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Original subtitles

S�rvia, fique calado e tranquilo.

O que est�o fazendo aqui?

Trabalhando duro, chefe. A prefeitura nos enviou.

- Como assim, a prefeitura? - Isso mesmo, chefe.

Aqui est�o os certificados, a autoriza��o de ca�a...

� proibido ca�ar aqui.

Eu sei, a prefeitura nos mandou fazer o controle de zoonoses.

N�o podemos deixar a natureza sozinha,

nem mesmo aqui dentro porque aqui dentro...

se mastiga a coisa. O senhor n�o nota?

Se mastiga. N�o sei por que tanto problema,

porque eu gosto do sabor.

Eu gosto do sabor da radia��o.

O que levam l� atr�s?

O que o senhor acha? Fazemos controle de zoonoses.

- Saia um momento, por favor. - Sem problema.

Estamos aqui para isso. Vou dizer uma coisa bem curiosa.

Apesar de esta zona estar altamente contaminada,

esses bichos...

Esses bichos vivem muito melhor aqui dentro sem n�s. Muito.

Ligue para a prefeitura ou verifique os certificados.

Eles est�o preocupados com a...

Est� a� no papel. Como era?

A prolifera��o dessas feras.

Porque isso � um problema.

Na semana passada, uma manada atravessou a Nacional,

todos famintos, todos contaminados.

Isso n�o � nada bom.

De vez em quando, tenho que matar alguns.

Mesmo que os malditos ecologistas choraminguem.

N�o posso nem v�-los, porque tiram meu sustento.

Dever�amos matar alguns ecologistas tamb�m.

Senhores, tenho um hor�rio a cumprir.

Tenho que continuar, muito obrigado.

O legista encontrou mordidas humanas no corpo.

A pessoa o matou com as m�os e o comeu.

� inacredit�vel.

Vou enviar o relat�rio a Madri.

O perito que mandaram da divis�o de homic�dios

j� deveria estar aqui.

H�ctor, se for demais para voc�,

o Mart�n assume at� esse cara chegar.

N�o, estou bem.

Ontem fui � associa��o de v�timas.

- Bom, se isso ajuda... - N�o, n�o foi por isso.

Fui ver uma mulher, Rosa Hern�ndez.

Esteban, o morto, sa�a com ela. Eles se conheceram l�.

Esteve l�?

E por que n�o me disse?

Eu procuraria o cara para quem a garota e o tio trabalhavam.

Rosa disse que deviam muito dinheiro a ele.

- Disse o nome dele? - N�o sabe, e acredito nela.

Dei uma olhada no celular da garota.

A �ltima liga��o antes de ser presa

foi para este n�mero, que pertence a um tal de Pipo.

Precisamos ver quem � o titular da linha.

Olhei na agenda, e a foto coincide com esta.

Parece que s�o amigos.

- Talvez ele saiba do material. - Tudo bem.

Verifiquem o titular da linha e consigam o endere�o,

at� o cara de Madri chegar.

Cuide disso.

Ur�a.

- Quero falar sobre a Zoe. - Ela vai falar?

Economizaria muito tempo.

- Perante a ju�za, antes n�o. - Tudo bem.

O tio ser� enterrado hoje, e ela continua presa.

Ela quer ir ao enterro, mas n�o est� disposta a falar?

Ela n�o est� envolvida, quer se despedir do tio.

Quer mesmo negociar com isso?

Dever�amos mandar rezar uma missa.

Ele n�o iria querer.

Mesmo assim. Eu vou organizar.

Est� fedendo a �lcool.

Algu�m quer dizer umas palavras?

- Seu telefone � seguro? - Mart�n?

- Dani, � seguro? - �! O que foi?

Voc� e o Barrero vacilaram.

Apague meu n�mero, jogue o celular fora e n�o me ligue.

Voc� n�o me conhece, entendeu?

Me desculpe, eu...

Espero que n�o esteja metido nisso, mas � melhor sumir,

porque, se eu voltar a v�-lo, vai se ver comigo.

Tenha cuidado, Mart�n, n�o sabe onde est� se metendo.

Voc� conhece este lugar?

Poderia ser o Mercado de La Romana.

Poderia ser.

Vamos l�.

Talvez a gente d� sorte.

Sem esperar o cara de Madri?

H� tr�s anos, em um dia como hoje,

uma trag�dia surpreendia a todos n�s.

Embora nunca estejamos preparados para algo assim,

� dif�cil imaginar uma resposta melhor de tanta gente.

Voc�s foram generosos,

embora a maior generosidade tenha sido, sem d�vida...

N�o sei onde est�, pai, mas deveria estar aqui.

A que tiveram conosco

todos os que deram a vida para tentar conter o desastre.

Queremos agradecer a esta cidade

por acolher a maioria dos desalojados

por esta lament�vel desgra�a.

- E o que voc�s fizeram? - Isso mesmo, seus safados!

- O que voc�s fizeram? - N�o fizeram nada!

Como porta-voz,

quero recordar, hoje,

os primeiros homens e mulheres

que chegaram � usina,

entre equipes de emerg�ncia, de bombeiros e de seguran�a.

Hoje recordamos todas as v�timas com este monumento.

N�o tenham d�vida

de que honraremos todas essas pessoas como merecem.

Venha.

Calma, vou lev�-la para a sua m�e.

- Hoje eu n�o vou. - Como n�o?

N�o.

Me devem uns 200 dias de f�rias.

Vou tirar um dia.

Um dia de f�rias? Sabe o que fazer com isso?

- Tchau. - Espere!

Temos que terminar os relat�rios.

Trate de se virar.

Olhe, freguesa.

Dois euros. Dois euros.

E a�?

Tudo bem?

Conhecem estas pessoas?

- N�o. - Eles n�o vendem aqui?

N�o vendem, n�o.

Mart�n, pegue o dos�metro e verifique a barraca da loira.

Ainda tem aparelhos contaminados.

S�o meus.

Os seis?

Conhece algum deles?

- N�o. - Eu vi a sua ficha.

Esteve na delegacia v�rias vezes.

Olhe melhor.

Eu os conhe�o de vista.

Ela costuma ficar nos pontos l� de baixo.

Muito obrigado.

Parado!

- N�o fizemos nada! - N�o fez nada?

- Habeas corpus! - Vou te dar � uma surra.

- Habeas corpus, � s�rio! - Parado.

Pronto. V� pegar o material e traga o carro.

� s�rio, habeas corpus! Quero um juiz!

Cala a boca!

Me fez correr pra caramba, seu filho da m�e!

Vou te dar um habeas corpus. Vem aqui.

Vem aqui, no cap�. No cap�, senta.

- Obrigado, muito gentil. - Obrigada.

- Esther, quero falar com voc�. - Claro.

Obrigado, Luis.

J� volto.

Tudo bem. Qualquer novidade, me avise.

Sim, depois eu ligo.

Desculpe.

Pelo meu pai. Foi um papel�o imperdo�vel.

- � culpa minha. - N�o � isso, Esther.

A imprensa vai publicar um relat�rio nosso.

Houve um vazamento no minist�rio.

� sobre as aut�psias

dos corpos da primeira explos�o do reator.

O que est� querendo dizer?

Isso vai afetar a sua fam�lia.

Vamos l�.

Fiquem tranquilos, n�o est�o presos.

Conhecem esta garota?

Qual �? J� dissemos que n�o fizemos nada.

N�o?

N�o fizeram nada?

Estavam vendendo isto. Nem sei como t�m coragem de tocar nisso.

Vou para a delegacia.

S� estamos vendendo besteiras.

Voc�s roubaram na zona. O dos�metro quase explodiu.

Deixem os rapazes em paz!

Vamos ter problemas. Pe�a refor�os.

Disperse os outros. Quero falar com eles.

Disperse-os.

Voc�s n�o t�m nada com isso.

Eu vou ser bem claro.

O tio da garota est� morto.

- O qu�? - Foi assassinado.

E voc�s s�o os �nicos envolvidos nisso.

O qu�? N�o temos nada com isso!

N�o s�o voc�s aqui?

Ela ligou para voc�s a manh� toda. N�o negue,

porque temos o celular dela, e vou me irritar.

Para quem era o material?

Me deem um nome, e talvez eu libere voc�s.

- Vamos lev�-los � delegacia. - Para quem era o material?

N�o diga nada!

O que est� fazendo?

Est� tudo bem, calma.

Soltem o rapaz!

O que est� fazendo? N�o tem direito de fazer isso!

Fique quieto.

N�o! N�o!

O que voc� fez?

J� disse que n�o t�m nada a ver com isso. Querem problema?

- Quero um advogado. - Tem visto filmes demais.

Pare de babaquice, l� dentro est� muito quente.

- Voc�s estiveram na f�brica. - N�o, eu juro!

S� �amos descarregar um caminh�o com a Zoe.

Ela nos ligou. Marcamos em um bar,

na estrada de Molleda, longe da zona,

mas ela n�o apareceu. Ligamos, mas ela n�o atendeu.

- Na estrada? - �amos entregar em um dep�sito.

- Onde? - N�o sei, ela n�o disse.

Olhe aqui.

Me d� um nome.

Para quem era o material?

- Para quem era o material? - Para Aurelio Barrero.

Aurelio Barrero. N�s o conhecemos?

S� quer�amos ajudar a Zoe.

Esse cara � um idiota.

Antes, s� vendia m�quinas de cigarro,

agora pega de tudo na zona: Combust�vel, maquinaria, tudo.

E de onde o Aurelio Barrero conhecia o tio da Zoe?

N�o sei, pergunte a ela.

Calma.

Fique quieto, vou solt�-lo.

Venha, pronto.

O que deu em voc�?

N�o fa�a mais isso.

Aurelio Barrero.

Sei que levava o material para esse homem.

A ju�za pode tratar voc� como v�tima

ou como criminosa. Depende de voc�.

O material � uma infra��o menor, n�o h� prejudicados.

E ela obedecia ao tio. Voc� mesmo disse, � uma v�tima.

- Por que essa pressa agora? - Posso falar com a ju�za.

- Ela n�o tem por que ser presa. - Pe�a para retirar a acusa��o.

Condicional sem fian�a, � s� o que ela vai aceitar.

- Quem mais estava no edif�cio? - Ningu�m. S� eu e o meu tio.

Entendi.

E tamb�m n�o conhece o Aurelio Barrero?

Eu s� dirigia o caminh�o.

�amos fazer v�rias viagens.

O Barrero conhecia o meu tio. J� os vi juntos.

E seu tio devia muito dinheiro a ele.

Sa�mos antes da desocupa��o,

perdemos tudo, n�o ganhamos nada e continuamos pagando.

Com a entrega do material, meu tio ia pagando a d�vida.

Para onde levavam o material?

Para um dep�sito?

E dois rapazes esperavam l� para descarregar?

Posso cham�-los para depor e prend�-los,

ou voc� pode me ajudar.

Ele tem um galp�o no complexo de San Adriano.

- Onde? - Na Rua Carpinteros, 3.

Era a primeira vez que lev�vamos l�, tem de tudo.

Zoe, j� � o bastante.

Concorda?

Est� bem.

Pedirei � ju�za um mandado de busca e apreens�o.

- N�o temos nada. - H� ind�cios claros de crime.

Se encontrarmos alguma coisa, poderemos pression�-lo a falar.

� para isso que fazemos buscas.

Tenente.

Fazia tempo que n�o a v�amos por aqui.

- Diga isso aos meus pulm�es. - S� tem que recuperar o ritmo.

Al�.

Desculpe, Julia, n�o queria incomodar.

Ent�o n�o incomode.

Analisei os exames dos trabalhadores da usina.

Tem coisa estranha, nas �ltimas baixas principalmente.

Voc� tem que ver isso.

Eu vejo amanh�.

- Vou desligar. - Espere.

Tom�s e Luisa, os idosos, n�o atendem �s liga��es,

e n�o conseguiram entregar �gua l�.

Tente resolver isso.

Depois eu ligo.

- O seu marido � um amor. - Pode ficar com ele.

Eu tomaria o seu lugar sem pensar.

J� viu o Juan de cueca?

Voc� n�o podia estar melhor: � solteira e militar,

tem carne sobrando pra voc�.

Engolindo sapo o dia todo e com este uniforme.

No final do dia, o que temos?

Voc�, um bom jantar e um cara que ama voc�.

Pode ser, mas j� viu o Juan de cueca?

ESTA NOITE JANTAR NA MINHA CASA

EU COZINHO

� para hoje, S�rvia.

O que est� fazendo?

Aqui na Espanha, quem faz isso s�o os porcos,

os porcos com colh�es.

Vamos! Vamos!

Vamos!

Vamos! Vamos!

- Tem certeza de que � aqui? - Sim, � aqui, olhe.

Foi exatamente aqui

que foram vistos pela �ltima vez, h� quatro horas.

Mais alguma pergunta?

Vamos, caramba!

- Aurelio Barrero? - Sim, sou eu.

Temos mandado de busca e apreens�o

para sua casa e suas propriedades.

Claro que sim. Ele � meu advogado.

Posso ver o mandado?

Parece que estavam nos esperando.

N�o deixaram nem o tubo do papel higi�nico,

mas o dos�metro marcou mais de 5 microssieverts.

Teve material contaminado aqui.

- Aqui n�o tem nada. - E os computadores?

N�o tem nada.

Est� completamente limpo.

Tudo bem.

Inspetor?

A documenta��o est� em dia.

N�o sabia que contrabando dava tanto dinheiro.

Quero fazer umas perguntas na delegacia.

Se n�o v�o prend�-lo, ele n�o tem nada a falar com voc�s.

J� nos fizemos ver. E agora?

- Vamos vigi�-los. - N�o.

Vamos esperar o cara de Madri.

Mas ele n�o est� com a menor pressa.

Ningu�m morre de vontade de vir aqui.

N�o pude ir.

N�o quis ir. E prefiro n�o falar disso.

Temos que conversar, pai. � importante.

O que foi?

Tem erros nas aut�psias que foram feitas.

As identifica��es est�o erradas.

- Que aut�psias? - Da explos�o do reator, pai.

J� faz tr�s anos. Do que est� falando?

� um relat�rio interno.

A investiga��o vazou, amanh� estar� na imprensa.

Os restos mortais estavam em mau estado,

a contamina��o os levou a cometer erros.

Dizem que h� restos de v�rias pessoas em um mesmo caix�o.

O Fede?

N�o podem garantir a identidade de ningu�m.

O que querem fazer?

Exumar os restos para voltar a fazer as aut�psias?

Est�o em caix�es de chumbo,

sob quatro camadas de concreto. N�o v�o fazer isso, pai.

Com certeza, vai haver processos.

O Ferreras vai entender se eu deixar o cargo

caso isso gere conflitos para mim.

Sua m�e j� sabe?

N�o.

Encontrei a Esther.

A garota j� saiu do tribunal.

No fim, p�de sair sem fian�a.

Coloque o Barrero sob vigil�ncia.

O qu�?

Revistamos tudo e n�o encontramos nada.

Coloque.

- E o Carre�o? - Eu estou pedindo, Mart�n.

Vivemos do que matamos, todos, todo mundo,

e acabamos comprando a morte em verdadeiros cemit�rios:

Cordeiro, vaca, frango, pato, tudo.

Tudo bem cortado, bem embalado a v�cuo, num maldito pl�stico,

bem embrulhadinho. � como diz a propaganda:

"Quanto mais carni�a comemos, mais fortes ficamos."

Ent�o, se n�o suporta a morte,

n�o seja hip�crita ou anormal e vire vegetariano.

Mas, se come carne, assuma que vive da morte.

Eu assumo que vivo da morte.

Essa � a diferen�a, e � f�cil entender...

Pode calar a boca?

Boa tarde, senhora.

Desculpe.

Algum problema?

� s� mania.

Tem que verificar as etiquetas.

Deveria evitar os que contenham conservantes E-226

e que venham daqui ou sejam embalados aqui.

Desculpe. Voc� est� bem?

As etiquetas n�o s�o o problema. N�o sei o que preparar hoje.

Isso acontece com todo mundo!

N�o sei cozinhar, e a mulher dele cozinhava muito bem.

Entendi.

Por que n�o faz um lagarto com molho de ameixa?

At� o meu marido sabe fazer, e � um completo in�til.

- Obrigada. - De nada.

O Barrero quer falar com voc�.

Eu tamb�m quero falar com ele.

Vamos, Peny. Vamos.

Vamos, Peny.

Voc� errou! Olhe s�!

Maldita B�snia e Herzegovina!

Voc� errou!

N�o errei. Ele est� ferido, n�o vai longe.

Voc� errou! Que droga!

Acha que matei o seu tio?

P�ssima ideia matar quem te deve, n�o?

Demora bem mais para receber.

Eu n�o o matei.

Nem tenho nada com isso. Que fique bem claro.

Agora me esclare�a uma coisa.

Falou de mim com a pol�cia?

- O que contou? - Que carreg�vamos o caminh�o

e depois o lev�vamos ao seu galp�o em San Adriano.

J� sabiam que meu tio devia pra voc�.

Merda!

N�o devia ser t�o linguaruda.

O que eu deveria fazer com voc�?

N�o sei, mas eu assumo a d�vida.

Voc� decide se quer receber.

Voc�?

- Como vai me pagar? - Me d� trabalho, qualquer coisa.

� o �nico jeito de nenhum dos dois sair perdendo.

Esteja pronta amanh� cedo.

O Dani vai pegar voc� �s 5h.

V� embora.

Al�.

Achou que o Dani tivesse apagado o seu n�mero?

Ele me passou.

E o salvei nos favoritos.

Quem �?

N�o sei do que est� falando.

� claro que sabe.

Eu tenho tudo gravado.

Posso colocar para voc� ouvir e refrescar a sua mem�ria.

Se a pol�cia for atr�s de mim de novo, todo mundo vai saber.

Quero saber de tudo antes de acontecer.

Se eu cair, voc� vai comigo.

Entendeu?

Procure, Peny.

Vamos, procure.

Que merda � isso?

Que c�o n�o sabe seguir rastros de sangue?

Cale a boca! De merda aqui, basta voc�.

N�o deveria ter errado, S�rvia.

N�o sei de que maldita guerra voc� saiu,

mas, com certeza, acertaram voc� por tr�s.

E continue, est� anoitecendo. Se n�o os encontrarmos logo,

vamos perd�-los.

Mas que merda!

Procure.

Vamos, Peny.

Entre.

A senhora n�o vai voltar?

Est�o permitindo algumas realoca��es.

Neste bloco, est�o todos os que moravam l�.

� um edif�cio para cada vilarejo.

Mas l� ningu�m morava a menos de 500 metros um do outro.

Agora, aqui,

sei at� quando cagam, toda vez que puxam a descarga.

Fui l� algumas vezes, mas n�o pretendo voltar.

Na segunda vez que fui, a terra expulsou um pus azul escuro,

e os insetos se enterraram mais fundo.

Tem alguma coisa l� que n�o deixa nem a morte descansar.

N�o vai filtrar a �gua?

Voc� nunca acreditou nisso!

N�o entendo por que continua vindo me visitar.

Talvez precise ouvir a senhora dizer.

- O qu�? - Que ele est� bem.

Que est� em algum lugar, mesmo que seja mentira.

H�ctor,

isso n�o vai resolver.

N�o me deixaram ver o corpo.

Todos os dias, tenho a impress�o de que vou encontr�-lo

ao virar alguma esquina.

Talvez precise que me diga por que estou vivo.

Porque calhou de ser assim.

N�o faz nenhum sentido.

A senhora � religiosa?

N�o acha que existe um plano?

Talvez eu continue vivo porque ainda n�o o encontrei.

Ou talvez

eu continue dentro da usina,

no dia do acidente, procurando por ele.

Do que est� falando?

N�o sei.

N�o sei.

S� sei que tento fechar t�mulos,

mas volto a encontr�-los abertos.

Ele est� bem.

Est� vendo voc�.

E n�o quer que sofra.

Obrigado.

Tom�s.

Luisa.

Tom�s.

Luisa, sou a Julia.

O que aconteceu?

O que aconteceu? Calma.

Calma, n�o se mexa. N�o se mexa.

Fique assim. Onde o Tom�s est�?

Meu Deus!

Tom�s!

Julia.

Calma. Julia, calma.

Droga!

Vamos cuidar de tudo.

Julia.

- O que est� acontecendo? - Calma.

- H�ctor. - O qu�?

Que droga! � um maldito pesadelo.

Por favor, n�o pisem no sangue. Por favor, n�o pisem.

A pol�cia cient�fica j� chegou?

J� est�o a caminho. A ju�za e o legista tamb�m.

Cuidado.

Por que tem tanta gente?

S�o o inspetor H�ctor Ur�a e o agente Mart�n Garrido,

encarregados do outro assassinato.

Inspetor Alfredo Asunci�n.

- Veio da central de Madri. - Certo.

O outro corpo tamb�m estava assim.

�, eu li o relat�rio.

Pode tirar a m�scara. A radia��o aqui � baixa.

- Pode segurar um instante? - Sim.

Se quiser, pode tirar o traje, ficar� mais � vontade.

- O qu�? - Pode tirar o traje.

N�o, estou bem assim. Obrigado.

Pode tirar quem n�o precisa estar aqui?

Claro. Saiam todos.

Vamos, saiam.

Caramba!

- N�o � ele. - Como n�o?

- N�o atirei nele. - Me d�.

Me d�.

SERVI�OS DE LIMPEZA E DESCONTAMINA��O

Este tamb�m serve.

Est�vamos supervisionando a volta deles,

e n�o atenderam ao telefone o dia todo.

- A que horas voc� foi l� ontem? - Por volta das 16h20.

- Viu mais algu�m? - N�o.

Mantenha o celular ligado. Precisaremos do seu depoimento.

Vou estar no hospital.

- Estou bem, de verdade. - Mais tarde nos vemos.

O sangue est� seco. Acho que ele morreu ontem.

O legista vai confirmar.

Ele tinha rela��o com a outra v�tima?

Acho que n�o. Tinham acabado de voltar de Madri.

� bom descartar isso o quanto antes.

N�o � preciso ser psiquiatra forense para ver

que h� um psicopata � solta que ataca indiscriminadamente.

- Um serial killer. - Eu n�o diria isso.

As agress�es s�o muito seguidas.

Parece mais um surto psic�tico prolongado

do que uma psicopatia sistematizada no tempo.

Certo.

Bom, vou para o hospital ver se a mulher acorda.

Ram�n.

Vamos precisar de mais luz aqui.

O que foi?

Me ajude.

Me esque�a, B�snia e Herzegovina.

N�o sou pago para fazer faxina.

Eu seguro a arma...

e ilumino o caminho.

Isso � preocupante.

Calma, eu digo quando precisar se preocupar.

Eu me preocuparia com esse sangue.

Pode n�o ser do morto nem da mulher.

O sangue n�o vai para dentro,

- vai gotejando pelo caminho. - Poderia ser do assassino.

Talvez esteja ferido.

Chega at� ali, mas, com esse monte de carros,

ser� muito dif�cil identificar alguma marca de pneu.

Ou entrou em um carro, ou cobriu a ferida e fugiu a p�.

Amanh� come�aremos a investigar por aqui ao amanhecer.

Tudo bem.

- Esther, sente. - N�o vou demorar.

O que vai fazer?

- Vou ficar. - J� pensou bem?

J�.

Acho que minha fam�lia n�o vai processar.

Fico feliz em n�o perder voc�.

- Voc� � importante aqui. - Muito obrigada.

- Tem mais uma coisa. - Sim.

Acho que posso amenizar a not�cia na imprensa.

Houve um assassinato na zona de exclus�o.

N�o sabem quem �,

mas parece que o assassino tentou comer a v�tima.

O qu�?

Est� tudo no relat�rio. O delegado V�zquez mandou.

Se tornarmos p�blico algo t�o m�rbido,

vai desviar a aten��o do resto.

Eu ia preparar um jantar maravilhoso.

Amanh� voc� prepara.

Tirei o dia de folga.

Deveria ter passado l� muito antes.

- N�o teria mudado nada. - Teria, sim.

Ela n�o teria ficado jogada l� o dia todo.

Vem c�.

N�o se atormente, est� bem?

Vamos peg�-lo.

- Ricardo. - Julia, viu o que eu mandei?

N�o.

A not�cia saiu na m�dia digital. Vou para a�.

N�o precisa, ela est� est�vel.

Continua sedada. A gente se v� amanh�.

Como preferir. At� amanh�.

ASSASSINO CANIBAL MATA DOIS NA ZONA DE EXCLUS�O

MINIST�RIO DO INTERIOR RECONHECE ERROS

NA IDENTIFICA��O DOS CORPOS AP�S A EXPLOS�O DO REATOR

Marta, o que foi?

N�o!

N�o, eu queria que soubesse por mim.

Marta, escute.

Marta, me escute, � importante.

Precisamos conversar sobre isso.

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