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Original subtitles

Para Oumy

Acabou o banho. Saiam!

- O que você quer? - Vou sair.

Mandarei uma guarda.

Vamos.

- Tudo bem? - Tudo.

- Até logo. - Tenha um bom dia. Até a noite.

Ela estava lá e apagou o fogo.

- Está cinco minutos atrasada. - Eu sei, eu sei...

Bom dia!

- Bom dia! Quem é o próximo? - Uma torta de limão, por favor.

Só isso?

São €3,20, por favor.

Muito obrigada.

Muito obrigada.

Bom dia!

Não venha mais aqui.

Eu já falei.

- Mas eu... - Não tem "mas" entre nós.

Mas eu quero seis brioches de chocolate, por favor.

Vá embora.

Vá embora, já disse.

Anda...

Desculpe, senhor.

Devagar...

Cuidado.

Eu vou morrer...

Não.

Ainda não chegou a hora.

Clément...

O que foi?

Eu vou morrer.

Espera, espera... Tudo bem aí?

- Eu vou morrer. - Tudo bem?

- Eu sou ridícula. - Não, juro que não é.

Pronto...

Preciso pegar o trem.

- Quer ajuda? - Minha mãe está me esperando.

Dá minha bolsa.

Depois, a gente se viu três dias seguidos...

Mas por pouco tempo, ela tinha que pegar o trem.

E foi num café, porque ela não queria que a vissem comigo.

Eu juro, Abel. Vai começar de novo.

E vai ser como antes.

Não entendi. Quando vocês se viram?

Ontem, num café perto da estação.

Tudo bom?

Vem.

Vem comigo.

É um passarinho!

Eu não posso cuidar de um passarinho.

Não quero ficar com ele.

Mas ele é bonito, não é?

É, ele é bonito.

É isso que importa, não?

Escute...

A gente precisa parar de se ver.

Por quê?

Quando?

Não quero ficar com ninguém.

Por enquanto eu não posso.

- Eu espero. - Não adianta.

- Mas... - Não vai adiantar.

Você sabe...

Escute. Eu não quero mais que você venha, entende?

Certo?

Não é nada com você. Sei que você é gente boa.

O que está acontecendo?

É a sua família, é isso?

Eles podem ficar sem você de vez em quando.

- Me esquece... Me esquece! - Senta. Espera...

Leve o passarinho.

Eu sou alérgica a pardais.

- Mas não é um pardal. - Não faça isso.

Não faça isso.

Hoje de manhã, ela nem quis falar comigo, acredita?

O que eu faço? Volto lá ou não volto?

Não aguento mais pensar nisso.

Vá comprar jornais. Compre uma porção e leia todos.

Certo?

E faça as palavras cruzadas.

Não faz mal Isso é só pra passar o tempo.

Vejo você daqui a uma hora e meia.

Estarei trabalhando às 11h30.

Sim.

Então, a gente se vê à noite.

Certo?

Não se preocupe, está tudo bem.

Preciso desligar. Um beijo.

Até mais tarde. Tchau.

Desculpem.

Acabei de receber notícias preocupantes de um amigo.

- Se incomodam que eu fume? - Não, sem problema.

Tudo bem.

Quer tomar um banho?

Ou você está limpo?

Não, eu estou limpo sim.

Alô?

Sou eu.

Tudo bem?

Onde você está?

Na frente do colégio e você?

Na frente do colégio?

Sim.

Engraçado. Eu também.

Está falando sério?

- Posso ir aí ou não? - Não.

- Não posso ir? - Não! Vai embora. Vai, vai...

Suas amigas parecem legais.

Meu amor!

Está cheirando a cigarro.

Pensa que não vi você fumando?

Acha que fico contente quando você fuma?

Não me importa.

Não posso conhecer suas amigas?

- Por quê? - Elas vão achar você velho.

E daí?

Vai achar todas imbecis.

Vamos filmar. Todos em silêncio. Laurent, preparado?

Câmera!

Cena 8, take t.

Ação!

Obrigado.

- Olá, senhor! - Olá!

- A passagem, por favor. - Corta! Corta!

O que foi? Por que parou?

Ele me parou porque não tenho passagem.

Por que não deixou ele passar?

Ele não mostrou a passagem. Não posso deixar.

- Não posso passar sem passagem. - Voltem aos seus lugares!

Com a câmera atrás nem se nota.

Quem decide isso sou eu.

- Qual é o seu nome? - Clément.

- Você está indo muito bem. - Eu sei.

- Rachid, escute... - Não mostre a passagem.

Estou atrás e dá para ver. Não seja teimoso.

Se você não mostrar a passagem, vai estragar o filme.

Esse filme vai arrasar.

Sério.

Voltem todos aos seus lugares.

Vamos, lá. Rápido, por favor!

Vamos formar um retângulo.

- Ela acabou de falar. - Repetindo...

A Rebecca ficou com o Pierre.

- Não. - Nada a ver!

Não entendo nada.

Adoro suas amigas!

Boa tarde.

- Vamos fazer o teste. - Eu não...

Sem reclamação. Se não fizer, não vai sair mais.

- Pode confiar. - Sem discussão.

- Tá bom. - Vamos lá.

Obrigado. Está bom.

Deu zero. Ótimo.

Pode ir. Boa noite.

É aqui.

Já volto.

Boa noite.

- Vai de comum? - Pode ser aditivada.

Sabe onde tem uma mercearia?

Tem uma à esquerda, virando a esquina.

Obrigado.

Volto já.

É rapidinho.

Senhorita, incomoda se eu ler uma coisa para você?

Por quê?

É que escrevi um negócio e...

Se ler para alguém, posso ter outra perspectiva.

É longo?

Não, é só uma introdução.

Tudo bem. Leia.

"Se pudéssemos recomeçar tudo desde o início,

mas não podemos.

Cada segundo deixa uma marca profunda em nossa existência.

Encarávamos a vida como um rascunho,

o qual era possível apagar e reescrever melhor,

mais longo e mais forte, mas não.

Só temos uma chance.

A de escrever já a limpo, diretamente.

Isso é aterrorizante, mas é o que dá grandeza à vida."

Fique com o troco, obrigado.

Você gostou ou não?

Clément!

Clément!

Já que não atende, vou disparar o alarme do seu carro.

Clément!

Merda! Cacete... Não!

Merda! Merda!

Polícia! Não se mexa.

- O carro é do meu amigo. - Não se mexa!

Eu juro que o carro é do meu amigo.

O carro é meu!

Não façam isso!

O carro é meu!

Vamos indo.

Eu juro que o carro é dele.

Entre.

Eles quebraram as garrafas e começaram a brigar.

Um cortou a cara do outro e acabaram no hospital.

Você está com ela ou não?

- Esse não é o problema. - É. Quero que esqueça dela.

- Pare com isso. - Conheça e me diz o que acha.

Vai lá ver se ela é gostosa, ou se eu sou louco.

Tá bom. Se quiser, eu vou. Mas não precisa ficar assim.

É que fui eu que terminei a história.

Antes de viver a história, eu me convenci que acabou.

Não vai começar a chorar.

Estou com medo que comece de novo.

Que nada.

Você acha que vai?

Não, não vai começar de novo.

Não quer conhecê-la?

Assim você me diz o que acha.

- O senhor quer avisar alguém? - Quero sim.

Já volto.

Desculpe.

Alô. É a Colette?

- É... - Oi, sou eu.

Fui preso pela polícia.

Por quê?

Por nada...

Fiz uma besteira.

Quer que eu vá aí?

Não estou em Paris. Ficarei dois dias aqui.

Dois dias, não. Só algumas horas.

Para averiguação.

Precisa de roupa limpa?

Precisa de roupa limpa?

Não... Olha, é na hora de ir ao pátio. Preciso desligar.

- Você vai ligar para quem? - Sei lá...

Posso usar sua ligação?

Como eu faço?

Vou falar que você precisa fazer uma ligação...

e você vai ligar para a Jeanne.

- Você se incomoda? - Não, não me incomodo.

Fala para ela...

"Estou ligando para informar que o Abel foi preso."

Simples.

- Tá legal. - Não estique o assunto.

Preciso ser formal?

Ela não pode reconhecer você.

Pergunte se ela quer me mandar algum recado.

Alô?

Alô... Sim?

É a Jeanne?

Sim.

Estou ligando para informar que o Abel foi preso.

O que aconteceu?

Não posso falar mais nada.

Quem é?

É você, Clément?

Escute, se quiser que eu dê algum recado...

Não, não... Não tem recado. Quero que ele pare.

Pare de quê?

Que ele pare de me procurar. Não quero mais ouvir falar dele.

Certo.

Ele é a pessoa mais egocêntrica que eu já conheci.

Não quero gente ruim na vida

Só quero gente boa. Certo?

Certo.

- Você é o amigo, o Clément? - Sou.

Já que é amigo dele, quero que me ajude.

Porque isso está ficando extremamente desagradável.

Já faz dois anos que estou com outro e acho que...

Dois anos?

Sei, eu entendo.

- Sinto pena dele. Não sei como. - Pena?

Sinto pena! Lamento dizer isso, mas é verdade.

- Será que posso fazer algo? - Não... Não precisa!

Tem certeza?

Certeza. Certeza absoluta. Não faça nada.

Odeio sentir pena dos outros.

Quero que ele me esqueça! Entendeu?

Entendi, sim...

Pronto. Tchau, Clément.

Tchau...

Obrigado.

O que ela falou?

Ficou muito preocupada.

Ela perguntou o que aconteceu, mas eu não falei nada.

Fez bem.

Certo... Ela falou do outro cara?

Não.

Por quê?

Tenho a impressão de que ela não está bem.

Eu sinto isso.

Obrigado.

Vamos dormir um pouco. Estou acabado.

Vou deitar no chão.

Merda...

Cuidado.

Assim está bom.

Eu pego no sono pensando: "O amor existe".

- E me sinto bem. - Certo.

O seu síndico podia instalar interfone com ponto eletrônico.

Acha que tem síndico no prédio?

O quê?

Acha que tenho síndico?

Tem que ter.

Está ouvindo?

Tem sinos tocando.

Deve ser um casamento.

Não. Foi alguém que morreu.

Como você sabe se é casamento ou enterro?

Aqui, olha.

- Vem me mostrar quem é. - Não, não...

- Vá você. - Vem!

- Vá você. - Venha comigo!

Vá você sozinho...

Deu €9,70, por favor.

- €4,90, por favor. - Sim, é claro.

- Obrigada. Tenha um bom dia. - Até logo.

Olá, senhor.

Oi...

Essas tortas são de ruibarbo?

As da frente são.

Não estão muito frescas, parece.

São de hoje de manhã.

- Ah, é? - É...

Não estão com cara boa.

Elas são de hoje, eu garanto.

Mas elas são feitas aqui?

Lá embaixo, na cozinha.

Quer um tempo para pensar?

Pode atender esse senhor.

Gosto de saber o que vou comer.

Tem guardanapos ali.

Pronto, senhora. Obrigada. Tenha um bom dia.

- Um sanduíche, por favor. - Tem de presunto, de atum...

- Presunto. - Obrigada. Tenha um bom dia.

Só isso, senhor?

Precisa entrar na fila.

Vem cá.

Você é Mona?

Sim, sou eu.

- Você não gosta de passarinhos? - Ah, não...

Espera. Por que não aceitou o presente dele?

Não sei se não percebeu, estou trabalhando.

Eu sei. Eu vim aqui como um tipo de embaixador.

É só me explicar que eu vou embora.

Você é surdo? Estão esperando.

A sua colega se vira sozinha.

Qual é o problema?

Você não está livre, é isso?

Quem é você?

Eu só fiz uma pergunta.

Estou bem livre, mas não para ele.

"Bem livre"? O que quer dizer isso?

Que a minha vida é complicada, não tem lugar para ninguém.

Ainda mais para quem insiste.

Acabou?

Já fez o que tinha a fazer?

Sinceramente, eu não entendo.

Não entende o quê?

Ouvi falar que você era uma mulher especial...

Mas você é bem comum.

É isso aí. Bastante comum, cretino!

Babaca!

- O que me diz? - Não espere ela dar permissão.

Vai ficar esperando lá parado?

Ela não quer me ver lá.

Porque deu motivo para ela duvidar de você.

Ela está perdida, não sabe o que quer.

- Não percebe isso? - Sim, sim...

Por que a deixa escolher?

Eu...

Devo raptar a coitada?

Não! Passe uma noite com ela, sem pedir permissão.

- Já fiz isso várias vezes. - Ah, é?

É claro!

E aí?

Quando não quer que uma porta feche,

o que você faz?

Você mete o pé na porta.

É isso! Fique com ela uma noite...

E na manhã seguinte ela verá você de outro jeito.

- Será? - É claro.

Mas o que você achou dela?

Isso não tem nada a ver com beleza.

Acha que ela não é tudo isso?

Não... Imagina! Ela é bonita Claro, é linda.

Tem um nariz lindo...

Testa grande...

A beleza complica tudo, você sabe.

Abel, não vem com essa!

Com essa não, Abel.

Deixa eu passar. Não seja bobo.

Quero que você passe a noite comigo em Paris.

Já te expliquei. É impossível para mim não voltar para casa.

Não... Me larga!

Me larga!

Desculpe. Espera!

A gente se encontra às 16h, certo?

Me larga, já disse! Me larga!

Segure-a, cacete! Segura!

Espera...

Ela é muito teimosa.

Entre lá e pegue-a.

Ela é teimosa!

Entra e tira ela de lá!

- Espera... - Vai lá!

- Posso ir com você até em casa? - Não.

Só pra gente se despedir direito.

Não é não, não insista.

Estou triste.

Isso não é problema meu.

- Estou muito triste de verdade. - Não ligo a mínima.

Não imaginava você que tinha amigos desse tipo.

Ele se chama Abel.

Ele não é como você.

Ele é gente boa.

É que ele gosta de fazer as coisas com eficácia, só isso.

Vá lá ficar com ele.

Vá lá.

A gente toma um café outro dia.

- Verdade? - Eu prometo.

É tão difícil tirar uma mulher de um trem?

- Se não vem por bem... - O que está fazendo?

- Você arrasta! - Me larga!

Me larga!

Meu trem!

Meu trem!

Meu trem! Não!

Merda!

Vou perder o meu trem! Merda!

- Espera... - Meu trem!

Você pega o próximo!

Vou chegar atrasada!

- Cuidado... - Vou chegar atrasada!

Cuidado, me escute!

Vocês me fizeram perder o trem!

Calma, calma...

Eu mato você! Eu mato!

Calma!

Seu puto!

- Levante. - Ótimo!

Acho que já fiz o que podia. Já ajudei, agora virem-se.

Ajudar? Ajudar a fazer o quê?

Ajudar a nos matar! Eu conheço você?

Você vai ter que me levar!

Cuidado! O trem vai bater em você!

- Me larga... - Calma!

Eu vou ficar com você.

E agora?

O que vou fazer?

- E agora? - Acalme-se.

Contenha-se. Está todo mundo olhando.

Vamos beber alguma coisa.

O que sabe da minha vida?

Sabe a merda que você fez?

Quer que a gente pague um táxi?

Foda-se a porra do seu dinheiro!

Fica calma...

Esse cara é seu amigo?

Não podia arrumar um amigo melhor?

Tenho carro, eu levo você.

Não! Vou pegar o próximo trem.

Me larga!

- Eu fico com você. - Dá o seu celular.

Me dá o seu celular!

Dá o celular para ela!

Isso ia acabar acontecendo. Que burra!

Que fria. Essa foi fria!

Olha a merda que você arrumou.

- Eu? - É...

Não dá para ser mais esperto na hora de escolher?

- Só pega malucas. - Viu como ela está?

Precisamos cuidar dela.

Falei que a gente não ia cuidar?

Só disse que podia ter arrumado uma mais normal.

Uma que não fosse refém dos pais.

- Vai ficar tudo bem? - Não sei.

Não se preocupe. Esperaremos aqui com você.

Abel, venha!

Merda.

Tudo bem?

Tudo bem?

- Tudo bem? - Sim, tudo bem.

E você?

O que você faz além de esvaziar trens?

Estou falando com você.

Ele trabalha num estacionamento.

Não.

- Não o quê? - Não num estacionamento?

E o que você faz?

Escrevo coisas.

Coisas de que tipo?

Tipo livros.

Você sabe o que são livros?

Uns objetos quadrados de papel.

Você é engraçadinho, né?

Não tem cara de que faz isso.

Tenho cara do que, então?

Você não, ele.

E eu tenho cara de quê?

Sei lá... De escritor é que não é.

Não tem vergonha de ter que pedir permissão aos pais?

Nessa idade?

Pode deixar meus pais em paz?

Eles é que deviam deixar você em paz.

Vai passar a vida vendendo sanduíches,

voltando para casa às 9h da noite e...

Vai, continue a sua frase.

Ninguém sonha com isso.

- Eu disse que quero sonhar? - Não, mas podia tentar.

- Vá à merda! - Isso é elegante.

Dá licença. Já volto.

Não pode ficar uma noite com ele?

Isso é demais para você?

Você tem quanto com você?

Quanto o quê?

Quanto dinheiro.

Sabe o que é isso? Dinheiro?

Ah, quanto dinheiro?

Viu como tem jeito pra tudo?

Devo ter...

Uns €20. Isso dá?

É demais. Sério.

O que aconteceu?

O que aconteceu?

Nada.

Mona, vamos.

Seu trem sai daqui a 10 minutos.

Onde você trabalha?

É longe daqui. Por quê?

Posso ir com você?

Pode...

Não vai levar bronca dos seus pais?

Vou, mas isso é problema meu.

Vamos indo?

Pega a minha bolsa.

Tá bom.

Boa tarde, Sr. Juiz. É a Sra. Duval.

Bem, Sr. Juiz, estou ligando por causa da Mona Dessein.

Ela voltou alcoolizada na semana passada...

e tem vários pequenos atrasos.

Bem, ela ligou para cá há 3 horas.

Disse que teve problemas de transporte,

que perdeu o trem, que ia pegar o próximo.

Mas estou preocupada porque já faz 3 horas

e ela não voltou para o presídio.

A minha sugestão, se ela voltar, é aplicar a lei D124.

Caso ela não volte, vou pedir ao oficial da condicional

para declará-la fugitiva.

Certo? Vamos fazer assim?

Ótimo. Eu agradeço, Sr. Juiz.

Venham todos!

Podem vir para o cenário.

Certo, então venham, por favor.

Podem se aproximar, por favor.

Todos devem ter ouvido falar sobre Maio de 68.

Não esqueçam que foi realmente uma guerra urbana.

Na época, arrancávamos paralelepípedos e jogávamos.

Atiravam muitas coisas na gente.

Foi uma coisa muito grave.

Então, façam isso com muita energia

e com muita paixão. Certo?

Agora, vamos filmar.

Acionem os efeitos especiais!

Comecem com o carro número 1.

Ação!

Justiça em lugar nenhum,

polícia em toda parte!

Você está linda assim.

Estou morrendo de raiva.

Vou matar todos eles!

Polícia em toda parte, justiça em lugar nenhum!

É só o começo, a luta vai continuar!

- Quero falar com você. - O quê?

Quero falar com você.

Sabe quando me apaixonei por você?

O quê?

Foi quando vi você falando com um freguês japonês.

Que japonês? Do que está falando?

Me apaixonei por você...

Quando vi você falar com aquele freguês.

Você estava rindo porque não entendia nada.

Mas não estava gozando do cara.

Era uma risada cheia de amor e esperança.

Pare.

Isso não é motivo para se apaixonar.

Mas aconteceu. Me apaixonei por você.

Não pode sair por aí falando aos outros que se apaixonou.

- Ah, é? - Não pode!

- Por quê? - Não quero saber se me ama.

Mas você...

Você está apaixonada por mim?

Essa não é a questão.

Viu só? Já temos nossos segredinhos.

Me dá um beijo.

Dá um beijo...

Não estou apaixonada por você.

- O quê? - Adoro você, mas não é paixão.

Não posso me apaixonar.

Entendeu?

Me perdoe.

- Eu lamento. - Por favor...

Não estou apaixonada por você.

Abel!

Abel!

Corta!

Corta!

Atenção!

Agora vamos desmontar a barricada...

E depois vamos gravar só o som.

Quero todos reunidos embaixo da sacada.

Faz tempo que conhece Clément?

Por quê?

Gosto muito dele, quase o amo.

Mas não do jeito que ele gostaria.

- Estou cansado... - Faça com que ele entenda.

Comecem devagar e vão aumentando a intensidade.

Certo?

É só o começo, a luta vai continuar!

É só o começo, a luta vai continuar!

Onde está Clément?

Não sei. Está por aí.

Onde?

O que você fez? Cortou a si mesmo, maluco!

Chamem uma ambulância!

O que foi isso? Deixa eu apertar!

Deixa eu apertar!

Chamem uma ambulância!

Espera.

O que foi?

Ele fez isso por minha causa?

Você acha que sim?

Não.

Não vou entrar aí achando que fui a culpada.

E juro que não vou sair achando o contrário.

Está bem claro?

Tudo bom?

Sim, eu trouxe suas coisas.

Obrigado.

Vai com cuidado...

Pare de se preocupar.

Oi.

Você me deixou assustada, sabia?

Eu não queria...

Bom, mas eu estou vivo.

Boa noite. Já é tarde. Vocês precisam sair.

- Tudo bem. - Obrigada.

Tudo bem.

Certo...

- "Boa noite. Já é tarde..." - Quieto.

"Vocês precisam sair."

- Deram algo para você dormir? - Sim.

O passarinho precisa comer.

- Tudo bem. - Pode passar lá em casa?

Pegue as chaves ali.

Meu pequeno diamante azul...

- Durma bem. - Boa noite.

Até amanhã.

Boa noite.

Uma garrafa de água, por favor.

Por que está sempre com essa cara de bravo?

Acha que fica com um ar mais sério?

Obrigada.

Quer?

Obrigado.

Me deu vontade de dançar.

Mau sinal.

Pode me dar um chope?

- Obrigada. - Quer alguma coisa?

Não, obrigado.

Clément tem sorte.

Por que ele tem sorte?

Porque ele pensa em mim o tempo todo.

Fica menos solitário.

ENTRADA PRINCIPAL DA IGREJA

O que vai fazer?

Vem comigo.

Não, não posso entrar num templo.

É bonito. Vem!

Depois vou enfiar você num táxi.

Você acredita em Deus?

Depende.

Entendi... Você é religioso.

Eles só precisam fazer o sinal da cruz?

Ficar de joelhos e acender uma vela?

Como eles pedem perdão?

Eles têm tanta certeza de que Deus está aqui.

Que os protege e ama todos eles?

O que eles pedem para Deus?

Aquela mulher ali, por exemplo.

Por quem ela está rezando?

Talvez pela filha que está presa.

Uma menina tão inteligente, tão simpática.

Ela pode estar rezando para entender

porque tudo acabou mal, porque tudo virou um inferno.

Ela reza para conseguir perdoar a filha quando ela voltar.

O que você tem?

Nada, acho que é o incenso.

O quê?

Sou alérgico a incenso.

O que vamos fazer?

Vamos dar comida para a coisa de passarinho dele.

Depois, vamos tirar a roupa.

Nós vamos tirar a roupa, um de cada vez.

Eu tiro primeiro, para te dar coragem.

Deu vontade de fazer isso assim que vi sua cara na lanchonete.

Não estou falando que quero ser a sua esposa,

nem ter filhos com você.

Só quero que me deseje.

Esta noite estou precisando disso.

Também pode me deixar aqui.

Me viro sozinha.

Está pensando no Clément?

Um pouco.

Eu não estou pensando.

Bom dia.

Tudo bem?

Pode me dar um café?

- Toma. - Obrigada.

Dormiu bem?

Tudo bem?

- Espera, você precisa ir. - O quê?

Aqui está. Pega sua blusa. Mexa-se!

- Está brincando? - Anda logo. Precisa ir embora.

O que deu em você?

Vai, se veste aí. Anda.

Vai logo! Não é tão complicado, vista a blusa.

Saia da cama, desça, mexa-se!

- Está me machucando! - Pegue as suas coisas...

- Ficou maluco? - Pegue a bolsa e pronto.

- Vai, vai, vai... Desça logo! - Está me machucando!

Que se dane! Não aconteceu nada.

A culpa foi sua. Certo?

Vai... Bom dia.

Espera...

Está frio.

Isso dá.

Pega um casaco para não passar frio.

Merda!

Clément?

Clément?

É Abel.

O que você tem? Está pálido.

- Você precisa comer. - Não precisa.

- Onde a gente está? - No hospital.

Vamos embora, venha.

- Não posso sair assim. - Quieto.

- Vou chamar a enfermeira. - Não, não... Não vai chamar.

Pronto.

Espera. Fica aí, calma.

- Cuidado! - Não se preocupe.

Cuidado!

- Tudo bem? - Sim, é fácil.

É muito perigoso.

Que nada! São só 2, 3 metros.

Não, não...

Olha! É moleza. São dois metros.

- É muito perigoso. - Vai, anda.

- Primeiro as pernas... - Que merda!

- Primeiro as pernas. - Espera! Estou...

Isso, pronto. Agora a outra.

Não consigo.

Espera...

Estou travado aqui.

Vou contar até três para ajudar.

Eu não estou afim de pular!

Eu faço o que eu quero!

Não fale alto.

- Tá bom... Merda! - Não grite!

- Vai, olha... Olhe para o chão. - Eu tenho vertigem e travo!

Mas é só olhar para o chão.

Vai, olhe. Vai.

É verdade, melhorou.

Vai!

Certeza?

- Ai, cacete! - O que foi? O que foi?

- O que foi? - Abel, por que fez isso?

- Que gritaria é essa? - Ele caiu.

Está doendo pra cacete.

Podemos ir embora?

O corte foi profundo. Ele precisa de cuidados.

Ele vive fazendo isso. Já estou acostumado, juro.

E por que ele faz isso?

Não é nada original. Histórias de amor.

Ele acha que as coisas andam muito devagar e se precipita.

- Você entende? - Não.

Bom, presta atenção.

O médico me fez assinar uns papéis.

Estou responsável por você durante 48 horas.

Certo?

Eu penso e você faz o que eu disser.

- Não quero que pense mais nela. - Tá, mas quero vê-la.

Não! Esqueça. Não vai mais ver essa mulher.

Espera! Aonde vai?

Merda!

Espera!

- Me deixa! - Para!

- Não irá atrás dela... - Não vou conseguir!

Não vá mais atrás dela. Evite passar naquela estação!

Vai ser difícil viver sem usar a Gare du Nord, juro!

Tem muita gente que passa a vida toda sem pisar lá.

Quero falar com ela mais uma vez para me desculpar. Por favor!

Fica calmo.

Calma, calma...

Fica calmo.

Para! Fica calmo.

Tá bom. A gente vai falar com ela.

Agora, calma... Fica calmo.

Acalme-se.

A gente vai falar com ela, mas para se despedir.

CASA DE BANHOS

Tchau. Bom dia! Tchau!

- Pode me emprestar seu xampu? - Sim.

Eu estou sem.

Não tem toalha?

Não, não tenho nada.

Pegue esta.

Está um pouco úmida.

Está ótimo. Obrigada.

Você tem 20 minutos para tomar o banho,

mas se não tiver gente esperando, dá pra ficar mais.

Qual é o seu problema?

Nenhum.

Estou na casa de uma amiga, ela perdeu o trem...

e eu perdi minha chave. Estou esperando.

Ela volta à noite, tudo bem.

- Você está sozinha? - Não, com meu namorado.

Vou levar você para jantar.

Você vai adorar.

- Já volto. - Espero aqui.

O que aconteceu? O que aconteceu?

- Conhece este senhor? - Sim. O que foi?

- Ele é diabético? - Não, por quê?

Ele caiu quando soube o que aconteceu com uma balconista.

O que foi? A Mona morreu?

Não! Imagine... Está louco?

- Mas o que ele tem? - Espera, eu...

Agora entendi tudo. Eu sei de tudo.

- Me ajuda. Eu sei de tudo. - Do quê?

- Então conte, o que aconteceu? - Esperem a ambulância!

Eles virão até aqui à toa e vai sobrar pra mim.

É uma coisa ruim que para mim é boa.

Não! Desculpe, mas não é.

Isso muda tudo.

Isso muda o quê?

É por isso que ela não queria ficar comigo. Entende?

- Besteira! Isso não muda nada. - Muda.

Ela não voltou para a prisão. Deve estar escondida.

Ela pode ter cruzado com uns bandidos.

Tudo pode acontecer.

- Ela deve estar com fome. - Não exagera.

Precisamos encontrá-la, pedir desculpas e ajudá-la. É isso.

Vai querer se meter nos problemas dela?

Sim, mas... Espera...

Me desculpe, mas você está dando uma de covarde.

Tudo bem. Escute...

Vamos refazer o caminho dela ao inverso,

vamos perguntar e investigar.

Quando você a viu pela última vez?

Bom, nós saímos do hospital e...

- fomos até um bar tomar água. - Que bar?

Sei lá...

Tente se concentrar.

E depois?

Ela queria pegar um táxi, eu fui andando com ela...

Que empresa de táxi?

Eu preciso falar uma coisa.

Que empresa de táxi?

Sei lá... Antes de pegar o táxi, ela quis entrar numa igreja.

Igreja?

É, uma igreja perto do hospital.

Não lembro direito. Eu tinha bebido e...

Espera...

Vocês beberam? Não me disse que tinham bebido antes.

E depois?

E depois, nada. Foi só isso.

Nós vamos até a igreja, certo?

Eu acho que ela pode ter voltado lá.

Espero que o padre possa ajudar.

Vamos indo.

Venha! Vamos.

Onde é a igreja?

Onde está o padre?

Onde o padre está?

- Espera, espera... - O que foi?

- Pensei numa coisa. - No quê?

Será que ela dormiu na sua casa?

Deu a chave para ela ir alimentar o passarinho, é isso?

É, pode ser.

- Puta merda... - O que foi?

- Não deu comida para o bicho? - Não... Sim, sim.

Nós fomos até a sua casa por causa do passarinho.

Você está me confundindo com tantas perguntas.

Bom...

Vamos até a minha casa.

Vamos lá em casa. Vem.

O bairro mudou bastante, não é? Está tudo diferente.

Eu vinha muito aqui.

- Obrigada. - Até logo. Boa noite.

O que está fazendo aí?

- Castanhas. - Mas não tem a licença.

Não tem ninguém.

Ela não tinha motivo para voltar aqui.

Ela fugiu. Vamos embora.

Foi melhor assim.

Por que acha isso?

Não sabemos nada sobre essa mulher.

Só que ela mentiu.

Se quer saber, ela já esqueceu da gente.

A vida é assim, sabe?

Vamos comer. Cansei.

Espera, espera...

Mona?

Mona?

Eu não lembrava qual era o andar.

Ficamos sabendo umas coisas de você.

Fica quieto.

Esse casaco é meu.

É...

Eu sei que... assustei você.

Eu entendo você.

Você precisa me dar outra chance.

Eu acho que...

Sabe, acho que sou uma boa pessoa e...

sei que não posso forçar você a me amar...

mas não quero perder você.

Você é linda, provocante, apaixonante...

e não é nem um pouco chata.

Só quero

que a gente continue a se ver.

Será que você não quer... ser só minha amiga?

Você não quer fazer parte do meu grupo de amigos?

Fale alguma coisa porque...

É claro que eu quero.

É verdade?

É lógico.

Posso beijar você?

Eu não comi o dia todo.

Tudo bem. Amigos se beijam o tempo todo.

Posso beijar sua boca?

Para...

Clément?

Pode me dar as chaves? Eu vou...

Pode sentar aí, por favor?

Eu quero conversar com você.

Sobre o quê?

Sente aí, por favor.

Mona, acho melhor você tapar os ouvidos.

Na verdade, será melhor você ouvir.

O que foi?

Nós dois vivemos momentos muito importantes, não?

Sim, por quê?

É que... Não sei como dizer.

Isso não está mais sendo bom para mim.

- Como assim? - Quero dizer que...

Não gosto dessa pessoa que você virou.

Não gosto mais de você, é isso.

Não suporto o jeito como você fala comigo.

Você dá lição de moral em todo mundo.

Você é egoísta. Sim, egoísta.

Eu achava você bonito, forte, mas agora, virou um medíocre.

E não suporto mais...

a sua hipocrisia, entende?

Eu sou uma pessoa frágil. Você sabe disso.

É, eu sei.

Sabe que eu desmorono fácil.

Preciso de pessoas verdadeiras e transparentes perto de mim.

Desculpe, mas tenho a impressão de que você...

não me considera mais seu amigo, é isso.

Podemos continuar nos vendo, é claro que sim, só que...

não como amigos.

E vamos nos ver como?

Como nada. Como...

Vamos nos ver como...

como conhecidos, entende?

Olhe, eu acho isso ótimo.

Não existe nada pior do que forçar uma amizade.

Vamos beber para comemorar.

- Vamos lá! - Me dá suas chaves.

- Agora são dela. - Está falando sério?

- É uma grande ideia. - Que grande ideia?

Você não é obrigado a vir.

Espera aí...

Ele está sob minha responsabilidade.

- Como é que eu podia saber? - Me larga.

- Como eu ia adivinhar? - Me larga, já disse.

Não me interessa saber porque você está na prisão.

Se está trabalhando fora, é porque vai sair logo, não é?

Vai estragar tudo agora?

Por acaso você é especialista em código penal?

O que posso fazer para ajudar?

Nada. Sei me virar sozinha.

Me larga.

Somos amigos, não é?

Eu vou dançar.

Aquilo que você falou era sério?

Era. Por quê?

Não somos mais crianças. Vai ficar de cara feia?

Não estou de cara feia.

E o que muda a gente ser só conhecido?

Exemplo: pago a minha parte e a dela. A sua, não.

Porque está com essa cara? E que roupa brega é essa?

É que eu não sabia que era para vir fantasiado.

Eu não falo francês, desculpe.

Uma idiota veio me encher o saco.

Vê se relaxa.

Aquela idiota me ofendeu!

As pessoas vêm aqui para irritar os outros?

- Tem uma porção de gente aqui. - Que se dane!

Aqui é só alegria!

Tudo perfeito. A gente está na boa.

- Legal. - O quê?

Eu disse que fico feliz.

É... O quê?

Fico feliz!

Elas são lindas, não é?

Carne da boa!

- O quê? - Você está doidão.

Para! A gente não é mais amigo.

- Está chateada? - Acho que não.

Nunca fico chateada.

Estou um pouco cansada.

A gente pode conversar sério?

Querem saber por que estou na prisão?

Não, não quero saber.

E você, Abel?

Não, também não quero.

Melhor assim.

Vamos ali?

Onde?

No hotel, ali na frente.

Tem quantas estrelas?

Vamos dormir os três juntos, é isso?

Estou sem escova de dentes.

Vai levar a gente para o hotel?

Você tem razão. Ela é bem estranha.

Nós três no hotel é esquisito.

Não pode me deixar sozinho com ela?

Por quê?

É o mínimo que pode fazer como amigo.

Mas achei que a gente não era mais amigo.

- Cai fora, vai! - Tá bom, eu vou.

Obrigado.

Se eu for, você nunca mais vai me ver.

Vai me trocar por uma mulher que mal conhece?

É isso que quer? Não vai mais me ver?

- É isso. - Vocês vêm ou não?

Vamos.

Você está sendo bem escroto.

Vai me agradecer depois. Ela pode ser muito perigosa.

A senhorita fica no 14. É no primeiro andar.

- E os senhores, no 22. - Boa noite para vocês!

- Boa noite. - Obrigado.

- Boa noite. Obrigado. - Boa noite.

E se precisarem de alguma coisa, é só pedir. Estou à noite toda.

- Obrigado. - Boa noite.

Durma bem.

Vocês também.

Boa noite.

Ele achou que éramos um casal.

Que se dane!

- Fiquei mal com essa história. - Que se dane!

Não me trate como cachorro, por favor.

Aonde você vai?

Dar um beijo de boa noite nela.

Quem é?

Clément.

- O que você quer? - Tudo bem?

Esqueci de te dar um beijo de boa noite.

Entre, estou escovando os dentes.

Tem alguém aí?

- Quem é? - É Abel.

Só vim dizer boa noite.

Estou escovando os dentes.

Não tem graça.

- Eu começo por quem? - Por mim!

- Posso usar sua escova? - Pode.

Por quê?

Boa noite, coisinha fofa.

Não sei, mas...

está me beijando como uma menina de 12 anos.

E o que você queria?

Sei lá... Como uma amiga.

Imagine que você tem 15 anos e está muito bêbada...

e acabou de passar no...

Estou pronto.

Bom... Certo.

Pronto. Podem ir nanar.

Durmam bem.

Boa noite.

Vai... Boa noite.

Boa noite.

Alô? Sra. Rapet?

Boa noite. Eu acordei a senhora? Desculpe.

Mona... Mona Dessein.

Eu estou num quarto de hotel.

Hotel Les Trois Nations, Rua du Château-d'Eau, 13.

É, eu sei que me coloquei numa situação difícil.

Sim, tenho uma explicação.

Não, não saio daqui.

Eles vêm me buscar aqui?

14.

Não, não saio daqui.

Até logo.

"Há quem se diga amigo, mas é tolo quem nisso confia."

"Nada é mais comum que a palavra,

nada é mais raro que a amizade."

De quem é?

Me pergunto se um dia fomos amigos de verdade?

Sabe...

Quando conheci você, fiquei muito impressionado.

É mesmo? Porque impressionei você?

Não sei. Sua presença.

Quando você chegava num lugar, eu me arrumava todo.

Tinha a maior vontade de agradar você.

Me sentia mais forte porque você estava ali.

Lembro que quando eu estava deprimido, não estava bem...

Quer dizer, quando eu estava com quem me deixava deprimido,

quando eu não sabia o que dizer, eu imaginava o que você diria.

Imaginava ser você no meu lugar e me saia bem.

Engraçado...

Eu também pensava algo parecido.

Pensava que tudo que era seu, era meu também.

Também pensei nisso várias vezes.

Pensava que... Posso ser sincero, não é?

Pensava que...

nós levávamos melhor a vida porque éramos dois.

Nos virávamos bem, sim.

Faz muito tempo que...

não me faz descobrir coisas novas, não?

Agora um vive criticando o outro.

Isso acabou virando mesquinho, não acha?

Não sei... Não.

Nós viramos dois medíocres.

Não sente isso?

Você não tem mais nada a me ensinar.

Não tenho mais nada a ensinar? Você me faz rir.

Sabe que pode contar comigo.

Não é isso que quero dizer.

E o que quer dizer?

Quando você fala, não escuto mais, só isso.

Você me aborrece. Finjo que ouço você.

Se tenho uma coisa importante a falar...

quando quero abrir meu coração, não é mais com você que eu falo.

- Com quem você fala? - Com outras pessoas.

Pessoas que nem conheço direito, mas que se comovem.

Nós éramos amigos de verdade, juro.

Mas agora acabou.

Prefiro dormir em vez de ficar discutindo.

É, concordo.

Acho que...

Acho que vou fugir com Mona.

Sabe?

Vamos fugir juntos.

Acho que...

será a coisa que vai me dar mais prazer no mundo.

Mamãe, eu fiz uma besteira.

Eles vão me dar mais seis meses, com certeza.

Mas vou aguentar firme e quero que você aguente também.

A você posso dizer que devo ter feito isso de propósito.

Acho que eu tinha medo de sair, medo do mundo aqui fora.

Agora, mal posso esperar.

Ficarei feliz quando sair.

Daqui um mês, um ano... Não importa.

Eu vou sair.

É isso. Estou escrevendo para você não ficar preocupada.

É uma carta alegre.

Ela vai fazer você chorar, eu sei.

Mas ela é cheia de alegria.

Beijos da sua filha.

Nós devíamos ter sido músicos.

Para fazer música para todo mundo dançar.

Precisamos viver em grupos.

Senão ninguém aguenta.

Cada um de nós acabará sozinho, meu amigo.

Completamente ignorado.

Filho da puta!

Não acredito...

Mas que filho da puta! Filho da puta!

Você sofre de insônia?

Um pouco...

Não consigo dormir.

Mona?

Mona, é Clément.

Abra, por favor.

Seu namorado está dormindo?

Ele não é meu namorado.

Sei.

Antigamente eu era como você.

O que quer dizer?

Não queria rotular...

nem definir a relação por medo de estragar tudo.

Não... É sério.

Ele não é meu namorado.

Isso não é da minha conta. Beba.

O que vocês estão fazendo é nojento. Muito nojento.

Estão se lixando comigo. É como se eu não existisse.

Merda!

Não tenho nada a perder. Vou gritar cada vez mais forte!

Merda!

Acho você bonito.

Você também é bonito.

Acho você muito bonito.

Vou aí ficar com você.

Qual é a de vocês? Querem ver quanto eu consigo sofrer?

Quem deu essa ideia?

Quem foi?

Foi você, Abel?

Merda...

Mas isso não me assusta.

Isso não me assusta.

Eu me atiro embaixo de um carro, se eu quiser. Entendeu?

Posso fazer isso, certo?

Isso te dá tesão? Me atiro mesmo.

Juro que vou me matar.

Abel, está me ouvindo?

Abel, está me ouvindo? Vou me matar, juro que vou.

Sério, é o fim de tudo. Eu juro.

Não estou sentindo nada.

E se eu for mais para cima.

Aqui...

Não sinto nada.

O que foi?

Espera... O que ele está fazendo lá?

O que ele está fazendo? Merda...

O que está fazendo?

Aonde você vai?

- Merda! - Aonde vai?

Pare!

Aonde está indo?

O que deu em você? O que foi?

Aonde está indo?

- O que foi? - Me deixa em paz.

- O que foi? - Me solta.

- Espera, mas o que foi? - Solta.

Espera... Espera, Clément.

O quê? O que foi?

Espera... Espera...

Estou mal.

Estou bem mal, Clément.

Só tenho você.

Não acredito mais no seu sofrimento.

Eu perdoo você. Conte a verdade.

Que verdade?

Você trepou com ela?

Que história é essa?

Você é doido?

Como pode falar uma coisa dessas? Merda!

O que foi? Não...

Não, eu juro não houve nada...

Não aconteceu nada de condenável entre mim e Mona, certo?

DOIS AMIGOS

DOIS AMIGOS

DOIS AMIGOS

DOIS AMIGOS

- Art Subs - 7 Anos fazendo Arte para você!

Legenda Pirandello Durenkian

Sincronia e Revisão lletaif Durenkian

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