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Original subtitles

Doutor...

FAUSTO 5.0

ARGUMENTO

PRODU��O

REALIZA��O

N�o!

Doutor!

Pensava que n�o ia conseguir.

A sua mala.

Esqueceu-a na secret�ria.

- A pasta do Renol est� aqui? - Sim.

N�o se esque�a do jantar de hoje � noite.

A aula na universidade � amanh� �s 11.

A palestra � � tarde.

Agasalhe-se... e tente descansar.

Se precisar de alguma coisa...

Eu fico bem.

Doutor!

Queria dizer-lhe que...

N�o se preocupe com nada.

Sei que lhe custa abandonar o consult�rio.

N�o fica abandonado.

Posso ajud�-la?

Para cima! Isso, para cima.

- Conhe�o-a? - Penso que n�o.

Os velhos s�o todos iguais.

Vai assistir ao Congresso?

A senhora tamb�m vai?

Eu vou a uma festa!

De onde vem?

Do bar.

Esteve a beber?

� que tresanda a bebida.

Importa-se de ma guardar?

Vou � casa de banho.

Venho j�.

De certeza que n�o h� mais ningu�m?

Sim, tenho certeza!

Ela n�o pode ter sa�do sem a mala.

Est� vazio! Verifiquei todos os vag�es!

E nas casas de banho?

- Pode ter-se passado algo. - Veja no bar da esta��o.

A sua m�e pode estar l� � sua espera.

- N�o � minha m�e! - Ent�o porque se preocupa?

FECHADO PARA OBRAS

Desculpe.

Doutor!

Dr. Fausto!

Eu conhe�o-o?

Dr. Fausto, � o senhor! Que alegria!

N�o se lembra?

N�o se lembra de mim?

Mas devia!

Retirou-me o est�mago.

Santos. Santos Vela.

No Provincial, faz 3 anos!

Um cancro no p�ncreas!

V�rios tumores e com complica��es!

Mesmo assim?

A m�scara muda muito.

- Foi meu paciente? - Disse-me que era terminal!

A nossa rela��o foi intensa.

Operou-me cinco vezes.

A �ltima foi para mostrar, aos alunos, um caso perdido.

- Parece que me enganei. - Parece que sim.

Deu-me tr�s meses de vida e j� passaram oito anos.

N�o pe�a desculpas, s�o coisas que acontecem.

- N�o o ia fazer. - Pois, as coisas acontecem.

O meu est�mago?

- Como? - O meu est�mago!

- O seu est�mago? - Sim, o senhor guardou-o?

- Para qu�? - Ent�o que lhe fez?

- N�o sei, atiraram-no fora. - Atiraram-no fora?

Para o lixo?

Isso j� n�o acho bem!

Queria que ainda o tiv�ssemos passados oito anos?

Bom, acho que n�o.

Mas gostava de o ter visto.

N�o me parece que fosse muito bonito.

Como conseguiu?

- O qu�? - Isto...

Viver?

Afastando-me dos hospitais.

Sempre que vejo um... atravesso a rua.

Mas, esqueci-me do cart�o... Santos, Santos Vela.

Escreve-se com dois "l" mas l�-se s� com um: "Vela".

- Vel-la. - N�o, Vela, como "mozzarella"

Vela.

Vela.

Doutor!

Doutor! Onde est� hospedado?

N�o me diga... No Nacional.

Veio para o Congresso?

- Sim. - Venha, eu levo-o.

N�o � preciso, apanho um t�xi.

- N�o me custa nada. - Tenho onde ir primeiro.

Eu levo-o. N�o imagina como � bom v�-lo.

- Atirar o est�mago fora... - N�o, porra...

Prefiro ir sozinho.

�ptimo!

�ptimo!

Quando chego a uma cidade tamb�m gosto de a ver sozinho.

Somos adultos! Se precisar, j� sabe, tem o meu cart�o!

Se tiver algum problema, n�o hesite em telefonar, certo?

Claro.

Jura?

Estou a brincar, acredito na sua palavra.

Foi um prazer v�-lo, doutor.

Obrigado por tudo.

� um grande homem, senhora! N�o se assuste!

Porra!

- Hotel nacional, por favor. - Sim, senhor!

N�o faz um barulho esquisito?

O qu�?

O carro.

Isto n�o � nada.

� forte como um touro.

Tem mais de vinte anos e nunca se avariou.

Filho da m�e!

Maldito filho da m�e!

Est� com problemas?

Filho da m�e! Um touro?! Parece mais uma vaca!

� sobre o qu�?

O Congresso...

Medicina terminal.

Medicina terminal?

Vai ser divertido!

Tenho de ir ao cu ao teu pai e j� estou atrasado!

E ent�o?

Disse que tinha onde ir.

- Vou depois. - De certeza?

Sim.

Era mentira, certo?

Queria livrar-se de mim. Admita.

Admita, n�o custa nada.

- Est� bem, admito. - �ptimo!

�ptimo!

A mim n�o me escapa nada. Reparou? Fiquei mais esperto.

A s�rio, eu estudei.

Presto aten��o �s coisas... �s coisa importantes.

Se dizem que vamos morrer...

As coisas mudam.

Pensamos: "Que fazer com o tempo que nos resta?"

Fazemos quatro coisas importantes: Isto, isto e isto.

O resto � tudo merda, n�o interessa para nada.

- Devo-lhe uma. - N�o deve nada.

N�o, n�o, n�o... Devo-lhe uma.

Por isso... Pe�a o que quiser.

Eu trato disso.

- N�o se incomode. - N�o � inc�modo.

N�o � inc�modo.

Doutor...

Quero faz�-lo feliz.

O que leva ali?

N�o sei, n�o � minha.

Roubou-a?

Eu? Por favor...

Esqueceram-se dela no comboio.

- N�o a abriu? - N�o.

Porra.

Isso � espantoso.

Fausto, Fausto...

Bom, cheg�mos.

Eu levo a mala para a esta��o.

- N�o, posso pedir no hotel... - Eu trato disso.

N�o me custa nada.

Al�m disso, conhe�o algu�m que me deve um favor.

Fausto, � um prazer. Como est�s?

Pens�vamos que n�o vinhas. At� fizemos apostas.

- O Quiroga j� chegou? - Disse que vinha de manh�.

Ol�, boa noite. Santos Vela. � um prazer.

Muito prazer.

Vela, com dois "l", mas l�-se como "mozzarella".

Conhecem o doutor?

Claro que sim.

Eu tamb�m. Retirou-me o est�mago.

Mas j� foi h� muito tempo. Esque�a l� isso.

- Vieram para o Congresso? - Sim.

Para falar dos tumores e dessas coisas. Acho bem.

Bom, muito obrigado.

Quer livrar-se de mim.

Foi um prazer.

Se precisar de alguma coisa...

Quer que mande uma rapariga?

- N�o percebo? - "N�o percebo?"...Brincalh�o.

N�o o conhe�o. � apenas um paciente.

O meu cunhado foi a um especialista.

E perguntou-lhe: "Doutor, quanto tempo de vida me resta?"

Sabem que lhe disse?

Sabem que lhe disse o tipo?

"Depende... Quando pensa pagar a conta?"

N�o sei para que nos lavamos.

O talhante n�o se lava.

Sabes l� se ele n�o bateu uma antes de cortar o bife.

S�o carniceiros...

mas tamb�m batem umas, ou n�o?

Que dizes, Fausto?

"Sagit�rio? Capric�rnio?"

"N�o filho, ele disse C�ncer." (Caranguejo/Cancro)

"C�ncer! C�ncer!"

N�o � preciso ser carniceiro para saber se o fazem ou n�o.

Esta � a Daisy, a minha assistente.

J� tinha ouvido essa.

Tamb�m eu... e assisti!

O franc�s, por exemplo, o do Provincial.

Antes de cada opera��o.

- A s�rio? - Juro!

E se operava tr�s vezes, tr�s vezes o fazia.

Chamam ao doutor "jardineiro".

- Sabes porqu�? - N�o.

Porque trata de plantas.

S�o todos casos terminais.

Quando n�o sabemos o que fazer com algu�m...

enviamo-lho, para ver o que ele inventa.

Voc�s n�o o entendem.

O que ele queria era ver todos os pacientes vivos.

E quem � que n�o quer isso?

Dev�amos fechar a estufa.

N�o serve para nada.

Ser� legal ter aquela...

"gente" ali?

� um centro de investiga��o.

Procuramos medicamentos para as primeiras fases...

Isso acho bem... S� n�o queria estar no teu lugar.

Quantos te morrem por ano? Quantos te morreram este ano?

500?

600?

Quando chegar aos 1000 tem direito a um pr�mio.

N�o devias passar tanto tempo na estufa.

Come�amos a desconfiar...

- Tamb�m h� l� mulheres, certo? - Porra, Bielsa...

- Est�o em coma... - E depois? Qual � a novidade?

Havias de os ver na morgue com os cad�veres das mulheres.

Isso � diferente.

Essas est�o mortas.

Com 20 anos de pr�tica, a Daisy ainda acha que um m�dico praticante

� aquele que vai muito � missa.

Com licen�a.

Est� algum m�dico... na sala?

Um m�dico... Por... favor...

Fazemos alguma altera��o no tratamento?

Mant�m a dose de code�na... at� quinta-feira...

e d�-lhe o antibi�tico.

A febre baixou para 37. 8.

Continua a dar-lhe Naproxen.

Renol.

Muito bem.

Tenho a pasta � minha frente.

Renol...

Tira o aparelho de respira��o.

- Tirar? - Sim, completamente.

Os cortic�ides tamb�m... e vigia a apneia.

V� como evolui a situa��o.

- A m�e ainda est� com ele? - N�o se mexeu.

- Quem �? - Doutor?

- Quem �? - Doutor?

Doutor, ainda a� est�?

Julia, chegou a minha ceia.

Telefono amanh�.

Isto � a s�rio?

Fixe!

Adoro hot�is de luxo.

Quando for rica venho viver para um destes.

Quem �s tu?

Disseram-me que � algu�m muito importante.

Fiz-te uma pergunta.

Estudo medicina.

Isto ajuda-me nas propinas.

Eu disse ao Santos que n�o queria nada.

Eu n�o sei de nada.

O que � preciso fazer para se ser importante?

Estudar muito...

ou beber muito leite?

Eu disse ao Santos...

Segura aqui.

Quem �?

Servi�o de quarto. O seu pequeno-almo�o.

Entre e deixe-o ao p� da cama.

Certo.

Qual delas?

A que foi usada.

Quer doce de laranja ou de morango?

- De morango. - �ptimo, eu tamb�m.

Bom livro.

Um pouco lento... mas bom.

As putas nunca s�o assim, t�o tostadinhas.

Acho que � do leite!

O que est� aqui a fazer?

Como entrou?

Foi muito f�cil.

Um amigo da Manuten��o devia-me um favor. Foi f�cil.

Falando em favores, agora deve-me um!

A mala!

A velha foi busc�-la.

Agora, nunca vamos saber o que tinha dentro.

- Como dormiu, doutor? - Bem.

- Saia, por favor. - Ainda bem.

Avisei na recep��o para n�o passarem chamadas.

Pensei que lhe fizesse bem descansar um pouco.

O que posso fazer por si?

- Saia. Tem de se ir embora! - Vou j�. E o senhor tamb�m.

S�o quase onze, e at� � universidade...

N�o percebeu. Quem se vai embora � voc�.

- Santos? - Um momento.

Para si.

Para mim?

Sim, para si!

Disse que estava aqui, pe�o desculpa. Sim?

- Ol�, p�, como est�s? - Como est�s?

Tudo bem, estou com um amigo.

Diz.

Est� bem, cinco minutos.

N�o posso ir consigo.

Lamento. Surgiu um imprevisto. Dei-lhe o meu cart�o?

Sim, ontem.

N�o faz mal, s�o baratas. Tenho l� conhecimentos.

Se precisar de cart�es., ou de qualquer coisa, telefone.

A qualquer hora, esteja � vontade.

Esteja descansado.

Estou?

- Julia? - Doutor!

Telefonei hoje de manh� mas n�o consegui falar consigo.

Houve aqui um engano. Escuta...

Faz-me um favor, procura a ficha m�dica de Santos Vella.

- Com dois "l". - Como Mozzarella.

Sim, quando a encontrares, manda-a para a universidade.

Mando imediatamente. � para a palestra?

Sim, claro.

Encontrem a origem da doen�a no corpo... cerquem-na...

e procurem determinar a evolu��o da met�stase,

concluindo que �rg�o infectou primeiro,

quem infectou quem...

diferenciando o foco dos sat�lites...

Um corpo doente � como uma auto-estrada,

cheia de sinais e indicadores.

Uns v�em-se melhor, s�o luminosos,

outros est�o escondidos.

A doen�a � como um mau ladr�o,

vai deixando pistas.

Muitas vezes, o pr�prio corpo � a origem da doen�a.

Ele cria a doen�a e ajuda-a na sua evolu��o.

A partir de onde?

Existe uma gl�ndula maligna?

Os antigos passavam a vida a procur�-la.

Acreditavam que erradicando-a acabavam com a doen�a.

Actualmente, em alguns pa�ses asi�ticos,

introduzem-se ratazanas vivas nos corpos dos doentes,

para que encontrem a doen�a por entre os �rg�os saud�veis.

Sabemos hoje que essa gl�ndula n�o est� no corpo humano.

Est� na alma.

Nestes casos, a doen�a... � um processo autodestrutivo.

Tentar trav�-la � como impedir um suicida.

A morte...

encontra sempre o seu caminho.

� um final...

...incontorn�vel.

Est� l� desde o princ�pio.

Est� consignado no acordo desde o nosso nascimento.

Todo o nascimento...

...traz impl�cita a morte.

N�o chega ensinar aos alunos,

a erradicar a doen�a.

� preciso tamb�m aprender...

...a aceit�-la.

Doutor!

Fa�a o obs�quio!

J� se conhecem, presumo.

Ou�a-me com aten��o.

N�o sei como faz tudo isto...

nem porqu�, n�o me interessa,

n�o quero voltar a v�-lo.

Quero que se v� embora.

- Desapare�a da minha vida! - Cuidado com o que deseja!

Tenha cuidado, que o desejo pode realizar-se.

Senhor.

Achei que iria precisar.

Qual � a surpresa, doutor?

Disse-lhe, ontem, no carro...

Estou aqui para o fazer feliz.

N�o quero a sua ajuda, n�o preciso dela.

E n�o me interessam as suas hist�rias de fantasmas.

N�o � a primeira vez que um doente terminal recupera

- voc� diz que � meu doente - mas eu nem disso estou certo.

Acho que � um charlat�o que n�o p�ra de me chatear.

- N�o acredito numa s� palavra. - Pe�a.

O qu�?

Pe�a um desejo. Tudo o que quiser.

Desejo...

...ir-me embora.

Est� concedido.

Se algu�m...

Se pudesse pedir um desejo...

...o que pediria? - Pediria tudo!

Mais dinheiro, mais quecas...

Uma orgia com cinco gajas... e uma delas negra!

E voc�?

�s 13:46 regist�mos sinais de actividade cortical,

suor, motricidade e espasmos.

Movimentos volunt�rios da medula

e reflexos da c�rnea, dos l�bios e da traqueia

que continuaram at� �s 13:52.

Reac��es oculocef�licas, movimentos de lateraliza��o

e flexo-extens�o da cabe�a.

Press�o arterial estabilizada e reac��es comportamentais

a est�mulos nociceptivos.

�s 13:59 tirou-se a ventila��o e o cateter endotraqueal

sem que o paciente revelasse sintomas de apneia.

Tr�s minutos depois estava a abra�ar a m�e.

Tudo em 17 minutos.

N�o � incr�vel?

Sim, incr�vel.

Telefonei para a universidade mas j� tinha sa�do.

N�o est� contente?

Sim, claro.

Amanh� dou-lhe os pormenores.

Apanho o primeiro comboio.

Doutor?

� a recupera��o mais espantosa que eu j� vi.

Parab�ns.

O que procura?

Fausto... Perdeste o discurso?

Mas, o que est� a fazer?

... morrer tornou-se indecente e algo a esconder e esterilizar

nas limpas e opacas paredes de um hospital.

Senhores, a morte existe. � parte da vida,

talvez seja a n�o-vida... - Santos Vella.

Mesmo tendo sido reprimida,

exilada da consci�ncia social de que fazia parte.

O maior erro dos moribundos...

Conhecemo-nos?

N�o me parece.

N�o � caridade para com os que morrem...

De certeza?

Eu acho que sim.

Talvez de algum hospital?

Duvido. Fa�o consultas ao domic�lio.

Ent�o, talvez de algum bordel.

...uma doen�a causal, de evolu��o progressiva,

com um progn�stico de um m�s de vida,

com inefic�cia comprovada dos tratamentos

e inexist�ncia de esperan�a na recupera��o...

Os relat�rios m�dicos...

indicam o grau de les�o ou insufici�ncia org�nica

e permitem estabelecer prazos.

Casos terminais.

Desculpe...

Como disse que se chamava?

N�o disse. Dr. Fierro.

...falar deles � o mesmo que falar de velhos conhecidos

que preferia n�o ver...

- Dr. Fierro? - Sim.

- Cardiologista? - N�o, dermatologista.

Que coincid�ncia!

- O senhor tamb�m? - N�o! Nada disso.

� que tenho umas manchas...

D�-me a sua opini�o.

Nunca me tinham aparecido.

...com uma peregrina��o que come�a com o nascimento

do dito protocolo.

Estas imagens pertencem a trabalhos de investiga��o

e revitaliza��o cir�rgica de tecidos

realizados durante dois anos, a chamada fase azul.

Foram obtidas... durante as opera��es

levadas a cabo por profissionais...

Dei a cassete a esta menina. Porra, agora a culpa � minha?

Muito interessante a tua pesquisa.

Aprendemos muito.

O filme � teu?

Foste tu!

Perd�o?

Quiroga eu devia...

Devias o qu�?

Eu digo-te.

Devias estar calado.

Devias ter a certeza antes de acusar as pessoas.

E devias ter mais respeito pelos teus colegas, Fausto.

Mas acima de tudo, devias...

emprestar-nos a cassete para hoje � noite!

Fierro.

Como Hierro, mas com "F". Muito am�vel. Dermatologista.

Receitou-me uma pomada, Disantil.

N�o conhe�o.

Est� boa?

O qu�?

A sua ajudante, Julia.

O que sabe voc� da Julia?

� injusto, nunca me diz nada.

Quer saber coisas sobre mim mas nunca me diz nada.

"Dr. Fausto, est� aqui a ficha que me pediu... Julia."

Se quer saber alguma coisa a meu respeito, � s� perguntar.

Quem �s tu?

O teu maior desejo.

Porqu�?

Porque sozinho n�o � capaz.

At� quando?

At� que estejam realizados.

Todos!

Est� a ficar velho, Fausto.

A mim, quantos anos me d�?

Somos da mesma idade. N�o parece pois n�o?

Eu cuido de mim.

Mas o doutor... n�o tem cuidado consigo.

Veja como se veste.

J� ganha o suficiente para comprar um fato melhor.

Estamos lixados.

Tenho algo que lhe pode fazer jeito.

Havia um prov�rbio chin�s...

Como � que era?

Esqueci-me.

Ah, sim!

"Veste o corpo com boas roupas e a tua alma sorrir�."

Que sabem esses cabr�es? S� vestem robes!

A minha casa. Agrada-lhe?

Quantas horas trabalha por dia, doutor?

Passa tanto tempo rodeado de cad�veres

que cada dia se parece mais com eles.

Entre.

Ponha-se � vontade. Est� em sua casa!

Doutor, por aqui, por aqui...

Alguma vez tentou...

sair de um restaurante sem pagar?

Ou a passar um sinal vermelho?

N�o, pois n�o?

J� tentou viver, doutor?

H� coisa que n�o se mudam. - N�o � o senhor a falar.

N�o foi o senhor que o disse.

Ai n�o?

- Ent�o quem � que o disse? - A sua insatisfa��o.

A insatisfa��o � uma doen�a.

Da alma, mas uma doen�a.

Ent�o, est� boa ou n�o?

- O qu�? - A sua ajudante, como se chama?

Julia.

N�o me diga que n�o lhe passou pela cabe�a?

- Sei l�! - "Sei l�?"

J� olhou bem para ela?

J� a beijou?

Sim, uma vez, no dia do seu anivers�rio.

Valha-me Nosso Senhor Jesus Cristo, doutor.

Voc�s os dois t�m uma rela��o enferma.

O seu copo.

N�o era mal pensado.

O qu�?

- Que algu�m olhasse por ela... - Que "algu�m", doutor?

Que "algu�m"?

V� por mim, deixe-se levar.

Por exemplo:

Nunca lhe apeteceu partir uma coisa muito cara?

N�o, n�o o fa�a.

Apeteceu ou n�o?

Sim, por vezes.

Ora deixa c� ver... N�mero 7.

Bem, bem...

� por isso que est�s vivo.

Porque o desejaste.

Talvez.

Anime-se! � muito relaxante.

Nunca quis roubar uma loja? Ir ao cinema sem pagar?

Beber o whisky do vizinho?

P�r os p�s em cima da sua mesa, como um senhor?

P�r a m�sica aos berros?

E que se lixem os vizinhos!

Gritar e dan�ar...

E saltar nos sof�s?

E ser louco?

Ser louco!

Venha!

- Alguma vez quis matar algu�m? - O qu�?

Matar.

Doutor!

- Experimente. - Para mim?

J� est�?

O qu�?

A que se deve a demora?

Vou j�!

Est� quase!

N�o acho gra�a nenhuma.

Eu acho que � de gritos!

Tive que lhe passar um cheque.

Um cheque?

Quanto?

Seiscentas.

Desculpe. Seiscentas mil?

Ao menos ficou com o fato.

N�o importa.

� um cheque careca.

N�o tem cobertura!

Olhe para si!

- Que dia � hoje? - Sei l�!

A minha filha est� a dar um festa.

- Vamos! - Eu devia ir para o hotel.

Doutor, os desejos... N�o se lembra?

Ela tem amigas muito boas!

Tem c� uma amiga, doutor!

- N�o me tente! - N�o o tento?

Claro que o tento! � para isso que aqui estamos!

Adoro a juventude!

Dr. Fausto!

Muito obrigada!

A minha mala.

N�o sei o que faria sem ela.

Quere-la?

Se a quiseres, � tua.

A tua filha?

N�o sei, anda por a�!

O que se passa?

A Julia � capaz de estar preocupada comigo.

Est� preocupada a pensar que est�s a comer outra.

Santos, olha para isto!

S�o Rolex!

Doutor!

Que bom v�-lo.

Conhe�o-a?

Fiz-lhe um bico no hotel, n�o se lembra?

Ah, � verdade!

O que est� aqui a fazer?

Vim dar uma volta.

Est� com melhor cara...

Desde a chupadela.

Obrigado. Muito obrigado.

Martita!

Pap�!

Ol�, querida.

- Onde estavas? - Aqui mesmo!

Tenho um presentinho!

Olha!

A minha filha.

J� a conhecia, certo?

Posso pedir um desejo para outra pessoa?

Para quem?

Para a Julia.

Podes dizer.

J� te disse.

Quero que tenha algu�m que olhe por ela.

N�o te preocupes.

Como "N�o te preocupes?"

O que quer isso dizer?

Algu�m vai olhar por ela.

"Concedido!"

Os verdadeiros g�nios...

dizem "Concedido!"...

e n�o "N�o te preocupes!"

- Concedido! - Est� melhor.

"N�o te preocupes!"

Bela merda de g�nio me sa�ste.

Aonde vais?

Adivinha, porra!

N�o �s um g�nio?

Os g�nios n�o adivinham, quem adivinha s�o os bruxos.

Cabr�o...

Manolo, mais uma.

Ol�.

Ol�.

Tens as m�os azuis.

Eu sei.

Sim? E n�o te importas?

Parece que n�o sai.

Elas s�o assim.

� que eu tinjo coisas de azul.

Coisas? Que coisas?

N�o sei... tudo.

Moras aqui?

- Na casa de banho? - Claro que n�o, nesta cidade?

Por agora. Gosto de mudar de s�tio.

- Tu n�o? - Sim, adoro.

Hoje aqui, amanh� ali... Aventura!

- O que fazes? - Nada.

Fa�o opera��es... Tumores, necroses, pequenas coisas.

A s�rio?

Ou isso � tanga?

"Isso � tanga?" Que quer isso dizer?

Est�s a mentir, est�s a gozar!

"Isso � tanga!"

Gosto disso!

- Como te chamas? - Margarita... Por agora.

Por agora?

- Tamb�m mudas de nome? - Claro. Tu n�o?

Isso � tanga!

N�o � nada.

�, pois. Isso � tanga.

Isso � tanga.

- Ei, isto � tanga. - Anda, vamos.

�s tuas ordens, Fausto.

Porque disse aquilo?

Por nada.

� uma hist�ria muito comprida.

Ele passa a vida a conceder-me desejos.

Todos?

O que queres dizer com isso?

Todos os desejos?

Os ruins tamb�m?

Tens desejos ruins, certo?

Talvez.

Doutor?

Vai doer?

Fausto!

Fausto, acorde!

Acorde que vai perder isto.

Olhe.

Est� um pouco torta.

Mas para primeira vez n�o est� mal.

Santos, tira-o daqui!

Tira-o daqui!

Sai dai.

� que n�o comeu nada, sabe?

Vamos ver o que temos aqui...

- Como foi que disse? - Por favor, Santos!

"Existe uma gl�ndula maligna?"

Existe, Fausto.

Voc� tem-na?

Eu c� tenho.

- Por favor, Santos! - Uma gl�ndula enorme.

T�o grande quanto eu.

Mas voc� n�o, voc� � bom! Sim!

S� tem uma gl�ndula pequenina,

que o incomoda, traz d�vidas...

Que o faz ser mauzinho. Mas n�o muito.

Vamos ent�o arranc�-la, antes que cres�a.

Vamos ver...

C� est�!

Ser� isto?

Acho que n�o.

Porra... Ser� que este � o s�tio errado?

Talvez esteja aqui.

N�o! N�o...

Trauma occipital com perda e poss�vel co�gulo, avaliar.

- Abram alas! - Apneia respirat�ria...

com perda de tom... - Saiam da frente!

Vestibular esquerdo rasgado. P�ra, p�ra!

D�-mo, depressa!

- N�o � o Quiroga? - Parece que sim.

Vamos, r�pido!

Estamos a perd�-lo!

Dr. Fausto!

Dr. Fausto, por favor!

Doutor!

Dr. Fausto!

QUIROGA FILHO DA PUTA

Por amor de Deus! O que foi fazer?

N�o, por favor! N�o fiz nada. Eu acabei de entrar!

Foi ele!

De certeza que foi ele!

Pode entrar onde quiser!

Tem amigos em toda a parte. At� aqui!

Quem? N�o sei de quem fala. O quarto est� em seu nome.

Est� tudo partido! Havia muitas coisas!

Coisas caras! Est� tudo partido!

Tem de pagar!

E tudo porqu�?

Porque lhe retirei o est�mago, a merda do est�mago!

- Estou? - Doutor?

Estou na esta��o.

Acabei de chegar.

Trouxe tudo.

Vemo-nos ao almo�o, como disse o doutor.

O doutor? Que doutor?

Fierro. � muito am�vel.

N�o devia ter-se incomodado.

Fierro... Julia!

Fausto... Dormiste bem?

Pouco, claro.

Deixa-me falar com a Julia. Julia!

Sim, fez boa viagem.

Com licen�a.

- Tinha raz�o, est� muito boa. - Deixa-a em paz!

Afasta-te dela, ouviste?

N�o lhe toques... Julia!

N�o seja possessivo, doutor. Nunca reparou nela.

Filho da puta, n�o lhe toques!

Se lhe tocas, mato-te!

Mato-te!

Para qu� essa preocupa��o?

Foi voc� que o desejou, n�o se lembra?

"Algu�m que olhasse por ela."

N�o me agrade�a.

Estou aqui para isso mesmo. Pago-lhe o favor.

Ser�o entregues.

Manda cumprimentos.

Ele preocupa-se muito consigo.

- Pareceu um pouco estranho. - Na voz?

Ontem estivemos a dan�ar at� tarde.

A s�rio?

O que est� a fazer? Est� doido?

- N�o pode sair! Destruiu tudo! - Deixe-me. Parece que � seu!

Oi�a, espere!

Calma, tenha calma! Est� carregada!

- N�o se mexam! - Calma!

Quietos!

Quietos, merda! N�o me sigas!

- N�o me sigas! - Tenha calma!

Aten��o, seguran�a! Homem armado no 2% andar.

Sai da frente!

Saiam da frente!

Cuidado, ele est� armado!

Est� a sair do hotel! Avisem a pol�cia!

Apare�am!

Apare�am!

Apare�am!

Apare�am, porra!

Apare�am!

Onde est� ele?

Onde est� o Santos, cabr�o?

Fala!

Fala ou mato-te!

Fala!

Est� tudo bem, � meu paciente!

Onde est� o Santos?

Onde est� ele?

Fala ou mato-te!

Cabr�o!

O que acha de bebermos um copo enquanto esperamos o doutor?

N�o sei se devo. Estou cansada da viagem.

Prometi ao doutor que olhava por si.

Um copo?

Bom, se faz quest�o...

Fa�o quest�o!

Ligue para o hotel. Podem comprov�-lo.

Sou cirurgi�o!

Vim para um Congresso.

N�o percebe, ele est� louco!

N�o percebe, porra!

Vai mat�-la!

Vai matar a minha assistente!

Termine a bebida! Ou�a o que digo, far-lhe-� bem.

Olhe que sou m�dico.

O Fausto deve estar a chegar.

� muito am�vel.

Obrigado.

Voc�s t�m um caso?

Desculpe se fui indiscreto.

N�o.

N�o � isso, a nossa rela��o �...

profissional.

N�o me diga que dez anos a trabalhar com uma mulher...

como voc� a seu lado, diariamente...

Nunca houve...

nada?

Mesmo nada?

A Julia � uma mulher muito especial.

Por favor...

- Mande a conta para o 213. - Sim, senhor.

Sa�de!

Sim.

Onde disse que dava consultas?

N�o disse.

Em consult�rios privados.

Detesto os grandes hospitais.

A burocracia estava a dar comigo em doido.

Parece que o Dr. Fausto...

est� atrasado.

Sim.

Tem planos para hoje � noite?

N�o.

N�o acredito nisso.

Sa�de!

- H� que tempos n�o te via! - H� s�culos.

O uniforme fica-te bem.

Est�s todo bonito, Alfonsito.

A mulher trata-te bem. N�o a mereces.

Faz-se o que se pode.

- E os mi�dos? - A mais velha tem oito anos.

Oito anos?

O tempo passa a correr.

- Ainda ontem estava no ber�o. - Esta � a mais pequena.

Deixa ver.

- Come�a a escola para a semana. - Est�s todo babado.

O hotel retirou a queixa.

Fausto, por amor de Deus, o que se passou?

J� olhaste para ti?

Est�s mais calmo?

Promete a este senhor que n�o o voltas a fazer.

Escute...

Eu operei-o...

h� muito anos.

Ele devia ter morrido.

Retirei-lhe o est�mago, por completo.

Agora diz que me quer fazer feliz,

mas ficou t�o lixado que se quer vingar de mim.

E a minha assistente? Se calhar j� a matou.

- Prenda-o, por favor! - L� est� ele outra vez!

Fausto, n�o digas disparates, ou n�o te deixam sair.

Anda.

Andavas mesmo com uma arma?

Estou surpreendido.

A Julia � uma mulher extraordin�ria.

E muito atraente.

Devias aprender a olh�-la com outros olhos.

De certeza que ela ia gostar.

Ela contou-me umas coisas...

Coisas sobre si. Gosta muito de si, sabe?

O que lhe fez?

O que me pediu.

Olhei por ela.

Por favor, pare, olhe que tamb�m choro, porra!

Por favor...

H� alguma maneira de parar...

de acabar com tudo isto?

Sim...

� claro!

Uma.

Vou ter saudades suas, doutor.

Est� bem, est� bem... N�o � preciso dize-lo.

Sei no que est� a pensar.

Prepare a conta do 209. Vou sair.

Sim, senhor.

- Dr. Fausto, certo? - Sim.

O senhor tem algu�m � espera no bar.

Quem?

N�o disse o nome.

Julia!

Julia.

Est�s bem?

Muito bem.

E o senhor? Estava muito preocupada.

Esper�mos a tarde toda.

Tive um dia um pouco...

estranho.

O Dr. Fierro n�o p�de esperar.

Pediu-me que lho dissesse.

Trouxe a pasta de Renol.

Est� aqui tudo.

Foi formada uma comiss�o de acompanhamento.

Querem que a integre.

Pedem-lhe que v� quanto antes.

Hoje mesmo, se poss�vel.

A ficha que me pediu.

Trouxe os originais completos.

CERTID�O DE �BITO

Que estranho...

N�o est� assinada.

Devo ter-me esquecido.

O pr�ximo comboio sai �s 7:15.

Daqui a 20 minutos.

O outro � �s 9...

e o �ltimo � �s 11:30.

Julia...

trabalhamos demasiado.

Dev�amos tirar uma folga.

Um dia para descansar. Regressamos amanh�, est� bem?

J� conheces a cidade?

N�o.

�ptimo.

Vais ador�-la.

Um whisky para mim, e...

O mesmo.

Divertiu-se?

Para ser sincero...

sim.

Deseja mais alguma coisa?

O que foi?

Nada, � que...

por um momento...

antes de te ver...

desejei...

estar morto.

Subtitle Ripped by Bruness @ iNSPiRE

Tradu��o Pedro P�voa

Adapta��o e Legendagem Jo�o Catarino / CRISTBET, Lda.

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