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Original subtitles

Caliche, venha comigo.

Sosa, por ali.

- Pode fazer isso sozinho? - Sim, � s� papelada.

Est� se adaptando. S� tem tr�s semanas.

- Fa�a no seu ritmo. - N�o vou demorar.

N�o gosto de incomodar ningu�m.

� melhor n�o me incomodar mesmo. Tome.

Um jornalista ligou, quer falar com voc�.

- Pelo anivers�rio do acidente. - Fala s�rio!

Ligue para ele.

Esteban!

Esteban, estou sozinha!

Esteban!

N�o se mexa.

N�o fa�a nenhum movimento brusco.

Quieta!

- Para! - Desgra�ados, filhos da puta!

Calada! Levanta.

Deixa comigo.

Quieta, droga!

- Filhos da puta! - Quieta! N�o piore as coisas.

03 para 42.

Na escuta, 03.

Pegamos a garota. Estamos na f�brica de Santo �ngel.

Copiado, j� vamos.

- Eu matei um lobo. - Solta, filho da puta!

- Tomem cuidado. - Copiado.

Maldito fascista! Voc�s n�o t�m nada melhor pra fazer?

N�o fizeram o bastante? Precisam vir atr�s de n�s?

Quieta.

Agrade�a por termos encontrado voc�.

Eu vou. Fique com ela.

Esteban!

Preciso que me receite alguma coisa.

Voc� n�o tem les�es nem problemas reum�ticos.

N�o tem nem contraturas musculares.

Acho que � psicossom�tico.

- Ou seja, eu invento. - N�o.

Mas � voc� que provoca.

Se n�o estiver preparado, se quiser baixa permanente,

podemos falar com o psic�logo.

- S� preciso que me receite algo. - N�o vou dar mais ansiol�ticos.

Pensei que j� tiv�ssemos superado isso.

O que voc� tomou?

- Foi uma noite dif�cil. - E por que n�o me ligou?

Eu teria ido.

Preferi ficar sozinho.

H�ctor, voc� � um milagre.

Est� vivo.

Agrade�a e continue a sua vida.

Desculpe, Julia, temos que ir.

Est�o nos esperando.

Vou pegar o carro. Me espere na sa�da em 10 minutos.

Claro.

Tome isto, � bem suave. Vai ajudar.

Perseguimos a garota e encontramos o corpo.

Um homem de 40 anos. Acabaram de ligar.

Enviem mais quatro viaturas e revistem o caminh�o.

A ju�za e a promotoria est�o a caminho.

Me mantenham informado.

O que aconteceu?

Encontram um corpo em uma zona de exclus�o

nos arredores de Santa Olalla. Em uma f�brica.

Voc� j� esteve na zona de exclus�o?

N�o.

N�o, nunca mais voltei l�.

O Mart�n cuida disso.

N�o precisa ir.

ZONA II DE EXCLUS�O USINA DE NOGALES 30KM

H�ctor.

N�o esperava v�-lo.

- S� vim dar uma olhada. - Dar uma olhada?

Eu nunca tinha visto nada parecido.

Agente.

Excel�ncia.

- Voc� o encontrou? - Sim.

Tive que matar os lobos, estavam comendo o corpo.

Faz alguma ideia do que aconteceu aqui?

- N�o. - Era s� o que faltava por aqui.

- Ur�a, prazer em v�-lo. - Excel�ncia.

J� pode desc�-lo.

- H�ctor. - Ram�n.

Excel�ncia, vamos dar prioridade a isso.

Est� bem.

Tudo bem?

Como somos peritos criminais, acham que n�o nos afeta

sair da cama para ver o corpo de uma menina no meio da noite

ou o de um homem nu, dilacerado e pendurado pelos p�s.

Devia abrir um consult�rio na cidade.

Sim, um dia desses.

Fico feliz vendo voc� t�o bem.

Obrigado.

Hoje de manh�, fomos informados

de que passaria um caminh�o com material roubado em Molleda.

Fomos pra l�, mas a garota fugiu, e a seguimos at� aqui.

Veio se encontrar com ele. Achou que tivesse nos despistado.

- J� a identificaram? - Parece que era tio dela.

- Ela o viu assim? - N�o.

Sabemos pela identidade.

Achamos a carteira na entrada. Das roupas, nenhum rastro.

O que estava no caminh�o foi tirado daqui?

A f�brica foi abandonada ap�s a evacua��o.

Pegaram tudo que puderam.

A radia��o aqui � baixa,

ent�o misturam com material limpo e vendem sem problema.

Ela estava sozinha no caminh�o,

disse que n�o tinha mais ningu�m.

Ela dirigia o caminh�o?

- Ela s� disse isso? - Isso, mais nada.

- O que fizeram, seus merdas? - Levem a mo�a � delegacia.

Tudo bem. Vou interrog�-la � tarde.

Ainda que seja bem prov�vel que Madri assuma o caso.

Espero seu relat�rio. Tenha um bom dia.

Temos que localizar os parentes dele.

Lembramos a todos os funcion�rios

que devem utilizar a sa�da lateral.

Agradecemos a colabora��o.

NOGALES USINA NUCLEAR

Est� ali.

- Enrique. - Fico feliz em v�-la,

mas n�o podia vir num dia pior. Estamos muito ocupados.

Devia ter avisado � secretaria. N�o temos mais tempo.

S� para completar os relat�rios, vamos levar uma semana.

- Oi. - Oi. Sente-se.

Obrigado.

- Posso ver seu dos�metro? - Sim.

- Sempre o carrega com voc�? - Claro.

Assine aqui, por favor.

O que � isto?

Uma autoriza��o para utilizar seus dados cl�nicos.

Tudo bem.

J� faz seis meses. Como est� indo?

- � estranho. - Estranho?

Surreal, � como trabalhar em Marte.

Tem enjoo, dor de cabe�a, pequenas hemorragias?

N�o.

- Est� tomando a medica��o? - Sim.

Escute,

se encontrassem alguma coisa, nos diriam?

Claro.

Mas n�o encontraremos nada e tamb�m diremos.

Estes s�o os laudos de baixa por les�o e esgotamento.

E estes, das baixas dos que apresentaram

50 milissieverts acumulados.

- Acho que est� se precipitando. - Sim, mas eu n�o mando aqui.

Estes s�o os laudos m�dicos dos novos contratados.

Eu j� assinei, preciso que voc� e seu chefe assinem.

Voc� est� bem?

Estou.

� s� cansa�o.

Tem certeza?

De manh�, no chuveiro,

� muito dif�cil ver o cabelo cair

ao lavar a cabe�a.

O cabelo de todo mundo cai.

H�ctor.

Me espere aqui.

J� volto.

Atenda, Dani!

- Marta. - J� vou.

Parab�ns.

Mas o que � isto?

O que � isso?

- Uma palheta de casco. - Caramba!

Nenhuma palheta tira um som t�o bom.

Mas � casco de tartaruga.

Isso � uma rel�quia de colecionador.

Juro que n�o sacrificaram nenhum animal.

- Olhe contra a luz. - Sim.

Contra a luz, ele disse.

Essa palheta tem hist�ria, n�o �, meu amor?

Zoe, n�o?

- Voc� se chama Zoe. - O que fizeram com o meu tio?

Quando chegamos, ele estava morto. Sinto muito.

N�o � verdade.

O policial entrou e atirou nele. Eu estava l�.

Voc�s s�o uns filhos da puta!

S� queremos encontrar o animal que fez isso.

Estou do seu lado.

Sabe quem pode ter sido?

Tem algo a ver com o neg�cio do material?

Seu tio discutiu com algu�m?

Tinha problemas com algu�m?

Para quem era o material?

Zoe...

para quem era o material?

Inspetor, a advogada chegou.

O pai dela me ligou quando soube.

Sou advogada da Associa��o de V�timas da Usina.

- Sei quem �. - Tamb�m sei quem voc� �.

J� leu os direitos dela?

Ela conhece e n�o pediu advogado.

Quero um advogado.

Tem direito a n�o depor na delegacia.

- Escute... - Quem � o senhor?

Inspetor-chefe Carre�o.

A brincadeira acabou, inspetor-chefe.

Minha cliente n�o vai depor.

O pai da garota vai ao hospital reconhecer o corpo.

Chegou o mandado judicial para analisar os telefones.

- J� est�o trabalhando nisso. - E o informante?

O qu�?

O que falou do caminh�o.

- Talvez saiba mais. - N�o � t�o f�cil.

Do Audi ele n�o sabia, mas ouviu um cara falar do caminh�o.

Mas que cara?

Um amigo de um amigo? Pressione o cara.

� o que estou fazendo.

As primeiras conclus�es sobre as provas.

Junto ao corpo s� havia pegadas de um homem e da v�tima.

Ent�o procuramos um homem s�?

Em princ�pio, sim.

Boa tarde.

Tom�s?

N�o acredito que encontre outro por aqui.

Como vai?

Sou a Julia.

- Ele � o Ricardo. - Bom dia.

- Entrem. - Est� bem.

Luisa.

Luisa!

Entrem.

Vamos.

Como v�o fazer para viver sem m�veis?

Aos poucos, mas acho que n�o precisaremos de muitas coisas.

Sente-se.

Est� tudo certo. Est� vendo?

� o que diz aqui.

Desde quando preciso de autoriza��o

para morar na minha pr�pria casa? N�o � um absurdo?

O que foi?

Esqueci a bateria do dos�metro.

O que est�o fazendo aqui?

Sentem-se e tomem uma bebida.

Eu colhi esses tomates hoje de manh�.

Pode ser um acerto de contas por causa do contrabando.

Nunca vimos isso aqui.

Delegado, n�o acho que seja um simples contrabando

dentro da zona.

Parece t�pico de um cartel mexicano.

Por ora, � s� o que temos.

J� mandei o relat�rio a Madri. V�o mandar algu�m da central.

Voc� e o H�ctor continuam no caso.

Ele � inspetor, mas voc� sabe como �...

- Voc� o atualiza. - Ele n�o vai me obedecer.

A mim ele vai, mas precisa se adaptar.

Facilite as coisas.

At� chegar algu�m de Madri.

Deve chegar amanh�.

Temos que tentar n�o alarmar as pessoas.

Carre�o, isso n�o pode sair daqui.

Ningu�m quer falar disso diante de um microfone.

O que aconteceu? Estou ligando o dia todo.

Temos que nos ver.

N�o, n�o me acalmo.

Tudo bem.

Como vou deixar a carne na �gua durante 10 horas?

As verduras devem ficar de molho 20 horas

em �gua com sal, e � melhor n�o consumir a �gua daqui.

Um caminh�o vai trazer �gua uma vez por semana.

Podem voltar, desde que sigam as recomenda��es.

Entendem?

Mas isso n�o nos importa mais.

Mas nos importa.

Bom, continuaremos vindo para saber se est�o bem.

Quando quiserem. N�o vamos sair daqui.

Como pode ter vindo sem checar o material?

Desculpe.

N�o adianta pedir desculpas.

Trazemos as pessoas, prometemos monitorar

e trazemos aparelhos que n�o funcionam.

Acha que eles v�o se sentir mais seguros?

- N�o est�o seguros. - Mas isso n�o � desculpa.

- Para voc�, n�o existe desculpa. - O que quer dizer?

Que est� obcecada demais com isso tudo.

Se n�o pegar mais leve, vai acabar descontando em mim.

Vai me demitir?

N�o.

Fomos embora antes que ordenassem a desocupa��o

e n�o temos direito a nenhuma indeniza��o.

Quem saiu por vontade pr�pria n�o tem direito a nada.

- � o que o governo diz. - Entendi.

E a sua mulher?

Est� em Oviedo com nossa filha.

Eu deveria ligar.

A Zoe...

n�o quis ir embora, mas tamb�m n�o quis ficar comigo.

Mora na cidade com meu irm�o, nos edif�cios dos desalojados.

Certo.

No n�mero 10 da Rua Avil�s,

segundo a documenta��o do seu irm�o.

Sim, mas eu n�o sabia de nada, estava trabalhando.

Posso ver a minha filha?

Est� com a advogada na delegacia.

Ela vai ligar.

Sr. Montero,

j� v�o prepar�-lo.

A administra��o vai ajud�-lo com a papelada da funer�ria.

Venha comigo.

- � o pai? - �.

Ram�n.

Amanh� voc�s recebem o laudo.

Mas me adiante alguma coisa.

N�o sem falar com a ju�za.

Agora vou para casa trabalhar nele.

Amanh� todos v�o receb�-lo.

Voc� tamb�m deveria ir embora.

Amanh� vem o cara da central.

Eu tomo o depoimento do pai.

E o seu informante?

N�o sabe mais nada.

Ouviu por acaso, n�o identificou quem falou.

Talvez fossem independentes

e tenham feito contatos para tentar vender.

�...

E iam esconder caminh�es de material contaminado em casa?

Vou para casa.

Quando voc� voltou?

Ainda n�o sei se voltei.

N�o perderia isso, certo?

Foi uma selvageria, H�ctor.

Al�m de mordidas de animais, tem mordidas de uma pessoa.

Eles o mataram com as m�os e come�aram a com�-lo.

Eu n�o disse nada.

- Oi. - Oi, tudo bem?

O que est� fazendo a�?

O que foi?

Est� perdido?

Estou.

Estou perdido.

O senhor mora na casa l� de cima?

Moro.

Eu moro l� com a minha mulher.

- Aqui � muito perigoso, n�o? - � o que dizem.

Mas eu n�o acho.

S� dizem isso para nos colocar medo.

- Preciso de ajuda, por favor. - Calma, rapaz.

J� vai anoitecer, n�o vai encontrar onde ficar.

Venha me ajudar com isto e vamos � minha casa.

Eu tenho telefone.

Vamos. Vamos.

Tivemos que deixar tudo, e os ladr�es...

n�o deixaram nada.

Nesta cama dormiu o meu av�,

morreu o meu pai

e nasceu a minha filha mais velha.

H� coisas

de que n�o podemos nos desfazer.

Mesmo que sejam muito pesadas.

Este � o mapa da evolu��o das zonas afetadas

com os dados mais recentes. As medi��es foram monitoradas

pelo Organismo Internacional de Seguran�a e Energia Nuclear.

Falamos de zonas com um n�vel de radia��o

entre 5 e 10 milissieverts.

Especialmente nas zonas que j� foram limpas

e est�o sendo liberadas

para quem quiser voltar para casa.

Ca�ram inclusive para menos de 5 milissieverts.

Como v�o ver no mapa,

a limpeza permitiu reduzir a radia��o consideravelmente.

O impacto econ�mico

de uma recupera��o parcial da zona � muito significativo.

S�o de 1 miligrama,

bem mais fortes que os que voc� tomava.

- Tem certeza? - Tenho.

N�o misture.

- Tome s� dois por vez. - Tudo bem.

Com tempo, consigo o que voc� quiser. Sabe onde estou.

Muito obrigado, Jorge.

� uma vergonha tirar o pr�prio filho da cadeia.

Pare com isso! Era s� uma manifesta��o.

E voltaremos � usina toda semana at� nos ouvirem.

N�o importa se voc� tem vergonha.

- A culpa � daquela garota. - A Ana?

Vai � merda!

Fede!

- Oi, filha. - Oi, pai.

N�o vou jantar em casa, perd�o. A reuni�o demorou muito.

Mas nos veremos amanh� na comemora��o.

N�o esque�a as flores.

Pai?

Sim, querida, n�o se preocupe.

- Vejo voc� amanh�. - Tudo bem, um beijo.

OI, ESTEBAN. NOSSO FIM DE SEMANA FOI �TIMO.

A GENTE SE V� HOJE NA ASSOCIA��O.

- E a�, Mart�n? - O que est� acontecendo?

N�o parou o caminh�o?

- Era muito simples. - Sem essa, Dani!

N�o sou idiota. Como � o neg�cio?

Como sempre. Digo onde parar o caminh�o,

e passamos outro pelo outro lado.

Assim s�o as fronteiras, n�o? Uns passam, outros n�o.

E n�o � pouco dinheiro por um pouco de sucata.

O que est� dizendo?

Encontramos o tio da garota morto, pendurado pelos p�s.

Entendeu?

- Do que est� falando? - Voc� ouviu.

Os dois trabalhavam pra voc�s, ent�o devem estar envolvidos.

Eu juro que n�o sei de nada do que est� falando.

Se soubesse, n�o teria ligado pra voc�.

Pergunte ao seu chefe.

Se estiverem metidos nisso, estamos todos na merda!

N�o � um pouco de sucata. Tem um morto, cacete!

H� anos, esperamos que algu�m assuma a responsabilidade.

Nem a empresa, nem o governo, ningu�m se responsabiliza.

S� recebemos parte das indeniza��es, uma mis�ria.

E n�o nos contaram toda a verdade.

E isto?

Algu�m preencheu o novo formul�rio para as indeniza��es?

- N�o! - Ningu�m conseguiu!

Mandaram um manual para ensinar a preencher,

mas n�o se entende nada.

Me devolveram a solicita��o quatro vezes.

- A minha tamb�m voltou. - Acho que a de todo mundo.

Amanh� � o anivers�rio.

- E v�o dizer coisas bonitas. - Como sempre.

Sabem de uma coisa?

Que se danem!

Dever�amos nos manifestar para nos verem na televis�o

e saberem o que est�o fazendo conosco.

- Isso mesmo! - � isso a�!

Rosa.

- � Rosa Hern�ndez, n�o? - Sou.

H�ctor Ur�a.

Gostaria de conversar com voc�. Conhece Esteban Montero?

Conhe�o.

Ele tinha d�vidas.

Devia muito.

Tinha investido na fazenda da fam�lia,

mas ficaram sem nada.

Tudo ficou enterrado l� dentro.

Por isso teve que pedir dinheiro.

A quem?

Ele disse que um conhecido tinha deixado dinheiro, e bastante.

O Esteban devia pegar material da zona e passar para ele.

Voc� sabe quem � esse homem?

N�o.

O Esteban era uma boa pessoa.

S� quem n�o tinha para onde ir ficou aqui.

Ele s� tentava sobreviver.

Eu sinto muito mesmo.

J� jantou, Mart�n?

Belisquei alguma coisa.

Adorei.

Como pode ser t�o linda?

N�o acredito que eu tenha tido tanta sorte.

H�ctor, voc� se lembra de mim? Sou a mulher do Luis, Ana.

- Claro. Tudo bem, Ana? - Ele era amigo do meu marido.

Entrou l� com o Luis.

Voc� � o policial que tirou muita gente, n�o �?

� a primeira vez que vemos voc� aqui.

Veio se juntar ao processo contra a usina?

Voc� nos daria visibilidade e mais apoio.

N�s estamos precisando.

N�o acredito que seria muito �til.

Desculpe. Voc�s t�m advogados.

Voc� foi um dos 50 primeiros que entraram ap�s o acidente.

A maioria dos que sa�ram n�o chegou nem �s ambul�ncias.

E os outros?

Primeiro, perderam a pele.

Voc� estava l� comigo.

Os corpos deles estavam cheios de chagas.

Depois, simplesmente se desmancharam,

como se derretessem.

Ningu�m resistiu nem um m�s, mas voc� est� vivo.

Por qu�?

Desculpe, eu n�o vim aqui para isso.

Por que n�o? Voc� tamb�m n�o � v�tima?

Tamb�m perdeu alguma coisa, como todos n�s.

Sei como se sente.

Voc� virou uma pessoa inc�moda.

Tratam voc� como um her�i,

mas o olham como se estivesse amaldi�oado.

Cada um decide como pagar suas contas neste mundo.

Eu decido como pagar as minhas.

Como quiser.

Sozinho, n�o se caminha muito em terras de ningu�m.

Tchau.

O jantar est� pronto.

Acho que n�o vou conseguir dormir.

Eu tamb�m n�o.

Olha pra mim.

Fui l� s� para procur�-lo, mas n�o o encontrei.

Me disseram que ele foi resgatar as pessoas.

Eu tinha acabado de dizer que tinha vergonha dele.

� impressionante.

Depois de tudo que passamos, estamos aqui de novo,

sem energia el�trica.

Espero que n�o fique assim.

Amanh�, terei que comprar mais diesel para o gerador.

- Coma alguma coisa, por favor. - Obrigado.

Moramos tr�s anos com nosso filho em Madri.

Bom, com nosso filho e com a mulher dele.

Ela sempre ficava atr�s de n�s, limpando onde pis�ssemos.

O que voc� acha?

Ela limpava tudo.

As ma�anetas das portas,

os copos, as cadeiras...

Se toc�ssemos alguma coisa,

ela ia atr�s com o pano de limpeza.

Como algu�m consegue viver assim?

Chega, Tom�s, chega.

De qualquer forma,

aqui tamb�m nos fazem limpar tudo.

At� a comida.

O que foi? Voc� est� bem?

Tinha sangue.

Muito sangue no balne�rio.

Escute...

O que foi? Voc� est� bem?

Escute!

Solte-o!

Tom�s!

Solte-o!

Solte-o!

Tom�s!

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