos.

Pode parecer ego�sta,

mas se puder salv�-lo, eu partiria tranquilo.

Mas ele est� obstinado em ser condenado.

N�o sei porqu�.

Foi por isso que vim v�-la.

Para que me ajude.

E tenho uma pergunta indiscreta.

Diga.

- Este menino � dele? - Sim.

Ele sabe que tem um filho?

Escrevi a ele, mas n�o tive resposta.

Talvez n�o tenha recebido a carta.

Meus respeitos, Comandante. Sargento-Chefe Gabarre.

Bom dia, Chefe. Que bom que est� aqui.

- Tem um instante? - �s ordens, Comandante.

Venha comigo.

Pronto, duas cervejas.

Querem algo mais?

Conhecia Morlac antes de sua fa�anha?

- Um tipo estranho. - Estranho, como?

N�o sei explicar direito, Comandante...

mas era pouco soci�vel, quase n�o aparecia.

E Valentine Dupraz?

Ah, isso � outra quest�o.

O pai dela era um alem�o judeu.

E era membro da Internacional Oper�ria.

Era um pacifista convicto.

Foi preso e...

morreu na pris�o em Angers.

Tuberculose, acho.

E a m�e dela?

Ela era daqui.

Foi a Paris estudar costura.

Foi onde conheceu o emigrante.

- Quer me ajudar, Chefe? - Sim, Comandante.

Investigue porque Morlac n�o viu Valentine desde que retornou.

- N�o ser� f�cil. - N�o, mas conto com voc�.

Se descobrir algo, venha me ver.

Comandante.

Ainda est� a�? Hein?

� mais teimoso que seu dono.

Ent�o?

Se quer que ele saia,

tem que faz�-lo entender que deve se desculpar.

E depois, poder�o partir juntos.

Valentine!

Chefe Gabarre!

Falei com o juiz Lantier.

Pode confiar nele.

� um homem compreensivo. Ele s� quer uma coisa.

Libertar Morlac.

Mas Morlac insiste em ser condenado.

Sabe por qu�?

N�o.

- Tem certeza? - Sim.

Morlac veio te ver quando foi dispensado?

N�o interessa.

N�o deveria me responder assim, Valentine.

S� estou tentando resolver as coisas.

� da nossa conta, de mais ningu�m.

Claro.

No 14 de julho, por que foi assistir o desfile?

Fui como todo mundo.

N�o foi porque queria ver Morlac?

N�o sei, talvez.

N�o vai me dizer?

N�o.

N�o mesmo.

Quem �?

Onde est� o cachorro?

- O cachorro...? - Sim, onde ele est�?

Ficou deitado um tempo na esquina.

Estava nas �ltimas. Achei que tinha morrido.

- Onde ele est�? - Na casa da senhora, na esquina.

Eu lhe mostro.

Pronto, � nessa rua, � esquerda, a primeira casa.

Vim ver o cachorro.

Veja o estado em que est�. Pobre bicho!

Latindo assim, com esse calor. Isso o esgotou.

O que ele precisa...

� de sombra, de comida e �gua.

Mas assim que melhorar, voltar� a latir na frente da pris�o.

Esses militares canalhas!

Morlac cuspiu na cara deles. Ent�o se vingaram.

O bando todo!

Os generais e seus comerciantes de canh�es.

Todos os que mandaram nossos meninos para a morte.

Como meu filho,

e meus tr�s netos.

Morreram os quatro?

Sim. No mesmo ano.

1915. Os infelizes!

Se condenarem o rapaz, ser� uma grande injusti�a.

Mas eles n�o t�m compaix�o.

Beba, pequeno, beba.

Isso, pequeno, beba.

Mas quem � o senhor?

- Um amigo. - Do cachorro?

Do cachorro... e do dono.

Desculpe, tenho que ir. Mais uma vez, obrigado.

Voc� tem amigos muito estranhos.

� o 15.

Bom dia, Comandante.

Lamento interromper, Paul, me leve � pris�o.

�s suas ordens, Comandante.

- Perrine! - Sim, senhora.

De p�, Morlac! Sentido!

Tudo bem, Dujeux. Pode ir.

Vou avisando, hoje ser� mais demorado.

Por quanto tempo esteve na frente de batalha?

Um ano.

Um ano de sofrimento para nada.

As malditas ofensivas.

Mal�ria, disenteria...

E o que aconteceu em 1917?

Os b�lgaros estavam entrincheirados,

ent�o tamb�m nos enterramos.

Como na Fran�a.

Trincheiras, casamatas...

Havia outras tropas aliadas com voc�s?

Sim.

Espere, vou mostrar.

Est�vamos aqui...

� nossa esquerda, estavam os indochineses.

Uns infelizes. O que faziam eles ali?

Com o frio, ficaram roxos e j� n�o se mexiam.

Aqui estavam os b�lgaros. Na frente.

E � direita, aqui... os russos.

Mas esses sabiam o que era o inverno.

As linhas quase se tocavam.

Lembro que havia uma cadela...

que atraiu meu cachorro. Foi atr�s dela.

E um dia, eu o segui.

Como vai?

Os russos, s�o os russos.

Vamos, venha!

O cachorro � seu?

Sim. Fala franc�s?

Sim, um pouco.

O que est�o cantando?

H� revoltas em todo meu pa�s.

Os trabalhadores, as mulheres, os militares.

Se revoltam como os camponeses.

Aqui e l�... sempre a guerra.

Muitas leis e muita mis�ria.

Como no meu pa�s.

Escutem! Escutem!

O czar foi derrotado!

A revolu��o est� em marcha!

O czar foi preso!

O que est� havendo?

O czar! J� era!

- O czar abdicou. - Abdicou?

Pela revolu��o! Pela vit�ria!

� nossa sa�de!

Por n�s!

A revolu��o, meu filho!

� por ele que fico contente.

Pela vida dele, que ser� melhor que a nossa.

E voc�? Tem filhos?

Sim.

Tenho um filho.

N�o aguento mais este buraco.

N�o podemos ir l� para fora?

Sim, vamos tomar um ar fresco.

Vamos ao p�tio.

- Comandante, o regulamento... - Eu sou o regulamento.

Venha, Morlac.

E como os russos souberam da queda do czar?

Disse que estavam isolados do mundo.

Mas n�o os b�lgaros.

Receberam a not�cia e contaram aos russos.

Mesmo estando frente a frente, nas trincheiras?

Sim, eles s�o todos primos. Russos, b�lgaros...

- E foi isso que causou tudo. - Causou o qu�? Como assim?

O senhor n�o vai entender.

Est�vamos no fundo do inferno.

Enquanto isso, um povo expulsou um tirano.

Era preciso continuar a revolu��o.

Em toda parte t�nhamos que terminar o trabalho.

E a primeira coisa a fazer era p�r fim a essa guerra.

Sua revolu��o tem um nome, se chama motim.

N�o.

Est� vendo, o senhor n�o entende.

N�o quando s�o os dois lados da frente.

Confraterniza��o era o que precis�vamos.

� muito ambicioso, mas n�o muito realista, n�o?

E os seus oficiais tinham as mesmas ideias?

N�o.

N�o estavam cientes.

N�o pertenciam � nossa classe.

E qual era o seu plano?

N�o era complicado.

Os russos e muitos b�lgaros se comprometeram com a causa.

Ao sinal, todos deixariam as trincheiras

e cumprimentariam os advers�rios.

Seria assim em toda a frente oriental,

e tamb�m na Fran�a. Confraternizar!

Mandar � merda essa guerra.

Sair dos nossos buracos de rato.

Mas de p�, entende? De p�.

Como homens! Finalmente, homens!

E afinal, o que aconteceu?

Marcamos para 12 de setembro, �s quatro da manh�.

Um pouco antes do amanhecer,

para n�o ficarmos muito tempo no escuro.

O sinal era "A Internacional".

Os b�lgaros come�ariam a cantar,

e n�s, franceses e russos, nos juntar�amos.

�s quatro da manh�.

Quando ouvimos as vozes cantando � nossa frente...

Voc� n�o pode entender o que sentimos.

Foi um calafrio total.

Minutos antes de confraternizar,

come�amos a matar uns aos outros no corpo a corpo.

Foi horr�vel!

Tudo isso por causa de um cachorro.

Ele s� sabia que o inimigo estava na frente dele.

Ap�s uma hora, os fizemos retroceder.

Nossos artilheiros come�aram a atirar

sem saber que �ramos n�s entre os b�lgaros.

E n�o falharam, os idiotas!

Foi ent�o que me feriram.

Aqui est� ele.

Na linha de frente,

o cabo Jacques Morlac

p�s fora de combate

9 soldados inimigos.

Esta a��o her�ica marcou o in�cio

do contra-ataque vitorioso das nossas tropas.

Em nome do Presidente da Rep�blica

e pelos poderes a mim concedidos,

eu o nomeio Cavalheiro da Legi�o de Honra.

Depressa! Depressa!

Aten��o! Por aqui!

Venham. Me sigam.

Por muito tempo culpei meu cachorro.

Muito tempo... Quase o matei.

Mas, de repente, eu o entendi.

Era ele o her�i.

Fiel at� a morte, corajoso, sem pena dos inimigos.

Ele � que merecia a minha Legi�o de Honra.

Quando me dei conta disso, n�o o culpei mais.

Ele obedeceu � natureza dele.

Tinha uma desculpa.

Mas quem nos enviou para o massacre n�o tinha.

As cita��es e as medalhas deles...

Era tudo para que f�ssemos combater como c�es.

E ent�o?

Voc� est� melhor?

A senhora curou voc� direitinho.

�...

�, voc� est� farto disso. E eu tamb�m.

Mas n�o por muito tempo.

Vamos...

N�o se preocupe.

Louis!

N�o tente se esconder!

Sempre saberei onde encontrar voc�.

Se aproxime.

Continua �gil, hein?!

Me mostre o que est� escondendo a�.

Muito bem! Uma bela truta.

E ent�o, Louis?

Continua visitando Valentine?

N�o. Juro que n�o.

N�o jure, Louis, sei que est� mentindo.

� mais forte que voc�.

Se n�o a incomodar, pode v�-la de vez em quando.

Mas de longe.

Bem, Louis, ter� que me ajudar.

Voc� me deve isso, n�o?

J� livrei voc� de muitos problemas.

Morlac, voc� o conhece.

Ele foi � guerra.

- Ainda bem. - �, ele foi.

Mas ele voltou. E voc� sabe disso.

Sim, Louis, voc� sabe.

Voc� vai ver Valentine todos os dias.

Ainda mais que de costume.

De manh� vai ao bosque, perto da horta dela,

para observ�-la cuidando das verduras.

E � tarde, vai atr�s da casa,

para observ�-la ordenhando as cabras.

- Eu n�o a toco. - Acredito, Louis.

Mas pense nisso.

Desde que Morlac voltou da guerra,

voc� o viu na casa de Valentine?

- N�o sei. - N�o me conte hist�rias.

Basta, Louis! Ele esteve l� ou n�o?

- Esteve. - Quando?

N�o sei as datas.

- Antes do desfile. - Certo.

- Ela falou com ele? - N�o.

Bom, ent�o o que houve?

Ele se escondeu.

Mas me escondo melhor. Ele n�o me viu.

- Ele olhava para o menino. - O menino?

Ele n�o poderia v�-lo bem de t�o longe.

Um dia, ele se aproximou.

Ent�o, Valentine o viu.

N�o, ela n�o podia.

Ela estava ordenhando as cabras.

Ol�, homenzinho!

Foi a �nica vez que voc� o viu?

N�o. Eu o vi outra vez.

Quando ela estava gorda.

Gorda? Gr�vida?

Jacques...

Jacques, pare!

- Jacques! - Me largue!

Voc� est� doido!

Explicarei tudo, Jacques!

Jacques!

Jacques!

- N�o est� mentindo, Louis? - N�o estou.

Certo, acredito em voc�.

E espero que esteja dizendo a verdade.

Comandante! Meu Comandante!

Est� muito velho para andar de bicicleta.

Obrigado, meu Comandante.

Estava lhe procurando. Tenho novidades.

- Diga. - Morlac a viu

quando ela estava gr�vida.

- Teve outra licen�a? - Teve.

Tr�s dias para o enterro da m�e.

E foi ver Valentine.

Foi, mas... quando ele chegou,

um sujeito se vestia do lado de fora.

Em seguida, Valentine saiu e Morlac foi embora.

- Tem certeza do que diz? - Tenho, meu Comandante.

Bom trabalho.

Informarei aos seus superiores.

- Obrigado, Chefe. - Obrigado, Comandante.

Valentine? O que faz aqui?

Queria falar com voc�.

- Venha, a convido a jantar. - N�o, n�o.

Claro que sim, venha.

Vamos.

Quando conheci Jacques, ele vivia na granja.

Mas n�o parecia um campon�s.

Tem gente assim.

Embora ele fosse muito ing�nuo.

N�o entendia a gravidade do que estava acontecendo

quando a guerra estourou.

Ent�o, tratei de explicar.

E o fiz ler alguns livros.

Coma um pouco! Vamos!

No in�cio, se esfor�ava muito para me agradar.

Era a maneira dele me dizer que me amava.

E levou um ou dois livros quando o mobilizaram.

E o meu cachorro.

Pode parecer estranho, mas quando o animal

seguiu Jacques at� a guerra, fiquei feliz.

Ao menos, ele levava um pouco de mim.

- Ele te escrevia? - A princ�pio,

quase toda semana. E um dia, veio de licen�a.

"O homem � bom por natureza."

Que idiota, esse Jean-Jacques Rousseau!

Ele quer dizer que � a sociedade

que torna os homens maus.

Que, no fundo, o homem � bom. � isso?

Resumindo, sim.

S�rio?

Ent�o ele n�o viveu a guerra de perto.

� nela que os homens mostram sua verdadeira natureza.

Matamos uns aos outros, o odor de gangrena nos cerca

e os mortos secam no arame farpado.

A putrefa��o.

Todos esses cheiros dessa guerra de merda.

E quanto tempo ele ficou?

Duas semanas. O suficiente para me engravidar.

Eu sabia que aconteceria, queria isso.

Mas n�o contei logo a ele. Esperei ter certeza.

- Weber. - Aqui.

- Morlac. - Aqui.

- Chardon. - Aqui.

- Loubiot. - Aqui.

Tr�s semanas at� ela receber minha carta.

Por causa da merda da censura.

O que houve? Voc� ficou atordoado.

Vou ser pai.

Parab�ns, amigo! Vamos festejar!

Sim.

Quando vejo em que mundo ele vai nascer...

Pobre menino!

�...

Que nome dar� a ele?

Ele me escreveu dizendo que estava feliz

e pediu que chamasse Marie, se fosse menina,

e Jules, se fosse menino.

Depois as coisas ficaram dif�ceis.

Eu estava sozinha, � espera de uma crian�a.

Escrevi ao meu padrinho,

um pacifista que apoiava militares que tinham desertado.

Disse a ele que poderia acolher um.

Como estava na reta final da gravidez,

poderia ajudar com a horta e as cabras.

Me mandou um jovem que precisava se esconder.

E contou isso a Morlac?

Devia t�-lo feito. Teria evitado...

Que ele descobrisse por si mesmo?

Como sabe?

Porque sei que ele teve outra licen�a

e que o viu sair de dentro da sua casa.

Garanto, senhor,

que nunca houve nada entre o rapaz e eu.

Nunca deixei de pensar em Jacques, s� amo a ele!

S� amo a ele.

�s vezes, de noite, vou l� fora e grito o nome dele,

como se ele fosse aparecer. E voltar para mim.

Acha que sou doida.

De maneira nenhuma.

- E ele nunca mais te escreveu? - Nunca mais.

E comunicou a ele o nascimento do filho?

Sim, mandei fazer uma fotografia na vila.

Mandei para ele, mas nunca soube se a recebeu.

E quando a guerra acabou?

S� voltei a v�-lo quando fez o esc�ndalo e o prenderam.

Foi visit�-lo na pris�o?

Claro, v�rias vezes. Mas ele n�o quer me ver.

E seu cachorro? Por que o deixou ali?

Tentei lev�-lo para casa, mas ele n�o quis ir.

Bom dia, Sra. Charizot!

Eu te suplico, senhor.

Diga a ele que venha para casa. Eu e o filho o esperamos.

Pare de falar da minha esposa!

Meus respeitos, senhora.

N�o � poss�vel!

- N�o foi de prop�sito. - Ent�o, tenham mais cuidado!

Chega, v�o embora!

Vamos, Sra. Perlinot, s� um sorrisinho!

Fora, fora!

Ainda n�o paguei, me mande a conta!

Sim, mandarei para o seu pai. Vamos, fora!

Fora!

- Boa noite, Sr. Seignel. - Boa noite, Perrine.

Boa noite, Paul. Boa noite, senhorita.

- Foram dar um passeiozinho? - Sim, meu Comandante.

Fizeram bem, est� mais fresco l� fora.

At� amanh�, jovens.

Boa noite, Comandante.

- N�o consegue dormir? - Est� calor demais.

Isso n�o me incomoda. Seja como for, durmo pouco.

� curioso, se pensarmos...

Na verdade, temos o mesmo of�cio.

- O mesmo of�cio? - A Justi�a, homem!

Eu sou advogado, o senhor � juiz...

Somos duas engrenagens da Justi�a.

A Justi�a?

Antes da guerra, eu era um jovem militar de carreira, idealista.

A honra, a tradi��o, a p�tria. Acreditava nisso tudo.

Sim.

Nesse momento, � que eu devia ter sido juiz.

Teria condenado os homens, sem remorsos.

E teria feito o correto, � assim que deve ser.

A Justi�a existe para proteger a sociedade.

Proteger de quem?

Quem � culpado? Quem � inocente?

� verdade que � complicado julgar.

H� sempre alguma inoc�ncia no culpado

e alguma culpa no inocente.

� muito bonito o que disse.

"Alguma inoc�ncia no culpado e alguma culpa no inocente".

Totalmente incompreens�vel, mas muito bonito. Boa noite.

Igualmente.

Paul?

V� buscar a minha mala e a coloque no carro.

Acho que vamos partir � tarde.

Aproveite a manh� para se despedir.

E depois v� me buscar na pris�o.

Entendido, Comandante.

Talvez seja a �ltima vez que nos veremos.

Sim.

Vou sentir sua falta.

- Bom dia. - Bom dia.

Traga o prisioneiro.

Vou terminar meu interrogat�rio no seu escrit�rio.

Mas, Comandante, o regulamento n�o autoriza que...

J� disse que esque�a o regulamento.

- Fa�a o que mandei. - Mas n�o est� certo.

Ent�o eu mesmo o farei.

Mas, meu Comandante...!

Morlac. Venha comigo, por favor.

Sente-se, Morlac.

Deixe-nos a s�s, Dujeux.

- Mas, meu Comandante... - Vamos.

Seu cachorro � comovedor.

Late assim, porque sabe que voc� est� aqui.

Bom...

Retomemos os fatos de que o acusam.

Estamos chegando ao fim desta averigua��o.

Bem.

Tudo aconteceu em 14 de Julho de 1919, na pra�a principal.

Quem �?

N�o sei.

Em nome do Presidente da Rep�blica,

para recompensar sua obedi�ncia cega,

sua submiss�o aos poderosos

e seus instintos mais animais, que os convertem em her�is...

eu o nomeio Cavalheiro da Legi�o de Honra!

Ele est� louco!

Guardas! Prendam este homem!

Larguem ele!

Larguem ele!

N�o est�o vendo que ele n�o sabe o que faz!

Jacques, n�o! Diga a eles, Jacques! Diga!

Diga a eles, Jacques!

Larguem ele!

- Larguem ele! - Se acalme!

Sabe o que tal ato pode te custar?

Vamos, me fuzile.

- Queria me ver, Comandante? - Sim, Lantier.

O sub-oficial Picard comandar� o pelot�o de execu��o

do desertor Martel.

O senhor ir� representar o Conselho de Guerra.

Se assegure de que tudo corra r�pido e corretamente.

- Posso recusar, meu Comandante? - Pode.

Se quiser se ver do outro lado dos fuzis.

Deixe de afli��es morais, Lantier.

E n�o me encha o saco, n�o � o momento. Pode se retirar.

�s suas ordens, meu Comandante.

Bem, que estava dizendo? Quantos homens temos?

Uma companhia de senegaleses.

Preparar!

Fogo!

Vou confessar uma coisa, Morlac, agora que nos conhecemos melhor.

Somos de polos opostos.

Eu fui para a guerra por voca��o,

e voc� por obriga��o.

No entanto, esses quatro anos nos aproximaram.

Quatro anos vivendo em casamatas,

sendo alvo dos mesmos tiros...

contando nossos mortos...

Me custa dizer isso, Morlac, mas te dou raz�o.

Era preciso acabar com essa guerra.

Entretanto, essa cena rid�cula...

esse ultraje � Na��o... N�o posso aceitar.

E aceitar que nos atirem medalhas como ossos aos c�es?

E voc� achou que poderia derrotar a ordem estabelecida,

condecorando seu cachorro com a Legi�o de Honra?

Pensou mesmo que esse seu pequeno golpe de efeito

- mudaria o mundo? - Era um come�o.

Vou te dizer porque cometeu esse ato.

Diga, estou ouvindo.

Porque queria magoar Valentine.

E por que eu ia querer fazer mal a ela?

Porque pensou que ela o tinha enganado.

E acha isso certo?

Enganar um homem que foi para a guerra?

- E tem certeza disso? - Eu vi.

- N�o. - Eu vi!

N�o! Achou que viu.

Mas n�o viu. E fugiu.

H� outra coisa que nos distingue dos animais.

O orgulho.

A verdadeira raz�o da sua conduta foi seu orgulho.

Em vez de ir ver Valentine e exigir dela a verdade,

preferiu armar uma confus�o.

Fez o esc�ndalo por ela, contra ela.

- N�o � verdade. - Sim, � verdade.

Eu disse que tentaria entend�-lo, Morlac,

mas n�o em rela��o a isso. N�o continuarei com este caso.

E como meus superiores me deram liberdade de julgamento,

esta � a minha decis�o.

Vai procurar Valentine e vai ouvi-la at� o fim.

E se desculpar� por t�-la julgado t�o mal e t�o depressa.

Por que acha que ela vai me receber de bra�os abertos?

N�o conhece as mulheres.

E voc� conhece?

Quantas conheceu?

E o senhor?

Mais do que voc�, com certeza. Ao longo do tempo.

Bem, este caso est� encerrado.

Vai ter que assinar alguns pap�is, mas depois...

Est� livre.

N�o vou l�.

� tarde demais.

Adeus, Morlac.

Veio se despedir de mim?

Quem me dera poder te levar.

V� ficar com seu dono. V�...

Vamos embora, Paul.

Vamos, venha.

Desculpe minha indiscri��o, Comandante,

mas queria lhe perguntar...

se o assunto terminou bem.

Sim, espero que sim.

E sua quest�o, Paul? Com a pequena?

Sim. Tenho a impress�o que voltaremos a nos ver.

Que bom.

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