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O LOBO DO MAR
Se encontrar algo a�, divido com voc�.
Que tipo de navio � esse?
Uma escuna que vai para as costas do Jap�o.
Qual � a carga?
Perguntei se deseja embarcar e n�o se quer compr�-lo.
J� fui enganado. Qual � a carga?
Ca�amos focas, se a ca�ada for boa, ter� um b�nus.
Qual o nome dessa escuna?
"Ghost".
Um momento. N�o � f�cil para um marinheiro como voc� encontrar um emprego.
- Aconselho que se arrisque. - Saia do caminho!
- 60 d�lares por m�s. Um bom sal�rio. - Sim, se viver para receb�-lo.
- N�o ter� medo de trabalho duro? - Trabalho duro?
Nenhum trabalho � duro quando mant�m sua dignidade.
N�o me alistaria em um navio como o "Ghost"...
... mesmo que fosse o �nico em todo o Oceano Pac�fico.
Tudo certo, amigo. J� sa�ram.
- Quem? - Os policiais.
- N�o sei do que est� falando. - Ok, esque�a. Eu pago uma bebida.
Dois.
- Por qu�? - Simplesmente n�o gosto de beber sozinho.
- Marinheiro? - J� estive em um navio.
Bem, j� � algo.
N�o ter� que me fazer dormir para me levar em seu navio.
Vou embarcar no primeiro que partir daqui.
Ei, voc�!
Alistou-se no "Ghost"?
- Sim. - Des�a.
- B�bado? - Sim.
Pergunto-me como algo assim aconteceu.
N�o se preocupe com ele, est� b�bado.
Como consegue homens para um navio como o "Ghost"?
Acha que todos os homens s�o t�o est�pidos quanto voc�?
- Cale a boca, cozinheiro! - N�o vou me calar.
Deixe seu corpo inteiro estremecer como aconteceu comigo...
quando fiz minha primeira viagem a bordo do navio mais asqueroso do mundo.
Vai se divertir a bordo do "Ghost".
N�o vou repetir, cozinheiro.
� noite voc� rezar� pela manh�.
E durante o dia, rezar� para que anoite�a.
Mas pelo que mais rezar� ser� para poder rasgar
com suas pr�prias m�os o cora��o frio e implac�vel de Lobo Larsen.
Eu disse para se calar!
- Ent�o? - Desculpe-me.
Ou�a. Dois homens est�o vindo aqui, v�o fazer perguntas.
Diga que me conhece, que sou sua amiga.
Meu nome � Maud, Maud Webster.
Vamos para S�o Francisco visitar alguns amigos.
Lembrar� disso? Maud, Maud Webster.
- Mas,... - Por favor!
Qual � seu nome?
Van Weyden, Humphrey Van Weyden.
Humphrey Van Weyden, n�o vou esquecer.
Diga-me alguma coisa, por favor.
- Sim? - Esta mulher...
- O que tem ela? - Est� com voc�?
N�o entendo por que tenho que responder �s suas perguntas.
Antes de dizer qualquer coisa, Lembro-lhe que
� crime ajudar um condenado fugitivo.
Engra�ado, essa mulher parece comigo.
N�o �, Humphrey? Sorte que estou com voc�.
Caso contr�rio, teria sido presa
e teria problemas na delegacia para explicar...
Desculpe, n�o posso fazer nada. � a lei.
Est� certo.
� a lei.
Lembre-se que � crime ajudar fugitivos.
Chega!
Fique em sua cabine at� chegarmos a S�o Francisco.
- Estibordo! - Estibordo!
N�o!
Socorro!
Aqui!
Aqui!
H� algu�m aqui?
H� algu�m aqui?
O que h� com esse homem?
� o contramestre, acho que est� morrendo.
- Morrendo? - Sim, tem um cora��o muito fraco.
O rum que tomou em S�o Francisco agora o levar�.
O velho ficar� mal sem ele.
N�o � f�cil encontrar um bom contramestre.
Ningu�m parece se importar.
Comportam-se como se a morte fosse comum aqui.
A bordo deste navio, pode-se dizer que �.
Sou o homem que resgatou. Estou muito grato.
Est� morto, senhor.
"Est� morto, senhor"?
Meu timoneiro est� morto.
B�bado nojento. Morreu t�o facilmente.
O rum deve ter secado suas costelas e apodrecido sua carne e seus olhos.
O homem est� morto, senhor.
Homem?
Isso n�o � mais um homem. � um peda�o de carne embebida em rum.
- Svenson? - Sim, senhor?
Tome a agulha e costure esse estupor. Tem lona velha no dep�sito.
- Que devo amarrar-lhe aos p�s? - J� veremos.
- �s ordens. - Cooky!
Sim, senhor.
- V� l� embaixo e encha um saco de carv�o. - Sim, senhor.
Algu�m tem uma B�blia ou um livro de ora��o?
Parece conhecer uma ou duas ora��es.
Na verdade parece um padre. Qual � o seu nome?
Van Weyden. Humphrey Van Weyden.
At� o nome parece de um padre.
Sou um escritor.
Sobre o que escreve?
Sobre o que vejo.
� a primeira vez que viu um homem morrer?
� a primeira vez que vejo tanta indiferen�a diante da morte.
Ainda n�o viu o suficiente para ser um bom escritor.
- Nesta viagem aprender� muito. - Viagem?
O que quer dizer?
� a sirene do porto, n�o?
Est� certo.
N�o parece estar muito longe.
N�o vai se desviar muito.
Pagarei pelo que achar que o atraso custa.
N�o vai me levar para terra?
N�o, Sr. Van Weyden, n�o vou.
N�o pode estar falando s�rio.
Muito s�rio.
Meu contramestre est� morto, preciso de um homem e ser� voc�.
Mas n�o h� nada que possa fazer em um navio.
N�o... n�o muito.
� delicado como uma mulher.
Mulher? A esqueci.
O que fez com ela?
- Cooky! - A comida ser� servida imediatamente, Sr.
E a mulher que pescamos no mar?
Est� muito mal, senhor.
Louie acha que n�o passa desta noite.
� uma pena que morra, ela � t�o jovem e t�o bonita.
Essa mulher pode iluminar os dias aborrecidos de uma longa viagem.
Vai deixar-me no primeiro porto que atracarmos.
N�o paro em nenhum porto, Sr. Van Weyden.
- Vamos encontrar outros barcos. - Duvido, Sr. Van Weyden.
O "Ghost" n�o segue as rotas regulares.
Est� retido at� retornarmos a S�o Francisco.
N�o esque�a que existem leis.
Estou cumprindo a lei, Sr. Van Weyden.
A lei do mar, que diz que pode ficar com o que encontra.
Acho que pode lavar pratos e ajudar na cozinha.
Assim um homem mais forte estar� livre para o trabalho duro.
Eu o contrato como grumete, 20 d�lares por m�s.
E se eu recusar?
Grumete! Venha aqui!
Qual � o seu nome?
- George Leach. - Senhor.
Senhor.
- J� navegou em uma escuna? - N�o, senhor.
Quem o contratou?
N�o estava interessado no nome do sujeito, senhor.
- Adiantaram-lhe algum dinheiro? - N�o tive tempo de esperar, senhor.
Devia estar com pressa para embarcar. Pelo que a pol�cia o procura?
Isso � mentira, ningu�m me procura por nada. Posso provar.
Deve aprender a controlar seu temperamento, Leach.
Perde a paci�ncia com facilidade.
N�o ser� mais grumete.
Nosso amigo, o escritor, ocupar� seu lugar.
Foi promovido.
De agora em diante, ser� um marinheiro.
- Svenson! - Diga, senhor.
Conhece alguma coisa de navega��o?
Nada, senhor.
Pouco importa. Fica sendo o contramestre. Leve a sua tralha quando acabar.
- Sim, senhor. - O que faz aqui parado?
N�o me alistei como marinheiro, mas como servente de cabine.
N�o quero fazer esse trabalho, � sujo, nojento e degradante.
N�o disse que nunca navegou em uma escuna?
Li sobre isso em um livro.
Arrume a trouxa e ande!
Fa�a o que ele diz, garoto.
Ele n�o est� falando com um cachorro, mas com um homem.
� um homem, h�?
Pelo menos posso cuspir em pessoas melhores do que voc�.
- Desobedece minhas ordens? - N�o gosto de como as d�.
Ainda est� pensando em recusar o cargo?
V� para a cozinha, o cozinheiro dir� o que fazer.
Cooky!
Aqui! Parem o navio!
Aqui!
- Svenson. - Sim, senhor.
- J� acabou? - Sim, senhor.
Mande todos para a popa. Vamos fazer o funeral.
Sim, senhor.
S� lembro da �ltima parte da cerim�nia.
E...
E o corpo deve ser lan�ado ao mar.
O que est�o esperando? Joguem-no agora.
Levantem.
"Das cinco da manh� at� as dez da noite...
... Eu sou obrigado a ouvir seu tom de voz pegajoso e insinuante.
Contemplar seu sorriso gorduroso e suportar sua monstruosa vaidade ".
Isto se refere a mim, n�o?
Se a descri��o lhe serve.
Mantenha sua l�ngua civilizada na boca e termine de limpar.
Que me amaldi�oem se n�o � ingratid�o de sua parte.
Chegou feito um trapo humano.
Coloquei-o na cozinha, e o trato bem...
... e escreve mentiras sobre mim.
Se eu fosse sensato, batia na sua cabe�a com uma frigideira.
- N�o tem o direito de ler essas coisas. - Caia fora!
"Mas ele � apenas mais um retrato em uma galeria de patifes".
Uma frase original, devo admitir.
"Todos os homens neste navio, exceto por alguns...
... foram fundidos no mesmo cadinho que seu mestre, Lobo Larsen.
Eles s�o uma chusma de bestas, insens�veis e desumanas ".
N�o gostaria de estar em sua pele quando Larsen ler isso.
- N�o vai mostrar para ele, vai? - � meu dever como um membro leal.
"Eu continuo pensando na mulher que est� sob o conv�s".
Eu tamb�m, amiguinho.
"E no tr�gico destino que parece pairar sobre ela...
... isso vai de mal a pior ".
J� a conhecia, n�o �?
Se conhecia ou n�o, n�o importa. D�-me essas anota��es.
J� disse que � meu dever entreg�-las ao meu superior.
- D�-me! - N�o.
N�o � apenas um ladr�o vulgar, tamb�m � um caguete.
Caguete e ladr�o, hein?
Havia uma carteira na roupa que voc� gentilmente me mudou.
Essa carteira est� vazia.
- Ningu�m al�m de voc� poderia... - Mantenha a boca fechada, est� ouvindo?
Se me der essas anota��es...
A �nica coisa que receber� de mim ser� uma bofetada.
Em Liverpool, fui condenado a dois anos por esfaquear um homem.
A bordo deste navio, isso n�o � um crime.
Seis carrilh�es. Os homens comer�o em breve.
Agora volte para o seu trabalho.
Gosta de ser contramestre, h�? D�-lhe o direito de surrar um homem.
- Bati em Johnson h� algumas horas atr�s. - Preciso de homens para trabalhar,
n�o deve espanc�-los.
Disse para manter a disciplina. Temi os problemas quando o alistamos.
Ele estava incitando uma revolta.
- Que dizia? - Fazia muitas perguntas.
- Sabe sobre o barco do meu irm�o? - N�o creio.
N�o falaram nada, n�o �?
Melhor assim. Para a tripula��o, vamos ca�ar focas.
- Enquanto acreditarem, melhor. - N�o tenho certeza, senhor.
Precisamos que lutem do nosso lado se o navio do seu irm�o nos alcan�ar.
Eles v�o lutar ou se afogar�o. E eu aposto...
Louie, fa�a alguma coisa.
- O capit�o est� com dor de cabe�a. - N�o, n�o � nada.
J� est� passando.
N�o precisa fazer nada. Estou bem.
Que tipo de perguntas fez?
Queria saber por que mudamos de curso tantas vezes.
E por que h� um canh�o em um barco de pesca.
E voc� respondeu?
Sim, com um golpe de pino na cabe�a, mas n�o muito forte.
Com licen�a, disse que bateu em algu�m com um pino?
- Sim. - Vou dar-lhe alguns pontos na cabe�a.
Sente-se, Louie. E termine o jantar.
No seu estado, pode dar pontos em lugares errados.
A prop�sito, como est� sua paciente, Louie?
Oh, minha paciente. Est� melhorando.
Foi muito grave.
Cuide bem dela, ela � uma amiga do nosso grumete escritor.
- Creio que nada de bom a aguarda. - � poss�vel. Eu apenas...
Voc� cuidando dela � mais do que poss�vel.
Louie quebrou um recorde neste navio. Ele nunca curou um paciente.
N�o � minha culpa.
Quando os homens v�m para mim, j� est�o meio mortos.
Eu sou um bom m�dico.
Doutor?...� um charlat�o!
Isso � mentira, uma mentira suja.
Graduei-me em tr�s universidades.
Eu era o diretor de uma cl�nica.
Eu fiz grandes cirurgias.
E poderia faz�-las novamente se tivesse os instrumentos necess�rios...
e se minhas m�os n�o tremessem tanto.
� estranho. N�o consigo mais controlar minhas m�os.
Voc�... � um estranho, voc� � um homem inteligente.
Acredita em mim, n�o?
- Sim, eu acredito. - V�?
V�? Ele acredita em mim.
Algu�m acredita em mim.
Desculpem-me.
Eu tenho que cuidar de minha paciente.
MILTON, O PARA�SO PERDIDO
"Aqui, ao menos, seremos livres.
Podemos reinar com seguran�a e, ao meu ver, reinar � uma boa ambi��o,
embora no inferno.
Melhor reinar no inferno do que servir no c�u".
O cozinheiro me disse para limpar aqui.
Achei que acabaria antes que terminassem de comer.
Por acaso, achei esse livro aberto e...
- � um excelente poema, n�o? - Sim, excelente poema.
Por que n�o o l�?
"Aqui, ao menos, seremos livres.
Podemos reinar com seguran�a e, a meu ver,
reinar � uma boa ambi��o, embora no inferno.
Melhor reinar no inferno do que servir no c�u."
Um �timo verso.
Milton entendeu o diabo.
Sente-se.
� a primeira vez que entra em minha cabine, n�o �?
N�o esperava encontrar nada assim, certo?
Eu tamb�m leio livros.
Seria melhor se eu nunca tivesse aberto um livro.
Cooky me deu suas anota��es. Eu as li.
N�o tem nada a temer.
Gostei, escreve muito bem.
Obrigado.
"Eles s�o uma chusma de bestas, insens�veis e desumanas,
fundidos no mesmo cadinho que seu mestre, Lobo Larsen ".
Pergunto-me o que ser� de voc� quando esta viagem acabar?
- Acha que vou mudar? - Oh, sim. E muito.
N�o acho, Larsen.
Isso � parte de sua educa��o. Voc� deve me chamar de capit�o ou senhor.
Lembre-se de que existe uma diferen�a social entre n�s a bordo.
A qual classe social voc� pertence em terra?
N�o precisa responder.
Est� escrito na sua testa.
Uma boa educa��o, classe, refinamento, sensibilidade.
Voc� tem tudo o que o dinheiro pode comprar.
Todo o dinheiro que tenho ganhei com meus livros.
O qu�?
Realmente ganha dinheiro? Quanto?
Cerca de dez mil por ano.
Voc� deve ser muito bom. Que tipo de livros escreve?
Romances.
Romances? Nada importante.
N�o, nada importante.
Mas n�o precisa ganhar todo esse dinheiro.
Se algo acontecesse com voc�, como perder os bra�os, as pernas ou ficar cego,
Algu�m o cuidaria, seus amigos, sua fam�lia.
N�o dependeria de uma chusma de bestas insens�veis e desumanas,
N�o teria que lutar para viver. N�o teria que viver em um mundo...
onde todos iriam enfrent�-lo e voc� os enfrentaria.
At� o seu pr�prio irm�o.
Aparentemente, voc� precisa se justificar, n�o, capit�o Larsen?
Minha for�a me justifica, Sr. Van Weyden.
O fato de eu poder mat�-lo ou deix�-lo viver.
E poder controlar o destino de todos neste navio...
e que s� minha vontade � que manda aqui.
Tudo isso � justifica��o suficiente.
- Aonde vai? - O cozinheiro me espera na cozinha.
N�o v�. Que espere.
H� muito que n�o conversava assim com algu�m.
Sente-se.
O que pretende fazer com essas anota��es?
Talvez um dia eu possa escrever um livro sobre minha viagem no "Ghost."
Tamb�m escrever� sobre mim em seu livro, certo?
Voc� ser� o protagonista.
� uma boa ideia. Um livro sobre mim.
Eu vou ajud�-lo, vamos passar muito tempo juntos.
Vou contar-lhe hist�rias que far�o com que as pessoas me entendam.
Embora n�o importe se elas me entendam ou n�o.
Ah, sim!
Eu poderia lhe contar muitas coisas.
Da cidade �rida onde nasci. dos meus pais, alde�es do mar,
semearam seus filhos nas ondas e s� tiveram fome e mis�ria.
Eu tinha cinco irm�os.
Quatro morreram, afogados como ratos nos camarotes de navios podres.
N�o, n�o, isso n�o � para mim.
Escolherei a minha morte, como escolhi a minha vida.
Eu era um mo�o de conv�s aos 12 anos, camareiro aos 14, marinheiro aos 16,
propriet�rio do meu navio aos 21.
E fiz tudo sozinho.
Aprendi tudo sozinho: navega��o, matem�tica, ci�ncia, literatura.
Tudo.
Tudo isso � o que quero que escreva, est� ouvindo? Tudo.
- O contramestre quer v�-lo, senhor. - O que houve?
A mulher est� morrendo.
E por que me incomoda? Deixe Louie cuidar dela. � o m�dico.
Louie n�o est� em condi��es de cuidar de nada, senhor. Est� b�bado.
Cooky!
Eu verificava se ela ainda vivia, senhor. Peguei seu pulso.
- O que faz aqui? - O timoneiro me disse para ficar aqui.
� verdade, senhor. Pode perguntar a ele.
� linda.
- � uma pena que ela morra. - Cale a boca!
Tentou acord�-lo?
� in�til. Quando cai em um porre assim, dura todo o dia.
Leach, tente acordar esse b�bado.
Respira r�pido, senhor.
- Como se sufocasse. - Abra uma escotilha.
- H� ondas, senhor, vai entrar �gua. - Abra-a!
- Ent�o? - N�o posso fazer nada, senhor.
Toda vez que eu o acordo, ele volta a dormir.
- Acorde, b�bado! - J� reage, senhor.
Ocupe-se em mant�-lo acordado.
Tenho caf� no fog�o.
- Vou traz�-lo. - N�o, fique. Vou precisar de voc�.
Leach, v� na cozinha e traga esse caf�.
R�pido!
Dois homens, est�o vindo aqui.
V�o fazer perguntas.
Diga-lhes que me conhece.
Sim, vou lhes dizer.
N�o deixe que me levem.
N�o deixe que me levem.
Voc� n�o sabe o que � estar na pris�o.
Prefiro morrer.
- Prefiro morrer. - Macacos me mordam! Uma prisioneira.
Uma criminosa, fugitiva da pris�o.
N�o � uma Lady. � uma de n�s.
Disse algo engra�ado, senhor? Fico feliz, fico muito feliz.
N�o percebe a ironia disso, Van Weyden.
Este navio est� carregado at� a borda de miser�veis...
e p�rias como nunca se viu sob o mesmo mastro.
E o que resgatamos do mar? Uma de n�s.
Eu tive um sonho horr�vel.
N�o deixavam de me bater.
Implorei que parassem, mas continuavam me batendo.
N�o foi um sonho.
O que mais eu poderia fazer sen�o ficar b�bado?
N�o posso salv�-la, ela est� quase morta.
- Ou�a-me. - Deixe-o beber.
- N�o serve para mais nada. - N�o podemos deix�-la morrer assim.
- Deve haver alguma esperan�a. - Claro, claro.
- Poderia fazer uma transfus�o de sangue. - Ent�o?
A bordo deste navio e com os instrumentos que tenho,
seria como pedir-me que fizesse um milagre.
Ok, fa�a um milagre.
N�o, n�o posso.
Minhas m�os... eu preciso...
O que ele precisa n�o voltar�. Perdeu seus nervos, n�o �, Louie?
Louie, ou�a-me.
Perguntou-me se eu acreditava em voc�. E disse que sim.
N�o. Pode acontecer novamente.
E ent�o n�o suportaria. Eu me suicidaria.
Assim, sua vida n�o est� em minhas m�os. Est� nas m�os do destino.
N�o h� nada que possa fazer.
N�o se pode fazer uma transfus�o de sangue como esta.
Tem que se ter certeza de que o sangue � do mesmo tipo.
O qu�?
Bem, isso n�o o impede, Louie.
- Leach! - Senhor?
Dar� sangue a essa mulher, n�o �?
- Claro, senhor. - Aqui o tens.
V� em frente, Louie. Est� com sorte, esses dois t�m o mesmo sangue.
Entendi essa.
N�o pegou, Louie?
Eles t�m o mesmo sangue. Os dois s�o condenados.
Entendeu? Sangue de condenados. � o que o capit�o quer dizer.
V� em frente, Louie. Vejamos como o faz.
Tem at� um assistente. O cozinheiro j� come�ou o trabalho.
A minha valise.
Extraia o sangue antes que esfrie.
N�o se preocupe, capit�o.
Este tipo de sangue nunca esfria.
- Pronto! - Pronto!
Solte a vela!
- Descansando? - N�o estou me sentindo bem, senhor.
Isso pode fazer voc� se sentir melhor.
Deixe-o. Voltem ao trabalho.
- Ele est� muito doente, senhor. - Continuem.
Des�a, vou fazer o seu trabalho.
Eu disse para continuar.
Que diferen�a faz se o trabalho for feito?
Leach, desde que embarcou neste barco...
tive que lhe bater pelo menos uma vez ao dia. Nunca se cansa?
Talvez um dia n�o tenha que bater nele sozinho.
Olhem isso!
N�o riam de mim!
Parem de rir!
Nunca viram um homem bem vestido antes?
Cuidado com os degraus, querida.
Seu bra�o, querida.
Capit�o Larsen, Srta. Webster, minha paciente.
Estou feliz em v�-la em p�.
Obrigada por tudo.
Devo ter-lhe causado muitos problemas.
N�o, pelo contr�rio. Cumpri meu dever como crist�o.
Gostaria de agradecer ao marinheiro que me doou sangue.
Sim, jovem?
- Meu nome � Leach. - Desculpe, minha mem�ria.
Aqui est�.
Estou muito grata.
Quando chegarmos � terra, eu vou recompens�-lo.
Agrade�a � dama.
Obrigado...senhora.
Desculpe, lev�-la para o mar,
Mas esteve t�o mal que pensei que seria perigoso mov�-la.
Esse foi o meu diagn�stico.
Como disse, doutor?
Desculpe, desculpe.
As pessoas que voc� deixou...
Pessoas?
- Que pessoas? - Quero dizer, sua fam�lia.
Provavelmente creem que est� morta.
Imagino que ficar�o felizes quando os encontrar em San Francisco.
S�o Francisco?
Voltaremos sem parar em nenhum outro porto?
Sim, esta escuna se dedica � ca�a de focas.
N�s as ca�amos e voltamos para casa.
Oh...
- Algo errado, Srta. Webster? - Nada.
Estou um pouco tonta. Acho que ainda n�o estou muito forte.
Est� muito tempo em p�.
N�o deveria ser mais que 5 minutos. Venha, a levarei para o seu quarto.
- Com licen�a. - Sim, claro.
Senhorita Webster! O seu alojamento � satisfat�rio?
Sim, obrigada.
Muito obrigada.
- Cozinheiro! - Sim, senhor.
Quero que fa�a tudo para que a Srta. Webster se sinta em casa.
Coloque grades na sua janela.
Ent�o... N�o pode fechar a boca, n�o �?
Talvez isso fa�a com que me responda.
Voc� falou enquanto estava inconsciente.
- E falou muito alto. - N�o acredito.
N�o acredito.
Voc� deliberadamente contou a eles.
Juro que � verdade.
Est� certo.
Ok, eu menti.
Eu fingi.
Agora que voc� riu, me far� um favor, capit�o?
Que quer que fa�a?
Certamente h� navios indo para a China.
- Poderia me deixar em um deles. - Durante esta viagem...
- tento n�o cruzar com outros barcos. - Ou uma ilha.
Poderia me deixar em uma ilha. Eu li que o Pac�fico est� cheio de ilhas.
Deixe-me em um lugar onde os navios atracam e eu conseguiria.
Louie, fa�a-a descer.
- � melhor voc� vir. - N�o, espere. Espere um momento.
Ou�am.
Voc�s parecem boas pessoas.
Devem ter passado por isso.
Fa�a-me esse favor, sim?
Por favor.
N�o vai se arrepender.
Eu prometo.
N�o est� em S�o Francisco. Est� no meu barco.
Comporte-se ou passe o resto da viagem trancada.
N�o quis dizer isso. Verdade, eu n�o queria.
Esque�a o que disse, por favor.
Fa�a-me esse favor, sim?
- N�o implore, voc� me ouve? - Implorar?
Eu me arrastaria de joelhos por todo este conv�s.
Eu faria qualquer coisa para n�o ter que voltar.
- Voc� sabe como � estar na pris�o? - Sim, eu sei.
N�o foi suficiente humilh�-la. Tamb�m teve que esmag�-la.
Venha, vou lev�-la at� sua cabine.
Deixe-me em paz.
Deixe-me em paz.
Cuidado!
Leach, de acordo com as leis do mar, eu poderia enforc�-lo por isso.
Mas n�o vou. Voc� mesmo vai resolver o problema.
Antes de terminar esta viagem, voc� vai se enforcar.
Levem-no para baixo!
Deveria ter me deixado morrer.
Deveria ter me deixado morrer.
Voltem ao trabalho!
Van Weyden.
Venha em minha cabine.
Acho que devo agradecer por salvar minha vida.
Foi instintivo.
Parece que lamenta.
N�o precisa continuar na cozinha.
- H� um beliche no quarto do imediato. - Prefiro ficar com os marinheiros.
Como quiser. Mas n�o acho que v�o aceit�-lo depois de hoje.
Os seus instintos s�o um pouco diferentes dos deles.
Eles queriam que Leach me acertasse com esse pino.
Est� em uma m� posi��o, como no meio.
Mas acho que est� acostumado. Os de sua classe tendem a estar.
Ao menos n�o tenho peso na consci�ncia.
N�o pensar� que eu tenho, n�o �?
Se essa mulher comete suic�dio...
Suic�dio?
Por que ela se suicidaria?
Existe um pre�o que ningu�m quer pagar para viver.
O que voc� sabe?
� um voyeur da vida.
Ela fala sobre ir a outro pa�s para come�ar uma vida nova.
Mas sabe muito bem que esta nova vida n�o ser� diferente da antiga.
Andaria pelas ruas de Xangai como andava pelas de Frisco.
E a humilhariam, mas ela n�o vai se matar, n�o.
Continuar� a viver at� que apodre�a.
H� algumas semanas, estava interessado no livro que pretendia escrever.
Preocupava-se como iria apresent�-lo ao mundo.
- Gostaria de ouvir minha descri��o? - Sim, claro. V� em frente
N�o est� escrito, mas pensei at� na �ltima palavra.
Omitirei a descri��o f�sica.
- Isso � �bvio. - Sim.
A primeira impress�o � que se trata de um homem...
N�o, um bruto.
Sem sentimentos ou considera��o.
Uma criatura cruel e implac�vel que mata pelo prazer de matar,
que tortura pelo prazer de ouvir os gritos angustiados de suas v�timas.
Mas quando essa primeira impress�o desaparece,
percebe-se que � um indiv�duo extremamente complexo.
Um conjunto de contradi��es.
Um homem torturado por um c�rebro que a natureza n�o deveria ter-lhe dado.
Mas com esse c�rebro pode pensar.
Ver claramente que todas aquelas coisas que nega aos outros homens,
a necessidade de respeito, dignidade, tamb�m existe nele.
Continue, j� que come�ou, termine.
As raz�es para o seu comportamento s�o ent�o �bvias.
Como � muito dif�cil para ele no mundo convencional
manter sua dignidade, ele criou um mundo para si mesmo.
Um navio no qual � mestre e senhor, onde apenas ele manda.
O pr�ximo passo � simples.
Um car�ter como esse precisa ser alimentado.
Porque ele constantemente tem que reafirmar sua supremacia.
E para isso se alimenta com a degrada��o de pessoas
que s� conhecem a degrada��o.
Sendo cruel com pessoas que s� conhecem a crueldade.
Mas ouse mostrar seu ego em um mundo em que haveria algu�m igual...
� mentira!
Que quer?
Eu...
Eu quero que pro�ba os homens de rirem de mim.
O qu�?
Como...
Como o cozinheiro.
Quando eu apareci no conv�s hoje, ele achou engra�ado
que eu usasse essas roupas, mas n�o h� nada engra�ado.
Absolutamente nada.
Quando eu exercia, tinha 20 ternos como este.
Um mais caro que o outro.
E quando entrava no hospital, todos me saudavam com respeito.
Eu era uma pessoa importante.
Gostaria de voltar a me sentir assim.
N�o quero ser chamado de Louie.
Quero ser chamado de doutor.
Dr. Prescott.
Afinal, eu salvei a vida dessa mulher.
Provei ser um bom m�dico.
E n�o bebo h� uma semana. Olhe! Minhas m�os.
Est�o firmes como uma rocha.
Entende o que quero dizer?
Afinal, n�o irei viver por muito tempo.
Estou velho.
Sei que n�o vou praticar a medicina novamente.
Eu certamente morrerei como m�dico de um navio.
Mas durante o tempo que viver,
quero ser tratado com respeito, como antes.
- Ok, Louie. Vou conversar com os homens. - � um grande homem, capit�o Larsen.
- Nunca vou esquecer. - Venha comigo.
Com licen�a.
Re�na os homens.
Ou�am todos!
Louie fez uma queixa.
Ele n�o recebe o tratamento que deveria.
N�o quero que riam mais dele ou de suas roupas.
- Diga-lhes para n�o me chamarem de Louie. - Oh, sim!
N�o o chamar�o mais de Louie. De agora em diante ele ser� "doutor".
Doutor, o qu�?
- Dr. Prescott. Dr. Louis J. Prescott. - Sim.
Dr. Prescott.
Devem dar todo o respeito que um m�dico de sua categoria merece.
Satisfeito, Dr. Prescott?
Completamente, capit�o Larsen. Muito obrigado.
Com licen�a.
Afastem-se, deixem-me.
- Afastem-se. - Bonito terno, Dr. Prescott.
Deixem-me em paz.
Volte, Louie.
Vamos, doutor.
� um homem velho e pode perder o equil�brio. Fa�a com que des�a.
N�o, que implore um pouco.
Uma vez que des�a deste mastro, ser� o velho Louie novamente.
Ok, basta, � o suficiente. Deixem-no em paz.
Ok, Louie. Des�a.
Descer?
Para qu�?
Ei, voc�s!
Podem continuar vivendo como c�es sarnentos.
Mas n�o, Louie!
N�o, Dr. Prescott!
Eu cheguei no limite!
Des�a, Louie!
V�o se arrepender de fazerem de bobo o velho Louie!
Perguntem-lhe por que n�o segue as rotas de navega��o regulares!
Por que ele se esconde como um rato de outros barcos!
- Des�a! - Quando eu disser tudo!
N�o responder� a nenhuma dessas perguntas, certo?
Mas eu vou!
Este � um navio carniceiro!
Carniceiro!
E Larsen � o pior carniceiro!
Ca�adores de focas? Ha!
Sim, haver� peles de focas a bordo deste navio!
Mas ser�o as peles roubadas de outro homem!
Seu irm�o! Sim, o seu pr�prio irm�o!
J� sei. Roubar n�o � um problema para pessoas como voc�s.
Mas perder a sua vida �!
E esse � o pre�o que v�o pagar por essas peles. Suas vidas!
Nessa viagem, retornar�o muito menos dos que a iniciaram.
Eu asseguro-lhes.
Ei, Larsen!
Diga-lhes sobre seu irm�o, Morte Larsen!
Diga-lhes sobre o medo que invade seu cora��o apenas mencionando seu nome.
N�o tenho medo de ningu�m, ningu�m!
Diga-lhes que seu irm�o jurou mat�-lo.
Diga-lhes sobre o seu navio, o Maced�nia. Sobre o canh�o que est� carregando.
Pronto para atirar neste navio e enviar todos para o outro mundo!
Louie, des�a!
Eu vou descer... Da minha maneira!
Ei! Olhem!
H� um pre�o que nenhum homem pagar� por sua vida.
Foi um acidente. Ele escorregou.
- O que quer? - O Sr. Johnson disse-me onde estava.
O que eles tinham feito com voc�, que o tinham espancado.
Vim para ver se poderia ajud�-lo.
N�o preciso de ajuda
Sei como cuidar de mim mesmo, sempre fiz isso.
- Deixe-me em paz. - Quer um cigarro?
- Disse que me deixe em paz. - A culpa n�o foi minha.
- Ningu�m pediu que me defendesse. - Cale a boca.
Ningu�m a culpa.
E n�o faz ideia porque ataquei Larsen.
N�o suporto que um c�o implore, menos ainda um ser humano.
E agora v� embora.
Eu disse saia.
Sinto muito.
Eu tive que descontar minha raiva em algu�m e voc� pagou por isso.
- Isso j� aconteceu com voc�? - Est� muito ferido, n�o �?
Larsen fez um bom trabalho.
Por que n�o tenta descansar?
N�o, n�o.
J� tentei. Mas � in�til.
Quando eu fecho meus olhos, vejo Larsen rindo de mim.
Acordo tentando apagar esse sorriso do rosto dele.
Quando mantenho os olhos abertos, posso pensar com clareza.
Pensar sobre o que vou fazer.
N�o apague.
Ou�a, � o menino.
Quando se sente triste, toca a harm�nica.
Comp�e can��es.
E ele � bom, n�o �?
O que ele toca, � para Louie.
Louie.
Gostava de Louie.
Ele era decente.
O b�bado gordo.
Ele estava t�o orgulhoso de suas roupas.
Pobre Louie.
Sortudo Louie.
N�o penso assim.
Tudo terminou para ele.
Todas as penas, as dores.
Suponha que eu possa tir�-la desse barco.
E suponha que nada mais importe para mim.
Tem que lutar. N�o pode desistir.
- Amanh� tudo mudar�. - Amanh� ser� como hoje.
E como ontem. Eles v�o bater em voc� de novo e sabe disso.
Larsen n�o pode alcan�ar o que tenho dentro de mim.
Isso � o que o deixa louco.
O qu�?
O que �?
Eu n�o sei.
N�o sei como explicar.
� algo dentro de mim que diz que devo continuar lutando.
Que h� algo para pessoas como n�s.
- Como n�s? - Sim, como n�s.
Pessoas como Larsen n�o podem continuar a nos vencer porque n�o somos ningu�m.
N�o � verdade, somos algu�m. Ou�a.
Tenho um plano, e o tenho bem pensado.
Vou me vingar de Larsen e fugir do navio.
- N�s? - Sim, n�s,
Voc�, eu e todos que quiserem vir.
- Estaremos livres se o plano funcionar. - Mas se falhar, podem mat�-lo.
Voc� disse isso antes,
O que podemos perder?
N�o precisa retornar aos Estados Unidos.
H� grades esperando para me trancar tamb�m.
Dentro e fora � o mesmo.
Ser livre.
Que te deixem em paz.
Viver em paz.
Mesmo que seja s� por um curto per�odo de tempo.
Como agora.
Eu n�o espero mais nada.
O Sr. Svenson estava procurando por voc�, senhor.
Svenson? Que queria?
N�o sei, senhor. O vi indo at� as cabines dianteiras.
- Por que est� fazendo a guarda sozinho? - Harrison n�o est� bem, senhor.
Certo.
Svenson!
Diga, senhor.
Johnson disse que queria me ver.
N�o disse que queria v�-lo.
- Os ataques est�o piorando, certo? - N�o pedi sua opini�o.
- Onde est� indo agora? - Fazer uma caminhada no conv�s.
- N�o posso dormir. - Uma alma sens�vel, hein?
Tenha cuidado para que o esp�rito de Louie
n�o lhe caia encima saltando do mastro principal.
Que quer?
Eu queria falar com ela.
- Deixe-a em paz. - Estava chorando.
- Ela tamb�m chorou no conv�s. - N�o pude fazer nada.
Bem, agora tamb�m n�o.
- O que tinha que ser feito j� est� feito. - Leach...
Eu queria acreditar.
Eu gostaria de ajud�-lo.
N�s n�o precisamos de ajuda.
- N�s? - Sim, n�s.
Para sair deste navio, s� temos que abrir nossas asas e voar.
Sim, temos asas.
De p�ssaros engaiolados.
Boa noite, Van Wayden.
Boa noite, Leach.
Sim?
- Quem �? - Sou eu.
Voc� pode parar de chorar.
Acabou-se. Est� feito.
Voc� n�o entende?
Acabou-se. Est� feito.
Acalme-se, n�o h� tempo para isso.
Estou bem.
Em breve sairemos deste navio infernal.
- Vamos esquecer tudo isso. - Quando?
- Quando? - Alguns dias, uma semana talvez.
Johnson e eu tardaremos ainda para encher esse bote de v�veres.
Uma longa e dif�cil jornada nos espera, 1500 milhas em um bote.
Mas vamos conseguir.
Sim.
Se eu n�o lhes der azar.
N�o diga isso, n�o diga.
Meu bra�o, est� me machucando.
N�o queria apertar t�o forte.
Deixa-me louco.
Este � o bra�o onde...
Meu sangue.
Sim.
Seu sangue.
N�o posso correr mais riscos, tenho que ir.
Boa noite.
Chega de l�grimas.
Chega.
Fique no leme!
- H� quanto tempo est� no conv�s? - Cheguei agora, senhor.
- Viu algu�m vindo das cabines? - N�o, senhor.
Estou certo que mente.
Venha comigo.
- Johnson? - Sim, Sr.
Viu o que aconteceu no conv�s?
- N�o vi nada, senhor. - Fomos atacados.
- E nos jogaram ao mar. - Estava olhando para o curso, Sr.
- Quem fez isso, Johnson? - J� disse, senhor. Eu n�o sei nada.
Svenson certamente est� morto.
- Preciso de um imediato. Pode ser voc�. - Eu n�o seria um bom imediato, Sr.
N�o sei como dar ordens. Eu apenas as sigo.
Venha comigo.
- N�o vai nas cabines? - Sim.
- Como saber� quem o fez? - N�o se preocupe, eu sei. Des�a.
Peguei Larsen!
� in�til, deixe-o.
Em uma boa encrenca estamos metidos.
Voc�.
Voc� nos meteu nisso.
Foi sua ideia atir�-lo ao mar.
Se tivesse me dado uma faca, j� o teria em minhas m�os.
Acabaria com ele.
N�o pensou em n�s quando nos deu a ideia.
Pensou em voc� e naquele p�ssaro engaiolado.
"Sejam homens. Defendam seus direitos".
Queria dizer defend�-lo.
O que importa o capit�o ou em qual barco navegamos?
Livrar-se de Larsen. H� uma d�zia que ocupar� seu lugar.
Chega de lamentar-se. Deveria ter pensado nisso antes.
Pois n�o pensei. Estou pensando agora.
- Vou lhe dizer quem � o l�der. - N�o precisa. Eu vou mesmo direi.
E, se necess�rio, irei como Louie, vou me atirar nele de cabe�a.
Esqueceram de Louie, n�o �?
Est�o muito preocupados com o que vai acontecer com voc�s.
Nada lhes acontecer� porque ele precisa de voc�s para levar o navio,
para us�-lo como escravos.
Algum dia talvez entendam.
Van Weyden? Van Weyden? Voc� est� a�?
- N�o, n�o est�. - Sim.
Estou aqui.
Suba r�pido, o velho quer v�-lo em sua cabine.
Se voc� abrir a boca...
N�o vi nem ouvi nada.
Lembre-se disso.
Agora voc�s tem algo mais com que se preocupar.
Cozinheiro, quero os nomes de todos metidos nisso.
Ir� t�-los, sr.
Quem � o l�der, como planejaram e o que pretendiam fazer com o navio?
- Pode me conseguir tudo isso? - J� faltei com voc�, senhor?
Um homem muito �til, n�o?
� sua profiss�o, caguete. A cozinha � um passatempo.
Como se atreve a acusar um tipo assim de roubar dinheiro?
Disse-lhe isso, senhor?
� um mentiroso, um sujo, um porco sujo mentiroso.
Atreva-se a repetir na minha cara.
Disse que era o �nico que poderia ter me roubado.
Se me encostar novamente, vou mat�-lo, cozinheiro.
Fa�a isso, Van Weyden. V� em frente. Crave a faca.
� a primeira vez que quer matar algu�m?
� agrad�vel saber que tem a vida de um homem em suas m�os.
Gostou, n�o �?
Acho que agora sei por que o chamam de "Lobo".
Sim, sabe muitas coisas que n�o sabia antes.
Voc� mudou, disse que isso aconteceria.
N�o � o cavalheiro que era quando chegou neste navio.
N�o, agora parece mais com eles.
Como eu.
Uma criatura brutal, insens�vel e desumana.
Aposto que n�o hesitaria em me atacar com essa faca se me aproximasse...
� um homem louco.
- ...e o agarrasse pelo pesco�o. - Completamente louco...
Larsen! O que h�?
N�o � nada.
Apenas uma dor de cabe�a.
As tenho muitas vezes.
Elas v�m e v�o.
Essa press�o no meu c�rebro...
Se desaparecesse...
Deixa-me louco.
Quatro batidas.
Logo come�ar� a amanhecer.
Van Weyden! Abra as cortinas!
Voc� me ouviu? Disse para abrir as cortinas.
- Van Weyden! - Sim?
Aonde vai?
A lugar algum.
Ouvi seus passos, n�o minta para mim.
Voc� sabe, Van Weyden?
Sabe?
- Sim, eu sei. - N�o conte a ningu�m.
N�o conte a ningu�m.
Se soubessem que estou cego, me matariam. N�o teria chance.
Logo passar�.
� sempre assim.
E ent�o vou voltar a ver.
N�o diga a eles.
Por piedade, Van Weyden.
Por piedade.
Mais perto.
Venha mais perto.
Ent�o.
Por piedade, Van Weyden.
Por piedade.
Seu tolo, teve a chance e a perdeu.
Agora ficar� aqui at� que eu recupere a vis�o.
Eu estava errado.
Voc� n�o mudou.
N�o mudou nada.
Muito bem. Vamos acabar com isso.
Tenho uma lista no meu bolso.
Com nomes daqueles que participaram da trama para me matar.
Sei como come�ou, quem liderou e o que pretendiam fazer com o navio.
Um plano engenhoso e imprudente.
Se tivesse conseguido, Sr. Leach.
Tamb�m tinha outros planos, n�o?
Alguma coisa sobre fugir em um bote.
Bem, sabem o que vou fazer com esta lista?
Nada, absolutamente nada.
Eu sei como se sentem.
O que Louie lhes disse no outro dia � absolutamente verdadeiro.
N�o pretendo ca�ar focas. Deixo isso para o meu irm�o.
� verdade que meu irm�o leva canh�es a bordo.
E os leva para afundar o "Ghost".
E que h� a chance de todos n�s afundarmos com o navio.
Mas tamb�m � poss�vel que isto n�o aconte�a.
E isso significa que obter�amos a maior carga que j� viram.
Esta � a gra�a. Roubaremos das mesmas pessoas que as compram.
Suponho que n�o tenham escr�pulos quando se trata de roubar.
Se tiverem sua parte do saque.
Louie n�o lhes disse isso, certo?
Bem, ter�o sua parte.
Se esta viagem for bem,
ter�o o suficiente para viverem o resto de suas vidas. Prometo.
Van Weyden, abra a adega e d�-lhes o quanto quiserem beber.
Oh, sim!
H� outra coisa sobre a qual devo avis�-los.
H� um caguete entre voc�s.
E n�o h� nada que deteste mais do que um caguete.
Como prova da minha boa f�, digo-lhes quem �.
Cooky me deu a lista.
- Cooky? - Cooky?
Monstro! Besta sem entranhas!
Peguem esse delator.
Peguem-no.
Soltem-me. Soltem-me.
Tubar�o! Tubar�o � vista!
Puxem!
Fa�am-lhe um torniquete antes que sangre at� morrer.
N�o se mova ou morre.
Fale baixo.
A chave da despensa, onde est�?
- No bolso dessa jaqueta. - Pegue, Johnson.
Veja se encaixa.
Encaixa.
Bem, pegue as coisas.
- V�o escapar? - N�o, s� inspecionamos a cozinha.
Queremos saber como a mant�m limpa.
Levem-me com voc�s.
Se ficar mais tempo neste navio, ficarei louco.
N�o ficar� nesse navio por muito tempo.
- Far� uma viagem muito longa. - Afaste a faca.
- Cuide das coisas. Cuido dele. - Deixe-o em paz.
N�o podemos correr o risco que ele conte para Larsen.
- Pode confiar nele. - Neste navio n�o confiaria na minha m�e.
O que foi isso?
- Entrem naquele arm�rio. - E que nos peguem como ratos?
Vamos, entrem!
Van Weyden!
Quem est� com voc�?
Ningu�m.
N�o h� ningu�m aqui.
Pensei ouvir vozes.
Deve ter sido os homens nos camarotes de proa. Fazem muito barulho hoje.
Sim.
Sim, acho que est� certo. Deve ter sido os homens.
Viu o timoneiro?
O procurei por toda parte. Estar� b�bado como os outros.
Vou ter que pegar o tim�o eu mesmo.
O que � esse barulho?
Que barulho?
N�o ouve a sirene de um navio � dist�ncia?
N�o ouvi nenhuma sirene, deve estar enganado.
Acha mesmo?
� estranho.
Estive ouvindo o som de um navio se aproximando a noite toda.
Subirei ao conv�s.
Agora � a hora de escapar.
- Agora? Com ele no leme? - Ele n�o nos ver�.
- N�o vai nos ver, lhes asseguro. - O que diz?
Sem perguntas. V�o-se antes que seja tarde demais.
- N�o pode v�-los, est� cego. - Cego?
Estava com ele quando teve um desses ataques.
Duram v�rias horas. Ent�o estar�o longe e a salvo.
Van Weyden, poderia ter nos delatado, mas n�o o fez.
Est�o perdendo tempo.
Johnson, coloque tudo no barco.
Ainda quer vir conosco?
- Sim. - Vou buscar Ruth.
N�o posso deixar de sentir que est� nos olhando.
E que pode nos ver.
Garanto-lhe que ele n�o nos v�.
Tudo pronto. Vamos.
- Eu n�o vou. - O qu�?
N�o, n�o vou. V�o sem mim.
Sou um desastre. Tudo o que toquei, tudo o que fiz,
sempre deu errado. Nunca v�o conseguir se eu for.
- Algo acontecer�. - Quer subir no bote!
N�o, v� sem mim, por favor. Por favor, v� sem mim.
J� navegamos muito?
Ainda n�o chegamos muito longe, estamos navegando por seis horas.
Temos um longo caminho a percorrer.
Mas com vento favor�vel e um pouco de sorte, vamos conseguir.
Vou preparar a comida.
Ela vai acordar em breve.
BOA VIAGEM, LOBO LARSEN
Ele encheu os barris de �gua com vinagre.
Acho que todos estar�o assim.
Temos a que trouxemos ontem � noite.
- Dez litros de �gua para 1500 milhas. - Cale a boca, rapaz.
Se a racionarmos, conseguiremos.
Dez litros de �gua, 1500 milhas.
- Quatro pessoas. - Quatro pessoas.
Se a racionarmos bem, conseguiremos.
Certamente, vamos.
Acha que ele nos enganou?
Claro, posso v�-lo no conv�s rindo de n�s.
Mas essa risada ir� sufoc�-lo, porque conseguiremos.
Com ou sem �gua, conseguiremos, est� ouvindo, Larsen? N�s vamos conseguir!
Capit�o, um bote desapareceu.
- Eu sei. - Leach, Johnson, a menina, Van Weyden.
- Tamb�m sei disso. - N�o podem ter ido muito longe.
- Ainda podemos det�-los. - N�o h� pressa.
N�s vamos busc�-los em alguns dias.
� um navio a vapor. Parece que...
O navio do meu irm�o, " Maced�nia". Ele me encontrou.
Logo nos alcan�ar�.
Poder�amos nos esconder entrando no banco de nevoeiro.
- Um banco de nevoeiro? - Sim, est� na nossa frente.
Estibordo, senhor. Pode v�-lo?
Sim, o nevoeiro, eu o vejo.
Vamos ao banco de nevoeiro. Vamos direto a ele.
- Mantenha o curso nessa dire��o. - Sim, senhor.
Mantenha o curso.
- Fomos avistados, senhor. - N�o.
Est�o atirando �s cegas.
Nos perder�o em um minuto.
Desculpe, senhor. N�o h� outro lugar onde possa ficar.
Tenho medo de estar abaixo. Podemos come�ar a afundar.
Cale a boca! N�o vamos afundar.
N�o vamos afundar, senhor. Sei que nos tirar� disso.
Seu c�rebro pensar� em gritar para revelar nossa posi��o?
N�o eu, senhor. Nunca faria algo assim.
- Smoke. - Sim, senhor.
- Certifique-se de que ele n�o fa�a. - �s ordens, senhor.
Cuidado!
- Atingiu-nos, senhor. - Quer que baixe os botes, senhor?
N�o.
Ningu�m abandonar� o navio at� eu diga.
Enquanto estivermos flutuando, teremos uma chance.
Um homem na g�vea!
Que vigie atentamente!
Est� cego!
Est� cego!
Est� cego, asseguro-lhes! Esse miser�vel est� cego!
Est� cego!
Est� cego!
N�o, assim n�o!
Um momento. Deixe-me mostrar-lhe.
Pegue o leme. Mantenha o curso.
Solte isso enquanto eu baixo a vela.
Ruth, n�o!
N�o!
Amarro-a ao mastro com uma corda.
- Pode me ouvir? - Sim, eu ou�o voc�.
Jure que n�o tentar� novamente.
- Pode jurar? - N�o.
Ruth, Ruth!
- Ou�a-me. - N�o quero ouvir.
- Se voc�s tr�s conseguirem... - Quatro. Ou todos ou nenhum.
Johnson, Van Weyden. Eles t�m esperan�a.
Voc� tamb�m. Ainda pode ter uma nova vida em algum lugar.
E voc�, e quanto a voc�?
Ok, ser� assim:
Vamos chegar � terra.
Posso chegar em Hong Kong ou em Cingapura.
J� estive l� antes.
Sei como me virar.
Ningu�m me reconhecer�.
N�o vou voltar para a pris�o.
Como acha que me viro? Como acha que ganho a vida?
- Cale-se. - Perguntou-me, lhe disse.
Muito bem, vou lhe dizer.
Quando chegarmos � terra, se chegarmos, ganharei a vida por voc�.
Ficar� comigo.
Estaremos casados.
- O qu�? - Eu disse que nos casaremos.
Come�aremos de novo, n�s dois.
H� algum lugar no mundo para n�s, e vamos encontr�-lo.
Johnson.
Johnson!
Van Weyden! Ruth!
Um navio!
Eu vejo um navio.
Pare de remar, Leach. Esse navio � o "Ghost".
Olhe!
Os botes! Todos se foram!
Aonde vai?
A bordo do "Ghost".
H� �gua e comida nesse navio.
- Tudo o que precisamos. - N�o, n�o suba.
N�o h� ningu�m a bordo.
N�o v� que est� afundando?
- Os botes desapareceram. - E Larsen?
Certamente foi o primeiro a salvar sua pele.
Fique com ela, vou lhe dar as provis�es.
Abra a porta!
George!
George!
George!
George!
- � melhor subir. - Sim.
Leach!
Leach, onde est�?
Aqui, estou aqui.
Pode me ouvir?
Sim, ou�o voc�.
- Ent�o escute. - N�o h� tempo para conversar.
N�o h� como abrir esta porta antes que afunde.
- Vamos encontrar uma maneira. - H� comida e �gua a� fora.
Tinha tudo pronto quando Larsen apareceu.
Nem consegui gritar. Apanhe tudo e leve para o bote.
- Mas o que ser� de voc�? - N�o perca tempo.
Saia deste navio antes que ele o leve tamb�m.
O navio est� afundando, Ir� se afogar.
Eu me afogarei. Chegou minha hora. Sabia disso logo que subi a bordo.
Deve haver uma maneira de tir�-lo. Deve haver.
Larsen tem a chave. Ter� que a pedir.
- Ok, irei busc�-la. - N�o.
Por favor, n�o se aproxime dele. N�o est� cego, est� louco.
Se estiver ao seu alcance, a far� em peda�os. Voc� tem que viver.
Sem voc�, n�o.
Van Weyden! Leve-a!
Fique aqui.
Vou pegar a chave de Larsen.
Van Weyden! Van Weyden! Volte!
Volte! Volte! Saia do navio. Leve-a. Van Weyden!
Ruth. Ruth.
- Ainda est� a�? - Sim, ainda estou aqui.
N�o deveria ter ficado, N�o deveria ter ficado.
Se voc� vive, tamb�m viverei.
Mas se morrer, quero morrer com voc�.
� assim que �.
O que acabou de dizer lembrou-me de uma coisa.
Certa vez fui ao casamento de um amigo.
E a parte da cerim�nia que recordo...
foi quando o casal repetiu com o padre:
"Na alegria e na tristeza, na riqueza e pobreza,
na sa�de e na doen�a, amando-te e respeitando-te
at� que a morte nos separe."
Acho que vamos dispensar tudo, exceto a �ltima parte.
Oh, n�o. Tivemos uma vida inteira em um dia.
Nunca esperei que conseguir�amos tanto.
E, se assim que deve terminar,
Tudo bem para mim.
E para mim tamb�m.
Entre, Sr. Van Weyden, a porta est� aberta.
- Estava lhe esperando. - A chave. Eu a quero.
Venha busc�-la.
Se der mais um passo, eu explodo seus miolos.
Ir� lhe provar que ainda posso ver.
N�o muito, apenas sombras. Mas o suficiente para acertar entre seus olhos.
Onde est� Johnson?
Johnson morreu. Sacrificou sua vida.
Que decep��o!
Pensei que seria voc� quem faria o nobre sacrif�cio.
Por que n�o fez, Sr. Van Weyden?
- O navio est� afundando, n�o h� tempo. - Tenho todo o tempo do mundo.
Responda-me, por que n�o se sacrificou?
Suas bonitas palavras eram apenas isso. Estava certo, n�o?
Quando o momento era decisivo, deixou que Johnson morresse.
Entendo, teria feito o mesmo.
Mas uma vez que me disse que h� um pre�o que ningu�m paga para viver.
Qual � o seu pre�o?
Pode vir conosco no barco. Em terra, o levarei a um m�dico.
Ele curar� seus olhos e ir� ver novamente.
N�o, obrigado. Nunca mais poderei ver.
Sei h� muito tempo.
Este � o fim dos meus olhos e de mim mesmo.
Afundo com meu navio.
Deveria gostar, Sr. Van Weyden. A melhor tradi��o liter�ria do mar.
Eu, Lobo Larsen, afundo com meu navio com a terra � vista.
- Terra? - Sim, terra.
- Estamos a duas milhas de uma ilha. - N�o acredito.
Ver� quando o nevoeiro desaparecer. � uma ilha muito pequena.
Pesqueiros japoneses atracam ali de vez em quando.
Ia para l� quando o meu irm�o me alcan�ou.
� a ilha que seu amigo Leach e a menina sonharam, certo?
� uma pena que Leach n�o soubesse.
- Melhor ir. Afunda r�pido. - Ir?
Sim, voc� pode ir. N�o vou det�-lo. Leve a menina com voc�.
Quero que acabe esse livro sobre mim.
O �ltimo cap�tulo deve ser �timo.
Uma pena que n�o estivesse a bordo quando aconteceu. Foi emocionante.
Quando o navio do meu irm�o nos viu, fugimos. O vi mover-se.
Entramos em um banco de nevoeiro. Enganei a tripula��o por uma hora.
Ningu�m sabia que estava cego.
E Cooky, Cooky descobriu.
"Ele est� cego", gritou.
"Esse miser�vel est� cego".
Ele me chamou de miser�vel.
E meu irm�o disparou. O "Ghost" come�ou a afundar.
Correram para os botes.
Correram como ratos.
Vai escrever tudo isso em seu livro, certo?
Melhor apressar-se.
E Leach? E quanto a Leach?
Afunda comigo.
Por qu�? Por qu�?
Colocou todos contra mim. Tentou me matar.
- E � a sua vingan�a? - Sim, minha vingan�a.
- N�o posso acreditar que �... - N�o me importa.
Ele fica no navio.
- Via-se como um grande personagem. - Do que est� falando?
Estou lendo a �ltima parte do meu livro.
"� melhor reinar no inferno do que servir no c�u".
Sim.
Sim, � isso. Isso resume tudo.
"� melhor reinar no inferno do que servir no c�u".
Viu-se at� o fim orgulhoso, insolente, forte,
cerrando seu punho ao c�u enquanto as �guas se fechavam sobre sua cabe�a.
Gostava de sua morte. Era apropriado morrer assim,
arrastando seus inimigos com ele, fazendo da derrota uma vit�ria.
- A morte do "Super Homem". - � assim que acaba?
N�o, n�o acaba assim. Ainda h� outro par�grafo.
Eu continuei o observando e senti pena dele.
N�o preciso que ningu�m tenha pena de mim.
Pensei que em breve estaria sozinho e deveria enfrentar a verdade.
Conhe�o a verdade.
E ent�o se veria como realmente era: um despojo do que foi um homem.
Cale-se!
Ent�o, teria que admitir que n�o havia nada heroico em sua morte.
Que era mesquinha, pobre e vulgar.
- O que o movia era o medo. - Cale-se! Cale-se!
Tinha medo de continuar a viver, porque n�o tinha mais a for�a que o sustentava.
Agora estava cego, indefeso e teria que pedir ajuda a outras pessoas.
Lembro-me de como reagiu quando disse que n�o mostraria seu ego em outro mundo.
- Agora sei que estava certo. - N�o � verdade.
N�o quero ouvir mais nada. Ouve-me?
Esse foi o fim de Lobo Larsen.
Um final triste, miser�vel e pat�tico.
N�o quero ouvir nada. Ouve-me?
E agora nem consegue ver as sombras.
Van Weyden!
- Onde est�? - Aqui, na mesa.
Van Weyden!
Eu n�o posso ter errado.
O vi quando atirei.
� dif�cil matar a verdade, n�o �, Larsen?
- Poderia ter escapado se quisesse. - Se quisesse?
Sim, depois que disparou e errou, poderia ter fugido da cabine.
Sim, poderia.
H� pouco me perguntou qual era o meu pre�o.
Eu lhe digo.
A chave do dep�sito, a vida de Leach.
Van Weyden!
Van Weyden, responda-me!
N�o se preocupe, Ruth. Tudo sair� bem.
Fique na porta, n�o v� embora.
Bem, o que diz, Larsen?
- N�o sei o que pretende. - � muito simples.
Mostrar-lhe como estava errado sobre tudo, inclusive comigo.
Fa�o um acordo com voc�.
Minha vida pela de Leach.
Fico aqui e morro com voc�. Leach fica livre.
- Est� tentando me enganar? - A porta est� fechada e ainda tem balas.
N�o, � uma armadilha.
Ningu�m faz algo assim pelo outro, a menos que tenha algo em troca.
Talvez pense que vou abrir a porta e deix�-lo ir, n�o �?
Talvez pense que vou desistir da minha parte do acordo.
Que encontrar� algum jeito de n�o afundar comigo.
Eu tinha tudo planejado. N�o posso estar errado.
Aqui h� algo que n�o se encaixa.
Tudo se encaixa, Larsen.
Vou afundar com voc� no "Ghost".
Deixe a chave embaixo da porta e voc� ver�.
Tem medo de haver se enganado?
- � a chave do dep�sito. A pegou? - Sim, peguei.
Tire-o daqui, r�pido!
- Antes que seja tarde demais. - E voc�, Van Weyden?
- E voc�? - Eu...
... os encontro no conv�s.
Van Weyden!
Van Weyden, onde est�?
Onde est�, Van Weyden?
Ent�o foi um truque.
O descobri.
Eu sabia que havia algo estranho.
Eu sabia.
Van Weyden!
- Van Weyden! - � in�til. � muito tarde.
Oh, n�o.
Legendas: KARAMAZOV Revis�o: Kilo
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