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Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Pensei ter ouvido algo a cair e depois o Murphy a ladrar.
A Dylan disse que achava ter visto alguém.
E vi um tipo todo de preto e com uma máscara.
Não sabia o que fazer.
ESTOU MUITO CONFUSA.
SIM, MAS QUE RAIO?
NÃO ESTOU A GOZAR, ESTOU ASSUSTADA
EU TAMBÉM
Levantei-me e tranquei a porta, tive tanto medo.
Depois disso, não ouvi mais nada.
O MEU TELEMÓVEL VAI FICAR SEM BATERIA, FODA-SE
VEM PARA O MEU QUARTO
FOGE
Polícia de Moscow. Se estiver aí, identifique-se.
Polícia de Moscow.
Notícias de última hora de um homicídio.
Mataram quatro estudantes no domingo de manhã.
Os corpos foram encontrados numa casa fora do campus.
O que aconteceu? O que poderia ter acontecido?
Isto foi algo que alguém pensou fazer, planeou fazer.
Alguma colega de casa se queixou de alguém a perseguir?
Ela viu a silhueta de um homem a olhar para ela.
Aquela pessoa entrou na casa delas
depois de andar a vigiá-la!
As três raparigas eram bonitas e populares.
Era um crime contra mulheres?
Ela disse: "Está aqui alguém", gritou e desceu a correr.
O assassino ainda anda à solta. E se atacar mais pessoas?
Chamo-lhe Demónio. É o nome que lhe dou. Demónio.
PESADELO UNIVERSITÁRIO: OS ASSASSINATOS DE IDAHO
UNIVERSIDADE DO IDAHO MOSCOW, IDAHO
Moscow, Idaho. Debaixo dos cobertores.
Sempre pensei em entrar na Universidade do Idaho.
Quando lá fui pela primeira vez, senti um ambiente familiar e de proximidade,
que é com o que me identifico.
AMIGA DE KAYLEE
Soube logo que queria andar lá.
A Universidade do Idaho foi dos melhores anos da minha vida.
A universidade é uma bolha muito especial…
AMIGA DE XANA
… de uma fase com tanta liberdade. Eu e a Xana divertimo-nos muito.
Olá, chamo-me Xana Kernodle.
Estou a tirar Marketing na Universidade do Idaho.
A Xana estava no 3.º ano quando foi para a King Street
com a Maddie, a Kaylee, a Dylan e a Bethany.
Eram todas da mesma república, menos a Kaylee.
Olá a todos. Sou a Kaylee Goncalves e ando em Estudos Gerais.
A Maddie e a Kaylee eram as melhores amigas.
A relação delas era divertida de ver, porque eram como irmãs.
Discutiam como irmãs, faziam tudo como irmãs.
Adoro-te!
Toda a gente se conhece nas repúblicas.
Por isso, fazíamos festas com repúblicas masculinas e femininas, ou encontros.
Um dia, o Ethan apareceu
e notou-se uma ligação instantânea.
A Xana e o Ethan eram a alma da festa, por isso, fazia sentido andarem.
É fofo.
Eram tão fofos que até enjoava.
Tipo: "Estou farta de vos ver ser tão adoráveis."
Chamo-me Ethan Chapin. Sou de Mount Vernon, Washington.
Eu estava na república Sigma Chi com o Ethan e o irmão, o Hunter.
O Ethan era tão gentil. Era impossível estar triste perto dele.
Ele adorava música country e eu também. Eu adorava country.
AMIGO DE ETHAN
Ele conhecia as músicas e eu pensei: "Ele é fixe. Quero dar-me com ele."
Está tudo bem Porque o amor é um anel de fumo
Foi a melhor altura da minha vida.
Três!
Gostava de poder voltar atrás, porque era muito divertido.
Corta.
Na casa dos 20, o mundo é mesmo nosso,
está cheio de possibilidades infinitas e todos os sonhos estão ao nosso alcance.
Estamos tão entusiasmados com o que vem a seguir,
e sentimo-nos um pouco adultos.
Não pensava que pudesse acontecer nada de mal.
É a época mais divertida da vida.
Olhando para trás, gostava de poder voltar a esses tempos,
antes… de tudo isto ter acontecido.
13 DE NOVEMBRO DE 2022 11H56
112. Localização da emergência?
Está a acontecer ou aconteceu algo na nossa casa,
e não sabemos o quê.
Qual é a morada da emergência?
King Road, número 1122.
Eu falo convosco. Nós…
Vivemos na casa dos White, ao lado.
Diz-me exatamente o que se passa.
Uma das nossas colegas de casa desmaiou,
estava bêbeda ontem à noite e não acorda.
- Olá, é… - Estás com a paciente?
Alguém tem de ficar ao telefone,
não o passem.
Ela está a respirar?
Está inconsciente. O que se passa?
Não acorda.
Xana!
Está bem. Um momento. Vou enviar assistência.
Polícia e uma ambulância para perda de consciência na King Road, n.º 1122.
Unidades a responder: a paciente está inconsciente e não respira.
Estou a caminho da King Road.
Estou na King Road.
Entendido.
IMAGENS CENSURADAS PELAS AUTORIDADES
Onde está ela?
- Aqui. - Sim?
Onde está ela?
Está já ali.
Sim. Está mesmo ali.
- Onde? Em cima? - Recebemos uma chamada… Aqui.
Recebemos uma chamada dizendo que havia alguém…
Vim ver aqui…
Ainda não vi ali, mas…
Está bem. Fica aí, por favor.
Foda-se!
Treze, acho que temos um homicídio.
Dois universitários parecem estar mortos. Há muito sangue.
Entendido.
Unidades a responder: segundo o rádio entre agentes,
parece haver dois universitários, ambos mortos, e muito sangue.
Devagar.
Há… Anda cá. É…
Há dois…
Parecem vítimas mortais.
Está bem.
Ninguém pode sair daqui por agora.
Fiquem aqui, por favor.
Muito bem. Pronto.
Podem ir até ao contentor, por favor?
Encontraste-os?
Sim, as colegas de casa ligaram-me hoje
para vir ver, porque viram alguém ontem à noite
e foram para os quartos.
Vim quando me ligaram, abri a porta e vi aquilo.
Está bem. Vamos descer. Há mais alguém lá em cima?
- Não sei. - Não toques em nada.
Peguei na faca da cozinha porque, quando entrei,
não sabia se estava lá alguém, mas…
- Está bem. - Agarrei nela só para garantir…
Tens a tua identificação?
- Não. Posso dizer-lhe o meu nome. - Está bem. Fica aqui.
Porque não te sentas aqui? Cá fora.
Um segundo, por favor. Tens de sair.
Ainda não verificámos a casa.
Polícia de Moscow. Se estiver aí, identifique-se.
Polícia de Moscow.
Foda-se.
- Polícia. - Estamos no segundo andar. Nas escadas.
Olá, cachorrinho.
Caraças…
- Foda-se, meu. - Sim.
Quarenta e seis, 13, avisem quando o 102 chegar.
Treze, temos mais dois cadáveres no segundo andar.
Entendido.
Cuidado, é…
Sim, vamos precisar…
… de todos, acho eu. Há quatro corpos.
Podem levar um cão para o canil por mim?
Caramba.
O Justin Olson vem buscar o cão e levá-lo para o canil.
Anda. Podes segurar nele um segundo?
- Moscow 120, a caminho. - Entendido. E, só para te atualizar,
parece que encontraram
mais dois corpos na casa.
Estava em casa, de folga. Ligaram-me. Eu não era o comandante de serviço,
por isso, sabia que a chamada era mau sinal.
Não esperava ouvir que tínhamos um quádruplo homicídio.
CHEFE DA POLÍCIA DE MOSCOW
Sem entrar em muitos pormenores, foi absolutamente horrível.
Foi imediatamente evidente que os quatro tinham sido esfaqueados até à morte.
Isso é algo que ninguém espera ver,
e algo que nunca se esquece depois de se ver.
Sei que não só eu, mas todos os agentes que estiveram envolvidos naquele dia
tiveram dificuldades com isso.
Dei a volta à casa e não vi sangue em lado nenhum, nem nada do género.
O sargento-detetive, quando chegou ao local, reconheceu que era grave.
Ligou aos nossos colegas da Polícia Estadual do Idaho
e pediu-lhes que viessem ajudar.
Suponho que estejam…
Isto era completamente diferente
de tudo com o que tínhamos lidado na Polícia de Moscow.
Quando chegámos, fui às traseiras
e havia uma porta aberta com pegadas na neve.
Quando os agentes chegaram à cena do crime,
a porta de trás estava entreaberta.
E sabíamos que nenhum dos nossos agentes tinha usado aquela porta.
Tenho aqui um sapato de tamanho 46,5,
para a frente e para trás. Contorna aquele tronco e vai por ali.
Não conseguimos localizar a arma?
Não mexemos em ninguém, mas diria que não está aqui.
- Sim. - Mas…
Parece que há sangue seco na pia,
mas não há sangue à volta.
O n.º 1122 da King Road era uma casa de dois andares.
SEGUNDO ANDAR
Havia dois quartos no segundo andar.
No quarto à direita, encontrámos duas vítimas do sexo feminino.
PRIMEIRO ANDAR
Descendo para o que seria o piso principal,
mesmo ao fundo das escadas, havia outro quarto, que estava vazio.
Ao lado, ficava a sala de estar.
Saindo da sala, ao fundo de um corredor,
havia outro quarto,
onde encontrámos as vítimas do sexo masculino e feminino.
No rés do chão, havia outro quarto.
Encontrámos vestígios de sangue na casa toda.
E encontrámos uma bainha de faca no quarto do segundo andar,
ao lado de uma das vítimas.
Sabíamos que isso ia ser algo muito importante.
Quem quer um cobertor? É temporário.
Alguém quer um?
Para os pés? Para sentar?
- Sim, eu quero. - Está bem.
Ao falarmos com os envolvidos,
soubemos que havia colegas que estavam em casa, a Dylan e a Bethany.
Puderam informar-nos sobre quem mais vivia lá.
COLEGA DE CASA
Quem é a Xana?
A Xana é a rapariga ali.
- É a rapariga… Esta? - Sim.
- Sabes que idade tem? - Vinte anos.
Como se chama o rapaz que vive aqui,
ou que costuma estar aqui? - Ethan Chapin.
E… Então, quantos anos tem o Ethan?
Acho que acabou de fazer 20.
E depois há a Maddie Mogen e a Kaylee no andar de cima.
- Que idade tem a Maddie? - Tem 21.
E a Kaylee?
Mais de 21. Acho que tem 21 ou 22.
- Desculpe, não me lembro. - Não faz mal.
- Estás a ir bem. - Obrigada.
- Tenho medo. - Estou a pedir muito, por isso, agradeço…
- Desculpe se não digo nada. - Estás a sair-te bem.
COLEGA DE CASA
A Maddie e a Kaylee vieram da discoteca.
Quanto tempo estiveram lá? Até fechar, pelo menos?
- Sim. - Eu estava no meu quarto.
Estava a tentar dormir e ouvi a Kaylee subir.
Pensei: "Vou dormir. Ela vai para o quarto."
E depois, de repente, ouvi-a gritar.
Ela desceu a correr, porque viu alguém.
Tenho a certeza de que disse: "Está aqui alguém."
Gritou e desceu a correr.
Chamei por ela, mas levantei-me e tranquei a porta, porque tive medo.
Depois, ouvi-a entrar… Acho que foi na casa de banho.
Lembro-me de ela chorar.
Ouvi um tipo que não reconheci a dizer:
"Vais ficar bem. Vou ajudar-te." Mas… não sei como explicar,
não foi de uma forma simpática, foi estranho. Um tom estranho.
"Vais ficar bem,
vou ajudar-te." - Sim.
- Não ouviste mais nada da Kaylee? - Depois disso, não ouvi nada.
Está bem.
Depois, continuei a chamá-la.
Liguei à Xana, à Maddie e à Kaylee,
e nenhuma atendeu.
Abri a porta para ver e foi quando vi o tipo passar.
Olhou para mim, mas não veio ter comigo nem falou.
O que foi muito confuso para mim. Não percebo.
Saiu pela porta lateral. Eu não sabia o que fazer.
- Isso foi às 4 da manhã? - Sim.
O quarto da Dylan ficava em frente à cozinha.
QUARTO DE DYLAN
Ela disse que viu uma figura masculina na sala, vestida de preto.
Os olhos cruzaram-se. Viram-se.
Por alguma razão, o agressor continuou a andar em direção à cozinha,
a Dylan trancou a porta do quarto, com medo, e ele foi-se embora.
Tentou contactar as colegas de casa e acabou por falar com a Bethany.
A Bethany estava no rés do chão, no quarto dela.
QUARTO DE BETHANY
A Bethany disse-lhe para descer. A Dylan abriu a porta,
desceu a correr e passou o resto da noite com ela.
A Bethany e a Dylan pediram a uma amiga e ao namorado para irem lá,
para alguém ver como estavam as outras colegas.
AMIGOS DAS VÍTIMAS
AMIGO DAS VÍTIMAS
O namorado, quando chegou,
foi quem entrou em casa,
subiu as escadas e viu a Xana e o Ethan mortos.
Caraças.
O que aconteceu?
Liguei ao Aaron, porque está a organizar tudo.
Disse-lhe: "Estes miúdos vão precisar de um psicólogo com quem falar."
- Sim. O capitão já tratou disso. - Fixe.
E uma rapariga estava lá dentro… Ouviste essa parte?
Havia outra rapariga lá dentro,
viu um tipo entrar com uma máscara de esqui
e trancou-se no quarto.
- Ouviu tudo o que se passou. - Foda-se!
- E não nos chamou ontem à noite? - Foi às 4.
Tem sorte por estar viva.
Não deve ter feito barulho e trancou a porta.
Ele não devia saber que ela estava lá.
Perguntámos porque é que as colegas esperaram oito horas
para chamar a polícia.
Há muitas razões para não o fazer. As pessoas estão em choque, é traumático.
Não consigo imaginar ter aquela idade
e ser capaz de compreender que algo tão horrível aconteceu.
12H13
CERCA DE 15 MINUTOS APÓS A CHAMADA PARA O 112
As minhas traseiras davam para aquela casa.
Eu vivia a uns dez metros da porta delas.
AMIGO DE ETHAN
Via-se do meu quarto.
Isto vai ser muito difícil.
Acordei. Olhei pela janela
e ouvi um pouco do que se passava, gritos, choros e assim.
Vi algumas das raparigas sentadas lá fora com o polícia.
E o meu primeiro pensamento foi
que havia algum problema com o Ethan e a Xana.
Pensei logo no Hunter, o irmão do Ethan.
HUNTER CHAPIN IRMÃO DE ETHAN
Estávamos todos na Sigma Chi.
Então, calcei-me
e fui buscar o Hunter à casa da Sigma Chi.
Acordei-o.
Perguntei: "Sabes do Ethan ou da Xana?"
Ele ficou em pânico: "O que estás a dizer? O que se passa?"
Tentou ligar-lhe, mas ele não atendia.
Íamos a caminho de lá e ele dizia: "O que se passa?"
E eu: "Não sei. Não tenho respostas para ti. Eu só…"
AMIGO DAS VÍTIMAS - IRMÃO DE ETHAN
Vi o Hunter Johnson. Ele só disse que o irmão e a Xana já não estavam lá.
Como se processa aquilo?
Foi difícil ver toda a gente
tentar perceber o que se passava.
Naquele momento,
senti que não devia estar ali.
AMIGO DE ETHAN
Por isso, voltei para o meu apartamento.
Estava lá a minha namorada, a Addie,
e os meus colegas de casa e as namoradas, e disse-lhes que eles tinham morrido.
É muito difícil.
Ethan, olha para mim. Sorri!
Olha o passarinho.
O CASAL MAIS FOFO
O Ethan era uma das pessoas mais gentis que se pode conhecer.
Ele entrava numa sala e a energia animava-se…
ESTÁ A CONSEGUIR
… e fazia-nos sorrir.
A Xana e o Ethan foram os melhores amigos desde o início.
Percebi que ela estava a começar a gostar dele, porque tínhamos um ritual matinal.
Antes de a Xana se mudar para a casa da King Street,
fomos vizinhas.
Eu acordava e ia ao quarto da Xana dizer bom dia.
Ou ela vinha dizer-me bom dia.
Quem acordasse primeiro. Depois, comecei a reparar
que a Xana já não vinha tanto ao meu quarto. Era estranho.
Então, fui ao quarto dela e quem lá estava? O Ethan.
E eu: "Olá, Ethan! Bom dia. Que bom ver-te."
Ele amava-a muito.
Era notório. Foram feitos um para o outro.
Já volto, está bem?
- Estou? - Olá, J. Desculpa incomodar-te.
Temos um quádruplo homicídio no campus.
Podes vir e começar a controlar a rua?
Mandam uma mensagem…
… tão fodido.
Podiam ter-nos dito antes de enviarem uma mensagem.
Não sei do que estás a falar.
Mandaram uma mensagem à universidade toda antes de nos dizerem o que aconteceu.
Nós sabemos, mas seria bom ter uma confirmação.
Recebi uma chamada da Polícia de Moscow.
Disseram: "Blaine, temos quatro mortos.
REPRESENTANTE DOS ALUNOS
Podem ser estudantes." Fiquei chocado.
Pensamos em todo o tipo de coisas.
Como? Quem? Porquê? O que aconteceu?
HOMICÍDO PERTO DO CAMPUS
O protocolo da instituição, quando sabemos que ocorreu um crime,
é usar o Sistema de Alerta Vandal, para passar imediatamente a informação.
Minha senhora?
Pode parar? Pode voltar para aqui?
Ninguém pode passar por aqui.
Está bem. Ia a casa da minha amiga.
- É aqui? - Sim.
- Vamos dar a volta… pela estrada. - Está bem.
Era uma cena caótica.
Havia pessoas a sair de todas as casas à volta.
Sabiam que algo se passava.
Estavam a ficar nervosas.
Podem ficar aqui um bocadinho?
- Sim. - Está bem?
Era um pânico constante, chamadas e mensagens.
As pessoas estavam a descobrir, a passar-se e…
O Alerta Vandal dizia "homicídio".
É uma palavra pesada.
A maioria de nós já sabia que eles tinham morrido,
mas não sabia o que acontecera.
Não havia respostas.
Todos falavam, diziam coisas diferentes.
- Sabe o que se passa? - Sim, mas não posso dizer.
Por isso, sim, se pudessem ficar dentro de casa…
Não nos disseram que iam lançar o alerta.
Teríamos preferido
que tivessem falado connosco
antes de divulgarem essa informação, porque tínhamos quatro vítimas no local.
Tínhamos de identificar as vítimas e começar a trabalhar
para contactar as famílias e informá-las.
E quando a universidade lançou o alerta,
a informação começou a ser partilhada antes de o termos feito.
Mandei uma mensagem à Xana
a perguntar se tinha recebido o alerta.
Não respondeu.
Vi a localização. Estava em casa.
Pensei: "É estranho."
As repúblicas começaram a contactar os membros,
para terem a certeza de que sabiam onde todos estavam.
Quer vivessem lá ou não,
certificaram-se de que sabiam do paradeiro de todos.
Foi assim que descobri que não se sabia da Xana e da Maddie.
Durante o tempo que vivi em Moscow, não houve muitos Alertas Vandal.
Nunca acontece nada de mau.
AMIGA DE XANA
Cuidamos uns dos outros, protegemo-nos.
Eu e a Xana tínhamos Finanças juntas.
Ela estava a stressar, porque precisava de ter um 18 no exame
para ter uma boa nota na cadeira e assim.
Então, perguntou-me se podíamos ir às sessões de explicações na biblioteca
naquele domingo.
Depois, quando recebemos o Alerta Vandal,
mandei-lhe mensagens e liguei-lhe.
Não consegui falar com ela. Então, contactei a irmã dela, a Jazzmin.
JAZZMIN KERNODLE IRMÃ DE XANA
A Xana era a minha irmã mais nova.
Crescemos só com o nosso pai.
Quando fui para a faculdade, ficámos muito unidas.
IRMÃ DE XANA
Depois, ela foi para uma faculdade a dez minutos de mim.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE WASHINGTON
A Jazzmin estava a dez quilómetros, na WSU,
por isso, podiam ver-se.
Saber que estavam perto uma da outra era mais reconfortante.
PAI DE XANA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE WASHINGTON PULLMAN, WASHINGTON
No fim de semana de 12 e 13 de novembro,
houve um jogo de futebol da WSU no sábado,
a que eu e o meu pai fomos com um grupo de amigos.
Ele queria que a Xana e o Ethan fossem,
mas eles queriam ir ao jogo da Universidade do Idaho.
Insisti para que fossem,
mas eles não foram naquela noite.
No dia seguinte, o meu pai foi-se embora.
Ia ver da Xana, porque ela precisava de arranjar um farol no carro.
Ia passar em casa da Xana.
Liguei e ela não atendeu. Pensei que estivesse a dormir.
Estava um dia nublado. Era um dia muito mau.
Comecei a sair da cidade, estava a uns 15 km.
A Jazzmin recebeu uma chamada de umas amigas da Xana.
"Jazz, não sei se já sabes o que se passa,
mas aconteceu uma coisa na King Street."
Liguei à Xana e ao Ethan,
e liguei a algumas das melhores amigas da Xana e…
Liguei ao meu pai e disse-lhe que devia voltar,
porque tinha acontecido algo mau.
Parei o carro.
Voltei para lá a correr e…
Tinham a fita da polícia a 30, 60 metros da casa,
a delimitar tudo. Não deixavam ninguém aproximar-se mais.
Não havia ambulâncias, não havia nada, por isso,
não sabia no que acreditar.
Só perguntei se podia ir ver a minha irmã.
Não disseram nada e eu não sabia o que se passava.
Um homem abordou-me e disse: "A minha filha vive naquela casa."
Disseram-me que tínhamos de ir à esquadra. Queriam…
… falar connosco.
Infelizmente, já comuniquei muitas mortes na minha carreira…
… mas essa foi, sem dúvida, uma das mais difíceis.
Estávamos confusos. Estávamos em choque. Não sabíamos o que tinha acontecido.
Mas eu estava cheia de adrenalina e o meu pai também.
Não sabíamos. O que se faz naquela situação?
Ninguém sabe. Foi muito, muito difícil.
Fui-me embora depois disso. Disseram-me:
"Não pode fazer nada. Não pode ver nada nem…"
Eu não podia fazer nada.
Fiz o que pude. Não conseguia lidar com aquilo.
Sabem?
COEUR D'ALENE, IDAHO
Treze de novembro.
Era um dia normal.
Recebi uma chamada da minha sobrinha Sabrina.
PAIS DE KAYLEE
Estava histérica.
Disse-me que achava que tinha acontecido algo mau à Kaylee.
E disse: "Tia Kristi, acho que a Kaylee morreu."
O primo do marido dela vivia lá.
Ele disse que tinha havido uma festa,
que alguém tinha ido lá e disparado
e ela tinha sido baleada.
Primeiro, liguei à Kaylee. Foi para o voice mail.
Depois, liguei à irmã, a Alivea.
LOS ANGELES, CALIFÓRNIA
Tinha duas ou três chamadas não atendidas da minha mãe e uma do meu pai.
É sempre mau sinal, de que algo se passa.
IRMÃ DE KAYLEE
Liguei à minha mãe.
Ouvi o pânico na voz dela.
Disse-lhe: "Vou ligar às pessoas. Falo contigo daqui a pouco."
PESQUISAR
Contactei algumas das colegas de casa da Kaylee.
Pelo Instagram.
Basicamente, disse: "Ouvi dizer que pode ter havido um acidente.
Podes pedir à Kaylee para nos contactar?"
E, claro, no meio disto, liguei à Kaylee e à Maddie.
Não consegui falar com elas, mas ainda não estava alarmada.
Comecei a ligar à Maddie. O telemóvel só tocava.
Não percebia porque não atendia.
Liguei à mãe da Maddie, a Karen,
e disse: "Ouviste dizer que se passa algo?"
Ela disse: "O Scott e eu estamos a caminho.
MÃE DE MADDIE - PADRASTO
Estamos a 25 minutos.
Vamos buscar as miúdas. Elas estão bem.
Vamos buscá-las."
Eu sabia, no meu íntimo,
que elas não estavam bem.
E disse: "Está bem, Karen. Está bem."
Quando a nossa filha tem uma relação com alguém
e chega ao ponto de serem as melhores amigas,
as famílias unem-se e…
- Diz olá, Maddie. - Olá.
Ela tinha isso com a Maddie.
Só eu e a Maddie, na piscina.
A apanhar sol.
Comecei a receber mensagens no Facebook a dizer:
"Os meus pêsames.
Os meus pêsames." E eu:
"Não! Isto não pode ser verdade." E…
E o xerife apareceu.
Fugi para o quarto, porque sabia.
O agente disse-nos que não só a nossa filha tinha morrido,
como a Maddie também.
E eu tinha acabado de falar com a Karen, a mãe da Maddie, e o Scotty,
e sabíamos que eles estavam a dez ou 15 minutos
da casa.
Estavam em Moscow e, pelo que sei,
foram informados na esquadra.
FAMÍLIA DE MADDIE MOGEN
Cada pessoa reage de forma diferente,
ou de forma única, à dor.
FAMÍLIA DE ETHAN CHAPIN
Já comuniquei falecimentos e quase me bateram.
Outras pessoas ficaram inconsoláveis.
E nenhuma das reações é… Não há reações erradas.
Também sou pai
e não consigo imaginar não só pelo que eles passaram,
como continuam a passar com a perda dos filhos.
- Vamos sondar a vizinhança. - Está bem.
Preciso de saber quem está disponível para começar comigo.
Eu posso.
Em qualquer investigação, é importante não divulgar demasiadas informações.
Por muito que queiramos partilhar informações
para informar as pessoas, isso põe todos em risco.
Ouviram ou viram alguma coisa ontem à noite ou esta manhã?
O que aconteceu?
Não podemos dizer o que se passa.
Além disso, não podemos permitir que o agressor, o autor,
saiba que informações temos.
Pode usar isso para desaparecer ou repetir o crime.
- Olá. - Sabem o que se passa?
O que se passa?
- Não posso dizer. - A sério?
Sim. Lamento.
Para manter o caso puro, intacto e sem interferências,
precisamos de preservar a sua integridade.
Não ouvi nada ontem à noite. Estive em casa a noite toda.
Não reparei em nada estranho.
Neste caso, confiámos nos nossos colegas
da Polícia Estadual e nos seus peritos forenses.
Eles estiveram naquela casa a analisar tudo.
E demorou horas e horas.
Quanto às provas,
a bainha da faca foi, obviamente, muito importante.
Queríamos garantir que era analisada pela equipa forense
o mais depressa possível.
Posso perguntar o que se passa?
Onde vives?
Vivo ali, mas a minha ex-namorada, com quem andei cinco anos, vive aí.
Queres saber o que se passa? Está bem.
Fica aí um segundo. Alguém vai falar contigo, está bem?
Podes sentar-te no carro?
Só para te manter separado das pessoas que estão por aí.
- Estou a tentar perceber o que se passa. - Alguém vai falar contigo.
Agradeço. Obrigado.
Um tipo veio ter comigo e disse: "Posso falar consigo? O que se passa?"
Ele disse… Eu disse: "Quem és tu? Vives aqui ou assim?"
Ele disse: "A minha ex-namorada, com quem andei cinco anos, está ali.
Não sei o que se passa. Moro aqui ao lado."
EX-NAMORADO DE KAYLEE
O Jack é meu primo.
Começou a andar com a Kaylee no 10.º ano.
Andaram na mesma secundária e foram para a mesma faculdade.
Ela ia-se formar em breve
e tinha acabado de arranjar um bom emprego em Austin, no Texas.
Fiquei espantada. Ela sempre tinha vivido aqui.
Mas sabia que ela era muito espontânea
e pensei: "Faz sentido."
Acho que a Kaylee e o Jack estavam separados.
Ela disse: "Vou seguir a minha vida
e tentar aventurar-me sozinha um pouco."
Naquele dia, estava na loja da minha mãe em Hayden, no Idaho,
e recebi uma chamada de uma amiga da Universidade do Idaho.
Ela disse: "Acho que a Kaylee morreu."
E acho que entrei num estado de negação.
Foi tipo:
"Como assim? Qual Kaylee?"
Não conseguia aceitar que podia ser a minha Kaylee.
Tentei ligar à irmã do Jack.
Ela estava a chorar quando atendeu.
Disse que o Jack estava no banco de trás de um carro da polícia.
Queria falar com alguém sobre o que se passa.
Dá-me um segundo. O teu cão está lá em cima?
Não estou preocupado com ele, mas com o que aconteceu.
Não sei nada.
Temos aqui o ex de uma delas.
- Está detido neste carro, por agora. - Sim.
Está bem.
É típico num caso desta natureza
o ex-namorado ser uma pessoa de interesse,
por isso, era muito importante falarmos com ele.
- Só quero saber o que se passa. - Já falamos contigo.
Alguém esfaquear outra pessoa
é muito pessoal.
Havia teorias sobre se seria uma relação que correra mal,
se seria um colega da faculdade…
Não sabíamos se era alguém conhecido ou não,
por isso, levámos muitas pessoas para a esquadra
e os nossos detetives interrogaram-nas todas,
incluindo o Jack DuCoeur,
que descobrimos ser o ex-namorado da Kaylee.
Senti-me tão impotente. Estava a mais de 1500 km. O que podia fazer?
Depois, recebi uma mensagem da minha irmã Autumn,
e ela disse: "A polícia está aqui.
Ela está morta, Alivea."
Eu só disse: "Está bem, vou a caminho."
Basicamente, tinha de lá chegar o mais depressa possível.
O meu marido estava a conduzir. Os meus filhos estavam a dormir atrás.
Eu não estava a chorar, estava bem.
E foi quando comecei a pensar:
"Se aconteceu algo ontem à noite, ligaram a alguém."
O telemóvel da Kaylee estava no tarifário dos meus pais.
Pedi a palavra-passe à minha mãe para entrar na conta.
PALAVRA-PASSE
Entrei na conta.
A Kaylee não tinha ligado ao 112,
mas reparei que tinha ligado ao Jack
várias vezes.
As chamadas começaram por volta das 2 da manhã.
Acabaram por volta das 3 da manhã.
Não era estranho a Kaylee fazer isso.
Mas, claro, é algo que parece esquisito, quando se sabe o que aconteceu.
Queremos recolher o máximo de informações
para perceber o que se passa e saber por onde começar.
EX-NAMORADO DE KAYLEE
Está bem.
Fazes ideia de quem faria algo assim?
Eu…
Legendas: Teresa Silva
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