All language subtitles for Rio de Sangue.2026.1080p.WEB-DL.x264.NACIONAL.5.1.srt - por(3)

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Original subtitles

♪ [misteriosa] ♪

♪

[clique]

♪ [suave] ♪

♪ [intensifica] ♪

♪

[zumbido]

[pássaros piam]

[homem] Aqui na Amazônia, o mundo respira.

A mata é ventre,

o rio é espírito,

não pedem nada além de respeito.

Mas tanta beleza desperta a cobiça,

e as mãos que cavam não enxergam o sangue

que escorre da terra.

♪ [tensa] ♪

♪ [apreensiva] ♪

♪

[buzina]

[latidos ao fundo]

Que foi, doido?

Entrega dos tubos.

♪

Pode entrar com a nave.

♪

♪ [latidos ao fundo]

♪

Pode pegar os tubos lá.

♪

Agora sim, a firma está forte.

Daquele jeito.

Não vai acertar primeiro?

♪ [intensifica] ♪

♪

[homem] Não.

♪

Amiga da comunidade não cafunga desse aí, não.

Tião, pega lá uma reserva especial pra moça apreciar.

♪

[maleta abre]

♪

E aí?

Não vai contar, não?

Tá tranquilo, tá na confiança.

E aí, vamos lá?

Só um tirinho.

Rápido.

[voz no comunicador] Tu tá maluca, Trindade?

Gil Paiolzinho, porra.

Como que a gente vai negar isso?

- Esse homem é uma lenda. - Agora não é hora

de meter apreensão, porra.

- Aliás... - [no comunicador] Trindade!

- ...satisfação. - Foda-se que é o Gil Paiolzinho!

A ordem agora é seguir as armas, caralho!

♪

Maluca, filha de uma puta!

♪ [apreensiva] ♪

Hora de ficar famoso, garoto.

♪

[Gil] E aí? Estão pipocando?

Deixa ele fazer as honras primeiro, né?

♪ [latidos ao fundo]

♪ [apreensiva intensifica] ♪

Qual é, negão. Você "guenta". [ri]

Vai ser porrada.

[Gil] Rasga aê, tio.

Preparado?

[latidos]

♪

Na posição.

Aguardando ordem...

Vai na minha contagem, então.

- [zunido agudo] - [tique-taque do relógio]

Um...

Dois...

♪ [intensifica] ♪

Três.

- Parou! - [vozerio]

- Parei, parei, parei! - Mão na cabeça.

Ajoelha! Ajoelha!

[agente] Bora!

Ajoelha, porra!

♪

Vocês não vão conseguir me tirar daqui.

Lenda vai voltar pra cadeia.

Bora, puxa. Puxa. Rápido.

[agente 1] Levanta, porra! [Trindade] Levanta!

- Vai, vai. - Rápido, vai. Vai, vai!

[Trindade] Olha pra frente.

♪ [apreensiva] ♪

♪

Segura.

♪

Tá limpo.

♪

[Trindade] Vai.

♪

[estalido ecoado]

♪ [apreensiva intensifica] ♪

♪

[explosão]

[batida abafada]

- [zunido agudo] - [sons abafados ao fundo]

♪

[tiros abafados]

[abafado ao fundo] Levanta, porra!

[falatório indistinto abafado]

[tiros]

♪

♪ [tiros]

♪

♪ [intensifica] ♪

Julinho! Julinho, cê tá bem, mano?

Julinho!

♪ [disparos, latidos intensificam]

♪

Trindade!

[grunhe]

Trindade.

[disparos]

Trindade, fala comigo!

[agente] Vai, porra!

♪ [disparos]

♪

- Aqui. - Cadê meu irmão?

- Não sei. - Cê viu o Julinho?

- Não vi. - Cadê meu irmão, porra?

♪ [disparos]

♪ [melancólica intensa] ♪

Caralho! Olha a cagada. Eu avisei, eu avisei!

Eles vão dar fuga, hein? Vão dar fuga. Olha lá!

Vamos matar esses ratos.

Julinho!

♪

Vadia, filha da puta! [grita]

Trindade! Trindade, olha pra mim!

- [Gil, ao fundo] Julinho! - Trindade, acorda!

[disparos]

[Gil] Vadia, filha da puta!

♪ [zunido agudo]

♪ [respiração ofegante]

♪ [música esvanece] ♪

♪ [reflexiva] ♪

♪

Você apagou o irmão do Paiolzinho,

ele não vai parar até te zerar.

♪

Você devia ir pro norte, Trindade.

Lá, você se protege. Aproveita pra tentar

se alinhar com a sua filha.

♪ [vozerio]

[homem] Foi assim que a pariwat chegou.

E Yebá Buró, a mãe de tudo o que vive,

acolheu a forasteira,

porque viu nela a dor que semeia a esperança.

♪ [vozerio]

- Opa, tudo bem? - Tudo.

Aqui é a casa da Luiza Trindade?

É, sim. Ela tá lá dentro.

Luiza! Luiza!

Oi, mãe.

- Como é que você tá? - Bem.

A gente vai ter que conversar sério dessa vez, né?

Ah, Luiza, não tem nada pra falar. Tá tudo certo,

não aconteceu nada, nem vai acontecer.

Só vou ter que dar um tempo da polícia...

- Só alegria. - Também não é assim, né?

- Casa cheia? - É. A gente tá organizando

a expedição. Esse aqui é o Romualdo.

Esse é o Bruno.

- E Edenir, cadê? - Tá na rua.

Eu separei um colchãozinho pra você

ali no final do corredor, no escritório.

Desculpa te receber assim,

mas é que dia de saída é sempre tudo meio corrido.

Você tá de saída?

Acabei de chegar, você vai viajar?

É que foi meio de última hora.

Final do corredor, né?

[suspira]

♪ [reflexiva suave] ♪

♪

Se eu dissesse que eu ia viajar, você ficava em São Paulo.

Eu não quero você correndo perigo,

são só duas semanas.

- Eu não devia ter vindo. - Mãe, acorda!

Você não podia ficar.

É impressionante, nada muda, nunca.

Não, porque você continua incapaz de abrir mão

de qualquer coisa, né?

Tem um bando de cara indo. Aí, seus colegas, seu namorado.

Você sempre disse que eu tinha que entender

quando você tava trabalhando. Agora é a tua vez.

Você acha que as mulheres das aldeias se sentem

confortáveis com um médico homem vindo de fora?

Luiza, se você quisesse, você dava um jeito.

E não esquece, doutora, que você só sai por aí

cuidando dessa gente porque eu

sacrifiquei minha vida toda pra isso.

♪

- [gaivotas grasnam] - [vozerio]

[apito de embarcação]

Edenir, como é que é o esquema de segurança aí

nas missões da tua ONG?

O Observatório tem apoio da ICMBio,

que é quem faz aqui a vigilância das aldeias,

das florestas, toda essa área.

- O tal Instituto Chico Mendes? - Exato.

A gente sabe como acabou essa história, né?

Espero que não queira virar nome de instituto também.

- Mãe! - O que é?

Tô falando o que eu sei das disputas que rolam aqui.

Já fiz mais de dez expedições, pra que essa preocupação agora?

Porque ele tá sempre metido com política,

isso é perigoso.

Tá.

Bora, gente!

O que você pensa sobre as minhas escolhas

já não me importa faz tempo.

♪ [reflexiva] ♪

♪

♪ [sertanejo ao fundo] ♪

♪

♪ ...No jantar ♪

♪ Vai Cê vai me perdoar ♪

♪ Vai ser minha cremosa ♪

♪ Numa biboca ♪

♪ Pastel de carne Latão de Coca ♪

♪ Dentro do boxe... ♪

♪

Vem cá, princesa. Vem cá, porra.

- Sai, solta. - Ei, ei!

♪ Numa biboca ♪

♪ Pastel de carne Latão de Coca ♪

♪ Dentro do boxe... ♪

Baleado!

♪

Eu vim te buscar, Jadson. Vambora.

Vai beber uma com teu primo hoje, não vai?

♪

Presta atenção, presta atenção.

Sai fora, Dejivan!

Estão pedindo a tua prisão.

Uma menina que tu atropelou, lembra?

Essa parada aí já tá desenrolada.

Mudou o juiz, agora é uma mulher.

Cadê meu pai?

- Hm? - Mandou eu te levar embora

de Santarém.

♪

Fala pra ele que eu não vou.

♪

Pó e puta tem no A-4 também.

♪ [apreensiva] ♪

Hã?

♪ [música sertaneja continua] ♪

[homem] Pega aqui, Lu. [Luiza] Obrigada.

- Bora, bora. - [Luiza] Bora.

♪ [reflexiva] ♪

♪

- Por que trocaram o barqueiro? - Ah, o Ubiraci ficou doente.

Mas esse aí é de confiança.

Só não vai poder ficar com a gente na comunidade.

♪

[homem] Minhas pegadas, há muito, já não tocavam

a terra do meu povo.

Nasci"Turé".

Hoje sou conhecido como Mário.

Fui um dos tantos filhos amaldiçoados pela cobiça,

lançado pra fora da floresta como flecha que perde o rumo.

♪ [música esvanece] ♪

- [pássaros piam] - [zumbido]

Cacique.

♪ [apreensiva suave] ♪

♪

- Pegou tudo? - Peguei.

♪

Olá!

♪ [vozerio de crianças]

♪ [vozerio de crianças]

Oi, cara! Oi! Deixa eu ver sua barriguinha.

Denise, você tá com alguma dor?

Disse que caçou um jacaré.

- Caçou? - [criança ri]

- [Edenir grunhe] - [criança ri]

Hã? Hã? Foi?

Abre bem o olho.

Olha pra cima.

[Luiza] Vem cá. Isso.

Você quer examinar ele também agora?

Quer? Então vem me ajudar, vem cá.

Ó. Tem que segurar esse aqui, ó.

Segura devagarzinho. Aí você bota isso aqui, ó.

Aí fala pra ele inspirar, ó.

[inspira]

[expira]

Vou botar isso aqui no seu ouvido pra você ouvir, tá?

Ó, calma aí.

♪ [reflexiva suave] ♪

♪

[menina ri]

Veio rir de mim?

[em munduruku] Você vê tudo errado.

- [pássaros piam] - [zumbido de insetos]

[em português] Eu trouxe. Fiz pra você.

A gente sabia que um dia você viria,

por causa do nosso avô.

A gente quem? Os que me xingam?

[em munduruku] Ou os que me expulsaram?

♪ [zumbidos, pássaros piam]

Não.

♪ [zumbidos, pássaros piam]

Não mereço.

♪ [zumbidos, pássaros piam]

[em português] Lembra do que o avô falava

sobre herança?

[em munduruku] Herança, a gente não escolhe.

Herança, a gente aceita.

♪ [zumbidos, pássaros piam]

- [pássaros piam] - [zumbido de insetos]

Prima.

Levaram ele pro Rio Profundo?

Não.

Não deu por causa da barragem.

♪ [zumbidos, pássaros piam]

♪ [suave] ♪

♪ [apreensiva] ♪

♪

[Edenir] Caciques...

Eu chamei vocês aqui pra gente fazer uma denúncia.

Esse garimpo, Aleluia 4, entrou com muita máquina,

com muita gente.

Com muita arma.

[em munduruku] E o que estão oferecendo

dura só até o ouro acabar.

[em português] Mas e depois?

Mas e depois quando essa gente for embora?

Quando esses garimpeiros tiverem rapado tudo daqui?

Como é que vocês vão viver?

Como é que a aldeia vai viver?

Como é que vai ficar o rio?

Como é que vai ficar a mata?

♪ [apreensiva] ♪

[em munduruku] Então qual é teu plano?

[em português] Vai ganhar o que com essa denúncia?

Governo vem e vai.

Tira retrato,

depois some.

[em munduruku] Hoje a floresta dá...

ouro,

ouro.

Todo mundo aqui só quer paz e sustento.

Seu Polaco também.

[cacique] E de que vale isso tudo,

se os filhos vão embora?

[em munduruku] Vão pro garimpo...

e voltam viciados!

[cacique 1] Parentes.

Sim.

Sabemos que o que a floresta dá,

não vem de pariwat nenhum.

Não, parentes.

Não tem como frear o que tá vindo.

Ou fazer negócio bom para os dois lados,

ou a tragédia vem pra um só.

[em munduruku] Nunca é pro lado deles!

♪

[cacique 2] O parente Alcide já tem nossa resposta.

[em munduruku] Vai! Vai!

♪

[Luiza] Esses caciques que vieram...

O que tá acontecendo?

Tive que omitir o porquê de a gente estar aqui de verdade.

- Como assim "de verdade"? - Tem um garimpeiro vindo

pra cima das comunidades.

Atacando geral, destruindo tudo.

Eu precisava de um motivo pra reunir os caciques,

pra eles poderem assinar uma denúncia contra esse cara.

Lu, eu não sabia...

Rolou até uma ameaça. Por isso não tem jeito,

a gente tem que ir embora amanhã.

Eu não acredito que você fez isso.

Desculpa.

Você tem que entender, é o meu trabalho.

♪ [música esvanece] ♪

♪ [apreensiva] ♪

♪

Hm...

Te falei, Alcides.

Falta pensar direito pra essa gente...

Sempre querem um caminho mais ralado.

[Alcides] É verdade, seu Polaco.

E tem mais: Edenir Manacá tá lá e disse

que vai denunciar o senhor.

Obrigado, amigo.

Se todo índio fosse igual você,

ia ser só o creme, Alcides.

A paz reinava por aqui.

É.

O filho da puta do Manacá acha que é à prova de bala.

Quero que tu vá lá e dê uma ideia nele.

- Considere feito, meu tio. - Mas sem alarde.

Sem alarde.

Pra ontem.

Aí, Dejivan, leva o Jadson também.

♪

O primo não é lá dessas coisas, meu tio.

É por isso. Tem que aprender.

Rasga. Vai.

♪ [crianças brincando ao fundo]

[Edenir] Vamos pegar aqui pra gente já levar.

[conversa indistinta ao fundo]

♪

♪ [tensa] ♪

♪

Casa azul.

♪ [apreensiva] ♪

♪

Shh!

♪ [intensifica] ♪

♪ [tensa] ♪

♪ [Jadson ofega]

♪ [gritos desesperados]

♪

Que merda que você fez?

♪

Por aqui!

♪ [tensa] ♪

♪

- Cadê o Edenir? - Calma, calma, cara.

A gente é médico. Pelo amor de Deus...

[grunhe]

♪

Vou perguntar de novo.

Cadê o porra do Edenir?

Era pra ele estar aqui, cara. Eu não sei.

♪

Jadson, dá uma geral no fundo.

♪

Fala comigo, Jadson.

♪

Tem uma mulher aqui.

Ah, é?

Traz pra mim.

♪ [intensa] ♪

Ela fugiu.

♪

[Bruno] Pelo amor de Deus. [Edenir] Eu tô aqui fora.

Deixa eles irem. Eu sei que é comigo.

Deixa eles irem, por favor. Deixa eles irem, por favor!

Levanta. Levanta.

Passa. Passa, caralho!

[Edenir] Deixa eles irem. Por favor.

♪

Eu sei que o problema de vocês é comigo.

Deixa eles irem. Por favor. Por favor.

Cadê a Luiza? Luiza! Luiza!

[grunhe]

[Romualdo] Juro que não vamos contar nada pra ninguém.

Deixa a gente...

♪

Acha a mulher e traz pra mim.

Luiza! Foge! Foge, Luiza!

♪

Esses médicos nunca passaram por aqui, ouviram, índios?

Eles não existem.

Leva pra voadeira.

♪

Tá aqui o miséria pra servir de exemplo.

♪

Ou vocês aceitam o ouro do garimpo...

Ou o garimpo engole vocês.

Quer falar mais alguma coisa?

Chama sua amiga de novo, chama.

♪

Se fosse microfone de TV, tu até cantava, né,

seu vagabundo?

Lixo.

[sussurra] Não, não, não.

♪ [apreensiva] ♪

♪

[grito abafado] Não!

Bora!

Shh!

[gritos sufocados]

Agora, sim, primo.

Ajoelha.

♪

Últimas palavras?

♪ [tensa] ♪

♪

Hm?

♪

Não faz isso, não, primo.

Era só o Edenir, o Edenir já foi.

"Era só o Edenir", né, Jadson?

"Era só o Edenir." Sai da frente.

É uma mulher, porra.

Tu tá apertando a minha mente, caralho?

Sai da porra da frente!

- Ai! - Caralho, Jadson!

[Jadson] Ai!

[Baleado] Respira! Respira!

[grito indistinto] Filho da puta!

Derruba ele! Derruba ele, porra!

Ai! [grita]

[Baleado] Tu é médica, não é?

Vem aqui agora! Vem aqui, porra!

Ele aguenta sair daqui?

- Não sei. - Então, é melhor você saber,

porque agora ele é problema seu.

Larga esse filho da puta aí e vamos embora, porra!

Vamos!

[Baleado] Vamos, porra!

- [capanga] Empurra essa porra! - Vai! Acelera, caralho!

Bora, bora, bora!

♪ [tensa] ♪

♪ [esvanece] ♪

- [zumbido de insetos] - [barcos acelerando ao fundo]

[Mário] A maldição seguia comigo.

E meu retorno trouxe desgraça para o meu povo.

[canto indígena]

[Mário chora]

♪

Agora você chora...

e traz na cara o luto.

Onde você estava para esse luto não chegar?

♪ [zumbido, pássaros piam]

É pior que eles.

♪ [zumbido de insetos]

[Mário] Virei um estrangeiro, em todas as línguas,

até na minha.

♪ [zumbido de insetos]

Leva pro fundo! Vai, porra!

O que está acontecendo?

Caralho, porra!

Preciso de alguma coisa que fure.

O que você está fazendo?

Fala, caralho!

Ei! Ei! O que você vai fazer?

A flecha quase pegou o pulmão.

Está acumulando líquido.

♪ [apreensiva] ♪

♪

[puxa o ar]

♪

[Luiza] Calma, calma. Deixa ele deitado, vai.

- Ei! Ei! - [Luiza] Isso, solta ele.

Aguenta firme, caralho! Aguenta firme, porra!

♪ [respiração ruidosa]

♪ [Jadson ofega]

[murmura] Filho da puta. Filho da puta.

♪

- [Luiza] Cuidado, cuidado. - Devagar.

- Cuidado. - Porra!

- Tira a flecha. - É perigoso,

eu não sou cirurgiã.

A flecha pode perfurar outros órgãos...

Tira a porra da flecha ou tu morre, caralho!

♪

Segura isso aqui, pressiona.

[Baleado] Vai ficar bem.

- Shh, shh, shh! - [grunhe de dor]

Ei!

Aguenta, caralho!

Ei! Ei! Sossega. Aguenta!

Porra! Fecha a porta!

Que merda que tu aprontou, Dejivan, hein?

- Segura ele, forte! - Quem é essa? Quem é essa?

- É médica, tio. - Calma, calma.

Shh, shh, shh!

- Calma. - Um...

- Dois... - Shh, shh, shh!

Três!

- [Polaco] Shh! Shh! - [Jadson grunhe]

Já foi, pronto.

Pronto, meu filho. Pronto. Pronto.

[Polaco] Isso!

[suspiros aliviados]

[Polaco] Acabou. Está fora de perigo, doutora?

O senhor conhece esse moço?

Ele precisa ir para o hospital.

Ele não vai ficar bem, não.

Ele pode pegar uma infecção aqui.

Conheço, sim, menina.

É meu filho.

E você...

♪ [apreensiva] ♪

Você é o hospital.

♪

Pronto.

[campainha]

[hélices de avião ao fundo]

- Sinto muito. - Por quê?

Sinto muito é pra óbito.

Vamos lá pegar sua filha.

[homem] Temos um problema, doutora.

A Funai confirmou.

Essa expedição não tinha autorização

para estar na reserva.

Eu também sou policial, conheço os procedimentos.

E a gente tem que dar um jeito de ir até essa aldeia.

Por minha conta e risco, eu vou.

Eu vou fazer o seguinte:

Eu vou acionar os contatos na Funai e no Exército.

Mas antes eu preciso que vocês protocolem

uma denúncia no Ministério Público,

em Santarém.

Me compete deixar claro que entrar na reserva

sem autorização da Funai é crime.

Vem cá, que história é essa de entrar em aldeia

- sem permissão? - Você ouviu o cara.

Para a justiça, eles nem foram lá.

Essa viagem foi em caráter de urgência.

Não dava para esperar a burocracia toda, não, Trindade.

Preciso que entendam que essa missão

- não foi comum. - Você nem me disse que era

mais uma missão, agora não é mais comum?

Estamos falando do básico, doutor.

Não se leva civil para território restrito

- sem avisar as autoridades. - Eu sei.

Tem garimpeiro ameaçando as aldeias.

A missão médica era o melhor disfarce

- para não chamar atenção deles. - Chamar atenção para quê?

Como é que é, doutor?

O relógio está correndo para a Luiza,

abre esse bico, caralho.

O Edenir.

O Edenir foi reunir com alguns caciques,

a fim de confeccionar uma denúncia.

Só que tudo isso precisava ser em segredo.

Até porque ser visto com ele por aquelas bandas

é sentença de morte.

É melhor a gente ir, Trindade. Isso aqui é terra de garimpo.

O que você quer fazer?

Entrar na floresta atrás da Luiza na raça?

Errado pelo errado, eu prefiro minha filha, Chagas.

Pra onde é que eu vou?

[homem] A ONG tem um informante.

Ele mora a 30 minutos daqui, só que de barco.

E dentro da reserva.

Vai com cuidado, porque ele não é um cara fácil, não.

♪ [reflexiva] ♪

♪ [esvanece] ♪

[batidas na porta]

Senhor, é da polícia!

[Mário] Polícia não anda de voadeira.

Vão embora!

Vamos entrar na paz.

Na paz.

Calma.

Já falei.

Vão embora.

Teve um ataque na Fazenda Boa Vista.

Você soube que mataram os médicos,

que mataram o Edenir?

Eu sei que mataram gente tua lá também.

Ela merece justiça.

[Mário] E vocês vieram fazer justiça?

Primeiro, vamos pegar a menina, depois,

a gente volta com a polícia pra prender todo mundo.

Levaram minha filha. Preciso saber pra onde.

♪ [apreensiva suave] ♪

Justiça.

Aleluia 4.

Vocês vão dizer que estão atrás de trabalho.

Vão pegar o barco deles às quatro da manhã,

em Jacareacanga.

Se descobrirem que vocês não são de garimpo...

já era.

Ô, dona...

não promete justiça que você não pode dar.

Eu conheço muito bem a palavra de pariwat.

♪ [esvanece] ♪

E aí?

Um presentinho pra você.

O tal barco já atracou. Já tem movimento em volta.

Você já fez mais que o suficiente.

Precisa ir comigo, não.

Em 15 minutos, na recepção.

[homem] Aílton Chagas?

- Sou eu. - Se eu fosse o senhor,

eu não faria isso. O senhor está preso

por entrada ilegal em terra indígena.

Que é isso, irmão? Sou polícia também.

- Vamos conversar. - Não, não tem conversa.

Vamos conversar, irmão. Para com isso.

- Eu quero o meu advogado. - [agente 1] Vai atrás da mulher.

- Rápido. - Para com isso, irmão.

♪ [apreensiva] ♪

♪ [latidos ao fundo]

♪

[homem] Próximo.

♪

Quero trabalhar.

Abre a bolsa aí pra mim.

♪

Os braços.

♪

Pode ir.

♪ [esvanece] ♪

- [maquinários ao fundo] - [vozerio]

Égua!

[ri]

Ô, moça, não se assusta, não.

Não se assusta, não.

Tudo certo. "Égua."

O pessoal fala muito isso por aqui. "Égua!"

Vou lhe contar uma coisa que...

Uma vez, um cabra...

pegou 30 gramas de ouro meu,

e tentou fugir bem por ali.

Achei meu ouro, três dias depois,

na carcaça, que uma onça deixou para trás.

É.

Por favor. Por favor.

A moça vai me desculpar, tá aqui a alguns dias...

e eu nem lhe agradeci.

Tu salvaste a vida do meu filho.

É.

Samuel Alves. [ri]

Mais conhecido aqui como Polaco.

Eu vim de muito longe, moça, mas estou aqui faz muito tempo.

É. [ri]

É, quem vem de fora, acha que o que a gente faz aqui é errado.

Aí.

Sabe o que é pior?

É o povo passando fome,

andando por cima do sustento no chão.

Os políticos tudo falam em progresso,

mas progresso aqui tem um nome, moça: ouro.

Você vê progresso nas meninas se prostituindo aí na vila?

Nas doenças que o mercúrio está causando nas crianças?

Ô, moça... Ninguém anda pra frente,

- sem deixar pegada. - Vocês vão me matar também, né?

Como matar?

Aquela situação lá na aldeia...

fugiu do controle.

Tsc, é.

Pode voltar lá pra dentro, pra cuidar do Jadson,

que ele vai dar trabalho. Que é o que ele faz de melhor.

Vai, pode ir. Vai lá.

♪ [reflexiva] ♪

♪ [caminhonete buzina]

♪

[homem] Atenção aqui, ó.

Mulher, divas ou cozinha,

o garimpo é pra cima. Bora.

Oi.

Tá surda? Mulher aqui, ó. Divas ou cozinha.

Vim pro garimpo.

Acho que você vai se dar muito melhor

pegando em outra mangueira.

Ih, rapaz, não vim pra fuleiragem aqui, não.

Vim pra trabalhar, e vou achar ouro.

Você tá louca, ô, vadia?

Aqui cada um tem seu lugar.

Homem ou mulher, o que muda?

Não é dinheiro que você quer? Eu também.

Entendi.

Então quer se foder na lama, né?

Tá autorizada. Agora se ficar de vagabundagem

e papo torto, vai dormir embaixo da terra junto do ouro.

Copiou?

Vaza.

♪ [apreensiva] ♪

♪

[Mário] Ninguém cruza o rastro do garimpo sem marcas.

Esse mal destrói tudo.

Da raiz ao fruto.

Da nascente ao rio.

♪

Do corpo à nossa alma.

♪

♪ [música esvanece] ♪

E aí, ô, filha, bora!

Pega aí a mangueira de saída e conecta na bomba, vai.

[Trindade grunhe de esforço]

E aí?

[indistinto], liga aí a bomba.

O que é que tu fez, porra? Que porra é essa?

Desliga, caralho! Porra, desliga!

Porra! Puta que pariu!

Sabe o que acontece se entra lama no motor?

Quer me foder, porra?

Inútil do caralho.

Se quebrou peça aí dentro, conserto é por tua conta, viu?

[capanga] E aí já viu. É hora extra no divas.

[ri]

- Sabe o que me fode, Galego? - Qual foi?

É que ela veio catar ouro, né?

E tá aí quebrando minhas máquinas

e só catando cascalho.

Escuta aqui, minha tia, tá na hora de pegar

- seu rumo de volta, não? - Você é dono disso aqui,

moleque desse jeito, é?

Ainda não.

Mas tá pra nascer o filho da puta

que vai me chamar de moleque e não vai tomar uns pipoco.

A tua sorte é que tu é mulher! Então eu vou te dar um desconto.

Tem algum tipo de enfermaria por aqui?

Por quê? A "madama" tá passando mal?

- Quer massagem? - Não. Não, só pra saber

se tiver coragem de descer aqui

e eu te quebrar no pau, pra onde é que ele te leva.

[capangas ao fundo] Xiii!

[Galego] Minha tia, esse daí tem mais de 50 carcaças

de índio nas costas.

Meter chumbo naquela gente é fácil, né?

Difícil é descer aqui e resolver comigo.

[Baleado repreende]

♪ [apreensiva] ♪

♪

Tu acha que se bater de frente com índio é fácil?

♪

Isso aqui é índio.

♪

Isso aqui também é índio.

♪

Aqui, índio, se desabusa, a gente larga o dedo.

Eu não tenho dó dessas porras, não.

Olha aí o que fizeram com o Jadson.

Pra ele, não tem justiça, né?

Se não fosse a médica lá cuidando dele,

já tinha morrido.

♪

Acabou a merenda, seus tanga-frouxa.

Levanta a raba. Levanta a raba.

Tá na hora de trabalhar.

[homem 1] Bora, bora. [homem 2] Bora, circula.

♪ [ação] ♪

♪ [apreensiva suave] ♪

♪ [pássaros piam]

♪

♪ [esvanece] ♪

Chegou, patrão.

Salve, meu amigo.

[homem] Você sabe que

o que mais me chateia nessa história, Polaco,

é a falta de confiança.

Logo você, gato escaldado,

achar que escondeu um troço desse de mim.

Tá certo, tá certo.

É claro que o amigo ia descobrir,

e se teus caguetas voassem, não batia mais sol na floresta.

[ri]

Pois é, pois é, pois é.

O problema não é só o que eu fiquei sabendo,

mas o como.

Porque brotou dois policiais da civil de São Paulo

no meu DP.

Uma inclusive disse que você tá com a filha dela,

uma das médicas.

O que tu estás me contando é só falatório.

Alguém me viu na aldeia?

Tinha algum corpo?

Pelo menos isso, né?

O Polaco que eu conheço não deixa sujeira pra trás.

É, foi uma... cagada dos meninos.

Cagada.

Ok.

Não tem garota,

não tem um corpo de Manacá nem de médico nenhum, certo?

Isso.

Ótimo.

♪ [apreensiva suave] ♪

♪

É.

Tu me tira desse enrosco

que eu lhe pago mais do que o suficiente pra isso.

♪

Vai, leva o saquinho também.

♪

[batidas à porta]

♪

Tudo isso?

Se quiser ele vivo...

[porta bate]

♪

[delegado] Sua sorte, meu amigo, é que no meu DNA,

D é de "diligência".

♪

[Luiza] Inspira bem forte.

- Ah! - Isso, já foi, já foi.

[Jadson ofega]

Você tá gelado.

Vira de lado aqui e abaixa a bermuda, por favor.

♪ [apreensiva] ♪

♪

Ai! Ai!

Acabou, doutora?

- Acabei. - Então sai,

quero falar com meu filho.

Porra, Jadson.

Eu cheguei a pensar se um tempo de cadeia

não ia fazer você acordar.

Mas não é com os outros que tu vai melhorar,

- né, meu filho? - Eu tava fazendo bem

- o meu trabalho lá em Santarém. - Tava.

Até eu mandar você fazer um serviço de homem.

O que é que tu fizeste? Hein, meu filho? Hein?

Deu tiro no susto.

Arrumou pinimba com índio, pelo amor de Deus.

Está dizendo que isso aqui não valeu nada, então?

Não. Valeu, não.

Até eu ver que tem um homem aí

que não vacila, mas que faz o inimigo vacilar.

Me prender aqui não vai me fazer igual a você, não.

Não precisa ser igual a mim, não, meu filho.

Tu sendo que nem o Dejivan, que é bronco,

mas é um sujeito homem,

eu já largo a casca sem vergonha do que botei no mundo.

- Eu fujo. - Foge?

- Eu dou meu jeito. - Vai!

Bota a cara lá na cidade.

Quero ver tu limpar tuas cagadas sem mim.

Vai.

♪ [música animada ao fundo] ♪

♪

♪ [vozerio]

♪ [apreensiva] ♪

♪ [cricrilar]

♪ [apreensiva crescente] ♪

♪ [cricrilar]

[telefone chamando]

- [Chagas] Alô? - Alô, Chagas?

Trindade? Porra, cadê você?

- Os caras me soltaram hoje... - Não dá pra falar agora,

- me ouve. Onde você tá? - Tô em Jacareacanga.

O Ministério Público acabou de liberar a busca de vocês.

- Oi. Ei. É você. - Trindade, tá me ouvindo?

Alô, Trindade...

♪

[Mário] Como espírito errante, eu me prendi à vingança.

- [homem] É essa aqui? - É.

Não importava quem eu tinha que ferir,

sacrificar,

desde que o sangue derramado lavasse meu ódio.

[Polaco] Tá acordada, tá acordada.

Shh! Devagarinho, moça. Devagarinho. Isso.

Ó.

Aqui, ó.

Tem gente que acha que vale mais do que isso aqui.

Você é dessas, não é, não?

- Olha... - [Trindade tosse]

Mas tá cheirosa!

Eu tenho a humildade de saber que o meu valor não é...

não é igual a dessa pedra, não.

Isso aqui tava aqui muito antes,

muito antes de você e de mim, e todo mundo aqui.

E vai ficar aqui.

Eu vou-me embora. Isso aqui fica.

Isso aqui, ó...

Ó, é o brilho...

do olho de Deus na terra, moça.

[ri]

Eu vou lhe dizer uma coisa agora muito bonita.

Quem vê esse brilho e não dá valor

não tem respeito pelo que Deus dá.

♪ [zumbido de insetos]

Tá aqui ainda, índio?

O que é que foi? Quer trabalho?

Vai lá pro Pombal fazer pedágio amanhã,

mas leve tua voadeira que a nossa vai tá ocupada.

Rasga.

Josafá, chama os menino, manda levar lá pro Tapajós.

♪ [apreensiva] ♪

♪ [esvanece] ♪

[Trindade gritando] Luiza! Luiza!

[voz embargada] Luiza!

Mãe! Mãe!

- Ai! Filha! - Vai, vai! Bora!

[Luiza] Abre a porta, pelo amor de Deus!

[Trindade] Luiza! [Luiza] Mãe!

[Trindade] Luiza! [Luiza] Mãe, eu tô aqui!

Abre, por favor. Abre!

- Filha! - Vai!

- Filha! Filha! - Cala a boca, porra!

Mãe!

Abre essa porta, por favor. Abre.

Jadson, por favor.

♪

Luiza. Luiza.

[Luiza] Mãe! Mãe!

- Mãe! Mãe! - Luiza! Luiza!

Não! Não!

[ecoa] Não! Não!

♪ [dramática] ♪

♪

[Wanderson] Bora, ô, cabeça de jaguatirica.

- [Galego] Pera. - Tem tempo sobrando não, porra.

Pera, pera, rapidinho! Pera aí.

Ô, animal. Mais pedra, a canoa vai afundar

- aqui mesmo, cara. - A última.

Confia.

Oras.

Hoje é a minha terceira oferenda para a Yara.

Só espero dessa vez receber alguma coisa em troca.

- Bora. - Bora.

Orra! Tá pesado essa caralho.

♪ [apreensiva] ♪

♪

Vambora!

♪

[Trindade grunhe abafado]

♪

[geme de dor]

♪

- Para, porra! - [Galego] Qual foi?

- O que é, velho? - Quero que essa quenga sofra.

Você vai pro inferno assim, viu?

Bora, vai.

♪

[Galego] Rasga essa porra.

[gargalha] Bora!

♪ [tensa] ♪

♪

Vou trocar esse aqui.

Você...

Você sabe para onde levaram ela?

[ofegante]

[grunhido de esforço]

♪ [apreensiva] ♪

♪

[Mário] Quanto sangue já escorreu no nosso Tapajós?

Quantas almas Yara teve que acolher em seus braços?

♪

Como se o rio pudesse esconder o peso dos seus algozes.

Mas o Tapajós guarda.

Guarda.

E um dia o que está enterrado nas profundezas da água

será devolvido à terra.

♪ [intensifica] ♪

[Polaco] ...e não nos deixe cair em tentação,

mas livrai-nos do mal. Amém.

Ave Maria, cheia de graça,

o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres...

[batidas]

- Licença. - Ô, rapaz.

A essa hora.

Eu vim te trazer o pedágio de hoje.

O movimento foi bom.

Bom, muito bom.

Está bem, pode ir. Rasgue. Rasgue.

[grunhem]

♪ [tensa] ♪

♪

[Polaco grita]

[disparo]

- [Polaco grunhe] - [disparo]

Comandante? Miserável!

Desgraçado!

Seu filho da puta.

[ofega]

Porra.

♪ [grunhem]

♪ [latidos ao fundo]

Agora vou te esganar com as minhas próprias mãos.

Seu filho da puta!

Você vai para o inferno agora, desgraçado!

♪

Você vai para o inferno, miserável.

Morra, seu filho da puta.

♪ [Mário grunhe]

Morra!

♪

[impacto do corpo no chão]

[Baleado] Tio? Que porra é essa, Tio?

[Polaco] Aquele índio filho da puta.

Cuidado. Cuidado aí.

[Polaco ofega]

Porra.

Cadê o índio, menina, hein?

[gritando] Cadê ele, porra?

Porra!

[Mário] Eu só queria sumir,

deixar que a correnteza levasse o que restava de mim.

Um espírito errante, amaldiçoado, sem povo.

Sem terra. Sem nada.

♪ [reflexiva] ♪

Mas Yebá Buró ainda guardava esperança em mim.

♪ [esvanece] ♪

[zumbido de insetos]

[em munduruku] É a mãe da médica que levaram daqui.

Ela tá morrendo.

Avisa o cacique.

Vai!

♪ [suave] ♪

♪

[canto indígena]

[Luiza] Acorda, você não podia ficar!

É impressionante, nada muda nunca!

[Trindade] E não esquece, doutora,

que você sai por aí cuidando dessa gente porque eu

sacrifiquei minha vida toda pra isso.

♪

[Luiza grita ecoado] Mãe!

[Polaco] ...O brilho, o olho de Deus na Terra.

[Luiza] Mãe!

O que você pensa sobre mim já não me importa faz tempo.

[Galego] ...Tu já é minha terceira oferenda para Yara.

[grito abafado]

[Trindade] Levaram minha filha. Preciso saber pra onde.

- [Luiza] Mãe! - [grunhe]

[tosse]

[tosse]

[zumbido de insetos]

Você precisa se fortalecer.

[zumbido de insetos]

[em munduruku] Traz comida pra ela.

[zumbido de insetos]

[em português] Até o guerreiro mais valente

tem seu dia de descanso.

[zumbido de insetos]

Cadeia e caixão dá na mesma para mim.

Se eu entrar, não saio mais.

Está falando isso por causa do índio?

Não, meu filho.

O que me preocupa é você.

É.

Tu quer isso aqui, quanto?

- Muito. - Muito?

- Muito. - Muito quanto, porra?

- Sei lá, caralho. Muito, muito. - É. Tomara, Jadson. Tomara.

Teu primo acha que vai ser dele.

Mas o teu filho sou eu.

Eu sei.

E amanhã tu vais ter a chance de provar isso.

O que vai acontecer amanhã?

Uai, tá forte, curado.

Não vai precisar mais de uma médica.

[zumbido de insetos]

Segue contra o curso da água.

[zumbido de insetos]

Quando vê a mata derrubada, vai pela terra.

[zumbido de insetos]

Obrigada.

♪ [apreensiva suave] ♪

♪

♪ [pássaros piam]

♪

Shh!

[sussurra] Vem comigo. Vem.

♪ [apreensiva] ♪

♪

♪ [zumbido de insetos]

Entra.

♪ [zumbido de insetos]

A gente vai embora daqui.

♪

Jadson!

♪ [intensifica] ♪

♪

Oh, menino...

Essa era a tua chance de mostrar que é homem.

♪

Bora.

♪

Vai.

♪ [zumbido de insetos]

[Luiza] Não, Jadson, não, por favor.

[revólver engatilha]

♪

Jadson... Não.

♪

Vai, olhando para ela. Olhando pra ela.

Olhando pra ela. Isso, meu filho.

Essa mulher não vale nada.

Essa mulher é ouro de tolo.

- Vai. - Jadson...

Não.

♪ [zumbido de insetos]

- Porra! - Não!

- Parou a palhaçada, Jadson. - Eh!

Shh! Dejivan, Dejivan, baixa, baixa. Baixa.

[zumbido de insetos]

Baixa.

Ele não vai fazer isso, não.

Você que não vai fazer isso com ela.

Ô, meu filho, tu acha que ela vai deixar barato

o que tu fizestes na aldeia?

Só eu posso te salvar. Eu posso te salvar. Só eu.

♪

Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

♪

Baixa essa arma, meu filho, vai, baixa essa arma.

♪

Tio! Tio, caralho! Caralho, tio!

O que tu fez, seu merda?

Tio, aguenta firme, caralho. Aguenta firme.

[gritando] Sai da porra do barco!

Sai, caralho! Sai do barco!

- Ai! - Ajoelha, caralho. Ajoelha!

- A gente vai embora. - É o caralho que vocês vão.

Olha o que tu fez, Jadson. Olha o que tu fez.

Eu só quero vazar, véi.

Fica com essa porra. Não quero nada.

- Foda-se! - [Polaco geme]

♪ [grunhem]

♪

Tu não vai embora é nunca, sua rapariga!

♪ [intensa] ♪

♪ [Jadson grita]

♪ [Baleado grunhe, ofega]

♪ [tosse]

♪

Tu matou teu próprio pai, Jadson.

♪

Pra quê? Por essa bosta aqui, hein?

♪

Tu não vale a merda que tu caga.

♪ [Baleado ofegante]

[disparo]

- [disparos] - Levanta, caralho!

Ai!

♪

- Pro barco, Luiza. Vai! - Mãe.

♪

[clique da arma]

♪

[arma engatilha]

♪

[zumbido de insetos]

[motor falhando]

Mãe... Tá falhando.

- Ah, não. Não. - A gente vai ter que parar.

Para ali.

[zumbidos, pássaros piam]

Mãe. O que houve?

- Calma, calma. - O que houve?

Peraí. [ofegante, geme] Tudo bem.

Foi só de raspão.

Ai!

[zumbido de insetos]

♪ [melancólica suave] ♪

♪

Ai!

♪ [zumbido de insetos]

- Ai! - Isso aqui vai segurar,

por enquanto.

♪

Sorte minha ter uma filha médica.

♪

Você se sacrificou a vida toda por isso.

Lembra?

Estava errada. Nunca entendi o que te trouxe até aqui.

♪

Nunca entendi a importância do teu trabalho

para essas pessoas.

O Edenir.

Você.

Vocês enfrentam o que todo mundo ignora, sabe?

♪

Você amava muito ele, né?

♪

Sinto muito.

♪ [cricrilar, zumbidos]

Vou buscar água pra gente, tá?

[cricrilar, zumbidos]

[motor de barco]

Vem, volta!

Volta.

Abaixa. Abaixa.

[zumbidos, pássaros piam]

♪ [apreensiva] ♪

♪ [zumbidos, pássaros piam]

Shh...

[veículos se aproximam]

- É a polícia! Vem, vem. - O quê?

♪

[ofegantes]

♪ [apreensiva] ♪

[Trindade] Delegado...

[policial] Mão na cabeça, as duas.

Calma aí, Pereira. Segura aí.

Investigadora, tudo certo aí? Podemos conversar?

A gente precisa sair daqui.

Está tudo sob controle, tá?

O MP em Santarém liberou a busca pela sua filha.

Essa é minha filha.

[zumbidos, pássaros piam]

Deus seja louvado.

A gente já estava quase sem esperança a seu respeito,

viu, moça?

A operação de busca entrou na reserva ontem.

E você, investigadora, você realmente

dificultou demais as coisas pra nós.

Mas é um milagre que você esteja aqui.

O resto a gente discute lá em Jacareacanga.

Jonas,

avisa que a gente encontrou elas e que já estamos voltando.

♪

[Trindade] Delegado,

quanto tempo aí pra essa pista de pouso?

Olha, vocês podem ficar tranquilas, tá?

Vocês estão seguras.

No meu DNA, D é de "diligência".

♪ [tensa] ♪

♪

- Ai! - Mãe!

Ai! Pega isso aí pra mim. Pega isso aí pra mim. Ai!

♪

- Abre. Pega aqui pra mim. - Não, não, não.

Não vai precisar disso, não.

Logo, logo, você não vai estar sentindo dor nenhuma,

tá bom? Encosta.

Encosta.

♪

Bora, bora. Desce!

♪

Tu perdeu, quenga velha!

Começa a rezar, porque tu tá na porta do inferno.

Amarra essa porra!

♪ [apreensiva] ♪

♪

Que fofo.

As duas vão afundar juntinhas, ó.

As duas aí são minhas boas-vindas

ao novo dono da Aleluia 4.

Da forma como eu vejo, quem tá dando o presente aqui

sou eu.

Afinal de contas, eu que tô fazendo o serviço.

E de quebra, eu tô livrando a cara

do delegado "Ficha Limpa".

Sabe, delegado,

- meu tio, ele misturava muito... - Peguei.

...a amizade com o negócio.

Eu sabia que, na balança dele,

tinha muito peso que não era ouro.

♪

Agora a balança tá comigo.

♪

E ela tá precisando de ser...

calibrada.

♪

É a falta de amigo na vida que pesa, jovem.

Não pra quem escolhe os certos.

[Wanderson] Fogo na viatura ali, ó!

A viatura tá queimando, porra!

Ô, Galego! Não mandei tu parar, porra!

Pereira, Jonas, vai lá, porra!

Wanderson, vai com eles.

[Wanderson] Vamo, vamo, vamo! Vem, vem, vem!

♪ [apreensiva intensifica] ♪

[Wanderson] Puta que pariu! [Baleado] Pega o extintor

- no meu carro, caralho! - Pega o extintor aí, porra!

- [disparo] - Que foi isso, caralho?

[falas sobrepostas]

De onde veio essa porra? Abaixa, porra!

- De onde tá vindo essa merda? - Lá do alto!

♪ [disparos]

[Wanderson] Atira nele, o índio, o índio, porra!

♪ [disparos]

Índio miserável, filho da puta, cara!

♪

- [vozerio] - [disparos]

Vem, porra!

♪ [disparos]

♪

♪ [disparos]

♪ [disparos]

Filha da puta! Elas fugiram!

♪ [disparos]

♪ [zumbido de insetos]

[gemidos]

[zumbido de insetos]

Mãe.

[passos se aproximando]

Para, desgraçado! Para! Para!

♪ [zumbido de insetos]

Trindade, abaixa a arma. Ele tá comigo.

- Abaixa a arma, Trindade. - Esse merda me entregou

pros garimpeiros.

Mataram minha prima. Pra cobrar esse sangue,

eu precisava estar junto do Polaco,

ganhar a confiança dele.

♪ [ofegante]

E eu só tinha você pra oferecer.

É verdade. Ele tentou matar o Polaco.

Eu ajudei ele a fugir.

Eles cuidaram disso pra você. Esse Polaco tá morto.

Como é que a gente sai daqui?

Vem comigo, nosso carro tá ali.

- Não, você, não. Você fica. - Trindade, para com isso!

Cês só tão vivas aqui, porque ele...

[disparo]

Abaixa!

[disparos]

Atrás da árvore! Anda com ele.

Tira ele pra cá, isso!

♪

Ele tá perdendo muito sangue.

♪ [disparos]

A gente precisa sair daqui.

Vai com eles. Vai com eles, filha.

Eu vou atrás. Vai com eles.

- Mas, mãe... - Vai, vai, vai!

♪

Caralho, que merda! Filha da puta!

♪ [disparos ao fundo]

Vai.

♪

Bora, mãe. Bora.

♪

[cliques]

♪

- [Mário] Vamo. - Espera!

♪ [disparos]

- Ai. - [Trindade] Filha, pro carro!

Vai! Agora!

♪ [disparo, vidro estilhaça]

♪ [disparos]

♪

[Luiza] Chagas, Chagas, não dorme. Fica acordado.

- Como é que ele tá? - Ele tá perdendo muito sangue.

♪ [disparos]

Abaixa, mãe! Abaixa!

♪ [disparos]

Atravessa! Atravessa aqui, caralho!

- Vai! Vai! - Caralho!

♪

- [Wanderson] Caralho, que merda! - Filha da puta!

♪

Abaixa! Abaixa!

♪

Caralho!

♪ [disparos]

Cuidado!

♪ [disparo]

♪

Acelera, caralho!

Acelera que vou matar esse índio, porra!

[disparo]

♪

Filho da puta!

♪ [disparos, vidro estilhaçando]

♪ [disparos]

- Acelera, porra! Acelera! - Caralho!

♪

♪ [grunhido de dor]

♪

Acertei ele!

Chagas, Chagas! Fica aqui!

♪

[Baleado grunhe]

♪

[delegado grunhindo]

♪

Acelera!

[Luiza] Cuidado, mãe!

♪ [disparos]

[gargalha]

♪

Mãe! Acertaram ele!

Mário! Mário!

Levanta agora, índio! Levanta, porra!

♪

♪ [disparos]

♪ [pneu murchando]

♪ [disparo, vidro estilhaça]

[carro acelera]

[zumbido de insetos]

♪ [apreensiva] ♪

♪ [zumbido de insetos]

[lâmina ressoa]

♪

Aqui quem se cresce...

♪

...se bate com a nossa lei.

♪ [melancólica suave] ♪

♪

Hoje, Baleado vai levar duas cabecinhas para o A-4!

[grita]

♪ [grunhem]

♪

[Baleado grunhe]

- [lâmina perfura] - [Baleado exclama]

♪

♪ [apreensiva] ♪

♪ [intensifica] ♪

[disparo]

♪ [apreensiva] ♪

♪

[Mário] Há uma força que atravessa feridas.

Medos...

e morte.

Que nasce do ventre e não se quebra.

♪

Nem com o tempo,

nem com a dor.

♪ [zumbido de insetos]

E quando é a mãe que precisa ser resgatada?

♪

Yebá Buró chora em silêncio,

envenenado por mercúrio e ambição.

♪

E vocês, filhos desta terra,

ouvem o sussurro das árvores?

O grito de socorro da Grande Mãe?

Porque cada árvore caída é uma prece interrompida.

♪

Enquanto houver uma árvore em pé,

uma criança aprendendo um canto Munduruku,

enquanto o rio ainda sussurrar seu verdadeiro nome,

haverá luta.

E onde há luta há esperança.

♪

Legendas Descritivas ETC FILMES

Legendas: Jefferson Henrique

♪ [música esvanece] ♪

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